RECURSO INFORMACIONAL NO MONITORAMENTO DA CONSERVAÇÃO DA AMBIÊNCIA DE SÍTIOS HISTÓRICOS URBANOS.

ENSAIO NO SÍTIO HISTÓRICO DE SANTA LEOPOLDINA/ES
RECURSO INFORMACIONAL EN EL MONITORAMIENTO DE LA CONSERVACIÓN DE LA AMBIENCIA DE LOS SITIOS HISTORICOS URBANOS. ENSAYO EN LO SITIO HISTORICO DE “SANTA LEOPOLDINA”. INFORMATIONAL RESOURCE IN THE MONITORING OF AMBIENCE CONSERVATION OF HISTORICAL URBAN SITES. ESSAY IN THE HISTORIC SITE OF SANTA LEOPOLDINA.
Sessão temática 4: Identificação, Intervenção e Gestão do Patrimônio Edificado: Instrumentos, Metodologias e Técnicas.

Maisa Mazzini
Graduanda em Arquitetura e Urbanismo, Pesquisadora do Laboratório Patrimônio & Desenvolvimento (DAU/UFES)

Jaqueline Pugnal da Silva
Mestre em Arquitetura e Urbanismo, Pesquisadora associada do Laboratório Patrimônio & Desenvolvimento (DAU/UFES)

Rodrigo Zotelli Queiroz
Mestrando em Arquitetura e Urbanismo, Pesquisador do Laboratório Patrimônio & Desenvolvimento (DAU/UFES)

Renata Hermanny de Almeida
Doutora em Arquitetura e Urbanismo, Coordenadora do Laboratório Patrimônio & Desenvolvimento (DAU/UFES)

Resumo: O artigo possui como tema de investigação a definição de metodologia para o estabelecimento de critérios que permitam a revisão e/ou criação de legislação que concilie a conservação de Sítios Históricos com seu desenvolvimento, particularmente daquelas aplicáveis à análise de dados espaciais no meio urbano e das tecnologias computacionais que possibilitem a produção de representações gráficas dos fenômenos observados, bem como de cenários para análise de inter-relação entre as novas ocupações e os elementos que justificaram o tombamento dos sítios. As ferramentas de geoprocessamento, entre elas o Sistema de Informação Geográfica, vêm assumindo papel importante no entendimento, análise e gestão das temáticas relacionadas ao desenvolvimento econômico e outras demandas relacionadas ao uso e ocupação do solo, devido à capacidade de realizar análises complexas, baseadas em dados espaciais, permitindo a integração de informações para diagnósticos e consultas de informações geográficas. Dentre os SIGs, adota-se o SPRING. O procedimento metodológico, em construção, pretende um refinamento do "Modelo de inserção

de nova arquitetura em áreas urbanas diferenciadas" (SILVA, 2012). Tendo como objeto empírico o Sítio Histórico de Santa Leopoldina- ES, o ensaio se desenvolve em três passos: no primeiro passo realiza-se a tabulação de níveis de modificação da ambiência do sítio protegido; no segundo, a avaliação da influência de cada elemento na transformação do ambiente por meio de tabela multicritério; e no terceiro, a representação digital, por meio do SPRING, dos elementos de análise da relação entre nova inserção formal e preexistência. Palavras-chave: Recurso informacional. Conservação. Ambiência urbana. Sítio histórico.

Resumen: El artículo tiene como tema de investigación la definición de metodología para establecer los criterios para la revisión y / o la introducción de legislación para conciliar la conservación de lugares históricos con su desarrollo, en particular las que se aplican al análisis de los datos espaciales en las zonas urbanas y tecnologías computacionales que permiten la producción de representaciones gráficas de los fenómenos observados, así como escenarios para el análisis de inter-relación entre las ocupaciones y los nuevos elementos que justificaron la protección legal de los sitios por medio del instituto del “tombamento”. Las herramientas de geoprocesamiento, incluso el Sistema de Información Geográfica, han asumido papel importante en la comprensión, el análisis y la gestión de las cuestiones relacionadas con el desarrollo económico y otros temas relacionados con el uso y ocupación del suelo, debido a la capacidad de realizar complejos análisis, basado en datos espaciales, lo que permite la integración información para el diagnóstico y consultas de información geográfica. Entre los SIGs, adoptamos el SPRING. El procedimiento metodológico, en construcción, tiene como objetivo perfeccionar el "Modelo de inserción de la nueva arquitectura en las zonas urbanas diferenciadas" (Silva, 2012). Teniendo como objeto empírico el Sitio Histórico de Santa Leopoldina-ES, el ensayo se desarrolla en tres fases: la primera, se realiza la tabulación de los niveles de la modificación del ambiente de la zona protegida, en la segunda evaluación de la influencia de cada elemento en transformación del entorno a través de la tabla de criterios múltiples, y la tercera, la representación digital, a través del SPRING, de los elementos de análisis de la relación entre la nueva inserción formal y la preexistente. Palabras-clave: Recurso informacional. Conservación. Ambiente urbano. Sitio histórico.

Abstract: The article has as its theme of research the definition of a methodology for establishment of criteria for the review and/or foundation of a legislation which reconciles the conservation of historic sites with their development, particularly those applicable to the analysis of spatial data in urban and computational technologies that enable the production of graphical representations of observed phenomena, as well as scenarios for analysis of inter-relationship between new occupations and the elements that justified the legal protection of sites by the institute of “tombamento”. The geoprocessing tools, including Geographic Information System, have been playing an important role in understanding, management and analysis of issues related to economic development and other claims related to the use and occupation of land, due to the ability to perform complex analyzes, based on spatial data, allowing the integration of information for diagnostics and consultations of geographic information. Among the SIGs, the SPRING has been adopted. The methodological procedure, under construction, aims to refine the "Model of insertion of new architecture in differentiated urban areas" (SILVA, 2012). Having the Historic Site of Santa Leopoldina-ES as the empirical object, the essay unfolds in three steps: in the first step, is carried out a tabulation of levels of the ambience modification of the protected site; in the second, the evaluation of the influence of each element in the environment transformation by a multiple criteria table; and in the third, the digital representation, by means of the SPRING, of the element analysis of the relationship between new and preexisting formal insertion. Keywords: Informational resource. Conservation. Urban ambience. Historic site.

RECURSO INFORMACIONAL NO MONITORAMENTO DA CONSERVAÇÃO DA AMBIÊNCIA DE SÍTIOS HISTÓRICOS URBANOS. ENSAIO NO SÍTIO HISTÓRICO DE SANTA LEOPOLDINA/ES
TECNOLOGIA DIGITAL NO PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SITIOS HISTÓRICOS URBANO
O artigo possui como tema de investigação a definição de metodologia para o estabelecimento de critérios que permitam a revisão e/ou criação de legislação que concilie a conservação de Sítios Históricos com seu desenvolvimento, particularmente daquelas aplicáveis à análise de dados espaciais no meio urbano e das tecnologias computacionais que possibilitem a produção de representações gráficas dos fenômenos observados, bem como de cenários para análise de interrelação entre as novas ocupações e os elementos que justificaram o tombamento dos sítios. As ferramentas de geoprocessamento, entre elas o Sistema de Informação Geográfica, vêm assumindo papel importante no entendimento, análise e gestão das temáticas relacionadas ao desenvolvimento econômico e outras demandas relacionadas ao uso e ocupação do solo, devido à capacidade de realizar análises complexas, baseadas em dados espaciais, permitindo a integração de informações para diagnósticos e consultas de informações geográficas. Para Moura (2005), é possível pensar a respeito dos limites entre planejamento e gestão, como se o primeiro ocorresse em maior escala temporal e espacial, enquanto o segundo exprimisse o acompanhamento da dinâmica urbana nos processos de transformação em menor escala. Para o planejamento urbano, em particular, as análises computacionais devem estar pautadas na mais completa caracterização da realidade local, identificando possíveis limitações e potenciais de uso, verificando a adequação entre usos propostos e a infraestrutura existente, e outros aspectos relevantes, buscando averiguar a necessidade ou não de adequação da legislação urbanística à realidade encontrada. Já na etapa de gestão urbana, o objetivo dos sistemas computacionais deve ser disponibilizar mecanismos que permitam o monitoramento do dia-a-dia da cidade. Um Sistema de Informações Geográficas (SIG) é um conjunto formado por programas, métodos e dados gráficos ou não, que trabalham de forma integrada, possibilitando a coleta, armazenamento e processamento de dados georreferenciados. A utilização destes sistemas permite o melhor gerenciamento das informações, auxiliando nos processos de tomadas de decisão nas mais diversas áreas do conhecimento, tendo destaque, sobretudo, nas de transporte, meio ambiente e do planejamento municipal e regional. Antes da popularização do SIG, toda a coleta de informações, mapeamentos e análises com vistas ao planejamento e gestão eram realizadas por meio de documentos e mapas impressos, o que dificultava análises que combinassem diferentes mapas e dados numéricos, por exemplo. Uma das principais características dos SIG é a possibilidade de realizar análises complexas baseadas em dados espaciais, representados de maneira gráfica ou não, permitindo a integração de informações para diagnósticos e consultas de informações geográficas. Segundo Pereira e Silva (2001), o avanço possibilitado pelos Sistemas de Informações Geográficas é que estes podem ser considerados como modelos de sistemas do “mundo real”. Estes novos modelos além de cumprir as funções dos modelos consagrados, tais como mapas, maquetes e arquivos, acrescentam novas possibilidades às atividades de análise, planejamento, projeto e gestão.

Os SIGs são modelos ou representações do “mundo real” que permitem uma manipulação ágil, ampla e precisa dos dados com que se percebem os fenômenos e interfere na realidade. A compreensão de SIGs, como modelos da realidade, tem, como consequência, a necessidade, no caso do planejamento e gestão urbana, do projeto de sistema que represente adequadamente - para os objetivos propostos - a cidade que se pretenda planejar, gerir, monitorar ou simular o crescimento. (PEREIRA; SILVA, 2001).

No entanto, a realidade encontrada em um grande número dos municípios brasileiros, onde a carência de informações adequadas para a tomada de decisões sobre os problemas urbanos, rurais e ambientais, dificulta em muito o processo de gestão pública. As ferramentas de geoprocessamento apresentam um enorme potencial, principalmente se estiverem pautadas em tecnologias de baixo custo e na facilidade de treinamento dos usuários.

DA ESCOLHA DO PROGRAMA PARA ENSAIO DE AVALIAÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE AMBIÊNCIA EM SITIO HISTORICO URBANO Devido aos altos custos, normalmente associados à aquisição de licenças de programa para aplicação em Sistemas de Informações Geográficas, um dos critérios para escolha do programa e a ser utilizado para as análises apresentadas neste artigo, foi que este possuísse licença Open Source1 ou Software Livre2. Após investigação em periódicos, artigos acadêmicos e sites especializados, pôde-se constatar o grande número de programa disponível para as análises pretendidas. Como forma de delimitar o universo de estudo, são definidos alguns critérios a serem atendidos por estes programas. Os programas devem possuir também informação de fácil acesso, por meio de website, publicações ou periódicos, que permitam uma análise de suas principais características e funcionalidades. Com a aplicação destes dois critérios, elabora-se uma primeira listagem de programa disponível. Como o número de programa ainda se apresenta bastante extenso é aplicado o critério de que os mesmos possuam documentação de referência e manual em português. Após esta delimitação, chega-se a três programas que atendem os critérios propostos: SAGA-UFRJ3, SPRING e TerraView4. São utilizados bancos de dados com informações disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em formato DBF, sobre o município de Santa Leopoldina, trabalhados em conjunto com arquivos representativos dos setores censitários do IBGE, disponibilizados no formato SHP. Quanto à base fotogramétrica, utiliza-se do ortofotomosaico digital na escala 1:15.000, de resolução espacial de 1m, elaborado a partir de um levantamento aerofotogramétrico na escala 1:35.000 realizado em junho de 2007 sobre a região sul e entre maio e junho de 2008 sobre a região norte do estado5.
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Licença obtida após atendimento aos requisitos estabelecidos por Free Software Foundation/ GNU GPL. Licença obtida após atendimento aos requisitos estabelecidos por Open Source Initiative. 3 Adota-se a denominação SAGA-UFRJ para diferenciar o programa analisado, do programa SAGA – System for Automated Geoscientific Analyses, desenvolvido pelo Departamento de Geografia Física, de Hamburgo. 4 Para instalação dos programas se utiliza um computador iMac, com processador Intel Core i3 3,06Ghz , 12Mb de memória RAM e disco rígido com 200Gb livres. Tendo em vista que os programas não podem ser instalados em sistema operacional OS X, utiliza-se uma máquina virtual gerenciada pelo programa Parallels 7.0, rodando Windows XP Professional SP3. 5 Desta base, são utilizados arquivos “es_wgs84utm24s_1m__34_778.tif” e “es_wgs84utm24s_1m__33_778.tif” que abrangem a sede do município de Santa Leopoldina e seu entorno imediato. Estes arquivos possuem suas localizações espaciais armazenadas em arquivos com a extensão TFW. Além do ortofotomosaico digital, são utilizadas cartas planimétricas na escala 1:50.000 disponibilizadas pelo IBGE em formato DGN e levantamento planimétrico

Constata-se que, diferentemente dos outros dois programas, que trabalham tanto com arquivos matriciais quanto com arquivos vetoriais, o SAGA-UFRJ lida apenas com dados matriciais (rasters). É preciso converter os arquivos em formato DXF e DGN para o formato TIF e, em seguida, georreferenciá-los no SAGA-UFRJ. O programa importa individualmente as imagens em formato TIF, porém não reconhece as informações de referências espaciais armazenadas nos arquivos TFW, sendo necessário georreferenciar novamente as imagens. Para georreferenciar uma imagem, é preciso indicar apenas um ponto de coordenada conhecida. Após o processo de georreferenciamento, é criado automaticamente um arquivo no formato TIFW, contendo as informações espaciais da imagem. O georreferenciamento do SAGA-UFRJ, mesmo tomando como referência apenas um único ponto, é confiável e permite que alguns outros programas e também reconheçam tais imagens. Percebe-se ser fundamental a atenção no momento da indicação por parte do usuário do ponto de referência conhecida para evitar futuras distorções. O SAGA-UFRJ gera dados matriciais dos diferentes níveis de informação acrescidos, organizados em categorias, ou invés de camadas, o arquivo raster, com todas estas informações é salvo no formato RS2. O SPRING é um Sistema de Informações Geográficas com funções de processamento de imagens, análise espacial, modelagem numérica de terreno e consulta a bancos de dados espaciais. É um projeto do INPE/DPI no qual também participam a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - EMBRAPA, através do Centro Nacional de Pesquisa Tecnológica em Informática para Agricultura - CNPTIA, a IBM Brasil – Centro Latino-Americano de Soluções para Ensino Superior e Pesquisa, o TECGRAF e a PETROBRÁS, por meio do CENPES – Centro de Pesquisas "Leopoldo Miguez". Atualmente, em sua versão 5.1.8, o SPRING possui como objetivo a construção de um Sistema de Informações Geográficas para aplicações em Agricultura, Floresta, Gestão Ambiental, Geografia, Geologia, Planejamento Urbano e Regional, que seja acessível e de rápido aprendizado, além de servir de meio de difusão do conhecimento desenvolvido pelo INPE e seus parceiros, sob a forma de novos algoritmos e metodologias. Analisando o SPRING, verifica-se que os procedimentos de importação dos dados são mais simples que no SAGA/UFRJ. Ao iniciar o programa, é solicitada a criação de um banco de dados. O formato escolhido é o Access. Em seguida, são importadas as imagens TIF, tendo sido reconhecidas as informações dos arquivos TFW. Também não há problemas na importação do arquivo em formato DXF. Neste caso, é possível importar as informações de cada layer individualmente. Importante ressaltar a boa quantidade de formatos de arquivos diferentes que o programa consegue manipular. Um recurso útil, e presente no SPRING, é a possibilidade de criação de Modelo Digital do Terreno - MDT, ou seja, o programa consegue representar o relevo de uma superfície, com uma precisão muito próxima do real. O TerraView, em sua versão 4.2.0, é um aplicativo construído sobre a biblioteca de geoprocessamento TerraLib, como forma de exemplificar a utilização desta biblioteca, construída de acordo com as especificações OpenGIS do consórcio OGC – Open Geospatial Consortium. O TerraView tem por objetivo servir de visualizador de dados geográficos, com recursos de consulta e análise destes dados, com fácil aprendizado pelos usuários. É capaz de manipular dados vetoriais e matriciais, ambos armazenados em Sistemas Gerenciadores de Banco de Dados relacionais ou georrelacionais disponíveis no mercado, incluindo Access, PostgreSQL, MySQL, Oracle, SQLServer e Firebird. Na análise do TerraView, verifica-se que, assim como ocorre com o SPRING, logo ao ser iniciado, o TerraView também solicita a criação de um banco de dados, e do
georreferenciado de parte da sede do município, disponibilizado pela Prefeitura Municipal de Santa Leopoldina em formato DXF. A diversidade dos formatos de arquivos é importante para permitir avaliar como cada programa é capaz de lidar com informações em diferentes fontes. Para os formatos de arquivos não suportados, é feita conversão, utilizando o programa gratuito FWTools.

mesmo modo, o formato escolhido é o Access. A importação das imagens TIF ocorre sem problemas, inclusive com o reconhecimento das informações espaciais. Apesar de manipular tanto imagens vetoriais quanto raster, para importação das imagens DGN e DXF, é preciso convertê-las para uns dos formatos aceitos pelo programa, no caso, opta-se pelo formato SHP. Cada um dos três programas analisados apresenta pontos fortes, exploráveis por pesquisadores e interessados em produzir análises das mais diversas. O SPRING permite análises ambientais a partir do processamento digital de imagens, tanto vetoriais quanto raster, chamando atenção pela quantidade de interações que podem ser executadas sem a necessidade de utilização de outros programas e. Outro ponto forte, sobretudo para regiões que não dispõem de ortofotos recentes e com boa qualidade gráfica, é a possibilidade de manipulação de imagens CBERS – China-Brazil Earth Resources Satellite, obtidas gratuitamente junto ao INPE. O SAGA-UFRJ se presta a excelentes análises ambientais, sem, no entanto, trabalhar com imagens vetoriais. Esta característica pode, apesar de não limitar, aumentar substancialmente o tempo dedicado ao tratamento e manipulação das imagens, se estas estiverem em qualquer um dos formatos gráficos vetoriais usuais para o armazenamento deste tipo de informação. A organização do programa em módulos torna mais fácil o aprendizado pelos usuários iniciantes. O TerraView, por ter sua origem como programa de visualização, origem esta denunciada em seu próprio nome, tem seu ponto forte na elaboração de mapas temáticos, tendo demonstrado ser um programa de rápido aprendizado e capaz de manipular imagens e tabelas de forma mais simplificada e sem permitir análises tão elaboradas quantos as possíveis nos demais programas. Os três programas analisados se prestam de maneira adequada ao planejamento urbano. Cada um deles apresentando pontos fortes e pontos fracos perante seus concorrentes. Porém, dada a diversidade de formatos de arquivos disponíveis para o Sítio Histórico de Santa Leopoldina, objeto empírico do ensaio deste artigo, entende-se que o fluxo de trabalho se desenvolve melhor no SPRING, sendo este o programa adotado.

ELEMENTOS PARA UM ENSAIO DE NOVAS OCUPAÇÕES EM SITIOS HISTÓRICOS URBANOS
No Brasil, a construção de novas edificações em sítios históricos requer procedimentos formais, determinados pelo Decreto-Lei nº 25 de 30 de Novembro de 1937, que organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional. No Artigo nº 18 desse Decreto-Lei, ficam estabelecidas as condições de inserção de novas edificações na vizinhança de bens tombados, particularmente relacionadas à garantia da visibilidade da “coisa tombada”. Única condicionante para inserção de nova edificação, a visibilidade, se mantém como parâmetro de referência em discursos de todo o século XX. Tanto é que, passados quarenta e nove anos, por meio da Portaria nº 10, de 10 de Setembro de 1986, da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a discussão sobre a visibilidade se mantém, apenas ampliada para o entorno das edificações. Entende-se, assim, que a legislação nacional é ampla, porém, não permite a real identificação dos elementos constituidores da relação Antigo/Novo (SILVA, 2012). Ainda assim, ao discutir o “efeito do tombamento na vizinhança do bem tombado”, Sônia Rabello Castro ressalta a importância das restrições impostas, apontando a necessidade da ampliação do entendimento da dimensão visual na proteção do bem tombado. Segundo Castro, hoje “a finalidade do Art. 18 do Decreto-lei 25/37 é a proteção do bem tombado, que valorizará sua visão e sua compreensão no espaço urbano”. Mais, afirma ela, “o conceito de visibilidade [...] ampliouse para o de ambiência [...]” (CASTRO, 1991, p. 118 e 119). Nesse sentido, indica a manipulação de volume, ritmo da edificação, altura, cor ou outro elemento arquitetônico.

Em sintonia com essa perspectiva, Marina Waisman (1997) associa o patrimônio à construção da cidade, identificável em uma trama constituidora do patrimônio de uma cidade e que “a torna única e não repetível”. Para Waisman, constituem essa trama a relação da cidade com o território, a linguagem, a escala (verticalidade, horizontalidade), as relações formais entre volumes e espaços vazios, a cor, a luminosidade. Em texto anterior (WAISMAN, 1988), preocupada com a discussão do patrimônio arquitetônico e urbano a partir de um “projeto cultural”, Waisman indica valores a serem reconhecidos no tratamento do patrimônio vinculado ao fortalecimento da identidade cultural. São eles: a relação do edifício com o entorno; a trama urbana; as tipologias formais, especialmente as referidas à linguagem; e a escala. Francisco de Gracia, preocupado com as relações entre paisagem e arquitetura, propõe incluir elementos naturais e artificiais para alcançar o âmbito territorial a partir de pressupostos estéticoartísticos (GRACIA, 2009, p. 21). Nesse sentido, compreende o termo ambiente como o que faz referência ao caráter envolvente de um lugar em função de uma apreciação multissensorial do espaço existencial, reconhecível em condições geográficas, botânicas, agrárias, construtivas, e mistas. Para sítios históricos de pequeno e médio porte, possuidor de identidade paisagística, tendo em vista aspectos como dimensão, complexidade, conectividade e multiplicidade urbana, considera-se a identidade geomorfológica e a identidade construtiva sistemas mínimos a serem combinados, visando fixação de critérios aplicáveis aos casos de vizinhança de bem tombado. Nos termos de Gracia, definem paisagem de identidade geomorfológica, as condições geográficas entre as quais, particularmente, as orográficas adquirem protagonismo; e paisagem de identidade construtiva, todas aquelas dominadas pela presença edificativa. Assim, avançando na determinação de critérios generalizáveis, e passiveis de aplicação no monitoramento da ambiência de um bem tombado, ou seja, projetos e obras em sitio histórico, são considerados, como elementos de avaliação: a) Elementos de presença geomorfológica: relevo/topografia, cobertura vegetal, corpos de água; b) Elementos de presença construtiva: escala, volumetria, edifício/lote, cor, implantação, material, vegetação, largo/praça, traçado. Silva (2012), reconhecendo elementos participantes da relação Antigo/Novo, identifica 09 (nove) elementos: Volumetria, Cor, Densidade, Materiais, Proporção, Implantação, Altura, Escala e Textura. Se referindo a cada um dos elementos, a nova edificação pode se relacionar com a preexistência por meio da imitação ou ruptura. Estes dois pontos são entendidos como dois extremos de uma linha, em que vários outros pontos se distribuem em função de sua relação com o que preexiste. A posição em que uma nova edificação se fixa nesta linha, ou seja, a relação entre o Antigo/Novo ocorre com maior proximidade à imitação ou à ruptura, a partir da subordinação ou do confronto que os elementos citados anteriormente são utilizados. Assim, é possível dizer que quanto maior a subordinação dos novos elementos em relação aos elementos encontrados na preexistência, maior será a relação de imitação que a nova edificação terá com as construções existentes. Da mesma forma, quanto maior o confronto dos novos elementos com relação aos elementos existentes, maior será a relação de ruptura que a nova edificação terá com as edificações precedentes. O ponto em harmonia, entendido como a melhor relação entre Antigo/Novo e que é constantemente indicado nas Cartas Patrimoniais, também é variável. Na tentativa de entender os elementos identificados nas Cartas Patrimoniais, e sua importância frente à relação Antigo/Novo, é possível identificar a junção dos mesmos, formando Grupos de Elementos, aqui denominados de Grupo1: FORMA, que compreende os elementos de volume, proporção, escala e altura; Grupo2: OCUPAÇÃO, formado pela implantação; Grupo3: APARÊNCIA, formado pelo material, densidade, cor e textura. Vale frisar que a identificação numérica dos grupos não diz respeito à sua importância frente à relação Antigo/Novo, pois esta organização partiu da ordem identificada nas Cartas Patrimoniais. De acordo com Silva (2012), cada Grupo de Elemento pode variar, ora em relação de subordinação ora de confronto com a preexistência. E a cada variação desses grupos, formas arquitetônicas distintas são criadas, e,

consequentemente, relações diversas são estabelecidas entre Antigo/Novo. Como modelo, propõe 08 (oito) formas arquitetônicas diversas que permeiam entre a imitação à ruptura com a preexistência (Figura 1).

Figura 1: Esquema gráfico de variações das formas arquitetônicas a partir do confronto e da subordinação dos Grupos de Elementos Fonte: SILVA. (2012)

O que se segue, um ensaio de método de monitoramento do impacto de novas ocupações na ambiência do Sítio Histórico de Santa Leopoldina, adota o modelo de Silva (2012) como referência e ponto de partida. Concebido tendo como problema a inserção de nova forma em terreno vazio situado em conjunto arquitetônico tombado na cidade de Sabará, MG, o mesmo é verificado em três passos: no primeiro passo realiza-se a tabulação de níveis de modificação da ambiência do sítio protegido; no segundo, a avaliação da influência de cada elemento na transformação do ambiente por meio de tabela multicritério; e no terceiro, a representação digital, por meio do programa SPRING, dos elementos de análise da relação entre nova inserção formal e preexistência.

O ENSAIO NO SITIO HISTÓRICO DE SANTA LEOPOLDINA
O SÍTIO HISTÓRICO Santa Leopoldina conserva, sobretudo em suas vias principais, a atmosfera de cidade do início do século XX, época de seu apogeu econômico e cultural, quando funciona como entreposto comercial entre grande parte da região central de montanhas do estado e a capital, devido a sua localização estratégica. A morfologia urbana apresenta riqueza inestimável pelos sobrados e casarões que margeiam as ruas, conservando ainda o traçado primitivo. De fins do século XIX e início do século XX, a arquitetura, continua presente, constituindo-se como um dos mais belos conjuntos arquitetônicos do Estado. Não obstante, a sede possui seus bens ameaçados, devido à ação do tempo e, principalmente, à falta de uma ação fiscalizadora e de manutenção, de um lado pelo poder público, e de outro pela ausência de uma educação patrimonial à sociedade, visando preservar e resguardar a riqueza do patrimônio histórico da cidade. A condição de preservação

desse sítio é bastante questionável, tanto em termos arquitetônicos, como em termos urbanísticos. Em sua totalidade, ela é apreciável em distintos níveis, segundo o ponto de vista a partir do qual podem ser reconhecidas. O Sítio Histórico de Santa Leopoldina está protegido por tombamento estadual, realizado pelo Conselho Estadual de Cultura, por meio da Resolução n° 5/1983, e inscrição no Livro do Tombo Histórico n° 32 a 68, folhas 4v a 7v. Situado entre a montanha e o rio Santa Maria da Vitória, o núcleo urbano se estende ao longo de uma única estrada (Figura 2).
Do lado da montanha, vencendo a declividade da encosta ou em terreno plano, as construções são maiores. [...] De dois pavimentos, a maioria, eles podem se elevar com a inclusão de um sótão no último piso. Associadas à escala, a implantação e a volumetria são os fatores arquitetônicos mais importantes para a configuração paisagística que lhes corresponde. [...] No lado do rio, dois tipos edificados se diferenciam segundo maior ou menor complexidade funcional. [...]. [Aí] ainda podem ser encontrados imóveis de menor escala, exclusivamente comerciais, mas, nem por isso, menos importantes. (ESPÍRITO SANTO, 2009, p. 169-170)

Figura 2: Carta gerada no SPRING com a localização dos imóveis tombados no Sítio Histórico de Santa Leopoldina Fonte: Carta elaborada pelos autores, fev. 2013

Desse conjunto de imóveis, seis são selecionados para a realização do ensaio do monitoramento da conservação, tendo em vista a participação dos mesmos na configuração da ambiência do conjunto, particularmente reconhecida a partir de um ponto de vista externo ao mesmo, a margem esquerda do rio Santa Maria da Vitória (Figuras 3 e 4). Em sua totalidade, a nova inserção formal

ocupa área do lote situada sobre a margem direita do rio, condição com importante contribuição, inclusive, para enchentes, muitas delas alcançando a cota do leito da via principal da cidade.

Figura 3: Vista panorâmica com a identificação dos imóveis tombados em análise no ensaio Fonte: Fotomontagem elaborada pelos autores, jan. 2013

Figura 4: Carta gerada no SPRING com a localização dos imóveis analisados Fonte: Carta elaborada pelos autores, fev. 2013

O ENSAIO Para construção das análises pretendidas, o primeiro passo foi complementar as informações existentes em uma base cadastral em formato Autocad DWG, fornecida pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), de parte da sede de Santa Leopoldina, e que apresenta a delimitação de

frente e fundo dos lotes e os limites parciais das edificações. A fim de complementar essas informações, são utilizadas ortofotos digitais na escala 1:15.000 PEC ”A”, de resolução espacial de 1m, disponibilizadas pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo (IEMA). Tanto a base cadastral quanto as ortofotos são importadas para o SPRING em dois Modelos de dados distintos, respectivamente, “CAT_Cadastral” e “CAT_ortofotos”, sendo que no primeiro, foi criado um Plano de Informação (PI) denominado “Edificações_tombadas” com o perímetro externo de cada imóvel tombado. Realiza-se, então, visita a campo para verificar, segundo a metodologia proposta por Silva (2012), a existência ou não de modificação em cada um dos elementos (Volume, Escala, Proporção, Implantação, Textura, Densidade, Material e Cor) em todos os imóveis tombados. De posse desses dados, é construída no SPRING uma tabela do tipo “objeto” contendo as informações referentes a cada um dos imóveis levantados. Cada uma das linhas dessa tabela é então associada ao polígono correspondente no PI “Edificações_tombadas”, de modo a permitir a realização de consultas, a partir da geração e seleção de “coleções” com critérios específicos. Paralelamente a esse procedimento, e após a definição dos imóveis objetos do ensaio, conforme descrito acima, são criadas tabelas no MS-Word (Quadro 1, Quadro 2 e Quadro 3), contendo a identificação numérica do imóvel, conforme consta no processo de tombamento, área de construção, número de pavimentos, configuração de implantação no lote, tipo de modificação de cada um dos imóveis e o nível de modificação da ambiência urbana. Na classificação desses, imóveis sob a ótica da metodologia proposta por Silva (2012), é possível verificar que dois imóveis apresentam modificações em elementos do “Grupo 3 – Aparência”, enquadrando-se, portanto, como “Forma Arquitetônica 2”; e quatro imóveis apresentam alterações em elementos do “Grupo 1 – Forma”, do “Grupo 2 – Ocupação” e do “Grupo 3 – Aparência”, enquadrando-se, portanto, como “Forma Arquitetônica 8”.

Quadro 1: Características dos imóveis analisados

Fonte: Quadro elaborado pelos autores, fev. 2013

Quadro 2: Características dos imóveis analisados

Fonte: Quadro elaborado pelos autores, fev. 2013

Quadro 3: Características dos imóveis analisados

Fonte: Quadro elaborado pelos autores, fev. 2013

Observando as características dos imóveis apresentados nas duas “Formas Arquitetônicas” encontradas, é possível detectar, dentro de uma mesma forma, a existência de uma hierarquia quanto ao nível de alteração dos edifícios. Essa condição faz crer que os diferentes elementos de cada Grupo possuem importância diferenciada na definição do nível de alteração dos edifícios e consequentemente da ambiência urbana. Parte-se, assim, para a elaboração de uma tabela

multicritério na qual, por meio da experimentação empírica e constantes aferições dos resultados numéricos obtidos, e da observação das imagens de cada um dos imóveis, determina-se um peso diferenciado para cada um dos elementos analisados (Tabela 1).
Tabela 1 – Peso dos elementos constituintes de cada Grupo

Fonte: Tabela elaborada pelos autores, fev. 2013

Com a definição dos pesos para cada um dos elementos e, consequentemente, para cada um dos Grupos (Forma, Ocupação e Aparência), a etapa seguinte é a construção de outra tabela (Quadro 4), relacionando as informações apresentadas na tabela proposta por Silva (2012) e a somatória dos pesos de cada um dos elementos dos Grupos, somatória esta denominada “Índice de Modificação da Ambiência Urbana (IMAU)”. Nesta tabela é possível relacionar a “Forma Arquitetônica” 1 ao “IMAU 0”, a “Forma Arquitetônica” 2 ao “IMAU 13” e assim sucessivamente, até a “Forma Arquitetônica” 8 que corresponde ao “IMAU 57”. Estabelece-se que, quanto mais o valor do IMAU se aproxima de zero, menor a modificação da ambiência urbana e quanto mais o valor do IMAU tende a 57, maior a modificação da ambiência urbana.
Quadro 4: Relação entre “Forma arquitetônica” e “Índice de Modificação da Ambiência Urbana”

Fonte: Quadro elaborado pelos autores, fev. 2013

Em seguida, utilizando o MS-Excel, para cada “Forma Arquitetônica” são feitas variações dos elementos modificados ou mantidos para cada um dos componentes de cada Grupo. Exemplificando: para a “Forma Arquitetônica 2”, o Grupo 3 é o que recebe modificação. Esta modificação pode ocorrer simultaneamente em todos os quatro elementos deste grupo, ou apenas em um dos elementos (quatro possibilidades de diferentes combinações), ou em dois desses elementos (seis possibilidades de diferentes combinações), ou em três elementos do grupo (quatro possibilidades de diferentes combinações). No total, para a “Forma Arquitetônica 2” existem 15 (quinze) diferentes combinações que, analisadas segundo o peso de cada um dos elementos modificados, geram uma escala do nível de modificação para cada edifício relacionada a um diferente IMAU, que no caso da “Forma Arquitetônica 2” varia de 2 a 13 e recebem a

denominação, de acordo com sua classificação hierárquica crescente, dentro da “Forma Arquitetônica 2” como “Forma Arquitetônica 2.1”, “Forma Arquitetônica 2.2”, “Forma Arquitetônica 2.3” e assim sucessivamente. A partir da construção desta tabela multicritério, são enquadrados cada um dos seis edifícios analisados nas linhas da tabela, sendo dois imóveis na “Forma Arquitetônica 2” e quatro imóveis na “Forma Arquitetônica 8”, conforme pode ser observado na Tabela 2, na qual estão demonstrados os níveis hierárquicos dos edifícios analisados.
Tabela 2: Classificação hierárquica dos imóveis analisados quanto ao Índice de Modificação da Ambiência Urbana (IMAU)

Fonte: Tabela elaborada pelos autores, fev. 2013

De posse dessas análises, retorna-se ao SPRING, e, por meio da ferramenta de consulta, é possível identificar espacialmente os imóveis e classifica-los segundo a classificação proposta na Tabela 2, atribuindo uma escala de cor para cada nível diferente de IMAU das Formas Arquitetônicas. O resultado das consultas realizadas é condensado em uma carta (Figura 5).

Figura 5: Carta gerada no SPRING com a localização dos imóveis analisados, suas classificações quanto à Forma Arquitetônica e os respectivos Índices de Modificação da Ambiência Urbana (IMAU) Fonte: Carta elaborada pelos autores, fev. 2013

Com relativa facilidade, a utilização do SPRING permite mesclar os dados disponíveis em formato vetorial (base cadastral em formato Autocad DWG) com aqueles encontrados em formato raster (ortofotos digitais). Além disso, possibilita ampliar análises realizadas a partir de tabelas dotadas de elevado nível de abstração, de conteúdo estritamente numérico, e apresentado por meio de pesos e índices, e de forma individualizada, relativa a cada um dos imóveis. Ao incorporar uma visualização gráfica espacializada, permite outras análises e, inclusive, a comparação entre diferentes imóveis reunidos em distintos grupos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS Para a continuidade das análises, serão feitas modelagens do terreno, de modo a entender a interação entre o relevo, a morfologia da cidade e as edificações implantadas no sítio histórico. Esta modelagem objetiva em primeira instância permitir a análise da adequação ou não da legislação urbanística e de proteção existente, mas pode, em uma etapa posterior, após definidas as regras de ocupação que permitam atingir o equilíbrio entre permanência e transformação, tornar-se uma ferramenta importante de fiscalização e análise dos pedidos de intervenção no conjunto urbano, permitindo uma avaliação mais clara e objetiva dos técnicos municipais e estaduais quanto às possíveis mudanças no conjunto histórico e o nível de aceitação destas mudanças. Com isso, acredita-se, pode ser possível o monitoramento do impacto de cada nova ocupação, mas também, e, sobretudo, uma aferição da contribuição/participação de cada uma delas na totalidade que se deseja conservar. Pois, como nos ensinou Marina Waisman, é na relação entre as partes de uma totalidade que o cidadão efetivamente se relaciona com a criação humana. E, é nessa condição que se faz possível a compreensão dos objetos patrimoniais dentro das redes de relações que lhes conferem sentido. Sem elas o patrimônio cultural perde força e valor de permanência.

REFERÊNCIAS
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Teorética AGETEO, 2001. Cap. 5, p. 97-137. Disponível em: < http://www.bcq.usp.br/normalizacao_tecnica.htm>. Acesso em: outubro de 2011. SILVA, Evaldo de Oliveira da. Introdução a Sistemas de Informações Geográficas. Disponível em:<http://www.sqlmagazine.com.br/Colunistas/EvaldoOliveira/03_IntrSistInformGeogr.asp>.Acesso em: outubro 2011. SILVA, Jaqueline Pugnal da. Modelo de inserção de nova arquitetura em áreas urbanas diferenciadas. Experimentação na cidade de Sabará/MG. Dissertação (Mestrado), Vitória, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, 2012. WAISMAN, Marina. El Patrimonio es la construcción de la ciudad. Summa+. Bogotá: Escala, nº 23, 1997, pp. 92-6. WAISMAN, Marina. Patrimonio arquitectónico y urbano. In El interior de la historia. Historiografía arquitectónica para uso de Latinoamericanos. Bogotá: Escala, 1988.

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