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SOM NAS IGREJAS

Som nas Igrejas

Matéria publicada na Revista Backstage edição nº154 de Setembro/2007

Igreja Assembléia
de Deus da Família
Preocupado em atender aos membros com um som de qualidade, o pastor
deu início à compra de equipamentos e, conseqüentemente, precisou de
auxílio de um consultor técnico. Isso aconteceu depois que o próprio
pastor foi pesquisar sistemas e conhecer igrejas com projetos específicos
de sonorização que atendiam a estilos diferentes.
Karyne Lins
karyne@backstage.com.br

O pastor Edinaldo Valdemar foi transferido da Catedral da Assembléia de Deus da Família de Recife para uma congregação em São
João de Meriti (RJ) e utilizou alguns elementos de estética e arquitetura de sua cidade natal para a nova igreja, que foi erguida onde
era um antigo e pequeno galpão.
Em pouco tempo a congregação cresceu tanto que apesar de seus 500 lugares, a igreja chega a comportar quase 200 pessoas a
mais em programações especiais. São colocados telões no lado de fora para quem não consegue lugar no interior do templo para
assistir aos cultos.
Ao visitar a Igreja Sara Nossa Terra da Ilha do Governador (RJ), pastor Edinaldo conheceu o sistema Vertical Line da Meteoro e
percebeu que este poderia atender à necessidade da igreja no momento, já que vários fatores tornavam inviável a adaptação da
igreja com outros sistemas. Macgyver, o consultor técnico que executou o projeto na Sara Nossa Terra, foi fazer uma visita ao local
para ver suas condições.
O pastor e sua esposa estavam acostumados com igrejas que investem em sonorização no Recife e isso sempre foi importante
em qualquer lugar em que o casal fosse
ministrar. “Foi isso que eu exigi do
Macgyver: precisava de um equipa-
mento que pudesse dar a mim e à minha
congregação um som agradável, pois es-
tou acostumado a ter isso lá na minha
cidade”, lembra o pastor.
Segundo o consultor, o templo não é
nem um pouco convencional. Há diver-
sas colunas ao longo do salão (que eram
Sonorizar a igreja com esta extensão e colunas foi um Detalhe do posicionamento do P.A. principal e do do antigo galpão e o pastor acabou apro-
desafio para a equipe técnica subgrave Meteoro veitando na reforma), nenhuma saída

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para som, nenhum tratamento acústico


nem elementos que ajudassem a absor- “Foi isso que eu exigi do Macgyver: precisava
ver as sobras de freqüências e, portanto, de um equipamento que pudesse dar a mim
muita reverberação.
e à minha congregação um som agradável,
Outro inconveniente foi a impossibili-
dade de iniciar um projeto de acústica,
pois estou acostumado a ter isso
mesmo que bem simples, pois a proposta lá na minha cidade”
da igreja é fazer uma obra de expansão
no templo ainda este ano e o pastor
achou inviável fazer qualquer tipo de tratamento. Só que era preciso resolver o mais rápido possível a questão do som.
A Meteoro disponibilizou equipamento para demonstração, que também foi um pedido do pastor, e imediatamente a igreja teve
um resultado satisfatório. Foram quatro caixas do Vertical Line, dois subgraves e um processador. Ao mesmo tempo em que se bus-
cava ter um equipamento de qualidade e de fácil manutenção passou a ser prioridade que esse sistema fosse robusto, já que a igreja
tem uma programação com cultos diários pela manhã, tarde e noite.
Segundo o pastor, todos os cultos são lotados e o técnico Macgyver, que visitou a igreja nessas ocasiões, confirmou que a procura
de membros e visitantes é muito intensa. O templo é um espaço pequeno, como já foi citado, para 500 pessoas, o pé direito muito
baixo, nada adaptado para comportar uma igreja como deveria.
De acordo com os cálculos de Macgyver, duas caixas Vertical Line atenderiam muito bem, mas preferiu abaixar o volume das caixas e
distribuir melhor o som com mais duas caixas para que as pessoas ouvissem um som sem agressão.
“Eu não podia colocar caixas com outras configurações que não fossem as utilizadas, pois não poderia nem subir muito as caixas
nem deixar um sistema que agredisse as pessoas. Elas deveriam ficar no mesmo plano das pessoas. Por isso a opção pelo Vertical Line,
que é um sistema compacto e cobre toda a área do templo e as pessoas podem ficar bem próximas das caixas que não se sentem
incomodadas”, explicou o técnico.

Mudanças no palco e novos equipamentos


Depois de concluída a primeira etapa da sonorização do público foi a vez de ver como estava a situação do palco. Foram colocados para

Fotos: Divulgação

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Houve dificuldade para


definir o
posicionamento dos
subs, pois a igreja não
possui espaço favorável
para os técnicos terem
Nova monitoração com caixas Antera para o pastor A mesa digital Yamaha foi uma opção da igreja opções de trabalhar
o pastor e backing vocals dois monitores Antera e feitas algumas modificações no
com caixas
posicionamento da banda de louvor para que o som do palco não sofresse com microfonias
e freqüências indesejadas.
Todos os microfones JTS e Audio-Technica são novos (foram comprados no ato da aqui-
sição do sistema de som) e os músicos já estão se preparando para usar sistema de in-ear composto por monitoração da Power Click
e fones AKG K414, justamente porque a intenção é disciplinar os músicos em relação ao som feito no palco.
Houve dificuldade para definir o posicionamento dos subs, pois a igreja não possui espaço favorável para os técnicos terem opções
de trabalhar com caixas. Macgyver conseguiu junto com o técnico da igreja resolver essa questão que ficou razoável. “Para acertar
qualquer detalhe de som na igreja é muito difícil por ela ser pequena. Até para a montagem foi complicado”.
Além do palco e da nave, o local onde está situada a house mix também é desproporcional para quem determinou trabalhar com
som neste ambiente. Porém, a equipe conseguiu um bom resultado.
Outro ponto positivo destacado pelo pastor neste processo de novo som foi a aquisição de uma mesa digital. Um técnico disposto
a trabalhar na operação do áudio nos cultos diariamente passou a ter treinamento para utilizar, da melhor forma possível, os novos
equipamentos. A equipe do projeto e o pastor chegaram à conclusão de que uma mesa digital, nesse momento, seria um bom negó-
cio.
Já que a igreja iniciava uma nova etapa convocando um responsável para administrar o setor de som, uma mesa digital facili-
taria de duas formas: em princípio não seria viável o uso de periféricos e o manuseio seria mais rápido em relação a uma analógica.
Foi então que a igreja chegou a um acordo e comprou a Yamaha 01V 96.
Durante a instalação do som, o pastor lembrou à equipe técnica que seria interessante deixar tudo preparado para a gravação de
CDs e transmissão para rádio, além de um sistema em que fosse possível fazer uma pré-produção quando necessário.

A busca pelo melhor


Macgyver observou que na maioria das vezes é o técnico da igreja que se encarrega de procurar um profissional e se empenha em
fazer com que o pastor esteja sempre adquirindo equipamentos atuais para a igreja. Poucas vezes é o pastor que toma a primeira
decisão. Nesse caso, o pastor Edinaldo se colocou à frente de tudo, pois ele era o maior prejudicado na igreja.
“Os cultos da Assembléia de Deus da Família são diferentes. O próprio pastor é o líder de louvor, ministro de música e pastor. Então
ele sente na pele o que um líder de lou-
vor sofre e às vezes o pastor não percebe.
Isso foi muito positivo, pois ele resolveu o
problema do som do palco e do P.A. ao
mesmo tempo e todos saíram ganhando
com isso”, elogiou Macgyver.
O pastor Edinaldo disse que a coisa
mais importante em qualquer concen-
tração, principalmente no meio evangé-
lico pentecostal, é a qualidade de som.
Daniel é o técnico responsável pela sonorização Pastor Edinaldo se preocupou com o melhor Ele conta que tudo começou em Recife,
para a igreja através de obras para missões e observou

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que em uma reunião, se o pregador não for bem ouvido, as pessoas não absorvem o conteúdo que o pastor quer passar. “Muitos
acabam ali pela adrenalina e não recebem a Palavra. Nós passamos a nos preocupar mais com o som, e desde o início descobri que o
som é uma arma muito importante na mão do pregador”.
Após alguns trabalhos em várias cidades, uma delas em Bogotá na Colômbia, a família do pastor foi transferida para o Rio de
Janeiro e as primeiras reuniões foram feitas ao ar livre. Em pouco tempo, a congregação de São João de Meriti foi formada por 50
pessoas e começaram a chegar os primeiros equipamentos. A defesa civil autorizou o pastor a utilizar o local e ao passar as normas de
segurança enfatizou que o povo também precisava ser respeitado pela audição.
“Para se ter uma idéia de como o som é importante, a defesa civil cobrou até o tipo de som a ser usado. O primeiro sistema que
conseguimos (caixas, mesa, etc) não chegava nem perto do nosso ideal. Não tem como passar a mensagem através de uma coisa
desqualificada porque, inclusive, a aparência de um sistema de som na igreja reflete o equilíbrio do próprio líder”, opinou o pastor.
Assim que assumiu a busca por uma nova sonorização, o pastor Edinaldo encontrou um técnico de confiança para estar
à frente da operação de áudio. Ele confessou que gastou dinheiro de forma desnecessária na compra de equipamentos por
ouvir opinião de pessoas desqualificadas. “Para ser sincero, a gente comprava um monte de coisa que ao final não dava
resultado algum. Por isso enfatizo que foi muito importante essa consultoria com um profissional. Senão você compra marca
e não adianta ter e não usar. Tem que ter equilíbrio e ouvir a pessoa certa para isso”.
O pastor lembra que no dia da inauguração, os membros perguntaram pelas caixas de som, porque ouviram muito bem, mas não
viram onde elas estavam. Isso foi positivo, pois o sistema in line se confunde com a estética da igreja. A equipe está satisfeita e acredita
que o templo já é uma referência de som para as congregações vizinhas e de outras cidades que visitam a Assembléia de Deus da
Família. O resultado positivo disso é que já sabem o que fazer quando resolverem abrir outra igreja.
“O som que se ouve aqui dentro é o mesmo lá fora. Não tenho mais vergonha do meu som e diminuí os gastos. Na verdade esse
não foi um investimento caro. Estava saindo caro no barato”, finalizou o pastor Edinaldo, que aconselha a quem tem um ambiente
para sonorizar, que se preocupe em escolher um profissional qualificado para prestar consultoria antes de fazer as compras.

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