A Pedra: A estrada que leva até lá anuncia que estamos a c a c h o de alguma paisagem extraordinária.

A vegetação se modifica e as árvores se fazem raras, su stitu!das por cactáceas e ar ustos que não sa er!amos nomear. " de repente a cidade, que aos olhos quase não notam, atra!dos so retudo pela enorme montanha de pedra que enche o cenário. #ma pedra gigante, alt!ssima, surpreendente, de onde veios de água rotam aqui e ali, formando um poço no sopé desse incr!vel loco monol!tico$ A gente se sente pequeno, imaginando que capricho da natureza ou da mão de %eus colocou ali, em pleno &ertão, aquele gigante impressionante. " entende por que razão aqueles que vinham de longe, aves migrat'rias em usca de um cenário onde plantar suas ra!zes, ali se fixaram. " não s' porque havia água, e não s' porque ali se podia criar gado, fazer crescer alguma plantação. (as certamente porque a grande pedra parecia oferecer proteção a quem dela se acercasse, dominando a paisagem como um grande an)o que a rigasse so suas asas os n*mades que chegavam +quelas paragens distantes de n,cleos ur anos. Assim, o via)ante que ho)e chega + cidade não se impressiona que tenha surgido naquele lugar do &ertão, ruas risonhas, casinhas risonhas que a rigam pessoas tranq-ilas, acolhedoras, que levam adiante o pro)eto de vida de seus ancestrais e da pr'pria cidade. #ma cidade que vale a visita, pronta a nos dar liç.es, a n's que chegamos de longe, ansiosos, preocupados. /iç.es de calma, lem rando que a felicidade pode ainda existir. Luzilá 0onçalves Ferreira Romancista e professora da UFPE Recife, fevereiro de 2004.

Pedra, uma hist ria 1ist'ria da cidade da Pedra se inicia precisamente a 2 de dezem ro de 3456, quando o então governador de Pernam uco, o restaurador que lutou pela expulsão dos holandeses, a 7estauração Pernam ucana, André 8idal de 9egreiros :do seu palácio em ;linda<, decide tornar sesmaria = que passaria a integrar a grande sesmaria Araro á, tendo como centro de decis.es pol!ticas a 8ila 7eal de >im res ? o &ertão do @panema, compreendendo terras dos atuais munic!pios de Au!que, da pr'pria Pedra e de Bguas Aelas. Perfazendo um total, inicialmente, de dez léguas de extensão, depois 2C léguas, atravessando territ'rio agrestino?sertane)o, foi concedida á fam!lia do mestre de campo 9icolau Aranha Pacheco, )untamente com seu filho Ant*nio Dernandes Aranha, seu genro >osme de Arito >ação e seu primo Am r'sio Aranha de Darias, todos tam ém her'is na luta contra a presença holandesa no "stado. Por sua vez, este urgo fora desco erto pelo sertanista aiano 0a riel de Arito >ação, comprovando, assim, a existEncia das "ntradas e Aandeiras em solo pernam ucano. Ao invés de ouro, pois prata )á havia sido desco erta,

porém, desco riu, ele e seus homens, oas pastagens e água perene, suficiente para o desenvolvimento de lavouras e criação de gado. 0a riel de Arito >ação diferenciou a Pedra dos demais s!tios devido +s suas elezas naturais. &egundo o escritor #lFsses /ins de Al uquerque Gum monte de pedra colossal, maciça, de forma c*nica, com H.I22 metros de circunferEncia, 4CC metros de altura, constituin? do uma eleza natural, tendo, ao pé, uma fonte a undante de água potável.G "sse requinte da natureza, tornar?se?á um aluarte para os vaqueiros que, iniciando o >iclo do >ouro, começaram a trazer oiadas e couro dos cortumes e dos currais do &ertão do &ão Drancisco par o 7ecife. >om oa e cristalina água perene, pastagens a undantes firma?se como excelente entreposto para o repouso tanto dos animais quanto dos tangerinos. 9esses mesmos campos férteis do Araro á, mais precisamente nos campos de temperatura amena, no Au!que, o mestre de campo 9icolau Aranha Pacheco instala a fazenda /agoa. %epois, no s!tio da Pedra, esta elece a fazenda Puxinanã, dando assim origem ao nome Pedra do Puxinanã. "m 6 de )aneiro de 3JC2, a herdeira da propriedade radicada em Au!que, >lara Aranha Pacheco, vende parte da sesmaria ao portuguEs Aento /eite de ;liveira, pai de (anuel /eite da &ilva, que fundará, em reve, o arruado da Pedra do Puxinanã, depois >onceição da Pedra e, por fim, Pedra. Kuanto ao capitão (anuel /eite da &ilva, radica?se nesse torrão na segunda década do século L8@@@, fugindo das perseguiç.es aos militantes e simpatizantes do movimento repu licano de 3J3C, a 0uerra dos (ascates, e logo se transforma em chefe pol!tico da região. 9ascido na @lha do Derro, no rio &ão Drancisco, so a )urisdição da vila de Penedo M:A/<, era filho do fidalgo portuguEs natural de 0uimarães Aento /eite de ;liveira e da no re pernam ucana Ascença da &ilva >avalcanti, essa descendente de no res empenhados na colonização do "stado. Portanto, o caráter des ravador do capitão (anuel /eite da &ilva, ouso afirmar, é herança de sua árvore geneal'gica materna. >asado com a prima (aria de Ara,)o >avalcanti de Al uquerque, teve uma prole de 33 filhos, todos nascidos na sua propriedade. Aos 22 de )ulho de 3J4C, o capitão (anuel /eite da &ilva doa parte dessas terras para o patrim*nio da capela que manda erigir em homenagem a 9ossa &enhora da >onceição. %a! a povoação passar a se chamar >onceição tia Pedra. >ontinuando a sua tra)et'ria, em 3J42 o capitão (anuel /eite da &ilva vem a ser um dos primeiros vereadores da 8ila 7eal de >im res, assumindo, mais tarde, a presidEncia do &enado da >Nmara, ocupando, depois, em 3JJC, o cargo de )uiz ordinário. 9uma carreira pol!tica ascendente, é nomeado capitão?mor e regente da região do Araro á. Kuase centenário, em 3J63, na povoação de >onceição da Pedra, vem a falecer. #m dos seus filhos, /uiz >avalcanti de Al uquerque, aproximadamente em 3J2I, tam ém é nomeado senador do Araro á. %epois, )uiz ordinário e capitão comandante. %epois, em >onceição da Pedra, radica?se /uiz >avalcanti de Al uquerque com a esposa, dona (aria Oereza da &oledade, na fazenda >ampo /impo, na qual nasceriam os seus nove filhos, entre

eles #rsula 0er*nima >avalcanti de Al uquerque :da! o tronco dos >avalcanti de Al uquerque ser um dos mais antigos da Pedra<, esposa de André Arcoverde, av's do lendário capitão Audá, pai do >ardeal Arcoverde :tronco que dominará a vizinha Arcoverde<, de quem falaremos mais adiante. @nstala?se, no &ertão, assim, o tronco dos >avalcanti de Al uquerque Arcoverde. &egundo o historiador 9élson Aar alhoM,, mesmo sofrendo o &ertão os efeitos da estiagem, denominada Dome !rande, Gauspicioso acontecimento social ocorre no Araro á, com festas de trEs dias de duração e grande fartura de comidas e e idas.G Orata?se do casamento de Prsula Qer*nima >avalcanti de Al uquerque, neta do capitão (anuel /eite da &ilva, com o primo André >a valcanti de Al uquerque Arcoverde ? natural de, @garaçu ? na capela de 9ossa &enhora da >onceição, no ano de 3JJJ. #m detalhe: é que a igre)inha é constru!da em linha reta com a igre)a de &ão Délix de >antalice, da vila do Au!que. &omente em 3I4H é que o templo tomaria foros de par'quia, instituindo?se, a 4 de maio do respectivo ano, a freguesia, que, por sua vez, somente terá o seu primeiro padre permanente em 3I4J. "m 3IJ5, o missionário capuchinho Drei "stEvão (aria da 1ungria remodelará o prédio. ; progresso ainda virá: a 3H de maio de 3II3 a /ei Provincial nR 3.5S2 concederá o predicamento de 8ilaT(unic!pio, apartando?se do munic!pio de Au!que essa primitiva fazenda de gado. Ainda so re a Pedra, nas minhas pesquisas )unto ao Arquivo P, lico "stadual Qordão "merenciano, desco ri que, no alvorecer do século L@L, um dos meus ancestrais, &alviano Aezerra /eite de (ello, adquire uma porção da fazenda >ampo /impo, onde se esta elece com seu gado, provindo do &ertão.da Para! a e, aqui, casado com uma Al uquerque, funda sua fam!lia, tendo como so renome ?o seu nome pr'prio. "is a formação das fam!lias , da Pedra. 9a mesma época, o coronel Drancisco 8az >avalcanti adquire a sua propriedade, )unto + fazenda Oara, atual distrito de &anto Ant*nio. ; mesmo acontece com uma mulher: (aria (adalena >avalcanti, minha tatarav', que terá mais propriedades que o seu marido, Ant*nio de Al uquerque UanderleF. ? &o re o la)edo da Pedra, podemos encontrar: G9esta povoação há uma pedra inteira de perto de meia légua de altura e outro tanto ou mais de largura, em forma oval, em ao lançante, que se anda por ela a péV do cume dela desce água astante por vários canais, que a natureza e a continuação das águas tEm a erto, com muitos tanques que servem de anhos, tudo tão perfeito que não parece naturalV há um ri eiro no pé da dita pedra que nunca seca. As águas são excelentes.GM >omo sinal de progresso para a época, ao contrário das demais vilas do Araro á, >onceição da Pedra tinha uma estrada carroçável de SC palmos de largura e necessitava de dois currais para conter as oiadas que, tamanhas, repousa?Mam no local. 9essa mesma estrada localizava?se a fazenda Dundão, onde nasceu e reinou Ant*nio Drancisco de Al uquerque >avalcanti Arcoverde, o letrado capitão Audá, isneto do capitão (anuel /eite da &ilva e pai do primeiro cardeal da América do &ul, Qoaquim Arcoverde, formado pela #niversidade 0regoriana de 7oma, onde se ordenara +s expensas do

pai. ; capitão Audá participa ativamente da vida social e pol!tica de >onceição da Pedra, tanto que se torna figura lendária no imaginário da cidade. >ontava?me uma lenda, tia >arminha QapFass,: no sepultamento do capitão Audá, quando o ata,de vinha da fazenda em direção + cidade, o funeral foi atingido por um vento forte e o corte)o, ao chegar ao cemitério, a riu o caixão e havia nele, ao invés do corpo, um toco queimado. Pergunto?me: não seria a fazenda Dundão, inicialmente, propriedade de >onceição da Pedra. Oia @racema UanderleF &im.es de Arito me contava que, na formação do munic!pio de Arcoverde, terras foram doadas pela Pedra, incluindo as da fazenda Dundão. Assim, não seria o cardeal Arcoverde pedrenseW (as isto é fruto para outra pesquisa$ (as será que tudo parou no tempoW 9ão$ Ainda houve luta pelo desenvolvimento. "m 362J, o pro)eto do Aarão e 8isconde de (auá para construção da estrada de ferro 7ecife?&ão Drancisco está pronto. Aastava p*?lX em prática. /!deres de todos os munic!pios que alme)avam o progresso se empenham na luta pela passagem da linha do trem, que traria comércio, novas idéias e pessoas enriquecedoras para o cotidiano das pacatas cidades. Assim foi em >onceição da Pedra = que ora luto por retomar o nome original =. Ant*nio QapFass,, YoF* Oen'rio, Qoaquim 0uimarães e Qosé >arlos &im.es acreditaram no sonho, que foi arrado, dizem, pela fam!lia %iniz e por outras de longa tradição.. Dato é que o sonho foi perdido e o desenvolvimento não veio, o que não quer dizer que a esperança num porvir mais comprometido como desenvolvimento não se)a viável. Pelo contrário, a linha do trem continua dentro de n's, aguardando idéias de raços a ertos e dispostos a transformá?los em situação. Kue venha o desenvolvimento da Pedra e que, pela eleza e historicidade, retorne o nome >onceição da Pedra. 7ecife, agosto de 2CCS "antas lem#ran$as #m dia. especial, com a aparEncia de um outro qualquer. ;s QapFassu arri aram em >onceição da Pedra = comiqo fizeram tantas fam!lias antigas =, para lá trazendo gado a undante, que carecia da água fresca daqueles riachos perenes, da cacim a de dona &inhazinha e do nascedouro do ;lho dMágua no sopé da pedra, além das pastagens sempre verdes. Ali estava o mundo e o mundo onde pretendiam começar uma vida nova. "ra o in!cio do século LL = 36C4 ? e a pol!tica @mperial de imigração interna ainda contaminava o pensamento do velho patriarca (ariano QapFass, :Papai 8elho<. Além disso, sua esposa, @sa el Drancine :(amãe Aelinha< sofria de anzo, necessitando por isso de outros ares. >onceição da Pedra era, então, )ovem e primorosa cidade. (as seus encantos naturais seduziriam DrancineW 9ada disso, nem a pedra = um sinal a quase 5CZm de distNncia para os vaqueiros que tangiam o gado do &ertão para o litoral, e vice?versa = nem a lua cheia nascendo por trás do serrote, no oitão da igre)inha ranca e pálida, comoveriam (amãe Aalinha. A morte era seu termo, um acorde no seu esp!rito, como a &infonia n,mero H do polonEs 1enrFZ 0'recZi: dor pura nMalma. 9ada deu resultado. &eu corpo foi um dos primeiros a ser sepultado no novo cemitério e a fam!lia decidiu

permanecer em >onceição da Pedra: Augusto na fazenda Pintadinha, Ant'nio na 8eneza, (ariano no Prateado, enquanto tia >ota :(aria Purcina< seguiu com Aa u :Aár ara<, ap's o casamento desta com Qoaquim &alvia no, para a propriedade denominada 7i eirinha. %e repente... e como tantas fotos no meu a,W As fotografias sempre estiveram ao lado desta fa ia, o tempo todo fizeram parte do cotidiano dos QápFass,, registrando, em diferentes momentos, suas facetas, tanto que um dos irmãos, ;ctaviano ;ctávio, tornou?se fot'grafo. " uma troca de fotografias vai se fazer entre as fazendas, todas com o retrato de (amãe Aelinha na parede da sala de estar. #m dia, em Arco?verde, pedi a tia Ailuca :@sa el QapFass, &alviano< que me desse o retrato de (amãe Aelinha. #m mundo novo se descortinou so re meus horizontes: aqueles traços relem ravam os Mmeus, o nariz, os olhos, a so rancelha. >omo alguém tão distante no tempo poderia me fornecer ainda um sopro de vidaW %a! fui uscar minhas ra!zes. "ncontrei o capitão Augusto QapFass,, entre outros. (as foi (ãe A u :Aár ara QapFass,< a primeira a se me mostrar. %epois foram os registros de terra depositados no Arquivo P, lico "stadual, onde encontrei a compra da propriedade >ampo /impo = da qual falei anteriormente ? por &alviano Aezerra /eite de (ello, meu tatarav*, o fundador dos &alviano do )ovem munic!pio, av* daqueles trEs irmãos Qosé, Qoão :%ão< e Pedro, apaixonados por trEs moças da fam!lia Qapiassu: >arminha, Ailuca :@sa el< e /!dia, quando os clãs se entrelaçaram, formando a dita aristocracia rural da região. %essa mesma sesmaria, resta ainda para mim e para o meu irmão, "dmir, uma propriedade com o mesmo nome, herança do meu pai, >arlos "duardo Qapiassu &im.es. (as as tantas lem ranças não param por a!. /em ro?me de que rincava com meu irmão de aixo dos pés de mulungu, da campina verde do >ampo /impo. >om ;lavinho :;lavo Aandeira Dilho<, meu primo, ia a pé para esta fazenda e passeávamos a cavalo. ; que interessa é que, por ;lavinho, desenvolvi umá afeição paternal, que guardo com gratidão. Oam ém encontrei os in,meros registros de terra, ainda lavrados so o termo de Au!que, de dona (aria (adalena >avalcanti, minha tatarav', em como do coronel Drancisco 8az >avalcanti, que veio a ser o pri? meiro prefeito de >onceição da Pedra. (as as lem ranças de uma pesquisa param por a!W 9ão$ /em ro?me do meu av* &antino fapFass, = eu deveria ter uns 3C anos = contando?me hist'rias e 1ist'rias da fam!lia, das fazendas, da ela e doce Aoa 8ista :que fora do capitão Augusto<, onde me anhei no açude gelado, de Oiago, meu primo, entretido >om uma flor e uma a elha, +s margens. %as noites com o mugir do gado no curral, cortando o silEncio da madrugada. [ como se, anos depois, reparando naquelas fotografias, (amãe Aelinha me con? cedesse a vida que não conseguira ela pr'pria mais tocar adiante. ; que me importa é que a existEncia não se negou + eleza, pelo menos para mim. 9este !nterim, outras pessoas se a)untariam +s minhas uscas, como, por exemplo, uma prima querida, >acilda 9eiva: ? &ão os carrinhos de 9ossa &enhora, puxados por carneirinhos, que deixam aquelas marcas no la)edo, contava?me. " acrescentava:

? 9ossa &enhora passeia so re a pedra onde deixou as marcas dos seus pezinhos. %e tudo isto eu fui atrás e comprovei. " assim a Pedra, a nossa saudosa >onceição da Pedra, cu)o la)edo antigamente se co ria de ruma até o alvorecer do dia, se descortinou so re mim. " os anhos no caldeirão de 9ossa &enhora, quando chovia trovoada... essa pedra quarava de gente, e tia >ota que a! su ia para lavar os ca elos... (undo + parte é esse que desco ri e aprendi a amar, sozinho, no meu silEncio inque rantável. Ao longo esse percurso, fui conhecendo cada personagem e Je?formandoG a vida deles. #m dia, uma amiga me dis? se: G7icardo trata estas fotografias como se fossem seus filhos$G " são mesmo, fruto de cada parto, cada desco erta, cada sedução ou armadilha, até passar dos QapFass, aos aristocratas >avalcanti de Al uquerque UanderleF, de cu)a isav', dona Oéca :Oeresa< guardo duas fotografias, uma das quais linda: retrata ela )ovem, com leque pendente, faceira, casada com um mascate filho de italiano, Qosé >arlos &im.es, mais aixinho do que ela, de quem se enamora e tem mais de 32 filhos. &ei que era prima das 9eiva, mulheres igualmente elas e rancas, formadoras das primeiras fam!lias de >onceição da Pedra, aristocratas e ricas. A fam!lia da minha isav' espalhava o dinheiro no largo da rua para ater como se ate fei)ão, para não mofar as cédulas. " de quão pouca riqueza minha isav' usufruiu em vida... uma aixela inglesa e vasos de opalina para o casamento. "nsinava ela pr'pria aos filhos as primeiras letras. Além dissoV criou, com a morte prematura da mãe, o? lores, a irmã mais nova. %essas geraç.es ainda resta um orat'rio negro, depositado )unto a minha prima >armem /,cia &im.es, que pertencera a dona (aria (adalena. &ão recordaç.es vivas, ainda presentes, como a nos apontarem a nossa origem e a marcar em nossas almas o sinal dos nossos antepassados. 9ada, nada nos falta, pois temos a certeza de onde viemos, quer quanto ao que nos pertence, quer nos traços que guardamos no f!sico. " estes retratos agora formadores de um livro comprovam este argumento. As fotos, parece que querem nos falar, ou os seus esp!ritos... Aquele velho roteiro do gado, do >iclo do >ouro, deu vida a uma cidade, cu)os mistérios penetrei e amei, como quem ama pela primeira vez. " &ocorro 8ale, e /indaura >avalcanti e >acilda 9eiva, todas a me revela?rem recordaç.es oas e muit!ssimo agradáveis so re o lugar. Por todas estas raz.es, surge esse ál um de fam!lia que agora fiz e que, por si s', conta uma fatia da 1ist'ria da atual Pedra. >omo disse o poeta conterrNneo Qosé Dirmo >avalcanti: G(orto, vou ficar circundando este s!tio Prateado :nas encostas do la)edo< com seu ca)á frondoso.G &epultado no t,mulo de (amãe Aalinha, quero meu esp!rito vagueando pela Pedra. ;ra na campina do >ampo /impo, ora no la)edo, seguindo as trilhas de 9ossa &enhora. " Gre?vivaG >onceição da Pedra. 7ecife, agosto de 2CCH.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful