Você está na página 1de 4

Gradação dos Adjetivos

Dois são os graus do adjetivo: o comparativo e o superlativo.

A gradação pode ser expressa em português por processos sintáticos ou morfológicos.

Comparativo

O comparativo pode indicar: O comparativo pode indicar:

a) que um ser possui determinada qualidade em grau superior, igual ou inferior a outro:

Paulo é mais estudioso do que Álvaro. Álvaro é tão estudioso como [ou quanto] Pedro. Álvaro é menos estudioso do que Paulo.

b)

que num mesmo ser determinada qualidade é superior, igual ou inferior a outra que também possui:

Paulo é mais inteligente que estudioso. Pedro é tão inteligente quanto estudioso. Álvaro é menos inteligente do que estudioso.

Daí a existência de um comparativo de superioridade, de um comparativo de igualdade e de um comparativo de

inferioridade.

Superlativo

O superlativo pode denotar:

a) que um ser apresenta em elevado grau determinada qualidade (superlativo absoluto):

elevado grau determinada qualidade ( superlativo absoluto ): Paulo é inteligentíssimo . Pedro é muito inteligente

Paulo é inteligentíssimo. Pedro é muito inteligente.

b) que, em comparação à totalidade dos seres que apresentam a mesma qualidade, um sobressai por possuí-la em grau maior

ou menor que os demais (superlativo relativo):

Carlos é o aluno mais estudioso do Colégio. João é o aluno menos estudioso do Colégio.

No primeiro exemplo, o superlativo relativo é de superioridade; no segundo, de inferioridade.

Formação do grau comparativo

1. Forma-se o comparativo de superioridade antepondo-se o advérbio mais e pospondo-se a conjunção que ou do que ao

adjetivo:

Pedro é mais idoso do que Carlos. João é mais nervoso que desatento.

2. Forma-se o comparativo de igualdade antepondo-se o advérbio tão e pospondo-se a conjunção como ou quanto ao

adjetivo:

Carlos é tão jovem como Álvaro. José é tão nervoso quanto desatento.

3. Forma-se o comparativo de inferioridade antepondo-se o advérbio menos e pospondo-se a conjunção que ou do que ao

adjetivo:

Paulo é menos idoso que Álvaro. João é menos nervoso do que desatento.

Os exemplos mostram que, assim como se compara uma qualidade entre dois seres, pode-se comparar duas qualidades num

mesmo ser.

Formação do grau superlativo

Vimos que há duas espécies de superlativo: o absoluto e o relativo.

O superlativo absoluto pode ser:

a) sintético, se expresso por uma só palavra (adjetivo+ sufixo):

amicíssimo

facílimo

salubérrimo

b) analítico, se formado com a ajuda de outra palavra, geralmente um advérbio indicador de excesso —

muito, imensamente, extraordinariamente, excessivamente, grandemente, etc.:

muito estudioso

imensamente triste

grandemente prejudicial

excessivamente fácil

extraordinariamente salubre

excepcionalmente cheio

Superlativo absoluto sintético

1. Forma-se pelo acréscimo ao adjetivo do sufixo -íssimo:

fértil

fertilíssimo

vulgar

vulgaríssimo

Se o adjetivo terminar em vogal, esta desaparece ao aglutinar-se o sufixo:

belo

belíssimo

triste

tristíssimo

2. Muitas vezes o adjetivo, ao receber o sufixo -íssimo, reassume a primitiva forma latina. Assim:

a) os adjetivos terminados em -vel formam o superlativo em -bilíssimo:

amável

amabilíssimo

volúvel

volubilíssimo

b) os terminados em -z fazem o superlativo em -císsimo:

capaz

capacíssimo

atroz

atrocíssimo

c) os terminados em vogal nasal (representada com -m gráfico) formam o superlativo em -níssimo:

bom

boníssimo

comum

comuníssimo

d) os terminados no ditongo -ão fazem o superlativo em -aníssimo:

vão

vaníssimo

pagão

paganíssimo

3. Não raro a forma portuguesa do adjetivo difere sensivelmente da latina, da qual se deriva o superlativo. Assim:

normal

superlativo

normal

superlativo

amargo

amaríssimo

magnífico

magneficentíssimo

amigo

amicíssimo

maléfico

maleficentíssimo

antigo

antiguíssimo

malévolo

malevolentíssimo

benéfico

beneficentíssimo

miúdo

minutíssimo

benévolo

benevolentíssimo

nobre

nobilíssimo

cristão

cristianíssimo

pessoal

personalíssimo

cruel

crudelíssimo

pródigo

prodigalíssimo

doce

dulcíssimo

sábio

sapientíssimo

fiel

fidelícissimo

sagrado

sacratíssimo

frio

frigidíssimo

simples

simplicíssimo ou simplíssimo

geral

generalíssimo

soberbo

superbíssimo

inimigo

inimicíssimo

Observação:

Em lugar das formas superlativas seriíssimo, necessariíssimo e outras semelhantes, a língua atual

prefere seríssimo, necessaríssimo, com um só i. 4. Também os superlativos em -imo e -rimo representam simples formações latinas. Com exclusão defacílimo, dificílimo e paupérrimo (superlativos de fácil, difícil e pobre), que pertencem à linguagem coloquial, são todos de uso literário e um tanto precioso. Anotem-se os seguintes:

normal

superlativo

normal

superlativo

acre

acérrimo

negro

nigérrimo (ou negríssimo)

célebre

celebérrimo

pobre

paupérrimo (ou pobríssimo)

humilde

humílimo (ou humildíssimo)

provável

probabilíssimo

íntegro

integérrimo

sábio

sapientíssimo

livre

libérrimo

salubre

salubérrimo

magro

macérrimo (ou magríssimo)

Superlativo relativo

O

superlativo relativo é sempre analítico.

O

de superioridade forma-se antepondo-se o mais e pospondo-se de ou dentre ao adjetivo:

Este aluno é o mais estudioso de todos.

O

mais alegre dentre os colegas era Ricardo.

O

de inferioridade forma-se antepondo-se o menos e pospondo-se de ou dentre ao adjetivo:

Este aluno é o menos estudioso de todos.

O menos alegre dentre os colegas era Joaquim.

Outras formas de superlativo

Pode-se formar também o superlativo com:

hipersensível, superexaltado, ultrarrápido.

a) o acréscimo de um prefixo, como arqui-, extra-, hiper-, super-, ultra-, etc.: arquimilionário, extrafino,

b) a repetição do próprio adjetivo:

Teus olhos são negros, negros,Como as noites sem luar

(C. Alves)

c)

uma comparação breve:

Isso é claro como água [= Isso é claríssimo]. (C. Soromenho)

d)

certas expressões fixas, como podre de rico [= riquíssimo], de mão-cheia [= excelente], e outras semelhantes.

Zorilda era uma pianista de mão-cheia. (H. Sales)

Comparativos e superlativos anômalos

Quatro adjetivos — bom, mau, grande e pequeno — formam o comparativo e o superlativo de modo especial:

adjetivo

comparativo de superioridade

superlativo

 

absoluto

relativo

bom

melhor

ótimo

o melhor

mau

pior

péssimo

o pior

grande

maior

máximo

o maior

adjetivo

comparativo de superioridade

superlativo

 

absoluto

relativo

pequeno

menor

mínimo

o menor

Observações:

1ª) Quando se compara a qualidade de dois seres, não se deve dizer mais bom, mais mau, mais grandenem mais pequeno; e sim: melhor, pior, maior e menor. Possível é, no entanto, usar as formas analíticas desses adjetivos quando se confrontam duas qualidades do mesmo ser:

Ele foi mais mau do que desgraçado. Ele é bom e inteligente; mais bom do que inteligente.

. Ele é bom e inteligente; mais bom do que inteligente . 2ª) A par de
. Ele é bom e inteligente; mais bom do que inteligente . 2ª) A par de

2ª) A par de ótimo, péssimo, máximo e mínimo, existem os superlativos absolutos regulares: boníssimo emuito bom, malíssimo e muito mau, grandíssimo e muito grande, pequeníssimo e muito pequeno.

e muito grande , pequeníssimo e muito pequeno . 3ª) Grande e pequeno possuem dois superlativos:

3ª) Grande e pequeno possuem dois superlativos: o maior ou o máximo e o menor ou o mínimo.

4ª) Alguns comparativos e superlativos não têm forma normal usada:

comparativo

superlativo

superior

supremo ou sumo

inferior

ínfimo

anterior

-

posterior

póstumo

ulterior

último

As formas superior e inferior, supremo (ou sumo) e ínfimo podem ser empregadas como comparativo e superlativo

de alto e baixo, respectivamente.

Adjetivos que não se flexionam em grau

Muitos adjetivos não apresentam a ideia de grau porque o próprio significado não o permite. Entre

outros: anual, mensal, semanal, diário, hodierno, casado, solteiro, eterno, unânime, perpétuo, áureo.

Para que um adjetivo tenha comparativo e superlativo, é necessário, por conseguinte, que o seu sentido admita variação de

intensidade.