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levantes dessa ‘mudanga podem ser encontrados. E a transformago completa das ciéncias fisicas devida a essa mudanca s6 se tornaria clara apés o trabalho de Ampé- re, Fourier, Ohm e Kelyin, Actedito que o professor Price isolou outra novi- dade muito importante do século XVI. Mas & semelhanga ce tantas outras atitudes exibidas pela “nova filosofia”, os efeitos significativos dessa atitude para com a medi¢o pouco se manifestaram no proprio século X' A tensdio essenci tradigéo e inovacéo na pesquisa cientifica’ Estou agradecido pelo convite para pi r Sf réncia, o que interpreto como evidencia de que os préprios estudiosos da cria- 4 ans divergentes que tanto vi jem a sensibilidade para as abordager coal sta. quanto ao re- do que a de vor sio tao diferentes mo poderiamos guém com m sugerir nesta confer 1 Originalmente p diversos desta conf é tos dos exp vores re sno muitas das conclusdes a que ch isso um fisico-historiador pode ter algo a dizer. Restringirei minha atengéo um aspecto dessa imagem, aspecto este resumido como segue num dos documentos de trabalho: 0 cientista de base “deve carecer de prejuizos num ‘rau tal que possa olhar para os fatos ou conceitos mais ‘autoevidentes’ sem necessariamente aceitd-ios e, inversamente, permitir a sua imaginacao jogar com as mais improvaveis possibilidades” (Selye, 1959). Na linguagem mais técnica de outros documentos de trabalho (Getzels ¢ Jackson), esse aspecto dda imagem aparece de modo recorrente como énfase a “o pensamento di- vergente [..] a liberdade de comecar em diferentes direcSes [..] rejeitando a solugéo antiga e partindo numa nova diregéo”. Nao duvido, em absoluto, que essa descrigio do “pensamento diver- gente” e da correspondente busca por aqueles capazes de realizé-lo seja inteiramente apropriada. Algumas divergencias sempre caracterizam qual- quer trabalho cientifico, e divergéncias gigantescas esto no cerne dos epi- sédios mais importantes do desenvolvimento cientifico. Mas tanto minha experiéncia na pesquisa cientifica quanto minhas leituras em Histéria da Ciencia me levam a indagar se a flexibilidade e a abertura mental nao tém “penisamento convergente” é to essencial a0 avanco cientifico quanto 0 divergente. Uma vez que esses modos de pensamento se encontram inevita- m conflito, segue dai que a capacidade para suportar uma tensio, re pode beirar 6 uma das principais con o que ha de melhor 10 estudado esses assunt com énfase na importancia da: evolugSes" para 0 desenvolvimento cien dos em sua forma mais extrema ¢ los adventos do copernicanismo, do darwinismo ou do eins- teinianismo, nos quais uma comunidade cientifica troca um modo de con- ceber 0 mundo e conduzir a ciéncia ha muito estabelecido por outra aborda- ios sto exempl 1962, A tonsao essane: strut Ao contririo da de conhecimento cientifico, Para assimilé-las, 0 cientista comumente tem de rearranjar o equipamento intelectual e manipulativo em que confiava, des- cartando alguns elementos de sua crenga e de sua prética anteriores e, 20 ‘mesmo tempo, encontrando novos significados e novas relag6es em outros. Visto que o antigo deve ser reavaliado ¢ reordenado na assimilagao do novo, a descoberta e a invengao nas ciéncias so, em geral, intrinsecamente revo- luciondrias. Por conseguinte, requerem justamente a flexibilidade e a aber ‘tura mental que caracteriza ~ ou methor, define ~ 0 pensador divergente. Daqui em diante, portanto, assumiremos a necessidade dessas caracteristi as, Se muitos cientistas nao as possufssem em alto grau, néo teria havido revolug6es cientificas e muito pouco avango cientifico teria ocortido. Mesmo assim, a flexibilidade nao é o bastante, e 0 que resta nao ‘émanifestamente compativel com ela, Devo agora enfatizar, servindo-me de varios fragmentos de um projeto ainda em andamento, que a revolucio 6 apenas um de dois aspectos complementares do ayango cientifico. Quase nenhuma das pesquisas levadas a cabo mesmo pelos maiores cientistas € planejada para ser revolucionétia, e muito poucas tém esse efeito, Ao con- trario, a pesquisa normal, mesmo da mais alta qualidade, é uma atividade “eforgado no percurso profissio- terior. E verdade que, no fim, é normal que essa pesquisa convergente, ou circunscrita ao consenso, resulte em revolugio. As técnicas e crencas trae adiante, apenas investigagdes firmemente en Las provaveis a romper com a tradigao e dar origem a “tensdo essencial” implicita na pesquisa ntista deve afirmar um conjunto corrente sao candi tuma nova. & por isso que falo de cientifica. Para realizar essa tarefa, 0 complexo de compromissos intelectiais e manipulativos. Toda 8 a fama, caso tenha talento € sorte para obt depender de sua capacidade de trocar essa rede de comps (Getzels ¢ Jackson) muito conveniente: uma descrigao de Guilford da educacao ci [A educagao cientifica] enfatizou habilidades nas éreas do pensamento convergente e da avaliagéo, muitas vezes a custa de desenvolvimentos na area do pensamento divergente, Tentamos ensinar os alunos a chegar as solugdes “correras" que nossa civilizacio nos ensinou que eram corretas nas artes [e, devo actescentar, na maioria das ciéncias social desencorajamos o desenvolvimento das habilidades relacionadas ao pensa- mento divergente, em geral sem querer Essa caraci rece fazer jus a educagao cientifica, mas ergunto-me se é igualmente justo lamentar seus resultados. Sem querer defender © ensino como mera repetigao, ¢ admitindo que, neste tendéncia educacional para 0 pensamento convergente pode ter ido longe emai s Icangado seu atual Vou condensar a natureza da educacfo nas ciéncias nat engas importantes, mas de difer uigoes de A tensa essoncil preparados, ou quase, para se langar no trabalho de disse nfo so nem incitados a realizar projetos rudimentares de pesquisa nem expostos aos resultados imediatos da pesquisa feita por o a ‘comunicagdes profissionais que os cientistas escrevem uns para os outros. Nao ha compilagdes de “leituras” nas ciéncias naturais. Esses estudantes tampouco s4o encorajados a ler os clissicos de seus campos ~ nos quais po- deriam descobrir outros modos de ‘manuais, como também problemas, conceitos e padres de resolucéo que suas futuras profissdes jé h4 muito descartaram e substiculram. tam apresentam diversos assuntos, mas nfo, como em muitas das ciéncias sociais, diversas abordagens de um mesmo campo de problemas. At Por jportante, temos a técnica caracterfstica de apresentagio Exceto em uma ou outra introdugao, os manuais de que foi acompanhada de uma relagdo mestre-aprendiz [no sentido est “aprendizagem’], essa técnica de exposi¢ao exclusiva a uma tradigao rigida foi a maior geradora de inovagoes decisivas. Investigatei em seguida o padrao de pratica cientifica que emerge dessa ile ento direi por que esse padrao é tao bem-sucedido. tudo, uma digressdo histérica podera reforgar 0 que acabo de dizer e preparar 0 caminho para 0 que vem a seguir. Gostaria de sugerir que os varios campos das ciéncias naturais nem sempre foram caracteri- zados por uma educacio rigida, baseada em paradigmas exclusivos, mas que cada um chegou a técnicas semelhantes a essa no instante exato em ‘que © campo comecou a apresentar um progresso rapido e sistemitico. Se nos perguntamos qual {oi a origem de nosso conhecimento contempord- neo sobre os compostos quimicos, os terremotos, a reproducio biolégica, ‘© movimento através do espago ou qualquer outro assunto do Ambito das ciéncias naturais, encontraremos de imediato um padrao caracteri Atal jopriedades de ia pesquisa sao concepglo e esses mant século XX (uma cara cigncia sejam reescritos). te, 08 mai dae m de modo igu io. Nag 1s um pouco diferentes dos las circuns. il € no inicio do XIX, a Optica de jam & maioria dos essa tradi- em questo, Durante todo 0 século X’ Newton € os outros livros que ensinavam a ciéncia da eclucagio cientifica, podemos dizer que cada.uma dessas trés tradigdes se engajou num tipo de educagZo mediante a apresentagao de paradigmas inequivocos resumida brevemente acima. Desde Newton, a educagio © a pesquisa em Optica fisica tém sido, em geral, altamente convergentes. ‘i a histéria das teorias da luz nfo comeca com Newton. Se pesquisis- ssemos 0 estado do campo antes de sua época, encontrarfamos um padro significativamente diferente ~ ainda familiar nas artes e em algumas cién- mas, em larga medida, ndo nas ciéncias naturais. Desde a mais remota Antiguidade e até 0 fim do século XVII, ndo havia um conjunto Ginico de paradigmas para 0 estudo da Sptica fisica. Ao contrério, muitos propuseram um grande nimero de diferentes concepgdes sobre a natureza dia luz, Algumas dessas concepgdes encontraram bem poucos adeptos, mas coutras deram origem as mais estaveis escolas de pensamento. Embora 0 historiador perceba a emergi mudangas na relativa popula {que se aproximasse de um consenso. O resultado & qt ‘no campo era inevitavelmente exposto a varios pontos de vista conflitantes ido a examinar a evidéncia disponivel de cada um, e sempre 1a dindmica, na éptica geom ‘em partes da fisiologia, os paradigmas que geraram um primeiro consen- so datam da Antiguidade ida que seus problemas tenham sido Na eletricidade, na quimica e no estudo do cal Passo que na geologia e na biologia nao taxonémica nfo houve nenhum consenso efetivo antes dos primeiros trinta anos do século XIX. O século XX parece ser marcado pelo advento dos primeiros consensos em parte de algumas ciéncias sociais. Em todos os campos acima citados, um importante trabalho foi reali- zado antes da maturidade produzida pelo consenso. Nem a natureza nem a oportunidade do primeiro consenso nesses campos pociem ser compreendi- das sem um cuidadoso exame das técnicas intelectuais e manipulativas ie- senvolvidas antes da existéncia de paradigmas singulares. Mas a transicio idade nao & menos importante s6 porque individuos pratica- 8 de ela existir. Ao contrario, a Historia sugere fortemen- ue, embora seja possivel praticar ciéncia ~ do mesmo modo como se 0 padrio de avangos cientificos répidos e de grandes consequéncias ao qual nos habituamos nos tiltimos sé Segundo esse padtao, 0 desenvolvimento ocorre de um consenso a outro, € as abordagens puta. Exceto em nao faz p: le experimentagio. Pergunt flexivel apar nas mais célebtes por sua produgao de novas ideias as, Mas € oportuno perguntar antes 0 que p quisa conduzida por aqueles cujo objetivo mais imediato € ampliar a com- preensio em vez de controlar a natureza -, 0s problemas caracteristicos s40 quase sempre repetigSes, com ligeiras modificagGes, de problemas jé antes estudados e parcialmente resolvidos. Por exemplo, boa parte da pesquisa realizada em certa tradicao cientifica & uma tentativa de ajustar a teoria ou a observacao existentes, de modo que ambas apresentem concordancia cada vez maior. © exame continuado do espectro atémico.e molecular desde 0 surgimento da mecAnica ondulat6ria, ao lado da elaboragéo de aproxima- Bes teéricas para a previsao de espectros complexos, fornece um exemplo importante dessa tipica espécie de trabalho. Outro exemplo foi fornecido pelas observagées acerca do desenvolvimento, no século XVIII, da dinamica newtoniana, no artigo sobre medigao distribufdo a voces anies da pales- tra.° E evidente que a tentativa de levar a teoria e a observacao existentes a uma maior conformidade nfo é 0 tinico tipo de problema de pesquisa na cigncia bisica. O desenvolvimento da termodinémiea quimica ou as ten- tativas continuadas de desvendar a estrutura organica sio outro tipo de a extensio da teoria existente a se esperaria que jo tentado. Além desses, dda teoria existente so projetos de pesquisa normais nas at tipo ~ e isso quer dizer todos 05 cientistas, a maior parte do tempo - procu- ram elucidar, em vez de alterar, a tradicao cientifica em que foram criados, Além disso, o fascinio desse trabalho reside nas dificuldades de elucidacao, € no nas eventuais surpresas que podem surgir. Em condigoes normais, 0 cientista pesquisador nao é um inovador, mas um “resolvedor” de enigmas, 0s enigmas em que se concentra s4o apenas aqueles que ele acha que pode enunciar ¢ solucionar no ambito da tradigao cientifica existente. Entretanto ~¢ ¢ essa a questo -, 0 efeito final desse trabalho circuns- crito A tradigao tem sido inevitavelmente mudar a tradigao. Muitas e muitas vvezes, a tentativa continuada de elucidar a tradigo herdada produziu ao menos uma dessas alteracées na teoria fundamental, no campo dos proble- ‘mas ¢ nos padres cientificos, o que chamel anteriormente de revoluges cientificas. Ao menos para a comunidade como um todo, o trabalho numa tradigfo bem delimitada e profundamente arraigada parece ser mais capaz de produzir novidades que derrubem as tradigSes do que o trabalho em que no hd nenhum padrao convergente similar. Como pode ser? Creio que isso acontece porque nenhum outro tipo de trabalho é t20 apropriado para iso- lar, em um trabalho de atengao continua e centrada, os focos de dificuldade ou as causas das crises, de cujo reconhecimento dependem os avancos mais Como ja no primeito de meus trabalhos, as novas teorias e, cada vez mais, as novas descobertas nas cidncias maduras nao surgem ex novo. Ao contrério, emergem de outras teorias e no interior de uma mattiz de velhas crengas sobre os fendmenos que o mundo contém e néo contém Bssas novidades costumam ser extremamente esotéricas e profundas para que alguém sem uma considerével formacao cientifica as note. E 6 raro que mesmo aquele que a possua saia simplesmente A procura delas em Areas, digamos, em que a teoria ¢ 0s dados deixam de ser compreensiveis, Mesmo ‘numa ciéncia madura hé sempre muitas areas em que nenhum paradigma disponi existem poucos instrumentos provavel que o,cientista que se aventu m vez disso, 0 profis de dout ss em que 08 derivados de sua educacao e da pesquisa de seus contemporaneos parecem ser adequados. ‘Tenta, digamos assim, elucidar os detalhes topograficos de ‘uma carta cujas linhas principais j4 foram tracadas e espera um dia enfren- tar ~ se for sensato o bastante para reconhecer a natureza de seu campo ~ ‘um problema em que ndo haverd o antecipado, um problema que leve a um erro particularmente indicativo de uma fraqueza fundamental do préprio paradigma. Nas ciéncias maduras, o preltidio a muitas descobertas ¢ a toda teoria original néo é a ignorancia, mas o reconhecimento de que alguma coisa deu errado no conhecimento e nas crengas existentes. © que eu disse até aqui poderia indicar que € su produtivo adotar, sem grande preocupagio, a teoria existente como hipé- tese exploratéria, empregé-la faute de mieux a firn de iniciar sua pesquisa e abandoné-la tao logo o conduza a um ponto critico, a um ponto em que algo saia errado. Mas embora a capacidade de reconhecer a dificuldade quando se esta diante dela seja, sem dtivida, necesséria para o avango cientifico, pode néo ser tao fécil reconhecé-la, Exige-se do cientista um compromisso a tradicio com a qual ele romperé, caso tenha sucesso, Em parte, esse compromisso é exigido pela natureza dos problemas com © cientista trabalha normalmente. Como vimos, esses problemas so, em igmas esotéricos cujo desafio reside menos na informacso waz (com excegao dos detalhes, tudo é antecipada) do que inadas para que alguma solu assimidos apenas por ma solugdo, € sivel. A teotia, nor ‘luz por sua soh nas dificuldades técnicas que devem ser do go pessoas segutas de que a te pode fornecer ur ior eral, que os enigmas té ‘que constituem a pesquisa normal tém solugao, Por exemplo, quem teri claborado, a partir das drbitas basicas keplerianas, as refinadas técnicas ma- apenas a teoria cot tas ser Alem disso, ha razdes concordam de todo; observages sucessivas nunca fornecem exatamente os ‘mesmos resultados; seus experimentos apresentam resultados incidentais tanto teéricos quanto fenomenoligicos que exigiram outro projeto de pes- quisa para serem desvendados. Cada uma dessas anomalias ou fendmenos incompletamente compreendicos poderia ser um indicio plausivel de uma inovagao fundamental na teoria ou na técnica cientificas, mas aquele que se detiver no exame de cada um nunca completard seu projeto ini relatérios de pesquisa dao a entender, repetidas vezes, que todas as di pancias, salvo as mais notav is, poderiam ser tratadas pela teoria, se houvesse tempo para analisé-las. Para quem produz esses relatérios, a ‘grande maioria das discrepancias ¢ trivial ou sem interesse, uma avaliagao que em geral ele 86 pode atribuir & sua fé na teoria corrente. Sem essa fé, seu trabalho setia puro desperdicio de tempo e » a falta de compromisso resulta a frequéncia m engajamento do cientista em problemas que ele tem poucas chances de re- 86 & proveitoso se ela for mais do que nao 08 primeiros esforgos do cientista € de seus colegas potencialmente, um inovador, que tenha de po: uadicionalista convicto ou, se € que fago uso correto de seu vocabulério, um pensador convergente. Ainda mais importante, é preciso buscar com- preender como esses dois modos superficialmente discordantes de resolver, problemas podem se conciliar tanto no individuo quanto no grupo. Tudo que foi dito precisa ser mais bem elaborado e documentado. E muito provavel que algo se altere nesse processo. Esta exposigao relata um trabalho em andamento. Embora eu insista em que muito do que foi dito aqui é exploratério e que, como um todo, a exposigao € incompleta, espero que ainda assim eu tenha sido capaz de indicar por que um sistema educa- ional mais corretamente descrito como iniciagao a uma tradicao inequivo- a pode ser compativel com um trabalho cientifico bem-sucedico. E espero, além disso, ter tornado plausivel a tese histérica segundo a qual nenhuma parte da ciéncia progrediu, ou progrediu de modo intenso, antes que essa educagao convergente ¢ a pratica normal correspondente a cla se tornassem possiveis. Por fim, embora esteja além de minha competéncia deduzir dessa concepgéo do desenvolvimento cientifico as personalidades correlatas, es- descobre novas regras Tal como eu havia planejado de ini neste ponto, Mas ao trabalhar ne! empreendimento em que os profissionais so livres de cos- tume para escolher seus préprios problemas. De modo caracteristico, como problemas so selecioriados em areas em que os parai iveis, mas em que ainda restam 8 € como fazer a natur lluminagéo doméstica ou uma liga capaz de supoi calor intenso dos motores dos foguetes s6 pode ser feita com parcas referén- cias ao estado das ciéncias pertinentes. Creio que nao esta claro que as ca- racteristicas de personalidade necessérias para alcancar a exceléncia nesse tipo de trabalho mais imediatamente prético sejam as mesmas requeridas para a realizagao de grandes feitos nas ciéncias bisicas. A Histéria sugere que poucos individuos, cuja maioria trabalhava em dreas pontualmente de- marcadas, obtiveram exceléncia em ambas. Nao tenho a menor ideia de aonde nos leva essa sugestio. As di ses problematicas entre ciéncia basica, pesquisa aplicada e invengao pre sam ser mais investigadas. No entanto, parece provavel, por exemplo, que Oo cientista aplicado, cujos problemas nao necessitam de nenhum paradigma tifico relevante, pode se beneficiar de uma educaco mais ampla e menos ida do que aquela ¢ que os cientistas puros s20 expostos de costume. Ha certamente muitos epi llogia em que a auisén- nfo deve sugerir, no ent poderao transfo ‘Mas ao menos podemos argumen mb 8 ciéncias basicas. Ble considerava pessoas que sé deveriam io. Mas isso nao 0 impediu de tificas. a: tanto Tesla quanto Gramme ¢laboraram esquemas césmicos ab- surdos que .) Episédios como esses an » personalidad inver peculagao me w trabalho, eles st cés esti, de fato, em ima, aquele tipo de pessoa que acentua divergente e que os Estados Unidos jé produziram em abundancia. Nesse processo, vocés talvez estejam desconsiderando algumas das exigéncias es- senciais para o cientista bésico, um tipo muito diferente de pessoa, para ccujas fileiras as contribuig6es americanas tém sido até agora notoriamente escassas. Visto que vocés sfo americanos em sua maioria, talvez essa corre- lagdo nao seja mera coincidéncia. © 6 Com rel lacio & atitude dos cientistas ver Jones, Thomas Alva Edison, 0, 1983, p23,