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ARTIGO CIENTÍFICO

http://www.gvaa.com.br/revista/index.php/INTESA

Espaçamento e densidades de plantas no surgimento de doenças e pragas


e no estiolamento do coentro

Spacing and plant density in the emergence of diseases, pests and


coriander shading

Paulo César Ferreira Linhares1, Jéssyca Duarte de Oliveira2, Alany Moisa Bezerra de Almeida3, Ana
Paula Morais Neves4, Lauvia Moesia de Morais Cunha5;Anna Catarina Costa de Paiva6 Bárbara Bruna
Maniçoba Pereira7 e Altevir Paula de Medeiros8

Resumo: A densidade ideal de plantas é extremamente importante na determinação da produtividade de molhos de


coentro. A densidade de plantas também influencia o desenvolvimento de doenças, pois tem relação com a
disseminação das unidades infectivas do patógeno e o microclima na cultura. Nesse sentido, objetivou-se avaliar o
espaçamento e densidade de plantas no surgimento de doenças, pragas e no estiolamento do coentro. O delineamento
experimental usado foi o de blocos completos casualizados com os tratamentos arranjados em esquema fatorial 4 x 4,
com três repetições, sendo o primeiro fator constituído pelas quantidades de palha de carnaúba (4,0; 8,0; 12,0 e 16,0 t
ha-1 em base seca), o segundo pelos espaçamentos na cultura do coentro (0,2 m x 0,05 m, com uma planta cova -1,
correspondendo a 100 plantas m-2 de canteiro; 0,2 m x 0,05 m, com quatro plantas cova -1, correspondendo a 400 plantas
m-2 de canteiro; 0,1 m x 0,05 m, com quatro plantas cova -1, correspondendo a 800 plantas m-2 de canteiro e 0,1 m x 0,05
m, com cinco plantas cova -1, correspondendo a 1000 plantas m-2 de canteiro). A cultivar de coentro plantado foi a
Verdão. Não se observou a presença de doença e pragas em nenhum dos espaçamentos e densidades de plantas testadas,
demostrando que nas condições climáticas de Mossoró-RN no período de estiagem os produtores podem produzir
coentro de forma adensado sem afetar a qualidade. O espaçamento de 0,2 x 0,05m com uma planta/cova foi o que
apresentou plantas estioladas aos 33 dias do plantio, diferentemente das condições adensadas que permaneceram com
padrões de colheita aos 40 dias após o plantio.

Palavras-chaves: Coriander sativum; qualidade pós-colheita; patógeno.

Abstract: The ideal plants density consists in an extremely important condition in the determining of yield and in the
commercial production coriander sauces. The plants population have also influence on the development of diseases,
because it is associated with the infective units spread of the pathogen and microclimate in culture. In this sense, aimed
to evaluate the spacing and plant density in the emergence of diseases, pests and coriander shading. Experimental
design was a randomized complete block with treatments arranged in a 4 x 4 factorial design with three replications,
with the first factor consists of the amounts of carnauba straw ( 4.0, 8.0, 12.0 and 16.0 t ha - 1 on a dry basis ) , the
second by the spacing in the culture of coriander ( 0.2m x 0.05m , with one plant pit -1, corresponding to 100 plants m-2
plot; 0.2m x 0.05m , with four plants pit -1, corresponding to 400 plants m-2 plot; 0.1m x 0.05m , plants with four pit -1;
corresponding to 800 plants m-2 plot and 0.1m x 0.05m, with five plants pit -1, corresponding to 1000 plants m-2 plot).
The cultivar of coriander planted was “verdão”. There was no presence of disease and pests in any of the spacing and
density of plants tested, demonstrating that the climatic conditions of Mossoró-RN in the dry season the producers can
produce coriander dense form without affecting the quality. The spacing of 0.2 x 0.05m with a plant / plant showed the
etiolated plants at 33 days after planting, unlike compacted conditions that remained with crop patterns up to 40 days
after anting.

Key words: Coriander sativum; postharvest quality; pathogen.

___________________
*Autor para correspondência
Recebido para publicação em 09/08/2014; aprovado em 10/01/2015.
1*
Eng° Agr° D.Sc. Pesquisador, UFERSA, Mossoró/RN, paulolinhares@ufersa.edu.br.
2
Aluna do curso de Agronomia, UFERSA, jesyca-duarte@hotmail.com
3
Aluna do curso de Agronomia, UFERSA, alanymoisa1@hotmail.com
4
Aluna do curso de Agronomia, UFERSA, anapaula_mn@hotmail.com
5
Aluna do do curso de Agronomia, UFERSA, lauvia.agro@hotmail.com
6
Eng Agronoma pela UFERSA ann.paiva@hotmail.com
7
Mestre em Sistemas Agroindustriais, UFCG, barbara.bmp@hotmail.com.
8
M. Sc. da UFERSA altevirpaula@ufersa.edu.br

INTESA (Pombal - PB - Brasil) v. 9, n.1, p. 35 - 38, Jan.-Jun., 2015.


Paulo César Ferreira Linhares, et al.

INTRODUÇÃO de setembro a novembro de 2012, em solo classificado como


Latossolo Vermelho Amarelo Argissólico franco arenoso
O coentro é uma olerícola bastante (EMBRAPA, 2006). O distrito de Alagoinha está situado nas
comercializada no Brasil e de grande valor e seguintes coordenadas: latitude 5o03’37”S e longitude de
importância comercial, sendo grande o volume de 37o23’50”W Gr, com altitude de aproximada de 72 m,
importação e de produção nacional de sementes na distando 20 km da cidade de Mossoró-RN. Segundo
região nordeste do Brasil e explorada quase que Thornthwaite, o clima local é DdAa’, ou seja, semi-árido
exclusivamente para a produção de folhas verdes. Sua (CARMO FILHO et al., 1991).
importância nutricional é devido à presença de Antes da instalação do experimento foram retiradas
vitaminas A, B1, B2 e C, boa fonte de cálcio e ferro amostras de solo na profundidade de 0-20 cm, as quais foram
(FILGUEIRA, 2008). A maior parte dos plantios é secas ao ar e peneirada em malha de 2 mm, em seguida
efetuada nas hortas domésticas, as quais são foram analisadas no Laboratório de Química e Fertilidade de
conduzidas por agricultores familiares, sendo efetuado Solos da UFERSA, cujos resultados foram os seguintes: pH
o plantio através de sucos feitos manualmente no solo, (água 1:2,5) = 7,0; Ca = 3,0 cmolc dm-3; Mg = 1,5 cmolc dm-
3
distanciados de 20 a 30 entre fileiras e através de lanço, ; K = 0,18 cmolc dm-3; Na = 0,33 cmolc dm-3; P = 52 mg dm-
3
aonde é jogada uma quantidade de sementes não extrator Mehlich-1e M.O. = 0,42%.
computada pelo produtor, o que ocasiona custo para o
mesmo, podendo onerar a produção. Nesse sistema se Implantação do experimento
tem uma densidade de plantas de 800 a 1000 plantas m-
2 O delineamento experimental usado foi de blocos
de canteiro.
completos casualizados com os tratamentos arranjados em
A densidade de plantio por unidade de área é
esquema fatorial 4 x 4, com três repetições, sendo o primeiro
um dos fatores de produção mais importantes da
fator constituído pelas quantidades de palha de carnaúba (4,0;
cultura do coentro, estando diretamente relacionada ao
8,0; 12,0 e 16,0 t ha-1 em base seca), o segundo pelos
número de molhos por unidade de área, haja vista que o
espaçamentos na cultura do coentro (0,2 m x 0,05 m, com
número de molho em diversas comunidades que
uma planta cova-1, correspondendo a 100 plantas m-2 de
labutam nessa atividade esta relacionados ao número
canteiro; 0,2 m x 0,05 m, com quatro plantas cova-1,
de plantas. Por isso mesmo, tem sido um assunto
correspondendo a 400 plantas m-2 de canteiro; 0,1 m x 0,05
bastante estudado, mas ainda é grande a variação das
m, com quatro plantas cova -1, correspondendo a 800 plantas
densidades de plantio nas diversas regiões produtoras
m-2 de canteiro e 0,1 m x 0,05 m, com cinco plantas cova -1,
dessa hortaliça, sendo influenciada pela técnica
correspondendo a 1000 plantas m-2 de canteiro). Por ocasião
utilizada, que pode ser feita a lanço ou suco de plantio
da incorporação da palha de carnaúba, realizou-se uma
espaçado entre 20 a 30 cm entre linhas, o que afeta a
adubação orgânica com esterco bovino curtido na dose única
produção.
de 20,0 t ha-1, correspondendo a 13 t ha-1 em base seca,
Silva (1998) enfatizou as vantagens do uso de
equivalendo a 240 kg de N ha-1.
densidades maiores, tais como, aumentar a
O preparo do solo consistiu da limpeza manual com
produtividade e rentabilidade, melhorar o uso dos
enxada, retirada do material para fora da área experimental
fatores de produção, melhorar a qualidade do fruto,
seguida de uma gradagem e levantamento dos canteiros
permitir explorar a segunda safra e obter redução no
realizado manualmente utilizando enxadas (Figura 1).
custo de produção.
No entanto, a população de plantas tem
influência no desenvolvimento de doenças, pois tem
relação com a disseminação das unidades infectivas do
patógeno e o microclima na cultura, afetando a
passagem do vento, o sombreamento do solo e
alterando a umidade relativa do ar. Assim, o
adensamento de plantas afetas diretamente o período de
molhamento foliar, a luminosidade e a umidade
relativa do ar, que constituem fatores climáticos
importantes para o desenvolvimento de várias doenças
da cebola (BOFF; STUKER; GONÇALVES, 1998)
Sendo assim, o presente estudo teve como
objetivo avaliar o espaçamento e densidade de plantas
no surgimento de doenças, pragas e no estiolamento do Figura 1. Representação gráfica do levantamento dos
coentro. canteiros e marcação das parcelas experimentais. UFERSA-
MOSSORÓ-RN, 2014.
MATERIAL E MÉTODOS
A cultivar de coentro semeado foi a “Verdão”. O
Informações gerais sobre o local onde foi preparo do solo consistiu da limpeza manual, retirada da
desenvolvido o trabalho vegetação espontânea presente na área experimental e
O experimento foi conduzido na Fazenda levantamento manual dos canteiros, utilizando como
Experimental Rafael Fernandes, localizada no distrito ferramenta a enxada.
de Alagoinha, zona rural de Mossoró-RN, no período

INTESA (Pombal - PB - Brasil) v.9, n.1, p. 35 - 38, Jan. – Jun., 2015.


Espaçamento e densidades de plantas no surgimento de doenças e pragas e no estiolamento do coentro

As parcelas tiveram as dimensões em função


dos tratamentos acima citados. Em termos geral, cada
parcela teve 1,2 m x 1,2 m. A área total das parcelas foi
de 1,44 m² e a área útil de 0,80m² (Figuras 2 e 3).

Figura 2. Representação gráfica da parcela


experimental do plantio do coentro de forma adensado
nos espaçamentos de 0,20 m x 0,05 m com uma e
quatro plantas cova-1 fertilizado com palha de carnaúba
mais esterco bovino incorporado ao solo. UFERSA-
MOSSORÓ-RN, 2014.
Figura 4. Representação do momento da colheita do coentro
em condições de campo. UFERSA-MOSSORÓ-RN. 2014.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Segundo Nascimento e Pereira, (2004), as principais


pragas que ocorrem na cultura do coentro são os pulgões,
Trips e ácaros. Quanto às doenças, antracnose
(Colletotrichum gloesporioides), comum no Centro-Sul do
Brasil e a queima-das-folhas (Alternaria ssp.), muito
freqüente no Nordeste do Brasil. No entanto, nenhuma dessas
pragas e doenças foi observado, demostrando que apesar de
Figura 3. Representação gráfica da parcela
ter sido cultivado em condições de adensamento, o coentro
experimental do plantio do coentro de forma adensado
apresentou aparência ótima para ser comercializado e
nos espaçamentos de 0,10 m x 0,05 m com quatro e
consumido (Figura 5). A podridão de Sclerotinia (Sclerotinia
cinco plantas cova-1 fertilizado com palha de carnaúba
sclerotiorum) tem sido observada em regiões mais úmidas ou
mais esterco bovino incorporado ao solo. UFERSA-
áreas de pivô central.
MOSSORÓ-RN, 2014.
O que corrobora com Costa et al.(2002), que afirma
que os espaçamentos reduzidos poderiam ser favoráveis à
Colheita do coentro
menor ocorrência de doenças pois nestes há maior aeração
em função da maior circulação do vento, tanto na direção
A colheita foi realizado aos 33 dias após a
transversal como longitudinal das linhas devido ao fato das
semeadura, avaliando a presença de doençãs e pragas,
plantas estarem melhor arranjadas.
além da avaliação da presença de estioleamento
presente no coentro em função dos espaçamentos
CONCLUSÕES
(Figura 4).
Não se observou a presença de doença e pragas em
nenhum dos espaçamentos e densidades de plantas testadas,
demostrando que nas condições climáticas de Mossoró-RN
no período de estiagem os produtores podem produzir
coentro de forma adensado sem afetar a qualidade.
O espaçamento de 0,2 x 0,05m com uma planta/cova
foi o que apresentou plantas estioladas aos 33 dias do plantio,
diferentemente das condições adensadas que permaneceram
com padrões de colheita aos 40 dias após o plantio.

INTESA (Pombal - PB - Brasil) v. 9, n.1, p. 35 – 38, Jan.- Jun., 2015


Paulo César Ferreira Linhares, et al.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARMO FILHO, F. do; ESPÍNOLA SOBRINHO, J.;


MAIA NETO, J.M. Dados climatológicos de
Mossoró: um município semi-árido nordestino.
Mossoró: ESAM, 1991, 121p. (Coleção
mossoroense, série C, 30).

FILGUEIRA FAR. 2008. Novo Manual de


Olericultura: Agrotecnologia moderna na
produção e comercialização de hortaliças. Viçosa:
UFV. 421p.

BOFF, P.; STUKER, H; GONÇALVES, P.A.S.


Influência da densidade de plantas na ocorrência
de doenças foliares e produção de bulbos de
cebola. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v. 23,
n. 4. p. 448-452, 1998.

COSTA, J.A. et al. Redução no espaçamento entre


linhas e potencial de rendimento da soja. Rev.
Plantio Dir., Passo Fundo, Edição Março/Abril, p.
22-28, 2002.

Nascimento, W. M.; Pereira, R. S. Coentro. Cresce o


consumo de sementes. Seednews, ano VIII, 2004.

SILVA, J. R. O adensamento como forma de aumentar


a produtividade do abacaxi. Informe
Agropecuário, Belo Horizonte, v. 19, n. 195,
p.62-64, 1998.

INTESA (Pombal - PB - Brasil) v.9, n.1, p. 35 - 38, Jan. – Jun., 2015.