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Carta de Governança Corporativa O Indicador de Governança SEST


O Comitê de Auditoria na Empresas Resoluções CGPAR nº 22 e 23
Estatais

Brasília/DF – Edição 4 – JUN/2018

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Ministério do Plane jamento,


Desenvolvimento e Gestão
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Ministro de Estado do Planejamento,


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Elaboração
Desenvolvimento e Gestão André Nunes
Esteves Pedro Colnago Junior Elvira Mariane Schulz
Secretário-Executivo Juliana Xavier Araújo
Gleisson Cardoso Rubim Nicolas Eric Matoso Medeiros de Souza
Paulo Roberto Fattori
Secretário-Executivo Adjunto Paulino da Silva Marinho
Walter Baere de Araujo Filho Vitor João Fachini Vashist
Secretário de Coordenação e Governança das Empresas Colaboração
Estatais Alano Roberto Santiago Guedes
Fernando Antônio Ribeiro Soares André Gustavo César Cavalcanti
Chefia de Gabinete Antonio Sávio Lins Mendes
Cláudia de Araújo Guimarães Kattar Daiane Leticia de Castro Siqueira
Dayane Feitosa Ribeiro
Departamento de Orçamento de Estatais - DEORE
Felipe Augusto Soares Rolim
Diretor - André Nunes
Flavia Aparecida de Souza Agatti
Coordenador-Geral de Orçamento de Estatais Gerson Batista Pereira
Paulo Roberto Fattori Mariana Moya de Oliveira
Noel Dorival Giacomitti
Coordenador-Geral de Gestão da Informação de Estatais
Paulo Alves de Sá Júnior
Gerson Batista Pereira
Paulo Roberto de Carvalho
Departamento de Governança e Avaliação de Estatais - Ricardo Moura de Araújo Faria
DEGOV Thiago Longo Menezes
MP_SEST_MARCA_.pdf 1 27/10/2016 17:11:59

Diretor - Mauro Ribeiro Neto


Projeto Gráfico e Diagramação
Coordenadora-Geral de Avaliação e Monitoramento de Esta- Jamil Miranda Ghani
tais Igor Fatiga
Elvira Mariane Schulz C

SEST
Coordenadora-Geral de Governança Corporativa de Estatais Y

Maria da Gloria Felgueiras Nicolau CM

MY

Coordenador-Geral de Orientação a Conselheiros e Apoio a CY

CGPAR CMY

André Gustavo Cesar Cavalcanti K

Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas


Departamento de Política de Pessoal e Estatais - Sest
Previdência Complementar de Estatais - DEPEC Esplanada dos Ministérios - Bloco K - 4º andar, sala 407, Brasília-
Diretor - João Manoel da Cruz Simões DF — CEP: 70.040-906
E-mail: sest@planejamento.gov.br
Coordenador-Geral de Política de Pessoal de Estatais
Christian Vieira Castro
Normalização Bibliográfica: CODIN/CGPLA/DIPLA
Coordenador-Geral de Previdência Complementar e Planos de
Saúde de Estatais
Alano Roberto Santiago Guedes

Revista Estatais em Foco [recurso eletrônico] / Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Secretaria de
Coordenação e Governança das Empresas Estatais. Vol. 4 ( jun. 2018)- . Brasília: MP, 2018- .

Quadrimestral
1. Empresas Estatais I. Título

CDU 658:115
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A P R E S E N TA Ç Ã O
s e c r e tá r i o F e r n a n d o a n t ô n i o r i b e i r o S o a r e s

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A 4ª Revista das Estatais apresenta diversos temas
sobre as empresas estatais federais brasileiras, e a
4ª edição traz, também, algumas novidades como a
sessão Conheça as Empresas Estatais Federais, que
nesta edição apresentamos a Conab e a Embrapa.

A matéria sobre valor de mercado das empresas


estatais federais, traz informações sobre as oito
empresas estatais federais que possuem ações
negociadas em Bolsa de Valores: Banco da Amazônia
– BASA, Banco do Brasil – BB, BB Seguridade,
Banco do Nordeste – BNB, Eletrobras, Eletrobras
Participações – Eletropar, Petrobras e Telebras. Nos
12 meses de 2017, o valor de mercado das estatais
federais passou de R$ 382,1 bilhões para R$ 396,3

Foto: Gleice Mere


bilhões, um crescimento de 3,7%, ou seja, de R$
14,1 bilhões.

Ademais, destacamos as duas novas Resoluções


da Comissão Interministerial de Governança
Corporativa e Administração de Par ticipações
Societárias da União – CGPAR, que trazem diretrizes Por fim, continuamos com o monitoramento da
e parâmetros mínimos para as empresas estatais governança corporativa destas empresas, com o
federais sobre a governança e o custeio dos objetivo de aprimorar a orientação às estatais e
benefícios de assistência à saúde. ao seu próprio trabalho, divulgando o segundo
ciclo de avaliação do Indicador de Governança
Em um conteúdo informativo, falamos sobre o – IG-SEST, onde as empresas estatais federais
Programa de Dispêndios Globais – PDG, que é avaliadas apresentaram um aumento de 70% em
em um conjunto sistematizado de informações sua performance de governança pois, graças ao
econômico-financeiras das empresas estatais empenho em promover melhorias e à adequação
federais não dependentes do Tesouro Nacional. Esse dos Estatutos Sociais, a média das notas subiu de
documento apresenta as informações econômico- 4,08 para 6,93.
financeiras das empresas estatais e dá suporte à
elaboração do Orçamento de Investimentos - OI, à Boa leitura!
política de aplicação das agências oficiais de crédito
e à apuração do resultado primário das empresas
estatais pelo conceito acima da linha, ou seja,
Fernando Antônio Ribeiro Soares
é realizado com base na execução de receitas e
Secretário de Coordenação e
despesas. Governança das Empresas Estatais
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Sumário
Carta Anual de Governança Corporativa Pág. 06

O Comitê de Auditoria nas empresas estatais federais Pág. 08

Indicador de Governança - SEST Pág. 12

Conselheiros concluem o Programa de Capacitação Pág. 13

5ª Rede Latino-Americana de Governança Corporativa de Empresas Estatais Pág. 14

Resoluções CGPAR nº 22 e 23 - Benefício de Assistência à Saúde das Empresas Estatais Federais Pág. 16

Valor de Mercado das Empresas Estatais Federais Pág. 21

O Programa de Dispêndios Globais – PDG Pág. 23

Conheça as empresas estatais federais

CONAB Pág. 27

EMBRAPA Pág. 33

Artigo do CEO Pág. 38

Coluna do Conselheiro Pág. 40

UEE Delta 3 - Maranhão


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C a r ta A n u a l d e G o v e r n a n ç a C o r p o r at i va
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A Lei de Responsabilidade das Estatais – Lei nº Com o intuito de auxiliar as empresas estatais
13.303/2016, com o objetivo de manter elevados federais na elaboração do respectivo instrumento a
padrões de transparência nas empresas estatais SEST, juntamente com representantes do Ministério
federais, trouxe a exigência de que as empresas da Fazenda (STN, PGFN e Secretaria-Executiva),
apresentem a Carta Anual de Políticas Públicas e da B3 (antiga Bovespa) e da Comissão de Valores
Governança Corporativa. Mobiliários – CVM, desenvolveu um modelo de
Carta Anual de Políticas Públicas e Governança
O documento deve consolidar as informações
Corporativa. Trata-se de uma sugestão dirigida
relacionadas à governança da empresa, com
aos membros do Conselho de Administração,
linguagem acessível para a sociedade e investidores,
cabendo às empresas estatais federais, dentro da
além de dados sobre as atividades desenvolvidas
sua autonomia, definir o conteúdo e a forma de
(dados operacionais), estrutura de controle, fatores
sua carta anual.
de risco, dados econômico-financeiros, comentários
dos administradores sobre o desempenho, políticas
e práticas de governança corporativa e descrição da
composição e da remuneração da administração.

Q u a i s i t e n s d e v e m c o n s ta r n a C a r ta A n u a l?
> Identificação Geral: informações gerais da empresa, > Recursos para custeio das políticas públicas: relevar
tais como: CNPJ, localidade da sede, tipo societário, a origem dos recursos a serem empregados para
setor de atuação, conselheiros subscritores da Carta execução de atividades alinhadas às políticas públicas.
(nome e CPF). Se houver contrato com a União para pagamento pelo
serviço prestado, deve-se indicar para acesso eletrônico
> Interesse público: Explicitar qual é o interesse coletivo ao documento. Caso contrário, é importante indicar
ou imperativo de segurança nacional que motiva a expressamente se a operação é custeada integralmente
execução do objeto social da empresa pelo Estado pela geração de caixa operacional da empresa ou se
e, portanto, motiva a existência e continuidade da há repasse de verba pública, assinalando, nesse caso,
empresa como estatal federal. Sempre que possível, a fonte orçamentária a ser utilizada e a periodicidade
sugere-se resgatar a lei de criação e sua exposição usual do repasse. É necessário apontar também se há
de motivos. financiamento privado para a execução das políticas
públicas, bem como o montante do financiamento,
> Políticas públicas: informar as atividades o prazo para pagamento e a instituição concedente.
desenvolvidas pela estatal em atendimento a políticas
públicas, indicando, ainda, como a atuação da > Impactos econômico-financeiros da
empresa estatal está alinhada ao interesse público e operacionalização das políticas públicas: são os
ao objeto social da empresa. indicadores objetivos utilizados para a tomada de
decisão de investimento que visem ao atendimento de
> Metas relativas ao desenvolvimento de atividades objetivos de políticas públicas. Auxiliam na mensuração
que atendam aos objetivos de políticas públicas: o custo incorrido nessa atuação específica, bem como
estabelecer os indicadores e metas a serem atingidos seu nível de cobertura financeira pela União. Apresentar
pela empresa relacionados ao atendimento de e analisar os impactos das políticas públicas nos dados
objetivos de políticas públicas citadas no item econômico-financeiros da empresa.
“políticas públicas”.
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> Comentários dos administradores: comentar o > Fatores de Risco: informar os fatores de risco
desempenho da empresa em relação às políticas que podem eventualmente não permitir a atuação
públicas, com destaque para métricas objetivas empresarial alinhada às políticas públicas previstas
e mensuráveis sobre os benefícios efetivamente no planejamento anual.
percebidos pela sociedade e a eficiência na gestão
dos custos envolvidos. > Remuneração: Descrição da composição e da
remuneração da Administração. Informar se a
> Estruturas de controles internos e gerenciamento de remuneração de administradores e empregados é
riscos: indicar as estruturas e mecanismos de controle afetada por indicadores de atuação da sociedade
utilizados para monitorar atividades que serão alinhados às políticas públicas e, em caso afirmativo,
desenvolvidas pela estatal em atendimento às políticas descrever tais indicadores e seus impactos na
públicas, no intuito de zelar pela transparência, remuneração variável e total.
completude e exatidão das informações apresentadas,
com destaque para o canal de denúncias junto à > Outras informações relevantes sobre objetivos de
empresa e aos órgãos de controle. políticas públicas: Apresentar outras informações sobre
objetivos de políticas públicas considerados relevantes
pelo Conselho de Administração e que eventualmente
não foram incluídas nos itens anteriores, se houver.

Todas as empresas devem publicar o documento. Porém, em relação às estatais federais de capital
aberto algumas informações já se encontram detalhadas no Formulário de Referência, documento anual
de divulgação pública que segue o modelo da Comissão de Valores Mobiliários – CVM, nos termos da
Instrução CVM n. 480, de 2009. Por esse motivo, essas companhias não necessitam divulgar na Carta Anual
as informações requeridas pelo inciso III do art. 8º da Lei 13.303/16, mas devem informar em quais itens
de seu Formulário de Referência os referidos dados podem ser consultadas.

A atuação contínua da sociedade na gestão pública é um direito assegurado pela Constituição Federal e,
permite que os cidadãos não só participem da formulação das políticas públicas mas, também, fiscalizem
de forma permanente a aplicação dos recursos públicos. As ideias de participação e controle social estão
intimamente relacionadas: uma vez que por meio da participação na gestão pública os cidadãos podem
intervir na tomada da decisão administrativa, estimulando a adoção de medidas que realmente atendam
ao interesse público e, ao mesmo tempo, podem exercer controle sobre as ações do Estado ao exigir que
o gestor preste contas de sua atuação.

Tudo isso é consequência da disseminação da cultura do livre acesso às informações públicas e reforça o processo
de transparência e disponibilização dos dados governamentais e da necessidade de conscientização dos agentes
públicos de que, toda informação pública é propriedade do cidadão, cabendo ao Estado disponibilizá-la.

http://www.planejamento.gov.br/assuntos/empresas-estatais/publicacoes
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O Comitê de Auditoria
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federais

Histórico
Desde o final da década de 30 a New York Stock Exchange - NYSE
e a Securities and Exchange Commission - SEC recomendam a
instalação de Comitês de Auditoria - COAUD. Tal recomendação
se deu em resposta ao escândalo McKesson e Robbins que envolve
o uso de informações sobre depósitos forjados como garantia de
empréstimos. Em 1978, a NYSE definiu como requisito para listagem
em sua bolsa, a instalação, nas empresas, do comitê de auditoria
formado por membros inteiramente independentes.

A partir dos anos 2000, o órgão ganhou ainda mais relevância: a criação dos
comitês de auditoria foi recomendada pelos principais códigos de governança
corporativa do mundo, e muitos regulamentos passaram a exigir sua instalação.
Em 2002, no auge dos escândalos de governança corporativa norte-americanos
ocasionados por fraudes contábeis, foi sancionada nos Estados Unidos a Lei Sarbanes-
Oxley (SOX). Ela foi a resposta legislativa para proteger os investidores do país e visou
o restabelecimento da credibilidade das demonstrações financeiras e da confiabilidade
das informações divulgadas pelas empresas.

O papel dos Comitês viria a ser novamente reforçado nos Estados Unidos, com reflexos também
mundiais, após a crise de 2008, que evidenciou a deficiência no controle de riscos de várias instituições
financeiras. Novamente, a resposta veio na forma de legislação, com a promulgação de Lei Dodd-Frank,
enfatizando a importância da conformidade, integridade e controle de riscos.

No Brasil, a obrigatoriedade do COAUD apareceu em 2003, com a Resolução CMN nº 3.081/03 (atual 3.198/04)
e, em 2016, com a promulgação da Lei de Responsabilidade das Estatais – Lei nº 13.303/2016. Assim, a
exigência do Comitê de Auditoria estatutário passou a abranger parte das sociedades de economia mista
e as empresas públicas.
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Mas o que é COAUD?

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É um órgão de assessoramento ao Conselho de O COUAD deve monitorar a eficácia dos controles
Administração - CA, que atua no monitoramento internos e das políticas e procedimentos de
da qualidade das demonstrações financeiras, da proteção em relação a fraudes, conflitos de interesse
efetividade dos sistemas de controle interno, da e demais desvios de conduta que possam impactar a
conformidade, integridade e gerenciamento de organização. A presença do COAUD na organização
riscos. Tem papel relevante de suporte operacional fortalece uma postura preventiva e ativa por parte
e fortalece a atuação do Conselho de Administração do Conselho de Administração, além de incentivar
em sua missão de proteger a organização no melhor um maior comprometimento da Diretoria com uma
interesse de seus negócios. cultura ética e transparente.

As principais competências do Comitê de Auditoria são:

Supervisionar o processo de elaboração das demonstrações financeiras, monitorando a qualidade e integridade


destas;

Monitorar a qualidade e integridade dos processos de gerenciamento de riscos e dos controles internos;

Promover uma postura de conformidade, integridade e ética, relacionada à identidade da organização;

Supervisionar o funcionamento do código de conduta, da ouvidoria e do canal de denúncias;

Avaliar a correção ou o aprimoramento das políticas internas da organização, incluindo a política de transação
com partes relacionadas;

Supervisionar e acompanhar os trabalhos da auditoria interna;

Avaliar os parâmetros e resultados atuariais do fundo de pensão;

Receber denúncias internas e externas sobre seu escopo de atuação;

Opinar sobre a contratação e destituição de auditoria independente.

Requisitos e Vedações para os membros do COAUD


São condições mínimas para integrar o Comitê de Auditoria:
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Além disso, o Decreto nº 8.945/2016, que regulamenta a Lei das Estatais, trouxe a exigência de que
todos os membros tenham experiência profissional ou formação acadêmica compatível com o cargo,
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preferencialmente na área de contabilidade, auditoria ou no setor de atuação da empresa, devendo, no


mínimo, um dos membros obrigatoriamente ter experiência profissional reconhecida em assuntos de
contabilidade societária.

Regras de Funcionamento do COAUD


Com o auxílio da Secretaria de Coordenação Esta contribuição possui o objetivo de auxiliar
e Governança das Empresas Estatais – SEST, o a CODEC na adequação das empresas estatais
Conselho de Defesa dos Capitais do Estado – CODEC, controladas direta ou indiretamente pelo Estado
órgão colegiado da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo à Lei nº 13.303, de 30 junho de 2016,
de São Paulo, está trabalhando na atualização do regulamentada no estado pelo Decreto estadual nº
Código de Conduta e Integridade, para as empresas 62.349, de 26 de dezembro de 2016, fortalecendo a
estatais. integridade e a estrutura de governança corporativa
destas instituições.

Quantidade de membros: 03 a 05, eleitos e destituídos “ad nutum” pelo Conselho de Administração, não admitindo
suplentes;

Mandato: de 02 ou 03 anos, não coincidente para cada membro;

Recondução: uma única recondução é admitida, com interstício de um mandato;

Reuniões: no mínimo 04, para instituições financeiras ou empresas de capital aberto e no mínimo 02 para as
demais empresas;

Remuneração: fixada em Assembleia, com possibilidade de comitê único em subsidiárias;

Vacância: o Conselho de Administração elegerá o substituto para completar o mandato do membro anterior.

I m p l e m e n ta ç ã o d o C O A U D n a s E m p r e s a s E s tata i s
Passo a passo da implementação do COAUD:

Elaboração do
Fixação da
Alteração do Estatuto Recrutamento Regimento Interno,
remuneração dos
Social, prevendo de candidatos: prevendo requisitos
membros do COAUD
a quantidade de recomenda-se e vedações para
em Assembleia
membros, regras manter um banco os membros,
Geral (montante
de funcionamento de currículos com responsabilidades,
não inferior a
e competências do pessoal capacitado e frequência das
remuneração do
comitê apto a exercer o cargo reuniões, orçamento e
Conselho Fiscal)
diretrizes gerais.

Se a empresa possui membro independente no Conselho de Administração, replicar esse membro no


COAUD, de forma a atender a lei e gerar economicidade à empresa!
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No intuito de compatibilizar as empresas estatais federais às exigências trazidas pela Lei 13.303/16 e Decreto
8.945/16, a SEST disponibilizou calendário com os prazos para adequação dos Estatutos Sociais e modelos

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de documentos para auxiliar as empresas do processo de implementação dos itens exigidos pela legislação,
disponíveis no sítio eletrônico do Ministério do Planejamento. Nos modelos de Estatuto Padrão, um para
as empresas de pequeno porte e outro para as de grande porte, constam a previsão do implementação do
COAUD, para o qual foi disponibilizado um modelo de Regimento Interno de Comitê de Auditoria, que deve
prever a quantidade exata de membros, requisitos e vedações, regras de funcionamento e competências.

O modelo de Regimento Interno do COAUD, de Carta Anual de Governança Corporativa e outros documentos
disponibilizados pela SEST podem ser encontrados no sítio eletrônico do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão: http://www.planejamento.gov.br/assuntos/empresas-estatais/publicacoes
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Indicador de Governança - SEST


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O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e A melhora se deve, em grande parte, ao empenho


Gestão, por meio da SEST, apresentou, no último dia das empresas em promover melhorias e a adequação
11 de maio, o resultado da segunda certificação do dos seus Estatutos Sociais. Além disso, o aumento
Indicador de Governança – IG-SEST. O instrumento foi impulsionado pelo resultado do Indicador de
inovador busca conformidade com as melhores Governança de quatro empresas: Casemg, Codeba,
práticas de mercado e maior nível de excelência ECT e Infraero, que contaram com uma elevação
para as empresas estatais federais de controle direto de mais de 4 pontos em suas respectivas notas.
da União (dependentes e não dependentes). Também se destacaram CBTU, Ceitec, Conab, CPRM,
EPE e HCPA.
As empresas que tiveram os melhores resultados
receberam o certificado de Nível 1 das mãos do Os acréscimos nas notas decorreram, ainda, da
ministro do Planejamento, Desenvolvimento e implementação da área de Gestão de Riscos; da
Gestão, Esteves Colnago, que presidiu a solenidade execução de práticas sistemáticas de Controle
realizada em Brasília. “Este é um índice de grande Interno; e da realização de treinamentos sobre
relevância, porque as empresas estatais são muito Código de Conduta e Integridade.
importantes para a economia do Brasil”, definiu
o ministro. “Estamos falando de empresas que Todas as empresas estatais federais avaliadas
empregam 506 mil pessoas e que tiveram uma passaram a elaborar o Plano Anual de Auditoria
execução do Programa de Dispêndio Global da Interna (Paint) e o Relatório Anual de Atividades
ordem de R$ 1,2 trilhão, um volume expressivo”. da Auditoria Interna (Raint); disponibilizaram canal
de denúncias internas e externas; e vincularam a
O IG-Sest das 46 empresas estatais submetidas Auditoria Interna ao Conselho de Administração –
ao índice neste segundo ciclo tiveram variação exigências da Lei de Responsabilidade das Estatais
positiva de 70% na média geral das pontuações em (Lei nº 13.303/2016).
relação ao primeiro ciclo. A média das notas subiu
de 4,08 para 6,93, superando a meta estabelecida,
de aumentar 1 ponto no período.

Novidades para o 3º Ciclo


Para próximo ciclo de avaliação do IG-SEST, o Ministério planeja uma evolução do IG-Sest, que deixará de
ser um indicador focado em conformidade e passará a ter um viés de efetividade. Além disso, será permitida
a adesão voluntária de empresas sob o controle indireto da União.

Mais informações sobre os ciclos do IG-SEST e as médias de cada empresa estão disponíveis no site http://
www.planejamento.gov.br/igsest
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Conselheiros concluem o Programa de

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C a p a c i ta ç ã o
O Programa SEST de Capacitação para Conselheiros Ao todo, foram ministrados 5 módulos que
de Administração da União, realizado em parceria abordaram os seguintes temas:
com a Fundação Dom Cabral – FDC, em atendimento
à legislação vigente e com o objetivo de instruir e (i) Governança Corporativa nas Empresas Estatais
especializar os Conselheiros das estatais federais, Federais,
foi finalizado em julho deste ano, com a entrega (ii) Legislação e responsabilidade dos Administradores,
dos trabalhos finais pelos participantes. (iii) Papel Estratégico do Conselho de Administração,
(iv) Supervisão do Conselho de Administração, e
Em uma visão global, o curso explora os (v) Reestruturações Empresariais.
conhecimentos administrativos, econômicos e
jurídicos para conferir maior qualidade ao processo Para conclusão do curso, os par ticipantes
decisório. Além disso, amplia o conhecimento do tiveram que realizar um trabalho que consistia
conselheiro acerca do contexto estrutural e funcional na identificação de uma situação e a proposição
da administração pública federal e relacionamento de encaminhamentos e soluções para a situação,
com a administração empresarial, estimulando a visando a melhoria da gestão e/ou governança
reflexão sobre a inserção e o papel das empresas dessa organização, ou mesmo de Política Pública.
estatais e do próprio conselheiro neste cenário.
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5ª R ede L at in o-A me ri c a na d e Gov e r na nç a


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Cor p or at iva de E mp r e s a s E s tata i s


Nesta edição da Revista das Estatais, destacamos Na ocasião, a SEST apresentou panorama das
a participação da SEST na quinta reunião da Rede estatais brasileiras em termos de quantidade de
Latino-americana de Governança Corporativa de empresas, volume de ativos, resultados econômico-
Empresas Estatais (Latin American Network on financeiros, quantitativo de empregados, entre
Corporate Governance of State-Owned Enterprises), outros dados. Também foram abordados os avanços
organizada pela Organização para a Cooperação e da governança corporativa e legislação pertinente,
Desenvolvimento Económico – OCDE e pelo Banco especialmente os pilares da Lei 13.303/2016 e seus
de Desenvolvimento da América Latina – CAF, com o principais aspectos.
apoio do governo espanhol e do Banco Mundial. Os
principais temas abordados foram transparência, Além disso, foi apresentado o Indicador de Governança
o desempenho do Conselho de Administração e IG-SEST, instrumento de acompanhamento contínuo
a integridade das Empresas Estatais. que avalia o cumprimento dos requisitos legais e
diretrizes estabelecidas pela Lei 13.303/2016, pelo
O evento busca auxiliar no aprimoramento da Decreto 8.945/2016, pelas Resoluções da Comissão
governança das estatais na América Latina por meio Interministerial de Governança Corporativa e de
do intercâmbio de práticas e conhecimentos de Administração de Participações Societárias da
diversos governos e instituições, tendo como base União – CGPAR, e por organismos internacionais
as diretrizes da Organização para a Cooperação e como a própria OCDE, que buscam implementar
Desenvolvimento Económico – OCDE. A melhoria da as melhores práticas de mercado e maior nível de
governança corporativa é prioridade na reforma das excelência em governança corporativa.
Empresas Estatais e a base para o desenvolvimento
sustentável. Os representantes dos governos
expuseram seus arcabouços legais, suas práticas
de governança corporativa e, também, comentaram
sobre os principais desafios enfrentados para o
fortalecimento do desempenho e da prestação de
contas (Accountability) das estatais.
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rreevvi si sttaa ddaass EESSTTAATTAAI SI S 1155

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Benefício de Assistência à Saúde nas


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e m p r e s a s e s tata i s f e d e r a i s :
as Resoluções CGPAR n° 22/2018 e 23/2018 e os desafios da
g o v e r n a n ç a e d a s u s t e n ta b i l i d a d e .
Com a publicação do Decreto no 8.818, de 21 de julho de 2016, coube à Secretaria de Coordenação e
Governança das Empresas Estatais - SEST a atribuição de manifestar-se acerca do custeio do Benefício de
Assistência à Saúde (BAS) patrocinado por empresa estatal federal.

A oferta do BAS é um importante mecanismo da política de gestão de recursos humanos das empresas
estatais, afetando positivamente a produtividade e o nível de motivação dos empregados e contribuindo
para a retenção de talentos nas empresas.

As principais modalidades adotadas para oferta do BAS são:

1. Reembolso parcial dos valores pagos em plano de saúde contratado diretamente pelo
empregado;

2. Contratação, pela empresa, de plano de saúde no mercado;

3. Autogestão, que pode ser em duas modalidades distintas: autogestão por RH, quando o
plano é gerido diretamente pela empresa (em geral pelas áreas de Recursos Humanos – RH) e
autogestão por operadora, quando a empresa estatal é patrocinadora e/ou mantenedora de
uma operadora de plano de saúde.

No cumprimento de sua competência institucional, a Secretaria realizou um diagnóstico situacional acerca


da oferta do BAS, dos mecanismos de governança adotados pelas empresas e dos fatores intervenientes na
sustentabilidade de sua oferta. No início de 2017, foi realizada uma pesquisa com amostra significativa de
empresas estatais federais que ofertam BAS aos seus empregados, tendo como objeto de análise o custeio
e a governança do benefício nos exercícios de 2014, 2015 e 2016. As principais conclusões, corroboradas
pelos gráficos abaixo, são: (i) a modalidade autogestão é a mais utilizada pelas empresas (Gráfico 1), ii)
mais de 80% dos empregados vinculados às empresas pesquisadas são potenciais beneficiários de BAS na
modalidade autogestão (Gráfico 2) e (iii) a participação das empresas no custeio do BAS, em média, equivale
a mais de três vezes a participação dos empregados no grupo pesquisado (Gráfico 3).

Gráfico 1: Benefício de Assistência à Saúde nas Empresas Estatais Federais - Distribuição por Modalidade.
Fonte: Pesquisa SEST/Ofício Circular n° 837/2016-MP.
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Gráfico 2: Distribuição dos empregados em função da modalidade de oferta do BAS.
Fonte: SIEST e Empresas Estatais.

Gráfico 3: Média da participação no custeio do BAS no período de 2014 a 2016.


Fonte: Pesquisa SEST/ Ofício Circular n° 837/2016-MP.
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1 8 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

Para que o BAS se torne um efetivo mecanismo Os percentuais médios de par ticipação das
de gestão, há que se considerar um aspecto empresas estatais no custeio do BAS apontam
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fundamental: a participação da empresa estatal uma desconformidade com o principal normativo


no custeio desse benefício deve estar atrelada vigente que, até então, tratava do tema de forma
à sua sustentabilidade ao longo do tempo e ser específica: A Resolução CCE n° 09/1996, do extinto
compatível com suas capacidades financeiras e Conselho de Coordenação e Controle das Empresas
administrativas presentes e futuras. Estatais. Esta Resolução dispõe que a participação
da empresa no custeio do BAS não pode superar a
Segundo dados obtidos na Lei Orçamentária de dos empregados. O sistemático descumprimento
2016 – Lei n° 13.255, de 14 de Janeiro de 2016 – e dessa diretriz contribuiu sobremaneira para
no Programa de Dispêndios Globais do mesmo ano, ampliação da participação das empresas no custeio
nas empresas estatais federais, em 2016, mais de do BAS, aumentando a vulnerabilidade da situação
9,5 bilhões de reais foram desembolsados com o financeira e dificultando o cumprimento de acordos
custeio desse benefício. Trata-se de uma despesa em um cenário de crescimento disseminado de
de grande impacto orçamentário, cujas execução custos e limitação das capacidades financeiras.
e obtenção de resultados devem ser monitoradas
de forma sistemática.

O incremento de custos ora mencionado pressionou as empresas a elevarem sua participação ao longo
do tempo, sendo que em diversas empresas tal acréscimo vem ocorrendo em percentuais superiores à
variação anual do IPCA médio. O crescimento e custos do BAS está relacionado a quatro fatores principais:

1. A inflação médica, que tem superado o IPCA médio nos últimos anos;

2. A associação da rápida transição demográfica brasileira com a transição epidemiológica,


ou seja, o aumento da expectativa de vida da população e as profundas alterações no perfil de
morbidade e mortalidade da sociedade brasileira ampliam as demandas dos planos de saúde,
aumentando seus índices de sinistralidade e afetando sua sustentabilidade financeira.

3. O incipiente nível de governança interna das empresas em relação ao modelo de negociação


e custeio do BAS; e

4. O descompasso entre os preços dos serviços e a produtividade do setor de saúde suplementar,


caracterizado pela existência de diversas falhas de mercado e amplas cadeias produtivas.

Em conjunto, esses fatores levam ao aumento da idade média e do índice de envelhecimento das carteiras
dos planos de saúde e consequente aumento das taxas de sinistralidade, ou seja, cada vez mais as receitas
são destinadas ao pagamento de despesas assistenciais, comprometendo a sustentabilidade econômico-
financeira das operadoras e requerendo maiores compromissos das empresas patrocinadoras.

Outro fator que afeta os resultados patrimoniais das empresas é a oferta de benefício no pós-emprego. O
Pronunciamento Técnico CPC n° 33, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, determina que as entidades
empregadoras contabilizem em seus balanços todos os benefícios concedidos a empregados, inclusive os
benefícios pós-emprego. Dados dos balanços das empresas permitem afirmar que os valores provisionados
têm aumentado constantemente, comprometendo o resultado das empresas e sua sustentabilidade futura.
Este não é um cenário desconhecido no mundo empresarial, os elevados legacy costs (custos de legado
com benefícios de assistência à saúde e pensões de empregados) contribuíram para a fragilização financeira
e falência de grandes companhias.
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r e v i s ta d a s E S TA TA I S 1 9

A partir dos dados citados, foi definido o seguinte cenário:

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(i) Aumento de custos para financiamento de planos de saúde;

(ii) O modelo de negociação vigente permite o acentuado aumento da participação da empresa,


em desconformidade com as disposições normativas em vigor;

(iii) Incipiente exposição dos resultados da gestão do BAS nos canais de governança e controle
da empresa.

Assim, a SEST propôs à Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de


Participações Societárias da União - CGPAR a edição de dois atos normativos: um para estabelecer parâmetros
mínimos de governança para as autogestões e outro para tratar de limites de custeio do BAS.

O b j e t i v o s e p r o p o s i ç õ e s c o n j u n ta s d a s R e s o l u ç õ e s
CGPAR n° 22 e nº 23
As novas diretrizes e parâmetros de custeio do BAS propostos não têm como foco exclusivo a redução do
custo fiscal. Busca-se reorientar o modelo de gestão e a base de custeio dos BAS, assegurando a redução
dos custos e permitindo que a gestão da empresa adote as medidas viáveis para sua implementação. O
texto das Resoluções resguarda o direito adquirido dos empregados, sem prejuízo da aplicação futura em
Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) e regulamentos internos das empresas.

Resolução CGPAR n° 22
A partir do diagnóstico principal de que os atuais > Os indicados pelas empresas para os cargos de
mecanismos de governança são incipientes, representantes na Diretoria Executiva e nos Conselhos
contribuindo para a baixa capacidade de e/ou Colegiados das operadoras de planos de saúde
acompanhamento da sustentabilidade do custeio devem cumprir requisitos de qualificação quando da
e dos resultados alcançados, a Resolução CGPAR nº nomeação/recondução;
22 apresenta diretrizes e parâmetros de governança
do BAS: > Plano de Metas específicos para autogestões; e

> Avaliação anual, pela Alta administração da > As avaliações e plano de metas mencionados
Empresa, de informações acerca do custeio, do custo, anteriormente devem subsidiar a tomada de decisão
da modalidade, dos riscos envolvidos, do cumprimento no âmbito da empresa nas negociações estabelecidas
das medidas regulatórias e da qualidade do BAS; com os representantes dos empregados.

> Os resultados da avaliação devem ser apresentados


aos Conselhos Fiscal e de Administração, bem como
ao Comitê Estatutário de Auditoria, para avaliação
tempestiva e analítica da sustentabilidade, da
qualidade, da correlação com a capacidade fiscal da
empresa e do nível de exposição a riscos;
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2 0 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

Resolução CGPAR n° 23: principais dispositivos


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Por sua vez, a Resolução CGPAR n° 23 parte do pressuposto de que é preciso conjugar a participação das
empresas estatais federais no custeio do BAS com as suas possibilidades financeiras e administrativas e
com os resultados da oferta do benefício:

> Limite de valor para custeio calculado em função > Vedação à assunção e preservação, por parte da
da folha de pagamento/proventos dos empregados/ empresa estatal federal, da condição de mantenedora
aposentados; de operadora de autogestão;

> Regras para oferta de BAS na modalidade autogestão: > Restrição da oferta de BAS ao período de vigência
obrigatoriedade de cobrança de mensalidades por do contrato de trabalho.
beneficiário, limitação do rol de dependentes elegíveis,
fixação de prazos de carência e adoção de mecanismos > Regras para oferta de benefício nas modalidades
financeiros de regulação; plano de saúde contratado no mercado e reembolso;

> Estabelecimento de número mínimo de beneficiários > Vedação de detalhamento do BAS nos Acordos
para patrocínio a operadora de autogestão; Coletivos de Trabalho; e

> Vedação à instituição de benefício na modalidade > Estabelecimento de prazo de adequação de 48 meses
de autogestão por RH. para empresas que ofertem benefícios em desacordo
com o conteúdo da Resolução.

Em conjunto, as resoluções CGPAR n° 22 e nº 23 estabelecem um paradigma para gestão das empresas


estatais federais quanto ao BAS, colocando o tema de forma destacada nas discussões corporativas e
atrelando a oferta do Benefício às capacidades financeira e administrativa das empresas. Com isso, busca
contribuir para a perenidade das empresas estatais federais e para efetiva entrega de seus produtos e
serviços à sociedade brasileira.
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Va l o r d e M e r c a d o d a s E m p r e s a s E s tata i s

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Federais

BOLSA DE VALORES – B3
Oito empresas estatais federais possuem ações negociadas em Bolsa de Valores: Banco da Amazônia –
BASA, Banco do Brasil – BB, BB Seguridade, Banco do Nordeste – BNB, Eletrobras, Eletrobras Participações
– Eletropar, Petrobras e Telebras. Quatro delas compõem o índice Ibovespa.

Nos 12 meses de 2017, o valor de mercado das estatais federais passou de R$ 382,1 bilhões para R$ 396,3
bilhões, crescimento de 3,7% ou seja, de R$ 14,1 bilhões. A evolução favorável, embora em níveis bem
menores que em 2016 (86,2%) e que o Ibovespa (25,1%, em 2017), seguiu em linha com a recuperação
econômica do país. As estatais que apresentaram maior percentual de crescimento em relação ao valor de
mercado foram Banco do Nordeste e Telebras, acima do Ibovespa.

Valor de MercadoEm R$ milhões


2016-12-31* 2017-12-31* R$ %
IBOVESPA 1.905.760,75 2.383.343,75 477.583,0 25,1%
Banco da Amazônia 833,1 741,1 -91,9 -11,0%
Banco do Brasil 80.489,6 91.177,6 10.688,0 13,3%
BB Seguridade 56.600,0 56.980,0 380,0 0,7%
Banco do Nordeste 2.197,3 3.195,7 998,5 45,4%
Eletrobras 31.671,4 27.052,1 -4.619,3 -14,6%
Eletrobras Participações 640,0 623,0 -17,1 -2,7%
Petrobras 209.377,6 216.044,8 6.667,2 3,2%
Telebras 310,3 448,9 138,6 44,7%
TOTAL 382.119,2 396.263,2 14.144,0 3,7%

FATOS RELEVANTES EM 2017


Petrobras O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)
proferiu decisão favorável à companhia em processo
A empresa reduziu seu endividamento.
administrativo fiscal no valor de R$ 7,8 bilhões.
A nova política de preços dos combustíveis negociados
O Conselho de Administração aprovou pedido de
pela empresa diminuiu o risco do negócio e favoreceu
adesão da companhia ao segmento especial de
as receitas da empresa.
listagem Nível 2 de Governança Corporativa da Bolsa.
Novas medidas internas de governança, bem como
Em relação aos os leilões de áreas do pré-sal, a
seu plano de venda de ativos (desinvestimento)
Petrobras e a Shell foram as petroleiras que mais
trouxeram impacto positivo no valor de mercado.
arremataram (3 blocos, no regime de Partilha
O cenário externo foi favorável para as petroleiras, da Produção), além de vencerem, em parceria, a
com a elevação dos preços do petróleo, e, disputa pelo campo no entorno de Sapinhoá, na
consequentemente, elevação das receitas da empresa. Bacia de Santos.
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2 2 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

Banco do Brasil BB Seguridade


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Lucro líquido ajustado foi de R$ R$ 11,1 bilhões em Aprovação, em assembleia geral, da adesão da BB
2017, aumento de 54,2% em relação ao ano anterior. Seguridade ao Programa Destaque de Governança
de Estatais da BM&F Bovespa.
Telebras
Divulgadas suas DF do 3T2017, com crescimento de
Impacto positivo em seu balanço do aumento de 20,7% de seu lucro líquido em relação ao mesmo
capital social proveniente de aportes da União período de 2016, alcançando R$ 1,2 bilhão (aumento
de 2012 a 2015, que passou de R$ 263,1 milhões das receitas de investimentos em participações
para R$ 1,59 bilhão. Com isso, seu PL saiu de societárias).
aproximadamente R$ -584 milhões em jun/2017 para
R$ 691 milhões em set/2017. Também foi aprovada Banco do Nordeste
a reforma estatutária em linha com as diretrizes
Foi divulgado o crescimento em 14,7% das aplicações
estabelecidas na Lei nº 13.303, a fim de uma melhor
de crédito com micro e pequenas empresas (MPE),
governança. O lançamento bem-sucedido do SGDC
de janeiro a setembro, em comparação ao mesmo
(Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações
período de 2016, com volume de financiamentos
Estratégicas) em maio/2017 também sinalizou
superior a R$ 1,6 bilhão;
futuros efeitos financeiros positivos à empresa.

Eletrobras

Impacto positivo do anúncio, em agosto de 2017,


da privatização da empresa.

Aumento na conta de luz em outubro (bandeira


tarifária de amarela para o patamar 2 da vermelha
- primeira vez que tal nível foi acionado, devido aos
baixos níveis dos reservatórios do país).

A Empresa também recebeu estudos feitos pelo


BNDES sobre o modelo de privatização de suas
distribuidoras.

O MME divulgou que a Empresa só deve ir para


o Novo Mercado depois de 2018, de forma a não
prejudicar o cronograma da privatização (conclusão
prevista para o primeiro semestre de 2018).

O Governo anunciou que vai limitar a 10% a


participação do investidor privado no controle
da Eletrobras e, ainda, previu uma arrecadação
de R$ 7,7 bilhões em 2018 com seu processo de
privatização.

O resultado do 3T2017 (R$ 550 milhões) foi 37%


abaixo em relação ao mesmo período do ano
anterior, motivado pela menor remuneração relativa
aos créditos da Rede Básica do Sistema Existente
(RBSE) referente às linhas de transmissão renovadas
(R$ 904 milhões ante R$ 1.499 milhões).
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r e v i s ta d a s E S TA TA I S 2 3

O Programa de Dispêndios Globais (PDG)

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Conceito
O Programa de Dispêndio Global – PDG 1 consiste em um conjunto sistematizado de informações econômico-
financeiras das empresas estatais federais não dependentes 2 do Tesouro Nacional, em que a União detenha
a maioria do capital social com direito a voto , previsto no art. 107 da Lei n.º 4.320, de 17 de março de 1964,
e aprovado por decreto presidencial anualmente. Esse documento dá suporte à elaboração do Orçamento
de Investimentos - OI, à política de aplicação das agências oficiais de crédito e à apuração do resultado
primário das empresas estatais, com base nas receitas obtidas e na execução das despesas, entre outras
informações relevantes e de interesse gerencial do Governo Federal e de transparência para a sociedade 3.

História
A necessidade de maior controle das empresas estatais de modo que ajustassem suas ações para
estatais foi diagnosticada na década de “70” contribuir para o equilíbrio macroeconômico
do século passado quando o país vivenciava o nacional.
segundo choque do petróleo e havia a necessidade
1 A título de exemplo, o volume financeiro previsto nesse instrumento
de ajustar a demanda agregada interna às novas
para 2017 é de R$ 1,3 trilhões.
condições macroeconômicas mundiais provocadas
pelo aumento da taxa de juros internacionais e 2 Empresa não dependente é aquela empresa controlada que não
consequente redução da demanda internacional. recebe do ente controlador recursos financeiros para pagamento de
despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de capital, sendo
Internamente, o país passava por aumento do permitido, no último caso, aqueles provenientes de aumento de
endividamento público, principalmente das participação acionária.

empresas estatais, inflação crescente, desequilíbrio


3 Os principais instrumentos de planejamento da ação governamental
no balanço de pagamentos e crescimento estão previstos na Constituição Federal são Plano Plurianual - PPA, Lei
econômico baixo. de Diretrizes Orçamentárias - LDO e as Leis de Orçamentos Anuais
– LOA.

Nesse cenário, uma das medidas adotadas pelo


Governo Federal, foi a criação da Secretaria de
Controle das Empresas Estatais - SEST, em 1979,
pelo Ministro Delfin Neto. Esse órgão recebeu
poderes para controlar as empresas estatais em
diversas dimensões, como a criação e expansão
do setor empresarial estatal na forma direta e
indireta; aumento de capital; limites de captação
de recursos por meio de operação de crédito;
limites para importação; controle de aquisição de
combustíveis; obrigatoriedade de recolhimento
de dividendos para União; limite de
remuneração de dirigentes; controle
de concessão de planos assistenciais
e benefícios a empregados. Essa
Secretaria possuía papel efetivo
de controle das empresas
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2 4 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

A atuação da SEST foi iniciada com levantamento Essa transformação institucional também se seguiu
do número de empresas estatais e a criação do com a mudança das competências do Departamento,
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orçamento das empresas estatais denominado de quando comparado à atual configuração da


“Dispêndio Global”. Esse documento foi elaborado Secretaria, que passou a centrar sua atuação na
pela primeira vez em 1979 com as projeções para o coordenação e governança das empresas e não
ano de 1980, consolidando mais de 300 empresas, mais no controle. O monitoramento concentrou-
com a finalidade de controlar diversos aspectos se na viabilização do cumprimento das metas
de suas atividades que impactavam a demanda fiscais pelas empresas estatais não financeiras,
agregada, e geravam aumento da pressão sobre a que teve importância ampliada com a publicação
balança comercial e sobre a inflação. da Lei de Responsabilidade Fiscal, no controle das
despesas com pessoal e benefícios, nos honorários
A história dessa peça orçamentária das empresas dos administradores e no equilíbrio financeiro dos
estatais não dependentes se confunde com fundos de pensão patrocinados pelas empresas
a posição dominante da sociedade refletida estatais. Dessa forma, o PDG passou a constituir
no posicionamento do governo em relação à a peça orçamentária completa das empresas,
necessidade de intervenção estatal na economia. permitindo a elaboração do Orçamento de
Assim, o número de empresas estatais foi sendo Investimentos previsto no Art. 165 da Constituição
reduzido no final do século passado, principalmente Federal e a implementação da política de aplicação
com as grandes privatizações de empresas como a das agências oficias de fomento.
Cia Siderúrgica Nacional – CSN, Embraer, Cia Vale
do Rio Doce - CVRD, Telecomunicações Brasileiras O plano de contas da então peça orçamentária
S.A. – Telebras, Rede Ferroviária Federal S.A, entre “Dispêndios Globais” tinha o objetivo de padronizar
outras. A redução do tamanho do setor estatal a base de captação de informações econômico-
levou à redução do status de Secretaria da SEST financeiras de todas as empresas estatais na fase
para Departamento de Coordenação e Governança de programação e execução orçamentária, bem
das Empresas Estatais – DEST em 1999. como manter a correlação de tais informações
entre os orçamentos públicos e as normas contábeis
normatizadas pela Lei 6404/1964. A evolução desse
plano nesse período buscava adequar o referido
documento às alterações nas regras contábeis e às
novas necessidades do governo, como apuração
da Necessidade de Financiamento Liquido – NEFIL
e demandas dos órgãos de controle.
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r e v i s ta d a s E S TA TA I S 2 5

O PDG hoje

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Atualmente, a peça orçamentária das empresas Ademais, o monitoramento do resultado primário
estatais é denominada “Programa de Dispêndios das empresas estatais federais não dependentes,
Globais – PDG”, cuja finalidade é avaliar o volume de conforme previsto no art. 9 da Lei Complementar nº
recursos e de dispêndios anuais das empresas estatais 101, de 4 de maio de 2000, Lei de Responsabilidade
não dependentes de modo a permitir a verificação Fiscal- LRF, pelo conceito “acima da linha”, é realizado
da sua compatibilidade com as metas de política com base nas receitas obtidas e na execução das
econômica governamental, bem como verificar a sua despesas informadas no PDG.
consonância com os objetivos e diretrizes de médio e
longo prazo, respectivamente, além da aderência ao O PDG atualmente possui dois grupos de planos
Plano Plurianual vigente e da promoção da equidade, de contas: de empresas financeiras e de não
da eficiência e da efetividade por meio das atividades financeiras. As programações orçamentárias das
das empresas estatais. empresas são elaboradas no conceito competência
e de caixa (esse último somente para as empresas
A elaboração do PDG segue o calendário do Orçamento não financeiras), e mantêm compatibilidade com os
da União tendo em vista que o gasto de tais empresas lançamentos contábeis das respectivas empresas,
estatais com ativo imobilizado corresponde ao apurados de acordo com a Lei nº 6.404, de 15 de
Orçamento de Investimento, previsto no Inciso II do dezembro de 1976 -Lei das Sociedades Anônimas.
parágrafo 5º do Art. 165 da Constituição Federal.
A programação e execução do PDG discrimina
A proposta de PDG é elaborada até agosto do ano as origens de recursos segundo a sua natureza 4 ,
anterior ao ano de referência e é encaminhada para conforme discriminado a seguir:
o Ministério supervisor para as devidas adequações e
posterior encaminhamento à SEST para consolidação
e encaminhamento para publicação por meio de
Decreto Presidencial, segundo as premissas elaboradas
pelo governo federal, como meta fiscal, parâmetros
macroeconômicos, entre outros.

Integra o PDG, um relatório resumido, denominado


“Usos” e “Fontes”, que compõe a Mensagem Presidencial
que encaminha o Projeto de Lei Orçamentária Anual
com a informação da origem das fontes de recursos
que financiarão os investimentos propostos pelas
empresas estatais e também permite demonstrar
a compatibilidade das receitas e despesas
dessas empresas com a meta de
resultado primário.
4 A estruturação do Programa é dividida em sete “blocos
orçamentários” principais e quadros auxiliares. Os primeiros são: 1)
Discriminação das Origens de Recursos (DICOR); 2) Discriminação das
Aplicações de Recursos (DICAR); 3) Demonstração do Fluxo de Caixa
(DFLUX); 4) Fechamento do Fluxo de Caixa (FEFCx); 5) Transferências
entre empresas do mesmo grupo; 6) Recursos de empréstimos/
financiamentos de longo prazo – Formulário 07; 7) Amortizações e
encargos financeiros decorrentes de empréstimos – Formulário 08.
Além dos quadros auxiliares contendo informações sobre as operações
de crédito programadas para o período e os respectivos desembolsos,
a metodologia para apuração do desempenho das empresas estatais -
“Necessidade de Financiamento Líquido” - segundo o conceito acima
da linha.
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2 6 r e v i s ta d a s E S TA TA I S
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Neste novo
contex to institucional, está sendo
elaborada uma reestruturação do Programa
de Dispêndios Globais – PDG com a finalidade
de uniformizar os orçamentos das instituições
financeiras e não financeiras; atualizar as contas
para manter maior correlação às normas contábeis
em vigor; melhorar o monitoramento das empresas,
em especial da gestão de pessoas, governança,
identificação dos gastos com depreciação de ativos
- Receitas Operacionais e Não imobilizados, amortização de ativos intangíveis;
Operacionais com impacto em contas atender demanda social por maior transparência;
de resultado; e e, pleitos de órgãos de controle por informação
econômico-financeira das empresas.
- Outros Recursos (aumento do Patrimônio
Líquido, Retorno de Aplicações Financeiras de Longo Dessa forma, o melhoramento do instrumento de
Prazo, Recursos de Empréstimos e Financiamentos - captação e aperfeiçoamento do detalhamento das
Longo Prazo, Debêntures, Depósitos a Vista – Bancos informações orçamentárias permitirá ao Governo
e outros) com impacto nas contas patrimoniais como Federal uma atuação mais efetiva no monitoramento
Aporte de Capital, financiamentos. das informações das empresas estatais, em especial
quanto aos seguintes aspectos:
Em relação às aplicações, a discriminação segundo
a natureza dos gastos encontra-se a seguir: 1. Consolidação das informações econômico-
financeiras programadas e realizadas pelas empresas
- Dispêndios Correntes - Pessoal e Encargos Sociais, estatais controladas diretamente ou indiretamente e
Materiais e produtos, Serviços de Terceiros, Tributos e pelo Governo Federal;
Encargos Parafiscais, Encargos Financeiros e outros.
2. Possibilidade de avaliação do volume de
- Dispêndios de Capital - Amortizações de Operações recursos e de dispêndios anuais das empresas e seus
de Crédito de Longo Prazo, Investimentos no Ativo respectivos impactos na economia nacional;
Imobilizado, Inversões Financeiras, Outros Dispêndios
de Capital, Dividendos e Aplicações em Operações de 3. Constituição em instrumento de
Crédito e outros. programação, apuração e acompanhamento da meta
de resultado primário das empresas estatais de forma
Em 2016, o Governo Federal adotou duas medidas a compatibilizá-la com a política fiscal do Governo
para melhorar a gestão das empresas estatais: Federal;
a transformação do DEST em SEST, agora com a
denominação de Secretaria de Coordenação e 4. Viabilização da elaboração do Orçamento de
Governança das Empresas Estatais, e a aprovação e Investimento das empresas estatais previsto no Inciso
publicação da Lei n. 13.303, de 30 de junho de 2016, II, § 5, do Art. 165 da Constituição Federal;
com a finalidade de melhorar a gestão das empresas
estatais por meio da inclusão de novas regras de 5. Viabilização do monitoramento gerencial
governança para escolha de seu corpo dirigente das empresas e acompanhamento da execução do
com foco na melhoria dos resultados econômicos, planejamento estratégico e, prospectivamente, como
financeiros e sociais das empresas. a gestão da empresa está sendo conduzida a fim de
obter equilíbrio econômico-financeiro.
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r e v i s ta d a s E S TA TA I S 2 7

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conheça
as empresas
e s tata i s – c o n a b

Companhia Nacional de Abastecimento


O alimento que nasce no campo percorre um longo caminho até chegar à mesa dos milhões de
brasileiros. E a Companhia Nacional de Abastecimento - Conab tem papel fundamental neste processo.
Vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, está presente em todo o país por meio
de superintendências regionais e ampla rede armazenadora.

Com a missão de promover a garantia de renda ao produtor rural, a segurança alimentar e nutricional e a
regularidade do abastecimento, gerando inteligência para a agropecuária e participando da formulação e
execução das políticas públicas, a atuação da Companhia antecede a decisão de plantar e vai muito além
da comercialização agrícola.

Informação e conhecimento
Na agropecuária a informação é determinante A Conab realiza o levantamento da safra brasileira
para o sucesso da atividade, e a Conab possui uma de grãos há 40 anos. O ano-safra 2016/17 registrou
diversidade de iniciativas no fornecimento de a maior safra da história do país, totalizando 237,7
informações técnicas de qualidade ao produtor e de milhões de toneladas de grãos.
geração de conhecimentos sobre o setor agrícola.

Uma delas é a previsão das safras brasileiras de


grãos, café e cana-de-açúcar, utilizando modelos
estatísticos e ferramentas de tecnologia de ponta
como o posicionamento por satélite, estimando
quanto o país deve plantar e colher.
Fonte: Conab - 12º levantamento da safra de grãos 2016/17
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Elabora, analisa e divulga os custos de produção O Programa Brasileiro de Modernização do Mercado


agrícola que são os principais parâmetros para Hortigranjeiro coordena a captação de dados
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estabelecer os preços mínimos e de referência dos relativos à comercialização de frutas e hortaliças


produtos. realizadas pelas Centrais de Abastecimento
brasileiras.
A Conab analisa constantemente o mercado
avaliando as oscilações de preços e prevendo oferta As informações geradas, consolidadas em uma única
e demanda de diversos produtos, tanto no mercado base de dados, permitem análises e projetos que
interno quanto no externo. Divulga periodicamente balizam as políticas públicas para esse importante
essas análises que servem tanto ao produtor rural, segmento da agricultura.
para organizar seu negócio, quanto aos agentes
públicos, para planejar políticas. Possui um banco Com o conhecimento gerado, a Companhia divulga
de dados composto por séries históricas de preços panoramas de culturas, trajetórias de preços,
agropecuários, fruto de pesquisa realizada em todo análises de mercado, receita dos produtores
o território nacional. brasileiros, levantamentos dos estoques privados,
entre outros. As informações prestadas são de
O desenvolvimento e modernização do setor extrema relevância para os produtores e agentes
hortigranjeiro é outra importante atuação da estatal. ligados à agropecuária nacional.

Políticas Agrícolas e de Abastecimento


A Conab conta com um conjunto de ações e A compra de produtos agrícolas é realizada por
instrumentos que têm o objetivo de atuar para meio de instrumentos como a Aquisição Direta do
que o preço de alimentos básicos não suba muito, Governo Federal e Contratos de Opção. É dessa
pesando no bolso do consumidor e nem baixe tanto forma que o governo consegue formar estoques e
que comprometa a renda do produtor. É a Política vender na hora certa, para regular o mercado. Para
de Garantia de Preços Mínimos. incentivar o escoamento da produção agrícola, de
áreas de concentração da produção para regiões
deficitárias de produtos, são utilizados instrumentos
como o Prêmio Equalizador Pago ao Produtor. Todo
o processo de leilões de vendas de estoques e
contratação de fretes é realizado por meio de seu
Sistema Eletrônico de Comercialização garantindo
transparência e melhor preço.
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Legenda: gráfico mostra o efeito da aplicação da PGPM, que resultou na retomada do preço (para acima do mínimo) recebido pelo
produtor rural.

Outra área estratégica é a armazenagem. A Conab possui uma ampla rede de unidades armazenadoras
distribuída pelo país, atendendo aos agricultores e oferecendo suporte a programas destinados à segurança
alimentar e nutricional. Seus armazéns são dotados de equipamentos para o processamento e guarda
adequada de produtos.

Legenda: Unidade Armazenadora da Conab em Uberaba/MG.


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A Companhia administra também o Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras, que traz, entre outras
informações, os dados técnicos e operacionais dos armazéns, suas capacidades estáticas e as coordenadas
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da localização geográfica. O cadastro possui um banco de dados, único no Brasil, que está disponível ao
público, e que auxilia no planejamento do escoamento de safras e fornece ao produtor informação de locais
para o armazenamento de seus produtos. O cadastro contribui para a otimização logística da comercialização
e ampliação da renda do produtor.

Políticas Sociais
O atendimento aos programas sociais, como o
Programa de Aquisição de Alimentos, é também
um importante foco de atuação da Conab. O PAA
permite ao Governo comprar produtos diretamente
da agricultura familiar. Essa medida assegura preços
remuneradores gerando renda aos produtores
familiares, e promove melhorias na condição de
alimentação das pessoas em situação de insegurança
alimentar e nutricional.

Legenda: PAA - escola beneficiária recebedora

Ao longo dos anos de operações do PAA pela Conab, muitas famílias têm sido beneficiadas pela venda de
seus produtos ao governo federal, obtendo garantia de renda e melhoria da qualidade de vida.

Número de beneficiários fornecedores do PAA, por modalidade, em 2017


REGIÃO/UF SEMENTES CDS CDAF CPR-ESTOQUE TOTAL
CENTRO-OESTE Total 91.260 2.475.570 2.371.104 4.937.934
NORDESTE Total 116.679 15.543.193 280.520 74.753 16.015.145
NORTE Total 133.476 8.617.295 518.608 9.269.379
SUDESTE Total 7.495.446 302.257 7.797.703
SUL Total 398.878 3.982.118 1.046.631 960.070 6.387.696
Total 740.293 38.113.622 1.327.151 4.226.792 44.407.857

Fonte: 13º Compêndio de Estudos Conab

No ano de 2017, por meio das organizações fornecedoras, o PAA entregou alimentos a 1.092 unidades
recebedoras, que realizaram 6.186.098 atendimentos às pessoas em situação de insegurança alimentar e
nutricional, sendo-lhes garantido o direito ao consumo saudável dos alimentos oriundos da agricultura
familiar.
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Número de unidades recebedoras e de atendimentos, por região, em 2017

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REGIÃO Nº. DE UNIDADES RECEBEDORAS Nº. Atendimentos
CENTRO-OESTE 103 837.506
NORDESTE 483 2.889.690
NORTE 214 900.828
SUDESTE 191 972.009
SUL 101 586.065
Total Geral 1.092 6.186.098

Fonte: 13º Compêndio de Estudos Conab

A empresa também tem papel decisivo no Programa No apoio aos criadores e às agroindústrias de
de Garantia de Preços para a Agricultura Familiar, que pequeno por te, a Conab executa o programa
assegura aos participantes do Programa Nacional de Vendas em Balcão, que permite o acesso aos
de Fortalecimento da Agricultura Familiar um estoques públicos de produtos agrícolas por meio
desconto no seu financiamento, o que os protege de vendas diretas a preços de mercado. O milho
de quedas excessivas no valor da sua produção. O em grão é o principal produto comercializado no
preço de referência é definido com base nos custos Programa, dando suporte ao pequeno produtor com
de produção levantados pela Companhia, que insumos necessários às suas atividades econômicas.
calcula ainda o valor do desconto a ser concedido,
considerando os acompanhamentos de preços de A doação de alimentos realizada pela estatal efetua
mercado. a distribuição de cestas destinadas às comunidades
em situação de insegurança alimentar e nutricional,
Atuando na conser vação, preser vação e uso como indígenas e quilombolas, e também
sustentável dos recursos naturais, a Companhia populações atingidas por adversidades climáticas.
promove suporte à renda e ao fortalecimento Na área de cooperação humanitária internacional,
econômico e social das comunidades de é feito o atendimento a refugiados e vítimas de
extrativistas e populações tradicionais. A Política desastres naturais, com produtos oriundos da PGPM,
de Garantia de Preços Mínimos para Produtos principalmente arroz e feijão.
da Sociobiodiversidade desenvolve este papel,
pagando a diferença do valor aos que comprovarem
que realizaram a venda de seu produto por preço
inferior ao preço mínimo fixado pelo Governo
Federal.

Legenda: quebradeira de coco babaçu do Maranhão, beneficiária


da PGPM-Bio
Legenda: entrega de alimentos em comunidade indígena
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3 2 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

A atuação da Conab é ampla e diversificada: prevê safras, provê estoques, escoa a produção, regula preços,
harmoniza oferta e demanda e distribui alimentos, indo, muitas vezes, aonde nenhum outro órgão público
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consegue chegar.

E na essência de toda essa dinâmica, está o cidadão, origem e destino de todos os esforços da Companhia,
empenhada em oferecer um serviço público de qualidade cada vez melhor para a sociedade brasileira no
cumprimento da sua missão.

Programa de Vendas em Balcão (Milho em grãos)


Venda, receita, atendimento e clientes atendidos - 2017
UF Venda (kg) Receita (R$) Nº atendimentos Nº clientes atendidos (CPF)
AC 1.197.450,00 678.246 2.624 439
AL 7.439.757,94 4.454.430 5.217 1.105
AM 3.467.100,00 2.040.719 3.413 541
BA 4.337.181,12 2.451.359 3.147 1.269
CE 47.022.670,01 26.988.087 23.005 5.744
DF 4.372.145,10 2.002.493 5.308 797
ES 7.630.625,72 4.553.288 5.520 1.450
CMY

CY

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GO 8.792.392,09 3.946.226 6.149 1.260
K

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MA 4.282.378,04 2.526.645 3.106 605
MG 1.096.263,76 713.331 1.218 224
PA 527.407,17 312.666 244 33
PB 29.763.728,66 17.711.684 18.126 3.174
PE 12.810.969,28 7.537.944 8.044 2.069
PI 16.822.179,64 10.035.294 15.955 3.169
RJ 110.300,00 67.201 152 111
RN 41.626.087,45 24.143.462 26.263 5.512
RO 1.352.916,18 767.833 2.801 529
RR 4.610.050,00 2.651.457 6.591 1.234
RS 7.531.898,00 3.718.308 1.920 644
SC 192.411,00 109.426 24 19
SE 619.592,31 355.562 286 163
TO 472.440,00 284.989 917 253
TOTAL 206.077.943,47 118.050.650 140.030 30.344

Fonte: EDVB (26/01/2018).

Texto e imagens fornecidos por Nastassja Ferreira Tolentino, Gerente de Eventos e Promoção Institucional
da Conab.

Para mais informações, visite o site da empresa: http://www.conab.gov.br/


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c o n h e ç a a s e m p r e s a s e s tata i s – e m b r a pa

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E m b r a pa i n v e s t e e m m u d a n ç a s pa r a e n f r e n ta r o s
desafios do futuro
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
(Embrapa), em seus 45 anos, a serem completados em
abril, construiu uma trajetória de sucesso. Vinculada ao
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(Mapa), é hoje a maior referência em pesquisa e
tecnologia agropecuária no mundo tropical.

Os resultados de quatro décadas de atuação da


Embrapa ajudaram a diminuir o valor da cesta básica
em mais de 50% e colocaram o Brasil entre os maiores
exportadores de alimentos do globo.
E m b r a p a Agro s s i l v i p a s to r i l – Fo to : K e y l e B a r b o s a d e
Menezes

Uma única pesquisa, um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança
33,9 milhões de hectares de soja, permitiu aos agricultores e ao país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de
14 vezes o orçamento anual da Embrapa, apenas na última safra. E os agricultores ainda não precisaram ter o
trabalho de aplicar fertilizante nitrogenado.
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3 4 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

O desafio da Embrapa é desenvolver, em conjunto Atualmente, a agropecuária brasileira utiliza


com os parceiros, um modelo de agricultura e pecuária tecnologia e é uma das mais eficientes e
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genuinamente brasileiro, superando as barreiras que sustentáveis do planeta. Incorporou aos sistemas
limitavam a produção de alimentos, fibras e energia produtivos uma larga área de terras degradadas dos
no nosso País. cerrados, região que hoje é responsável por quase
50% da produção nacional de grãos. A oferta de
carne bovina e suína foi quadruplicada e a de frango,
ampliada em 22 vezes.

As crises de abastecimento de produtos básicos, como


feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das
décadas de 70 e 80. Se no passado o brasileiro só
consumia determinadas frutas e hortaliças (como
uva e cenoura) em meses específicos, hoje elas estão
presentes nas prateleiras o ano inteiro. O Semiárido
nordestino, com forte contribuição da ciência,
atualmente exporta uvas, goiaba, manga e outras
Etanol e Biodiesel – Foto: Zineb Benchekchou
frutas tropicais, algo inimaginável há 30 anos.

Os profissionais da Embrapa desenvolvem e


aplicam conhecimentos e técnicas modernas
para melhorar a produtividade, a nutrição e a
sustentabilidade em alinhamento com os Objetivos
do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Além dos benefícios para a população, o País também


ganha tornando-se cada vez mais competitivo no
mercado global.

Goiaba – Foto: Paulo Lanzetta

Nanotecnologia no Agronegócio – Foto: Pedro Hernandes

Manga semiárido - Foto: Fernanda Birollo

Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a


produção de grãos em 555,6%, sem ampliar a
área plantada em grandes proporções (163,43%).
Essas são algumas das conquistas que tiraram o País
de uma condição de importador de alimentos básicos
para a condição de um dos maiores produtores e
exportadores mundiais.

Bovino Nelore – Foto: Eugenia Ribeiro


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Presente em todas as regiões do País, a Embrapa


conta com programas de melhoramento genético

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que exploram diferentes fileiras do setor agropecuário,
incluindo grãos, pastagens, frutas, hortaliças, mandioca,
espécies florestais, além da pecuária e da aquicultura.

“Não há registro de outra instituição de pesquisa


no mundo que tenha um leque de atuação tão
diversificado, consolidado em programas de
melhoramento avançado”, explica Maurício Lopes,
presidente da Embrapa.

Como resultado, a Empresa ofereceu ao País, em 2017,


um lucro social de R$ 37,18 bilhões, apurado com
base nos impactos econômicos de uma amostra de
113 tecnologias e 200 cultivares desenvolvidas pela
Empresa e seus parceiros – em especial as organizações
Maurício Lopes – Foto: Jorge Duarte estaduais de pesquisa – e transferidas para a sociedade.
Isso significa que, a cada R$ 1 investido na Empresa, o
retorno social foi de R$ 11,06.

A Embrapa tem papel de relevância e contribuição significativa para o avanço e sucesso alcançados pela
agropecuária até hoje. Para isso, investiu fortemente em modernos laboratórios e equipamentos e, sobretudo,
no treinamento de seus recursos humanos – hoje, são 9.579 empregados, sendo 2.438 pesquisadores.

Desenvolve pesquisas que geram conhecimentos e “Se o Brasil conquistou o posto de influente ator
tecnologias, por meio de parcerias públicas e privadas, mundial em dois setores de importância vital,
de atuação nacional e internacional, transformando o meio ambiente e a segurança alimentar, tal
toda a cadeia de fibras, energia, madeira e alimentos, patamar é consequência do trabalho da ciência e
desde o mercado de insumos, passando pela produção da determinação e ousadia do setor produtivo. Essa
agropecuária, a agroindústria, até a comercialização parceria precisará ser ainda mais ampliada para se
de produtos de origem agropecuária. Esse ciclo é fortalecer as bases que garantirão a qualidade de
pautado por agendas estratégicas orientadas a manter vida para todos no planeta”, argumenta o diretor de
a agropecuária competitiva, dentro do paradigma do Pesquisa & Desenvolvimento, Celso Moretti.
desenvolvimento sustentável.
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integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com


reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a
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expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica


de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos
resíduos sólidos.

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC)


é outro exemplo de política pública com grandes
benefícios para a sociedade. Trata-se de um
mapeamento das áreas de produção que indica as
melhores datas de plantio de mais de 40 culturas
para cada município brasileiro, reduzindo o risco de
Laboratório Embrapa Soja – Foto: Gustavo Porpino
perdas por fatores climáticos. A Embrapa validou a
metodologia adotada pelo Ministério da Agricultura
Segundo ele, o conhecimento gerado pela Embrapa
desde 1986 e, junto com instituições parceiras
e pelas demais instituições de ciência tem ajudado
de pesquisa, atualiza, analisa e define novas
os legisladores a produzir decisões que refletem
condições para elaboração do zoneamento de
diretamente na economia e na sociedade.
riscos climáticos no Brasil. O zoneamento agrícola
é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Futuro
Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção
agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase
100% nos países em desenvolvimento, para alimentar
a crescente população, excluindo a demanda para
biocombustíveis.
Campo Experimental Embrapa Agrossilvipastoril, Sinop, MT –
Foto: Gabriel Faria Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros
são enormes e exigem um olhar atento para o
Temas como propriedade intelectual, transgênicos e futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem
código florestal são alguns casos que foram beneficiados investido fortemente em tecnologias de ponta, como
pela contribuição qualificada da pesquisa. Outro caso sequenciamento de genomas de plantas e animais,
de destacada importância como política pública é o clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.
Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), do
Governo Federal, por meio do Ministério da Agricultura.

O ABC é uma linha de crédito para o produtor rural


desenvolver sua atividade com menos impacto
ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É
uma medida do Brasil para atender ao compromisso
firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas
(COP 15), de 2009.

As principais tecnologias relacionadas são a recuperação


de pastagens degradadas, a ampliação da área com
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“A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua
eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa
de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com alteração
em toda a estrutura e nos processos”, diz o presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a “Capacidade de influenciar é parte da Missão da


quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de Embrapa e será a base de motivação para as mudanças
pesquisa e inovação. Também no ano passado, a que estamos promovendo para nos alinharmos cada vez
Embrapa adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das mais efetivamente às agendas relevantes do país, fazer
Estatais e produzido com a orientação da Secretaria escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto
de Coordenação e Governança das Empresas que possam comprovar a qualidade das nossas entregas
Estatais (SEST ) do Ministério do Planejamento, para a sociedade”, afirma o presidente Maurício Lopes.
Desenvolvimento e Gestão.
Texto e imagens fornecidos por Gilceana Soares
De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Moreira Galerani, Assessora do Presidente, Embrapa.
Cleber Soares, “a Embrapa tem feito grande esforço
para dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e Para mais informações, visite o site da empresa:
obter maior proximidade com o mercado de inovações https://www.embrapa.br/
tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que
a instituição continue atendendo a sua missão”. O
esforço é para garantir a otimização dos processos e
o foco da Empresa em inovação e proximidade com
o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias
públicas e privadas.
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3 8 r e v i s ta d a s E S TA TA I S

Roberto Meira de Almeida Barreto


Diretor Presidente - EMGEA
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Artigo do CEO:
Antes de estar Diretor-Presidente da Empresa Gestora de anos, e superintendente estadual no Ceará, em Minas
Ativos S.A. - EMGEA, sou filho de “seu” Pelópidas e de dona Gerais e no Distrito Federal, de 1994 a 2002. De 2003 até
Lita - o mais velho, de um total de seis irmãos. Deixamos 2008, após aposentar-me do Banco do Brasil, atuei nos
Campina Grande, na Paraíba, onde nasci em 1954, e setores público e privado: fui secretário de turismo do
chegamos a São Paulo em 1966, nordestinos e pobres, Governo do Estado do Ceará, superintendente de Governo
como a grande maioria dos imigrantes que ali aportavam. Federal do Grupo Santander Banespa, presidente da Dan
Herbert S/A Construtora e Incorporadora, e criei a minha
Meu primeiro emprego, quando ainda se podia começar própria empresa de consultoria.
a trabalhar com essa idade, foi o de office boy, aos doze
anos. Nisso repeti meu pai, que foi meu grande exemplo Em maio de 2016, após atuar no setor privado e ter sido
de vida. De minha mãe, guardo até hoje as palavras: - “Ao conselheiro de algumas empresas (sou certificado pelo
lidar com dinheiro dos outros, cuide dele como se fosse IBGC como Conselheiro de Administração), fui convidado
seu, mas não se esqueça que não lhe pertence.” Essa lição para ser Diretor-Presidente da Empresa Gestora de Ativos
eu trouxe para minha vida profissional: acredito que o S.A. - EMGEA, com o imenso desafio de promover a
administrador sério tem de se preocupar, sempre e em continuidade da estatal, que então vivia uma grande crise
primeiro lugar, com a coisa pública. Manusear o que não em face da diminuição das carteiras de ativos adquiridas
é nosso torna maior a responsabilidade de tê-lo a nossos da Caixa Econômica Federal quando de sua criação,
cuidados. em 2001, e posteriormente, em 2014 (à medida que os
créditos sob gestão da empresa são recebidos, seus ativos
Foram mais de cinquenta anos de luta, desde o início totais diminuem). Além disso, a empresa se ressentia (e
como office-boy até tornar-me Diretor-Presidente da ainda ressente) da não novação de dívidas, pela União, de
Empresa Gestora de Ativos S.A. - EMGEA, empresa pública créditos da EMGEA perante o FCVS, que perfazem cerca
do Governo Federal. de 81% dos ativos da empresa.

Minha formação profissional se construiu basicamente Em minha posse, sequer existiam assegurados os recursos
no Banco do Brasil, onde ingressei por concurso público necessários para a folha de pagamento da EMGEA do mês
em 1974 e lá permaneci por trinta anos, os últimos dez seguinte e era clara a disposição do acionista controlador
como executivo da empresa. Uma escola maravilhosa, que de encerrar as atividades da empresa.
efetivamente me preparou para a vida e para o mercado.
No entanto, ao longo de minha experiência profissional
Meus estudos acadêmicos tiveram início na UNIFOR pude ver demonstrado que recuperar créditos, embora
Universidade de Fortaleza, onde bacharelei em Direito, necessário a quaisquer bancos e quaisquer esferas
e prosseguiram através de especializações cursadas governamentais, é matéria que consome seus recursos
entre 1996 e 2000, sob a égide da Universidade Banco e que foge a seu escopo, o que habitualmente se traduz
do Brasil: Formação para Altos Executivos, pela FGV em ineficiência.
Fundação Getúlio Vargas; Finanças, pela Fundação Dom
Cabral; Executivo Internacional, pela APG Amana Key; e
Governança Corporativa, pela FIPECAF USP. Esses estudos
me capacitaram para os desafios que sobreviriam durante
minha carreira no Banco do Brasil e também para os que
se apresentaram depois que encerrei minha trajetória
nesse gigante do mercado financeiro.

Naquela estatal, fui gerente-geral de agência, por cinco


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Assim, em conjunto com toda a Diretoria da EMGEA, e todo Além disso, com essa plataforma dotamos a empresa de
seu corpo funcional, busquei preparar a empresa – única recursos tecnológicos para abarcar os novos negócios que

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empresa pública federal especializada - para continuar decorram de novas aquisições de carteiras de créditos
a atender à sua demanda original, de recuperar créditos ou da prestação de serviços de cobrança administrativa
oriundos da administração pública federal, e também para de créditos sob gestão da Secretaria do Patrimônio da
prestar outros serviços ao Governo. União - SPU ou de outras entidades da administração
pública federal.
Neste período de minha administração, promovemos
o aprimoramento dos processos da organização e dos Em 2017, coroando nossos esforços, dois atos normativos
instrumentos de gestão. A empresa prosseguiu na sua vieram ampliar as possibilidades de negócios para a
estratégia exitosa de conceder abatimentos de acordo EMGEA: a Lei nº 13.465, de 11.7.2017, possibilitou à
com a realidade dos créditos, facilitando a conciliação EMGEA prestar serviços de cobrança administrativa e
(os esforços conciliatórios da EMGEA, em sintonia com de arrecadação de receitas patrimoniais sob a gestão da
a Justiça Federal, já renderam um resultado de cerca de SPU; e a Lei nº 13.530, de 7.12.2017, permitiu às empresas
R$ 3 bilhões), mas sem jamais incentivar a cultura da e instituições financeiras adquirir ativos representados
inadimplência, expressa popularmente no pensamento de por financiamentos concedidos com recursos do Fundo
que “se eu não pagar lá na frente, vou pagar bem menos”. de Financiamento Estudantil - FIES, bem como prestar
serviços de cobrança administrativa e de administração
O processo de governança corporativa foi aprimorado e de tais ativos, dispensado o processo licitatório nos casos
integralmente alinhado às exigências da Lei das Estatais (Lei de empresas públicas e de instituições financeiras oficiais
nº 13.303, de 30.6.2016) e do Decreto que a regulamentou federais.
(Decreto nº 8.945, de 27.12.2016), e das Resoluções da
Comissão Interministerial de Governança Corporativa Com isso, o ano de 2018 assinalou o início de um novo
e de Administração de Participações Societárias da ciclo para a EMGEA, que está apta a continuar a atender
União - CGPAR, o que rendeu à EMGEA o Certificado a uma demanda inerente ao mercado de crédito e,
Nível 1 na 1ª Certificação do Indicador de Governança particularmente, das instituições financeiras federais –
IG-SEST, criado pela Secretaria de Coordenação e a possibilidade de, mediante a transferência de ativos,
Governança de Empresas Estatais - SEST, do Ministério promover a reestruturação patrimonial e a adequação do
do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, com o capital aos níveis exigidos pelas autoridades reguladoras
“objetivo de acompanhar o desempenho da qualidade – e preparada, também, para atender a demandas de
da governança das empresas estatais federais, para fins entidades da administração pública federal, a exemplo
de mensuração do cumprimento dos requisitos exigidos da prestação de serviços de cobrança administrativa de
pela Lei nº 13.303, de 30 de junho de 2016, regulamentada créditos sob gestão da SPU.
pelo Decreto nº 8.945, de 27 de dezembro de 2016, e
diretrizes estabelecidas nas Resoluções CGPAR, buscando Constituirá, também, grande desafio consolidar, com
conformidade com as melhores práticas de mercado e toda a equipe da empresa, uma cultura de compliance
maior nível de excelência”. e gestão de riscos, condizente com as melhores práticas
do mercado, aprimorando ainda mais a governança
Gostaria de destacar que desenvolvemos, na própria e blindando a EMGEA de quaisquer interferências
empresa, uma plataforma tecnológica que permitiu indesejáveis, mitigando eventuais riscos que uma empresa
internalizar parte dos contratos das carteiras de créditos, desse porte não deve correr.
que eram, até então, processados em sistemas corporativos
de empresa contratada para a prestação de serviços. O Só posso finalizar externando meu agradecimento ao
desenvolvimento dessa plataforma representa um marco Governo Federal que tem entendido e possibilitado,
no processo de recuperação de créditos na EMGEA, na a mim e a toda a equipe da EMGEA, cuidar com zelo
medida em que oferece ferramentas próprias e específicas da coisa pública e expandir os negócios da EMGEA,
para gerir e acompanhar o desempenho das carteiras de reafirmar a Missão da empresa, de gerir e recuperar ativos,
créditos, e também possibilita a contratação de novas contribuindo assim para a eficiência da administração
empresas prestadoras de serviços, para incrementar pública, essência do interesse coletivo que motivou sua
os esforços de cobrança e geração de resultados (no criação e que justifica plenamente sua existência.
quarto trimestre de 2017 foram contratadas quatro novas
prestadoras de serviços).
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coluna do
conselheiro
Integrar o Conselho de Administração de uma descrição da composição e da remuneração da
empresa pública é assumir a responsabilidade de administração, além de outros dados que permitam
zelar ativamente pela sustentabilidade da instituição, fazer a devida gestão de risco, de conduta e de
observando o cumprimento dos seus objetivos de integridade, conforme as melhores práticas de
políticas públicas, o interesse público, sem deixar governança corporativa.
de lado a saúde financeira e a competitividade da
empresa junto ao mercado em que atua. Como conselheiro da Agência Especial de
Financiamento Industrial – FINAME e da Agência
Não se espera que um conselheiro seja mero de Desenvolvimento do Distrito Federal - TERRACAP,
chancelador de decisão da Diretoria da empresa, é minha responsabilidade acompanhar pari passu
pelo contrário. O profissional que atua nessa posição as ações realizadas pela empresa e sua política
necessita deter conhecimento técnico a respeito de gestão, levando em conta o impacto em todas
de seus deveres, da história da organização, bem as partes interessadas, bem como a conjuntura
como do mercado que seja foco da área de atuação econômica e tendências de mercado no qual se
da instituição. A profissionalização do papel do insere. Também é papel atribuído ao Conselho de
conselheiro tem sido crucial para implementar Administração a função de estabelecer meios para
práticas de compliance e boa gover nança, o alinhamento e integridade das informações que
bem como promover seu monitoramento com são divulgadas.
tempestividade, integridade e transparência. Para
alcançarmos essa realidade, a edição da Lei das Com a criação da Secretaria de Coordenação e
Estatais foi fundamental. Governança das Empresas Estatais – SEST, em
substituição ao que era um departamento, foi
Antes da Lei de Responsabilidade das Estatais, dado um salto na qualidade do acompanhamento
não havia diretrizes tão claras e objetivas sobre da governança corporativa e adaptação das
uma série de procedimentos indispensáveis para organizações. Além disso, o trabalho feito junto aos
profissionalização e qualificação da gestão. Com conselheiros tem sido bastante sólido no sentido de
a Lei nº 13.303, de 30 de junho 2016, passamos acolher e dar suporte a quem está desempenhando
a ter regras que visam aumentar a eficiência de essa função. São ofertados cursos e treinamento,
sua atuação, melhores resultados em termos além de um rol de publicações que apresentam de
de valorização, produtividade e lucros, além de forma direta e prática as responsabilidades inerentes
combater desvios gerenciais. A cada uma cabe a ao desempenho que se espera do conselheiro. Mas
elaboração de carta anual, subscrita pelos membros não é apenas o apoio do ponto de vista da atuação
do Conselho de Administração, na qual são geral do conselheiro que existe o apoio. No dia-
apresentados seus compromissos frente aos seus a-dia, a SEST também busca prover o conselheiro
objetivos estatutários, com indicação de recursos, de cenários, projeções e informações tempestivas
impactos econômico-financeiros, além dos seus para a tomada de decisão, oferecendo respaldo e
respectivos indicadores e metas de desempenho. segurança, o que fortalece a atuação profissional
Também é obrigação divulgar fatores de risco, junto aos conselhos.
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r e v i s ta d a s E S TA TA I S 4 1

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Em minha atuação ativa como conselheiro, utilizo
a experiência de gestor público e economista
para pautar minhas decisões com argumentos
construtivos e pontos de vista que contribuam para
os atos da empresa sob fiscalização do colegiado.
E, tendo tido esse papel em diversas instituições,
atesto a transformação que vem ocorrendo nas
empresas e no comprometimento e qualificação
técnica que são exigidos de seus administradores
e conselheiros.

O s re s u l t a d o s s ã o v i s í ve i s e m t e r m o s d o
amadurecimento dos instrumentos disponíveis
para gestão e controle das estatais, permitindo,
efetivamente, o monitoramento de aspectos Marcos Adolfo Ribeiro Ferrari
fundamentais da saúde econômico-financeira,
Doutor em Economia, foi Conselheiro da Agência
integridade, produtividade. Assim, incentiva- Especial de Financiamento Industrial – FINAME e
se perenemente o cumprimento dos objetivos da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal
institucionais de forma ética, responsável e – Terracap. Já atuou como conselheiro em estatais
sustentável no longo prazo. do setor elétrico e foi Presidente do Conselho de
Administração da Caixa Econômica Federal. Dentre
cargos anteriormente ocupados, foi Secretário Adjunto
da Secretaria de Política Econômica do Ministério da
Fazenda e foi também Secretário de Planejamento e
Assuntos Econômicos do Ministério do Planejamento,
Desenvolvimento e Gestão.

Coluna editada em: 13 de abril de 2018.


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