Você está na página 1de 7

Teoria Geral do Direito Civil I

Princípios fundamentais 

Personalismo ético
- O personalismo ético é anterior ao kantismo e tem raízes na moral estóica e no cristianismo; - Assenta na consideração da pessoa humana como ser livre, autónomo, igual e irrepetível, centro de toda a organização social; - No Direito Civil, o personalismo ético funda a tutela da personalidade, a autonomia privada, a responsabilidade civil, o direito subjectivo e a propriedade, o respeito da família e a sucessão por morte; - A principal consequência do personalismo ético é o reconhecimento da personalidade jurídica e a tutela dos direitos de personalidade; - O personalismo ético não admite nem a privação da personalidade, nem a sua graduação ou recusa de reconhecimento; - A personalidade é originária e inerente à qualidade humana. Por isso, não pode ser alienada, limitada ou condicionada, como não pode alguém ser dela privado enquanto vivo. A personalidade só se extingue com a morte. 

Autonomia privada
Autonomia privada: a autonomia é a liberdade que as pessoas têm de se regerem e vincularem a si próprias, umas perante as outras, de prometerem e de se comprometerem. Em sentido amplo é o poder que as pessoas têm de se dar leis a si próprias e de se reger por elas. Autonomia Heteronimía

- A autonomia privada pressupõe um espaço de liberdade em que as pessoas comuns podem reger os seus interesses entre si, como entenderem, através da celebração de negócios jurídicos ou de contratos e do exercício de direitos subjectivos, sem terem de se sujeitar a directivas de terceiros; 

Responsabilidade
- A liberdade sem responsabilidade constitui arbítrio e o arbítrio é incompatível com a dignidade;

1

a construção seguinte: 1º) Situação de confiança.O Direito não tolera que alguém construa e pectativas e venha depois actuar em sentido contrário e beneficiar dessa actuação contraditória. . 2 Q G P H I G @ R G D FC @ E D ADCBA@ -Ac 310"( ( 40" 4 "! % (0'" ( $ " 1% "(0!12 ( 40" 4 "5 $ 0 2 ( 05$ 410! ( 4"2 $# "%14 (1 %)0" 3 (0 0$!! %" 1012 10) !% ( !%  '$ "& "&% $# "!     c s e se e e s 3 (0 "(" "41 '2! !% (1 !181! 1 ! $18   1% "&! $ # 1 4 0$ ( 407 1 2 " 41 !$! 0"1 "!1 1( " ( 40)1 $# 10) 1( "!   6   ç de s da pe as pess as me ece tute a jurídica. 2º) Justificação para essa confiança. tendo confiado na atitude. acredite em certo estado de coisas ou o desconheça receba uma vantagem que. por forte tradição românica. ou nas promessas de outrem. a uma regra objectiva de boa fé Preconiza-se. não lhe seria reconhecida. na sinceridade.No Direito português vigente a protecção da confiança efectiv a-se por duas vias: i Disposições legais específicas: surgem quando o Direito retrate situaç es típicas nas quais uma pessoa que. . o Direito não pode ficar absolutamente indiferente à eventual frustração dessa confiança. i Institutos gerais: aparecem ligados aos valores fundamentais da Ordem Jurídica e surgem associados.Quando uma pessoa actua ou ce e ra certo acto. ¥ ©  ¡§ ¥ © ¢ ¢ ¨¢ ¢ ¢ ¢ ¥ £    ¨¢ ¡ ¢§ ¥£¢ ¢¡© ¦£¦ ¥ £   ¢¢  ¥ ©   ¡ §  ¦ ¥£¡ ¤ £ ¡  ¢ ¢ ¨¢ ¢ ¢ e e v v ( e v ) ( e e ) s ce e e e e ej s e ves e c s ves e e e e s v e s v s s v es e e c s . a propósito dessa tutela de confiança. legitimamente. de outro modo.Te Res s e Respons bilid de ci il: c e s e s e e e Respons bilid de cri in l: c s s e s e e J c e e es c es c  Confi nç e aparência 9 9 . no Direito positivo português vigente.

4º) Imputação da situação de confiança. de ortonimia.Teoria Geral do Direito Civil I 3º) Investimento de confiança. trata-se já não tante de aferir da boa fé ou má fé como que alguém está ou foi investido numa situação jurídica determinada. Medida das posições jurídicas que se possam encabeçar Medida das posições jurídicas a e ercer pessoal e livremente Capacidade jurídica 3 S S W V V X U U Capacidade de gozo Capacidade de e ercício .A capacidade é a medida concreta de direitos e deveres de que se possa.A personalidade e prime a potencialidade de ser titular de direitos e adstrito a obrigaç es. ou da consciência por sua parte do vício ou vicissitude em questão. respectivamente. . Boa f subjecti a: o juízo é feito a partir do conhecimento ou desconhecimento por parte do agente de estar a lesar outrem. mas antes de julgar da conformidade de uma certa actuação com as regras de boa fé.  Boa f T Objectiva Boa Fé Subjectiva Boa f objecti a: critério de acção correcta. Pessoa singulares  Personalidade jurídica . ser titular e destinatário.

O domicílio é a sede jurídica da pessoa. para efeitos jurídicos ou para certos efeitos jurídicos. c) Círculo social: prende-se com as relaç es entre o sujeito considerados o os seus semelhantes. são avaliáveis em dinheiro e podem ser negociados no mercado. b) Direitos de personalidade patrimoniais: representam um valor económico. Quanto aos efeitos: b a a Domicílio 4 Y releva para uma generalidade de situaç es jurídicas Y ` Geral special opera para situaç es jurídicas específicas . é o local onde. o Direito tem a pessoa como localizada.  Do icílio e residência habitual .No artigo 82º do CC estabelecem-se os critérios para a determinação do domicílio geral das pessoas: a residência habitual. Classificaç es a) Círculo biológico: abrange a vida e a integridade física da pessoa. Residência habitual: situa-se no local onde a pessoa fixa o centro da sua vida pessoal e onde habitualmente reside. b) Círculo moral: tem que ver com a intocabilidade espiritual das pessoas. .Teoria Geral do Direito Civil I  Características dos direitos de personalidade Natureza a) Direitos de personalidade não patrimoniais: o Direito não admite que os correspondentes bens sejam permutados por dinheiro.

circulando por vários locais.Teoria Geral do Direito Civil I Quanto à escolha: Domicílio Voluntário Legal Dependente da opção do sujeito Correspondente a uma estatuição da lei Vai corresponder aos seguintes factores: Residência permanente quando o sujeito se encontra num determinado local Residência habitual quando. um de presença claramente dominante Domicílio Residência alternativa na hipótese de ser esse o figurino tradicional do sujeito Residência ocasional quando não seja possivel apontar ao sujeito uma residência mais estável Paradeiro na falta de outro critério 5 . ele tenha. todavia.

Teoria Geral do Direito Civil I Domicílio profissional . Trata-se pois de um do micílio especial. . Domicílio legal . .A pessoa que exerça uma profissão tem. c 2 fases diferentes tendencialmente sequenciais 1º) curadoria provisória: o sentido jurídico do regime é o da protecção do património do ausente. domicílio profissional no lugar onde a profissão seja exercida. por outro e mais intensamente. também e formalmente. por um lado. a defesa da paz pública e.A finalidade e o sentido que fundam o regime da ausência e que orientam as soluções legais são.O papel do domicílio profissional é reportado às relações referidas à profissão em jogo. o sentido jurídico do regime legal é claramente mais o da protecção do interesse dos futuros titulares dos bens. quanto às relações a que ela se refiram.  Estatuto jurídico da ausência e morte presumida Ausência: desaparecimento prolongado e sem notícias. .A escolha do local de exercício cabe. 3º) morte presumida: a lei descrê da sua sobrevivência e presume a sua morte sendo os bens entregues então aos seus sucessores e àqueles que a eles teria direito por morte do ausente 6 . 2º) curadoria definitiva: os bens do ausente são entregues aos que os receberiam se o ausente estivesse morto.Quando a lei fixa os domicílios das pessoas esse é um domicílio legal. a protecção do património do ausente e dos interesses dos seus sucessores. ao interessado. da expectativa do seu regresso.

Teoria Geral do Direito Civil I Curadoria pro isória 7 d O desaparecimento da pessoa sem que dela haja notícias e Requisitos Que o ausente não tenha deixado representante legal ou procurador que o queira ou possa representar Que algum interessado ou o inistério Público o requeira .