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Comunicação em Pediatria

Os pais valorizam muito médicos que preocupam-se com as crenças e sentimentos de suas crianças, na tentativa de compreender melhor a sua perspectiva do adoecimento (STREET, 1991).

A comunicação eficiente com a criança e a família é uma das ações mais importantes da atuação profissional em Pediatria, especialmente no processo de terminalidade. Atingir a boa comunicação proporciona melhores mecanismos de expressar emoções e de encontrar meios para enfrentar a doença. A má notícia leva a uma tomada de decisões familiares, por isso deve ser bem compreendida e gerar posicionamentos conscientes que envolvam o cuidado com qualidade (DE CAMARGO, 2007).

As consultas pediátricas requerem não só o contato com o paciente como também o envolvimento com os pais e demais familiares nas decisões. É necessário entendimento da dinâmica familiar e adaptação para o momento atual de desenvolvimento e cognição da criança. A aquisição de conceitos de saúde e doença inicia-se entre quatro e seis anos e a compreensão de etiologia, prevenção e cura desenvolvem-se a partir daí (BREWSTER, 1982).

Baseado em todos estes fatores, o profissional deve atuar com integridade, profissionalismo e ética buscando bom relacionamento, inclusive, com todos os membros da equipe de saúde. Trata-se de uma intervenção centrada na relação, na qual todos os envolvidos (médico, paciente, familiares e equipe) são participantes ativos e conduzem juntos as decisões (RIDER, 2011).

Necessidades psicossociais motivaram até 65% das consultas de atendimento primário em pediatria e que 85% das mães de crianças na primeira infância apreciam e não se negam a responder questões relacionadas aos estressores emocionais no cuidado (KAHN, 1999).

Embora várias instituições de ensino superior brasileiras ofereçam currículos médicos com metodologias inovadoras de ensino- aprendizagem, a maioria ainda adota o modelo flexneriano, que tende a reforçar a neutralidade do médico na relação com seu paciente na medida em que prioriza a doença, o conhecimento fragmentado em disciplinas, centrado no professor, baseado em aulas expositivas que visam primordialmente competência técnico-científica (PAGLIOSA,

2007).

Durante a formação teórica e prática não há formalmente programas destinados a comunicação em saúde tanto no conteúdo programático do curso médico quanto nos programas de residência médica.