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1 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

DA FISCALIZAÇÃO
À
APLICAÇÃO DE
SANÇÕES
CONTRATUAIS

AUTORIA: DILVA NERY DE MATTOS TEIXEIRA

CENTRESAF/SP
OUTUBRO/2014
2 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

FISCALIZAÇÃO
3 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

FISCALIZAÇÃO DE CONTRATOS

A Administração pública necessita de instrumentos que possam dar


condições para o desempenho de sua atividade fim e, para a consecução de
seus interesses necessita contratar serviços, efetuar compras, promover
alienação de bens móveis, empreender concessões de realizar permissões
ou locações de bens com terceiros.

Para tanto, recorre-se ao mercado contratando pessoas físicas ou


jurídicas para suprir suas demandas.

A Constituição Federal em seu artigo 37, inciso XXI faz a previsão da


forma de realizar tais contratações, deve ser obrigatoriamente por licitação
aplicável a cada uma das situações.

Segundo artigo 58 da Lei 8.666/93:


 O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à
Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
(...)
III - fiscalizar-lhes a execução;

A prerrogativa é um dever-poder!

Fiscalização: Atividade obrigatória exercida de modo sistemático pelo


CONTRATANTE por intermédio de seu representante especialmente designado
por meio de portaria, objetivando a verificação do cumprimento das disposições
contratuais, técnicas e administrativas, em todos os seus aspectos.

No caso de obras ou serviços de engenharia, será exercida


preferencialmente por fiscal, legalmente habilitado, com formação em
Engenharia ou Arquitetura.
4 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

O planejamento das licitações deverá observar a legalidade, para que


seja efetivo, eficaz, eficiente objetivando isonomia e transparência.

 Definição de efetivo: que existe que se realiza que produz efeitos


 Definição de eficaz: que causa resultado pretendido
 Definição de eficiente: que tem desempenho conforme as normas

Há de se considerar a inclusão do princípio da Eficiência na Constituição


Federal foi um feito notável, pois com tal iniciativa fora sinalizado pelo legislador
que a Administração Pública não mais seria conduzida de forma inexperiente e
sem compromisso, mas sim com resultados concretos positivos. Significa dizer
que quem quer que assuma o encargo administrativo público, em suas mais
variadas formas de colaboração, deve observar não apenas o princípio da
Legalidade e da Publicidade, por exemplo, mas também o da Eficiência, isto é,
prestar à sociedade balanço favorável de suas atividades.

A Licitação Pública é ato vinculado que define as condições de atuação


dos agentes administrativos e estabelece a sequência dos atos a serem
praticados, para afastar a hipótese de serem feitas escolhas pessoais ou
subjetivas.

Nesta seara um bom contrato é aquele que resulta de um edital


consubstanciado na estrita necessidade da Administração.

OS TRÊS PILARES DA QUALIDADE, segundo Gustavo Cauduro Hermes:


1) Especificação Contratual;
2) Seleção do fornecedor;
3) Gestão cobrança.

A Lei 8666/93 rege essa matéria em seu artigo 55 preceitua sobre o teor
do contrato que deverá conter:

1. Direitos, obrigações e responsabilidades das partes;


2. Condições de execução do contrato;
3. Objeto e elementos característicos do serviço;
4. Regime de execução;
5. Preço, condições de pagamento;
6. Reajuste (repactuação), critérios de periodicidade, data-base;
7. Prazos de execução;
8. Prazo de recebimento do objeto do contrato;
5 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

9. Previsão orçamentária;
10. Garantias;
11. Sanções;
12. Hipóteses de rescisão;
13. Foro.

No contrato, também deverão ser qualificadas as partes, geralmente no


preâmbulo, a finalidade ou objetivo do contrato, ato que autorizou sua lavratura
(número do processo da licitação dispensa de licitação, da inexigibilidade de
licitação).

Também deverá conter a sujeição dos contratantes às normas da Lei


8666/93 e submissão dos contratantes às Cláusulas contratuais.

As sujeições se estenderão aos casos de Pregão regulamentado pela Lei


10.520/2002 e Pregão Eletrônico – Decreto 5.450/2005.

Um contrato feito ela Administração Pública confere “poder de autoridade”


que possibilitam realizar a fiscalização do contrato, modificações unilaterais e
aplicar sanções, exigência de lastros (garantia). Contudo, “poder de autoridade”
deve ser exercido no interesse público devidamente motivado, essas cláusulas
são consideradas exorbitantes, por desnivelar a relação com o particular.

Há de se ter cautela, todos os atos devem ser motivados para que o


agente público não se locuplete de poderes para agir como queira.

A Gestão de Contratos é atividade exercida pela Administração visando o


controle, acompanhamento e fiscalização do fiel cumprimento das obrigações
assumidas pelas partes.

Os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,


eficiência e eficácia devem nortear a atuação administrativa, de modo a
assegurar que a execução do Contrato ocorra com qualidade e respeito à
legislação vigente, permitindo ainda:

a) Segurança para o Gestor e para o Fiscal do Contrato na sua execução;


b) A plena execução das atividades programadas no Termo de Referência,
Projeto Básico, Projeto Executivo e objetos similares;
c) A garantia da execução do objeto do Contrato, bem como o cumprimento
efetivo das cláusulas contratuais;
d) A correta aplicação dos recursos financeiros;
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e) O atendimento das necessidades da Administração no momento adequado e


no prazo determinado;
f) A melhoria da qualidade dos procedimentos licitatórios, por meio de correções
feitas em procedimentos anteriores;
g) O adequado registro das faltas cometidas pela CONTRATADA de modo que
as contestações possam ser solucionadas facilmente;
h) A igualdade de tratamento entre as empresas contratadas, evitando que os
procedimentos realizados impliquem o descumprimento aos princípios da
isonomia e da legalidade;
i) A redução da burocracia, com a utilização de procedimentos administrativos
claros e simples, de forma que a gestão e a fiscalização de Contratos não se
transformem em uma carga de problemas para os gestores das respectivas
Áreas.

Decisões importantes do TCU

É vedada a terceirização da atividade de fiscal de contrato: Acórdão nº


3.464/2007-2ª Câmara

 Administração deve dar ao fiscal o suporte necessário às suas atividades:


Acórdão 839/2011 - Plenário; Acórdão 2.917/2010 – Plenário; Acórdão
137/2010 – 1ª Câmara, Acórdão 616/2010 – 2ª Câmara, Acórdão
265/2010 – Plenário
 Administração deve treinar seus fiscais: Acórdão nº 478/2006-Plenário
 O registro das ocorrências não é ato discricionário: Acórdão 767/2009
Plenário

O termo de contrato deverá ser feito sempre que as compras ou


contratações excederem o limite estabelecido para a modalidade “Convite”, ou
seja, R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), ou que sejam entrega imediata.

Nas contratações de qualquer valor que resultem obrigações futuras, a


Administração tem a faculdade de substituir o termo contratual por:
a) Carta-contrato;
b) Nota de Empenho de despesa;
c) Autorização de Compra; ou
d) Ordem de Execução de Serviço.

Cabe lembrar que as expectativas de fiel cumprimento do contrato devem


estar expressas em qualquer das formas que expressem o avenço.
7 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Especialmente as sanções, devem estar expressas em cada caso, e aqui


também vale a vinculação a todos os elementos que compõe o contrato
(processo, proposta, termo de referência, condições preestabelecidas).

Pelo princípio da vinculação do instrumento convocatório previsto no artigo


3º da Lei 8666/93, deve fazer parte do contrato:
a) O Edital;
b) O projeto básico ou termo de referência;
c) A memória de cálculos;
d) A planilha de custos;
e) Os cronogramas de execução;
f) Demais detalhamentos do objeto contratado;

A forma de execução dos contratos está prevista nos artigos 65 a 76 da


Lei 8666/93 que deve objetivar o cumprimento do objeto, de seus prazos e
condições, sendo gerenciado, controlado e fiscalizado diretamente pela
Administração Pública.

O Fiscal pode se negar a cumprir fiscalização?


 Quando for manifestamente ilegal - Recusa a ordem ilegal (art. 116, inciso
IV, Lei nº 8.112/90);
 Quando a fiscalização exigir uma formação específica.

É uma atividade da Administração que não pode ser


delegada a terceiros.

GESTOR X FISCAL
ORGANIZAÇÃO INTERNA DO TCU
Quem assina o termo de designação do fiscal de contrato é o gestor do contrato
que faz a nomeação do fiscal e de seu substituto e indica especificamente qual é
o contrato objeto da fiscalização.

PARA SPOA (Administração) do MINISTÉRIO DA FAZENDA – Terminologia da


IN 02/2008 (IN 04/10)

Gestor do contrato é o representante da Administração perante um


serviço ou um fornecimento contratado e deverá zelar pelo cumprimento fiel das
leis e dos procedimentos aplicáveis, devendo informar por escrito aos seus
superiores qualquer dificuldade ou impossibilidade de cumprimento de suas
8 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

obrigações, com identificação dos elementos impeditivos do exercício da


atividade, além das providências e sugestões que julgue cabíveis.
Cabe ao gestor assegurar o cumprimento do Contrato, avaliando a
qualidade e os resultados dos serviços prestados, para posterior ateste da
nota fiscal.
Qualquer descumprimento do que foi pactuado em Contrato deve ser
anotado no registro de ocorrências, bem como comunicado à autoridade
competente responsável pela tomada de decisões, podendo esta aplicar ou
não as sanções que porventura sejam sugeridas pelo gestor do Contrato

Fiscal do Contrato tem como atribuição primordial auxiliar o gestor do


Contrato no acompanhamento e fiscalização dos serviços prestados.

A IN nº 02/2008, e suas alterações, traz duas definições para fiscal: o


fiscal técnico do Contrato e o fiscal administrativo do Contrato. O primeiro atua
nos locais onde os serviços estão sendo prestados, verificando se eles estão de
acordo com o firmado no instrumento contratual (fiscal de campo).

Já o segundo, atua na conferência das documentações exigidas em


Contrato, bem como na elaboração de algumas documentações pertinentes ao
Contrato durante sua vigência, ou seja, trabalha na parte burocrática da
fiscalização.

Cabe ressaltar que a designação dos fiscais é facultada ao gestor do


Contrato, não sendo obrigatória a indicação de ambos.

Dada a relevância de seu trabalho, o fiscal do Contrato deve possuir amplo


conhecimento das suas responsabilidades, objetivando desempenhar
efetivamente sua missão, pois esta envolve um nível de responsabilidade
específica. O fiscal deve conhecer as formalidades necessárias, acompanhar,
fiscalizar efetivamente e organizar registro próprio dos Contratos sob sua
fiscalização, subsidiando de forma eficaz o gestor do Contrato.

Para a Receita Federal


Na terminologia da IN04:
Gestor do contrato é o Fiscal administrativo instrui as alterações contratuais:
 De prazo
 De objeto (alterações quantitativas e qualitativas)
 De valor (reajuste, repactuação, revisão)
 Instrui as sanções administrativas e rescisões contratuais.
** É comum o acúmulo das funções de fiscal e de gestor de contratos, ou fiscal
técnico e fiscal administrativo.
9 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Observa-se, predominantemente, que:


O fiscal é o que atua na “linha de frente”, na terminologia da IN 04, fiscal técnico.
 Acompanha a fiel execução do contrato
 Conferência de documentos trabalhistas
 Atesta Notas Fiscais (não autoriza pagamentos)
 Quem autoriza pagamento é o ordenador de despesas.

Para a lei 8666/93: “representante da Administração”


Para o Decreto 2271/97: “gestor do contrato responsável pela fiscalização da
execução”
Para a IN 02/08: Gestor ou fiscal são sinônimos

Portanto... Os normativos não nos auxiliam na definição adequada para o


que seja fiscal e o que seja gestor.

O importante é a definição clara de quais atribuições competem a cada


um, observadas as peculiaridades do órgão; de conformidade com o Art. 115 da
Lei 8666/93 – Os órgãos da Administração poderão expedir normas relativas aos
procedimentos operacionais a serem observados na execução das licitações, no
âmbito de sua competência, observadas as disposições desta Lei.

Contudo todos os atores dessa cena, seja o gestor, seja o fiscal deverá
ser o mantenedor do interesse público, dos princípios constitucionais:

Interesse Público
Legalidade
Impessoalidade
Moralidade
Publicidade
Eficiência

Na Lei 8666/93 a previsão do agente que fiscalizará o contrato está


expressa da seguinte forma:

Art. 67. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um


representante da Administração especialmente designado, permitida a contratação
de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações pertinentes a essa atribuição.

§ 1o O representante da Administração anotará em registro próprio todas as


ocorrências relacionadas com a execução do contrato, determinando o que for
necessário à regularização das faltas ou defeitos observados.
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§ 2o As decisões e providências que ultrapassarem a competência do representante


deverão ser solicitadas a seus superiores em tempo hábil para a adoção das medidas
convenientes.

Pois bem, para que o fiscal ‘exista’ a autoridade superior, deverá nomear
servidores por Portaria a ser publicada em boletins de serviços. Deverá ter um
substituto para os afastamentos legais.

Designação do Fiscal – Jurisprudência do TCU - 9.6.33 – Expeça


tempestivamente as portarias de designação formal de servidores para
acompanhar e fiscalizar os contratos da administração, nos termos do art. 67 da
Lei 8666/93.
Acórdão 2038/2008 – Plenário

O perfil do fiscal e o papel que esse servidor deverá desempenhar têm


sido objeto de estudo dos Órgãos regulamentadores, dada a importância desse
servidor para a Administração.

A Lei 8.666/93, não faz referência expressa do perfil do fiscal de contrato,


e todos sabemos que é imprescindível que o servidor designado para tal
encargo seja dotado de algumas qualificações.
No Ministério da Fazenda, a Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e
Administração em 2011, editou um manual e descreveu um perfil, vejamos:

PERFIL DO GESTOR E FISCAL

 Gozar de boa reputação ético-profissional;


 Possuir conhecimentos específicos do objeto a ser fiscalizado;
 Preferencialmente, não estar respondendo a processo d sindicância ou
processo administrativo disciplinar;
 Não possuir em seus registros funcionais punições em decorrência de
prática de atos lesivos ao patrimônio público, em qualquer esfera do
governo;
 Não haver sido responsabilizado por irregularidades junto ao Tribunal de
Contas da União, do Estado, do Distrito Federal ou e Município;
 Não haver sido, nos últimos 5 (cinco) anos, condenado em processo
criminal por crimes contra a Administração Pública, capitulados no Titulo
XI, Capítulo I, do Código Penal Brasileiro, na Lei 7.492/1986 e na Lei
8.249/1992.

OBRIGAÇÕES DO GESTOR DO CONTRATO

 É imprescindível que o servidor designado para tal encargo conheça suas


obrigações enquanto exerce sua função;
11 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

 Respeitar a formalidade;

 Agir com assertividade, sabendo se posicionar e exprimir suas opiniões


sem ofender as pessoas, bem como defender o interesse público sem
usurpar os direitos da Contratada;

 Atuar com cordialidade e urbanidade em relação aos representantes da


Contratada e aos funcionários;

 Deve estar pronto para prestar contas das suas ações aos seus superiores
hierárquicos, à sociedade e aos órgãos de controle;

 Avaliar as consequências das suas ações e conhecer bem seu papel e os


limites das suas atribuições, buscando a colaboração no que extrapolar a
sua competência;

 Solicitar à unidade competente esclarecimentos de dúvidas relativas ao


Contrato sob sua responsabilidade

OS 10 MANDAMENTOS DO GESTOR/FISCAL

1. Ler atentamente o processo da contratação e isto inclui o edital completo,


a proposta todos os instrumentos vinculadores, ou seja: Plano de
Trabalho, Termo de Referência, Edital de Licitação, Proposta de preços e
Termo de Contrato;
2. Conhecer bem o contrato;
3. Não ter receio em buscar ajuda;
4. Fazer TUDO por escrito;
5. Não se distanciar do fiscal substituto que é com quem deverá alternar a
fiscalização no caso de sua ausência;
6. Manter os processos bens instruídos;
7. Ter bom senso seja justo, nunca permissivo;
8. Estar atento aos prazos e vigências;
9. Sempre se reportar ao Preposto;
10. Observar sistematicamente a qualidade dos serviços.

Aceitar, atestar uma prestação de serviço ou um fornecimento é liquidar


uma despesa pública, vejamos o que diz a Lei Orçamentária:

“...Lei n 4.320/64 - Art. 63. A liquidação da despesa consiste na verificação do


direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos
comprobatórios do respectivo crédito.
§ 1° Essa verificação tem por fim apurar:
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I - a origem e o objeto do que se deve pagar;


II - a importância exata a pagar;
III - a quem se deve pagar a importância, para extinguir a obrigação.
§ 2º A liquidação da despesa por fornecimentos feitos ou serviços prestados
terá por base:
I - o contrato, ajuste ou acordo respectivo;
II - a nota de empenho;
III - os comprovantes da entrega de material ou da prestação efetiva do
serviço.

Em Relação ao Contrato, os gestores e os fiscais devem:

 Solicitar cópia do edital, do Contrato, do empenho e da proposta da


Contratada formando um expediente de acompanhamento;

 Ler atentamente o Contrato e transferir para o seu registro as informações


necessárias ao bom e fiel cumprimento de sua função;

 Manter um arquivo próprio, para o fim exclusivo de acompanhamento da


execução do Contrato, onde possa guardar: cópia do Contrato, proposta
da Contratada e edital, todos completos, inclusive com anexos; cópia do
Projeto Básico/Termo de Referência, quando for o caso; pasta de
comunicações realizadas com o preposto (cartas, notificações); pasta de
comunicações internas.

 Conhecer as obrigações e responsabilidades da Contratante e da


Contratada, especialmente no que se refere à Convenção Coletiva de
Trabalho, que rege a relação entre funcionários e a categoria dos
profissionais empregados nos serviços contratados;

 Conhecer as sanções administrativas.

Início da Prestação dos Serviços

 A Contratante deve solicitar à Contratada, no primeiro mês da prestação


dos serviços, as seguintes documentações:

 Relação dos empregados, contendo nome completo, cargo ou função,


horário do posto de trabalho, números da carteira de identidade (RG) e da
inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), com indicação dos
responsáveis técnicos pela execução dos serviços, quando for o caso;
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 Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) dos empregados


admitidos e dos responsáveis técnicos pela execução dos serviços,
quando for o caso,
 Devidamente assinada pela Contratada; e

 Exames médicos admissionais dos empregados da Contratada que


prestarão os serviços.

Fiscalização inicial

 Elaborar planilha-resumo de todo o Contrato Administrativo, contendo


informações sobre todos os empregados terceirizados que prestam
serviços no órgão ou entidade, divididos por Contrato, com os seguintes
dados: nome completo, número de inscrição no CPF, função exercida,
salário, adicionais, gratificações, benefícios recebidos, sua especificação e
quantidade (vale transporte, auxílio-alimentação), horário de trabalho,
férias, licenças, faltas, ocorrências e horas-extras trabalhadas;

 Examinar as Carteiras Profissionais dos empregados colocados a serviço,


por amostragem, para comprovação do registro e função profissional, no
momento em que a terceirização for iniciada. Todas as anotações contidas
na CTPS dos empregados devem ser conferidas, a fim de verificar se as
informações nelas inseridas coincidem com as informações fornecidas
pela empresa e pelo empregado;

 Verificar se, nas áreas de trabalho, os funcionários da Contratada serão


submetidos a condições de insalubridade ou periculosidade, a fim de
conferir o pagamento dos respectivos adicionais, bem como o
fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPI);

 Verificar se a remuneração dos funcionários não está abaixo da


apresentada na planilha de custos e formação de preço, em desacordo
com o determinado na Convenção Coletiva de Trabalho vigente para a
categoria;

 Conferir se os postos de trabalho estão ocupados, conforme a


especificação do Contrato;

 Certificar-se de que o preposto da empresa está ciente das obrigações


assumidas pela Contratada na prestação do serviço.

Após a assinatura do contrato, é necessária uma reunião inicial,


devidamente registrada em Ata, para dar início à execução do serviço, com o
esclarecimento das obrigações contratuais, devendo estar presentes: os
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responsáveis pela elaboração do TR/PB, o gestor do contrato, os fiscais: técnico


e administrativo do contrato (se houver), os técnicos da área requisitante, o
preposto da empresa e os gerentes das áreas que executarão os serviços
contratados.

Acompanhamento do Contrato

A execução dos Contratos deverá ser acompanhada e fiscalizada por meio de


instrumentos de controle, que compreendam a mensuração dos seguintes
aspectos, quando for o caso:

I – os resultados alcançados em relação à Contratada, com a verificação dos


prazos;

de execução e da qualidade demandada;

II – os recursos humanos empregados, em função da quantidade e da formação


profissional exigidas;

III – a qualidade e quantidade dos recursos materiais utilizados;

IV – a adequação dos serviços prestados à rotina de execução estabelecida;

V – o cumprimento das demais obrigações decorrentes do Contrato;

VI – a satisfação do público usuário.

Cabe ao gestor do Contrato, entre outros:

 Coordenar, acompanhar e fiscalizar toda a execução do contrato,


verificando a prestação dos serviços e a alocação dos recursos
necessários, de forma a assegurar o cumprimento do Contrato,
consolidando as informações repassadas pelos fiscais técnico e
administrativo, quando aplicável;

 Comunicar à autoridade superior o descumprimento total ou parcial, por


parte da Contratada, das responsabilidades assumidas em contrato,
propondo soluções para os problemas detectados e sanções julgadas
cabíveis;

 Notificar a Contratada em caso de acidente de trabalho e outras


ocorrências;
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 Solicitar ao preposto da Contratada a substituição dos empregados que


comprometam a perfeita execução dos serviços, inclusive quando
decorrente de comportamento inadequado;

 Comunicar, formalmente, à autoridade competente sobre a necessidade


de abertura de nova licitação, com antecedência mínima de 180 dias da
data de término do Contrato, bem como as prorrogações ou os
acréscimos/supressões necessários ao objeto do Contrato;

 Solicitar à Contratada a substituição de qualquer ferramenta ou


equipamento cujo uso seja considerado prejudicial à boa conservação dos
bens ou instalações, ou ainda, que não atendam às necessidades da
Administração;

 Acompanhar e conferir as retenções efetuadas em conta vinculada;

 Atestar as notas fiscais/faturas correspondentes a prestação dos serviços


contratados.

O gestor do contrato deve registrar toda e qualquer ocorrência, bem como


as providências adotadas, relativamente ao acompanhamento e fiscalização do
contrato, informando à autoridade competente as ocorrências que possam
prejudicar o bom andamento da obra, do fornecimento ou da prestação do
serviço, por meio do Registro de Ocorrência. As informações devem estar
agrupadas em um documento, como livro, arquivo digital, ficha, etc.

Atenção! O gestor do contrato deve ter um cuidado adicional durante as reuniões


realizadas com a Contratada. É de grande importância que uma Ata documente tudo o
que foi tratado na reunião, devendo este documento conter no mínimo: data, nome e
assinatura dos participantes, assuntos tratados, decisões, responsáveis pelas providências
a serem tomadas e prazos estabelecidos entre as partes.

Cabe ao fiscal técnico do Contrato, entre outros:

 Fazer-se presente no local da execução do Contrato;

 Zelar pela fiel execução dos serviços, sobretudo no que concerne à


qualidade dos materiais utilizados;

 Verificar se o prazo de entrega, especificações e quantidades fornecidas


encontram-se de acordo com o estabelecido no instrumento contratual;
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 Dirigir-se ao preposto da Contratada para resolver qualquer problema na


execução do objeto, comunicando o fato ao gestor do Contrato, devendo
este determinar, por escrito e com prazo para cumprimento, o que for
necessário à regularização das falhas ou fatos observados;

 Exigir da Contratada o uso de uniforme e crachá pelos seus funcionários,


e se for o caso, repassar ao gestor do Contrato o seu descumprimento;

 Assegurar-se de que o número de funcionários alocados ao serviço pela


Contratada é suficiente para o bom desempenho dos serviços,
respeitando-se o que preconiza o Contrato;

 Fiscalizar o cumprimento dos regulamentos internos do MF, bem como o


cumprimento das normas e dos procedimentos de segurança e higiene
estabelecidos em Contrato;

 Verificar a adequação da prestação do serviço com base no Acordo de


Níveis de Serviço (ANS), quando houver, previamente definido no ato
convocatório e pactuado pelas partes;

 Acompanhar e controlar, quando for o caso, o estoque de materiais de


reposição, destinado à execução do objeto contratado, principalmente
quanto à qualidade;

 Promover periodicamente pesquisa junto ao público usuário para


avaliação do nível de satisfação dos serviços prestados.

Importante ressaltar que a designação dos fiscais técnico e administrativo


é facultativa ao gestor. Nas hipóteses em que o gestor do Contrato atue sem
auxílio de fiscais, caberão a ele todas as competências da fiscalização contratual.

Cabe ao fiscal administrativo do Contrato, entre outros:

A fiscalização mensal de prestação dos serviços terceirizados, antes do


pagamento da fatura, a qual caberá:

 Acompanhar a retenção da contribuição previdenciária no valor de 11%


(onze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura e dos impostos
incidentes sobre a prestação do serviço;

 Consultar a situação da empresa junto ao Sistema de Cadastramento


Unificado de Fornecedores (SICAF) e o Cadastro Informativo dos Créditos
não Quitados do Setor Público Federal (CADIN);
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 Exigir a Certidão Negativa de Débito (CND), junto ao INSS, a Certidão


Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais, o Certificado de
Regularidade do FGTS (CRF), e a Certidão Negativa de Débitos
Trabalhistas (CNDT), caso esses documentos não estejam regularizados
no SICAF.

Fiscalização por amostragem:

 Solicitar, por amostragem, aos empregados, que verifiquem se as


contribuições da previdência e do FGTS estão ou não sendo recolhidas
em seus nomes;

 Solicitar, por amostragem, aos empregados terceirizados os extratos da


conta do FGTS, os quais deverão ser entregues à Administração;

 A Contratada deverá entregar, no prazo de 15 (quinze) dias, quando


solicitado pela Administração, por amostragem, quaisquer dos seguintes
documentos:

1. Extrato da conta do INSS e do FGTS de qualquer empregado, a


critério da Contratante, cópia da folha de pagamento analítica de
qualquer mês da prestação dos serviços, em que conste, como
tomadora a Contratante, cópia(s) do(s) contracheque(s) assinado(s)
pelo(s) empregado(s) relativo(s) a qualquer mês da prestação dos
serviços ou, ainda, quando necessário, cópia(s) de recibo(s) de
depósito(s) bancário(s);

2. Comprovantes de entrega de benefícios suplementares (vale-


transporte, vale alimentação, cesta básica, entre outros) a que
estiver obrigada por força de lei ou de convenção ou acordo
coletivo de trabalho, relativos a qualquer mês da prestação dos
serviços e de qualquer empregado

O objetivo da fiscalização por amostragem é fazer com que todos os funcionários


tenham tido seus extratos avaliados ao final de um ano, sem que isso signifique que a
análise não possa ser realizada mais de uma vez em um mesmo empregado, garantindo
assim o “efeito surpresa” e o benefício da expectativa do controle.
18 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

CABE AINDA AO GESTOR E FISCAIS:

1) Fazer-se presente no local da execução do contrato.

2) Em contratos que envolvam mão de obra, observar se os uniformes estão


sendo utilizados, se os salários e benefícios estão sendo pagos em dia, assim
como os encargos sociais, verificar carteiras de trabalho e documentos relativos
aos funcionários da contratada para comprovação de registro profissional.

3) Solicitar ao preposto a substituição de empregados que comprometam a


boa execução dos serviços.

4) Acompanhar estoque de materiais a ser fornecido pela contratada que


façam parte da execução dos serviços.

5) Em contratos de compra de materiais, verificar se foi cumprido o prazo de


entrega, e se as especificações e quantidades fornecidas estão de acordo com o
estabelecido no instrumento contratual.

6) Anotar irregularidades encontradas, providências adotadas, incidentes


verificados e o resultado dessas medidas em documento próprio.

7) Manter um arquivo, preferencialmente em mídia de todos os processos de


pagamento, folha de pagamento de pessoal, apontamentos de frequência
(folhas de ponto ou cartão), guias da Previdência Social originadas pelo SEFIP-
SISTEMA EMPRESA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES A
PREVIDÊNCIA SOCIAL (RET e Guia do FGTS), devidamente pagas.

8) No caso de obras, zelar pela sua execução, pela qualidade dos materiais
nela aplicados, e pelo cumprimento das etapas apresentadas no cronograma
físico-financeiro.

9) Manter Diário de Obras com o registro de todas as ocorrências que


entender relevantes.

10) Proceder ao encaminhamento de possíveis alterações de projeto,


acréscimos ou supressões contratuais que porventura venham surgir.

11) Controlar prazos e vigências contratuais.

12) Todos os relatórios deverão ser concisos, claros, objetivos de modo a não
deixar dúvidas sobre qualquer tema a ser tratado, seja uma medição, um
19 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

apontamento, uma proposição para aplicação de sanções, acréscimos ou


supressões.

13) Receber provisória e definitivamente contratos de entrega de materiais,


obras e serviços.

14) Caso necessário, o fiscal poderá solicitar a contratação de Pessoa Jurídica


ou Pessoa Física que o apoie nas atividades da fiscalização.

VEDAÇÕES À CONTRATANTE
1. Exercer poder de mando sobre os empregados da empresa Contratada
para a prestação de serviços, devendo reportar-se aos prepostos ou
responsáveis por ela indicados;

2. Permitir que pessoa sem vínculo empregatício com a Contratada seja


alocada aos serviços contratados;

3. Requisitar empregados sem a prévia autorização da Administração e sem


a devida comunicação à Contratada;

4. Direcionar a contratação de pessoas para trabalhar nas empresas


Contratadas;

5. Negociar folgas ou compensação de jornada com os funcionários da


Contratada;

6. Promover ou aceitar o desvio de funções dos trabalhadores da


Contratada, mediante a utilização destes em atividades distintas daquelas
previstas no objeto da contratação e em relação à função específica para
a qual o trabalhador foi contratado;

7. Considerar os trabalhadores da Contratada como colaboradores eventuais


do próprio órgão ou entidade responsável pela contratação, especialmente
para efeito de concessão de diárias e passagens;

8. Manter contato com a Contratada, visando obter benefício ou vantagem


direta ou indireta, inclusive para terceiros.
20 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

ACORDO DE NÍVEIS DE SERVIÇO


O Acordo de Níveis de Serviço (ANS) compreende a análise do serviço
prestado, tendo por base metas compreensíveis e possíveis de serem
alcançadas pela empresa que presta o serviço, possibilitando a constatação e a
comprovação do que foi ou deixou de ser realizado pela Contratada. Para que
isso ocorra, são necessárias a fiscalização e a gestão da qualidade dos serviços,
bem como registros e anotações das ocorrências referentes ao Contrato em
questão.

A IN nº 02/2008, e suas alterações, traz no Art. 17 as diretrizes a serem


adotadas na elaboração do ANS. A definição, de forma clara, dos serviços e
resultados esperados seria um exemplo a ser seguido. É importante que os
indicadores e as metas estejam bem identificados e passíveis de mensurar por
parte daqueles que fiscalizarão os serviços.

Não sendo alcançadas as metas estabelecidas, a Contratada se sujeitará


aos descontos no pagamento e às sanções estabelecidas em lei, conforme
definido no instrumento convocatório.

Para invocar o interesse público há de se demonstrá-lo


expressamente, para que as decisões sejam legitimadas, a motivação é
pressuposto essencial de validade do ato a ser praticado, em qualquer
decisão administrativa a ser tomada, deve ser considerada a
MORALIDADE, RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE.

Os para a prática dos atos administrativos estão estabelecidos no artigo 2º


da Lei 4.717/65, são eles:
 Competência;
 Objeto;
 Forma;
 Motivo; e
 Finalidade.
21 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Requisitos Tipo do Ato Características


É O PODER, resultante da lei,
que dá ao agente
administrativo a capacidade
COMPETÊNCIA Vinculado
de praticar o ato
administrativo. Admite
DELEGAÇÃO e AVOCAÇÃO.
Éo bem jurídico
OBJETIVADO pelo ato
FINALIDADE Vinculado
administrativo; é ao que o ato
se compromete;
É a maneira regrada (escrita
em lei) de como o ato deve ser
FORMA Vinculado
praticado; É o revestimento
externo do ato.
É a situação de direito que
Vinculado ou autoriza ou exige a prática do
MOTIVO
Discricionário ato administrativo; é o porquê
do ato.
É o conteúdo do ato; é a
Vinculado ou própria alteração na ordem
OBJETO
Discricionário jurídica; é aquilo de que o ato
dispõe, trata.

A avocação de competência é um meio pelo qual a autoridade administrativa


situada em nível hierárquico superior chama para si a competência para
solucionar questão que normalmente caberia a um escalão inferior.
Não nos esqueçamos, a FISCALIZAÇÃO é um ato administrativo e para ser
validado necessitará conter todos os requisitos legais.
22 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

CONTA VINCULADA PARA A QUITAÇÃO DE OBRIGAÇÕES


TRABALHISTAS

O Ministério do Planejamento trouxe uma grande contribuição às


fiscalizações dos contratos de mão de obra, no que tange à responsabilidade
solidária aos encargos previdenciários pela IN nº 02/2008, com a publicação da
IN nº 06/2013 e da IN nº 03/2014 que estabelece a adoção da conta-depósito
vinculada – bloqueada para movimentação, com o objetivo de reter valores e
garantir o cumprimento de obrigações trabalhistas. A referida Instrução
Normativa destaca que os valores depositados pela Administração em conta
vinculada serão para o pagamento de férias, 13º salário e verbas rescisórias aos
trabalhadores da Contratada.

A Lei 8.666/93 preceitua em seu artigo 71:

“... Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas,


previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato.
... § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado
pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato ...”

Para minimizar os riscos da Administração às possíveis inadimplências


previdenciárias dos contratados, o Ministério do Planejamento pelas
Instruções Normativas 02 e 03 de 2009, normatizou a “Conta Vinculada” que
monitora pela movimentação da conta o pagamento dessas obrigações,
conforme segue:

“... Anexo VII da IN 03/2009 do Ministério do Planejamento:

“...1.1 As provisões realizadas pela Administração contratante para o


pagamento dos encargos trabalhistas de que tratam este Anexo, em relação
à mão de obra das empresas contratadas para prestar serviços de forma
contínua, por meio de dedicação exclusiva de mão de obra, serão destacadas
do valor mensal do contrato e depositados em conta vinculada em instituição
bancária oficial, bloqueada para movimentação e aberta em nome da
empresa.

1.2. A movimentação da conta vinculada será mediante autorização do


órgão ou entidade contratante, exclusivamente para o pagamento dessas
obrigações.
23 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

1.3 O montante do depósito vinculado será igual ao somatório dos valores


das seguintes previsões:

I- 13º salário;

II- Férias e Abono de Férias;

III- Adicional do FGTS para as rescisões sem justa causa;

IV- Impacto sobre férias e 13º salário.

 13º salário................................................................................9,32%

 Férias e Abono de Férias.......................................................12,25%

 Adicional do FGTS para as rescisões sem justa causa..........3,92%

 SUBTOTAL..................................................................................25,49%

 IV - Impacto sobre férias e 13º salário..........................................8,15%

 TOTAL.......................................................33,64%

A conta-depósito vinculada será aberta em nome da Contratada e os


valores serão liberados para o pagamento das verbas trabalhistas nas condições
previstas na Instrução Normativa, sendo elas:

• Parcial e anualmente, pelo valor correspondente ao 13º salário dos empregados


vinculados ao contrato, quando devido;

• Parcialmente, pelo valor correspondente às férias e ao 1/3 de férias previsto na


Constituição, quando do gozo de férias dos empregados vinculados ao Contrato;

• Parcialmente, pelo valor correspondente ao 13º salário proporcional, férias


proporcionais e à indenização compensatória porventura devida sobre o FGTS,
quando da dispensa de empregado vinculado ao Contrato;

• Ao final da vigência do Contrato, para pagamento das verbas rescisórias.


24 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

A movimentação da conta-depósito vinculada será mediante autorização


da Administração e somente para o pagamento das indenizações trabalhistas
aos trabalhadores.

Após a execução completa do Contrato, o saldo remanescente em conta-


depósito vinculada poderá ser liberado, desde que a Contratada comprove que
todos os encargos trabalhistas e previdenciários foram pagos aos trabalhadores.

CONFERIR A NOTA FISCAL – FORMALIZAR PROCESSO DE


PAGAMENTO

Os serviços executados serão medidos mensalmente, de acordo com os


quantitativos e preços unitários pactuados no Contrato. O pagamento das faturas
da Contratada será liberado integral ou parcialmente, de acordo com o que
constar das medições aprovadas pelo gestor do contrato.

O gestor do contrato, que libera as medições dos serviços, deve observar


todos os dados citados, devendo realizar as glosas e/ou sugerir aplicação de
penalidades pecuniárias por inadimplemento parcial ou total do contrato.

Avaliar os resultados do serviço para efetuar o pagamento da sua


remuneração significa um esforço para melhorar a gestão dos gastos públicos.
Este procedimento proporciona uma certeza de que o valor a ser pago irá refletir
realmente o serviço recebido e, por fim, garante que não estará ocorrendo
desperdício de recursos.

CONTRATOS QUE ENVOLVAM MÃO DE OBRA

1. Receber a Nota Fiscal do contratado que deverá estar acompanhada de:


a) folha de pagamento dos funcionários;
b) Guia do FGTS acompanhada da Relação Empregado X Tomador –
GFIP/SEFIPF; e
c) recibo de pagamento da Guia;

2. Guardar o recibo de entrega datado que poderá ser: canhoto; e-mail das
notas fiscais eletrônicas; envelopes se forem recebidas pelos CORREIOS. Frise-
se guardar o documento de entrega com a data;
3. Caso tenha mão de obra envolvida, a folha de pagamentos apresentada
juntamente com a nota fiscal deverá ser individualizada, ou seja, nela deverá
25 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

conter somente o quadro de profissionais atuante em sua Unidade. Deverá ser


feita conferência, especialmente dos salários – CONSIDERAR OS DISSÍDIOS
COLETIVOS - que compõe a planilha de preços da contratada e dos
funcionários;

4. A Guia do FGTS e da SEFIP também contém a relação de funcionários,


deverá ser igualmente conferida, sendo que os funcionários deverão ser os
mesmos;

5. Deverão ser os mesmos também o mês de competência da folha de


pagamentos e da GFIP;

6. A Guia é apresentada da seguinte forma: Uma folha de rosto que identifica


o Tomador dos Serviços (No caso a Unidade Administrativa) e nela vem o
cruzamento de dados do FGTS e dos Encargos Previdenciários. Nessa a folha
de rosto tem um código de barras, pois bem, o código de barras constante a
folha de rosto deverá ser o mesmo da RET (relação empregado x tomador);

7. IMPORTANTE, deverá ser apresentado juntamente com a guia o


comprovante de pagamento;

8. Verificar o CNPJ apontado na nota deverá ser o mesmo do contrato;

9. A razão social deverá ser a mesma constante do contrato;

10. O valor deverá ser o mesmo do contrato, ou do último ato que o alterou,
seja aditivo ou apostilamento;

11. Verificar se na nota fiscal está sendo feito o destaque do montante a ser
repassado para a conta corrente vinculada;

12. Verificar se o ISS está destacado na Nota e se a alíquota é a


correspondente ao município em que estão sendo prestados os serviços;

13. Caso tenham glosas a serem feitas, verificar se estão sendo consideradas
no valor final da nota;

14. No verso da Nota, escrever: ATESTO QUE OS SERVIÇOS FORAM


DEVIDAMENTE PRESTADOS, carimbar, datar e assinar. O carimbo deverá
conter a matrícula do servidor ou deverá ser providenciado carimbo próprio com
o nome, a matrícula e identificação: FISCAL DO CONTRATO – PORTARIA
Nº......
15. Autuar os documentos num processo de pagamento contendo:
26 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

1) Folha de rosto (No Ministério da Fazenda temos um modelo), nela deverá


conter campos com todos os dados do contrato:

a) Número do Contrato;
b) Número da portaria de fiscalização (juntar cópia no processo);
c) Número da Licitação;
d) Vigência;
e) Mês de referência da prestação do serviço;
f) Valor Mensal Atualizado;
g) Valor a ser movimentado para a conta vinculada;
h) Dados Bancários da conta vinculada;
e) Considerações Gerais para serem anotadas todas as incidências
contratuais relevantes, como faltas, glosas observadas ao longo do mês;

2) Nota fiscal atestada no verso;

3) Comprovante de recebimento;

4) Outras ocorrências solicitadas para a regularização da nota fiscal: e-mails,


correspondências, etc... ;

16. Cópia das folhas de ponto ou dos cartões de ponto;

17. Folha de Pagamentos dos funcionários a serviço do contrato;

18. Guia do FGTS e RET/SEFIP ;

19. Comprovante de pagamento da Guia;

20. Consultar o SICAF e CNDT, CADIN (caso haja alguma irregularidade,


comunicar ao Gestor para que a Contratada seja Oficiada a regularizar a
questão).

Podemos reter o pagamento de uma empresa que esteja em débito com


alguma empresa que não esteja com a situação regular?

NÃO!!!!
27 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

PARECER
PGFN/CJU Nº 401/2000

Na mensagem 1997/429518, UG 150003, de 3 de outubro de 1997, a CISET/MEC


manifestou-se in verbis:

“Senhor Dirigente,

Com o intuito de uniformizar o entendimento da Instrução Normativa MARE nº


5, de 21/07/95, estamos transmitindo a seguinte orientação:

1. O item 8.8 da citada IN prevê que dever-se-ia realizar consulta, junto ao Sistema de
Cadastramento Unificado de Fornecedores – SICAF, previamente à contratação e
antes de cada pagamento a ser feito para o fornecedor, devendo o seu resultado ser
impresso e juntado, também aos autos do processo próprio. É de ser observado que a
IN em momento algum impõe a PROIBIÇÃO de se realizar pagamento a quem se
encontre na situação de suspenso ou inativo junto ao SICAF.

2. Desse modo, entendemos que se a documentação do fornecedor estiver vencida,


ou se o mesmo tiver sido suspenso ou inativo no SICAF, quando do pagamento, em
caso de prestação de serviços que já tenham sido executados, deve a administração
pagar, uma vez que os serviços foram prestados. Aliás, o não pagamento, neste
caso, caracteriza-se como enriquecimento ilícito por parte da administração, posto
que esta teve o serviço executado, sem por este efetuar a devida contraprestação.
Deve-se, pois, fazer analogia com o que diz o parágrafo único do artigo 59 da Lei nº
8.666, de 21 de junho de 1993, e não se exonerar a administração de indenizar o
contratado pelo que este já houver executado. Assim, informamos que, após
procedido o pagamento requerido, devem ser rescindidos os contratos e anotadas as
providências que possibilitem a recontratação.

3. Ressalte-se que a rescisão administrativa, por interesse público, é forçosa, tendo


em vista que, durante a execução do contrato o fornecedor deve se manter de acordo
com as regras impostas pela administração, tornando-se, assim, inconveniente a
manutenção do contrato.

4. Esclarecemos, ainda, que o pagamento deve ocorrer para os bens já entregues, no


caso de fornecimento de bens, em virtude de idêntico raciocínio no item 2 desta
mensagem.

Atenciosamente,

Valperino Ribeiro Tavares

Secretário de Controle Interno no MEC”


28 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

4. O art. 55 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, determina:

“Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam:

...................................................................................................................

XIII – a obrigação do contratado de manter, durante toda a execução do


contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, todas as
condições de habilitação e qualificação exigidas na licitação”.

5. A seu turno, a Instrução Normativa MARE nº 5, de 21 de julho de 1995, estabelece:

“...............................................................................................................

8.7. Quando das licitações, dispensa ou inexigibilidade deverá,


necessariamente, ser consultado, “ON-LINE”, o SICAF, com vistas a instruir o
respectivo processo relativamente à situação do licitante, para fins de sua habilitação
nos termos dos artigos 27 a 32, da Lei nº 8.666/93.

.......................................................................................................

8.8. Idêntica consulta deverá ser realizada previamente à contratação e antes


de cada pagamento a ser feito para o fornecedor, devendo seu resultado ser
impresso e juntado, também, aos autos do processo próprio.

................................................................................................................”

6. Cabe observar que a quase totalidade dos contratos celebrados pela União, por
intermédio dos órgãos do Ministério da Fazenda, apresentam as seguintes cláusulas, com
ligeiras alterações nas respectivas redações:

6.1. manter, durante toda a execução do contrato, as mesmas condições da


habilitação (para os contratos precedidos de licitação) ou manter, durante toda a
execução do contrato, as mesmas condições de regularidade fiscal apresentadas na
29 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

data da assinatura deste contrato (para os contratos decorrentes de dispensa ou de


inexigibilidade de licitação); e
6.2. na cláusula referente ao pagamento, normalmente há parágrafos relacionados
com a consulta ao SICAF:
6.2.1. § 1º Antes do pagamento, será verificada no SICAF, mediante consulta on line
ao sistema, a regularidade do cadastratamento e habilitação parcial da Contratada,
devendo o resultado ser impresso e juntado ao processo; e

6.2.2. § 2º Em caso de irregularidade, o pagamento será suspenso até que sejam


sanadas as pendências, sem ônus para a Contratante.

7. No âmbito do Ministério da Fazenda, as minutas desses contratos são previamente


aprovadas por esta Procuradoria-Geral, pelas Procuradorias da Fazenda Nacional nos Estados
ou pelas Procuradorias Seccionais da Fazenda Nacional jurisdicionantes.

8. Cópias desses contratos têm sido encaminhadas à Secretaria do Controle Interno do


Ministério da Fazenda pelos órgãos centrais representantes da contratante, a União, e às
Delegacias Federais de Controle nos Estados jurisdicionantes, quando a contratante é
representada por órgãos estaduais, regionais, sub-regionais ou locais do Ministério da
Fazenda.

9. Posteriormente, tais contratações são objeto de auditoria interna (CISET ou DFC) e de


auditoria externa (TCU).

10. Não se tem notícia de impugnações a estas cláusulas por parte dos órgãos de Auditoria
Interna ou Externa, das empresas licitantes e das contratadas.

11. Em adição, em dezenas de treinamentos promovidos por órgãos do Ministério da


Fazenda, é preconizada a utilização das cláusulas mencionadas e a única notícia que se tem,
contrária à suspensão dos pagamentos, é a constante da mensagem 1997/429518, UG150003.

12. A força coercitiva dessas cláusulas tem-se revelado utilíssima para o restabelecimento
da regularidade fiscal da contratada.

III

13. Examinado o assunto com mais profundidade, verifica-se que o parágrafo mencionado
no subartículo 6.2.2 (suspensão do pagamento até a regularização da situação) não tem
amparo legal, devendo-se declarar sua nulidade e restabelecer-se, desde logo o pagamento
devido, eventualmente suspenso; sendo ilegal, a cláusula é considerada como inexistente,
como não escrita.
30 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

14. Por outro lado, o subitem 8.8 da IN MARE nº 5, de 1995, não é inócuo.

15. A consulta ao SICAF deve ser feita periodicamente (por ocasião dos pagamentos é
uma boa oportunidade, pois tal ação já integra o costume dos setores de pagamento e
consta do mandamento infra-legal), e, no caso de a consulta detectar irregularidades, dever-
se-á promover advertência à empresa contratada, com fundamento no inciso XIII do art. 55,
no art. 77 e no inciso I do art. 78, todos da Lei nº 8.666, de 1993, no sentido de que, num
prazo exequível, providencie sua regularização no SICAF, ou apresente sua defesa, sob pena
de rescisão do contrato; este prazo, poderá ser prorrogado, a critério da Administração.

16. Como já existe nos contratos em vigor a cláusula constante do subartículo 6.1, e a
possibilidade de rescisão do contrato devida a sua não observância decorre da lei, torna-se
desnecessário termo aditivo aos contratos para inclusão, como cláusula, o recomendado na
parte final do artículo anterior.

17. É relevante observar que, diferentemente das conclusões do item 3 da mensagem


1997/429518, UG 150003 da CISET/MEC, a rescisão do contrato por irregularidade de
situação da contratada junto ao SICAF, não é automática; a conveniência da rescisão do
contrato deve ser examinada levando-se em conta a defesa apresentada pela contratada e,
sobretudo, o interesse público e o princípio da continuidade do serviço público.

IV

18. De todo o exposto, conclui-se:

18.1. a cláusula contratual que prevê a suspensão dos pagamentos, quando a


contratada estiver irregular junto ao SICAF, não encontra amparo legal;

18.2. esta cláusula deverá ser declarada nula nos contratos em vigor;

18.3. constatada a situação de irregularidade da contratada junto ao SICAF, deve-


se providenciar sua advertência, por escrito, no sentido de que, em prazo exequível
(desde logo determinado), a contratada regularize sua situação junto ao SICAF ou, no
mesmo prazo, apresente sua defesa, sob pena de rescisão do contrato; este prazo
poderá ser prorrogado, a critério da Administração;

18.4. uma cláusula nesse sentido deverá constar dos novos contratos a ser
celebrados;
31 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

18.5. esta mesma cláusula deverá constar dos modelos de contratos que
acompanham os editais de licitação em andamento, devendo ser promovidas as
substituições dos modelos já retirados pelos interessados (tais substituições não
ensejam modificação da data da abertura da licitação pois a alteração não afeta,
inquestionavelmente, a formulação das propostas - § 4º do art. 21 da Lei nº 8.666, de
1993).
19. À consideração superior, com proposta de restituição do processo à Secretaria da
Receita Federal.

PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 23 de março de 2000.

LUCAS AZEVEDO MOREIRA DOS SANTOS

Coordenador

De acordo.

2. Tratando-se de orientação normativa, no âmbito do Ministério da Fazenda, sugere-se


que cópias deste Parecer sejam encaminhadas às Procuradorias da Fazenda Nacional, às
Procuradorias Seccionais da Fazenda Nacional, à Subsecretaria de Planejamento, Orçamento e
Administração, à Secretaria do Tesouro Nacional, à Secretaria de Acompanhamento
Econômico, à Secretaria de Política Econômica, à Secretaria de Assuntos Internacionais, à
Escola de Administração Fazendária e, especialmente, à Secretaria Federal de Controle
Interno.

3. À consideração do Sr. Procurador-Geral Adjunto.

PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 23 de março de 2000.


ADEMAR PASSOS VEIGA
Coordenador-Geral Jurídico

Aprovo.

2. À Coordenação de Apoio para encaminhar cópias deste Parecer aos órgãos


mencionados no despacho da Coordenação-Geral Jurídica.

3. Em seguida, encaminhe-se, como proposto, à Secretaria da Receita Federal.

PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL, em 24 de março de 2000.

DANIEL RODRIGUES ALVES


Procurador-Geral Adjunto da Fazenda Nacional
32 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Processo nº 10951.000002/00-31

Conclui-se que não pagar um serviço efetivamente prestado, por um


bem/serviço que foi devidamente entregue por não estar com a situação irregular
no SICAF poderá configurar em descumprimento do contrato por parte da
Administração Pública.
As irregularidades contratuais deverão ser apuradas e saneadas na aplicação
das sanções.

PROCESSO DE PAGAMENTO DE MATERIAL

1) Observar se está sendo cumprido o prazo estabelecido no contrato;

2) Verificar se todas as especificações e quantidades estão de


conformidade com o contrato e termo de referência;

3) Estando de acordo efetuar recebimento do material;

4) Atestar a Nota;

5) Autuar num processo administrativo, com: a) Breve relatório para


abertura do processo contendo todas as informações como: número do
contrato, da licitação, empenho, valor e quantidades;

6) Juntar a Portaria de Fiscalização;

7) O comprovante com a data de recebimento da Nota;

8) Nota de Empenho (caso seja este o contrato);

9) Caso não esteja de acordo o material não receber e devolver a nota


fiscal imediatamente, inclusive efetuando proposição de aplicação de
sanções ao Gestor do Contrato;

10) Contabilizar as entradas e saídas de estoque em sistema próprio;

11) Enviar ao Departamento Financeiro para execução da despesa.

12) Efetuar recebimentos: definitivo e provisório.


33 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

IMPORTANTE

1) Qual o papel do gestor/fiscal com relação à conta vinculada?

Deverá calcular os percentuais indicados na IN 03 sobre a folha de


pagamentos e verificar se o valor destacado na nota está correto.

Outra questão importante a se considerar é que quando for solicitada pela


contratada a movimentação da conta, o fiscal deverá conferir os percentuais
para cada tipo de saque e se os funcionários objeto da solicitação são
correspondentes ao contrato vigente.

2) Porque todos os documentos deverão ser guardados em mídias?

Em uma possível contenda trabalhista, os documentos comprobatórios,


além dos formais, contrato, edital, etc...
Portanto, o processo de pagamento é imprescindível para subsidiar a defesa da
União.

No decorrer do contrato, quando houver reclamações dos funcionários


terceirizados quanto ao pagamento de salários ou benefícios, poderá ser feita
diligência ao Ministério do Trabalho e Emprego, Caixa Econômica, enfim, todos
os Órgãos que possam comprovar possível fraude e denunciar aos Órgãos
competentes.

3) Evitar dar ordens diretas aos terceirizados; Evitar compensações e


condescendências (alteração na forma de prestação de serviço precedida de
negociação de folgas, faltas); Evitar pessoalidade, não contribuir para ingerência
junto aos funcionários da contratada, dirigir-se sempre ao preposto.

Súmula 331 do TST, inciso II..


II - A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não
gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta,
indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988).

Comentário:
Nos termos da legislação vigente, o vínculo com a Administração Pública se dá
com a aprovação em concurso público (art. 37, II, CF).
O que pode acontecer é que a Administração seja condenada a pagar para o
empregado do terceiro, a mesma remuneração do servidor público [equiparação
salarial], daí o devido cuidado com o desvio de função.
34 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

4) Quando houver incorreção na Nota Fiscal, devolver por Ofício,


preferencialmente por correspondência registrada (Com Aviso de
Recebimento-AR) e solicitar a correção prontamente.

ATENÇÃO! Notas Fiscais por serviços prestados sem o seu devido


pagamento geram passivos para a Administração e descontrolam o
orçamento anual, então não é somente devolver, é monitorar para que seja
entregue novamente com as devidas correções, o mais breve possível.

ALGUNS TIPOS DE FISCALIZAÇÃO

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO

Como preceitua a Instrução Normativa n º 02/2009 do Ministério do


Planejamento, Orçamento e Gestão:

“... DOS SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO

Art. 42. Deverão constar do Projeto Básico na contratação de serviços de


limpeza e conservação, além dos demais requisitos dispostos nesta IN:

I - áreas internas, áreas externas, esquadrias externas e fachadas envidraçadas,


classificadas segundo as características dos serviços a serem executados,
periodicidade, turnos e jornada de trabalho necessários etc;
II - produtividade mínima a ser considerada para cada categoria profissional
envolvida, expressa em termos de área física por jornada de trabalho ou relação
serventes por encarregado; e
III - exigências de sustentabilidade ambiental na execução do serviço, conforme
o disposto no anexo V desta Instrução Normativa.

Art. 43. Os serviços serão contratados com base na Área Física a ser limpa,
estabelecendo-se uma estimativa do custo por metro quadrado, observadas a
peculiaridade, a produtividade, a periodicidade e a frequência de cada tipo de
serviço e das condições do local objeto da contratação.

Parágrafo único. Os órgãos deverão utilizar as experiências e parâmetros


aferidos e resultantes de seus contratos anteriores para definir as produtividades
da mão de obra, em face das características das áreas a serem limpas,
buscando sempre fatores econômicos favoráveis à administração pública.
35 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Art. 44. Nas condições usuais, serão adotados índices de produtividade por
servente em jornada de oito horas diárias, não inferiores a:

I - áreas internas:
a) Pisos acarpetados: 600 m²;
b) Pisos frios: 600 m²;
c) Laboratórios: 330 m²;
d) Almoxarifados/galpões: 1350 m²;
e) Oficinas: 1200 m²; e
f) Áreas com espaços livres - saguão, hall e salão: 800 m².

II - áreas externas:

a) Pisos pavimentados adjacentes/contíguos às edificações: 1200 m²;


b) Varrição de passeios e arruamentos: 6000 m²;
c) Pátios e áreas verdes com alta frequência: 1200 m²;
d) Pátios e áreas verdes com média frequência: 1200 m²;
e) Pátios e áreas verdes com baixa frequência: 1200 m²; e
f) coleta de detritos em pátios e áreas verdes com frequência diária: 100.000 m2.

III - esquadrias externas:


a) face externa com exposição a situação de risco: 110 m²;
b) face externa sem exposição a situação de risco: 220 m²;e
c) face interna: 220 m².

IV - fachadas envidraçadas: 110m²,observada a periodicidade prevista no


Projeto Básico;

V - áreas hospitalares e assemelhadas: 330m2.

§ 1º Nos casos dispostos neste artigo, será adotada a relação de um


encarregado para cada trinta serventes, ou fração, podendo ser reduzida a
critério da autoridade competente, exceto para o caso previsto no inciso IV deste
artigo, onde será adotado um encarregado para cada quatro serventes.
§ 2º Considerar-se-á área externa aquela não edificada, mas integrante do
imóvel.
§ 3º Considerar-se-á a limpeza de fachadas envidraçadas, externamente,
somente para aquelas cujo acesso para limpeza exija equipamento especial,
cabendo ao dirigente do órgão/entidade decidir quanto à oportunidade e
conveniência desta contratação.
§ 4º As áreas hospitalares serão divididas em administrativas e médico-
hospitalares, devendo as últimas reportar-se aos ambientes cirúrgicos,
enfermarias, ambulatórios, laboratórios, farmácias e outros que requeiram
assepsia similar, para execução dos serviços de limpeza e conservação.
§ 5º As produtividades de referência previstas neste artigo poderão ser alteradas
por meio de Portaria da Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação.
36 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Art. 45. Nos casos em que a Área Física a ser contratada for menor que a
estabelecida para a produtividade mínima de referência estabelecida nesta IN,
esta poderá ser considerada para efeito da contratação.

Art. 46. O Anexo V desta IN traz uma metodologia de referência para a


contratação de serviços de limpeza e conservação, compatíveis com a
produtividade de referência estabelecida nesta IN, podendo ser adaptadas às
especificidades da demanda de cada órgão ou entidade contratante.

Art. 47. O órgão contratante poderá adotar Produtividades diferenciadas das


estabelecidas nesta Instrução Normativa, desde que devidamente justificadas,
representem alteração da metodologia de referência prevista no anexo V e
sejam aprovadas pela autoridade competente.

Art. 48. Para cada tipo de Área Física deverá ser apresentado pelas
proponentes o respectivo Preço Mensal Unitário por Metro Quadrado, calculado
com base na Planilha de Custos e Formação de Preços, contida no Anexo III
desta IN.

Parágrafo único. O preço do Homem-Mês deverá ser calculado para cada


categoria profissional, cada jornada de trabalho e nível de remuneração
decorrente de adicionais legais...”

Podemos verificar que os serviços de limpeza são contratados por metro


quadrado limpo e dimensiona uma quantidade mínima de profissionais por área
à ser limpa.

Sobre a produtividade contratada: Ter conhecimento da produtividade proposta


pela contratada.

Exemplo: Se na proposta, a contratada estiver dimensionada a produtividade


de 660 metros quadrados, como saber quantos auxiliares de limpeza terá?
Observar o quanto de área interna está disposto no contrato, se for 6.600 metros
quadrados, no mínimo de pessoas deverá ser num total de 10.

 Porque no mínimo de 10?


Porque na época a licitação a contratada fez vistoria no local e considerando
TODAS AS ROTINAS de limpeza impostas pelo Edital, tanto diária, quanto
quinzenal ou mensal, julgou que as 10 pessoas seriam suficientes para atender
a demanda.

 E se na execução contratual detecta-se que a limpeza dos banheiros


(rotina diária) não está sendo cumprida porque o efetivo não é suficiente?
37 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

A contratada deverá colocar à disposição da Administração quantas pessoas


forem necessárias ao fiel cumprimento das rotinas contratuais.

No caso de grandes edificações, ou serviços prestados em locais diversos, o


fiscal deverá ter apoio dessas unidades. Geralmente esse apoio deve ser
ordenado pela autoridade máxima, a ordem deverá ser expressa. Dessa forma
demais servidores poderão subsidiar com informações o ateste. Também deverá
visitar os locais para observar pessoalmente se o serviço está sendo prestado a
contento.

Para as rotinas que não são diárias, aqui vai uma dica: O fiscal poderá
solicitar à contratada agendamento de todas as rotinas com datas marcadas.
Esse trabalho poderá ser feito junto a todos que recebem os serviços. Por
exemplo: Está agendada no Edifício “X” limpeza interna das janelas em
19/10/2014.

Essa data poderá ser informada aos fiscais auxiliares e aos ocupantes do
Edifício ”X” e o fiscal poderá verificar se a agenda está sendo cumprida pelos
funcionários do Edifício “X” ou pessoalmente, como queira.

Como descontar da fatura caso alguma rotina não tenha sido cumprida?

Deverá ser medida a área em que os serviços não foram feitos, enviar
comunicado ao preposto da contratada e efetuar a glosa da nota fiscal.

 Contratamos o metro quadrado de limpeza, como efetuar a glosa?


Uma Equação Simples:
X = METRAGEM NÃO LIMPA X VALOR DO METRO QUADRADO

 Caso um dos banheiros não tenha sido limpo, pegar a metragem do


banheiro, multiplicar pelo valor do metro quadrado discriminado no
contrato.

 Depois multiplicar o resultado da equação pelo número de dias em que os


serviços não foram feitos, caso a ocorrência seja por mais de um dia.

Vamos aos números:


X = 10 m2 x R$ 3,50 = R$ 35,00 por dia
38 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Supondo que ficaram 2 dias sem limpeza: R$ 35,00 X 2 dias = R$ 70,00,


o montante a ser glosado da nota fiscal é de R$ 70,00.

 Faltou 01 (um) funcionário, como fazer a glosa?


A glosa deverá ser medida pela produtividade que a contratada não tenha
alcançado (deixou de cumprir as rotinas); se a medida for 01 (um) funcionário
para cada 660 m2 limpos, então deveremos multiplicá-lo pelo valor do metro
quadrado constante do contrato.

Quando for montando o processo de pagamento, essa ocorrência deverá


constar dos autos, inclusive com a ciência do preposto da contratada e, sem o
prejuízo da proposição ao Gestor, da aplicação de sanções por inexecução
parcial.

Como se pode observar, o ateste é construído diariamente pela


observância do andamento do contratado diante do cenário apresentado no
contrato.

Outras opções também podem ser utilizadas para mensurar, como:


pesquisas, montar um formulário para os clientes se manifestarem quanto à
satisfação da prestação de serviços; alguns utilizam o recurso de fotografar os
locais que não foram limpos, funcionários da contratada sem uniformes ou EPI’s,
enfim caso seja detectada a irregularidade deverá ser comprovada.

Também se no momento da notificação ao preposto forem apresentados


argumentos deverá apresentá-los ao Gestor para decisão quanto a medida a ser
tomada (aplicação ou não de sanções) e acompanhamento profícuo para
verificar se o vício foi sanado.

O principal já foi feito, o fiscal já demonstrou o zelo e comprometimento com a


fiscalização que exerce.
39 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA

Conforme preceitua a Instrução Normativa n º 02/2009 do Ministério do


Planejamento, Orçamento e Gestão:

“ ... DO SERVIÇO DE VIGILÂNCIA

Art. 49. Deverá constar do Projeto Básico ou Termo de Referência para a


contratação de serviços de vigilância:

I - a justificativa do número e das características dos Postos de Serviço a serem


contratados; e
II - os quantitativos dos diferentes tipos de Posto de Vigilância, que serão
contratados por Preço Mensal do Posto.

Art. 50. O Posto de Vigilância adotará preferencialmente uma das seguintes


escalas de trabalho:

I - 44 (quarenta e quatro) horas semanais diurnas, de segunda a sexta-feira,


envolvendo 1 (um) vigilante;
II - 12 (doze) horas diurnas, de segunda-feira a domingo, envolvendo 2 (dois)
vigilantes em turnos de 12 (doze) x 36 (trinta e seis) horas; e
III - 12 (doze) horas noturnas, de segunda-feira a domingo, envolvendo 2 (dois)
vigilantes em turnos de 12 (doze) x 36 (trinta e seis) horas;
IV - 12 (doze) horas diurnas, de segunda feira a sexta feira, envolvendo 2 (dois)
vigilantes em turnos de 12(doze) x 36 (trinta e seis) horas;
V - 12 (doze) horas noturnas, de segunda feira a sexta feira, envolvendo 2 (dois)
vigilantes em turnos de 12(doze) x 36 (trinta e seis) horas;
§ 1º Sempre que possível, o horário de funcionamento dos órgãos e a escala de
trabalho dos servidores deverá ser adequada para permitir a contratação de
vigilância conforme o disposto neste artigo;
§ 2º Excepcionalmente, desde que devidamente fundamentada e comprovada a
vantagem econômica para a Administração, poderão ser caracterizados outros
tipos de postos, considerando os acordos, convenções ou dissídios coletivos da
categoria.

... Art. 51-A Os órgãos/entidades da Administração Pública Federal deverão


realizar estudos visando otimizar os postos de vigilância, de forma a extinguir
aqueles que não forem essenciais, substituir por recepcionistas aqueles que
tenham como efetiva atribuição o atendimento ao público e definir diferentes
turnos, de acordo com as necessidades do órgão ou entidade, para postos de
escala 44h semanais, visando eliminar postos de 12 x 36h que ficam ociosos nos
finais de semana.
40 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Art. 51-B - É vedada:

I - a licitação para a contratação de serviços de instalação, manutenção ou


aluguel de equipamentos de vigilância eletrônica em conjunto com serviços
contínuos de vigilância armada/desarmada ou de monitoramento eletrônico; ou)
II - a licitação para a contratação de serviço de brigada de incêndio em conjunto
com serviços de vigilância
Parágrafo único. Os serviços de instalação e manutenção de circuito fechado de
TV ou de quaisquer outros meios de vigilância eletrônica são serviços de
engenharia, para os quais devem ser contratadas empresas que estejam
registradas no CREA e que possuam profissional qualificado em seu corpo
técnico (engenheiro), detentor de atestados técnicos compatíveis com o serviço a
ser executado...”

Como se pode observar no projeto básico para a contratação de serviços de


vigilância deverão ser mapeados os pontos críticos de cada unidade, onde serão
necessários os postos de vigilância e o tipo de posto por local a ser guardado.
No caso de vigilância eletrônica deverá haver projeto de engenharia contendo a
especificação do equipamento para a instalação nos pontos indicados no projeto.

O gestor/fiscal deverá:

1. Reunir-se com o representante da contratada – preposto – e o gestor do


contrato, para diante do mapa de postos indicarem os locais e tipos de postos
necessários;

2. Quando a fiscalização for exercida em vários prédios, deverá ser


nomeados fiscais titular e substituto que ficarão onde há a maior concentração
de postos e fiscais auxiliares em outros prédios que integrem o contrato;

3. Verificar sistematicamente se os postos estão cobertos e se o pessoal


está devidamente uniformizado;

4. Alguns vigilantes irão fazer a ronda, e os postos principais para o exercício


dessa atividade será indicado pelo fiscal. Essa ronda geralmente é feita no
entorno do prédio durante o dia e durante a noite;

5. Após o horário comercial, deverá ser feita a ronda em todo o prédio,


verificando se todas as salas ou alas estão devidamente trancadas, luzes
apagadas, equipamentos desligados, pois equipamentos ligados por toda noite
poderão entrar em processo de superaquecimento e causar incêndio, torneiras
abertas nos banheiros poderão causar alagamento e se a água penetrar a
fiação que passa pelo chão possivelmente acontecerá um curto circuito;

6. Todas as ocorrências do prédio deverão ser registradas pela contratada e


avalizadas pelos fiscais diariamente, como por exemplo: a) entrada e saída de
41 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

veículos; b) entrada e saída de volumes; c) ocorrências diversas com


contribuintes ou servidores como possíveis invasões, parada de elevadores
especialmente com pessoas no interior; d) tumultos, agressões verbais ou
físicas e fatores que possam colocar em risco a integridade física do patrimônio
público e dos servidores;

7. Este contrato é dinâmico com ocorrências durante todo o dia, o fiscal


deverá ser atento a todas elas;

8. No caso de vigilância eletrônica, verificar se todas as câmaras estão em


funcionamento, monitorar a movimentação do local por equipamento próprio a
ser instalado pela contratada;

9. Em nenhuma hipótese os postos poderão estar descobertos. Em caso de


falta deverá ser enviada a cobertura no tempo discriminado no contrato,
exemplo: 2 horas; no caso de descumprimento cabe a proposição ao gestor de
aplicação das sanções contratualmente previstas;

10. No caso de não ser feita a cobertura do posto faltante, glosar na fatura e
propor aplicação de multa. Atenção! Em ocorrências graves no local em que
estiver sendo vigiado e houver dano, a contratada será responsabilizada e
efetuará o conserto sem o prejuízo da aplicação de sanções;

11. O Diário de Ocorrências é a chave mestra deste contrato! Diante de todas


elas o fiscal poderá atestar os serviços;

12. Mais eficaz que o Diário, é ser atuante e estar presente nos postos, achar
formas, maneiras de equalizar as questões que possam se apresentar; e

13. Formalizar o processo e atestar na forma já mencionada.


42 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

SANÇÕES
CONTRATUAIS
43 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

SANÇÕES CONTRATUAIS – PREVISÃO LEGAL – TIPOS

LEI /8.666/93

SEÇÃO II
DAS SANÇÕES ADMINISTRATIVAS

Art. 86. O atraso injustificado na execução do contrato sujeitará o contrato à


multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato.
§ 1º A multa a que alude este artigo não impede que a Administração rescinda
unilateralmente o contrato e aplique as outras sanções previstas nesta Lei.
§ 2º A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da
garantia do respectivo contratado.
§ 3º Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da
perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será
descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou
ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente.

Art. 87. Pela inexecução total ou parcial do contrato a Administração poderá,


garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato;
III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2 (dois) anos;
IV - declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que
seja promovida a reabilitação perante a própria autoridade que aplicou a
penalidade, que será concedida sempre que o contratado ressarcir a
Administração pelos prejuízos resultantes e após decorrido o prazo da sanção
aplicada com base no inciso anterior.
§ 1º Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada, além da
perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, que será descontada
dos pagamentos eventualmente devidos pela Administração ou cobrada
judicialmente.
§ 2º As sanções previstas nos incisos I, III e IV deste artigo poderão ser
aplicadas juntamente com a do inciso II, facultada a defesa prévia do
interessado, no respectivo processo, no prazo de 5 (cinco) dias úteis.
§ 3º A sanção estabelecida no inciso IV deste artigo é de competência exclusiva
do Ministro de Estado, do Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso,
facultada a defesa do interessado no respectivo processo, no prazo de 10 (dez)
dias da abertura de vista, podendo a reabilitação ser requerida após 2 (dois)
anos de sua aplicação.
44 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Art. 88. As sanções previstas nos incisos III e IV do artigo anterior poderão
também ser aplicadas às empresas ou aos profissionais que, em razão dos
contratos regidos por esta Lei:
I - tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios dolosos,
fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos;
II - tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os objetivos da licitação;
III - demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a Administração em
virtude de atos ilícitos praticados.

LEI 10.520/2002
Art. 7º Quem, convocado dentro do prazo de validade da sua proposta, não
celebrar o contrato, deixar de entregar ou apresentar documentação falsa
exigida para o certame, ensejar o retardamento da execução de seu objeto, não
mantiver a proposta, falhar ou fraudar na execução do contrato, comportar-se de
modo inidôneo ou cometer fraude fiscal, ficará impedido de licitar e contratar
com a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios e, será descredenciado no
Sicaf, ou nos sistemas de cadastramento de fornecedores a que se refere o
inciso XIV do art. 4o desta Lei, pelo prazo de até 5 (cinco) anos, sem prejuízo
das multas previstas em edital e no contrato e das demais cominações legais.

CONSTATAÇÃO DE DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL

Identificada a existência de irregularidade na execução do Contrato, a


Contratante deverá comunicar à Contratada formalmente para que as condições
contratuais sejam estabelecidas imediatamente ou para que apresente
justificativa por escrito, com prazo determinado.

Mantida a irregularidade, o gestor do Contrato a submeterá à autoridade


competente, acompanhada de documentos que comprovem o fato, tais como:

• Reclamações escritas das unidades que recebem o objeto contratual

• Registro de ocorrência assinado pelo gestor do Contrato;

• Mensagem eletrônica enviada – com comprovação de recebimento ou


concordância da Contratada – com identificação de origem/remetente;

• Mensagem eletrônica recebida – com identificação de origem/remetente;

• Poderão ser utilizadas outras formas de comprovação do fato ocorrido


(exemplo: fotografias).
45 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

Em caso de indício de irregularidade no recolhimento das contribuições


previdenciárias, em Contratos de serviços com dedicação exclusiva de mão de
obra, o Ministério da Previdência Social e a Receita Federal do Brasil deverão ser
oficiados pela autoridade competente do órgão Contratante.

Em caso de indício de irregularidade no recolhimento da contribuição para


o FGTS, em Contratos de serviços com dedicação exclusiva de mão de obra, o
Ministério do Trabalho e Emprego deverá ser oficiado pela autoridade
competente do órgão Contratante.

Importante! A IN nº 02/2008, e suas alterações, traz a possibilidade de


pagamento diretamente aos trabalhadores quando da inadimplência do
pagamento de salários, verbas trabalhistas, bem como das contribuições
previdenciárias e do FGTS por parte da Contratada. Nessa situação, o órgão
deve reter a garantia prestada e os valores das faturas correspondentes a 1 (um)
mês de serviços, utilizando-os para os pagamentos diretos necessários
(parágrafo único do Art. 35 da IN nº 02/2008).

Os valores retidos pela Administração serão depositados junto à Justiça


do Trabalho quando da impossibilidade de pagamento direto dos salários e das
demais verbas trabalhistas devidas aos trabalhadores, bem como das
contribuições sociais e FGTS, conforme supracitado.
46 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

APLICAÇÃO DE SANÇOES CONTRATUAIS

Quando do apontamento de irregularidades contratuais algumas questões


devem ser consideradas:
 Proporcionalidade;
 Razoabilidade.
As questões a serem consideradas são preponderantes para a
administração dos contratos.
Somos conhecedores das dificuldades para realizar um serviço,
especialmente se for investimentos:
 Conseguir recursos;
 Elaborar o Termo de Referência;
 Elaborar o Edital e realizar a licitação;
 Assinar e administrar o contrato.

Diante deste cenário, o fiscal de contrato deve envidar todos os esforços


para que o contrato seja cumprido, considerando todas as atenuantes,
notificações, negociações, reuniões, etc...
Contudo, caso se tornem impossíveis negociações, decide-se por aplicar
sanções.
Preferencialmente o fiscal não deve ser o gestor, esses agentes devem ser
distintos para manter a segregação de funções que é princípio básico do
sistema de controle interno e consiste na separação de funções nomeadamente
de autorização, aprovação, execução, controle e contabilização das operações
(TCGU, portaria nº 63/96).
A segregação de funções decorre do princípio da moralidade (artigo 37 da
CF/88) que para que servidores não exerçam atividades incompatíveis umas das
outras de participar, controlar todas as fases inerentes a uma demanda
(planejamento, licitação e contrato).
Agentes públicos distintos investidos das funções atribuídas a cada fase
além de resguardar a moralidade, também mantém a imparcialidade no
julgamento das sanções contratuais.
 Citação do contratado;
47 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

 Recursos;
 Decisão.

ATUAÇÃO DA GESTÃO/FISCALIZAÇÃO
O Gestor do contrato é o servidor que tem competência para acompanhar
e fiscalizar os contratos e responsabilizar-se pelo seu fiel cumprimento.
No julgamento de uma sanção contratual as funções podem se dividir da
seguinte forma:
1. O gestor/fiscal detecta a irregularidade, notifica a empresa (pode ser por
e-mail) e diante da inércia da Contratada propõe a sanção;
2. Junta num processo todos os documentos: as notificações, o
enquadramento do descumprimento contratual e a proposta de sanção que
entende razoável, monta um processo administrativo e encaminha para
deliberação da Autoridade imediatamente superior;
3. A Autoridade se manifesta sobre a proposta do gestor/fiscal em caso de
divergências de opiniões, remete novamente ao fiscal para que se manifeste
(prazo de 5 dias);
4. Caso o fiscal não se manifeste no prazo determinado o Gestor aplica a
sanção que entender razoável;
5. Caso o fiscal se manifeste contrariamente ao Gestor, as opiniões
contrárias serão levadas ao conhecimento do Ordenador de Despesas que irá
deliberar definitivamente sobre a questão.
A aplicação de sanções, sendo ato administrativo deve seguir o
regramento: Competência, Objeto, Forma, Motivo e Finalidade, Forma, Objeto
A motivação poderá ter como base todas as tratativas em que se tentou
por meio consensual resolver a questão:

 TODAS as questões deverão ser feitas por escrito:


 Das reuniões deverão ser transcritas as atas;
 Devemos conversar por telefone, claro, contudo após a breve conversa, se
algo foi tratado com prazo (entrega de serviço) ou detectado algo irregular, após
a conversa por telefone, passar um e-mail ou um comunicado;
48 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

 O registro de solicitações será a comprovação para aplicação de uma


sanção, pois nele estarão todos os elementos factíveis de que todas as
tentativas para resolver a questão foram feitas, mas a Contratada ficou inerte
diante do pedido de cumprimento regular do contrato.

FORMALIZAÇÃO DA SANÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO


“A ideia subjacente ao direito a ampla defesa é de que somente através do
processo em que o Estado-Administração pode exercitar a competência
disciplinar – NÃO HÁ SANÇÃO ADMINISTRATIVA SEM PROCESSO -, porque a
condenação só é legítima quando resulta de um processo válido” (BARCELAR-
FILHO, Princípios Constitucionais...,1998).
É recomendação do TCU (Acórdão 3964/2009-Segunda Câmara) que
exista processo administrativo nos termos da Lei nº 9784/1999 para decidir sobre
a aplicação do impedimento de licitar e contratar com a administração.
Portanto, torna-se mais prático e eficiente a abertura de processo
administrativo apartado do processo do contrato para a aplicação das sanções.
NORMAS APLICÁVEIS:
 Art. 5º, LV CF/88;
 Art. 86 da Lei 8.666/93;
 Art. 78, parágrafo único da Lei 8.666/93;
 Art. 7º da Lei 10.520/02
PROCESSO LEGAL:
1. Comunicação de intenção de rescindir ou sancionar;
2. Indicação de motivos;
3. Indicação dos dispositivos legais respectivos;
4. Concessão de prazo para defesa prévia: Declaração de Inidoneidade –
10 dias corridos (art. 87 § 3º da Lei 8666/93) e demais sanções – 5 dias úteis
(art. 87 § 2º da Lei 8666/93);
5. Prazo para recurso (art. 109 da Lei 8666/93);
6. Decisão Administrativa; e
49 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

7. Publicidade.

A Autoridade Competente de posse do processo irá ponderar os motivos


da aplicação de infração proposta elaborada pelo gestor/fiscal.
Em caso de divergência de opiniões o Gestor do Contrato devolverá o
processo para o fiscal com a contraproposta.
O prazo de resposta é de 05 (cinco) dias, caso não haja concordância
com a contraproposta do gestor, para a autoridade superior que decidirá sobre a
questão.
Assim, poderá ser mantida a imparcialidade na decisão da sanção a ser
aplicada.

DECISÃO DEFINITIVA SOBRE A SANÇÃO A SER APLICADA

Quando já estiver definida a sanção a ser aplicada, será elaborado ofício


para a Contratada com todos os documentos que comprovem a infração
contratual.
A redação do Ofício deverá ser clara, apontar as cláusulas contratuais
infringidas e a sanção aplicada, que também deverá ser prevista em contrato, e
para tanto deverá:
 Conceder prazo para regularização da questão.

 Conceder prazo para contraditório e ampla defesa.

 O Ofício deverá ser postado pelos correios, poderá ser por SEDEX ou
correspondência registrada com AR-Aviso de Recebimento, enfim, deverá
ter o código postal para contar o prazo a partir do recebimento do
interessado.
 Rastrear o recebimento do Ofício pelo site dos CORREIOS é possível pelo
número da postagem: www.correios.com.br
50 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

CONTAR OS PRAZOS A PARTIR DO RECEBIMENTO


DO INTERESSADO

 No caso de a correspondência for devolvida publicar o chamamento no


DOU; este tipo de publicação é possível se for feito pelo sistema de
publicações da IMPRENSA NACIONAL, chama-se INCON. Para ter acesso é
necessário preencher um formulário constante do site da Imprensa e ter
assinatura digital.
 Depois de publicar o chamamento, caso a empresa não tenha
comparecido, publicar a sanção no DOU da mesma forma.
 Tendo sido esgotadas todas as possibilidades, sem que haja nenhuma
providência, registrar a ocorrência no SIASG, no site:
www.comprasnet.gov.br.

IMPORTANTE!!!

ADVERTÊNCIA – Caso a aplicação da sanção tenha sanado o vício o registro


no SICAF será feito respeitando todos os prazos, em contrário o mesmo fato
gerador cominará na aplicação das demais sanções.
MULTA - Proceder da seguinte forma:
 Se o valor for superior a garantia apresentada, descontar o restante de
futuros créditos;
 Para descontar de créditos futuros deverá haver previsão contratual;
 Caso não seja possível descontar de créditos e/ou garantia contratual,
inscrever o débito na Dívida Ativa da União.
Para montar o processo para inscrição na dívida, deverão ser acostados:
a) Cópia do processo sancionador;
b) Edital e Contratado assinado;
c) Exposição de motivos detalhada para que seja feita a inscrição.
Para inscrição na Dívida Ativa da União, somente poderá ser feita com valores
superiores a R$ 1.000,00, contudo a sanção poderá ser registrada também no
51 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

CADIN (Cadastro de Inadimplentes). No caso do valor da multa ser maior que


R$ 1.000,00, para negativar a certidão de débitos deverá quitá-los, dessa forma,
o agente público agiu com proatividade em favor da Administração.
Caso o débito na seja quitado, a certidão ficará positiva, o que impedirá o
inadimplente a contratar com a União.

É UMA BOA SAÍDA!!!!

SUSPENSÃO – Será registrada diretamente no SICAF e a empresa ficará


impedida de contratar com a Administração no âmbito da autoridade que
sancionou.
DECLARAÇÃO DE INIDONEIDADE – Aplicada nos termos do parágrafo 3º do
artigo 87 e também será inscrita no SICAF.

RESCISÃO CONTRATUAL
O gestor do Contrato poderá sugerir a rescisão contratual por julgar conveniente
e oportuna, desde que encaminhe solicitação motivada, indique e comprove a
ocorrência de ao menos uma das seguintes situações:

• Inexecução ou descumprimento reiterado ou gravíssimo das cláusulas do


Contrato;

• Mora na execução contratual, levando a Administração a comprovar a


impossibilidade da conclusão da obra, serviço ou fornecimento, nos prazos
estipulados;

• Desatendimento reiterado às determinações regulares da fiscalização ou da


autoridade superior;

• Subcontratação do seu objeto, transferência total ou parcial, não admitidas no


edital e no Contrato;
52 Da Fiscalização à Aplicação de Sanções Contratuais

PO R ENQUANTO É SÓ PESSOAL!!!

DILVA NERY DE MATTOS TEIXEIRA


dilva.teixeira@fazenda.gov.br
(011) 2113-2727