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Dinheiro

seguro
Os nossos conselhos
para cuidar das suas
poupanças
ÍNDICE

O que fazer com o meu dinheiro? 4


Que produtos lhe interessam? 6
Como reclamar 16
As nossas poupanças estão seguras? 20
Glossário 23
DECO PROTESTE, Lda. • Av. Eng. Arantes e Oliveira, 13, 1.º B • 1900-221 LISBOA • Tel. 808 200 146 – 218 410 801 •
www.deco.proteste.pt

coordenação editorial Ilustrações projecto gráfico


João Mendes Lluís Cadafach Carlos Alcátara

impressão ISBN Depósito legal tiragem


Artes Gráficas GRUPO 978-989-8045-31-7 288405/09 15 000 exemplares
C/ Nicolás Morales, 40
28019 MADRID - ESPANHA

Esta publicação, no seu todo ou em parte, não pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma ou processo, electrónico,
mecânico ou fotográfico, incluindo fotocópia, xerocópia ou gravação, sem autorização prévia e escrita da editora.
O que fazer com
o meu dinheiro?
“Finalmente consegui juntar um pé-de-meia, mas não sei o que
fazer com ele.” Esta frase soa-lhe, certamente, familiar.

Nas próximas páginas, delineamos algumas regras básicas para o


ajudar a desenvolver as suas próprias estratégias de investimento.
Mesmo assim, encontrar as opções que mais lhe convêm dependerá de vários
factores: não é a mesma coisa poupar para a reforma ou a
pensar nas férias que terá de pagar daqui a uns meses.
As rentabilidades oferecidas pelos diferentes
produtos, o risco que se aceita assumir ou o horizonte
temporal da aplicação são alguns dos factores
a ter em conta neste complexo caminho.

 A SUA ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTO


O nosso primeiro conselho, e talvez o mais quados para este fim, como os depósitos
importante, é que mantenha uma reserva a prazo, os certificados de aforro ou os
de liquidez, isto é, que guarde algum fundos de investimento de tesouraria.
dinheiro que possa levantar a qualquer
momento, sem nenhuma penalização, para Retirada esta reserva de liquidez, o resto do
fazer face a eventuais imprevistos, como, dinheiro já pode ser destinado a outro tipo
DINHEIRO SEGURO

por exemplo, uma avaria no automóvel, de aplicações financeiras. Nesse momento,


umas obras inesperadas, uma situação de a questão a colocar é: qual é o seu hori-
desemprego, etc. Mas que importância zonte temporal de investimento? Clarifi-
deve “reservar”? Isso dependerá da sua cando um pouco mais: acha que vai neces-
situação pessoal. Uma quantia aproximada sitar do dinheiro nos próximos 5 anos? Quer
poderia ser o equivalente a 3 a 6 vezes o saber com certeza quanto renderá? Sabe
seu rendimento mensal habitual. O mais exactamente quando vai precisar dele? Se
importante é que esta “reserva de liquidez” não tiver necessidade de mexer no dinheiro
esteja disponível sempre que dela necessite, pelo menos nos 5 anos seguintes, poderá
com rapidez e sem que implique nenhum aceder a aplicações potencialmente mais
gasto adicional, e que, além disso, seja interessantes, em termos de rentabilidade.
o mais rentável possível. Quer isto dizer
que esse dinheiro também não deve estar Assim, a composição da sua carteira
“parado”. Há produtos financeiros ade- dependerá do seu horizonte de investimento
(quanto tempo vai manter o dinheiro apli- entre as várias alternativas de investi-
cado) e do risco que está disposto a assumir mento possíveis. Não se esqueça de que
(tem um perfil conservador ou audacioso?). é conveniente diversificar os investimentos:
não aplique todo o dinheiro apenas num
Analisadas todas estas questões, resta-lhe produto financeiro, por muito atractivo que
saber como distribuir as suas poupanças lhe pareça.

O NOSSO CONSELHO
No contexto actual de crise económico-financeira, aconselhamo-lo a ser muito selectivo
nos seus investimentos, sem perder de vista o elevado risco dos mercados que se vive
neste momento. Lembre-se de que uma prudente e sábia diversificação entre depósitos,
fundos, acções e até imobiliário é a melhor forma de tirar o maior proveito das suas
poupanças sem correr riscos desnecessários.

QUERO INVESTIR

TENHO UMA RESERVA PARA OS IMPREVISTOS? 

Mantenha-a em produtos Crie-a e mantenha-a com


de baixo risco e fáceis produtos de baixo risco e
SIM NÃO
de resgatar. Invista o de fácil resgate: depósitos a
resto do dinheiro de prazo, certificados de aforro
acordo com o horizonte o seu prazo de investimento é de… e fundos de tesouraria euro
temporal do investimento

DINHEIRO SEGURO
MENOS DE MAIS DE
5 ANOS 5 ANOS

Depósitos a prazo, Está disposto a correr


certificados de algum risco para obter um
aforro, fundos de rendimento superior?
tesouraria euro

SIM NÃO

Carteira de Seguros de
fundos de acções capitalização
e obrigações; com garantia de
investimento capital; Obrigações
directo em acções do Tesouro
Que produtos
lhe interessam?
INVESTIR A CURTO PRAZO
O dinheiro de que possa vir a precisar em qualquer momento
deve ser investido em depósitos a prazo, certificados de
aforro, Obrigações do Tesouro ou fundos de tesouraria (fundos
de investimento que investem em depósitos e obrigações
a curto prazo e não sofrem grandes flutuações). Com estes
produtos, poderá dispor do seu dinheiro rapidamente em
caso de necessidade, em muitos casos até no próprio
dia. Vejamos cada um destes produtos em detalhe.

■ Depósitos a pRazo
Interessam a quem? Inconvenientes
 Interessam a quem quer garantir ante- Algumas instituições oferecem elevada
cipadamente a rentabilidade do seu rentabilidade a muito curto prazo, desde
dinheiro e sabe exactamente quando irá que se cumpra, normalmente, uma série
precisar dele. Encontrará no mercado de condições, mas, no final desse perí-
uma grande variedade de prazos (1, 3, odo, na altura da renovação do depósito,
6 ou 12 meses, por exemplo), podendo a rentabilidade baixa.
escolher aquele que melhor se adapte às O depósito é associado a uma conta à
suas necessidades. ordem onde são pagos os juros e algu-
DINHEIRO SEGURO

mas instituições cobram uma comissão


Vantagens pela sua manutenção. Deve ter isso
O juro contratado mantém-se constante em conta, pois, em alguns casos, ao
e, por isso, a sua rentabilidade não se descontar os custos, a rentabilidade
alterará ao longo do prazo escolhido. do depósito pode diminuir significativa-
A necessidade de algumas instituições mente, sobretudo quando o montante
financeiras de captar novos clientes faz investido não é muito elevado e o prazo
com que se consiga encontrar ofertas é curto.
mais rentáveis.
Liquidez
Limitada: se o dinheiro for resgatado
antes do fim do prazo contratado, há,
normalmente, uma penalização que pode
implicar a perda dos juros acumulados,
embora se mantenha o capital investido.
■ certificados de aforro
Interessam a quem?
São uma boa aplicação para quem, máximo ao fim de 9 anos de aplicação e
acima de tudo, valoriza a segurança e apenas durante 1 ano.
não pretende correr riscos, pois têm a
garantia do Estado. No funcionamento, Inconvenientes
são semelhantes aos depósitos trimes- Nos primeiros três meses o dinheiro fica
trais, mas são subscritos nas estações indisponível.
dos Correios. Devido às várias alterações na fórmula de
cálculo do rendimento, esta aplicação foi
Vantagens
perdendo algum interesse face ao peso
Como se trata de um empréstimo ao que teve no passado. Actualmente, não
Estado, o risco é praticamente nulo. é difícil encontrar depósitos com taxas
Não têm custos e são fáceis de bem mais atractivas.
subscrever.
O juro é acumulado trimestralmente Liquidez
a cada renovação, à taxa em vigor, Sem liquidez nos primeiros três meses
que depende da Euribor a 3 meses. da aplicação. Após esse período, poderá
Além disso, oferece ainda um prémio resgatar o capital em qualquer altura.

de permanência que pode chegar aos Se o fizer antes da data de vencimento
2% líquidos a somar à taxa-base. No trimestral, perderá os juros referentes a
entanto, só beneficiará desse prémio esse período.

■ Fundos de investimento de tesouraria


DINHEIRO SEGURO
Interessam a quem? Inconvenientes
A quem quer investir sem data fixa, por Não sabe de antemão qual o rendimento
um período muito curto (não mais de 6 que obterá. Não há garantia de capital.
meses) e para quem não seja importante Neste tipo de fundos, é fundamental
saber de antemão a rentabilidade exacta escolher bem, pois, em muitos deles, a
que vai obter nem ter o capital garantido. rentabilidade pode ser bastante penali-
zada pelas comissões.
Vantagens
Pode resgatar o dinheiro a qualquer Liquidez
momento, sem penalização dos rendi- Boa liquidez. Poderá recuperar o seu
mentos entretanto obtidos. dinheiro em poucos dias.
INVESTIR A MÉDIO E LONGO PRAZO
Acha que não vai precisar do dinheiro pelo menos nos próximos cinco
anos e, além disso, já dispõe de uma reserva para imprevistos? Neste
caso, convém delinear uma estratégia de
investimento que inclua outros produtos mais
rentáveis a médio e longo prazo. Antes de
começar a constituir a sua carteira, deverá
ter em conta o risco que está disposto a
assumir e o prazo dos seus investimentos.
As respostas a estas perguntas ajudá-
-lo-ão a equilibrar as aplicações.

“Diversificar” é uma das palavras-chave do


bom investidor. Uma boa combinação de
vários tipos de produtos fará com que se
reduzam os riscos, dado que a sua carteira
estará menos exposta às flutuações do
mercado financeiro.


■ obrigações do tesouro (OT)
Interessam a quem? Inconvenientes
Interessam a todos os que queiram um A aquisição implica custos de transacção
rendimento periódico pré-determinado, em Bolsa. O mínimo recomendado para
geralmente anual, ao longo de vários investir é de 2500 euros e o seu funcio-
anos. namento é pouco intuitivo. É possível
(especialmente para prazos mais curtos)
DINHEIRO SEGURO

Vantagens encontrar no mercado produtos com


Como fazem parte da dívida pública (veja rendimentos superiores.
o Glossário), têm a garantia do Estado. O
capital e o rendimento estão garantidos, Liquidez
se o título for mantido até ao vencimento. O preço dos títulos e das obrigações
Os rendimentos (geralmente anuais) são flutua e varia em função da evolução das
provenientes dos cupões (de taxa fixa). taxas de juro. Quando estas sobem, o
Há uma grande variedade de prazos e preço baixa e vice-versa. Por isso, não é
algumas OT permitem aplicar o dinheiro recomendável vender os títulos antes do
por períodos bastante longos (actual- vencimento, pois pode perder parte do
mente até 29 anos). montante aplicado.
■ seguros de capitalização com capital garantido
Interessam a quem? para prazos superiores a 5 e 8 anos,
A todos os aforradores que pretendem respectivamente, em vez da habitual taxa
uma aplicação de médio ou longo prazo de imposto de 20%).
(superior a 5 anos), mas não estão dispos-
Inconvenientes
tos a aceitar riscos. Muitos destes produ-
tos, além do capital investido, garantem Geralmente, são cobradas comissões
também um rendimento mínimo que pode de subscrição e gestão elevadas e há
ser fixo ou depender de alguma variável. penalizações pelo resgate antecipado,
especialmente nos primeiros anos. Face
Vantagens a outras alternativas, apresentam um
Geralmente, o montante mínimo de subscri- baixo potencial de valorização.
ção é reduzido e permitem planos de entre-
gas programadas. Têm garantia de capital Liquidez
e, por vezes, com rendimento mínimo. Baixa, especialmente nos primeiros
Têm vantagem fiscal, pois pagam menos anos, pois são cobradas comissões pelo
imposto sobre os rendimentos (16 e 8% resgate total ou parcial.

■ fundos de obrigações 

Interessam a quem? euros). Ao escolher os fundos, o aforra-


Ao aforrador que pretende obter um ren- dor escolhe as moedas e o tipo de mer-
dimento superior aos depósitos a prazo cados de dívida (Estados, empresas) em
que pretende investir. Mas, na escolha
e pode aplicar o dinheiro por um período
das obrigações individuais, está sujeito
mais alargado, para minimizar o risco
às decisões da sociedade gestora.
de perda (mínimo de 3 anos, ou 5, para
fundos que apostem fora da zona euro). Inconvenientes DINHEIRO SEGURO
Estes fundos permitem lucrar com a valori- O risco é relativamente baixo, mas não
zação dos mercados obrigacionistas e, em há garantia contratual de recuperar o ca-
alguns casos, beneficiar da valorização de pital investido. É prudente estar disposto
moedas estrangeiras face ao euro (dólar, a aguardar entre 3 e 5 anos. A longo
libra, iene, etc.). Como, em Portugal, o mer- prazo, o rendimento tende a ser inferior
cado da dívida privada é praticamente ine- ao gerado pelos mercados accionistas.
xistente, são a única forma de incluir muitas
obrigações numa carteira de investimentos, Liquidez
sem necessidade de grandes montantes. Embora possa não ser aconselhável
devido às condições do mercado, os
Vantagens fundos podem ser resgatados em qual-
O montante mínimo necessário para a quer altura, ficando o dinheiro disponível
subscrição é reduzido (a partir de 500 poucos dias úteis depois.
■ fundos de acções
Interessam a quem? Os estudos mostram que, a longo prazo,
Adequados para todos os investido- o investimento diversificado em fundos de
res que estejam dispostos a assumir acções constitui uma das formas mais ren-
algum risco para lucrar com a subida táveis de aplicar as poupanças.
das Bolsas. É possível apostar, de
Inconvenientes
forma indirecta, em inúmeros mercados
accionistas, desde Portugal à Rússia, O rendimento é variável e o capital
passando pelos Estados Unidos e o não está garantido. É possível perder
Brasil. Também é possível escolher fun- bastante dinheiro em pouco tempo; mas,
dos dedicados a determinadas regiões, se o aplicar numa óptica de longo prazo
como a zona euro ou o Sudeste asiático e diversificar o investimento, o nível de
ou especializados em determinados risco é mais aceitável e há boas perspec-
sectores. tivas de rendimento.

Vantagens Liquidez
A subscrição pode ser feita a partir de Os fundos podem ser resgatados em
apenas 500 euros, ou seja, permite qualquer altura, ficando o dinheiro dispo-
diversificar a carteira mesmo com mon- nível poucos dias úteis depois. Contudo,
10 tantes reduzidos. O aforrador permanece se os mercados estiverem a atravessar
parcialmente soberano na constituição um mau momento, é bastante provável
da sua carteira: escolhe os países e/ou que perca dinheiro. Deve estar preparado
os sectores em que quer investir, mas, para manter os fundos vários anos.
na selecção dos títulos individuais, tem
de se submeter à decisão da sociedade
gestora do fundo.
DINHEIRO SEGURO

CARTEIRA DE FUNDOS
Para o longo prazo, o boletim financeiro da
Deco Proteste, a Proteste Poupança
(www.protestepoupanca.pt) sugere combinar o
investimento em fundos de acções e obrigações, isto
é, constituir uma carteira de fundos. Sendo que os
aforradores mais ousados ou que possam aplicar por
prazos mais longos devem atribuir um maior peso aos
fundos de acções. Para um nível ideal de diversificação,
é aconselhável aplicar, pelo menos, 10 mil euros.
■ FUNDOS MISTOS
Os fundos mistos podem ser divididos em três tipos:
– os agressivos, que investem principalmente em acções;
– os neutros, que apostam cerca de metade em acções e o restante em obrigações;
– os defensivos, que investem sobretudo em obrigações e depósitos.

Interessam a quem? parar os resultados obtidos com os regis-


Destinam-se a todos os aforradores que tados pelo mercado. Se assim não for, tem
pretendem beneficiar da valorização dos todo o interesse em mudar de fundo.
mercados financeiros, mas não dispõem Inconvenientes
de tempo ou dinheiro para constituir a
O risco varia consoante a política mais
sua própria carteira. Ao subscreverem um
ou menos agressiva de cada fundo. No
fundo misto, entregam as suas poupanças
entanto, nunca há garantia de rendi-
(reduzidas ou não) a especialistas para
mento nem de capital. Acresce ainda o
que estes façam toda a gestão no seu
facto da gestão ser feita totalmente pela
lugar. O único elemento a ter em conta é a
sociedade gestora.
escolha de um bom fundo misto.
Liquidez
Vantagens
Embora possa não ser aconselhável 11
Os fundos mistos, pela sua natureza,
devido às condições do mercado, os
asseguram uma diversificação completa
fundos podem ser resgatados a qualquer
da carteira (acções, obrigações, depó-
momento, ficando o dinheiro disponível
sitos, outros fundos). Deste modo, não
poucos dias úteis depois.
terá de se preocupar em adaptar a car-
teira à actualidade económico-financeira.
Basta verificar, de tempos a tempos, se o
fundo está a ser bem gerido, isto é, com-
DINHEIRO SEGURO

■ Fundos de Investimento Imobiliário (FII)


O investimento imobiliário (prédios, apartamentos, terrenos, lugares de
garagem, espaços comerciais, prédios rústicos) é um bom complemento à
sua carteira de investimentos. Quando falamos de imóveis como investimento,
não incluímos os destinados a habitação habitual. Contudo, o investimento
directo exige montantes muito elevados, encargos e riscos inerentes
ao próprio sector, que deverão ser bem avaliados (localização, procura,
qualidade da construção, etc.). Em alternativa, pode optar pelo investimento
indirecto, com pequenos montantes, através de fundos imobiliários.
■ Fundos de Investimento Imobiliário (FII)
Interessam a quem?
Aos investidores que procuram diversifi-
car a médio prazo e reduzir o risco dos Inconvenientes
seus investimentos, aproveitando os Custos muito elevados, nomeadamente
ganhos do sector imobiliário. pela subscrição e resgate nos primeiros
anos.
Vantagens
Diversificação do investimento, pois desta Liquidez
forma está a investir numa carteira de Média. Por norma, poucos dias após
imóveis e não apenas num. Além disso, resgatar o fundo, poderá ver o capital na
bastam pequenos montantes para subs- sua conta. Mas poderá haver casos mais
crever um destes fundos. demorados, nomeadamente em situações
O rendimento tem sido bastante estável excepcionais, pois transaccionar imóveis
e superior a muitas aplicações de baixo não é o mesmo que vender acções ou
risco, mesmo em períodos de crise, como obrigações como acontece nos fundos
tem acontecido nos últimos anos. mobiliários.

12 ■ acções
O rendimento das acções provém dos dividendos e da valorização dos títulos.
Investir em acções a longo prazo e de forma diversificada é, geralmente, mais
rentável do que os depósitos a prazo ou as obrigações. Mas, para uma maior
segurança, as acções devem constituir apenas uma parte do seu investimento total,
o qual deve incluir também outros produtos financeiros. Além disso, apenas devem
constituir uma opção para quem pode investir a longo prazo (mais de 5 anos).
DINHEIRO SEGURO

Interessam a quem? cindível no que toca ao investimento em


As acções são interessantes para quem acções é que seja paciente. Investir na
pretende investir a longo prazo. A maioria Bolsa à espera de fortes valorizações a
dos especialistas financeiros concorda curto prazo é um erro: pode perder gran-
que a Bolsa é, habitualmente, a alterna- des quantias, se não souber (ou não puder)
tiva mais rentável a longo prazo. Quanto esperar. Nunca compre ou venda influen-
mais longe estiver o momento em que ciado pelos momentos de euforia ou de
planeia resgatar o investimento, mais pânico que, por vezes, assolam a Bolsa.
rentável poderá ser: invista apenas o
dinheiro de que possa prescindir durante Vantagens
pelo menos 5 ou, melhor ainda, 10 anos. Poderá obter uma maior rentabilidade do
Além do prazo, outro conselho impres- que com outros produtos, mas terá de
■ acções (cont.)
diversificar. Reparta os seus investimen- independentes, como as do boletim
tos, aplicando em acções de empresas financeiro da Deco Proteste, a Poupança
que desenvolvam tipos de negócios dis- Acções.
tintos e em áreas geográficas diferentes. Deve ter em conta que, para adquirir as
acções, terá de recorrer a um intermedi-
Inconvenientes ário financeiro. Dependendo do seu perfil
Investir na Bolsa é muito arriscado de investidor (mais activo ou mais pas-
e pode ter maus resultados. Como refe- sivo), há intermediários mais interessan-
rimos, é importante diversificar os inves- tes do que outros. De um modo geral,
timentos de forma adequada e, para as corretoras são mais baratas do que
isso, é necessário aplicar uma quantia os bancos e transmitir ordens através do
considerável (mais de 20 mil euros). canal Internet é mais económico do que
Se não dispõe de tanto dinheiro, é prefe- ao balcão ou via telefone.
rível investir num bom fundo de acções.
Tenha em conta que desaconselhamos Liquidez
absolutamente o investimento da totali- As acções podem ser vendidas a qual-
dade do capital em acções. quer momento, mas há o risco de não
Os investimentos exigem um acom- ganhar nada e existe uma boa proba-
panhamento. Deverá estar atento e bilidade de nem sequer reaver o capital 13
manter-se informado sobre a evolução inicialmente investido. É preciso estar
das empresas e das cotações. Convém preparado para manter os títulos, se
conhecer as contas da empresa, a dis- necessário, pelo menos, durante 5 anos.
tribuição dos dividendos, a forma como
pode ser afectada pelas tendências do
mercado, etc., ou recorrer a análises

DINHEIRO SEGURO
■ Planos Poupança-Reforma (PPR)
As campanhas publicitárias dos Planos Poupança-Reforma (PPR) são
bastante agressivas, mas este produto financeiro não se destina a todos os
investidores. Há PPR sob a forma de fundos e sob a forma de seguros. Os
primeiros não garantem o capital e os segundos podem ou não ter o capital
garantido e um rendimento mínimo (fixo ou variável). Deverá escolher o produto
que mais se adequa ao seu perfil de risco e horizonte de investimento.

Interessam a quem? de 40 anos. Invista só até ao montante


A todos os que pretendem poupar exclu- que, em cada ano, permite a dedução
sivamente para a reforma e tenham mais fiscal máxima. Se tem entre 40 e 50 anos,
■ Planos Poupança-Reforma (cont.)
opte por um PPR sob a forma de fundo e Inconvenientes
com algum investimento em acções, pois Geralmente, apresentam comissões
o potencial de valorização é superior. Se muito superiores a produtos financeiros
tem mais de 50 anos, deve privilegiar semelhantes.
um seguro PPR com garantia de capital. Como se trata de um produto de longo
Por razões fiscais, deve deixar de fazer prazo e destinado exclusivamente
entregas 5 anos antes do resgate. Assim, à reforma, não pode contar com
se pretende resgatar aos 60, deixe de esta poupança para outras
fazer as deduções fiscais (caso continue necessidades.
a entregar capital) ou deixe mesmo de
fazer entregas aos 55 anos. Liquidez
Pouca. O resgate só é possível se tiver
Vantagens mais de 60 anos, entrar na reforma ou
Pode subscrever um PPR com pequenos em situações muito específicas definidas
montantes. na lei (desemprego de longa duração,
Permitem entregas programadas (men- doença grave ou incapacidade perma-
sais, trimestrais, semestrais, anuais). nente para o trabalho). Se desmobilizar
Pode deduzir ao IRS uma percentagem a aplicação fora dessas
14 limitada dos montantes investidos (actu- condições, terá que devolver
almente, essa dedução corresponde a os benefícios fiscais
20% das entregas até 300 a 400 euros, usufruídos, acrescidos
consoante a idade do subscritor. de 10% de juros por
Carga fiscal mais reduzida aquando do cada ano decorrido,
resgate (8% em vez dos 20% aplicados à o que é totalmente
maior parte dos produtos financeiros). desaconselhável.
DINHEIRO SEGURO

■ certificados de Reforma (CR)


Este produto surgiu em Março de 2008. Foram designados de «PPR do Estado»,
embora apresentem muitas diferenças face aos PPR, os planos privados de
poupança para a reforma.
Este produto consiste em entregas mensais fixas definidas numa proporção do
salário. Ou seja, os trabalhadores até aos 50 anos poderão descontar todos os
meses 2 ou 4% do seu salário médio dos 12 meses anteriores. Quem tiver mais de
50 anos, poderá optar por descontar 6% sobre a remuneração média anual.
■ certificados de Reforma (cont.)
Interessam a quem? Inconvenientes
A todos os que pretendem poupar exclu- Como se trata de um produto de longo
sivamente para a reforma, dando muita prazo e destinado exclusivamente à
importância à segurança proporcionada reforma, não pode contar com esta pou-
pelo Estado. pança para outras necessidades.
É mais vantajoso, do ponto de vista O benefício fiscal máximo é difícil de
fiscal, para quem tem salários mais atingir: para deduzir 350 euros, é neces-
elevados. sário um salário mensal de 3646 euros,
se descontar 4%, ou de 7292 euros, se
Vantagens descontar 2% (dados de 2008).
Não tem comissões. A carteira de investimentos é igual para
Pode deduzir ao IRS uma percenta- todos. Não há um ajuste ao perfil de
gem limitada dos montantes investidos cada aforrador.
(20% das entregas, até 350 euros). O capital não está garantido.
Esse benefício fiscal é cumulativo com
o dos PPR. Liquidez
O fundo que está associado a este pro- Nenhuma. O resgate só é possível na
duto tem apresentado bons rendimentos, reforma (aposentação por velhice ou por
superiores à maioria dos PPR. invalidez absoluta).
15

Antes de subscrever, o que deve saber?


Antes de finalizar qualquer investimento, assegure-se de que sabe exactamente que tipo

DINHEIRO SEGURO
de produto lhe estão a propor. Para saber realmente se a aplicação proposta se adapta
às suas necessidades financeiras, deve conhecer bem a sua natureza, os seus riscos e os
custos que implica.
Exija informação por escrito sobre a aplicação (prospecto, folheto informativo…) e não
decida sem ter obtido resposta a estas perguntas:
– qual a natureza e risco da aplicação?
– quais os custos na subscrição e no resgate da aplicação?
– a aplicação tem uma data de vencimento fixa?
– posso resgatar a aplicação em qualquer altura sem penalizações?
– tem custos de gestão?
– que rendimento posso obter e em que prazo?
– como são tributados os lucros e as perdas?
– tenho garantia de capital, isto é, irei reaver, no mínimo, o dinheiro que investi?
Como reclamar
Os seus direitos de investidor não foram respeitados? Sente-se prejudicado
pela actuação do seu banco, gestor de fundos, seguradora… e não sabe
quando, como e onde reclamar? Nós mostramos-lhe o caminho a seguir.

Primeiro, o intermediário
financeiro que existe um problema ou se, mesmo
reconhecendo-o, a solução proposta não
Antes de apresentar qualquer queixa formal, o satisfaz, pode apresentar uma queixa
é conveniente dirigir-se (ou telefonar) à insti- formal, para que conste o seu desacordo
tuição, intermediário, companhia de seguros e tentar fazer valer os seus direitos. Neste
ou outra para que o esclareçam sobre o caso, o passo seguinte é reclamar junto
procedimento que considera errado. Peça do departamento ou serviço de apoio ao
que lhe indiquem um prazo mais ou menos cliente. Esta reclamação será sempre feita
definido para a resolução do problema e por escrito e enviada por correio registado.
pergunte e tome nota dos nomes das pes- Convém que se identifique claramente,
soas que o atenderem. Aconselhamos que através da indicação do nome, morada e
vá guardando cópias de todos os documen- telefone de contacto, bem como o produto
16 tos e anotando todos os passos tomados. ou o balcão/estabelecimento com o qual
Será muito útil, caso tenha mesmo de teve o problema. Deve, além disso, enviar
reclamar. uma descrição do acontecido e as suas
pretensões, se o considerar oportuno,
Se não ficar satisfeito com a explicação e cópias de todos os documentos que
dada pela instituição, se esta não reconhece suportem o seu pedido. Não se esqueça
de guardar o comprovativo de entrega da
correspondência.
DINHEIRO SEGURO

Se desejar prosseguir com a reclamação,


poderá apresentá-la, também por escrito e
conforme indicado acima, ao Provedor do
Cliente da instituição, se esta o tiver. Apesar
das dúvidas que temos quanto à indepen-
dência desta figura, é um recurso que vale
a pena utilizar, porque, além de ser gratuito,
tem a vantagem de as decisões favoráveis
ao queixoso serem vinculativas para a
instituição. Assim, se o Provedor do Cliente
lhe der razão ou fixar uma indemnização
aceite por si, a instituição fica obrigada a
cumprir esta resolução e dá-se por solu-
cionado o problema. Pelo contrário, se não
lhe derem razão ou se, tendo sido dada,
não for ao encontro das suas expectativas,
poderá sempre prosseguir com a reclama-
ção, seguindo para a entidade supervisora
correspondente.

Depois, a entidade
supervisora
Pode reclamar à entidade supervisora A instituição deve remeter ao Banco de
através de um dos canais à disposição, mas Portugal, no prazo de 10 dias úteis, o
é imprescindível a sua identificação (nome e original da folha de reclamação, entregar
apelido, número de BI, morada e telefone) e um duplicado ao reclamante e conservar
da instituição em causa (nome ou denomi- o triplicado, que faz parte do Livro de
nação social e morada – se for caso disso Reclamações;
– do balcão em questão). Exponha, de
forma clara e concisa, o assunto que motiva – também pode optar por apresentar a sua
17
a reclamação e as razões que a sustentam. reclamação directamente ao Banco de Por-
Quase de certeza terá de enviar fotocópias tugal. Para tal, deve preencher o formulário
de toda a documentação relativa à queixa de reclamação on-line, disponível no portal
(incluindo o comprovativo da entrega da http://clientebancario.bportugal.pt, seguindo
mesma ao serviço de apoio ao cliente ou as indicações que dele constam. Em alter-
indeferimento correspondente). nativa, pode fazer o download do formulário
de reclamação e enviá-lo pelo correio para
• Para depósitos à ordem ou a prazo deverá a morada: DINHEIRO SEGURO
contactar o Banco de Portugal.
A reclamação ao Banco de Portugal pode Banco de Portugal
ser feita de forma indirecta ou directa: Apartado 2240
– pode apresentar uma queixa ao balcão do 1106-001 LISBOA
seu banco ou da instituição em causa, solici-
tando, para o efeito, o Livro de Reclamações. As reclamações remetidas ao Banco de
Deve preencher, de forma clara, legível e Portugal (por formulário ou carta) também
completa, os campos relativos à identificação devem conter a identificação e a morada
e morada da instituição da qual pretende da instituição reclamada, a identificação
reclamar, à sua identificação e morada e aos e morada do reclamante e os factos que
factos que motivam a reclamação. motivam a reclamação.
– por telefone, para o número 217 913 564,
ou Linha Verde 800 201 920, entre as 9h00
e as 16h00;
– por carta, para a Av. da República,
59/59 A, 1050-189 Lisboa;
– por fax, para o número 217 935 480;
– na Internet, em www.isp.pt, ou por e-mail,
através do endereço consumidor@isp.pt.

Por último, os tribunais

• Se a reclamação for sobre valores mobi- Se, depois de esgotar todas as possibilida-
liários (fundos de investimento, acções, des de reclamação descritas nas páginas
obrigações, warrants) contacte o Gabinete anteriores, considerar que não foi devida-
do Investidor e Mediação (GIM) da Comis- mente ressarcido do prejuízo sofrido, ou se
são do Mercado de Valores Mobiliários. não lhe tiverem dado razão ou se, inclusiva-
Pode fazê-lo de várias formas: mente, a instituição não acatar a decisão,
– presencialmente, em Lisboa, na Av. Liber- pode sempre recorrer aos tribunais. Mas
dade, n.º 252, entre as 9h30 e as 17h00. trata-se de um procedimento lento, compli-
No Porto, na Rua Dr. Alfredo Magalhães, cado e dispendioso. Por isso, os tribunais
18 n.º 8, 5.º, entre as 9h30 e as 17h00; são sempre o último recurso, pelo que o
– telefonicamente, através da Linha Verde aconselhamos vivamente a esgotar primeiro
(800 205 339), entre as 9h30 e as 17h00 todas as vias extrajudiciais.
(chamada gratuita); Em princípio, só valerá a pena recorrer a
– Por carta, para a Av. Liberdade, n.º 252, este meio se a importância a reclamar for
1056-801 Lisboa, ou Rua Dr. Alfredo substancial ou se estiver isento do paga-
Magalhães, n.º 8, 5.º, 4000-061 Porto; mento das custas judiciais, devido aos
– Por fax, para os números 213 537 077 ou baixos rendimentos.
DINHEIRO SEGURO

222 084 301;


– Na Internet, em www.cmvm.pt, ou por e-
-mail, através do endereço cmvm@cmvm.pt.

• Por fim, para seguros e fundos de pen-


sões, deve recorrer ao departamento de
atendimento do Instituto de Seguros de
Portugal:
– presencialmente, em Lisboa, na Av. da
República, 59/59 A, entre as 9h00 e as
16h00;
As nossas poupanças
estão seguras?
A segurança dos investimentos tem que recebe os depósitos ir à falência ou
estado na ordem do dia. Os pequenos enfrentar dificuldades que não lhe permitam
aforradores, e os consumidores em devolver o dinheiro deixado à sua guarda
geral, querem saber que garantias pelos clientes. Para fazer face a essa even-
existem se as entidades onde estão tualidade, foi criado o Fundo de Garantia
depositadas as poupanças falirem. de Depósitos (FGD), cuja tarefa é garantir
A norma recém-aprovada veio o pagamento dos depósitos à ordem e a
alterar os montantes cobertos. O prazo nessas situações.
governo português fixou a quantia O FGD garante o reembolso do dinheiro
garantida em 100 mil euros por titular depositado, no prazo máximo de um mês
e entidade. Perante este panorama, a contar da data em que os depósitos se
o que pode o consumidor esperar do tornarem indisponíveis, até ao montante de
Fundo de Garantia de Depósitos? Os 100 mil euros (até final de 2011). Trata-se,
especialistas da PROTESTE POUPANÇA portanto, de uma garantia parcial, pois
20 respondem às suas dúvidas. quando os depósitos excedem esse valor, o
saldo remanescente não é abrangido. Este
valor-limite é estabelecido por instituição e
por investidor e não por conta de depósito.
Vejamos um exemplo: o Pedro tem, conjun-

1   Se o banco for à falência, o que


acontece aos meus depósitos?
tamente com a sua mulher, um depósito a
prazo de 200 mil euros. Em caso de incum-
primento do banco, o montante máximo da
DINHEIRO SEGURO

Embora seja uma hipótese remota, existe indemnização será de 200 mil euros (100
sempre a possibilidade de a instituição mil euros para o Pedro e 100 mil euros para
a sua mulher), porque a conta tem dois
titulares. Por outro lado, caso o Pedro pos-
suísse outra conta nessa instituição, já não
teria direito a mais nenhuma indemnização,
porque iria exceder o limite de 100 mil euros
por instituição. Porém, se tivesse contas
noutros bancos em que sucedesse o
mesmo, poderia ter uma indemnização de
até 100 mil euros em cada uma delas.
2   Eu e a minha mulher somos
titulares de vários depósitos num banco,
perfazendo 50 mil euros. Que quantia
está coberta pelo Fundo de Garantia?
No caso de vários titulares, a importância
máxima garantida é calculada por titular e
entidade. Ou seja, neste caso, teriam garan-
tidos 25 mil euros por titular (até um máximo
de 200 mil euros, pois a garantia é multi-
plicada em cada instituição por número de
co-titulares, incluindo os menores de idade, máximo de 25 mil euros. O valor-limite é
que aí tenham as suas contas e depósitos). estabelecido por investidor e não por conta.
Por exemplo, numa conta com dois titula-

3   Tenho acções numa corretora.  


E se esta falir?
res, o reembolso máximo seria de 50 mil
euros. O montante das indemnizações é
calculado com base no valor dos instrumen-
Na hipótese de falência de uma corretora, tos financeiros à data do accionamento do
seria accionado o Sistema de Indemnização SII. Assim, o fundo não compensa as des-
aos Investidores (SII). Este sistema destina- valorizações dos instrumentos financeiros.
21
-se a cobrir os principais instrumentos finan-
ceiros e não os depósitos “comuns”.
Se a sua corretora ou banco enfrentarem
dificuldades financeiras ou forem à falência,
4   Os certificados de aforro  
são seguros?
por exemplo, por fraude, e, de repente, O risco associado aos certificados de aforro
“desaparecerem” as acções ou as unida- é praticamente nulo. As características do
des de participação que tinha em carteira, produto garantem, pelo menos, o reem-
nem tudo está perdido! O SII protege bolso da totalidade do capital investido. DINHEIRO SEGURO
parcialmente os investidores face a tais Além disso, trata-se de um empréstimo ao
acontecimentos. Estado português, pelo que é altamente
A protecção oferecida pelo SII cobre improvável que este declare falência e não
acções, obrigações, títulos de participação consiga devolver os montantes que os parti-
e unidades de participação em fundos de culares aplicaram em certificados de aforro.
investimento, entre outros. Garante tam-
bém o dinheiro entregue ao intermediário
financeiro destinado expressamente a ser
investido em instrumentos financeiros. É o
5   Tenho fundos de investimento e
um PPR no meu banco habitual, que é
caso, por exemplo, de uma conta numa o depositário. O que aconteceria se o
corretora. banco fosse à falência?
O SII não garante a devolução da totali- Os fundos de investimento e os PPR não
dade do investimento, sendo o reembolso estão cobertos pelo Fundo de Garantia de
Depósitos, mas, se a instituição depositá- exemplo, se tiver uma hipoteca pendente de
ria dos seus fundos falir, em princípio os 150 mil euros e dinheiro em depósitos em
seus investimentos não correrão perigo. nome de um só titular, no valor de 120 mil
Se ocorrer uma falência fraudulenta, em euros, o Fundo de Garantia cobre 100 mil e
que o depositário não tenha registado os o saldo do empréstimo que deve ao banco
valores ou o dinheiro em nome do fundo, continua a ser de 150 mil euros.
o participante poderá recorrer ao SII. No
entanto, é muito pouco provável que isso
aconteça, pois, legalmente, gestora e depo-
sitário devem ser duas entidades distintas e
8   Contratei através de um banco um
seguro de capitalização. O que acontece
com responsabilidade subsidiária (a gestora se o banco falir? E se for a seguradora a
responde à depositária e ao mesmo tempo ter problemas?
vigia a sua actuação). Se for o banco a falir, o seu dinheiro não
será afectado, pois é com a companhia

6   Tenho no meu banco acções de uma


empresa cotada na Euronext Lisboa.
seguradora que o contrato de seguro é
celebrado. Mas se o problema for com a
seguradora, a aplicação não estará coberta
O que acontece se o banco falir? E se por nenhum fundo de garantia. Em caso de
falir a empresa de que sou accionista? falência, o Instituto de Seguros de Portugal
No caso das acções, a instituição é apenas dará seguimento ao processo de liquidação
22 depositária, os títulos são seus e não do e a recuperação de todo ou parte do seu
banco, pelo que uma falência não afectaria, dinheiro dependerá do resultado dessa
em princípio, a situação dos mesmos. Se liquidação e dos bens da companhia.
o banco que os guarda falisse e não lhe
devolvesse as acções, seria o SII a fazê-lo,
até ao máximo de 25 mil euros.
Contudo, se for a empresa da qual é accio-
nista a falir, o mais provável é perder todo o
DINHEIRO SEGURO

dinheiro aplicado. Esse é um risco inevitável


para quem investe em acções.

7   Tenho uma hipoteca no mesmo


banco onde tenho as contas e
depósitos. Isso afecta a quantia coberta
pelo Fundo de Garantia de Depósitos?
Não, as quantias garantidas pelo fundo são
independentes dos créditos que a entidade
tenha a seu favor resultantes de emprés-
timos ou de qualquer outro tipo de finan-
ciamento por ela concedido. Assim, por
Glossário
Acção bancos comerciais emprestam dinheiro entre si.
Título emitido pelas chamadas sociedades anónimas, Esta taxa é válida para toda a zona euro. O seu va-
por norma médias e grandes empresas. Provam que lor é determinado por um painel de 57 bancos que
o titular é co-proprietário da sociedade que as emite, actuam na zona euro e depende do nível das taxas
ou seja, que possui uma parte do capital. O seu directoras fixadas pelo Banco Central Europeu.
valor pode flutuar em função da saúde financeira da Existem taxas Euribor com diferentes durações, de
empresa e da situação geral da economia. uma semana a 12 meses.
Banco Central Europeu
Índice bolsista
Instituição independente que determina a política
Valor que traduz a tendência geral de um deter-
monetária da zona euro (taxas de juro directoras e
minado grupo de acções (por países, regiões,
quantidade de dinheiro em circulação).
sectores…). Possui um ponto de partida, por
Bolsa exemplo, 100. A progressão do índice traduz-se
Local onde estão cotadas e se negoceiam as pela evolução do valor em relação ao ponto de
acções, bem como outros títulos, como as obri- partida. Um índice que tenha tomado como ponto
gações, os warrants, as opções… Os particulares de partida o valor 100 e alcança 200 no final de um
não podem aceder directamente à Bolsa e devem, determinado período significa que as acções que
para comprar e vender, recorrer a um intermediário o compõem duplicaram, em média, o seu valor ao
longo desse tempo.
financeiro (banco ou corretora). 23
Carteira Obrigação
Termo utilizado frequentemente no jargão financei- Título representativo de um empréstimo de dinheiro
ro para designar o conjunto do património investido feito a uma sociedade ou ao Estado. O detentor da
em valores mobiliários (acções, obrigações, fun- obrigação recebe normalmente um juro anual e
dos…). o emitente compromete-se a pagar esse juro e a
devolver o capital que pediu emprestado no final
Dívida pública do prazo.
Denominação utilizada para identificar a dívida
DINHEIRO SEGURO
emitida pelos Estados. Em Portugal, os Certifica- Oferta Pública de Aquisição (OPA)
dos de Aforro e as Obrigações do Tesouro são os
Operação na qual alguém (um grande accionista ou
tipos de dívida pública acessível aos pequenos
uma empresa concorrente, por exemplo) oferece
investidores.
um determinado preço pelas acções de uma
empresa, com o objectivo de a controlar.
Dividendo
É a remuneração concedida aos accionistas. Con-
siste na parte do lucro obtido pela empresa que a PSI-20
Assembleia-Geral decidiu distribuir pelos accionis- Índice que reflecte a evolução de 20 grandes
tas. Antes dos impostos, fala-se de dividendo bruto; acções da Bolsa portuguesa.
depois, de dividendo líquido.
Volume de negócios
Euribor Valor total dos bens e serviços vendidos por uma
A Euribor (Euro Interbank Offered Rate) é uma taxa empresa, em determinado período. Também desig-
interbancária, ou seja, uma taxa de juro à qual os nado por facturação ou turnover.
O mundo da poupança e dos investimentos
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