DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS DO SALVADOR

ARQUIDIOCESE EM MISSÃO 200 8 /2 01 0

Pastoral 2008\2010

Pela condução dos trabalhos de elaboração participativa destas novas diretrizes pastorais, agradecemos aos membros da COORDENAÇÃO EXECUTIVA DE PASTORAL: Dom Josafá Menezes da Silva – Coordenador Dom João Carlos Petrini Dom Gregório Paixão, OSB Pe. Guido Zendron Pe. Manoel de Oliveira Filho Cônego José Carlos Santos Silva Diácono Raimundo Moreno de Almeida Sra. Regina Fraga Pe. Antônio Ademilton da Santa Bárbara – Secretário executivo Pe. Lázaro Silva Muniz – Secretário executivo Pe. Carlos André da Cruz Leandro - Assessor

Capa: Quadro de Nina Ivana

MENSAGEM PASTORAL SOBRE AS MISSÕES “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 19-20) As Diretrizes para a Ação Evangelizadora da nossa Arquidiocese, lançadas em novembro de 2003, para serem aplicadas nos anos 2004-2007, foram motivadas pelo anseio missionário – “Queremos ver Jesus, Caminho Verdade e Vida” e, por isso, apontaram para uma mobilização geral da nossa Igreja, em vista da sua irrenunciável vocação missionária. O texto das Diretrizes, que enfrenta os novos desafios para a ação evangelizadora, está articulado em três eixos: Fontes da Missão (a Palavra de Deus, a Liturgia, a Caridade), Terra da Missão (nossa realidade – urbana/rural –, sua cultura plural e sua religiosidade), Caminhos da Missão (pistas e projetos para a ação missionária). O ponto de chegada das nossas Diretrizes foi, então, o ano missionário celebrado em 2007. A partir da abertura e do envio dos missionários, no dia 03 de dezembro de 2006, muitas iniciativas e atividades marcaram o percurso da vocação missionária da nossa Igreja neste ano. A Realização no Brasil da V Conferência do CELAM enriqueceu ainda mais a nossa programação missionária. A alegria e a graça de ser cristão, sublinhadas no Documento de Aparecida, vêm sendo vivenciadas por uma multidão de irmãos que redescobriram a beleza de ser e de fazer discípulos de Jesus Cristo, Nosso Salvador. Permanecer com Jesus é um convite que Ele mesmo nos dirige para nos revelar o que Ele espera de nós e o que só Ele pode nos oferecer. A GRAÇA DE SER IGREJA Ao escrever esta mensagem aos meus Padres, Diáconos, Seminaristas, Religiosas e Religiosos, Consagrados e Consagradas, Catequistas, Coordenadores e Membros de Conselhos Paroquiais e Movimentos e a todos os homens e mulheres de boa vontade, do 3

território da Arquidiocese de São Salvador da Bahia, o faço com grande alegria. Nesses oito anos de pastoreio na Arquidiocese, pude constatar que esta Igreja se realiza em uma cultura riquíssima, em valores religiosos e solidariedade, sinal de que a Palavra do Senhor encontrou terreno fértil e pessoas capazes de trabalhá-lo. As causas da Beata Lindalva Justo de Oliveira e da Serva de Deus Dulce Pontes são exemplos reconhecidos. Quando faço as visitas pastorais, presido as celebrações das festas dos padroeiros e do Crisma; quando recebo em audiências os fiéis que me procuram ou participo de reuniões do Clero, dos Conselhos, tenho consciência da riqueza imensa, construída nestes 456 anos de ação evangelizadora. A nossa Arquidiocese em todas as suas regiões e ambientes pastorais, porém, sofreu as transformações repentinas da industrialização e urbanização dos nossos tempos. Nos diversos âmbitos sentimos a ruptura entre evangelho e cultura, percebida pela Evangelii Nutiandi. A Ecclesia in America e a Conferência de Santo Domingo reconheceram o grande desafio da cultura urbana e a urgência de empenho missionário, com novos métodos e um discipulado ardoroso e criativo. Depois de ter presidido a Conferência de Aparecida e recebendo o seu documento final, estou convencido que também para esta querida porção do povo de Deus é importante “recomeçar a partir de Cristo, reconhecendo que não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou por uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com 1 isso, uma orientação decisiva”. Os últimos anos de nossa caminhada pastoral já testemunharam grande impulso missionário com a publicação das “Diretrizes da Ação Evangelizadora 2004-2007”. O novo Projeto Discípulos-missionários do Salvador, 2008/2010, inspirado na Conferência de Aparecida e nas orientações do Papa Bento XVI, quer abrir nova estação missionária capaz de envolver todas as forças eclesiais.

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DA 12.

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Por isso, desejo que minha mensagem seja reflexo da revelação do amor de Deus pela humanidade, em Jesus Cristo, e chegue ao coração de cada fiel da Arquidiocese, aos lares e aos hospitais, às cadeias e escolas, aos veículos de comunicação e paróquias, aos centros de convergência das massas e às distantes realidades solitárias. Espero ser ouvido por crianças e jovens, adultos e idosos, homens e mulheres. Em vista disso recomendo: FIQUEMOS COM O MESTRE. Nossa realidade tão rica, com tanta possibilidade de realizações, é marcada, por tristezas que fazem doer o coração. Historicamente nosso povo sofre espoliação, exclusão que mina a auto-estima, violência que desfaz o sorriso e faz brotar a lágrima. Desejamos, sempre, algo fazer para mudar esta situação. E o desejo é profundo. Contudo, meus irmãos e minhas irmãs, o fazer em si desprovido de atitude mais evangélica, pode levar à desilusão sem medida, conseqüência de expectativa não realizada. Nosso tempo pode ser caracterizado como o tempo da frustração. A modernidade iluminista-racionalista ofereceu, pelo viés das ciências e das ideologias, tantas soluções para todos os problemas, gerando tanta esperança. Mas todas elas, embora oportunas, no campo da política, da economia, da medicina e suas derivações, não foram suficientes para trazer à pessoa humana a felicidade desejada. A grande expectativa não sendo realizada, gera frustração equivalente. Aprendemos, assim, que a vida cristã não pode, a reboque da vida cidadã, ser seqüência infindável de afazeres e de utilização de métodos e técnicas, embora sejam todos eles importantes. Somos homens e mulheres do ser. E, deste ser, nasce o nosso fazer e o nosso estar. No fundo, a felicidade que o homem e a mulher contemporâneos buscam nada mais é do que nostalgia de Deus, saudade do infinito, desejo de religação com a transcendência. A essa aspiração, só podemos satisfazer, oferecendo não a nossa técnica, mas a nossa experiência com Deus, o nosso estar com Ele. É preciso desejarmos ardentemente fazer experiência com Jesus Cristo. É preciso ir e ver o que faz Jesus (cf Jo 1,39); é preciso ficar com ele no Tabor e achar “muito bom”, a ponto de não desejar sair, viver 5

aquele momento com Ele (cf. Lc 9, 33); é preciso perder tempo aos pés do Cristo, escolhendo a melhor parte (cf. Lc 10, 38ss). Nosso discipulado deve ser experiência concreta do amor de Cristo, mergulhado na sua misericórdia. Um estar com Ele. Amados Padres, Diáconos, Seminaristas, Religiosos e Religiosas, Consagrados e Consagradas, Pais e Mães de família, crianças, jovens e idosos! O Povo de Deus em nossa Arquidiocese espera de cada um de nós o brilho no olhar, o nosso sorriso, a felicidade estampada em nosso rosto por causa da nossa pertença a Jesus Cristo, na Igreja Católica. É preciso que, retomemos o “primeiro amor” (cf. Ap. 2, 4-5). Só deste amor 1º nascerá a ação que, utilizando-se dos recursos técnicos e metodológicos, fará surgir nova primavera em nossa Arquidiocese. O CRISTO ESPERA POR NÓS E ESPERA DE NÓS. ELE ESPERA POR NÓS: Na oração pessoal, especialmente, na leitura orante da Bíblia, tempo-espaço de encontro íntimo com o Cristo. Ele quer saber das nossas alegrias e tristezas, das nossas possibilidades e frustrações, na ternura do encontro. Na celebração dos Sacramentos, especialmente na Confissão e na Eucaristia. Aqui dirijo uma palavra especial aos queridos sacerdotes: sejamos todos portadores da Misericórdia de Deus, tesouro em nossos “vasos de barro”, através do sacramento da reconciliação. É preciso tempo disponível para o acolhimento aos fiéis que buscam a confissão. Que a Eucaristia dominical, e quanto possível também durante a semana, seja imprescindível para os fiéis, não como obrigação legalista, mas como necessidade do encontro com o Amor do Pai, em Cristo Jesus. Na vida comunitária, Deus, que pode tudo, poderia ter querido ser um deus individualista. Mas quis e quer ser Deus comunhão perfeita na Comunidade Trinitária. Por isso Jesus, para que participássemos da sua Obra, desejou formar comunidade com os discípulos e, depois, desejou que esta comunidade se perpetuasse na história como Igreja.

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Nossa fé cristã-católica é, portanto, fé pessoal e vivida em comunidade. Nela, seja na Paróquia, no Movimento, no Grupo, na Pastoral, nas CEB’s, fazemos a experiência do encontro com o Cristo e lá Ele nos espera. ELE ESPERA DE NÓS: Na família. Precisamos renovar as nossas famílias para que continuem sendo o que nunca poderiam deixar de ser: escola de comunhão, Igreja doméstica. Temos uma grande responsabilidade de presença cristã no seio da família, anunciando a todos os seus membros o amor de Deus. Assim, pais, assumam a educação na fé dos seus filhos, educai-os com pedagogia inspiradora no Senhor; filhos, escutem e obedeçam a seus pais, pois isso é de justiça (Fl. 6,1-4) e sejam evangelizadores dos amigos e amigas. Na escola e na universidade. O Cristo espera dos cristãos e das cristãs postura altaneira no seio da comunidade educativa. Não seremos proselitistas, mas não abdicaremos de testemunhar nossa fé, através da alegria da pertença e da palavra pronta a dar as razões da esperança (cf. 1 Pd 3, 15). Nas realidades de dor e tristeza. O Cristo espera de nós uma ação transformadora no meio do mundo, especialmente, entre os que mais sofrem. Tantas vezes em sua vida pública Ele foi ao seu encontro, levando-lhes o conforto da sua presença. Agora esta atribuição é nossa. Não vamos a eles levando a nós mesmos e a nossas ideologias. Já sabemos a força de frustração que semelhante atitude carrega. Dirijamo-nos ao encontro dos pobres com a força de Jesus Cristo. Ele nunca falha: “Sem Ele nada podemos fazer (cf Jo. 15,15). Creio, firmemente, que nossa ação social é evangelizadora. Que assim ela seja. Com a ação e a palavra, digamos ao mundo que, crermos em Deus, amamos o irmão. No mundo do trabalho. Estamos vivendo a “semana da criação”. O trabalho não é apenas meio de sustentação ou peso carregado por falta de opção. Ele é colaboração na obra da ação evangelizadora. Vivamos o tempo de trabalho na alegria de quem serve a Deus, no serviço dos irmãos. Com certeza, a partir de postura nova diante do trabalho, muitos colegas virão ao nosso encontro perguntar por que agimos assim. E saberemos dizer que a razão de nossa 7

felicidade e compromisso ao trabalhar é a consciência que temos de que estamos colaborando com Deus. Este tempo deve ser também tempo do testemunho explícito da fé. Não nos omitamos nunca de falar de Deus aos nossos irmãos. O que Cristo espera de nós, enfim, no diálogo com o diferente. Vivida no amor, as diferenças humanas formam belo mosaico, fruto de adesão a Jesus Cristo. E nós cristãos, devemos ser os primeiros promotores da comunhão na diferença. O diálogo com as culturas e com as outras manifestações religiosas, através do convívio com nossos vizinhos e parentes, que não comungam da nossa fé, será um eloqüente testemunho dado no meio do mundo. Amados irmãos e irmãs, fiquemos com o Mestre. Permaneçamos com Ele e, a partir deste estar, sejamos e façamos acontecer em nossa Arquidiocese um tempo novo no amor e na comunhão, como convém a Discípulos e Missionários de Jesus. Ao amado Senhor do Bonfim e à Sua e nossa Mãe, a Imaculada Conceição da Praia, confio o nosso Projeto Pastoral e cada um dos meus arquidiocesanos. Dado e passado em nossa Cúria Metropolitana Bom Pastor no dia da Santa Padroeira das Missões, Santa Terezinha do Menino Jesus, em 1º de Outubro de 2007.

Dom Geraldo Majella Agnelo Cardeal Arcebispo de São Salvador da Bahia Primaz do Brasil

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INTRODUÇÃO “Levemos nossos navios mar adentro, com o poderoso sopro do Espírito Santo, sem medo das tormentas, seguros de que a Providência de Deus nos proporcionarágrandes surpresas”.
(Documento de Aparecida, 551)

O Projeto Ser e Fazer Discípulos de Jesus: Diretrizes para a Ação Evangelizadora 2004-2007 culminou com a realização do Ano Missionário – Discípulos e Missionários do Salvador. A pergunta que muitos faziam nas reuniões e nas conversas, desde o início de 2007, era como prosseguir crescendo depois destas duas fecundas iniciativas pastorais da Arquidiocese de São Salvador da Bahia. No dia 09 de junho de 2007, se reuniu o Conselho Arquidiocesano de Pastoral e sob o impulso da Conferência de Aparecida veio à tona a preocupação pela continuidade do processo de evangelização na Igreja Primaz do Brasil. Foi então que Dom Geraldo Majella e Dom João Carlos Petrini, protagonistas da V Conferência, confirmaram a intuição que tivemos lendo a “Mensagem aos Povos da América Latina e do Caribe” e o “Resumo do Documento Final”: o impulso missionário é essencial para o futuro da Igreja Católica em nosso continente. Lendo os resultados até então conhecidos da Conferência de Aparecida, fizemos uma primeira proposta de projeto pastoral: “Discípulos e Missionários do Salvador. A Arquidiocese participando da missão continental”.2 Aprofundando esta reflexão, reunimos mais de 1.200 pessoas no Colégio Antônio Vieira em julho para a Jornada Teologia. Na parte da manhã Dom Walmor apresentou o tema: “Salvador, uma Igreja em estado permanente de missão”. Na parte da tarde reuniram-se em círculos os diversos sujeitos pastorais: “padres e diáconos”, “movimentos e associações”, “coordenadores dos conselhos e das
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Situação semelhante vivia os pastores da Igreja no Brasil, de modo que durante a 45ª. Assembléia Geral da CNBB, em Itaci, ficou decidido que se aguardaria o Documento de Aparecida para atualizar as Diretrizes da Ação Evangelizadora ainda vigentes.

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pastorais” e “estudantes de teologia”. Eles refletiram como dar à ação pastoral uma conotação mais nitidamente missionária e evangelizadora. Ao final da Jornada Teológica estava mais claro o caminho a seguir: a exigência pastoral é colocar a Igreja de Salvador em estado permanente de missão, escolhendo três campos missionários, três prioridades para serem vividas intensamente nos próximos anos. Ao longo dos encontros que se seguiram à Jornada Teológica, foram se consolidando as prioridades para o triênio 2008/2010: “Evangelização da Cidade, Evangelização da Juventude e da Família”. A partir de então, sempre que a pauta das reuniões gerais e regionais do clero, dos vigários episcopais, dos forâneos e do Conselho Arquidiocesano de Pastoral permitiam o embrião do projeto era apresentado, discutido e encaminhado. No dia 08 de agosto colocamos no site da Arquidiocese, à disposição das instâncias pastorais (paróquias, foranias, movimentos, associações, pastorais, irmandades, etc), o esboço das diretrizes pastorais para o triênio 2008-2010, pedindo as bases eclesiais que participassem do processo, mandando sugestões, sobretudo, “pistas de ação” para as “prioridades”. Recebemos muitas contribuições, inclusive da parte da CAMEC e das Pastorais, de modo que cada vez mais o texto adquiria sua consistência. Finalmente, no dia 24 de outubro no CTL de Itapuã, por ocasião do encontro do clero com o Professor Pe. Mário de França Miranda sobre a Conferência de Aparecida, foi lido o projeto e formuladas diversas observações, correções e sugestões. As indicações de método vindas do clero foram decisivas para o texto que temos nas mãos: seguir de perto as motivações pastorais do Documento de Final de Aparecida e encontrar os instrumentos para atualizá-las para a realidade concreta da Arquidiocese. As Diretrizes da Ação Evangelizadora e o Manual do Ano Missionário foram preciosos para trazer as “Pistas de Ação” de Aparecida para o chão de Salvador e sugerir as “Ações Estruturantes” necessárias para a sua concretização. Discípulos Missionários do Salvador: Arquidiocese em Missão é o nome do projeto pastoral arquidiocesano para o triênio 2008-2010. A “Mensagem Pastoral sobre as Missões” do nosso Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo define a pastoral como anúncio permanente do evangelho de Jesus Cristo. A motivação teológica aparece sintetizada na 10

parte primeira, intitulada “Missão de Cristo, Missão da Igreja”; o segundo estágio da nossa reflexão recorda que para realização do mandato missionário de Cristo, os “Sujeitos da Mssão” da Igreja são todos os batizados, cada um com uma tarefa específica; passando à dimensão do agir, a terceira parte apresenta as “Prioridades” assumidas para o triênio pastoral e a quarta, as “Ações Estruturantes”, a concretização das pistas de ação nos diversos âmbitos. Por último, a conclusão reafirma o compromisso missionário enquanto a oração final pede ao Senhor que permaneça na sua Igreja para que ela possa ser testemunha dele no mundo. A retomada do projeto das missões especiais se insere ao final como memória de um compromisso já presente nas diretrizes 2004-2007 mas que ainda permanece válido. A bibliografia por sua vez pretende ser indicativa de possíveis aprofundamentos na perspectiva da desejada formação permanente.

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I. MISSÃO DE CRISTO, MISSÃO DA IGREJA

“Como o Pai me enviou, eu também vos envio...” (Jo 20,19)

1. A missão que cada batizado recebe ao ser acolhido na Igreja como filho de Deus e discípulo de Cristo é grande e sublime. Nos moldes dos desafios enfrentados pelos primeiros discípulos para testemunhar a ressurreição de Jesus, hoje, os cristãos têm diante de si a urgente demanda por uma mais ousada atitude evangelizadora. Não bastam os procedimentos de rotina de uma pastoral de conservação, é preciso renovar o anúncio explícito dos mistérios da fé.3 Neste caminho a nossa Arquidiocese de São Salvador da Bahia tem pautado os seus passos desde 2004, quando lançou o seu plano pastoral “Ser e Fazer discípulos” e renovou o seu empenho evangelizador, em 2007, com a realização do “Ano Missionário”. Agora, somos também interpelados pela Igreja latino-americana a nos engajarmos numa missão de dimensões continentais. O que isto significa para a nossa Igreja arquidiocesana será conhecido somente na medida em que cada um assuma pessoalmente o chamado que o Senhor faz a todos. 2. A partir da V Conferência Episcopal Latino-Americana reunida em Aparecida, a Arquidiocese recolheu a inspiração para a renovação das diretrizes da sua ação evangelizadora que aqui são apresentadas. O caráter de continuidade do Documento de Aparecida com as motivações pastorais que já vinham sendo desenvolvidas na nossa Arquidiocese confirmam o caminho feito e nos estimula a assumir como nossas as aspirações da Igreja latino-americana. Aprendemos mais uma vez que uma Igreja de discípulos missionários é o único
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Cf. DA 370

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modo possível de ser Igreja. Não existe uma definição que satisfaça melhor a condição de todo batizado, senão a de ser e fazer discípulos para o Senhor. Neste sentido, a missão de Cristo, que é o enviado do Pai, se prolonga nos seus seguidores, assim como o seu destino de cruz e felicidade eterna. Porém, resta ainda a interrogação: Como realizar a tarefa de anunciar a Boa Nova diante dos múltiplos contrastes e desafios do nosso tempo? 3. Sabemos que não existe uma resposta imediata para todos os problemas, o reino de Deus não é panacéia. Jesus mesmo não faz falsas promessas, ele não engana dizendo que o seu caminho e o do discípulo será fácil, antes, recomenda que cada um tome a sua cruz se quiser segui-lo. O realismo, portanto, da cruz deve nos prevenir da pretensão de anunciar Cristo sem o devido compromisso com o seu evangelho. Somos, na verdade, chamados a promover o encontro com Cristo vivo, que redime e reconstrói o que o pecado havia destruído. Este encontro se dá mediante a ação do Espírito Santo na Igreja, o qual a sustenta e permite que a fé permaneça nela viva e eficaz. Por isso afirmamos, com o papa Bento XVI, que “na Igreja Católica temos tudo o que é bom, tudo o que é motivo de segurança e de consolo! Quem aceita a Cristo: Caminho, Verdade e Vida, em sua totalidade, tem garantida a paz e a 4 felicidade, nesta e na outra vida!” 4. A partir desta experiência alegre da presença de Deus na sua Igreja, podemos estar atentos às condições reais da vida dos irmãos aos quais somos enviados a levar o anúncio de salvação. Segundo as peculiaridades da vida da maioria das pessoas em nossa Arquidiocese, uma reflexão ativa sobre a cidade deve merecer a dedicação de nossas energias pastorais. O meio urbano recebeu um tratamento particularizado no Documento de Aparecida e se configura não
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BENTO XVI, Discurso no final do santo Rosário no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, 12 de maio de 2007, citado em DA 246.

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somente como um espaço geográfico, mas principalmente como uma mentalidade que avança também para o mundo “rural”. Como desdobramento inevitável da evangelização citadina, a atenção à família e à juventude recebem destaque especial. Em todos estes destaques, no entanto, o olhar do discípulo de Cristo se fixará sobre o clamor silencioso dos pobres e abandonados, buscando neles o rosto do mestre (Mt 25,31-45). Na cidade, nas famílias e nos jovens existe um Cristo 5 pobre, aflito e enfermo esperando por seus discípulos! 5. Estas duas dimensões animam a espiritualidade fundamental da nossa ação evangelizadora: de um lado o encontro pessoal e comunitário com Cristo nos leva a uma experiência viva da fé e ao compromisso de construir uma sociedade mais justa em função do Reino do Pai, reino de comunhão e amor; por outro lado, movidos pela caridade de Cristo, nos identificamos com os pobres, para que, renunciando a qualquer vantagem pessoal que a evangelização possa proporcionar, nos assemelhemos a Cristo que se fez pobre, de tudo despojando-se para a nossa salvação (Cf. Fl 2,3-8). Deste modo, a Igreja que é “comunhão no amor”, sustentada pela graça divina, conduz os discípulos e discípulas de Cristo ao coração do mistério trinitário. Este percurso mistagógico é a Boa Nova que dá sentido à missão da Igreja. 6. No entanto, refletindo sobre este caminho, devemos reconhecer que “a missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milênio, após a sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão ainda está no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço. (...) De fato, a missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É 6 dando a fé que ela se fortalece! ” .
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Cf. DA 257. RMi 1-2. Cf. DA 379.

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7. O impulso Missionário pertence à natureza íntima da vida 7 cristã. A centralidade de nossa ação está na Pessoa de Jesus, pois “não nos move a esperança ingênua de que possa haver uma fórmula mágica para os grandes desafios do nosso tempo; não será uma fórmula a salvar-nos, mas uma 8 pessoa, e a certeza que ela nos infunde: Eu estarei convosco” . É por meio dele que conhecemos algo do mistério de Deus e, ainda, por meio dele conhecemos o mistério do ser humano. A evangelização é, pois, muito preciosa para o futuro da civilização do terceiro milênio, porque o “Evangelho é verdade sobre Deus, verdade sobre o homem e sobre o 9 seu misterioso destino e verdade sobre o mundo” . 8. A Arquidiocese de São Salvador da Bahia, seguindo as intuições do Concílio Vaticano II e da fonte sempre atualizada e rica do Magistério dos últimos pontífices, tem pautado o seu caminho pastoral todo orientado para a evangelização, para manter viva e firme a fé do seu povo. Nos últimos anos, o empenho de evangelização teve grande impulso, especialmente, a partir da última Assembléia Arquidiocesana e 10 a publicação das Diretrizes da Ação Evangelizadora 2004-2007 . A partir deste horizonte foram planejadas diversas iniciativas que culminaram com o Ano Missionário 2007, inaugurando um novo estilo de viver a fé e uma maior sensibilidade missionária de todos os sujeitos e setores pastorais. 9. Concluimos, em 2007, o Projeto Ser e Fazer discípulos de Jesus, muito trabalhado pelas comunidades nos anos de 2003-2004 e durante a Assembléia Arquidiocesana de Pastoral em 2003. O ano missionário de

Cf. DA 145: “Quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro”. 8 NMI 29. 9 EN 74. 10 DAE (2004-2007).

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2007, foi o último daquele projeto e a transição para um novo tempo. Como a Conferência de Aparecida convocou uma missão continental, uma nova estação missionária inaugura-se em toda América Latina e no Caribe. Nós da Arquidiocese queremos participar desta grande missão, por isso formulamos um novo plano pastoral para continuarmos no caminho de Cristo. 10. Em sua visita ao Brasil para a inauguração da Conferência de Aparecida, o Papa Bento XVI confirmou o caminho delineado: “É necessário, então, encaminhar a atividade apostólica como uma verdadeira missão dentro do rebanho que constitui a Igreja Católica no Brasil, promovendo uma evangelização metódica e capilar em vista de uma adesão pessoal e comunitária a Cristo... não poupar esforços na busca dos católicos afastados e daqueles que pouco ou nada conhecem 12 sobre Jesus Cristo” . 11. Um núcleo decisivo do Documento de Aparecida é “a missão 13 dos discípulos a serviço da vida plena”. Graças à vida nova comunicada por Cristo aos seus discípulos, através da ação missionária, eles a transmitem a todos os povos do continente. Deste encontro com Jesus Cristo os discípulos saem entusiasmados com o que viram, ouviram e experimentaram. A exemplo dos apóstolos André e Filipe (Jo 1,35-50), essa experiência intensa os impele a ir contar a outros o que viveram, e ao fazer isso procuram levá-los até Jesus Cristo para que também possam conhecê-lo, sentirem-se amados, descobrirem que Ele é o verdadeiro Messias prometido ao mundo. Ou seja, o discípulo, pela intensidade da experiência feita com Jesus Cristo e pela conseqüente
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No primeiro domingo do Advento, 02/12/2007, com celebração do Compromisso Missionário e da Beatificação da Ir. Lindalva Justo foram apresentadas estas novas diretrizes da pastoral arquidiocesanas para o triênio 2008-2010. 12 BENTO XVI, Discurso no Encontro com os Bispos do Brasil, 11 de maio de 2007; cf. DA 297. 13 Cf. DA 347-379.

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adesão a Ele, transforma-se em missionário, testemunha de Jesus Cristo que vai em busca de outros para os conduzir a Ele. 12. Por tudo isso, a Conferência de Aparecida quer ser um “novo Pentecostes”, abrindo uma estação missionária nova no continente, sendo necessária uma verdadeira conversão pastoral da Igreja em comunidades mais missionárias: “Esta firme decisão missionária deve impregnar todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais de dioceses, paróquias, comunidades religiosas, movimentos e de 14 qualquer instituição da Igreja” . É preciso fomentar a conversão pastoral e a renovação missionária das comunidades eclesiais e dos organismos pastorais. O objetivo é impulsionar a missão continental, tendo por agentes as dioceses e as conferências. 13. Apesar do crescente processo de secularização em pleno desenvolvimento em nossas sociedades, percebe-se no coração dos nossos contemporâneos a sede de conhecer Jesus Cristo, o nosso Salvador. A exigência é, então, comunicar a fé, transmitindo-a de modo a responder às expectativas do coração humano e do tempo em que vivemos. 14. Considerando que “vivemos uma mudança de época”, onde “dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o 15 mundo e com Deus”, cujo “nível mais profundo é o cultural” , a Igreja recorda a índole missionária da pastoral continental. Diante de uma dinâmica cultural marcada por constantes transformações, é preciso propor o “primeiro anúncio” a cada geração, ou melhor, a cada pessoa, mesmo batizada. 15. A exigência é transmitir a fé aos que de algum modo a vivem: urge anunciar Jesus Cristo àqueles que, mesmo acreditando, sentem a
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Ibid., 365. Cf. Ibid., 44.

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necessidade de conhecê-lo melhor para poder dar razão da própria esperança (cf. 1Pd 3,15). É igualmente imperioso anunciar o evangelho, de maneira adequada, também a quem ainda não crê e, no entanto, busca o rosto amoroso de Jesus, o Cristo. 16. A Igreja não é testemunha de valores abstratos, por quanto sejam elevados e importantes, como a justiça, a paz, a fraternidade, mas de um evento, uma pessoa concreta que revela ao homem sua verdadeira identidade: Jesus Cristo, morto e ressuscitado para dar vida plena ao mundo.

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Anotações para o próximo plano pastoral

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II. SUJEITOS DA MISSÃO “Quem enviarei? disse o Senhor, ao que eu respondi, Eis-me aqui, enviai-me a mim...” (cf. Is 6,8) 17. Para realizar plenamente a sua missão, “a ação evangelizadora da Igreja tem o desafio de empenhar-se na construção da identidade da pessoa, a conquista da sua liberdade e garantia de sua autonomia. A pessoa no cenário cultural moderno está carente de uma autêntica educação que dê sentido à vida. É gritante a necessidade de uma profunda experiência de Deus, num fecundo itinerário da fé. Isto quer dizer que é urgente oferecer a cada pessoa a possibilidade de 16 compreender e vivenciar a sua fé” . 18. A atenção à pessoa faz parte da missão de “fazer da comunidade eclesial lugar de comunhão, repleta de vitalidade evangelizadora, alimentada pela Palavra de Deus, pela oração e pelos sacramentos”. Assim, a vida integral do discípulo missionário se insere num contexto comunitário e é a resposta eficaz aos problemas de nosso tempo, sobretudo “na superação do individualismo, da submissão ao 17 mercado e ao poder” . 19. Portanto, somos chamado a reconhecer que “todos na Igreja recebem o Espírito e todos devem oferecê-lo conforme o dom que lhes foi conferido, no serviço correspondente a esse dom. Redescobre-se, assim, a dimensão carismática de todo o povo de Deus, a riqueza que o Espírito Santo infunde nos batizados para a utilidade comum, para que

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DAE (2004-2007), 12. Ibid., 14.

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dentro das precisas coordenadas de espaço e de tempo, cresça a 18 semente da humanização pelo mundo” . 20. A comunhão dos carismas é o fundamento para o princípio da subsidiariedade em âmbito pastoral: “De fato, cada batizado é portador de dons que deve desenvolver em unidade e complementaridade com os dons dos outros (...). O reconhecimento prático da unidade orgânica e da diversidade de funções assegurará maior vitalidade missionária e 19 será sinal e instrumento de reconciliação e paz para os nossos povos” . Deste modo, realiza-se na Igreja a vocação dos batizados, cuja igual dignidade consiste no chamado à santidade própria do exercício da sua missão específica. a) Os Bispos, chamados a “fazer da Igreja uma casa e escola de 20 comunhão” , como animadores da comunhão, têm “a missão de acolher, discernir e animar carismas, ministérios e serviços na 21 Igreja” . b) O Presbítero, chamado a imitar o Bom Pastor, deve ser “homem de misericórdia e compaixão, próximo ao seu povo e servidor de todos, particularmente dos que sofrem grandes necessidades”. Por isso, dele se espera que seja presbítero-discípulo, missionário e 22 servidor da vida . c) Os Diáconos permanentes, em sua maioria “fortalecidos pela dupla sacramentalidade do Matrimônio e da Ordem”, são chamados ao “serviço da Palavra, da caridade e da liturgia”, além de “acompanhar a formação de novas comunidades eclesiais,

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Ibid., 59. DA 162. NMI 43. DA 188. Cf. Ibid., 198-199.

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especialmente nas fronteiras geográficas e culturais, onde 23 ordinariamente não chega a ação evangelizadora da Igreja” . d) Os fiéis leigos e leigas são, no dizer de Puebla, “homens da Igreja no coração do mundo, e homens do mundo no coração da 24 Igreja” . A missão própria e específica dos leigos e leigas se realiza no mundo, de modo que “contribuam para a criação de estruturas justas segundo os critérios do evangelho, (...) no dever de fazer crível a fé que professam, mostrando autenticidade e coerência em 25 sua conduta”. No coração da Igreja da América Latina, a 26 colaboração dos fiéis leigos é imprescindível , estendendo a sua participação à ação pastoral da Igreja, como catequistas, Ministros da Palavra, animadores de comunidade dentre outros serviços. Por isso, “hão de ser parte ativa e criativa na elaboração e execução de projetos pastorais em favor da comunidade”, pois, “a construção da cidadania, no sentido mais amplo, e a construção de eclesialidade 27 nos leigos, é um só e único movimento” . e) Os consagrados e consagradas, vivendo “um caminho especial 29 de seguimento de Cristo”, são chamados “a fazer de seus lugares de presença, de sua vida fraterna em comunhão e de suas obras, lugares de anúncio explícito do evangelho, principalmente aos mais pobres.” Além disso, o natural testemunho que brota da vida consagrada é o seu chamado a ser “especialista de comunhão, no interior tanto da Igreja quanto da sociedade”.
28

23 24 25 26 27 28 29

Cf. Ibid., 205. DP 786. DA 210. EAm 44. DA 211-215. DA 217-218. VC 14.

23

Anotações para o próximo plano pastoral

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III. PRIORIDADES

“Proclamem que está chegando o reino dos céus!” (cf. Mt 10,7)

21. A Conferência de Aparecida reafirma o mandato evangélico que nos dá a missão de Evangelizar (cf. Mc 16,15). Para nós, hoje, isto significa testemunhar Jesus Cristo, morto e ressuscitado para dar vida plena ao mundo, formando comunidades novas, fomentando novos valores e critérios de juízo entre os nossos contemporâneos. Para tanto, é nosso dever estabelecer algumas prioridades como horizonte para nossa ação evangelizadora. Tais prioridades devem empenhar-nos, com inteligência, aguda intuição e profunda espiritualidade, na construção de projetos, programas e planos de ação que nos permitam fazer um caminho novo em nossa arquidiocese. 22. No espírito das Diretrizes e do Documento de Aparecida, temos certo que é um trabalho de todas as instâncias arquidiocesanas: comissões e conselhos; comunidades, paróquias, foranias e regiões pastorais; os diversos setores da organização pastoral; centros e colégios de educação católica, institutos e associações católicas; movimentos eclesiais, associações, devoções e irmandades, enfim, todos os segmentos que compõem a Igreja Particular na Arquidiocese de São Salvador da Bahia. Deseja-se contar, sobretudo, com o ardor missionário e evangelizador dos presbíteros, diáconos, consagradas e consagrados, evangelizadores e agentes de pastorais. 23. Está claro que para a Missão Continental é necessário estabelecer prioridades, cujo objetivo deve ser o de apresentar o significado da vida de Jesus Cristo para os povos latino-americanos. De nossa parte, daqueles que são chamados a ser discípulos, se espera um 25

testemunho muito crível de santidade e compromisso. Por isso, não devemos ter medo de assumir o projeto de Jesus diante das condições de vida de muitos abandonados, excluídos e ignorados em sua miséria e dor. Este projeto de Jesus, que deve ser também o nosso, é instaurar o Reino de seu Pai, o Reino da vida. Uma vez que o conteúdo fundamental da sua missão é a oferta de vida plena para todos, Ele não hesitou em comunicar a sua vida através dos seus gestos de acolhimento e doação. 24. Hoje, a partir dos três eixos fundamentais de toda a vida humana - a pessoa, a comunidade e a sociedade – a missão da Igreja deve considerar, conforme o seu rico magistério social, que “não podemos conceber uma oferta de vida em Cristo sem um dinamismo de libertação integral, de humanização, de reconciliação e de inserção 31 social” . Por isso, “o fato de ser discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nosso povos tenham vida n’Ele, leva-nos a assumir evangelicamente, e a partir da perspectiva do Reino, as tarefas prioritárias que contribuem para a dignificação do ser humano e a trabalhar junto com os demais cidadãos e instituições para o bem do ser 32 humano” . 25. Recordamos que o “interesse autentico e sincero pelos problemas da sociedade, que nasce da solidariedade para com as pessoas, deve ser manifestado por toda a comunidade cristã, e não apenas por 33 um grupo ou alguma pastoral social”. A caridade pastoral, portanto, ao fecundar todos os aspecto da nossa ação evangelizadora, deve
Cf. Ibid., 352: “Desejando e procurando essa santidade não vivemos menos, e sim melhor, porque, quando Deus pede mais, é porque está oferecendo muito mais: "Não tenham medo de Cristo! Ele não tira nada e dá tudo!" (BENTO XVI, Homilia de inauguração do Pontificado, 24 de Abril de 2005)” 31 Ibid., 359. 32 Ibid., 384. 33 CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2003-2006, §199.
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30

26

suscitar um cuidado cada vez mais especial para com a Família 34 enquanto sacramento do amor , levando em conta as Pessoas que a 35 constitui (crianças, adolescentes, idosos...) e a Vida em seus diferentes 36 contornos . 26. Tomando como base o anúncio da Boa Nova da dignidade infinita de todo ser humano, criado à imagem de Deus e recriado como filho de Deus, devemos considerar uma urgência a dedicação à Cultura e sua evangelização, atentando sobretudo para a educação e a comunicação, a Pastoral Urbana, a presença dos cristãos na vida pública. Nesta dimensão assume especial importância o compromisso político dos leigos por uma cidadania plena na sociedade democrática, a solidariedade e uma ação evangelizadora que aponte caminhos de reconciliação, fraternidade e integração entre nossos povos, para formar uma comunidade de nações na América Latina e no Caribe. 27. Em sua Palavra e em todos os sacramentos, Jesus nos oferece um alimento para o caminho. A Eucaristia, fonte da vida e da felicidade que queremos, encerra em seu mistério a razão para o nosso ímpeto missionário. Desejamos, por isso, responder com fidelidade ao mandato missionário que brota da gratidão, da maravilha, do entusiasmo que Jesus Cristo ressuscitado, vivo e presente entre nós, suscita em cada um. Ele nos doa sua vida divina vitoriosa sobre a morte enquanto nós, como os discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-33), nos colocamos em movimento para comunicar esta grande graça. Afinal, Deus, nos ofereceu gratuitamente aquilo de que todos necessitamos. Assim motivados pelo Espírito de Deus e tendo presente três grandes linhas de ação prioritária do Documento de Aparecida, mas sem perder

34 35 36

Cf. DA 433. Cf. Ibid., 438-463. Cf. Ibid., 464-475.

27

de vista o conjunto do compromisso missionário, nosso projeto tem três grandes destaques: a Cidade, a Família e a Juventude: a) A cidade, devastada pela violência e pela corrupção, encontrando Jesus Cristo, pode encontrar a PAZ. Construindo a solidariedade e os caminhos da justiça, confirmamos que todo processo evangelizador envolve a promoção humana e a autêntica libertação 37 “sem a qual não é possível uma ordem justa na sociedade”. Nós somos, por graça, os portadores desta esperança. b) As famílias, encontrando Jesus Ressuscitado, podem renovar-se no amor: os cônjuges redescobrem a felicidade de crescer no dom recíproco, a alegria de partilhar toda a existência e educar os filhos, conduzindo-os à maturidade, com sabedoria e equilíbrio. c) Os jovens, descobrem no encontro com Jesus o gosto de viver e se abrem a um projeto de vida positivo, onde o crescimento humano os leva à realização pessoal no amor e no trabalho. Sabemos como a vida e a convivência humana e social decaem, quando Jesus é posto de lado, por isso o encontro com Ele é decisivo para o futuro da nossa juventude. 1. EVANGELIZAÇÃO DA CIDADE
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28. Ao configurar este importante contexto de missão, nosso empenho na evangelização deve levar em conta que “a cidade se converteu no lugar próprio das novas culturas que se vão gestando e se impondo, com nova linguagem e nova simbologia. Essa mentalidade urbana se estende também ao próprio mundo rural”. O Documento de Aparecida lembra ainda que “na cidade convivem diferentes categorias sociais tais como as elites econômicas, sociais e políticas; a classe média
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BENTO XVI, Discurso Inaugural da Conferência de Aparecida, 3, citado em DA 399. Cf. DA 509-515.

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com seus diferentes níveis e a grande multidão dos pobres”. Tanto na cidade quanto no campo, embora em diferentes proporções, alguns contrastes nos “desafiam cotidianamente: tradição - modernidade; globalidade - particularidade; inclusão - exclusão; personalização despersonalização; linguagem secular – linguagem religiosa; homogeneidade - pluralidade; cultura urbana - pluriculturalismo”. 29. Reconhece então que a “Igreja em seu início se formou nas grandes cidades de seu tempo e se serviu delas para se propagar. Por isso, podemos realizar com alegria e coragem a evangelização da cidade atual. Diante da nova realidade da cidade, novas experiências se realizam na Igreja, tais como a renovação das paróquias, setorização, novos ministérios, novas associações, grupos, comunidades e movimentos”. 30. Para os Bispos latino-americanos e caribenhos, “a fé nos ensina que Deus vive na cidade, em meio as suas alegrias, desejos e esperanças, como também em meio as suas dores e sofrimentos. As sombras que marcam o cotidiano das cidades, como exemplo, a violência, pobreza, individualismo e exclusão, não podem nos impedir que busquemos e contemplemos a Deus da vida também nos ambientes urbanos. As cidades são lugares de liberdade e de oportunidade. Nelas, as pessoas tem a possibilidade de conhecer mais pessoas, interagir e conviver com elas. Nas cidades é possível experimentar vínculos de fraternidade, solidariedade e universalidade. Nelas, o ser humano é constantemente chamado a caminhar sempre mais ao encontro do outro, conviver com o diferente, aceitá-lo e ser aceito por ele”. 31. “O projeto de Deus, ainda segundo o Documento de Aparecida é "a Cidade Santa, a nova Jerusalém", que desce do céu, de junto a Deus, "vestida como uma noiva que se adorna para seu esposo", que é "a tenda que Deus instalou entre os homens. Acampará com eles; eles serão seu povo e o próprio Deus estará com eles. Enxugará as lágrimas 29

de seus olhos e não haverá morte nem luto, nem pranto, nem dor, porque tudo o que é antigo terá desaparecido" (Ap 21,2-4). Esse projeto em sua plenitude é futuro, mas já está se realizando em Jesus Cristo, "o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim" (Ap 21,6), que nos diz "Eu faço novas todas as coisas" (Ap 21,5)”. 32. Quanto foi dito anteriormente sobre a evangelização da cidade “não tira a importância de uma renovada pastoral rural que fortaleça os habitantes do campo e seu desenvolvimento econômico e social, resistindo às migrações”. Antes, deve-se anunciar a eles a Boa Nova para que enriqueçam as suas próprias culturas e as relações 39 comunitárias e sociais” . 2. EVANGELIZAÇÃO DA FAMÍLIA 33. A família está entre os campos que o Santo Padre, o Papa Bento XVI, considera prioritários, no processo de renovação da Igreja na América Latina. O texto abaixo, O Papa e a Família, é retirado do Discurso de Bento XVI na abertura da V Conferência do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida. Destacamos também o que os Bispos, na Conferência de Aparecida, dizem sobre a urgência de uma atenção à família como lugar privilegiado da Evangelização.
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2.1 O Papa e a Família

34. “A família, "patrimônio da humanidade", constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos. Ela foi e é escola da fé, palestra de valores humanos e cívicos, lar em que a vida humana nasce e é acolhida generosa e responsavelmente. No entanto, na atualidade sofre situações provocadas pelo secularismo e pelo
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Ibid., 519. Cf. BENTO XVI, Discurso Inaugural da V Conferência do CELAM, Aparecida, n. 5.

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relativismo ético, pelos diversos fluxos migratórios internos e externos, pela pobreza, pela instabilidade social e por legislações civis contrárias ao matrimônio que, ao favorecer os anticoncepcionais e o aborto, ameaçam o futuro dos povos. 35. Em algumas famílias da América Latina, persiste ainda, infelizmente, uma mentalidade machista, ignorando a novidade do cristianismo que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher com relação ao homem. 36. A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação dos filhos. As mães que querem dedicar-se plenamente à educação dos seus filhos e ao serviço da família devem ter as condições necessárias para poder fazê-lo, e para isso têm direito de contar com o apoio do Estado. De fato, o papel da mãe é fundamental para o futuro da sociedade. 37. O pai, por seu lado, tem o dever de ser verdadeiramente pai, que exerce a sua indispensável responsabilidade e colaboração na educação dos seus filhos. Os filhos, para o seu crescimento integral, têm o direito de poder contar com o pai e com a mãe, para que se ocupem deles e os acompanhem rumo à plenitude de sua vida. É necessária, pois, uma pastoral familiar intensa e vigorosa. É indispensável também promover políticas familiares autênticas que respondam aos direitos da família como sujeito social imprescindível. A família faz parte do bem dos povos e da humanidade inteira”.

2.2 A Família no Documento de Aparecida 38. A Boa Nova da Evangelização, em nosso chão e no mundo, é ocasião para bendizer a Deus pela dignidade da pessoa humana, criada à Sua imagem e semelhança. Queremos também louvar ao Pai por nos ter redimido com o preço do sangue do Seu Filho Jesus Cristo e pela 31

relação permanente que estabelece conosco, que é a fonte de nossa dignidade absoluta, inegociável e inviolável. Tantos são os dons que recebemos de Deus por meio da família que devemos protegê-la, cultivá-la e promovê-la. 39. Só o Senhor é autor e dono da vida. O ser humano, sua imagem vivente, é sempre sagrado, desde sua concepção, até sua morte natural, em todas as circunstancias e condições de sua vida. 40. “Assistimos hoje a novos desafios que nos pedem para ser a voz dos que não têm voz. A criança que está crescendo no seio materno e as pessoas que se encontram no ocaso de suas vidas, são um clamor de vida digna que grita ao céu e que não pode deixar de nos estremecer. A liberalização e banalização das práticas abortivas são crimes abomináveis, como também a eutanásia, a manipulação genética e embrionária, ensaios médicos contrários à ética, pena de morte e tantas outras maneiras de atentar contra a dignidade e a vida do ser 41 humano” . 41. “Se quisermos sustentar um fundamento sólido e inviolável para os direitos humanos, é indispensável reconhecer que a vida humana deve ser defendida sempre, desde o momento da fecundação. De outra maneira, circunstâncias e conveniências dos poderosos sempre encontrarão desculpas para maltratar as pessoas”. 42. “Homem e mulher os criou” (Gn 1,27). ”Pertence a natureza humana que o homem e a mulher busquem um no outro sua reciprocidade e complementaridade. (...) O amor conjugal é a doação recíproca entre um homem e uma mulher, os esposos: fiel e exclusivo até a morte e fecundo, aberto à vida e à educação dos filhos, assemelhando-se ao amor fecundo da Santíssima Trindade. O amor conjugal é assumido no Sacramento do Matrimônio para significar a
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DA 467.

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união de Cristo com a sua Igreja. Por isso, na graça matrimonial de Jesus Cristo encontra a sua purificação, alimento e plenitude (Ef 5, 2342 33)” . 43. “No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência de amor e de fé. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, a conserva, a celebra, a transmite e dá testemunho dela. Os pais devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável responsabilidade na formação integral dos filhos”. A família, Igreja doméstica, deve ser o primeiro lugar para a iniciação cristã dos filhos, oferecendo-lhes um sentido cristão para a vida e acompanhamento na 43 elaboração de um projeto de vida como discípulos missionários . 44. “A família está fundada no sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher, sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo por sua esposa, a Igreja. A partir dessa aliança de amor se manifestam a paternidade e a maternidade, a filiação e a fraternidade, e o compromisso dos dois por uma sociedade melhor”. 45. “Cremos que "a família é imagem de Deus que, em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família". Na comunhão de amor das três Pessoas divinas, nossas famílias têm sua origem, seu modelo perfeito, sua motivação mais bela e seu destino último”. 46. Visto que a família é o valor mais querido por nossos povos, cremos que se deve assumir a preocupação por ela como um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora da Igreja. Em toda diocese se requer uma Pastoral Familiar "intensa e vigorosa" para proclamar o

42 43

Ibid., 116-117. Cf. Ibid., 118 e 302.

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evangelho da família, promover a cultura da vida e trabalhar para que os direitos das famílias sejam reconhecidos e respeitados.” 47. “Esperamos que os legisladores, governantes e profissionais da saúde, conscientes da dignidade da vida humana e do fundamento da família em nossos povos, a defendam e protejam dos crimes abomináveis do aborto e da eutanásia: essa é sua responsabilidade. Por isso, diante de leis e disposições governamentais que são injustas à luz 44 da fé e da razão, deve-se favorecer a objeção de consciência” .
45

3. EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE

48. A Evangelização dos Adolescentes e Jovens chama a nossa atenção por invocar alguns aspectos de vital importância para os dias atuais. A violência, a marginalização, educação inadequada, desemprego e outros males que afligem os nossos jovens nos impelem a renovar a nossa opção preferencial pelos jovens. Evangelizar os adolescentes e jovens é uma urgência para a vida da Igreja, da Família e da Sociedade. 49. Merece especial atenção a etapa da adolescência: “Os adolescentes não são crianças nem são jovens. Estão na idade da procura de sua própria identidade, de independência frente a seus pais, de descoberta do grupo. Nesta idade, facilmente podem ser vítimas de falsos líderes constituindo grupos. É necessário estimular a pastoral dos adolescentes, com suas próprias características, que garanta sua perseverança e o crescimento na fé. O adolescente procura uma experiência de amizade com Jesus” . 50. “Os jovens e adolescentes constituem a grande maioria da população da América latina e do Caribe. Representam um enorme

44 45

Ibid., 433-436. Cf. Ibid., 442-445.

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potencial para o presente e futuro da Igreja e de nossos povos como discípulos e missionários do Senhor Jesus. Os jovens são sensíveis para descobrir sua vocação a ser amigos e discípulos de Cristo. São chamados a ser "sentinelas da manhã", comprometendo-se na renovação do mundo à luz do Plano de Deus. Não temem o sacrifício nem a entrega da própria vida, mas sim uma vida sem sentido”. 51. Os jovens e adolescentes, “por sua generosidade, são chamados a servir a seus irmãos, especialmente aos mais necessitados, com todo seu tempo e sua vida. Têm capacidade para se oporem às falsas ilusões de felicidade e aos paraísos enganosos das drogas, do prazer, do álcool e de todas as formas de violência. Em sua procura pelo sentido da vida, são capazes e sensíveis para descobrir o chamado particular que o Senhor Jesus lhes faz. Como discípulos missionários, as novas gerações são chamadas a transmitir a seus irmãos jovens, sem distinção alguma, a corrente de vida que procede de Cristo e a compartilhá-la em 46 comunidade, construindo a Igreja e a sociedade” . 52. Por outro lado, “inumeráveis jovens do nosso continente passam por situações que os afetam significativamente: as seqüelas da pobreza, que limitam o crescimento harmônico de suas vidas e geram exclusão; a socialização cuja transmissão de valores já não acontece primariamente nas instituições tradicionais, mas em novos ambientes não isentos de uma forte carga de alienação; e sua permeabilidade às formas novas de expressões culturais, produto da globalização, que afeta sua própria identidade pessoal e social. São presa fácil das novas propostas religiosas e pseudo-religiosas. As crises, pelas quais passa a família hoje em dia, produz profundas carências afetivas e conflitos emocionais”. 53. Os jovens têm sido “afetados por uma educação de baixa qualidade, que os deixa por baixo dos níveis necessários de competitividade, somado aos enfoques antropológicos reducionistas, que limitam seus
46

Sobre a formação dos jovens à vida consagrada, cf. DA 314-327.

35

horizontes de vida e dificultam a tomada de decisões duradouras. Vêse ausência de jovens na esfera política devido á desconfiança que geram as situações de corrupção, o desprestígio dos políticos e a procura de interesses pessoais frente ao bem comum”. 54. Uma constatação dolorosa e preocupante é o suicídio de jovens. Além disso, “outros não têm possibilidades de estudar ou trabalhar e muitos deixam seus países por não encontrar um futuro neles, dando assim ao fenômeno da mobilidade humana e da migração um rosto juvenil. Preocupa também o uso indiscriminado e abusivo que muitos jovens fazem da comunicação virtual”.

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47

Para um aprofundamento da questão da educação, cf. DA 328-346.

36

IV. AÇÕES ESTRUTURANTES

“Sem mim nada podeis fazer”(Jo 15,15).

55. As pistas de ação oferecidas pelo Documento de Aparecida são a nossa fonte inspiradora da articulação do projeto pastoral arquidiocesano. Em muitos pontos somos convidados com um novo estímulo a perseverar no caminho já iniciado, em outros devemos buscar dar os primeiros passos a fim de estruturar a nossa ação pastoral. 56. Através das “Pistas de Ação” oferecidas pelo Documento de Aparecida seremos interpelados a “lançar as redes” de maneira criativa e generosa, a fim de elaborar uma estratégia pastoral eficaz e que atenda às demandas locais da nossa Arquidiocese. Para isso, alguns compromissos são apresentados nas “Ações Estruturantes”, tendo sempre como foco os três destaques do nosso projeto pastoral: A cidade, a família e a juventude. 57. A recepção criativa das “Pistas de Ação” não se limitam aos encaminhamentos representados pelas “Ações Estruturantes”, mas ao contrário exigem que cada um de nós, como discípulo e discípula do Senhor, assuma uma atitude concreta. As “Pistas de Ação” querem ser uma provocação para que toda a Igreja responda ativamente ao convite missionário, cada um no grau de responsabilidade que possui diante de Deus e para a edificação do seu povo. 1. A Cidade 58. Reconhecendo e agradecendo o trabalho renovador que já se realiza em muitos centros urbanos, a V Conferência propõe e recomenda uma nova pastoral urbana que: 37

Pistas de Ação

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a. Responda aos grandes desafios da crescente urbanização. b. Seja capaz de atender às variadas e complexas categorias sociais, econômicas, políticas e culturais: pobres, classe média e elites. c. Desenvolva uma espiritualidade da gratidão, da misericórdia, da solidariedade fraterna, atitudes próprias de quem ama desinteressadamente e sem pedir recompensa. d. Abra-se a novas experiências, estilos e linguagens que possam encarnar o Evangelho na cidade. e. Transforme as paróquias cada vez mais em comunidades de comunidades. f. Aposte mais intensamente na experiência de comunidades ambientais, integradas em nível supra-paroquial e diocesano. g. Integre os elementos próprios da vida cristã: a Palavra, a Liturgia, a comunhão fraterna e o serviço, especialmente aos que sofrem pobreza econômica e novas formas de pobreza. h. Difunda a Palavra de Deus, anuncie-a com alegria e ousadia e realize a formação dos leigos de tal modo que possam responder às grandes perguntas e aspirações de hoje e inserirse nos diversos ambientes, estruturas e centros de decisão da vida urbana. i. Fomente a pastoral da acolhida aos que chegam à cidade e aos que já vivem nela, passando de um passivo esperar a um ativo buscar e chegar aos que estão longe com novas estratégias, tais como visitas às casas, o uso dos novos meios de comunicação social e a constante proximidade ao que constitui para cada pessoa o seu dia-a-dia. Ofereça atenção especial ao mundo do sofrimento urbano, isto é, que cuide dos caídos ao longo do caminho e aos que se encontram nos hospitais, encarcerados, excluídos, dependentes

j.

48

DA 517-518.

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das drogas, habitantes das novas periferias, nas novas urbanizações e das famílias que, desintegradas, convivem de fato. Portanto, segundo o que for próprio de cada ambiente da ação evangelizadora, devemos nos esforçar para desenvolver: k. Um estilo pastoral adequado à realidade urbana com atenção especial à linguagem, às estruturas e práticas pastorais, assim como aos horários. l. Um plano de pastoral orgânico e articulado que se integre em projeto comum às paróquias, comunidades de vida consagrada, pequenas comunidades, movimentos e instituições que incidem na cidade, e que seu objetivo seja chegar ao conjunto da cidade. Nos casos de grandes cidades onde existem várias Dioceses, faz-se necessário um plano inter-diocesano.

m. Uma setorização das paróquias em unidades menores que permitam a proximidade e um serviço mais eficaz. n. Um processo de iniciação cristã e de formação permanente que retroalimente a fé dos discípulos do Senhor integrando o conhecimento, o sentimento e o comportamento. o. Serviços de atenção, acolhida pessoal, direção espiritual e do sacramento da reconciliação, respondendo à solidão, às grandes feridas psicológicas que muitos sofrem nas cidades, levando em consideração as relações inter-pessoais. p. Uma atenção especializada aos leigos em suas diferentes categorias: profissionais, empresariais e trabalhadores. q. Processos graduais de formação cristã com a realização de grandes eventos de multidões, que mobilizem a cidade, que façam sentir que a cidade é um conjunto, é um todo, que saibam responder à afetividade de seus cidadãos e em linguagem simbólica saibam transmitir o Evangelho a todas as pessoas que vivem na cidade.

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r. Estratégias para chegar aos lugares fechados das cidades como aglomerados de casas, condomínios, prédios residenciais ou lugares assim chamados cortiços e favelas. s. A presença profética que saiba levantar a voz em relação a questões de valores e princípios do Reino de Deus, ainda que contradiga a todas as opiniões, provoque ataques e só fique no anúncio. Isto é, que seja farol de luz, cidade colocada no alto para iluminar. t. Maior presença nos centros de decisão da cidade, tanto nas estruturas administrativas como nas organizações comunitárias, profissionais e de todo tipo de associação para velar pelo bem comum e promover os valores do Reino. u. A formação e acompanhamento de leigos e leigas que, influindo nos centros de opinião, se organizem entre si e possam ser assessores para toda a ação social. v. Uma pastoral que leve em consideração a beleza no anúncio da Palavra e nas diversas iniciativas, ajudando a descobrir a beleza plena que é Deus. w. Serviços especiais que respondam às diferentes atividades próprias da cidade: trabalho, descanso, esportes, turismo, arte etc. x. Uma descentralização dos serviços eclesiais de modo que sejam muito mais os agentes de pastoral que se integrem a esta missão, levando em consideração as categorias profissionais. y. Uma formação pastoral dos futuros presbíteros e agentes de pastoral capaz de responder aos novos desafios da cultura urbana.

Ações Estruturantes 59. Formação Permanente: A fim de assegurar uma formação permanente voltada para a missão, é preciso uma renovada qualificação capaz de fomentar uma crescente adesão pessoal e esclarecida a Jesus 40

Cristo e à Igreja. Nesta direção, é fundamental levar os nossos agentes ao estudo dos documentos do Magistério recente dos papas, particularmente do Papa Bento XVI, do magistério da Igreja latinoamericana e do Brasil, do Catecismo da Igreja Católica e da Sagrada Escritura. Para a realização deste objetivo de formação permanente, serão criadas as Equipes de Cursos e Seminários (facilitadores), os quais devem programar jornadas de Seminários, Cursos, Encontros etc., nas diversas instâncias: 1) Regiões e foranias; 2) Movimentos Eclesiais; 3) Pastorais em nível arquidiocesano; 4) Religiosos e religiosas; 5) Padres e Diáconos Permanentes; 6) Núcleos de Evangelizadores dos Colégios Católicos; 8) Nos Colégios públicos; 8) Outros agentes importantes. 60. Pastoral do acolhimento: A atitude de abertura à pessoa que se traduz na disposição à acolhida deve ser característica de toda a pastoral da Igreja. Porém, uma vez que “Acolher também é 49 Evangelizar” , uma atenção especial a esta dimensão deve gerar, na medida do possível, a ocasião paro o acompanhamento e aconselhamento, 50 sem contudo permitir certa "psicologização" da atividade pastoral . 61. Missão nos ambientes diversos. É prioritário encontrar as pessoas uma por uma. É preciso redescobrir a dimensão pessoal do anúncio, o contato direto com as pessoas, a partir dos lugares concretos da vida cotidiana. Para isso, multiplicar as visitas domiciliares em vista do fortalecimento e implantação dos Círculos Bíblicos. Realizar visitas missionárias nos ambientes não penetrados pela vida paroquial: escolas públicas, faculdades, shoppings, bancos, escritórios, setores públicos etc. 62. Missões em Áreas Especiais: Retomar do projeto Ser e Fazer Discípulos os “Projetos Missionários Especiais”. Criar uma

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Tema do 6º Encontro Arquidiocesano de Comunicação, out. 2007. Cf. A. ANTONIAZZI, 1994, 87.

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coordenação que se ocupe com os lugares que não podem ser bem atingidos ela paróquia (ver anexo). 63. Promover novas iniciativas missionárias nas áreas de afluxos emergentes: Centros da Cidade, Ilha, Litoral, e grandes aglomerados residenciais urbanos (Conjuntos Residenciais, Condomínios etc). 64. Missionários do Domingo: Incentivar os não-praticantes a descobrirem o sentido pleno do Domingo e a graça da Eucaristia dominical, através de convite direto e explícito feito pelos próprios paroquianos 65. Meios de comunicação social: A missão deve abraçar todos os campos da vida e da sociedade, compreendendo a cultura e os MCS católicos. Em nossa Arquidiocese, com as naturais limitações, as iniciativas da Pascom têm fomentado na pastoral arquidiocesana o desenvolvimento de um estilo comunicativo atento ao seu papel evangelizador. Considerando a função pastoral específica que possui os MCS, é preciso também otimizar o uso destes recursos arquidiocesanos (Rádio Excelsior, Jornal São Salvador, Programas e Missas na TV, Internet etc). O aprimoramento na utilização dos MCS deve permitir que a ação evangelizadora explore de modo inteligente o alcance 51 privilegiado que é próprio destes meios. 66. Pastoral Missionária: constituição do Conselho Missionário Arquidiocesano (COMID), como promotor da missão dentro da nossa Arquidiocese (“ad intra”) e para além dela (“ad extra”), a fim de sermos uma Igreja solidária, disponível e comprometida com a causa do Reino de Deus. 67. Ação Social: a) Apoiar as iniciativas já desenvolvidas na promoção da consciência social dos fiéis, tais como “Seminário da
51

Cf. DA 486.

42

Caridade”, “Semanas Sociais”, “Grito dos Excluídos”. b) Acompanhar o trabalho concreto das iniciativas presentes na Arquidiocese em vista da promoção humana inerente ao anúncio missionário, a exemplo das obras sociais mantidas pelas associações, pelas paróquias, congregações religiosas etc. Este serviço deve ser mantido sem perder de vista a sua dimensão evangelizadora. c) Resgatar os mutirões de combate à fome e à miséria. 68. Coordenação de Pastoral: Promover a comunhão dos carismas entre as pastorais e fomentar a compreensão dos seus respectivos papéis na pastoral de conjunto. Promover fóruns entre pastorais afins com o intuito de ampliar a capacidade de interação com a realidade alvo de suas atividades pastorais.

2. A Família 69. Segundo o que for próprio de cada ambiente da ação evangelizadora, devemos nos preparar para: Pistas de Ação
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a. Comprometer de maneira integral e orgânica as outras pastorais, os movimentos e associações matrimoniais e familiares a favor das famílias. b. Estimular projetos que promovam famílias evangelizadas e evangelizadoras. c. Renovar a preparação remota e próxima para o sacramento do matrimônio e da vida familiar com itinerários pedagógicos de fé. d. Promover, em diálogo com os governos e a sociedade, políticas e leis a favor da vida, do matrimônio e da família.

52

Cf. DA 437 e 441.

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e. Estimular e promover a educação integral dos membros da família, especialmente daqueles membros da família que estão em situações difíceis, incluindo a dimensão do amor e da sexualidade. f. Estimular centros paroquiais e diocesanos com uma pastoral de atenção integral à família, especialmente aquelas que estão em situações difíceis: mães adolescentes e solteiras, viúvas e viúvos, pessoas da terceira idade, crianças abandonadas etc. g. Estabelecer programas de formação, atenção e acompanhamento para a paternidade e a maternidade responsáveis. h. Estudar as causas das crises familiares para encará-las em todos os seus fatores. i. j. Continuar oferecendo formação permanente, doutrinal e pedagógica, para os agentes de pastoral familiar. Acompanhar com cuidado, prudência e amor compassivo, seguindo as orientações do Magistério, os casais que vivem em situação irregular, tendo presente que aos divorciados e novamente casados não lhes é permitido comungar. Requerem-se mediações para que a mensagem de salvação chegue a todos. É urgente estimular ações eclesiais, com trabalho interdisciplinar de teologia e ciências humanas, que ilumine a pastoral e a preparação de agentes especializados para o acompanhamento desses irmãos.

k. Diante das petições de nulidade matrimonial, há de se procurar que os Tribunais eclesiásticos sejam acessíveis e tenham atuação correta e rápida. l. Ajudar a criar possibilidades para que os meninos e meninas órfãos e abandonados consigam, pela caridade cristã, condições de acolhida e adoção e possam viver em família.

m. Organizar casas de acolhida e um acompanhamento específico para socorrer com compaixão e solidariedade às meninas e adolescentes grávidas, às mães "solteiras", aos lares incompletos. 44

n. Ter presente que a Palavra de Deus, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, nos pede atenção especial para com as viúvas. Procurar a maneira de receberem elas uma pastoral que as ajude a enfrentar tal situação, muitas vezes de desamparo e solidão. Ainda no âmbito da família, quanto às crianças, enquanto membros mais frágeis, propõe-se as seguintes orientações pastorais: o. Inspirar-se na atitude de Jesus para com as crianças, de respeito e acolhida como os prediletos do Reino, atendendo à sua formação integral. De importância para toda a sua vida é o exemplo de oração de seus pais e avós, que têm a missão de ensinara seus filhos e netos as primeiras orações. p. Estabelecer, onde não exista, o Departamento ou Seção da Infância, para desenvolver ações pontuais e orgânicas a favor dos meninos e meninas. q. Promover processos de reconhecimento da infância como setor decisivo de especial cuidado por parte da Igreja, da Sociedade e do Estado. r. Tutelar a dignidade e os direitos naturais inalienáveis dos meninos e das meninas, sem prejuízo dos legítimos direitos dos pais. Velar para que as crianças recebam a educação adequada à sua faixa etária no âmbito da solidariedade, da afetividade e da sexualidade humana. s. Apoiar as experiências pastorais de atenção à primeira infância. t. Estudar e considerar as pedagogias adequadas para a educação na fé das crianças, especialmente em tudo o que se relaciona à iniciação cristã, privilegiando o momento da primeira comunhão. u. Valorizar a capacidade missionária dos meninos e das meninas, que não só evangelizam seus próprios companheiros, mas que também podem ser evangelizadores de seus próprios pais. v. Promover e difundir processos permanentes de pesquisa sobre a infância, que façam sustentável tanto o reconhecimento de 45

seu cuidado, como as iniciativas a favor da defesa e de sua promoção integral. w. Fomentar a instituição da Infância Missionária.

Ações Estruturantes 70. Algumas ações são particularmente importantes para a concretização do nosso empenho de evangelização da família. Entre elas destacamos as seguintes: a) Fortalecer a pastoral familiar e apoiar as instituições que trabalham com a família. b) Fomentar programas de formação, atenção e acompanhamento para a paternidade e a maternidade responsáveis. c) Promover cursos de Bioética para os agentes de pastoral que podem ajudar a fundamentar com solidez os diálogos dos problemas e situações particulares sobre a vida. d) Apoiar as experiências pastorais de atenção à maternidade e à primeira infância. e) Potencializar a formação permanente, doutrinal e pedagógica para os agentes da Pastoral Familiar promovendo maior participação na “Escola de Família”, “Semana da Família”, curso de extensão e especialização. Investir energias para desenvolver as “Associações de Família”. f) Ajudar na estruturação de condições de acolhida e adoção para crianças, para que possam viver em família. g) formar grupos para a formação religiosa das crianças de 2 a 7 anos. h) Refletir e encaminhar políticas familiares. i) Criação de um “Centro de Cultura da vida”. j) Aprofundar a dimensão querigmática e missionária dos cursos de preparação ao Sacramento do Matrimônio. 46

3. A Juventude 71. Segundo o que for próprio de cada instância da ação evangelizadora da Arquidiocese, devemos nos preparar para: Pistas de Ação
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a) Renovar, em estreita união com a família, de maneira eficaz e realista, a opção preferencial pelos jovens, em continuidade com as Conferências Gerais anteriores, dando novo impulso à Pastoral da Juventude nas comunidades eclesiais (dioceses, paróquias, movimentos etc). b) Estimular os Movimentos eclesiais que têm pedagogia orientada à evangelização dos jovens e convidá-los a colocar mais generosamente suas riquezas carismáticas, educativas e missionárias a serviço das Igrejas locais. c) Propor aos jovens o encontro com Jesus Cristo vivo e seu seguimento na Igreja, à luz do Plano de Deus, que lhes garanta a realização plena de sua dignidade de ser humano, que os estimule a formar sua personalidade e lhes proponha uma opção vocacional específica: o sacerdócio, a vida consagrada ou o matrimônio. Durante o processo de acompanhamento vocacional, ir aos poucos introduzindo gradualmente os jovens na oração pessoal e na Lectio Divina, na freqüência aos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, na direção espiritual e no apostolado. d) Privilegiar na Pastoral da Juventude processos de educação e amadurecimento na fé como resposta de sentido e orientação da vida e garantia de compromisso missionário. De maneira especial, buscar implementar uma catequese atrativa para os jovens que os introduza no conhecimento do mistério de Cristo, buscando mostrar a eles a beleza da Eucaristia dominical que os leve a descobrir nela Cristo vivo e o mistério fascinante da Igreja.

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Cf. DA 446.

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e) A pastoral da Juventude deverá ajudar os jovens a se formar de maneira gradual, para a ação social e política e a mudança de estruturas, conforme a Doutrina Social da Igreja, fazendo própria a opção preferencial e evangélica pelos pobres e necessitados. f) É imperativa a capacitação dos jovens para que tenham oportunidades no mundo do trabalho e evitar que caiam na droga e na violência. g) Nas metodologias pastorais, procurar uma maior sintonia entre o mundo adulto e o mundo dos jovens. h) Assegurar a participação dos jovens em peregrinações, nas Jornadas nacionais e mundiais da Juventude, com a devida preparação espiritual e missionária e com a companhia de seus pastores.

Ações Estruturantes 72. A partir das propostas apresentadas pela Pastoral da Juventude arquidiocesana, podemos enumerar as seguintes ações a serem implementadas: a) Consolidar as lideranças jovens através do diálogo e acompanhamento do assistente eclesiástico e promovendo encontros periódicos com os bispos. b) Elaborar e implantar mecanismos de auto-sustentação econômica da PJ, a fim de proporcionar continuidade aos eventos promovidos. c) Promover a troca de experiências entre a PJ Arquidiocesana com as instâncias regional e nacional. d) Realizar o mapeamento da realidade da juventude das paróquias. e) Criar grupos de discussão com especialistas em juventude. f) Desenvolver e manter o site oficial da PJ da Arquidiocese. 48

g) Articular as lideranças da PJ e contribuir para a formação de novas. h) Promover a participação das lideranças da PJ na pastoral de conjunto. i) Criar a Assessoria da Juventude, nas regiões e foranias, servindo como ponte de diálogo entre os jovens, as demais pastorais e o clero. j) Realizar Missões Jovens dentro do âmbito das regiões e foranias. k) Implantar Escolas Bíblicas e Litúrgicas para jovens, com linguagem e metodologia próprias. l) Formar Assessores adultos e jovens adultos para o trabalho com a juventude, dedicados a acompanhar e promover o protagonismo juvenil. m) Promover a perseverança pós-crisma acompanhamento sistemático dos jovens. através do

n) Suscitar nas comunidades paroquiais o cuidado pelas vocações especiais à vida consagrada, promovendo o acompanhamento e a formação adequada para a decisão. o) Promover a comunhão dos carismas entre os diversos movimentos de pedagogia juvenil (“setor jovem”).

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Anotações para o próximo plano pastoral

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V. CONCLUSÃO

73. Ao entregar o projeto pastoral 2008-2010 à nossa Igreja, temos consciência que a realidade é sempre mais complexa, de modo que a relevância deste trabalho poderá ser experimentada somente se a ele se seguir uma recepção criativa. O auspício de que estas diretrizes sejam um marco orientador das nossas assembléias e planos pastorais setoriais é confirmado pela ampla colaboração que recebeu. O empenho para compreender a nossa missão, variada em suas dimensões e com urgências próprias, favoreceu a contribuição de todos na elaboração deste texto. Agora, ele precisa estar presente em todas as instâncias da ação pastoral da nossa Igreja como perspectiva norteadora da ação evangelizadora. Porém, os limites e méritos deste plano pastoral deve, acima de tudo, nos recordar que “a missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os 54 confins do mundo (cf. At 1,8).” 74. O referencial fundamental de todo o projeto pastoral está nos três eixos em que se apóia a vida humana: a pessoa, a comunidade e a sociedade. A partir deles é proposta uma atitude de abertura e escuta dos desafios que vêm de nossas cidades, palco dos dramas e alegrias da maior parte da população brasileira e baiana. Por isso, a cidade enquanto lugar onde Deus nos interpela, especialmente no rosto dos novos pobres, impõe a necessidade de uma ação evangelizadora adequada. Além desta ênfase pastoral, dentre os atores da cidade, a família ocupa o papel de protagonista insubstituível, motivo pelo qual, em nosso tempo,
54

Ibid., 145.

51

é necessário assumir uma atitude profética frente aos que pensam poder prescindir dela. Ao lado da família, a juventude também é convidada a responder ao chamado de Deus a ser mais autêntica e comprometida com a evangelização de seus coetâneos. Essas três particulares ênfases pastorais, cidade, família e juventude, se incluem mutuamente e manifestam a necessidade de uma pastoral de conjunto fundada na comunhão. 75. Por isso, é importante considerar que a vida, isto é, a vida integral, é o anseio de todos, homens e mulheres, que pela fé fizeram a experiência do ressuscitado. Porém, o caminho de fé que leva cada um a fazer um encontro pessoal com Cristo passa necessariamente pela comunhão com os irmãos. Por isso, não poderá haver autêntica conversão sem participação na vida comunitária, e não poderá haver autêntica comunidade cristã sem o compromisso com a evangelização dos que ainda estão à margem do caminho. A missão, portanto, é sinal concreto da maturidade de uma comunidade que fez a sua adesão total a Cristo e ao seu Reino. No entanto, nesse caminho, cujo destino é o reino definitivo, não estamos sós, acompanha-nos a Mãe querida, Maria Santíssima, “estrela da aurora” no caminho de cada discípulo e discípula. Confiamos a ela a nossa prece de modo que, como os discípulos de Emaús, tenhamos o coração aquecido pela presença de Jesus e ao fim do dia digamos com fé: “ficai conosco Senhor!” 76. Sigamos o Senhor Jesus! Discípulo é aquele que, tendo respondido a este chamado, o segue passo a passo pelos caminhos do Evangelho. No seguimento, ouvimos e vemos o acontecer do Reino de Deus, a conversão de cada pessoa, ponto de partida para a transformação da sociedade e se abrem para nós os caminhos da vida eterna. Na escola de Jesus aprendemos “uma vida nova”, dinamizada pelo Espírito Santo e refletida nos valores do Reino. 77. Nossas metas então devem nos impulsionar para uma nova configuração Pastoral. Devemos antes de tudo promover uma profunda 52

renovação da adesão ao evento Cristo, para n’Ele, nossos povos encontrarem a vida abundante que é dada a todo aquele que crê. Nosso caminho então pode ser representado pela síntese do Documento de Aparecida: Ser uma Igreja viva, fiel e crível, que se alimenta na Palavra de Deus e na Eucaristia; Viver o nosso ser cristão com alegria e convicção como discípulos-missionários de Jesus Cristo; Formar comunidades vivas que alimentem a fé e impulsionem a ação missionária; Valorizar as diversas organizações eclesiais em espírito de comunhão; Promover um laicato amadurecido, co-responsável com a missão de anunciar e fazer visível o Reino de Deus; Impulsionar a participação ativa da mulher na sociedade e na Igreja; Manter com renovado esforço a nossa opção preferencial e evangélica pelos pobres; Acompanhar os jovens na sua formação e busca de identidade, vocação e missão, renovando a nossa opção por eles; Trabalhar com todas as pessoas de boa vontade na construção do Reino; Fortalecer com audácia a pastoral da família e da vida; Valorizar e respeitar nossos povos indígenas e afrodescendentes; Avançar no diálogo ecumênico “para que todos sejam um”, como também no diálogo inter-religioso; Fazer deste continente um modelo de reconciliação, de justiça e de paz; Cuidar da criação, casa de todos, em fidelidade ao projeto de Deus; Colaborar na integração dos povos da América Latina e do Caribe.

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Anotações para o próximo plano pastoral

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ANEXO: Projetos Missionários Especiais
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01. ÁREAS DE MISSÃO Justificativa: Diversas paróquias abandonados da periferia. não atingem os bairros

Objetivo geral: Anunciar Jesus Cristo na vida das pessoas, na comunidade, através de Grupos e Círculos Bíblicos nas casas. Objetivo específico: Criar uma Coordenação de Evangelização que se preocupe com os bairros e ruas da periferia que não podem ser bem atingidos pela paróquia. Então, a jurisdição dos referidos bairros abandonados será ligado diretamente a um vigário episcopal ou a uma pessoa indicada pelo bispo. Nos referidos bairros evangelizará uma equipe, que seja de padres, religiosos e religiosas, leigos ou leigas com jovens vocacionados (as). Escolha das Áreas abandonadas: Esta escolha das áreas será feita pela referida Coordenação, após entendimento com o pároco que nela tem jurisdição. Plano de Evangelização: O plano será inspirado pelas Diretrizes Arquidiocesanas da Ação Evangelizadora. A Coordenação das Áreas de Missão selecionará os(as) Evangelizadores(as) e os orientará e acompanhará através de cursos e campanhas avaliando as atividades. Quando a Área tiver liderança consolidada, então a Área poderá ser integrada na sua paróquia respectiva.
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DAE 69-70.

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02. MISSÕES POPULARES

Organizar e Promover ações missionárias e missões populares em regiões carentes de evangelização na Bahia e na Amazônia, prioridade evangelizadora assumida pelos Bispos do Brasil, articulando equipes por paróquias, foranias ou regiões pastorais. As equipes missionárias, de paróquias, foranias ou regiões pastorais, podem organizar suas ações missionárias desenvolvendo projetos ao longo do ano e com diferentes tempos de duração. Desenvolver o espírito missionário de grupos de jovens estabelecendo parcerias entre os que vivem na capital com aqueles do interior para tempos fortes de missão. Organizar equipes missionárias de jovens para visitação e missões populares nas áreas rurais das paróquias. Estar presente em oração e solidariedade, junto aos afastados, nas casas, nos aniversários, nos momentos difíceis e na ação de graças e fazer, na medida da disponibilidade de cada um, visitas missionárias a vizinhos, parentes, necessitados de todo tipo. Ouvir as alegrias, as dificuldades, os questionamentos dessas pessoas, sendo para elas um sinal da ternura de Deus. Apresentar a Palavra de Deus como força que dá sentido à vida. Convidar alguém e, dois a dois, como Jesus enviou os seus, assumir permanentemente a tarefa de ir ajudar grupos ou pessoas, com uma boa catequese, a conhecer Jesus, Caminho, Verdade e Vida, a crescer na sua fé e a assumir os compromissos da vida cristã na comunidade e na sociedade.

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ABREVIAÇÕES

DA DP

Documento de Aparecida Documento de Puebla

DAE Diretrizes para Ação Evangelizadora (2004-2007). Projeto Ser e Fazer Discípulos de Jesus EAm Exortação apostólica Ecclesia in America EN NMI RMi VC Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi Carta Encíclica Novo Millenio Ineunte Carta Encíclica Redemptoris Missio Exortação Apostólica Vita Consacrata

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Anotações para o próximo plano pastoral

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BIBLIOGRAFIA ANTONIAZZI, A., “Princípios teológico-pastorais para uma nova presença da Igreja na Cidade” em A Presença da Igreja na Cidade. Ed. Vozes, Petrópolis, 1994, pg.77-96. ARQUIDIOCESE DE SÃO SALVADOR DA BAHIA, Diretrizes Arquidiocesanas para Ação Evangelizadora (2004-2007). Projeto Ser e Fazer Discípulos. Salvador, 2003. CELAM, Documento de Aparecida. Texto conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, Brasilia-São Paulo, Ed. Paulinas-Paulus-CNBB, 2007. ____Documentos do CELAM. Rio de Janeiro, Medellin, Puebla, Santo Domingo, São Paulo, Ed. Paulus, 2005. CNBB, Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2003-2006. São Paulo, Ed. Paulinas, 2003. BIBLIOGRAFIA PARA APROFUNDAMENTO ____ , Sou Católico: Vivo a minha fé, Ed. CNBB, Brasília, 2007. ARQUIDIOCESE DE S. SALVADOR DA BAHIA, Diretório LitúrgicoSacramental. BENTO XVI, Carta Encíclica “Deus Caritas est”, Ed.Paulinas, São Paulo, 2006. CNBB, Que novidade é essa? Uma leitura dos Atos dos Apóstolos, (Coleção “Ser Igreja no novo Milênio”, n. 5), Ed.CNBB, Brasília, 2000. DA SILVA, JOSAFÁ M. - MACHADO, GENIVAL B.F.,(eds.) Cidade, Igreja e Missão, Ed. Paulinas, São Paulo, 2003 . PONTIFÍCIO CONS. JUSTIÇA E PAZ, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Ed.Paulinas, São Paulo, 2007. SAGRADA CONGREGAÇÃO DOUTRINA DA FÉ, Catecismo da Igreja Católica, Ed. Loyola, São Paulo, 1992.

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ÍNDICE MENSAGEM PASTORAL SOBRE AS MISSÕES.......................... 3 INTRODUÇÃO ................................................................................ 9 I. MISSÃO DE CRISTO, MISSÃO DA IGREJA ............................ 13 II. SUJEITOS DA MISSÃO ............................................................ 21 III. PRIORIDADES......................................................................... 25
1.EVANGELIZAÇÃO DA CIDADE ......................................................... 28 2. EVANGELIZAÇÃO DA FAMÍLIA........................................................ 30 2.1 O Papa e a Família .................................................................... 30 2.2 A Família no Documento de Aparecida..................................... 31 3. EVANGELIZAÇÃO DA JUVENTUDE ................................................. 34

IV. AÇÕES ESTRUTURANTES................................................... 37
1. A Cidade ......................................................................................... 37 Pistas de Ação................................................................................. 38 Ações Estruturantes........................................................................ 40 2. A Família......................................................................................... 43 Pistas de Ação................................................................................. 43 Ações Estruturantes........................................................................ 46 3. A Juventude .................................................................................... 47 Pistas de Ação................................................................................. 47 Ações Estruturantes........................................................................ 48

V. CONCLUSÃO ........................................................................... 51
ANEXO: Projetos Missionários Especiais ................................................. 55

ABREVIAÇÕES ............................................................................ 57 BIBLIOGRAFIA ............................................................................. 59

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Oração
"Fica conosco, pois cai a tarde e o dia já declina” (Lc 24,29)
Fica conosco, Senhor, acompanha-nos, ainda que nem sempre tenhamos sabido reconhecer-te. Fica conosco, porque ao redor de nós as sombras vão se tornando mais densas, e tu és a Luz; em nossos corações se insinua a desesperança, e tu os fazes arder com a certeza da Páscoa. Estamos cansados do caminho, mas tu nos confortas na fração do pão para anunciar a nossos irmãos que na verdade tu ressuscitaste e que nos deste a missão de ser testemunhas de tua ressurreição. Fica conosco, Senhor, quando ao redor de nossa fé católica surgem as névoas da dúvida, do cansaço ou da dificuldade: tu, que és a própria Verdade como revelador do Pai, ilumina nossas mentes com tua Palavra; ajuda-nos a sentir a beleza de crer em ti. Fica em nossas famílias, ilumina-as em suas dúvidas, sustenta-as em suas dificuldades, consola-as em seus sofrimentos e no cansaço de cada dia, quando ao redor delas se acumulam sombras que ameaçam sua unidade e sua natureza. Tu que és a Vida, fica em nossos lares, para que continuem sendo ninhos onde nasça a vida humana abundante e generosamente, onde se acolha, se ame, se respeite a vida desde a sua concepção até seu término natural. Fica, Senhor, com aqueles que em nossas sociedade são os mais vulneráveis; fica com os pobres e humildes, com os indígenas e afroamericanos, que nem sempre encontram espaços e apoio para expressar a riqueza de sua cultura e a sabedoria de sua identidade. Fica, Senhor, com nossas crianças e com nossos jovens, que são a esperança e a riqueza do nosso Continente, protege-os de tantas armadilhas que atentam contra sua inocência e contra suas legítimas esperanças. Ó Bom Pastor, fica com nossos anciãos e com nossos enfermos! Fortalece a todos em sua fé para que sejam teus discípulos e missionários!

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