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UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

FACULDADE DE ENGENHARIA E ARQUITETURA

GRUPO DE PESQUISA EM ESTRUTURAS METÁLICAS E DE MADEIRA

GRUPO DE PESQUISA EM ESTRUTURAS METÁLICAS E DE MADEIRA Passo fundo, Agosto de 2004 Todos os

Passo fundo, Agosto de 2004 Todos os direitos reservados

Universidade de Passo Fundo

Faculdade de Engenharia e Arquitetura

Grupo de Pesquisa:

Análise e Experimentação de Estruturas Metálicas e de Madeira (AE 2 M 2 )

2004

Zacarias M. Chamberlain Pravia Gilnei Artur Drehmer

Todos os direitos reservados Esta publicação é liberada para uso dos Alunos da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da UPF

SUMÁRIO

1

- INTRODUÇÃO

3

1.1. O USO DO AÇO – UMA VISÃO GERAL

3

1.2. – PROPRIEDADES GERAIS DOS AÇOS

4

1.2.1 – Diagrama Tensão – Deformação

5

1.2.2 – Propriedades de Comportamento do Aço

6

1.2.3 – Constantes Físicas dos Aços Estruturais

6

1.2.4 – Influência dos Elementos de Liga nas Propriedades do Aço

6

1.2.5 – Tipos de Aços Estruturais

7

1.2.6 – Produtos Estruturais Derivados de Aços Planos

8

2

– PROJETO: CRITÉRIOS, ANÁLISE ESTRUTURAL E NORMAS

12

2.1 - INTRODUÇÃO

12

2.2 ANÁLISE ESTRUTURAL

12

2.3 AÇÕES

13

2.4 – CRITÉRIOS GERAIS DE DIMENSIONAMENTO

14

2.5 – MÉTODO DOS ESTADOS LIMITES (NBR8800/1988)

15

2.5.1

– Combinação das Ações

16

2.6 – NORMAS DE DIMENSIONAMENTO

18

2.7 – NORMAS DE AÇÕES

19

2.8 – EXEMPLOS DE COMBINAÇÃO DE ESFORÇOS

20

3 - AÇÕES DO VENTO EM EDIFICAÇÕES

21

 

3.1 – INTRODUÇÃO

21

3.2 –

DETERMINAÇÃO DA PRESSÃO DINÂMICA OU DE OBSTRUÇÃO

22

3.3 – DETERMINAÇÃO DAS FORÇAS ESTÁTICAS DEVIDAS AO VENTO

25

3.4 COEFICIENTES DE PRESSÃO E FORMA AERODINÂMICOS

26

3.5 EFEITOS DINÂMICOS E EDIFICAÇÕES ESBELTAS E FLEXÍVEIS

28

3.6 – EXEMPLO A

32

3.7 - EXEMPLO B

38

4 - DIMENSIONAMENTO DE ELEMENTOS

42

 

4.1

- TRAÇÃO

42

4.1.1

- DIMENSIONAMENTO:

42

4.2 - COMPRESSÃO

45

4.3 - FLEXÃO SIMPLES

59

4.4 - ESFORÇO CORTANTE

63

4.5 - FLEXÃO OBLÍQUA OU BI-AXIAL

67

BIBLIOGRAFIA

 

68

ANEXOS

69

Estruturas de Aço Zacarias M. Chamberlain & Gilnei A. Drehmer

Folha 2

1 - INTRODUÇÃO

1.1. O uso do Aço – Uma Visão Geral

Os primeiros usos do ferro aconteceram, aproximadamente, 8000 anos atrás, em civilizações tais como: Egito, Babilônia e Índia. Essas civilizações usaram o ferro apenas como adorno nas construções ou com fins militares. O uso do ferro em escala industrial só teve lugar em meados do século dezenove, devido a revolução industrial na Inglaterra, França e Alemanha. A primeira obra importante construída em ferro foi a ponte sobre o rio Severn em Coalbrokdale (Inglaterra) em 1779. As aplicações em edifícios, teve como marco a construção do Palácio de Cristal em Londres, em 1851, com um sistema de fabricação e montagem que se assemelha muito ao usado atualmente na construção metálica. Sem dúvida, pode-se afirmar que o grande precursor e mentor da estrutura metálica foi Gustavo Eiffel (1632- 1923), cujo arrojo tecnológico surpreendeu os entendidos da época.

arrojo tecnológico surpreendeu os entendidos da época. Figura 1 - Ponte Coalbrokdale O uso do aço

Figura 1 - Ponte Coalbrokdale O uso do aço no Brasil está relacionado diretamente com a história do país. A primeira fase de uso, quando o Brasil ainda não tinha indústrias siderúrgicas, importava grandes quantidades de componentes de ferrovias, com suas estações e pontes, da Inglaterra, em fins do século dezenove. A Segunda fase surgiu entre as duas Guerras Mundiais, havendo paralisação das importações, tornando-se imperativo iniciar assim o processo de criação e desenvolvimento das empresas que hoje formam o parque siderúrgico nacional. Com esse desenvolvimento, surgiu, também, todo o complexo de indústrias derivadas, como as de fabricação e montagem de estruturas e componentes metálicos. Hoje, a siderurgia brasileira tem um lugar de destaque internacional (sétimo produtor de aço do mundo) e as empresas metalúrgicas evoluíram em qualidade e quantidade de produção, dirigindo sua produção tanto para o mercado interno quanto ao externo.

Estruturas de Aço Zacarias M. Chamberlain & Gilnei A. Drehmer

Folha 3

As principais aplicações de estruturas metálicas na atualidade são: pontes ferroviárias e rodoviárias; edifícios industriais, comerciais e residenciais; galpões; hangares; coberturas de grandes vãos; torres de transmissão e para antenas; plataformas Off-Shore; construção naval; tanques e tubulações; estacas-prancha, etc.

Dentre as aplicações acima, no Brasil são usadas todas, sendo que se encontram fabricantes em todas as regiões do país. Os maiores fabricantes de estruturas metálicas se encontram nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Isso deve-se ao fato das siderúrgicas se concentrarem nessas regiões.

1.2. – Propriedades Gerais dos Aços

O aço é uma liga de ferro e carbono com outros elementos adicionais, sendo

que o teor de carbono pode variar de 0% a 1,7%.

Os aços que utilizamos se dividem basicamente em:

- Aços-Carbono;

- Aços de Baixa Liga;

- Aços com Tratamento Térmico.

AÇOS-CARBONO : são os tipos mais usuais, sendo que o aumento de resistência é obtido com o carbono e, em menor escala, com a adição de manganês. Nas estruturas, usa-se aços com teor máximo de carbono de 0,45%, para permitir a soldabilidade. Teor de carbono aumenta a resistência e a dureza(reduz a ductilidade). Dentre os aços mais usados pode-se destacar: ASTM A36 e A570.

AÇOS DE BAIXA LIGA : são os aços-carbono com adição de alguns elemntos de liga(cromo, cobre, manganês, níquel, silício, fósforo, titânio e nióbio), sendo que estes elementos provocam um aumento da resistência do aço, tanto mecânica como à corrosão atmosférica. Um exemplo de aço com alta resistência mecânica é o aço ASTM A572 e com resistência à corrosão é o aço ASTM A588.

AÇOS COM TRATAMENTO TÉRMICO : são os aços-carbono ou os de baixa liga com resistências aumentadas por tratamento térmico. Os parafusos de alta resistência são obtidos a partir desse processo, sendo o ASTM A325 obtido do aço- carbono e o ASTM A490 obtido dos aços de baixa liga.

O Anexo A, da Norma NBR8800/86, apresenta uma descrição de todos os

tipos de aços. (veja-se as tabelas 1 ao 7).

Estruturas de Aço Zacarias M. Chamberlain & Gilnei A. Drehmer

Folha 4

1.2.1 – Diagrama Tensão – Deformação

De forma geral, os aços apresentam um diagrama como representado na Fig.

1.1.

apresentam um diagrama como r epresentado na Fig. 1.1. Figura 1.1 – Diagrama Tensão – deformação

Figura 1.1 – Diagrama Tensão – deformação do aço estrutural

Os pontos importantes da curva são:

LP = Limite de Proporcionalidade, também chamado de Fase Elástica, nesta fase as tensões são proporcionais as deformações. A constante de proporcionalidade nesse trecho é chamada de Módulo de Elasticidade(E). LE = Limite de Escoamento, onde pode haver alongamento sem aumento de tensão. O valor constante da tensão, nessa fase, é chamado de limite de escoamento do aço ou tensão de escoamento(fy). Lenc = Limite de Encruamento, onde a estrutura interna do aço se rearranja, havendo um ganho de resistência. O valor máximo dessa tensão é chamado de limite de resistência ou tensão de escoamento(fu).

Lest = Limite de estricção, onde o aço começa a perder a resistência até romper-se.

O diagrama da Fig. 1.1 é obtido através de ensaios de tração realizados com

controle de deformações, sendo que a tensão é representada pela relação entre a força aplicada(F) e a área A da seção transversal do corpo de prova. A deformação ou alongamento unitário é a relação entre a variação do comprimento pelo comprimento inicial da peça ensaiada.

Logo:

σ =

F

A

e

ε =

l

l

0

O módulo de elasticidade se obtém da equação:

σ = E.ε

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Folha 5

1.2.2 – Propriedades de Comportamento do Aço

DUCTILIDADE: é a capacidade do material se deformar sob ação de cargas. Na aplicações de tensões locais, o aço se deforma plasticamente e redistribui as tensões. É muito importante, pois é uma forma de avisar que existem elevadas tensões através da deformação, sendo que todos os elementos sofrem grandes deformações antes de romper-se.

FRAGILIDADE: é o oposto da ductilidade, é quando os aços se tornam frágeis pela ação de diversos agentes, como baixas temperaturas, efeitos térmicos locais causados por solda, etc. É muito perigoso, pois os materiais frágeis se rompem sem aviso prévio.

RESILIÊNCIA: é a capacidade de absorver energia mecânica em regime elástico.

TENACIDADE: é a capacidade de absorver energia mecânica com deformações elásticas e plásticas.

DUREZA: é a resistência ao risco e abrasão. Pode ser medido pelos processos Brinnel, Rockwell ou Shore. É importante para verificar a resistência do aço.

FADIGA: é a resistência à ruptura dos materiais e medida geralmente em ensaios estáticos. É importante no dimensionamento de elementos que sofrem ações dinâmicas, principalmente ações que atuam em ciclos alternados.

1.2.3 – Constantes Físicas dos Aços Estruturais

Tabela 1.1 – Propriedades dos aços estruturais

Propriedade

Peso específico ( ρ )

Módulo de elasticidade longitudinal (E)

Coeficiente de Poisson ( υ )

Módulo de elasticidade transversal (G)

Coeficiente de dilatação térmica α

Valor

77 kN/m 3

205000 MPa

0,3

0,385E

12x10 -6 / o C

1.2.4 – Influência dos Elementos de Liga nas Propriedades do Aço

A composição química determina muita das caraterísticas importantes dos

aços, para aplicações estruturais. O aumento de teor de carbono (C) constitui a maneira mais econômica para obtenção de resistência mecânica dos aços, o teor de

carbono é limitado a 0,20%, nos aços resistentes à corrosão atmosférica.

O Manganês (Mn) é uma outra maneira de conferir alta resistência aos aços,

porém prejudica a capacidade de solda. O silício (S) é usado como desoxidante do

aço, favorece sensivelmente a resistência mecânica (limite de escoamento e de resistência) e a resistência à corrosão, reduzindo, porém a soldabilidade. O Enxofre (S) é extremamente prejudicial aos aços. Desfavorece a ductilidade, em especial o dobramento transversal, e reduz a soldabilidade. Nos aços comuns, o teor de enxofre é limitado a valores abaixo de 0,05%.

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Folha 6

O fósforo (P) aumenta o limite de resistência, favorece a resistência à

corrosão e a dureza, prejudicando, contudo, a ductilidade e a soldabilidade. Quando ultrapassa certos teores, o fósforo torna o aço quebradiço.

O cobre (Cu) aumenta de forma sensível a resistência a corossão atmosférica dos aço, em adições até 0,35%. Aumenta também a resistência à fadiga, mas reduz de forma discreta, a ductilidade, a tenacidade e a soldabilidade.

O Titânio (Ti) aumenta o limite de resistência, a resistência à abrasão e

melhora o desempenho do aço a temperaturas elevadas. È utilizado também quando se pretende evitar o envelhecimento precoce. O cromo (Cr) aumenta a resistência

mecânica à abrasão e à corrosão atmosférica, reduz porém a soldabilidade.

Tabela 1.2 – Influência dos componentes no comportamento do aço

PROPRIEDADES

 

ELEMENTOS

 

C

Mn

Si

S

P

Cu

Ti

Cr

Nb

RESISTÊNCIA MECÂNICA

+

+

+

-

+

 

+

+

+

DUCTILIDADE

-

-

 

-

-

-

 

-

-

TENACIDADE

-

   

-

 

-

   

+

SOLDABILIDADE

-

-

-

-

-

-

 

-

 

RESISTÊNCIA À CORROSÃO

-

 

+

 

+

+

+

+

 

DESOXIDANTE

 

+

+

           

LEGENDA: (+) efeito positivo

(-) efeito negativo

 

1.2.5 – Tipos de Aços Estruturais

Os produtos oferecidos pelas usinas siderúrgicas como elementos ou componentes estruturais são: chapas finas a frio, chapas zincadas, chapas finas a quente, chapas grossas, perfis laminados estruturais, tubos estruturais, barras redondas, fios trefilados, cordoalhas e cabos.

CHAPAS FINAS A FRIO : São produtos com espessuras-padrão de 0,30mm a 2,65mm, fornecidas em bobinas e usadas principalmente como complementos em construções, como esquadrias, portas, dobradiças, batentes, calhas, rufos.

CHAPAS ZINCADAS : São produtos com espessuras-padrão de 0,25mm a 1,95mm, fornecidas em bobinas e usadas para fabricação de telhas para cobertura e tapamentos, calhas, rufos, caixilhos, dutos de ar condicionado e divisórias.

CHAPAS FINAS A QUENTE : São produtos com espessuras-padrão de 1,20mm a 5,00mm, fornecidas em bobinas e usadas na fabricação de perfis de chapas dobradas, para construção de estruturas metálicas leves e, principalmente, como terças e vigas de tapamento.

CHAPAS GROSSAS : São produtos com espessuras-padrão de 6,30mm a 102mm, fornecidas em chapas com diversas larguras-padrão e comprimentos de 6000mm e 12000mm. São usadas principalmente para a formação de perfis soldados para trabalhar como vigas, colunas e estacas.

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Folha 7

PERFIS LAMINADOS ESTRUTURAIS (Fig. 1.2): São perfis formados pelo mesmo processo para os produtos planos como as chapas, são obtidos a partir de laminação à quente, conformados por uma sucessão de passes. Os perfis nacionais seguem o padrão americano e tem seu uso bastante restrito, devido a pequena disponibilidade de tipos de seções e tamanhos. Dentre esses perfis, pode-se destacar: cantoneiras de abas iguais e desiguais, perfis “I” e perfis “U”. Hoje, são oferecidos também, perfis laminados importados, sendo a Juresa (http://www.juresa.com.br) e a Belgo Mineira as maiores importadoras, onde os perfis podem ser tanto pelo padrão americano como pelo europeu e os comprimentos disponíveis são de 6000mm e 12000mm. A AÇOMINAS (http://www.acominas.com.br) a partir da metade do ano 2002 começou a produzir perfis laminados de abas paralelas; A GERDAU (http://www.gerdau.com.br) aumentou a série de perfis que produz.

aumentou a série de perfis que produz. Figura 1.2 – Seções comuns de perfis laminados TUBOS

Figura 1.2 – Seções comuns de perfis laminados

TUBOS ESTRUTURAIS : existe uma grande variedade de tubos encontrados no mercado, sendo que podem ser redondos, quadrados e retangulares e são fornecidos em comprimentos de 6000mm. São usados como elementos de treliças espaciais e como corrimãos.

BARRAS REDONDAS : as barras redondas são oferecidas nos diâmetros de 12,5mm a 102,0mm, com comprimentos de 6000mm e 12000mm, nos aços ASTM A36 e SAE 1010 e 1020. Usados na confecção de chumbadores, parafusos e tirantes.

FIOS, CORDOALHAS E CABOS : Os fios são obtidos por trefilação, sendo que unidos (três ou sete fios) formam as cordoalhas. Juntando as cordoalhas, obtém-se os cabos.

1.2.6 – Produtos Estruturais Derivados de Aços Planos

São dois tipos: perfis soldados e perfis em chapa dobrada, sendo que os mesmos são fornecidos em comprimentos de até 12000mm.

PERFIS SOLDADOS (Fig.1.3): São obtidos pelo corte, composição e soldagem de chapas planas, permitindo grande variedade de formas e dimensões de seções, desde que respeitem as relações largura/espessura previstas nas normas. São os elementos mais utilizados para execução de vigas e colunas da maioria dos prédios em aço feitos no Brasil. Algumas séries de perfis foram padronizadas pela FEM(Fábrica de Estruturas Metálicas), sendo que estes foram incorporados a norma brasileira NBR-5884/80 e NBR6657/81, revisadas e unidas em 18/01/99.

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Folha 8

De acordo com essas normas, podemos ter:

- Série CS para colunas

- Série VS para vigas

- Série CVS para colunas e vigas

com relação d/bf = 1 com relação 1,5 < d/bf 4 com relação 1 < d/bf = 1,5.

Perfis fora desse padrão podem ser chamados de PS para perfis simétricos e PSA para perfis assimétricos. Além disso, de acordo com as tolerâncias de fabricação, os perfis soldados podem ter três padrões de qualidade:

- Padrão de Qualidade I : para estruturas especiais que requerem elevado rigor de tolerância e para elementos estruturais sujeitos a cargas cíclicas.

- Padrão de Qualidade II : para estruturas convencionais, tais como galpões industriais, edifícios de andares múltiplos, etc.

- Padrão de Qualidade III : para estruturas secundárias e complementares, tais como: estacas, postes, etc.

A partir do ano de 2000, a USIMINAS lançou uma linha de perfis

eletrossoldados, sendo que se apresentam nas séries VE, CE e VEE, com alturas variando de 100m a 450mm. Estes perfis podem ser usados para edifícios de andares múltiplos de até 18 andares.

para edifícios de andares múltiplos de até 18 andares. Figura 1.3 Seções de perfis soldados. (a)

Figura 1.3 Seções de perfis soldados. (a) perfil I; (b) perfil I com sobre chapas; (c) perfil caixão; (d) perfil I para vigas mistas aço concreto.

do

dobramento a frio de chapas de aço. Apesar de existirem algumas seções padronizadas, podem ser produzidos de acordo com a forma e tamanhos solicitados, respeitando-se as limitações de normas e de equipamentos. São usados geralmente para construções leves, como barras de treliças, terças, etc. As seções mais usuais são as do tipo “U”, “Z” e “L”.

PERFIS

DE

CHAPA

DOBRADA

:

São

elementos

obtidos

pelo

processo

DE CHAPA DOBRADA : São elementos obtidos pelo processo Figura 1.4 – perfis conformados a frio

Figura 1.4 – perfis conformados a frio

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Folha 9

Tabela 1.3 – Propriedades mecânicas dos aços estruturais padrão ABNT

Descrição

Classe/Grau

f

y

(MPa)

f

u

(MPa)

Aços para perfis laminados para uso estrutural NBR 7007

MR250

 

250

 

400

AR290

290

415

AR345

345

450

 

AR-COR-345 A ou B

345

485

Chapas grossas de aço carbono para uso estrutural NBR 6648

CG-24

 

235

 

380

CG-26

255

410

Chapas finas de aço carbono para uso estrutural (a frio/a quente) NBR 6649 / NBR 6650

CF-24

 

240

 

370

CF-26

260

400

f

y

: tensão de escoamento;

f

u

: tensão de ruptura.

Tabela 1.4 - Propriedades mecânicas dos aços estruturais padrão ASTM

Classificação

Denominação

Produto

Grupo/Grau

f

y

(MPa)

f

u

(MPa)

   

Perfis

Todos

   

400

Aços Carbono

A-36

Chapas

t<200mm

 

250

 

a

Barras

t<100mm

   

550

A-570

Chapas

Todos/Grau 40

 

280

 

380

Todos/Grau 45

 

310

 

410

Aços de baixa liga e alta Resistência Mecânica

 

Perfis

Todos/Grau 42

 

290

 

415

A-572

Todos/Grau 50

 

345

 

450

Chapas e

Grau 42 t 150

 

290

 

415

Barras

Grau 50

t 50

 

345

 

450

Tabela 1.5 - Propriedades mecânicas dos aços estruturais padrão SAE

SAE no.

Condição

f

y

(MPa)

f

u

(MPa)

Dureza Brinell

1020

LQ

 

214

 

455

127

(0,2% C)

EF

448

537

160

1040

LQ

 

365

 

620

187

(0,4%C)

EF

516

634

195

TT

379

634

186

1060

LQ

 

489

 

806

217

(0,6%C)

TT

510

898

230

2320

LQ

 

434

 

593

183

(3,5%Ni, 0,2%C)

N

400

579

-

EF

689

716

223

2340

LQ

 

529

 

786

240

(3,5%Ni, 0,4%C)

N

510

730

223

TT

824

937

300

LQ: laminado à quente; EF: estirado à frio; TT: tratamento térmico; N: normalizado.

Tabela 1.6 - Propriedades mecânicas dos aços usados em parafusos e barras rosqueadas

 

Especificação

f

y

 

Resistência

Diâmetro

Tipo de

 

(MPa)

tração(MPa)

Máximo (mm)

Material

 

ASTM A307

 

-

415

100

C

Parafusos

ASTM A325

 

635

825

12,7<d<25,4

C, T

560

725

25,4<d<3,1

ASTM A490

 

895

1035

12,7<d<38,1

T

Barras

ASTM A36

 

250

400

100

C

Rosqueadas

ASTM A588

 

345

485

100

ARBL

 

RC

C: carbono; T: temperado; ARBL RC: alta resistência e baixa liga, resistente à corrosão.

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Folha 10

Tabela 1.7 - Propriedades mecânicas do aço para conectores de cisalhamento em pinos cabeça (diâmetros de 12,7; 15,9; 19 e 22mm).

Propriedade

Valor

Resistência à tração (MPa)

415

Limite de escoamento (MPa)

345

Alongamento (%)

20

Maiores informações em relação as propriedades do aços e seções laminadas e todos os produtos siderúrgicos podem ser obtidas nos endereços das empresas que produzem o aço:

GERDAU – http://www.gerdau.com.br

AÇOMINAS – http://www.acominas.com.br

COSIPA – http://www.cosipa.com.br

CSN – http://www.csn.com.br

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Folha 11

2 – PROJETO: CRITÉRIOS, ANÁLISE ESTRUTURAL E NORMAS

2.1 - Introdução

A concepção de uma estrutura metálica é um esforço combinado do arquiteto,

do engenheiro civil, do engenheiro mecânico e de outros especialistas nos mais diversos campos da engenharia (metalurgia, produção, etc.).

Os critérios de projeto devem satisfazer todas as necessidades funcionais e

econômicas de um projeto integrado, orientado a um ou vários tipos de sistemas estruturais, assim como as características do material, a configuração e magnitude

das cargas. Os critérios de segurança devem ser aqueles definidos nas Normas, devidamente citadas no memorial de cálculo ou desenhos. Os critérios de projeto não devem ser confundidos com as especificações. Estas últimas são sempre referentes a materiais ou métodos de execução. No projeto devem ser considerados como aspectos fundamentais e totalmente interligados, a escolha dos seguintes fatores:

O sistema estrutural e sua configuração;

As características mecânicas dos materiais a serem usados;

As cargas que deverá suportar a estrutura;

As limitações (resistência, dimensões, flechas, etc.);

O tipo de análise estrutural a ser realizado;

As especificações para fabricação, transporte e montagem.

A figura

desenvolvimento de um projeto de estrutura metálica.

2.1

mostra

o

fluxograma

de

operações

envolvidas

no

2.2 – Análise Estrutural

A análise estrutural tem como objetivo a obtenção de esforços axiais, de flexão, reações nos apoios, deslocamentos, acelerações, entre vários efeitos produzidos pelas ações impostas numa determinada configuração estrutural. De maneira geral a análise pode ser: estática ou dinâmica; linear ou não linear geométrica; elástica ou elastoplástica.

A análise estática não leva em conta a variação da aplicação das ações no

tempo, e considera que as ações são aplicadas gradualmente. È linear geométrica, quando se considera que os deslocamentos produzidos pelas ações são relativamente pequenos, e a análise é desenvolvida sobre a configuração geométrica da estrutura original indeformada. É elástica, se o comportamento do material não excede o limite de escoamento, isto é, segue a risca a lei de Hooke (deformações proporcionais às tensões). Estruturas com cargas que variam no tempo devem ser analisadas dinamicamente, estruturas com deslocamentos finitos devem ser analisadas considerando a não linearidade geométrica, e por último quando a estrutura excede a tensão de escoamento, faz-se necessário análise elastoplástica. Não existem regras ou critérios gerais sobre qual tipo de análise usar, sistemas estruturais pouco conhecidos devem ser estudados com maior profundidade.

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Folha 12

Figura 2.1 – Fluxo de processo par a projetos de estrutura metálica 2.3 – Ações

Figura 2.1 – Fluxo de processo para projetos de estrutura metálica

2.3 – Ações

AÇÃO : É tudo aquilo que provoca tensões e deformações.

AÇÕES QUANTO A ORIGEM Ações dos materiais usados na construção

- Peso próprio da estrutura.

- Peso próprio de paredes, divisórias e tapamentos.

- Peso próprio de pisos.

- Peso próprio de coberturas.

Ações de utilização

- Sobrecarga de utilização em pisos de edifícios.

- Cargas de equipamentos.

- Variação de temperatura causada por equipamentos.

- Cargas de silos, reservatórios e tubulações.

Ações do meio ambiente

- Vento.

- Variação de temperatura.

- Chuva.

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Folha 13

- Neve.

- Terremoto.

Ações excepcionais O colapso de algumas estruturas (tais como pontes, barragens, usinas nucleares e plataformas de exploração de petróleo) pode ter conseqüências catastróficas. Portanto, dimensiona-se estas estruturas para resistir a carregamentos não usuais, podendo ser construídas estruturas de proteção chamadas defensas.

AÇÕES QUANTO A VARIAÇÃO COM O TEMPO Ações permanentes

- Peso próprio da estrutura.

- Peso dos materiais permanentemente ligados à estrutura.

- Peso de instalações, acessórios e equipamentos permanentes.

Ações variáveis

- Sobrecargas.

- Cargas de equipamentos.

- Variação de temperatura.

- Vento.

AÇÕES QUANTO AO MODO DE ATUAÇÃO Ações externas

- Peso próprio.

- Sobrecarga.

- Vento.

- Equipamentos.

Ações internas

- Variação de temperatura.

- Pró-tensão.

NATUREZA DAS AÇÕES : Pelas normas atuais, os valores das ações usadas são definidos como de natureza probabilística. Ou seja, as normas indicam os valores médios mais prováveis de ocorrência.

COMBINAÇÕES DE AÇÕES : Quando uma estrutura está submetida a mais de uma ação variável, o valor máximo de um determinado esforço ocorre quando uma das ações variáveis atinge o seu máximo valor e as demais permanecem com seus valores nominais. A este princípio, dá-se o nome de regra de Turkstra de combinações de ações, sendo que a NBR8800 aplica esse critério.

2.4 – Critérios Gerais de Dimensionamento

O dimensionamento de uma estrutura correto deve assegurar o desempenho estrutural e a solução mais econômica possível.

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Folha 14

Ao longo do tempo, o processo de dimensionamento sofreu mudanças, ou seja, evoluiu e hoje temos várias normas, as quais, nos fornecem as exigências mínimas para o projeto de estruturas seguras. Os métodos de dimensionamento são: Método das Tensões Admissíveis, Método dos Coeficientes das Ações e Método dos Estados Limites, sendo que este último é o que está substituindo, gradativamente, o Método das Tensões Admissíveis nas normas de dimensionamento.

MÉTODO DAS TENSÕES ADMISSÍVEIS : Nesse método, as ações consideradas nas combinações são nominais e as resistências nominais são reduzidas pelos coeficientes de segurança.

S

n

R

d

R

d

=φR

n

φ 1

Sn = Solicitações nominais Rn e Rd = Resistência nominal do material e de cálculo, respectivamente φ = Coeficiente de segurança da resistência nominal (NBR8800/1988)

γ = Coeficiente de ponderação segurança (NBR8800/2004)

Este método era usado nas normas antigas NB-11 (madeiras), NB-143 (perfis de chapa dobrada), NB-14 (estruturas de aço, até 1986), AISC até a 9 a edição(1989) e AISI até 1990.

MÉTODO DOS COEFICIENTES DAS AÇÕES : Nesse método, os coeficientes de segurança são aplicados as ações. É muito usado para dimensionamento em estruturas com comportamento plástico.

R

Sd e Rn = Solicitações nominais e de cálculo, respectivamente Rn = Resistência nominal do material γ = Coeficiente de segurança da ação nominal

S

d

S

d

= γ.S

n

γ 1

n

MÉTODO DOS ESTADOS LIMITES : Também chamado de método dos coeficientes das ações e das resistências, baseia-se na aplicação de coeficientes de segurança tanto às ações nominais quanto às resistências nominais. A condição para o dimensionamento são:

S

d

R

d

S

d

= γ.S

n

R

d

=

R

n

γ

γ 1

Este método é usado nas normas NBR7190/96 (madeiras), NBR 14762/2000 (perfis de chapa dobrada), NBR8800/86 (estruturas de aço) e sua revisão NBR8800/2004, NBR6118/2003 (concreto armado), AISC/91 e AISI/1996.

2.5 – Método dos Estados Limites (NBR8800/1988 – 2004?)

A norma NBR8800 utiliza o método dos estados limites, logo, os esforços e deformações devem ser menores que determinados valores limites, que dependem do material usado e do tipo de estrutura adotada.

Existem dois tipos de estados limites:

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Folha 15

Estados Limites Últimos : relacionado ao colapso total ou parcial da estrutura, podendo ser:

- perda de equilíbrio;

- ruptura por qualquer tipo de solicitação;

- instabilidade total ou parcial;

- flambagem global de barras;

- flambagem local de elementos de barras.

Estados Limites de Utilização : relacionado ao comportamento da estrutura, impedindo sua utilização para o fim que ela se destina, podendo ser:

- deformações excessivas, ver tabela 26, do Anexo C da NBR8800;

- vibrações excessivas, ver Anexo N da NBR8800.

CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO : Deve ser satisfeita a seguinte inequação:

S

d

R

d

Onde: Sd é definida por uma combinação de carregamentos que os esforços nominais Aj são majorados:

S

d

=

γ ψ A

j

j

j

onde:

γ

j

R

d

= φR

1

n

e

2.5.1 – Combinação das Ações

ψ

j

1

A NBR8800 considera três tipos de combinações de ações para os estados limites últimos:

-

COMBINAÇÕES NORMAIS : com os carregamentos possíveis durante a vida útil da estrutura.

-

-

COMBINAÇÕES CONSTRUTIVAS : com os carregamentos possíveis durante a construção ou montagem da estrutura.

-

- COMBINAÇÕES EXCEPCIONAIS : com os carregamentos devidos a acidentes. As combinações são definidas pelas seguintes expressões:

- Combinações Normais e Construtivas

S

d

=

m

γ

i

=

1

g , i

G

k , i

+

γ

q

,1

Q

k

,1

- Combinações Excepcionais

S

d

=

m

i =

1

γ

g , i

G

k , i

+

E

+

n

γ

j

= 1

q

,

j

+

n

γ

q

,

j

ψ

j

ψ

j

Q

k

j

= 1

Q

,

j

k

,

j

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Folha 16

(A ação excepcional E não é majorada)

Onde :

G = Ação permanente γ g = Coeficiente de majoração de ação permanente, ver tabela 1 Q 1 = Ação variável principal γ q1 = Coeficiente de majoração de ação permanente principal, ver tabela 1 Q j = Demais ações variáveis γ qj = Coeficientes de majoração das demais ações variáveis, ver tabela 1 Ψ j = Fatores de combinação, ver tabela 2.

TABELA 2.1 – coeficientes de maioração das ações

 

Coeficientes

γ e

g

γ

q

de Majoração das Ações

 
 

Ações permanentes (a)

   

Ações Variáveis

 

Combinações

Grande

Pequena

 

Recalques

Variação de

Ações

Demais

variabilidade (b)

variabilidade

 

diferenciais

temperatura (c)

decorrentes

ações

 

do uso

variáveis

γ

g

γ

g

γ

q

γ

q

γ

q

γ

q

Normais

1,4(0,9)

1,3(1,0)

 

1,2

1,2

1,5

1,4

Durante a

1,3(0,9)

1,2(1,0)

 

1,2

1,0

1,3

1,2

construção

Excepcionais

1,2(0,9)

1,1(1,0)

 

0

0

1,1

1,0

Notas:

a) Os valores entre parênteses correspondem aos coeficientes para ações permanentes favoráveis à segurança; ações variáveis e excepcionais favoráveis à segurança não entram nas combinações.

b) Ações permanentes de pequena variabilidade incluem duas categorias:

b.1) Peso próprio dos elementos metálicos b.2) Peso próprio dos elementos pré-moldados com controle rigoroso de peso.

c) Variações de temperatura provocadas por equipamentos fazem parte dos carregamentos de equipamentos.

d) Ações decorrentes do uso da edificação incluem sobrecargas em pisos e em coberturas, cargas de pontes rolantes, outros equipamentos.

TABELA 2.2 – coeficientes de combinação das ações

Coeficientes ψ

de Combinação de Ações (a)

Sobrecargas em pisos de bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens; conteúdos de silos e reservatórios

0,75

Cargas de equipamentos, incluindo ponte-rolantes, e sobrecargas em pisos diferentes dos anteriores

0,65

Pressão dinâmica do vento

0,6

Variações de temperatura

0,6

Notas:

a) Os coeficientes ψ devem ser tomados iguais a 1,0 para:

a.1) ações variáveis não incluídas nesta tabela; a.2) quaisquer ações variáveis de mesma natureza que a da ação variável principal.

b )Variações de temperatura provocadas por equipamentos que fazem parte dos carregamentos de equipamentos.

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Folha 17

IMPACTO: Para levar em conta seu modo de aplicação, algumas cargas variáveis também devem ser majoradas por coeficientes de impacto

A

tabela 3 apresenta os percentuais de majoração para as cargas mais

comuns.

TABELA 2.3 – coeficientes de impacto

 

Coeficientes de Impacto para Cargas Variáveis

 

ORIGEM DA CARGA

 

IMPACTO(

 

%)

(a)

Elevadores

100

Pendurais

33

Equipame

Leves, cujo funcionamento se caracteriza por movimentos rotativos. Talhas.

20

ntos

Leves, cujo funcionamento se caracteriza por movimentos alternativos. Grupos geradores.

50

 

Impacto

Pontes de manutenção operadas de cabine,

20

Vertical

(b)

Demais pontes operadas de cabine (c) .

25

 

Pontes operadas por botoeira.

10

 

Fator aplicado à soma dos pesos da carga, do trolei e dispositivos de içamento.

20

Fator aplicado à soma dos pesos da carga e da ponte, incluindo trolei e dispositivos de içamento.

10

Fator aplicado ao peso da carga para as pontes de manutenção.

30

Fator aplicado ao peso da carga para as pontes de

40

Impacto

fundição

(e)

.

Pontes

Horizontal

Fator aplicado ao peso da carga para as pontes de caçamba articulada e pontes de pátio de lingotes.

100

rolantes

transversal (d)

Fator aplicado ao peso da carga para as pontes para fornos profundos e pontes para desmolde de lingotes (f) .

200

Impacto Horizontal Longitudinal (aplicado às rodas motoras)

20

Notas :

a) Percentual aplicado à soma dos pesos indicados.

 

b) Fatores aplicados às cargas máximas por roda.

c) Pontes de fundição, de caçamba articulada, de pátio de lingotes, para fornos profundos e para desmolde de lingotes.

d) Estas cargas devem ser distribuídas proporcionalmente à rigidez lateral da estrutura de apoio dos trilhos.

e) Devem ser incluídas nesta categoria, todos os demais tipos de pontes não citados especificamente.

f) Para este tipo de pontes, a carga compreende o peso dos lingotes e de seus moldes.

 

2.6 – Normas de Dimensionamento

A título de conhecimento, são apresentadas algumas normas que tem seu

uso corrente no Brasil:

NBR8800/86 – Projeto e Execução de Estruturas se Aço de Edifícios: é a norma brasileira para perfis laminados e soldados, sendo que o dimensionamento é pelo Método dos Estados Limites. Os coeficientes de segurança das ações para verificação de estados limites últimos foram extraídos da NBR8681/84, com algumas adaptações. Esta norma se encontra em revisão (é possível que ela entre em vigor em 2004).

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Folha 18

NBR14762/2001 – Dimensionamento de Estruturas de Aço Constituídas por Perfis Formados a Frio, válida a partir de 31 de dezembro de 2001, é a norma para perfis formados a frio para chapas com espessuras até 8mm.

AISC/89-ASD – American Institute of Steel Construction – Part 1 : é a norma americana para perfis laminados e soldados que utiliza o Método das Tensões Admissíveis e é a mais difundida em todo o mundo, sendo que no Brasil ela ainda é muito usada por engenheiros formados antes da existência da NBR8800/86.

AISC/2001-LRFD – American Institute of Steel Construction – Part 2 : é a norma americana para perfis laminados e soldados que utiliza o Método dos Estados Limites, sendo uma atualização da norma editada inicialmente em 1986, que serviu de base para a norma NBR8800.

AISI/90-ASD – Cold-Formed Steel Design Manual : Norma americana para o dimensionamento de perfis formados a frio editada pelo American Iron and Steel Institute, sendo o dimensionamento pelo Método das Tensões Admissíveis

AISI/91-LRFD – Cold-Formed Steel Design Manual : Norma americana para o dimensionamento de perfis formados a frio utilizando o Método dos Estados Limites

AISI/96 – Cold-Formed Steel Design Manual : Revisão da norma americana contemplando os dois métodos de dimensionamento(ASD e LRFD), sendo que aplica apenas os coeficientes no final do cálculo das resistências nominais. É a norma atualmente utilizada no Brasil, enquanto não for aprovada a Norma Brasileira.

2.7 – Normas de Ações

A título de conhecimento, são apresentadas algumas normas que tem seu uso corrente no Brasil para definição de carregamentos:

NBR6120/1980 – Cargas para o cálculo de Estruturas de Edificações;

NBR6123/1988 – Forças devidas ao Vento em Edificações;

NBR8681/1984 – Ações e Segurança nas Estruturas (Existe nova versão

2003)

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Folha 19

2.8 – Exemplos de Combinação de esforços

Exemplo 2.8.1 – Determinar as máximas cargas impostas para estados limites de resistência para uma estrutura com as seguintes cargas:

Peso Próprio (

Sobre carga (

G k,1

Q k,1

) = 80 kN

) = 25 kN

Vento (

Q

k,2

) = 40 kN

Combinações ultimas normais:

S

d

=

m

γ

i =

1

g , i

G

k , i

+

γ

q

,1

Q

k

,1

+

n

γ

j

= 1

q

,

ψ

j

j

Q

k

,

j

De acordo com as tabelas 2.1 e 2.2, para pequena variabilidade γ

q,1

=

γ

q,2

=

1,4,

ψ

1

=

0,75 e

ψ

2

=

0,6, portanto as combinações possíveis são:

S d,1 =(1,3)(80)+(1,5)(25) = 141,5 kN

S d,2 =(1,3)(80)+(1,4)(40) = 160,0 kN

1,3,

γ

q,1

=

1,5,

S d,3 =(1,3)(80)+(1,5)(25) +(1,4)(0,6)(40)= 175,1 kN

S d,4 =(1,3)(80)+(1,5)(0,75)(25) +(1,4)(40)= 188,13 kN

Observa-se que a maior combinação será aquela em que o vento atua como ação acidental principal e a sobrecarga atua com carga secundária.

Exemplo 2.8.2 – Determinar as máximas cargas impostas para estados limites de resistência para uma estrutura com as seguintes cargas:

Peso Próprio (

Sobre carga (

G k,1

Q k,1

) = 80 kN

) = 25 kN

) = 60 kN (sobrepressão)

Vento (

Q

k,2

) = -110 kN (sução)

Vento (

Q

k,3

Quando as cargas devidas ao vento são de sentidos opostos

S d,1 =(1,3)(80)+(1,5)(25) = 141,5 kN

S d,2 =(1,3)(80)+(1,4)(60) = 188,0 kN

S d,3 =(1,0)(80)+(1,4)(-110) = -74,0 kN

S d,3 =(1,3)(80)+(1,5)(25)+(1,4)(0,6)(60)= 191,9 kN

S d,4 =(1,3)(80)+(1,5)(0,75)(25)+(1,4)(60)= 216,1 kN

S d,4 =(1,0)(80)+(1,5)(25)+(1,4)(0,6)(-110)= 25,1 kN

S d,4 =(1,0)(80)+(1,5)(0,75)(25) +(1,4)(-110)= -45,9 kN

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Folha 20

3 - AÇÕES DO VENTO EM EDIFICAÇÕES

3.1 – Introdução

O vento não é um problema em construções baixas e pesadas com paredes

grossas, porém em estruturas esbeltas passa a ser uma das ações mais importantes a determinar no projeto de estruturas. As considerações para determinação das forças devidas ao vento são regidas e calculadas de acordo com a NBR 6123/1988 “Forças devidas ao vento em edificações”.

A maioria dos acidentes ocorre em construções leves, principalmente de

grandes vãos livres, tais como hangares, pavilhões de feiras e de exposições, pavilhões industriais, coberturas de estádios, ginásios cobertos. Ensaios em túneis

de vento mostram que o máximo de sução média aparece em coberturas com inclinação entre 8 0 e 12 0 , para certas proporções da construção, exatamente as inclinações de uso corrente na arquitetura em um grande número de construções.

As principais causas dos acidentes devidos ao vento são:

a) falta de ancoragem de terças;

b) contraventamento insuficiente de estruturas de cobertura;

c) fundações inadequadas;

d) paredes inadequadas;

e) deformabilidade excessiva da edificação

Muitos casos não são considerados dentro da NBR 6123, porém quando a edificação, seja por suas dimensões e ou forma, provoque perturbações importantes no escoamento ou por obstáculos na sua vizinhança, deve-se recorrer a ensaios em túnel de vento, onde possam ser simuladas as características do vento natural.

É importante definir alguns dos aspectos que regem as forças devidas ao

vento, antes de passar a seu cálculo. O vento é produzido por diferenças de temperatura de massas de ar na atmosfera, o caso mais fácil de identificar é quando uma frente fria chega na área e choca-se com o ar quente produzindo vento, esse tipo de fenômeno pode ser observado antes do início de uma chuva. Define-se o termo barlavento com sendo a região de onde sopra o vento (em relação a edificação), e sotavento a região oposta àquela de onde sopra o vento (veja-se Fig. 3.1). Quando o vento sopra sobre uma superfície existe uma sobrepressão (sinal positivo), porem em alguns casos pode acontecer o contrário, ou seja existir sucção (sinal negativo) sobre a superfície. O vento sempre atua perpendicularmente a superfície que obstrói sua passagem (vide Fig. 3.1).

VENTO

BARLAVENTO SOTAVENTO
BARLAVENTO
SOTAVENTO
VENTO Superfície frontal perpendicular à direção do vento
VENTO
Superfície frontal
perpendicular à
direção do vento

Figura 3.1 – Definições básicas do vento

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Folha 21

Os cálculos são determinados a partir de velocidades básicas determinadas experimentalmente em torres de medição de ventos, e de acordo com a NBR6123 a 10 metros de altura, em campo aberto e plano. A velocidade básica do vento é uma rajada de três segundos de duração, que ultrapassa em média esse valor uma vez em 50 anos, e se define por V 0 .

Essas velocidades foram processadas estatisticamente, com base nos valores de velocidades máximas anuais medidas em cerca de 49 cidades brasileiras. A NBR6123 desprezou velocidades inferiores a 30 m/s. Considera-se que o vento pode atuar em qualquer direção e no sentido horizontal. A Fig. 3.2 representa os valores de velocidade básica através de curvas isopletas (mesma velocidade do vento). Como uma indicação do que acontece na região de Passo Fundo, apresenta- se na Tab. 3.1 as velocidades máximas e médias medidas na Estação Agro - Meteorológica da EMBRAPA Trigo.

Tabela 3.1 – Velocidades máximas e médias medidas na Estação meteorológica da EMBRAPA Trigo, no período 1977-1994, tendo como referência a altura de 10m (Fonte: CUNHA, 1997).

 

Velocidade média (ms) e direção considerada

 
 

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Velocidade

4,1

3,9

3,8

4,0

3,9

4,2

4,7

4,4

4,7

4,5

4,3

4,2

Duração

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

NE

 

Velocidade máxima (m/s) e direção da velocidade máxima

 
 

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

Velocidade

28,8

27,2

26,5

31,0

34,1

28,7

40,0

24,8

41,3

38,8

39,0

27,2

Duração

N

NW

NW

N

S

N

NW

W

N

S

SW

W

N=Norte, NE=Nordeste, NW=Noroeste, S=Sul, W=Oeste e SW=Sudoeste.

3.2 – Determinação da pressão dinâmica ou de obstrução

A Velocidade característica V k : é a velocidade usada em projeto, sendo que são considerados os fatores topográficos (S 1 ), influência da rugosidade(obstáculos no entorno da edificação) e dimensões da edificação (S 2 ) e o fator de uso da edificação (que considera a vida útil e o tipo de uso). A velocidade característica pode ser expressa como:

Onde:

V k = V o S 1 S 2 S 3

V o : velocidade básica S 1 : fator topográfico S 2 : fator de rugosidade e dimensões da edificação S 3 : fator estatístico

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Folha 22

Figura 3.2 – Mapa de isopletas de vento, Velocidade Básica Os valor do fator S

Figura 3.2 – Mapa de isopletas de vento, Velocidade Básica

Os valor do fator S 1 pode tomar os seguintes valores:

a) Terreno plano ou quase plano : S 1 = 1,0

b) Taludes e morros (veja-se NBR6123/1988)

c) Vales protegidos : S 1 = 0,9

θ B C B θ S1(z) S1=1 S1(z) 4d VENTO VENTO 1,0<=S1<=1,78 A A S1=1
θ
B
C
B
θ
S1(z)
S1=1
S1(z)
4d
VENTO
VENTO
1,0<=S1<=1,78
A
A
S1=1
S1=1
TALUDE
MORRO
d
d

S 2 é determinado definindo uma categoria (rugosidade do terreno) e uma classe de acordo com as dimensões da edificação. As categorias são definidas, de acordo com a NBR6123, na Tab. 3.2.

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Folha 23

Tabela 3.2 –Definição de categorias para determinação do coeficiente S 2

Definição de categorias de terreno segundo NBR6123/1988

Categoria

Descrição do ambiente

I

mar calmo, lagos, rios, pântanos

II

campos de aviação, fazendas

III

casas de campo, fazendas com muros, subúrbios, com altura média dos obstáculos de 3,0m

IV

cidades pequenas, subúrbios densamente construídos, áreas industriais desenvolvidas, com muros, subúrbios, com altura média dos obstáculos de 10,0m

V

florestas com árvores altas, centros de grandes cidades, com altura média igual ou superior a 25,0m

As classes definem-se através das dimensões da edificação de acordo com a Tab.

3.3.

Tabela 3.3 – definição de classes de edificação para determinação de S 2

Classe

Descrição

A

Maior dimensão da superfície frontal menor ou igual a 20 metros

B

Maior dimensão da superfície frontal entre 20 e 50 metros

C

Maior dimensão da superfície frontal que 50 metros

O

cálculo de S 2 é expresso por

S 2 = b.Fr(z/10) p

onde z é a altura total da edificação(no caso, a cumeeira) e os parâmetros b,

Fr

e p são obtidos da Tab. 3.4.

Tabela 3.4 – Parâmetros meteorológicos (NBR6123)

Categoria

z

g

Parâmetros

 

Classes

(m)

A

B

C

 

I 250

b

1,10

1,11

1,12

p

0,06

0,065

0,07

 

II 300

b

1,00

1,00

1,00

Fr

1,00

0,98

0,95

p

0,085

0,09

0,10

 

III 350

b

0,94

0,94

0,93

p

0,10

0,105

0,115

 

IV 420

b

0,86

0,85

0,84

p

0,12

0,125

0,135

 

V 500

b

0,74

0,73

0,71

p

0,15

0,16

0,175

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Folha 24

O fator estatístico S3 é definido dependendo do uso da edificação, e normalmente

especificando a vida útil da mesma para 50 anos. Os valores mínimos que podem ser adotados estão definidos na Tab. 3.5.

Tabela 3.5 – valores mínimos para o coeficiente S 3

Grupo

Descrição

S

3

1

Edificações cuja ruína total ou parcial pode afetar a segurança ou possibilidade de socorro a pessoas após uma tempestade destrutiva (hospitais, quartéis de bombeiros, centrais de comunicação, etc.)

1,10

2

Edificações para hotéis e residências. Edificações para comércio e indústria com alto fator de ocupação

1,00

3

Edificações e instalações industriais com baixo fator de ocupação (depósitos, silos, construções rurais, etc.)

0,95

4

Vedações (telhas, vidros, painéis de vedação, etc.)

0,88

5

Edificações temporárias. Estruturas dos grupos 1 a 3 durante a construção

0,83

A pressão dinâmica ou de obstrução do vento, em condições normais de pressão (1

Atm = 101320MPa) e temperatura a 15 0 , é dada pela expressão:

q = 0,613V k 2 (N/m 2 )

3.3 – Determinação das forças estáticas devidas ao vento

A força devido ao vento depende da diferença de pressão nas faces opostas

da parte da edificação em estudo (coeficientes aerodinâmicos). A NBR6123 permite

calcular as forças a partir de coeficientes de pressão ou coeficientes de força. Os coeficientes de forma têm valores definidos para diferentes tipos de construção na NBR6123, que foram obtidos através de estudos experimentais em túneis de vento.

A força devida ao vento através dos coeficientes de forma pode ser expressa por:

F = (C pe – C pi ) q A

Onde C pe e C pi são os coeficientes de pressão de acordo com as dimensões

geométricas da edificação, q é a pressão dinâmica obtida de acordo com o item 3.2

e A a área frontal ou perpendicular a atuação do vento. Valores positivos dos

coeficientes de forma ou pressão externo ou interno correspondem a sobrepressões,

e valores negativos correspondem a suções.

A força global do vento sobre uma edificação ou parte dela (F g ) é obtida pela

soma vetorial das forças que aí atuam. A força global na direção do vento (F a ), é expressa por:

onde

F a = C a q A e

C a = coeficiente de arrasto (coeficiente de força)

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Folha 25

A e = área frontal efetiva Fg V Fa Ae
A e = área frontal efetiva
Fg
V
Fa
Ae

Fg = força global Fa = força de arrasto na direção do vento Fa = Ca q Ae

Figura 3.3 – descrição da força devida ao vento numa superfície

A NBR 6123 apresenta valores dos coeficientes de pressão e forma, externos e internos, para diversos tipos de edificação. Zonas com altas suções aparecem junto às arestas de paredes e de telhados. Coeficientes de pressão e forma são apresentados nas tabelas 3.6 e 3.7 para edifícios de planta retangular e telhados a duas águas.

3.4 – Coeficientes de Pressão e Forma Aerodinâmicos

Ao incidir sobre uma edificação, o vento, devido a sua natureza, provoca pressões ou sucções. Essas sobrepressões ou sucções são apresentadas em forma de tabelas na NBR6123, assim como em normas estrangeiras, e dependem exclusivamente da forma e da proporção da construção e da localização das aberturas. Um exemplo simples seria aquele do vento atingindo perpendicularmente um a placa plana, veja-se Fig. 3.4, na qual a face de barlavento, o coeficiente de pressão na zona central chega a +1,0, decrescendo para as bordas, e é constante e igual a 0,5 na face a sotavento; assim sendo, esta placa estaria sujeita a uma pressão total, na zona central, de C p = 1,0 – (-0,5) = 1,5.

total, na zona central, de C p = 1,0 – (-0,5) = 1,5. Figura 3.4 –

Figura 3.4 – Placa plana sujeita a vento perpendicular

Os coeficientes de pressão externa têm valores definidos para paredes para prédios com base retangular, telhados a uma ou duas águas com base retangular, telhados em arco com base retangular e outros. Para edificações que não constam

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na NBR6123, ou não podem ser extrapoladas a partir dos dados nela expressa, recomenda-se que sejam realizados ensaios em túnel de vento para determinar os valores de coeficientes de pressão externos. Toda edificação tem aberturas, sua localização e tamanho determinam os coeficientes de pressão interna à edificação. A NBR6123, no seu anexo D, apresenta os detalhes necessários para determinação do coeficiente de pressão interna. Se a edificação for totalmente impermeável ao ar, a pressão no interior da mesma será invariável no tempo e independente da velocidade da corrente de ar externa. Portanto o coeficiente de pressão interna depende da permeabilidade da edificação, o índice de permeabilidade de uma parte da edificação é definido pela relação entre a área das aberturas e a área total desta parte. São considerados impermeáveis os seguintes elementos construtivos e vedações: lajes e cortinas de concreto armado ou protendido, paredes de alvenaria, de pedra, tijolos, de blocos de concreto e afins, sem portas, janelas ou quaisquer outras aberturas. Os demais elementos construtivos são considerados permeáveis. A permeabilidade deve-se à presença de aberturas tais como: juntas entre painéis de vedação e entre telhas, frestas em portas e janelas, ventilações em telha e telhados, vão abertos de portas e janelas, chaminés, lanternins, etc. A própria NBR6123 apresenta para edificações com paredes internas permeáveis, valores que podem ser adotados para o coeficiente de pressão interna:

(a) duas faces opostas igualmente permeáveis; as outras duas impermeáveis:

- Vento perpendicular a uma face permeável C pi = +0,2

- Vento perpendicular a uma face impermeável C pi = -0,3

(b) Quatro faces igualmente permeáveis C pi = -0,3 ou 0, deve-se considerar o valor mais nocivo.

Nenhuma das faces poderá ter índice de permeabilidade maior que 30%, para poder usar as considerações acima expostas.

Coeficiente de arrasto C a

Usado principalmente na avaliação da força global na estrutura, sendo determinado conforme item 6.3 da NBR6123 e pode variar de:

0,7 C a 2,2, dependendo da forma da edificação. A força de arrasto é dada por:

F a = C a q A o , onde: A o = área de referência.

Coeficiente de atrito C f

Em determinadas obras deve ser considerada a força de atrito representada

por:

F’ = C f A q, onde 0,01 C f 0,04

Esta força é usada para edificações com l/h > 4 ou l1/l2 >4, sendo definida no item 6.4 d NB6123.

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3.5 – Efeitos Dinâmicos e Edificações Esbeltas e Flexíveis

Os efeitos do vento são de caracter dinâmico, porém na maioria das construções esses efeitos podem ser substituídos por ações estáticas equivalentes. Em edificações esbeltas e flexíveis, principalmente aquelas com baixas freqüências naturais de vibração (f < 1,0 Hz), os efeitos dinâmicos devem ser considerados. A seguir apresentam-se de maneira sucinta alguns dos possíveis efeitos dinâmicos devidos ao vento.

Desprendimento de vórtices

F

F
F

Efeitos de Golpe

ao vento. Desprendimento de vórtices F F Efeitos de Golpe Galope : movimento da edificação e

Galope : movimento da edificação e forma. Maiores que os dos vórtices.

F F
F
F

Drapejamento : acoplamento de vibrações em diferentes graus de liberdade. Ocorre em estruturas esbeltas (seção alongada).

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Vibração

Vibração

Maiores detalhes sobre as ações dinâmicas devidas ao vento, recomenda-se

o livro:

Blessmann, Joaquim, Introdução ao Estudo das Ações Dinâmicas do Vento. Porto Alegre: Editora da Universidade/UFRGS, 1998

NOTA: Existe um programa para cálculo de vento de uso gratuito para edificações a duas águas que pode ser encontrado no endereço:

http://www.etools.upf.br

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Tabela 3.6 – Coeficientes de pressão e forma, externos, para paredes de edificações de planta retangular

para paredes de edificações de planta retangular Notas: a) Para a/b entre 3/2 e 2, interpolar

Notas: a) Para a/b entre 3/2 e 2, interpolar linearmente.

b) Para vento a 0 o , nas partes A 3 e B 3 o coeficiente de forma C e tem os seguintes valores:

Para a/b = 1 : o mesmo valor das partes A 2 e B 2 Para a/b => 2 : C e = -0,2 Para 1 < a/b < 2 : interpolar linearmente.

c) Para cada uma das duas incidências do vento ( 0 o e 90 0 ) o coeficiente de pressão médio externo, C pe médio , é aplicado à parte de barlavento das paredes paralelas ao vento, em uma distância igual a 0,2B ou H, considerando-se o menor destes dois valores.

d) Para determinar o coeficiente de arrasto, C a , deve ser usado o gráfico da Fig. XX (vento de baixa turbulência) ou da Fig. XX (vento de alta turbulência).

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Tabela 3.7 – Coeficientes de pressão e forma, externos, para telhados com duas águas, simétricos, em edificações de planta retangular

águas, simétricos, em edificações de planta retangular Notas: a) O coeficiente de forma C e na

Notas:

a) O coeficiente de forma C e na face inferior do beiral é igual ao da parede correspondente.

b) Nas zonas em torno de partes de edificações salientes (chaminés, reservatórios, etc.) ao telhado deve ser considerado um coeficiente de forma de C e = 1,2, até uma distância igual a metade da dimensão da diagonal da saliência vista em planta.

c) Na cobertura de lanternins, C pe médio = -2.0

d) Para vento a 0 o , nas partes I e J o coeficiente de forma C e tem os seguintes valores:

a/b = 1 : mesmo valor das partes F e H; a/b => 2 : C e = -0.2. Interpolar linearmente para valores intermediários de a/b.

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3.6 – Exemplo A

Determinar os coeficientes de pressão do vento para o galpão mostrado abaixo. O galpão localiza-se em Passo Fundo – RS e é usado como depósito. O tapamento e cobertura é em chapa zincada.

como depósito. O tapamento e cobertura é em chapa zincada. θ = 10 ° - Considerar:

θ= 10°

- Considerar: Vento frontal (V1) e lateral (V2).

Solução:

a) Pressão dinâmica do vento

1-

Velocidade básica Vo

 

Vo= 45 m/s

-

(Conforme Fig. 1

-

NBR 6123)

2-

Velocidade Característica Vk

 

Vk= S1 x S2 x S3 x Vo

- fator topográfico

S1:

S1= 1.0 (item 5.2.a

-

NBR 6123)

- fator rugosidade do terreno e dimensões da edificação

S2:

rugosidade do terreno: considerando terreno com poucos obstáculos.

Categoria III - (item 5.3.1 – NBR 6123)

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dimensões da edificação: uma das dimensões maior que

50m

Classe C (item 5.3.2 - NBR 6123)

obtenção do fator S2: pode ser obtido pela fórmula

S2= b x Fr x (z / 10) p , considerando os valores da Tabela 1 ou diretamente da Tabela 2, do item 5.3.3 - NBR 6123.

S2= b x Fr x (z / 10) p , onde: z= altura da edificação S2= 0.93 x 0.95 x (7.76 / 10) 0.115 = 0.858

depósito

- fator estatístico S3: S3= 0.95 (edifício com baixo fator de ocupação – Grupo 3 – Tabela 3 NBR 6123)

V

k = S1 x S2 x S3 x V 0

V

k = 1.0 x 0.858 x 0.95 x 45= 36.68m/s

3- Pressão dinâmica q:

q= 0.613 x V k 2 q= 0.613 x (36.68) 2 q= 825 N/m 2

b) Coeficientes de pressão e forma, externos, para as paredes laterais e frontais.

- valores de acordo com Tabela 4 - NBR 6123

a b h
a
b
h

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