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HERMENÊUTICA JURÍDICA trabalho

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  • 1.1. Conceito e Aspectos Gerais
  • 1.2.1. Método literal, gramatical ou filológico
  • 1.2.2. Método lógico ou racional
  • 1.2.3. Método sistemático ou orgânico
  • 1.2.4 Método histórico ou histórico-evolutivo
  • 1.2.5. Método teleológico
  • 1.2.6. Método sociológico
  • 1.3.1. Interpretação declarativa
  • 1.3.2. Interpretação extensiva
  • 1.3.3. Interpretação restritiva
  • 1.4.1.1 Escola da Exegese
  • 1.4.1.2 Escola dos Pandectistas
  • 1.4.1.3 Escola Analítica de Jurisprudência
  • 1.4.2.1 Escola Histórica do Direito
  • 1.4.2.2 Escola Teleológica
  • 1.4.3.1 Escola da Livre Pesquisa Científica
  • 1.4.3.2 Escola do Direito Livre
  • 1.4.3.3 Escola Sociológica Americana
  • 1.4.3.4 Escola da Jurisprudência de Interesses
  • 1.4.3.5 Escola Realista Americana
  • 1.4.3.6 Escola Egológica
  • 1.4.3.7 Escola Vitalista do Direito
  • 2.1 Normas jurídicas
  • 2.2 Princípios e Regras
  • 2.3.1 Função explicativa
  • 2.3.2 Função justificadora
  • 2.3.3 Função fundamentadora
  • 2.3.4 Função interpretativa
  • 2.3.5 Função prospectiva
  • 2.4 Princípios Jurídicos e Princípios Gerais de Direito
  • 2.5 Princípios Gerais do Direito
  • 3.1 A Segurança Jurídica
  • 3.2 Súmulas Impeditivas de Recurso
  • 3.3.3. Prós e contras
  • 3.4.1. A Crescente valorização da Verdade Real

INTRODUÇÃO

O motivo ensejador da escolha do tema é a possibilidade de desenvolvimento da argumentação jurídica na elaboração das decisões judiciais, direcionando-as às expectativas de justiça social reclamadas pela própria sociedade. Considerando-se que o Direito deve ser interpretado inteligentemente porque ele nasce da sociedade e para a sociedade, preocupa-se a Hermenêutica com o resultado provável de cada interpretação, de forma a buscar aquela que conduza à melhor conseqüência para a coletividade. Com vistas ao atendimento dessa finalidade é pertinente a admissão dos princípios jurídicos haja vista provocarem ampliação considerável da capacidade de resposta do ordenamento jurídico, a ponto de possibilitar o seu completamento através das funções que desempenham, logo, operam para aperfeiçoar o ordenamento, mas somente o fazem quando outras normas não se apresentam em condições de exercer, plena ou satisfatoriamente, sua função reguladora. É o se que almeja quando da proposta da Hermenêutica na aplicação dos Princípios Jurídicos, pois parte-se da premissa de que as leis são formuladas em termos gerais ou abstratos e que, ante o caso concreto urge extrair da abstração a essência que será aplicada ao fato real, considerando-se dessa essência o seu alcance ou simplesmente, que fatos reais ela consegue ou pretende alcançar. Nesse contexto, remete-se à investigação dos aspectos dos princípios jurídicos para que seja entendida satisfatoriamente sua importância na construção e aplicação das demais normas jurídicas, uma vez que o pensamento jurídico contemporâneo atribui-lhe status de autêntica norma jurídica em razão de sua positividade e vinculatividade na solução de casos concretos. Entretanto, recorrer aos enunciados princípios jurídicos implica em complexa tarefa argumentativa destinada não apenas a precisá-los, mas também a inferir a solução que se propõe ou prescreve, disto decorre a imperatividade da interpretação da norma jurídica a fim de que adquira ela, condição de aplicabilidade, muito embora tal atividade não poder estar ao arbítrio do aplicador, sendo necessário por isso a criação ou estabelecimento de regras ou métodos através dos quais seja buscado esse sentido e alcance normativo.

Encontra-se assim a Hermenêutica como arte ou ciência da interpretação, compondo verdadeiro sistema de regras da atividade exegética já que há bastante tempo, nas diversas áreas do saber, a teoria científica da arte de interpretar norteia os caminhos do intérprete. O que é novo então, são as exigências de justificações racionais pela sociedade, hoje democrática e pluralista, que resulta incompatível com a anterior confiança dogmática na autoridade. A metodologia tradicional da interpretação jurídica como revelação do sentido prévio e acabado das normas acha-se superada haja vista as características do ordenamento atual já não são conformes à ideologia do positivismo e, ante a presença dos princípios, perturba-se a confiança na ciência e se privilegia a prudência, justamente porque a Constituição Federal de 1988 inovou sobremaneira nosso ordenamento, muito embora se tenha continuado presos à maneira de interpretá-lo. Hoje está aumentada a freqüência com que se recorre aos princípios para a solução dos problemas jurídicos, os quais reclamam uma intervenção mais ativa do operador do Direito, transparecendo com isso a necessidade cada vez maior de uma teoria da argumentação jurídica que deve ser por ele desenvolvida uma vez que, ante o caráter conflituoso próprio dos princípios, a tarefa é demasiado exigente. Neste cenário, tal estudo mostra-se como um dos traços marcantes do póspositivismo dada sua relevância ímpar, pois cada vez mais a sociedade exige decisões que façam sentido ao cidadão. Isto posto, pontua-se que o presente trabalho não tem a pretensão de esgotar o tema, todavia tenciona abordar, ainda que de maneira simplificada, as linhas mestras da teoria da interpretação no enfoque dos princípios jurídicos almejando despertar, pela forma sintetizada do trabalho, o interesse e a consciência dos novos operadores do Direito para o atendimento dos igualmente novos anseios da sociedade, perspassando, por conseguinte pela argumentação e fundamentação jurídica das decisões judiciais como resultado da busca da verdade real empreendida pelo magistrado por uma “justiça com resultados justos” porque a Justiça deve voltar a ser a finalidade única do Direito. Acerca do método utilizado na pesquisa, a confecção do desenvolvimento estrutural se deu através do método dedutivo, que se caracteriza por ser uma forma de raciocínio que, independentemente de provas experimentais, se desenvolve, digamos assim, de uma verdade sabida ou admitida a uma nova verdade, apenas graças às

regras que presidem à inferência das proposições, ou, por outras palavras, tão somente em virtude das leis que regem o pensamento em sua conseqüencialidade essencial. Das duas espécies de dedução, primar-se-á por aquela dita silogística, para a qual, partindo-se de uma premissa maior e perspassando por uma premissa menor, chega-se necessariamente a uma proposição conclusiva cujo efeito é o que esclarece ou particulariza um ponto visto que nada acresce ao já proposto. Ressalte-se que o processo metodológico ora informado, o qual confere validade à pesquisa, sustentou-se na bibliografia de renomados estudiosos do tema considerando as verdades por eles anteriormente afirmadas para só então defender o posicionamento internalizado como o mais racional e adequado. O estudo que aqui se empreende foi concebido em três capítulos, dentre os quais o primeiro resgata o conceito de hermenêutica, distinguindo-a da interpretação quando muitos autores utilizam tais vocábulos como sinônimos; também expõe os métodos interpretativos existentes na ciência hermenêutica e os resultados da atividade exegética, colacionando por último as características e síntese das propostas interpretativas das grandes escolas. O capítulo seguinte enfoca a pacificação da discussão em torno da natureza jurídica dos princípios cujo status é o de norma jurídica e aborda a diferenciação entre regras e princípios bem como suas funções no ordenamento; distingue ainda os princípios jurídicos dos princípios gerais do direito e discorre acerca destes últimos. Neste capítulo têm realce os princípios gerais do direito posto que fundantes de todo o sistema jurídico vigente. Ao final, o terceiro capítulo trata a noção primária de segurança jurídica e das súmulas impeditivas de recurso; prima por uma análise detida das súmulas vinculantes haja vista constituirmos uma sociedade dependente de uma estrutura judiciária abarrotada de processos e carente por isso de celeridade nas decisões judiciais, para a qual a proposta apregoada como mais viável face a negligência em admitir-se que a deficiência é estrutural e saná-la, foi a adoção das súmulas com efeito vinculante, num retrocesso ao estrito legalismo positivista ou manifesta tentativa de coibição das propostas pós-positivistas. O encerramento prescreve a instigação da busca da verdade real pelo magistrado, registrando-a em suas decisões numa nova visão do que deve ser a

Justiça: uma defensora dos princípios morais que a Constituição e o bom senso determinaram como parâmetros para a vida.

CAPÍTULO 1 A HERMENÊUTICA COMO ARTE DA INTERPRETAÇÃO

1.1.

Conceito e Aspectos Gerais
A idéia de que a língua dos deuses é inacessível aos homens é antiga.

Moisés era capaz de falar com Deus, mas precisava de Aarão para se comunicar com o povo. Hermes, na mitologia grega, era um intermediário entre os deuses e os homens, de onde vem a palavra hermenêutica. A dogmática hermenêutica faz a lei falar.[27] Para Martin Heidegger, a Hermenêutica é sempre uma compreensão de sentido: buscar o ser que me fala e o mundo a partir do qual ele me fala; descobrir atrás da linguagem o sentido radical, ou seja, o discurso.[28] Na definição de Deocleciano Torrieri Guimarães em seu Dicionário Técnico Jurídico, é a ciência da interpretação de textos da lei que tem por objetivo o estudo e a sistematização dos processos a serem aplicados para fixar o sentido e o alcance das normas jurídicas, seu conhecimento adequado, adaptando-as aos fatos sociais. Schleiermacher e Dilthey fizeram da hermenêutica uma teoria científica da interpretação e o método das ciências do espírito ou culturais, mas somente com Savigny é que a hermenêutica vai entrar no Direito, de modo a elevá-lo à categoria de ciência cultural e é com o próprio Savigny que tem início a hermenêutica jurídica clássica, metodológica e científica, voltada para o Direito privado e para as normas com estrutura de regra.[29] A Hermenêutica Jurídica é o sistema de regras para interpretação das leis e sua importância deriva do interesse público.[30] Considerando-se que deve o Direito ser interpretado inteligentemente porque ele nasce da sociedade e para a sociedade, preocupa-se a Hermenêutica com o

[31] Diverge Paula Baptista. que a aplicação ao caso concreto de enunciados já estabelecidos pela ciência da hermenêutica. Somente assim ela é aplicável a todos os casos que correspondam àqueles objetivos. A máxima in claris non fit interpretatio tem de ser compreendida considerando que os dispositivos legais não se aplicam automaticamente e que a compreensão da vontade normativa da lei. meados de 1860. necessitam as leis de interpretação para que suas disposições possam abranger os diversos e variados casos que a complexidade da vida social apresenta. Múltiplos são os objetivos da interpretação: deduzir uma orientação geral de muitos princípios particulares. pois sendo norma geral e abstrata. de forma a buscar aquela que conduza a melhor conseqüência para a coletividade. quando a interpretação era a exposição do verdadeiro sentido de uma lei obscura por defeitos de sua redação.[33] A lei encerra um comando e nele estão contidas possibilidades ordenatórias que à interpretação cabe descobrir e. O que se quer atingir é uma correlação coerente entre o todo da lei e as partes representadas por seus artigos e preceitos. desse modo. determinar o sentido de cada um de seus dispositivos. pois é o fim que possibilita penetrar na estrutura de suas significações particulares. à luz dos objetivos visados. tem de ser adequada ao caso concreto. outra coisa é refletir e criar as formas pelas quais serão feitas as interpretações jurídicas. ou duvidosa com relação aos fatos ocorrentes ou silenciosa. . e que não tinha lugar sempre que a lei. ou ainda concordar disposições diversas. em relação aos fatos sujeitos ao seu domínio fosse clara e precisa. Assim. da mens legis é indispensável mesmo quando as leis são claras. Uma coisa é interpretar a norma legal. ainda nas palavras de Hermes Lima. deduzir de um princípio geral princípios particulares que ao primeiro sempre se hão de referir. Isto posto. em compreendê-la na plenitude de seus fins sociais. a interpretação é. o primeiro cuidado do hermeneuta contemporâneo consiste em saber qual a finalidade social da lei. Como se vê.[32] Interpretar uma lei importa. a fim de poder-se. previamente. no seu todo. tem-se como Hermenêutica Jurídica a ciência da interpretação.resultado provável de cada interpretação. Interpretar é descobrir o sentido de determinada norma jurídica ao aplicá-la ao caso concreto. indicando o espírito de unidade lógica em que se inspiram. nada mais nada menos. àquela época.

aplicar o Direito.[35] O Deputado Fiúza. Esta é aplicação daquela. revelando seu sentido apropriado para a vida real e conducente a uma decisão. É função do intérprete compreender o texto da lei em seu significado e alcance. Em resumo. antes de aplicá-la a caso sub judice.Nesse sentido: “A necessidade da interpretação é devido a noções elásticas as quais precisam ter seu sentido real apreendido a fim de verificar-se a adequação da hipótese enunciada na regra jurídica ao caso concreto posto a clareza meridiana contida na expressão. A letra da lei permanece. principalmente em razão da velocidade das grandes transformações sociais e políticas. interpretar a norma jurídica visando encontrar o seu real significado. Interpretar é. em conseqüência. falta da terminologia técnica. dar o verdadeiro significado do vocábulo. almejam. a sua extensão. serão sempre menores do que permanecermos engessados neste positivismo individualista incompatível com a prestação jurisdicional atualizada. obrigam o operador do direito.[36] O objeto da hermenêutica jurídica é o estudo e a sistematização dos processos aplicáveis para determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito e uma vez que as leis positivas são formuladas em termos gerais. ambigüidade do texto. má redação. sem descer às minúcias. isto é. por diversas vezes têm repetido: “A importância que a Hermenêutica Jurídica terá nos tempos que se avizinham. Do exposto ressalta o erro dos que pretendem substituir uma palavra por outra. mas seu sentido deve. adaptar-se às mudanças que o progresso e a evolução cultural imputam à sociedade. sempre. estabelecendo normas. extrair da norma tudo o que nela se contém. Quaisquer que sejam as dificuldades que a Hermenêutica traga em sua análise. explicar. fixando regras. portanto. imperfeição.”[34] A vaguidade. é tarefa primordial do executor a pesquisa da relação entre o texto abstrato e o caso concreto. interpretação. aplicável a cada caso e. seu sentido íntimo e sua expressão visível”. em linguagem clara e precisa porém ampla. socialmente mais justa. Para consegui-lo é necessário um trabalho preliminar: descobrir e fixar o sentido verdadeiro da regra positiva e. o executor extrai da norma tudo o que na mesma se contém: é o que se chama interpretar. entre a norma jurídica e o fato social. ao invés de hermenêutica. consolidando princípios. isto é. a todo instante. o respectivo alcance. logo depois. esclarecer. a . determinar o sentido e o alcance das expressões do Direito.

Este processo de interpretação deve perseguir o conteúdo ideológico dos vocábulos. despachos. apesar de só uma delas vir a ser Direito Positivo através da sentença judicial. fases ou momentos da interpretação ou critérios hermenêuticos. etc. Sua finalidade é acentuar as semelhanças e dessemelhanças entre as múltiplas espécies. gramatical ou filológico Para João Baptista Herkenhoff. a classificação é um procedimento lógico. de maneira a facilitar a inteligência do problema em estudo.[37] Embora sejam as leis o objeto principal da interpretação. cada uma das quais. 1. Método literal. não são elas apenas que precisam ser interpretadas. a interpretação da lei não tem. na interpretação da lei. o analista encara um fenômeno determinado. como se só ela fosse justa ou reta.[38] Cabe ao jurista. usos e costumes. na consideração do significado técnico dos termos. acordos ou convenções. A Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar. no exame da linguagem dos textos. mas a várias decisões. métodos ou modos de interpretação. as medidas provisórias. sob o ponto de vista da norma que aplicam. por meio do qual. Ao que Carlos Maximiliano enquadrou na denominação geral “expressões do direito”. portarias. com vistas a uma compreensão semântica . testamentos. os decretos. Por conseqüência. possui um valor idêntico ao das outras.[40] Os processos de interpretação são também chamados elementos de interpretação. estabelecer as diversas possibilidades decisórias. estabelecido um ângulo de observação.1. descobrir o que de subjacente existe neles. no valor das palavras. mas também os tratados.primeira descobre e fixa os princípios que regem a segunda. Métodos de Interpretação Jurídica Consoante Sílvio Rodrigues.2. grupando suas várias espécies conforme se aproximem ou se afastem umas das outras. esse momento ou processo estabelece o sentido objetivo da lei com base em sua letra. necessariamente. sentenças. contratos.[39] 1. são regras técnicas que visam à obtenção de um resultado as quais convergem para solucionar os problemas de decidibilidade dos conflitos. que levar a uma única decisão. Constituem os recursos de que se vale a atividade interpretativa para atingir seus objetivos.2.

2. Hermes Lima aduz. ser o primeiro passo a dar na interpretação de um texto é necessário colocar seus resultados em confronto com os elementos das outras espécies de interpretação uma vez que por si só é um critério insuficiente porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. O processo lógico permite que a interpretação alcance elevado padrão de rigor e segurança. de tratá-la em termos de precisão matemática. a conseqüência é multiplicarem-se as regras de interpretação. Funda-se no brocardo – Ubi eadem ratio. que as palavras são um limite à interpretação. sentido e finalidade haja vista que numa lei. afora as impropriedades de redação. aplicando ao dispositivo um conjunto de regras tradicionais e precisas.das palavras usadas na lei posto que nem sempre a palavra é fiel ao pensamento.. necessariamente. entretanto. ou seja.[42] 1.] o processo tem o grave inconveniente de esvaziar a lei de todo o conteúdo humano. tomadas de empréstimo à lógica geral. partindo do pressuposto de que a razão da lei pode fornecer elementos para a compreensão de seu conteúdo. A ratio legis consagra.2. em sua designação de método literal. o que interessa não é o seu texto. como se fosse um teorema de geometria”. apesar de indubitavelmente. freqüentes nas leis.[41] Entretanto. ibi eadem legis dispositio. da preocupação de reduzir toda a Hermenêutica a brocardos. incompatível com a segurança jurídica pretendida. Procura a idéia legal que se encontra sub litteris. por sua vez.. os valores jurídicos dominantes e deve prevalecer sobre o sentido literal da lei. mas o alvo fixado pelo legislador. gerando a sutileza. ali onde está o racional está a correta disposição legislativa.[44] .[43] Também Carlos Maximiliano censura o processo afirmando que. Método lógico ou racional Tal critério baseia-se na investigação da ratio legis. que busca descobrir o sentido e o alcance da lei sem o auxílio de qualquer elemento exterior. não pode substituí-las embora haja. quando em oposição a este. muitas vezes. que. consoante Flóscolo da Nóbrega “[. a necessidade de esclarecê-las pela riqueza ou volubilidade semântica que apresentam.

pode referir-se ao histórico do processo legislativo ou aos antecedentes históricos e condições que a precederam e nessa interpretação entra também o estudo da legislação comparada para determinar se as legislações estrangeiras tiveram influência direta ou indireta sobre a legislação que se deve interpretar. por isso é necessário verificar como a lei disporia se.[48] Esclarece Herkenhoff que aqui leva-se em conta as idéias. Recorre-se ao Direito Comparado. até que se chegue à compreensão da norma que o regule na atualidade. ou seja. remontando às primeiras manifestações da instituição regulada. o qual não é a soma de suas partes.[45] Esse método considera o caráter estrutural do Direito. Método sistemático ou orgânico A interpretação sistemática é responsável pela unidade e coerência do ordenamento jurídico porque interpreta a norma à luz de outras normas e do espírito do ordenamento jurídico. especialmente daqueles que exerceram influência na construção do instituto jurídico que se investiga.3. mas o seu significado não é imutável. com leis congêneres de outros países.[46] 1.2. proposta como método primeiramente por Savigny. sendo feita pelo exame da evolução temporal de determinada instituição ou instituto.[47] Baseia-se este processo na investigação dos antecedentes da norma. O processo histórico-evolutivo considera que a lei não tem conteúdo fixo. houvesse os fenômenos que se encontram presentes no momento em que se interpreta ou aplica a lei. é a que se faz à luz da occasio legis – circunstância histórica da regra interpretanda – e da origo legis – origem da lei. confronta-se o texto sujeito a exegese. procurando por isto. no tempo de sua feitura. mas uma síntese delas. pelo que não se interpreta isoladamente as normas. traduzidas pelos que a elaboraram. Tem de ceder às . não pode viver para sempre imobilizada dentro de sua fórmula verbal. compatibilizar as partes entre si e as partes com o todo. de todo impermeável às ações do meio. invariável.4 Método histórico ou histórico-evolutivo A interpretação histórica.2. às mutações da vida.1. os sentimentos e os interesses dominantes ao tempo da elaboração da lei porque a lei representa uma realidade cultural que se situa na progressão do tempo: uma lei nasce obedecendo determinadas aspirações da sociedade ou da classe dominante da sociedade.

sendo que por intermédio do seu primeiro objetivo. assegurando a tutela do interesse. a interpretação sociológica abre o ordenamento jurídico para a realidade social através de três objetivos: eficacial. iluminandose e esclarecendo-se reciprocamente.2.6. 1. toda interpretação jurídica é teleológica: funda-se na consistência axiológica do Direito.imposições do progresso. Ora. armando-o de sanções. de entregar-se ao fluxo existencial.”[50] 1. dando-lhe eficácia. vontade que deve sempre corresponder às necessidades e condições sociais. assim como também pode ser fim da lei impedir que ocorra um desvalor. ou de outro que deva substituí-lo. a interpretação sociológica confere aplicabilidade à norma em relação aos fatos sociais por ela previstos. para a qual foi estabelecida. Cabe ao hermeneuta pesquisá-los com vistas a descobrir a finalidade da lei. os valores não se explicam segundo nexos de causalidade. com brilhantismo ele diz que: “Fim da lei é sempre um valor.5.”[49] O intérprete busca descobrir a vontade atual da lei e não a vontade pretérita do legislador. Nessa perspectiva oferecida pela teoria do valor e da cultura. Método sociológico Para Glauco Barreira Magalhães Filho. . Por isso também a denominação por alguns autores como interpretação finalística uma vez que visa a descoberta dos valores a que a lei tenciona servir. cuja preservação ou atualização o legislador teve em vista garantir. à base das novas valorações. o resultado que a mesma precisa atingir em sua atuação prática. Método teleológico Esse processo funda-se na interpretação da norma a partir do fim social a que ela se destina. atualizador e transformador. A lei não explicita os interesses que defende. como é próprio do estudo de qualquer estrutura social. mas só podem ser objeto de um processo compreensivo que se realiza através do confronto das partes com o todo e vice-versa.2. Na concepção do mestre Miguel Reale. nem as valorações que a fundamentam. de ir evoluindo paralela à sociedade e adquirindo significação nova.

a forma que se deu a essa proteção e a maneira pela qual deve ela funcionar. ao atendimento das exigências do bem comum. Interpretação declarativa Hermes Lima postula que a interpretação declarativa é resultado das interpretações lógica e gramatical e que nela se procura fixar o sentido da lei e ainda. O sentido gramatical primário da lei coincide com o sentido condicionado por outros fatores. à base de uma realidade dialética. o legislador prescreveu textualmente. H. Enquanto que para Glauco Barreira Magalhães Filho é aquela na qual há uma identificação entre o espírito da lei e a letra da lei. segundo a possibilidade de evolução da própria sociedade e precisa ser reformulado em termos de uma Sociologia integral e completa. mas na dúvida deve-se preferir a que menos se desvie do direito regular.O segundo objetivo é aquele ligado à atualização da interpretação o que seria uma interpretação histórico-evolutiva dotando de elasticidade a norma. conforme se entender o sentido das expressões. com exatidão. o objetivo transformador da interpretação sociológica refere-se às reformas sociais. Esta se distingue da analogia em razão de ela ser uma espécie de interpretação e a analogia ser meio de integração do ordenamento jurídico. Porto Carreiro.1. Por fim. permitindo que ela abranja situações novas que não puderam ser previstas pelo legislador. 1.[51] 1. Interpretação extensiva A interpretação é extensiva quando o intérprete conclui que o alcance da norma é mais amplo do que indicam os seus termos e então diz-se que o legislador escreveu menos do que queria dizer.2. Na opinião de C. para que a interpretação sociológica alcance seus resultados deve indagar os motivos primários que ditaram a feitura da lei. aquilo que tencionava.3. que ela pode ser restrita ou lata. A . Nesta. Resultados da Interpretação Jurídica 1. por isso o intérprete terá que ampliar o sentido da norma. os interesses protegidos pela norma.3.3. à satisfação dos anseios de justiça. Tal processo visa perscrutar a lei como um produto orgânico que tem capacidade de evoluir por si mesma.

Antes do século XIX diversas escolas cuidaram de problemas hermenêuticos. aplicação e integração do Direito. Sistemas Interpretativos ou Escolas Hermenêuticas Um sistema interpretativo é uma organização dos procedimentos do intérprete ligados à interpretação. na generalidade da lei. um problema de lacuna do ordenamento jurídico.interpretação extensiva parte de norma existente enquanto a analogia parte da inexistência de norma.4. encontrava-se solução para todas as situações jurídicas.1 Escola da Exegese Era constituída pelos comentadores dos códigos de Napoleão e fundava-se na concepção da perfeição do sistema normativo. respectivamente.3. mas surgiram somente a partir dos códigos de Napoleão e só o fizeram incidentalmente. Alemanha e Inglaterra.4. .1.4. Aqui. 1.1. Todas as escolas de hermenêutica propuseram um sistema interpretativo e são escolas jurídicas que se distinguem justamente pelo posicionamento em face de questões interpretativas. Interpretação restritiva Aqui o intérprete vê-se forçado a restringir o sentido da lei a fim de dar-lhe aplicação razoável e justa posto que o legislador escreveu mais do que realmente pretendia. o critério classificatório adotado é o de maior ou menor aprisionamento do intérprete à lei. 1. 1. Escolas de estrito legalismo ou dogmatismo São elas: a Escola da Exegese. na França. não obstante a amplitude de sua expressão literal.[52] 1.3. A interpretação restritiva ocorre toda vez que se limita o sentido da norma. a Escola dos Pandectistas e a Escola Analítica de Jurisprudência. na idéia de que a legislação era completa e de que. segundo uma ideologia político-jurídica que o orienta. A primeira resolve um problema de insuficiência verbal e a última. todas surgidas no século XIX.

Adotava como método de interpretação o literal.4. Entendia que o conceito nada mais era que a representação intelectual da realidade. e o “direito justo ou ideal”. a realidade poderia ser integralmente conhecida através da análise dos conceitos que a representavam. especialmente à segunda parte desse trabalho. somente ao legislador ou ao filósofo é que interessam os aspectos morais das normas.2.1. Escolas de reação ao estrito legalismo ou dogmatismo . conferia primazia à norma legal e às respectivas técnicas de interpretação. não há como confundir o “direito positivo”. 1.1. estudado pelos juristas.4. O jurista ocupa-se das leis positivas. não lhe interessando os valores ou conteúdo ético das normas legais. tanto que seus representantes mais radicais entendiam que. Negava valor aos costumes e repudiava a atividade criativa. A única fonte do Direito eram os costumes acolhidos e chancelados pelos tribunais. Negava qualquer fundamento absoluto ou abstrato à idéia do Direito. Assim. portanto. as Pandectas. deveria o juiz abster-se de julgar. onde apareciam as normas de Direito Civil e as respostas dos jurisconsultos às questões que lhes haviam sido formuladas. orientado para encontrar na pesquisa do texto a vontade ou intenção do legislador.2 Escola dos Pandectistas Esta escola foi também manifestação do positivismo jurídico do século XIX e considerava o Direito como um corpo de normas positivas.3 Escola Analítica de Jurisprudência Essa escola entendia que o Direito tinha por objeto apenas as leis positivas. em face de situações não previstas pelo legislador. da jurisprudência. A função do jurista consistia em extrair plenamente o sentido dos textos legais para apreender o significado deles.4. objeto das reflexões do legislador ou filósofo. 1. O nome da escola advém desse interesse pelas Pandectas. somente quando a linguagem fosse obscura ou incompleta o intérprete se valeria do método lógico. de Justiniano. 1. mínima que fosse. Dedicaram-se ao estudo do Corpus Juris Civilis.

mas as gerações que se sucedem e o legislador deve ser o intérprete das regras consuetudinárias. de rebuscar na abstração dos conceitos a resposta para os silêncios da lei. do espírito do povo. 1. 1.Foram escolas que reagiram ao legalismo arraigado da época abrindo com isso novos horizontes. 1.1 Escola Histórica do Direito Seus postulados básicos resumem-se no Direito como produto histórico e não o resultado das circunstâncias ou acaso ou vontade arbitrária dos homens.1 Escola da Livre Pesquisa Científica Surgiu sob a inspiração de François Gény. entendido como povo não apenas a geração presente. Derrubou o mito da plenitude lógica da lei e demonstrou a supremacia da livre pesquisa científica do Direito sobre o método então vigente. Esta escola foi ainda desdobrada em duas outras: Escola HistóricoDogmática e Escola Histórico-Evolutiva.3. cabe ao Direito conciliá-los. sua expressão inconsciente está no costume e esta é sua fonte principal.4.3. 1. mas para essa subordinação dos interesses individuais aos sociais é necessária a coação exercida pelo Estado.2. o povo que cria o seu Direito. sendo opostos.3.4. pois esta apesar de ser a mais importante fonte do Direito não era a única. com a predominância dos interesses sociais e altruístas. das convicções da comunidade pela tradição.2. Escolas que se abrem a uma interpretação mais livre Alinham-se nesses critérios: 1.2 Escola Teleológica Seu fundador foi Rudolph Von Ihering para quem a finalidade do Direito é a proteção de interesses que.2 Escola do Direito Livre . completando-as e garantindo-as através das leis.4.4. formando-se e desenvolvendo-se por isso espontaneamente como a linguagem e não pode ser imposto em nome de princípios racionais e abstratos. surgindo como consciência nacional.4.

5 Escola Realista Americana Contribuiu para demonstrar a existência de um abismo entre a concepção teórica de uma justiça impessoal e inflexível e a realidade de uma justiça feita de homens.4.7 Escola Vitalista do Direito Confere ao juiz grande responsabilidade e inova ao conceituar o método da aplicação do Direito. demonstrando que não se deve guiar pela lógica formal uma vez que o trato dos problemas humanos reclama uma lógica própria.3 Escola Sociológica Americana Demonstrou que o Direito é mais produto da evolução dos fatos sociais. e sim a conduta humana. mais experiência do que lógica e mais utilitarismo que racionalismo.3.3.3. 1. e não a lógica.3.4. onde os sujeitos do processo compartilham algo em comum e onde está presente a intuição emocional do julgador. CAPÍTULO 2 PRINCÍPIOS JURÍDICOS E PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO . na qual o juiz. 1. Desvendou o mecanismo dos julgamentos.4.4. é a figura decisiva. demonstrou que a aplicação do Direito é informada por uma pauta axiológica e realçou o papel criador e inovador da função judicial. é que deve orientar a Hermenêutica. na precariedade do humano.4. 1. 1. do que a materialização de arquétipos eternos.Abalou a certeza em que se imaginava estar alicerçada a ordem jurídica positiva. 1. com suas idéias e personalidade.6 Escola Egológica Ressaltou de modo inequívoco a essência da decisão judicial.4 Escola da Jurisprudência de Interesses Sublinhou que a investigação dos interesses em jogo.3. que opera um conhecimento por compreensão. onde o objeto da interpretação não é a norma.

fixa tipos. normalmente. abstrata. denomina-se subsunção. também são referidas como regras. A dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas.[53] A norma jurídica por natureza é geral. ou simplesmente princípios. têm eficácia restrita às situações específicas às quais se dirigem. especialmente.2. e as normas constitucionais. A lacuna constitui um estado incompleto ou imperfeito do sistema. As normas-disposição. A aplicação do direito. podem ser enquadradas em duas categorias diversas: as normas-princípio e as normas-disposição. uma irrestrita univocidade a todas as decisões judiciais e a todos os atos administrativos. A subsunção revela a tenacidade do aplicador do direito em se aproximar mais da realidade fática. referindo-se a uma série de casos indefinidos e não a casos concretos e só se movimenta ante um fato concreto. Pode-se definir sistema jurídico como uma ordem teleológica de princípios gerais de direito e um sistema aberto. a segurança jurídica se confundia com a noção de justiça. Aberto no sentido de incompleto. e se modifica decorrente da provisoriedade do conhecimento científico. em geral. a partir do século XIX esta concepção começou a vacilar. de modo que não podemos conhecer a norma sem conhecer o sistema. vez que a norma de direito é um modelo funcional. dessa forma concebida. completando a idéia abstrativa contida na norma. que evolui posto que é histórico e cultural. que já se encontra superada a distinção que outrora se fazia entre norma e princípio. por intermédio de uma elaboração rigorosa. . maior teor de abstração e uma finalidade mais destacada dentro do sistema. É importante assinalar. em particular. têm. pela ação do aplicador do direito que é o intermediário entre a norma e os fatos da vida. a fim de garantir. devendo ser o juiz o escravo da lei. o todo no qual estão ligados. Cada norma é parte de um todo. Neste contexto.1 Normas jurídicas No Iluminismo se assentou a idéia de que as normas deveriam ser estabelecidas com clareza e segurança jurídica absoluta. logo de início. Já as normasprincípio. que deve ser preenchido ou corrigido utilizando-se do princípio da plenitude do ordenamento jurídico e da unidade da ordem jurídica. Contudo.

ocasionada ou pelo pensamento jusnaturalista ou pelo pensamento juspositivista.[54] Ainda no que tange à diferenciação entre regras e princípios tem-se que princípio é motivo conceitual sobre o qual se funda uma dada teoria e está no lugar do antes. A dogmática mais tradicional da processualística brasileira tem insistido na tese de que todo e qualquer litígio jurisdicional tem de ser gestado a partir dos princípios e regras constitucionais e infraconstitucionais que informam nosso sistema jurídico. também implícitos. podendo ser válidas ou inválidas. em verdade. ao contrário. Aparente porque. que permite que não haja retrocesso na caminhada social que os condensou. coletados no direito pressuposto. determinam relações de preferência. fundamentando a ordem num sentido amplo. nos quais os princípios não tinham um papel que representasse com fidelidade a sua importância de forma que o único elemento de decisão na ordem jurídica seria a regra e somando esta conclusão com a impossibilidade de criação do . O sistema que o direito é compõe-se de princípios explícitos – recolhidos no texto da Constituição ou da lei. jurídicos. constituindo uma espécie de reserva histórica. e princípios gerais de direito. pelos valores eleitos como basilares.2 Princípios e Regras O sistema jurídico brasileiro é composto também e principalmente por regras e princípios haja vista a insuficiência de um sistema composto apenas por um ou outro.Regras surgem com uma pretensão de validade binária. do anterior ao primeiro momento. Os valores. as quais significam que determinados bens são mais atrativos do que outros. Prima-se pela pertinência dos conceitos princípios e regras dentro do gênero próximo normas e por uma posição moderada quanto à distinção entre tais.[55] A maioria dos autores ao conceituar regras o fazem como sinônimo de norma jurídica. pois eles estão no seio da sociedade que determinou o surgimento de sua ordem jurídica. o que leva a uma confusão aparente entre ambas. O que a ordem jurídica faz é tornar princípios anteriores a ela. implícitos – inferidos como resultado da análise de um ou mais preceitos constitucionais ou de uma lei ou conjunto de textos normativos da legislação infraconstitucional. 2.

em definitivo. mas um conjunto coerente de princípios. os princípios que dão fundamento axiológico e normativo ao ordenamento jurídico. ao passo que as regras também são normas. que agora. Não são encarados como superiores às leis. cuja eficácia se cinge a uma dimensão ética valorativa do Direito. os elementos suficientes de sua aplicação. os princípios entram nos códigos como fonte normativa subsidiária da inteireza dos textos legais. afirma o professor Paulo Bonavides que foram três fases distintas. São válvulas de segurança que garantem o reinado absoluto da lei. concebe os princípios gerais do direito em forma de axiomas jurídicos. mas pontuou que o mais freqüente é o da generalidade onde os princípios são normas dotadas de alto grau de generalidade relativa.Direito a partir da interpretação. São fontes de integração do direito. para suprirem os vazios normativos que elas não podem prever. normas universais de bem obrar. quando ocorrerem vazios legais. e não de um ideal de justiça.[56] Alexy instituiu a distinção entre regras e princípios. não havia mesmo possibilidade de qualquer das escolas diferenciarem tais institutos. A última dessas fases é a que se chama de pós-positivista. posiciona os princípios jurídicos em esfera abstrata e metafísica. Acerca da juridicidade ou normatividade dos princípios. para isso abordou vários critérios de diferenciação. inspirada num ideal de justiça. um conjunto de verdades objetivas derivadas da lei divina e humana. que são abertos e precisam ser densificados com os elementos do discurso de aplicação e de regras as quais contêm em si. mas delas deduzidos. a qual na essência é a mesma de Dworkin. são. assentam os principais padrões pelos quais se investiga a compatibilidade da ordem jurídica aos princípios fundamentais de escalão constitucional. um grau relativamente baixo de generalidade. na maioria das vezes.[57] Habermas acentuou a diferenciação normativa de Dworkin entre regras e princípios alegando que não é a Constituição uma ordem concreta de valores. intitulada juspositivista. com a hegemonia axiológico-normativa dos princípios. constitutivos de um direito ideal. São os princípios de justiça. Aqui o valor dos princípios está no fato de derivarem das leis. os princípios jurídicos conquistam a . A primeira delas chamada jusnaturalista. ou normas estabelecidas pela reta razão. positivados nos textos constitucionais. inaugurada nas últimas décadas deste século. contudo. São assim. Nesta fase. que têm. Na outra.

Crisafulli ensina: “Princípio é. maior força jurídica. é certo que o princípio tem. das quais determinam. destaca-se sua normatividade e fazendo-o. que a pressupõem. como elemento de decisão. por conseguinte. em dar unidade ao sistema jurídico. com o plus de serem tidos como institutos em integração com o contexto social em que habitam e no qual foram forjados e a possibilidade de seu ingresso na ordem jurídica positiva desde que tidos como elementos de decisão.dignidade de normas jurídicas vinculantes. A função própria dos princípios consiste. vigentes e eficazes para muito além da atividade integratória do Direito. justamente. a saber: maior amplidão de seu campo de incidência. . tendo em vista que é por ele que o conjunto de temas jurídicos é costurado. porque estas vigem na exata medida em que não colidem com aqueles. seja naquela relativa à vinculação jurídica. apenas dedutíveis do respectivo princípio geral que as contém”. estas efetivamente postas. na verdade. potencialmente. toda norma jurídica. com efeito. desenvolvendo e especificando ulteriormente o preceito em direções mais particulares (menos gerais). e. sendo seu fundamento. sejam. A força normativa dos princípios é muito maior que a das simples regras de direito. Ademais. Os princípios formam. uma categoria especial de normas jurídicas. permanência em vigor em caso de conflito normativo. direcionando a interpretação e a aplicação de suas normas e gerando novas regras em caso de lacunas. Com isso tem-se a demonstração da relevância dos princípios. papel de extrema importância. seja em sua característica de fundamento do sistema. na configuração do sistema jurídico. ao contrário. toma-se a existência de dois grupos onde no mais antigo deles não se destaca a força normativa principiológica e no outro. enquanto considerada como determinante de uma ou de muitas outras subordinadas. pois.[58] Ainda acerca da juridicidade dos princípios.[59] A importância dispensada aos princípios jurídicos pelo jusnaturalismo como elemento vital na construção da ordem jurídica. portanto resumem. que se distinguem das demais por um conjunto de características próprias. o conteúdo: sejam.

entretanto. permitindo a integração e harmonia. em virtude da amplidão de seu campo de incidência. a vigência dos princípios jurídicos. 2. mas com ênfase pragmática. não é afetada na hipótese de conflito normativo. não pela revogação de um pelo outro. ao se conhecer os princípios que fundamentam determinada instituição. os princípios possibilitam a compreensão do Direito de forma sistêmica. tal como sucede com as regras de direito.[60] Ainda nessa perspectiva explicativa.3.3. porquanto. 2. torna-se mais acessível a resposta para conflitos que sejam abrangidos pelo instituto.3 As Funções dos Princípios As funções permitem aos princípios assegurar a unidade da ordem jurídica. Duas são as funções tradicionalmente desempenhadas pelos princípios: explicativa e justificadora.Finalmente. que contra elas venham a colidir. colocada aqui tão somente como liberdade de interpretação. as quais se revogam por normas ulteriores.1 Função explicativa Por permitir a síntese de grande quantidade de informações. possibilitando descrição de setores do Direito de forma sintética e econômica. mas sim pela escolha do mais adequado ou pertinente para a justa composição da lide. 2.2 Função justificadora Acerca de tal função Atienza diz que esta se evidencia pelo fato de os princípios atingirem sua função social mais importante que é propiciar critérios para a . segundo o método do sopesamento ou balanceamento de valores e nesta situação não há que se falar em discricionariedade pelo prisma do juízo de oportunidade e conveniência da decisão judicial. o conhecimento dos princípios possibilita encontrar soluções para problemas jurídicos. A solução de um conflito entre princípios jurídicos no caso concreto faz-se. como conjunto ordenado e dotado de sentido. bem como a atualização permanente do sistema jurídico positivo. alguns doutrinadores elegem ainda outras funções. mas sim da margem de liberdade de escolha que o julgador tem.

no sentido de evitar que as normas jurídicas sejam substituídas por outras políticas e socialmente retrógradas. no Direito enquanto ordem jurídica.3. 2. Assim. como princípios gerais do Direito. os princípios jurídicos podem ser tomados. interpretação e modificação do Direito. pois tanto fundam a ordem jurídica como excluem dela toda norma que lhes seja contrária. como reconhece a quase . Hoje. basicamente. pois nele se encontram. Em suma.3 Função fundamentadora Consiste na capacidade de servir de base ao ordenamento jurídico. como princípios positivos do direito e. supletiva. princípios jurídicos ou princípios do Direito. proliferando estudos voltados ao aprofundamento da abordagem dos seus significados semânticos e pragmáticos.aplicação. o que caracteriza a dogmática não é tanto sua função explicativa.4 Função interpretativa Os princípios servem de orientação ao operador jurídico na interpretação das normas. em dois sentidos: no primeiro. no segundo. 2. para adequá-las aos valores fundamentais.3. Até a pouco. 2.[61] A noção de princípio jurídico conhece atualmente notável desenvolvimento e precisão técnica. falava-se em princípios gerais de direito. que incumbe aos princípios a tarefa de integrar a ordem jurídica quando constatada a inexistência de norma jurídica regulando o caso em apreciação. 2. Na dicção de Eros Grau. atribuindo-selhes mera função de fonte supletiva do direito positivo. um sistema ou ordenamento jurídico não será jamais integrado exclusivamente por regras.3. haja vista representarem os valores supremos da sociedade. também. por exemplo.5 Função prospectiva Dada a finalidade de impedir o retrocesso social.4 Princípios Jurídicos e Princípios Gerais de Direito Importa aqui pontuar que o debate nacional envolvendo o tema dos princípios jurídicos viu-se ampliado a partir da Constituição de 1988. porém sua função de justificação.

São posições descritivas e não normativas. tais princípios constituem as normas primeiras e fundamentais que orientarão tanto lógico como moralmente.[65] Devidamente reconhecidos como fonte pelo Estatuto da Corte Internacional de Justiça bem como no nosso ordenamento jurídico interno.5 Princípios Gerais do Direito A importância dos princípios não é medida pelo fato de estarem positivados. Verdross é ainda mais enfático na defesa deste paralelo. Neste direito pressuposto. quando afirma que "não só é possível.”[64] É nesse sentido que se afirma que os princípios gerais devem nortear toda a utilização das demais fontes do direito. Berberi. que um princípio que começou sendo um princípio geral do direito se converta mais tarde também em norma de Direito convencional ou consuetudinário".”[63] “O que ora importa enfatizarmos é que o direito pressuposto é a sede dos princípios. definindo-se o sistema jurídico como uma ordem teleológica de princípios gerais de direito.unanimidade dos autores. como na hipótese da própria formação das normas que irão reger determinado sistema de direito. os princípios situam-se no mais elevado nível hierárquico do ordenamento jurídico. De lá os resgatamos. através das quais os juristas referem de maneira sintética o conteúdo as grandes tendências do direito positivo. como freqüente. se preocupado em destacar a sua importância. nas palavras de Marco A. não só o arcabouço do sistema jurídico como também do sistema político de um Estado. tendo a doutrina contemporânea. tanto em caso de lacuna jurídica. a posterior elaboração legislativa. de modo ascendente. pois há princípios que não estão expressos e ainda assim são de grande relevância e constituem. em sua maioria.[62] 2. Os princípios podem ser encarados como veículo dimensionador da compreensão e da aplicação do direito. os encontramos ou não os encontramos.[66] Frize-se que: . Sabiamente defendeu Eros Roberto Grau que os princípios gerais de um determinado direito são encontrados no direito pressuposto que a ele corresponda. L.

assim. que lhes interfere profundamente na consciência e na conduta que põe em prática. relativizar a interpretação da norma escrita. são eles dotados de validade positiva e não se reportam a um fato específico. Daí porque o juiz não pode restringir seu conhecimento ao plano da regra legal. não tenha logrado. O lastro valorativo. Ainda que o legislador os tenha intentado expressar.”[68] Humberto Theodoro Júnior salienta que para vencer o longo espaço que se mete entre a generalidade da lei e a concretude da aplicação em juízo. os princípios gerais de direito podem ser entendidos como os princípios fundamentais da cultura jurídica humana em nossos dias. Assim como a sociedade se altera e seus valores são reavaliados. a cultura. então.[69] Carlos Maximiliano em sua clássica obra Hermenêutica e aplicação do direito no capítulo referente aos princípios gerais de direito inaugura-o com a seguinte lavra: . através das palavras. basilares. valores prezados pela comunidade. Terão.”[67] Portanto. por obra e engenho do juiz. Os princípios. igualmente as regras jurídicas terão de ser revistas e reavaliadas em seu sentido prático e valorativo. são deduzidos a partir de todos esses fatores: a sociedade. os homens re-vivem a experiência vivida pelo legislador já. não necessitam estar expressos em textos legais. pois. através de sua função normogenética. observados em determinado Estado. Ao operador caberá. mas atuam como indicadores de uma opção pelo favorecimento de um determinado valor. amoldando-a às exigências do espírito do sistema. Os princípios traduzem os verdadeiros e momentâneos sentimentos de justiça e eqüidade de uma comunidade que permanentemente evolui. ignorando as mudanças do contexto social renovado. mas. nessa medida. Os princípios mais relevantes são denominados de fundamentais. de ser revividas. decorrem outros tantos que os complementam. superando conceitos com a velocidade que o fogo se propaga no palheiro. em seu seio. por equívoco. De tais princípios. Assim. no dizer de Recasens Siches. oferecer a verdadeira dimensão de sua importância. Cada ser humano. na medida em que traduzem os valores mais importantes introduzidos na consciência popular. contêm. as normas. sob nova ótica dos objetos culturais. insere-se em novas objetivações da vida. embora perene. em uma palavra. permitem que sejam elaboradas outras normas (regras e princípios) que auxiliem sua observância na maior escala possível. Os princípios. cabe ao magistrado estabelecer um confronto entre aquilo que o legislador programou e aquilo que realmente aconteceu na experiência concreta da vida. sofre o impacto da realidade de um novo homem dentro de um novo contexto social. etc.“Os princípios gerais de direito. mesmo assim os princípios permanecem presentes com toda sua exuberância. através da confrontação com os demais elementos do sistema.

É a confirmação de que a decisão proferida judicialmente será justa nos limites da lei. entretanto a Justiça deve ser. as quais sumulam o entendimento sobre determinadas matérias que interpretam o direito material ou mesmo o direito processual. o substratum de um complexo de altos ditames. estão as súmulas impeditivas de recursos. explicitamente. pelo elaborador da norma. além das súmulas . destinadas a impedir o conhecimento de recursos que as contrariem. quando se fala em largar a missão criativa do juiz e a lei traduziria essa segurança.[89] O instituto da segurança jurídica apresenta-se como a confirmação do respeito aos direitos comungados pela sociedade. A punição e a gratificação são faces da segurança jurídica. os pressupostos científicos da ordem jurídica. ou seja. e não o contrário. trata-se da adequação do Direito à realidade social. a concretização de uma doutrina. e se fez algo que vai ao encontro da mesma norma jurídica. um valor superior a este sendo inconcebível consagrar a segurança jurídica em detrimento da justiça ainda que não se possa negar a necessidade daquele. o índice materializado de um sistema orgânico. Constituem estes as diretivas idéias do hermeneuta.[70] CAPÍTULO 3 A FUNÇÃO DO JUIZ NO PÓS-POSITIVISMO 3. mas que estão contidos de forma imanente no ordenamento jurídico e não são resgatados fora do ordenamento jurídico. série de postulados que enfeixam princípios superiores. o afastamento da lei colocaria em perigo tal valor."Todo conjunto harmônico de regras positivas é apenas o resumo." Assim.1 A Segurança Jurídica A segurança jurídica é sempre invocada. de maneira que se alguém faz algo que vai de encontro com uma norma jurídica.[90] 3. como de fato é. porém descobertos no seu interior. as quais se destinam a fundamentar as decisões sobre temas que a elas se sujeitam. logo. Assim. os princípios gerais de direito são os cânones que não foram ditados. Indubitavelmente uma das funções do Direito é preservar a segurança. a síntese.2 Súmulas Impeditivas de Recurso Ao lado das denominadas súmulas vinculantes. será punido. será gratificado.

proibindo esses magistrados de julgarem questões do mesmo teor de maneira contrária ao regido pela súmula. epítome breve. A súmula tornou-se essencial como aparelho persuasivo e indicativo do entendimento predominante advindo do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Atribuir um efeito vinculante às súmulas significa dizer que as mesmas terão força obrigatória sobre as demais decisões de juízes e tribunais. Assim. ou a própria ementa da sentença ou do acórdão.empregadas como o fundamento de decidir estão aquelas que são invocadas para que recursos não sejam conhecidos. do artigo 5º. porque já é conhecida a interpretação do direito neles combatido. as que formam súmulas. sucintamente. 45 de dezembro de 2004 introduziu a súmula vinculante no texto constitucional. tem o sentido de sumário. dois terços dos onze membros do Supremo. ou índice de alguma coisa e que. São as decisões reiteradas dos Tribunais Superiores acerca de temas que se repetem freqüentemente em seus julgamentos. então.[91] 3. da Carta Magna a Emenda Constitucional n°. no artigo 103-A. a súmula de uma sentença. Ateste-se que a solução de um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida passa pela formação do convencimento do julgador. isto é. com o intuito de assegurar duas garantias fundamentais: a segurança jurídica e a celeridade processual. A palavra vem do latim: summula e significa resumo. já o efeito vinculante é.3 Súmulas Vinculantes Em atendimento ao preceito do inciso LXXVIII. compreendendo os fatos que caracterizam a demanda ajuizada. Tal instituto se apresenta para firmar um entendimento sobre determinada matéria por aquele órgão que a proferiu e determina que as decisões proferidas por. de um acórdão. mediante a procura pela verdade real. tornar-se-ão obrigatórias para a primeira instância. . a súmula vinculante é instrumento que subordina imperativamente instâncias inferiores da magistratura a adotar decisões das instâncias superiores. explica o teor ou o conteúdo integral de alguma coisa. A utilização da súmula não é novidade em nosso mundo jurídico. no mínimo. é o resumo.

maior segurança jurídica para a sociedade. tal como está instituída no Brasil. que a decisão seja devidamente fundamentada. além de afetar o acesso à justiça. do contraditório e da ampla defesa. o precário funcionamento dos cartórios e o despreparo de parcela significativa dos operadores do direito – questões que não serão resolvidas. e isso é uma exigência do Estado Democrático de Direito. fere princípios constitucionais basilares do Estado Democrático de Direito.3. a partir de reiteradas decisões no mesmo sentido sobre a matéria constitucional envolvendo normas acerca das quais haja atual controvérsia entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública. por evitar a contradição de julgamentos em casos idênticos já decididos. não basta apenas aos órgãos judiciários ou à administração pública proferirem uma decisão que repita a súmula editada pelo Supremo. será notória a diminuição na morosidade processual. haja vista que a decisão sumulada valeria para todos. São pretensões precárias já que o diagnóstico sobre a lentidão da Justiça é bem conhecido. é aquela que emerge do Supremo.3. Prós e contras As opiniões são as mais divergentes possíveis.[92] 3.Assim. situação essa capaz de acarretar grave insegurança jurídica. evitando a apreciação de litígios semelhantes. e de ser um perigoso instrumento . nem mesmo diminuídas com as súmulas vinculantes. como o da tripartição dos poderes. redução no número de processos idênticos com conseqüente melhora na qualidade e celeridade da prestação jurisdicional. do livre convencimento do juiz e do duplo grau de jurisdição. Contudo. necessário é. Alegam outros que a súmula vinculante. Essa recente novidade em nosso sistema jurídico foi concebida como a esperança maior para a resolução de um dos mais graves problemas existentes atualmente em nossa justiça: a lentidão processual. Os que a defendem alegam principalmente. a súmula vinculante. contrariando o princípio da inafastabilidade do controle judicial. as deficiências do ordenamento jurídico. o formalismo processual exagerado. a ineficiência administrativa. A pretensão é desafogar o poder judiciário. porque haverá: considerável redução no número de recursos que chegam aos Tribunais Superiores. amplamente discutidos e sumulados. apontando para a insuficiência de recursos humanos e materiais. por imperativo constitucional.

conduzindo a uma vexatória situação onde os magistrados reclamam. recriar e adequar essa norma geral e abstrata a uma realidade em contínua mutação. Os fatos não se adequam às normas com perfeição. deve prevalecer a que mais se coaduna com . permita mais de uma interpretação. Estes problemas são os responsáveis maiores pelo estrangulamento do Poder judiciário. De todas. Por outro lado. Torna-se função do intérprete fazer um juízo axiológico. aponta-se também o engessamento do judiciário. pela sua literalidade confusa. carente de “resguardo de direitos lesados na órbita da sociedade e Estado”.[93] A súmula vinculante não se justifica ante a expressão maior do direito. Aliás. o que significa repensar. Luiz Flávio Gomes posicionou-se dessa maneira: “Ninguém pode impor ao Juiz qualquer orientação sobre qual deve ser a interpretação mais correta. entre o fato concreto e a previsão normativa.contrário à evolução do Direito. ainda. políticos e econômicos do país. Pronunciando-se em desfavor do efeito vinculante das súmulas. Aplicar uma norma a um caso concreto não é uma tarefa mecânica. como é a concreta realidade da vida. despreza as peculiaridades de cada caso. é muito comum que um texto legal. pois restringem a independência de juízes de instâncias inferiores e aprisionam a jurisprudência e há ainda a possibilidade de inconstitucionalidade em sua aplicação. portanto não é o juiz. retrocede por tornar o magistrado apenas “a boca da lei” preconizada por Montesquieu. pois a norma é geral e abstrata e sua aplicação a um caso concreto significa interpretá-la. Constata-se. Álvaro Melo Filho afirma que: “É incontestável que a justiça está sofrendo grave crise. indicando passivamente a sentença. mero aplicador do Direito. um insuficiente número de juízes para atender a uma população geometricamente crescente e. A base do direito é a interpretação e as súmulas inibem tal princípio. os advogados lamentam e povo desacredita na justiça”. a par do excessivo formalismo das regras processuais. de subsunção. cada vez mais. suprimem a liberdade de questionar a lei e com isso a jurisprudência. é de evidência palmar que a atividade judicial enfrenta dois problemas recorrentes: a multiplicação de demandas com a mesma causa petendi e a quantidade absurda de recursos interpostos para os tribunais versando sobre temas reiteradamente decididos no mesmo sentido. sobretudo em face do volumoso número de processos decorrentes dos problemas sociais.

dentre todas as interpretações possíveis. aufere-se que o instituto da súmula vinculante não pode ter a propriedade de estabelecer direito adquirido. não pode negar esses direitos. Institutos da era analógica não são úteis para a justiça da era digital. típico de Estados autoritários. Esse modelo de Direito e metodologia. usurpadores e destruidores da democracia. b) a justiça do caso concreto. a injustiça ou a ineficiência que se seguem. compacto e seguro. o mau juiz é o juiz rígido e „mecânico‟. A súmula vinculante é o instrumento do Direito do segundo milênio. que devem ser sempre políticos.] IV – os direitos e garantias individuais”. o qual dispõe que “a lei não prejudicará o direito adquirido. que faz cumprir a lei pela lei. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. em seu artigo 5º. para determinar um ato jurídico dotado de perfeição e para realizar coisa julgada. É um atraso e grave retrocesso. após criticar a corrente conservadora quando chamou os que adotam de maus juízes. a súmula de efeito vinculante.os princípios constitucionais. no sentido deplorado pela primeira resposta. de uma sociedade militarizada. Dworkin. Faz parte de uma ética tendencialmente autoritária. uma centralização muito grande de poder.. que era visto como um sistema jurídico coeso. previsto no § 4º de seu artigo 60: “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente abolir: [. Tal dispositivo é inconstitucional posto que revoga todas as prerrogativas de direitos e garantias dos cidadãos conquistados com a Constituição de 1988. Preocupava-se mais com a beleza do palácio do Direito. Na opinião da minoria. de que os juízes devem tentar melhorar a lei sempre que possível. sem se preocupar com o sofrimento. A emenda constitucional que instituiu a súmula vinculante é inconstitucional. que a justiça do caso concreto.[94] A súmula pressupõe a extinção de instâncias e isso representa uma estratificação muito forte. Não serve para guiar a justiça do terceiro milênio. sobretudo o da razoabilidade. No caso. O instituto da súmula vinculante pertence à velha metodologia do Direito. inciso XXXVI.. não levava em conta duas coisas: a) a pluralidade de pensamento dentro do Estado de Direito. Mas o juiz sempre tem a liberdade de escolha. por desrespeitar limitação expressa material à reforma da Magna Carta."[95] Destarte. discorre acerca da corrente progressiva asseverando: "Algumas pessoas sustentam o ponto de vista contrário. A justiça de cada caso concreto não se obtém com métodos de cima para baixo”. . hierarquizada. O bom juiz prefere a justiça à lei.

deve ter um cunho prático e humano. Os juízes. ser analisado em conjunto com os outros princípios. haja vista a necessidade de proporcionar uma correta prestação jurisdicional de mérito. mas engessa a evolução do direito em prejuízo da sociedade. por outro lado. A adoção deste princípio tem em vista impossibilitar aplicação de mecanismos jurídicos prejudiciais à busca da verdade real e contrários aos preceitos norteadores da veracidade e da utilidade. e ter inteligência e coração atentos aos seus interesses e necessidades. como qualquer outro preceito. tato. um grilhão que encadeie.Fere ainda cláusulas pétreas de nossa Constituição uma vez que seu artigo 5º. sustentam os seus defensores que a implantação de tal instituto traria maior agilidade e rapidez na efetivação da tutela jurisdicional. sustentam que o princípio da celeridade processual deve. jamais como um laço que prenda. sem prejuízo aos demais princípios jurídicos. a diretriz. com imprimir elasticidade relativa por meio de interpretação. é fruto da evolução da sociedade. Os opositores à adoção desse mecanismo. . A celeridade processual é por demais importante e deve sempre ser perseguida. a senda. em contato direto e permanente com os jurisdicionados. não se apegando ao formalismo para negar o direito.[96] O direito não é estático. sob pena da prestação jurisdicional trilhar o defeituoso caminho da ética de resultados em detrimento da ética de princípios. a conclusão que se tem é que se houver maior celeridade isso não decorrerá da entrega do direito. devem ficar ao lado dele. como função estatal da garantia da prestação jurisdicional. valerá como um guia. mas da inibição do próprio direito constitucional de ação e aqui o exemplo só poderá ser o da entrega negativa do direito e não da positiva. dispõe que “ninguém será obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. desejada e necessária. ela indicará de modo geral o caminho. inciso II. Por isso. Dilata-se a regra severa. devendo espelhar seus avanços e não seus retrocessos. oriundos do povo. A atividade dos pretórios não é meramente intelectual e abstrata. A súmula vinculante pode tornar a solução mais rápida. No entanto. revelar a existência de bons sentimentos. conhecimento exato das realidades duras da vida”. "Não pode um povo imobilizar-se dentro de uma fórmula hierática por ele próprio promulgada. pois evitaria manobras protelatórias e morosidade processual. muitas súmulas e enunciados são reformulados com base nas novas realidades exigidas pelos cotidianos presentes na sedimentação das conclusões atualizadas das sentenças dos juízes de primeiro grau. Ao advogar a adoção da súmula vinculante.

este sim. Isso é uma afronta aos princípios do Direito.[98] Ressalte-se por final. da 3ª Vara da Fazenda Pública Estadual da Comarca de Goiânia. deixou de ser assunto particular entre as partes para se transformar em uma das tarefas mais eminentes do Estado. obrigando o Juiz a dirigir ativamente o processo. os caminhos mais largos para alcançar a tão almejada celeridade na administração da Justiça estão na ampliação da estrutura do Judiciário (comarcas.4 O Princípio da Verdade Real Na dicção acertada de José Delgado. que se alerte o próprio Estado. tendo em vista alcançar os princípios impostos pelo direito público e que se dirigem a garantir proteção jurídica. a luta pelo direito não é hoje uma reivindicação individual. por preguiça . a fim de plantar uma efetiva estabilidade nas relações jurídicas quando desarticuladas pelo conflito. o encolhimento do devido processo legal.[99] 3.[97] Para juiz Ari Ferreira de Queiroz. varas. embora tidas como o resultado da pacificação do entendimento acerca de um determinado assunto. por exemplo. inclusive nos quadros da advocacia.[100] Ressalte-se que na década de cinqüenta as preocupações com as metas políticas e sociais do processo eram diminutas e a ciência jurídica via na jurisdição o . além de ampla reforma processual e preparação mais adequada. com a interposição de recursos sucessivos de uma instância para a outra. Sob essa moldura. Se a questão é evitar a litigância desnecessária. as súmulas ainda são objeto de diferenças de opiniões no meio jurídico”. juízes. acompanhando o crescimento e o desenvolvimento da própria civilização. As súmulas surgiram há cerca de 50 anos e de lá para cá atingiram um status muito grande. as súmulas não podem se sobrepor a certos dogmas do Estado Democrático de Direito. mas uma exigência a ser alcançada pelas massas. "O direito à ampla defesa e ao contraditório não podem ser esquecidos porque uma súmula definiu uma situação generalizada. Há juízes que. o maior litigante do país. Fazem uma sentença de oito páginas. que a restrição à liberdade do magistrado quer significar ainda. Disto resulta que o processo civil. é globalizado.recorrem às súmulas para não analisarem o caso específico. citam a súmula e caso encerrado.e isso tem de ser dito . tribunais). E. É decorrente do exercício pleno do direito de cidadania cada vez mais de reconhecida dimensão e amplitude.O problema da lentidão da justiça não é um fenômeno brasileiro apenas.

obviamente não poderia ser dirigido por um juiz neutro e insensível. Dentro desse torneio a vitória caberia àquele que. segundo a observação do juiz. mas que dessem a essa vontade o melhor sentido. 3. o comportamento do magistrado resumia-se a julgar a causa com base nos fatos alegados e provados pelas partes. O processo.instrumento voltado. tivesse apresentado a melhor prova. inspirada em acentuado critério dispositivo. de sorte que lhe era vedada a busca de fatos não alegados e cuja prova não tivesse sido postulada pelas partes. . assim entendido. quase que exclusivamente. Na segunda metade de nosso século. para realizar a vontade da lei. Esse tipo de processo comprometido com desígnios Sociais e políticos. assumia o compromisso de ultrapassar a noção de devido processo legal e atingir o plano do processo justo. aquele que pudesse se aproximar ao máximo da aspiração de justiça. O direito processual assumiu. eqüidistante do drama das partes e. imparcial. mas como a garantia cívica de justiça. O direito de ação passou a ser visto não mais apenas como o direito ao processo. por isso. a doutrina processual em todo o mundo começou a reclamar por uma urgente e profunda mudança de rumos. alheio à formação do objeto do processo e à atividade probatória tendente a demonstrar a causa do pedido do autor e da resistência do réu. O natural e desejável era o juiz neutro. por isso. Não pode fazer a real e efetiva justiça quem não se interessa pelo resultado da demanda e deixa o destino do direito subjetivo do litigante à sorte e ao azar do jogo da técnica formal e da maior agilidade ou esperteza dos contendores. a missão de assegurar resultados práticos e efetivos que não só permitissem a realização da vontade da lei. para compatibilizar-se com o moderno Estado Democrático e Social implantado e desenvolvido após a Segunda Guerra Mundial.4. A tônica da nova ciência processual centrou-se na idéia de acesso à justiça. Sob a dominação dessa postura antiga e arraigada.1. A Crescente valorização da Verdade Real Durante muitos séculos o processo foi visto como um jogo em que as partes eram os protagonistas e o juiz o expectador. Consagrava uma tarifação que nada tinha de lógico e se recobria de superstições e outros critérios instituídos à base de privilégios hoje intoleráveis e inadmissíveis. ou de um deles. E a qualificação dos valores atribuídos os meios probatórios era totalmente aleatória e preconceituosa. porém.

Daí resulta que o Direito é destinado a um fim social. seres que se movem. a atividade judicante alterou completamente seus objetivos. mas. segui-la em sua evolução e adaptar-se a ela. O fim da lei não deve ser a imobilização ou a cristalização da vida. mas tendo em conta não só as necessidades sociais que elas visam a disciplinar como. a hermenêutica dos nossos dias tem buscado novos horizontes. às palavras. impregnava o julgamento de alta dose de injustiça. E é. enfatizam os filósofos e sociólogos.O juiz não se preocupava em pesquisar a verdade propriamente dita. Se o . A jurisprudência. com o aval da doutrina. segue o brilhantismo no voto proferido pelo Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira: "A vida. Em outras palavras. com o espírito de servir à causa da verdade. que penetra o domínio da valorização. como é óbvio. pensam. Do Século XVIII até o atual. para descobrir os valores que a norma se destina a servir.[101] Por fim. mas apenas em apurar qual o litigante que conseguiria se sair melhor nos complicados jogos processuais. sem se aferrar ao texto. de modo a formar seu julgamento à base de um racional convencimento diante das provas carreadas para os autos. que o juiz contemporâneo assumiu o comando oficial do processo integrado nas garantias fundamentais do Estado Democrático e Social de Direito. O resultado era o estabelecimento de uma verdade puramente formal. na grande maioria das demandas. de que deve o juiz participar ao interpretar as leis. sim. ainda. humana. se modificam. Indo além dos contrafortes dos métodos tradicionais. principalmente depois da vitória da razão e do Iluminismo na Revolução Francesa. nos quais se descortinam a atualização da lei (Couture) e a interpretação teleológica. o que. antes de tudo. é mais rica que nossas teorias. através de operações da lógica do razoável (Recasens Siches). A disputa entre os litigantes passou a ser um debate lógico e o juiz se tornou um participante ativo na evolução do processo. e com razão. pela pertinência com o tema. e sim manter contato íntimo com esta. tem refletido as mutações do comportamento humano no campo do Direito de Família Como diria o notável De Page. isto é. Aboliram-se as tarifações de provas por lei e o conceito jurídico de prova passou a ser o de elemento de convicção. as exigências da justiça e da eqüidade. socialmente útil. À verdade formal sucedeu a verdade real ou material. o juiz não pode quedar-se surdo às exigências do real e da vida. real. como escopo do processo e como fundamento da sentença. a interpretação das leis não deve ser formal. agem. que constituem o seu fim. mudam. O Direito é uma coisa essencialmente viva Está ele destinado a reger homens.

222. o texto legal se desdobre num sentido moral e social mais amplo do que. por outro lado. Aufere-se do estudo realizado. ele contém" (REsp. Desse sistema de regras interpretativas. haja vista que a publicização do processo e a socialização do direito implicam cada vez mais na busca da verdade real. Por isso todo processo deve ter sua relatividade e individualidade observadas. Reclama-se. . optar pela interpretação que mais atenda às aspirações da Justiça e do bem comum. quase que a função de legislador de cada caso. pois não conseguem prescrever com exatidão o que seja bom e direito para cada indivíduo de uma sociedade. seja qual for. em sua angústia expressional. pode e deve. inclusive para determinar a produção das provas que julgar necessárias à solução da lide e tal prerrogativa pode ser utilizada em qualquer fase do processo.[102] Na processualística moderna o juiz tem o poder de iniciativa probatória. a interpretação leva o juiz quase a uma segunda criação da regra a aplicar. Primou-se pela definição razoável de Hermenêutica Jurídica como um sistema de regras interpretativas dos dispositivos legais e do Direito como um todo ao passo que esta atividade consiste em determinar o sentido de uma norma jurídica a fim de que se possa aplicá-la ao caso concreto haja vista as características de abstração e generalidade das normas. assim como também no exercício do poder geral de cautela pode o magistrado adotar providência não requerida e que lhe pareça idônea para a conservação do estado de fato e de direito envolvido na lide. em suas mãos.juiz não pode tomar liberdades inadmissíveis com a lei. Como afirmou Del Vecchio.445 – PR 1999/0061055-5). os critérios de que se vale o hermeneuta na decidibilidade dos conflitos também são chamados de processos. a impropriedade e até mesmo o equívoco daqueles que tomam hermenêutica por interpretação como sendo vocábulos sinônimos. a um só tempo. com a acuidade sempre presente nos seus pronunciamentos. e isso se reclama exatamente para que. observou Orosimbo Nonato na mesma linha de raciocínio. julgando contra legem. CONCLUSÃO A generalidade e demasiada abstração das leis as tornam incapazes de abranger uma realidade que traduza o que seja mais conveniente para cada um em particular. n°. para o juiz moderno.

adeptas a uma interpretação mais livre. interpretar as leis objetivando sua melhor aplicação na sociedade a que estão voltadas. o que parece melhor subsidiar o intérprete em sua pesquisa é o método teleológico porque busca. de acordo com o maior ou menor aprisionamento do intérprete à lei. dos Pandectistas e a Analítica de Jurisprudência. atuantes ainda. dentre outras. a Escola da Livre Pesquisa Científica. juntamente com as regras jurídicas são espécies do gênero norma e têm em sua composição valores que servem de fundamento e meio de completude para o ordenamento jurídico. possuem menor grau de abstração e maior densidade normativa. destacando-se a Escola da Exegese. Os princípios conferem unidade ao sistema jurídico e caracterizam-se pela maior amplidão de seu campo de incidência. Nesse contexto de pluralidade as escolas hermenêuticas surgem como conseqüência teórica da disputa entre os diversos métodos de interpretação e distinguem-se uma das outras por seu posicionamento acerca das questões interpretativas. O primeiro deles é composto pelas escolas de estrito legalismo ou dogmatismo. momentos. por exemplo. Reagindo ao estrito legalismo da época compuseram-se outras escolas sendo as que mais representaram esse movimento. estão os princípios jurídicos a serem tomados basicamente em dois sentidos: como princípios positivados do direito e como princípios gerais do direito referindo-se . acerca de sua normatividade. em última análise. etc. já as regras vigem na exata medida em que não colidem com aqueles. métodos. maior força jurídica e plena vigência em caso de conflito normativo. Tanto a nomenclatura quanto a classificação variam consoante a preferência de cada doutrinador. hoje superada pela doutrina. a Realista Americana e a do Direito Livre.elementos. de onde decorrerá a possibilidade de decisões mais impregnadas do valor justiça. No estudo realizado a classificação foi escalonada em três grandes grupos. Dos métodos apresentados. pacificando-se o entendimento de que. ainda que nenhum deva ser aplicado isoladamente face sua insuficiência técnica. de onde resultam suas funções. como critérios de direção na elaboração e aplicação de outras normas jurídicas. Abordando especificamente a temática enunciada pelo título do segundo capítulo. a Escola Histórica do Direito e a Teleológica e posterior a estas surgiram outras. A questão primordial relativa ao tema princípios está na enfática discussão de outrora.

balanceando a relação processual considerando inclusive o desequilíbrio econômicofinanceiro solução da lide. tem-se o surgimento das súmulas para vetar a interposição indiscriminada de recursos A súmula impeditiva de recurso mantém a liberdade do juiz em julgar de acordo com o seu entendimento. mas o que não se pode afirmar com segurança. esta se estabelece em um dos mais valiosos elementos da sociedade e é através dela que os conflitos e lides alcançam alguma solução uma vez que é o magistrado quem restabelece o direito violado e quem protege o cidadão dos desmandos de quaisquer autoridades. No que pertine à atividade do juiz. é que em todos os casos. sem questionar sua verdadeira adequação a este. em tese. A eqüidade na sentença não estará mais ao alcance do juiz. Nesse cenário o papel do julgador é o de mero repetidor das disposições superiores. aplica-se ao fato. instiga-o na busca da verdade real objetivando uma prestação jurisdicional qualificada e. sendo-lhe negada qualquer decisão em sentido contrário.os últimos aos valores permeados na sociedade e que constituem todo o arcabouço do sistema jurídico e político de um Estado. A atribuição do efeito vinculante às súmulas faz retroceder à fase já superada do estrito legalismo instituído pelo Positivismo que foi repudiado por uma sociedade que anseia por decisões justas. Conclui-se que é mais fácil e conveniente a aplicação de um mesmo precedente legal frente a infindáveis processos semelhantes. Então. sob pena de nulidade da sentença e implicado em crime de responsabilidade. Invocando o princípio da segurança jurídica. O ato de realizar justiça implica mais que aplicar um precedente que. O modelo processual contemporâneo elege novas atribuições ao magistrado ante sua função primária de intérprete da lei. por conseguinte justa. a proposta que se faz é de interpretação e aplicação do Direito voltados à satisfação dos anseios de Justiça da sociedade por magistrados mais . estará o entendimento vinculante dos tribunais consoante com a realidade do momento haja vista as alterações constantes e inevitáveis da sociedade. o qual ainda é confundido com estrito legalismo. ao contrário da súmula vinculante cujo entendimento vincula o magistrado sob pena de este responder pela desobediência.

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