Sumário
1
1.1
1.2

INTRODUÇÃO ÀS REDES DE COMUNICAÇÃO .................................................................... 85
Anatel ................................................................................................................................... 85
Ministério das Comunicações............................................................................................... 86

2

TELEFONIA FIXA .............................................................................................................. 86
2.1
Histórico das Telecomunicações .......................................................................................... 86
2.2
Aparelho Telefônico ............................................................................................................. 87
2.2.1 Funcionamento do aparelho telefônico .......................................................................... 89
2.3
Comutação Telefônica .......................................................................................................... 90
2.3.1 Rede de Comutação ........................................................................................................ 91
2.4
Tráfego Telefônico ................................................................................................................ 92
2.4.1 Caracterização do Tráfego Telefônico ............................................................................. 93
2.5
Centrais Telefônicas públicas e privadas .............................................................................. 94
2.5.1 Rede Pública de Telefonia ............................................................................................... 94
2.5.2 Rede Privada de Telefonia ............................................................................................... 95
2.6
Redes de Acesso Telefônico ................................................................................................. 97

3

TELEFONIA MÓVEL .......................................................................................................... 97
3.1
História da Telefonia Móvel Celular ..................................................................................... 98
3.2
Estrutura Celular................................................................................................................... 98
3.2.1 Reutilização de Frequência.............................................................................................. 98
3.2.2 Handoff e Roaming .......................................................................................................... 99
3.3
Padrão GSM ........................................................................................................................ 100
3.3.1 Arquitetura do Padrão GSM .......................................................................................... 100
3.4
Bandas de Operação no Brasil ............................................................................................ 102

4
4.1
4.2
4.3
4.4
4.5

PRINCÍPIOS DE RADIOPROPAGAÇÃO ............................................................................. 104
Mecanismos e Efeitos de Propagação ................................................................................ 106
Reflexão sobre Terra Plana e Irregular ............................................................................... 106
Difração sobre Obstáculos.................................................................................................. 107
Efeitos da Atmosfera .......................................................................................................... 110
Multipercurso ..................................................................................................................... 111

5

MODULAÇÃO ANALÓGICA E DIGITAL ............................................................................. 112
5.1
Transmissão Digital............................................................................................................. 112
5.1.1 Codificação de Linha ...................................................................................................... 112
5.1.2 Codificação de Blocos .................................................................................................... 114
5.1.3 Transmissão Digital de Dados Analógicos ..................................................................... 114
5.2
Transmissão Analógica ....................................................................................................... 115
5.2.1 Transmissão Analógica de Dados Digitais ..................................................................... 116
5.2.2 Modem .......................................................................................................................... 118
5.2.3 Transmissão Analógica de Dados Analógicos ................................................................ 118
5.2.4 Multiplexação ................................................................................................................ 119

6

TRANSMISSÕES ÓPTICAS ............................................................................................... 120
6.1
Refração.............................................................................................................................. 120
6.2
Reflexão Total ..................................................................................................................... 121
6.3
Conceitos e Composições de Fibras Ópticas ...................................................................... 122
6.4
Tipos de Fibras Ópticas ....................................................................................................... 123
6.5
Atenuações e Limitações das Fibras Ópticas ...................................................................... 125
6.5.1 Absorção ........................................................................................................................ 125
6.5.2 Espalhamento ................................................................................................................ 126
6.5.3 Curvaturas ..................................................................................................................... 126
6.5.4 Dispersão ....................................................................................................................... 127
6.6
Vantagens e Desvantagens das Fibras Ópticas .................................................................. 127

6.7
Emissores e Receptores Ópticos.........................................................................................129
6.8
Aplicações das Fibras ..........................................................................................................129
6.8.1 Fiber Channel .................................................................................................................129
6.8.2 Rede Telefônica .............................................................................................................130
6.8.3 Rede Digital de Serviços Integrados ..............................................................................130
6.8.4 Cabos Submarinos .........................................................................................................130
6.8.5 Sensores .........................................................................................................................130
7
7.1
7.2

PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DA TELEVISÃO ........................................................... 131
Estrutura Técnica ................................................................................................................131
Transmissor e Receptor de TV Digital .................................................................................133

1

INTRODUÇÃO ÀS REDES DE COMUNICAÇÃO

O art. 60 da Lei Geral das Telecomunicações - LGT, Lei n.º 9.472, de 16 de julho de 1997, define
serviço de telecomunicações como o conjunto de atividades que possibilita a oferta de capacidade de
transmissão, emissão ou recepção, por fio, radioeletricidade, meios ópticos ou qualquer outro processo
eletromagnético, de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer
natureza. Para se obter conhecimento em telecomunicações, antes de verificar seus conceitos principais,
serão abordadas algumas características dos órgãos competentes à área de telecomunicações: Anatel e
Ministério das Comunicações. Estes dois órgãos estão especificados nas seções 1.1 e 1.2.

1.1

Anatel

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) foi criada pela Lei 9.472, de 16 de julho de 1997 –
mais conhecida como Lei Geral de Telecomunicações (LGT) – sendo a primeira agência reguladora a ser
instalada no Brasil, em 5 de novembro de 1997. As principais atribuições da Anatel são ‘regulamentar’,
‘outorgar’ e ‘fiscalizar’. Tais atribuições foram desenvolvidas para cumprir a missão de “promover o
desenvolvimento das telecomunicações do País de modo a dotá-lo de uma moderna e eficiente
infraestrutura de telecomunicações, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, diversificados e a
preços justos, em todo o território nacional”. A agência é uma entidade de Estado que auxilia a
administração pública descentralizada, ou seja, ela é fiscalizada pela sociedade e por órgãos de controle
como o Tribunal de Contas da União (TCU).
As atividades da Anatel são divididas entre seis superintendências:
Superintendência de Administração Geral (SAD) ® Responsável pelas atividades administrativas
de suporte aos órgãos da Agência.
Superintendência de Radiofrequência e Fiscalização (SRF) ® Responsável pela engenharia do
espectro radioelétrico.
Superintendência de Serviços Públicos (SPB) ® Responsável pelo Serviço Telefônico Fixo
Comutado (STFC) abrangendo a condução dos procedimentos de regulamentação, de concessão, permissão
ou autorização, de outorga de autorização do direito de uso de radiofrequências associadas e
licenciamento de estações e atividades associadas.
Superintendência de Serviços Privados (SPV) ® Responsável pelos serviços de telecomunicações
prestados exclusivamente em regime privado, terrestres e espaciais exceto os serviços de comunicação
eletrônica de massa e o telefônico fixo comutado.
Superintendência de Serviços de Comunicação de Massa (SCM) ® Responsável pelos serviços de
telecomunicações denominados de comunicação eletrônica de massa, prestados no regime privado,
abrangendo a condução dos respectivos procedimentos de concessão e autorização para a exploração dos
serviços e a outorga de autorização para uso de radiofrequências associadas, além de outros serviços.
Superintendência de Universalização (SUN) Responsável pelos aspectos relativos a universalização
de serviços de telecomunicações, abrangendo a condução dos procedimentos de regulamentação.
Segundo a LGT, algumas das atribuições da Anatel são: representar o Brasil nos organismos
internacionais de telecomunicações, sob a coordenação do Poder Executivo; reprimir infrações dos direitos
dos usuários; elaborar relatório anual de suas atividades, nele destacando o cumprimento da política do
setor definida nos termos do artigo anterior; expedir normas sobre prestação de serviços de
telecomunicações no regime privado; expedir normas e padrões a serem cumpridos pelas prestadoras de
serviços de telecomunicações quanto aos equipamentos que utilizarem; entre outros.
Além disso, seus serviços regulados são de telefonia fixa (Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC);
comunicação móvel; comunicação multimídia; radiodifusão; TV por assinatura; radioamador;
radiofrequência; satélite e outros serviços de telecomunicações.

85

A intenção é substituir o Contel e dar mais autoridade ao setor. 2 TELEFONIA FIXA Ao observar a evolução dos sistemas de telefonia. o código instituiu entidades de destaque no cenário brasileiro da época: o Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel) e a Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) com o objetivo de planejar a política de telecomunicações para o país. pois a tecnologia tem se otimizado de forma exponencial. 1660 ® Dom Gauthey usa um tubo (telefone acústico) de 1Km diante de Luiz XIV. a estrutura do Ministério das Comunicações foi mantida. até 1985. por meio das empresas subordinadas a ele . a expansão da indústria de telecomunicações. em cada ponto do território nacional. no dia 25 de fevereiro de 1967. Cinco anos depois. pode-se afirmar que em breve as atuais tecnologias estarão ultrapassadas. também os atuais celulares. 1792 ® Claude Chappe utiliza um conjunto de tábuas móveis que permitia a transmissão de 76 sinais codificados conhecido como telégrafo óptico. Assim como os telefones de magneto são lembranças de um passado “distante”. serviços postais e telecomunicações. Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Este capítulo trata sobre o histórico das redes de telecomunicações assim como sobre o aparelho telefônico e informa as noções básicas de comutação telefônica. desoneração de smartphones. 1844 ® Samuel Morse inicia as telecomunicações no mundo através do telégrafo elétrico. destacam-se: articulação de políticas da área das comunicações. TV digital e universalização e massificação dos serviços de telecomunicações. canal da cidadania. rádio digital. O patrono do Ministério das Comunicações é o Marechal Rondon que chefiou a construção das linhas telegráficas nas regiões Centro-Oeste e Norte. 1861 ® Philipp Reis faz as primeiras transmissões de sons musicais por meio de fios. 1801 ® Joseph-Marie Jacquard. No livro "O Estado e as Comunicações no Brasil: Construção e Reconstrução da Administração Pública". além de ser o representante do governo federal em fóruns internacionais". atuação internacional no setor postal. O ponto chave do código foi implantar um sistema nacional de telecomunicações para assegurar a integração desse tipo de serviço no país.direta ou indiretamente. centrais telefônicas públicas e privadas e as redes de acesso. Dentre as diversas ações e programas do Ministério das Comunicações.2 Ministério das Comunicações O Ministério das Comunicações é um órgão do poder Executivo brasileiro encarregado das políticas de radiodifusão. Em 1962. radiodifusão. inovação tecnológica. Além disso. Foi criado pelo decreto-lei nº 236/1967 de 28 de fevereiro de 1967 do presidente Castello Branco. em detalhes. Durante o governo militar. cidades digitais. o autor Octavio Pieranti retrata.1. radiodifusão comunitária. As linhas de atuação da nova pasta são fixadas por meio de programas que tinham como alvo a integração operacional das empresas telefônicas.117. Também havia projetos para o setor postal e setor de radiodifusão. 1831 ® Michael Faraday demonstra a possibilidade de produção de corrente elétrica a partir da indução magnética. conhecida como Código Brasileiro de Telecomunicações. 86 . 1825 ® William Sturgeon desenvolve o eletroímã de multiespiras. francês.1 Histórico das Telecomunicações A linha do tempo pode ser resumida nos anos respectivos aos marcos históricos referentes às telecomunicações. 2.na vida de todo cidadão brasileiro. a consolidação da legislação específica e o crescimento da participação internacional do Brasil. 1867 ® Roobert Hooke propõem a transmissão do som através de um fio esticado. a forma como foi feita a regulação das comunicações no Brasil no século passado e fala do papel que o ministério teve na formulação de políticas públicas para o setor: "podia-se dizer que o Ministério das Comunicações estava presente . cria o primeiro tear comandado por cartões perfurados e Alexandre Volta cria a pilha elétrica. smartphones e tablets serão motivos de crítica daqui a algum tempo. surge um importante instrumento legal para a história das comunicações no Brasil: a lei nº 4. decreto-lei nº 200 cria o Ministério das Comunicações. telecentros.

1926 ® O inglês John Bayrd e o norte-americano Philo Farnsworth. 1946 ® Surge o primeiro computador eletrônico com 18 mil válvulas: Eniac. 1947 ® Surge a microeletrônica: nos laboratório da Bell é criado o transistor. em 24 de dezembro. 1876 ® Alexandre Graham Bell obtém a patente nº 174. engenheiro americano. a primeira central telefônica automática na capital da República (Rio de Janeiro). 1969 ® Criado a ARPNET nos EUA. Surge o primeiro computador pessoal com interface gráfica (Apple). 1945 ® Em outubro. 1920 ® Em 2 de novembro é inaugurada a primeira emissora de rádio do mundo (KDKA de Pittsburgh). sem alterar o tom da voz. 1967 ® Primeira Rede experimental entre Universidades e Centros de Pesquisas americanos. 1970 ® A Intel desenvolve o primeiro microprocessador. 1973 ® Ativado o primeiro cabo submarino para comunicações internacionais (Brasil –África). se esse som for canalizado. no discurso do Presidente Epitácio Pessoa (RJ . no Japão. O tubo. 1895 ® Guilherme Marconi cria a telefonia sem fio. a Telefonia Móvel Celular. criam a televisão. 1963 ® Desenvolvido o padrão ASCII. Para chamar uma pessoa do outro lado. No início do século XIX. que prevê um sistema geoestacionário de 3 satélites de comunicações a 36000Km de altura sobre a linha do equador. 1877 ® Instalado no Rio de Janeiro. 2000 ® Implantação do serviço de Internet em banda larga em São Paulo e Acesso à Internet via celular. 1906 ® Surge a válvula a vácuo através de Lee de Forest. 1936 ® Alan M. Clarke. usava- 87 . cujo princípio é utilizado até hoje nos telefones. No entanto. 1922 ® Em 7 de setembro é feita a primeira transmissão de rádio no Brasil. usando tubos vazios de encanamento de água. 1896 ® O mundo alcança o primeiro milhão de telefones. Turing. mais da metade estava nos EUA. em si. 1990 ® O Rio de Janeiro entra para a Telefonia Móvel Celular. 1989 ® Em 30 de novembro é inaugurado no Rio de Janeiro o primeiro sistema de telefonia celular do Brasil. 1965 ® Entra em operação a primeira central eletrônica de comutação e surge a EMBRATEL. 1943 ® A Universidade de Harvard e a IBM completam o projeto do MARK I. a revista inglesa Wireless World publica um artigo de Arthur C. o físico Biot descobriu ser possível canalizar o som de uma conversa. 1996 ® Lançamento do padrão USB e do DVD.SP). desenvolveu a máquina capaz de resolver todo o tipo de problemas. 1878 ® Hughes inventa o microfone de carvão. 1981 ® É lançado o primeiro microcomputador pela IBM. a uma distância de até um quilômetro. 1892 ® Almond Brown Strowger inaugura a primeira central telefônica automática do mundo. 1983 ® Surge o protocolo TCP/IP. George Stibitz interliga dois computadores via telefone. de invenção do telefone. 1993 ® Com a utilização em escala mundial do protocolo TCP/IP e da WWW.1875 ® Elisha Gray e Alexandre Graham Bell trabalham na invenção do telefone. pode alcançar grandes distâncias sem perder força. a Internet passa a crescer explosivamente. 1958 ® Surge o Raio Laser com o pesquisador Provost Charles H. 2. comunicação wireless e desenvolvido HTML (Tim Barnes). era de borracha com lã ou algodão em volta. permitindo que diferentes fabricantes troquem informações. Townes no Bell Labs. o primeiro telefone do país. com 56 telefones. 1929 ® Inaugurada.465.2 Aparelho Telefônico O som que passa por substâncias líquidas e sólidas se espalha para todos os lados perdendo intensidade gradativamente. As partes inicial (lugar onde se falava) e final do tubo (lugar onde se escutava) eram feitas de metal. 1978 ® Ativada. 1940 ® Criação da lógica de Boole.

O tamanho e posição desses elementos. ü Aumentar a sensibilidade do receptor (tornar audível um sinal mais fraco). no final do século XIX. foram ajustados inúmeras vezes. O primeiro tipo de aparelho transmissor utilizava a energia das vibrações sonoras que movimentavam uma placa metálica na frente de um eletroímã. Instalados em lugares distantes (sistema conhecido como ponta a ponta) cada um deles possuía um dispositivo que funcionava nos dois sentidos: servia tanto para ouvir. Após a invenção. as medidas tomadas foram: ü Aumentar a potência do transmissor (tornar o sinal mais forte na origem). surgiram os primeiros telefones fabricados por Thomas Watson (ajudante de Graham Bell). ü Melhorar a transmissão. receptor (permite ouvir o sinal telefônico) e a linha de transmissão (rede elétrica por onde passa o sinal telefônico). a outra tinha que encostar o ouvido no outro. 88 . em todas as suas formas. em meados de 1877. ü Reduzir ruídos da linha (Ruídos produzidos por causas externas). mesmo por pessoas que estivessem distantes de sua saída. todo o tempo foi dedicado ao aperfeiçoamento dos aparelhos com objetivo de reduzir custos. Após o trabalho de aperfeiçoamento do telefone. Este é. enquanto uma pessoa falava em um dos aparelhos. quanto para falar. até que se obtivessem os resultados esperados. ü Amplificar o sinal em pontos intermediários (reforçar o sinal após ter perdido força). a espessura da placa de ferro. de posição. Esse som era facilmente ouvido do outro lado. Ou seja. possui um ímã permanente e um solenoide que recebe correntes elétricas induzidas por uma placa de ferro. seguindo o princípio da indução eletromagnética. Logo após.se um apito que a pessoa soprava na boca do tubo acústico. Os primeiros telefones comercializados em 1877 pesavam cerca de 5 Kg. foram modificados diversos elementos como transmissor (produz o sinal telefônico). Primeiros telefones de 1877. Assim. ü Reduzir a atenuação e a distorção. o número de espiras do solenoide. a grossura do fio entre outros aspectos do transmissor de Bell. criando uma corrente elétrica. Tubos de conversação. basicamente. trocando depois. o princípio de funcionamento do transmissor eletromagnético de Bell que.

2. As variações da corrente nas bobinas. ligadas em série. A corrente denominada de corrente de toque é enviada ao assinante chamado de forma pulsada. que estão dispostas sobre um ímã permanente (magneto anular) de tal modo que estejam magneticamente ligadas. Esse sinal deve ter potência suficiente para avisá-lo da chamada a uma distância razoável. os aparelhos tem a cápsula transmissora ou microfone e a cápsula receptora. Consequentemente produz-se uma variação da resistência de passagem devido à variação da densidade de grânulos de carvão. deve enviar um sinal a fazer soar a campainha do seu telefone. resultam em variações do campo que atuam sobre a membrana e a fazem vibrar. sendo o transmissor e o ouvido humano é o receptor. previamente distendida. as ondas sonoras atuam sobre uma membrana. após identificar o assinante chamado. Para isso são usadas duas bobinas magnéticas. de maneira a provocar um segundo de toque de campainha por quatro segundos de silêncio. constituída basicamente de grânulos de carvão. Assim. Nos aparelhos telefônicos as cápsulas são de carvão. a corrente que circula pelo microfone será contínua e de intensidade constante. Esquema da cápsula transmissora do sistema telefônico.1 Funcionamento do aparelho telefônico A voz humana é produzida pela vibração do ar. A chave. Com a membrana em repouso. mas varia quando há incidência de ondas sonoras. A membrana de aço sobre as bobinas é atraída continuamente pelo campo do ímã permanente e. foi utilizada campainha eletromagnética.2. Esta por sua vez pressiona os grânulos de carvão com força variável na câmara de carvão. com dois núcleos de ferro doce. Esquema da cápsula receptora do sistema telefônico. Cápsula receptora Tem a função de converter a tensão alternada que chega em onda sonora. Os fatores de inteligibilidade e energia da voz são medidos em faixa de frequência (Hz). quando o fone 89 . Nos aparelhos rudimentares. respeitando este conceito. por isso. Campainha ® A central telefônica. No microfone. Cápsula transmissora ® A energia acústica produzida pela voz humana é transformada em energia elétrica por intermédio do microfone. A variação de corrente corresponde exatamente à frequência do som e a pressão acústica.

3 Comutação Telefônica A comutação é o processo de interligar dois ou mais pontos entre si. fica aberta. 2. simultaneamente. Frequências do teclado telefônico. A quarta coluna é utilizada para aplicações especiais. seja ele eletromecânico ou eletrônico. Esquema da campainha ou ring.está no gancho. onde há uma memória que armazena dígitos pressionados e um dispositivo a relê que gera os pulsos na linha. 90 . Teclado ® O antigo disco foi substituído por teclas. Ou seja. A relação entre as frequências e a tecla acionada está indicada na figura seguinte. Quando uma tecla é pressionada. duas das frequências serão enviadas pelos fios ‘a’ e ‘b’. O termo surgiu com o desenvolvimento das Redes Públicas de Telefonia com o objetivo de alocar recursos da rede para a comunicação entre dois equipamentos conectados àquela rede. uma corrente contínua alimenta o aparelho telefônico. interrompe a corrente alternada e. gera as frequências 852 Hz do grupo inferior e 1336 Hz do grupo superior.: Pressionando 8. simulando o disco. Cada tecla pressionada gera dois tons que são decodificados na central telefônica. as centrais telefônicas comutam (interligam) dois terminais por meio de um sistema automático. Quando o usuário tira o fone do gancho. Ex. O teclado é utilizado para emissão de dígitos de ‘0’ a ‘9’ e dos sinais especiais ‘*’ e ‘#’.

através das telefonistas. A central tandem pode ser sinônimo de ‘central trânsito’ quanto ao aspecto de interligar centrais de comutação entre si. Os dispositivos comuns são destinados exclusivamente ao encaminhamento de chamadas. Entretanto. No início da telefonia. Há vários tipos de centrais de comutação. porém.3. Possui prefixo indicativo que também compõe o número do assinante. 91 . Fases características da rede de comutação. Central telefônica é o conjunto de equipamentos de comutação destinado ao encaminhamento ou estabelecimento das chamadas telefônicas. Central tandem ® Interliga diversas centrais através de juntores.Representação da comutação telefônica. que permitem o encaminhamento da chamada telefônica do terminal do assinante origem até o destino. como representa a figura seguinte. Comutação telefônica antiga. não liga linha de assinantes.1 Rede de Comutação A rede de comutação é composta por centrais de comutação. a comutação era realizada manualmente. conforme as funções exercidas. A central local tem um terminal para cada assinante em um raio típico de até 6 km e possui juntores para ligação com outras centrais. 2. Uma central tandem IU (interurbana) é a central destinada essencialmente a distribuir as chamadas IU terminadas em uma área local. Central local ® Central telefônica na qual se ligam linhas de assinante. estes dois termos podem ser aplicados de maneira diferenciada no que se refere ao encaminhamento das chamadas. onde elas realizavam o papel da conexão automática atual.

para em seguida apresentar a fórmula desenvolvida por Erlang para este dimensionamento. Rota IU ou interurbana (conecta centrais interurbanas) e Rota Alternativa (aceita chamadas telefônicas excedentes de outras rotas locais ou interurbanas). Qual o número de troncos que devem ser disponibilizados para cursar tráfego entre as centrais 1 e 2? Representação da situação-problema. As funções básicas da central são Comutação e Controle. O circuito tronco é um circuito permanente entre os equipamentos de comutação de duas centrais automáticas. encaminhar a chamada através de diferentes circuitos. através da ação de juntores de entrada e de saída que comutam os circuitos tronco.000 canais ou 500 troncos entre as duas centrais (cada tronco possui 30 canais). As funções de controle de uma central são desempenhadas por circuitos capazes de identificar o número do assinante que retirou o fone do gancho. Central privada ou PABX ® A central privada de comutação ou PABX (Private Automatic Branch Exchange) comuta chamadas entre telefones de um usuário (normalmente empresas) e é ligada à uma central local por um número chave. As centrais telefônicas se interligam conforme o tipo de chamada. interurbana ou internacional. não possui terminais de assinante. 2. analisar o número chamado e identificar se a chamada é local. trocar informações com a central no destino relacionada com a chamada. enviar tom de discar e receber o número discado pelo assinante. É constituído por um conjunto de juntor de saída e de juntores de entrada interligados. O uso de PABX é particular e normalmente é interligada através de linhas tronco a uma central de comutação telefônica pública. Sua principal função é interligar outras centrais de comutação entre si. Eles podem ser classificados como unidirecionais (quando fazem a função de circuitos de saída ou de entrada) e bidirecionais (quando fazem as funções de circuitos de entrada e saída simultaneamente). Para garantir que não haja congestionamento no caso extremo em que os 15 mil assinantes de uma central estão falando com os 15 mil da outra. seriam necessários 15. 92 . Qual o número de troncos necessários para garantir que as chamadas bloqueadas devido ao número insuficiente de troncos entre 1 e 2. local. denominados ramais. O conjunto de vários troncos que interligam uma central é chamado de rota. seja inferior a 5% em um período de maior movimento? Para responder a esta questão apresenta-se inicialmente como se caracteriza tráfego telefônico. que podem ser divididas em Rota Local (conecta centrais locais). permite a conexão de centrais por meio físico ou através do espaço livre e. que permite a seus terminais. através de comutação. desativar circuitos quando não mais necessários e ativar circuitos de supervisão e de tarifação da chamada até o final.Central trânsito ® Comuta chamadas originadas em centrais locais ou provenientes de centrais tandem.4 Tráfego Telefônico Considere o seguinte exemplo: cada central local atenda a 15 mil assinantes. o acesso à Rede de Telecomunicações interna ou externa. interurbana ou para serviços especiais. A central trânsito interurbana é a central trânsito usada no encaminhamento de chamadas IU (interurbana). assim como a central tandem. Além disso. que são o meio que permite a ligação entre duas centrais de comutação e suporta a conversação telefônica. selecionar o melhor caminho disponível para a ligação.

Além disso. Para acompanhar os indicadores de qualidade do Plano Geral de Metas de Qualidade (PGMQ). Com estes dados pode-se calcular a intensidade de tráfego para a qual o sistema será dimensionado. Agner Karup Erlang desenvolveu uma fórmula para solucionar o problema da quantidade de linhas telefônicas a instalar para interligar as centrais de duas cidades vizinhas. permite o dimensionamento do número de troncos em um sistema telefônico. O mês do ano. a Anatel estabelece um calendário anual que define um dia em cada mês para coleta de dados destes indicadores nos PMM. dada por: Em que A é o tráfego oferecido. Uma vez implantado. Ou seja. A semana do mês. O tráfego telefônico varia com: A hora do dia. Variação do tráfego telefônico em relação às horas do dia. 93 é a . Erlang é uma unidade de medida de intensidade de tráfego telefônico para um intervalo de uma hora. N é o número de canais para escoar o tráfego e probabilidade de bloqueio. conhecida como Fórmula de Erlang B.4.2. o desempenho do sistema pode ser acompanhado através de medições periódicas. Ocupação dos troncos entre centrais em função das chamadas. a equação de Erlang. no sistema telefônico as chamadas se originam aleatoriamente e independentemente uma das outras. normalmente de uma hora. Para dimensionar um sistema é preciso estabelecer o número médio de chamadas e a duração média de cada chamada na Hora de Maior Movimento (HMM). O dia da semana.1 Caracterização do Tráfego Telefônico A intensidade de tráfego em um sistema telefônico pode ser definida como o somatório dos tempos das chamadas telefônicas (ocupação dos canais telefônicos) em um determinado período de tempo.

de operação manual e PABX (Private Automatic Branch Exchange). foi criado um plano de numeração universal: ü 00 ® Prefixo para ligações internacionais. ü CCCC ® Prefixo da central telefônica. ü AA ® Código de área do telefone.Exemplo: Suponha que os 15 mil assinantes da Central Local 1 originem na Hora de Maior Movimento (HMM) 500 chamadas para assinantes da Central Local 2. capazes de ultrapassar os limites da telefonia convencional e oferecer uma gama de novos serviços aos usuários de sistemas de comunicação. Para permitir a instalação do aparelho telefônico na residência do assinante (linha telefônica). Os terminais telefônicos são identificados por um número que é único dentro da central a que pertence. Resposta: Tráfego = 500 x 3 minutos/60 minutos = 25 Erlangs. A rede pública de telefonia comutada ou RPTC é o termo usado para identificar a rede telefônica mundial comutada por circuitos destinada ao serviço telefônico. rede de cabos de interligação entre os assinantes do serviço de telefonia pública e a central pública de comutação telefônica e por entroncamentos de transmissão entre as várias centrais telefônicas. terminais de serviço telefônico. de operação automática.5. porém atualmente é digital e inclui também dispositivos móveis como os telefones celulares. Assim. Bloqueio= 5. Considere que cada chamada tem uma duração média de 3 minutos.163/E. 2. Para que os terminais de uma central telefônica possam ser diferenciados de outra central e acessados de todo o mundo. as centrais telefônicas se dividem em públicas e privadas. Inicialmente foi projetada como uma rede de linhas fixas e analógicas. Qual o Grau de Bloqueio se esse tráfego é escoado por 1 tronco (30 canais) entre as Centrais. ü MCDU ® Número do terminal telefônico.1 Rede Pública de Telefonia A rede de telefonia pública comutada existe desde o começo do século XX. Já as Centrais Privadas de Comutação Telefônica (CPCT) são mais conhecidas pelas siglas PBX (Private Branch Exchange). Os padrões da rede pública de telefonia são ditados em sua maior parte pelo ITU-T seguindo o padrão de endereçamento E. Um sistema de telefonia fixa é constituído por centrais de comutação telefônica. existem as redes de distribuição telefônicas.5 Centrais Telefônicas públicas e privadas Os sistemas de telefonia modernos apresentam-se como uma base ideal para desenvolvimento de novas redes de serviços. Uma rede telefônica é uma malha de cabos que interligam as 94 .164 conhecidos popularmente como os números dos telefones. O terminal telefônico é uma posição de comutação da central pública. ü PP ® Código do país.26% 2. ü XX ® Código da operadora.

A rede telefônica urbana pode ser classificada em planta externa (rede de acesso e rede de distribuição de acesso). Em geral. também conhecidas como redes secundárias. há o fato em que se pode dispensar qualquer trabalho na rua na instalação de um terminal no endereço. que levam as facilidades do DG até pontos de distribuição denominados de Armários de Distribuição. as centrais privadas podem ser: 95 . não existe para o mundo externo. Rede de Telefonia Pública Comutada. Assim. pois se ganha agilidade. as redes podem ser tanto rígidas quanto flexíveis. Nesse caso. Assim. quando existe falta de facilidades de rede nas imediações do trajeto do cabo. As redes de acesso. em razão da demanda de terminais telefônicos a serem instalados no mesmo endereço. planta interna (tanto de central quanto de assinante) e rede de transporte (transmissão e entroncamento). para atendimento de outros assinantes. que “enxerga” apenas as linhas telefônicas. com o atual desenvolvimento tecnológico. Quando a conexão com a rede pública se dá através de linhas telefônicas comuns. São compostas por cabos de menor capacidade (geralmente de 200 pares). de outro cabo. além de realizar a comutação interna dos mesmos. 2. ela pode ser classificada. sendo também chamadas de redes dedicadas. elas não podem ser utilizadas. deixa uma contagem de 600 pares primários em cada armário. a rede de assinantes é a rede de acesso que liga os assinantes até a central de comutação. de fato.centrais telefônicas e os assinantes. Um cabo primário pode alimentar vários armários de distribuição. começam no armário de distribuição e terminam na casa do cliente. a CPCT. O cabo que sai do centro telefônico é denominado cabo alimentador e suas ramificações são chamadas de cabos laterais. As redes de distribuição. É necessário o lançamento. Geralmente o seu trajeto é aéreo. ou ampliação. são redes compostas por cabos de alta capacidade. rede local e rede interurbana. As redes flexíveis são subdivididas em redes de distribuição de acesso e redes de acesso. tem praticamente as mesmas características de uma central pública. Esta rede é empregada para o atendimento de grandes edifícios que. Dependendo do tipo de interligação com a rede pública. mas existe abundância de facilidades vagas no cabo direto. segundo sua abrangência. reduz-se a mão de obra e segurança. É o caso de centrais que se ligam à rede pública através de interfaces digitais. na planta externa. a fazer parte da mesma. a central passa. em rede de assinantes. no âmbito de uma cidade e a rede interurbana é a rede de entroncamento entre centrais de diferentes cidades. Além disso. Porém.2 Rede Privada de Telefonia Um PABX é uma Central Privada de Comutação Telefônica (CPCT) que. As redes rígidas saem da central e chegam diretamente no cliente.5. justifica uma grande quantidade de pares dedicados a ele. conhecidos como cabo primário. o cabo todo é dedicado a um único endereço. cabe à central privada realizar a interface entre a rede pública e seus ramais. a rede local é a rede de entroncamento entre centrais. podendo trocar com as mesmas todas as informações normalmente envolvidas no processo de comutação. Dentre os pontos positivos dessa rede. também conhecidas como redes primárias. É importante salientar que. Ou seja. as sinalizações trocadas entre a CPCT e a rede pública são as mesmas trocadas com o aparelho telefônico. apesar de poder estar conectando uma grande quantidade de ramais. Algumas vezes.

Central PABX ® É o equipamento responsável pelo estabelecimento das ligações no âmbito de uma rede privada e entre esta e a rede pública. processar automaticamente as chamadas internas (entre ramais) e as chamadas originadas por ramais privilegiados para a rede externa pública. As centrais privadas do tipo PABX podem utilizar tanto a comutação analógica como a digital. Central tipo CS ® Trata-se de uma central de comutação telefônica de pequeno porte que permite programação de ramais atendedores. Tem como características principais: estar ligada à central de telefonia pública através de linhas tronco. Nos ramais digitais esse processo de digitalização ocorre no próprio terminal do usuário. Após a recepção na central PABX. Podem ser classificadas ainda em eletromecânicas e eletrônicas. Os atuais sistemas PABX estão convergindo gradativamente na direção de novas tecnologias baseadas em computação distribuída e no tráfego de pacotes. Central PBX ® Central privada de comutação telefônica que é ligada à rede pública através de linhas tronco e que exige a intervenção da operadora do PBX para completar as chamadas internas (entre ramais) e as externas (entre ramais e a rede pública). sendo convertido novamente em sinal analógico e encaminhado para a Central Pública. exigir a intervenção da operadora do PABX para completar as chamadas originadas da rede externa pública para os ramais (exceto quando existir sistema de Discagem Direta a Ramal ou DDR) e as chamadas originadas por ramais semi-restritos para a rede externa pública. Aplicação de PABX digital. por exemplo. integrando novos serviços e funcionalidades. através do aparelho telefônico. Um PABX E1. é um equipamento que utiliza linhas digitais baseadas na tecnologia RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados). Permite ainda ao usuário de ramal a seleção do enlace desejado. através do próprio aparelho. Os sinais analógicos de voz são gerados em cada ramal e recebidos pela central onde são quantizados e codificados na forma de informação digital. permitindo o tráfego dos serviços de dados e voz com muito mais eficiência e qualidade. podendo também se interligar automaticamente aos demais ramais. o tronco desejado para interligar-se com o Sistema Telefônico Fixo Comutado (STFC). podendo essa programação ser alterada manualmente pelo usuário de ramal e/ou automaticamente. Conexão entre PABX e Rede Pública. Central tipo KS ® Central de comutação telefônica de pequena capacidade no qual o usuário seleciona diretamente. Central PAX ® Central privada de comutação telefônica que não é ligada à rede pública e onde as chamadas entre ramais são automáticas. usando-se um par de fios para cada ligação. o sinal digital de cada usuário (canal) é comutado (seleção física de circuito) para uma linha específica. permitindo a expansão da capacidade dos ramais telefônicos em empresas sem a necessidade de aquisição 96 .

97 . ao fazer uso dessa solução para prover o serviço fixo. Outra forma de uso da tecnologia Wireless é através da própria rede celular convencional. aprovou a Certificação e Homologação de Transmissores (ERBs) e transceptores (terminais celulares) para o serviço de telefonia fixa em aplicações ponto-multiponto (redes celulares). uma vez ativadas. a Anatel. definido simplesmente como o número de acessos. 2. A Anatel acompanha a capacidade de atendimento das operadoras telefônicas através do número de acessos instalados. podem oferecer serviço em um raio de vários quilômetros. No Brasil. estabelecendo o seguinte conceito de Mobilidade Restrita: “Função de Mobilidade Restrita: facilidade do sistema ponto-multiponto (rede celular) do serviço fixo que permite à ETA (Estação Terminal de Acesso) o estabelecimento de sessão. Uma rede para Wireless Local Loop (WLL) é implantada de forma semelhante aos sistemas celulares.” No seu Artigo 3º essa resolução ainda define que. Muitas centrais públicas digitais. de tecnologia CPA (Controle por Programa Armazenado). com Estações Rádio Base (ERBs) que. chamada ou outra espécie de comunicação em células ou setores distintos daquele em que foi inicialmente instalada. através da Resolução nº 492 de 19/02/2008.5. 3 TELEFONIA MÓVEL Um sistema de Telefonia Móvel Celular é composto basicamente da Central de Comutação e Controle (CCC). Um terminal celular configurado para ter acesso restrito a uma única Estação Rádio Base (ERB) pode ser usado como um terminal para o serviço de telefonia fixa. a Operadora deverá apresentar uma declaração informando que não habilitará as funções de mobilidade da rede e dos terminais a serem usados para aplicações fixas. dispõem de recursos que permitem oferecer facilidades semelhantes às dos sistemas PABX usados nas empresas.de novas centrais. das Estações Rádio Base (ERB’s) e das Estações Móveis (EM’s) ou Terminais Móveis (TM’s). Neste capítulo será apresentada a fundamentação teórica necessária para o entendimento de Telefonia Móvel Celular e Modelo de Propagação de Ondas utilizado. inclusive os destinados ao uso coletivo. Essas funcionalidades caracterizam os chamados "PABX virtuais".6 Redes de Acesso Telefônico A Rede de Acesso é responsável pela conexão entre os assinantes e as centrais telefônicas. conforme citado na seção 2. A tecnologia Wireless tem sido empregada como forma alternativa de acesso. que se encontra em serviço ou dispõem de todas as facilidades necessárias para entrar em serviço.1. Diagrama básico das interligações entre as centrais.

nos Estados Unidos. têm-se na ERB várias antenas diretivas que juntas irão cobrir toda uma área. Assim. tornando assim. ocorreu a primeira ligação de um aparelho celular. que são iluminadas por estações rádio base. a primeira ligação por celular ocorreu aproximadamente no ano de 1914. A figura seguinte ilustra o conceito de reutilização de frequência por grupos. o celular surgiu como um sistema de comunicação à distância que mudou frequentemente de canal para que as frequências não fossem interceptadas. devido a grandes obstáculos. Além disso. que podem ser celulares. desde que esta segunda célula não interfira na primeira. muito prosaico. A comunicação móvel era conhecida desde o começo do século XX. O aparelho. apresentou o modelo Motorola Dynatac 8000X. No ano de 1947. Porém.1 História da Telefonia Móvel Celular Heinrich Hertz. localizadas no centro das mesmas. As ondas se propagam em uma linha reta. que irá radiar para todas as direções. contudo. com a CCC que. onde as células com a mesma letra utilizam a mesma frequência. A descoberta foi a base necessária para a criação de radiotransmissores. no projeto de uma célula deve-se considerar um usuário em seus extremos. conhecida como linha de visada. além de pesar cerca de 1 quilo. 3. a ERB o centro de uma área de transmissão circular. em 1956. O formato hexagonal das células é o mais prático. As células omnidirecionais são constituídas de uma ERB com uma antena omnidirecional. Há casos onde o usuário não possui visada direta com a ERB. era considerada uma célula. O Ericsson MTA. realizada por Martin Cooper. Outros formatos como o quadrado e o triângulo podem ser utilizados. ü Sensibilidade do receptor. ü Topografia da área. Os fatores que definem a extensão da área de cobertura de uma ERB são: ü Potência de saída aplicada na antena. por causa da capacidade de refração e reflexão das ondas de rádio transmitidas e por uma grande quantidade de pequenas células nessas regiões. ü Tipo de antena. denominado Ericsson MTA (Mobilie Telephony A). O primeiro celular foi desenvolvido pela Ericsson. realiza as ligações. pagers ou smartphones. 3. O efeito de sombreamento causado por essas áreas sem coberturas é minimizado pelos prédios em grandes cidades. no dia 3 de abril de 1973 em Nova York. cada antena.1 Reutilização de Frequência As células em uma mesma área de cobertura possuem diferentes frequências. ü Banda de frequência a ser utilizada. começou-se o desenvolvimento no laboratório Bell. já que os limites de tais células não possuem uma distância igual em relação à ERB. Logo após. com o objetivo de evitar interferência entre elas.3.2 Estrutura Celular As áreas de coberturas a serem atendidas por um serviço de telefonia móvel são dividas em células hexagonais. é possível reutilizar a frequência de uma célula em outra célula relativamente distante. Por isso o nome de "celular". ü Altura e localização da antena. em 1889. tinha 25 cm de comprimento e 7 cm de largura. a empresa Motorola passou a desenvolver seu modelo de celular e.2. Existem dois tipos de células mais comuns: as células omnidirecionais e as células setorizadas. a partir da ERB. por sua vez. diretor de sistemas de operações da empresa Motorola. originou a transmissão de códigos pelo ar através de frequências de ondas eletromagnéticas. Usando esse modelo. Isso torna os formatos quadrados e triangulares não viáveis. Essas áreas sem cobertura são chamadas de área de sombra. pesava cerca de 40 quilos e foi desenvolvido para ser instalado em porta malas de carros. foi desenvolvido um sistema telefônico de alta capacidade interligado por diversas antenas. Já nas células setorizadas. 98 . sendo que. No laboratório Bell. A ERB faz a comunicação entre o terminal móvel. pois permite maior abrangência de cobertura.

porém sem apresentar interferência entre seus canais. a CCC deve se certificar que a queda de sinal do usuário ocorre devido ao deslocamento do mesmo e não de uma queda momentânea do sinal. transferir o usuário para um novo canal com uma frequência diferente. Dessa forma.2. a CCC deve. Reutilização de Frequências. Na área remanescente são instaladas novas torres e antenas criando uma nova célula. é necessário reduzir a potência de uma célula já existente diminuindo-a aproximadamente à metade de sua área de cobertura original. uma vez que utiliza as estruturas já existentes. há um problema para a CCC. Na setorização de células. ou “célula guarda- 99 . podem-se adicionar novas células ou setorizar uma célula. deve-se ter o cuidado de fazer o reuso das frequências nas células. Para que novas células sejam adicionadas. tal que quanto maior o tráfego. Assim. De qualquer modo. antes de realizar o handoff. No momento em que o usuário se desloca rapidamente. Divisão das células. porém. as células são sobrepostas. as antenas omnnidirecionais são substituídas por antenas direcionais setorizando a antiga célula. Esse método é mais econômico e mais usado pelas operadoras. existe uma técnica chamada umbrella cell. na mesma célula. A área de uma célula é definida pela densidade de tráfego telefônico. menor será a célula projetada para essa região. esse método possui altos custos. visto que. também existem usuários pedestres ou usuários se deslocando em baixa velocidade. terão células maiores que os centros urbanos. Quando o tráfego de uma célula cresce. já que as distâncias de seus extremos são iguais em relação à ERB.2 Handoff e Roaming Quando um usuário em movimento atravessa de uma célula para outra. Independente do tamanho da célula. automaticamente. áreas suburbanas ou rurais.Assim o hexágono se torna a melhor opção. 3. Esse processo é chamado de handoff e deve ser imperceptível ao usuário. Para esse caso em particular.

infraestrutura e terminais de baixo custo. A central visitada (CCC-V) deve informar à central do usuário que o mesmo não se encontra mais sobre seu domínio. começaram a implantar o Global System for Mobile Communications (GSM) que era o primeiro padrão GSM destinado à utilização internacional. tem-se o handoff entre centrais. a CCC domiciliar do usuário deve registrar o fato e liberar o usuário para utilizar a central visitada normalmente como se fosse a sua central domiciliar. Assim. Essa técnica consiste em providenciar uma grande área de cobertura para usuários deslocando rapidamente e pequenas áreas para os usuários que se deslocam em baixa velocidade ou não se deslocam.chuva”. Portanto. Quando o usuário passa de uma célula pertencente a uma CCC para uma célula que pertence a outra CCC. alocou frequências de 935-960 MHz para downlink (da estação de telecomunicações para o terminal móvel) e de 890-915 MHz para uplink (do terminal móvel à estação) para o padrão GSM 900. O conceito de roaming é dado quando um usuário entra em uma célula pertencente a uma CCC diferente de sua central domiciliar. Dentre várias características do GSM destacam-se roaming internacional. inicialmente. em 1991. Técnica de handoff ‘célula guarda-chuva’. Esse handoff também deve ser imperceptível ao usuário. 3. Dessa forma. alto grau de flexibilidade.3. 3. mas rapidamente viu-se que seria um padrão com âmbito internacional. a União Internacional de Telecomunicações (UIT).3 Padrão GSM O padrão Groupe Spéciale Mobile (GSM) foi criado inicialmente para ser um modelo pan-europeu pela Conference of European Postal and Telecommunications (CEPT). sinais de alta qualidade e segurança da linha. o subsistema de comutação de rede (NSS – Network and Switching Subsystem) e o subsistema de suporte e operação (OSS – Operation Support Subsystem).1 Arquitetura do Padrão GSM A arquitetura do GSM é constituída de três subsistemas interconectados: o subsistema de estação rádio base (BSS – Base Station Subsystem). durante uma chamada. 100 .

consequentemente. O OSS interage com os outros subsistemas. requerem ao HLR do visitante. autenticando os usuários. O SIM é um cartão inteligente composto de um processador e um chip de memória que armazena as configurações e identificação do usuário. ou seja. minimiza o espectro da modulação e aumenta a eficiência do canal. e foi apresentado pelo GSM. encaminhando-a e registrando-a. podendo ser dezenas ou até centenas de BTS.Arquitetura do sistema GSM. Baseado na modulação MSK (Minimum Shift Keying) os bits “1” e “0” são representados pelo deslocamento da portadora em aproximadamente 68 Hz e no GSM são representados por 270 MHz. quatro vezes a frequência no MSK. dando a oportunidade aos engenheiros de monitorar e gerenciar o sistema. O BSS realizará a interação entre a BTS e o terminal móvel. irá definir o tamanho da célula. espalharia energia pelos canais adjacentes. o GSM utiliza um esquema de acesso múltiplo baseado no FDMA (Frequency Division Multiple Access) e no TDMA (Time Division Multiple Acess). o GSM distribui frequências aos usuários divididas em 8 janelas de tempo (burst ou timeslots) numeradas de 0 a 7. que com sua potência devidamente regulada. O BSS é constituído pela Estação Rádio Base ou Estação Transceptora (BTS) e o Controlador de Estação Radio Base (BSC). fornecendo uma lista de estações rádio base vizinhas ao terminal. pois é a parte central do NSS. dados sobre o mesmo. Assim. Esse subsistema também é responsável pela tarifação. A duração de cada janela é de 577 μs tornando-a imperceptível ao usuário. tornando-o apropriado para uso com amplificadores de alta frequência. controlam e executam o handover. equivalente ao handoff no GSM. como o ISDN (Integrated Service Digital Network) entre outros. O FDMA atribui uma frequência para cada usuário e o TDMA compartilha um mesmo canal aos usuários. devolve continuamente uma lista com os níveis de potência das estações vizinhas e a ERB onde o terminal se encontra. O terminal. O HLR é o banco de dados que armazena os dados e a identidade dos usuários de sua região de abrangência e o AuC atua como parte integral ao HLR. É constituído pela Central de Comutação de Serviços Móveis (MSC). O BSC tem a função de monitorar e controlar um número de estações rádio base que é definido pelo fabricante. certamente são os elementos mais conhecidos. o Registro Local (HLR). Juntos os subsistemas irão registrar o usuário e realizar a chamada. 101 . O termo handover é equivalente ao handoff. do contrário. juntamente com o BSC e o MSC. O VLR é um banco de dados que contém informações temporárias sobre assinantes que estão em roaming e. reduzindo a velocidade de transferência de frequências que. Isso. Com isso. O MSC é responsável pela atribuição de canais aos usuários e à execução e controle do handover. ou estação móvel (TM). onde os usuários compartilham o mesmo canal. por sua vez. A estação rádio base no GSM deve monitorar continuamente a posição e nível de potência do terminal móvel. Por fim. um filtro gaussiano é usado na fase de pré-modulação. A BTS contém a antena. O terminal móvel. o Registro de Visitante (VLR) e o Registro de Identidade de Equipamento (EIR). O NSS é o subsistema encarregado de fazer as conexões e o controle de bancos de dados requeridos durante uma chamada. A modulação usada no GSM é a GMSK (Gaussian Minimum Shift Keying) que é um tipo de modulação FSK (Frequency Shift Keying) em que a modulação em frequência é o resultado de uma modulação em fase com sinais adequados e amplitude constante. juntamente com o Módulo de Identificação do Assinante (SIM). Sem o SIM o terminal móvel fica inoperante. o EIR foi criado para localizar e barrar possíveis equipamentos roubados ou clonados. Além disso. o Centro de Autenticação (AuC).

I e J (1900 MHz e 2100 MHz). E e M (1700 MHz e 1800 MHz) e L. Na figura seguinte. para sistemas 3G.4 Bandas de Operação no Brasil Estão disponíveis para o celular no Brasil (SMP) frequências nas bandas de: ü 850 MHz. com uplink e downlink respectivos a sua banda de operação. bandas de extensão utilizadas pelo GSM. ü 2500 MHz pata sistemas 4G. tem-se a tabela de frequências de operação na transmissão da estação móvel e da ERB. F. 102 . observam-se as frequências em 850 MHz e 900 MHz. Frequências de downlink e uplink para 850 MHz e 900 MHz. Nas figuras seguintes. ü 1900 e 2100 MHZ destinadas. ü 900 MHz. Referente à figura anterior. têm-se as frequências das bandas D. antigas bandas A e B. em sua maior parte.3. H. Frequências de downlink e uplink para 1700 MHz e 1800 MHz. ü 1700 e 1800 MHz. G. E e subfaixas de extensão utilizadas pelo GSM. bandas D. dadas em MHz.

Seguem as informações na tabela seguinte. A tabela seguinte informa as frequências de operação da tecnologia 3G com suas faixas reservadas (F. verifica-se na subfaixa de extensão.Frequências de downlink e uplink para 1900 MHz e 2100 MHz. I e J). assim como as operadoras que irão trabalhar em suas frequências respectivas. Dentre as tendências para a telefonia móvel celular. as faixas de operação do sistema TDD (Time Division Duplex) que utilizam a mesma subfaixa de frequência para transmissão nas duas direções (de 1885 MHz a 1890 MHz e de 1890 MHz a 1895 MHz). tem-se destacado a tecnologia 4G. Além disso. G. Sua frequência de operação é na faixa de 2500 MHz. H. 103 . referentes à figura anterior.

dependendo do ambiente. Os modos podem ser compreendidos através do seguinte diagrama. serviços de navegação. Antenas de tamanho viável tem ganho e diretividade muito baixos. No diagrama citado anteriormente. difratadas e. minas subterrâneas. ondas transmitidas através de obstáculos. haverá predomínio de um ou alguns mecanismos sobre os demais. radiodifusão e serviços de navegação. Comunicação com submarinos. Nas situações práticas o que se encontra é. apresenta um sumário das faixas de frequência de rádio. FREQUÊNCIAS MECANISMOS DE PROPAGAÇÃO EFEITOS DA ATMOSFERA E TERRENO ASPECTOS DE SISTEMA TIPOS DE SERVIÇO ELF (30 – 300Hz) Onda “guiada” entre a ionosfera e a superfície da Terra e refratada até grandes profundidades no solo e no mar. A tabela a seguir. Desvanecimento em distâncias curtas devido à interferência entre a onda ionosférica e a de superfície 104 Antenas de tamanho viável têm ganho e diretividade muito baixos. LF (30 – 300 kHz) Onda “guiada” entre a camada D da ionosfera e a superfície da Terra até 100 kHz. somada a esses dois mecanismos. VLF (3 – 30 KHz) Onda “guiada” entre a camada D da ionosfera e a superfície da Terra e refratada no solo e no mar. O modo de maior importância no estudo da propagação em comunicações celulares é o modo das ondas terrestres. a onda direta e a onda refletida no solo representam mecanismos básicos de propagação. Comunicação de longa distância com navios. Em especial. Baixas atenuações sobre o solo e no mar.4 PRINCÍPIOS DE RADIOPROPAGAÇÃO O canal de radiopropagação. sensoriamento remoto de solo. pela sua natureza aleatória e dependente da faixa de frequências utilizada. a partir das quais podem ocorrer subdivisões. Telegrafia para navios com alcance mundial. com a onda ionosférica tornandose distinta acima dessa frequência.003 e 0. taxas de transmissão muito baixas. suas características (mecanismos de propagação envolvidos) e aplicações. taxas de transmissão muito baixas. . a ocorrência de ondas espalhadas. Atenuação em 100 Hz entre 0.03 dB/km sobre o solo e 0. Dependendo da faixa de frequência utilizada. as ondas espaciais são predominantes na faixa de frequências e distâncias envolvidas nesse tipo de sistema. taxas de transmissão muito baixas. do ambiente e das distâncias envolvidas.3 dB/km sobre a água do mar. Antenas (cabos aterrados) gigantescas. tem três modos básicos de propagação.

inviabilizando faixas de frequência mais altas. que se fundamentam nesse mecanismo de propagação. A comunicação deve ser estabelecida primordialmente pelos mecanismos de reflexão. Efeitos de refração. Possibilidade de uso de antenas de ¼ de onda e antenas diretivas com múltiplos elementos. Radio acesso fixo e móvel. difração pelo relevo. sistemas de alta capacidade. sensoriamento remoto. Fixo terrestre. tropodifusão (ondas espaciais). Radiodifusão. difração. obstrução por edificações. que aumenta com o decréscimo da frequência. celular. HF (3 – 30 MHz) Onda ionosférica acima da distância mínima. radiodifusão. onda ionosférica forte à noite. Propagação em visibilidade. a onda propagante deve ser capaz de penetrar edificações. radar móvel terrestre e por satélite. móvel terrestre. e ainda. na maioria das vezes. Uso de conjuntos horizontais de dipolos. situações de visibilidade entre móvel e base são pouco prováveis. tropodifusão. multipercursos e dutos (faixa alta). Fixo terrestre e por satélite. Antenas Yagi (dipolos múltiplos) e helicoidais. Antenas de abertura. Efeitos de refração. Fixo ponto-a-ponto. Logo. atenuação por chuvas (acima de 10 GHz). helicoidais e de abertura. Antenas Yagi (dipolos múltiplos). obstrução pelo terreno. radar. Desvanecimento por multipercursos.MF (300 – 3000 kHz) Ondas de superfície a curta distância e em frequências mais baixas e onda ionosférica à longa distância. atenuação por chuvas. Desvanecimento por multipercursos. Antenas de abertura. pela característica de alta mobilidade dos sistemas celulares e por. multipercursos. Comunicação muito dependente do comportamento da ionosfera. Assim. sistemas por satélite. Fixo terrestre. radionavegação e alguns serviços móveis. mantendo um tamanho adequado para sua instalação nos terminais móveis. difração e espalhamento. sistemas de baixa e média capacidade. radiodifusão. UHF (300 – 3000 MHz) Propagação em visibilidade. difração e obstrução pelo relevo. marítimo e aeronáutico. móvel terrestre e por satélite. SHF (3 – 30 GHz) EHF (30 – 300 GHz) Propagação em visibilidade. onda de superfície bastante atenuada. espalhamento troposférico. móvel terrestre e por satélite. sistemas de alta capacidade. 105 . sistemas de média e alta capacidade. onda de superfície a distâncias curtas. a frequência utilizada não pode ser muito baixa – antenas mais eficientes têm comprimento entre l/8 e l/4. onde l é o comprimento de onda. frequências muito baixas acarretariam em antenas grandes. absorção por gases. radiodifusão e TV. Além disso. radiofarol. é imposto um limite inferior à faixa de frequências. sistemas de poucos canais. Esses fatores impõem um limite superior à faixa de frequências. difração. Atenuação da onda de superfície reduz sua cobertura a 100 km. o usuário estar imerso no ambiente urbano. Para o uso de antenas omnidirecionais eficientes. VHF (30 – 300 MHz) Propagação em visibilidade. sensoriamento remoto.

Área efetiva de recepção Outro conceito importante é o de área efetiva de recepção de uma antena. pelas reflexões e difrações que sofreram. O efeito de propagação que se pronuncia é o multipercurso. 4. reflexão (incluindo múltiplas reflexões e espalhamento) e difração (incluindo múltiplas difrações). O tratamento inicial dado à questão da 106 . pois o sinal resultante recebido é devido à composição de inúmeras versões do sinal original transmitido. é o de se considerar a influência da superfície da Terra na propagação.1 Mecanismos e Efeitos de Propagação Os mecanismos de propagação predominantes na faixa de frequências usada em sistemas celulares são: visibilidade.4. usualmente. tipicamente menores que 15km) permitem que a Terra seja considerada plana na maior parte das regiões sem a introdução de erros significativos. Esse efeito é conhecido por sombreamento. em grande parte. A compreensão dos mecanismos envolvidos é básica para o cálculo do raio máximo de uma célula. As flutuações que reduzem o valor do sinal abaixo da média são o que se denomina desvanecimento (em pequena escala ou. desvanecimento lento). A faixa de frequências aqui enfatizada (UHF) e as distâncias envolvidas (nos sistemas atuais. e o mais intuitivo. para efeito de reflexão no solo. a potência recebida é encontrada através do produto entre a densidade de potência e a área efetiva de recepção da antena. os raios oriundos da antena transmissora sofrem. Dentre os diversos mecanismos de radiopropagação. Conhecendo-se a densidade de potência na recepção. com f representando a frequência e GR é o ganho máximo da antena receptora. obtendo-se expressões teóricas que retratam os novos mecanismos considerados. usualmente. O primeiro procedimento. Outro efeito de propagação é o que se manifesta através da flutuação do nível de sinal devido a obstruções geradas pelo relevo ou criadas pelo homem. O correto entendimento das características dos efeitos de propagação é básico para a estimativa do desempenho do sistema e cálculo de cobertura das células. e em larga escala ou. Essa relação entre densidade de potência e o campo elétrico recebido é estabelecida. em campo distante. consequentemente. o valor médio do sinal no receptor. ‘E’ é o módulo do campo elétrico [V/m]. é a impedância intrínseca do meio [W].2 Reflexão sobre Terra Plana e Irregular Para se chegar a expressões de atenuação de propagação que melhor descrevam as situações reais encontradas. vai-se acrescentando complexidade ao problema inicial (espaço livre). em geral. Por outro lado. Durante a propagação do sinal. definido por: Em que l = 3x108 [m/s] / f [Hz] é o comprimento de onda. inúmeras reflexões até chegarem à antena receptora. no espaço livre: h = h0 = 120p @ 377 W. Ganho máximo de uma antena O termo “isotropicamente” é utilizado para definir a irradiação uniforme de energia em todas as direções. os efeitos de propagação determinam as flutuações rápidas e lentas do sinal em torno de seu valor médio. por: Em que ‘s’ é a densidade de potência [W/m2]. os que se destacam (principalmente nas comunicações móveis) são descritos a seguir. que percorreram diferentes percursos determinados. Os mecanismos de propagação determinam a atenuação de propagação no enlace e. desvanecimento rápido.

causado pela irregularidade (rugosidade) da superfície refletora. Esse princípio estabelece que cada ponto em uma frente de onda funciona como uma fonte de ondas secundárias (elementares). Isso constitui o espalhamento da energia. Observa-se na figura anterior que. chegam três ondas ao receptor: onda do raio direto. Pela solução de Norton. Reflexão sobre terra plana. Se a superfície refletora não é lisa. em várias direções. a onda refletida não possuirá direção única. o número de onda na Terra) é muito maior que o índice de refração no espaço livre (proporcional a . dando origem a inúmeros ângulos de reflexão. É importante ressaltar que essa solução é válida apenas quando a distância horizontal entre transmissor e receptor é muito maior que o comprimento de onda (l). O efeito prático da reflexão assim gerada (reflexão difusa) é que menos energia será acoplada ao receptor. onda do raio refletido na Terra Plana e a onda de superfície.reflexão considera a Terra Plana. 4. distribuídos de maneira desordenada. Isso pode ser feito pela análise da solução de Norton para esse problema. 107 . embora a lei de reflexão continue válida (ângulo de incidência igual ao ângulo de reflexão). O que ocorre é um espalhamento (difusão) da energia incidente. que irão compor a frente de onda em uma nova posição ao longo da propagação. A seguinte figura ilustra os mecanismos de propagação que dão origem à solução de Norton.3 Difração sobre Obstáculos Para a compreensão do mecanismo da difração em obstáculos. o número de onda no espaço livre). conforme pode ser visto na figura a seguir. e quando o índice de refração da Terra (proporcional a . como a superfície é irregular. Reflexão sobre terra irregular. pode ser utilizado o Princípio de Huygens. haverá inúmeros ângulos de incidência. A figura seguinte mostra o espalhamento de uma frente de onda plana (representada pelos raios incidentes paralelos) refletida em uma superfície rugosa.

Suponha-se agora que a frente de onda propagante encontre um obstáculo. Diz-se que a energia foi. Se analisarmos a propagação sem o princípio de Huygens. então. Obstrução da onda propagante por um obstáculo. como ilustra a anterior. dependendo do caminho percorrido. Porém.Princípio de Huygens. considerando a difração na análise. como mostrado na figura a seguir. verifica-se que as frentes de onda oriundas de cada irradiador secundário percorrem distâncias distintas até alcançarem o ponto de observação ‘O’ (pois estão distribuídas ao longo de toda a frente de onda). 108 . cada fonte secundária dará uma contribuição positiva ou negativa ao campo recebido em O. A análise da defasagem entre os campos associados aos diversos percursos gera o conceito das Zonas de Fresnel. Uma porção da frente de onda será obstruída pelo obstáculo. toda a região situada atrás do obstáculo não será iluminada (região de sombra). A diferença de fase entre quaisquer dois percursos é dada por: Em que Dl é a diferença de comprimento entre os percursos considerados. como feito através do princípio de Huygens. Analisando a figura a seguir. Uma análise através da teoria eletromagnética mostra que a onda incidente induz correntes no obstáculo e que o campo irradiado por essas correntes constitui-se no campo difratado. Dessa forma. ou sem qualquer outra maneira de se considerar a difração. as fontes pontuais da região não obstruída emitirão frentes de onda secundárias que iluminarão a região situada atrás do obstáculo. difratada.

na geometria ilustrada na figura a seguir. pode-se fazer um cálculo aproximado da diferença de comprimento e. 1’. d2. h é o raio de uma circunferência sobre o plano. A diferença de comprimento entre um percurso que passa por ‘A’ e um percurso que passa por qualquer outro ponto da circunferência de raio ‘h’ é: . de fase. Na figura acima. 2 e 2’. Geometria para cálculo de defasagem entre raios. centrada no ponto ‘A’. com (d1 + d2) denotando a distância entre transmissor e receptor. d2 . bem como os cálculos seguintes. entre o percurso que une o ponto ‘A’ ao observador ‘O’ (menor percurso entre um ponto na frente de onda e o ponto de observação) e qualquer outro percurso que chegue a ‘O’ (oriundo de 1. são válidos quando se obedece. A diferença de fase entre os percursos é dada por: 109 h << d1.Distância entre pontos da frente de onda e um observador. Essa defasagem (em relação ao percurso perpendicular ao plano) é que será útil no conceito de Zonas de Fresnel. O procedimento de se considerar os percursos como sendo oriundos do plano. Se a frente de onda da figura anterior for substituída por um plano perpendicular ao percurso entre as antenas transmissora e receptora. portanto. por exemplo). a h << d1.

gerar interferência 110 . como as distâncias entre os pontos pertencentes a cada zona e o ponto de recepção ‘O’ aumentam progressivamente com o aumento de ‘n’. à medida que se adiciona as contribuições das várias zonas de Fresnel. de forma que as contribuições de campo no ponto ‘O’. o campo recebido seria maior que o de espaço livre. fazendo com que a propagação da onda possa desviar-se da trajetória desejada. inclusive. e que abrange todo o espectro de radiofrequências. 4. observa-se que as zonas de Fresnel fornecerão. O efeito da chuva pode ser percebido para frequências acima de 8 GHz. espalhamento e despolarização da onda propagante. Pressão atmosférica. temperatura e umidade variam com a altura. com índice de refração significativamente diferente do índice de refração das vizinhanças) e dutos (condição especial de comportamento do índice de refração. espalhamento (devido à formação de porções da atmosfera ou bolhas. aproximadamente. caracterizada pela inversão de seu gradiente entre certas alturas. inicialmente com oscilações de maior amplitude. regido pela lei de Snell da refração). gera contribuições que interferem construtivamente para o campo relativo ao percurso que começa em ‘A’. se fosse possível obstruir apenas as zonas de ordem par. a atmosfera exerce uma influência importante na propagação de ondas de rádio. tende a oscilar menos até chegar a um valor final. A figura seguinte ilustra um elipsoide obtido para um valor de n qualquer. Elipsoide de Fresnel. se forem unidos os limites de cada zona de Fresnel ao longo de toda a propagação. as figuras formadas serão elipsoides (com as antenas transmissora e receptora nos focos). é a refração atmosférica. onde não há obstrução. por compreender variações de fase de zero a p radianos.Denominando é obtido: O parâmetro n é chamado de parâmetro de difração de Fresnel-Kirchoff. aquelas que geram contribuições correspondentes a interferências destrutivas para o campo da primeira zona de Fresnel (n = 1). sendo canalizada ao longo daquela região e podendo. A primeira zona de Fresnel. em sistemas ponto-a-ponto. provocando variação no índice de refração atmosférica. a chuva não apresenta problemas a esses sistemas. denominados Elipsoides de Fresnel. As consequências da variação do índice de refração podem ser agrupadas em refração (encurvamento na trajetória dos raios. Se agora forem consideradas outras posições de frente de onda ao longo da propagação entre as antenas. É possível demonstrar que a área de cada zona é aproximadamente igual. ou seja. Porém. tenderiam a se anular. Então.4 Efeitos da Atmosfera De uma forma geral. alternadamente. Ainda é interessante observar que. o campo resultante. vindas de cada duas zonas adjacentes. Pelos cálculos. o que ocorre é que. dependente desses três parâmetros. causando atenuação. conclui-se que. Considerando-se a faixa de frequências utilizada em comunicações móveis celulares. Outro efeito atmosférico importante. as contribuições das zonas de maior ordem (n maior) tendem a ser menores (agora analisando a amplitude). contribuições correspondentes a interferências construtivas e destrutivas para o campo total.

espalhamento e visada direta. imersa no ambiente. A mobilidade da unidade portátil possibilita que. o ambiente onde as comunicações ocorrem e a mobilidade. o móvel esteja recebendo uma diferente combinação de ondas propagantes. principalmente as grandes áreas urbanas). como movimentação de veículos. através de diferentes mecanismos de propagação. a cada instante. Porém. a faixa de frequências escolhida para sistemas móveis celulares (UHF) é favorável à propagação do sinal transmitido através de mecanismos de reflexão. Embora a refração seja gerada por uma variação uniforme do índice de refração. afetando especialmente enlaces em micro-ondas de algumas dezenas de quilômetros. decrescente com o aumento da altura. No receptor. A dinâmica do índice de refração é um dos fatores que contribuem para o desvanecimento em larga escala do sinal. por exemplo). Espacialmente. os outros dois fenômenos constituem situações anômalas no comportamento do índice de refração. conforme indica a figura seguinte. que esteja ocorrendo em determinados local e momento. ao menos para as faixas de frequência atualmente utilizadas. que será analisado adiante. 111 . No que se refere à frequência. e esteja sempre presente na atmosfera. a variação temporal do índice de refração pode afetar também a propagação nos sistemas de comunicações móveis celulares. difração. desvanecimentos rápidos e profundos ocorrem entre distâncias de l/2. As condições anômalas são relevantes na propagação troposférica. o desvanecimento de pequena escala pode ocorrer devido a alterações no ambiente. ela receberá raios através dos vários mecanismos de propagação gerados pelo ambiente. A queda no nível do sinal recebido devido ao multipercurso é conhecida por desvanecimento em pequena escala. Qualquer outra causa de atenuação devida à atmosfera (gases e neblina. O desvanecimento em pequena escala pode ser compreendido tanto espacialmente como temporalmente. 4. Como a unidade móvel está.em sistemas distantes). Cenário de multipercurso. aproximadamente. Essas condições não são características da propagação terrestre. a faixa de frequências empregada. os campos associados aos diferentes percursos somam-se vetorialmente e produzem um campo resultante oscilante. analisando-se o tempo entre desvanecimentos sucessivos em um terminal em movimento ou mesmo em repouso (neste último caso. Os vários raios refletidos no ambiente urbano são os principais causadores do multipercurso. embora o terminal não esteja deslocando-se. Quanto ao ambiente onde as comunicações se realizam (nas áreas mais povoadas. edifícios representam obstáculos nos quais a onda propagante pode refletir-se ou difratar-se. fazem com que o sinal resultante no receptor seja fruto da composição de ondas eletromagnéticas que percorreram diversos percursos distintos entre transmissor e receptor.5 Multipercurso Em sistemas de comunicações móveis celulares. por exemplo) não tem influência relevante nos sistemas celulares. em geral.

1 Transmissão Digital A transmissão digital de dados representa um valor "instantâneo" de uma situação e não representa um movimento contínuo comum de sinais analógicos. HDB-3. Manchester. conforme a figura abaixo. 5. Transmissão de dados é comumente classificada em dois modos: Analógico e Digital. A seguir tem-se a respectiva representação. AMI. finalizando a camada física.1 Codificação de Linha É a forma como o sinal elétrico irá representar a informação digital diretamente no par de fios como diferenças discretas de tensão (com um valor fixo para cada símbolo digital utilizado). RZ.1. Sistema da transmissão de dados através da codificação de linha. Tal informação digital é assim classificada como em banda básica e exemplos de códigos de linha são o NRZ. Um conceito interessante é o não relacionamento entre os níveis de sinal e dados.5 MODULAÇÃO ANALÓGICA E DIGITAL A seguir serão apresentadas técnicas de transmissão e multiplexação. além de padrões de meios físicos. entre outros. codificação de linha não associa de forma única os dois conceitos. Ou seja. 112 . Relação entre a amplitude e os níveis de sinal. 5.

Exemplificação de codificação: Manchester Diferencial. Com o bit 1 ocorre o contrário. Gera alguns problemas devido a componente DC para uma sequência de 1s ou 0s.3 . transição negativa (descida). Quantos bits extras por segundo o receptor irá receber se a comunicação acontece numa taxa de 1Kbps? E a 1Mbps? A 1 Kbps: 1000 bits enviados ® 1001 bits recebidos ® 1 bit extra A 1 Mbps: 1000000 bits enviados ® 1001000 bits recebidos ® 1000 bits extra Uma das soluções para esse problema é a autossincronização. Existem várias técnicas de codificação de linha que podem ser classificadas em: Unipolar ® A codificação unipolar utiliza somente um nível de tensão. 113 .Calculando a velocidade (bps) da transmissão: Um sinal possui dois níveis de codificação de dados.. além de preocupação adicional com a sincronização da linha. A representação indicada na figura seguinte mostra uma representação polar utilizando a técnica Manchester (utilizado no standard IEEE 802. Um problema comum da codificação de linha é a sequência de bits iguais consecutivos (1111111. RZ.. Como visto anteriormente. A codificação Manchester tipo de código de linha no qual o bit 0 é representado como uma transição positiva (subida) no meio do intervalo de sinalização do bit. pois o sinal Manchester apresenta transições a cada ciclo do clock de referência. o que justifica a importância da codificação de linha. Existem várias técnicas (NRZ. é necessário representar a informação digital com um padrão no meio físico comum ao transmissor e receptor.1% mais rápido que o relógio do transmissor. Um bom esquema de codificação do sinal digital incorpora um relógio de sincronismo para o receptor. Imagine uma transmissão síncrona com o transmissor e receptor utilizando relógios distintos.). Manchester e Manchester Diferencial). Assim. Polar ® A codificação polar utiliza dois níveis de tensão (positivo e negativo). Onde relógio do receptor está 0. Determinando a frequência de bits por segundo: f = (1 / T) = 1/ (1x10-3) = 1000Hz N°Bits por segundo = f * log2L = 1000 * log22 = 1000bps (em que L é a quantidade de níveis) Agora execute os mesmos cálculos com quatro e oito níveis de codificação. que consiste em ajustar os bits recebidos de acordo com o slot de tempo do receptor.Norma que define a rede Ethernet e o modo de acesso CSMA/CD). Observe a velocidade de transmissão. que se pode colocar o 0 V para o bit 0 e um Vcc qualquer bit 1. reduzindo erros de não sincronização de relógio. com 1ms de duração de pulso. É uma representação simples. comparado com o NRZ. facilita a recuperação da informação digital.

Utilizado no sistema digital RDSI (Rede Digital de Serviços Integrados). O processo de forma detalhada utiliza o PAM (Modulação por Amplitude de Pulso) de forma a coletar 114 . fazendo com que a potência máxima do sinal transmitido seja deslocada para valores de frequência abaixo de 20 MHz. observase a sequência de dados abaixo que utilizará a codificação em blocos 4B/5B. reduz o problema de detecção de erros. Depois cada parte de m bits é substituída por outra sequência de n bits onde n ≠ m. O AMI não resolve a questão da sincronização de zeros. Mas como transformar um sinal analógico em um sinal digital? O processo de conversão denominado PCM (Modulação por Código de Pulso). MLT-3 ® MuLTilevel-3 é um esquema de codificação que reduz a frequência do sinal transmitido. estes são selecionados (divididos) a cada sequência de m bits. A escolha para a digitalização dos sinais provém da natural distorção numa transmissão à longa distância de um sinal analógico que necessitará de algumas ampliações e subsequentes distorções intrínsecas a esse processo.3 Transmissão Digital de Dados Analógicos Nem sempre a transmissão digital recebe sinais digitais como entrada. que consiste em amostrar o sinal analógico e medi-lo (quantificá-lo). Dada uma sequência de bits. utilizando codificação bipolar é necessário utilizar o BnZs. 2B1Q ® Referente a 2 binário 1 quaternário. Como os sinais digitais estão menos propensos a ruídos e distorções existindo assim uma necessidade dessa conversão analógico-digital.: 111111111111 tornamse 111011110111101 utilizando 4B/5B) evitando problemas citados anteriormente. Num par entrançado o nível do sinal é alto e a interferência eletromagnética é baixa quando se trabalha a baixas frequências. Assim. Não usa nível 0 V.Bipolar ® Utiliza três níveis de tensão: positivo. 5. a tabela completa do código 4B/5B. 5. Um bom exemplo é a codificação de áudio para uma transmissão digital. Essa técnica simples garante redução de sequências longas de 1s e 0s (ex. negativo e zero. Para tal. com 4 níveis para representar o total de símbolos. Sistema de codificação de linha usado em ISDN no qual cada 2 bits é representado por um nível de tensão.1. A amplitude do sinal varia entre três níveis de tensão. Os códigos mais comuns são o AMI e o BnZs. visto que o receptor pode detectar um erro de transmissão.2 Codificação de Blocos A codificação de blocos viabiliza um melhor desempenho na codificação e reduz a possibilidade de erros na transmissão.1. Além disso. A seguir. Exemplificação de codificação em blocos.

duas vezes a mais alta frequência no sinal. Diagrama de transmissão digital de sinais analógicos. são necessários infinitos níveis de quantização (seria necessário um sinal analógico). pois a largura de banda para transmissão de um sinal digital é relativamente alta. Nota-se que essa quantificação gera números inteiros (ou reais) que devem ser transformados em números binários de forma a ser utilizada na transmissão digital. uma saída é transformar os dados digitais em analógicos visando sua transmissão. em que frequência os dados devem ser amostrados de forma que o sinal possa ser reconstituído? O teorema de Nyquist provou que utilizando PAM. atribuindo valores inteiros a cada amostra obtida. Qual é a taxa de amostragem de sinal cuja largura de banda vale 13 kHz (1 kHz a 14 kHz)? A taxa de amostragem deve ser. e em alguns casos a criação de filtros torna-se muito custosa.000) = 28. Dentro desse contexto existem duas possibilidades: técnicas para transmissão de dados digitais e técnicas para transmissão de dados analógicos. menor será esse erro. Logo. 115 . Modulação é o processo na qual a informação é adicionada a ondas eletromagnéticas. Para que o erro de quantização seja nulo. Todo esse processo pode ser visto no diagrama abaixo.2 Transmissão Analógica Não é sempre recomendado trabalhar apenas com a transmissão digital. denominado de Erro de Quantização. Esse erro pode ser reduzido. Logo: Taxa de amostragem = 2 × (14. Esse é um erro inserido pelo processo de quantização. Quanto maior for o número de níveis de quantização. É assim que qualquer tipo de informação (digital ou analógica). Em ambos os casos são utilizadas técnicas de modulação.000 amostras/segundo 5. mas não eliminado.amostras em intervalos de tempo iguais e depois quantificá-los. até a voz humana ou transação de dados numa aplicação interativa é transmitida numa onda eletromagnética. no mínimo. Portanto. Observa-se que algumas amostras possuem valores intermediários entre os níveis de quantização. a taxa de amostragem deve ser pelo menos duas vezes a maior que a frequência do sinal original. O transmissor adiciona a informação numa onda básica de tal forma que poderá ser recuperada na outra parte através de um processo reverso chamado demodulação.

Visando aumentar mais a transmissão de bits por segundo. fase e frequência. FSK (frequência) e PSK (fase) que são utilizadas para transmissão analógica de dados digitais. Principais técnicas de modulação analógica.5. serão apresentadas as técnicas ASK (amplitude). A técnica PSK acima utiliza apenas duas fases 0° (para o bit 0) e 180º para o bit 1. tais características são: amplitude. Técnica para codificar dados digitais em um sinal analógico através de modulação 116 . No gráfico seguinte nota-se que são utilizadas quatro fases distintas: Gráfico referente à modulação 4-PSK. Contudo. podemse utilizar mais fases visando aperfeiçoar a transmissão. criou-se a técnica QAM (Quadrature Amplitude Modulation).2. De forma geral.1 Transmissão Analógica de Dados Digitais A modulação digital é o processo que possibilita alteração de característica(s) de um sinal analógico de acordo com a informação digital a ser transmitida. A figura a seguir informa as principais características dessas técnicas. A seguir.

cada qual representando uma combinação exclusiva de bits. mas.em que duas componentes diferentes são combinadas em um único sinal. evitando assim a interferência. Constelações dos diversos tipos da modulação 16-QAM. a QAM possui menos interferência a ruídos que a ASK e melhor utilização de banda que a PSK. nota-se que existem diversas combinações possíveis para criar uma constelação. Gráfico referente à modulação 8-QAM. de forma geral. com Tx de transmissão de 24 e Tx de modulação de 8. cada uma com sua particularidade em relação a outra. Na imagem abaixo se observa o domínio do tempo para o sinal 8-QAM. Além disso. Constelações das modulações 4-QAM e 8-QAM. gerando o termo "quadratura". 117 . através de modulação ortogonal dessas duas componentes. A técnica empregada consiste na combinação da modulação por amplitude (AM) com modulação por fase (PSK) para criar uma constelação de pontos de sinal. Utilizada em TV digital e outros sistemas que necessitam de alta taxa de transferência de informação.

A linha telefônica no Brasil trabalha com uma largura de banda entre 300 Hz e 3400 Hz. principalmente a questão do ruído. fase (PM) e frequência (FM).Amplitude Modulada). A modulação por amplitude. estava fadada ao desuso. A frequência e a fase da portadora são mantidas constantes. Matematicamente. uma figura ilustrando a modulação AM. é uma aplicação direta da propriedade de deslocamentos em frequências da transformada de Fourier.2. hoje. A modulação analógica de dados analógicos consiste em combinar sinais de forma a permitir que a transmissão no meio físico seja mais eficiente. é a forma de modulação em que a amplitude de um sinal senoidal. 5. convertendo o sinal digital original. em transmissão analógica pode-se utilizar amplitude (AM). Certamente os ambientalistas não suportariam a poluição sonora gerada. 5.2 Modem Dispositivo eletrônico que modula um sinal digital em uma onda analógica. Em ambos os casos a largura de banda para dados é de 2400 Hz. Como visto na transmissão digital. pronta a ser transmitida pelo meio e que demodula o sinal analógico. que é o sinal modulador. Quando o sinal é recebido.2. chamado portadora. varia em função do sinal de interesse. porém.3 Transmissão Analógica de Dados Analógicos Observando uma emissora FM que atinge a distância de 50km de raio. Abaixo. diferente de outros países que a frequência máxima é 3300 Hz. Modulação em Amplitude ou simplesmente AM (Amplitude Modulation . devido ao avanço dos sinais digitais. outro modem reverte o processo (chamado demodulação). verifica-se que a programação musical seria transmitida de forma audível com uma potência elevadíssima para atingir toda a cidade. A seguir. devido a uma série de limitações. a tabela seguinte apresenta as modulações citadas anteriormente.Portanto. Representação das larguras de banda. Ambos os modems devem estar trabalhando de acordo com os mesmos padrões. essa tecnologia está voltando como forma de modulação. 118 . segue um gráfico com indicações.

Para uma dada taxa de transmissão em bits/s são alocados slots no tempo para cada canal de comunicação. 5. sendo essa variação proporcional ao sinal a ser transmitido. Utilizadas em situações onde o custo de implementação de canais separados para cada fonte de dados é maior que o custo e a inconveniência de utilizar as funções de multiplexação/demultiplexação. WDM ® Multiplexação por Divisão de Comprimento de Onda é um sistema de canalização em frequências (comprimentos de onda) ópticas que permite a implantação de mais de uma portadora óptica em um enlace de fibra óptica. enquanto o DWDM é o termo empregado para um sistema com muitas portadoras. As principais técnicas são: FDM ® Multiplexação por Divisão de Frequência é uma técnica utilizada para transmissão de vários canais de comunicação em um mesmo meio físico. A modulação FM (Frequency Modulation) corresponde a uma técnica de modulação de sinais que consiste no deslocamento da frequência original do sinal a ser transmitido através da variação da frequência da portadora. Representação da multiplexação.4 Multiplexação Técnica que codifica as informações de duas ou mais fontes de dados em um único canal. O WDM está associado a um sistema com poucas portadoras (quantidade menor que cinco).2. onde cada canal utiliza uma faixa de frequências.Modulação em amplitude. TDM ® Multiplexação por Divisão de Tempo é a técnica utilizada para permitir a existência de vários canais de comunicação em um mesmo meio de transmissão. 119 .

lançando a transmissão de dados transoceânica. Hondros e Derbye. depois de uma longa espera por melhores tecnologias. chegando a taxas de atenuação atuais abaixo de 0. em 1910. comprovaram a possibilidade de propagar radiação eletromagnética por cilindros dielétricos. o que acarretava grandes dificuldades. Princípio de propagação óptica. era cada vez menor a taxa de atenuação para as fibras ópticas. pela possibilidade de criação de sistemas maiores e com número menor de repetidores. que é definido pela equação: 120 . A atenuação nas fibras foi reduzida da ordem de 1000 dB/km para 20 dB/km (1970). Além disso. Cada meio possui capacidade própria quanto à refração da luz. estrutura mais rudimentar da fibra óptica. foram instalados os primeiros cabos submarinos. Embora na década de 60 já se previsse que a fibra era capaz de atingir baixas taxas de atenuação e embora as fibras ópticas tenham começado a substituir os cabos de metal nessa década. num equipamento chamado Fiberscope. Devido à falta de tecnologias e materiais. apesar de esse fato ter se concretizado apenas recentemente. já que havia níveis de perda de potência luminosa da ordem de milhares de dB/km. John Tyndall comprovou a viabilidade dessa opção. O termo “fibra óptica” só veio a surgir em 1951. por onde essa escorria. o que causou a sua substituição gradual pelo cabo de fibra óptica.1 Refração É a mudança de direção e velocidade que ocorre quando a luz passa de um meio para outro. para demonstrar que a luz se propagava ao longo do recipiente e saía com a água pelo orifício. névoa) e pela necessidade de o emissor e o receptor estarem bem visíveis entre si. no entanto. a capacidade de transmissão dos cabos coaxiais chegou a seu limite. Primeiramente. ao utilizar um recipiente cheio de água com um pequeno orifício. No entanto.6 TRANSMISSÕES ÓPTICAS A ideia de utilizar a luz nas comunicações vem desde a antiguidade.20 dB/km. essa ideia fracassou por conta dos distúrbios atmosféricos (chuva. quando o holandês Heel e os ingleses Kapany e Hopkins criaram algumas fibras de vidro com revestimento para guiar luz e imagens. o que foi o fato decisivo para seu sucesso. utilizado na medicina. Nessa década. outros pesquisadores passaram a estudar meios mais adequados para a transmissão da luz e a transmissão de sinais luminosos por eles. caracterizada pelo seu índice de refração. Muitos pesquisadores tentavam solucionar tais problemas buscando a transmissão da luz através de trajetórias curvilíneas. somente nos anos 70 elas puderam ser tratadas como opção para sistemas de telecomunicações. foram criados sistemas de comunicação óptica pelo ar. na época. foram aperfeiçoados (pois surgiram na década de 50) os dispositivos emissores. Em 1870. como o LED e o Laser. tochas e outros objetos que se interpunham ao sol ou geravam luz. utilizando espelhos. 6. A seguir. Ainda nos anos 70. que possibilitaram o surgimento dos primeiros sistemas de transmissão por fibra óptica. não se puderam comprovar resultados quanto à transmissão de luz em grandes distâncias. Com o desenvolvimento das telecomunicações nos anos 80.

em que “c” é a velocidade da luz no vácuo e “v” é a velocidade da luz no meio. e é dado por:  Se o feixe de luz fizer um ângulo maior com a normal que o ângulo crítico ( refletido e permanece no meio mais refringente. o feixe é .2 Reflexão Total Quando um feixe de luz passa de um meio mais refringente (n2) para um meio menos refringente (n1. há um ângulo de incidência que é chamado de ângulo crítico. 6. o desvio do raio de luz que passa de um meio 1 para outro (meio 2) pode ser calculado pela Lei de Snell-Descartes: Sendo “n” o índice de refração característico de cada meio e “q” o ângulo que o raio de luz forma com a normal à superfície de interface entre os meios. onde n2>n1). Representação dos ângulos de incidência e do ângulo crítico. 121 ). Propagação da luz de um meio menos denso para um mais denso. No fenômeno da refração.

De acordo com seus perfis de índice. até o fotodetector. ainda há uma capa feita de material plástico. pelos materiais e processos utilizados na fabricação da fibra. suas frequências ópticas. Representação da fibra óptica. tendo dimensões próximas a de um fio de cabelo humano. são fios que conduzem a potência luminosa injetada pelo emissor de luz. portanto. por onde a luz passa. Representação das fibras de índice degrau. 122 .3 Conceitos e Composições de Fibras Ópticas Fibras ópticas. O núcleo pode ser composto por um fio de vidro especial ou polímero que pode ter apenas 125 micrômetros de diâmetro nas fibras mais comuns e dimensões ainda menores em fibras mais sofisticadas. Ao redor da casca. como forma de proteger o interior contra danos mecânicos e contra intempéries. Ao redor do núcleo está a casca. geralmente compostas por dois materiais dielétricos. gradual e monomodo. em relação ao eixo. que é um material com índice de refração menor. São estruturas transparentes. É a diferença entre os índices de refração da casca e do núcleo que possibilita a reflexão total e a consequente manutenção do feixe luminoso no interior da fibra. não são conduzidos (esse ângulo limitante define um cone de aceitação de luz. as fibras podem ser classificadas em “perfil de índice degrau” e “perfil de índice gradual”. flexíveis. níveis de atenuação e características mecânicas são determinados pela geometria. perfil de índices. para que esta penetre no cabo. Essa diferença caracteriza o chamado “perfil de índices da fibra óptica”. simplificadamente. que é o ângulo limite de incidência da luz. que é chamada de núcleo. A capacidade de transmissão da fibra. Toda fibra óptica tem como característica um ângulo de admissão (ou de aceitação). A diferença entre os índices de refração do núcleo e da casca é obtida usando-se materiais distintos ou através de dopagens convenientes de semicondutores na sílica.6. Há uma região central na fibra óptica. mostrado na equação a seguir). Feixes de luz com ângulo superior ao de admissão não satisfazem as condições para a reflexão total e. como mostra a figura seguinte.

Se o diâmetro for grande. cujas aplicações são largamente exploradas. 123 .405). principalmente em aplicações onde uma capacidade de transmissão muito alta é requerida. caracterizando configurações de campos elétricos e magnéticos que se repetem ao longo do cabo. dado por: Tal que “a” é o raio da fibra óptica. isto é. Importante notar que o número V depende do raio do núcleo da fibra e do comprimento de onda da luz transmitida. A espécie multimodo divide-se em duas subespécies: índice degrau (ou abrupto) e índice gradual. 6. Essa condição caracteriza as fibras ópticas monomodo. Propagação de luz na fibra óptica. O número de modos aceitáveis numa fibra são dados a partir de um parâmetro calculado com as características da fibra. é: Lembrando: n1 é o índice de refração do núcleo e n2 é o índice de refração da casca. Cada modo é uma solução espaço-temporal das equações de Maxwell. o chamado número V ou frequência normalizada. Os modos de propagação são soluções espaço-temporais das equações de Maxwell para cada fibra. Quanto maior o ângulo de admissão. A partir da definição de ângulo de admissão. condições a partir das quais uma propagação não pode existir. portanto. A equação. define-se “abertura numérica” de uma fibra que consiste no ângulo de admissão. maior é o diâmetro requerido para a fibra. Deve-se ressaltar que a abertura numérica e o ângulo de admissão não dependem do raio do núcleo. a fibra pode admitir a entrada de vários raios luminosos e essas diferentes possibilidades de propagação pela fibra são denominadas modos. que depende apenas do ângulo de incidência.4 Tipos de Fibras Ópticas De acordo com o número de modos. Existem condições limitadoras aos modos de propagação. A abertura numérica de uma fibra é um parâmetro muito utilizado para calcular sua capacidade de captar e transmitir a luz. Os modos dependem do material. n1 é o índice de refração do núcleo e n2 é o índice de refração da casca. representam as diferentes possibilidades de propagação da luz pela fibra. a fibra óptica pode ser classificada como monomodo ou multimodo. AN é a Abertura Numérica e é o comprimento de onda que está sendo introduzido na fibra. Em alguns livros ou sites pode-se encontrar a mesma fórmula sem o n0 no denominador. Existem valores de V para os quais um único modo pode existir numa fibra óptica (isso ocorre quando V < 2. Na prática. da geometria e do ângulo de incidência da luz na fibra.Onde n0 o índice de refração do meio externo à fibra. Isso pode ser feito se considerar o ar como o meio externo à fibra.

Na fibra de índice degrau. que diminuem a quantidade de modos possíveis e aumentam a banda passante e a distância que essa banda pode atingir. a óptica geométrica não consegue explicar o que ocorre nas fibras monomodo. que requer alta qualidade. Por fim.Propagação de luz na fibra degrau e gradual. que advém da relativamente alta abertura numérica desse tipo de fibra. somente na interface entre o núcleo e a casca. Esse sistema é o mais econômico e o mais fácil de ser construído. suas pequenas dimensões dificultam sua conectividade. Dessa forma. o que reduz significantemente a banda das fibras multimodo de índice degrau e obriga esse tipo de fibra a ser utilizado somente em pequenas distâncias. visto que não se deseja alterar os índices de refração das fibras nem o comprimento de onda da luz incidente. nesse caso. anula-se a dispersão modal e obtém-se uma menor atenuação. mas esse aumenta progressivamente do eixo central até as bordas. apenas um modo. A refração. A casca mantém seu tamanho inalterado em relação a das fibras multimodo. Como as dimensões dos cabos são próximas aos comprimentos da luz incidente. Por outro lado. e não mais como partícula. O número de modos elevado causa o fenômeno da dispersão modal. São menores que as fibras multimodo de índice degrau e possuem aberturas numéricas menores. e. ocorre como ilustrado previamente. pois ela precisa ser espessa o suficiente para suportar os campos eletromagnéticos do modo transmitido. para os cálculos nesse tipo de fibra. elevando muito o custo do sistema. Com essa técnica. Outra vantagem desse tipo de fibra é sua grande capacidade de captar energia luminosa. Essa fibra foi projetada para adequar-se às aplicações em sistemas de telecomunicações. portanto. os altos valores de abertura numérica trazem inconvenientes ao permitir que um elevado número de modos exista dentro da fibra. Devido à disposição simples do perfil de índices e as suas dimensões relativamente grandes que facilitam sua conectividade e fabricação. tem-se o tipo monomodo. ou seja. esse tipo de fibra é utilizado 124 . No entanto. Na fibra de índice gradual o núcleo não possui índice de refração constante. Propagação de luz na fibra gradual. o que permite a utilização de emissores mais baratos. Por superar as capacidades de transmissão de fibras multimodos. A produção de fibras ópticas monomodo tem como fator limitante a dificuldade mecânica de fabricação de fios e acopladores para fibras tão finas. isto é. Ele é caracterizado por um núcleo finíssimo (de apenas alguns micrômetros) por onde há apenas um único caminho para a luz. mas que ainda mantém certa facilidade de conexão e tem uma capacidade de transmissão adequada às aplicações que se propõe. o índice de refração do núcleo é uniforme e completamente diferente do da casca. Possui complexidade média de fabricação. ocorre uma refração gradual à medida que os raios se aproximam das bordas. deve-se tratar a luz como onda eletromagnética. mas ainda não pode ser usada em longas distâncias.

Existem 3 janelas ópticas. imperfeições na fabricação (absorção por defeitos estruturais). inclusive em comunicações intercontinentais. onde há elevada transmissão de dados. mas que atualmente já é controlada através de tecnologias utilizadas na fabricação de semicondutores. Embora o avanço tenha superado essa barreira. sendo que a última foi subdividida em duas menores (Banda C e Banda L) visando o melhor aproveitamento dessa região de baixas atenuações. por sua vez. por sua relevância nas tecnologias pioneiras de fibra óptica. ao redor de 850nm. O principal motivo de atenuações em alguns tipos de fibra é a contaminação por íons metálicos. as chamadas janelas ópticas ou janelas de transmissão. 6. pode haver variações de densidade. que pode gerar perdas superiores a 1 dB/km. Há também a contaminação por íons hidroxila (OH -). Water Peak Atenuation. além da absorção do material que compõe seu núcleo. e pode ser medida de acordo com a seguinte equação:  em que Pi é a potência na entrada. espalhamento. curvatura e dispersão. a terceira é utilizada por fibras de sílica.1 Absorção Como nenhum material é perfeitamente transparente. 6. sendo utilizada geralmente pelas fibras comerciais. definiram intervalos de frequências onde essa atenuação era mínima. Finalmente. impurezas (absorção extrínseca) e outros fatores que aumentam ainda mais as perdas por absorção. sempre ocorre uma absorção parcial de luz quando essa é forçada a atravessar um meio (absorção intrínseca). o que já é praticamente o limite teórico para tal comprimento de onda. WPA). sendo cada uma delas associada a um tipo de aplicação específico. 125 . Numa fibra. As atenuações em fibras ópticas são causadas por absorção. permite enormes capacidades de transmissão. Atenuação de fibras ópticas – janela de transmissão. 1300nm e 1550nm. Po é a potência na saída e L é o comprimento da fibra. de baixo custo e utilizando fontes e detectores simples. as janelas ópticas continuam a servir como referência para os sistemas ópticos. por constituir uma região de atenuação mínima para esse material.5. Diversas impurezas podem contaminar uma fibra. A segunda. causada por água dissolvida no vidro (também chamada de atenuação por pico de água. Ela define a distância máxima (alcance) que um sistema de transmissão óptico pode ter entre emissor e receptor.em comunicações de médias e longas distâncias. Nessa janela já se fabricam fibras monomodo de atenuações da ordem de 0. A primeira é utilizada para sistemas a curta distância.2 dB/km. que. As janelas ópticas são as regiões onde não há picos de atenuação devido ao íon OH -.5 Atenuações e Limitações das Fibras Ópticas A atenuação é o motivo pelo qual a fibra óptica ganhou a importância que tem nas telecomunicações.

5. O principal é o espalhamento de Rayleigh. sempre causando perda na potência de luz transmitida. Atenuação de fibras ópticas por comprimento de onda. mas não adentrarei neles.5. permitindo a utilização de um maior número de camadas. como já citado. causando perda de potência. Outros espalhamentos são causados por imperfeições na estrutura cilíndrica da fibra. Há diversos tipos de espalhamentos.2 Espalhamento Espalhamento é o fenômeno de transferência de potência de um dos modos guiados pela guia para si mesmo ou para outros modos. 6. vibrações moleculares térmicas e outros fatores. como demonstrado na figura abaixo. Atenuação de fibras ópticas por curvaturas. advindas do processo de fabricação. alguns raios de luz podem formar um ângulo inferior ao ângulo crítico e saírem da fibra. 126 .3 Curvaturas Quando a luz na fibra óptica encontra curvas. 6. eliminou a contaminação por íons de hidroxila. por exemplo) ou microscópicas (pequenas ondulações na interface entre a casca e o núcleo). causado por variações aleatórias na densidade do material da fibra. lineares e não lineares. sejam elas macroscópicas (curva de uma fibra numa quina.O avanço da tecnologia de fabricação das fibras monomodo.

Também no início da década de 90. Isso pode fazer com que as informações cheguem ao receptor em momentos distintos. Deve-se ressaltar que esse tipo de dispersão não ocorre apenas em fibras de índice gradual. Dessa forma. assim. pesam mais a dispersão material e a dispersão do guia de onda. o índice de refração do núcleo é constante. que é um fenômeno resultante da diferença de velocidades de propagação que causa o “espalhamento” de um sinal no tempo. maior o tempo gasto para se chegar ao outro extremo da fibra.5. quanto nas de índice degrau. Além desses fatores. no entanto. o que contrasta significantemente com a banda passante vezes distância útil máxima de 400Mhz. Na fibra monomodo. Esse fenômeno é um dos aspectos de um tipo de distorção e atenuação no sinal de saída chamada de dispersão. sua atuação é mais significativa. que variam não linearmente de acordo com os comprimentos de onda. já que bits enviados em seguida. Atenuação reduzida ® As fibras ópticas apresentam perdas de transmissão extremamente baixas. fibras ópticas comerciais já chegavam a 200 GHz. por outro lado. tanto nas de índice gradual. percorrem distâncias diferentes. Isso dá uma banda total pelo menos 10000 vezes maior que sistemas de micro-ondas da primeira metade da década de 90. a variação gradual do índice de refração permite uma compensação da velocidade de propagação dos modos (raios) cujas trajetórias são mais longas. desde atenuações da ordem de 3 a 5 dB/km na janela de 850 nm até perdas inferiores a 0. o que pode diminuir a capacidade de transmissão da fibra. A dispersão torna-se mais grave conforme a taxa de envio aumenta.6 Vantagens e Desvantagens das Fibras Ópticas Dentre as vantagens da fibra óptica destacam-se: Alta banda passante ® Em cada uma das janelas ópticas. há aproximadamente 25 THz de capacidade potencial de banda. por estarem "espalhados". quanto maior a distância percorrida. Na fibra multimodo. Ressalta-se que nas últimas. Dispersão Material ® A dispersão material e a dispersão do guia de onda compõem um tipo de dispersão chamado de dispersão intramodal ou dispersão cromática. há três tipos de dispersão: Dispersão Modal ou Intermodal ® Ocorre nas fibras multimodo. 127 . 6. ainda há a dispersão. Dispersão do Guia de Onda ® Este tipo de dispersão resulta da dependência do número V característico do guia de onda em relação a cada comprimento de onda da luz transmitida. Parte da potência pode passar pela casca da fibra óptica. as dispersões que mais influenciam são a dispersão modal e a dispersão material. é possível implementar sistemas com um espaçamento muito grande entre os repetidores. portanto.4 Dispersão Na prática.2 dB/km na janela de 1550 nm. A dispersão material caracteriza-se pelos diferentes atrasos causados pelos vários índices de refração. a velocidade de propagação do feixe de luz também é constante e. Sendo assim.km. e. Como na fibra de índice degrau. o que limita a taxa de transmissão através das fibras e colabora com sua atenuação. a potência numa fibra óptica não está totalmente presa ao núcleo. causando a diferença de velocidades que caracteriza a dispersão. o que reduz brutalmente os custos do sistema.6. Nestas. de forma que passa a sofrer com as atenuações do material do qual a casca é composta (maiores que as do núcleo). Sabe-se que o atraso de um modo varia não linearmente com o número V. que tinham uma banda passante de 700 MHz. mas também nas fibras de índice gradual.km de um cabo coaxial. No caso de fibras multimodo. cada um dos modos tem uma trajetória diferente.

6 quilos de fibra óptica. o que o torna mais barato que o cobre. as fibras ópticas não sofrem com interferências eletromagnéticas. o que dificulta sabotagens aos sistemas de comunicação que utilizam fibras ópticas. É possível chegar-se a uma densidade de cabos da ordem de 106 fibras por cm2. Como desvantagens. Dificuldade para conexão ® O fato de as fibras ópticas serem pequenas e compactas geram problemas para o encaixe de conectores em suas pontas e eleva sensivelmente o custo. Esse fato pode tornar-se vantajoso. O quartzo é um material abundante na Terra. observa-se que um cabo metálico de cobre de 94 quilos pode ser substituído por 3. Um outro fato. não há faíscas. pois as fibras são imunes a pulsos eletromagnéticos.Imunidade à interferências eletromagnéticas e ruídos ® Por serem feitas de materiais dielétricos. Possibilidade de ampliação da banda sem modificação da infraestrutura ® Com a utilização da multiplexação por comprimento de onda. 128 . Dificuldade para ramificações ® As fibras ópticas são mais adequadas para conexões ponto-aponto. Impossibilidade de alimentação remota ® Contrário ao que ocorre com cabos elétricos. é possível aumentar a quantidade de banda passante sem a realização de obras estruturais. Essa redução de tamanho permite aliviar o problema de espaço no subsolo de cidades e em instalações prediais. Baixo custo potencial ® As fibras são fabricadas a partir principalmente de quartzo e polímeros. dependendo da aplicação a que se destinam. riscos de curto-circuito e outras condições que podem constituir perigo. Como comparação. Com o avanço da tecnologia. esse custo tende a baixar. é que as fibras ópticas não são detectáveis por sensores. Segurança ® As fibras ópticas não irradiam quase nada da luz que propagam. Seria difícil abastecê-lo remotamente por conta da atenuação que a energia elétrica sofreria até chegar a ele. O que encarece os sistemas ópticos é o tratamento que esse quartzo precisa sofrer como forma de retirar impurezas das fibras e o custo dos emissores e receptores dos diferentes comprimentos de onda. nas fibras ópticas é impossível que ocorra a alimentação remota do repetidor através do próprio meio. ao contrário do cobre e dos demais metais utilizados nos outros cabos. O repetidor deve estar localizado num local tal que ele seja abastecido pela energia elétrica. Isso é uma característica que garante segurança à informação transportada. pois tais tentativas exigem que seja desviada uma quantidade significativa da potência luminosa que corre no interior da fibra. Compacidade ® As fibras ópticas possuem dimensões próximas às de um fio de cabelo humano. mais importante nas aplicações militares. podem ser citadas: Fragilidade das fibras ópticas ainda não encapsuladas ® As fibras ópticas “nuas” exigem um manuseio muito mais cuidadoso do que o realizado com cabos metálicos. no entanto. bastando apenas colocar multiplexadores e demultiplexadores nas pontas das fibras. Isolamento elétrico ® Quando uma fibra óptica se rompe. descargas elétricas atmosféricas e imunes a interferências causadas por outros aparelhos elétricos. pois seus acopladores de tipo “T” sofrem com perdas muito elevadas. como detectores de metais. em especial para as fibras monomodo. A maior parte das tentativas de captação de mensagens do interior da fibra é detectável.

Os receptores luminosos estão sujeitos a diversos fatores de contaminação. entre outros. elas são estimuladas. utilizando-se o DWDM. Uma das técnicas para tal estimulação usada no diodo laser é colocar dois espelhos rigorosamente paralelos. Há dois tipos básicos de fotodiodos. As fontes devem possuir potência de emissão luz que permita a transmissão por longos espaços.6. Ela surgiu como tecnologia substituinte dos discos SCSI (Small Computer System Interface) para backup. baratos e confiáveis. 6. Os LED's são mais simples. é mais elevado que dos LED's. os LED's são usados principalmente em sistemas de menor capacidade de transmissão. Esses dispositivos são ambos feitos com materiais semicondutores. mas possuem espectro mais largo de luz gerada com uma emissão incoerente. Assim. gerando portadores de carga e colocando-os em movimento. Gigabit Ethernet é o Ethernet padrão projetado para atingir escalas de outra ordem de magnitude. com potências maiores. e a corrente escura.7 Emissores e Receptores Ópticos As fibras ópticas jamais teriam ganhado tal ênfase se não houvesse um desenvolvimento grande. A eficiência de um receptor mede-se verificando a razão entre o sinal e o ruído. o Gigabit Ethernet pode ser expandido para longas distâncias com grandes taxas. dentre os quais a potência óptica de polarização. sem que ele esteja recebendo luz. A função dos fotodetectores é absorver a luz transmitida pela fibra e convertê-la em corrente elétrica para processamento do receptor. sem gerar ruído novo nem amplificar os que vêm misturados com o sinal. geram uma radiação mais coerente. chegando à taxas de transferência de 1Gbps. operando nos menores níveis possíveis de potência óptica. aumenta o ruído captado.8 Aplicações das Fibras 6. com espectro mais estreito e feixe mais diretivo. por sua vez. Os diodos laser.8. pior eficiência de acoplamento de luz na fibra e limitações na velocidade de modulação. Há dois tipos básicos de fontes luminosas: os diodos emissores de luz (LED – Light Emitting Diodes) e o diodo laser. Por conta da capacidade da fibra de cobrir longas distâncias sem repetidores. que é a corrente gerada pela excitação térmica do receptor. que pode ser tratada como uma radiação de fundo. o que caracteriza a corrente. das fontes luminosas (fotoemissores) e dos receptores luminosos (fotodetectores). recuperação de dados e espelhamento (mirroring). e convertendo-a em eletricidade com o mínimo de erros e de ruído. enquanto que no diodo laser. graças ao seu menor custo e a sua capacidade de cobrir maiores distâncias. O Fiber Channel pode ser carregado diretamente sobre a camada óptica utilizando-se o DWDM (Dense Wavelength Division Multiplexing – Multiplexação Densa por Comprimento de Onda). O ideal é que os fotodetectores tivessem o maior alcance possível. uma região não dopada. ao mesmo tempo. A diferença é que nos LED's as recombinações são espontâneas. O segundo. chamada de região intrínseca. tendo suas características dadas por esses compostos. em paralelo. de tal forma que ocorra interferência construtiva entre ondas sucessivamente construtivas até que a potência desejada seja atingida e o laser atravesse um dos espelhos.1 Fiber Channel Fiber Channel é a tecnologia da camada de enlace predominante de armazenamento em rede (Storage Area Networks – SANs) com interfaces que atingem velocidades acima de 100 Mbps. pois foi o primeiro sistema no qual a implementação com mídia óptica foi mais barata do que em mídia elétrica. Seu custo. O primeiro é um fotodiodo (diodo receptor de luz) comum que tem entre suas regiões P e N. Por isso. é próximo ao PIN. Isso ocorre porque a potência óptica que é recebida pode chegar a nanowatts. A conversão de luz em corrente é realizada utilizando a energia do fóton para retirar elétrons da camada de valência de um semicondutor (fotoionização). por sua vez. variar o mínimo possível com as condições do meio e tornar viável o acoplamento da luz na fibra. através das lentes convergentes ou de outros métodos. 129 . a tecnologia Gigabit Ethernet é um marco na história das redes locais (LANs). o fotodiodo PIN e o fotodiodo de avalanche (Avalanche photodiode). o que torna necessária a amplificação do sinal. mas gera campos elétricos mais fortes o que o torna mais sensível que o p-i-n e. Além disso. cujo objetivo é manter o campo elétrico na região constante. geralmente na primeira e segunda janelas ópticas. no entanto. a eficiência de um fotodetector depende de sua capacidade de amplificar o sinal.

6. reduziam significantemente os custos em relação aos demais cabos e materiais utilizados para os mesmos fins. entrou em operação em 1988. Essas centrais não envolvem longas distâncias. desenvolvendo sistemas de alta capacidade. Os cabos convencionais utilizam cabos coaxiais de alta qualidade. destacando-se o primitivo Fiberscope. além de oferecer outras vantagens já conhecidas como a alta banda passante e facilidades operacionais devido a suas pequenas dimensões. mas requerem repetidores separados por distâncias de 5 a 10km. 6. A ideia de utilizar a fibra óptica em tais ambientes vale-se de suas pequenas dimensões e da sua resistência a ambientes hostis. foram instalados muitos outros cabos. Além disso. O primeiro cabo óptico submarino transatlântico. médicas. e outros. que podiam ter desde algumas dezenas e centenas de quilômetros. Ativação de cabos marítimos transatlânticos. Desde então. graças sua grande capacidade de transmissão. a 130 .3 Rede Digital de Serviços Integrados As fibras ópticas são capazes de suportar os novos serviços de transmissão oferecidos pela rede digital de serviços integrados. e supervisão de controle de processos. e é mais um exemplo no qual as fibras ópticas obtiveram sucesso. Elas traziam vantagens em tais projetos. Na área médica há um vasto número de aplicações. com grande diâmetro para diminuir a atenuação. essa distância entre repetidores pode ser aumentada para mais de 100km. 6. 6. o TAT8. era utilizada no Sistema Tronco de Telefonia.4 Cabos Submarinos Os cabos submarinos são parte integrante da rede internacional de telecomunicações. como transmissão de dados. as fibras ópticas são utilizadas principalmente em sistemas de telemetria.8. Na indústria. As fibras ainda não dominaram totalmente tal aplicação por conta de seu custo ainda alto. tendo cada cabo capacidade de transmissão da ordem de 1Tbps. e por conta da dificuldade de realização de interfaces ópticas adequadas aos aparelhos telefônicos. interligando centrais de tráfego interurbano. criando uma forte rede de comunicações que interligam todos os cinco continentes. automóveis e até militares. e elevou para 20000 circuitos de voz a capacidade de tráfego entre EUA e Europa devido a sua grande capacidade de transmissão e à tecnologia DWDM. Os cabos são utilizados para diferentes tarefas. telefonia.2 Rede Telefônica A fibra óptica. televisão e outros.5 Sensores As fibras ópticas são utilizadas em sistemas sensores ou de instrumentação sejam em aplicações industriais. mas as fibras ópticas entram como forte opção.8. pressão. a rede em fibra óptica é utilizada na interligação de centrais telefônicas urbanas.8. Com as fibras ópticas. pois devido à capacidade de percorrer grandes distâncias sem a necessidade de repetidores e à grande capacidade de transmissão de banda. pois as redes subterrâneas estão geralmente congestionadas e porque sua grande banda passante é capaz de atender uma demanda crescente. representada pelo crescimento do número de usuários da rede. graças à resistência da fibra a diferentes condições de temperatura.8.

7 PRINCÍPIOS DE FUNCIONAMENTO DA TELEVISÃO Denomina-se televisão ao sistema que permite a visualização de imagens e som à distância em tempo real. além dos aparelhos de imagens. pressão. o objetivo é observar e iluminar o interior do corpo humano. erradamente. aquecimento e refrigeração de ar. auxiliaram para que ela conquistasse mais esse tipo de aplicações. Hoje em dia. pH. e de vazão sanguínea. 131 . fibra ótica ou por tecnologias de envio de dados (TCP/IP). Em tais aplicações. de imagem e de som enviados pela estação emissora. Inicialmente tinha como meio de difusão as ondas eletromagnéticas. há. sensores de temperatura. DBMT/ADBT. através da rede elétrica. Algumas etapas são diferentes dos televisores com tecnologia LCD. ATCS. os standards usados durante dezenas de anos na difusão e recepção de televisão analógica. as aplicações das fibras vão desde o controle do motor e da transmissão até os acessórios secundários (controle de janelas e portas. reparadas através dos Esquemas de Televisores. A área médica ainda conta com as redes de comunicações locais ou redes de distribuição de recursos.primeira aplicação prática na qual uma fibra óptica foi utilizada. transmissão por cabo. onde estão inseridos os blocos básicos de cada uma das etapas. em que alguns desses sistemas têm sofrido diversas adaptações e derivações locais. os programas e conteúdos são difundidos através de diversas tecnologias. DVB-T. ISBD. Os Sistemas PAL. A televisão tem um funcionamento técnico diferente para cada um dos Standards TV atualmente utilizados. televisão. NTSC e SECAM são os sistemas usados globalmente. O televisor é o dispositivo que permite a reprodução dos conteúdos com imagem e som que muitas vezes chamamos. Amplificador digital de fibra óptica. entre outros. 7. As vantagens da fibra de ser imune à interferências. são substituídos pelos novos standards de televisão digital. As diversas etapas podem ser verificadas.1 Estrutura Técnica O TV (Televisor) analógico tem diversas etapas que possibilitam a reprodução. e outras transferências de dados em alta velocidade. Atualmente. que realizam teleconferências. Na automobilística. ter dimensões pequenas e isolamento elétrico. Atualmente. como resultado do seu funcionamento.

essa tensão sai de um pino do transformador de linhas. têm-se três filamentos. Já nos TVs atuais.Diagrama de blocos do funcionamento do TV. Os filamentos necessitam de uma tensão de 6 a 12 V de corrente alternada. mas são muito próximas dos valores apresentados. em que. Os cinescópios são substituídos por écrans (telas) com tecnologia LCD. Os circuitos de imagem têm como função processar os sinais responsáveis pela imagem. cor e som. imagem e cor. Esquema técnico de processamento de som. Nos modelos mais antigos. onde a tensão é igual para cada uma das cores. Essa tensão chega a partir do transformador de linhas através de uma resistência de baixo valor (0. uma para cada cor.33 – 6 Ohm). O funcionamento normal vai reduzindo a capacidade do cinescópio de reproduzir uma imagem correta (em alguns casos pode-se utilizar um rejuvenescedor cinescópios). o processamento encontrava-se dentro de três ou quatro CIs. são exemplificativos. Nos televisores a cores. podendo variar do desenho de cada chassis. a composição está em um único CI multifuncional. O TRC na presença de circuitos de fontes magnéticas externas pode sofrer magnetização da máscara. 132 . normalmente. funcionando em condições normais. Os níveis de tensão dos diferentes pinos de um CRT (Cinescópio ou Tubo de Raios Catódicos) de um televisor a cores. marca e modelo.

2 Transmissor e Receptor de TV Digital A Televisão digital. Nesse caso. A separação pode ser feita externamente ao CI multifuncional ou através de bobines e condensadores ou então dentro do próprio CI. O distribuidor de vídeo recebe os sinais de luminância e croma e o distribui para os respectivos circuitos. proporcionando assim transmissão e recepção de maior quantidade de conteúdo por uma mesma frequência (canal) podendo obter imagem de alta qualidade (alta definição). evitando que este vá para o tubo e interfira na imagem. Para isso. embaralhamento do conteúdo dos dados e outros. e encapsulada com cerâmica. o conteúdo da informação é convertido em um sinal que se possa propagar pelo ar sem dificuldade. a maior mudança está no processo de modulação e demodulação. ou TV digital. Além disso. obter o sinal do verde G-Y. O padrão em operação comercial transporta cerca de 20 Mbps. que consomem em média 2. Esse equipamento recebe o sinal das emissões na antena em radiofrequência. A matriz pode ser feita dentro CI (TVs modernos) ou nas próprias saídas RGB (TVs antigos). áudio e sinais de dados aos aparelhos compatíveis com a tecnologia.O Tuner encontra-se numa caixa blindada. Após o distribuidor. A etapa FI está no CI e amplifica os sinais de FI do seletor. Fica no caminho do vídeo separando o sinal de som. Em termos práticos. e ruído de ignição de automóveis. separar esses dois sinais de cor. O trap e filtro de som são normalmente dois filtros de cerâmica para separar o som do resto do sinal. usa um modo de modulação e compressão digital para enviar vídeo. o sinal Y é separado do sinal de cor. isto é o equivalente a três programas em alta definição. Se for externa é uma bobina de três terminais. A DL de luminância pode ser externa ou interna ao CI. com o terminal do meio no GND. No circuito Y encontra-se a DL (linha de retardo ou atraso) que impede a chegada deste sinal à matriz antes das cores. O trap de som é um filtro cerâmico ligado em paralelo com uma bobina. resultando novamente nos sinais RGB que serão amplificados pelas saídas e aplicados nos catodos do cinescópio para produzirem imagem. O filtro de som é um filtro cerâmico sem bobina na entrada do circuito de som. O circuito de cor têm basicamente quatro funções: amplificar os sinais de cor (vermelho R-Y e azul B-Y). seleciona um canal e transforma em sinais de frequência intermédia (FI). Os sinais de TV se propagando no espaço livre estão sujeitos a várias formas de degradação motivadas por interferências. que ocupam 6 Mbps cada. No desenvolvimento da TV Digital se procurou minimizar esses efeitos com o uso de modulação mais robusta com aplicação de recursos como distribuição aleatória dos bits.8 Mbps cada. podendo ser redondo metálico ou retangular de epóxi. O circuito de luminância (Y) amplifica o sinal Y e o envia para a matriz com as cores. 133 . por sinais provenientes de multipercurso devido a reflexões em obstáculos e por interferência de canais adjacentes. 7. a luminância entra nos emissores e as cores nas bases dos transistores. Deixa passar os sinais de FI e bloqueia as interferências vindas do seletor. corretor de erros. Do circuito de cor saem três sinais: R-Y (vermelho). esses efeitos são percebidos como artefatos (minúsculos quadrados) que se espalham na tela. tais como o ruído impulsivo gerado por motores elétricos. Separa o sinal para os circuitos de som do TV. sinal de croma e sinal de som. com largura de banda de cada canal igual a 6MHz. G-Y (verde) e B-Y (azul). A figura seguinte mostra a estrutura básica de um transmissor de TV Digital. Os circuitos do transmissor têm a função de converter a informação que se deseja levar da emissora até os telespectadores em sinais de características possíveis de usar o espaço livre como meio de transporte. Nos televisores digitais. Esse transistor não é usado por todos os TVs. demodular os sinais de cor. um circuito de transistores amplifica o sinal do seletor para o filtro SAW. Decide-se enquadrar a transmissão de sinais de TV Digital nas mesmas condições já existentes para TV analógica. a matriz mistura cada uma das cores com a luminância. Logo após. Esse filtro SAW (Surface Acoustic Wave – Onda Acústica Superficial) é um filtro de cinco terminais. ou sete programas em definição padrão. Embora não existam diferenças fundamentais entre os transmissores para TV analógicos e digitais. O detector de vídeo recebe o sinal de FI e extrai sinal de luminância (Y).

39 Mbps. o sinal é convertido à portadora superior ou à portadora inferior. longe do ponto de saturação. mostrado na figura a seguir. o qual recebe o sinal de FI wi e frequência do oscilador local wo.Diagrama do transmissor digital. de forma que os filtros e os amplificadores devem operar na região linear. O circuito Up converter. cada padrão de TV Digital trata os problemas de degradação provocada por ruídos e interferências de maneira diferente. O amplificador de FI na frequência de 44MHz.wi )t Esse produto contém as componentes soma [wo + wi] e diferença [wo . cos wo t = 1/2 x(t) cos(wo + wi )t + 1/2 x(t) cos(wo . 134 . Portanto. Representação do circuito Up Converter. O amplificador possui também um controle automático de ganho para garantir um nível estável na entrada do circuito misturador. Como foi dito antes. Essa multiplicação provoca a translação do espectro original para o entorno de duas novas portadoras diferentes: (fi + fo) e (fo . esse sinal passa por um processo de compressão usando métodos tais como o MPEG2 (Moving Picture Expert Group). O som também é digitalizado e comprimido por algoritmo próprio. conforme é ilustrado na figura seguinte. Geralmente é constituído de um misturador com um diodo de alto grau de não linearidade. conectado à saída do modulador. cada uma modulada por x(t). Assim o sinal de modulação 8VSB (8 Vestigial Side Band) empregado no sistema ATSC usa a taxa fixa de 19. é dotado de um filtro passa faixa de 6MHz de largura de banda. A taxa de bits na saída do multiplexador depende das características de cada sistema. O sinal de vídeo de alta definição (HDTV) digitalizado tem uma taxa de bits muito elevada (da ordem de 1Gbps). e isso é conseguido principalmente com diferentes métodos de processamento do sinal no circuito modulador.fi). como pode ser visto na figura anterior. e gera como principais produtos os componentes da equação seguinte: x(t)cos wi t . Os sinais digitais são muito mais sensíveis aos problemas de distorção não lineares comparados com os sinais analógicos.wi]. Todos esses sinais já comprimidos (vídeo. cujo objetivo é eliminar as frequências indesejáveis geradas no processo de modulação. tem a função de transladar a frequência de FI (41~47 MHz) para frequência final de transmissão por meio de conversão de frequência. Usando uma filtragem adequada. enquanto os sistemas que usam a modulação COFDM têm taxas variáveis conforme a configuração de transmissão escolhida. incompatível com o meio de transmissão via ar para o qual está reservada a limitada largura de banda de 6MHz. som e dados) são multiplexados pelo circuito multiplexador.

vai para o circuito sintonizador de canal que seleciona o canal de interesse. portanto os seus circuitos executam o processo exatamente inverso do que ocorre no transmissor. da ordem de 30μV. esse circuito tem embutido um dispositivo de controle automático de ganho (CAG) com faixa dinâmica da ordem de 50dB. numa primeira etapa. O sinal demodulado. dependendo da distância. Isso porque. A frequência de FI assim obtida vai para os estágios de filtragem de canal. ao mesmo tempo. enquanto na transmissão é necessário um só aparelho por estação (portanto o custo é um parâmetro menos importante). Então. é necessário submetê-lo a um estágio de amplificação com baixo ruído térmico.O oscilador local que irá gerar a frequência de RF é deslocado da frequência para baixo ou para cima com um valor igual ao da frequência central de FI (44MHz). O estágio de potência tem a finalidade de elevar o sinal ao nível necessário para o transmissor ter potência capaz de cobrir determinada área desejada. 135 . principalmente no desenvolvimento de chips o qual possibilita executar tarefas complexas em um único dispositivo. Para potências maiores. A figura a seguir ilustra os principais componentes de um receptor. frequência e condições de propagação. ainda são usadas válvulas de emissão iônica. A seleção do canal desejado depende unicamente da frequência do oscilador local do Down converter. Como o sinal recebido pela antena. A linearidade desse último circuito é também muito importante para garantir a qualidade do sinal transmitido. O demodulador executa as funções exatamente inversas as que ocorreram no modulador. Como o nível de sinal recebido pela antena é extremamente baixo. Pela tecnologia atual de semicondutor. Já os receptores exercem a função inversa do transmissor. passando pelo processo inverso ao que foi efetuado no circuito Up converter da transmissão. da ordem de 30dB. o que possibilita a entrega ao circuito demodulador de um nível de sinal estável e constante independentemente do sinal de entrada. o sinal depois de ser amplificado. O grande desafio que os projetistas de receptores enfrentam é conseguir desenvolver um equipamento que atenda as características técnicas para uma boa recepção e. ser um produto de baixo custo. Cuidados especiais são necessários com relação a perfeito casamento de impedância entre esse estágio e a antena. do lado da recepção são necessários milhares de unidades e ainda ser acessível à maioria da população. O circuito excitador pré amplifica o sinal de radiofrequência a um nível adequado para alimentar o amplificador de potência. Grande ajuda nesse sentido está sendo proporcionada pela evolução tecnológica constante na área de semicondutores. Diagrama do receptor de TV digital. antes de ir para o display passa pelo processo de descompressão do sinal MPEG2. amplificação e demodulação. Essa mudança de frequência do oscilador é conseguida alterando-se a tensão de controle do diodo varicap existente dentro do circuito. é possível obter potência de até 10KW em estado sólido utilizando o processo de combinação de vários circuitos em paralelo. Pode variar desde a potência de 100W até dezenas de KW. pois a reflexão pode causar degradação por distorção de fase e amplitude do sinal transmitido. Normalmente é dotado de filtro de RF para evitar enviar ao estágio final os produtos indesejáveis gerados no circuito anterior. pode variar desde alguns μV até vários mV. A seguir o sinal passa por um circuito Down converter e por um filtro que tem a finalidade de efetuar a translação para a frequência mais baixa. Na TV Digital o filtro deve ter largura de banda de 6MHz e ser o mais linear possível para evitar introduzir distorção no sinal gerado.