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Capa [ A Alegria do Amor...

Encorajar a todos a serem sinais de misericórdia e p

Amoris
[▶

❝ Laetitia ❞
a família no coração da Igreja

F/reprodução

N
o dia 8 de abril, o Papa Francisco publicou a Exortação
Apostólica sobre a família. A “Amoris Laetitia”, sobre a “Ale-
gria do Amor”, reúne os resultados do Sínodo da Família, que
ocorreu em duas etapas: uma em 2014 e outra em 2015, e trou-
xe a questão da família para o coração da Igreja e do mundo. A
Exortação é publicada no contexto do Ano da Misericórdia e
quer ajudar as famílias a apreciarem os valores como a generosidade, o com-
promisso, a fidelidade, e “encorajar a todos a serem sinais de misericórdia e
proximidade para a vida familiar”. (AL, 5.)

Um cuidado especial
O documento começa por situar a família “À luz da Palavra” (Cap. I) e depois
aborda a “A realidade e os desafios das famílias” (Cap. II). Mas, diferentemen-
te do costume, não se busca na Palavra de Deus apenas um modelo de família
já pronto, acabado; antes, acena para as situações concretas das famílias co-
mo elas são. E revela que as exigências de Jesus não se afastam da fragilidade
concreta da vida das pessoas.

[ 8 • olutador [ maio ] 2016


dia e proximidade para a vida familiar...

“Nas situações difíceis em que vi- mento na relação para com os outros. Acompanhar, discernir e integrar
vem as pessoas mais necessitadas, a “Deus confiou à família o projeto de “Reforçar a educação dos filhos” – este
Igreja deve pôr um cuidado especial tornar ‘doméstico’ o mundo, de modo é o assunto do Cap. VII, e destaca a ne-
em compreender, consolar e integrar, que todos cheguem a sentir cada ser cessidade da formação ética, o valor da
evitando impor-lhes um conjunto de humano como um irmão.” (AL, 188.) sanção como estímulo, o realismo pa-
normas como se fossem uma rocha, A Exortação Apostólica debruça-se ciente, a educação sexual, a transmis-
tendo como resultado fazê-las sentir-se também sobre “algumas perspectivas são da fé. Trata da educação sexual de
julgadas e abandonadas precisamente pastorais” (Cap. VI), onde as famílias, uma forma positiva – “Sim à educação
por aquela Mãe que é chamada a levar- pela graça sacramental, são apresen- sexual” – seguida do tripé “acompa-
lhes a misericórdia de Deus.” (AL, 49.) tadas como os “sujeitos principais da nhar, discernir e integrar a fragilidade”
Depois, com “o olhar fixo em Jesus: pastoral familiar”. (AL, 200.) E a pasto- (Cap. VII), que explicita o exercício da
a vocação da família” (Cap. III), que ral familiar “deve fazer experimentar misericórdia para tratar pastoralmen-
se ocupa dos ensinamentos da Igre- que o Evangelho da família é respos- te as situações que não correspondem
ja sobre o matrimônio e a família, re- ta às expectativas mais profundas da plenamente ao que o Senhor propõe.
úne várias contribuições dos Padres pessoa humana”. (AL, 201.) “Trata-se de integrar a todos, de-
Sinodais, lembrando também do de- ve-se ajudar cada um a encontrar a
ver dos pastores diante desta realida- [ Aborda-se com clareza a necessida- sua própria maneira de participar na
de tão bonita e complexa da família. de da preparação para o matrimônio, comunidade eclesial, para que se sin-
E destaca que “o amor vivido nas fa- o acompanhamento dos casais nos ta objeto duma misericórdia ‘imere-
mílias é uma força permanente para primeiros anos de vida matrimonial cida, incondicional e gratuita’. Nin-
a vida da Igreja”. (AL, 88.) e a ajuda para os momentos de crise: guém pode ser condenado para sempre,
Depois, trata do “Amor no matrimô- “Uma das causas que leva a rupturas porque esta não é a lógica do Evange-
nio” (Cap. IV), retomando cada atitude ex- matrimoniais é ter expectativas de- lho!” (AL, 297.) O Papa assim se expres-
pressa no hino ao amor presente na Carta masiado altas sobre a vida conjugal. sa: “Convido os fiéis, que vivem situ-
aos Coríntios (cf. 1Cor 13,4-7), e termina Quando se descobre a realidade mais ações complexas, a aproximarem-se
reforçando que “a alegria matrimonial, limitada e problemática do que se so- com confiança para falar com os seus
que se pode viver mesmo no meio do nhara, a solução não é pensar imedia- pastores ou com leigos. [...] E convido
sofrimento, implica aceitar que o ma- ta e irresponsavelmente na separa- os pastores a escutar, com carinho e
trimônio é uma combinação necessá- ção, mas assumir o matrimônio co- serenidade, com o desejo sincero de
ria de alegrias e fadigas, de tensões e re- mo um caminho de amadurecimen- entrar no coração do drama das pesso-
pouso, de sofrimentos e libertações, de to, onde cada um dos cônjuges é um as e compreender o seu ponto de vista,
satisfações e buscas, de aborrecimen- instrumento de Deus para fazer cres- para ajudá-las a viver melhor e reco-
tos e prazeres, sempre no caminho da cer o outro. [...] Cada matrimônio é nhecer o seu lugar na Igreja”. (AL, 312.)
amizade que impele os esposos a cui- uma ‘história de salvação’.” (AL, 221.) ] A Exortação termina tratando da
darem um do outro”. (AL, 126.) E ainda, “espiritualidade conjugal e familiar”,
“não é possível prometer que teremos Recomenda, ainda, o acompanha- na qual tudo, “os momentos de ale-
os mesmos sentimentos durante a vi- mento depois das rupturas e divór- gria, o descanso ou a festa, e mesmo
da inteira; mas podemos ter um proje- cios. E quanto às pessoas divorciadas a sexualidade são sentidos como uma
to comum estável, comprometer-nos que vivem numa nova união, salien- participação na vida plena da sua Res-
a amar-nos e a viver unidos até que a ta que “é importante fazer-lhes sentir surreição”. (AL, 317.) “Não percamos a
morte nos separe, e viver sempre uma que fazem parte da Igreja, que ‘não es- esperança por causa dos nossos limi-
rica intimidade”. (AL, 163.) tão excomungadas’ nem são tratadas tes, mas também não renunciemos a
como tais, porque sempre integram a procurar a plenitude de amor e comu-
Fecundidade no amor comunhão eclesial”. (AL, 243.) E rea- nhão que nos foi prometida.” (AL, 325.)
Segue-se depois para “o amor que se firma a necessidade de “tornar mais Em nossas mãos, um rico conte-
torna fecundo” (Cap. V). “A família é acessíveis, ágeis e possivelmente gra- údo que expressa como a família está
o âmbito não só da geração, mas tam- tuitos de todo os procedimentos para no coração da Igreja. Esta Exortação
bém do acolhimento da vida que che- o reconhecimento dos casos de nuli- precisa ser lida, estudada, aprofunda-
ga como um presente de Deus.” (AL, dade” [...] e de “colocar à disposição da e assimilada para que se converta
166.) Alarga-se o horizonte de com- das pessoas separadas ou dos casais em práticas misericordiosas para vi-
preensão da família olhando para o em crise um serviço de informação, da de todas as famílias na Igreja e na
matrimônio em seu caráter social e a aconselhamento e mediação, ligado sociedade.
necessidade de um contínuo cresci- à pastoral familiar”. (AL, 244.) Ir. Denilson Mariano, sdn]

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