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Gestão de energia: 2008/2009

Aula # T10

Energia em edifícios

Prof. Miguel Águas


miguel.aguas@ist.utl.pt
Gestão de Energia

Consumo de energia em edifícios

O consumo de energia em edifícios já representa 38%


10%

39% 25 000
23% Services
Domestic
Transportation
Industry (1)
20 000

28%

15 000

18%
29% 10 000

20% 5 000

33% 0
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004

(1) Includes transformation and extraction industry. Does not include final uses as raw materials, nor non energetic uses of oil.

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Gestão de Energia

Consumo de energia em edifícios

Os edifícios consomem 63% da electricidade

26%

4 000
Services
48%
Domestic
Transportation 3 500
Industry (1)

26%
3 000

2 500

2 000

1 500
34%
37%

1 000

500

0
29%
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
(1) Includes transformation and extraction industry. Does not include final uses as raw materials, nor non energetic uses of oil.

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Gestão de Energia

Consumo de energia em edifícios

Existem muitas formas de reduzir o consumo de


energia em edifícios

Redução da Aumento da Redução do


procura eficiência desperdício

Acções passivas Acções activas Acções de controle

• Isolamento térmico • Electrom. eficientes • Defesa ambiente


• Ganhos/protecções • Lâmpadas eficientes • Sensib. energética
solares • AVAC eficiente • Melhor contagem
• Inércia térmica • Colectores solares • Maior controle
• Ventilação natural • Energia fotovoltaica • Gestão da tarifa
• Luz natural • Biomassa
• Cogeração

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Gestão de Energia

Conforto térmico

Norma ISSO 7730: Estabelece que o conforto térmico


é atingido quando menos de 10% dos ocupantes
se sentem desconfortáveis, relacionando conforto
térmico com balanço energético..

Para se garantir conforto


térmico é preciso haver
equilíbrio entre o calor
produzido pelo corpo e o
calor perdido pelo corpo.

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Gestão de Energia

Conforto térmico

O conforto térmico depende de factores individuais:

 Actividade
 Vestuário
e factores ambientais:
 Temperatura do ar
 Humidade relativa do ar
 Velocidade do ar
 Temperatura das paredes

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Gestão de Energia

Conforto térmico

Baseia-se na equação de conforto térmico

Acumulação de Calor S=
Metabolismo e trabalho M-W

Difusão de vapor { }
- 3.05e-3*(5733-6.99(M-W)-pvap)

Transpiração -{0.42*((M-W)-58.15)}

Respiração latente -{1.7e-5*M(5867- p )} vap

Respiração sensível -{0.0014*M(34- T )} ar

Radiação -{3.96e-8* f ((T +273) -(T +273) )}


vest vest
4
rad
4

Convecção -{f *h*(T -T )}


vest vest ar

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Gestão de Energia

Conforto térmico

Pelo custo dos equipamentos de controle dos


factores ambientais e actual impossibilidade de
controlar os factores individuais,
Conforto é, na prática:
•Manter a temperatura do ar entre 20 e 25ºC
e, quando há controle da humidade:
•Manter a humidade relativa do ar entre 40 e 60%

Esta associação de conforto às propriedades


psicrométricas do ar está na base da maioria dos
sistemas de AVAC.
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Gestão de Energia

Clima

Radiação solar
Radiação extra-atmosférica média:
Constante solar (S0) = 1353 W/m2
Movimento translação elíptico implica numa variação de ±3%:
  n − 10  
S = S 0 1 + 0.03344 × cos 2π   (n é o dia de calendario)
  365 
Mas o efeito principal vem do ângulo de declinação:

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Gestão de Energia

Clima

Radiação solar
O movimento aparente do Sol é descrito pelos ângulos:
•azimute
•altitude

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Gestão de Energia

Clima

Radiação solar RADIAÇÃO SOLAR - LISBOA Julho/1989

Valores: 1200
Global -Dia 15
1000
Global Mês
800
Difusa -Dia 15
Difusa -Mês

W/m2
600

400

200

0
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Horas do dia

Radiação Solar Global - LISBOA

250

200

150
kWh/mês

100

50

0
jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez
European Commission: PVGIS Solar Irradiance Data

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Gestão de Energia

Clima

Temperatura exterior de projecto

Objectivo: Dimensionamento dos equipamentos


A temperatura exterior de projecto é calculada com base numa
probabilidade acumulada de ocorrência de 99%, 97.5%, 95% e
90%.
Uma probabilidade acumulada de ocorrência de 99% significa que, no
Verão, a temperatura indicada apenas é excedida, em termos
probabilisticos, 1% do tempo, ou seja, 30 horas por ano.

Probabilidade Acumulada de Ocorrência Temperatura de Projecto (ºC)

Lisboa 90% 27
95% 29.4
(Verão) 97.5% 31.4
99% 33.3

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Gestão de Energia

Clima

Graus-dia
Objectivo: Previsão do consumo anual
Os Graus-dia calcula-se por:
Dias de aquec. 24 Tb − T j
GDanual = ∑ GD
i =1
i onde GDi = ∑
j =1;se Tb >T j 24
Onde:
•Tb é a temperatura interior pretendida
•Tj é a temperatura exterior à hora j
Os Graus-dia são calculados para todo um ano.
Por exemplo, para Lisboa, para Tb=20ºC, os graus dia de aquecimento são
de 1190ºC.dia. Sabendo que a estação de aquecimento tem 6 meses (180
dias), a média de GD diários (GDi) será de 6,6ºC.

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Metodologia

Projecto de Cálculo das Sistema de


arquitectura cargas térmicas climatização

• Isolamentos térmicos • Renovação do ar • Central técnica


• Orient. das fachadas • Condições de conforto • Unidade de produção
• Vãos envidraçados • Ocupação • Sistema de distribuição
• Sistemas activos • Iluminação e equip. • Unidades terminais
• Inércia térmica • Águas quentes san. • Manual de manutenção
• Pot. de aquecimento
• Pot. de arrefecimento

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Produção de frio

O equipamento mais comum para a produção de frio é o chiller


de compressão, que consome electricidade e tem COP=3 a 5.
Trata-se de um ciclo frigorifico, que
refrigera um caudal de água no
evaporador de 10ºC para 7ºC.
O calor é dissipado no condensador
de forma directa (aerocondensadores)
ou por torre de refrigeração
(circuito de água)

Alternativamente existe o chiller de absorção, que consome


calor e tem COP=0,6 a 1,0
Aplica-se em situações de disponibilidade de calor (p.e. cogeração).

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Acumulação de frio

Tem por objectivo tirar partido da electricidade ser mais barata


durante a noite
Os sistemas de acumulação são geralmente de tanques de gelo, tendo por
base a significativa entalpia de congelação da água, 333 kJ/kg, ao qual
acresce cerca 40 kJ/kg, de variação de 10ºC da temperatura.

Durante a noite o chiller carrega o tanque. Durante o dia o


edifício recebe frio do tanque, estando o chiller desligado.
Energeticamente, a acumulação:
Perde por necessitar de uma menor temperatura de evaporação pois em
lugar de arrefecer um caudal de água para 7ºC, tem que congelar a água
do tanque e porque existem ganhos térmicos através da superfície.
Ganha porque o chiller trabalhando de noite necessita de uma menor
temperatura de condensação.

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Produção de calor

O equipamento mais comum para a produção de calor é a


caldeira de água quente.
A caldeira geralmente queima
gás natural com rendimentos
da ordem dos 90% a 95%.
A água é aquecida na caldeira
de 60ºC para 80ºC.

Alternativamente, o calor pode ser produzido por uma bomba


de calor, mas apenas quando as temperaturas da água são
menores.

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Sistemas de distribuição
O sistema de climatização mais comum basea-se numa rede de
4 tubos (ida e retorno de água quente e ida e retorno de água
gelada) e unidades de tratamento de ar, UTA.
A UTA aspira ar do espaço clima-

arrefecimento

aquecimento

Chuveiros
Bateria

Bateria
AR

Filtro
Ventilador
tizado, misturando-o com ar AR NOVO INSUFLADO

novo. Esta mistura é filtrada,

ÁGUA GELADA

ÁGUA QUENTE
arrefecida (aquecida e/ou humidi-
ÁGUA
ficada) e insuflada no espaço. AR RECIRCULADO

O excesso de ar (aspiração menor


que insuflação) pressuriza o espaço
CHILLER CALDEIRA
saindo ar por aberturas nas portas,
climatizando os corredores, ou por aberturas nas luminárias.

Alternativamente, a climatização pode ser feita por


pavimento/tecto radiante.

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Gestão de Energia

Projecto AVAC

Sistemas de distribuição (UTA dedicada)

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Gestão de Energia

Regulamentação

Sistemas de distribuição
(UTA climatiza incorrectamente 2 espaços)

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