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Ciclos Econémicos Abordagem keynesiana Cc destacamos ao inicio do livro, 0 estudo da macroeconomia caracteri- zou-se pelo estudo das flutuagdes econémicas. Comecamos nossa andlise da determinagao da renda explicando 0 modelo neoclssico, ou 0 modelo de longo prazo, em que, com pregos flexiveis e sem imperfeicdes nos mercados, o produ- to sempre estaria em seu nivel potencial, sendo determinado pelas condicées de oferta: estoque de fatores de producdo e tecnologia. As flutuagées da demanda apenas repercutiriam sobre o nivel de precos, sem afetar a quantidade produzida, ou seja, a oferta agregada era vertical, insensivel ao nivel de precos absolutos. No Capitulo 4, discutimos as idéias de Keynes. Conforme visto, a teoria keynesiana significou uma reviravolta na andlise econdmica, passando para a demanda agregada o papel determinante do produto. Keynes colocou as vatia- Ges do investimento decorrentes das mudancas de expectativas dos empresarios em rela¢do ao futuro na chamada Eficiéncia Marginal de Capital, como principal causa das alteragdes na demanda agregada e por conseguinte da renda. Com a hipotese de salérios rigidos,' as variagdes da demanda passavam a afetar o pro- duto e nao apenas os precos. Como destacado no Capftulo 4, sobre Keynes, a hipétese dos salirios rigidos nao é uma ne- cessidade para explicar o impacto da demanda sobre o produto. Em uma situacio de desemprego, mesmo que os salirios se reduzissem, se os empresfrios nfo possuissem expectativas de vender i produgdo, nfo contratariam mao-de-obra adicional 322 __Manual de Macrossonomia + Lopes eVasconcllon Naquele capitulo, apresentamos uma forma de elaborar o comportamento ciclico da economia por meio do comportamento dos estoques, o que denomina- mos de Ciclo dos Estoques. A pergunta naquele momento era como a economia atingiria seu novo patamar de renda de equilibrio, a partir de uma variagdo nos gastos auténomos. Como vimos, no chamado modelo do multiplicador, quando da ocorréncia de uma mudanga nos gastos auténomos, isso levaria a uma alte- racdo na renda igual & variagao inicial da renda vezes o chamado multiplicador, que decorria dos gastos induzidos a partir dos gastos iniciais. Assim, supondo- se uma variagZo inicial no investimento (Al) isto levaria a uma variagao na renda (AY) igual a cAI em que «representa o multiplicador de gastos. Nessa anélise simples, 0 impacto do multiplicador seria uma passagem direta (suave) de um nivel de renda para outro, sem que se gerassem ciclos nesse processo. Quando introduzimos a questo dos estoques e consideramos que as em- presas tinham por objetivo manter uma parcela fixa do produto na forma de estoques, vimos que variagées inesperadas da demanda agregada provocavam inicialmente tanto variagdes na producdo quanto no nivel de estoques. As alte- rages no nivel de estoques afetavam, por sua vez, as decisGes de produgao das empresas, que agora deveriam produzir tanto para atender os niveis existentes de demanda quanta as necessidades impostas pela politica de manutencdo de estoques da firma. Assim, como vimos no Capitulo 4, um aumento inesperado da demanda agregada leva ao aumento da produgdo e a uma reducdo dos esto- ques, 0 inverso ocorrendo em caso de uma contra¢ao da demanda; no instante seguinte, as empresas deverao produzir para atender & maior demanda e para reporem os estoques. Esse comportamento faré, em determinado momento, a producao situar-se inclusive acima do novo produto de equilibrio e em outros abaixo, ou seja, a passagem de uma situac4o de equilibrio para outra faz-se de forma ciclica e nao direta, canforme no madela do multiplicador simples. For- malmente, tem-se o seguinte: Y=C +1 + Aestoques A producio dé-se para atender ao consumo, ao investimento e as variagSes de estoques.? O investimento, conforme discutido, depende das expectativas (0 chamado instinto animal conforme Keynes). A produco para consumo pode ser considerada uma fungao das vendas esperadas. Por facilidade, consideramos que os empresérios esperam que 0 consumo seja igual ao do periodo anterior. Assim, como ca 2 Lembre-se de que, apesar de em contabilidade nacional, avariagio de estoques estar embutida ‘no investimento, no modelo teérico de determinacao da renda, consideramos apenas 0 investimento voluntdsio, com o que desmembramos entre investimento e variagie de estoques. Giclos Econdmicos_323 segue-se que c=¥, ‘A variaco de estoques em certo periodo & dada pela seguinte expressao: Aestoques emt-1=c¥,-c¥., Uma vez ocorrida uma variagdo inesperada no nivel de renda e no consumo, as empresas que desejam manter certo nivel de estoques irdo produzir tanto para atender a demanda como para repor estoques. Assim: Y=C +1 + Aestoques Y=o¥,+¥,-¥,) +1 Y¥=2¥,-¥, +1 Percebe-se pela expressio anterior que a economia sé estar na posigao de equilibrio quando ¥_, = ¥.,, de modo que a variacao de estoques seja zero. Como uma variagio inesperada da demanda leva A mudanga no nivel de estoques, isso determina um cariter cfclico de aproximagao 4 nova renda de equilibrio. Dentro da mesma abordagem keynesiana, podemos ter outra explicago para © comportamento ciclico da economia, de acordo com chamado modelo multi- plicador-acelerador. Nesse modelo, o investimento é determinado de acordo com a variacdo da produgo ocorrida no periodo anterior. Assim, dentro dessa abordagem, podemos considerar o investimento da seguinte maneira T= 1) + dd¥_, ou I+d¥,-¥ ‘Ou seja, o investimento possui um componente auténomo mais um compo- nente que decorre do comportamento da renda no periodo anterior. Consideran- do-se que o consumo seja fungao da renda defasada de um periodo, temos: cH, Sendo ¥ = C + 1, temos: Y=c¥,t+h+d(¥,-¥,) dy. Y=@+OY, +h Percebe-se pela expresso acima que, se em dado momento ampliamos o in- vestimento auténome, teremos um crescimento do produto em relaco ao nivel anterior. Isso, por sua vez, levard a crescimentos adicionais do investimento, cujos impactos adicionais 96 iro diminuindo conforme for diminuindo a variagao da 324 anual de Macroeconomia + Lopes eVasconcllos renda. O equilibrio s6 serd atingido quando ¥_, = ¥_,. Novamente, explica-se 0 carter cfclico do ajustamento entre as duas situagdes de equilibrio. O enfoque keynesiano sobre as flutuacées econémicas centrou-se principal- mente nas oscilacées do investimento em decorréncia das alteragdes no compor- tamento dos empresérios (nos chamados “espiritos animais”). Ocorria uma pro- funda queda na eficiéncia marginal do capital, que provocava profunda retragao do investimento autonomo. No arcabougo IS-LM discutido, isso significava que © volume de investimento se retrafa para qualquer nivel de taxa de juros consi- derada, ou seja, ocorria uma profunda queda na curva [S. Essa foi, por exemplo, uma das explicagdes para a crise dos anos 30 que mais se sustentou. Outra forma de ver aquela flutuacao era uma queda do consumo auténomo, em decorréncia de uma desvalorizao da riqueza, provocada, por exemplo, pela quebra da Bolsa em 1929, . O importante a destacar 6 que as flutuagdes decorrem de perturbagGes que afetam o gasto auténomo. A forma proposta por Keynes para compensar essas fontes de oscila¢do era o Estado atuar como regulador da demanda agregada, utilizando-se dos instrumentos de politica econdmica, monetaria e, principal- mente, fiscal, como forma de manter a estabilidade do produto em um alto nivel de emprego. A principal critica nesse sentido vem daqueles que consideram a politica econdmica como principal fonte de perturbacées, ou seja, longe de estabilizar 0 produto, a intervencao do governo é o principal fator de instabilidade. O maior expoente dessa critica é Milton Friedman, em sua obra Histéria monetaria dos Es- tados Unidos, em que o autor atribui aos erros de conducio da politica monetéria pelo FED a depressao econémica dos anos 30. Segundo o autor, o forte controle ‘monetario exercido naquele momento, em especial a passividade com o processo de falencias bancérias, desencadeou a depressio. Novas teorias classicas e ciclo real de negécios Percep¢ao equivocada e flutuagées econémicas Conforme discutido na andlise da oferta agregada e da hipétese de expectati- vas racionais, no Capitulo anterior, a principal explicacdo daqueles que acreditam que os mercados sempre se ajustam, isto é, que os precos desempenham a fun¢ao de igualar a oferta e a demanda em um mercado do tipo concorréncia perfeita, € a existéncia de problemas informacionais, que fazem com que os agentes se enganem sobre os valores reais das variéveis ao tomarcm suas decis6es. As novas teorias que tem-se desenvolvido para explicar os ciclos partem das hipéteses do modelo neoclassico discutido no Capitulo 3; aceitam suas premissas, mas incorporam um elemento de percep¢4o equivocada por parte dos agentes. ‘A origem dessa idéia de flutuagdes em uma economia perfeitamente compe- titiva, decorrente de informacées imperfeitas, ver do discurso de Friedman na American Economic Association em 1967, cujo trabalho foi publicado na Ame- rican Economic Review em 1968 (The role of monetary policy). De acordo com o autor, o impacto imediato de uma politica monetéria ex- pansionista dé-se sobre a produgao e o emprego, uma vez que, considerando-se que os agentes econdmicos estivessem esperando precos estaveis, fixaram pregos € saldrios com base nessa expectativa. Como leva tempo para eles se ajustarem & nova demanda, reagirao inicialmente produzindo mais e trabalhando mais. © aumento inicial do estoque de moeda leva ao deslocamento da demanda agregada para a direita, elevando o nivel geral de precos. Como este aumento nao era esperado pelos agentes (trabalhadores e empresérios), isso leva a erros de percepcao pelos mesmos. Ao verem seus precos aumentando, os agentes acre- ditam que isso seja aumento de pre¢os relativos e nao do nivel geral de precos, levando-os a ampliar a oferta. Assim, no caso dos trabalhadores, a elevacdo dos salérios nominais é tida como um aumento do salrio real ¢ os leva a oferecer maior quantidade de tra- balho. Como os salarios reais estdo efetivamente se reduzindo, as empresas contratam mais trabalhadores e ampliam a produgdo. Conforme ja destacado, as flutuagdes s6 ocorrem porque os agentes possuem informagées incompletas. Essa idéia de Friedman foi formalizada por Lucas, que é um dos maiores ex- poentes da chamada escola das expectativas racionais. Lucas considera 0 mercado de cada bem como se fosse uma ilha em que 03 agentes, atuando em cada mercado, possuem informagées da prépria ilha, mas no das demais ilhas, s6 sabendo o que acontece no resto depois de algum tem- po. Para qualquer aumento de prego em qualquer uma das ilhas, os respectivos produtores devem interpreté-lo ou como um aumento do nivel geral de precos (ccorrido em todas ilhas, mantendo inalterados os pregos relativos e, portanto, a quantidade ofertada) ou como um aumento isolado em sua ilha e, portanto, elevam seu preco frente aos demiais, istv é, aumentam o preso relative, induzin- do a uma ampliagao da quantidade ofertada. Considerando-se que os agentes ajam de acordo com a hipétese das expectativas racionais, um dado choque de demanda ser interpretado em parte com cada caso, resultando em uma amplia- fo da oferta Chega-se assim na chamada oferta de Lucas, que deduzimos no Capitulo anteri y=y, ip + S(P-P) Ciclos Bonémicos 325 326 Manual de Macroeconomia + Lopes Vasconcellos Percebe-se, portanto, que as flutuagdes econémicas, neste caso, decorrem do fato de o nivel de precos efetivo desviar-se do nivel esperado. Dessa forma, tem-se as implicagdes da escola das expectativas racionais: variacdes previstas na oferta de moeda nao afetam a produgao; apenas as mudangas imprevistas 0 fariam. Uma implicac4o importante deste resultado, como jé mostrado, € que a principal fonte de instabilidade econémica acaba sendo os choques de politica econdmica, ou seja, 0 governo mais instabiliza do que estabiliza a economia, Uma formalizagao mais completa dos ciclos pode ser obtida com os chama- dos ciclos reais de negécios, que discutiremos a seguir. Ciclos reais de negécios Essa teoria busca explicar os ciclos dos negécios com base no referencia! classico. Considera-se em primeiro lugar que os choques tecnolégicos so os principais distirbios a que estéo sujeitas as economias, e que estes choques propagam-se em mercados concorrenciais, com o que a economia encontra-se sempre no nivel de pleno emprego, isto é, os precos sao perfeitamente flexiveis, garantindlo 0 equilibria econdmico. © choque tecnolégico amplia a produtividade do trabalho, levando a um au- mento na demanda de mao-de-obra. Quanto & oferta de mao-de-obra, conside- ra-se que exista a chamada substituigao intertemporal na oferta de mao-de- obra, isto é, os trabalhadores podem escolher o melhor momento para exercerem. a oferta de trabalho. Significa que quando ocorre uma elevacao do salario real, ‘mesmo que pequena, induzira os trabalhadores a oferecerem mais trabalho hoje menos no futuro e vice-versa. Ou seja, com a possibilidade de os trabalhado- ses deslocares Urabalho no tempo, haveré a ampliagdo da quantidade ofertada sempre que 0 salério real estiver elevando-se, e uma contracdo quando os salé- rios reais estiverem reduzindo-se. Assim, uma pequena variacao do salario real, motivada pela ampliagao da demanda, induziré a uma oferta de trabalho maior que permitiré 0 aumento da producio. Como veremos na seqiiéncia, ao introduzir-se a questao da substituigao in- tertemporal na oferta de trabalho, a propria taxa de juros afetaré a quantidade ofertada, abrindo-se um mecanismo pelo qual a politica fiscal pode afetar 0 ni- vel de produto. Observamos que 0 choque tecnolégico, ao elevar a produtividade marginal do capital, aumenta o investimento, ampliando 0 estoque de capital da econo- mia. Com a alteragao na dotagio de fatores da economia, desloca-se a tendéncia em torno da qual passa a oscilar 0 produto. Com isso, explica-se a persisténcia de niveis mais elevados de produgao ao longo do tempo. A explicacao das expansdes econdmicas por meio das inovagdes tecnol6gi cas é bastante plausivel. Ao sc inovar, as cmprcsas ampliam seus gastos para adaptarem-se & nova tecnologia, estimulando a economia. Este processo foi de- talhadamente descrito por Schumpeter, que colocou a inova¢io como elemento central do desenvolvimento econémico. ‘A questo que se coloca é como explicar as recessdes com base nesse refe- rencial. Inicialmente, poderiamos supor que, uma vez passada a onda inovativa, a demanda se contrairia, explicando as recess6es. A dificuldade decorre do fato de que, de acordo com a teoria dos ciclos reais, assumindo-se as hipéteses do modelo classico, a economia encontra-se sempre em nivel de pleno emprego. £ possivel vislumbrar a ampliagdo do produto potencial decorrente do choque tecnolégico, mas torna-se necessdrio explicar como ocorre a queda. Para tal, os autores que defendem esta teoria consideram a existéncia de choques tecnolé- gicos negativos que reduzem a produtividade dos fatores, diminuindo o produto potencial. Entre os chamados choques negativos, poderiamos citar, por exemplo, alegisla¢ao ambiental, problemas climéticos etc. Com a introdugao dos choques negativos, explica-se tanto a expansdo quanto a contragio econémica. Para completarmos a anilise da teoria dos ciclos reais, podemos considerar © seguinte modelo simplificado. Consideremos 0 modelo IS-LM, supondo expectativa inflacionéria igual a zero, tal que nao precisemos diferenciar entre taxa real e nominal de juros: Curva IS: Y=C(Y-T) +1 +G Curva LM: Mp = M! (rY) Como no modelo clissico consideram-se os precos totalmente flexiveis, sa- bemos que o nivel de produto sempre se encontrara em seu nivel potencial, ou seja, de acordo com a dotagao de fatores da economi Y= F(K,N) Dentro do modelo IS-LM considerando-se as variagdes de pregos, 0s saldos reais, que definem a posigdo da LM, sempre se ajustardo, de modo que a LM sempre interceptaré a curva IS ao nivel de renda de pleno emprego. Caso IS e a IM se interceptem em uma posi¢ao abaixo da de pleno emprego, os precos se reduzirdo, ampliando o volume de saldos reais, deslocando a LM para a direita até o ponto em que ambas se interceptem no nivel de pleno emprego, onde os pregos se estabilizam. Dessa forma, dada uma curva IS, cuja posicdo é determinada pela politica fiscal, e dada a renda potencial, determina-se o nivel de taxa de juros da econo- mia. Neste caso, a oferta de moeda é irrelevante para a determinagio da taxa de juros. Ciclot Econdmicas_327 328 anual de Macroeconomla + Lopas evasconcliot Considerando-se a dotagdo de fatores (capital e trabalho) constantes, este modelo fornece as conclusGes do modelo classico: com precos flexiveis, a eco- nomia sempre se encontraré em equilibrio de pleno emprego e as varidveis mo- netérias ndo afetam as variveis reais. Considere-se agora a possibilidade de substituicao intertemporal na oferta de trabalho. Neste caso, a oferta de trabalho dependera da comparacio feita pelo trabalhador dos incentivos econémicos a ele oferecidos nos diferentes momen- tos. Vamos supor como incentivo bésico o salério (como estamos considerando ‘ auséncia de inflagdo, podemos trabalhar com o salrio nominal). O trabalhador, ao decidir quando deve ofertar trabalho, deve comparar 0 sa- Iério nos diferentes momentos de tempo. Para fazer a comparaco do salario em diferentes momentos, o trabalhador deve tomar por base determinada data, ou seja, deve trazer os salérios futuros para valor presente ou levar o salario de hoje para um valor futuro. Considerando-se dois periodos apenas, podemos definir © prego relativo intertemporal do trabalho. Suponha-se que o trabalhador possa escolher entre trabalhar hoje ou daqui a um ano. Adicionalmente, vamos supor que ele conhece o salario de hoje e o de amanhé, Como comparar os dois? O valor do salério hoje daqui a um ano pode ser obtido pela seguinte questo: se eu receber o saldrio hoje e aplicar todo o dinhei- ro no mercado financeiro, quanto terei daqui a um ano? ‘Tomando-se uma taxa de juros (¢), daqui a um ano o trabalhador tera o prin- cipal (0 salétio recebido hoje, W,) mais os juros incidentes sobre este (rW,). As- sim, 0 valor futuro do salério de hoje é: (1 + r)W,. Conhecendo-se 0 salirio do perfodo 2 (W,), pode-se definir o prego relativo intertemporal do trabalho: Prego Relativo Intertemporal = [(1 +r) W,]/W, Quando a relagdo é maior do que 1, ¢ preferivel oferecer trabalho hoje, ¢ quando for inferior a 1, é melhor oferecer trabalho no futuro. Para essa formula- Ho, percebe-se que a oferta de trabalho passa a ser influenciada pela taxa de ju- ros. Mesmo que o salario hoje seja significativamente inferior ao do futuro (10% a.a. menos, por exemplo), mas que a taxa de juros seja elevada (15% a.a., por exemplo), neste caso, mesmo recebendo menos em termos de salério, passa a ser vantajoso para o trabalhador oferecer mais trabalho hoje do que no futuro. Dessa forma, sao trés as possibilidades para se ampliar a oferta de trabalho no presente: um aumento da taxa de juros, um aumento do salério no perfodo 1 ou uma queda do salério no periodo 2. Com a introdugao da substitui¢ao in- tertemporal, a oferta agregada passa a responder positivamente & taxa de juros, ou seja, ampliagdes na taxa de juros ao elevar a oferta de trabalho aumentam a oferta agregada. Com isso, oscilagdes na demanda agregada provocadas por variacées na politi- ca fiscal provocam elevagées no produto, ao elevar a taxa de juros. Uma questio a ser destacada, diferentemente do caso clissico tradicional em que a politica fiscal expansionista ao elevar a taxa de juros, apenas provocava o chamado crowding- out, isto é, a expulsdo dos gastos privados, neste modelo, ao alterar-se a dotacao de fatores (amplia a oferta de mao-de-obra), tem-se um impacto expansionista sobre 0 produto. Chega-se por caminhos diferentes ao mesmo resultado do mo- delo IS-LM tradicional para o caso da politica fiscal expansionista: ampliagao da taxa de juros e do produto. No caso dos choques tecnolégicos, desloca-se tanto a curva de oferta agrega- da devido a maior produtividade, quanto a demanda agregada, pelo crescimen- to do investimento em resposta ao choque. Deve-se apenas notar neste caso 0 seguinte: 0 nivel de precos pode ter qualquer comportamento: aumentar, caso 0 deslocamento da demanda seja maior do que o da oferta; permanecer estagnado, caso 08 dois deslocamentos sejam equivalentes e reduzir caso 0 deslocamento da oferta seja maior. A ampliacio do produto aumenta a demanda por moeda, mantida a mesma oferta monetéria; como estamos considerando também a variagdo da demanda agregada, o nivel de pregos pode nao se reduzir significativamente, ou até mes- mo subir (neste caso, reduzindo a oferta real de moeda). Como a renda subiu, a taxa de juros terd que se elevar para equilibrar o mercado monetério. Neste caso, amplia-se a oferta de trabalho, o que contribui, junto com a maior produ- tividade, para explicar o crescimento do produto. Considerasées finals sobre os ciclos econémicos: 0s novos keynesianos e a rigidez de pregos Nao é 0 objetivo deste livro detalhar as novas contribuigdes que tém sido dadas para explicar os ciclos econémicos. Uma série de pesquisas recentes tem buscado fundamentar em termos microeconémicos a existéncia de ciclos a partir de um referencial denominado novo keynesiano, que incorpora imperfeigdes de mercado e rigidez de precos. Apenas enunciaremos alguns dos fatores expli- cativos: + Contratos de trabalho: a existéncia de contratos de trabalho de prazo longo faz com que os salérios nao convirjam rapidamente para equili- brar o mercado de trabalho. Esse ajustamento gradual torna a oferta agregada positivamente inclinada, fazendo as variages da demanda terem efeitos sobre o produto. + Determinacao sindical de salarios: assume-se que os sindicatos ne- gociam a favor de seus membros e nio da classe trabalhadora como ‘um todo, Em uma situacéo de queda de demanda e de desemprego, os trabalhadores podem cstar intercssados em saldrios menores em troca Ciclos Econtmices 329 330 __Manual de Macroeconomia + Lopes e Vasconcelos de mais emprego, mas os sindicatos na defesa dos sindicalizados, po- dem resistir a estas quedas. + Contratos implicitos para proteger o valor do salaria real do trabalha- dor: supde-se que os trabalhadores so avessos ao risco e tém medo de amplas flutuagdes no nivel de renda. Assim, a empresa funcionaria como uma seguradora que cobriria o risco das flutuagées do salério real. + Salirios eficiéncia: rigidez salarial decorrente do custo da empresa em avaliar 0 esforgo e a produtividade dos trabalhadores isoladamente. Acredita-se que, pagando mais ao funcionério, este se sentira menos tentado a enganar a empresa, isto é, trabalhar com mé vontade, diminuir a qualidade do trabalho etc., e passaré a se esforcar mais. Percebe-se que a idéia bésica é que, quanto maior o salério, maior 0 risco que 0 trabalhador corre se for mandado embora (custo de oportunidade). ~ + Custo de cardapio (menu cost): Considera-se que as alteragdes nos precos nominais envolvem custos para as empresas, devido a relagSes produtor-cliente, custos de remarcagdo etc. Com isso, mesmo em si- tuagbes de excesso de demanda, podem mostrar-se relutantes a elevar 08 precos. As consideragGes acima sobre a rigidez de pregos e salérios traz importantes consegiiéncias. A principal delas 6 que oscilagSes da demanda afetardo princi- palmente o produto e o emprego. Em contextos de queda de demanda, 0 ajuste se faré via desemprego e nao por queda dos precos. Note-se que grande parte da rigidez dos precos decorre de problemas de coordenacdo entre os agentes. Assim, pode-se concluir que a existéncia de recessGes decorre principalmente de os agen- tes nfo conseguirem coordenar suas ages em torno da redugo dos pregos. Politica econémica O iltimo ponto a ser discutido neste capftulo é a questo da politica econdmi- a, isto 6, da capacidade de o governo intervir nas flutuacdes econdmicas. Como visto, na teoria keynesiana atribui-se um papel essencial ao governo, enquanto nos modelos clissicos 0 governo aparece mais como fonte de instabilidade do que de correcdo dos desequilibrios. A estabilidade econémica é uma fungdo do governo ou nao? O governo deve utilizar os instrumentos monetérios ¢ fiscais, por exemplo, para evitar recesses? Existe uma ampla discuss4o a este respeito, € nesta seco apenas atentaremos para alguns pontos que esto no debate. A primeira questo a ser colocada é sobre a possibilidade de a politica eco- némica enfrentar os problemas a que se prope, como, por exemplo, evitar as flutuagdes econdmicas decorrentes da ocorréncia de choques econémicos. A primeira dificuldade neste sentido sao as chamadas defasagens existentes. Po- demos definir dois tipos de defasagens da politica econémica: + Defasagem interna: vorrespoude av inter valo de weanpo que transcorre entre a ocorréncia do choque econdmico e a acao politica por parte do governo. Esta defasagem decorre do tempo que se gasta com o reconhe- cimento do choque e com a implementacao da politica adequada. Um ponto relevante na questo do reconhecimento é saber se a perturba¢o econémica é temporaria ou permanente. Por temporaria entende-se um desvio de rota que logo tende a ser corrigido pelos rumos normais dos negécios. Nesse caso, a melhor alternativa pode ser nao fazer nada em relagdv av choque. Caso identifique-se que o choque seja permanente, a alternativa da intervencao publica pode ser mais adequada. Entre- tanto, uma vez reconhecido que o choque seja permanente, tem-se um segundo problema: identifica-se 0 choque, estuda-se @ melhor forma de corrigi-lo para depois implementé-lo. Tanto a andlise da melhor po- ica quanto sua implementagao demandam tempo. + Defasagem externa: esta defasagem refere-se ao intervalo de tempo en- tre a implementacio da politica e sua repercussao sobre a economia, ou seja, até que comece a surtir efeito sobre o desempenho econdmico. © maior problema das defasagens é que, uma vez identificado 0 choque, de- cidido intervir sobre o mesmo, identificado o instrumento econdmico adequado, € finalmente quando a politica econdmica comeca a surtir efeito, as condicdes econdmicas podem jé estar completamente alteradas, tendo um efeito desesta- bilizador ao invés de estabilizador. Dessa forma, a existéncia de defasagens é um forte argumento contra a ten- tativa dos governos de evitarem as flutuagdes econdmicas. Suponha que 0 go- verno identifique um desaquecimento econémico, e com receio do desempre- go que este ird gerar, decida adotar uma politica monetdria expansionista para contra-resté-lo. Caso a politica s6 comece a surtir efeito quando as condicdes jd se reverteram e a economia esteja aquecida, o impacto pode ser uma série de press6es inflacionérias, Em geral, os instrumentos de politica fiscal possuem uma defasagem interna maior, pois necessitam ser aprovados pelo Congresso, enquanto os instrumen- tos de politica monetéria possuem uma defasagem externa maior. Enquanto os instrumentos de politica fiscal atuam diretamente sobre a demanda, a politica monetéria atua indiretamente, demorando para que, uma vez implementada a politica monetaria, esta atinja seu objetivo. Uma forma de se evitar as defasagens 6 a utiliza¢ao dos chamados estabiliza- dores autométicos, cuja atuacdo comeca tao logo ocorra o choque, independen- te da identificagao e da tomada de decisao por parte do governo. Neste sentido, podemos destacar as aliquotas progressivas de imposto, cuja arrecadagéo se lets Econbmicos 331 392 tan 1 de Maeroeconomla + Lopes e Vasconcelos expande quando a economia est aquecida, funcionando como um freio natural, € cuja arrecadacdo se reduz quando a economia se desaquece. Outro exemplo corresponde aos gastos assistenciais, como o seguro-desemprego, que tendem a se ampliar nas recess6es e contrair nas expansGes. Consegue-se com estes ins- trumentos reduzir-se as defasagens das politicas econdmicas. Considerando a existéncia de defasagens, a eficécia da politica econdmica passa a depender da capacidade de os gestores conseguirem antecipar de forma relativamente precisa as condi¢Ses econémicas futuras, de modo a poderem atuar sobre os ciclos, antes mesmo destes ocorrerem. s principais instrumentos utilizados para tentar prever-se (antecipar) 0 futuro s&o os chamados indicadores antecedentes e a formulacao de cenarios econémicos. A técnica dos indicadores antecedentes refere-se a escolha de uma sé- rie de variéveis que componham um indice, e cujo valor em dado momento do tempo consiga antecipar o comportamento da variével objetivo no futuro. Em geral, utilizam-se séries sobre o comportamento do mercado de ativos (bolsa de valores, mercados futuros etc.), dados do comércio varejista (consultas a0 SPC Servico de Protecao ao Crédito, telecheques etc.), consumo de energia elétrica, cimento etc. Estas informacées, além de possufrem uma correlacéo elevada com a variével objetivo, com a defasagem desejada para a antecipagio, devem estar disponiveis em tempo habil, ou seja, 0 intervalo de tempo entre a ocorréncia do fato e a divulgacao da informacao nao pode ser significativa Quanto & elaboragao de cendrios econémicos, a técnica inclui a constru- Go de um modelo econémico que explicite as varidveis endégenas cujos valores buscamos decerminar, as variéveis exégenas que influem em seu comportamento ea relaco entre as variaveis, isto é, a estimayau dus pardmeuos que relacionam as varidveis. Em seguida, deve-se formular hipéteses sobre o comportamento das variéveis exSgenas para poder-se estimar o comportamento das variaveis dese- jadas, A formulacio das hipéteses depende da identificagao dos problemas eco- némicos por parte do analista econémico e da identificagao do comportamento dos agentes econdmicos. Percebe-se que por qualquer método que se privilegie, intimeras dificuldades se colocam para a previséo do futuro. Segundo varios autores, os economistas esto muito mal preparados para a tarefa, mesmo que sejam os mais qualifica- dos para tal. Assim como o governo, no objetivo de formular a politica econd- mica, estd interessado no futuro, os agentes econémicos também buscam estas informagées para definirem sua melhor estratégia, e esta acdo do setor privado pode alterar completamente o resultado. Dadas as dificuldades colocadas, varios autores defendem que o melhor para 0 governo é néo fazer nada. Quanto a reacdo dos agentes em relacio as politicas do governo, podemos formular uma critica adicional a utilizagdo de politica econémica, a chamada critica de Lucas, Como vimos anteriormente, as expectativas desempenham um papel fundamental, afetando 0 comportamento das variéveis econdmicas. © problema que se coloca é que as proprias politicas afetam as expectativas dos agentes econémicos. Assim, as estimativas dos efeitos de uma alteracao na po- litica econémica devem levar em consideragdo como as expectativas reagirdo a esta politica. Como isto em geral nao é feito pelos formuladores das politicas econémicas, estas podem levar a resultados opostos ao desejado. Novamente, pode parecer mais aconselhavel 0 governo ndo fazer nada. ‘Uma segunda questo em relaco & politica econémica é como esta deve ser conduzida. A pergunta é se o governo deve seguir um conjunto de regras ou agir de forma discricionatia, conforme diagnostica a situacao. Essa discussao muitas vyezes foi confundida com a discussio sobre se a politica econdmica deve ou nao atuar sobre os ciclos, ou seja, se ela deve ser ativa ou passiva frente as condigdes econémicas. Entretanto, sio discuss6es distintas. Uma politica pode seguir regras e ser ativa, ao contrdrio do que muitas vezes se fez crer. Quando se diz que uma po- litica deve seguir regras, esta-se referindo ao fato de que os formuladores de- vem anunciar antecipadamente qual seré a resposta da politica econdmica em cada caso, ou seja, 0s agentes devem saber quais so 0s tipos de agdes que se- rao tomadas pelo governo, ou seja, 0 objetivo da politica econémica no deve ser provocar surpresas nos agentes econémicos. A regra muitas vezes pode ser a de que 0 governo nao deve fazer nada, ou seja, tenha um papel passivo; ou, como algumas propostas para a politica monetaria, que, independentemente da situagao econémica, 0 Banco Central deveria manter uma taxa de expansio mo- netétia constante, por exemplo, 3% a.a., o que também configura uma politica passiva, ‘A politica econémica pode, porém, ser conduzida por regras e ser ativa. Consi- dere 0 caso, por exemplo, em que o Banco Central fixe que a expansaio monetéria anual sera de 5 5, mais uma parte que oscile conforme a taxa de desemprego se afaste da taxa natural. Suponha que a taxa natural de desemprego seja de 4% e que se estipule que, para cada ponto percentual que a economia se afaste desta, a variagao do estoque monetério responda em dobro. A quantidade de moeda se expandiria quando a taxa de desemprego fosse maior e se contrairia quando fosse menor. Assim, tcriamos: AM/M = 5 + 2(u- 4%) Percebe-se pela equaco anterior que, apesar de ser uma regra de comporta- mento do agregado monetério, nao se constitui uma politica passiva. O governo intervém de forma expansionista quando o desemprego se amplia, e de forma contracionista quando a economia est4 em expansao e o desemprego em queda. Dessa forma, tanto esté se combatendo a recessdo, como as pressGes inflacio- nérias na expansio. Ciclo Econtmlcos 333 334 _Manusl de Mscrosconamia + Lopes e Vasconcelos Ja condugio discriciondria da politica econdmica refere-se ao fato de que o governo decide a politica econémica a ser adotada caso a caso. Isto 6, 0 formuladores da politica econdmica identifica determinada situacdo e decidem qual a maneira mais adequada para agir sobre ela. Varias criticas sao levantadas contra a discricionariedade da politica econd- mica. As principais sai a. Problemas de Arbitrariedade: + Incompeténcia: o processo politico é aleatério, e nao tem como sepa- rar sugestdes de charlatGes das de economistas competentes. Muitas vezes 0 proponente da politica econémica nao possui condicées de avaliar satisfatoriamente o que deve ser feito. + Oportunismo: os responsaveis pela politica econémica podem ter interesses que entram em choque com 0 bem-estar social, por exem- plo, fins eleitoreiros, ou mesmo interesses pessoais. Isto acontece em situagdes em que existem érgios reguladores de determinadas atividades, mas permite-se que o agente regulador/fiscalizador seja capturado pelo regulado/fiscalizado; por exemplo, diretores do Ban- co Central que possuem interesses conjuntos com o sistema banc rio: pode-se sujeitar a politica monetaria aos interesses dos bancos. Outro exemplo refere-se a0 chamado ciclo econémico politico, pelo qual a politica econémica do governo depende do estgio do mandato em que se encontra e adota politicas austeras contra a inflacdo nos primeiros anos para liberar no periodo final, de modo a gerar mais emprego e expansdo econémica para conseguir se reeleger. b. Inconsisténcia temporal das politicas discriciondrias. A questo, nesse sentido, refere-se ao incentivo do governo em manter politicas anunciadas. © governo pode, por exemplo, anunciar forte con- trole monetério e dos gastos puiblicos com antecedéncia, como parte de um plano de combate a inflagdo. Uma vez feito 0 aniincio, isto afetara as expectativas dos agentes que reverdo suas estimativas. Com isso, se os agentes acreditarem nas propostas do governo, independente deste cumpri-las, a inflagao tende a ceder. Contudo, uma vez que © governo tenha atingido o objetivo a que se propunha, mesmo sem efetivar as medidas, porque tomé-las e arcar com 0 nus politico da recess? Ou seja, uma vez conseguido o objetivo, tem-se um estimulo a renegar a politica anunciada Varios exemplos podem ser dados a respeito da inconsisténcia temporal: 0 governo anuncia que ndo negociara com terroristas em hipétese nenhuma, mas. uma vez que os terroristas fagam reféns, o Onus politico de nao negociar pode ser muito elevado para manter a ameaca. Um professor anuncia uma prova difi- cflima para avaliar os alunos, com o objetivo de que eles estudem, as ia data da prova, considerando que os alunos tenham estudado, o professor tem um es- timulo para nao aplicar a prova pelo fato de ter que corrigi-las. . Se essa for a regra e nunca houver um cumprimento das medidas anunciadas, 08 individuos passam a desconfiar da politica econdémica, e qualquer antincio de politica econdmica teré um efeito desestabilizador, pois as expectativas irdo em sentido contritio, Pela discussio deste capitulo, percebem-se 0 sem-niimero de dificuldades que se colocam aos formuladores de politica econdmica e as razSes que fazem com que a economia possa se desviar de uma trajetéria estavel. No Capitulo 9, passaremos a discutir o que faz a economia crescer @ longo prazo. Exercicio resolvido 1. (Anpec — 1995) Considerando a nova teoria classica, indique se as proposigdes abaixo sao falsas ou verdadeiras: (0) Flutuacées no nivel de produto s6 podem ser causadas por mu- dancas nas curvas de oferta e de demanda de trabalho. Resposta: VERDADEIRA. De acordo com a teoria dos ciclos reais, 0 produto oscila, por exemplo, por uma inovaco tecnolégica que desloca a deman- da de trabalho. Além disso, considera-se na oferta de trabalho a possibilidade de substituicda intertemporal na oferta de trabalho, Nos modelos de percepcao equivocada, as curvas de oferta de trabalho se deslocam de acordo com o componente de percep- 30 equivocada. (1) 0 modelo dos novos classicos difere do modelo dos classicos por nao admitir perfeita flexibilidade de precos e salarios Resposta: FALSA. E justamente a idéia de perfeita flexibilidade e ajustamento auto- matico dos mercados que os define como novos classicos. (2) A Ginica forma de 0 Banco Central alterar 0 nivel de emprego & através de uma politica monetéria nao antecipada. Resposta: VERDADEIRA. ‘Ao nao serem incorporadas as expectativas dos agentes, a politica monetéria pode levar & ampliacao da oferta, por fazer os agentes confundirem alteracdes nos precos absolutos com alteracdes nos precos rclativos. 336 Manual de Na onomia + Lopes e Vasconcelos _ — (3) Os salérios reais sao rigidos tanto na recesséo quanto na expan- so da economia. Resposta: FALSA. Os salarios reais sao contraciclicos. Exercicios propostos 1. (Anpec - 1995) Tendo em vista 0 modelo dos novos classicos e dos novos keynesianos, indique se as proposicées abaixo sao falsas ou verdadeiras: (0) Um choque positive e nao antecipado da demanda gera, no mo- delo dos novos classicos, expansio da renda real, inflagao e que- da do salario real. (1) Um choque positivo e antecipado de demanda, de acordo com os novos classicos, gera apenas infla¢do, sem qualquer efeito real. (2) Um choque de demanda positivo produz, no modelo dos novos keynesianos, inflacdo e aumento de renda, mas os salarios reais sio relativamente rigidos. (3) Para os novos keynesianos, os ciclos econémicos s4o provocados por choques tecnolégicos. 2. (Anpec — 1995) Indique se as proposicées abaixo sao falsas ou verda- deiras. (0) Politicas acomodativas em resposta a um choque positivo de pre- 0s sdo recomendadas se a estabilidade do produto tiver priorida- de sobre a estabilidade dos precos. (1) Para os monetaristas, uma das dificuldades da utilizagao da po- Iitica monetéria para estabilizagao do produto, no curto prazo, decorre da existéncia de defasagens de extensdo desconhecida, que afetam a correlacdo entre variagdes na oferta e na demanda agregada. (2) Se os precos € os salarios sao flexiveis, um aumento dos salarios reais levara a uma reduco das horas trabalhadas, desde que os efeitos renda e substituicdo sejam positivos. (3) Estagflacao € definida como uma situagdo que combina expec- tativas inflaciondrias positivas e desemprego excedendo sua taxa natural. (4) No modelo da curva de Phillips expandida pelas expectativas, po- liticas monetarias expansionistas podem reduzir a taxa de desem- prego natural. (5) A hipotese de expectativas racionais implica que os agentes uti- lizam de forma eficiente toda informacao de que dispdem e que sempre antecipam corretamente o valor das varidveis de seu inte- resse. (6) De acordo com a nova teoria classica, 0 trade off de curto prazo entre inflacao e desemprego ¢ atribuido a imperfeicdes de infor- macao, especificamente aquelas relativas ao nivel de precos. Referéncias bibliograficas icles ondmicos_337 FRIEDMAN, M. The role of monetary polity. American Economic Review, marco 1968. A program for monetary stability. New York: Fordham University Press, 1958. LUCAS JR., Robert E. Studies in business cycle theory. Cambridge: MIT Press, 1981