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Universidade Federal de Minas Gerais

Isabella Costa Campos

Reatores Nucleares:
Reatores de Potência e Pesquisa, com ênfase em instalações Brasileiras.

Belo Horizonte
2017
1. Introdução
1. Introdução
• Desenvolvimento da Radioquímica e as Reações em cadeia [1];
• Fissão Nuclear:
(1.1);
• Reatores nucleares de potência (Gráfico 1);
• Componentes básicos: Combustível, moderador, refrigerante e
blindagem;
• Combustíveis: Uranio 235 e o Polônio 239[2];
Gráfico 1 – Reatores em operação comercial
por tipo. Fonte: IAEA-2014. [3]
300
277

250

200

150

100
80

49
50

15 15
2
0
PWR BWR PHWR LWGR GCR FBR
1. Introdução
1.1. Objetivo
Apresentar de forma resumida como é o funcionamento de Reatores
Nucleares de potência e pesquisa, seus tipos, e suas instalações no
Brasil.
1. Introdução
1.2. Energia Nuclear
• Energia liberada = Defeito de massa: ((1.2);
• Decaimento Radioativo:
(1.3);
• Fusão Nuclear:
(1.4);
• Fissão Nuclear:
(1.5).
1. Introdução
1.3. Fissão Nuclear

Figura 1 - A curva de potencial em função da deformação nuclear durante uma


fissão nuclear de um núcleo esférico, baseado no modelo da gota líquida. A
barreira de fissão Bf corresponde ao ponto de máximo da curva ou ponto de
cela (saddle) e o ponto de cisão (scission) a um ponto de inflexão. A deformação
do núcleo é representada sob o eixo da abscissa. [1]
1. Introdução
1.4. Reações em Cadeia
• Proporção k de aumento das fissões:
(1.6);
• Se k < 1, significa que a reação em cadeia não foi mantida, se k = 1, a
reação em cadeia é mantida estável, e se k > 1, o numero de fissões
aumenta e toma resultados divergentes;
• Integrando a equação (1.6), encontramos que, para um determinado
tempo t, temos a quantidade N de nêutrons no sistema de acordo
com a equação:
(1.7);
Em um Reator Nuclear k ≈ 1.
2. Desenvolvimento
2. Desenvolvimento
2.1. Reatores Nucleares e seus componentes
• Combustível: isótopo físsil e/ou fértil;
• Moderador: redutores de velocidade dos nêutrons;
• Refrigerador: absorve o calor (combustível da fonte secundária);
• Material de Controle: absorvedores de neutrons (frear/parar reação);
• Refletor: Reduz escapamento de neutrons;
• Blindagem: Parede de concreto/chumbo/água leve, dentre outros
dispositivos de segurança [10].
Figura 2 – Funcionamento fundamental do núcleo de um reator. [10]
Figura 3 - Enrico Fermi, primeiro à esquerda, da fila de baixo, e seus
colaboradores. [9]
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
• Produção de energia elétrica e propulção naval;
• Termonuclear versus Termoelétrica (Figura 4);
• Produção de energia elétrica através de reatores Nucleares: França,
Eslováquia e Hungria (Figura 5);
Figura 4 – Comparação entre uma termoelétrica e uma termonuclear.
[17]
Gráfico 2 – Participação da energia nuclear no abastecimento
energético do país (Taiwan tem 18,9 %, não consta no gráfico). Fonte:
IAEA-2014. [3]
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
2.2.1. Reatores a água pressurizada (PWR)

Figura 5 - PWRs mantem a água quente, mas não a ferve. A água do gerador de
vapor e a água do reator não se misturam, e assim a radioatividade permanece na
área do reator que é protegida por blindagem. Fonte: USNRC-2016. [5]
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
2.2.2. Reatores à água fervente (BWR)

Figura 6 - Os reatores à água fervente, em inglês Boiling water reactor (BWR),


tem dois sistemas de água independente, sendo que a mesma água que
aquece no reator, ferve e gera o vapor para rodar as turbinas.
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
2.2.3. Reatores à água Deuterada (PHWR)
• Reator à água pressurizada;
• Água deuterada como refrigerador e moderador;
• Maiores temperaturas;
• Mais eficientes (utilização de fontes pouco enriquecidas).
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
2.2.4. Reatores à água leve e grafite (RBMK)

Figura 7 – (1) Moderadores de grafite, (2) Material de controle, (3) Canais


pressurizados com as barras de combustível, (4) Água e vapor misturados, (5) Água,
(6) Separador de água e vapor, (7)Vapor, (8) Turbinas de alta pressão, (9) Turbinas
de baixa pressão, (10) Gerador, (11) bomba, (12) Condensador, (13) Refrigerador
(água fria). [12]
Esse tipo de reator existe exclusivamente na Russia, e foi em um deles
que ocorreu o maior acidente nuclear da história, em Chernobyl.

Figura 8 - Usina de Chernobyl, danificada após a explosão, em foto de


maio de 1986 [13]
2. Desenvolvimento
2.2. Reatores de Potência
2.2.5. Desenvolvimento da Industria Nuclear
no Brasil

Tabela 1 – Reatores em operação no Brasil

Tabela 2 – Reatores em construção no Brasil ou em processo. [20]


Figura 9 - Vista do Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. À frente, na
primeira cúpula, vê-se a usina de Angra 2. Ao fundo, o silo de Angra 1
2. Desenvolvimento
2.3. Reatores de Pesquisa no Brasil
2.2.1. IEA-R1
• É um reator de pesquisa tipo piscina,
moderado e refrigerado a água leve e
que utiliza elementos de berílio e de
grafite como refletores;
• Opera desde 1957;
• Localizado no Centro do Reator de
Pesquisas (CRPq), na Universidade de
São Paulo (USP), e é operado pelo Figura 10 - Núcleo do reator IEA-R1 -
Instituto de pesquisas energéticas e IPEN/USP, ao fundo da piscina de água
desmineralizada e deionizada.
Nucleares (IPEN) [14].
2. Desenvolvimento
2.3. Reatores de Pesquisa no Brasil
2.2.2. IPEN-MB/01
• É como um reator de potência de grande porte em escala reduzida
(reator de potência zero ou Unidade Crítica);
• Atingiu sua primeira criticalidade em 1988;
• Também está localizado na USP [15].

Figura 11 - Prédio do Reator IPEN-MB/01 (Unidade Crítica) e Núcleo do


Reator de Pesquisas IPEN-MB/01
2. Desenvolvimento
2.3. Reatores de Pesquisa no Brasil
2.2.3. ARGONAUTA
• Desenvolvido segundo projeto do laboratório
americano de Argonne;
• Atingiu sua primeira criticalidade em 1965;
• Até 2003 produzia instrumentos para usina
nuclear;
• Atualmente o reator trabalha com
desenvolvimento de projetos na área de
segurança nuclear e reatores avançados [16]. Figura 12 – Reator Argonauta [19]
• Está localizado na Universidade Federal do
Rio de Janeiro.
2. Desenvolvimento
2.3. Reatores de Pesquisa no Brasil
2.2.4. TRIGA IPR-R1
• Aplicações em educação e treinamento,
pesquisa e produção de radioisótopos;
• Training, Research, Isotopes, General
Atomic;
• Em operação desde 1960;
• Está localizado no Centro de
desenvolvimento de tecnologia nuclear Figura 13 – Reator TRIGA IPR-R1
(CDTN), dentro da UFMG [18].
2. Desenvolvimento
2.3. Reatores de Pesquisa no Brasil
2.2.5. Reator Multipropósito Brasileiro
• Ainda no papel;
• Primeira previsão de entrega para
2018 [7];
• Produção de radiofármacos (hoje
importados por aproximadamente 15
milhões de reais por ano) [8];
• Permitirá a Brasil e Argentina ampliar Figura 14 - Projeção do RMB
pesquisas nucleares para fins pacíficos
[6].
3. Conclusão
3. Conclusão

Figura 15 – Relação de gasto de combustível para produção de uma mesma


quantidade de energia elétrica (Centrais Termoelétricas vs. Centrais
Termonucleares). [17]
3. Conclusão
• Utilização de pouca matéria prima (países pequenos) (Gráfico 2);
• Termoelétrica versus Termonuclear (consumo de água) (Figura 4);
• Hidroelétricas: Vulnerabilidade às condições climáticas;
• No Brasil, episódios graves de falta de energia em 2001 e 2015;
• O perigo da energia nuclear.
4. Referências Bibliográficas
4. Referências Bibliográficas
1. FRIEDLANDER, Gerhart ; KENNEDY, Joseph W. ; MACIAS, Edward S. & MILLER Julian Malcolm, ―Nuclear and Radiochemistry‖, 3rd Edition, John Willey & Sons, New York,
1981.
2. MAGALHÃES, W.F. & MACHADO, J.C.. Introdução à Radioquímica e à Química Nuclear, UFMG, Belo Horizonte – MG, 2016.
3. <https://www.iaea.org/inis/> Acessado em Janeiro de 2017.
4. <http://www.world-nuclear.org/information-library/country-profiles/countries-a-f/brazil.aspx> Acessado em Janeiro de 2017.
5. <https://www.nrc.gov/reading-rm/basic-ref/students/animated-pwr.html> Acessado em Janeiro de 2017.
6. <http://www2.planalto.gov.br/acompanhe-planalto/noticias/2016/07/acordo-nuclear-entre-brasil-e-argentina-completa-25-anos> Acessado em Janeiro de 2017.
7. <http://cnpem.br/campinas-espera-por-reator-nuclear-em-ipero/> Acessado em Janeiro de 2017.
8. <http://www.mcti.gov.br/noticia/-/asset_publisher/epbV0pr6eIS0/content/com-reator-multiproposito-brasil-tera-autonomia-na-producao-de-radioisotopos> Acessado em
Janeiro de 2017.
9. “Apostila educativa: A história da energia nuclear” Disponível em <www.cnen.gov.br> Acessado em Janeiro de 2017.
10. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Reator_nuclear> Acessado em Janeiro de 2017.
11. <https://en.wikipedia.org/wiki/Boiling_water_reactor> Acessado em Janeiro de 2017.
12. <https://en.wikipedia.org/wiki/RBMK> Acessado em Janeiro de 2017.
13. < http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/04/chernobyl-desastre-nuclear-na-ucrania-completa-30-anos.html> Acessado em Janeiro de 2017.
14. < https://www.ipen.br/portal_por/portal/interna.php?secao_id=729> Acessado em Janeiro de 2017.
15. < https://www.ipen.br/portal_por/portal/interna.php?secao_id=723> Acessado em Janeiro de 2017.
16. < http://www.ien.gov.br/oinstituto/historico.php> Acessado em Janeiro de 2017.
17. Mello da Silva, C. A.. Tecnologia dos reatores nucleares de potência e de pesquisa. Departamento de engenharia nuclear (DEN) – UFMG. Belo Horizonte, 2012.
18. <http://www.cdtn.br/instalacoes-de-grande-porte/reator-triga-ipr-r1> Acessado em Janeiro de 2017.
19. Assessoria de comunicação do IEN. O Reator Argonauta do Instituto de Engenharia Nuclear 50 anos. Disponível em
<www.ien.gov.br/noticias/noticias_arquivo/reator_exposicao_50anos.pdf>
20. < www.world-nuclear.org/information-library/country-profiles/countries-a-f/brazil.aspx> Acessado em Janeiro de 2017.