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134 R.A. FERREIRA & M.C.L.

CUNHA

ASPECTOS MORFOLÓGICOS DE SEMENTES, PLÂNTULAS E DESENVOLVIMENTO


DA MUDA DE CRAIBEIRA (Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.) - BIGNONIACEAE E
PEREIRO (Aspidosperma pyrifolium Mart.) - APOCYNACEAE1

ROBÉRIO ANASTÁCIO FERREIRA2 E MARIA DO CARMO LEARTH CUNHA3

RESUMO - Aspectos morfológicos de sementes, plântulas e mudas de craibeira (Tabebuia caraiba


(Mart.) Bur.) e pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart.) foram descritos e ilustrados. As descrições
foram feitas com base nos aspectos externos e internos das sementes, tais como: forma, coloração,
textura, posição do hilo e da micrópila, presença de alas e caracteres do embrião, dentre outros;
para plântulas e mudas foram descritos os aspectos externos. As descrições apresentadas poderão
ser úteis em estudos de identificação da espécie e na produção de mudas no viveiro, assim como,
em trabalhos de regeneração natural e recuperação de áreas degradadas, facilitando a identificação
das espécies.
Termos para indexação: aspectos morfológicos, Tabebuia caraiba, Aspidosperma pyrifolium.

MORPHOLOGICAL ASPECTS OF SEEDS AND SEEDLINGS DEVELOPMENT OF


CRAIBEIRA (Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.) - BIGNONIACEAE AND PEREIRO
(Aspidosperma pyrifolium Mart.) - APOCYNACEAE

ABSTRACT - Morphological aspects of seeds and seedlings development of the craibeira


(Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.) and pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart.) were described
and illustrated. The descriptions were done using the external and internal aspects of seeds: shape,
color, texture, hilum position and micropyle, wings and embryo characters; to the seedlings
development were described the external aspects. The descriptions shown can be used to species
identification and seedling production in nursery, as well as in natural regeneration and restoration
of degraded area studies, making it easier to identify the species.
Index terms: morphological aspects, Tabebuia caraiba, Aspidosperma pyrifolium.

INTRODUÇÃO até 5m de altura (Braga, 1976 e Tigre, 1968). A sua madeira


é amplamente empregada para serviços de carpintaria por
A Tabebuia caraiba (Mart.) Bur. conhecida como apresentar madeira de boa qualidade para estes fins (Tigre,
craibeira, caraiba, paratudo-do-campo, carobeira, craiba é tida 1968).
como árvore de porte regular que pode atingir até 20m quan- O ciclo de vida das plantas, para a maioria das espécies
do em boas condições de solo e umidade, sendo de ocorrên- se inicia com a produção de sementes, quando disseminadas
cia natural na caatinga, cerrados e pantanal (Lorenzi, 1992). e em condições ecológicas definidas, germinam e se estabe-
A sua madeira é bastante utilizada para serviços de carpinta- lecem dando surgimento a novos indivíduos dentro da comu-
ria (Tigre, 1968 e Braga 1976). nidade vegetal.
A Aspidosperma pyrifolium Mart. ocorre na caatinga e é O estudo morfológico de sementes e plântulas constitui-
conhecida como pereiro, pau-de-coaru e pequiá-da-mata se num trabalho de análise do ciclo vegetativo das espécies
(Correa, 1978). É árvore de porte regular, podendo atingir (Kuniyoshi, 1983). Taxonomicamente a semente pode e deve
ser utilizada para caracterização de famílias, gêneros e até
1
espécies (Toledo & Marcos-Filho, 1977), visto apresentarem
Aceito para publicação em 18.06.2000.
2
pouca variação em função do meio (Gunn, 1972).
Prof. ESACMA - Doutorando/DAG/UFLA - Cx. Postal 37, 37200-000,
Lavras-MG; e-mail: raf@ufal.br O conhecimento das estruturas da semente é de grande
3
Profa. Depto. de Engenharia Florestal/CSTR/Campus VII/UFPB, Patos- PB. importância pois, a partir deste, é possível obter informações

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sobre germinação, armazenamento, viabilidade e métodos de descrição da morfologia externa e interna foram escolhidas
semeadura (Kuniyoshi, 1983). aleatoriamente 100 sementes de cada espécie, as quais foram
De modo geral, os caracteres mais comumente estuda- descritas, medidas com paquímetro (1/05mm) e ilustradas
dos na taxonomia são os mais superficiais mas os caracteres manualmente, com auxílio de um microscópio estereoscópico
internos são de maior interesse para classificação. Tem im- binocular.
portância particular a presença ou ausência de endosperma, Os caracteres morfológicos externos observados foram:
forma e posição do embrião e número e posição dos cotilé- forma, coloração, textura, consistência, posição do hilo e da
dones (Lawrence, 1973). Dentre os caracteres morfológicos micrópila e outras estrutura presentes. Da morfologia interna
externos, as formas mais comuns são: elipsóide, globosa, lenti- foi observado: forma e coloração do embrião, número de
cular, oblonga, ovóide e reniforme. A superfície do tegumento cotilédones e eixo hipocótilo-radícula, com sua posição em
varia de lisa, altamente polida e opaca a muito rugosa. As relação à semente. Para descrição e ilustração da fase de ger-
principais cores observadas variam entre castanho, negro, cin- minação, foram semeadas 100 sementes de cada espécie em
za e marrom, no entanto, cores fora deste padrão são pouco bandejas de polietileno, medindo 32,0x25,0x2,5cm, em con-
frequentes mas bastante válidos para identificação. Cicatri- dições ambiente, utilizando-se como substrato areia esterili-
zes como hilo, rafe e pleurograma também podem ser úteis zada a 105±5oC, permanecendo em bancada até o término do
assim como a presença de arilo, arilóide, carúncula, alas, es- processo germinativo.
pinhos e pêlos (Feliciano, 1989). Paralelamente à germinação foram semeadas mais 100
A identificação das plantas no estádio juvenil conduz a sementes. Após germinadas, as plântulas foram levadas para
três direções principais: contribuição para um melhor enten- o Viveiro Florestal/DCF/CSTR e repicadas em sacos de
dimento da biologia da espécie; ampliação dos estudos polietileno medindo 32,0x25,0x1,2cm, tendo como substrato
taxonômicos e fundamentando trabalhos de levantamento terra de subsolo, esterco curtido e areia na proporção 1:1:1,
ecológicos no aspecto da regeneração natural por sementes permanecendo sob sombrite 60% e posteriormente coloca-
(Sales, 1987). Estudos morfológicos de plântulas podem ain- das em sol pleno.
da, fornecer subsídios à interpretação dos testes de germina- Foram consideradas três fases para descrição da germi-
ção, através do conhecimento das estruturas destas, baseados nação e acompanhamento do desenvolvimento da muda, de
na sua morfologia (Oliveira & Pereira, 1987a-b). acordo com a metodologia sugerida por Feliciano (1989),
Vários autores têm contribuído para ampliação dos estu- quais sejam: 1a fase (germinação): desde o intumescimento
dos neste campo, visando aumentar o conhecimento da nossa da semente até emissão dos cotilédones, porém sem os
flora nativa, podendo-se citar: Gunn (1981), Beltrati (1991), protófilos formados; 2a fase (plântula): quando o protófilo
Andrade & Pereira (1994), Cardoso et al. (1994), Chaves estava totalmente formado; 3a fase (muda): aparecimento do
(1994), Paoli (1995) e Amorim (1996). pronomófilo ou do protófilo diferente dos observados na se-
Desta forma, este trabalho teve por objetivos: descrever gunda fase.
e ilustrar a morfologia externa e interna da semente de craibeira
(Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.) e pereiro (Aspidosperma RESULTADOS
pyrifolium Mart.); descrever e ilustrar a morfologia externa
das plântulas e mudas, a partir da germinação com caracteres Descrição da Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.
botânico-dendrológicos para identificação. A semente é estenospérmica, alada, estando dispostas
de forma superposta ao longo do septo (Figura 1A), com for-
ma lobada e deprimida. Tegumento com coloração que varia
MATERIAL E MÉTODOS
de acordo com o estádio de maturação das sementes. Antes
As sementes foram coletadas nos municípios de Patos - da deiscência dos frutos esse é lilás e quando se dá a disper-
PB e São Mamede - PB. Foram selecionados cinco indivídu- são é branco-pardo a cinza-claro, de textura coriácea, rugo-
os distantes no mínimo entre si 100m, levando-se em consi- so, lineado e em algumas sementes, sulcado e brilhoso. Se-
deração o seu estado fitossanitário e intensidade de fruti- mente com comprimento variando de 8,75mm a 14,85mm,
ficação. largura de 12,05mm a 21,15mm e espessura de 1,20mm a
O trabalho foi realizado no Laboratório de Sementes do 3,70mm, o comprimento com ala varia de 34,30mm a
Departamento de Ciências Florestais do Centro de Saúde e 59,20mm. Hilo bem visível, heterócromo, localizado numa
Tecnologia Rural da Universidade Federal da Paraíba. Para a proeminência na base da semente, formando uma reentrância

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nesta (Figura 1C e E). No tegumento, no lado oposto ao hilo, sentar tamanhos diferentes em cada lado, de coloração
observa-se uma fenda profunda de forma irregular (Figura esbranquiçada, flexíveis e de consistência papirácea (Figura
1D e F). Hilo de ovóide a obovóide ou orbicular, mas na mai- 1B - D). Embrião axial contínuo, bilobado, no ápice e base
oria das vezes não têm forma bem definida, com comprimen- (Figura 1G), sendo segundo Barroso (1984), do tipo trans-
to variando de 1,20mm a 3,25mm e largura de 1,85mm a verso-oblongo, que é típico das Bignoniaceae, de coloração
5,50mm. Micrópila localizada dentro da reentrância formada amarelo-claro e com forma lenticular nas seções transversal
pelo hilo (Figura 1E). Alas laterais, opostas, podendo apre- e longitudinal (Figura 1H e I). Cotilédones bilobados, base

FIG. 1. Aspectos morfológicos externos e internos da semente de craibera (Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.): A - fruto mostrando
a disposição das sementes; B-C-D - sementes em vista lateral, ventral e dorsal, respectivamente; E - detalhe do hilo;
F - detalhe da fenda longitudinal; G-H-I - embrião.
Legenda: a - ala; ex - eixo-embrionário; h - hilo; fl - fenda longitudinal; m - micrópila; s - semente.

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cordada, planos e carnoso membranáceos, ligados pelo ístmo verde-escuro, glabro, lenticelado na base do hipocótilo, ci-
(Barroso, 1984) (Figura 1G); eixo embrionário reto, cônico, líndrico na base e retangular próximo à inserção dos cotilé-
curto, localizado no istmo, na base da semente, com pólo dones e dos protófilos, liso, com lenticelas de forma e tama-
radicular mais externo ao embrião. Emdosperma ausente. nho variados, glabro. Pronomófilos simples, opostos, cruza-
Desenvolvimento das plântulas e das mudas dos, oblongo-lanceolados, ápice agudo, base obtusa, margem
Primeira fase (geminação) - (Figura 2A - C) - A germi- inteira, de textura coriácea, nervação peninérvea, pecíolo cur-
nação é epígea, fanerocotiledonar, com emissão de raiz após to, concolor, às vezes trilobados.
quatro dias de semeadura, rompendo o tegumento na base da
semente na porção oposta ao hilo, no istmo; raiz de coloração Descrição da Aspidosperma pyrifolium Mart.
amarelo-creme, superfície ondulada, sinuosa, pilosa, com A semente é estenospérmica (Beltrati, 1990), alada, com
poucas raízes secundárias, finas e de coloração branca; cole- forma arredondada ou cordiforme, discóide, lenticular (Figu-
to perceptível por apresentar menor diâmetro que a radícula e ra 4C e D); com tegumento de textura cartácea, de coloração
a diferença de coloração entre o hipocótilo e a radícula; marrom e seus vários tons, áspero, sulcado e opaco; tégmen
hipocótilo verde-claro, liso, glabro e orbicular em seção trans- fino e transparente.Semente com comprimento variando de
versal. Cotilédones amarelo-cremes, tornando-se esverdeados, 8,55mm a 19,25mm, largura de 10,55mm a 18,70mm espes-
opostos, isófilos, glabros, com margem inteira, sub-sésseis, sura de 0,75mm a 1,90mm, comprimento com ala de 23,0mm
de textura membranácea, iniciam sua abertura cinco dias após a 44,85mm e a largura com ala de 21,35mm a 44,85mm. Hilo
a semeadura e com o tegumento ainda aderido aos mesmos, heterócromo, de coloração esbranquiçada, sem forma defini-
quando há o completo rompimento do tegumento estes apre- da, localizado no centro da semente na sua porção ventral,
sentam coloração verde-escura e passam de sub-sésseis a cur- somente visto após remoção do funículo; com comprimento
to-peciolados, bilobados, com nervação peninérvea pouco variando de 3,75mm a 8,00mm e largura de 0,95mm a
evidente em ambas as faces. 2,40mm. Funículo bem desenvolvido e aderido desde o cen-
Segunda fase (plântula) - (Figura 2D e E) - Raiz axial, tro da semente até a parte terminal da ala, mesmo após a
com pivotante flexuosa, de coloração amarelo-creme e raízes deiscência do fruto (Figura 4B e D). Ala circundada ou
secundárias brancas e finas, aparecendo em maior quantida- anfinuclear por analogia a descrição feita por Vidal (1978),
de na região próxima ao coleto, superfície lisa e com ondula- papirácea, frágil e facilmente destacável (Figura 4C e D).
ções. Hipocótilo herbáceo, glabro, cilíndrico na base e retan- Embrião axial, invaginado (Figura 4E), de coloração creme-
gular próximo à inserção dos cotilédones. Cotilédones opos- pálida, em seção transversal e longitudinal (Figura 4F e G) e
tos isófilos, bilobados no ápice e base, longo peciolados, com com lados arredondados; eixo-embrionário reto, cônico, cur-
coloração verde-escura na face adaxial e verde-clara na face to articulado entre os lóbulos dos cotilédones, com pólo
abaxial, glabros, margem inteira, nervação peninérvea e pou- radicular localizado externamente ao embrião, na base da se-
co evidente em ambas as faces, de textura coriácea, nesta fase mente. Cotilédones planos, delgados e flexíveis, com nervação
encontram-se totalmente livres do tegumento, mas este per- evidente, arredondados a cordiformes, com ápice arredonda-
manece aderido ao hipocótilo. Epicótilo herbáceo, cilíndri- do e base cordada, de coloração amarelo-pálida, margem in-
co, com superfície lisa, glabro e de coloração verde-clara. teira (Figura 4E).
Protófilos simples, opostos, curtos peciolados, de coloração
verde-clara em ambas as faces, forma lanceolada, com ápice Desenvolvimento das plântulas e das mudas
agudo e base obtusa, margem inteira, de textura membranácea, Primeira fase (germinação) - (Figura 4J - L) - A germi-
nervação peninérvea e bem evidente em ambas as faces, com nação é epígea fanerocotiledonar, com emissão de radícula
pêlos simples, longos e de coloração branca. Gema apical três dias após a semeadura, rompendo o tegumento na base
bem desenvolvida, inserida entre os protófilos. da semente; radícula de coloração branca, com superfície lisa
Terceira fase (muda) - (Figura 3) - Raiz principal de e pêlos simples no ápice, longa, fina, cilíndrica, pouco sinuo-
amarelo-creme a ferrugínea, bem desenvolvida e ramificada, sa e com poucas ramificações secundárias; coleto caracteri-
com raízes secundária e terciárias bem conformadas, flexuosa zado pelo maior diâmetro do hipocótilo e pela diferença de
e superfície ondulada. Coleto evidenciado pelo espessamento coloração entre o hipocótilo e a radícula; hipocótilo verde-
na base da raiz e pela diferença de coloração entre o hipocótilo claro, cilíndrico, liso, com pêlos simples de coloração esbran-
e a raiz. Cotilédones persistentes, murchando do ápice para quiçada, quando visto sob a lupa. Cotilédones amarelo-cre-
base e deixando cicatriz pouco evidente quando caem. Caule me, com a mesma forma da semente, opostos, isófilos, pilosos

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FIG. 2. Aspectos morfológicos do processo germinativo e do estádio de plântula de craibeira (Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.).
Legenda: c - cotilédone; co - coleto; e - epicótilo; ga - gema apical; hp - hipocótilo; p - protófilo; rp - raiz primária; rs - raiz secundária;
rt - raiz terciária; tg - tegumento.

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FIG. 3. Aspectos morfológicos do estádio de desenvolvimento da muda de


craibeira (Tabebuia caraiba (Mart.) Bur.).
Legenda: c - cotilédones; co - coleto; ft - folha trifoliolada; p - protófilo;
rp - raiz primária; rs - raiz secundária; rt - raiz terciária.

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FIG. 4. Aspectos morfológicos externos e internos da semente e aspectos do processo germinativo e do estádio de plântula de
pereiro (Aspidosperma pyrifolium Mart.). A - frutos em vista lateral; B - fruto mostrando a disposição das sementes;
C-D - sementes em vista dorsal e ventral, respectivamente; E - embrião; F - embrião em corte longitudinal e transversal;
H -I - processo germinativo; M-N - estádio de plântulas.
Legenda: a - ala; ex - eixo-embrionário; fn - funículo; s - semente; c - cotilédone; co - coleto; e - epicótilo; hp - hipocótilo;
p - protófilo; rp - raiz primária; rs - raiz secundária.

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FIG. 5. Aspectos morfológicos do estádio de desenvolvimento da muda de pereiro


(Aspidosperma pyrifolium Mart.)
Legenda: co - coleto; rp - raiz primária; rs - raiz secundária; rt - raiz terciária.

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na face abaxial, margem inteira, longo peciolados, de textura avaliação dos testes de pureza e germinação, em viveiro para
membranácea e nervação peninérvea; iniciam a abertura seis produção e identificação da muda, como também em estudos
dias após a semeadura e emergem abrindo-se curvados de regeneração natural, recuperação de áreas degradadas e
dorsalmente, com o tegumento ainda aderido, passam à colo- também para povoamentos com fins econômicos.
ração verde-escura, quando há o completo rompimento do
tegumento. Pecíolo apresenta pêlos simples de coloração bran-
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