Você está na página 1de 7

RELAÇÃO ENTRE SUJEITO E MEIO SEGUNDO PIAGET

1
.
Marcilia Santos de Oliveira Brito
2
; Angélica Alves; Carla Gabriela; José Ednilson; Rosimar.


Resumo
Para introduzir a questão da relação sujeito com o meio segundo Piaget precisamos
primeiro entender os processos de desenvolvimento. O trabalho apresentado tem a
intenção de mostrar os conceitos que permeiam a teoria Piagetiana e fazer uma relação
entre sujeito e meio de acordo com essas teorias.

Palavras-chave: Piaget; desenvolvimento; sujeito.

Abstract
To introduce the question about subject´s relation with the environment, according to
Piaget, First, We need to understand the process of development. The presented work
aims to show the concepts that permeate the Piagetian theory and make a relationship
between the subject and the environment according to these theories.

Keywords: Piaget; development; subject

1 INTRODUÇÃO

Antes de dar ênfase aos principais conceitos contidos nas obras de Piaget, tenho que
tratar do porque de sua teoria ser denominada de epistemologia genética, epistemologia
porque a teoria pretende dar conta de como o homem conhece; Genética porque a forma do
homem se relacionar com o mundo, conhecer sempre parte de uma estrutura mais simples,esta
que o sujeito já possui para outra mais complexo.
O grande questionamento que deu origem a todos seus estudos foi como os homens
constroem conhecimento? A partir desse questionamento Piaget deu inicio a suas pesquisas.
Sua formação em biologia influenciou todo o desenvolvimento da sua teoria, pois utilizou de
instrumentos científicos como comprovadores empíricos. A outra influência da biologia na
teoria piagetiana diz respeito à concepção da inteligência enquanto algo ligado à ação e à
adaptação ao meio.

1
Artigo apresentado como Trabalho para obtenção de nota a disciplina Psicologia da Educação do Curso de
Ciências com Habilitação em Química do Programa Darcy Ribeiro Universidade Estadual do Maranhão.
2
Graduandos em química . Email: marcilia_brito@hotmail.com
Para Piaget a inteligência e vista como função e como estrutura. Enquanto função ela
age como meio de adaptação, e no que tange a estrutura e a organização de processos que
permeiam níveis de conhecimento superior e inferior. O crescimento da inteligência se da pela
reorganização da própria inteligência para termos maior possibilidade de assimilação.

2 RELAÇÃO ENTRE SUJEITO E MEIO.

O conhecimento é definido por Piaget como uma certa relação entre um sujeito e um
objeto. Segundo o autor o objeto de conhecimento é tudo que envolve o sujeito, o meio físico,
simbólico e social. O sujeito se constitui na interação com o objeto e esta interação permite a
construção do sujeito, do objeto e do conhecimento.
O objeto existe independente do sujeito, mas depende da interação com o mesmo para
ter significado. Para que o sujeito conheça o objeto é preciso que ele aja sobre ele,
transformando-o. Crianças que estão no principio do estagio sensório motor acham que são o
centro do mundo e que os objetos movem-se conforme sua vontade, só a partir dos nove
meses e que elas terão noção de que embora não veja o objeto ele existe apesar de estar fora
do seu campo perceptivo. Elas também passam a entender que os objetos do mundo interagem
entre si e causam efeitos sobre si.
A experiência com o objeto físico permite através de abstração simples ou empírica,
retirar informações dos próprios objetos descobrindo qualidade que lhes são próprias, por
exemplo, a forma, o peso, o tamanho, etc.
A influencia do meio social é necessária mais insuficiente para construção das
estruturas cognitivas, as trocas sociais, a linguagem, o jogo de regras enriquecem as
estruturas, mas não explicam a complexidade da construção do conhecimento. Para Piaget o
fato o homem estar vinculado a um meio social não significa que este meio venha a interferir
em seu desenvolvimento e em sua inteligência. Ele diz que antes devemos compreender o
que se entende por ser social e como os fatores sociais possam vir a explicar o seu
desenvolvimento cognitivo.
O desenvolvimento cognitivo individual é resultado de uma "espiral de relações de
causa e efeito", ou seja, um indivíduo que possui um determinado nível de desenvolvimento
pode participar de determinadas interações sociais, as quais produzem novos estados
individuais, que por sua vez possibilitam que o indivíduo participe de interações sociais mais
complexas, e assim por diante. Por exemplo, nas crianças que estão na fase sensório-motor
não existe uma troca social devido elas ainda não terem desenvolvido a linguagem. Já
crianças da fase pré-operatório têm um pensamento egocêntrico, e não conseguem ver o ponto
de vista do outro tendo como consequência um grau de socialização ainda precário devido a
ineficiência das trocas intelectuais. Na fase operatória as trocas intelectuais já começam a se
efetuar de forma eficiente.
Piaget deixa claro que nem toda relação social favorece o desenvolvimento e faz a
distinção entre dois tipos de relação social: a coação onde um indivíduo de autoridade expõe
suas ideias sem ser questionado e os demais permanecem como ouvintes passivos. Desta
forma o indivíduo coagido tem pouca participação racional na produção, conservação e
divulgação das ideias. Segundo Piaget as relações de coação representam um freio ao
desenvolvimento da inteligência. E a outra relação social e a cooperação que vem a ser a
coordenação das operações de dois ou mais sujeitos que estimulam e possibilitam o
desenvolvimento da inteligência, uma vez que há discussão, troca de pontos de vista e
controle mútuo dos argumentos e das provas, ou seja todos participam ativamente da relação
social, promovendo um desenvolvimento cognitivo conjunto.

3 ESTÁGIOS E CONCEITOS PARA DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Piaget define o conhecimento como um processo de adaptação que resulta da interação
do organismo-meio. Para entender de que forma o ser humano evolui e quais mecanismos
cognitivos utilizados nesse processo, Piaget desenvolveu estudos psicogenéticos objetivando
compreender como o ser humano conhece o mundo e como o meio o influência.
Segundo Piaget o comportamento e o desenvolvimento da inteligência resultam de
uma construção progressiva do sujeito em interação como meio físico e social. A relação de
interdependência entre o sujeito conhecedor e o objeto a conhecer acontece por meio de
mecanismos auto-regulatorios que resume-se a equilibração progressiva do organismo com
meio em que o individuo está inserido. Segundo o autor todo organismo vivo precisa viver em
equilíbrio com o meio ambiente, caso contrario não sobrevive. O ambiente a qual esta
inserido cria novas situações ao indivíduo causando desequilíbrios que serão necessários para
o avanço de seu desenvolvimento.
Diante de conflitos lançados pelo meio o homem utiliza de mecanismos fundamentais
denominados mecanismos próprios do individuo. Dentre estes mecanismos está a assimilação,
o sujeito ao entrar em contato com o objeto de conhecimento retira dele certas informações e
incorpora às suas estruturas já existentes possibilitando a ampliação de seu universo
cognitivo.

“ Em outras palavras a assimilação significa interpretação, ou seja, ver o mundo não
é simplesmente olhar o mundo, mas é interpretá-lo, assimilá-lo, tornar seu alguns
elementos do mundo, portanto isso implica necessariamente em assimilar algumas
informações e deixar outras de lado a cada relação existente entre o sujeito e o
objeto”.( GELSON L. D. DE PÁDUA, 2009, p. 24).

Outro mecanismo é a acomodação, que consiste na capacidade de modificação da
estrutura mental antiga para dar conta de dominar um novo objeto do conhecimento. Quer
dizer, a acomodação representa “o momento de ação do objeto sobre o sujeito”.
Ambos métodos ocorrem simultaneamente na resolução de divergências apresentadas
pelo ambiente em consequência da interação do indivíduo com o mundo dos objetos
(materiais e simbólicos), eles se alternam ao longo do processo de desenvolvimento,
possibilitando o enfrentamento e a resolução de conflitos encontrados no ambiente para que o
indivíduo possa se equilibrar e continuar se desenvolvendo.
A equilibração é o processo de busca do equilíbrio das modificações. O sujeito, ao
entrar em contato com um objeto desconhecido, pode entrar em conflito com esse objeto, ou
seja, no processo de assimilação, o que é novo, às vezes, oferece certas resistências ao
conhecimento e para conhecer esse objeto o sujeito precisa modificar suas estruturas mentais
e acomodá-las.
“O desenvolvimento é, para Piaget, "em um certo sentido, uma equilibração
progressiva, uma passagem contínua de um estado de menor equilíbrio a um estado
de equilíbrio superior" (1976, p.123) e a equilibração é um processo "que conduz de
certos estados de equilíbrio aproximado a outros qualitativamente diferentes,
passando por múltiplos desequilíbrios e reequilibrações" (1975, p. 9). É um processo
dialético que envolve equilíbrio - desequilíbrio - reequilíbrio, e é por esse motivo
que ele preferiu o termo equilibração, e não equilíbrio, que daria a impressão de algo
estável, justamente para sugerir a ideia de algo móvel e dinâmico.”( GELSON L. D.
DE PÁDUA, 2009, p. 26).

3.2 Estágios de Desenvolvimento do Conhecimento

Piaget através de suas pesquisas com crianças conseguiu distinguir quatro estágios de
desenvolvimento. Os quatro estágios foram denominados de sensório-motor, pré-operatório,
operatório concreto e operatório formal.
Para Piaget a inteligência dá saltos - muda de qualidade e cada estágio representa uma
qualidade desta inteligência.
O período sensório-motor e aquele que antecede a linguagem. Do nascimento até os
dois anos. É o estágio da inteligência pratica, porque é uma fase do desenvolvimento
cognitivo onde a criança não usa a linguagem, emprega apenas as suas ações e percepções que
estimulam suas percepções mentais. Se caracteriza essencialmente pelas construções
cognitivas de objeto permanente, de causalidade
3
e de diferenciação entre meios e fins, bem
como com a construção de tempo e espaço que também se dá nesses, aproximadamente 2
anos de vida.
O estágio pré-operatorio também conhecido como estagio da representação. Vai dos
dois até os sete anos. Segundo Piaget, neste segundo estágio, com a introdução ao mundo da
linguagem, ao jogo simbólico e as outras formas de função simbólica há um desenvolvimento
notável das estruturas mentais. As crianças reproduzem imagens mentais. Elas usam um
pensamento intuitivo que se expressa numa linguagem comunicativa – mas egocêntrica - ,
porque o pensamento delas está centrado nelas mesmas.
O ultimo estagio é o operatório, o pensamento da criança ganha a maleabilidade que
não possuía, sendo capaz de operar mentalmente com esquemas de ação que até o momento
eram apenas representados. Este divide-se em operatório concreto e operatório formal. O
operatório concreto vai dos sete anos aos doze, nessa fase as crianças são capazes de aceitar o
ponto de vista do outro, levando em conta mais de uma perspectiva, podem representar
transformações, assim como situações estáticas, têm capacidade de classificação,
agrupamento, reversibilidade e conseguem realizar atividades concretas, que não exigem
abstração. O operatório formal vai dos doze anos até a fase adulta, é a fase de transição para o
modo adulto de pensar, é durante essa fase que se forma a capacidade de raciocinar sobre
hipóteses e idéias abstratas. Nesse momento, a linguagem tem um papel fundamental, porque
serve de suporte conceitual.

3.2 Moral na criança

Os valores morais são construídos a partir da interação do sujeito com os diversos
ambientes sociais e será durante a convivência diária, principalmente com o adulto, que a

3
A "causalidade introduz-se pela atribuição de operações lógicas nos objetos" (Piaget).
criança irá construir seus valores, princípios e normas morais. As fases do desenvolvimento
da moral são:
Anomia (até 5 anos): geralmente a moral não se coloca, com as normas de conduta
sendo determinadas pelas necessidades básicas.Porém, quando as regras são obedecidas, são
seguidas pelo hábito e não por uma consciência do que é certo ou errado.
Heteronomia (até 10 anos): o certo é o cumprimento da regra e qualquer interpretação
diferente desta não corresponde a uma atitude correta.
Autonomia: legitimação das regras.O respeito a regras é gerado por meio de acordos
mútuos.

4 CONCLUSÃO

O autor, através dos conceitos expostos discute as relações entre a possibilidade de
conhecimento e o sujeito conhecedor. Visa responder não só como os homens, sozinhos ou
em conjunto constroem conhecimento mas também por quais processos e por que etapas eles
conseguem fazer isso. Estudou a fundo o universo das crianças afim de conseguir respostas
para seus questionamentos a cerca de como adquirimos conhecimento.
Segundo La Taille “a consistência da obra de Piaget faz com que ela seja
extremamente importante e o fato de a inteligência ser um tema que se encontra em qualquer
abordagem psicológica acaba propiciando com que se utilize Piaget não apenas na perspectiva
intrínseca da inteligência, mas também em outras como afetividade, moral e evidentemente
educação.”












REFERÊNCIAS


ARENDT, Ronald João Jacques. A concepção Piagetiana da relação sujeito-objeto e suas
implicações para a analise da interação social. Temas psicol. [online]. 1993, vol.1, n.3, pp.
115-125. ISSN 1413-389X.


LA TAILLE, Yves de, 1951- Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em
discussão/ Yves La Taille, Marta Kohl de Oliveira, Heloysa Dantas. – São Paulo:
Summus, 1992.


PÁDUA, Gelson Luiz Daldegan de. A Epistemologia Genetica de Jean Piaget. Revista
FACEVV, Rio Grande do Sul, n. 2, 2009, p.22-35. Disponível em <
www.facevv.edu.br...EEOOEE.pdf > Acesso em: 18
mar. 2014.


RAPPAPORT, Clara Regina. Psicologia do desenvolvimento/ Clara Regina Rappaport...[et
al]; coordenadora, Clara Regina Rappaport. – São Paulo: EPU, 1981.


VIOTTO FILHO, Irineu A. Tuim; PONCE, Rosiane de Fátima e ALMEIDA, Sandro
Henrique Vieira de. As compreensões do humano para Skinner, Piaget, Vygotski e
Wallon: pequena introdução às teorias e suas implicações na escola. Psicol. educ.
[online]. 2009, n.29, pp. 27-55. ISSN 1414-6975.


Piaget Grandes Educadores. Entrevista com Yves de La Taille. Direção: Régis Horta.
Roteiro: Paulo Camargo. 57’3”. roduzido por tta ídia e Educação.