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GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

SECRETARIA DE ESTADO DE SEGURANÇA


POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR D. JOÃO VI

ALUNO OFICIAL PM TIAGO TAVARES LOUVEIRA

ADOÇÃO DE MODELO DE USO DA FORÇA PELAS


INSTITUIÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA NO ÂMBITO DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro - RJ
2015
ALUNO OFICIAL PM TIAGO TAVARES LOUVEIRA

ADOÇÃO DE MODELO DE USO DA FORÇA PELAS


INSTITUIÇÕES DE SEGURANÇA PÚBLICA NO ÂMBITO DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Trabalho apresentado como requisito final para


conclusão do Curso de Formação de Oficiais,
grau de Aspirante à Oficia, da Polícia Militar do
Estado do Rio de Janeiro, pela Academia de
Polícia Militar D. João VI, sob a orientação do
Sr. Cap. PMERJ Diego Luciano de Almeida.

Rio de Janeiro - RJ
2015
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente ao grande arquiteto do universo, o todo poderoso


Deus, que permitiu que mais uma etapa de minha vida se realizasse, estando
presente em cada detalhe desses três longos anos longe do aconchego de minha
família.

Ao meu pai, o Sr. Rosalino Louveira, que sempre me aconselhou nas tomadas
de decisões e orientou com relação aos caminhos e condutas a serem seguidas,
servindo como fonte de inspiração, seja como pai, oficial e principalmente como
grande amigo para todos os momentos.

À minha mãe, a Sra. Dalva Nogueira Tavares Louveira, sempre me ouvindo


nos momentos difíceis, enviando todos os dias suas mensagens de apoio juntamente
de um "bom-dia" e fazendo lembrar que tudo passa e logo estaria de volta para o
meu lar.

À minha irmã, Tainara Tavares Louveira, que sempre me ouvia tocando violão
enquanto estava em casa e que através de seus estudos no colégio me fazia recordar
o qual difícil foi a batalha para alcançar a tão sonhada profissão de Oficial da
Policia Militar.

À Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, instituição que possibilitou


concretizar o sonho de ser Oficial da Polícia Militar através de seus profissionais e
da grandiosa Academia de Polícia Militar Dom João VI.

Ao Sr. Cap. PM Diego Luciano de Almeida por crer neste trabalho e guiar em
sua elaboração, contribuindo com sua gama de conhecimentos sobre o assunto.
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................5

2 LEGISLAÇÃO E DOUTRINAS SOBRE O USO DA FORÇA..........................6

3 MODELOS EXISTENTES SOBRE USO DA FORÇA........................................20

4 O POR QUE DA CRIAÇÃO DE UM NOVO MODELO A SER ADOTADO


PELA PMERJ..............................................................................................................25

5 MODELO PMERJ DE USO DA FORÇA.............................................................27

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................29

7 BIBLIOGRAFIA......................................................................................................30
5

1 INTRODUÇÃO

Quando nos referimos em uso da força pelas forças de segurança pública somos
remetidos a algumas terminologias. Umas atualmente utilizadas pela doutrina, mas que caíram
em desuso, devido a certas questões, sejam elas de caráter terminológico ou de significância
textual. Pode ser adotado como exemplo o “Uso Comedido da Força”, “Uso proporcional da
Força” e a mais utilizada atualmente “Uso Diferenciado da Força”, mas o que devemos
entender é que todas tratam do “Uso da Força” pela autoridade de segurança pública.

É de grande importância definirmos a terminologia da palavra "força", para tanto,


seguir-se-á a definição do Coronel Ubiratan de Oliveira Ângelo, em seu livro Distúrbios
Civis: controle e uso da força pela polícia, adotada pelo Ministério da Justiça através da
Portaria Interministerial nº 4.226/2010, caracterizando-a como "Intervenção coercitiva
imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do agente de segurança pública com a
finalidade de preservar a ordem pública". (BRASIL, 2010, p. 28).

Para o fiel cumprimento de seu dever (com a sua máxima: Servir e Proteger), o Estado
atribui alguns poderes às Policias Militares, dentre os quais está o poder de polícia. Tal
atributo possui algumas peculiaridades, tal como facultar ao agente a decisão de agir no
momento que julgar mais oportuno, independente de autorização do poder judiciário, podendo
para isso usar fazer uso da força legal. Tais pontos estão positivados através do artigo 78 do
Código Tributário Nacional:

Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,


limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene,
à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de
atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à
tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos.
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância
do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária,
sem abuso ou desvio de poder. (BRASIL, 1966).

Alguns aspectos devem ser observados no agir policial, pautando-se em princípios


como a legalidade, necessidade, proporcionalidade, moderação e conveniência. Exceder ou
não observar tais aspectos pode acarretar penalidades administrativas, civis e penais. Tais
assuntos serão abordados minudentemente mais adiante.
6

Deve ser ressaltado que em determinados casos, durante o agir policial, pode se fazer
necessário o emprego da força letal. Visando evitar arbitrariedades, foi adotado no Oitavo
Congresso das Nações Unidas sobre “Prevenção do Crime e Tratamento dos Infratores” os
Princípios Básicos sobre o Uso da Força e da Arma de Fogo- PBUFAF, orientando os
governos a se adaptarem aos princípios do referido documento.

Visando padronizar os procedimentos operacionais, alguma instituição policia


militares do país vêm capacitando seus agentes através de cursos, estágios, manuais, normas
de instrução, dentre outros. Pode ser tomado como exemplo o Procedimento Operacional
Padrão da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, o Manual de Técnicas e Tecnologias Não-
Letais da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro e o Caderno Doutrinário do Uso da
Força na PMERJ através da Instrução Normativa PMERJ/EMG-PM/3 Nº 33 de 03 de julho
de 2015.

Diante do exposto, o presente trabalho buscará inicialmente capacitar os profissionais


de segurança pública em âmbito estadual, proporcionando-lhes a retaguarda jurídica
necessária, bem como preceitos éticos e doutrinários sobre o uso da força, com a finalidade de
promover segurança ao policial militar durante a tomada de decisão.

A seguir serão analisados alguns modelos de uso da força adotados em diferentes


instituições, situando os agente de segurança pública, sobretudo os policiais militares, sobre as
características do atual modelo na PMERJ.

Para alcançar o objetivo serão expostos os diferentes modelos de uso da força, bem
como as legislações pertinentes ao assunto. Para a pesquisa bibliográfica foram utilizados
produções acadêmicas, livros e pesquisa à internet, além de Tratados e Princípios
Internacionais, Constituição República Federativa do Brasil, Leis, Decretos, Portarias e
Regulamentos existentes na Corporação.

2 LEGISLAÇÃO E DOUTRINAS SOBRE O USO DA FORÇA

Diversos são os ordenamentos legais que tratam sobre o Uso da Força, sejam eles a
nível nacional ou internacional, sendo de suma importância a sua compreensão pelos agentes
de segurança Pública.
7

É importante destacar também que a Segurança Pública está a serviço do direito, tendo
como missão, portanto, a garantia da ordem e a segurança da comunidade, bem como a de
cada cidadão que a compõe, impondo-se a força nos casos em que seja necessário para que se
faça cumprir as normas do Estado.

O uso da força e da arma de fogo deve estar limitado por regulamento ou lei, sendo
que o uso ilegítimo sujeitará o agente a uma apreciação de excesso, desvio, abuso de
autoridade ou de poder.

2.1 CÓDIGO DE CONDUTA PARA ENCARREGADOS DA APLICAÇÃO DA LEI


(CCEAL)

Adotado através da resolução 34/169 da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 17


de dezembro de 1979. Tal código tem como finalidade orientar os Estados-Membros com
relação às condutas de seus agentes de segurança Pública.

É um código de ética, composto por oito artigos com comentários explicativos. Não
possui caráter normativo, apenas a título de orientação, não tendo força de lei. Contudo, seu
cumprimento passa a ser obrigatório no âmbito da PMERJ a partir da resolução n° 93 de 27
de setembro de 1991, da antiga Secretaria de Estado de Polícia Militar, tendo como
Secretário, à época, o Sr. Cel PM Carlos Magno Nazareth Cerqueira.

O artigo 3° deste código trata sobre o uso da força e estipula que "Os funcionários
encarregados de fazer cumprir a lei poderão usar a força apenas quando for estritamente
necessário ou na medida em que o requeira o desempenho de suas tarefas" (ASSEMBLEIA
GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, 1979, p. 5). Cabe ressaltar que não se deve ultrapassar um
nível razoavelmente necessário, sendo que o uso da arma de fogo deve ser visto, portanto,
como medida extrema.

Os artigos 5° e 6° abordam questões intimamente ligadas com o art. 5° da CRFB em


seus incisos III e XLIX respectivamente, sendo que este trata da integridade física e moral dos
presos e aquele sobre a impraticabilidade de tortura ou tratamento desumano ou degradante.

Art 5º- Nenhum funcionário encarregado de fazer cumprir a lei poderá infligir
instigar, ou tolerar ato de tortura ou outros atos ou penas cruéis, desumanas ou
8

degradantes, nem invocar a ordem de um superior ou circunstâncias especiais, como


estado de guerra ou ameaça de guerra, ameaça à segurança nacional, instabilidade
política interna ou qualquer outra emergência pública, como justificativa para tortura
ou outros atos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes. (ASSEMBLEIA
GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, 1979, p. 6).
Art 6º- Os funcionários encarregados de fazer cumprir a lei assegurarão a plena
proteção da saúde das pessoas sob sua custodia e, em particular, tomarão as medidas
imediatas para proporcionar cuidados médicos para os necessitados.
(ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, 1979, p. 8).

2.2 PRINCÍPIOS BÁSICOS SOBRE USO DA FORÇA E DA ARMA DE FOGO (PBUFAF)

Adotada pelo oitavo congresso das Nações Unidas sobre a prevenção do crime e o
tratamento dos delinqüentes, entre 27 de agosto a 7 de setembro de 1990, em Havana, Cuba.

Tal documento traz apontamentos orientando os Estados no contexto da legislação e da


prática nacional, proporcionando normas orientadoras aos agentes de segurança pública,
compreendendo, portanto, não somente as polícias, mas também os magistrados, advogados,
promotores, membros do legislativo, executivo e do público em geral.

Os PBUFAF, em seu preâmbulo, reconhecem a importância e complexidade do


trabalho das polícias, bem como destaca seu papel como sendo de vital importância na
proteção da vida, liberdade e segurança de todas as pessoas.

O instrumento é composto por um total de 26 (vinte e seis) princípios básicos (PBs),


abaixo alguns apontamentos mais importantes na contextualização do trabalho:

Os responsáveis pela aplicação da lei devem ser moderados quando usam a força e as
armas de fogo e devem agir em proporção à gravidade da infração e ao objetivo legítimo a
alcançar (Princípios 4 e 5 do PBUFAF). Eles estão autorizados a usar apenas a força
necessária para alcançar um objetivo legítimo.

Os PBs 9 e10 são de suma importância, bem como devem ser levados em conta para a
elaboração de novos modelos de uso da força devido suas características que estabelecem
etapas, em alguns casos, para o uso da arma de fogo, como veremos a seguir:

9. Os responsáveis pela aplicação da lei não usarão armas de fogo contra pessoas,
exceto em casos de legítima defesa própria ou de outrem contra ameaça iminente de
morte ou ferimento grave; para impedir a perpetração de crime particularmente
grave que envolva séria ameaça à vida; para efetuar a prisão de alguém que
represente tal risco e resista à autoridade; ou para impedir a fuga de tal indivíduo, e
9

isso apenas nos casos em que outros meios menos extremados revelem-se
insuficientes para atingir tais objetivos. Em qualquer caso, o uso letal intencional de
armas de fogo só poderá ser feito quando estritamente inevitável à proteção da vida.
10. Nas circunstâncias previstas no Princípio 9, os responsáveis pela aplicação da lei
deverão identificar-se como tais e avisar prévia e claramente a respeito da sua
intenção de recorrer ao uso de armas de fogo, com tempo suficiente para que o aviso
seja levado em consideração, a não ser quando tal procedimento represente um risco
indevido para os responsáveis pela aplicação da lei ou acarrete para outrem um risco
de morte ou dano grave, ou seja claramente inadequado ou inútil dadas as
circunstâncias do caso. (ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, 1990, p.
6).

Os PBs 15, 16 e 17 fazem referência à segurança do cidadão em relação a Indivíduos


sob custódia ou detenção. Especificamente o PB 15 dispõe que:

15. Ao lidarem com indivíduos sob custódia ou detenção, os responsáveis pela


aplicação da lei não farão uso da força, exceto quando tal for estritamente necessário
para manter a segurança e a ordem na instituição, ou quando existir ameaça à
segurança pessoal. (ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, 1990, p. 6).

2.3 DECRETO LEI Nº 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940

O Código Penal, criado pelo decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, pelo


então presidente Getúlio Vargas durante o período do Estado Novo, trata em seus artigos 23,
24 e 25 sobre os casos de excludentes de ilicitude, ou seja, casos em que a conduta típica do
autor pode ser suprimida, desde que preencha as hipóteses legais. Assim vejamos:.

Exclusão de ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.
Estado de necessidade
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de
perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar,
direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-
se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar
o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços.
Legítima defesa
10

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios


necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.
(BRASIL, 1940, grifo do autor).

Enfatiza-se a ressalvo do artigo 25 quando trata sobre o uso moderado, intimamente


ligado ao princípio da moderação do PBUFAF, devendo, portanto, a ação do agente de
segurança pública, limitar à intensidade e duração suficiente para conter a injusta agressão,
sendo passível de responder por excesso doloso conforme dispõe o parágrafo único do artigo
23 da presente norma.

Outro destaque da presente norma é com relação ao artigo 136, abordado questões
relativas à maus-tratos, aplicando nos casos, por exemplo, de custódia de presos. Assim
vejamos:

Maus-tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou
vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de
alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou
inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa.
§ 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de um a quatro anos.
§ 2º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de quatro a doze anos.
§ 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de
14 (catorze) anos. (BRASIL, 1940, grifo do autor).

2.4 DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941

O Código de Processo Penal é o conjunto de regras e princípios, destinados à


organização da justiça penal, e aplicação dos preceitos contidos no Direito Penal, em quatro
de seus artigos aborda as questões pertinentes ao uso da força em caso de fuga, resistência à
prisão em flagrante , entrada em domicílio para execução de mandado e questões sobre o uso
de algemas, conforme a baixo mencionados:

Art. 284. Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de
resistência ou de tentativa de fuga do preso. (BRASIL, 1940);
Art. 292. Se houver, ainda que por parte de terceiros, resistência à prisão em
flagrante ou à determinada por autoridade competente, o executor e as pessoas que o
auxiliarem poderão usar dos meios necessários para defender-se ou para vencer a
11

resistência, do que tudo se lavrará auto subscrito também por duas testemunhas.
(BRASIL, 1940);
Art. 293. Se o executor do mandado verificar, com segurança, que o réu entrou ou
se encontra em alguma casa, o morador será intimado a entregá-lo, à vista da ordem
de prisão. Se não for obedecido imediatamente, o executor convocará duas
testemunhas e, sendo dia, entrará à força na casa, arrombando as portas, se preciso;
sendo noite, o executor, depois da intimação ao morador, se não for atendido, fará
guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e, logo que amanheça,
arrombará as portas e efetuará a prisão.(BRASIL, 1940);
Art. 474... § 3o Não se permitirá o uso de algemas no acusado durante o período em
que permanecer no plenário do júri, salvo se absolutamente necessário à ordem dos
trabalhos, à segurança das testemunhas ou à garantia da integridade física dos
presentes. (BRASIL, 1940).

2.5 LEI FEDERAL 4.898, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1965

Criada em 9 de Dezembro de 1965, regula o direito de representação e o processo de


responsabilidade administrativa, civil e penal, nos casos de abuso de autoridade. Em seu
artigo 5° traz o conceito de autoridade para os fins de aplicação da presente norma, a saber:
"Art. 5º Considera-se autoridade, para os efeitos desta lei, quem exerce cargo, emprego ou
função pública, de natureza civil, ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração."
(BRASIL, 1965).

Já nos artigos 3° e 4° são elencados as hipóteses em que constituir-se-ão abuso de


autoridade, dos quais podemos destacar, dentre os diversos incisos não menos importantes, os
seguintes:

Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:


a) à liberdade de locomoção;
b) à inviolabilidade do domicílio;
i) à incolumidade física do indivíduo;
Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as
formalidades legais ou com abuso de poder;
b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não
autorizado em lei. (BRASIL, 1965).

É possível observar na presente norma a questão que trata sobre a incolumidade física
do indivíduo, intimamente ligada à lei 9.455 (define os crimes de tortura e dá outras
providências) e ao artigo 136 do CP (maus-tratos), podendo novamente nos remeter aos
incisos III e XLIX da CRFB/1988.
12

É disposto, ainda, em seu artigo 6° a sujeição à sanção em três esferas,


concomitantemente, dependendo dos casos.,”"Art. 6º O abuso de autoridade sujeitará o seu
autor à sanção administrativa civil e penal." (BRASIL, 1965).

2.6 DECRETO-LEI Nº 1001, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969

Instituí O Código Penal Militar , que assemelhado-se com o Código Penal Civil, traz
hipóteses em que ocorre a exclusão de crime, ilicitude ou antijuridicidade. Assim transcrito:

Exclusão de crime
Art. 42. Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento do dever legal;
IV - em exercício regular de direito.
Excesso culposo
Art. 45. O agente que, em qualquer dos casos de exclusão de crime, excede
culposamente os limites da necessidade, responde pelo fato, se este é punível, a
título de culpa. (BRASIL, 1969, grifo do autor).

2.7 DECRETO-LEI Nº 1.002, DE 21 DE OUTUBRO DE 1969

Instituído em 21 de Outubro de 1969, o Código de Processo Penal aborda em quatro


de seus artigos questões pertinentes ao uso da força, citando questões semelhantes às do
Código de Processo Penal (Decreto-lei n° 3.689 de 1941), conforme os artigo a seguir:

Captura em domicílio
Art. 231. Se o executor verificar que o capturando se encontra em alguma casa,
ordenará ao dono dela que o entregue, exibindo-lhe o mandado de prisão.
Caso de busca
Parágrafo único. Se o executor não tiver certeza da presença do capturando na casa,
poderá proceder à busca, para a qual, entretanto, será necessária a expedição do
respectivo mandado, a menos que o executor seja a própria autoridade competente
para expedi-lo.
Recusa da entrega do capturando
Art. 232. Se não for atendido, o executor convocará duas testemunhas e procederá
da seguinte forma:
a) sendo dia, entrará à força na casa, arrombando-lhe a porta, se necessário;
b) sendo noite, fará guardar todas as saídas, tornando a casa incomunicável, e, logo
que amanheça, arrombar-lhe-á a porta e efetuará a prisão.
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Parágrafo único. O morador que se recusar à entrega do capturando será levado à


presença da autoridade, para que contra ele se proceda, como de direito, se sua ação
configurar infração penal. (BRASIL, 1969, grifo do autor);
Emprego de força
Art. 234. O emprego de força só é permitido quando indispensável, no caso de
desobediência, resistência ou tentativa de fuga. Se houver resistência da parte de
terceiros, poderão ser usados os meios necessários para vencê-la ou para defesa do
executor e auxiliares seus, inclusive a prisão do ofensor. De tudo se lavrará auto
subscrito pelo executor e por duas testemunhas.
Emprego de algemas
1º O emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga ou de
agressão da parte do preso, e de modo algum será permitido, nos presos a que se
refere o art. 242.
Uso de armas
2º O recurso ao uso de armas só se justifica quando absolutamente necessário para
vencer a resistência ou proteger a incolumidade do executor da prisão ou a de
auxiliar seu.
Respeito à integridade do preso e assistência
Art. 241. Impõe-se à autoridade responsável pela custódia o respeito à integridade
física e moral do detento, que terá direito a presença de pessoa da sua família e a
assistência religiosa, pelo menos uma vez por semana, em dia prèviamente marcado,
salvo durante o período de incomunicabilidade, bem como à assistência de advogado
que indicar, nos termos do art. 71, ou, se estiver impedido de fazê-lo, à do que for
indicado por seu cônjuge, ascendente ou descendente.
Parágrafo único. Se o detento necessitar de assistência para tratamento de saúde ser-
lhe-á prestada por médico militar. (BRASIL, 1969, grifo do autor).

2.8 LEI FEDERAL Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997

A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, em seu artigo 5°, inciso III
destaca a proibição da prática de tortura, e no inciso XLIII caracteriza os crimes hediondo
como inafiançáveis e insuscetíveis de graça e anistia, incluindo também outros três crimes,
conhecidos como assemelhados à hediondo, dentre os quais está a prática que tortura,
conforme o disposto a seguir:

III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante


(BRASIL, 1988);
XLIII- a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a
prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os
definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. (BRASIL, 1988)

Somente com o advento da lei 9.455, criada em 7 de Abril de 1977, que temos em
nossa legislação as definições sobre os crimes de tortura:

Art. 1º Constitui crime de tortura:


14

I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe


sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira
pessoa;
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de
violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de
aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Pena - reclusão, de dois a oito anos.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de
segurança a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não
previsto em lei ou não resultante de medida legal.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las
ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão
de quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I - se o crime é cometido por agente público;
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência,
adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos;
III - se o crime é cometido mediante seqüestro.
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia. (BRASIL,
1977).

Recorda-se ainda o inciso LVI da CRFB, muito próximo ao artigo 1°, I, "a" da presente
norma, a saber: "LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos."
(BRASIL, 1988).

2.9 LEI FEDERAL Nº 13.060, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2014

A presente norma, é composta por oito artigos os quais visam disciplinar o uso dos
instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em todo o
território nacional. Dentre seus apontamentos, de grande relevância é o art.2°, conforme
dispõe a seguir:

Art. 2o Os órgãos de segurança pública deverão priorizar a utilização dos


instrumentos de menor potencial ofensivo, desde que o seu uso não coloque em risco
a integridade física ou psíquica dos policiais, e deverão obedecer aos seguintes
princípios:
I - legalidade;
II - necessidade;
III - razoabilidade e proporcionalidade.
Parágrafo único. Não é legítimo o uso de arma de fogo:
I - contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco imediato
de morte ou de lesão aos agentes de segurança pública ou a terceiros; e
15

II - contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, exceto quando o
ato represente risco de morte ou lesão aos agentes de segurança pública ou a
terceiros. (BRASIL, 2014, p. 1).

Pode ser observado a relevância da legislação sobre uso de instrumentos de menor


potencial ofensivo, com a ressalva dos casos em que haja risco a integridade física ou psíquica
dos policiais. Neste sentido entende-se que há o amparo legal para tais hipóteses, em virtude
da excludente de juridicidade para tais proposições.

Outro ponto de grande valor é com relação às hipóteses dos incisos I e II no parágrafo
único, situações onde o emprego da arma de fogo não é considerado legítimo.

2.10 SÚMULA VINCULANTE N° 11 DO STF

Com a emenda constitucional n° 45, através do art. 103-A criou-se a Súmula


vinculante, sendo esta um mecanismo de observação obrigatória para os tribunais. Tendo
portanto caráter legal, não podendo ser contrariada.

Diante disso, dispõe através da Súmula Vinculante n° 11 que:

Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou


de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,
justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do
ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.
(http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumario.asp?sumula=1220).

É importante salientar que o dispositivo supracitado não aboliu o uso de algemas, mas
somente visou evitar abusos, restringindo sua utilização para casos excepcionais e justificados
conforme as hipóteses mencionadas.

2.11 PORTARIA INTERMINISTERIAL Nº 4.226 DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA


16

Datada de 31 de dezembro de 2010, estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos


agentes de segurança pública. Sendo composta por 05 (cinco) artigos e dois anexos, conforme
o disposto no artigo primeiro e em seu parágrafo único:

Art. 1o Ficam estabelecidas Diretrizes sobre o Uso da Força pelos Agentes de


Segurança Pública, na forma do Anexo I desta Portaria.
Parágrafo único. Aplicam-se às Diretrizes estabelecidas no Anexo I, as definições
constantes no Anexo II desta Portaria. (BRASIL, 2010, p. 27).

O Anexo I traz ao todos 25 (vinte e cinco) Diretrizes que versam sobre o uso da força e
armas de fogo pelos agentes de segurança pública.

A Diretriz n° 1 estabelece que:

O uso da força pelos agentes de segurança pública deverá se pautar nos documentos
internacionais de proteção aos direitos humanos e deverá considerar,
primordialmente:
a. ao Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei,
adotado pela Assembléia Geral das Nações Unidas na sua Resolução 34/169, de 17
de dezembro de 1979;
b. os Princípios orientadores para a Aplicação Efetiva do Código de Conduta para os
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Conselho
Econômico e Social das Nações Unidas na sua resolução 1989/61, de 24 de maio de
1989;
c. os Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Armas de Fogo pelos Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei, adotados pelo Oitavo Congresso das Nações
Unidas para a Prevenção do Crime e o Tratamento dos Delinqüentes, realizado em
Havana, Cuba, de 27 de Agosto a 7 de setembro de 1999;
d. a Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou penas Cruéis, Desumanos
ou Degradantes, adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em sua XL
Sessão, realizada em Nova York em 10 de dezembro de 1984 e promulgada pelo
Decreto n.º 40, de 15 de fevereiro de 1991. (BRASIL, 2010, p. 27).

Já a Diretriz n° 2 estabelece os princípios que deverão ser obedecidos pelos agentes de


segurança pública ao fazer uso da força que são o da "Legalidade, Necessidade,
Proporcionalidade, Moderação e Conveniência." (BRASIL, 2010, p. 27).

A Diretriz n° 7 estabelece que "O ato de apontar arma de fogo contra pessoas durante
os procedimentos de abordagem não deverá ser uma prática rotineira e indiscriminada."
17

(BRASIL, 2010, p. 27). Diante de tal apontamento pode-se considerar o ato elencado, de
apontar arma de fogo, como uma das etapas da abordagem e, portanto, elencá-lo como um
nível de uso da força.

Ponto de grande destaque é abordado pela Diretriz n° 8 ao instituir que:

Todo agente de segurança pública que, em razão da sua função, possa vir a se
envolver em situações de uso da força, deverá portar no mínimo 2 (dois)
instrumentos de menor potencial ofensivo e equipamentos de proteção necessários à
atuação específica, independentemente de portar ou não arma de fogo. (BRASIL,
2010, p. 27).

Diante de tal apontamento ressalta-se aqui o dever de fiscalização do Ministério


Público de impor que as entidades governamentais forneçam aos agentes de segurança pública
tais instrumentos, de modo que seja possível realizar o uso da força de acordo com as diversas
situações em que possa vir a se deparar.

Abordando assunto pertinente à capacitação profissional, a Diretriz n° 17 destaca a


importância da capacitação profissional continuada, de modo que o profissional da área de
segurança Pública esteja em um constante processo de aprendizado e atualização:

Nenhum agente de segurança pública deverá portar armas de fogo ou instrumento de


menor potencial ofensivo para o qual não esteja devidamente habilitado e sempre
que um novo tipo de arma ou instrumento de menor potencial ofensivo for
introduzido na instituição deverá ser estabelecido um módulo de treinamento
específico com vistas à habilitação do agente. (BRASIL, 2010, p. 28).

O princípio n° 19 faz remissão mais uma vez à questão dos equipamentos de menor
potencial ofensivo, destacando que uso de técnicas e instrumentos de menor potencial
ofensivo não deverá ficar restrito às unidades especializadas:

Deverá ser estimulado e priorizado, sempre que possível, o uso de técnicas e


instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, de
acordo com a especificidade da função operacional e sem se restringir às unidades
especializadas. (BRASIL, 2010, p. 28, grifo nosso).
18

O Anexo II traz uma série de conceitos que devem ser aplicados às Diretrizes
constantes no Anexo I entre as quais destacamos as seguintes:

Armas de menor potencial ofensivo: Armas projetadas e/ou empregadas,


especificamente, com a finalidade de conter, debilitar ou incapacitar
temporariamente pessoas, preservando vidas e minimizando danos à sua integridade.
Equipamentos de menor potencial ofensivo: Todos os artefatos, excluindo armas e
munições, desenvolvidos e empregados com a finalidade de conter, debilitar ou
incapacitar temporariamente pessoas, para preservar vidas e minimizar danos à sua
integridade.
Equipamentos de proteção: Todo dispositivo ou produto, de uso individual (EPI) ou
coletivo (EPC) destinado a redução de riscos à integridade física ou à vida dos
agentes de segurança pública.
Força: Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do
agente de segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública e a lei.
Nível do Uso da Força: Intensidade da força escolhida pelo agente de segurança
pública em resposta a uma ameaça real ou potencial.
Técnicas de menor potencial ofensivo: Conjunto de procedimentos empregados em
intervenções que demandem o uso da força, através do uso de instrumentos de
menor potencial ofensivo, com intenção de preservar vidas e minimizar danos à
integridade das pessoas. (BRASIL, 2010, p. 28).

Deve ser destacado ainda que a portaria interministerial 4.226 de 2010 tem sua
observância obrigatória somente aos órgãos elencados no artigo 2° da presente norma, a
saber:

Art. 2º A observância das diretrizes mencionadas no artigo anterior passa a ser


obrigatória pelo Departamento de Polícia Federal, pelo Departamento de Polícia
Rodoviária Federal, pelo Departamento Penitenciário Nacional e pela Força
Nacional de Segurança Pública. (BRASIL, 2010, p. 27).

Devido a atualidade de seus conceitos, definições e apontamentos julgamos ser de


grande importância para as força de segurança pública em geral, acreditando ser de
observação necessária a todas as forças policiais brasileiras.

2.12 PRINCÍPIOS ESSENCIAIS SOBRE USO DA FORÇA ADOTADOS PELA PMERJ


As legislações supramencionadas definem em seu bojo alguns princípios essenciais
para o uso da força. Tais princípios servem como um elemento norteador para o agir do
19

agente de segurança pública, buscar o situar e direcionar para a correta ação durante o
emprego do uso da força.

Os princípios essenciais para o uso da força de acordo com a lei 13.060 de 2014 são a
Legalidade, Necessidade, razoabilidade e proporcionalidade.

Já de acordo com a portaria interministerial 4.226 de 2010 os princípios norteadores


para o uso da força pelos agente de segurança pública são a Legalidade, Necessidade,
Proporcionalidade, Moderação e Conveniência.

Em âmbito regional, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro tem como


princípios estabelecidos em seu Caderno Doutrinário de Uso da Força na PMERJ o acróstico
LONPE (Legalidade, Oportunidade, Necessidade, Proporcionalidade e Ética).

Percebe-se que nos três exemplos acima tem-se:

-Legalidade: significando que o agente público está sujeito aos mandamento legais,
podendo fazer somente aquilo que está previsto na norma legal;

-Necessidade: Devendo avaliar se o uso da força é realmente necessário, analisando


seus prós e contras;

-Proporcionalidade: Significando que o emprego da força deverá ser proporcional à


ameaça, não devendo extrapolar, casos em que sendo constatado o excesso, estará sujeito a
responder por ele.

A questão da razoabilidade em muito se aproxima da proporcionalidade e da


moderação. Já com relação a ética (para a doutrina regional da PMERJ), devemos nos remeter
ao conceito de ética sendo a "parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com
Deus e a sociedade; ciência da moral." (BUENO, 2000, p. 334), sendo que por este princípio,
a atuação do agente deverá está norteada pela busca do bem comum, ou seja, o bem estar
social.

Ainda na doutrina regional da PMERJ tem-se o princípio da oportunidade, no qual


convém ao agente de segurança pública esperar o momento mais oportuno para agir, de modo
que se maximizem os resultados positivos.

3 MODELOS EXISTENTES SOBRE USO DA FORÇA


20

Será abordado características pertinentes a determinados modelos existentes sobre o


uso da força. Cada modelo criado possui um nome que geralmente está associado ao nome do
autor que o apresentou ou à sua origem. Com a finalidade de conceituar modelo de uso da
força, defini-se "modelo" como "Objeto para ser reproduzido por imitação; molde;
representação em pequena escala de um objeto para ser reproduzido em escultura; tipo; (fig.)
aquilo que serve de exemplo ou norma; pessoa exemplar" (BUENO, Silveira. 2000, p. )

Ainda segundo o minidicionário da língua portuguesa de Silveira Bueno, conceitua-se


força como a "Causa capaz de produzir alteração de posição de repouso ou movimento de um
corpo; faculdade de operar, mover-se, etc.; poder, energia; vigor; robustez, valentia;
destacamento militar." (BUENO, Silveira. 2000, p. )

Já de acordo com a Portaria Interministerial nº 4.226/2010, do Ministério da Justiça,


força é a "Intervenção coercitiva imposta à pessoa ou grupo de pessoas por parte do agente de
segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública".(BRASIL, 2010, p28).

Compreende-se portanto o modelo de uso da força como um recurso visual, que serve
de exemplo, dedicado a auxiliar na conceituação, planejamento, treinamento e comunicação
dos critérios sobre uso da força pelos policiais diante da ação tomada a partir da pessoa
flagrada ou em caso de atitude suspeita quando questionada.

Será abordado a seguir alguns modelos de uso da força que servem como fundamento
para ações em determinadas policias, entre as quais o atual modelo utilizado na PMERJ, o
modelo FLETC.

3.1 MODELO PHOENIX

Adotado pelo Departamento de Polícia de Phoenix, Arizona, Estados Unidos da


América (EUA), é um dos modelos mais simples.

Foi elaborado no formato de tabela, com duas colunas sendo uma correspondente à
ação do agente de segurança pública, e outra à percepção do agente em atitudes suspeitas.

O modelo aborda os níveis de força e atitude dos suspeitos em sete diferentes níveis,
sendo desde a ausência de força em resposta à ausência de resistência, indo até o emprego da
arma de fogo/força letal, utilizada como medida extrema, a ultima ratio.
21

Fonte: Apostila de Uso legal da Força, 2006.

Observa-se no presente modelo o "nível 0- Ausência de força" que não julgamos ser o
mais adequado visto que, ao tratarmos de uso da força, pressupõe-se que haverá a ação, ou
seja, a intervenção coercitiva visando ganhar ou manter o controle. Podendo tal resistência ser
ativa ou passiva , como por exemplo o não acatamento a uma ordem, mantendo-se inerte e
calado. Em virtude disso, nos casos em que não há resistência, não há de se falar, portanto, em
emprego da força por parte dos agentes de segurança pública.

3.2 MODELO REMSBERG

O modelo Remsberg de uso da força é formado por degraus em ascensão, nos mais
baixos fazem referência aos níveis de força mais brandos e mais altos correspondem aos
níveis de força mais altos, relacionados ao emprego de força letal, o último recurso.

É composto por cinco níveis de uso da força onde cada nível possui subdivisões,
subníveis que estão dispostos em ordem crescente, de baixo para cima. Neste modelo o agente
de segurança pública, nos casos em que for necessário o emprego da força, selecionará o
degrau correspondente ao nível de força que julgar mais adequado para a situação em que se
encontra.
22

Fonte: Apostila de Uso legal da Força, 2006.

Um ponto de destaque é que não foi correlacionado a percepção do agente de


segurança pública , restringindo-se apenas a fazer a diferenciação do uso da força. Tal aspecto
é bem detalhado quanto à tomada de decisão, contudo acreditamos que seria mais rico quando
disposto com referência à agudeza do agente de segurança pública.

Ressalta-se também que no presente modelo a presença do agente é considerada como


um fator inibidor, o que é um ponto de divergências entre algumas doutrinas. Já em questão
ao uso de instrumentos de impacto ou de arma de fogo, há um subnível em que se leva em
conta a visibilidade do equipamento, o que pode ser considerado um meio de coação, como
uma fase de preparação para o uso do equipamento, podendo colaborar para a persuasão do
abordado.

Além de todo exposto do modelo, percebe-se que a verbalização entra como um nível
da força, o que deveria ocorrer em todo o processo, exatamente como numa negociação de
conflito, não sendo analisado de forma positiva este tipo de colocação, pois não demonstra ao
abordado o desejo do agente de segurança pública, que deve ser claro e constante.
23

3.3 MODELO CANADENSE

Desenvolvido pela policia do Canadá, é composto por círculos que se sobrepõem e


subdividem-se em níveis diferente. Atualmente é adotado pela Polícia Civil do Estado do Rio
de Janeiro.

O circulo internos faz referencia às ações tomadas pelo suspeito, subdividindo-se em


cinco níveis. Já o circulo externo está a resposta do agente de segurança em relação à atitude
do suspeito, subdividindo-se em sete níveis. Cada nível interage com o outro meio através da
mudança de cores. A mudança não cessa o outro nível, ou seja, onde termina um nível de
força, os outros ainda estão disponíveis. São usadas cores para cada uma das graduações de
força.

É possível observar que a verbalização não está presente em todos os níveis, cessando
na aplicação da força letal, o que vai de encontro da legislação brasileira, visto que as ações
dos agentes de segurança devem objetivar a cessação da injusta agressão ou da grave ameaça,
e em última instância o uso da força letal. Portanto a verbalização deve sempre estar presente,
em todos os níveis da força.

A presença do Agente de Segurança Pública não foi consideradas como sendo opção
de uso da força física, somente foi incluída considerando visando ilustrar os níveis, tomando
como ponto de partida a verbalização, que necessariamente necessita da presença física do
agente.

Mais uma vez é visível que o uso de equipamento letal é considerado como o último
recurso a ser utilizado, medida extrema, o que reforça a necessidade de capacitar equipar os
agentes de segurança para o emprego de técnicas e equipamentos de menor potencial
ofensivo.

Cabe ressaltar que, existe outro ponto negativo neste modelo, no que diz respeito ao
gráfico utilizado, o agente de segurança pública deve fazer uma análise mais complexa, não
facilitando a compreensão.
24

Fonte: Ministério da Justiça. Apostila de Uso legal da Força, 2006.

3.4 MODELO FLETC

Modelo aplicado pelo Centro de treinamento da Polícia Federal (Federal Law


Enforcement Training Center - FLETC) de Glynco, Geórgia, Estados Unidos da América
(EUA). Adotado pela PMERJ através do aditamento ao Bol da PM n° 186 de 04 de Outubro
de 1994.

O modelo FLETC é composto por uma estrutura de cores com três faces de cinco
camadas onde estão presentes as alternativas táticas disponíveis ao policial para ganhar ou
manter o controle. Dentre os painéis das extremidades estão presentes duas setas dupla duais
visando descrever o processo de avaliação e seleção da força, que não será tão somente
progressivo, podendo ser diminuto, quando a conduta do abordado for mais submissa ou
apaziguada.

Em um dos painéis está a percepção do agente de segurança pública em relação ao


suspeito, no painel do meio esta sendo representado através de números e cores a percepção
de risco para o agente, por fim, no terceiro painel estão sendo representadas as
respostas/reações de força em relação a percepção de risco quanto ao suspeito.
25

Nota-se que a presença do agente de segurança pública não é considerada um nível de


uso da força. Parte-se da verbalização, como o nível mais brando, até a força letal, como
medida extrema, última opção.

FONTE: Aj G – Adit ao Bol da PM n.º 132 - 23 Jul 15

4 O PORQUÊ DA CRIAÇÃO DE UM NOVO MODELO A SER ADOTADO PELA


PMERJ

Diante dos diversos modelos que abordam a questão do uso da força pelos agentes de
segurança tem-se em mente que um modelo ou outro pode ser mais o adequado para
determinados contextos.

Deve ser ressaltado que o atual modelo adotado pela Polícia Militar do Estado do Rio
de Janeiro foi elabora em uma sociedade com aspectos culturais diversos dos quais podem ser
constatados na sociedade fluminense. Variando aspectos culturais, educacionais, religiosos,
biológico , condições econômicas da sociedade, climáticas, dentre outras., sendo que o
principal fator é o cultural visto que:

1. A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem


e justifica as suas realizações.
26

2. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram
parcial mente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou.
3. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Em vez de
modificar para isto o seu aparato biológico, o homem modifica o seu equipamento
superorgânico. (LARAIA, Roque, 2001, p. 50)

Deve-se frisar que avanços tecnológicos podem contribuir positivamente com relação
à logística da corporação, contudo, em virtude de particularidades de cada indivíduo podemos
constatar que há uma variação quanto a capacidade de estar passível a receber distrações de
fatores externos, o que subtrairia um dos níveis de uso da força, a presença, naqueles em que
ela é levada em consideração.

Não se pode olvidar que o modelo FLETC é do ano 1994 no âmbito da PMERJ e que
desse período até os dias atuais, diversas foram as mudanças nas legislação brasileira, dentre
as quais:

Lei Federal 13.060/ 2014 que traz apontamentos onde exclui algumas possibilidade até
então não consideradas ilegítimas;

Lei Federal 9.455/ 1997, conceituando crimes de tortura e dando outras providencias;

Súmula Vinculante n°11, do STF, datada de 2008;

Portaria Interministerial n° 4.226 de 2010, do Ministério da Justiça.

Ainda no tocante ao aspecto legal, recorda-se que existem sociedades mais flexíveis
quanto a atuação de seus agentes e outras mais rígidas, restringindo condutas e,
conseqüentemente, limitando a discricionariedade do agente, através de seus ordenamentos
legais.

Em virtude desses aspectos entendemos que a adoção de um modelo padrão PMERJ


seria de grande contribuição para o enquadramento legal, acompanhado das tendências da
sociedade do estado do Rio de Janeiro. Buscando-se facilitar a compreensão do modelo pelos
seus agentes, um modelo de uso da força de fácil entendimento seria de suma importância
para os órgãos de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro e, com relação à Polícia
Militar, devido ao seu efetivo consideravelmente grande, promover-se-ia de forma mais hábil
a compreensão para as particularidades da sociedade fluminense.
27

5 MODELO PMERJ DE USO DA FORÇA

Com o objetivo de colaborar com os órgão de segurança pública no âmbito do estado


do Rio de Janeiro buscamos elaborar o presente modelo de uso da força, com apontamento
que se amoldam è legislação nacional em vigor.

Diferente de outro modelos, não foi levado em consideração o emprego de cães pelas
forças de segurança visto que tal alternativa não está ao alcance de todas as equipes no âmbito
da PMERJ (restringindo-se ao batalhão de ações com cães) ou dos demais órgãos de
segurança pública.

A verbalização deve estar presente em todos os níveis de uso da força, devendo o


agente constantemente lembrar o abordado sobre o seu objetivo durante o agir, sendo que a
verbalização deverá acompanhar os demais níveis de uso da força. Lembrando que ao agente
de segurança pública compete a preservação do maior bem jurídico, a vida, das pessoas ao
redor, do próprio agente e por fim, a do infrator.

Ressaltamos que o processo de avaliação do uso da força deve ser reavaliado


constantemente pelo agente de segurança pública, fazendo com que o nível da força possa ser
progressivo, bem como diminuto, dependendo da atitude do suspeito. Tal aspecto é
representado pela seta dupla dual indicativa da verbalização.

O uso de arma de fogo, de acordo com a legislação vigente no território brasileiro,


deve ser a medida extrema e, empregada principalmente nos casos de risco letal para os
cidadãos ao redor e para a segurança do próprio agente de segurança pública. Sempre que
VERBALIZAÇÃO

possível, deverá ser informado a intenção da utilização do equipamento letal, contudo não há
de ser uma regra visto que há momentos em que o risco está muito elevado ou ocorre uma
mudança abrupta no comportamento do abordado que inviabilizaria tal prática.

O ato de apontar o equipamento letal não deve ser uma prática cotidiana, o que leva a
considerar como um dos níveis de uso do força, sendo válido também para o uso de
equipamento não letal.

Diante de tais apontamentos e considerações, propõe-se um modelo a seguir, que pode


servir como exemplo para outras instituições na área da segurança pública.

MODELO PMERJ DE USO DA FORÇA


28

ATITUDE DO
USO DA FORÇA PELO
INDIVÍDUO SUSPEITO
AGENTE DE
OU CIDADÃO
SEGURANÇA PÚBLICA
INFRATOR
AMEAÇA LETAL FORÇA LETAL

FORÇA LETAL
INDICAÇÃO DE
(LEGITIMA DEFESA
AMEAÇA LETAL
IMINENTE)
EMPREGO DE
AGRESSÃO FÍSICA
EQUIPAMENTO MENOS
(MENOS LETAL)
LETAL
INDICAÇÃO DE SACAR E APONTAR O
AMEAÇA MENOS EQUIPAMENTO MENOS
LETAL LETAL
TÉCNICAS DE DEFESA
RESITÊNCIA ATIVA
POLICIAL
RESITÊNCIA PASSIVA
CONTROLE DE CONTATO
COOPERATIVO

Tal modelo é composto por duas camadas em forma de coluna, onde uma faz
referencia à atitude do indivíduo suspeito ou cidadão infrator e a segunda trata do uso da
força pelo agente de segurança pública.

O esquema de cores contribui para a compreensão do agente de segurança pública,


sendo empregado apenas três cores, verde, amarelo e vermelho, visando simplificar a
compreensão. Nos níveis mais brandos, cores frias e conforme aumenta-se o grau de risco são
utilizadas cores mais quentes, indicativas de alerta.

Como pode ser observado há aspectos que podem variar no emprego da força durante
a atuação do agente de segurança pública.
29

Quanto ao indivíduo o estado mental (mais agitado ou ameno), a idade (mais jovem ou
mais envelhecido), o sexo do abordado que pode influenciar na capacidade de resistência e as
habilidade (com equipamento ou técnicas pessoais).

Já a ação do agente de segurança pode sofrer influências como a fadiga (que pode
comprometer a intensidade no caso do controle de contato), os equipamentos que estão a sua
disposição, a sua habilidade com tais equipamentos ou técnicas de defesa pessoal e o tamanho
de sua equipe.

Outras variantes certamente devem existir, porém tais pontos já contribuem para uma
nova visão dos aspectos presentes atualmente, fazendo com que se contribua para novas
reflexões sobre o assunto uso da força.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O "assunto uso da força", como pode ser observado, se estende por algumas décadas
no cenário mundial, procurando contribuir para uma melhor capacitação dos agentes de
segurança pública por meio de novas tecnologias, técnicas, métodos, modelos, etc. Tais
aspectos sempre objetivando uma melhor prestação de serviço para as sociedades.

A Policia Militar, instituição secular na sociedade brasileira e presente em todas as


unidades da federação, deve buscar a constante atualização e capacitação de seus agentes.

Deve-se enfatizar que a segurança pública não se faz somente com polícia. Os demais
órgãos devem cumprir seus papéis, fornecendo condições suficientes para o agir dos
encarregados de aplicar a lei, tais como a disponibilização de equipamentos que proporcionem
o uso da força em todos os níveis, conforme os ordenamentos legais.

O presente artigo buscou através de legislações, doutrinas, bibliografias, imagens,


dentre outros, ilustrar diferentes modelos de uso da força na área da segurança pública, bem
como ilustrar princípios para a atuação e proporcionar maior segurança jurídica para os
profissionais da segurança pública, situando-os diante das normas em vigor na sociedade
brasileira.

Lembrando que o presente artigo não pretende encerrar o assunto, mas busca
harmonizar reflexões sobre o atual cenário da segurança pública brasileira, sobretudo no
30

estado do Rio de Janeiro, contribuindo com ideias sobre o assunto, ilustrações e


contextualização no cenário jurídico. Destacando ainda que o agente de segurança pública,
sobretudo os policiais militares, agem em seu dia-a-dia na linha tênue entre o excesso e a
omissão, o que torna tal função tão delicada e especial para a coletividade.

REFERÊNCIAS

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da Aplicação da Lei. Resolução nº. 34/169 de 17 de dezembro de 1979. Institui o Código de
Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei. 1979
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Havana, Cuba, de 27 de agosto a 7 de setembro de 1990
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uso da força pela polícia. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2001.
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Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e
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e o processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal, nos casos de abuso de
autoridade. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l4898.htm>. Acesso em
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______. LEI Nº 13.060, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2014. Disciplina o uso dos
instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em todo o
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______. LEI Nº 9.455, DE 7 DE ABRIL DE 1997. Define os crimes de tortura e dá outras
providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9455.htm >.
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GRECO, Rogério. Atividade policial: aspectos penais, processuais penais, administrativos e
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LARAIA, Roque de Barros, Cultura: um conceito antropológico. 14.ed. Rio de Janeiro: Jorge
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