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MicroCasas MC

Luciana Raunaimer

MICROCASAS:
Habitações Tecnológicas e Interinas

Presidente Prudente

2009

Habitações Tecnológias e Interinas 2


MicroCasas MC
APRESENTAÇÃO

Caro leitor, o presente trabalho visa projetar habitações tecnológias e interinas,


voltadas para pessoas jovens que residem sozinhas nas cidades, elas podem ser universitárias
ou profissionais liberais, ou seja, jovens emancipados, sem vinculos conjugais ou filhos,
que, influenciados pelas novas constituições familiáres, buscam a independencia financeira.
Para isso, refletiremos sobre alguns pontos, dentre eles: o manifesto futurista; a construção
do imaginário comum; os novos grupos domésticos; a evolução tecnológica e as nuvens; a
flexibilização da residência; a vivência do microespaço; e por fim, estudo de projetos e
propostas. Espero que seja uma leitura dinâmica e clara, porém abrangente quanto aos temas
abordados.

Figura 01 - Estudo volumétrico

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MicroCasas MC
LISTA DE FIGURAS
Figura 01 – Estudo volumétrico .................................................................................................................................................................................................................. 3
Figura 02 – La Gare Saint-Lazare. Estação de Paris, 1877. ........................................................................................................................................................................ 7
Figura 03 – Propaganda Walita anos 50. ..................................................................................................................................................................................................... 8
Figura 04 – Central Elétrica, 1914, desenho de Antonio Sant'Elia. ............................................................................................................................................................ 9
Figura 05 – Cidade Futurista veiculada em pulp na década de 40 ............................................................................................................................................................ 10
Figura 06 – Cidade futurista, filme década de 80. ..................................................................................................................................................................................... 10
Figura 07 – Metrópoles futuristas.............................................................................................................................................................................................................. 11
Figura 08 – Televisor com design anos 50. ............................................................................................................................................................................................... 11
Figura 09 – Grupos domésticos. ................................................................................................................................................................................................................ 12
Figura 10 – Brasão de Presidente Prudente. .............................................................................................................................................................................................. 13
Figura 11 – Localização do município. ..................................................................................................................................................................................................... 13
Figura 12 – Aparelho multifuncional My-way. ......................................................................................................................................................................................... 14
Figura 13 – diversos cd‟s do mesmo provedor.. ........................................................................................................................................................................................ 15
Figura 14 – Home e goumert integrados. .................................................................................................................................................................................................. 16
Figura 15 – Sala e cozinha integrados. ...................................................................................................................................................................................................... 17
Figura 16 – Sobreposição de usos. ............................................................................................................................................................................................................ 18
Figura 17 – Combinação de micro cozinha. .............................................................................................................................................................................................. 18
Figura 18 – Cabana.. .................................................................................................................................................................................................................................. 19
Figura 19 – Interior da Cabana. ................................................................................................................................................................................................................. 19
Figura 20 – Nakajin Capsule Tower.. ........................................................................................................................................................................................................ 20
Figura 21 – Interior da capsula. ................................................................................................................................................................................................................. 20
Figura 22 – M-ch – Módulo. ..................................................................................................................................................................................................................... 21
Figura 23 – Multifunções. ......................................................................................................................................................................................................................... 21
Figura 24 – Spacebox externo. .................................................................................................................................................................................................................. 22
Figura 25 – Spacebox interno. ................................................................................................................................................................................................................... 22
Figura 26 – Módulo Alessandro Paddeu. .................................................................................................................................................................................................. 23
Figura 27 – Módulo Alessandro Paddeu. .................................................................................................................................................................................................. 23
Figura 28 – Architekturburo. ..................................................................................................................................................................................................................... 24
Figura 29 – Architekturburo. ..................................................................................................................................................................................................................... 24
Figura 30 – Foto da superior do terreno. ................................................................................................................................................................................................... 25
Figura 31 – Foto da lateral do terreno. ...................................................................................................................................................................................................... 25
Figura 32 – Paisagem vista do terreno....................................................................................................................................................................................................... 26
Figura 33 – Foto do interior do terreno. .................................................................................................................................................................................................... 26
Figura 37 – Foto aérea. .............................................................................................................................................................................................................................. 27
Figura 34 – Terreno ................................................................................................................................................................................................................................... 27
Figura 35 – Altimetria de 5m. ................................................................................................................................................................................................................... 27

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Figura 36 – Topografia do terreno............................................................................................................................................................................................................. 27
Figura 38 – Croqui 01 – Programa. ........................................................................................................................................................................................................... 28
Figura 39 – Estudo 01 - Unidade ............................................................................................................................................................................................................... 29
Figura 40 – Estudo 01 - Composição ........................................................................................................................................................................................................ 29
Figura 41 – Estudo 02 - Banheiro com 1,2m²............................................................................................................................................................................................ 30
Figura 42 – Estudo 02 – Espaço interno. ................................................................................................................................................................................................... 30
Figura 43 – Estudo 03 - Uso do espaço aéreo. .......................................................................................................................................................................................... 31
Figura 44 – Estudo 04 – Atividades e rotação. .......................................................................................................................................................................................... 32
Figura 45 – Estudo 04 – Composição do edifício linear. .......................................................................................................................................................................... 32
Figura 46 – Estudo 05 – Circulação entre MicroCasas. ............................................................................................................................................................................ 33
Figura 47 – Estudo 05 – Agrupamento das grandes células ...................................................................................................................................................................... 33
Figura 48 – Combinações da estrutura de circulação. ............................................................................................................................................................................... 34
Figura 49 – Estudo 06 – Composição das unidades. ................................................................................................................................................................................. 34
Figura 50 – Estudo 07 - Unidade. .............................................................................................................................................................................................................. 35
Figura 51 – Estudo 07 - Banheiro.............................................................................................................................................................................................................. 35
Figura 52 – Estudo 08 - Rotação. .............................................................................................................................................................................................................. 36
Figura 53 – Estudo 08 – Circulação Y com módulo retangular. ............................................................................................................................................................... 36
Figura 54 – Estudo 08 - Programa das células .......................................................................................................................................................................................... 37
Figura 55 – Croqui do módulos na topografia. .......................................................................................................................................................................................... 38
Figura 56 – MicroCasa. ............................................................................................................................................................................................................................. 38
Figura 57 – Implantação dos conjunto. ..................................................................................................................................................................................................... 39
Figura 58 – Vista da implantação – Corte do terreno. ............................................................................................................................................................................... 40
Figura 59 – Célula de banho – vista. ......................................................................................................................................................................................................... 41
Figura 60 – Célula de banho – topo. .......................................................................................................................................................................................................... 41
Figura 61 – Célula de roupas – vista. ........................................................................................................................................................................................................ 42
Figura 62 – Célula de roupas – topo. ......................................................................................................................................................................................................... 42
Figura 63 – Célula de alimentos – vista. .................................................................................................................................................................................................. 43
Figura 64 – Célula de alimentos – topo. .................................................................................................................................................................................................... 43
Figura 65 – Célula de repouso – vista. ...................................................................................................................................................................................................... 44
Figura 66 – Célula de repouso – topo.. ...................................................................................................................................................................................................... 44
Figura 67 – Célula de repouso – combinações. ......................................................................................................................................................................................... 45
Figura 68 – Perspectiva aérea da implantação........................................................................................................................................................................................... 46
Figura 69 – Perspectiva lateral. ................................................................................................................................................................................................................. 46
Figura 70 – Perspectiva térrea. .................................................................................................................................................................................................................. 47

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SUMÁRIO
Introdução – A utopia em nossa realidade ....................................................................................................................................................... 07
Capítulo I – Manifesto da arquitetura futurista ................................................................................................................................................ 09
Capítulo II – A Construção do Imaginário Comum .......................................................................................................................................... 010
Capítulo III – Novos grupos domésticos e público alvo ..................................................................................................................................... 12
Capítulo IV – Tecnologias de mídias e as nuvens .............................................................................................................................................. 14
Capítulo V – Flexibilidade e multifunção residencial ....................................................................................................................................... 16
Capítulo VI – Vivendo o Microespaço ............................................................................................................................................................... 19
Projeto Spacebox ............................................................................................................................................................................................. 22
Capítulo VII – Simulação de Implantação ......................................................................................................................................................... 25
Capítulo VIII – Programa e Estudos .................................................................................................................................................................. 28
Estudo 01 .................................................................................................................................................................................. 29
Estudo 02 .................................................................................................................................................................................. 30
Estudo 03 .................................................................................................................................................................................. 31
Estudo 04 .................................................................................................................................................................................. 32
Estudo 05 .................................................................................................................................................................................. 33
Estudo 06 .................................................................................................................................................................................. 34
Estudo 07 .................................................................................................................................................................................. 35
Estudo 08 .................................................................................................................................................................................. 36
Projeto e Conclusão ........................................................................................................................................................................................ 38
Referências Bibliográficas ................................................................................................................................................................................ 48

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INTRODUÇÃO – A UTOPIA EM NOSSA REALIDADE
A MicroCasa é uma proposta diferente dentro do modelo residencial atual, pois
reformula o padrão básico constituído por três setores divididos em serviço, íntimo e
social, adequado à abrigar a família nuclear convencional, composta por casal com vínculo
conjugal e filhos, e repensa a relação entre os usos dos espaços e as novas tecnologias
permitindo abrigar outros perfis de moradores urbanos, formado por pessoas jovens que
vivem sozinhas, na maior parte universitários.

Para avançarmos em nossa reflexão sobre as novas necessidades imobiliárias,


vamos recaptular alguns detalhes importantes na história, que nos ajudam a entender como
o modelo atual se estabeleceu e o por quê de sua ineficiência.

Como grande parte dos países passaram similarmente pela industrialização nos
séculos XVIII e XIX (figura 02) – Monet retrata parte da grande transformação que estava
ocorrendo e as grandes expectativas quanto às novas máquinas – , e com isso,
Figura 02 – La Gare Saint-Lazare. Estação de
transpuseram sua população da zona rural para zona urbana, dado a criação de postos Paris, 1877. Fonte: Monet
trabalhos em pólos comerciais e industriais, pode-se dizer que, neste momento, iniciou-se
um novo modelo de se morar que se sobrepunha ao anterior, tanto na forma, como nos
papéis de seus integrantes na sociedade, chamado de modo metropolitano de se morar 1,
onde se consolidou a família nuclear.

1) INFORMAÇÕES BASEADOS NO ARTIGO DO PROFESSOR DOUTOR MARCELO TRAMONTANO - TEMA 4:


CONSTRUIR, HABITAR, PENSAR, HOJE. O QUE É PROJETAR? TENDÊNCIAS CONTEMPORÂNEAS METROPOLITANAS.

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Após a vitória na Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos da América (EUA)
difundiram uma padronização nos lares urbanos mundiais. Arquétipo de comportamento,
de vestuário, até mesmo de grupos familiares e de moradia. Juntamente com esses novos
hábitos, a população foi estimulada ao consumo de eletrodomésticos e eletroeletrônicos,
como vemos na figura 03, esclarecido em Tramontano (1998):

“(...) Hollywood, máquina perfeita na divulgação da maneira de morar


americana, que incluía eletrodomésticos, automóvel, o marido no papel do
forte, inteligente, lógico, consistente e bem-humorado provedor, e a esposa,
no da intuitiva, dependente, sentimental, auto-sacrificada, mas sempre
satisfeita gerenciadora de uma habitação impecavelmente limpa, agora
elevada à categoria de bem de consumo.”

Nesse período de grande avanço tecnológico devido aos estudos realizados durante
as grandes guerras, muito se idealizou sobre qual seria o limiar da evolução tecnológica
com os modos de se habitar. Podemos encontrar exemplares do que se imaginou sobre
como seria a relação da cidade e os moradores, como seria a nossa rotina de vida e alta
tecnologia, estes, expressos de diversos modos, principalmente pela arte, onde a ficção
Figura 03 – Propaganda Walita anos 50.
científica teve uma parcela forte na elaboração de um imaginário comum nas pessoas Fonte: autor desconhecido. Disponível em:
<http://tyrone.mello.blog.uol.com.br/images/Propa
sobre como seria o futuro. gandas.jpg>. Acesso em 23 mar.2009.

Para compreendermos melhor como a tecnologia influencia em nosso cotidiano e


como podemos inseri-la em uma habitação, basta entendermos como o imaginário comum
se estabeleceu, quais as relações com a sociedade atual e as adaptações que estamos
passando, sejam os novos grupos domésticos, seja o avanço da tecnologia ou a
flexibilização doméstica afetam a nossa rotina.

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CAPÍTULO I – MANIFESTO DA ARQUITETURA FUTURISTA
O Futurismo nasceu na Itália no início do século XX, tendo-se iniciado na
literatura, após o Manifesto Futurista de Marinetti, e estendendo às artes plásticas, à
arquitetura, música e, mais tardiamente, cinema. A arte futurista, em termos de ambientes
arquitetônicos, baseou-se nas realidades urbanas das grandes cidades italianas como Milão
e Turim que, em finais do século XIX, passava por um crescimento brusco, como
observamos no texto de Richard Humphreys, traduzido por Graça Lima Gomes (2001),
Marinetti se incomodava com a produção da cidade de seu tempo:

“(...) Tratava-se de um mundo de tijolos e de pedra, configurada em formas


tradicionais e clássicas. Contudo, para Marinete, não era apropriado a
excitação violenta da vida moderna ser projectada num cenário tão
anacrónico. Impunha-se a sua recriação. Antes de mais, como era
inevitável, impunha-se a total destruição da velha panorâmica citadina.”

O Manifesto da arquitetura futurista de Sant‟Elita 2 publicado em 1914 e editado


por Marinetti começa por conduzir a usual investida contra o passado e a prática corrente e
por afirmar a necessidade de se confrontarem as realidades urgentes do presente,
antecipando o conceito de Le Corbusier da casa enquanto máquina onde se vive. Segundo
o Manisfeto:
Figura 04 – Central Elétrica, 1914, desenho de
Antonio Sant'Elia.
“(...) Temos de inventar e reconstruir a cidade futurista como um estaleiro
imenso e tumultuoso, ágil, versátil e dinâmico em cada detalhe; (...) a casa
futurista tem de se assemelhar a uma máquina gigantesca.”
2) ARQUITETO DO SÉCULO XIX QUE CONSTITUÍA UM GRUPO O NUOVA TENDENZA JUNTAMENTE
COM OTTO WAGNER E ADOLF LOOS CUJA EXPOSIÇÃO MAIS IMPORTANTE FOI EM 1914 NO FAMIGLIA .

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CAPÍTULO II – A CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO COMUM
Visando a relação entre tecnologia e seres humanos, as cidades futuristas são os
melhores exemplos dessas antevisões, muitas vezes expressas em meios e em momentos
diferentes, sejam nas revistas na década de 40, nos seriados de televisão na década de 60,
no cinema na década de 80 ou em computação gráfica tridimensional nos dias atuais, mas
sempre contribuindo para a construção de um imaginário comum na população urbana.

No final da década de 40 era comum o uso de pulp 3 para divulgação de histórias de


fantasias e ficções científicas, como vemos na figura 05, já se começava a imaginar como
seria a cidade altamente tecnológica. A ilustração feita pelo desenhista Frank Rodolph
Paul nos mostra como se idealizava a cidade no início do século XXI. Podemos percebe
que elementos estabelecidos no desenho se repetem em outros momentos e contextos, Figura 05 - Cidade Futurista veiculada em pulp na
década de 40 – Fonte: Frank Rodolph Paul
como na figura 06 – filme dos anos 80, Blade Runner foi um dos pioneiros após o filme
4 .
Metrópoles de 1927 no gênero Cyberpunk –, onde é enfatizado o período noturno, a
presença de veículos automotores terrenos e aéreos, a falta de elementos naturais e,
principalmente, a compleição de grandes edifícios luminosos, o que nos mostravam quais
seriam as prioridades para o avanço tecnológico.

3) PULP OU AINDA PULP FICTION OU REVISTA PULP SÃO NOMES DADOS ÀS REVISTAS FEITAS COM PAPEL DE
BAIXA QUALIDADE (A "POLPA") A PARTIR DO INÍCIO DA DÉCADA DE 1920, DEDICADAS À HISTÓRIAS DE FICÇÃO.

4) CYBERPUNK É UM GÊNERO ESTÉTICO NASCIDO DOS EXERCÍCIOS LITERÁRIOS DE FUTUROLOGIA SOBRE OS


ASPECTOS NEGATIVOS E POSITIVOS DA INTERAÇÃO ENTRE SERES HUMANOS E TECNOLOGIA. Figura 06 – Cidade futurista, filme década de 80.
Fonte: Filme Blade Runner.

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Podemos observar que o Cyberpunk é transposto até os dias atuais (figura 07 –
Maquete eletrônica sobre cidade futurista), mesmo com a ausência de vegetação, podemos
perceber um elemento natural como central, a água, e é clara a melhora na visão pessimista
quanto à interação da tecnológica com a cidade. Porém o que precisa ser ressaltado é que
essa ilustração futurista é uma relação mais limpa de elementos que já constituem as
cidades atuais, então, por que não reconhecemos a cidade em que vivemos como futurista?
Se caracterizarmos alguns aspectos em comum do que visualizamos para o futuro,
encontraremos uma grande população urbana, uma cidade extremamente adensada, pouca
ou ausência de massa vegetal, padronização dos ambientes e dos indivíduos, e o mais Figura 07 – Metrópoles futuristas.
Fonte: autor desconhecido. Disponível em:
interessante, o forte uso das mídias de comunicação. Assim, é clara a relação do imaginário <http://www.enciclopedia.com.pt/images/metropl
oisfgd.jpg>. Acesso em 2 out.2008.
com o nosso cotidiano urbano, logo a cidade futurista é o espelho tecnológico da cidade
atual, uma vez que não prevemos grandes mudanças dos nossos padrões de vida e cidade.

A evolução das tecnologias em geral nos surpreende a cada dia, esse processo tem
acontecido tão rapidamente que eletro-eletrônicos se tornam obsoletos em poucos meses,
vemos isso em vários equipamentos de comunicação, incluindo o próprio aparelho
televisivo. A nossa imaginação foi perdendo espaço para a visão, pois a realidade nos
surpreende de tal modo e com tal velocidade que, anteriormente, o que era desejável para o
futuro passa a ser “design retrô” como na figura 08. Assim, podemos compreender como a
evolução tecnológica influência o design, uma vez que quando ele se afirma pelo
desenvolvimento da técnica, se torna ultrapassado quando a própria tecnologia é superada,
Figura 08 – Televisor com design anos 50.
mas quando o design busca a nobreza estética, não deixando de lado o avanço tecnológico, Fonte: HANNspree. Disponível em:
<http://www.hannspree.com>. Acesso em: 11
ele é duradouro, marcada pelo contexto e influencias que influenciaram sua concepção. out.2008

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CAPÍTULO III – NOVOS GRUPOS DOMÉSTICOS E PÚBLICO ALVO
Os grupos domésticos são constituídos por diversos agrupamentos. E estes que
ocorrem no decorrer da vida das pessoas. Assim, cada grupo acaba correspondendo a uma
idade e a um padrão econômico variante. Segundo conceitos do Le Corbusier sobre a
compreensão dos agrupamentos:

“A arquitetura trata de um sujeito, o homem, que é por definição e


fatalidade de natureza cambiável e evolutiva. Ele é primeiro solteiro, depois
casal, depois família, com filhos em números indeterminados, depois
dispersão dos filhos pelos seus casamentos... Enfim a morte, de tal maneira
que a moradia feita para uma família não existe: o que existem são vários
tipos de moradia paras sucessivas idades.”

Tramontano (1993) define e cataloga esses grupos, consolidados nas ultimas


décadas, como:

1. Nova família nuclear: formada por um núcleo conjugal e menor número de


filhos, sendo estes mais autônomos.
2. Família mono parental: mãe ou pai solteiro com filhos.
Figura 09 – Grupos domésticos.
3. Uniões livres: casais, heterossexuais ou homossexuais, sem vínculos legais, Fonte: Novas formas de Morar. Disponível em:
<http://novasformasdemorar.blogspot.com>.
sem filhos Acesso em: 28 set.2008.
4. Pessoas vivendo sós: solteiros, viuvos, separados ou desquitados e
estudantes universitários.
5. Coabitação sem vínculos conjugal ou de parentesco: repúblicas de
estudantes ou jovens trabalhadores.

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A Microcasa é um projeto de habitação tecnológica para pessoas que vivem sós,
jovens que necessitam de uma residência interina, inteligente e flexível. O Projeto tem sua
implantação simulada na cidade de Presidente Prudente (figura 11) que, segundo dados da
Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados em 2005 (SEADE), possui o maior índice
de universitários por habitantes do Brasil, uma população que em 2005 chegou a 17 mil, o
que corresponde a 8,4% do total de habitantes.

Dentro deste contexto verificou-se que a maior parcela das edificações oferecidas
5
aos universitários e jovens profissionais – (informação verbal) – seguem o modelo de
tripartição do espaço, característica das habitações burguesas européias do século XIX,
divididas em área social, área de serviço e área íntima, normalmente com dois ou três Figura 10 – Brasão de Presidente Prudente.
Fonte: Prefeitura municipal.
dormitórios. Com isso é pequena a existência de edifícios pensados para um único
morador, visto que as pessoas sem vínculos conjugais e filhos moram em coabitações,
resultado claro da adaptação dos grupos às oferta do mercado imobiliário.

A opção em morar sozinho está relacionada às novas dinâmicas familiares que


priorizam a emancipação dos filhos e ao grande avanço tecnológico dos meios de
comunicação em rede. Esse indivíduo urbano é descrito em Tramontano (1998b, p.06):

“[...] seu habitante parece ser um indivíduo que vive, principalmente,


sozinho, que se agrupa eventualmente em formatos familiares diversos, que
se comunica à distância com as redes às quais pertences que trabalha em Figura 11 – Localização do município.
casa, mas exige equipamentos públicos para o encontro com o outro, que Fonte: Prefeitura municipal.
busca sua identidade através do contacto com a informação.”

5) DADO FORNECIDO PELA IMOBILIÁRIA RIO BRANCO, PRESIDENTE PRUDENTE EM NOV. DE 2008.

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CAPÍTULO IV – TECNOLOGIAS DE MÍDIAS E AS NUVENS
Ao se associar conhecimentos adquiridos ao longo das últimas décadas, como a
transmissão aérea do som; a transmissão via cabos da imagem; a transmissão por satélite
de dados, a tecnologia permite agora a interatividade. Atualmente, os aparelhos eletrônicos
interagem, instantaneamente com o seu carro, a sua rotina, e, até mesmo, com a sua casa.
Eles respondem a comandos de voz, armazenam conteúdo, verificam seus e-mails,
coordenam as funções domésticas, além de permitirem conversar com outras pessoas,
estando você, usuário, em qualquer lugar, pois as informações que antes necessitavam de
quilômetros de cabos e fios para serem transmitidas, hoje, encontram-se disponíveis nas
nuvens através do uso dos satélites artificiais.

A figura 12 ao lado é um exemplo desta multifuncionalidade e interação, pois o


aparelho de mídia player (MP9) pode substituir outros aparelhos específicos, como a
televisão, o rádio, o celular, o computador de mão, o localização de posicionamento
Figura 12 – Aparelho multifuncional My-way.
geográfico, o videogame, a câmera fotográfica, e, ainda, executa vídeos, músicas, etc. Fonte: Signce. Disponível em:
<http://www.signce.eu/index3.html >. Acesso em:
A interatividade ocorreu de forma brusca, não somente com a tecnologia, mas 8 ago.2008.

também entre as pessoas e as sociedades, principalmente nas áreas metropolitanas, pois


essa nova rede de fluxos de informações potencializou a globalização e além da troca de
dados, esta permitiu assimilação de uma nova cultura. Aliás, a difusão de uma cultura
universal pode ser compreendida em Tramontano (1998a, p.03):

“Os habitantes das grandes cidades do mundo parece assemelhar-se, cada


vez mais, aos seus congêneres de outros países, agrupando-se em formatos
familiares parecidos, vestindo roupas de desenho semelhante, divertindo-se
das mesmas maneiras, degustando os mesmos pratos, equipando suas casas

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com os mesmos eletrodomésticos, trabalhando em computadores pessoais
que se utilizam dos mesmos programas, capazes de ler, em todo o mundo, as
informações contidas em um mesmo disquete. Isto significa que,
aparentemente impulsionada pela potencialização dos meios de
comunicação de massa, uma enorme transformação de hábitos está em
curso, minimizando, inclusive, a influência de culturas locais. [...]”

É claro o fato de que o modelo atual de residência não se adéqua ao novo sistema,
onde a tecnologia é protagonista necessária e está presente na maior parte dos ofícios.
Porém a questão é quanto à viabilidade de se alterá-lo. O que enfatiza o fato de estarmos
no meio de uma grande transformação, segundo Mitchell em E-topia (1944, p.117), é um
caráter interessante sobre como a sociedade reage às mudanças.

“A verdade é que modelos e arranjos sociais estabelecido de longa data são


muito resistentes a mudanças. Na maioria das vezes, eles se transformam
devagar, de maneira desorganizada, desigual e incompleta; e, afinal, a
natureza humana dificilmente se altera. Portanto, o resultado dessa competição
emergente não será uma surpreendente, repentina e onipresente “Terra do
Amanhã. Haverá muitas especializações locais, contradições, deslizes e Figura 13 – diversos cd‟s do mesmo provedor.
singularidades dentro do reconfigurado sistema mundial. As forças globais Fonte: Crashtester .Disponível em:
<crashtester.org/wpcontent/uploads/20080820.jp
terão que enfrentar resistências localizadas [...]”
g>. Acesso em 3nov2008.
Além das transformações sociais decorrentes da tecnologia, o fácil acesso à mesma
está reorganizando os fluxos. Ao lado na figura 13, vemos incentivo da América Online,
empresa pioneira do sistema de troca de mensagens instantâneas, em facilitar o acesso à
rede. Assim, quando “conectado” à rede ele pode deixar de efetuar diversos
deslocamentos físicos, pois, várias atividades podem ser realizadas pela internet, como se
divertir, comprar, se socializar e trabalhar.

Habitações Tecnológias e Interinas 15


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CAPÍTULO V – FLEXIBILIDADE E MULTIFUNÇÃO RESIDENCIAL
A habitação, por muitas décadas, vem seguindo um programa arquitetônico padrão,
uma vez que, este tem sido aparentemente, satisfatório para atender uma família
tradicional. Pequenas adaptações de usos foram feitas pelo mercado imobiliário, novos
compartimentos foram criados como, os mais recentes, o home e o gourmet (figura 14),
lembrando que a existência destes novos ambientes não subtraiu do programa a sala e a
cozinha. Mas ao nos depararmos com a grande quantidade de reformas, refletimos um
pouco melhor sobre a estrutura atual, percebemos que novas atividades passam a ser
realizadas no espaço doméstico como o trabalho. Assim, passa a existir um antagonismo
entre a divisão dos espaços internos e a diminuição das áreas construídas, uma vez que no
passado, a reprodução do espaço burguês pela classe média e da classe média para o
proletariado e a baixa renda, ainda hoje, as classes baixas tentam imitar as altas sem terem
os mesmos recursos ou espaços.

Figura 14 – Home e goumert integrados.


Antes de abordarmos a sobreposição de funções, podemos compreender porque
Fonte: Porto Seguro. Disponível em:
discutir o formato da residência tem sido algo tão difícil, visto que há uma relação de <http://www.portoseguroimobiliaria.com.br/lanca
mentos>. Acesso em: 10 nov.2008.
patrimônio com esse bem, pois ele é um investimento de anos para uma família
convencional. Assim, segundo Xavier Sust apud Villá (199?, p.04).

"[...] É um dos bens mais arraigados nas pessoas, já que satisfaz uma de
suas necessidades mais básicas: a de dispor de um espaço privado, de
proteção e de descanso. Precisamos que a habitação seja um refúgio
estável, seguro e tranqüilo. A habitação tem que ter uma vida longa e,
por esta razão não pode estar subordinado a modas passageiras. A
habitação tem que ser vendida e, como conseqüência, tem que ter uma
formalização aceita pelo mercado. A habitação é um bem real, imóvel e

Habitações Tecnológias e Interinas 16


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hipotecável e, em última análise, um bem eminentemente conservador."

A maior preocupação de se propor um programa arquitetônico diferenciado é a não


padronização do imóvel e, por conseqüência, a sua não comercialização ou aceitação pela
população. Porém existe uma demanda padronizada pela tecnologia, como visto, e que por
sua vez, constituem novos grupos domésticos, consequentemente, inserindo um mercado
aberto às novas propostas, desde que as soluções atendam suas necessidades específicas.
Seja por ser adequarem aos novos formatos familiares, ou por possibilitarem a presença do
trabalho no lar, entre outros diferenciais.

Espaços flexíveis serão prérequisitos para os próximos investimentos imobiliários,


pois a constituição familiar varia de acordo com o tempo, bem como as dinâmicas
tecnológicas, assim é de extrema importância que a arquitetura possa permitir essas
adaptações. Flexibilidade é descrita por Villá (199?, p.08):

“(...), toda configuração construtiva e formal que permita uma diversidade de


formas de uso, ocupação e organização do espaço, ao longo da vida do
edifício, como resposta às múltiplas e mutáveis exigências da sociedade sobre
o Habitat Contemporâneo.”

Já a multifuncionalidade dos espaços, nada mais é que possibilitar a sobreposição Figura 15 – Sala e cozinha integrados.
de usos, onde um espaço menos compartimentado permite a realização de várias tarefas, Fonte: Cooklounge. Disponível em:
<http://www.yankodesing.com/cooklounge>.
como na figura 15. Essa atitude já é comum em nossas rotinas, pois, de modo informal, Acesso em: 15 out.2008.

acumulamos atividades a determinados espaços em detrimento do uso de outros, como,


por exemplo, receber amigos na cozinha, assim ,substituindo a sala de visitas.

Além desses fatos, normalmente, sobrepomos funções em espaços mais livres e


repetimos isso em vários cômodos da residência, como por exemplo, a atividade de se

Habitações Tecnológias e Interinas 17


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alimentar, pode ser feito em uma pequena mesa na cozinha, na mesa maior da sala de
jantar, no sofá da sala, na cama do quarto e até mesmo na escrivaninha do escritório, tudo
vai depender diretamente da atividade que queremos associar. Isso nos mostra o maior
problema dos compartimentos, pois muitas vezes queremos, ou temos que associar mais de
uma atividade. Na figura 16, ao lado, podemos entender as atividades e suas relações com
os cômodos de uma planta típica de apartamento de classe média.

A multifuncionalidade está aparecendo em mais locais que os próprios imóveis, os


mais novos lançamentos de eletrodomésticos estão abordando o tema, e nos intrigando
muito mais sobre o que pensamos dos nossos espaços domésticos. Nos grandes centros
Figura 16 – Sobreposição de usos.
urbanos a freqüência de uso de espaços específicos é ainda menor. A figura 17 mostra um Fonte: Novas formas de Morar. Disponível em:
<http://novasformasdemorar.blogspot.com>.
exemplo do novo caminho que a alta tecnologia está trilhando, pois em um pequeno Acesso em: 28 set.2008

espaço, compatível ao frigobar, podemos encontrar alguns dos aspectos vistos na imagem
anterior, como espaço de estocagem, preparo de alimentos e resfriamento em um único
local, extremamente compatível com a redução da metragem dos imóveis.

Tudo isso nos levar a entender melhor as necessidades atuais e, por sua vez,
conseguir propor novos ambientes adaptados à demanda. Entretanto, ainda restam
pequenos compartimentos extremamente específicos de higiene e preparo de alimentos,
como o banheiro e área de limpeza e a cozinha necessita utilizar a tecnologia para
solucionar questões de flexibilidade, criando ambientes mais inteligentes com maior
aproveitamento de área em um menor espaço construído, o que representa também
barateamento da unidade, e redução de desperdício tanto de consumo para construção
quanto do doméstico. Figura 17 – Combinação de micro cozinha.
Fonte: Electrolux

Habitações Tecnológias e Interinas 18


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CAPÍTULO VI – VIVENDO O MICROESPAÇO
A temática da habitação mínima vem sendo abordadas desde o inicio do século
passado, ela tem sido um assunto recorrente sempre em momentos onde se precisava de
uma resposta habitacional para alterações sociais e culturais.

Um momento importante, cujo tema esteve presente, foi no pós-guerra, onde a


Europa passava pela reconstrução e necessitava de velocidade para suprir a demanda por
moradias. Neste cenário, a habitação mínima e temas relacionados como os impactos
Figura 18 – Cabana. Fonte: 4.bp. Disponível em:
psicológicos, as relações interpessoais dos moradores e os custos, foram recorrentes <http://4.bp.blogspot.com > Acesso em:
20mai.2009.
durante os CIAM (Congressos de Arquitetura Moderna). Segundo SILVA (2007):

“A legibilidade lúcida da produção arquitetônica sob o tema da habitação


mínima pressupõe o domínio histórico dos acontecimentos culturais,
econômicos e sociais do período precedente e principalmente do século 20.
No qual ocorre, pela primeira vez, a reflexão profunda dos arquitetos sobre
o modo de vida do homem e sobre a incorporação da nova tecnologia em
progressão na melhoria da sua qualidade de vida.”

Diversas aplicações dos conceitos discutidos nesse período podem ser apreciadas
até hoje, entre os arquitetos temos exemplos de habitações desenvolvidas para famílias
nucleares – que no Brasil deram origem às habitações sociais – e habitações que
consideraram outros agrupamentos, como por exemplo, a casa de veraneio para uma única
pessoa, de Le Corbusier. A aplicação do espaço mínimo somado ao do modulor traz
tamanha compactação à residência que o permitiu chegar nas dimensões de 3,35m x 3,35m
x 2,50m (figura 18). O minimalismo da construção e os detalhes no mobiliário, como o
Figura 19 – Interior da Cabana. Fonte:
espelho que esconde uma janela, armários sob a cama e ao longo das paredes, mesa e 3.bpDisponível em: <http://3.bp.blogspot.com >
Acesso em: 28mai.2009.
bancos que se encaixam, acabamento em madeira, tratamento de cores no teto e pinturas

Habitações Tecnológias e Interinas 19


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do arquiteto pelas paredes, fazem da cabana um local aconchegante, e resolvido
minuciosamente, como podemos ver na figura 19.

Outro momento interessante na abordagem dos pequenos espaços é o trabalho de


Kisho Kurokawa no Japão, onde a explosão urbana e populacional tornou, desde cedo, o
país especialista em habitações compactas. Neste caso, a falta de terrenos incentivou a
habitação mínima. Entre diversas inovações a Torre de Cápsulas Nakajin (figura 20),
construída em aço na década de 70, é um marco na arquitetura futurista, pois desconstruiu
um edifício, com apartamentos individuais de aproximadamente 12m² cada. Os
apartamentos ou cápsulas possuem banheiro, cama, área de trabalho, depósito e pequena
geladeira, (figura 21) organizados de modo a aproveitar cada espaço e flexibilizar o
ambiente. Kisho desenvolveu diversos estudos para compreender como é possível
Figura 20 - Nakajin Capsule Tower. Fonte:
aproveitar o máximo de espaço e maior número de atividades, bem como outros para Unclo. Disponível em: <http://uncle.blogs.com >
Acesso em: 15abr.2009.
poder associar cada unidade em um edifício maior, com racionalização dos espaços e
preocupação estética, rompendo com a monotonia dos edifícios.

Atualmente, diferentes propostas para edificações pequenas surgem a cada dia,


seja para uma construção rápida, ou econômica, seja para ter maior aproveitamento
terrestre, ou da infraestrutura urbana disponível, tanto quanto para se ter uma edificação
prática e inteligente que funcione como uma máquina de se morar, trazendo benefícios e
economia de tempo para o seu habitante, seja porque se reside pouco tempo, enfim,
motivos são os mais diversos para a existência das habitações compacta.

Os estudantes e jovens profissionais também são foco de estudos para o Figura 21– Interior da capsula. Fonte: Shuand.
Disponível em: <www.shuandjoe.com > Acesso
desenvolvimento de MicroCasas, eles residem em uma cidade e se mudam para outra, em em: 15abr.2009.

Habitações Tecnológias e Interinas 20


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ciclos de 4 a 5 anos, hora a graduação, hora mestrado, hora um emprego. É um problema
constante a habitação para esse grupo doméstico, pois comprar ou alugar uma moradia a
cada novo ciclo de ensino é bastante oneroso, principalmente porque é grande a
dificuldade de se encontrar um imóvel destinado a esse perfil, e com isso surgem às
coabitações onde há uma divisão do mesmo espaço por diversos indivíduos muitas vezes
sem vínculos familiares ou fraternais, e há diversos casos em que os moradores não
sentem bem na residência.

Por conta disso, já é comercializado na Europa a Micro Compact Home (M-Ch), Figura 22 – M-ch – Módulo. Fonte: Micro
figura 22, desenvolvido pelo escritório britânico Horden Cherry associado a professores Compact Home. Disponível em:
<http://www.microcompacthome.com>. Acesso
da Universidade de Munique. Os principais interessados na aquisição dessa casa, hoje, são em 25 set.2008.

os estudantes, que, por conta da idade, possuem poucos bens materiais, permitindo que se
adaptem em espaços pequenos, mesmo porque estão abertos a modos diferentes de se
morar. O M-Ch pode conectar-se às bases dispostas em diversas universidades pela
Europa. Vemos que o interno do módulo é altamente tecnológico e ao mesmo tempo,
simples (figura 23). Inspirado no “Homem Vitruviano” de da Vinci, e dimensões de
2,60m x 2,60m x 2,60m, o módulo respeita as proporções e articulações do corpo
humano, permitindo a sobreposição do mobiliário, onde, por exemplo, a mesa que
acomoda duas pessoas vira cama de solteiro. Esse projeto está em constante evolução,
tendo como meta atual torná-lo autosuficiente energeticamente, além de possibilitar sua
verticalização das unidades em uma estrutura receptora.
Figura 23– Multifunções. Fonte: Micro Compact
Além desses projetos, outros foram usados como referência projetual para o Home. Disponível em:
<http://www.microcompacthome.com>. Acesso
desenvolvimento da MicroCasa, eles seguem a seguir, com as imagens e fichas técnicas. em 25 set.2008

Habitações Tecnológias e Interinas 21


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Projeto Spacebox
Inaugurado em 2005, localiza-se na
Universidade de Ultrecht, Holanda. Foi
projetado pelo arquiteto Mart de Jong
para abrigar dois universitários em cada
unidade, enquanto graduam na
universidade. O módulo possui a área 18
m², e é composto por banheiro, cozinha e
Figura 24 - Spacebox externo. um cômodo aberto. Por não possuir
Disponível em: <http://www.spacebox.info/>. Acesso em 15 jun.2008.
mobiliário específico permiti que cada
morador organize o espaço interno como
preferisse, assim, dando uma identidade
a cada casinha.

O módulo é em estrutura metálica, com


revestimento interno de painéis de gesso
acartonado, eles possuem um sistema de
encaixe, o que permite o
“empilhamento”, assim a única estrutura
adjacente é o sistema de circulação que
liga todas as unidades.
Figura 25 - Spacebox interno.
Disponível em: <http://www.spacebox.info/>. Acesso em 15 jun.2008.

Habitações Tecnológias e Interinas 22


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Alessandro Paddeu

É um projeto que recebeu menção


honrosa no Concurso de projetos
realizado no final de 2008 na Itália,
chamado Living Box, cujo objetivo foi
pensar a residência de forma compacta e
com elementos préfabricados.

Alessandro Paddeu, arquiteto que


Figura 26 – Módulo Alessandro Paddeu.
Disponível em: <http://www.livingbox.it/>. Acesso em 10 fev.2009.
projetou, pensou em apartamentos que
poderiam atender diferentes grupos
domésticos, cada módulo com 15m²
poderia abrigar um apartamento
individual ou um compartimento, como
por exemplo, uma cozinha, de um
apartamento maior.

Eles de encaixam em uma estrutura


central e caso o apartamento se amplie,
ele ocuparia mais de uma célula, ate
atingir as três unidades, que seguem a
divisão da Habitação Burguesa, serviço,
Figura 27 – Módulo Alessandro Paddeu.
Disponível em: <http://www.livingbox.it/>. Acesso em 10 fev.2009. social e íntimo.

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Architekturburo

O projeto Architekturburo foi o vencedor


da competição de design Living Box,
com um conceito interessante, onde cada
“cômodo” fica em um módulo e as
uniões de alguns módulos formam a
casa. Como quem mora escolhe a
composição da unidades,pode acomodar
diferentes perfis de usuários.

Figura 28 – Architekturburo. A ideia é que se possa compor a casa em


Disponível em: <http://www.livingbox.it/>. Acesso em 10 fev.2009.
qualquer lugar, através da organização
dos ambientes. Cada módulo tem o
desenho único que condiz com os
mobiliários, e uma cor, para facilitar a
leitura dos ambientes.

Figura 29– Architekturburo.


Disponível em: <http://www.livingbox.it/>. Acesso em 10 fev.2009.

Habitações Tecnológias e Interinas 24


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CAPÍTULO VII – SIMULAÇÃO DE IMPLANTAÇÃO
Pela proposta de projeto apresentado neste trabalho, o modelo em questão
exerce, e recebe, pouca influencia com relação à sua implantação, pois se pretende que o
edifício, sendo futurista, siga a desconstrução, e, assim, seja mutável e transportável para
outro sítio se necessário for. Richard Rogers discorre em “Cidades para um pequeno
planeta”:

“(...) No futuro, entretanto, os edifícios tenderão à desmaterialização.


Sairemos da massa edificada e entraremos em uma época de transparência
e véus: de estruturas indeterminadas, adaptáveis e flutuantes que
respondam às mudanças diárias no ambiente e nos padrões de uso. (...)
serão menos como templos clássicos imutáveis do passado e mais como Figura 30 - Foto superior do terreno.
robôs orgânicos público. (...)” Fonte: Autora

A baixa metragem das MicroCasas possibilita um alto adensamento que, mesmo


em uma implantação com pouca verticalidade, torna viável a implantação do edifício em
áreas onde existe valorização da terra, próximo a postos de trabalho e comércios, como nas
áreas centrais. O valor da terra irá se dividir entre mais moradores do que normalmente se
divide em propriedades horizontais convencionais, tornando acessíveis locais antes não
almejados para tal uso ou perfil.

É determinado o número de unidades no lançamento do projeto, revelando seu


potencial de vendas. Em patamares aceitáveis para atrair investidores, ressaltando que o
mesmo poderá ser transferido para outro sítio, bem como ampliado ou reduzido conforme Figura 31 - Foto da lateral do terreno.
Fonte: Autora
o pleito do local. Contudo, a escolha pelos locais de implantação se dá de modo a atingir a

Habitações Tecnológias e Interinas 25


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maior quantidade de usuários, uma vez que em Tramontano (1998b, p.04) já identifica esse
padrão:

“[...] mais e mais pessoas solteiras, jovens profissionais, trabalhadores de


escritório e estudantes preferem gastar maiores somas com o aluguel de um
apartamento – cuja área é cada vez menor – situado nas áreas centrais das
cidades, próximos da vida noturna e do lazer urbano, ao invés de
submeterem-se a longos deslocamentos diários em transportes coletivos,
vivendo em bairros e subúrbios distantes.”

Portanto, como o local de escolha se relaciona intimamente com o usuário


potencial do projeto, para guiar a definição do terreno optou-se por trabalhar com um
Figura 32 - Paisagem vista do Terreno.
grupo de público alvos, compostos por dois perfis, sendo o primeiro composto por: recém Fonte: Autora.
formados, jovens em busca de emancipação, solteiros, profissionais liberais; e o segundo
grupo formado por: estudantes universitários, solteiros, professores recém chegados à
cidade e professores temporários.

Algumas características inerentes ao público alvo ajudam a definir uma boa


locação para o projeto, dentre elas foram elencadas cincos que guiaram na escolha do
terreno:

1) Próximo dos locais de consumo;

2) Próximo de postos de trabalho ou de locais de estudos;

Figura 33 - Foto do interior do terreno.


3) Próximo ao transporte coletivo e saúde;
Fonte: Autora.

4) Próximo de locais para lazer e esporte;

5) Próximo à vida noturna e grande fluxo de pessoas.

Habitações Tecnológias e Interinas 26


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A escolha do local de simulação se deu respeitando os critérios citados. O terreno
que possui uma área aproximada de 3222m² encontra-se próximo às instituições de ensino
(UNESP, SENAI, SENAC, Colégio Adventista), às áreas de lazer e esporte (Parque do
Povo, Secretária Municipal de Esportes e o Tênis Clube) e próximo a centro de consumo
(Shopping Center e hipermercado), além de diversas lojas, restaurantes e vias importantes
na cidade.

Figura 34 – Terreno. Fonte: Google

Figura 35 - Altimetria de 5m. Fonte: Autora

Figura 37 - Foto aérea. Fonte: Google


Figura 36 - Topografia do terreno. Fonte: Autora

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CAPÍTULO VIII – PROGRAMA E ESTUDOS
O programa foi baseado nas referências projetuais vistas anteriormente, contudo
ficou estipulado uma área máxima de 14m² para se articular todas as atividades, sendo
elas:

1) Trabalho;

2) Preparo de alimentos;

3) Armazenamento de pertences e alimentos;

4) Repouso;

5) Higiene e limpeza;

6) Cultivo de plantas (opcional).

O conjunto será implantado de forma a se adequar com a topografia e com os


acessos,entretanto como módulo do prédio é préfabricado, terá deficiências em sua
implantação personalizada com o terreno de escolha, mas em oposição, será flexível a Figura 38- Croqui 01 – Programa. Fonte: Autora

outros sítios. O número de unidades por edifício é relativo, pois se trata de uma arquitetura
efêmera ou futurista, e poderá ser ampliando ou reduzida conforme a demanda, assim não
deixando espaços ociosos. Lembrando que pode ser tratar de uma estrutura em aço, será
dimensionada para comportar sempre o número máximo de MicroCasas.

Habitações Tecnológias e Interinas 28


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Estudo 01
O Para se chegar à solução formal
e ao partido arquitetônico, diversos
estudos foram realizados.
O módulo individual, feito em aço
escovado, transmite a ideia de futurismo
desejado, contraposto ao jardim vertical,
demonstrando que a alta tecnologia pode
ser sustentável
Figura 39 - Estudo 01 - Unidade. Fonte: Autora
O estudo 01 foi visando o
agrupamento dos pequenos elementos, de
forma a ficarem espaços vazios entre eles,
para serem usados como espaço de
vivência.
A escolha a principio foi o
empilhamento dos módulos, pois seria
interessante não depender uma estrutura
adjacente, por conta dos mesmos serem
montados em qualquer lugar

Figura 40 - Estudo 01 - Composição. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 29


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Estudo 02
Para a compreensão do espaço
interno, era fundamental entender a área
necessária para a realização das
atividades e por sua vez as atividades
realmente imprescindíveis dentro de uma
moradia.
A priori, para começar a
dimensionar os espaços, buscou-se
Figura 41 - Estudo 02 - Banheiro com 1,2m². Fonte: Autora
acomodar o mobiliário já existente no
mercado, apenas tentando sobrepor as
áreas de uso.Com isso, chegou-se a um
banheiro de 1,2m² e um guarda-roupa,
ambos puderam ser colocados sob a área
de uma cama, que mede 1,2m X 2,0m.
Criando uma espécie de loft, mas isso
geraria um espaço ocioso no restante do
pé-direito, que deveria ser maior que o
convencional, com pelo menos, 3,50m.
.

Figura 42 - Estudo 02 – Espaço interno. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 30


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Estudo 03
Pensando que há um espaço aéreo
ocioso, era necessária uma articulação
para transformar-los em espaço de uso,
então, optou-se por um sistema de
rotação dentro de um cilindro, onde foi
possível criar três ambientes, de modo a
manter sempre o desejável em baixo para
uso.
O interessante de se pensar nesse
elemento é a forma de compor o desenho
dos móveis internos considerando a
estética e a ergonimia. Claro que pensar
em artifícios para os acessórios
utilizados nos ambientes será necessário,
como por exemplo, fita dupla face para
fixar o travesseiro ao colchão – exemplo
grosseiro, mas de fácil entendimento.

Figura 43 – Estudo 03 - Uso do espaço aéreo. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 31


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Estudo 04
Aplicar a rotação em toda a
Microcasa foi uma tarefa árdua, porém
possível, mas pouco interessante do
ponto de vista funcional, pois, ter a
cozinha ou o banheiro suspenso era um
pouco além do desejado.
Então se criou um apartamento de
Figura 44 - Estudo 04 – Atividades e rotação. Fonte: Autora dois elementos, um fixo e reto, e, um
móvel e circular, com resultado bastante
interessante do ponto de vista formal,
pois usa o empilhamento dos módulos
para criar nichos coletivos, contudo, por
suas especificidades, somente
possibilitaria sua implantação linear.
Como a implantação necessita ser
flexível à algumas topografias, esse
paredão de Microcasas não atenderia ao
objetivo.

Figura 45 - Estudo 04 – Composição do edifício linear. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 32


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Estudo 05
Pensando em um desenho que pudesse
possibilitar agrupamentos diferentes,
chegou-se ao desenho em Y. A estrutura
será utilizada no lugar do empilhamento,
pois é necessário, sim, que as Microcasa
possam adquirir uma propriedade
horizontal.

Figura 46 - Estudo 05 – Circulação entre MicroCasas. Fonte: Autora Outro ponto é que por depender de uma
estrutura para o abastecimento e
esgotamento a Microcasa modo criará
uma demanda e, por conseguinte, uma
rede de locais onde o serviço de
infraestrutura será disponibilizado, assim
permitindo a migração para outras
cidades.

Também se chegou a uma estrutura


desmontável para que a rede de
empreendimentos possa atender locais
com maior procura sem deixar edifícios
Figura 47 - Estudo 05 – Agrupamento das grandes células Fonte: Autora ociosos em outros sítios.

Habitações Tecnológias e Interinas 33


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Estudo 06
A composição da circulação em Y
permite criar sempre espaços livre, ou
pátios o que valoriza a implantação
quanto ao uso de paisagismo.

Ao se geometrizar o croqui do estudo 05


Figura 48 – Combinações da estrutura de circulação. Fonte: Autora em um estudo tridimensional, o andar
que, antes, estava inserido em uma
circunferência, agora, ganha retas e se
transpõe para dentro de um nonaedro,
onde três lados são utilizados para
circulação e os outros seis são utilizados
para conexão dos módulos.

Há uma distancia entre um andar e outro


de modo a garantir uma iluminação
natural no módulo e na circulação, e,
também, criar aberturas nas composições
de forma a permitir a circulação de ar e
romper com a rigidez do edifício.

Figura 49 - Estudo 06 – Composição das unidades. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 34


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Estudo 07
No contexto da implantação, o
estudo 06 estava interessante, mas como
resolver a MicroCasa em um desenho
trapezoidal seria o próximo estudo, visto
que é o desenho de encaixe com a
estrutura.
Em uma área de 14m² foi
possível resolver o programa proposto, e
Figura 50 - Estudo 07 - Unidade. Fonte: Autora
ainda, conseguir espaço livre. O banheiro
ficou atraente em uma área de 1,5m²,
onde foi possível criar nichos para
armazenar objetos.
Porém ao se utilizar a idéia do
uso aéreo do espaço, gerou-se um móvel
cilíndrico, onde se loca a cama, a mesa e
uma espreguiçadeira. Mas isso permitiu
que ainda existisse espaço aéreo vazio, e
ainda, perdeu a propriedade de se ter o
elemento cilíndrico como solução do
projeto, visto que, como está, pode muito
Figura 51 - Estudo 07 - Banheiro. Fonte: Autora bem ser substituído por outro móvel.

Habitações Tecnológias e Interinas 35


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Estudo 08
Então, tentou-se somar os dois
elementos mais fortes nos estudos
anteriores para o desenvolvimento pro
protótipo, a circulação em Y na estrutura
e rotação na unidade. Assim, a união de
ambos gerou um módulo retangular que
se compõe por células especializadas,
onde cada um exerce uma função dentro
Figura 52 - Estudo 08 - Rotação. Fonte: Autora
da MicroCasa.
O retângulo no lugar do trapézio
permite que existam áreas abertas, já que
o módulo não possui mais o mesmo
desenho que a estrutura, e estabelece
conexão apenas pelo acesso às áreas de
circulação. A ideia das células
especializadas é permitir que o usuário
componha, dentro de um limite de cinco
células, a sua MicroCasa, com o
fluxograma que melhor lhe adequar.
Dentro das células existe o mobiliário

Figura 53 - Estudo 08 – Circulação Y com módulo retangular. Fonte: Autora


padronizado, e, há a célula que rotaciona
com a cama, a mesa e a espreguiçadeiras.
Habitações Tecnológias e Interinas 36
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Figura 54 - Estudo 08 - Programa das células. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 37


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PROJETO E CONCLUSÃO

A implantação dos módulos no terreno se da, inicialmente, de forma radial, ou seja,


um eixo hexagonal de circulação – chamado nos estudos de circulação Y – , de onde os
módulos se locam perimetralmente. Nesse hexágono três de suas arestas são destinadas a
passarelas, sendo as outras três destinadas a fixação de módulos. Cada passarela permite
ao menos dois módulos em cada face lateral, dando assim um total de nove habitações por
eixo hexagonal. Essas passarelas, por sua vez, também têm a função de ligação entre Figura 55 - Croqui do módulos na topografia.
Fonte: Autora
eixos distintos, formando assim uma teia de passarelas e módulos. Essas passarelas e
eixos têm em sua composição o pré-lançamento das estruturais primarias de fixação como
vigas e pilares metálicos, essas por sua vez conectam os módulos atravessando-os.

Outro ponto interessante desse agrupamento está na disposição dos módulos nesse
formato de teia, pois cria entre seus blocos alguns nichos, onde se pretende que os
usuários da edificação venham a se relacionar e conviver. Sua composição em andares,
permitindo assim não somente a utilização dos módulos como do edifício e de sua base
topográfica por completo.

Uma das vantagens desse sistema hexagonal proposto é que, no caso de topografias
acidentadas, pode-se suprimir o uso de uma ou mais arestas, retirando-se módulos ou
passarelas para melhor se adequar os agravantes topográficos.
Figura 56- MicroCasa. Fonte: Autora

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N N

Figura 57 – Implantação dos conjunto. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 39


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Figura 58 – Vista da implantação – Corte do terreno. Fonte: Autora.

Habitações Tecnológias e Interinas 40


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Célula de banho
A célula higiênica contém os
mobiliários do banheiro, vaso sanitário,
ducha, pia e armário. A idéia poder
reutilizar a água do banho, no vaso, por
isso, o módulo se conectará a estrutura
para que possa ser esgotado e abastecido,
logo, o núcleo de tratamento de água de
localizará na estrutura e não no módulo,
nem na célula.
A iluminação artificial encontra-
se nas quinas da célula, já a natural,
Figura 59 – Célula de banho – vista. Fonte: Autora depende da localização da célula no
módulo, porém para garantir a
iluminação, existem janelas no final de
cada ramo do desenho na parede da
ducha.
Embaixo da cuba existe um
armário onde pode ser armazenados
objetos, e ao lado do vaso, há embutido a
Figura 60 – Célula de banho – topo. Fonte: Autora
localização do papel e lixo.

Habitações Tecnológias e Interinas 41


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Célula de roupas
Aproximou-se o guardaroupas da
área de lavagem, assim facilitando o
trabalho e o armazenemento dos trajes.
O guardaroupas pode se ajustado
tanto no número de prateleiras quanto no
de araras.
Não existe área de secagem, pois
isso demandaria uma metragem ociosa e
essessiva, quando somada às demais
unidades. Considerando que se trata de
uma casa tecnológica, é no mínimo
Figura 61 – Célula de roupas – vista. Fonte: Autora necessário pensar em uma máquina que
possa lavar e a secar a roupa. O reuso da
água também é aplicado ao esgotamento
da máquina de lavar.

Figura 62 – Célula de roupas – topo. Fonte: Autora

Habitações Tecnológias e Interinas 42


MicroCasas MC
Célula de alimentos
Nesta célula concentraram-se
todos os equipamentos ligados à cozinha,
pia, armários, minirrefrigerados, fogão e
microondas, etc.
Articular todo o espaço para o
preparo e armazenamento de alimentos
de modo confortável às execuções das
atividades. O balcão tem o desenho em L
para que possa facilitar o corte e
manuseio de alimentos. As prateleiras
são reajustáveis de acordo com o que de
Figura 63 – Célula de alimentos – vista. Fonte: Autora deseja armazenar.
A água da pia é esgotada por uma
caixa coletora de gordura, esta separa os
resíduos sólidos da água corrente e
permite que a água seja tratada com
maior facilidade, enquanto a gordura é
armazenada por um tempo até ser
recolhida e levada para um local
Figura 64 – Célula de alimentos – topo. Fonte: Autora
adequado de tratamento.

Habitações Tecnológias e Interinas 43


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Célula de repouso
A célula de repouso é a única que
não possui tubulações de abastecimento
ou esgotamento, por isso é possível
rotacionar os ambientes.
Quando é necessária a circulação,
a posição 1 permite que além da ligação
entre os módulos, o usuário posso se
sentar em um sofá.
Na posição 2, ele dispõe de uma
mesa que sai do chão e acomoda duas
pessoas. E na posição 3 é possível
repousar em uma cama de solteiro.
Figura 65 – Célula de repouso – vista. Fonte: Autora O mais interessante é quando a
MicroCasa dispõe de duas células de
repouso, pois é possível realizar diversas
combinações e acomodar dois
moradores.

Figura 66 – Célula de repouso – topo. Fonte: Autora.

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Figura 67 – Célula de repouso – combinações. Fonte: Autora

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Figura 68 – Perspectiva aérea da implantação. Fonte: Autora

Figura 69 – Perspectiva lateral. Fonte: Autora

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Figura 70 – Perspectiva térrea. Fonte: Autora

Portanto, tendo em vista os fatores apresentados, como os novos perfis de usuários, as


demandas do mercado e as soluções já apresentadas para o tema, pode-se perceber que a proposta
está fundamentada em parâmetros reais e com tecnologia para sua viabilização existente, assim, faz
se importante para uma próxima etapa, aprofundar em questões técnicas para a viabilidade de
funcionamento e construtiva do módulo.

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MicroCasas MC

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