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PRIMEIROS SOCORROS QUE SALVAM VIDAS

clipado do site www.hangon.com.br

SANDRO MARCOS DA SILVA gebsate@hotmail.com Contribuição e Revisão de Pedro Lacaz do Amaral parede@parede.com.br

Hoje se fala muito nos clubes de excursionismo sobre primeiros socorros, resgate em altura, salvamento e etc. Se lê muito em livros de montanhismo verdadeiras receitas para resgate e remoção de vitimas, técnicas mirabolantes com sistemas de roldanas e tantas outras técnicas que na prática funcionam bem diferente, pois não contamos com alguns fatores que são de suma importância no sucesso de um pronto atendimento, como o fator psicológico de a vítima estar em estado grave onde os ferimentos por ela apresentados pesarem em nosso fator visual e vê-la naquele estado deprimente com sangue e fraturas, além de vários sintomas.

Existe uma grande diferença entre resgate e remoção de vítima, portanto devemos saber desenvolver todos os procedimentos para que assim não percamos a vitima em um transporte, ou seja, enquanto cuidamos dos ferimentos acabamos por esquecer os sinais vitais, que são o principal no atendimento pré-hospitalar.

Prestar socorro a alguma pessoa necessitada é um dever de todos os cidadãos (previsto em nosso código penal), mas se não sabes o que fazer então não faça, pois um socorro mal prestado pode acarretar sérias lesões para a vítima sendo que algumas delas podem se tornar seqüelas permanentes.

Um exemplo freqüente disso é a famosa técnica de "ajunta-terapia" onde alguns "heróis" ajuntam, literalmente, a vítima de qualquer jeito encaminhando-a o mais rápido para um hospital, sem saber se há, ou não, alguma lesão de coluna; sendo que com essa técnica você

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pode deixar facilmente alguém paraplégico ou mesmo tetraplégico

responsabilidade e não queira ser responsável por mudar o veículo de condução de uma pessoa de carro para cadeira de rodas

Tenha bom senso,

A princípio o atendimento pré-hospitalar (antes do hospital) deveria ser padronizado em todo o

Brasil, o que infelizmente não ocorre. Cada estado possui um sistema de protocolo no atendimento, muitas entidades ainda ministram cursos de primeiros socorros baseados na década de 50 ou mesmo antes dessa época, devemos nos atualizar ou procurar um curso que realmente ofereça o que necessitamos.

No estado de Santa Catarina o Auto Socorro de Urgência (ASU) baseia seus procedimentos no PEET (Programa de Enfrentamento às Emergências e Traumas), no PAPH (Programa de

Atendimento Pré Hospitalar) e no ATLS (Advanced Trauma Life Support), onde este socorrista

é formado.

Então descrevo, a seguir, alguns procedimentos que podem fazer a diferença entre um socorro eficaz e um socorro medíocre:

Esses procedimentos não têm como principal objetivo exonerar outras técnicas de diferentes estados e de profissionais, mas, sim, servir como mais uma fonte e suporte em um possível atendimento pré hospitalar.

Imagine-se chegando em um ambiente onde você encontra uma pessoa deitada ao chão:

PARE, PENSE E ANALISE O POR QUE DE ELA ESTAR DEITADA, será que caiu de um andaime? Atropelamento?

Antes de tudo pense em sua segurança. Verifique os perigos iminentes e vigentes. Sem essa análise, nem todo o conhecimento de anatomia e fisiologia do mundo vai poder salvá-lo.

Verifique se a vitima não esta grudada em um fio de eletricidade, se o ambiente não possui cheiro forte de gás, ou qualquer outra situação que possa colocar a sua segurança em risco.

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Veja se existe sangue no local. Não queira bancar o herói e acabar se tornando mais uma vitima.

O próximo passo é chamar a vítima de longe, ("Ei, amigo, você esta me ouvindo? Algum

problema?") Se você não obtiver uma resposta verbal, aproxime-se dela e apertando como uma firme pinça no músculo trapézio; aquele em cima dos ombros e próximo ao pescoço, fale novamente com ela; pois se ela estiver inconsciente e precisando de ajuda certamente não irá responder a essa pressão, pois é um músculo altamente sensível e uma pessoa consciente responde rapidamente a essa ação.

Se não tiveres resposta verbal por parte da vitima execute o "VOS": Ver - Ouvir - Sentir, que é

o procedimento para verificar se a vítima está respirando e o coração batendo. A ausência de batimentos cardíacos e de respiração é o que mais vai matar. A partir de 2 minutos sem oxigenação, o cérebro começa a ter lesões irreversíveis.

1 - Ver a cavidade abdominal se expandindo ou não

2 - Ouvir o ar saindo do nariz e da boca da vítima

3 - Sentir os batimentos cardíacos através da artéria carótida, localizada logo ao lado do pomo de Adão (gogó), com apenas dois dedos (sem usar o polegar, que possui uma artéria pulsante que pode confundir os seus batimentos com os da vítima). Dessa forma você vai saber se ela respira e se o coração bate.

O

procedimento de desobstrução das vias aéreas superiores, deve ser feito no exame primário,

e

não no secundário.

O

exame primário consiste em Desobstrução e manutenção da vias aéreas, respiração

(ventilação artificial, se necessário) e circulação (se for um quadro de parada cardíaca, fazer massagem). Lembrando, isto é o que mais mata, portanto, deve ser feito no exame primário. Porém, mesmo depois deste exame, quando partimos para o exame secundário, devemos voltar a cada 2 minutos, no máximo, para as vias aéreas, circulação e etc, pois a vítima pode parar de respirar, de uma hora para outra. Não abordaremos como se faz isso neste texto por se tratar de assunto por se tratar de assunto delicado, portanto vá fazer um curso de primeiros socorros e suporte vital para "sanar esta dúvida".

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Bom, nesse caso a vítima esta respirando e o coração batendo, então devemos passar para a análise secundária onde através de uma técnica de palpação devemos procurar possíveis ferimentos do tipo queimaduras, fraturas, hemorragias, cortes, materiais empalados, perfurações dentre outros.

Durante o exame primário, já devemos imobilizar a região cervical, para evitar outras lesões. Mesmo porque, a primeira parte do juramento de Hipócrates (aquele que os médicos fazem), diz: "Primeiro, não lese." Com o primeiro-socorrista, é a mesma coisa. Devemos evitar o agravamento das lesões existentes e o surgimento de novas lesões.

Se a vítima estiver inconsciente, tiver sofrido queda, pancada na cabeça ou apresentar lesões na cabeça, ela deve ter sua região cervical imobilizada. Alguns socorristas gostam de chegar na vítima e já imobilizar, independente de qualquer coisa. É um tipo de procedimento. O fato é que na hora das dúvidas, em se tratando de salvar vidas, é melhor prevenir.

Inicie pela cabeça analisando todos os ossos do crânio como se estivesse massageando o

couro cabeludo com as pontas de seus dedos, assim você poderá constatar possíveis traumas no crânio como deformações e sangramentos, entre outros. SEM MOVIMENTAR A CABEÇA

, continue analisando e

siga em direção à coluna cervical (nuca) apalpando suavemente todas as vértebras e veja se não há sangramento, dê uma boa olhada atrás das orelhas, pois uma mancha escura cianótica nesse local pode identificar um TCE (Traumatismo Craniano Encefálico) veja se não tem sangramento ou secreção no aparelho auditivo, agora siga para a face da vítima, apalpando todos os ossos da face, os da cavidade orbital, nasal, o osso zigomático (osso embaixo das bochechas), maxilar, mandíbula (a verificação se há algo obstruindo as vias respiratórias como dentadura, chiclete, balas e etc. já foi feita na análise primária).

DA VÍTIMA

Agora siga em direção à traquéia, veja se ela não possui nenhum desvio, passe para a cavidade torácica e apalpe todas as costelas seguido de uma compressão com as duas mãos de fora para dentro e de cima para baixo, siga para a região abdominal, colocando uma mão sobreposta à outra apalparemos toda a região da barriga; pois se a vítima sofrer de hemorragia interna ela apresentará um abdomem bastante rígido que também pode ser identificado através de mancha escura no local, necessitando levantar a camisa e baixar um pouco a calça da vitima para uma correta avaliação.

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Chegou a hora de analisar a região pélvica: a famosa bacia - aqueles ossos grandes que temos na cintura - verifique se não existe fratura, da mesma forma que você fez as compressões no tórax faça agora na pélvis e depois siga para os membros inferiores, começando pelo fêmur, o maior osso do corpo, passe para a patela (chamada antes de rótula) ou simplesmente o joelho, vá em frente e veja o osso da canela (tíbia) e, logo atrás dele, a fíbula (antigo perônio).

Agora no pé analise todos os ossos, se possível, mas haverá a necessidade de tirar o calçado

da vítima (essa parte é a mais perigosa; pois xulé alheio pode ser fatal

fazer uma flexão do tornozelo e joelho para verificar se as articulações não possuem problemas, não force essa flexão se o movimento estiver difícil, faça todos esses procedimentos na outra perna sem passar por cima da vítima e depois siga para os membros superiores.

).

Não esqueça de

Começando pela clavícula, em direção aos ossos do braço, úmero, rádio e ulna, ossos da mão (faça também a flexão do cotovelo e proceda da mesma forma para com o outro braço sem sair do lado em que você se encontra, pois dessa forma você não corre o risco de cair sobre a vítima).

Depois de analisarmos toda a vítima, vem a parte mais complicada que é a análise da coluna vertebral lombar, nesse caso se faz necessário um rolamento da vítima, o que para uma pessoa só é complicado e arriscado, mas muitas vezes se faz necessário pois o transporte da vítima o mais rápido possível pode fazer a diferença entre viver e morrer, na dúvida não desloque ela do lugar, sendo que para o transporte precisamos de uma maca rígida.

Você acabou de realizar dois grandes procedimentos em um atendimento que chamamos de ANÁLISE PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA sem que a vitima apresentasse alguma complicação do tipo parada cardíaca ou respiratória e os procedimentos a serem adotados em tais situações você pode conhecer contactando com o grupo ecológico Águia Dourada - Grupo Ecológico de Busca, Salvamento e Treinamento através do endereço: Rua Jordânia 364 bairro das Nações - Balneário Camboriú CEP 88330-000 Santa Catarina email - gebsate@hotmail.com

Teremos o maior prazer em lhe enviar gratuitamente informações sobre atendimento pré hospitalar.

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O autor é Montanhista, Presidente da ONG Águia Dourada formado no Programa de Enfrentamento às Emergências e Traumas e Programa de Atendimento Pré Hospitalar pelo Comando do Corpo de Bombeiros de Florianópolis, Santa Catarina, e no ATLS Advanced Trauma Life Support. SANDRO MARCOS DA SILVA Contribuição e Revisão de Pedro Lacaz do Amaral, Parede Esportes de Montanha parede@parede.com.br