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etree riser sesh ax set |r |e) ab Mana Prin version ISSN 0104-93130n-ie version ISSN 1678-8948 Senvens on Demand "Mana voL9no.2 Rio de Janeiro Oct, 2003 feumal i SeELOAnaytes i Coste Scrtar iss (2016) apf tde\org/2.2580/S0:04-93:32003000200004 Os contetidos das visées da ayahuasca Artie Portuquet (pan G Posies ope Benny Shanon ain torrat Benny Shanon & professor de psicologia na Universidade de Jerusalém. & —) Mtsbreironces autor de The antipodes of the mind: charting the phenomenology of the [How this arte _ayahuvasca experience (2002) i SeELO Anahyce P fusamateranalaton nesumo Rented inks Este artigo examina os conteddos das alucinagbes visuais induzicas pela Infusio psicot-spiea ayahuasca. Ge Taz parte de uma investigacso Fenomenol6gica mais ampla que busca estuder a ayshuasca de una perspectiva psicoldgicorcagnitiva. (Ate agora, quase tacos os estudos da ere Byahuasca partiram das ciéncias naturals ou da antropologia.) Andlises comparativas quantiabvas revelam que certos its de contaide especifico 9 Perraink fo especialmente prevalescertes om visbes ea ayahvasea © se, Feencontram em relatos de informantes de siferentes origens oeioculturas, Os resultados aio siscutdos teoricamente ® lue de consigeragies tanto psicoligicas como antropotigicss. Palavras-chave: Ayahuasca, CognicSo, Arazénla, Sones, Alucinagbes ABSTRACT ‘This paper examines the contents of the visual hallucinations induced by the Amazonian psychotropic brew ayoruasea, Its port of0 comprehensive phenomenological investigation attempting to study ayandasea from a dgnitve: psychological perspective. (So fr, practically all studies of ayanuasca pertained either to the Natural [Scencee or to anthropology ) Comparative guanttatve analyses reveal tat some specific content items are especialy prevalent in ayahuasca visions, and that these are encountered inthe reports of informants fram fiforent personal and soco-cultaral backgrounds. Theoretically, the fincings are dlscussed In light of both psychologieal and anthropological considerations Key words: Ayshuasca, Cognition, Amazonis, Dreams, Hallucinations ‘A ayahuasca & uma infusio vegetal psiceatva da Amazinia,Tiplcamente, provoca poderosas visBes, assim como alucinasdes em todas as domais modalidades de porcepsdo. Essas experlénclas geralmente se assocam a insights pessoas, ideagbes intelectivas, reagdes afetivas e experiéneias espiritvals © mistcas profundas, ‘Também se observor alteragSes dos parSmetros bésicos do experléncia = ieridade pessodl, cnexso com mundo exterior, temporalidade e os sentimentos de signicagao e de nese. No passado, # ayahuasea era un fos plares centais de varias culturas tbals da Amazénia. Hoje, a Infusso ainda ¢ instrumento coriguelro Gos Curandsiros em toda a re9ida. Além dlaso, no decorrer do secule XX, constturam-se no Gras varios grupos Fallgosos sinersicos nos quais as tadicdes inigenas relativas & ayahuasca se combinam com elementos Culturals no-inaigenas = erstdos ou outros. Dentre esses grupos, os mals importantes sso a Igreja do Santo Daime, 2 Unigo do Vegetal (abreviacamente, UcV) « a Barquinna, Em todos, a ayanuasca funciona como um ‘secrament, Dada a orientacdo psicolésica deste artigo, ndo se fard aqui uma rovisfo extonsa da iteratura antropoldgica sobre a ayahuasca, Para informacdes pertinentes a respeito do uso indigena da mesma, o letor deverd onsulter Reichel-Dolmatat (1971; 1975, 19788; 1996; 1997), Dobkin de Rios (1972; 1973), Furst (1976; 1980), {angdon (15788; 1979b; 19923), Luna (19868), (una e White (2000), Metzner (1998), bem como as cantrbuigdes em Harner (1973a), Labate © Araijo (2002) e 0 numero especial de América Inaigena (1986). Pare Informacies gerais sobre os grupos sincréticas que ublizam a ayahuasea, ver Paar (1984; 1992), MacRae (4902), Centro de Memsria e Ooeumentacda (2988), Srissac (1999), Grelsman (2999) @ Sana Aratjo (1999) ‘Yrabalho singular é 9 sbra em colaboragso do antropélogo Luna © co xara pintor Pablo Amaring® (uuna © [Amaringa 1993), que consiste om uma colegio de reprodugées ce pinturas nas quals S50 apresentadas visSes 4a ayarosca, Ursa bibllogratiesuelnte 6a pescuisa clenifica sobre a ayahuasca encontra-se em Lund (19860), InormagBes seilonalsrelativas aos aspectos botanicas © Yatmacolégicos da ayahuasca séo fornecidas em Chen Chen (1939), Der Marderosian, Pikley e Dabbins (1968), Holmstect ¢ Lnagren (1978), Schutes « wofmann (1980), Sehultes (1972; 1982; 1986), Schultes e Winkelman (1995), Or (1993; 1994), bem come em Grab et ali (4996)'e Callanay et ai (3999); informagdes sebre 0 DIT (o principio atva prmério da ayanuasca) © seus tfetes encontram-se em Strassmen (2001), opment ip rhpoS0 SRD wa © estudo cognitivo-psicolégico da ayahuasca Praticamente toda a pesquisa cietifica sobre a ayahuasca ests ¢lvdida erm duas categorias: 3 das cléncias naturals ~ botdnicaeetnobotbnica,fermacologia,bioguimicae fsiologie So céreora ~c dos clencias socials ~ notadamente a ant-opologi, Em minha opinige, nenhuma Geles val aa cerne da questéo, AmbaS as lnhas de Investigagio consideram a ayahuasca, por assim dizer, do exterior. vigentemente, a ayahuasca née seria Conhecida por nés no Ocidente ngo fossem as aventurase o afrojo de betanicas = ant-opélagos. Mas os efeltos tespacials da ayaruasca uma ver descobertas nem por Isso se tornam Botdnices ou artropolegics; eles tnvelvem as experiénclas subjetvas das pessoas. Portanto, 0 ponto que sustento é que os vardadelras problemas assoclados a essa infusdo nao tém a ver com o cérebro nem com a cultura, esis com a mente homens, Neu interesse profislonal na experléncia da ayahuasca basela-se na avallaclo de que a allanga das pesqulsas Sobre essa sunstinca e dos estudos da mente & de mao dupla (meu argumento esta mals extensamente fexposto em Shanon 1997; 19983; 2000; 20022; 2002b, 2002c). Por um lado, a pscologia cognitva apresente luma perspectiva nova © muito apropriada as investigasSes sobre 2 ayafuasca. Esta, pr sua vez, com os Fenémenes imoares que produz, abre novos panoramas para o estudo da mente em geral eda conseiéncia hhomona em particular, Avemals, parece-me que # abordagem cognitvorpsicol6giea Go eyahuases pove lana lz sobre fendmenos pertencentes a provincias de outras disepinas, notadamente 8 flosoia e 0 estude da Guiado pelas conviegbes acims expostas, emoreensi um amplo projeto de pesquisa, cujo objetivo & mapear 'Sstemoticamente os udrlos fendmenos que poder ser provacedos pele ayahuasee e ordend-los. Nesse eso, minha meta principals, segundo orientacse de Aldous Huxley (ver Huxley 1956), levantar geograta cas, egies reconcitas da pique - os antipodas da mente, na terminologia deste auter~, oculas erm noseo estado breinano.e revelacas pela ayahuasca. Um relato mais extensa desea pescuisa & apresentaca em Snanon (20022), As vis6es da ayahuasca Neste artigo, aborde a faceta mais conhacida da experiéncia da ayahuasca ~ a visual, As visSes de ayahuasca "So valorizadas em todos os contextos ~ fraciciona's bem come macernos ~nos qua‘ @Infusso ¢ uthzad Cabe fazer uma distingdo terminolbgica. Na iteraturs, emprega-se o termo comum "visbes". Pessoslmente, prefra fazer cstingao entre os termos “visualzagao" e "visdo"- Emprege o primeiro para designar todo efelto Visual provocado pela ayahuasca, 20 passo que o Segundo cenota apenas as vsualizacbes que apresentam certo frau de extensao temporal e conteude serantco. Para representacces atistcas da ayahuasca, ver Luna © ‘Amaringo (1993), ja mencionago acima, « também os trabalhos de Alexandra Segregia, Emesto Giovanni Boccara e Cel, reproduzidos em Weiskspf (1995) e Shanen (2002; 2002¢), respectivarente, (Quando, na literatura antropolégice, se colace 2 questo sobre “o que se vE nas visbes da ayahuasca?" (eu, eu, aria visuallzagées), a discussdo envolve, quase sem excecao, uma especifcacdo dos elementos de Conteddo que aparecem has visées. Uma afrmacdo tplea sera algo similar a: "Véem-se jaguares, ou cobras, bu pessoas conhecidas." Este artigo também se ocupa cesses elementos de contecdo, mas @ importante Considerar que # andlise destes & apenss uma entre varias que se podem conduzit na investigagdo cos visbes. ‘hntes de pasear ae ponto enfocado neste trabalho, situarel a presente chaccesdo em seu contexte mais amplo, & o'tarel em contrasts com autras andises que podem (e devem) ser empreendicas © primeira contraste & entre conteddo e forma. As visualizacées da ayahuasca podem aparecer em diferentes formas, Visualizagées podem eiferir quanto 3 inersidade da percep¢ao, establdade, extensio temporal e tamoérn quanto a0 impacto psicoldgico e/ou espritual que vém a ler nas pessoas. Por exemolo,algumas Visbes Eansistem em elementos de conteddo Isolodes, outras apresentam cendriosricos e em outs, sino, 56 ‘desenrolam longas narratives. © segundo contraste & relative & esfera do conteido. istingo os niveis micro e macro de andlise: 0 primelro {iz respatto aos elementos de contaddo @ 0 segundo, aos toMas. Para esclarecer esse contrasts, gostaria de Tecorrer 8 uma analogia do dominio da literatura. Qual o corteddo das tragédias de Shakespeare? Para Fesponder a esta pergunts, 0 estudlose pode submeter 8 textos das tragedls shokespearionas a uma anélise festatisties¢ cantar of elementos que nels aparecem. Aqueles que provavelmente Terao mas alta contagem SHo reise rainhas, chefes miltares, palécios, acagas ete. etc. Mas tals listas de ites no nos fornecem uma Fesposta para a segunte questao: ‘as tragédias ado sabre 0 qué?” Algumas categoriag pertinentes a esta (questdo poderiam ser: "os efeitos destrutives do poder @ da cobiga” e "Telacbes entre pase Fhos" Acresce que as visualzacbes (ou, melhor, as visbes) variam segundo a attude dos bebedores! ciante delas Mais especficamente, ver & apenes ume espdete de relagdo, Quando as visualizagbes $80 complexes ¢ & alto 0 rau de envolviments, os bebedores padem colecar-se ativamente em Interaglo com suas visdes e esempenar toda sorte de atos associados 8 elas. les pacem “passor para dentro” da cena da Vso, Dercorré-iae/ou age interagir com ebjetese crsturas que encontram, Quando Sastante cemplaxas, as VisGes fambém podem ser anallsadae em termos de sua estrutura narrativa, Uma tipologia das espécies estraturais das visses da ayaruasca © des varios padrées ce interacSo que Ines sdo associades & apresentaca em Sharon (20026) Recorréncias no contetido das visées da ayahuasca 1a tteratura antropotésiea sobre a ayahuasca emerge um padrSo surpreendente, que & 0 da recorrénela de cettos elementos comuns as visGes provocadas pela infusso. Assim, 2m uma reviszo da literatura antropolégica (menos recente), Harmer (29738) conclu que os Itens mais comuns* ras vies relatacas por indigenas S80 ‘obras, jaguares, deménios e deidades, cidades e paisagens. Também se encontram, segundo seu relato, vss Felativa ® solugdo de crimes, v8os do alma e experiéncios de clarividéncia, Observacbes similares si0 ‘presentadas em Der Marderosian eta (1970), Naranjo (19732), Furst (1980) e Grob (3999), ‘A pesquisa aqui relatada tem por propdsito estabelecer empirca esistematicamente a recorréncla, nas visbes de diterentes pessoas, de elementos de conteugo, loco se ce mediante a comparagio de dados fornecicas por mmultes grupos de lnformartes, com civersas historias pessoals © ambiente soclocuturals Varlados; os Informantes também diferem quanto ao rivel de experiéncia com a ins. Embora a existéncl de tragos comuns ds vies tena sido abservad de med informel por muitos ususrios de ayahuasea, até hoje ndo ol realizaéa nenhuma investigagso sistemalica a esse respelto. Especiicamente, oS Folatos encontvades na literatura antropaldgca estao geraimente baseados em entrevstas (por vezes extensas, como no caso de Reichel-Dalmate)realizadas com Indviduos iolados (alguns de longa experiénca pessoal ‘om a ayahuasca), mas no na Interrogagio sistemética de grupos, Mau estudo @ 0 primeira a tentar uma tal opment ip rhpoS0 SRD wa Investigacdo sistemstica. Resultados proliminares e parcais dessa investgapéo estio relatades em Shanon (2998p) © em Shanon (2002a); detalnes suplamentares s20 apresertados em Shanon (20020), O presente projto de pesquisa & pioneiro em dversos aspectos, Para comegar, ¢ prneipalmente, & a primeira Insestigacdo empirica Ge tipo caghiive-psicoldgica real zada sobre a experiencia da ayahuasca. Na verdage, ‘om excegdo co trabalho clinic conduzido por Naranjo trinta anos atrés (19733, 1978; 1973b) © dos testes tlincos-psicoldglces apicacos por Grob © colaberacores no quacro do Projato "asca, de natureza madica (Grob ef ali 1996; Mekenna, Callaway @ Groo 1998; Calaway et al! 1995), este éo Unico estudo psialégico sistematice da ayanuasca jamais realizado. Este & também a meis ample leventemento de dados sobre @ fenomenologio da experiéncie do ayahuasce 2 ser Fealizaco e relatada, Alm disso, £0 primelro estudo slatemdtico, na iterature clentifca, baseedo em Um frande corpus de dados coletadcs em primeira mao, Multes artrapblagos que nvestigaram # ezcrevaram sabre 2 ayahuasca 26 a Ingeriram umae poucas vazes 8 nia tiveram com ala mals que uma experiéneia rudimentar alguns no tveram nenhuma exper‘éncia cireta (para mals comentiros a esse respelto, ver Harner 1973, especialmente pigina 26; Mabit 1988; Davis 1996 e Narby 1998) Dbevem-se também sublinhar os aspectos quantitativos desta Investigaglo. les dizem respeito& cota de dados « também 3 andlse cestes. Curlosamente, 2 hteratura antropologce no fornace ma que rarse Feferéncias quanto a0 topico da informagio quanctatva. Geralmente, os estudos antropolégicas sobre a ayahuasca apresentam breves relates das experiéncias de varios membros de determinado grupo étrico (ver, rex, Harner 19730). Com grande frequéne.a, nlo hé indigo do nimero de pessoas entrevistadas, nem ‘uslquer especticagso de datibulgdo quantitative 6os dedos entre os Informentes. (0 dads aqu apresentados também so especias por sua heterogeneidade. Usualmerte, quando um artrepéloge estuda a ayahuasea, concentra-ze em determinada comunidade, o que £ natural, pls 0 Toco principal ¢ na sociedade e na cultura. Por estar, a0 contréri, interessado na dimensSo psicologica, cu feltberadamente estudo a ayahuasca em diferentes contextos. Estes diferem quarto 8 naturez8 da comunidade fem que a sess8o fo realizada (p. ex, indigens ou néo, religiosa ou nBo), quanto 20 tipo de ses880 (pr ex to Feliioso, sessdo de cura, celebragdo ou sem nenhur ritual) « quanto 20 local Todas essas variagSes também Se apicam aos contewtos em que eu mesmo experimentel a ayanuasca. Os dados As andlses aqui apresentadas estéo baseadas em varios conjuntas de dades, os quals Incluem meus registros pessoals, informagdes obtias de outras pessoas e dados extraides da literatura. Ao todo, foram examinades faze conjuntos de dados ralatives as visdes da ayahuasca. Além disso, para fins cormparatives, relatos ae Sonos também so analsadas. Sequem-se iformagses relativas aos ferentes conjurtes e aes procedimentes Meus préprios dados ‘Ao todo, particpel atvemente de cerca de 140 sessses de ayehuasca, relizadas em diversos contextos. Como era necessaro estabelecer alguma linha demarcatéria, decid incluit na presente anslse quantitative apenas 9s 67 sesstes anteriores 2.1996, quando comecel 2 analsar os dados, Portanta, c= dados concernentes @ essae sessBes serdo referides come corpus centval e\dentficadas como conjuntar2 1 © corpus central baseia-se em sessées com os sequintes contextos: 0s virios rituals da Tgreja do Santo Daime (20-sessbes), 05 encontros da Unido do Vegetal (11 sessbes), a Barcuinha (2 sessdo), curas concuzidas por emis indigenas ou mestgos (18 sesses) © consumo privaco ~ Sele na compannia de pequena numero de pessoas (15 sessbes), seja desacompanhade (5 sessées)! [As sessBes conduzidas nos contextos das seltasrelisosas se deram em diferentes comunidades por todo 0 Brasil, Aquelasdirgidar por curendeirostradiclonais se deram am varias regiGes ¢a Amazénia peruana ~ nas idades de Pucallpa, Tquitos, Puerto Maldonado e em aldeias préximas, Os curandeiros eram membros Ge fiterertes grupos indigenas (especificamente: Shipibo, Yagua, Coca”ma e Lames) ou individuos de escendécia mist Inger também ayehuasea com ayahuasqueros (Le., xamds que fazem uso dd ayanuasce) €e tribe Inge, no vale Sibundoy © Junta Bo rio Putumaya, na Colémbia mendional As seseles privadae foram realizadae na Companhia de pessias s quais me relia coma “Debecores Independentes" Dados coligidos de outras pessoas Minka segunda forte de dados foram entravstas am que indaguel sabre a experiéncia das pessoas com a ayahvasca. AS entrevistas eram de dois tpos: estruturadas e ndo estruturadas, Eu mesmo realize pessoalmente toaas clos, separadamente e face a face com cada entrevisiago, sem 9 presenga de terceiros, Ro todo, entrevistel 178 pessoas (122 homens ¢ 56 mulheres). 46 em entrevistas estruturedas, 128 em entrevstes ndo estruturadas « quatro de quem ootve registro completo de tadas as suas experiancias com a ayhussca. Dezesseis Infarmantes eram indigenas ou mestices, 106 residentes em regides urbanas da América do Sul @ 56 estrangeiros (ou sera, de fora da América do Sul) As entravistas estruturadas centraram-se em um questinirio que abordava 0 conjunto 6a experiéncia Gos Informantes com a infuséo, cujo objetivo era ter acesso # diferentes aspectos desse experiéncia. Era™ fapresentados aos Informantes ciferentes eategorias de conteigo, « era-Ihes perguntade se Ja Unham visto lementos pertencentes aquelas categorias. Uma Fesposta afematve incicava que 9 item em questdo navia sido isto pele informante ao menos uma vez a6 longo de toda a sua experiéncia com a ayanuasca® No que diz respeito & sua experiénca, os Informantes que partiiparam das entrevstas estruturadas pertencem ' qusleo grupos, O primeiro, o dor "bebedores Independents 18 ncividvos que consumam regularmente @ ayahuasca mas que, 8 epoca das entrevistas, ndo pertenciam a nent grupo istitucionaizado, Todos Fesialam no Bras, ® maoria no Rio de Janeiro. Para eles, a ayahuasea era 6 aspecto central de suas vidas € todos 2 consumiam regalarmente na época da entrevista. Todos tinham no rinimo quatro anes de experiencia ‘com a bebida © Jé 2 haviam consumido pelo menos quarenta vezes (e, e™m varios casos, muta mais que sso) Deve esclarecer que a caracterzacio cesses Informantes como grupo refere-se apenas aos propésitos da minh pesquisa; a matoria das pessoas a ole pertencente ndo se conhece, «ele ndo constitu absolutarents um grupo fem qualquer sentido social ou interpessoal, Cada enrewsta teve 80 menos uma hora de duragio, algunas se festenderam por até sels horas © segundo ¢ terceiro grupos de informantes submetides a questiondvios estruturados eram membros 6a Unido {do Vegetal (UeV) © do Santo Dalme ~ com quatorze e sete pessoas, respectvamente, Todos tnham vaste texperiéncla com a ayshuacca opment ape hcp S0L SEED va (© quarto grupo é constitulde de pessoas que no eram aflacas a nenhum grupo institucionalzado, mas que, Aerertemente dos bebecores independentas mencicnados acima, tinham experiénea imitada com a ayanuasca entre dez e quarenta sessées, Esse grupo Incul dez pessoas, todas ndo-incigenas e residentes em cartros, lirbonos, Entre elas esto as quatro eve forneceram os relatos completos ~ registrados por escrito Ov em fidrios pessoais ~ das sessbes de Que pariciparam, As ulras seis foram entrevistadas @ partir do questlonsrio ‘As entrevstas estrturadas geraram trés conjuntos de dados, cade um fornacico por um grupe de iformantes. O primer, conjunte n® 4, & baseado em entrevistas com o grupo de bebedores independentes com ampla lexperiéncia com a ayahuasca; o segundo, conjunton2 5, & baseado em entrevistas com os beDecores independentes de experiéneia mais imitade; 0 terceiro, conjunto n® 6, & baseedo nas entrevistas com os arrespondentes serdo respectivamente designados como Independentes I, Independentes Ife aflados: os membros do Santo Daime e da UdV foram agrupades em Uma sé rubrics, pols Separademente constitu ‘grapes muito pequens. Ccabe um comentirio sobre a exatieSo dos dados coligitos por moto de entrevistas estruturadas, AS respos afrmativas bs perguntas desse questiondriondo constituem indicadores nem da dstribuigso real dos conte Investgados nem 69s suas frequenciosrelativas. las também acabam resultando em valores ruméricos Felativamente altos. Ainda assim, 8 dados Gisponivels t8m, quanto a outros aspectes, uma virtude especial: por serem extaidos de um amplo repertirio de experitnclas, eles sdo capezes de fornecer um bom quacr® eral os tos de conte encontrados nas visGes da ayahuasca. De fat, os questiongrios refletem Umm Eonsideravel corpus total acumulaco de experincias vslordrias. Minha estimatva 62 de que, 20 todo, 05 flados aqui discutides esto baseades em aproximadamente 2,500 sessbes de ayahuasca, Nas entrevistas ndo estruturadas, os Informantes eram Indagados sobre sessées especiicas: sua primeira fexperiéncia com a bebida, 2 experiéncia mais notivel cue jétveram e detalhes de alguna sessdo em especial (geralmante, uma sesso ¢a qual cue o entrevistaco haviamos acabade de participar). Entre os informantes, inelulam=se indigenas e ndo-indigenas, xards e mestres de ceriménia da ayanuasea, pessoas com longa txperiénia ¢ também algumas que a estovam consumindo pele primeira vers entre estas Ultimas, hava tanto Suamericanos quanto estrangeiros que nada connectam de ayahuasca antes de consumi-ia peta primeira ver AS entveistes feram feta em ciferentes lugares ho Brasile ho Peru e também fora Ga America do Sul “Trés conjuntos de dados foram gerados pelas entrevstas nfo estruturadas eles correspondem aos trés tos de sessio ou experiéneia aborcados nas perguntas: primeira, melhor e especice, respecivamente. Entre Informantes entrevstados sobre esses ts Uipos de Sessao inclulamese Indigenas ameficanes, residentes no Inigenas de América do Sul (doravonte designados suramericanas) e estrangeitos. (0s dados relatives & primetra sesso ou experiéncia dos entrevistados foram separados em dols grupos: 0 dos Informartes nda-ind’ganas (sul-americanos e estrangelros) @ © dos indiganas. Com relacso a melhor texperiénca ou a sessbes especiicas, 0 nimer de Informantes no exiga subsivisdo segundo 2 Identidade cos Informantes, Ao todo, portanto, hé quatro conuntos de Gados relativos a sessbes ou experiénciasIncivigusls: 0s conjuntos n& 7 ¢ 2 8 pare 2 primeira experiéneia (dos informantes no-indigenas indigenes, respectivamente), o conjunto 2 8 para 2 melhor experiéacia e 0 conjunton2 10 para sessées especificas. Dos 152 indviduos entrevistados sobre sua experiéncla incl, qunze eram indigenas © 136, nfo (estes, 81 Sul-amerieanos residertes em cidades e 85 estrangelras). Relates das primelras sessées s80 especialmente Interessantes pots correspondem a um estigio em que as experiéncias dos Informantes tém menos probabildade Ge serer afetadas por expeciativas, connecimentos prévies, informagées compartinadas ou Aoutrinagse pelo grupo Cinquenta e um inividvos foram entrevistados sabre suas ‘melhores experléncias, A razSo de ser desse tipo de pergunta & cupla. Quantitativamente, em uma sessdo intensa pode Raver mas detalhes ce contelico que em arias seesGes menos intensas, Aesim, focalizar ae melhores seasdes pode trazer maximizags0 ce Informacto, Qualtatvamente, os contoidos que aparecom ras sessdes Intensas poder ser mals rices, extraordindrios @ tor maior impacto pessoal e/ou espitual, Entre os Si entrevistados para esse conjunto, dezesse's eram membros to grupe Gos atiiadas, suis eram membres & UeV no inluldes no grupe de aflados, cols xamas ingenae, fais sul-americanes (n8o-indigenas) e quate estrangeiros Sessbies especiticas foram investigadas sempre que havia oportunidad de perguntar &s pessoas sobre suas fxperiénelas; em geral Iso se dava imediatamente apse sessBes de que eu mesma havia paricpads. Vinke © ‘lute pessoas foram entrevistadas desea forma! cite sul-americanos, alte incigenas ameringios « sels tstrangeiros, Tomados em conjunto,o& dado sobre as saesGes eepscrcas podem ser consicerados como uma lenquete bascada em amostragem aleatéri, similar 3s que se fazer em cléncias socals quando se quar obter Informacio relatva a populagdes. Diferentemente dos dados coletados por intermécio do questionsro, testrulurado, agueles relativos a sessbes espreticas no se reportam a avalagdes retrospectivas de ‘xperiéncos passadas, mos a experinelos atuals em ume sessdo singular, Assim, og questionsios fstruluredos destacam 0s tipos de contedos que aparecem nas visSes da eyahuasca em geral, 90 paso que, por contraste, os dados de sestGes individuals refltem a efetiva cstibulgeo desses conteudes. Conelderand- fe essa citerénge bdsiea, de um pono de vista estrtamente tecnico, os dades coletads por melo de {uestionérios estuturados ndo s20 dretarente corpardvels aos extvaldes dos relates mais completes das Sess8es (como aqueles relatvos 8 minha pessoa e os corpora ce Polari e Amaringo ~ ver adlante), nem aes letados nas entrevisas ni estruturadas, Os corpora da literatura Na literatura $6 hi dois corpora em que se doscrave um nimmers eonsiderdvel de visées da ayahuasca experimentadas por um individuo; eles definem, respectivamente, os conjuntos 2 e n2 3 da presente anslise, CO primero deles & 0 de todas a8 sessdes ce ayshuasce nerrades por Polari um dos Uderes da Terefa do Santo Daime ~ em sue obra autoblograica, Olivro das miragdes (Poll 1984). Esse corpus consiste em 4 sessdes € Sera denominado corpus Polar. 0 seaundo corpus (conjunta né 3) &0 43s pinturas do xamé e artista peruano Pablo Amaringo e apresertada em Luna e Amaringo (1993). Mina andlise cobre 45 das 48 pinturas reproduziéas no livro. Ts pinturas foram excluldas: duas que nao retratam visbes, mas o contexto em que as Ssessées se realizam, e uma que representa uma lenda mitoldglea e que tem astlo muito diferente de todas a5 ‘utras pinturas do corpus. Esse conjunto de dads ser designado como corpus Amaringo. Note-se que adiieagdo das pinturas Ge Amaringo fo feita paralelemente 8 consute a0 texto que 8s acompanna em Luna & samaringo (1993), Outros dados extraidos da literatura antropolégica opment ip rhpoS0 SRD a Durante minha pesquisa, examinel todos os relatos diretos que pude encontrar na literatura acerca das visSes da ayanuasca, Inciuo aqui cols canjuntos desses relatos. O primeira, que forma o canjunto r2 11 da presente andllse, consist em 22 narratvas de rdovinaigenas que consumiram ayahwasea até 1980. Esse conjure Incl 2 todos of relatos diretos dos primeiros viagantes« estudiosos, Minho impresséo & que esses primeiros os s80 bem diferentes de muitos que se publicam hoje. Pessoaimente, considero-os similares, em esto, bos dados que eu mesmo regisre. Em contraste, mullas narraivas mais recentes sobre as visbes re parecem bastante embelezacas elas também parecem contaminadas por Uma famllaidade previa com outras narratvas da Iteratura®. Os relatos desse conjunto sdo os seguintes: o do funcionério pblica equatoriano illavicencio (3858); 0 de antropélogo Koch-Granberg (1923); quatro relatos de pacientes das experiéncias do médica Fischer Cardenas (1923) para sua tose de doutorado (ao que parace, 9 primer estuce centfice 9 ser Fealizaco sobre a ayahuasea}; 3 descrigio elta pelo coronel Morales e citada em Rourier (1924); 0s relatos dos tsctitores Burroughs © Ginsberg (1963), tl como se Vem nas Voge Letters (tratedos seperadamente); 0 €0 falone-mercador Kusel (1965); quatro felatos de brancas, com data entre 1950 ¢ meados da decada Ge 70, ‘ctados por Taursg (1987), bem como os relatos diretos ds nvestigadores! Reinburg (1965), Walsbard (1968), Riviere Undgren (1972), Relenel-Dalmataf" (1975), Deltgen (1978/3979), Harner (1980), Tass (1987) e Luna (@ primeira experiéncia de Luna com a ayanvasca, que se deu em 1980, esti descrta em Luna e Amaringo 3993) © segundo conjunto extraide da iteratura antropolégica consiste em transerigdes literals de relates fornecidos Inaivicuaimente por inaigenas; no contexte da presente andise, figura como conjunton® 12. € notével @ sxistancla de muito poucos relatos desse tipo. A maloria das descrgbes de experléncias incigenas com @ Byahuasce encontrage na Iteratura cansiste em narratives resumicas que nfo apresentam iformagiee Coneretas nam detalhes especiicas quanto ao nimara e identdade dos informants. Os qunze relatos dasse ‘rape, aqul analisados, sdo tudo o que pude encontrar, Incluem: 0 relate de um xam8 jvaro (Harner 1973c); © Folato de Chaves (1958, citado em Harrier 1973b), relatos citados e™ Der Marderosian et ai (1970), Lamb (4971) « Kensinger (1973); trés relatos de Langdon (dois em Langdon 1879b e um em Langdon 19825); 0 Conjunto de deserigdes apresentadas em memdria de Fernando Payaguaje (1983), xama secoye, um relto ftada em Luna (1986a); a descricao da Viagem de um aprendiz com seu meste, recantada par G. Arevalo Valera (1986); e quatro relates tvazidas par Taussig (1987) Codificacao e método de andlise Consideragées seménticas Pare explicar 9 modo como esses dados foram cadiicades, & necessério considera algumas questiesIdgico Semantics relativas & categorizagdo. Um principio funcamental da psicolagla cognitive & que 8 categorzagao & uma projeedo humana, endo diz espelto a caracteristicas intrinsecas do mundo em siZ. Por via de regra, a5 coisas podem ser categorizadas ~ e correspondentemente classifcacas e nomeadas ~ em diferentes nvels de especifeidade; por exemplo, Dumbo é, 20 mesmo tempo, um elefante, um mamifero e um animal. Além disso, algumas categoria estde contidas core subconjuntos de ovtras (por exemple, olefantes 6 um subconjunto do Eonlunte mamieros, que por sua vex & um subconjunto do conjunto anima). Isso define uma hierargul 189\eo- Semdntico em que as categorias mais geras est30 associodas aos nivels mats alos, 20 passe que as categories mats especiicas estae associadas nos nivels mais baixos. Assim, a priori a8 categories relative aos nive's Semanticas mais alts tendem a prevalecer em termos de frequénca, 0s dados foram cocifcados segundo 213 clasiicadores elemantares. Esse nivel de especfcidade se mostrou acequaco, na medida em que todos os daos relatados por informantes ou mencionados na Iiteratura esto obertos por algun clasiicador. Para os propésitos da andlse, 8 elementos bésicos de conte foram Feunidos em 27 agrupamentos seménticos, relacionados @ seguir: mateiais pessoas e autobiogrsficos®; realeza f figuras religiosas, mamiferas; aves; réptls; evaturas marinas; insetos; animals ndo-naturals;craturas © Seres (Isto, aqueles que ngo s80 humans nem animals), palsagens; florestase jrdins; cicades; palacios © templos; objeos aristicas e magices; objetos caseos; velcuos de transporte (Inclusive naves espacias) simbolas e insericées; cenas e imagens de antgas civilzacbes; ceras e figuras hstéricas (ou, simplesmerk histéra); figuras cenas mitoldgieas (er uma palavra: mitologla); cenas espacials eolanetirias; cenas clestiais: cenas de cragBo e evoluge; seresdivinos e semidvings, encontres com o Divino; cenes de Iuz Supremas «morte Com excecdo do primeiro (materials pessoas ¢ autoblogréfcos), todos os demals agrupamentes de codificacéo apresentados consttuem as categarias seménucas bésicas éa presente andlise?; por vezes, elas sS0 designadas Sirmplasmente como catagorias. De um porto de vista legice-semaico, as categerias basicas define” um nivel ‘magi; acima delas esto a= supercategor'as, mais amplas gerais, e abaixo estdo aqueles que aqui so Aesignados como pormenores, Em outros polavras, os cotegoris bésicas esta subsvmidas nes Supercategorias,enguanto os exemplos au casos especTicas das calegorias basieas sao 0s pormenores. Nos casos pertinents, cada item relatado fol codiicado sob todos os classficadores elementares aplicSves, Assim, por exemplo, uma coroa real de ouro fe coificada como um objeto, como abjeto relative 3 realeza amo objeto de ouro- A codiieagao no fol sersivel go numero ée vezes em gue um Kem oparecey em ume mesma sessao (ou pinta, no caso de Ameringo). Em autras palavras, um Item & contado da mesma forme, fuer tenha aparecico uma vez na sesséo, cuer varias vezes em diversas visdes durante a mesma sess80. Desse modo, os valores numérices apresentados aqui indicam uma porcentagem do total de sessGes levantadas ras quals os Itens relatives a Geterminada categoria apareceram er alguma visdo; esses valores néo d30 a corréncia relatva de tas tens em qualquer sesso de ayahuasca (nem, portanto, no corpus come Um todo) Ao apresentar os resultados, dare atencio as categories bésicas. A apresentacio dos resultados no texto vai de par com a apresentagde Ge uma sérls Ge tabelas. £m nome ds concisdo, os termes relatives 2 algumes Estegoriaefiguram, nas tabelas, em variantes mals curtas do que os termos empregados ne texto. Ae frequéncias relouvar dos ciferenter conhuntos ga dados 280 apresentadae em grupos, segundo 0 método com {ue foram coligdes. A Tabela 3 contém dacos Go meu corpus central. Por serem eiretamente comparsvels 208 meus, 0s dados dos corpora Polari e Amaringo vérm 2 seguir nd Tabsla 2, A Tabala 3 apresenta os dados dos tres conjuntos baseados em questiondrios esuturados, A Tabela 4 apresenta os dedos relativos @ sess8es tspocitiees, & a Tabela's taz 0s dados baseados em relatos que iguram na literatura antropologice opment ip rhpoS0 SRD wa Tobelo t carpus oneal (Cn) m1) (2-67) Superategrias ogra peso oe SE viiien pill Se a acece Pormeneret jee de cure Serpanter ‘tence Seresetvnok Palaces opment ip rhpoS0 SRD mw 2 compar elat ‘Con, nea) na) Superategoris Ortenatia ‘eres bans ategorias Palos tps Anjo sees ioe ‘Onerntnraiee opment ip rhpoS0 SRD aus ies aim as na corpus Amarings| {on} 0-85) Supercategoias| ‘Osbeentwa bjs otagoriss tera oan Woe dotraspate loves ansexor ‘emags Semen Ob eon ela Pgutereigosn ‘jos sees ans Panapens apts Ons ae care ‘maria ‘Tobela 3: Questiondeios Estruturados Aon mea) 98) {on mes) (010) (oni mv Superategorias Superategorias Supercategoras Orta — 1000 | Ovatronatal —s0050 | Osatonatzal — AN saw ton | Sorstmnans p00. | Argue 8 Animasatus —o544 | Objet 6.00 | objets yea ‘ners sie | eqrtapenat 700 | Pants ba Depataperwat G10) | Angus sooo | mana pessoa 59.9, ategoins categoria: categoria: Faticosotompios 1000 | Soresaimnos 9000 | Pacis tlos Stic dine neo | Anger antzacsn 7060 | Panegam Casurmssere 120 | Conmespcie 7000 | Anger cian ees tian | omen misters 7000 | “Olen nites aresacejarane 7778 | emaqeon mugs alee etigues 7222 | Manone 00 eis apes fae ‘esc az | ode aorampoto Rontea etiguras 6000 CCenasespocas 7222 | regions ‘Sinton raz | Pavogon a0 Ojtee antics 722 | Comturaesere 5000 mig Palicoretompios 3000 Anus ceases S857 ‘loa sa Anjos ener 223 | serperten aco | Pais saa Forest a2 | conbecees Peres, bit | Anesesens sng Teapes bia | ates EWexespoconnres $858 opment ip rhpoS0 SRD Tabela 4(a): Por sesso aimeirassessbes—Nicindigonas Con e738) Superstegorise Animas nate aa ‘Osrenairl aa objets nas Boge posal tas