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FACULDADE DE BIOCIÊNCIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOCIÊNCIAS - ZOOLOGIA

DIAGNÓSTICO DA AVIFAUNA CAPTURADA ILEGALMENTE NO


ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

Claiton Martins Ferreira

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

2001
Dissertação intitulada “DIAGNÓSTICO DA AVIFAUNA CAPTURADA
ILEGALMENTE NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL” apresentada
por Claiton Martins Ferreira como parte dos requisitos para obtenção do grau de
Mestre em Biociências, Área de Zoologia, aprovada em 09/05/2001 pela Comissão
Examinadora:

Dr. Luiz Glock


Orientador

Dr. Luiz dos Anjos

Dra. Clarice Fialho

Homologada em conforme ata N.º pela Comissão


Coordenadora.

Dr. Roberto Esser dos Reis


Coordenador
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL

FACULDADE DE BIOCIÊNCIAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM BIOCIÊNCIAS - ZOOLOGIA

DIAGNÓSTICO DA AVIFAUNA CAPTURADA ILEGALMENTE NO ESTADO

DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL

Claiton Martins Ferreira

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

PORTO ALEGRE – RS - BRASIL

2001
SUMÁRIO

RELAÇÃO DE TABELAS....................................................................................................... iii

RELAÇÃO DE FIGURAS ....................................................................................................... iv

DEDICATÓRIA....................................................................................................................... v

AGRADECIMENTOS ............................................................................................................. vi

RESUMO ............................................................................................................................... vii

ABSTRACT ............................................................................................................................ viii

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 1

1.1.O histórico do tráfico ..................................................................................... 1

1.2.Os órgãos de fiscalização do tráfico no Rio Grande do Sul ......................... 2

1.2.1.IBAMA ................................................................................................ 2

1.2.2.BPA ..................................................................................................... 2

1.3.O tráfico ........................................................................................................ 3

1.4.Os riscos para a população .......................................................................... 4

1.5.Apreensão e destinação de animais traficados no Estado do Rio


Grande do Sul .................................................................................................... 5

2. MATERIAL E MÉTODOS................................................................................................... 7

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ......................................................................................... 9

3.1.Espécies apreendidas e área em que foram liberadas ................................ 9

3.2.Destinação das espécies apreendidas ......................................................... 13

4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES ............................................................................ 14

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................. 17

ii
RELAÇÃO DE TABELAS

Tabela 1. Lista das espécies com respectivas famílias e quantidade de espécimes


apreendidos pelo IBAMA [1998, 1999 e 2000 (jan a jun)] e pelo BPA (1999 e 2000). .... 18

Tabela 2. Lista das espécies apreendidas pelo BPA nos anos de 1999 e 2000. ................. 21

Tabela 3. Lista das espécies apreendidas pelo IBAMA nos anos de 1998, 1999 e 2000
(jan a jun). ........................................................................................................................ 23

Tabela 4. Espécies incluídas nos apêndices do CITES e que constam dos relatórios
de apreensão do IBAMA e/ou do BPA durante os anos de 1998 a 2000. ....................... 11

Tabela 5. Comparação entre as apreensões do BPA e do IBAMA, ao longo do período


estudado distribuídos por estações climáticas para as quatro famílias mais
freqüentes e valores correspondentes dos testes do Chi-Quadrado (χ2) para
determinar a significância das diferenças (P). .................................................................. 12

Tabela 6. Relação entre a procedência (local onde as aves foram apreendidas) e o


destino (local para onde as aves foram enviadas) das espécies apreendidas pelo
BPA nos anos de 1999 e 2000. ........................................................................................ 25

Tabela 7. Relação entre a procedência (local onde as aves foram apreendidas) e o


destino (local para onde as aves foram enviadas) das espécies apreendidas pelo
IBAMA nos anos de 1998 a 2000...................................................................................... 26

Tabela 8. Distribuição estadual (BELTON,1994) e nacional (SICK,1997).das aves


enviadas pelo BPA à Quinta da Estância Grande nos anos de 1999 e 2000. .................. 27

Tabela 9. Distribuição de todas as espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA, de 1998


a 2000, no Estado do RS e no Brasil. ............................................................................... 31

iii
RELAÇÃO DE FIGURAS

Figura 1. Espécies mais apreendidas dentre o total contabilizado pelo IBAMA e pelo
BPA. ................................................................................................................................ 35

Figura 2. Apreensões realizadas pelo BPA (1999, 2000) e IBAMA (1998, 1999, 2000)
distribuídas por famílias de aves. O número indica a quantidade de espécimes. .......... 36

Figura 3. Comparação entre IBAMA e BPA com relação às quatro famílias mais
apreendidas feitas durante o período de estudo. V = verão, O = outono, I =
inverno, P = primavera. ................................................................................................... 37

Figura 4. Distribuição das freqüências de apreensões das quatro famílias de aves


mais capturadas durante o período analisado. ............................................................... 37

Figura 5. Distribuição geográfica de Conothraupis speculigera - tiê-preto (linha preta),


Tangara nigrocincta - saíra-azul (linha azul-escuro), Sporophila leucoptera -
patativa-chorona (linha rosa), Embernagra longicauda (ave endêmica da região) -
tibirro (linha verde-claro) e Sericossypha loricata (ave endêmica da região) - tiê-
caburé (linha amarela) e o sítio de soltura localizado em Viamão, RS (ponto
vermelho). ...................................................................................................................... 38

Figura 6. Distribuição geográfica de Tangara mexicana - saíra-de-bando (linha


laranja), Antilophia galeata - soldadinho (linha vermelha), Orchesticus abeillei (ave
endêmica da região) - tiê-marrom (linha marrom), Ramphocelus bresilius (ave
endêmica da região) - tiê-sangue (linha azul-claro) e Amazona aestiva - papagaio-
verdadeiro (linha verde-escuro) e o sítio de soltura localizado em viamão, RS. ........... 39

iv
DEDICATÓRIA

Dedico esta dissertação:

Aos meus pais-avós, João e Dalila (in memorian), que me ensinaram o valor do amor
incondicional preparando-me para a vida e, sendo a minha asa da infância à juventude,
ainda estendem, até hoje, suas asas quando estou precisando;

v
AGRADECIMENTOS

"Há uma lenda que conta que Deus criou os seres humanos com uma única asa,
ao invés de duas. Dessa maneira eles precisariam sempre dar as mãos a alguém a fim
de terem suas duas asas. Então, cada um há de buscar sua segunda asa em algum lugar
do mundo... para que complete o par. Assim todos aprenderão a se respeitar, pois ao
quebrar a única asa de outra pessoa podem estar acabando com as suas próprias
chances de voar. Aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa... Aprenderão que
somente permitindo-se amar eles poderão voar. Tocando o coração de outra pessoa eles
poderão encontrar a asa que lhes falta e poderão finalmente voar. Somente através do
amor irão chegar até onde Deus está. E eles nunca, nunca estarão sozinhos ao voar."
Na execução de qualquer pesquisa muitas pessoas são envolvidas, do início ao
fim do trabalho. Portanto, para a realização deste não foi diferente. Tenho muito a
agradecer a todas as pessoas que estiveram comigo neste vôo, em especial agradeço:
Aos meus amigos Walter de Nisa e Castro Neto, Márcio Amorim Efe, Humberto
Ott, Enio Burgos e Adriano Jagmin D’Ávila por sua amizade sempre presente -
providenciais asas na hora do aperto;
Ao meu orientador, Luiz Glock, que me ensinou o real valor de uma asa mais
experiente;
À minha mãe Lisabeth e minha irmã Cláudia, que estão sempre com suas asas a
postos para me auxiliar,
A todos os meus colegas da pós-graduação, por tudo.
Às secretárias da pós-graduação, Maria Luiza Moreira e Josilene Martins Rocha,
pelo carinho e especial atenção e por terem sido verdadeiras amigas quando tudo
parecia perdido;
Ao proprietário do criadouro conservacionista XYZ, que gentilmente me recebeu e
forneceu todas as informações a respeito do funcionamento do mesmo;
Ao Cap. Rodrigo Gonçalves dos Santos, oficial do Batalhão de Polícia Ambiental,
que sem a sua colaboração eu não teria conseguido levantar todos os dados de que
precisava;
Ao IBAMA, pelo fornecimento dos relatórios e demais documentos solicitados;
À PUCRS, em especial à Faculdade de Biociências, pela logística das excelentes
instalações de trabalho.
Ao CNPq, pelo suporte financeiro através da bolsa de mestrado;

vi
RESUMO

Ciclicamente ocorrem apreensões feitas por autoridades ambientais, com a


posterior liberação em sítios determinados. Em nenhum momento, no entanto, se fez
qualquer quantificação do montante deste deslocamento da avifauna silvestre para
espaços ecológicos diferentes de seus sítios de origem. Com este estudo objetivou-se: 1.
avaliar a intensidade da translocação da avifauna capturada ilegalmente no Estado do
Rio Grande do Sul; 2. oferecer subsídios para a tomada de decisão visando ações
conservacionistas; 3. inventariar e quantificar as espécies apreendidas; 4. identificar
quais espécies são liberadas e em que locais isto ocorre; 5. identificar as espécies
exóticas liberadas no Estado. Foram analisados os protocolos de apreensão de aves
silvestres registrados pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) da Brigada Militar do
Estado do Rio Grande do Sul no período de 1999 - 2000 em relação à região
metropolitana de Porto Alegre/RS e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) no período de 1998 a junho de 2000 em relação
ao Estado do Rio Grande do Sul. Como resultado da análise das aves apreendidas tanto
pelo IBAMA quanto pelo BPA, foram contabilizadas de 1998 a 2000 o somatório geral de
3797 espécimes sendo distribuídos em 26 famílias, 66 gêneros e 93 espécies. A espécie
mais apreendida foi Paroaria coronata, cardeal, com 1088 indivíduos representando 28,
65% do total de aves apreendidas. As soluções encontradas pelos órgãos ambientais
encarregados da apreensão, levam-nos a encaminhar as aves apreendidas a zoológicos,
criadouros conservacionistas ou deixá-las na posse dos contraventores como fiéis
depositários. Espécies exóticas acabam sendo liberadas, não em seu território original,
mas junto às áreas de apreensão ou junto a criadouros conservacionistas. Das aves
enviadas pelo BPA para um criadouro conservacionista para serem soltas, foram
encontradas 10 espécies que têm sua área de distribuição diferente daquela onde se
localiza o sítio de soltura. Dessas, 4 espécies são endêmicas de outras regiões
brasileiras: Orchesticus abeillei, Ramphocelus bresilius, Sericossypha loricata e
Embernagra longicauda.

vii
ABSTRACT

DIAGNOSIS OF ILLEGAL CATCHED AVIFAUNA AT RIO GRANDE DO SUL


STATE, BRAZIL.

Apprehensions made by environmental authorities has occurred cycling with


release in determined sites. In any moment, otherwise, any amount quantification of this
dislocation of wildlife avifauna to different ecological spaces from their original sites was
made. This work has assessed the wildlife avian apprehension protocols. One of those
protocols have been registered by Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) from Brigada
Militar do Estado do Rio Grande do Sul in the 1999-2000 term in relation to Porto
Alegre/RS metropolitan area. The other one have been registered by Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (IBAMA) in the 1998 to 2000, June term in relation to Rio Grande do
Sul State. As result from avian apprehension analysis as IBAMA as BPA, were accounted
the total amount from 1998-2000 of 3797 specimens distributed in 26 families, 66 genus
and 93 species. The most catched species was Paroaria coronata (red-crested cardinal)
with 1088 individuals representing 28.65% from total amount of illegal catched birds. From
that avian send by BPA to a conservationist creator to be released, 10 species had a
different distribution area from that one. From these ones, 4 species are endemic of
another Brazilian region: Orchesticus abeillei, Ramphocellus bresilius, Sericossypha
loricata and Embernagra longicauda. We hope that, from this date, environmental
authorities worry about to improve the anti traffic police system and improve the surveys
to break the passage by RS. We hope too they improve the apprehension register system,
sending back birds that come from another habitats to their original distribution area. And,
at last, we hope they promote and stimulate detailed studies from illegal catched birds and
the habitats where they are released to dimension the environment impact.

viii
1. INTRODUÇÃO

1.1. O histórico do tráfico

O presente trabalho é um diagnóstico pioneiro sobre a avifauna traficada em


território gaúcho. O comércio ilegal de animais silvestres ocorre em todo o mundo
(MORRIS, 1996). O Brasil, devido a sua rica biodiversidade (MITTERMEIER et al.,
1992), desperta a cobiça sobre a sua fauna e flora por traficantes que exploram, desde
o descobrimento, seus recursos naturais até a exaustão (SICK, 1997). Neste contexto,
devido à fronteira com países do Mercosul, o Rio Grande do Sul tem uma importância
estratégica para o tráfico, pois existem rotas que passam pelo Estado e rumam até os
países vizinhos (RENCTAS, 2001).
Em cerca de 500 anos o Brasil já perdeu, em área desmatada da Floresta
Amazônica, o equivalente a um país como a França. A Amazônia é uma região que
abriga quinze vezes mais espécies de peixes que todos os rios europeus, guarda 20%
da água potável do mundo e tem a maior linhagem de aves, primatas, roedores,
anfíbios, répteis e insetos da terra (SCHWARTZ, 2000). São cada vez mais constantes
as incursões nas matas tropicais em busca de animais para fomentar o tráfico nacional
e internacional. Manter animais silvestres em cativeiro continua sendo um hábito
cultural da população humana (POTEN, 1991).
Com a intenção de combater o comércio ilegal da fauna silvestre nacional foi
criada em 1999 a Rede Nacional Contra o Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS),
um projeto de parceria desenvolvido entre a ONG Sociedade Mata Viva e o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA e tem
como objetivo unificar as ações da sociedade civil organizada no sentido de contribuir
com os órgãos de fiscalização e inteligência nacionais e internacionais para o combate
ao tráfico de animais silvestres em Território Brasileiro. A RENCTAS interliga diversas
organizações nacionais e internacionais através da Internet, buscando difundir
informações e articular campanhas e atividades contra o tráfico de animais silvestres
no Brasil.
Muitas plantas e animais são protegidas pela Convenção sobre o Comércio
Internacional de Espécies da Flora e Fauna Ameaçados de Extinção (Convention on
International Trade in Endangered Species of Fauna and Flora). Conhecida como
CITES, ela é um acordo internacional com a participação de diversos países
conhecidos como parceiros (MORRIS, 1996). CITES aborda o assunto da
conservação e regulação do comércio sobre vários níveis. Para algumas espécies, o
impacto do comércio internacional ameaçaria a sua sobrevivência. Outras espécies,

1
ainda não em extinção, estão diminuindo seus números populacionais de tal forma que
a exploração desregulada ameaçará a sobrevivência delas. Há ainda algumas
espécies que não estão em risco internacionalmente, mas um país pode se valer do
sistema para proteger as suas populações internamente e também requisitar
cooperação de outras nações no controle do comércio (IFAW, 2001).
A união entre o WWF (World Wide Fund For Nature) e a IUCN (The World
Conservation Union) resultou no programa de monitoramento de comércio da vida
silvestre chamado TRAFFIC. A rede TRAFFIC trabalha em cooperação com o
Secretariado do CITES. Ela também colabora com uma grande cadeia de outros
parceiros, incluindo a Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN, muitos
governos e outras organizações (TRAFFIC, 2001). É uma rede internacional com uma
equipe culturalmente multidisciplinar nos cinco continentes, em 22 países e territórios,
mantendo pesquisas em curso em dezenas de outros. Desde a sua fundação em
1976, o TRAFFIC cresceu e tornou-se o maior programa mundial de monitoramento do
comércio da vida silvestre e se constitui numa fonte global sobre assuntos de comércio
da vida silvestre (TRAFFIC, 2001)

1.2. Os órgãos de fiscalização do tráfico no Rio Grande do Sul

1.2.1. IBAMA

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -


IBAMA, foi criado pela Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989. O IBAMA foi formado
pela fusão de quatro entidades brasileiras que trabalhavam na área ambiental:
Secretaria do Meio Ambiente - SEMA; Superintendência da Borracha - SUDHEVEA;
Superintendência da Pesca – SUDEPE, e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
Florestal - IBDF. São 14 os objetivos finalísticos do IBAMA definidos para o
cumprimento de sua missão institucional (IBAMA, 2000), dentre os quais se destacam:
a) executar o controle e a fiscalização ambiental nos âmbitos regional e
nacional;
b) executar ações de proteção e de manejo de espécies da fauna e da flora
brasileiras.

1.2.2. BPA

O Batalhão De Polícia Ambiental (BPA), foi inicialmente criado como Grupamento


Florestal, em 5 de maio de 1989 e em 22 de junho de 1993 passou a se chamar

2
Esquadrão de Policiamento Ambiental, subordinado ao 4º Regimento de Polícia
Montada da Brigada Militar e, finalmente, em 22 de janeiro 1998, conforme o Decreto
Lei Nº 38.107/98 é criado o Batalhão de Polícia Ambiental, com a missão inicial de
exercer a Polícia Ambiental na Região Metropolitana de Porto Alegre e preparar a
doutrina e estrutura necessárias para incorporar as Patrulhas Ambientais (PATRAM)
do interior do Estado, expandindo sua estrutura e atividades em todo o RS.
O BPA conta com homens que recebem especialização na área de delitos
ambientais, além de sua formação básica policial, o que torna esse efetivo altamente
qualificado em suas ações. Em seus currículos constam matérias que capacitam o
homem a reprimir e fiscalizar, ostensivamente, os delitos ambientais, mas acima de
tudo, programas que lhes permitam entender a problemática ecológica, bem como o
contexto social em que estão inseridos, de maneira que seus integrantes não somente
saibam fazer, mas, acima de tudo, saibam porque estão fazendo (BPA, 2000).
Com esse espírito, as atividades do BPA compreendem a fiscalização local e dos
delitos ambientais e sua repressão, através de patrulhas embarcadas e terrestres, que
diuturnamente trabalham na proteção do meio ambiente.
A atribuição legal do Batalhão de Polícia Ambiental - BPA, de acordo com o artigo
45 do Decreto Lei Estadual No 38.107/98, é "de cumprir e fazer cumprir a legislação
ambiental, representar a Brigada Militar nas atividades atinentes à área e promover o
intercâmbio com outros órgãos governamentais, por intermédio da proposição de
convênios".
Em conseqüência deste dispositivo, atualmente o BPA está sediado em Porto
Alegre, com sua área de ação restrita a Região Metropolitana, mas "atuando
integrado" com as 77 (setenta e sete) Patrulhas de Policiamento Ambiental - PATRAM,
instaladas em 70 (setenta) municípios do Estado do Rio Grande do Sul, atualmente
sob a jurisdição dos 22 (vinte e dois) Comandos Regionais de Policiamento Ostensivo
(BPA, 2000).

1.3. O tráfico

Este é o terceiro maior comércio ilegal do mundo, perdendo apenas para o tráfico
de drogas e de armas, que segundo os especialistas, hoje se misturam tanto que são
encarados como um único processo (LE DUC, 1996). Por ser tratar de uma atividade
ilegal e por não existir uma agência centralizadora das ações contra o tráfico no Brasil,
os dados reais sobre esse comércio ilegal são imprecisos (POTEN, 1991; LE DUC,
1996). A maioria dos animais silvestres brasileiros comercializados ilegalmente
provém das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. A partir dessas regiões

3
são escoados para as regiões Sul e Sudeste, utilizando-se as rodovias federais. Os
principais pontos de destino desses animais são os Estados do Rio de Janeiro e São
Paulo, onde são vendidos em feiras livres ou exportados através dos seus principais
portos ou aeroportos. Muitas espécies são levadas para países vizinhos onde recebem
documentação falsa como se fossem nativos desses países (JANSEN, 2000). O
destino internacional desses animais são a América do Norte, Europa, Ásia, onde
chegam para engordar coleções particulares, para serem vendidos em Pet Shop´s ou
comporem o plantel de zoológicos, universidades, centros de pesquisa e
multinacionais da indústria química e farmacêutica (POTEN, 1991; JANSEN, 2000;
RENCTAS, 2001).
As aves silvestres, especialmente Passeriformes e Psitaciformes (POTEN,
1991) têm sido constantemente capturadas ilegalmente e freqüentemente ocorrem
apreensões feitas por autoridades ambientais, com a posterior liberação em sítios
determinados (WANJTAL & SILVEIRA, 2000).

1.4. Os riscos para a população

Vez ou outra a população mundial se vê alarmada com notícias de que mais uma
peste, até então desconhecida, está matando milhares de pessoas em vários pontos
do planeta. Recentemente foi o vírus Ebola, que provocou grandes perdas ao Zaire.
Mas o ataque desses vírus não é privilégio apenas de países pobres e
subdesenvolvidos. Grandes nações já padeceram com novas e inexplicáveis
moléstias, como a Alemanha (vírus Marburg) e os EUA (doença dos legionários e
recentemente surpreendido com a presença do vírus Ebola perto de Washington)
(CDC, 2000).
As florestas tropicais são um grande reservatório de microorganismos
desconhecidos, que podem provocar sérios problemas de saúde pública, como
aconteceu no Brasil durante a construção da estrada Transamazônica, onde morreram
centenas de operários, vítimas de febres hemorrágicas desconhecidas, e mais
recentemente, no Estado de São Paulo, mais precisamente na região de Cotia,
quando faleceram seis membros de uma mesma família, vítimas do ataque de um
vírus desconhecido, que recebeu o nome de Sabiá, e que hoje se encontra em fase de
pesquisa pelo Centro de Controle de Doenças (Center for Disease Control and
Prevention - CDC), em Atlanta - EUA, um dos poucos laboratórios no mundo
capacitados para lidar com vírus de nível 4, de altíssimo risco de contaminação e
transmissão (CDC, 2000).

4
Segundo Daszak et al. (2000) os movimentos internacionais de estoques vivos e
as modernas práticas agrícolas têm conduzido ao surgimento de doenças infecciosas
emergentes (Emerging Infectious Diseases - EIDs) tal como a encefalite espongiforme
bovina na Europa.
A principal fonte de contágio de seres humanos por esses vírus se dá por meio do
contato com animais silvestres, que através das suas fezes e urina o transmitem.
Alguns desses animais podem tornar-se agressivos e por meio de mordedura,
transmitirem também doenças conhecidas, porém não menos letais ou perigosas,
como a raiva e a leishmaniose, entre outras (DASZAK et al., 2000).

1.5. Apreensão e destinação de animais traficados no Estado do Rio Grande


do Sul

Ao realizarem apreensões de animais traficados, tanto o IBAMA quanto o


Batalhão Ambiental, dão alguns possíveis encaminhamentos para esses animais:
1)soltura 2)criadouro conservacionista 3)zoológico. Muitos dos animais que são
enviados para criadouros conservacionistas, principalmente Passeriformes, são
reabilitados e soltos, normalmente no lugar onde se localiza o criadouro, mesmo que
este esteja distante do local de captura da ave. É o caso do Criadouro
Conservacionista XYZ, onde cerca de 66% das aves apreendidas pelo BPA nos anos
de 1999 e 2000 foram enviadas para lá e, desse contingente, mais de 95% são soltas
no sítio onde está localizada a propriedade, no município de Viamão. Existem muitas
investigações policiais e notícias na imprensa a respeito do sério problema em que se
configura o tráfico de animais silvestres, no entanto não foi feito até o momento um
estudo científico que dimenssionasse os efeitos dessa captura ilegal sobre a
translocação de aves não migratórias no Estado do Rio Grande do Sul.
Espécies exóticas podem exterminar espécies nativas através da competição,
predação, transmissão de doenças, hibridização ou destruição de hábitat (NEWTON,
1998). Causas múltiplas também podem determinar a extinção de espécies, como é o
caso do pombo-passageiro, Ectopistes migratorius, a ave mais abundante da América
do Norte. Eles reproduziam em grandes colônias, sobre as quais o sucesso deles
pode ter dependido. A matança geral, ocasionada pela caça, a fragmentação do
hábitat e a disfunção social podem todas ter contribuído para a extinção da espécie
(NEWTON, 1998). Mesmo uma larga distribuição e espécies numerosas não estão
completamente imunes à rápida extinção. Segundo Begon (1996) muitas espécies
introduzidas são assimiladas dentro das comunidades sem efeitos muito óbvios.

5
Todavia, algumas têm sido responsáveis por acarretar mudanças dramáticas às
espécies nativas e comunidades naturais, reduzindo a biodiversidade.
Segundo Wanjtal e Silveira (2000) um dos maiores riscos associados à prática
de soltura sem método e monitoramento é a disseminação de zoonoses, com a
possível extinção local das espécies contaminadas. Ainda segundo os autores, os
programas de reintrodução têm tido maior sucesso quando há translocação de aves
(têm sua origem na natureza) ao invés de terem nascido, criadas ou terem tido alguma
passagem pelo cativeiro, como é o caso da aves soltas após apreensões do IBAMA e
BPA. Esse insucesso pode ser a diferenças comportamentais das aves cativas, à
menor adaptabilidade genética ou às doenças adquiridas em cativeiro.
Os fatores de risco para a emergência de doenças em programas de
conservação são complexos. Programas de reprodução em cativeiro ajudam a manter
as populações saudáveis e genéticamente viáveis para subseqüente soltura no
ambiente selvagem (GRIFFIN et al., 2000; SARRAZIN et al., 2000). No entanto, a
transferência potencial de patógenos dentro de populações selvagens não
previamente expostas em áreas protegidas freqüentemente sensíveis representa um
sério desafio para os esforços de conservação (DASZAK et al., 2000; OSTFELD et al.,
2000; CHIVIAN, 2001).
Um dos maiores problemas que surgem em decorrência das solturas não
monitoradas é o desconhecimento a respeito das conseqüências causadas e da
verdadeira história da espécie e do ecossistema que ela ocupa, podendo ser um fator
importante para acelerar o processo de extinções em cascata (WANJTAL & SILVEIRA,
2000; CHIVIAN, 2001).
Quantidades não dimensionadas de aves silvestres têm sido constantemente
capturadas ilegalmente e desviadas de seus locais de origem. Ciclicamente ocorrem
apreensões feitas por autoridades ambientais, com a posterior liberação em sítios
determinados. Até o presente trabalho não se fez qualquer quantificação do montante
deste deslocamento da avifauna silvestre para espaços ecológicos distintos de seus
sítios de origem. Com este trabalho o autor pretende:
1. Avaliar a intensidade da translocação da avifauna capturada ilegalmente no Estado
do Rio Grande do Sul;
2. Inventariar e quantificar as espécies apreendidas;
3. Identificar quais espécies são liberadas e em que locais isto ocorre;
4. Identificar as espécies exóticas liberadas no Estado.
5. Oferecer subsídios para a tomada de decisão visando ações conservacionistas;

6
2. MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho avaliou os protocolos de apreensão de aves silvestres


registrados pelo Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) da Brigada Militar do Estado do
Rio Grande do Sul no período de 1999 - 2000 em relação à região metropolitana de
Porto Alegre/RS e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (IBAMA) no período de 1998 a junho de 2000 em relação ao Estado do
Rio Grande do Sul. Fez-se a conferência dos procedimentos utilizados pelos dois
órgãos para a identificação das aves apreendidas. Em caso de dúvidas o BPA se vale
do apoio da Fundação Zoobotânica, órgão do Governo do Estado do Rio Grande do
Sul. Já o IBAMA busca solucionar eventuais dúvidas sistemáticas com o apoio do
CEMAVE (Centro de Pesquisas para a Conservação de Aves Silvestres), um órgão
oficial do IBAMA. Ao longo do período de estudo foram acompanhadas as atividades
do BPA tendo sido observadas as apreensões, os registros, os procedimentos de
identificação e o encaminhamento das aves apreendidas ao seu destino. O local de
retorno à natureza, bem como os dados de apreensões ao longo dos períodos
referidos ofereceram os dados para estimar a movimentação, por interferência do
homem, das espécies envolvidas.
Das aves apreendidas foram registradas a data de apreensão e a quantidade
por espécie. A nomenclatura utilizada para referir as espécies segue Sick (1997).
O status global de conservação das espécies segue o adotado pela União
Mundial para a Natureza (IUCN, 2000).
Os dados coletados, organizados e sumarizados através da estatística
descritiva, são apresentados agrupados sazonalmente e comparados estatisticamente
pelo teste de Chi-Quadrado (χ²) (ZAR, 1999). As análises estatísticas foram feitas com
aplicativos do SPSS® versão 9.0 e EXCEL 97®.
A distribuição geográfica das mesmas é referida com base nas descrições da
avifauna do Rio Grande do Sul (BELTON, 1994) e do Brasil (SICK, 1997). Foram
consideradas para determinação da distribuição geográfica apenas as aves de que se
conhecia o nome específico. Das aves apreendidas foram registradas a data de
apreensão, a quantidade por espécie, a procedência e o destino.
Na elaboração dos mapas comparativos entre distribuição geográfica original e
soltura, levou-se em conta os seguintes critérios para seleção das aves:
1º) Aquelas constantes dos relatórios do BPA, uma vez que nos relatórios do
IBAMA não há informação para qual criadouro foram enviadas;
2º) As aves que tinham sua distribuição geográfica distinta do local de soltura;
7
3º) As aves que foram efetivamente soltas.
A organização das espécies ao longo do texto foi de acordo com sua posição
taxonômica, organizada por Sick (1997).
As convenções adotadas para as Regiões, Estados e Pontos Cardeais
respectivamente, foram as seguintes: NR – Região Norte; NER – Região Nordeste; SR
– Região Sul; SER – Região Sudeste; COR – Região Centro-Oeste. AC – Acre; AM –
Amazonas; AL - Alagoas; AP - Amapá; BA - Bahia; CE - Ceará; ES - Espírito Santo;
GO – Goiás; MA - Maranhão; MG – Minas Gerais; MS – Mato Grosso do Sul; MT –
Mato Grosso do Norte; PA - Pará; PB - Paraíba; PE - Pernambuco; PI - Piauí; PR -
Paraná; RJ - Rio de Janeiro, RO – Rondônia; RN - Rio Grande do Norte; RR –
Roraima; RS - Rio Grande do Sul; SC - Santa Catarina; SE - Sergipe; SP - São Paulo.
N – Norte; S – Sul; L – Leste; O – Oeste; NE – Nordeste; SE – Sudeste; SO –
Sudoeste; NO – Noroeste; ce – central; oc –ocidental; or – oriental; me – meridional;
se – setentrional.
As estações climáticas foram condicionadas aos seguintes critérios: Verão -
Dezembro, Janeiro e Fevereiro; Outono - Março, Abril e Maio; Inverno - Junho, Julho e
Agosto; Primavera - Setembro; Outubro e Novembro.

8
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Espécies apreendidas e área em que foram liberadas

Foram contabilizadas de 1998 a 2000 o somatório de 3797 espécimes de aves


distribuídas em 26 famílias, 66 gêneros e 93 espécies (tabela 1). Deste total, 18
espécies não tem sua ocorrência registrada para o RS (BELTON, 1994). Um grande
contingente de espécimes são soltos diariamente na natureza o que explica, muitas
vezes, o registro de novas ocorrências de algumas espécies para o Estado. Esse é o
caso de Paroaria dominicana, espécie natural da Região Nordeste do país e que é
facilmente encontrada na cidade de Porto Alegre, RS. Ressalta-se também que,
dentre as espécies apreendidas, cinco são consideradas endêmicas de outras regiões
brasileiras (SICK, 1997), e três delas figuram nas categorias de status populacional da
IUCN (2000): ararajuba, Guarouba guarouba, classificada na categoria "em perigo"
(EN) e tibirro, Embernagra longicauda e tiê-marrom, Orchesticus abeillei, ambos
classificados na categoria "com baixo risco/quase ameaçada" (LR/nt). A RENCTAS
(2001) fez um levantamento dos animais apreendidos para a Região Sul, junto ao
IBAMA, de 1992 a 2000. Nos anos de 1998, 1999 e 2000 encontrou 4847 indivíduos,
de diversos grupos zoológicos, apreendidos.
As 12 espécies mais apreendidas foram, em ordem decrescente, o cardeal, P.
coronata com 1088 indivíduos apreendidos representando 28, 7% do total de aves
apreendidas; o canário-da-terra, Sicalis flaveola, com 586 aves apreendidas; a
caturrita, Myiopsitta monachus, com 395 aves apreendidas; o azulão-verdadeiro,
Passerina brissonii, com 207 aves apreendidas; o tico-tico-rei, Coryphospingus
cucullatus, com 158 aves apreendidas; o coleirinho, Sporophila caerulescens, com 143
aves apreendidas; o pintassilgo, Carduelis magellanicus, com 130 aves apreendidas; o
sanhaçu-frade, Stephanophorus diadematus, com 109 aves apreendidas; o sabiá-
laranjeira, Turdus rufiventris, com 86 aves apreendidas; a marreca-piadeira,
Dendrocygna viduata, com 63 aves apreendidas; o papagaio-verdadeiro, Amazona
aestiva, com 62 aves apreendidas e o flamingo, Phoenicopterus chilensis, com 50
aves apreendidas (fig. 1). A. aestiva, espécie alóctone introduzida na natureza,
embora não comprovadamente aclimatada no RS forma um agrupamento considerável
de indivíduos em pleno ambiente urbano, na cidade de Porto Alegre.
Agrupadas por famílias, observa-se que a família com mais representantes
apreendidos foi a Emberizidae, com 2756 espécimes e representando 72,6% do total ,
seguida pela Psittacidae, contabilizando 522 indivíduos (fig. 2). Esses dados apontam

9
para uma preferência, por parte dos traficantes, de capturar aves com potencial para
serem canoras ou de estimação/companhia.
O BPA apreendeu 900 indivíduos em 1999 (tabela 2) sendo a maior apreensão
de M. monachus com 289 espécimes. Em 2000 foram apreendidos 467 indivíduos,
sendo a maior apreensão de S. flaveola com 107 espécimes.
P. coronata foi a ave mais apreendida pelo IBAMA em todos os anos com 273
(1998), 227 (1999) e 485 (2000) indivíduos (tabela 3). S. flaveola, teve seus números
contabilizados em 76 (1998), 223 (1999) e 58 (2000) aves apreendidas. Embora estas
duas espécies não figurem em nenhuma lista de aves ameaçadas, pode-se inferir
seguramente que esta retirada compulsória da natureza está causando prejuízos às
populações naturais (WANJTAL & SILVEIRA, 2000; WRIGHT et al., 2000). A imensa
biomassa de P. coronata, 1088 indivíduos apreendidos, representa apenas uma parte
da pressão antrópica a que ela está sendo submetida, uma vez que a maior parte não
chega a ser apreendida ou mesmo morre nesse processo (POTEN, 1991; LE DUC,
1996). Dentre as espécies apreendidas, algumas constam dos apêndices I e/ou II da
Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora
(CITES) (CITES, 2003). P. coronata consta do apêndice II, onde figuram as espécies
que não estão agora ameaçadas mas podem se tornar se o comércio não for regulado
(tabela 4). A convenção CITES utiliza uma estrutura legal para unificar os mecanismos
existentes para regulamentar o comércio internacional. Espécies animais e vegetais
são categorizadas de acordo com o grau de regulamentação requerida para a sua
conservação. Para tanto desenvolveu três apêndices importantes baseados nos
seguintes termos:

Apêndice I - Para todas as espécies ameaçadas de extinção o comércio deve


estar restrito a rigorosos regulamentos. O comércio é apenas permitido em
circunstâncias discretas e específicas.

Apêndice II - Todas as espécies não estão necessariamente agora ameaçadas


de extinção mas podem se tornar se o comércio não for regulado. Também espécies
parecidas são controladas por causa da sua similaridade a espécies já reguladas,
desta forma permitindo um maior controle no monitoramento do comércio.

Apêndice III - Todas as espécies que estão sujeitas a regulação nacional


dentro de uma jurisdição de um país parceiro devem receber a cooperação de outros
países parceiros para evitar ou controlar a exploração.

10
Tabela 4. Espécies incluídas nos apêndices do CITES e que
constam dos relatórios de apreensão do IBAMA e/ou do BPA
durante os anos de 1998 a 2000.

Apêndice I Apêndice II
Phoenicopteridae spp.
Falconiformes spp.*
Psittaciformes spp.**
Amazona pretrei
Guaruba guarouba
Pionopsitta pileata
Strigiformes spp.
Ramphastos toco
Paroaria coronata
* Exceto Cathartidae
** Exceto Melopsittacus undulatus, Nymphicus hollandicus e Psittacula krameri

Algumas das espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA figuram na lista de


espécies ameaçadas de extinção (tabela 5). De acordo com a lista do IBAMA (2000)
somente o papagaio-charão, Amazona pretrei (VU) e a ararajuba, Guarouba guarouba
(EN) estariam sob algum tipo de ameaça. Na lista da IUCN (2000), além das espécies
já citadas, também encontram-se em alguma categoria de ameaça o flamingo, P.
chilensis (LR/nt), o tibirro, E. longicauda (LR/nt) e o tiê-marrom, O. abeillei (LR/nt)
(tabela 1). É importante ressaltar que E. longicauda e O. abeillei são aves endêmicas
de outras regiões brasileiras (tabela 1).
A comparação entre as apreensões dos dois órgãos distribuídas sazonalmente
para as quatro famílias mais freqüentes mostram uma significância em todos os
valores analisados (tabela 6). Pode-se atribuir estas diferenças à distinta ênfase
atribuída ao banco de dados destes dois órgãos, pois enquanto o IBAMA tem dados
de todo o RS, o BPA, mesmo que atuante em todo o Estado, possui apenas dados da
região metropolitana de Porto Alegre.
Embora o BPA tenha feito um maior número de apreensões de psittacídeos
que o IBAMA, concentrados no verão (fig. 3), a freqüência das apreensões ao longo
do ano é similar para as quatro famílias mais apreendidas: Emberizidae, Psittacidae,
Muscicapidae e Fringilidae. Para ambos os órgãos há uma freqüência maior de
apreensões sobre os emberizídeos. Isso mostra a pressão do tráfico sobre as aves, de
uma maneira geral, e sobre a família Emberizidae, de uma maneira específica. Para o
período estudado observou-se uma estabilização nas apreensões, durante todos os
meses de todos os anos, exceto para os emberizídeos que mostrou-se durante todo o
período altamente variável (fig. 4). Conforme já dito anteriormente, esses dados
reforçam a hipótese do elevado interesse por aves canoras no comércio ilegal.

11
Murad (2000) e RENCTAS (2001) desenvolveram trabalhos sobre o tráfico de
animais silvestres no Brasil. Estes foram diagnósticos pioneiros e gerais para a fauna
brasileira, sem um aprofundamento das informações em relação a uma classe
zoológica.
Com os dados aqui apresentados sobre o comércio ilegal de aves, se verifica a
grande pressão exercida sobre as populações silvestres, especialmente Emberizidae e
Psittacidae, suportando a hipótese de que essa retirada de biomassa da natureza
envolve um grande número de espécies e um número muito maior de indivíduos.

Tabela 5. Comparação entre as apreensões do BPA e


do IBAMA, ao longo do período estudado distribuídos
por estações climáticas para as quatro famílias mais
freqüentes e valores correspondentes dos testes do
Chi-Quadrado (χ2) para determinar a significância das
diferenças (P).

Estação Climática χ2cal P


Verão 274,82 0,000
Outono 9,96 0,0189
Inverno 40,30 0,000
Primavera 33,09 0,000

As aves apreendidas pelo BPA vieram da região metropolitana de Porto Alegre,


RS (tabela 6). Dessas, em 1999, 620 (68,88%) foram enviadas para o criadouro
conservacionista XYZ, 265 (29,44%) foram enviadas para o zoológico da Fundação
Zoobotânica do RS e 15 (1,66%) ficaram nas mãos de terceiros como fiéis
depositários. Em 2000, 272 aves (58,24%) foram remetidas para criadouro
conservacionista XYZ e 133 (28,47%) ficaram nas mãos de terceiros como fiéis
depositários.
As aves apreendidas pelo IBAMA nos anos de 1998 a 2000 foram oriundas de
diversas localidades no interior do RS (tabela 7), sendo que os destinos principais
foram, em 1998, criadouro científico (300 - 47,69% do total no ano), reintrodução na
natureza (187 - 29,72%) e fiel depositário (98 - 15,58%); em 1999, reintrodução na
natureza (368 - 31,36%), fiel depositário (307 - 26,37%) e criadouro científico (291 -
25%) e em 2000, criadouro científico (566 - 75,97% do total), reintrodução na natureza
(95 - 12,75%) e fiel depositário (84 - 11,27% do total de aves apreendidas no ano).
Donde conclui-se que: das 2538 aves apreendidas pelo IBAMA nos últimos 3 anos,
cerca de 650 aves (25,61% do total) foram reintroduzidas na natureza, 1157 (45,58%

12
do total) foram enviadas para criadouros científicos e 489 aves (19,26% do total) foram
deixadas nas mãos de terceiros como fiéis depositários.

3.2. Destinação das espécies apreendidas

As espécies que são enviadas para o criadouro conservacionista XYZ,


localizado no município de Viamão, RS, são recebidas, recuperadas e soltas. Dessa
maneira todas as aves que lá chegam, independente da fonte, passam pelo mesmo
processo. Algumas, entretanto, ficam no criadouro conservacionista. Não há um
padrão seguido para definir quais ficam e quais são soltas, mas de uma maneira geral
todos os passeriformes são soltos. Os mesmos são recebidos e colocados em um
viveiro comum onde ali são alimentados e depois de reambientados são soltos. A
reambientação se dá apenas pela possibilidade da ave ter um espaço maior para
exercitar os músculos das asas, atrofiados pelo confinamento em gaiolas, e pela
competição interespecífica pelo alimento colocado no viveiro. Não são levados em
conta fatores tais como espécies mais e menos agressivas na competição pelo
alimento, capacidade de suporte do ambiente no momento da soltura, disseminação
de patógenos pelas espécies exóticas.
Sendo assim, das aves enviadas ao referido criadouro, foram selecionadas 10
espécies que têm sua área de distribuição diferente daquela onde se localiza a
referida propriedade (figuras 5 e 6). Dessas, 4 espécies são endêmicas de outras
regiões brasileiras (SICK, 1997): Orchesticus abeillei, Ramphocelus bresilius,
Sericossipha loricata e Embernagra longicauda.

13
4. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

Registros confiáveis sobre apreensões de aves, no Rio Grande do Sul, podem


ser obtidos atualmente junto ao IBAMA, que atinge todo o Estado, e junto ao Batalhão
de Policia Ambiental que atua na região metropolitana de Porto Alegre.
As apreensões feitas pelos órgãos ambientais que atuam no controle do tráfico
de animais silvestres no RS representam apenas uma parcela da dimensão real deste
problema prejudicando qualquer processo de estimação do mesmo.
Pode-se depreender que a translocação de aves é bastante considerável
embora uma boa parte das aves traficadas morra durante esse processo e, outra parte
não apreendida, seja efetivamente comercializada sem que se tenha, com exatidão, o
real dimensionamento desse montante. Da parcela apreendida, observa-se que pelo
menos 93 espécies distintas fazem parte da diversidade de aves que é atrativa ao
comércio ilegal. Dentre estas destacam-se as aves que são procuradas por serem
canoras ou que são consideradas capazes de se tornarem animais de estimação, o
que lhes confere valores elevados neste mercado.
Por outro lado, as apreensões fazem com que os órgãos encarregados de
coibir o comércio ilegal se vêm a frente de problemas que demandam ações muito
rápidas, uma vez que os organismos apreendidos apresentam necessidades que têm
que ser satisfeitas com bastante agilidade. As soluções encontradas pelos órgãos
ambientais encarregados da apreensão são, na maioria dos casos, encaminhar as
aves apreendidas a zoológicos, criadouros conservacionistas ou deixá-las na posse de
fiéis depositários.
As aves que não são recebidas pelos zoológicos nem são confiadas a fiéis
depositários são encaminhadas para a liberdade.
Isto tem feito com que espécies exóticas acabem sendo liberadas próximas às
áreas de sua apreensão ou em áreas de criadouros conservacionistas.
Ao longo deste trabalho observou-se que, pelo menos, doze espécies exóticas
foram liberadas no Estado do RS, fora de sua área de distribuição natural.
Espera-se que este trabalho possa oferecer subsídios às autoridades
responsáveis no sentido da elaboração de políticas adequadas ao gerenciamento do
problema tendo em vista a imensa biomassa de aves retirada da natureza
freqüentemente.
Sugere-se que as autoridades ambientais melhorem o sistema de registro de
apreensões, encaminhem de volta às suas áreas de distribuição original as aves que
procedem de outros hábitats e, finalmente, promovam e estimulem estudos

14
pormenorizados das aves apreendidas e dos hábitats em que são soltas, no sentido
de dimensionar o impacto sobre o meio-ambiente.
Sugere-se especialmente que estudos sobre a dinâmica populacional das aves
aqui citadas, especialmente P. coronata e S. flaveola, sejam realizados para que se
saiba o real status populacional dessas espécies na natureza.

15
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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populations Communities. Oxford, Blackwell Science Ltd., 3 ed.

BELTON, W. Aves do Rio Grande do Sul: distribuição e biologia. São Leopoldo,


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implications for human health. CMAJ; 164(1): 66-9. 2001.

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of wildlife – threats to biodiversity and human health. Science, 287, pp. 443-9.

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to monitor trade in illegal species. The Bridge, December 1996/January-February
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MURAD, F. Análise do comércio ilegal de animais silvestres através das


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<www.traffic.org/about/what_is.html> Último acesso em 30 mar 2001.

WANJTAL, A; SILVEIRA, L. F. 2000. A soltura de aves contribui para a sua


conservação? Atualidades Ornitológicas, 98.

16
WRIGHT, S. J. et al. Poachers alter mammal abundance, seed dispersal, and seed
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ZAR, J. H. 1999. Biostatiscal Analysis. Prentice-Hall, Inc. Englewood Cliffs, N. J.

17
Tabela 1. Lista das espécies com respectivas famílias e outros níveis taxonômicos
(SICK, 1997) e quantidade de espécimes apreendidos pelo IBAMA [1998, 1999 e 2000
(jan a jun)] e pelo BPA (1999 e 2000).

Família Subfamília Espécie Quantidade


Tinamidae - Crypturellus parvirostris 8
Rheidae - Rhea americana 6
Ardeidae - Butorides striatus 2
Phoenicopteridae - Phoenicopterus chilensis 50
Anatidae Anserinae Dendrocygna viduata 63
Anatinae Amazonetta brasiliensis 26
Netta peposaca 1
Anhimidae - Chauna torquata 2
Accipitridae - Rupornis magnirostris 1
Falconidae - Milvago chimachima 2
- M. chimango 1
Cracidae - Penelope jacguacu 7
- P. obscura 3
- Penelope sp. 12
Rallidae - Aramides cajanea 3
- Rallus maculatus 1
Cariamidae - Cariama cristata 1
Charadriidae - Vanellus chilensis 5
Columbidae - Columba picazuro 1
- Columbina picui 3
- C. talpacoti 1
- Leptotila verreauxi 4
Psittacidae - Amazona aestiva 62
- A. amazonica 1
- A. pretrei 24
- Ara ararauna 18
- A. chloroptera 4
- Guaruba guarouba 2
- Myiopsitta monachus 395
- Pionopsitta pileata 1
- Pionus maximiliani 1
- Pyrrhura frontalis 12
- Triclaria malachitacea 2
Tytonidae - Tyto alba 1
Strigidae - Speotyto cunicularia 1
Ramphastidae - Ramphastos dicolorus 8
- Ramphastos sp. 1
- R. toco 8
Tyrannidae Fluvicolinae Pyrocephalus rubinus 3
Tyranninae Pitangus sulphuratus 1
Pipridae - Antilophia galeata 1
- Chiroxiphia caudata 21
Corvidae - Cyanocorax chrysops 9
Muscicapidae Turdinae Turdus albicollis 4
T. amaurochalinus 6
T. rufiventris 86

18
Tabela 1. Lista das espécies com respectivas famílias e outros níveis taxonômicos
(SICK, 1997) e quantidade de espécimes apreendidos pelo IBAMA [1998, 1999 e 2000
(jan a jun)] e pelo BPA (1999 e 2000). (continuação)

Família Subfamília Espécie Quantidade


Muscicapidae Turdinae Turdus sp. 6
T. subalaris 2
Mimidae - Mimus saturninus 2
- M. triurus 3
Emberizidae Thraupinae Chlorophonia cyanea 6
Conothraupis speculigera 3
Euphonia chalybea 12
E. chlorotica 17
E. laniirostris 1
E. violacea 2
Orchesticus abeillei 1
Pipraeidea melanonota 13
Ramphocelus bresilius 13
Sericossypha loricata 1
Stephanophorus diadematus 109
Tachyphonus coronatus 9
Tangara mexicana 5
T. nigrocincta 5
T. seledon 1
Tangara sp. 4
Thraupis bonariensis 3
T. sayaca 3
Emberizinae Coryphospingus cucullatus 158
Embernagra longicauda 1
E. platensis 1
Oryzoborus angolensis 5
Paroaria coronata 1088
P. dominicana 2
Poospiza nigrorufa 14
Sicalis flaveola 586
Sporophila caerulescens 143
S. collaris 30
S. leucoptera 1
Sporophila sp. 21
Volatinia jacarina 8
Zonotrichia capensis 22
Cardinalinae Passerina brissonii 207
P. glaucocaerulea 21
Pitylus fuliginosus 2
P. grossus 10
Saltator aurantiirostris 19
S. maxillosus 47
S. similis 42
Saltator sp. 30
Icterinae Agelaius ruficapillus 22
A. thilius 24

19
Tabela 1. Lista das espécies com respectivas famílias e outros níveis taxonômicos
(SICK, 1997) e quantidade de espécimes apreendidos pelo IBAMA [1998, 1999 e 2000
(jan a jun)] e pelo BPA (1999 e 2000). (continuação)

Família Subfamília Espécie Quantidade


Emberizidae Icterinae Gnorimopsar chopi 16
Molothrus badius 8
M. bonariensis 19
Pseudoleistes virescens 1
Fringillidae Carduelinae Carduelis magellanicus 130
Passeridae - Passer domesticus 11
Estrildidae - Estrilda astrild 12
Total 3797

20
Tabela 2. Lista das espécies apreendidas pelo BPA nos anos de 1999 e 2000.

BPA
1999 2000
Nome Científico Nome Vernacular Quantidade Nome Científico Nome Vernacular Quantidade
Dendrocygna viduata marreca-piadeira 2 Dendrocygna viduata marreca-piadeira 18
Milvago chimachima gavião-carrapateiro 2 Amazonetta brasiliensis marreca-pé-vermelho 1
M. chimango chimango 1 Rupornis magnirostris gavião-carijó 1
Rallus maculatus saracura-carijó 1 Cariama cristata siriema 1
Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 19 Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 5
A. pretrei papagaio-charão 4 Amazona pretrei papagaio-charão 4
Myiopsitta monachus caturrita 289 Myiopsitta monachus caturrita 9
Pionopsitta pileata cuiu-cuiu 1 Tyto alba coruja-das-torres 1
Triclaria malachitacea sabiá-cica 1 Ramphastos sp. tucano 1
Speotyto cunicularia corujinha-do-campo 1 Pitangus sulphuratus bem-te-vi 1
Ramphastus dicolorus tucano-de-bico-verde 5 Antilophia galeata soldadinho 1
Chiroxiphia caudata dançador 1 Chiroxiphia caudata dançador 2
Turdus albicollis sabiá-coleira 4 Turdus amaurochalinus sabiá-poca 1
T. rufiventris sabiá-laranjeira 41 T. rufiventris sabiá-laranjeira 12
Conothraupis speculigera tiê-preto 3 Turdus sp. sabiá 6
Euphonia chlorotica fim-fim 8 Mimus saturninus sabiá-do-campo 1
Orchesticus abeillei tiê-marrom 1 Euphonia chlorotica fim-fim 2
Pipraeidea melanonota saíra-viúva 4 Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade 30
Ramphocelus bresilius tiê-sangue 4 Tangara seledon saíra-de-sete-cores 1
Sericossypha loricata tiê-caburé 1 Tangara sp. saíra 4
Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade 45 Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 71
Tangara mexicana saíra-de-bando 5 Paroaria coronata cardeal 50
T. nigrocincta saíra-azul 5 Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu 4
Thraupis bonarienis sanhaçu-papa-laranja 1 Sicalis flaveola canário-da-terra 107
Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 35 Sporophila caerulescens coleirinho 12
Embernagra longicauda tibirro 1 S. collaris coleiro-do-brejo 5
E. platensis sabiá-do-banhado 1 Sporophila sp. coleiro 20
Paroaria coronata cardeal 53 Passerina brissoni azulão-verdadeiro 35
Tabela 2. Lista das espécies apreendidas pelo BPA nos anos de 1999 e 2000. (continuação)

BPA
1999 2000
Nome Científico Nome Vernacular Quantidade Nome Científico Nome Vernacular Quantidade
Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu 6 P. glaucocaerulea azulinho 4
Sicalis flaveola canário-da-terra 122 Saltator aurantirostris bico-duro 1
Sporophila caerulescens coleirinho 55 Saltator sp. trinca-ferro 30
S. collaris coleiro-do-brejo 10 Agelaius ruficapillus passáro-preto 1
S. leucoptera patativa-chorona 1 A. thilius sargento 5
Gnorimopsar chopi chupim 1 Gnorimopsar chopi chupim 2
Passerina brissonii azulão 65 Carduelis magellanicus pintassilgo 15
P. glaucocaerulea azulinho 11 Passer domesticus pardal 1
Pitylus fuliginosus bico-de-pimenta 2 Estrilda astrild bico-de-lacre 2
Saltator aurantiirostris bico-duro 11
S. maxillosus bico-grosso 47
S. similis trinca-ferro-verdadeiro 2
Agelaius ruficapillus pássaro-preto 5
Molothrus bonariensis vira-bosta 7
Pseudoleistes virescens dragão 1
Carduelis magellanicus pintassilgo 14
Estrilda astrild bico-de-lacre 1
Total - 900 - - 467
Tabela 3. Lista das espécies apreendidas pelo IBAMA nos anos de 1998, 1999 e 2000 (jan a jun).

IBAMA
1998 1999 2000 (jan a jun)
Nome Científico Nome Vernacular Quant. Nome Científico Nome Vernacular Quant. Nome Científico Nome Vernacular Quant.
Crypturellus parvirostris inhambu-chororó 5 Rhea americana ema 1 Crypturellus parvirostris inhambú-chororó 3
Dendrocygna viduata marreca-piadeira 1 Butorides striatus socozinho 2 Rhea americana ema 5
Netta peposaca marrecão 1 Phoenicopterus chilensis flamingo 50 Penelope sp. jacu 2
Penelope jacquacu jacuaçu 1 Dendrocygna viduata marreca-piadeira 42 Aramides cajanea saracura 2
P. obscura jacu-açu 3 Amazonetta brasiliensis marreca-pé-vermelho 25 Vanellus chilensis quero-quero 3
Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 6 Chauna torquata tachã 2 Columbina picui rolinha-picui 2
A. pretrei papagaio-charão 6 Penelope sp. jacu 10 Leptotila verreauxi juriti-pupu 4
Ara ararauna arara-canindé 2 Aramides cajanea saracura 1 Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 16
Myiopsitta monachus caturrita 47 Vanellus chilensis quero-quero 2 A. amazonica papagaio-do-mangue 1
Pionus maximiliani maitaca-verde 1 Columba picazuro pomba-carijó 1 A. pretrei charão 2
Ramphastos dicolorus tucano-de-bico-verde 3 Columbina picui rolinha-picui 1 Ara ararauna arara-canindé 4
R. toco tucanuçu 2 C. talpacoti rolinha-roxa 1 A. chloroptera arara-vermelha 2
Chiroxiphia caudata dançador 9 Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 16 Guaruba guarouba ararajuba 2
Turdus rufiventris sabiá-laranjeira 13 A. pretrei papagaio-charão 8 Myiopsitta monachus caturrita 17
T. subalaris sabiá-ferreiro 2 Ara ararauna arara-canindé 12 Pyrrhura frontalis tiriba-de-testa-vermelha 2
Mimus triurus sabiá-da-praia 1 A. chloroptera arara-vermelha 2 Triclaria malachitacea sabiá-cica 1
Agelaius thilius sargento 2 Miyopsitta monachus caturrita 33 Cyanocorax chrysops gralha-picaça 1
Chlorophonia cyanea bandeirinha 3 Pyrrhura frontalis tiriba-de-testa-vermelha 10 Turdus amaurochalinus sabiá-poca 3
Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 7 Ramphastos toco tucanuçu 6 T. rufiventris sabiá-laranjeira 8
Euphonia chalybea cais-cais 12 Pyrocephalus rubinus príncipe 3 Mimus saturninus sabiá-do-campo 1
E. chlorotica fim-fim 4 Chiroxiphia caudata dançador 9 M. triurus sabiá-da-praia 2
E. violacea gaturamo-verdadeiro 2 Cyanocorax chrysops gralha-picaça 8 Chlorophonia cyanea bandeirinha 2
Gnorimopsar chopi chupim 4 Penelope jacguacu jacuaçu 6 Euphonia chlorotica fim-fim 1
Molothrus badius asa-de-telha 2 Turdus amaurochalinus sabiá-poca 2 E. laniirostris gaturamo-bicudo 1
Oryzoborus angolensis curió 1 T. rufiventris sabiá-laranjeira 12 Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade 2
Paroaria coronata cardeal 273 Chlorophonia cyanea bandeirinha 1 Tachyphonus coronatus tiê-preto 2
Passerina brissonii azulão-verdadeiro 37 Euphonia chlorotica fim-fim 2 Thraupis bonariensis sanhaçu-papa-laranja 1
Pipraeidea melanonota saíra-viúva 2 Pipraeidea melanonota saíra-viúva 7 T. sayaca sanhaçu-cinzento 2

23
Tabela 3. Lista das espécies apreendidas pelo IBAMA nos anos de 1998, 1999 e 2000 (jan a jun). (continuação)

IBAMA
1998 1999 2000 (jan a jun)
Nome Científico Nome Vernacular Quant. Nome Científico Nome Vernacular Quant. Nome Científico Nome Vernacular Quant.
Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu 1 Ramphocelus bresilius tiê-sangue 4 Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 19
Ramphocelus bresilius tiê-sangue 5 Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade 12 Paroaria coronata cardeal 485
Saltator aurantiirostris bico-duro 6 Tachyphonus coronatus tiê-preto 6 Sicalis flaveola canário-da-terra 58
S. similis trinca-ferro-verdadeiro 19 Thraupis bonariensis sanhaçu-papa-laranja 1 Sporophila caerulescens colerinho 8
Sicalis flaveola canário-da-terra 76 T. sayaca sanhaçu-cinzento 1 S. collaris coleiro-do-brejo 2
Sporophila caerulescens coleirinho 23 Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 26 Sporophila sp. coleiro 1
S. collaris coleiro-do-brejo 7 Oryzoborus angolensis curió 4 Zonotrichia capensis tico-tico 6
Stephanophorus sanhaçu-frade 20 Paroaria coronata cardeal 227 Passerina brissonii azulão-verdadeiro 28
diadematus
Tachyphonus coronatus tiê-preto 1 P. dominicana galo-da-campina 2 Pytilus grossus bico-de-pimenta 3
Zonotrichia capensis tico-tico 4 Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu 3 Saltator aurantirostris bico-duro 1
Carduelis magellanicus pintassilgo 15 Sicalis flaveola canário-da-terra 223 S. similis trinca-ferro-verdadeiro 7
Sporophia caerulescens coleirinho 45 Agelaius thilius sargento 1
S. collaris coleiro-do-brejo 6 Gnorimopsar chopi chupim 4
Volatinia jacarina tisiu 8 Molothrus bonariensis vira-bosta 4
Zonotrichia capensis tico-tico 12 Carduelis magellanicus pintassilgo 16
Passerina brissonii azulão-verdadeiro 42 Estrilda astrild bico-de-lacre 8
P. glaucocaerulea azulinho 6
Pitylus grossus bico-encarnado 7
Saltator similis trinca-ferro-verdadeiro 14
Agelaius ruficapillus pássaro-preto 16
Agelaius thilius sargento 16
Gnorimopsar chopi chupim 5
Molothrus badius asa-de-telha 6
M. bonariensis vira-bosta 8
Carduelis magellanicus pintassilgo 70
Passer domesticus pardal 10
Estrilda astrild bico-de-lacre 1
Total - 629 - - 1056 - - 745

24
Tabela 6. Relação entre a procedência (local onde as aves foram apreendidas) e o destino
(local para onde as aves foram enviadas) das espécies apreendidas pelo BPA nos anos de
1999 e 2000.

1999 2000
Quant. Quant.
P Alvorada 28 Alvorada 30
r BPA 16 Eldorado do Sul 18
o Campo Bom 14 Gravataí 65
c Eldorado do Sul 3 Guaíba 11
e Guaíba 83 Porto Alegre 301
d Porto Alegre 394 São Leopoldo 1
ê Sapucaia do Sul 265 Viamão 41
n Viamão 97 467
c 900
i
a

D Fiel depositário 15 Clube Gaúcho de Bicudos e Curiós 2


e Quinta da estância 620 Fiel depositário 133
s Zoológico 265 Polícia Federal 51
t 900 Polícia Federal - Quinta da Estância 5
i Quinta da estância 272
n Solto na Ilha das Flores 1
o Solto no BPA 1
Solto no mesmo lugar 1
Zoológico 1
467

25
Tabela 7. Relação entre a procedência (local onde as aves foram apreendidas) e o
destino (local para onde as aves foram enviadas) das espécies apreendidas pelo IBAMA
nos anos de 1998 a 2000.

1998 1999 2000


Quant. Quant. Quant.
P Alegria 10 Arambaré 2 Agudo 2
r Arroio Grande 12 Bento Gonçalves 34 Alvorada 21
o Bagé 22 Caçapava do Sul 401 Arvorezinha 4
c Bento Gonçalves 5 Cacequi 13 Carazinho 7
e Caçapava do Sul 3 Cachoeira do Sul 5 Eldorado do Sul 2
d Cachoeira do Sul 29 Camaquã 2 Flores da Cunha 2
ê Candelária 20 Cambará do Sul 5 Gravataí 8
n Canela 10 Capivari 13 Guaíba 22
c Canoas 17 Carazinho 2 Porto Alegre 123
i Caxias do Sul 25 Catuípe 6 Santa Maria 10
a Garibaldi 23 Caxias do Sul 23 São Pedro do Sul 1
Lavras do Sul 15 Dom Pedrito 21 São Sepé 2
Mostardas 8 Fortaleza dos Valos 13 Três Passos 8
Nonoai 6 Guaíba 14 Viamão 32
Nova Petrópolis 1 Livramento 20 Sem procedência 501
Palmares do Sul 9 Mostardas 29 745
Passo Fundo 9 Nova Hartz 4
Pelotas 5 Nova Prata 2
Porto Alegre 10 Pantano Grande 10
Rio Grande 2 Passo Fundo 29
Riozinho 5 Pelotas 21
Santa Cruz do Sul 13 Porto Alegre 111
Santa Maria 15 Restinga Seca 3
Santa Vitória do Palmar 5 Riozinho 20
Santo Antonio da Patrulha 7 Ronda Alta 8
Santo Antonio do Planalto 3 Santa Cruz do Sul 265
São Gabriel 29 Santa Maria 59
São Martinho da Serra 4 Santa Rosa 6
Tramandaí 3 Santa Vitória do Palmar 5
Três Coroas 11 Santo Antônio da Patrulha 1
Uruguaiana 94 Santo Antônio do Planalto 1
Sem procedência 199 São Francisco de Paula 1
629 São Gabriel 7
São Sepé 1
São Valentim do Sul 1
Serafina Correa 4
Triunfo 1
Tucunduva 1
1164
D CETAS 4 CETAS 29 Reintrodução na natureza 95
e Criadouro científico 300 Criadouro científico 291 Fiel depositário 84
s Fiel depositário 98 Fiel depositário 307 Criadouro científico 566
t Instituição de pesquisa 1 Reintrodução na natureza 368 745
i Reintrodução na natureza 187 Zoológico 61
n Zoológico 39 Outros 108
o 629 1164

26
Tabela 8. Distribuição estadual (BELTON,1994) e nacional (SICK,1997) das aves enviadas pelo BPA ao Criadouro XYZ nos anos de 1999
e 2000.

Nome Científico Nome Vernacular Quant. Procedência Distribuição no RS Distribuição no Brasil


Dendrocygna viduata marreca-piadeira 2 Alvorada Todo o Estado Todo o Brasil
D. viduata marreca-piadeira 12 Porto Alegre
Rupornis magnirostris gavião-carijó 1 Porto Alegre Todo o Estado Todo o Brasil
Milvago chimachima gavião-carrapateiro 2 Porto Alegre Todo o Estado, com exceção do extremo S Todo o Brasil
M. chimango chimango 1 Porto Alegre Todo o Estado, com exceção do extremo N MS, GO, MG, RJ, SP, SC
Rallus maculatus saracura-carijó 1 BPA Poucos registros para o Estado Brasil se e me-or
Cariama cristata siriema 1 Porto Alegre morros do S, N e parte alta do NE Brasil ce e or
Amazona aestiva papagaio-verdadeiro 2 Gravataí NO NER ao RS, GO e MT
A. aestiva papagaio-verdadeiro 16 Porto Alegre
A. aestiva papagaio-verdadeiro 1 Viamão
A. pretrei papagaio-charão 1 Alvorada NE e N do Planalto até parte N dos morros do S Não ocorre noutros Estados
A. pretrei papagaio-charão 2 Gravataí
A. pretrei papagaio-charão 3 Porto Alegre
Myiopsitta monachus caturrita 11 Alvorada SeO S de MT
M. monachus caturrita 2 Eldorado do Sul
M. monachus caturrita 8 Porto Alegre
M. monachus caturrita 4 Viamão
Pionopsitta pileata cuiu-cuiu 1 Porto Alegre NE S da BA ao RS
Triclaria malachitacea sabiá-cica 1 Porto Alegre Escarpa do NE S da BA ao RS
Speotyto cunicularia corujinha-do-campo 1 Porto Alegre Todo o Estado Todo o Brasil
Ramphastos dicolorus tucano-de-bico-verde 5 Porto Alegre L Santa Maria a Aparados da Serra e extremo N, região ES, MG e GO ao RS
Central
Antilophia galeata soldadinho 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado MA, PI e BA a MT, GO, O de MG e PR
Chiroxiphia caudata dançador 3 Porto Alegre Metade N do Estado S da BA e MG ao RS
Turdus albicollis sabiá-coleira 4 Porto Alegre NeL Todo o Brasil
T. amaurochalinus sabiá-poca 1 Porto Alegre Todo o Estado NER, SER e SR
T. rufiventris sabiá-laranjeira 1 Alvorada Todo o Estado Todo o Brasil
T. rufiventris sabiá-laranjeira 1 BPA
T. rufiventris sabiá-laranjeira 3 Campo Bom
T. rufiventris sabiá-laranjeira 1 Gravataí
T. rufiventris sabiá-laranjeira 4 Guaíba

27
Tabela 8. Distribuição estadual (BELTON,1994) e nacional (SICK,1997) das aves enviadas pelo BPA ao Criadouro XYZ nos anos de 1999
e 2000. (continuação)

Nome Científico Nome Vernacular Quant. Procedência Distribuição no RS Distribuição no Brasil


T. rufiventris sabiá-laranjeira 29 Porto Alegre
T. rufiventris sabiá-laranjeira 5 Viamão
Conothraupis speculigera tiê-preto 3 Porto Alegre Não ocorre no Estado AM oc
Euphonia chlorotica fim-fim 1 Gravataí Faixa NO a SE Todo o Brasil
E. chlorotica fim-fim 5 Porto Alegre
E. chlorotica fim-fim 3 Viamão
Orchesticus abeillei tiê-marrom 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado ES a SC
Pipraeidea melanonota saíra-viúva 4 Porto Alegre LeN BA e MG ao RJ, RS
Ramphocelus bresilius tiê-sangue 4 Porto Alegre Não ocorre no Estado PB a SC
Sericossypha loricata tiê-caburé 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado MA a AL, BA, MG e GO
Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade 2 Alvorada L e esparsamente a O ES ao RS
S. diadematus sanhaçu-frade 2 BPA
S. diadematus sanhaçu-frade 8 Gravataí
S. diadematus sanhaçu-frade 2 Guaíba
S. diadematus sanhaçu-frade 32 Porto Alegre
S. diadematus sanhaçu-frade 14 Viamão
Tangara mexicana saíra-de-bando 5 Porto Alegre Não ocorre no Estado AM, N do MT, L do PA e MA, BA ao RJ
T. nigrocincta saíra-azul 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado AM oc, AC, RO, NO MT, S PA e N RR
T. nigrocincta saíra-azul 4 Viamão
T. seledon saíra-de-sete-cores 1 Porto Alegre Raro, extremo NE BA e MG ao RS
Thraupis bonarienis sanhaçu-papa-laranja 1 Porto Alegre Todo o Estado SR
Coryphospingus cucullatus tico-tico-rei 1 BPA N litoral, Depressão Central, centro O, morros do S e Todo o Brasil
metade N
C. cucullatus tico-tico-rei 7 Gravataí
C. cucullatus tico-tico-rei 4 Guaíba
C. cucullatus tico-tico-rei 78 Porto Alegre
C. cucullatus tico-tico-rei 6 Viamão
Embernagra longicauda tibirro 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado BA e MG
E. platensis sabiá-do-banhado 1 Viamão Todo o Estado MG ao RS
Paroaria coronata cardeal 8 Alvorada SeO O de MT e RS
P. coronata cardeal 7 Gravataí

28
Tabela 8. Distribuição estadual (BELTON,1994) e nacional (SICK,1997) das aves enviadas pelo BPA ao Criadouro XYZ nos anos de 1999
e 2000. (continuação)

Nome Científico Nome Vernacular Quant. Procedência Distribuição no RS Distribuição no Brasil


P. coronata cardeal 3 Guaíba
P. coronata cardeal 41 Porto Alegre
P. coronata cardeal 23 Viamão
Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu 7 Porto Alegre Todo o Estado SR
P. nigrorufa quem-te-vestiu 1 Viamão
Sicalis flaveola canário-da-terra 15 Alvorada Todo o Estado MA ao RS e MT
S. flaveola canário-da-terra 6 BPA
S. flaveola canário-da-terra 1 Campo Bom
S. flaveola canário-da-terra 1 Eldorado do Sul
S. flaveola canário-da-terra 27 Gravataí
S. flaveola canário-da-terra 12 Guaíba
S. flaveola canário-da-terra 93 Porto Alegre
S. flaveola canário-da-terra 1 São Leopoldo
S. flaveola canário-da-terra 20 Viamão
Sporophila caerulescens coleirinho 3 Alvorada Todo o Estado BA ao RS
S. caerulescens coleirinho 1 BPA
S. caerulescens coleirinho 6 Gravataí
S. caerulescens coleirinho 4 Guaíba
S. caerulescens coleirinho 38 Porto Alegre
S. caerulescens coleirinho 8 Viamão
S. collaris coleiro-do-brejo 2 Alvorada Litoral, Depressão Central ES ao RS, GO e MT
S. collaris coleiro-do-brejo 2 Guaíba
S. collaris coleiro-do-brejo 6 Porto Alegre
S. collaris coleiro-do-brejo 2 Viamão
S. leucoptera patativa-chorona 1 Porto Alegre Não ocorre no Estado AM, NER ao RJ, MG, SP, PR, GO e MT
Passerina brissonii azulão-verdadeiro 3 Alvorada Todo o Estado. NER ao RS, GO, MT
P. brissonii azulão-verdadeiro 4 Campo Bom
P. brissonii azulão-verdadeiro 5 Gravataí
P. brissonii azulão-verdadeiro 5 Guaíba
P. brissonii azulão-verdadeiro 52 Porto Alegre
P. brissonii azulão-verdadeiro 9 Viamão

29
Tabela 8. Distribuição estadual (BELTON,1994) e nacional (SICK,1997) das aves enviadas pelo BPA ao Criadouro XYZ nos anos de 1999
e 2000. (continuação)

Nome Científico Nome Vernacular Quant. Procedência Distribuição no RS Distribuição no Brasil


P. glaucocaerulea azulinho 9 Porto Alegre Todo o Estado. MS, O de SP ao RS
P. glaucocaerulea azulinho 2 Guaíba
Pitylus fuliginosus bico-de-pimenta 2 Campo Bom Extremo N, Depressão central e escarpa do NE PE, AL, BA, MG ao RS
Saltator aurantiirostris bico-duro 5 Alvorada morros do S e extremo O MS ao RS
S. aurantiirostris bico-duro 7 Porto Alegre
S. maxillosus bico-grosso 2 Alvorada N, partes altas do NE ES ao RJ e ao NE do RS
S. maxillosus bico-grosso 2 Campo Bom
S. maxillosus bico-grosso 8 Gravataí
S. maxillosus bico-grosso 1 Guaíba
S. maxillosus bico-grosso 30 Porto Alegre
S. maxillosus bico-grosso 4 Viamão
S. similis trinca-ferro-verdadeiro 1 BPA N, NE e extremo O BA ao RS e COR
S. similis trinca-ferro-verdadeiro 1 Porto Alegre
Agelaius ruficapillus pássaro-preto 1 Guaíba Litoral, Depressão Central e O AM, MA, NER ao S GO, SO MT, RJ, SP, SC
A. ruficapillus pássaro-preto 5 Porto Alegre
A. thilius sargento 1 Gravataí Litoral SR
A. thilius sargento 2 Porto Alegre
Gnorimopsar chopi chupim 1 Gravataí N, NE, Serra SE, reg. centro ao N Depressão Central NER, SER, SR e COR
G. chopi chupim 1 Porto Alegre
G. chopi chupim 1 Viamão
Molothrus bonariensis vira-bosta 6 Porto Alegre Todo o Estado Todo o Brasil
Pseudoleistes virescens dragão 1 Porto Alegre Metade S do Estado, litoral. SC e RS
Carduelis magellanicus pintassilgo 1 Alvorada L Brasil L-me e ce-oc
C. magellanicus pintassilgo 2 Campo Bom
C. magellanicus pintassilgo 3 Gravataí
C. magellanicus pintassilgo 2 Guaíba
C. magellanicus pintassilgo 16 Porto Alegre
C. magellanicus pintassilgo 4 Viamão
Passer domesticus pardal 1 Porto Alegre Todo o Estado Todo o Brasil
Estrilda astrild bico-de-lacre 1 Porto Alegre Região metropolitana AM, DF, MT, BA, PE, MG ao RS (capitais)
863

30
Tabela 9. Distribuição de todas as espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA, de 1998 a 2000, no Estado do RS e no Brasil.

Espécie Quant. Distribuição no RS Distribuição no Brasil


Crypturellus parvirostris 8 NO S do AM ao RS
Rhea americana 6 Todo o Estado S do PA, NER e COR
Butorides striatus 2 S, Depressão Central e litoral Todo o Brasil
Phoenicopterus chilensis 50 visitante de inverno na Lagoa do Peixe Não ocorre noutros Estados
Dendrocygna viduata 63 Todo o Estado Todo o Brasil
Amazonetta brasiliensis 26 Todo o Estado Todo o Brasil
Netta peposaca 1 S e extremo O Não ocorre noutros Estados
Chauna torquata 2 litoral, O, Depressão Central MT e SP
Rupornis magnirostris 1 Todo o Estado Todo o Brasil
Milvago chimachima 2 Todo o Estado, com exceção do extremo S Todo o Brasil
M. chimango 1 Todo o Estado, com exceção do extremo N MS, GO, MG, RJ, SP, SC
Penelope jacquacu 7 Não ocorre no Estado AM e MT
P. obscura 3 Todo o Estado, com exceção do litoral SER e SR
Aramides cajanea 3 S da escarpa e extremo O ao N Todo o Brasil
Rallus maculatus 1 Poucos registros para o Estado Brasil se e me-or
Cariama cristata 1 morros do S, N e parte alta do NE Brasil ce e or
Vanellus chilensis 5 Todo o Estado Todo o Brasil
Columba picazuro 1 Todo o Estado NER, GO e MT
Columbina picui 3 Todo o Estado Brasil oc-me e N-or
C. talpacoti 1 Todo o Estado Todo o Brasil
Leptotila verreauxi 4 Todo o Estado Todo o Brasil
Amazona aestiva 62 NO NER ao RS, GO e MT
A. amazonica 1 Não ocorre no Estado Até o PR, O de SP e RJ
A. pretrei 24 NE e N do Planalto até parte N dos morros do S Não ocorre noutros Estados
Ara ararauna 18 Não ocorre no Estado Brasil até SP
A. chloroptera 4 Não ocorre no Estado AM
Guaruba guarouba 2 Não ocorre no Estado MA ao O do PA
Myiopsitta monachus 395 SeO S de MT
Pionopsitta pileata 1 NE S da BA ao RS
Pionus maximiliani 1 N da Depressão Central NER, SER, SR, GO e MT
Pyrrhura frontalis 12 N, NE e L da Depressão Central BA ao RS

31
Tabela 9. Distribuição de todas as espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA, de 1998 a 2000, no Estado do RS e no Brasil.
(continuação)

Espécie Quant. Distribuição no RS Distribuição no Brasil


Triclaria malachitacea 2 Escarpa do NE S da BA ao RS
Tyto alba 1 L da Depressão Central, litoral, Planalto, morros do S Todo o Brasil
e NO
Speotyto cunicularia 1 Todo o Estado Todo o Brasil
Ramphastos dicolorus 8 L de Santa Maria até Aparados da Serra e extremo N ES, MG e GO ao RS
Central
R. toco 8 NO, bacia superior do Jacuí e parte central dos Todo o Brasil exceto litoral
morros do S
Pyrocephalus rubinus 3 Metade S do Estado, litoral, Depressão Central, Todo o Brasil
extremo O e serra do SE
Pitangus sulphuratus 1 Todo o Estado Todo o Brasil
Antilophia galeata 1 Não ocorre no Estado MA, PI e BA a MT, GO, O de MG e PR
Chiroxiphia caudata 21 Metade N do Estado S da BA e MG ao RS
Cyanocorax chrysops 9 N e NO AM e PA, S de MG e SP, MT ao RS
Turdus albicollis 4 NeL Todo o Brasil
T. amaurochalinus 6 Todo o Estado NER, SER e SR
T. rufiventris 86 Todo o Estado Todo o Brasil
T. subalaris 2 N e do L para o S MG e RJ até o RS
Mimus saturninus 2 Todo o Estado Brasil ce, NE, L e S
M. triurus 3 Litoral, SO e O MS ao RS
Chlorophonia cyanea 6 Escarpa do Ne BA e MG ao RS
Conothraupis speculigera 3 Não ocorre no Estado AM oc
Euphonia chalybea 12 Parte S da escarpa NE e região central N RJ ao RS
E. chlorotica 17 Faixa NO a SE Todo o Brasil
E. laniirostris 1 Não ocorre no Estado Alto AM e Brasil ce
E. violacea 2 NE AM ao RS
Orchesticus abeillei 1 Não ocorre no Estado ES a SC
Pipraeidea melanonota 13 LeN BA e MG ao RJ, RS
Ramphocelus bresilius 13 Não ocorre no Estado PB a SC
Sericossypha loricata 1 Não ocorre no Estado MA a AL, BA, MG e GO
Stephanophorus diadematus 109 L e esparsamente a O ES ao RS

32
Tabela 9. Distribuição de todas as espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA, de 1998 a 2000, no Estado do RS e no Brasil.
(continuação)

Espécie Quant. Distribuição no RS Distribuição no Brasil


Tachyphonus coronatus 9 Escarpa NE ao curso sup. do rioJacuí e N ao curso ES ao RS e S de MS
sup. do rio Uruguai
Tangara mexicana 5 Não ocorre no Estado AM, N do MT, L do PA e MA, BA ao RJ
T. nigrocincta 5 Não ocorre no Estado AM oc, AC, RO, NO de MT, S do PA e N de RR
T. seledon 1 Raro, extremo NE BA e MG ao RS
Thraupis bonariensis 3 Todo o Estado SR
T. sayaca 3 Todo o Estado GO e MT, MA ao RS
Coryphospingus cucullatus 158 N litoral, Depressão Central, centro O, morros do S e Todo o Brasil
metade N
Embernagra longicauda 1 Não ocorre no Estado BA e MG
E. platensis 1 Todo o Estado MG ao RS
Oryzoborus angolensis 5 Raro, Depressão Central Todo o Brasil
Paroaria coronata 1088 S e O O de MT e RS
P. dominicana 2 Não ocorre no Estado NER
Poospiza nigrorufa 14 Todo o Estado SR
Sicalis flaveola 586 Todo o Estado MA ao RS e MT
Sporophia caerulescens 143 Todo o Estado BA ao RS
S. collaris 30 Litoral, Depressão Central ES ao RS, GO e MT
S. leucoptera 1 Não ocorre no Estado AM, NER ao RJ, MG, SP, PR, GO e MT
Volatinia jacarina 8 Depressão Central, N do litoral e O Todo o Brasil
Zonotrichia capensis 22 Todo o Estado. Todo o Brasil
Passerina brissonii 207 Todo o Estado. NER ao RS, GO, MT
P. glaucocaerulea 21 Todo o Estado. MS, O de SP ao RS
Pitylus fuliginosus 2 Extremo N, Depressão Central e escarpa do NE PE, AL, BA, MG ao RS
P. grossus 10 Não ocorre no Estado AC, AM, L do PA e N do MA
Saltator aurantiirostris 19 morros do S e extremo O MS ao RS
S. maxillosus 47 N, partes altas do NE ES ao RJ e ao NE do RS
S. similis 42 N, NE e extremo O BA ao RS e COR
Agelaius ruficapillus 22 Litoral, Depressão Central e O AM, MA, NER ao S de GO, SO de MT, RJ, SP, SC, RS
A. thilius 24 Litoral SR
Gnorimopsar chopi 16 N, NE, Serra SE, reg. central ao N da Depr. central NER, SER, SR e COR

33
Tabela 9. Distribuição de todas as espécies apreendidas pelo IBAMA e BPA, de 1998 a 2000, no Estado do RS e no Brasil.
(continuação)

Espécie Quant. Distribuição no RS Distribuição no Brasil


Molothrus badius 8 S, Depressão Central e litoral NER a MG, MT e RS
M. bonariensis 19 Todo o Estado Todo o Brasil
Pseudoleistes virescens 1 Metade S do Estado, litoral. SC e RS
Cardueliis magellanicus 130 L L-me e ce-oc
Passer domesticus 11 Todo o Estado Todo o Brasil
Estrilda astrid 12 Região metropolitana AM, DF, MT, BA, PE, MG ao RS (capitais)
Total 3723

34
Fig. 1. Espécies mais apreendidas dentre o total contabilizado pelo IBAMA e pelo BPA.

35
800

700 B P A 1999

B P A 2000
600
710
IB A M A 1 9 9 8
500 638
Quantidade Apreendida

IB A M A 1 9 9 9

400
IB A M A 2 0 0 0

513 511
300

200
314 386

100

5 50
1 3 67
0 5 0 2 0
0 0 0
0 0 0 0 0 0 0
0 0 0 0 0 0
0 0
0
1 0 109 2 2 106 2 81
0 2 47
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0 0 0 4 1 0 62
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1 15 10 8
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14 1 3
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Es
Fig. 2. Apreensões realizadas pelo BPA (1999, 2000) e IBAMA (1998, 1999, 2000) distribuídas por famílias de aves. O número indica a quantidade
de espécimes. 36
800

700
BPA
IBAMA

600
Quantidade Apreendida

500

400

300

200

100

(I)
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M

Famílias

Fig. 3. Comparação entre IBAMA e BPA com relação às quatro famílias mais apreendidas
feitas durante o período de estudo. V = verão, O = outono, I = inverno, P = primavera.

800

Psittacidae
700 Muscicapidae
Emberizidae
Fringillidae
600
Número de Apreensões

500

400

300

200

100

0
Verão Outono Inverno Primavera Verão Outono Inverno Primavera Verão Outono Inverno Primavera

1998 1999 2000


ANO

Fig. 4. Distribuição das freqüências de apreensões das quatro famílias de aves mais
capturadas durante o período analisado.

37
Fig. 5. Distribuição geográfica de Conothraupis speculigera - tiê-preto (linha preta),
Tangara nigrocincta - saíra-azul (linha azul-escuro), Sporophila leucoptera - patativa-
chorona (linha rosa), Embernagra longicauda (ave endêmica da região) - tibirro (linha
verde-claro) e Sericossypha loricata (ave endêmica da região) - tiê-caburé (linha amarela)
e o sítio de soltura localizado em Viamão, RS (ponto vermelho).

38
Fig. 6. Distribuição geográfica de Tangara mexicana - saíra-de-bando (linha laranja),
Antilophia galeata - soldadinho (linha vermelha), Orchesticus abeillei (ave endêmica da
região) - tiê-marrom (linha marrom), Ramphocelus bresilius (ave endêmica da região) - tiê-
sangue (linha azul-claro) e Amazona aestiva - papagaio-verdadeiro (linha verde-escuro) e
o sítio de soltura localizado em viamão, RS.

39