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Sondagens e coletas de superfície feitas em mais de vinte sítios demonstram a expansão notável desses povos, a riqueza e o equilíbrio dessas sociedades que dominavam, toda a área do Parque Nacional. A base econômica continuava a ser a caça, a coleta e a pesca; as pinturas rupestres retratam com detalhes a evolução sócio-cultural desses grupos durante pelo menos 6.000 anos, o que constitui um dos mais longos e importantes arquivos sobre a Humanidade disponível, hoje, no mundo. Houve, a partir de 10.000 anos, uma aridificação marcada pela modificação de uma grande parte dos recursos naturais. Isto tornou os ecossistemas mais frágeis e com pouca capacidade para suportar uma pressão antrópica intensa. Por volta de -6.000 anos desaparecem todos os vestígios dos hábeis artesãos préhistóricos de tradição Nordeste. Em seu lugar, dominam agora vários grupos acantonados dentro de limites definidos: nas serras, nas antigas posses dos povos Nordeste, dominam os povos de tradição Agreste; na planície encontramos manifestações de um povo ligado a uma tradição que tem uma vasta distribuição geográfica em todo o Nordeste: a tradição Itacoatiaras de Leste; este último parece ter aí se instalado desde há mais tempo, talvez cerca de 8.000 anos .

Essas sociedades pré-históricas viviam em equilíbrio com o meio ambiente, que utilizavam de diferentes maneiras, sem jamais esgotá-lo. O modelo econômico que podemos deduzir dos estudos feitos na região do Parque Nacional é o seguinte: - no início, ocupando um espaço vazio, sem concorrentes, os primeiros grupos praticaram uma exploração concentrada em certos pontos, pois a rentabilidade era boa e não exigia grandes esforços. Mesmo a matéria-prima para as ferramentas de pedra era sempre a que se encontrava o mais perto possível do sítio; -a partir de 10.000 atrás, pressionados pelas mudanças climáticas e pela provável diminuição do potencial dos ecossistemas, resultado do desaparecimento da megafauna, houve uma adaptação que se manifesta por uma utilização variada, alternativa, de todas as possibilidades oferecidas pelo meio natural. Há até uma seleção da matéria-prima, que passa a ser coletada, às vezes, longe dos acampamentos ou aldeias, buscando uma maior qualidade que resulta em uma eficácia maior no controle da tecnologia da fabricação das peças;

apesar de plantarem. o São Francisco. Apesar da diversidade dessas sepulturas um fato é constante: a cabeça recebia um tratamento diferenciado: era separada do resto do corpo e enterrada sobre o arranjo feito com os outros ossos. se deslocavam para as regiões mais próximas aos grandes rios perenes. A agricultura nesta área requer uma adaptação técnica e social para poder fazer face às épocas de seca.600 anos. As plantas cultivadas eram o milho.. nas épocas de grande seca. a cabaça e o amendoim. machados lascados e semipolidos. utilizavam.000 anos atrás.entre 3. o feijão. Estas aldeias ocupavam os vales largos da planície da depressão periférica. . discos polidos perfurados. encontramos vestígios de povos que viviam em aldeias redondas que comprendiam entre 10 e 11 casas elípticas. os recursos naturais e que.encontramos os primeiros vestígios deixados por povos agricultores. algumas vezes 20 ou 30 cm mais alto que o montículo de ossos longos. descobrimos mãos de pilão. . machados polidos e tembetás de jadeíte que completam o complexo técnico desses povos. nas formações sedimentares. por exemplo. dispostas em volta da praça central. Tinham costumes funerários muito elaborados e praticavam sepultamentos secundários em urnas ou em covas na terra.000 e 1. seja por uma cabaça cortada na metade. mas esta prática pode ter existido anteriormente o que deverá ser verificado por novas pesquisas. que não fica muito distante da área. Além de restos de potes de cerâmica. A cabeça era sempre coberta. ou o alto da chapada.500-3. seja por um recipiente de cerâmica. Isto implica naturalmente uma organização social na qual os deslocamentos temporários constituíam uma constante no modus vivendi. Nossa hipótese de trabalho é que esses grupos.a partir de 3. com a mesma desenvoltura que os caçadores-coletores.