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07/02/2018 Drogas.

Centros têm mais doentes em tratamento mas menos readmissões

DROGAS

Centros têm mais doentes em


tratamento mas menos
readmissões
Heroína continua a ser a droga mais referida entre os
utentes em tratamento. Mas cannabis foi a substância mais
consumida pela maioria dos que iniciaram tratamentos em
2016.

ANA MAIA • 7 de Fevereiro de 2018, 11:00 (actualizada às 12:16)

LUSA/RUNGROJ YONGRIT

É o contrariar de uma tendência


registada desde 2009. Segundo o
relatório A Situação do País em Matéria
de Drogas e Toxicodependências,
apresentado nesta quarta-feira no
Parlamento, em 2016 houve um
acréscimo de utentes em tratamento no
ambulatório por problemas
relacionados com o uso de drogas:
27.834, mais 841 do que no ano

https://www.publico.pt/2018/02/07/sociedade/noticia/centros-tem-mais-doentes-em-tratamento-mas-menos-readmissoes-1802276?page=/portugal&pos=1&… 1/6
07/02/2018 Drogas. Centros têm mais doentes em tratamento mas menos readmissões

anterior. Já quanto aos tratamentos


iniciados em 2016 sai reforçada a
tendência de descida de readmissões.

De acordo com o documento elaborado


pelo Serviço de Intervenção nos
Comportamentos Aditivos e nas
Dependências (SICAD), das 3294
pessoas que iniciaram tratamento em
2016, 1204 foram readmissões. “Pelo
quarto ano consecutivo constata-se uma
diminuição, sendo os valores dos
últimos quatro anos os mais baixos
desde 2010”, aponta o relatório,
referindo que “de um modo geral, os
internamentos em unidades de
desabituação e comunidades
terapêuticas por problemas relacionados
com o uso de drogas têm vindo a
diminuir desde 2009”.

Já o número de novos tratamentos –


2090 em 2016 – registou uma tendência
inversa, embora o aumento não seja
significativo em comparação com anos
anteriores. “Apesar de o número de
novos utentes em 2016 ter sido o mais
elevado desde 2010, não apresenta
variações relevantes no último
quadriénio (+5% entre 2013 e 2016 e
+3% entre 2015 e 2016), por
comparação aos acréscimos verificados
entre 2010 e 2012.”

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A heroína continua a ser a droga


principal mais referida pelos utentes em
tratamento, à excepção dos novos casos.
À semelhança do que já referia o
relatório divulgado no ano passado,
mais de metade (54%) dos novos
utentes em ambulatório referiu a
cannabis como sendo o consumo
principal para ali estar (mais 3 pontos
percentuais face a 2015). “O que poderá
reflectir a maior articulação dos serviços
interventores com vista a adequar as
respostas às necessidades específicas de
acompanhamento desta população”, diz
o SICAD, salientando que nos últimos
quatro anos “verificou-se uma
tendência de aumento nas proporções
de utentes com a cannabis e a cocaína
como drogas principais”.

João Goulão, director-geral do SICAD,


salienta que este aumento dos
consumidores de cannabis entre os
novos utentes admitidos para
tratamento acontece de forma
simultânea com a perda de importância
da heroína. “À medida que esse
consumo se vai desvanecendo, vai
aumentando a importância da
cannabis”, sublinhou aos jornalistas à
entrada da comissão de saúde, onde
nesta quarta-feira apresenta as
conclusões deste relatório.

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Esta caída da predominância da heroína


em detrimento de consumos “mais
leves”, permitiu que o tratamento em
ambulatório ganhasse importância e
diminuíssem os internamentos, adianta
ainda o responsável.

Os opiáceos, onde se inclui a heroína,


foram a principal causa das 27
overdoses registadas em 2016, com base
em informação do Instituto Nacional de
Medicina Legal e Ciências Forenses.
Seguiu-se a metadona e a cocaína. Na
maioria das overdoses foi detectada
mais do que uma substância. O relatório
destaca uma redução de 33% do número
de overdoses em relação ao ano
anterior. Ao contrário, no álcool o
número de intoxicações alcoólicas em
2016 subiu em relação a 2015.

Entre 2012 e 2016/17, aponta ainda o


SICAD, verificou-se um agravamento do
consumo de cannabis: “Maior número
de pessoas a consumir e mais com
padrões de consumo diário."

“Embora mais ligeiro, há também um


agravamento da dependência do
consumo de cannabis na população”,
salienta o documento que destaca “os
agravamentos [de consumo] no grupo
feminino e nos 25-34 anos e 35-44
anos”.

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“Os estudos mais recentes evidenciaram


que a cannabis continuava a ser a droga
ilícita percepcionada como de maior
acessibilidade, reflectindo as
prevalências de consumo na população
portuguesa”, diz o relatório, onde se
pode ler que aumentaram as
quantidades de haxixe e cannabis
herbácea apreendidas pela polícia entre
2015 e 2016. O mesmo em relação ao
ecstasy. Pelo contrário, houve uma
diminuição das quantidades
apreendidas de cocaína e de heroína.

Quanto aos preços do mercado negro, os


valores médios da cocaína e da heroína
desceram em relação a 2015, tal como
aconteceu com o haxixe. Já o preço da
cannabis herbácea aumentou. É
igualmente preocupante o facto de as
análises feitas pelos laboratórios das
autoridades policiais revelarem uma
“tendência de aumento da
potência/pureza médias da maioria das
drogas apreendidas em Portugal”.

Com Margarida David Cardoso

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