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A Educação no Brasil atual

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A Educação no Brasil: Avanços e problemas Se fizéssemos um passeio pela história da educação, no Brasil, veríamos que muito pouco mudou

desde o início até os dias de hoje. O que ocorreu foi uma sucessão de avanços e tropeços. Nos primeiros anos do nosso país a educação era aquela promovida pelos Jesuítas. Alterou-se para pior com a expulsão da Companhia de Jesus, permanecendo inalterada até a chegada da Família real, em 1808, e somente se incrementou e estruturou a partir da década de 1960. A preocupação dos jesuítas era a catequese dos índios e o ensino das primeiras letras aos filhos dos colonos. A despreocupação com a escola se devia ao fato de ser uma colônia rural em que se dependia apenas da força braçal. A escolarização era vista como algo desnecessária, pois as atividades eram eminentemente braçais, para as quais o saber ler e escrever consistia em um luxo, pois, pensava-se: para que um trabalhador da roça precisa saber ler e escrever, se seu serviço é lavrar o chão. Talvez, por esse motivo, quando a Companhia de Jesus foi expulsa do Brasil o processo escolar ficou adormecido. Mesmo porque durante todo o período aos filhos das elites, quando isso parecia conveniente, havia a possibilidade de estudar na Europa. Com a chegada da família real as coisas não mudaram. A educação escolar continuava sendo privilégio de alguns membros das elites. Com a diferença de que são criados alguns cursos que poderiam ser considerados precursores das primeiras faculdades. E assim se passaram os anos e chegamos ao início do século XX quando o nível de escolarização da população brasileira ainda era baixíssimo. Somente após a Primeira Guerra Mundial, com a chegada dos imigrantes e o início da industrialização começou a aparecer uma maior preocupação com a escola. Entretanto de forma mais concreta, somente a partir dos anos 60, do século XX, a partir de movimentos populares, de mobilização sindical se concretizaram as primeiras experiências de popularização da escola. Mas esse princípio de educação popular foi extinto com a instalação do Governo Militar, a partir de 1964, a partir do qual foram estabelecidos os acordos MEC-Usaid. Durante o período militar nasceu a LDB 5.692/71 que, por muitos anos norteou o ensino de primeiro e segundo graus, no país. A LDB pode ser considerada, ao mesmo tempo, um avanço e um tropeço. Avanço porque normatizou o sistema escolar nacional, que até esse momento não estava completamente organizada. Foi um tropeço porque a escola nacional se tornou dependente dos interesses norte-americanos, em razão dos acordos MEC-Usaid. E a proposta de profissionalização não surtiu efeito, pois os cursos profissionalizantes não deram conta de preparar os jovens para o mercado de trabalho. Seu efeito foi o de, por algum tempo, diminuir a demanda por vagas nas portas das universidades. Com o processo de abertura e redemocratização, a partir de meados da década de 1980, o sistema escolar se reorganizou e em 1996 foi publicada uma nova LDB, a qual rege o sistema escolar brasileiro, na atualidade.

Podemos dizer que, o grande avanço do sistema escolar brasileiro e da legislação educacional foi a obrigatoriedade da gratuidade do ensino fundamental e médio a ser oferecido pelos estados e municípios. A oferta e compromisso com a escolarização passou a ser não só uma obrigação dos pais, por ser direito da criança e do jovem, como uma obrigação e dever do Estado. Essa obrigatoriedade do Estado se manifesta como oferta de condições de escolarização, de acesso à escola e de permanência nela. Entretanto isso ainda não se tornou uma realidade para todos os estudantes. Nem todos têm condições de acesso à escola e nem todos os que têm acesso permanecem nela. Além disso a escola nos três níveis (fundamental, médio e superior), ainda não é uma expectativa e um objetivo dos jovens em idade escolar. Em todo esse período, talvez o que possamos apresentar como o grande problema da educação nacional, tenha sido e continue sendo o da desvalorização do profissional da educação. Desvalorização que se manifesta nos baixos salários, na dificuldade de acesso a escolarização de nível superior, pois o filtro do vestibular impede que a grande maioria dos jovens ingressem no ensino superior. Essa dificuldade de acesso se deve tanto à deficiência na formação como na falta de vagas para todos. E com isso fica comprometida a afirmação de que deve acontecer educação para todos com todos na escola. Recentemente foi aprovada a lei que estabelece um piso para os salários dos professores. Entretanto até que isso se torne uma realidade pode demorar um tempo. Além disso, estabelecer um piso sem oferecer maiores condições para que os professores se aprimorem na sua qualificação pode não ser suficiente para melhorar nosso quadro escolar que já foi pior, é verdade, mas ainda tem muito a melhorar até chegar ao ponto de se equiparar ao dos países desenvolvidos. Valorização dos profissionais da educação, ampliação das condições de acesso e permanência na escola e ampliação da qualidade do ensino oferecido são alguns dos desafios que se impõem a um ministro da Educação que, seriamente, deseje melhorar o sistema escolar brasileiro. Neri de Paula Carneiro – Mestre em Educação, Filósofo, Teólogo, Historiador. Leia mais: < http://www.webartigos.com/authors/1189/Neri-de-Paula-Carneiro>;

educar nesse novo século. mais propensos a relatarem episódios de sua vida. já que o professor estará em contato direto com seus alunos que não possuem maturidade para decidir qual o conteúdo da aula de hoje. Esse tema nos cativa. se há uma forma fiel de separar o joio do trigo. a relação professor x aluno não seria interrompida e muitas vezes. já que nos últimos tempos tem sido muito tumultuada essa relação. entendemos como necessário. alguém cujas características se assemelham aos inúmeros leitores desse material. Precisamos então. por falta de opção. numa franca matação. e mesmo. Portanto necessita preparar-se para desenvolver e promover conhecimento. Esse choque de valores. pois auxiliará o aluno a sair da condição de depende até chegar a um estágio de autonomia. o de ser professor. Mas por que um tema como esse seria relevante? Muito se tem questionado sobre a forma como o professor em sala de aula tem atuado. do que o verdadeiro ensino de sua matéria. ainda hoje. formado para esse fim. Destacamos como de grande valor: a preparação institucional universitária. segundo várias pesquisas: inexistente. que citam ataques de alunos a seus professores. o respeito a profissão. é a escolha da profissão. onde os valores familiares. Muitas pessoas. frente a um novo desafio. a sala de aula como um ambiente prazeroso e a vocação que o professor precisa ter para assumir esta desafiadora missão de ensinar a criança. Alguns atribuem sua ação violenta aos comentários menosprezados de seus professores. bate de frente com os valores que o professor tenta ensinar em sala de aula. vivemos. que se discutam e debatam a respeito do ofício de professor. do aluno e do professor seria o verdadeiro motivo? Em entrevistas a alunos em escolas públicas mais retiradas. de uma classe de professores que esteja preparado. O que mais se lê na mídia é se. Esse preparo acontece em virtude da necessidade desse profissional ter clareza que sua função é muito importante. um choque cultural. tem dado certo. Mas o que fazer para trazer um pouco de luz a esse tema? Creio que a única forma de fazer refletir essa situação é pensar nas palavras de outro professor. com certeza. pois colecionamos notícias sobre um tema recorrente sobre vários são os casos de jornais e revistas. seria a mola propulsora para o desestímulo dos alunos. a afetividade pessoal. onde a falta de professor se tornou um estigma. não possuem essa certeza. pelo fato de ter sido empurrado ao magistério. vemos relatos de que a ação de alguns professores. com vocação e profissionalismo.Confissões De Um Professor: Dom Ou Acaso Na Ação Pedagógica Em Sala De Aula? Parte inferior do formulário Uma das coisas mais difíceis de se fazer. tal qual o médico que só opera se foi preparado para isso e tem convicção pessoal de que pode realizá-la e. Assim. Para que essa tarefa se cumpra. com certeza. O que mais ouço é a premissa de que: até agora. .

me identificar. Para isso me preparei. Num concurso público para a Universidade Estadual fui aprovado e voltei a trabalhar com Administração.Para tanto. o primeiro ano da faculdade foi difícil. Que seu desabafo possa auxiliar outros a escreverem e assim. deixar a área de administração. era isso mesmo que eu desejava. ingressei no curso de história (noturno). . Confesso que não foi uma experiência agradável. fui.. buscando. Mas estava claro que uma coisa não tinha nada haver com a outra.. vibrando com cada nova conquista que pude. começo minhas considerações e assumo o papel de meu entrevistado. Por ser minha personalidade irrequieta. Assim. vendo o rosto iluminado a cada descoberta. de funcionário publico concursado. Decidi fazer uma mudança em minha vida profissional.20). ficou nítido que tinha de escolher. ou como quiserem chamar. realmente. inclusive. Nessa jornada. Voltei para minha cidade e comecei a fazer as cadeiras do curso de Biologia. algo não estava bem. mas fazia créditos na área de biologia durante o dia. Foi na sala de aula que me descobri enquanto profissional. já que Ser bom em ciência e no senso comum é ser capaz de inventar soluções. o dom. reescrevo. Com o tempo. não conseguia achar um sentido no curso que estava desenvolvendo. 2005. preservando sua identidade e respeitando seu passado de dores. de referência. mesclando a sua e aminha história. Desde meu ensino médio investi intensamente em livros da área. A reviravolta Para poder trabalhar com educação. Admitido em caráter temporário. entenderem que a vocação. no afã de construir uma estória digna de reflexão. Só que precisava trabalhar. Pessoas que sabem as soluções já dadas são mendigos permanentes. Como bom escoteiro. Já as que aprendem a inventar soluções novas abrem portas até então fechadas e descobrem novas trilhas. Confesso que a mudança foi profunda. Como era a minha vida? A área de administração empresarial sempre me atraiu e foi meu primeiro objetivo. me inseri e realmente foi uma surpresa para mim. Então veio o convite e comecei a trabalhar numa rede de escolas. típico dos livros de Ricardo Sembler (2002) ou mesmo de Stephen Kanitz (2004). Foi desvendando os mistérios da ciência cotidiana. e dobrando os estudos em ciências para poder lecionar. Continuava fazendo meu curso de administração. faz sim uma diferença brutal. creio. A questão não é saber uma solução já dada mas ser capaz de inventar novas maneiras de sobrevive (ALVES. para ser um administrador modelo. decidi experimentar. Foi nesse período que encontrei um anúncio sobre um curso preparatório para professores da área de ciências que o município onde residia estaria realizando. para meus estudos na graduação. escolhas e como veremos de busca pela vocação de ser professor. é que o aluno sabe disso. p. uma universidade em meu estado. e isso me fez procurar outras opções. O fator complicante.

1999). 1997. Foi nas definições de ciência... mas também momentos difíceis. A área de ciências.promovido a chefe de setor para ser professor? Muitos não entenderam. Acredito que é nessa figura. De engodos como a ciência espiritual e seus desdobramentos.11 a 53). capaz de fazer circular melhor a “energia” interna de nosso organismo. Como agente do fazer e pensar ciência. em seu momento inicial. ibdem. só usufruímos. suor e pó de giz. Tudo que se segue tem por objetivo a resolução do problema. creio. a quem cabe essa tarefa? Creio que é no professor que todo esse questionamento começa. olhando para trás. como diz Rubem . 34). mas sei que fui movido por “paixão” pela educação. suas transformações e conquistas me anima. seja nos maneirismos e filosofias (BORDIEU. minhas lutas. confesso: não me arrependo de ter escolhido esse caminho. Foi nesse trabalho que senti a necessidade de ampliar meus horizontes. 1996). que esse papel é melhor desempenhado. sinceramente. São conquistas das quais muito me orgulho. não pensamos. de colocar a pesquisa na sala de aula. de fazer ciência através do livro didático que me deparei com grandes desafios. uma tomada de consciência de que a ação foi interrompida: este é o problema. Dom não cabide Mas por que nossa sociedade é tão mouca quanto a seu “coração”? Quem deveria estar “desmistificando”. de me redescobrir de novo. Agradeço essa chance de poder fazer uma reflexão em que possa respirar meu passado. (ALVES. problematizando. p. Recebo cartas de todoo estado e mesmo de outros estados. a ponto de ignorar. sangue. Minhas idéias a respeito da ciência. reforçam o ego e me impulsionam para o dia-a-dia. seja inclusive no respeito a carga biológica que cada indivíduo carrega. É sobre como nosso cotidiano funciona que nossos jovens precisam compreender. pois mostram que “tudo vale a pena. da vida foram sendo ampliadas. mas que pouco sabe sobre ela (SAGAN. seja na visão e concepção de mundo. para que a ação continue como antes.Pensamos quando nossa ação foi interrompida. mas. das 6 da manhã até as oito da noite. é o coração de uma sociedade que utiliza muito a ciência. se a alma não é pequena” (PESSOA. Enfim. diversificando minha forma de ver o cotidiano de poder discutir novas formas de aquisição do conhecimento e. p. São alunos de várias idades que dizem não esquecer os momentos passados em sala de aula. que caminhamos rumo a destruição total dos recursos que nos sustêm. Nesse caminhar têm havido momentos maravilhosos. O pensamento é. o processo sofre desvios. Por água imantada. para que não sejam enganados por dosagens de vitamina C além do que nosso organismo pode reter. Formei várias turmas e outras virão. que possui o respeito de seus alunos e a anuência de seus pais quanto a explicar o mundo científico no qual vivemos. quase que por completo. já que Quando não há problemas. de como atingir objetivos. no âmbito escolar.

22). Tem sido gratificante as conversas com professores de vários estados através da web. porque continuamos a cultivar o mero ensino. dentro da lógica ultrapassada e muito dispendiosa do currículo extensivo instrucionista (DEMO. E então. p. Na universidade. Questionamentos como: Será que a Universidade tem feito seu papel de formar o profissional? Seria o fator compreensão (ORLANDI.p. p. travamos na escola. em vários programas de capacitação. tanto na escola básica. quando a completa.15) o elemento a ser considerado? Seriam os valores individuais? Claro que essa é uma questão que mesmo no Doutorado seria de grande expansão. p. 2000. propriamente dito. periodicamente. quanto na universidade.. Então. faz-se mais do que necessário um momento. dito didático. diante dos mesmos alunos e nas mesmas circunstâncias (PERRENOUD. Esse vem sendo o elemento chave nas discussões que. sabe muito pouco. Só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe (op cit. É nesse ínterim que esse tema muito pode colaborar para uma ação mais efetiva na discussão e promoção de questionamentos que visem ampliar a análise do discurso do mestre e o exame acurado do material por ele utilizado. captar as influências que constroem o educador e perceber o quanto desse eu científico se sobrepõe ao método científico.54). Sua relação com o material existente: o livro didático. Na escola básica. p.14). Inúmeros questionamentos podem ser feitos. Qual método? Qual plano pedagógico? Como explorar os conceitos científicos? Como permitir ao educando se apropriar do conhecimento respeitando o elemento cognitivo? Dentre várias discussões. como régua eqüitativa. 2002. 1999. mas o que outros profissionais competentes teriam feito. porque a escolaridade média da população é de apenas 5 anos e pouco mais da metade dos alunos completa a 8ª série e. nossa proposta é interagir com o universo do professor e/ou do livro didático. e se esse material. ou pelo menos considerado. 161). onde discutimos quanto desse silêncio e dessa praxis tem funcionado na prática. Por isso.. é a ferramenta adequada. para onde vai seu barco? . A aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. que é citado por vários autores como norteador do processo ensino x aprendizagem (FREITAG ET alli. 2001. um artigo que discuta essa problemática. Nossa estrutura de ensino está .Alves. capaz de articular a estrutura de pensamento e mudar de direção um rio inteiro (MORAES & LIMA. Mas essa é só a ponta do iceberg. desde os devidos incentivos governamentais ao papel da Universidade nesse processo. 1989. Essas discussões tem se mostrado eficientes pois A profissionalização do oficio de ensinar passa por aí: saber demonstrar a um interlocutor que as situações problemáticas foram analisadas e que não se fizeram milagres. p.12).muito atrasado.

se usava o . entre elas. desde1808. que. as letras. só haviam recebido ainda essa educação bastante elementar. a palavra era aplicada para nomear um conjunto de pessoas.a política. a luta por uma reforma universitária. com o transplante da tradição clássicohumanista da educação européia. uma associação. Na Idade Média. ORIGENS HISTÓRICAS DA UNIVERSIDADE Entende-se como ensino superior a etapa da educação que visa o aperfeiçoamento e/ou a complementação dos estudos feitos anteriormente. o ensino superior tomou impulso com o objetivo de preparar profissionais em várias áreas para as transações do mercado interno e externo.. Igualmente. com a chegada de Dom João VI. quando da abertura dos portos às nações amigas. ao lado do questionamento global da sociedade brasileira. Entre os romanos.). propunham a realização de amplas reformas em todos os campos__as chamadas reformas de base. quase não se elevava acima do nosso atual ensino primário (Marrou. no mundo clássico. em vários aspectos. que. o termo universitas designava um colégio. Fídias. No que diz respeito ao mundo grego escreve Marrou sobre o desenvolvimento do ensino superior. 1975: 81) A universidade do mundo grega foi frutos das escolas filosóficas e retóricas. Assim os atenienses nascidos na década e 490 (como Péricles. Sócrates. De outra forma. Os anos de 1946 a 1964 foram de forma ascensão dos movimentos populares. Desde a época colonial. Muito embora existissem diversos grupos de escolas. De acordo com esse raciocínio. Diversas entidades __ como a União Nacional dos Estudantes (UNE)__ passaram a pressionar o governo federal na luta por reformas também educacionais. empregado para designar estabelecimentos de ensino superior. que em todos os domínios .. marcado pela influência do político e pedagógico dos enciclopedistas franceses não se conseguiram estabelecer um sistema nacional de educação. é possível dizer-se que tanto na Grécia como em Roma existiu o Ensino Superior. as artes-levaram a cultura clássica a tão alto grau de maturidade. não tinha a mesma significação que lhe seria atribuída no medievo. É fundamental observar-se que o termo universidade. traduzida pela obra dos padres jesuítas até o Ato Adicional de 1834.Trajetória Da Educação No Brasil Até O Ensino Superior A história do Brasil nos aponta fatos que definiram. do ponto de vista da instrução. justifica-se falar de educação superior nas civilizações clássicas. acentuando uma desarticulação estrutural e uma dualidade administrativa do ensino em todo o Império. os rumos da educação no país.

1979: 212). corporação de comerciantes. As primeiras universidades.vocábulo para designar uma pessoa jurídica tal como universitas mercatourm. universitas magistroum et scholarium. instituição de ensino superior que congrega professores e estudantes. que eram. com efeito. autênticos trabalhadores intelectuais (Nunes. datam do século XII. Em estudo magistral sobre a matéria. Denifle conta 55 universidades fundadas até o ano de 1400 (Franca. erigidas na Europa. Escreve sobre assunto Ruy Afonso da Costa Nunes: Assim desde o fim do século XII. O seu número multiplicou-se rapidamente em toda a cristandade. Como esclarece Leonel Franca. à imitação das guildas dos mercadores passou-se a falar das corporações de mestres e estudantes. tem o seu significado originário da palavra medieva. 1923) A universidade moderna. . É deste emprego que nasceu a palavra universidade na acepção medieval.

Olhando de acordo com a proposta de N. Os demais seres vivos não desenvolvem o processo educacional. se quisermos outra categoria. que é uma espécie de definição dicotômica da educação. teríamos o processo educacional como relação de oposições. mas como mecanismo de luta de classes ou. nos voltar para a filosofia. mas de popularização da demanda por trabalhadores mais bem preparados para atender às necessidades da classe dominante. e. Ninguém se educa sozinho. Aqui se pretende acrescentar alguns elementos nessa discussão. para entender a educação podemos. Mesmo o advento da escola pública não é sinônimo de popularização da escola. Sendo assim. Para a moralidade teríamos que desvendar os valores inerentes a esse processo. Diz o autor que “parece existir algo de comum entre as várias perspectivas. Em seguida mostra as relações de oposição dizendo que existe um processo de educação formal que se contrapõe .História e história da educação Neri de Paula Carneiro Introdução É inegável que muito já se escreveu sobre história da educação.. 2002. constantemente. como espaço privilegiado para a reprodução de quadros que ensinarão aos posteroscomo manter as estruturas sociais. Iniciemos afirmando que essa atividade humana à qual denominamos de educação é um processo. podemos dizer. Assim. a classe dominante se utiliza não só da educação informal. mas nas relações. na qual esta é sempre classificada em dois termos opostos” (PILETTI. podemos partir não da história. se fossemos tratar a educação do ponto de vista filosófico. 7). Esse processo pode ser bem observado no Fenômeno da criação da instituição escolar. a antropologia. 1. E. Piletti (2002). E assim por diante. é amplo e se desenvolve nas relações. O processo educacional nasce no ambiente familiar e se ramifica por todos os ambientes nos quais e com os quais a pessoa mantém contato ou estabelece relações. mas da instituição escolar para preparar seus quadros. pretendendo mostrar que a prática educacional é constante e que a educação escolar nasce não como valor social. todas essas áreas têm uma palavra sobre isso que chamamos de Educação.. a sociologia. p. ela se manifesta como mecanismo de manutenção das estruturas sociais. é essencialmente humano. E relação é processo que se amplia.Educação Para entender a história da educação. deveríamos começar perguntando: o que é isso que chamamos de Educação? Para a sociologia e a antropologia a indagação seria sobre os processos sociais e relações grupais que ocorrem dentro do ambiente educacional. na criação da instituição à qual denominamos de universidade. a moral. mais tarde. Isso implica dizer que uma primeira característica do processo educacional é o fato de se desenvolver a partir de um cada vez mais amplo processo de relações. entre outras áreas do conhecimento. mas de uma caracterização de Educação. até termos bem caracterizado esse processo que.

aquela que ocorre no cotidiano e nas inter-relações das pessoas e grupos. pode ser vista como instrumento de libertação (educação crítica. à educação autoritária contrapõe a democrática. é a afirmação de que ele produz divisão social. ocorrida principalmente na instituição escolar. a necessidade de uma escola que. 40). é reprodutor. o processo educacional é um processo incômodo. também. mas. entre os que alcançaram ascensão sócio-econômica. p. ao mesmo tempo reproduza os valores hegemônicos e instrua quadros para a manutenção do aparato estrutural dessa sociedade. é prenhe da ideologia ou dos valores do senso comum. Portanto. e. Entretanto a sociedade humana. embora tendo passado pela escolarização. como pedagogia progressista. E para fundamentar essa perspectiva poderíamos nos lembrar da proposta de Libâneo (1990) e popularizada por Luckesi (1993). à educação como meio opõe a educação como fim.mas necessário Outro comentário que se pode fazer. p. concretamente é avessa às novidades. apesar de se caracterizar pela constância do progresso. Essa perspectiva prevê a possibilidade do processo educacional exercer papel transformador. com o processo educacional e os que não entraram no processo escolar ou os que. com o desenvolvimento. Os interesses da sociedade. que passa a ser visto. à educação como produto opõe a educação como processo. na sociedade.. dentro de uma perspectiva dialética. à educação certa opõe a educação errada. entretanto que o processo educacional – formal ou não formal – tenha poder transformador. sempre que se defronta com situações que demandam a desinstalação para instalação de novidades o ser humano cria resistências. Não nos parece. na medida em oferece perspectivas de transformação social. ao surgir uma classe dominante nasce. 2004. mostrando que o processo educacional é reprodutivista uma vez que a instituição escolar é criada “pelo grupo dominante para reproduzir seus interesses. Mas também não podemos desconsiderar a perspectiva ideológica do processo educacional. a partir disso. não alcançaram melhorias significativas em sua qualidade de vida. Por mais que se beneficie com a evolução. E aí teríamos que admitir que a educação.. é resultado dos interesses dessa mesma sociedade. em relação ao processo educacional formal-escolar. Aníbal Ponce (2001) comenta essa situação da seguinte forma: . 1989. para a visão da educação como prática individual opõe a prática coletiva. 69). como propõe L. O novo incomoda. à educação opressora propõe a educação libertadora e ao modelo reprodutivista contrapõe a educação crítica. Não nos cabe discutir cada ponto proposto por esse autor.. dizendo que “a educação é ai compreendida como um dos instrumentos de apoio na organização e na luta do proletariado contra a burguesia” (Azevedo. sua ideologia” (GUARESCHI.à educação informal. Althusser comentado por Aranha (1991) e por Guareschi (1989). educação libertadora. Essa tendência vê a educação a partir de uma ótica marxista. pelo contrário.). Divide-se a sociedade entre os que estudaram e os que não estudaram. dos valores preservados pela sociedade em que se insere. sendo assim. como sugere Azevedo. é definido pela classe dominante. A educação formal. a constatação de que só ocorre educação em processo.. com o progresso. A educação informal.. Podemos acrescentar.. mas podemos dizer que em sua perspectiva está presente a idéia do processo se contrapondo à tendência de estagnação. A estagnação é a negação da educação.

a não ser quando esse ‘bem comum’ pode ser uma premissa necessária para manter e reforçar as classes dominantes. está na impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda” (BLOCH. o fato é que o passado não está à disposição do historiador: “as características mais visíveis da informação histórica.“Não é necessário dizer que a educação imposta pelos nobres se encarrega de difundir e reforçar esse privilégio. 2. Uma vez constituídas as classes sociais. o ensino escolar não é sua única prática e o professor profissional não é seu único praticante” (BRANDÃO. Essa perspectiva pode ser corroborada pelas palavras de C. foram muitas vezes descritas. para lecionar. No processo educacional isso é ainda mais presente. p. e 3º prevenir uma possível rebelião das classes dominadas” (PONCE 2001. Isso justifica a afirmação de que cada sociedade desenvolveu o seu modelo educacional para que fosse eficaz “para ser eficaz toda educação imposta pelas classes proprietárias deve cumprir as três finalidades essenciais seguintes: 1º destruir os vestígios de qualquer tradição inimiga. A questão é que todas as informações apresentadas não são produzidas simultaneamente ao processo da aula. Esse processo não ocorreu com a função de preparar horizontes. a riqueza e o saber. por definição. dizendo que “não há uma forma única nem um único modelo de educação. a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor. em tempos passados. 1985.. para as outras. aqui. 9) Entretanto nossa questão. 2001. o trabalho e a ignorância”. p.História e história da educação Tudo é história e tudo tem história. . na linha de frente de todos os processo de desenvolvimento humano. mais ela é julgada adequada. Já nem tudo o que a educação inculca nos educandos tem por finalidade o bem comum. O historiador. p. pois seu objeto de estudo é inacessível. desenvolveu-se como suporte para os valores da sociedade em que se manifesta. São conhecimentos que se foram produzindo e acumulando ao longo de alguns anos. Portanto nossa reflexão se volta não para o processo educacional amplo. que é o grande problema da história: como saber se aquilo que está sendo apresentado como fato histórico realmente aconteceu como está sendo apresentado? O que determina que este ou aquele fato histórico seja analisado ou mostrado como sendo algo memorável? Seja qual for a resposta. Para estas. Portanto são informações históricas. é a história da educação vista a partir da ótica do ensino superior. Brandão. 2001. 28) Em síntese podemos ter clara a afirmação de que cada sociedade moldou seu processo educacional de acordo com suas necessidades. R. 69). (PONCE. No processo educacional escolar o professor. E esse somente acontece no ambiente formal da escola e muitas vezes de forma ainda elitista e elitisado. passa a ser um dogma pedagógico a sua conservação. sempre precisa apresentar informações ao estudante. 36. e quanto mais a educação conserva o status quo. E aqui se manifesta um problema. e abrir perspectivas. mas ao contrário.. mas para um processo específico: o do ensino superior. 2º consolidar a ampliar a sua própria situação de classe dominante. p.

52) O problema da história é que o historiador precisa fazer escolhas. História das Idéias pedagógicas. Mas como saber se essas opiniões permanecem válidas para nosso cotidiano? Como podemos dizer que aquilo que foi dito sobre a educação em outro tempo e espaço pode ser aplicado à nossa realidade educacional? Podemos dizer que o drama da história manifesta-se também na educação e na história da educação. mas as versões da história. O que é educação. 2001. de fenômenos que não têm outra característica comum a não ser não terem sido contemporâneos. por definição. os comentários localizados no espaço e no tempo. Como não podemos deixar de nos manifestar estamos sempre emitindo opiniões. matéria de um conhecimento racional”. 2004 BLOCH. Dedica-se somente àquilo que lhe parece ser importante. O que temos são as versões dos fatos. BRANDÃO. 3 ed. C. sobro o qual não temos mais acesso. Além disso. Lins de. p. um dado que nada mais modificará. enquanto tal.P. fundamentamos essas opiniões no passado. História da Educação. Ele não estuda todos os fatos nem todos os processos. os textos com estas ou aquelas opiniões. Nas palavras de Marc Bloch: “O passado é. Mas o conhecimento do passado é uma coisa em progresso. O objeto de estudo é o passado. mas seleciona-os. Marc. 1985 GADOTTI. E isso sempre é feito a partir dos interessas do pesquisador. o historiador olha para os fatos e processos históricos não em si mesmos. Cada versão do passado manifesta-se no tempo presente somente enquanto tem alguma relevância para aquele momento histórico ou para justificar algum elemento considerado importante no presente. Moacir. Ransom. Rodrigues. 1987 . Brasiliense. São Paulo: Ática. mas o passado do processo histórico já não está acessível. 75). T. podemos dizer que tudo o que é apresentado como histórico não é a história. (BLOCH. São Paulo: Abril Cultura. 2001. São Paulo: E. do historiador. por isso as escolhas. Como. Apologia da História ou o ofício do historiador. Isso posto. Principalmente por que não tem acesso a eles. Janete M.U. pois esses já não existem mais. Entretanto. poderíamos fazer. comentários que foram válidos para o momento em que foram emitidos. 2001.. 2001 GILES. mas os examina de forma indireta: mediante os documentos históricos que são uma versão do fato e não o fato mesmo. Rio de Janeiro: Zahar.. A Educação como Política Pública. 8 ed. Campinas: Autores Associados. Referências: AZEVEDO. para justificar nossas opiniões. Podemos dizer que o problema da história manifesta-se também quando pretendemos fazer a história da educação.“a própria idéia de que o passado. que incessantemente se transforma e aperfeiçoa” (BLOCH. o historiador está na “impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda”. possa ser objeto de uma ciência é absurda. sem uma decantação previa. p.

Teólogo. São Paulo: Paulinas. SCHWANTES. São Paulo: Loyola. Sofrimento e esperança no Exílio. 19 ed. 2002. 14 ed. Sociologia Crítica: alternativas de mudanças. História da Educação. Cipriano C. Educação e Luta de Classes. Professor de História e de Filosofia na rede estadual. 7 ed. 2006 PILETTI. 1990. Especialista em Educação. São Paulo: Cia.GUARESCHI. História da educação e da pedagogia. José C. Porto Alegre: Mundo Jovem. Ed. Democratização da Escola Pública: a pedagogia crítico-social dos conteúdos. Neri de Paula Carneiro: Mestre em Educação (UFMS). 1990 LUCKESI. São Paulo: Ática. LIBÂNEO. 18 ed. Aníbal. 2001. Especialista em Leitura Popular da Bíblia. Mario A. Professor de Filosofia e Ética na Faculdade de Pimenta Bueno. Lorenzo. Nacional. Pedrinho A. São Leopoldo: Sinodal. São Paulo: Cortez. Historiador. Nelson. São Paulo: Cortez. 1987. 1983 MANACORDA. Milton. São Paulo: Paulinas. Da antiguidade aos nossos dias. . História da Educação no Brasil. 12 ed. Filosofia da Educação 6 reimp. Israel no Exílio: uma interpretação teológica. PONCE. 9 ed. radialista colaborador em jornais de Rondônia. 1993 LUZURIAGA. Filósofo. Ralph W. em Rolim de Moura – RO. 1989 KLEIN. São Paulo: Cortez.

INFLUÊNCIA DA PROGRAMAÇÃO TELEVISIVA NA FORMAÇÃO DAS CRIANÇAS Profº Raul Enrique Cuore Cuore RESUMO Este trabalho trata da forma como as emissoras de televisão influem no desenvolvimento das crianças e pré-adolescentes através da programação. Palavras-chave: Gênero. Deixando claros esses conceitos é necessário destacar também que as emissoras de televisão não só exibem programação nociva para as crianças. 1 INTRODUÇÃO Antes de nada serão definidos gênero e sexualidade que conforme com as palavras de Louro (1999): “Gênero é a construção social dos significados para as diferenças do sexo biológico. induzindo a comportamentos. as quais promovem jogos e competições de “meninos contra meninas”. Sexualidade. remete-se aos aspectos físicos. valores de sexualidade e gênero. Televisão. e a sexualidade se refere a uma serie de crenças. comportamentos. cabe ressaltar que uma exposição exagerada das crianças e pré-adolescentes aos diversos estímulos de ordem erótica. sensualidade. enquanto aos homens estariam reservadas responsabilidades “mais nobres ou sérias”. ou seja. dentro das grades. em detrimento dos componentes afetivos. são apresentados por mulheres. Porém. crenças e modismos presentes na sociedade. Existem. enfim. induzindo à percepção de que cuidar das crianças e entretê-las seria uma tarefa essencialmente feminina. que basicamente se dedicam a atividades de pura diversão e/ou entretenimento. preconceituosa que frequentemente são exibidos na televisão pode resultar em conseqüências adversas ao desenvolvimento integral dos meninos e meninas já que esse tipo de conteúdos expostos no vídeo. charme. que são pensadas a partir da oposição entre as masculinidades e feminilidades. interessantes que desenvolvem a curiosidade e enriquecem o conhecimento e com o intuito bem claro de formar pessoas conscientes da sua responsabilidade dentro da sociedade da qual fazem parte. relações e identidades socialmente construídas e historicamente modeladas que se relacionam com o que Michel Foucault denominou “o corpo e seus prazeres””. b) A imagem das apresentadoras é cuidadosamente trabalhada. de modo que elas representem exemplos de beleza. programas educativos e informativos. Estes . elegância e sensibilidade. 2 OS REFERENCIAIS DA PROGRAMAÇÃO TELEVISIVA INFANTIL Dentre os variados referenciais de sexualidade e gênero dentro da programação televisiva podem-se enumerar alguns que possuem maior destaque: a) Os programas infantis. as vezes. na sua grande maioria. violenta e.

c) Aos meninos o exemplo se dá por meio de atributos de virilidade. cinema. o que torna este processo de debate por si só positivo. justificar e/ou condenar quaisquer programas ou emissoras de televisão. competições e desenhos animados – principalmente as produções japonesas que tem invadido o universo infantil nos últimos anos – e que reproduzem. . dando-se lugar a diferentes interpretações. enfim uma infinidade de ícones. roupas. Este fato justifica o título de “babá eletrônica””. valores morais e éticos intermediando as relações das crianças com a realidade social. as crianças e pré-adolescentes estariam em casa nestes horários. também nas emissoras de televisão coexistem múltiplas éticas e diferentes moralidades. sobre os mais diversos temas. a idéia de que os problemas podem ser resolvidos através da força física. A televisão. vem contribuindo para que se discuta. “Verifica-se que quase 80% das crianças e pré-adolescentes telespectadores assíduos não têm a companhia da mãe ou do pai quando assistem a TV. mais às vezes também de forma negativa. julgar. Porém. antes considerados tabus. danças. força. Sendo cada vez mais comum os pais trabalharem fora de casa. em geral. Os conteúdos de qualidade duvidosa e apelativa não somente são encontrados na programação televisiva. ao principio. d) A maioria dos programas infantis na televisão constituem veículos para a promoção de uma moralidade sexual mais tradicional.atributos são tradicionalmente associados ao papel feminino. violência. 3 CONCLUSÃO Não se pretende. através dos jogos. enfim na mídia em geral. Em geral. que reproduz modelos de masculinidade e feminilidade baseados nos conceitos atividade/passividade. sem dúvida. é justificada a grande preocupação com que os pais e educadores vêem a questão da exibição de determinada programação em horários considerados “de pico”. brincadeiras. e desta maneira mostra às meninas quais atitudes e comportamentos deverão adotar quando se tornarem adultas. liderança e coragem comumente referenciadas nos jogos. diferenças sociais. internet. Portanto. o referencial erótico é machista e preconceituoso. a televisão vem se tornando a única forma de entretenimento e companhia para os jovens. eles constituem um referencial poderoso para as crianças e pré-adolescentes comunicando-lhes os costumes. sendo que os estereótipos sexuais ou de gênero são usados para “fazer rir”. como. sexualidade. Como diz Simonetti (1994). liberdade/dependência. opressão/submissão. Esse pluralismo de idéias contribui para a formação e a transformação da sociedade como um todo de uma forma positiva. é possível encontra-los também em revistas. tradições culturais. com este trabalho. mais abertamente. canções. Muito embora os programas infantis na televisão não se constituam no único fator de disseminação de estereótipos e preconceitos sexuais ou de gênero. pois a influência exercida por estes programas pode não ser tão benéfica como se desejaria e. gibis. assim como ocorre na realidade social concreta.

1994. SIMONETTI. Gênero. Petrópolis: Vozes.Cabe. Influência da Mídia no Comportamento Infantil. C. e desta forma criar o equilíbrio adequado para que o futuro homem ou mulher possa julgar o que é de boa e de má qualidade conforme o bom senso. G. aos pais conjuntamente com os educadores dosar a exposição das crianças e pré-adolescentes aos conteúdos impróprios para a sua faixa etária. . 1999. São Paulo: Cortez. 4 REFERÊNCIAS LOURO. então.L. assim como diversificar as alternativas de entretenimento e cultura. Sexualidade e Educação: Uma perspectiva pós-estruturalista.

Escola. sendo também desenvolvida. ele pode estar fazendo uma determinada atividade. Segundo Silva (2006. Palavras-chave: Atenção. A atenção voluntária é aquela que o individuo direciona conscientemente para aquilo que considera essencial para o seu desenvolvimento. A atenção involuntária é aquela natural do individuo. Os alunos muitas vezes não se interessam por determinados conteúdos ou explicações expostas pelo professor. A passagem de uma para outra acontece através de mediação simbólica. Não é difícil constatar que hoje em dia encontramos na sala de aula. 1 INTRODUÇÃO O processo de aprendizagem pode enfrentar alguns problemas no seu desenvolvimento. mais se relaciona com a mediação simbólica. Um desses problemas está relacionado com a atenção. sendo ele o responsável não só pelo cumprimento da grade curricular como intermediário entre o conhecimento e o aluno. desta forma. .O PROCESSO DE ATENÇÃO EM SALA DE AULA Profº Raul Enrique Cuore Cuore RESUMO O processo de atenção na sala está intimamente ligado à forma com a qual o professor prepara e expõe suas aulas. nem consciência sobre a importância daquilo que lhe chama a atenção. em poder dos alunos. p. Deste modo. A atenção do ser humano pode ser dividida em voluntária e involuntária. 2 COMO CLASSIFICAMOS A ATENÇÃO A atenção é inata no individuo. procurando uma linguagem que se identifique com o dia-a-dia do mesmo. mais tem a capacidade de prestar atenção em diversas outras. Tecnologia. neste trabalho será analisado o desenvolvimento da atenção na aprendizagem escolar. É importante ressaltar que a atenção é produzida e determinada pelo contexto no qual se encontra o individuo. apresentando-se desde bebê. Este tipo de atenção tem cunho social e base na mediação simbólica. e uma atenção não inviabiliza o aparecimento da outra”. os mais diversos apetrechos tecnológicos.64) “O processo de atenção se divide em duas categorias sendo elas a atenção involuntária e a atenção voluntária. que competem corpo a corpo com o professor no que diz respeito à atenção. É chamada de involuntária porque o individuo não tem domínio. Esta incidência é maior em disciplinas que comportam as ciências exatas provocando o desvio de atenção do aluno para coisas diversas. sendo importante para que ocorra o aprendizado do grande volume de informações absorvidas diariamente pelos mais diversos meios de comunicação.

5 REFERÊNCIAS SILVA. Professor de Matemática e Fisica na Rede Particular de Campo Grande . assim como o meio onde convivem é primordial para que o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem seja realmente eficaz sob o ponto de vista da atenção. Por isso. O uso de métodos conservadores e arcaicos pelos docentes vai à contramão da realidade que as crianças vivem. Pós-Graduando em Eduacação Matemática. sendo o docente que deve procurar a melhor forma de adequar o conteúdo curricular à linguagem que os alunos estão acostumados. Por isso quando é ignorado este contexto. 4 CONCLUSÃO O processo de aprendizagem está inteiramente ligado ao contexto do educando. a postura do professor em sala de aula deve acompanhar a realidade do aluno. . Graduado em Matemática.3 A ATENÇÃO NO AMBIENTE ESCOLAR Um dos grandes problemas de atenção no ambiente escolar é a forma com a qual os conteúdos são abordados pelos professores. Daniela Regina da. as dificuldades do aluno vão aumentando série a série. ASSELVI. Não é raro vermos crianças de sete ou oito anos dominarem o teclado de um computador. Associação Educacional Leonardo da Vinci (ASSELVI). Psicologia da Educação e Aprendizagem. para isso deverá valer-se dos meios tecnológicos e didáticos à disposição para tornar a aula mais interessante e proveitosa. ou ficarmos surpresos com a habilidade no manuseio do telefone celular. criando canais de comunicação que despertarão o interesse e conseqüentemente a atenção estará voltada para melhor aproveitar o aprendizado. pois estão em contato com os mais diversos meios tecnológicos diariamente e são ininterruptamente expostas ás uma diversidade de informações pela mídia. – Indaiá: Ed. Conhecer os anseios e desejos dos alunos. A Escola deve proporcional esse canal de comunicação entre conteúdos e a realidade social estudantil.MS. É possível afirmar que a aprendizagem ocorre de forma seletiva e tem como instrumento importante no seu processo a atenção. 2006.

A vida em seu lar deve estar sendo muito difícil. Relata a senhora Thonpson. Lembra-se de que abriu o pacote com tristeza. Seus trabalhos estão sempre em ordem e muitos nítidos. Tem bons modos e é muito agradável estar perto dele. mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providência para ajudá-lo. Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava. exceto o de Teddy. depois que todos se foram. Mas ela com . mas tem estado preocupado com sua mãe que esta com uma doença grave e desenganado pelos médicos. Um ano mais tarde a Sra Thompson recebeu uma notícia em que Teddy lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida. Mas a história não terminou aqui. recebeu outra carta de Teddy contando que havia concluído o segundo grau e que ela continuava sendo a melhor professora que tivera! As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo Dr. Naquele dia. que estava enrolado num papel marrom de supermercado. E quanto mais lhe dava carinho e atenção.A professora do primeiro ano escolar de Teddy havia anotado o seguinte: Teddy é um menino brilhante e simpático. seu antigo aluno. enquanto os outros garotos riam ao ver uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade. Ela aceitou o convite e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Teddy anos antes. Houve até momentos em que ela sentia prazes em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos. que Teddy lhe disse que ela estava cheirosa como sua mãe.Theodore Stoddart. a professora Thompson chorou por longo tempo. era solicitado a cada professor que lesse com atenção a ficha escolar dos alunos para tomar conhecimento das anotações feitas a cada ano. que no seu primeiro dia de aula parou em frente a seus alunos da quinta série primária e como todos os demais professores disse que gostava de todos por igual. mais ele se animava. abraçaram-se por longo tempo e Teddy lhe disse ao ouvido: obrigado por acreditar em mim e me sentir importante. especialmente a Teddy.ENSINAR E APRENDER Existe uma história de muito tempos atrás sobre uma professora do primário e seu nome era senhora Thompson. Seis anos depois. Sentiu-se ainda pior quando lembrou dos presentes de Natal que os alunos lhe haviam dado envolto em papéis coloridos.Ao iniciar o ano letivo. A professora do quarto ano escreveu: Teddy anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula. ela sabia que isso era quase impossível. mais conhecido como Teddy. Da professora do terceiro ano constava à seguinte anotação: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para Teddy. A senhora Tompson deixou a ficha de Teddy por ultimo. Lembrou-se ainda. No entanto. Naquela ocasião Teddy ficou um pouco mais de tempo na escola do que o de costume. e também o perfume. Apesar das piadas ela disse que o presente era precioso e pôs a pulseira no braço e um pouco de perfume sobre a mão. demonstrando -me que posso fazer a diferença. Ao finalizar o ano letivo. A Sra Thompson se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada. A Sra Thompson recebeu outra carta em que Teddy a convidava para seu casamento e noticiava a morte de seu pai. Teddy saiu como o melhor aluno da classe. Ele procurava fazer o melhor. Quando os dois se encontraram. já que na primeira fila estava sentado um menino chamado Theedy Stodard.A professora do segundo ano escreveu o seguinte: Teddy é um aluno excelente e muito querido por seus colegas. Mas quando a leu foi grande a surpresa. Em seguida decidiu-se a mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos. A professora havia observado que ele não se dava bem com os seus colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam suja e cheiravam mal.

Pedagoga.Professora de Educação Infantil.. www. Fundamental e Médio.Psicopedagoga e Mestranda em Ciencia da Educaçao.br . Mais do que avaliar provas e dar notas é importante ensinar com amor mostrando que sempre é possível "fazer a diferença. Este texto aplica-se em quase tudo em nossas vidas. Mais do que ensinar a ler e escrever.". explicar matemática e outras matérias. 43 anos de idade Educar Crianças Educar crianças é tarefa fácil para quem entende o universo infantil. quando acreditamos em nosso semelhante e lhe damos a mão.maecomfilhos. afinal eu não sabia ensinar até que eu o conheci. sempre podemos fazer a diferença. é preciso ouvir os apelos silenciosos que ecoam na alma do educando..os olhos banhados em prantos sussurrou baixinho: você está enganado! Foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença.com.

a libertinagem durante a França de Luis XV. nas idéias e nos costumes dominantes que são peculiares a cada época. Assistimos. os Hippies nos anos 60. praticados freqüentemente sem preparação e sem prudência. por exemplo. e é bem mais acentuado durante a juventude. mais atualmente estão tomando proporções incontroláveis. Um fenômeno tipicamente moderno é o dos delitos coletivos e o uso de entorpecentes cuja multiplicação causa apreensão aos criminologistas. A integração na turma (e tal palavra não significa necessariamente uma associação de malfeitores) substitui a intimidade entre as pessoas e o intercâmbio de idéias e sentimentos. Em muitos meios. desnudar. a apologias da sensibilidade e do irracional no século do Romantismo. Existe uma necessidade urgente de retomar os valores morais e éticos que estão se tornando esquecidos pela juventude ou às vezes. ao desencadeamento da violência e da deformidade”. e desprezam indistintamente não apenas a exaltação romântica ou o sentimentalismo sem graça das épocas precedentes. a amizade degenerou em camaradagem vulgar e brutal. ultrapassar todo limite e infringir toda regra. tratados como obsoletos e fora da realidade. Juventude. Segundo Thibon (1971) “Seu imperativo essencial é surpreender. por exemplo. No campo das artes e literatura o contexto não escapa a essa falsa norma. provém do mesmo estado de espírito desafiador e agressivo. Este trabalho tem como objeto mostrar um pouco desta realidade que aflige a sociedade como um todo. Palavras-chave: Agressividade. No plano da sexualidade. como. em todos os domínios. que se traduz pela exaltação e a pratica da violência. Revolta.VIOLENCIA E AGRESSIVIDADE NA JUVENTUDE Profº Raul Enrique Cuore Cuore Resumo A violência e agressividade na juventude sempre existiram. chocar. 1 introdução Existem. Uma das dominantes da nossa época é a revolta contra os valores tradicionais. consumismo exacerbado. 2 A REVOLTA COMO DOMINANTE DA NOSSA ÉPOCA Na ordem da amizade. muitos jovens se presumem "libertos". . O aumento da delinqüência juvenil prende-se a este tipo de vínculo social. o extrapolar dos limites. Este fenômeno se observa em todas as ordens do humano e social. A turma busca muito freqüentemente distrações e aventuras mais ou menos sofisticadas de agressividade. o culto à velocidade. O entusiasmo pelos esportes brutais e perigosos. etc. enfim. o culto da Razão no tempo do Humanismo.

se encontram cada vez mais desarmados para enfrentar os percalços e os deveres numa existência normal. também compõem um dos pilares fundamentais para reverter esta tendência de agressividade e violência. que vão das injúrias às "vias de fato".3 O FENÔMENO DAS TURMAS NA JUVENTUDE Esta epidemia de violência causa estragos precisamente numa época em que os homens sedentos de segurança automática. O desmoronamento das estruturas sociais liberta o elemento bruto. juntam-se contra isto ou aquilo. e cooperativas diminuirão a agressividade estaremos dando ferramentas para semear uma sociedade menos violenta. principalmente na Escola a partir das series iniciais. A educação e o amor no lar. esses acessos de furor. provido no seio familiar. isto é. O fenômeno da turma na juventude explica-se pela inaptidão de estabelecer verdadeiras amizades e de criar verdadeiros grupos. Um trabalho feito de forma séria. provocados por uma insignificante recusa de preferência ou pelo mais leve engarrafamento no transito. Uma atenção especial a estes aspectos da educação trará benefícios para as próximas gerações. poderão reverter esta tendência anarquista que envolve à juventude atualmente. 4 Conclusão O quadro exposto nos parágrafos acima não quer dizer que tudo está perdido. comunitárias. pois aproximando a juventude de atividades produtivas. Seres incapazes de se unirem tendo em vista um fim comum positivo. visando a alguma coisa. Gustave. Diagnósticos de Fisiologia Social. é sua revolta. É preciso lembrar também. 5 referências THIBON. convertida em lei e fim supremo. Esta barbárie motorizada é comprovada e registrada todos os dias. Madri: Nacional. 1971. .

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