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Casamento Impedimentos e Causas Suspensivas .

Casamento Impedimentos e Causas Suspensivas .

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DIREITO DAS FAMÍLIAS
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______________________________________________________Profª Carolina Marques.
Duarte.

03 CASAMENTO.

Sumário: 1. 2. 3. 3.1 3.2 4. 5. Impedimentos. Causas Suspensivas. Da invalidade do casamento casamento nulo. casamento anulável. Casamento Putativo. Esponsais.

1. DOS IMPEDIMENTOS.
1.1 CONCEITO: “É a ausência de requisitos ou a existência de qualidade que a lei
articulou entre as condições que invalidam ou apenas proíbem a união civil.” (Pontes de Miranda)

1.2 DISTINÇÃO ENTRE INCAPACIDADE E IMPEDIMENTO:
A incapacidade é geral, a pessoa considerada incapaz não pode casar com quem quer que seja. Ex: uma pessoa casada. O impedimento matrimonial é relativo, isto é, a pessoa considerada não pode casar com determinada pessoa, ou seja, o impedimento cuida, na verdade, de proibição de casar dirigida a uma pessoa em relação à outra predeterminada . Ex: Um irmão é capaz (capacidade) de casar, mas impedido (impedimento) de casa com sua irmã.

1.3 ENUMERAÇÃO DOS IMPEDIMENTOS (CC, art. 1.521).
Art. 1.521 - Não podem casar:

Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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______________________________________________________Profª Carolina Marques.
Duarte.

I-) os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II-) os afins em linha reta; III-) o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante; IV-) os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive; V-) o adotado com o filho do adotante; VI-) as pessoas casadas; VII-)o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra seu consorte; 1.4 EFEITOS DOS IMPEDIMENTOS.
Acarretam a nulidade do casamento. Considerando o interesse público neles estampados podem ser argüidos por qualquer interessado e pelo Ministério Público.

1.5 OPOSIÇÃO DE IMPEDIMENTOS.
No caso de impedimentos (art. 1521, CC) podem ser opostos até o momento da celebração do casamento, por qualquer pessoa (art. 1.522, CC) assim como o juiz ou oficial de registro, ciente do impedimento, será obrigado a declará-lo ( art. 1.522, parágrafo único). Dispõem, respectivamente, os arts. 1.529 e 1.530 sobre a declaração escrita e as provas do impedimento invocado e a atuação do oficial do registro que apresentará aos nubentes (ou seus representantes) nota de oposição com os fundamentos, as provas e o nome de quem a ofereceu.

2. CAUSAS SUSPENSIVAS.

Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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Duarte. A violação das causas suspensivas da celebração do casamento não desfaz o matrimônio, visto que não é nulo, nem anulável, apenas acarreta a aplicação de sanções previstas em lei. Essas causas suspensivas são estabelecidas no interesse da prole do leito anterior, com a intenção de evitar confusão de sangue (sanguinis), gerando um conflito de paternidade, e de patrimônios, no caso de segundas núpcias, ou por interesse do nubente, presumivelmente influenciado pelo outro. A não observância desse preceito acarreta a obrigatoriedade do regime de separação de bens ( CC, art. 1.641, I), salvo caso se prove a inexistência de prejuízo para o tutelado ou curatelado ( CC, art. 1.523, parágrafo único).

2.1 ENUMERAÇÃO DAS CAUSAS SUSPENSIVAS (CC, art. 1.523)
Art. 1.523 - Não devem casar:

I-) O viúvo ou a viúva que tiver filhos do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros. II-) A viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da sociedade conjugal. III-) O divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal. IV-) O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou a curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas. ATENÇÃO! Prescreve o parágrafo único do art. 1.523 do Código Civil: “É permitido ao nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo, provandoDireito Civil VI – Família e Sucessões.

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Duarte.

se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro, para o excônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II, a nubente deverá provar o nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na fluência do prazo.”

2.2 OPOSIÇÃO DAS CAUSAS SUSPENSIVAS. As causas suspensivas (art. 1.523, CC) podem ser argüidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes e pelos colaterais em segundo grau (art. 1.524, CC).

3. DA INVALIDADE DO CASAMENTO.
Diferença entre casamento inexistente, nulo e anulável: Falta de elemento Imperfeição da vontade essencial, indispensável vontade viciada à sua formação. Infração de preceito legal obrigatório. ou

Casamento inexistente

Casamento nulo

Casamento anulável
Ex: casada.

Ex: união de pessoas do mesmo Casamento de quem não sexo. atingiu a idade núbil. .

Ex: Casamento de pessoa já

3.1 CASAMENTO NULO (CC, art. 1.548).
É nulo o casamento contraído:

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Duarte. * Por enfermo mental sem o necessário discernimento para atos da vida civil, por não estar em juízo perfeito. * por infringência de impedimento previstos no Código Civil, art. 1521, inciso I a VII. A decretação da nulidade pode ser promovida pelo Ministério Público, ou por qualquer interessado – CC, art. 1.549. Têm legitimidade para propor ação de nulidade do casamento as pessoas que tiverem:

* Ministério Público. PARTE LEGÍTIMA cônjuges, ascendentes, * Demais partes interessadas cunhado. interesse econômico os filhos do leito anterior, os colaterais sucessíveis, os credores dos cônjuges e adquirentes dos seus bens. descendentes, irmão e interesse moral – os

MEIO PARA DECRETAÇÃO DE NULIDADE: por ação direta que decrete a nulidade, possuindo esta caráter declaratório e produzindo efeitos ex tunc, CC. Art. 1.563.

3.2 CASAMENTO ANULÁVEL ( CC, art. 1.550). Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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É anulável o casamento: * De quem não atingiu a idade mínima para casar – ( CC, art. 1.520 e 1.551). Exceções: para evitar a imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez - CC, art. 1.551. * Do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante legal – (CC, art. nupcial : judicial. * Por vício de vontade (CC, art. 1.558): casamento realizado com pessoa por qualquer motivo coação será anulável. A coação não deve constituir simples temor reverencial, mas deve ser 1553) – confirmação de casamento contraído antes da idade Então, depois de atingi-la, poderá confirmar seu casamento com

autorização de seus representantes legais, se necessário, ou com suprimento

tal que infunda na vítima temor de mal considerável e iminente para a vida, saúde ou honra, sua ou de seus familiares. * Do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o consentimento: surdos-mudos sem educação adequada que lhes possibilite manifestar sua vontade não podem casar; de igual modo, pessoa portadora de enfermidade mental ou física, toxicômano ou ébrio não podem casar. *Realizado pelo mandatário, sem que ele ou outro contraente soubesse da revogação do mandato, e não sobrevindo a coabitação entre os cônjuges: A anulação do casamento em virtude da revogação prévia do mandato somente será possível se não sobrevier coabitação entre os cônjuges. Se esta já existe, convalidado estará o casamento, inviabilizando-se a sua anulação. OBS: equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente decretada.

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Duarte. * por incompetência da autoridade celebrante: nesse caso o legislador esta se referindo à incompetência ratione loci (em razão do lugar da celebração), ou, então, ratione personarum (em razão das pessoas dos nubentes, quanto a seus domicílios). A incompetência ratione materiae, conforme vimos, gera inexistência do casamento, salvo na hipótese do art. 1.554.

* O que diz respeito à sua identidade, honra e boa fama; HIPÓTESE DE ERRO ESSENCIAL – CAUSA sentença DE ANULAÇÃO DE CASAMENTO físico condenatória, é suficiente à caracterização do erro. * A ignorância anterior ao casamento, de defeito irremediável, ou de moléstia grave e transmissível, por contágio ou herança; * A ignorância, anterior ao casamento, de doença mental grave; * A ignorância de crime anterior ao casamento; OBS: a mera ocorrência do crime independentemente de

Para que o erro essencial quanto à pessoa do outro nubente seja causa de anulabilidade do casamento é preciso a ocorrência de três pressupostos: Anterioridade do defeito ao casamento.

ERRO ESSENCIAL

Desconhecimento do defeito pelo cônjuge enganado.

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Insuportabilidade da vida em comum.

* pelo próprio cônjuge menor. ANULAÇÃO DO CASAMENTO MENORES DE 16 ANOS SERÁ REQUERIDA (Art. 1.552 CC) * por seus ascendentes. * por seus representantes legais.

PRAZOS PARA ANULAÇÃO DE CASAMENTO. * 180 dias – casamento do incapaz de consentir ou manifestar de modo inequívoco o consentimento ( Art. 1.560, inc. I) . * 2 anos - se incompetente a autoridade celebrante ( Art. 1.560, inc. II). * 3 anos – em todos os casos descritos no art. 1557, inc. III – Erro Essencial sobre a pessoa. * 4 anos - se houver coação (Art. 1.560, IV). DIFERENÇA ENTRE CASAMENTO NULO E ANULÁVEL. NULIDADE ANULABILIDADE É de ordem pública. É de ordem privada. Não gera efeitos. Gera diversos efeitos. Pode ser alegado por qualquer pessoa. Só pode ser invocado por pessoa diretamente interessada na anulação.

4. CASAMENTO PUTATIVO. 4.1 CONCEITO: “É o casamento nulo, ou anulável que, contraído de boa-fé, por ambos ou pelo menos, um dos esposos, tem, em razão dessa boa –fé, Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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efeitos (Yussef Cahali)

civis

reconhecidos

pela

lei.”

4.2 ELEMENTOS DA PUTATIVIDADE: * Ocorrência da boa-fé. * Existência de impedimentos anterior ao casamento. 4.3 EFEITOS.

⇒ QUANTO AO CÔNJUGE DE BOA-FÉ.
* Produz todos os efeitos de casamento válido até a data da sentença anulatória. * A eficácia da sentença será ex nunc. * Dependendo do regime de bens terá direito à meação trazida pelo cônjuge culpado. * O cônjuge inocente deverá beneficiar-se das doações feitas por terceiros em contemplação de casamento futuro. * As pensões alimentícias por acaso impostas serão devidas até a data da sentença.

OBS: Existe corrente que entende que o dever alimentar persiste em favor do cônjuge inocente. (Yussef Cahali) ⇒ QUANDO AMBOS OS CÔNJUGES ESTÃO DE BOA-FÉ. * Validade dos pactos antenupciais até a data da anulação, atendendo-se na partilha ao que foi estabelecido no pacto. * Se a nulidade foi decretada após a morte de um dos cônjuges, o outro herda normalmente, segundo a ordem de vocação hereditária.

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* Morrendo o cônjuge após a anulação, porém, não terá mais a condição de herdeiro. * As doações antenupciais não são devolvidas. (Sílvio Rodrigues) ⇒ APENAS UM CÔNJUGE DE MÁ -FÉ. * Perde as vantagens econômicas advindas do casamento. * Não pode pretender a meação do outro cônjuge, se casaram sob o regime de comunhão de bens. * Pelo princípio da eqüidade partilham-se normalmente os bens adquiridos pelo esforço comum. * As doações feitas por terceiros em contemplação de casamento futuro caducam com relação ao culpado. ⇒ QUANTO AOS FILHOS. * Asseguradas todas as vantagens decorrentes do casamento dos pais. 4.4 DECLARAÇÃO DE PUTATIVIDADE: pode ocorrer na própria ação anulatória ou em processo autônomo

5. ESPONSAIS: PROMESSA DE CASAMENTO. 5.1 CONCEITO: “Compromisso matrimonial contraído por um homem ou uma mulher, geralmente entendido como noivado.” (Venosa) 5.2 REQUISITOS: * A promessa de casamento feita livremente pelos noivos. * A recusa injustificada de cumprir a promessa esponsalícia, expressa ou tácita. Direito Civil VI – Família e Sucessões.

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* Ocorrência de dano material. * Dano moral.

Sobre o assunto vejamos o entendimento jurisprudencial:

“Responsabilidade civil – Noivado – Rompimento – Indenização exigida pela noiva – Ação procedente em parte – Embargos recebidos parcialmente. Não ficando comprovados motivos ponderáveis para o desfazimento do noivado, assiste ao prejudicado o direito a ser ressarcido dos prejuízos” (RT, 506:256). “Indenização – Rompimento de noivado – Danos morais e materiais – Casamento já agendado, com aquisição de móveis, utensílios, expedição de convites e outros preparativos – Ruptura sem motivo justificado- Dever de indenizar do noivo. Cabe indenização por dano moral e material, pelo rompimento de noivado e desfazimento da cerimônia de casamento já programada, 2-2000). sem qualquer motivo justo” ( TJSP, Ap. 90.262-4. Ilha Solteira/Pereira Barreto, 6ª Câmara de Direito Privado, Rel. Testa Marchi, j. 3-

“Responsabilidade

civil

Noivado

Danos

moral

e

material

Rompimento injustificado e unilateral pelo réu, casando-se imediatamente com outra - Autêntica promessa de contratar – Descumprimento – Verbas devidas” ( JTJ, Lex, 20:14)

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“Responsabilidade civil – Noivado - Danos moral e material – Rompimento injustificado não comprovado – Verbas não devidas – Ação improcedente – Recurso não provido” ( JTJ – Lex, 22:102). “Responsabilidade civilDano moral – Quebra de promessa de

casamento – Rompimento do vínculo amoroso – Ato ilícito não caracterizado – Desconhecimento do estado civil do ex-amásio, ademais, não comprovado – Ação improcedente – Recurso não provido” ( JTJ, Lex, 215:93). Indenização – Reparação de danos morais decorrentes de rompimento de noivado, sem justificativa, estando a apelada grávida Namoro que durou aproximadamente sete anos – Data marcada para o casamento, convites distribuídos, vestido de noiva confeccionado e edital publicado – Sentença de procedência – Recurso do réu improvido” ( JTJ, Lex, 178:101).

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