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SOC } PROBLEMAS E PRATICAS SOCIOLOGIA, SOCIOLOGIA DO TRABALHO Joao Freire AA SINDICALIZAGAO EMt PORTUGAL Alan Stolerof! @ Reinhard Naumann EMPRESAS DE SERVICOS INFORMATICS isabel Vatente PERFIS CULTURAIS NUMA EMPRESA NINEIRA Joaquim Semardo © MOVIMENTO INFORMATICO NA ESCOLA Anténio Pedro Bores ‘CULTURAS DE ESCOLA Rui Gomes GENERO: REPRESENTAGOES E I Lgla DECISOES PENAIS: 0 CASO DA VIOLAGAO Elisabeth Sousa, Filomena Mateus e Paulino Lopes MEDICINAS PARALELAS & PRATICA SOCIAL Luts Silva Pereira ELITES POLITICAS NA REGIAO DO PORTO Manuela Mendes FALAR DA VIDA () Wdalina Conde soos ninee 14 CENTRO DE INVEsTIGACAO E ESTUDOS DE SOCIOLOGIA DEPARTAMENTO DE SOCIOLOGIA ISCTE Género —- Representagdes e Identidades Ligia Amancio* Neste amigo opesenranes am modcto ue aise psicosseiolgicy dos os de consutytostial das dens entre 08 sexos Na pari ote 80 sniga a discus deste modelo iteada com investiga cplrce ee dene a tsieta das repesenagdes do masculing do feninino & a fundamenra 2 Iiptese de domininca simbisa do género masisling A extensto desta hipkese 8 anise da constr eas idenidades ascuinae feminina permite most na Segunda pvte do ago que an homens camo meres caneibouy enbors Se forma dire pars a confirmsedo daqudas represciagoes Ho masculine © do feminino aranés Go sea coraponaments eds gern que annie de préprioe Introdugao {al como as outras cigncias so a psicologia social nfo escapou A “re- volugio” que 0 movimento feminista intraduziy no meio académico, nos anos 70, nem a teflexio eritica sobre os seus proptias modelos (Zalk e Gordon Keller, 1992) que se desenvolveu desde essa altura, Também nesta disciplina, 0 eaviesamento a favor da modelo masculino na andlise das diferangas entie 08 sexos foi severamente criticado (Sherif, 1979, citada em Epstein, 1988, p 32), Proporcionando o desenvolvimento de novas investigagées que vieram pos em causa alguns universais conceptuais ¢ te6ricos, na psicologia social (Hurtig Pichevin, {985). como em outras diseiplinas (Beleza, 1990) Mas o eteito cien. tificamente mais relevante dessa mudanca, o do desenvolvimento dos estudos sobre as mulheres (women’s studies), que dew mesmo origem a criagdo de de artamentos vniversitirios ¢ de faculdades com essa designagiio permanecey, no Ambito da psicotogia social, um fenémena ameticano, enguanto que o debate ue agora se abre no stio dessa corrente no deixa de vir an encontro de alg mas das ideas desenvotvidas pela psicologia social euro ‘Uma das linhas desse debate, na sociolagia feminista, 1 10 da corrente dos estudos sobre as mutheres para uma objectivacdo da opasi- so, conceptual ¢ analitica, entre as categorins de homem e de mulher, tornando utias categorias inrelevantes (Mitchell, 1986) Por ouiro lado, a demanstragao * Price Soviat Bocca dp SCTE Tvestindes oo CHES 128, _____Ligia Amancio da extensio social da movimento feminista e da legitimidade das suas reivind cages apoiou-se, estiategicamente, na acentuagao de um diseurso feminino © centrado nos valores (@ nas préticas) feminino(a)s (Cott, 1986) que também orientou 2 investigagdo para a objectivagdo de uma “esséncia” feminina De facto, a influéncia desta estratégia politica na investigagso cientifica conduaiy & relevincia conceptual das nogdes de masculino e de feminino, com 0 objective explicito ou implicito de tornar visivel a especiticidade do pensamenio e da prdtica das mulheres, em vez do sentido do fervinino, 20 ponte de se atribustem diferentes modos de pensar e fazer ciéncia a homens e mulheres. Nesta perspec liva, estabelece-se uma correspondéncia entre sexo e géneto que transpasta consigo uum cusioso naturalismo, na opinifio de algum 1 do not believe hat there 16 on can be oF vould be a male viene or a female (rence ony move than I Deliese tn a Jewssh science v7 an Aryan science 4 black ora white setence (Epstein, 1988, p 18) Na psicologia social, por outio lado, e apesar do reconhecimento da valida: de do conceito de género para a andlise das diterengas entre homens e mulheres, (Deaux, 1985), teconhece-se actuslniente a insucesso do feminismo no combate orientagio positivista da pritics ciemtfiea (Pariee, 1992). uma vez que o efeito mais notério da integragia da conceito de género nos modelos de andlise se luadeziu, afinal, na abordagem do géneso enquente propriedade dos individuos, categorizados segundo o sexo. Mais uma vez a preacupacic estratégica de conferic visiblidade © positividade ao feminino orientou a investigaga essencialismo do(s) género(s), conterindo-the(s) um reatisma dieotémica e in ferno aos individuos dos dois sexos (Morawski, 1987). Um dos exemplos mais, conhecidos da redugio do género a um peril de do sexo feminino e da sexo masculino é a investigagio de Carol Gilligan (1982) que pretendia criticar o androcentrismo do modelo do desenvolvimento moral de Kobiberg, através da demonstragao da especitividade da motalidade feminina Ao recusar 0 modslo de moralidade masculina como dominante, salientando a “diferenga” do modelo feminino, este trabalho veio ao encontio da estratégia de atimagée da diferenca do feminino, o que fez dele uma das obras mais citadas literatura feminista americana dos anos $0 Mas & precisamente gia de afirmagio da diferenga e a consequente objectivagio de um feminino, pretensamente alternativo ao masculino, que hoje objecto por esta perspectiva nunea ter esclarecido as condigdes de cansieucio social dos ‘modelos masculino e feminino, como afirma Susan Faludi I érude des differences des genves peut donner leu & exploration de tout un réseau sorts de powov, mais op seuvent elle ne sert qu 6 les justifier La célébration des “spécifictés des femmes comme d ailleurs de celles de towe catégore de population risque toujou's a abouts & one forme de reconnerrsance 2 double tranchant (Faludt 1991/1983. p 335) tea Genero — Reps A excepeao « social europeia n 70. Se as caractes poderto ter contr questo do géner0, ‘um papel importar uum dos madeles « gue se tem desen esta disciplina ( sobre velhos prob sobre a propria (Fart, 1991) por isso qu sobze uma “psyel Fornecer-nos insta 03 sex08, Este cor reptesentagses soc e tabus, como 0 ¢ cepresentagées sot posigées socials Adequado a0 conee homens e as muth valores, ezengas € bjectivagio das « saberes comns ni los modelos mase aspectos de uma séneros, que selece 1994) A Assimetria Um primeiro : respeito a estrutura nfvel, os sexos biol torno dos quais se comuim a quaisque classe ou na cor dh algumas particular! baseia na cor da px fisicas permanente: identificadores que Género — Representacdes ¢ identidades 129 A excepsio de alguma produgdo britinica (Wilkinson, 1986) a psicologia social europeia munca adapfou a orientagio essencilista da psicelogia social americana, apesar de ter desenvolvido investigagdo sobre os sexos desde 0s anos 10. Se as caracteristicas de que se revestiu a movimento feminista na Europa poderiio ter contribuido para esta diferenga de peispectivas na atordagem da {questzo do gSnero, o modelo das representagées sociais desempentou, sem davida, um popel importante De facto, é no quadio do modelo das representagdes socais, umn dos modelos especificamente europeu da psicologia social (Jesuino, 1993) que se tem desensolvido o debate sobie os pressupostos de algumas teoriss desta disciplina (Doise, 1984 ¢ Moscovici, 1984), langnndo um “novo olhar sobre velhos problemas (Vala, 1986, p 8), sobre os seus mnstodos (Farr, 1984) sobre a prdpria nogao de individvo em que assenta a sea produgio cientifica (Fant, 1991) E por isso que este modelo também mos ajuda a manter um olhar eriico sobre uma psychologic des femmes (Hurtig e Pichevin, 1986, p 13), a0 fornecer-nos instruments de andlise de uma epistemologia do senso comurs sobre os ser01 Exte conceito, que nos € proposto pelo préprie autor do modelo dns fepresentagies sociais (Moscovici, 1972/1977), numa anélise de mitos, magias e tabus, como o da incesto, onde ele salient, precisamente, a assimetria das Tepresentagdes sobre © masculina e 0 ferinina & a sua fungto reguladora das posighes sociais dos individuas e das relagées entee eles, nio poia ser mais ado a0 conceito de génes0 Nesta perspectiva, os saberes comuns sobre os wgdes sociais que se alimentam cos adquitem sentido através: da ulheres const objectivagio das diferensas entre 0s sexos No entanto, a construgio destes sabeies comuns nfo se configura numa mera diferenciagao, mas sim na assimetria dos modelos masculing e femminino Apresentaremos, neste artigo, alguns dos aspectos de uma anélise da construsdo da diferenciagio assimétrica entre os sgéneros, que selecciondmos de uma outta exposigo mais aprofundada (Amincio, 1994). Assimetria nas Representagdes do Género Um primeiro aspe representagSes do mascnlino ¢ do teminino diz respeito & estruturagia cognitiva das génesos em categotias dicotémicas A este nivel, 08 sexos biolégicos desemponham 0 papel de critérios classiticat6rios em toro dos quais se organizam configuiagbes de atvibutos. Este € um processo comum a quaisquet caicgorizagbes, sejam elas baseadas no sexo, na idade, na classe ou na cor da pele, No entanto, 2 categorizagti baseada no sexo possui algumas particulaidades que a distinguem das outras, & excepgio da que se baseia na cor da pele. De facto, as categorizagdes baseadas em caracteristicas fisicas permanentes, 0 que ado € 0 caso da idade nem da classe, constituem identificadores que 0s individuos transportam consigo, 20 longo de toda a sua 130. ia Amancio ‘ida ern todos os contexts, € cuja mudanga aso esta ao seu alcance (6 evidente que & medicina produz alguns milagres neste campo, mas essas excepgoes nio serdo aqui abordadas, embora constituam, no plano psicolégico e social, um objeeto de estudo particulanmente interessante), a0 contrério do que pode acontec com a classe social Ora os estudos em cognigdo social (Fiske © Taylor, 1984) mostram que a identificardo da categoria de pertenga € uma dimensio tanto mais importante as intetaegdes socisis, uma vez que suscita 2 infexencia dos atributos a ela associades, quanto mais as configusagses de atributos totem socialmente patti- thadhs Assim, ao nivel do pereepeio, @identificagdo da categoria de pestenga de um indivfduo desempenha wm papel informative, na medida em que , homem ia que con cenquanto que as ¢ masculinos (Deau setbutos categoria dos signiticados 1 natural’, seja pele dotes, que néo tet sudo anterior (4 masculinas em qu em telagio & visi patologizactio do enganado” ou 0 * seres “anormais” A objectivacs diferentes &, ports do ser” mulher 3 Jos actores homen, tuma vez que a ate pelo reconhecimes taco dos limite (Keshavjee ¢ Am uma fungio regu: Délico que diterer Theres no mundo ¢ se the opusera trabathadora que, mulber-policia, s. Género — Representagdes e identidades_ 131 Engly ¢ Kite (1987) verificaram uma fos “homens” Embora as acoido, sobretudo, “homens” ¢ das “mulheres” do sev pats, cortespondéncia entre os atributos das “pessoas” e 0s configueacées de atributos éivergissem de pals para pais de ferencas cultura, aqucla corvespondéncia aparecia nos resultados de todos os paises. Considerando, portanto, a nacionalidade como uma categoria supraordenada relativamente 8s cotegorias sexvais, a relagZo simbdticn destas filtimas corn a primeira revela-se, elaramente, assimetrica E esta relagio persiste, finda, quando se comparam as ealegorias sexutais com sub-categorias de cada 1 ilelas, porque enguanto no caso da eategoria masculina os atributos se Uistribaem de forma semelhante por sub-eategotias como as de homem-en presivio, homematlota e hontem-pai, no caso da categoria feminina a dnica sub- Categoria que conserva exclusivamente atiibutos femininos é a da mulhet-mie, fenqvanio que as de muther-atleta ou de mulber-empresitia jé incluem atriburos rasculinos (Beau et al, 1983) O facto de s6 se verificar mobilidade * dos {egoriais no sentido do masculino para 9 feminino, e no no sentido contiérie, como mostava o estuda anterior, € também indiestivo da extensio dos signiicados masculinos a diversas contextos ¢ dos limites dos contextos tspecificamente femininos Assim se explica gue wma mulher ‘fora do sew # natural , seja pelo contexto em que se encontia, seja pelo comportamento que fassume, suscite um estorgo de explicagdo ¢ justifieacao por parte dos observa loves, que ao tem equivalente no caso de um homem, como mostrdmos mum tstudo anterior (Amfncio, 1992) Hé, no entanto, exemplos de sub-categorias mrasculinas cm que se veritica assimilagio de tragos feminines, como € 0 case dos homosexuais Mas, nesies casos € outros que envolvam formas de “desvio" ago A visilidade masculina, 0 processo de objectivagio traluz 1 io do que uma ferninizagio Em certos meios st “0” no se transformam em rvulfeses, mas sim em tributes ea patologiz: enganado”, ov 0 “homem ‘anormais” (ver, a este propdsito, Torres, 1990) 'A objectivagdo do masculine ¢ do feminino em entidades ontotogicamente diferentes ¢, portanto, reguiada par uma assimetsia que atravessa todos 05 pro: 308 socio-cognitivos que participam para essa construgio do “ses” homem e Goser” mulher, Munidos deste saber’, os individuos orientam a sua percepezo dos actores homens e mulheres nas interacgGes do quotidiano, de forma enviesada, tina vez que a atengo dedicada ao comportamento das mulheres no € orientada pelo reconhecimenta da sua diferenca, enquanto indivéduos, mas sim pela acen- Iagio dos limites dessa diferenga, enquanto condigio culeetiva, ou destino (Keshayjee e Amancio, 1993) Além disso, esta assimettia desempenta tambérs uma fungdo reguladora dos efeitos das_mudangas sociais sobre 0 universo sim bolico que diferencia os dois sexos K curioso verificar que a entrada das atu theres na mundo da trabalho no dea origem a revoluglo tio receada pelos que se the opuseram, antes dev origem a uma sub-categoria de mulher, a de mulher trabalhadora que, pot sua vez, pode ainda englobar a mulher-empreséria ow 2 muther-policia, sub-eategorias que nfo correspondem s6 a representagies do n na realidade objectiva da segregagao das senso comum, mas existem (ambé 132 ____Ligia Amancio ‘mulheres, no interior de cettas profissdes Em todos estes casos, 0 pensemento social encontrou formas de particularizagie das mulheres que entraram nas chamadas profissdes masculinas, e que consistiram aa sua “masculinizagio”, enquanto que os significados femininos permancceram intactos na sua escassez © nos limites contextuais a que se aplicam Por outro lado, quando se verificam mudangas sociais que tém implicagdes ‘nos modelos de pessoa, & mais provavel que esses novas valores sejam incor porados no masculino, do que no feminino Testimos esta hipétese a0 replicat em 1992, um estudo sobre esterectipos que haviamos efectuado em 1986, Este primero estudo tinha permitido confirma a hipdtese de que 0 esterestipo Imascalino estava mais préximo do estereétipo mais “universal” do adulto, do que 0 estereétipo feminine, Mas estes resultados também apresentavam uma particularidade, aliés a nica, em relagdo aas de estudos semelhantes efectuados nna Europa e nos Estados-Unidos: a dimensio de instrumentalidade que aparece sempre associada ao masculino © que &, em geral representada por 11ag0s que tém a ver com a competéncia, a racionalidade, a atirmatividade © a competiti idade, era pouco importante, em comparagdo com a dimensio de dominancia sobre os outios. Por auto lade, alguns dos efeitos da entrada de Portugal na CE tinham-se tornado exidentes no perioda entie 0s dois estudos: 6 desenvalvimento, das infraestruturas, gragas aos fundos eomunitétios e & privatizagao de empresas nacionalizadas © 0 crescimento de uma classe mécia urbana, em resultado do controle da inflagio e do crescimento do emprego, sobretuda no sector dos servigos Ao mesmo tempo, 0 poder politico e os media adoptavam um discusso em que se salientavam conceitos fiberais, como o do espirito empresauial, a iniciativa individual, a competiczo e, evideatemente, 0 sucesso desta nossa de- mocracia, assim como as hist6rias dos gestares © empresétios de sucesso A hipétese de que estas mudangas se iriam tt nos estetestipos, muito particularmente no esteredtipo masculino, foi o que nos levou a replicar 0 estudo em 1992 Utilizamos, em ambos os estudos, uma lista de cerca de 100 tragos que ppediamos para os estudantes classificarem em tipicamente mascalino ou feain ‘no, qualidade ov defeito no adulto, além da classificagto em tipico dos jovens ou tipico dos idosos, que acrescentamos na réplica de 1992 (eada pessoa tazia, Obviamente, uma nica classificagfo © ndo tinha conhecimento das outras) Todos os tagos que recolhersm 75% das respasias numa mesma elassifivagdo foram eleccionados para o respectivo esteredtipo, em ambos os estudes Os Quadros seguintes permitem comparar os resultados dos dois estudos (Os sinais de + ¢ = € as letras Je I, que se encontram a frente de alguns tragos signiticam que, nesses casos, também se obtiveram 75% das respostas na(s) classificacto(Ses) de qualidade ou defeita no adulto e de tipico dos jovens ou dos idosos). Re Quadro Quadro 1: © Estereétipo Masculino 1986 ‘Ambicioso Audacioso Autoritario Aventuteira Corajose Desinibido Desorganizado Dominante Empreendedor Foxte Independemte Machista, Paternatista Rigid Sévio Superior Vinil Quadro 2: Esterestipo Feminino 1986 ‘Alectuosa Bonita Catinhosa Depenilente Elegante Emacional Feminina Frigil Maternal Meiga Romantica Sensivel Sentimental Submissa Submissa Ambicioso Autoritério Aventureico Corsjoso Descuidado Desorganizado Domisante Forte Independent Luta Machista Objectivo Patesnalistra Racional Rigido Superior vinil 192 ‘Afivel Afectuosa Bonita Coidada Curiosa Dependente Emocional Feminina il Inferior Maternal Meiga Sensivel mtimental iéneio — Representagdes e identidades 133 Ligia Amancio No plano quantitative, os resultados dos dois estudos sAo praticaimente iguais: 0 riimezo de tragos em cada esteredtipo quase mio se alterou (no caso do esterettipo ‘masculino passou de 17 em 1986 para 18 em 1992, enquanto que no esterestipo feminino estes nimeros sio 14 € 15, respectivamente), enquanto que o ratio das qua lidades e defeitos no aduito se manteve igual no esteredtipa masculino (1/2 em ambos ‘os estudos) e quase igual no feminine (4/3 em 1986 ¢ 344 em 1992) Esta anise mostra claramente a relagao simblica entre a imagem de kemem e a imagein de adulto, por tum lado, © 2 particularidade do esteretipo feminino, por ovtratado, que inclui poucas carnctensticas do adulto, sendo uma delas a beleza fisica, mas inclui virias earacte- tistics que canto podem ser qualidades come defeitos no adult, 0 que aponta para a especiticidade contextual dos signifieados femininos Além disso, € tal como esperdvamos, verifica-se uma mudanga qualitativa no estere6tipo masculino, que passow a inctuir uma dimensio de insttumentalidade, representauda pelos cragos objectivo, racianal, Iutadot seguro, enquanto que as atteragbes no esterestipo feminino (atfvel, curiosa e inferior) no introdzem. enhuma nova dimensio, visto que se inserem nas dimensbes de expressividade @ submissio que ja apareciam no estudo anterior No caso do esteredtipo mas cculina passdmos, assim de uma imagem patsiarcal, no primeito estudo, carac~ ‘erizada pelo autoritarismo (do chefe de familia”) e pela razao da force, para uma imagem onde emerge a forga da ra2do e 0 controlo sobre 0 destino indivi- dlual, Mas esta sintese de valores modemos © pré-madernos, que se veritica no estereétipo mascutino, também mostra que o imagindsio social ¥é" 0 jovem do ‘exo maseulino como o principal actor nura cendrio de mudanga social, relegan: do as mulheres © 05 idosos para papéis secundirias nesse cendtio" Este siltimo exemplo de assimetvia nas representagies do género revela-se nna ancoragem dos significados masculinos nos modelos de pessoa daminante ¢ a sua capa absorver novos valores e protagoniza a mudanga, em contraste com a pesmanéncia da particularidade dos signiticados femininos Catherine Marand-Fouquet também mostia que no imaginario da sociedade francesa 0 feminino tem assentado essencialmente na dimensio da “mire de tamitle”, desde 0 séeulo XVIIL (Marand-Fouguet, 1993) Esta dintensfo que, como afirma a autora, passou a coexistir mais recentemente com ada mulher sedutora, sem entrar em contradigdo com ela, attavessou grandes processos de mudanca politica e social, mantendo a sua espeeificidade, mesmo face a conceitos universais, como 0 de cidadania que emergiv com a revolugia francesa, foi silizada como pretexto para adiar a concessia do dircito de yoto as mulheres (que 36 thes foi concedido por DeGaulle em 1944), mas também foi exaltada aos periodos em que 0 crescimento demogrifico se tornava necessétio A Assimetria nas Identidades de Género a dominancia simbélica do masculina resulta ce a teprescatagzo do “ser homem" e a do No pensamento social, fanto, da estreita interel Géner — Re individuo” B, masculino © fe afums Lorenzi lino & apavente idensidade mas. obscurece a su: De facto, ¢ das mulheres, € 1no caso dos hor cestruturante das outras caracter da categoria ter ciais, ndo tem w cognitivas sto ¢ dos 19 sexo bio. pela extensto d blico © privado Mas as prot Fiecagio pelos © abordagem psive guais os individ rem essa 2 sua manitestag ‘masculina © fem identidade engus investigagiio dese mais os individu Mduos do sexo 1 como mutheses ¢ individualidade it do sexo maseulin colectivo inserite singularidade se obrigando & fusio tima seja signit géneso em termo: mutheies tém a9 ¢ bém ultrapassar ac masculino e neget duas identidades ¢ ntidades Género — Representagas individeo".B, pecisamente, porque no pracesso de construge social do género mrasculino e feminino se confurde © maseulino com o indvidvo que, como dtirma Lorenzi-Cioldi (1988). 0 comportamento dos individuos do sexo 13s lino & aparentemente caracterizado peln distintividade, o que faz com iGentidade masculina seja vivda e pereebida engvanto Singulaidade “teal abscurece a sua origem colcctiva De facto como vimos na seegdo anterior, a categoria de pertenge, no caso das matheves, € mais siente nos provessos de percepsio interpessoal, do que no caso dos homens E isto apes de se reconhecer no sexo bioldzico um factor fxtuturante das concepgdes do mascino edo feminino, al como acentece com futias careteisticas ficas e sociais Vimos também que esta sobre-sligncia di categoria feminina, compatativamente com ¢ mascina, nas interaegdes So- ciais,ndo tem uma origem esritamcnte cognitive porque os prépris processos Cogntivas sao orientados pela estuturasio assimérica dos contedos.associa- dos uo sexo biclsgico, qve erie uma oxdem social (Epstein, 1988) caacterizada pela extensio dos significaios masculinos 2 diversos zspectos do dominio pi biico e prisart € pela estita associagio dos signifieados femininos as relagdes atectivas ¢ 4 repodugio biolégica Mas os precessos idenitios ficagio pelos outros, 0 seja, a atibuigto externa de urna identidade Na ahordagem psicossociol6gien eles também englabam os processos através dos {ais os individuos constroem uma concepeéo singular e distntiva de st prope Sse gerem essa nogio de self nos diteentes contestos. Nesta peispectva fo piecisainente, a procura da artculagao entre a otigem colectva da iéentidade ¢ 2 sua manifestagio meividual, apoiada em investigagaes sobre as identidades, mmasculina e feminina que deu ligat, recentemente, a um modelo que trata a identidade enquanto representagio social (Doise ¢ Lorenti-Cioldi, 1991). A Jnvestigagio desenvotvida neste quadro mostra que, assim como os autos “vee mnais os individvos do sexo feminino como mulheres, do que ‘véem of indi duos do sexo masculino como homens, também as mulheres “se vem" mais como mulheres ¢ 08 homens ‘se vem" mis como individuos Isto porque & individoaidade inseita nos sigiticados do ser homem permite sos inividvos fem a identi- io se revemtiem ans que env do sexo masculino manifestar @ sua singularidade, nio s6 em selagio a0s ovtros homens, como em relago aos cantextos, sem que isso entre em contindigo com 1 sta identidade colectiva, enquanto que no caso das mulheres, o prdprio sentido ‘colectivo inserito nos signiticados do ser mulher implica que a manifestacio da singularidade se faga necessariamente em cuptura com a identidade colectiva, obrigando > fusdo da identidade individual na identidade social, desde que esta titima seja significance para os individuos Esta aborJagem das identidades de género em termos de uma assimetsia nos recursos simbslicos que homens & mulheres tém ao seu alcance para construir a sua individualidade, procura tam= bbém ultrapassar as aborcagens que se limitam a salientar a avaliagio positiva do rmaseulino e negativa do feminino, tendo em visca uma jgualizagio avaliativa das Guas idemidades (Skevington e Baker, 1989) Num estudo que analisava a utilizacio dos contetidos das representagdes do géneto na auto-imagem © na auto-saliéneia ( self-enhancement”), evectuada na Sviga, com adultos de ambos os sexos, Lorenzi-Cioldi (1991) verificos que homens e mulheres recorrem mais a estratépias de auto-saligncia quando se \definem em termos individuais ( Ev sou") do que quando o fazem em termos ziupais (“os homens/as mulheres S80"), coma seria de esperas No entanto, e independentemente do contexto, as mulheres recorrem mais aos deseritores “th picos" do sex sexo, do que os homens Esta dependéncia das mulheres em telagio aes significados do género foi também analisada numa série de inves tigagdes que efectusmos em Portugal (Amancio, 1994) ¢ que nos permitiram mostra que a identidade fusional das mulhetes pode dar lugar & afirmagia da individualidade, em certas situagSes, como sejam as situagées * vazins” de sig- nificados masculinos ou feminines e aguelas em que nao existe competigao entre homens e mulheres Uma ver que as mulheres estdo sujeitas aos esteitos limites da teminilidade, para além dos qusis se encontta o dominio da mascilinidade, as suas estratégias identtérias revelam uma cuidadosa “gestio’ do comportamento ¢ da imagem que tsansmitem de si proprias, configurando uma identidade que € mais um modelo de estar, do que o modelo de ser da identidade masculina ‘Marand-Fouquet (1993) apresenta-nos um exemple deste processo quando ae poder em Franga, em afirmar que mantém as suas competéncias femininas “ape: sar" da posigio que ocupam E wma reportagern jornalfstica sobre “As Mulheres no Poder. A Excepeio contra a Regra” (Publico, 24 10 1993) sal aspectos que também ilustram esta argumentagio: por um lado, pow guns casos, oacesso das mulheres a Iugares do topo do poder politica é fortemente eterminado pelo facto de senticem que € seu dever prosseguir a obta inicinda pelo pai ou pelo marido, tal como acontece com acesso de algumas mulheres A funcio de empresarias (Rodrigues, 1989), ou por considerarem que 0 seu dever como mulheres jd foi cumprido, como € 0 caso de Violeta Chamorro Neste 10, 0 caso de Hillary Clinton constitui uma excepeao, uma vez que a sua dade assenta numa imagem de profissional comperente, que jé existia antes das eleigies, ¢ nao s6 no facto de ser a esposa do Presidente. Mas, por outro Jado, algumas destas mulletes também sentem a necessidade, ov ela éthes suscitada pelos(as) préprios(as) jornalistas, em aficmar a sua feminilidade, como que reafirmando o cardcter excepcional da sna presenga em pasigées politicas de grande visibilidade Numa investigagao sobre as formas de legitimagio da avtoridade cientifica técnica, que incluiu 112 chefias de diversas empresas (77 do sexo masculino © 35 do sexo feminino), encontramos diferengas signiticativas entre homens € ‘mulheres na importincia atribufda 4 mobilizago do capital escolar para a ca reira profissional, em particular nas razdes para 2 escolha do curso superior que tinham a ver com a “procura de ume profissio prestigiada”, a procura de uma boa remunerazo” e vir a “ocupar um lugar de chefia’” (Amancio e Carapinheiro, 1993, pp 72-74). 0 facto das médias das mulheres serem sistematicamente mais se refere& aparente necessidade, sentida pelas muleres que acupam posig Género — Rep Daixas do que as como quer dizer para as mulheres com o seu mod afirmagaa se in. contrdrio do que influenciadas po Quadro 3: Inter “Boa Remunerag Fr joadro 4: inter ‘Ocupar um L Fil Dit Tr As, cy Estes cesultas 40 aos contexto: sado a idade activ marcada pelo esf fa inibigio de afi limites 8s opoctus elas se impoem £ justamente, uma ambos 05 sexos ¢ de que os indi Géneo — Representagies ¢ identidades 137 bainas do que as dos homens, tanto quet dizet que elas subestimam estas razoes, como quer dizer que eles as sobvestimam E isto acontece, porque enquanto que, para as mulheres, a afitmagao da ‘ambigo” de mobilidade entra em contradiga0 com 0 seu modo de set socialmente constiuido, j4 no caso dos homens esta se insere “nacuralmente” na masculinidade Por outro lado, e a0 contrério do que acontece com 0s homens, as respostas das mulheres so ainda nflienciadas por outios contextos de pertenga, como se pode ver nos quadros firma seguintes, Quadro 3: Interacgio do Sexo e do Grupo Etério na razdo Boa Remuneracio” para a escotha do curso omens _Mulheres Ai6 aos 33 anos. 2.70 Dos 34 aos 40 281 Mais de 40 anos 264 QTL Quadro 4: Interaegio do Sexo ¢ da Classe de Origem na razi0 ‘Ocupar um Lugar de Chefia” para a escotha do curso Homens _ Mulheres Fithos(as) de Empresitios 2.64 223 Director Quadr ¢ Tee 262 130 Trabalhadores Independ 280 250 Assalariados ¢ Execut 189 350 (FG,62]=2 76, p= 05) Estes resultados evidenciam a dependéneta da identidade feminina em rela- Ho 20s contextos, que referimas atrés De facto, parece ser preciso ter ulttapas: sago a idade activa do desempenho do papel familiar, ou ter ido uma trajectéria marcada pelo esforgo de mobilidade ascendente, para que as mulheres percam fa inibiggo de afirmarem as suas ambicSes. Assim, se 0 social impoe vérios Jimites as oportunidades comportamentos das mulheres, também € verdade que clas se impéem formas de auto-censura, porque o social a que nos referimos é, justamente, uma forma de pensar os seres homem e mulher que é partilhada por ambos 0s Sexos e naturalizada nos seus comportamentes. Neste sentido, & ideia de que 08 individuos do sexo masculino obscurecem a origem colectiva da sua 138 Ligia Amancio identidade, attavés da distintividade do seu comportamento ¢ da sua aparente internalidade, podeowos contrapdr a ideia de que as individues do sexo feminino fambém o tazem através da naturalizagio da especificidade do seu comporta- mento Conchusio A configurago das representagdes, socialmente partithadas # ditundidas, do masculino e do feminino € marcada pot uma assimettia que se revela na dominneia simbélica do masculino, objectivagia do ser homem mas também do set individuo, em relagdo 0 feminino, que define exclusivamente 0 se mulher Mesmo recanhecendo 0 papel da sexo bioldgica enquanta factor estru turante destas eoncepgdes, a sua o1ganizaedo socke-cognitiva sé integra x natureza ho feminino reservando, assim, para as mulheres. uma permanente marca de diterenga, enquanto que a daminancia simbsslica Uo masculino se tadu7 ainda na extensio dos seus signifieados para além do Ao conterir auronomiia analitica 2 especiticidade do feminino. como tizeram ‘algumas correntes da psicologia e da socialogia feministas. coue-se 0 viseo contundir 9 apuéncia com a sealidade reproduzindo, no plato cientifico, a Inaterializago do ser muthe: (¢ do ser homem) que existe a0 nivel do senso comum c que integia estes seres nos individuos dos tespectivos sexos, deslocando- ps da sua origem social Embora se possa conceber que. pelo facto do sexo bioldgica impor as fe marca de difesenga elas iomem mais facilmente aseitnel sovial do que os fnuincus, cuja identidade colectiva se cconfunde com a individuatidade, no podemos esquecet que a formago Jas 1¢- presentagies sociais também se ancora na naturalizayao dos modos cle set 20 hs, portanto, opressores e oprimidas na forma como o social constrdi 2 difetenciagio assimétrica do feminino e do masculino O que ha, sem divida € ema concepgao dominante de pessoa que exclui as mulheres, coino exchui ‘ovtras categorias seciais Por isso mesmo, € necessitio considerar o efeito aditivo das representagbes associadas a diversas categorias sociais, pata compreeender as formas de legitimagao da discriminagao que atinge determinacos grupos sociais detinidos por outras pertencas para além do sexo grupo concreto dos homens Nota {Toto € tanto mais iteressante quanto os 362 sucitos ue paicpaciry neste estado (12 para ‘8 classificagio rm mascuinoe feminino 112 para claseteasdo em qualidade « defeto e129 para a classficayio em jovem ¢ adult) inluiom esitantes e estudanes rabalhadores Ge ambos os sexos mas of resultados das malheres-trabalhadoras foram diferentes nos do's studos: 0 prirmeizo estudo elssclassifcaram visio tagos de iasirurnestlidade em masea tino € feminino,impedindo assim que ees apareessem como sendo tpicos de watt ato exo enguanto que mo segundo estada auibuiram esses tages rma onsite rareuing J6 nc a media etdra d 55 anos a med homens como 1 ‘gale em Bibliogratia AMANCIO Las Socials 34+ AMANCIO. 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