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AntónioGilHernández

T es e

Re¡nte gtaG¡on¡sta
1983.1984
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ISBN: 8 1 "7 1 s2 ' ? 1 7 ' 8
De p ó sitoL e g a l: C - 5 1 9 1 9 8 4
Gráfias do Castro/M0ret- 0 Castro,
Sada, A Comria. 1984
46"/4/a¿ pzlanat f/e uanh"l4o¿

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e a/zrz/eauatn a7//eln a^qd,a¿¡a

l* ¿ /t@n/atub,

III
A cantos Loitaron e sofriron
pala conservación da nosa lingua"

GRATITUDE

Quede aqttí o testen.tuii.rsdo ttoso meiran.-


de agradecintento ás At¿toridades Académi-
cas, qrle t:as lzonraron c& súa presencia e
deron sltura a estes,ENCONIROS,. e tatnén
a cluas Entidad.es, gloria do nasc¡ País, que
nos proporcionaron a súa axuda ecanómica:
o BANCA PASfCIR e a CAIXA DE AFORROS
DE GALTCTA.
AntónioG¡lHernández

TeSe

Re¡nte gl'ac¡on¡sta
1983.1994

Redigida
e exposta
nosPrimeiros
Encontros emjunhode 1983
LReRcR

Publicada
novolume
coletivo
0ueGalego
naEscola?
Sada, 1984
Castro,

CnuruHR

\/
Capa: Programade máo dos PrimeirosEncontrosL¡a¿c¡ 1983.
@ 2015:AntónioGil Hernández
ISBN: XXXXXXXXXXXXX

Depósitolegal:xxxxxxxxx

VI
AovrRrÉruc¡R
Queseráprefácioou prólogo,em que explicarei
o sentidoe características
da
dumtextojá velhoe, paraalém,truncado.
próxima
A páginainicialda nossacolaboragáo,
em nomeda AGAL,ao volumecoletivo
Que Galegona Escola?recolhiaas conferéncias
dosPrimeirosEncontrosLnencn
de
f iunho 1 9 8 3 )E. i - l a :

üUE GAI,HGO NA ESCCIT,A?


ANOT.AqONS PAR. A UM HA PRO pO STADE
PLANTFICAq OMLI NG UTSTI CANA c Ar t ZA
- T a s e r e in fe g r a e io n isla -

Maria das Dores Arribe Dopico


Diplomada em Língua Galega e
autora de livros de texto.
António Gil Hernández
Professor de Lingüística Geral
e de Crítica Literária no Colégio
Universitario da Corunha.
Joám Carlos Rábade Castinheira
Catedrático de Galego em Insti-
tuto de Bacharelado.
Membros da AGAL (Associagom
Galega da Língua).

Nata:
Agradecemos aos or"ganizadores dos Primeiros Ettcontros
Í-ABACA a oportunidade que nos ofrecérom de ampliar e des-
envolver segundo o nosso melhor critério a ponóncia apresen-
tada nos Encontros.
Da sua redacaom somos responsáveis principais, M." das Dores
Arribe, da terceira parte, António Gil, da primeira, e Joám C.
Rábade da segunda.
Agradecemos tamém ás Ediciós do Castro a gentileza de pu-
blicáJa.

Dastréspartesou secAóes,
comoapontavaentáo,apenassou responsável
da
primeira,
quea seguirreproduzoliteralmente,
semcomentários.

VII
Tenhoreiteradamente pensadoredigirumas Memóriasdesmemoriadas, que
decertoseriam(aindanáome pusa elas...nemme parecequeacabeporas ini-
ciar).Náoseráodessascorriqueiras, massériase atédecentes,
tristese descon-
traídase mesmoretranqueiras. Talvezas sementeaos poucosem comentários,
comoos quevou a sarapintar a novaedigáode S/éncioergueito(queperdeo tí-
tulo)ou da confiofazersobrea Iese Reintegracionista.
Sejacomofor,a ré-impressáoonlineda lese Reintegracionista,
da minhares-
ponsabilidade, tantoquejá nemlembroo momento
surgiuinopinadamente, ane-
dótico.Sem embargoda ocasiáo,quandomo propuseram, comeceide a ler e,
coma leitura,mesmome admireide estarentáotáo lúcido,no meioe meiodas
confusóesquena alturanosbatiamem turbilháopertinaz.
Confesso que bastantes
conceitos e mesmocitagóesna lese Reintegracionis-
taforamutilizados
ou aproveitados
em textossubsequentes,em S/éncioergueito
(1996)e em Temasde LinguísticaPolítica(2006),mastambémem artigospubli-
cadosem diferentesrevistas,Nós, O Ensino,Temasde o Ensino,Cadernosdo
Povoou Agália.
Náoo estimonemdesestimo...Achoquea vida,comoos textos,ou os textos,
comoa vida,consistem
em tecerno tempoe maisem destecer
na memória.
Cadatextomeu,pretensamente tecidonovoou atual,derivada lembranga de
textosprecedentes, porvezesdiáfanos,porvezesconfusos, tal alegres,qualtris-
tes,congelados ou descongelados atéparecerfrescos...
segundo acabode repa-
rarno JenaroMarinhas (quese inventouo marda Crunha,ou a Crunhacomoilha
e comobarcocomcapitáoe grumetee marinheiros, todosporjunto)e no Jorge
de Lima(quese inventou um Orfeucomecosde Inésde Castro,a camoniana ea
estranha ao Camóes)a caminharem, ambos,sobreos lusíadascamonianos amo-
ros os . . .
Perplexo,
achei-meentreos douscomoánforacristalinade águasurpreendida,
enquantoas minhasentranhasbuliamem ledicesde gorjeios
voadores.
Eu,feliz,sentia-me
contemplando a cena,a minhacena,a transbordaramores
comoplanetas
rotundos, carnaisa giraremarredordo solespiritual,
incógnito
mas
presente.
Masessaestranhaexperiéncia estáresumidana minhaedigáode lnvengáo do
Mar.Esta7-ese Reintegracionista,
a minhaparticipagáo nela,de entáo,igualmen-
te sofreude rarasimpressóes,
lembrangasdifíceisde narrar...
Digonarrar,porquetodaselas,a exposigáo,
a elaboragáo,
a textificagáo,
as su-
cessivasreagóese náoreagóes, minhase doutros,integramumarara(sic)narra-
tivaque,porsuavez,se constituiria
em textonarrador.

VIII
Paraterminara "adverténcia",
copiode Si/éncioergueifoas últimasreflexóes,
relativas daAGALna altura(1981-1982):
á situagáo
g.-OeruÁo
CníncnsoBRE
os Sussiotos
DAS
lr.¡srlrulgóes
Náo temosaindaexperiéncia.
Passadoo primeiroano, talvezpossamosopinar:
1 . ' S o b re o p o ssívesu
l b s ídioda Excm .uDeputagáoPr ovincial
da Cr unhaaos
prémiosdo concursode guióesradiofónicos, citado.
2 . ' S o b rea co l a b o ra g ádoe Entidades
( náosei bem quais,mas, por exempl o,a
Xunta ao concursode relatofalado).
3.'Sobre o cumprimentoda palavradada peloponentede culturado Concelho
da Crunha(Sr.VázquezPozo) para que a AGAL se encarreguede organizarum
SimpósioGalegode Linguisfas, previstono programaculturaldo Concelhoe subsi-
d i a d oe a d mi n i stra dpoo r e l e .
4.' Sobreo cumprimentoda promessa,feita por Editoras,de dotaremeconomi-
camentea organizagáodos Prémios Nacionaisde Literatura.
5 . 'S o b re a p ro me ssad e Editor aspublicar em
livr os.
de UtilidadePúblicaque se solicitarápara aAGAL.
6." Sobrea Declaragáo
Por outrolado,podemosinformar,sem alarmesdesnecessárias:
1 . " Qu e so mo s ma rg i n a lizados
nos meiosde comunicagáo
galegos,espec i al -
mente na imprensadiária,pelo que atingetanto ás colaboragóes que enviamos
membrosda AGAL,quantomesmoás notíciassobrea Associagom.
Temosde reconhecer,porém,que a rádio(palavrafaladae náo escrita)é menos
parcial,em conjunto.
2.' Que náo se nos convocoua umas reunióespara a concordánciaortográfica
que, supomos,estáoa celebrar-se
entreo ILG e a RAG.
3." Que diretaou indiretamente determinadoinstitutooficial(conhece-sebem,
mas calo o seu nome),como tal e por membrosqualificados, pressionampara que
o assinaladoneste$ 1." náo se efetive.
Dareidadose pormenores,
se foremnecessários.
lgualmente,esses mesmosse negam a apresentar-se
onde e quandohá (cer-
tos) membrosda AGAL,como em mesasredondase outrosatos públicos.
Reconhegoque as últimasafirmagóessáo graves,mas creio sobretudoque se
precisammais que os subsídiose outrasajudasum climade entendimento,
o diá-
logo e intercámbiode opinióese a mantengado pluralismonos aspetosem que
esteé admissível.
No atinenteao galego,em princípioé admissívelfodo o pluralismoque na ver-
d a d equ e i ran o rma l i zaor i d i oma.
Em conjuntoe sobretudona imprensa(lembre-seque um objetivoda AGAL é a
normalizagáo da normativagalegaparaa escrita),pareceque existisseuma conju-
ra, a do sufocamento,quer dizer,a do silenciamento
e tergiversagáo.

IX
Em Temas de Linguística Política afirmo:
2 .1 .2 .2E
. scn l rRr F n ms r unGnllzn
No territórioespanholda Galizaa correlagáoentre a escritae as falasdo porfu-
gués galego está distorcida;dir-se-iaque alteradaquase morbosamente. Acontece
issotambémnumaduplaface que convémassinalar:
2.1.2.2.1.Enquantoa escritaque hoje se alcunhade porfuguesaé, do ponto de
vista histórico,a genuinamentegalega. Porém, aos olhos da maioriados galegos
acha-seestrangeiradaaté ao ponto de náo a valorizaremcomo autóctone.A Nota-
bilidade,a académicae a política,que por espanholadomina e dirige aGaliza, in-
tensificaesse discursoestrangeiradorquer no ámbitodo ensino,quer atravésdos
meiosde comunicagáo social.Destartetal discurso,que a populagáoestimacomo
maisautorizado, está a modelarum certo(senso comum>a implementar-se
a. tanto por desinformarsobre a históriaque, mercé das agóese padecimentos
dos antergos,conformouo estadode cousasdominantena Galiza,
b. quantopor analfabetizar,
com decididaprocura,no próprioidioma(ou no <idi-
oma próprio>>,
<<autonómico> ou regionalizado).
2.1,2.2.2.Enquantoa exaltagáoinstitucionaldo castelhanoem detrimentodo
galego se faz também mediante o procedimentode as lnstituigóesacadémicases-
panholas segregarempara a escrita do galego uma norma, deslocada a respeito
d a s f al a sa tu a i s,q u e o s ó rg áosda Administr agáo,
tambémespanhóis,
utilizamnáo
tanto para o estender,quantopara evitarque na Galizaos cidadáosgalegos,lusó-
fonos,empreguemcom corregáoo idiomaportuguésgalego,seu.Assim, sem te-
mor a errar,pode afirmar-seque as instituigóesespanholas,materializadas na
JdGa, nas Deputagóese até nos Concelhosda ComunidadeAutonómica,procu-
ram,
a. por um lado, que a intercomunicagáoentre a Galizaespanholae os Países /u-
sófonosse torne impossívelou, pelo menos,a-normalpormeio da <lenguapropia>
b. e, por outro,mas simultaneamente,
que a correlagáodiglóssicaentre as falas
e a escritado portuguésgalego,legitimadapela história,fiquedisturbadadefinitiva-
mente.

X
SU}f.A R"IO

PaÍ,.

tsIBLIOGP..AFIA 49
O. INTITODUCOM 57
A. PRCPOSTA DE PLAF{IFICACOM LINGÜÍSTICA. 58
t. CONCESTOS PR.É,VIOS 58
1.1. FALA E ESCRITA: Fri¡nazia da escrita 60
a) Fonto de vista individiial: O grafolec to. 61,
b) Ponto Ce vista social: A ortografia 6T
t.2. PLAhIIF'ICAQCM LI¡{GüÍSTECA ("H.anguage
F1annfurg>) 62
1. Situaqom confiitiva 63
2. Objectivo proposto 63
1.' Dimensorn estri'rarnente lingüística 64
2." Dir-nensomsocial da planificaqorn lingüística. 65
3." Dimensorn política da planificaqom lingüís-
*i
L ru^ ^(¿ ó5
2. DIlViENSOhlg DA PLANEFICAQCIví DO GALEGO. 67
2.I. DIitlEFüSC&{ EST"R.ITAF,IEF,{TELINGüÍST'I-
CA 68
CastelhanizaEom progressiva do gale-
2.1,.1,.
go 69
2 .1.2 . As teses reintegracionistas 7T
a) Fundamentos teóricos 72
1." Pi'esuposto e condicionante. 73
2." Princípios gerais 74
a. Fidelidade á tradigom es-
crita do galego 75
P,jx"

b. Cor;-espc;niénciasuficienie
coas ialas cic galegc
P'i

Eri,qii:cies p'ri:iicas
/

b)
2.I.3. Umhas pAil'.'ras scbre o rDrcccsscnor-
'7':
mativizaccr tt

a) Uscs corr-ectcsda escrita 7E


b) Uscs orais formalizaclos 79
2.2. DIF"€EhiSONSNO.\n trsTR.xT'4..\'lE¡üTEtr-gN'
GÜfSTXCAS 80
2.2.1. DNMENSCE{ SOCIAT. 88
a) Discursos habituais scbre o ga-
lego 88
1.' Discurscs da Cesigualdade 92
a. Virti-ialidade estruturai 95
1.' Descriqorn 95
2.' E,stimagom 97
b. Virtnaiidade comunicativa. r00
1.' Descrigom 102
2." Estimaqom 104
c. Precoircei.tos0u aceitabili-
dade l0'tr
2.' Discurscs do possibilismo 106
a. Discurso Ca necessidaCe. 1 0 ó
b. Discurso da imPossibilida-
Ao
L-¡.U 1C7
c. Discurso do Possibilisrno. 1 C 8
b) Caminhos para mudar os discur-
sos habituais sobre o galegc 1li
1"." As regras do jogo elernentares. 111
a. Conhecer as "tendéncias,
dos ccrnporiamentos lin-
güísticos l1i
b. Medir a muCanEa segundo
funcionalidacles lingüísti-
cas tla
Pd,x.

c. tr stimulnr cs Lisr-t:i::ios
das
língr-ras á mudanga t12
d. ['lct jr¡ar p3l"a a mr.rCanqa
iingüística 113
2." A mudailca dcs discursos:
t\'lelas a ccnseguir' lI4
a. Discurscs da igualdade 114
b. Discui:sos Ca (actuagom>. i 15
2.2.1. DXF,{EI{SO,'1"9
PCLÍTTCA LI6
a) O orcle:ramento jurídico do Esta-
do t20
1." Textos leeais r20
a. ConstituiEom tzc
b. Estatutc de Autcnornia de
Geliza t2I
c . Lei cle \icrmalizagcm Lin-
güística t23
1. ") O s direitos lingüísti-
cos 124
2..) Os usos do galego no
ensrno 129
Decreto sobre normaliza-
qcrn do gaiego no ensino. 130
d. Decreto c1e Normativiza-
qom Lingüística I33
2." Jurisdiqom que estabelecem
as Leis 140
a. (In)competéncia jurídica
efectiva 141
b. Normas legais imperfeitas. r42
1. Sujeitos r42
2. Tema 143
3. Ocasiom 144
b) A proc Lrra cla igr-ralclaCeignorada. r +)
Declanacorn de Famplona 1,46

3. A A,íOB0 DE, CChiCg.UgSHS t49


Cond"igonsp¡-ra a plerriiicai-om cle língr-re 149
a. E,xiste conflito lingüísiicc i49
b. Hai I'ontacle ciecidiCa cie rnudar a situagcm
conflitiva 150
C. Ci-rinpre fazer proje cics, cliierenciaclos e
reaiistas 1s0
A
Lt. Tei-¡ Ce evaiuer-se ctcie ttm dcs prcjectos. 151
lr FIa cie o¡rtai'-se por tiril dos projecios r52
r
l. Lirge a instrunentaqorn legal aciequada 152
7

BIBLIOGRAFIA

(Das obras citadas)

ACADEMIA GALEGA (REAL) (1971): Nortnas ortográficas e


rnorfolóxicas do idioma galego, EdiEcm da RAG, A Corunha.
ALOI{SO E,STR.AVIS,I. (Director) (1983...):Dicíonário galego,
Ediciones NIos, A Corunha.
A obra completa som cinco volur'nes, amplamente ilustrados.
R.ecoihem-seumhas 250.000vozes com indicaEom, cando é
possível, da etimologia.
ALONISO A4OI{TERO, X. (1973): Iit{'orrne -dramático- sobre
la lengtn gol'lega, Akal Editor, Col. Arealonga, núm. l, Ma-
drid.
O Dr. Rojo escreve na resenha desta obra (Verba, núm. 1,
1974,p. 219): .,En resurnen, el In-farme -clramático- sobre
la lengtn gallega es un libro en el que su. autor ha querido
clarnos lcs resultados Ce varios años de meditación sobre
el tema. Válido en cuanto a la descripción de hechos, ado-
lece de su falta de interpretación y enfoque evolutivo t...1
Como investigación socioLingüística resulta extremadamente
superfical y, en algunos conceptos básicos, deficiente, etc.>.
ALVAR, M. (1975): "Galicia en la Gecgrafía lingüística peninsu-
larrr, em Teoría lingiiística Ce las regiones, Ed. Planeia, Uni-
versiclad (Complutense de r\'Iadrid), Barcelona, pp. 31-44.
ARACIL, Ll.V. (1966): "El bilingüisme com a mite" (traduEom
catalá do original inglés em: ).
ARACIL, Ll. V. (1982) : Papers de Socio|íngiiística, Edicions de
la i\l[agrana, Col. Els Orígens, núm. 9, Barcelona.
Recopilagom de artigos pubiicaclos errl diversos lugares, dos
que convém lembrar: oConflicte lingüístic i normalització a
1'Europa nova)> (pp. 23-38);"Sociolingüística: Revolució i pa-
radigma,, (pp. 79-94) (Deste hai versom galega em O Ensino,
núm. 6); "Educació i sociolingüística" (pp. I29-2I7); "Projecte
per a una institució per a l'us del catalá> (pp. 219-228).

49
os dous úitimos tenhem particular importáncia para
o nos-
so caso: Anaiisa-se no primeiro deles a situagom
sociolin-
-no
güística da educaEom nos países cataláns,
País Valenciano. Di o autor. t<€n comptes "rp".i"lm"rrte
de refei-ir_me (i
basar-me en) nocions conegudes, em proposo sobreto t cJ,i,_
trodtúr nocions que sigtrin una base d,operacions a partir
de la qual podrem discutir i progressar,, (p. 131).
Em <Projecte per a una insiitució...o up.*r""ta_se ui:rha
ideia que pode ser beneficiosa e aplicável l Galiza: ol,esfe-
ra d'interés i d'acció de la Institució deurá ésser exactar-nent
la totalítat de la nostra comunitat lingüística val a dir
que la seva jurisdicció territorial será supra-rr:gio:i1l
definició>. É,-:i.
ARACIL, Ll.Y. (1983): <FIistória inédita de la llengua caralana.
Segles XIX-XX", em Canígó (30 aniversari), ñ¿*r. g0ó_g07
(19i26 de mareo de 1933),pp. ZB_31.
ARACIL, Ll.v. (1983): nuna llei cruciar entre el consens i
el
canvi,', em El Mon, i5 de Abrit de lgg3, p. 22.
ASocIACIoNi SOCIC-PEDAGCXICA GALEGA (1980) : orienta-
cións para a escrita cio troso icliotna, ourense.
ASocIAQoM soclo-pEDAGcGICA GALEGA (rgl2): orierúrt-
góns para a escrite do Tzosoid.iorna, Ourense
CALVET, L. {. (1974): Lingttistiqtte et colonialisme. petit
traité
de Glottophagie, payot, parís.
obra ainda vigente em grande medica para entender (e
meQar a pór novas ideias co-
.e projectos de acqorn?) a iit.r"_
gom conflitiva da Gariza. É, citaáa corn proveito por Fran-
ciscc Roclríguez (veja-se mais abaixo). Existe traduEom
panhola. es_

cALVIño, M." v., FERI-iANDEZ, s., PADIN, o.: EI tetna


gallegc er¿ las cartas al directcr de La Voz der
de Galicia, 19g0.
Trabalho de aula no Colégio universitário da Corunha.
iné-
dito. R-ecopilaQomq,rut" exaustiva das cartas publicaclas
so.
bre o tema durante os anos l97B e lg7g.
CARVALHO cALERo, R. (1993) : Da fala e cla escrita, AS-FG/
Galiza Editora, Ourense.
RecopilaQom de artigos,- alguns de particular interesse pola
definiEom sumamente clara que fai o Prof . Carvalho
scbre
a situaEom galega e os projectos, necessariarnente reinte-
gracionistas, com visorn de futuro.'
COMISSON LINGÜISTICA DA AGAL (1983): Estttclocrítico
das
oNormas ortográf icas e morfolóxicas do Idionia galega,,,
A.G.A.L.,A Corunha.

50
Análise pormenorizada das Norms.s ILG-RAG, oficializada-s
polo governo de A.P. na Galiza. Segue a mesma ordem que
as citadas ltlormas e, a.lém de criticar os pontos em que o
reintegracionismo difere das posiEons oficiáis, propom a al-
ternativa adequada para a escrita correcta do galego. O ,Es-
tttdo está redactado para a divulgaEom da concepgom rein-
tegracionista.
FISHMAN, J. (1979): Sociología de| Lenguaie (The Sociology of
Language),Eds. Cátedra, Madrid.
Inclui umha introdugom e um epílogo adequados (?) á si-
tuaEom do E,stado. A traduEom é deficiente por momentos.
O livro em si é um dos clássicos da sociolingüística.
GARCIA COTARELO, R. (1983): ol-os principios fundamentales
de la Constitución de l978rr,em A. de Blas (comp.) Introclttc-
ción aI sistema político españcl, Ed. Teide, Ciencias Sociales,
número 3, Barcelona, pp. 61-86.
GARCIA, C. (1976): ..Interferencias lingüísticas entre gallego y
castellano> em Revista Española de Lingiiística, Ano 6. Fasc.
2. pp. 327-343.ExposiEom das "interferéncias, entre as duas
línguas, a própria da Galiza e a oficial do Estado. Resulta
académica demais e excessivamente aséptica, co perigo (real)
de ocultar a verdadeira razom das "interferéncias" e sobre-
todo o sentido das mesmas.
Recolhe-se parcialrnente em:
GARCIA, C. (1977): Galego ottte, galego lzoxe. Discurso inaugu-
ral iido na solernne apertura Cc cl-irso académico 1977-78,
Universidade de Saniiago de Compostela.
Bastantes dos conceitcs vertidos no discurso (que resulta
programático dos posicionamentos teóricos do ILG) pare-
cem superados na actualidade, apesar do retrccesso que na
estandardizagom do galego supuxéron as N orr,nas I LG-RAG,
de cujos princípios (incluídos na "Introducción") este tra-
balho do Prof. García é um preanúncio.
GARCIA, C. (1983): Recantos da língua, 1982,La Yoz de Galicia,
A Corunha,
Recopilagom de artigos jornalísticos <agrupados tematica-
mente, para que a súa lectura teña unha sucesión lóxica.
Con todo advei'timos qlre, como toda clasificación, esta non
está exenta de arbitrariedade". Constituem umha boa mos-
tra dos argumentos filológicos que se venhem aplicando ao
galego no ILG, de que o Prof. García é presidente desde o
seu nacimento.
HARNECKER, M. (1975): Los conceptos fundamentales del ma-
terialismo histórico, em particular o cap. VI <Estructura

51
icleológica", Siglc X:{I cle Españit Eclitores, NTeCricl,28." ecl.
4." ec1.espanhola.
HAUGEN, E. (1966): "Linguistics and Language Planning' em
BR.IGI-IT, W. (ed.), Socioliltgttistic.s, &{oulon, T'he l{ague, t966,
páginas 50-7i.
Trabalho da autoria de Lim especialista no tema, refericlo so-
bretodo ao caso norlrego; teria de considerar-se cando de
,.planil'icaEom lingüística", em seutido estrito, se fale a res-
peito do galego.
HUDSOI{, R. A. (1980): Sociclhryuistics, Cambridge Llniversity
Press, Carnbridge (E:riste umha traduqcm espanhola).
ErposiEom, por vezes embarulhada, dos principais temas cle
socio-lingüística. Pode utilizar-se proveitosarnente colrto rna-
nual.
IIYNTES, D. H. (1971): ,,Oil Ccmmunicati..'e Competellce>>,em
PRID E , J . B .-H C LMES , J . , ( ec 1 s .,) S c c io liit g t t is t ic s , P en g u i n
Books, Ltd., Harmondsrvorth, L{iCClesex, ];¡979(rcimpressom),
pp. 269-293.
I.L.G. (197i): Galíego 1, [Jniversidad de Saniiago de Cr:mpostela.
I.L.G. (1976): Gelego 3, universidade c1e Santiago cie Cornposte-
l a , 2.' ed.
I.L.G.-R.A.G. (19E2): Nor¡tias ortográt'icas e n'torfoló:;ic:ts clo iclio-
Í?7ogalego, Vigo.
Umha vaioraEom científica, sc beil com intenqons divulgaté-
rias, sobrc est:rs l,iornis.s contétn-se no Esttrclo ci'íticc, p1'e-
paradlc poia Comissom Linsüística cla ACAL c cditado p']r
este AssociaEom Gaiega da Língua. Remetcmos a e1.
LIPEZ-SUEVOS F ERI\trAI'.IDEZ, R. (1933): Dialéctico do desetz'
volt,itnento: iYoqorit, Líttgtn, Ciasses socictis, AGAi-, A Co-
runha.
Obra fundamentai para entender que o reintegracionismo im-
pii:a oLr fcrma paite dc ttmha concepQom nacicnaiista qr-le
liberte á Galiza cia situagcm ncoioniai" r'igente.
LCREI{ZO V AZQUEZ, R. (i98i) : nUnhas cantas re flexións so-
bre o galegoo, ern El ldeul Ga!íego, i8 de Outubro.
ReinciCe nos concei.tcs vcrlidos em trabalhos anteri.ores, co-
mo:
LORE,I{ZO VAZQUEZ, R. (1980): "A língua", em Galicia i950-1980,
Ed. Galáxia, Vigo, p. 25.
IVIOhITEP.O SAI\iTALHA, J. t'f . (1979): Directrices parcr a rein-
tegreció;t littgiiística gafego-portuguesa, Edigom do Autor,
Ferrol.

52
Folhcto prático pera entender um aspecto, o ortográfico, da
proposta reintegracionista. Muito mais ampliado está em:
MOI\TERO SANTALHA, J. ¡'{. (1983):A,Iétcdoprático cle ltugtn
galego-portttgtrcsA,AS-PG/GaLiza E ditora, Ourense.
E,xposiEomrazoada e exequível a todos da tese reintegracio-
nista no aspecto dominante da ortografia, stricto sensu;
acompanha-se de exercícios abtind.antes.
QUEIZAFI, [{.' J, (1977):A n'uúIer en Galicia, E,diciósdo Castro,
Sada-A Corunha.
RODR.IGIJEZ,C. L. (1982): oUna normativa asequibleo (Seceom
Galicia Autottórnica) ern La Voz de Galicia do 7 de Julho.
RODRIGTJEZ,F. (1976-1980): Cont'licto tingiiístico e icleoloxía en
Galicia, Eds. Xistral, Col. Alexandre Bór'eda, Santiago de
Compostela, 1980,2." ed.
..Ao tratar-se cle umha análise das ideologias em relagom co
conflito lingüístico do ncsso país (tonamos da nota inti'c-
dutória á segunda ediEorn), resttlta exemplar comprovar co-
mo algurnhas delas estám hoje em colaboraqom expressa
ccas aiternativas do sistema, por certo bem perigosas, dis-
criminatórias e agressivas, se bem baixo umha nova apa-
réncia. Este concílio vem corroborar, na prática, qlle o subs-
trato ideológico subjacente ei'a o denunciado na análise des-
te livro (ediqom de 1976),al.érn da inviabilidade real da poií-
tíca bilingüÍsta ccmc política normalizadoi:ao.
O livro, de fácil leitura, recomenda-se por si mesmo aincla
que fosse pola sua mensage crítica e inabitual neste país.
ROJO, G. (1981): "ConCuctas y actitudes lingüísticas en Gali-
cia", em Revista Espaltola de Lingiiística, Ano 11. Fasc. 2,
pásinas 269-310.
Estudo analítico da situagorn do galego segundo os estados de
opiniom dominantes e reflexados em diferentes inquéritos. A
conclusom do autor pocle ser iir-istrativa do seu pensamen-
to: oAo meu modc de ver (tracluzo do espanhol), a Galiza
entrou claramente nesta situaEom de diglossia conflitiva
cuja soh-iqom requer ainda Lrrlr bom núrnero de esir-rdos téc-
nicos, cientificamente sólidos, que permitam tomar as medi-
das oportunas a aqueles que tenham de adaptá-las". Reco-
Ihe-se parcialmente ern:
ROJO, G. (L932';:,.La situación lingüística gallega", em Revistct
cle Occide;tte, Extraordinario II, núms. 10-11,pp. 93-110.
Dedica qt-rasca metade do artigo a tratar, com parciaiidaCe
nom sempre dissimulada, o tema da normativa ajeitada pa-
ra o galegc. Salientaria-se deste aspecto a correlagom ql-le
parece estabelecer entre o galego (afastaCo das outras nor-

53
rnas, a trusac a }:rasiieira) e o scfarciit¿r(afastado
ia nornra
c as t c l h a ¡ r ¡ ro f i c i a l ) . V e ja _ sep . l0 g .
Ros s , A . ( 1 9 1 ) : L ó g i ca d e lts í¡ o r n ' tis, Ed . T e cn cs,
tructur¿r,y Func:ión, fuTacrid (Títr-rlooriginário: Directiv;., co r. E s_
Norms). ;r;
R.OVIRA VIñAS, A. (i 9S3): ,.,Lr-¡s clerechos
1, libertades en- la
Constitr-ii:ióncspañcia c1e l97go, em A. de Blas (con-rp.J
trotltrcción sl siste¡'nctpolitico espnñol. Ec. Teic1e, !;;
Ci.".i.,
S oc i a l e s ,i l r i r n - 3 , B ar ce io n a , p p . SZ _ IAS.
RUBI¡{, J. (1977';: tcrr.,ar"clLan.euagepianningo, em
"Attifuilcs
AA.VV., D_islectolcg.i; cncl Socioli¡tgttisriis.'E.ruuu i" "I{o.ro.
of Ka.l F{ampus Dahlsteclt, UfuIEA-.srveclen, pt. rc6-LT4.
Rtiiz OLABi,EIIAGA, J. l. (ciirector) (19g3) : La ltrcha del eL.,-
l:cra en ls ComtuúrJad Atúór;otna Vosca. [Jns enctresta
bási-
ca: Corncitrtetrto, Ltso, actittrcles,Sen'icio Central de p"frii-
cacioncs. pL:partamento de Ia presiCencia, Gasteiz.
SANIC{-IEZCARRION, J. ¡vL. (rggi): Et espacic bitingiie (ilspec-
tcs ettrcLirtgiiísticcsciel bitingiiismo :r tioría lingiiíitica'di
Ícs
esptcias), Eusko fkasl:untza, EuriaCa (l{arrarrá;.
cbra surüti.rnente cricntad.o.a para consegi:ir o que
até o
molnento -se apresenta coirlo trtopia dificilmente exequívei,
isto é, cornpi'eender a ciigniCacieitual dos falantes de
ca.1a
lí ng u a e d c t ¿ i a r ü s t i r ttcio l.ta lin e :tlee m co n se q ü é n cia .
SAI\ITA¡'{ARI}I¡\. A. (19rE0):.rAs outras lingi-ias e.sprrñoias
CcnstituciÓn e ttos E,statutc.scle Ar-rtoncmía,r,em Encrtrci- na
ll.ncta,niir¡. lg, pp. 50-54.
Apesa;: da sua brcr.iclacle.ol-:rece o artigo unha
assisada
expcsigoin da ciesiguaicade, á qlre os te:,,ios iegais
s,rlrn .-
ten: a iínguas coci'iciais cio Esiacc (nas ,.rp".ii..,ou
ccrnu_
nidades Autónomas), coi-no o gaiego.
*sAUSSuP"E,F: de (19i5-r9s2):Cctirs rle Littgiti.stíqircGé¡,_érrúe,
Ecliiio* criiique préparée par T. ce MauroJ p"vot, Farís,
rggt'.
SCFIft4IDT, S--J. (1973): Lin¿aiiísticcte Teoi'itt cía Texto, tr-ivraria
Pioneii-a,Sác Palilo (Br.asii).
VARELA PUñAL, R.. (igsc): Gaíizc¡,tt?Lpcbc, rnúxt lí¡gla, Fc-
llas Novas Eds.
Livro bem aprovei tábei pcr oferecer um testemunho clos e¡;-
tadcs cie opinione dominantes nestes anos tanto no inquérito
inicial coínc na parte da obra eñl que se recoiher¡ afirma-
qons cle pei:soas repi:ese.tali¡,'as cic país sobre o gaiego
e a
sua norlnalizagorn.
vlt3,JtrIR.A, v. (19is.1974;; npol-a ;-cioi-rr;r c:l r:;:tcgraiiao, e;l
Etts:tios e L-cesie-s,Eci. Gelá:lia, rvigo.

54
WRIGHT, G. H. von, (1963); Nortn and Action. A logícal Enquí-
ry, R.outle,Sgeand Kegan Paul, London (Hai versom espa-
nhola).
XUI{TA DE GALICIA (1983): Normativización da Littgua galega
("Lirniar> de José Luis Barreiro Rivas, Conselheiro da Pre-
sidéncia), Servicio central de publicacións, Santiago de Com-
postela.

55
+:

O. NNTRODUCOM

agradecimento
Antes de mais nada, ct-rmpre fazer explícito o nos-
sc reconhecimento á FundaEom LABACA, assi corno
ao Colégio Público LABACA e á Associagom Catóti-
ca de Mestres, pcla ocasiom qlle nos oferecem de
api"esentarmos, num enc*ntro de mestres, a tesé rein-
tegracionista como proposta para a norrnalizagom
do nosso idiorna. Cancio os reintegracionis tas dize'
mos (o nossc idioma", nom temos nengumha dúvi-
da: Estamos a referir-ncs ao galego.
Temos de agradecer (é curioso) a estas entidaCes
de que nlrm Estadc, dito de direito e democrático,
mostrassem a corage de actuar democraticarnente
tentando odar a cada um o seu)). lrlom seria elegan-
te pola nossa parte inclicar q.ue ocrtrcs ncm act:-tá-
rom assi (até o momenio) e que desde os seus pe-
quenos espagos de poder nem sequer se molesiam
em escuitar a todos e em comprovar, sem interme-
diários, os termos da prcposta reintegracionista.
partes da proposta
reintegracionista
A seguir, niimha prirneira parte analisarernos o
processo de normalizaqom do galego na Galiza ou,
se é preferíl,el, a nossa prcposta de planificagom lin-
güística para o galego. l.Ia segunda discutimos al-
guns aspectos da proposta contrária e reafirmamos
os nossos correspondentes, para passar, ne terceira,
a expor sucintamente algr-rmhadas possibilidades de
nrealizarr, por meio de manuais e parecidos, o ga-
lego no ámbito do ensino.

57
A. PR.OPOSTADE N}LANIFICACOfu{I.XNGÜÍSTTCA.

1. CONCEITGS PR.É,VTOS.

Segrrndo é sabido, ja nos primeircs intentos c1u-


rante o sécr-rioXIX para recuperar a escrita do ga-
lcgo aparecérom erpiícitos os critérios mais impor-
tatitcs a teor dos cais u.m texto escrito terá de ser
consideradc coi:recto (, ). Descie aqr-reia rnuitas fÓ-
roln e som as discussons neste repeito; rnas todas
incidern, Ce um jeito ou de outro, nestas duas dimen-
SONS:

a) A que compreende os próprios critérios de


cürrecgorn idionaática, que confiuem a eito nos cri-
térios de identidade do galego; perguntar se unl cer-
to galego é bom e aqueloutro mau deriva quase sem-
pi:e a excluir formas oll expressons como nom ga-
legas e a aceitar ouiras como uenxebres>.
Arnbos os dous tipos de critérios giram habi [ual-
mente em torno a dous pólcs: Ou bern privilegiar a
fala ( * é galego o qlre se fala" ) ou bem reconhecer
que <<alíngua tena ¿rmha tradigorn oral independen'
te da escrita e fixada de rnodo ciivetrsor>,segunclo
afirrna De Saussure no sell Curso de E-ingüística Ge'
ral ( cap. VI, parágr. 2) .
b) A outi'a dirnensom centra-se no tlso' Ti"ata-se
de precisar os rlsos act".¡ais e, a respeito deles, os
usos possíveis e desejáveis para o galego. Desde o
século XIX, partinCc da sitr-ragorn marginacia do
iclioma, vem-se prccurancio que em galego se escre-
va poesia, relato, ensaio, textos científicos e mesmo

(1) Lembrem-se, por exeniplo, as obser.;aqons <ortogr-áficaso cie Jcám


i\,Ianirr'i Pintos (em A Gaita Galiega¡; nom ern vao tenta fazer umha oCarta
de Crisius'', isto é, um nlétodo cie lecto-escrita. &Iais ciaras aincla som as
orientagons que em diversos lugares cia sua obra oferece o Pe. Sarmien-
'co. Veja-se Coiección de voccs y írsses galiegas (edición estudic¡ por
-v
J. L. P ensaclo), Universi.dad d e S a le ma n c a , 1 9 7 0 , p a s s im, e e m p a rti c u i a r
o < Estuciio preliminar" do c it a d o p ro ie s s o i' (n a s p p . 4 3 -5 3 ). A p r ó p r i a
Rosalia (nr: uPróiogo,, a Cat¿tures Celieqos) fai rcfe réncia ao tema Ca
co rrecQoftt itíiomática.

58
legais; vern-se tentando mudar as concliqons scciais,
culturais e mesmo poiíticas de modo qle a produ-
Eoirr escrita seja habitual no povo galego (:).
nurmativizaEom
e normalizaEom
Dito por poucas palavras, desde o Rexurdimento
está-se a discutir a formalizagom ajeitada da lín-
gua escrita (norrnativizagom) e as possibilidades
reais ( a conquista de ámtritos de uso ) de esta ser
empregada (normalizagorn).
Arnbos os dous aspectos trata-os o reintegracio-
nisrno cc3 seriedaCe e aprofundamento que na nossa
época permitem a-s ciéncias da linguage. lrlas pági-
nas que seguem resui-nirnos as teses reintegracionis-
tas de modo qlte o leitor poda entender polo direito
e nossa resposta á pergunta plantejada nestes en-
contros: QUE GALEGO NA ESCCLA? O galego que
tem de usar e usa a sociedade galega, segundo certos
critérios de correeorn idicnaática.
normaiizar é
mudar a conduta
I ingiiís tica actr:al
Estabelecer os critérios de correcgom idiomática
ao servigo de uns usos determinaclcs ó, en-l síntese,
f.azer planificagom da líng:.ra ("Language Flanning")
para a normal izar . Iriorrnalizar o galeso, pcrtanto,

(2) Discutir que umha língua sira para certos uscs e nom para
r:utros (ou cle quc seja adequac:r prra Llns e nom per"a outi'os) é ieitc
repetido na histéria da Humanidade. Sobre o galego persoas oficialmente
informadas opinárom todc o opinável: Que é língua poótica e nom ju-
rídica, que é apta para a literatura mas nom para os textos legais...
Confundírom, mais umha vez, o det'er ser (usos possíveis e desejáveis)
do galego co seu existir (uscs efectivos), a que foi reduzido pola situaEom
sócio-poiítica em que se ciesenvoivem os falantes. Como di López-suevos
(que adaptc), a história do galego escrito resuine-se ..na necessária con-
'r'ergéncia cle duas linhas: A corrente que pom o problema político em
üocla a sua Cirnensom e a co¡:rente que, nc plano filológico, consid.era
ineludÍvcl a rctntegraEcnr clo gr-r1cgona area cultural Iuso-brasileira. So-
bera¡úa polítíca mais reintegracionismo, eis a fórmulao da história do
nacionalisnlo na Galiza. CÍ. DLlecticct d,o d.ese¡n;tslvinterztc:Nagoin, Língua,
Clas.;es sociais, AGAL, A Corunha, 1983, p. 85.

59
rlontr consiste enf, r-rsíl-loccmo caCre, sencm em usá-
-lo seguindo norrrras qlle poclem e clevem explici tar-
-se. Estas som em todo o caso normas de conduta
das persoas integrantes cla comunidade lin.eiiística
gaiega. ¿\s nol:mas de conduta novas substituirám as
velhas; destas, umhas ham de potenciar-se, otrtras
em.endar-see as mais, mlrdar-se. Irtrornas delir-nita-
mos neste traba.ihc porr-nsnorizadamentenem rnenos
ainCa as estudamos. Só, inspirando-nos eirr Eina¡:
H:rugen (1966) tentamos precisar o seguinte:
fala e escriia
1) A transcricorn da fala própria implica no (es-
crevente> (e no
"lenteo) urrha específica coi-npetén-
cia que está definicla poios rasgos rrresmos dc pro-
duto gráfico. fuIas a escrita correcta ( ortografia ) fi-
ca deiimitada pclos objectivos prevalentemente iden-
tificadores e unificadores do grllpo social eirl que se
utilize.
planificaqom lingiiística
2) Tais obi ectjvos atingem-se em certas socieda-
Ces ( Estadc ?; nagom ?) ao longo cle urrr tempc bas-
tante extenso; noutras, como na gaiega, onde o idi<¡-
ma dos cidadaos ( da maicria deles) se acha desncr-
malizacio,podern propor-se os citacios objectivos mais
cu menos expiicitamente e planificar tanto a forma-
lizaqorn da língua (nci'mativizaqom) corrto o próprio
processo normalizador cics usos.
Vaiamos pcr partes.

l.!.. FALA E, ESCR.ITA: Prir¡razia da escrita.

A língua falada e a escrita, corno sabemos, cum-


preix papéis diferenciadcs na socieclacle,de n:oCo
que a escrita dificilmente se pode reduzir nalgunr
caso a simples transcrigom da fala. Aincla mais, can-
cio, ccmo no caso galego, se trata cle planificar a lín-
gua para que sirva em Lisos precisos, a escrita passa
a ocupar o lugar privilegiado, mentres que a fala (as
falas ) ha ( m ) de subrneter-se de facto e de direi tc a
aquela.

60
Podemos mostrar esta primazia da escrita por
dous caminhos:

a) Ponto de vista individual: O grafol,ecto.

O grafolecto de um falante define-se ccmo 'escri-


ta cla própria maneira de se expressar' ou <trans-
criqorn precisa do seu idiolecto" (E. HAUGEN, 1966,
p. 53). Os sells rasgos distintivos a respeito da ma-
neira de se expressar cralmente sorn:
1." E editado, isto é, adoita carecer das vacila-
gons e interrupgons, das repetigons cu mudangas
súrbitas, características da fala.
2." É anatrisaclo,quer dizer, o ((escrevente>sinala
a sepa¡agom entre palavras ou entre seqüéncias
maiores.
3." E demorado: Apreende-se como segunda lín'
gua; por isso exige reflexom e elaboraqcm maiores
do que a expressom oral.
4." É estabilizado. Isto implica que o texto es-
crito fica <<armazenado,e pode ser executado repe-
tidas vezes sem mudancas notáveis.

b) Fonto de vista social: A ortografla.

A ortografia oll escrita correcta pode expiicar-se


como comprornisso de grafolectos ou talvez melhor
ccmo comprornissos de conjuntos de grafolectos.
A ortografia iCeal caracteriza-se polas seguintes
notas:
1." Procura a estabilidade rnorfémica, isto é, fi-
xa a estrutura das pala\:ras, dos afi;<os e mesrrto das
construqons.
2." Fermite a interpretagorn alternativa, polo
menos para alguns segi:rentos gráficos ( letras e af i-
xos) de modo qlre umha mesma escrita poda co-
ri'esponder-se com idiolectos (ou maneiras de falar
dos indivíduos) diferenciados.

6T
3.' E unifor:ne, apesar de que produza varian-
tes textuais por razom de estilo: Leis, Literarura,
,,R.ituaisn,etc.
4." Portanto, univers a\tza a língua; fai-na inteli-
gível a Lrm gi'ancle número de usuárics que d.e outro
jeito se comunicariam com. dificuldades.
E,. HAUGEN (1966,p. 54) explica: O até aqui ex-
posto
"significa que a oriografía comum é até certc
grau independente dcs hábitos orais dos seus uten-
tes; converte-se numha língua de selt, norn num sinr-
ples reflexo da faia. Os que a apreendem tenhem de
superar um duplo problema: A separagom entre fa.
Ia e escrita puramente como técnica codificadora e
a separagom entre os próprics idiclectos e o reflec-
tido na escritao.
Do que antecede tiramos algumhas conseqüen-
cias:
a) A escrita pode gerar certas pecuiiaridad.esnas
falas.
b) Ainda mais, a escrita pode conCuzir á muCai¡-
Ea lingüística como a seguir precisamos.

L.2. PLANIFXCAQOT\,Í LINGüÍSTICA (<[.ang.rage


Planningrr).

o reintegracionismo apresenta-se, tamém e sobre-


todo, como alternativa coerente de ptanificagofil cia
Iíngua. Explicamos, seguindc igualménie a E. HAU-
GEN, o que entendemos por tal.
Escrevia o citado autor (1966, pp. 5l-52): oA pla-
nificagcrn é umha actividade humana qlre surge da
necessidade de achar soluEom a um problema. pccte
ser completarnente informal e ad hoc, mas pode ta-
mém ser organizada e deliber ad.a. pode empreen-
der-se por perscas, a título individual, ou s"r ofi-
cial".
E continuava ja a respeito da planiticagorn da
Iíngua (ibidem, p. 62): Pr"ccura-se esta oouáe qlrei-
que hai conflitos lingüísticos. se umha situagcm lin-
güística, por calquei" razom, se sente ser iniatisfac-

62
tória, hai lugar para um pr'graína de ptranifice?o'l
da tríngua (.. .) penso que pocemos defrnr-ra ."*o
a
evaluagom da mudanEa tingüística,r.
momentos da
mudanEa lingiiístic:a
Resulta óbvio que tal evaiuagom ha cle fazer_se
sobre os trés momentos principaii e facilmente iclen-
tiiicáveis da mudanEa: o ponto de partida que é a
situaqcm conflitiva; o ponto cie chegá¿u o,, ob3*ctivo
a aicangar, que é a desapariEom do conflito bem
por normalizagom, bern por desapariEcm de umha
Iíngua em litígio; e o caminho a percorrer entre am_
bos os pontos.
É certo tamém que se pod.em emitir evaluagons
diferentes destes trés *ornéntos, entre ou tros moti-
vos porque se considerem aspectos diversos do con_
flito inicial ou porqlre som inconciliáveis os objec-
tivos propostos em distintas planificaeons; ou mes-
mo poreue, coincidinco no ponto de chegada, se dis-
sinta sobre o caminho a seguir, sobre o ritmo nor-
malizador (ou substitutório...).
discrepáncias genéricas
sobre a planificagom
do galego
cinginclo-nos ao caso galego, as discrepáncias ge-
néricas sobre o processo normalizad,or (piscindimo;
da pi'oposta substitutória) estárn bem á vista:

1. situagom conflitiva: Hai quern nom admite


ou quem sustenta qLle se dá em grau ínfimo; hai
quem atribui o confiito a simples desequilíbrio
de
usos entre o galego (cooficial?) e o espantrol (oricial);
mas outros entendem-no como causa e conseqüéncia
da injusta desiguaidade social, a servigo de urn pro-
jecto político determinado.
2- objectivo proposto: Dous moclelos se ofere-
cem ao respeito, pondo de parte matizes norn per_
tinentes; um é o da sociedaáe bilíngüe, o outro
é o
da sociedade unilíneüe.

63
Nom é casualidade que o primeiro moclelc se co-
rresponda cos projectos sécio-políticos cics partidos
estatais, mentres qlle a sociedade unilíngtie em ga-
Iego é aspiragom predominante entre os partidcs na-
cionalistas.
3. I\zlaior discussom hai a respeito do caminho a
percorrer até eliminar o conflito porque se discutem
com desigual rteernéncia os critérios e ri tir:os a se-
guir nas dimensons que imediatarnente explicarnos.
climensons da planificaqom da língua
Planificar o galego implica evaiuar, ein cad.a um
dos moilentos antes sinalaCcs, as trés dirnensons em
que o processo de mtidanga lingüística tern de pro-
duzir-se.

1." Dirnensom estritarnente lingi.iístlca.

Nesta dimensom a situaqom conflitiva poCe de-


\¡er-se á caréncia de normas de escrita correcta pa-
ra o galego, ou ben á concorréncia de duas (ou
mais) divergentes ou ás deficiéncias formais das ovi-
gentes> (. ) . Pensamcs que as trés possibilidades se

(3) <\'igcnies" (entre asp;rs) hai duas: As Normas ortográt'ícas e 'mor-


f oloxicas do iclionta get ego (ILG-RAG), oficializaclas colno se sabe, e a
no r mativa rcintegrada (o u c o m me t iz p e jc ra t iv o " lu s is t a u ). E s t a , l o g i c a -
mente, nom está prorn'.rlgecla por nengunha entiCade ou órgao do Esta'
do ; por isto, tali'cz, s e a p re s e n t a s o b f o rma iiz a g o n s c o mit ie m e n t a r e s :
1.-As Nor¡itas ortograficas cíct Iciioma Galcgo, nalgr,rmhas das escclhas,
<la Comisión LingüÍstica que no seu dia reuniu a Conselharia de Edu-
cagonl e Cultr-rra da ...Xunta,, pré-autonómica (de UCD), publicadas em
l,{aio de i980. 2.-As Orientaqorts para a escrita do nosso Iclionta, pubii-
cadas pola Associaqom Sócio-Pedagógica Galega em Junho de 1982. 3.-As
D i - r ectrices ptra a rcitt t c g ra c ió n I in g iií s t ic a g a le g o -lt o rt u g u e s a , d e J o s é
&Iartinho Montero Santalha, em ediqon do autor de 1979. Este corrigiu
c ainpliou as Directrizes num il4étodo prd.tico de língua galego-portuguess,
AS- PG/Galiza E d., Ouren s e , 1 9 8 3 .
Pola s'la parte, a Cornissom Lingüística da AssociaEom Galega da Lín-
gua (AGAL) está a preparar um Prontuó.rio ortográfíco, um Vocabulárío
B¿isico e umha Grantática gaiega.
Como guia léxica e inciusive como prontuário ortográfico pode con-
sultar-se provcitosamente o primeiro Dicíonário Galego (galego-galego) que
ulrt amplo gr-Llpo de professores, sob a direcEom de Isaac Alonso Estra-
r ,i s, está a pubiicar.

64
dam entre os utentes do galego: Ou som analf abe-
tos ou, em caso contrário, nom dominam bem as
normativas propostas ou acham-se perplexos sobre
a adequagom das mesmas.
Contodo, cumpre unificarmos (é objectivo último
irrecusável) as normativas e estendermos o seu co-
nhecimento e prática.
Discutiríamos, porém, tanto a adequagom da nor-
mativa unificada como o caminho a seguir em con-
segui-la.Na segunda parte Co nosso trabalho (B/ Dis-
cussofil de alguns aspectos das Nor¡nas ILGRAG)
tentamos cumprir o primeiro cometido ja que as
Nor¡nas EI-G-F"-AGfórom cficializadas polo governo
Ce A.P. na Galiza, aínClaqlie se imponham como nom
definitivas (art. 1 e 2 clo Decreto de h{ormativíza-
gcm, publicado no DOG de 20 de Abril de 1983). No
ponto 2.1. desta parte apresentamos a nossa proposta
normativizadora.

2." Dinae¡irsorn social Ca planificagom lingüíst!.ca.

Os diferentes grlrpos sociais na Galiza valoram


cle modo diverso os usos de galego e castelhano e as
línguas mesmas. Habituaimente aprecia-se a língua
oficial do Estado e os seus usos e minusvalora-se,
em relaqom a aquelz, o galego. Mudar as valoragons,
explícitas ou inconscientes, rnodificar os discursos
habituais sobre estas línguas em confiito, é condi-
gom indispensável para eliminá-lc e estabelecer um-
ha situagom igualitária entre as comunidades lin-
güísticas galega e castelhana.
O processo será sem dúvida complexo e longo.

3." Dirnensorn potrítica da planificagom lingüística.

Parece que, por um lado, só deixará de haver con-


flito lingüístico se os políticos e governantes actua-
rem com firme vontade de o superar; mas tamém é
certo, por outro lado, que tal vontade nom agroma-
rá espontanearnente. A concientizagom do povo (mes-
mo numha democracia formal como a espanhola) ha

65
t

0e provocar nos governantes a prática, quer dize:.,


actos políticos e legislativos, que superem os con-
flitos sociais por razom de língua.
Trata-se, em definitiva, de conseguir o Poder, que
inverta o processo de assimilaqom a que a língua na-
cional da Galiza está submetido.
língua e poder
Pouco pode matizar-se da.s afirmagons do Prof .
López-Suevos:
<Detrás da vitalidade dumha língua está o seu
'companheiro' o Império. Só levantando um Estado
próprio se pode inverter um processo de assimila-
gom lingüística. O Estado dispom de muitas armas
para efectivizar a oficializagom da língua nacional,
impondo.a na Administragom, ila Escola, nos Mass-
-Media, etc., e, quando a língua ja é útit para se de-
senvolver na vida social, os cidadáns procurarám
aprendé-la 'voluntariamente' e aprendé-la Ce acordo
com umha normativa unificadora das formas dialec-
tais existentes porque se o idioma aspira a servir
para todos os usos sociais nom pode permanecer
por muito tempo em estado ventureiror' (n).
Em síntese: A mudanqa do status poiítico do ga-
lego depende da pressom social; mas tamém ,.podeo
ser certo que os governantes actuais nom sejam im-
parciais no processo e tentem, com todos os meios
de que disponhem, que tal pressom social nom se
produza.

( 4 ) Cf. O.c. p. 80. Na p . 8 i in s is t e :


" i. ie c e s s it a mo s d a v a ria n t e i r m á
para restaurar e modernizar o noso idioma em Galiza, mesrno como ins-
trumento para a afirmagom da nosa identidade nacional, para combater
a amnésia cultural que padecc o nosso pot¡o (em todas as partes o impe-
rialismo ataca nom só o presente, mas tamém o passado cultural do
povo colonizado), para defrontar com melhores armas a política lingüís-
tica do imperialismo>. E mais adiante:
"Contodo, nom se pode adiar a
luita idiomática até o triunfo da causa nacionalista; isso seria fazer
ideologismo. O galego cumpre falá-lo sempre e procurar falá-lo e escre-
vé-lo bemo.

66
2. DTMENSONS DA PLANTFICAQOM DO
\! GAI.EGO.

supondo a existéncia de vontade política e social,


comegarnos este apartado com um quadro sinópti-
co em que oferecemos a nossa visom da planifica-
gom da língua na Galiza:

QUADRO 1

duraqom do
processo objectivos

1./Normativas di- Escrita correcta


vergen[eslvs./ Nor- Reduzida (menos de unificada (salvo
ma espanhola uni- um ano) . matizagons).
¡f
?: €
fl ficada/.
xh 2./Carencia de nor-
\*ia Conhecimento da
:s c) mativa/ vs./Conhe- Média (umha gera- norma unificada
F¡ cimento da norma gom escolar). (alfabetizaEom
espanhola/. em galego).

va
1. X. Breve (um a trés Purificagom do
F a n o s ). galego falado nos
'd
t?lass medrc.
2. Falas interferi-
IJ
das polo espa- Descastelhaniza-
nhol. Longa. gom do galego
c o lo q u ia [ .

t. Necessidadedos Necessidadedo
usos do espa- uniiingüísmo
o( l nhol. social galego.
(4
?J)
Impossibilida-
2. Impossibilidade de d<¡ biiin-
ñv) It{édia (umha gera-
do uniiingüísmo gom escolar). güísmo social.
social. Possibilidade
:v)
3 . P o ssi b i l i d a d e (clese.iável):o
única: o bilin- plurilingüísmo
güfsmo social. individual).

a"!
Unilingüísmo Plurilingüís-
.S Eo do Estado.
! mo do Estado,
S = ".i
e .' p* ¡ 7 Bilingüísmo so- ) Unilingüísmo
q,
cial na Galiza... social na Ga-
ci t'Ír lí2a...

67
quem desvirtua o galego?
Di-se por vezes que o cumprirnento das nossas
propostas suporia a deturpagorn do galego' qgmo se
pe*
fóssemos um seu cáncer. Tememos que esses ditos
quern excessivamente de demagogia nom isenta cle
pode
ignoráncia; ttit g,re* informado (imaginamos)
opinar com sei-iedadeque tentemos:
a)Imporoportuguéslisboeta.Nempodemos
impor ttudu (a nossa forga é a razom)' nem menos
Gali-
ainda pretendemos outra ccllsa senom que na
e
za os galegos falem normalmente o seu idioma
o escrevam com correcgorn'
(ortografia
b) Provocar mais outra cligtrossiacoa
lusitanao. Poderíamos negá-lo, rnas nos feitos calquer
modo de escrever a língua (fatada) é digtóssico a res-
peito das variantes orais ( dialectos) ccrrelativas '
bontcdo, a escrita reintegracionj.sta,proci-lrando uni-
forrnizar o galego e apioximá-io do lusc-brasileiro,
corresponde-ie á;"ituaámente coas diferentes falas
do galego.
c ) Incorrer no elitismo, excluinte das carnadas
popuiares. E,nsina, porérn, a experiéncia que os ga-
(ou
i"gt, ( sobretodo os nenos) sorn tam capazes
*áir ) cle apreenCer a escrita coi:¡:ectada sua }íngua
com.o as d.o espanhol ou do inglÓs. Eiitistas som po-
1o contrário, oS qu.e consicie¡arn que oS Seus com-
patriotas noix estám preparados para escrever corn
correcgom o galego, tát que, para ((evitar confli-
"*
tos liigiiísticosr, lhes clam como (:enxebre> a orto-
grafia clo esPanhol.

2.1. DIMENSCM ESTRITANIEI{TE, LII'{GÜfSTI'


CA.

Pensamos qlue a tarefa de elaborar as normas de


escrita conrecta para o galego ha de apoiar-se na
consideraqom clo estado ictual das falas e na histó-
ria da }í¡gua, assi como nas norrnativas ortográficas
vigentes tta nossa área cultural, principalmentc aS
do portugués e brasileiro.

ó8
a

2.l.L Castelhanlzaccilt progressi.va do galego.

O galego faiaclc e o escrito está forteme n te inter-


ferido pola língua oficial do Estado. Ninguém ousa
negar o feito cando a el se alude genericamente; dis-
cutem-se, pcrém, os rasgos e aspectos ern que a es-
trutura do galegc está castelh anizada. Neste ponto
podemos dar por bcas as afirmaEons do Prof. C. Gar-
cía (I976, pp. 342-343), se fossem mais explíci tas:

"...llegamos a la conclusión de que en este con-


tacto castellano-gallego ( creernos verlo bien
claro) ei castellano impone su léxico, el galle-

ff,tiili:,:¡H,'i,"3iil;xF3
..Castellano y gallego han originado, en tg75
dos dialectos paraielos: Castellano agallegado y
gailego chapurrao. Y, si no hay cambio en el sta-
tr¡s de protección a cada una de las ienguas, ilo
estará muy lejos el día en qlre una de eilas haya
absorbido, a costa de algún rasgo morfológico
o sintáctico más, a costa d.e algún préstamo
léxico más, la otra... >.

A vista do expressado polo professor nom hai que


se esforEar rnuito para advertir: i ) eue a situagom
hoje está a estragar-se ccntra o galego até o ponto
de ser gravemente árdua a sua recuperaEom (e nom
só de rasgos morfológicos cu sintácticcs) . Z) eue
a língua absorvente é umha só e a absorvida só a
outra: E o espanhol oficial o que está substituindo
o galego (u).
ruptura da unidade,
ruptura do sistema
lrlontro lugar (c. García, 1977)o mesmo autor ten-
ta provar (o afastarnentodos falares occidentais en

(5) Precisencs: )'.r:;n é umha líng,ra a que absorve a outra; som as


norrnas de uso as qlle potenciam o empi'ego (e a consisténcia cotnpeten-
cial no usuário) da umha e o des-emprego (e esquecirnento concomitante
no usuário) da outra. Vid. Ll. ARACIL (1982), pp. 147-155.

69
Cúas linguas diferentes> ( p. 21) pcr urnha re iativa-
mente natural evolugorn do sistema lingüístico ga-
lego, diversa do do portugués-mogarábico. se bem
concisamente, o Prof . iU. Alvar (1975, pp. 36-37) ex-
plica o feito com maior Precisom:

nGallego y portugués, dialectos internos, son


fenóménos de tingüística homogénea. Pero la
historia peninsular de Galicia fuerza a otra se-
rie de consideraciones de adstrato, lenguas en
contacto, sociología lingüística, etc. E,s decir, a
problernas de lingüística institucional ( "')'
oLas relaciones con el casteilano muestran la
penetración de ia lengua oficial que -a veces-
ha d.estruido la uniformidad del dominioo.

o cliasistema lingüístico galego está a piq_qe ce


ser roto polas interf eréncias do sistema castelhano'
como .tot lugares citaCos anotam oS professores an-
teditos, nos nivéi.s:
1 H:ii*li";J:;Jffifr5'';
"A;TT¿"ffi""::
les abiertas, porque los vocablos castellanos
con e u o medias suelen pronunciarse como
abiertaso ( C. García' t976, P. 337) .
2. If{orfcsi¡rtáctico. Por exemplo, na *pérdida de
sílaban final -de en los sufij os -ade, -ude"
(ibidem) ou na castelhanizaqom do género ou
na <antei:osición del pronombre personal áto-
no)> ( ib. p. 338) .
3. Léxico, que é .,donCe se rnanifiestan Ce modcl
más contundente ias interierencias castella-
nas>. Prescindimos da exemplificaqom (veja-
-se C. GARCIA, 1976,pp. 338-339;1977,pp. 41.53-
60; M. AI-VAR., 1.975,pp. 37-38),por outro lado
ociosa de todo.
espanholizagom da
norrnativa crtográfica
As ointerferéncias, do castelhano som evidentes
pas normativas para a escrita do galego até o rno'

70
mento usadas habitualmente; e nom só por falta de
preocupag(}m, entre os autores, de
"estudia-la lingua
que falaban, a súa historia, os textos antigos, a iria
morfoloxía e sintaxe presente e pasad.a, o seu léxi-
co> (C. GARCIA, L977, p. 5T), senom por ..fins prác_
ticcs >, segundo reconhecem as Normas acad.émicas
(1971,p. 6):

.,4 actual ortograf ía galega, como non podía


menos de suceder, formóuse sobre a castella-
il?, única que cs galegos aprenCían nas esco-
las ao tempo que o Renacimento das nosas le-
tras creóu a necesidade dunhas normas da
espresión escrita,'.

Na realidade, a ortografia castelhana toma-se cG.


mo ponto de referéncia (supérfluo e incorrecto ao
nosso ver) para a galega usual, inclusive a oficiali-
zada; este feito nom se negou nas sucessivaspropos-
tas normativas qLle se fixérom sobre as académi-
cas (e).
I " --

2.1.2. As teses reintegracionistas.

Resumimos a seguir o nosso posicionamento so-


bre a Norrna de E,scrita Correcta para o Galego. Co-
mo dixemos, na segunda parte do trabalho (B/ Dis-
cussont de alguns aspectos d.as Norrnas ILG-R.AG)
coa crítica ao posicionarnento contrário precisare-
mos máis o nosso.
Como fundamentagom teórica, curiosamente, se-
guerl a ser váliclas em linhas gerais as ideias que
expuxo Joám Vicente Viqtieira nos seus artigos so-
bre o tema, por exemplo, em
"Pol-a reforma orto-
gráfica" ( 1918):

"Unha língua debe escreberse de rnaneira que


poida ser entendida pol-o maior número d,ho-

(ó) vejám-se as Normas académicas (1971), pp. 8-9; tamém Gallego 1


(1971),p. 6 e orientacións para a escrita do noso id.íoma (AS-pG, 1980),
p p . 5 e B.

7t
mes. Non sucecle esto tendo en conta a foné-
tica, que co'as frequentes variacións tenCe a
esnaquizar a lingoage (o que importa m¿ris ben
sujetar), senón tendc conta da historia. As or-
tograf ías históricas mcstran unha ortografía
unificada por necesidades d'unha cultura que
ten rasgos unitarios t...1 as ortografías histG
ricas son esenciairnente instrur¡renfos prácti-
css e u¡riiicadcr"es,que amplían a eficacia d'u;r-
ha língoa. |.lo ealego dase o mismo casc. O por-
tugués é un fiilc c1ogaiego e entre os dous ilon
hai mais capitahnerte que diferenzas fonéti-
cas que non soil tan grandes quizáis con-lo as
qLie existen entre o andalús e o castelán. Si
nosoutros empregamos a ortograf ía histórlca
galaico-portuguesa teremos salvado a dificulta-
de que separa as Cuas língrras e daremos aa
galego un carácter mais universal, facérdco
accesible ao maior nírmero Ce homeso.

Quer dizer, forn:ula cclrt bas tante ccrrecgofil as


notas características da orüografía !.deal que enun-
ciá'¿amosno ponto 0.1.b):
1." A estabilidaCe das foi:mas, *(QUeimporta niais
bem suj eitar".
2.^ A versatilidaele na correspondéncia entre a
grafia e as ofreqüentes variaEons,, nas falas.
3.n A condigcm de ser <instnume¡rto prático e
unificador, e, portanto, ef.icaz.
de maneira que a escrita do
4." A ¡.¡.niversalicladc,
galego polo maicr nútme-
"poda ser eniendida
ro de homeso.

a) FUNIIALEI{TGS TEóR.ICOS.

As notas em riba resenhad.ascumprem-se ajeita-


darrente na <ortogretfía->> reintegracionista. Esta é,
coi-rl efeito, urnha propos ta coerente, seriarnente fun-
dada nos achados teórico-práticos das Ciéncias da
Linguage. Naqueles aspectos que consideramos per-

72
tinentes para o nossc intento, sintetizamc-los a se-
guir num presuposto e em dous princípios gerais,
qlle reproduzimos qltase literalmente do llst¡¡do Crí-
tico, preparado pcla Cornissom Lingüística da AGAL.

1." Presuposto e ccndicionante.

Iniplicarn-se difereirtes cadeias Ce teorízagoms e


ccmportamentos nas i:espcstas que se dem ás se-
gr,untes questons:

1. Gaiiza é naqom? Ou é mais bern .,región de


España"?
2. O galego ha cie ser instnimento de comunica-
gorn na n3qcm galega? Ou rnais bem instru-
mento cornunicativo subsidiáric dc castelha-
no numha regiom espanhcla?

Com efeito, scb as opqons para a formalizagon e pro-


cesso ncrmalizaCor do gaiego acham-se concepQons
genéricas ( t ) que na práti"ca funcionam como pres¡.¡'
posto e como condicionante da teorizagcrn e dos uL-
terici'es comilcrtamentos lingüísticos na Galiza.
Os reintegracionistas em geral sustentarnos, sal-
vc rnatizes, qrle a Galiza é naqorn, diferenciada clo
pon to de vista geográfico e antropológico, caracte-
rizada pcr umha cultura de sell e urnha língua que
a inciuem, por direito própio, na área luso-africano-
brasileira; i-nasé tarném naQom <(economicamenteex-
piorada (...) fornecedora de produtos primirrios,
energia eléctrica, homes e capitais para um capita-

(7'; -v!iti.. o capítulo VI, ,,Esiructura e ideología, da obra de Marta


HARIIE,CKER (L975), pp. 95-111. l'Ionr q'-rererie simplificar o terna, mas
a respeitc do nacion-alistto e, ern particular, cio reintegraclonisnto está-se
a dar um curioso fenómeno: Reforqa-se a ideologia contrária, o regiona-
Iis*to, porque esta resulta b.,ern útil para que os galegos aceitem a es-
ti:utura geral da cxploiagcm de classe e sobretodo as condigons da sua
erplotaqom coirlo povo. Veja-se López-Suevos, obra citada, p. 30.
( 8 ) C r . R. LOP E Z-S UE 1"OS , o b ra c it a d a , p , 6 9 ; v e ja -s e p p . 6 9 -7 0 . Nes t e
rnesno particular pode consultar-se a obra dc Prof. CARVALHO CALE-
RC, Dc¿ Fala e da Escrita, Galiza Ed./AS-PG, Ourense, 1983, pp. 15-27
e 28-35.

,11
IJ
lismo alheio" ( s) e carente de instituigons scciais e
poiíticas próprias ou ajeitadas.
Congruente co antedito, para nós o galego é sin-
gelamente a língua da Galiza, de modo que o proces-
so normalizador do mesmo ha de concordar coa
concepgom da Galiza, do seu território e sociedade,
da sua cultura e história:
1) Considerar que todos os habitantes de Galíza
podem e devem viver em galego, como em USA se
vive em inglés, induz a normativizar o galego de
maneira autónoma, sem forEar o seu sistema em
aras de oevitar conflictos lingüísticos co español> (n).
2) Admitir que em Portugal, Brasil, Angola, Mo-
Eambique... se falam variedades de galego conduz a
elaborar a língua-padrom para a escrita e para a fa-
ia de modo que seja válicla para a Galiza, rnas con-
corde, no possível, cos padrons lingüísticos usados
nesses territórios.
3 ) Potenciar a cultura galega em comunidade
com todas as outras expressons culturais de ociden-
te implica tamém a existéncia de regras de recta es-
crita que nom contradigam, sempre que for possí-
vel, a normativa dos idiomas da nossa área cultural,
em especial a luso-brasileira.
4) Admitir que a história da Galiza é bastante
anterior aos séculos xvill ou xIX obriga a ter em
conla as manifestagons escritas que se dérom duran.
te os séculos anteriores.

2." Frfuacípios gerais.


Resumimos em dous os princípios (ou critérios,
segundo se considerem) que apresentamos como bá-

(9) A afirrnagom é de R. Lorenzo Yázquez. Cf. linguan, €ro Galicia


"A
i 95 0 - 1 930.E d. Galáxia, V igo , 1 9 8 0 , p . 2 5 : o O n ro v c me n ro lu s is t a n o n s e
dá conta da realidade. ¿Temos interés polo galego ou polo portugués?
Se nos inieresa o galego ¿cómo imos facer da nosa lingua un arrabald.o
do poi'tugués? ¿Cómo imcs impoñer unha grafía artificial no galego, se
cle sd e o séc. X IX temos xa a n o s a p ro p ia ? / . . . / E s q u e c e n o s lu s ist a s a
realidade histórica do galego (sempre preto clo castelán, pouco en con-
tacto co portugués) e a realidade actual". Sem comentário.

74
sicos para a global formalizagom do galego e para
as escolhas normativas particularizadas.

a. Fidelidade á tradigom escrita do galego.

O princípio, assi enunciado, abrange vários as-


pectos que convém especificar:
1) Os textos correctamente escritos em galego
terám sentido se desernpenham (ou tendem a cesern-
penhar) as fungons que em calquer sociedade costu-
man desempenhar; isto é, os textos escritos altamen-
te forr¡alizados som só produzidos e re-procluzid.os
em processos comunicativos oficiais: Som textos le-
gais, administrativos, textos escolares, literários, etc.
2) A escrita correcta do galego manterá a forma-
lizagom predominante cando a língua se empregava
<(normalmente". Deste modo evitará-se, canto for pos-
sível, a ruptura quase completa, no grafismo e nas
forrnas, coa escrita medieval.
3) O curnprimen'io deste princípio na língua da
Galíza fará que esta confiua co portugués e brasilei-
ro padrons, salvo diferenEas legítirnas e menores.

b. Correspondéncia suficiente coas falas do ga-


Iego.

As diferentes falas do galego na Galiza, do por-


tugués em Portr-rgal e nas ex-colónias, e do brasilei-
ro no Brasil harn cle considerar-se a-ieitaclamenterea-
lizagons de umha mesma língua históri.ca, correla-
tivas cla mesma escrita correcta, com escassas va-
riantes normativas. Mas deve entender-se em parti-
cular:
1) Os textos correctarnente escritcs em galego
nom transcreverám literalmente textos orais, nom
só polas razons aduzidas no apartado 0.1, senorn ta-
rném porque as normas de escrita correcta tenhem
de cumprir umha necessária tarefa correctora dos
espanholismos e impropriedades que deturpam as
falas da Galiza.

75
|-

2) Sempre que for possível, a escrita correcta cio


galego constituirá-se despois de comparar os textos
rnedievais e as f alas ( ou textos literílrios ) contem-
poráneas. Escolher'ám-se,portanto, preferentemente
as reaLizaqons forrnais ( noin espúrias) coinci Centes
nllm e noutro tempo.
3) () cumprimenic deste princípio na iíngua de
Gaiiza fará, tarnén por este caminho, qlle conflua
co portrtgués e brasileiro, se bem nos nivéis nior-
foiógico e léxico, principalmenie, se constitua em
ncrma diferenciada.

b) EXIGÉNCIAS Ptrtu{TICAS.

De todo o erposto até o rnornento tii:arernos al'


gi-rmhasexigéncias práticas qlle, em calquer caso, se
ham de cumpi:ir nas normas para a escrita correcta
do galego:
preferéncia poias
formas plenas
L.' Preferirámse- as formas mais amplas (plenas)
sobre as reduzid-as.Assi, verárn ou verao e nom vran
cu vrao; para e ncm pra; ao e norn ó; rlorn o e nom
ncno ou flo, etc. Deste modo, os leitores pcclerárn
fazer crresponder, aj eitadamente, a forma escrita
( irlena) com caisquer das formas orais ( ampla orx
reduzida).
estabiiidade das formas
preferéncia pola
2.' Fiaverá de preferir-se manter as unidacles cla
língi,ra, mesmo na sua aparéncia gráfica. Daqui que
se faga o pir,rral de vez, veres, ou qi-ie se escrer/a co-
n?er o calcic (ainda que se pcda ler /kciné1cká1dc/),
ou que se rnantenha o v. em toda a conjugaqom de
rectruzir ou de anier¡alizat.
preferéncia pola
grafia histórica
3." |das palavras pa-rrimoniais, preferirá-se a es-
crita histórica ou tradicional, cando esta f icou fixa-

1 t)
da textos meo.levals.
aa nos Eextos medievais. Assi,
Assl, cantava
cantava e noin canta-
ba; árvore e nom árbore; povo e nom pobo; paiavra
e nom paXabra; gente e nom xente; Janeiro e nom
xaneiro; jeito e nom xeito; cabega e nom cabeza;
constituigom e nom constituizón ou coí!.stit¿lción, etc.
Evidentemente, na maioria dos casos a pronúncia
é a mesma tanto se se utiliza a grafia tradicional co-
rno se se utiliza a castelh anizad.a; contodo, no pri-
meiro suposto o gaiego escrito nom só se aproxima
do portugués e do brasileiro, sencm que com fre-
qüencia conf lui com outras línguas ocidentais ( ca-
talám, italiano, francés...) em bom número de vocá-
bulos.
preferéncia pola
grafia etimológica
4." Nos cultismos, deve preferir-se a forma em-
pregada polo luso-brasileiro na grafia que llr.e co-
rresponcler pola etimolcgia, como costurna fazer-se
nas línguas ocidentais. Assi, Geologra e nom Xeolo-
xía,, geótrogo e nom xeólogo, exigir e norn esixir, etc.
Desta maneira climpre-se a exigéncia 2.^ (mantérn-
-se em todo caso geolog-, por exemplo) e coincide-se
coas línguas da nossa área cultural, ao tempo que se
respeita a pronúncia netamente galega.
i' ¡ iL/^ )

2.1.3. trirnhas palavras sobre o processo norrna-


tivizador.

No quadro sinóptico com que iniciámos o apar-


tado 2. sintetizámos a nossa proposta a respeito do
ritmo ideal de levar adiante a planificagom da lín-
gua que aqui propomos.
Resultará ocioso advertir que no presente apar-
tado estamos a referir-nos ao processo global que,
observado, presumivelmente facilite o domínio (ro)

(10) Teríamos de dizer melhor cornpeténcia, quase no sentido choms-


kiano do termo. Cumpre distinguir entre competéncia emissora e recep-
tora tanto para os usos falados como para os escritos. Ou talvez seja
melhor dizer cornpeténcía no sentido em que entende a Gramática do
Texto a competéncia comunícativa: (fatores eu€, ao nível cla própria lin-

77
cla língUa falada e cla escrita, de maneira que se €m"
preguem com correcgom ajeitada.
Supomos que nom existe vontade, social e políti-
ca, contrária a que o galego oral e escrito, adequa-
damente formalizado, seja de uso habitual na Gali-
zd, se bem trataremos o tema especificamente nos
seguintes apartados (22.1.e 22.2.).
Distinguimos, portanto, ambos os dous tipos de
tl sOS .

a) Usos correctos da escrita.


normas ortográficas
e morfosintácticas ja
Prescindindo de matizes obrigados e sem dúvida
abundantes, pensamos que os galegos, isto é, o Go-
verno, a Administragon e o Povo em geral, tenhem
ao seu dispor na actualidade umhas Normas Bási-
cas de galego ( reintegracionista ) , ortográficas, ü1or-
fológicas e sintácticas, que sectores nom desprezá-
veis da populagom seriam capazes de utilizar num
prazo baitánte curto de tempo e sem esforgo demais.
Os funcionários princioalmente poderiam empregar
o galego escrito segundo estas Normas antes de um
ano talvez.
léxico formalizado
Mais longo e discutível terá de ser o estabeleci-
mento das formas léxicas normativas. Contodo, ten-
do á vista o vocabutário conaum luso-brasileiro po-
deria reduzir-se o prazo tamém neste nivel léxico e
possuir umha norma vccabular unificada num prazo
nom maior de dous anos.

gua, possibilitam a comuniqáo verbal, isto é, o conhecimento de uma


ti"gUu natural (o seu léxico, 3 sua gramática), bem como o conhecimento
de uma llngua natural (o seu léxico, a sua gramática), bem como o
conhecimento das norrnas que possam favorecer o éxito dos atos comu-
nicativos. É, a tais fatores que aplicaremos aqui o termo de cornpeténcia
comunicatívau. Cf. SCHMIDT, S. J. , Litzgiiística e Teoria de Texto, Livra-
de
ria Pioneira Eclitora, Sáo Paulo, 1973,p. 11ó. Veja-se tamém o artigo
HYMES, D. H. *On Communicative Competenceo incluído em Sociolín-
gttistics (J. B. Pride e J. Holmes editores), Penguin Books Ltd', Har-
mondsrvorth, Nliddlesex, England, 1979 (reimpressom), pp' 269-293'

78
alfabetizagcm dos
galegos em geral
Logicamente, a alfabetizagom dos galegos, quer
-
dizer, o processo de adquisigom de coápeténcia da
língua escrita, tanto a emissora (escrever) como
a
receptora (Iér) por parte do maior número
de gen-
te possível, necessitaria muito mais tempo; teria
de
ser umha tarefa duradoira e dilatada. Talvez umha
geragom escolar, quer dizer, oito cursos
do E.G.B.,
trés ou catro do B.u.p. ou F.p. poderia prever-se
que havia de estender-se o tempo mínimo para
os
galegos, em quantidade suficiente, .orrr.g.rirem
o
conhecimento ajeitado e a práctica habitual da
nor-
mativa ortográfica a todos os nir,éis de emprego
es-
crito.

b) Uscs orais forrnalizados.

Mais difícultoso de estabelecer e rearizar parece


o processo de norrnalizagorn para os usos orais. En-
tendemo-lo, por Lrm rado, como adquisigom de com-
peténcia e, por outro, como actuagom da mesma,
isto é, ernprego da língua correcta por parte d.os seus
usuários, sobretodo, nos mass media.
prazo para os usos
orais formalizados
Que um grupo numeroso, se bem profissional,
apreenda o galego correcto e o pratique de rnaneira
<espontáneao reqller um tempo bastante amplo de
aprendizage e uso (controladoo. Com efeito, trata_se
de conseguir o hábito de umha d.eterminada correc-
gom idiomática. por isso, para que a utilizagom
do
galego nos meios de comunicagom social, piincipal-
mente nos de expressom oral (rádio, TV, filmes,- ví-
deos.. . ) , nom resurte forgada nem artificiosa cum-
pre um prazo prolongado, mas nom extenso
dernais.
Nós propopomos entre um e trés anos, sempre
na
hipótese (insistimos) de que haja umha efectiva von-

79
pla-
tade sccial e pclítica Ce actuar ttlnha aj eitaCa
nificaEom lingüística do galego'
desespanholizaqcrn
do galego coloquial
A cle'r-erminagomdos passos ou etapas intermé-
dias, co ritmo de adquisigom e prática competenciais,
ám-
da actuagom dos mesfflos segundo os diversos
bitcs sócic-culturais fica para melhor ocasiorn. Ir{om
pro-
obstante, está intimame¡te relacionada com um
galego e é
cesso simultáneo aa da norrnalizaqom do
o cla descastelhanizaqom do gaLego coiocluial sobre-
todo. Sem dúvicla, aciivinha-se sumamente lon-
"ét"
go e condicionado por iactores rnui diversos, descie
social
a j,r citad a vontacte política ( institucional ) e
(de grupcs empenhaccs na normalizaEom da socie-
ou de
clade giega¡ ut¿ a efectiva vontade de fala
Iíngua de cada Lln dos cidadaos na Galiza.
oprocessodenormalizaEornd.osLlsosoraisnos
mais doado
rnass media é, apesar de todo, bastante
descastelha-
de levar adiante do que o processc de
nizagomdasfalascogalego:Aquelpartedezerae
ha de po-
só tem d-e construir-se; este nom apenas
aminorados (tt)
tenciar usos do galego cada vez mais
deturpagom
senorn tamém tem de corrigir a própria
dosistemalingüístico,porcertoavangadadeavon.
do.

2.2.DIME.I{SO¡ISNoME,STRITAMENTELIN.
GÜf STICAS"
lingüís-
comegamcs Llrn apartado da planificagorn
tica vidrento demais, quebrad.iqo,obscuro e viscoso'
os ti-
Fundamentalmente teríamos de analisar nel
ga-
pos ce discurso ou (maneiras de f alar" sobre o
i.go, habituais ou dominantes na Galíza. Curiosa-

nlinoritária
( 1 1) Língua de usos aminorados ou Língua em situagom
(ou marginada) éadenomina g o mq u e me lh o rlh e c o rre s p o n d e a o g a ie g o .

80
mente, de modo cada vez mais erplícito
estes pre-
conceitos confruem coas maneiras
á* farar contra o
que se pensa lusisrno.
nlusismoo e
r<antilusismo
>
Poremos exempios, que sempre crarificam
as cou.
sas, e sobre eles sistematizarernos
o nosso propósito.
u-11 coraboragcm de D. Ramon Lorenzo yázquez,
aparecida o 18 de outubro de i981,
domingo, em
EI rdeal GaIIego, resurta paradigmática.
A era per_
tence o seguinte parágrafo (,, qLle
) nos permitimos
esmiuzar ou esquernatizar. Dispomo-ro
a duas coru-
nas: [Jmha recolhe o que se di do Iusismo
e a outra
o que se atribui ao oficialismo; em
redonda reprod.u_
ze-se o que se di explicitamente
e em cursiva o que
deduzimos das afirmaEons sobre
a outra opgom ja
qlre som (posturas totalmente
contrárias, porque a
umha excrui á outra>, segundo confessa
o sr. Loren_
zo Vázquez:

(12) c parágrafo di assi:


"canclo se tratou de norrnativiza-la lingua
e a Academia Galega e o Instituto
da Lingua Galega da universidade
chegaron a unha normativa ca.se
.o-úr,, l-'r.r, cantos aficionados ocu-
i'réuselles presentar unha ni¡rmativa
lusista, ou ,reintegracionista,,
se di pra disimurar, querendo como
achega-lo garego ó portugués
na morfosinta-xe e no ré.xico, porque na grafía,
resulta que utiliza_ro garego
escribir baixo a presión clo casrerán vivo é
e hai ó; ,.;o".r]rrt ,nLrnca,
existiu. Así chégase a dúras posturas n""
totalmente contrarias, porque
unha exciúe á outra e non hai posibilidacle a
de entendemento.
Estes galegoaprendices en
moitos casos fixéronlie un fraco
galego e contribuíron a que favor ó
a xente se indispuxese aínda máis
nosa língua' Sabido é que nas contra a
aldeas falan o galego coa conciencia
que o falan mal. Se por enriba de
ile imos cre que o verdadeiro garego
alleo e con lusismos, aínda é
se convencen máis eles. o que
facer é facilitarres todo o rabor debemos
de aprendizase do propio id.ioma
eso cómpre ter em conta o que e pra
deprenden na clase de castelán. o ga-
lego e o castelán teñen ho;ie unhas
caracteristicas moi semellantes, cousa
que non sucede entre o garego
e o portugués falado, e mesmo escrito>.

B1
I
QLIADRO 2

'l u si smo ' ' c f ic ia lis mo

l . aficionados. l. pro-iissionais (?); oficiais (?)-


2 . reintegracionistas (pa rl. d is s i- 2 . 1rctn reintegracionistas ( Para
mularf. htsistas (na realidade)' d is s imt ú a r) (? ); a n t ilu s is t a s
(na realidade) (?).
3. achega-lo galego ó Portugués J. afastar o galego do portugtiés
-na grafía. - tttt gra-t'i7...
-na morfosintaxe. - na tTrcrtosltlta-re.
-no léxico. - no léxico (?1.
4. utiliza-lo galego vivo é. .escri- 4 , utilizar o galego vivo rtottr é
bir (13) 6aixó a Presión do escrever baixo a pressotn do
castelán. castelhano (?).
5. recuPera-lo que nunca exrstlu' recuperar o que algumha t'ez
e x is ri¿ t (? ) (1 4 ).
ó. galegoaPrendices. A s,alegoinstalados (?): equivale
á o ln a t n a -I a lin g t m" ?
7. fixéronlle un fraco servicio ó 7. f ixérom-Ihe unt ugordo> ser-
galcgo. vigo ao galego.
8. contribuíron a que a xente se 8. c o n t rib t t í ro n t t r q u e a g e n t e
indispuxese contra a nosa lln- se ponlta a bem coa trosst
gua. lí n g u a .
9. notn facititar-lhes (aos das 9. facilitarlles (aos das a|"deias)
a l d e i a s) o l a b o r d e a p re n d i- todo o labor de aPrendizaxe.
za d o .
10 . nont ter em conta o q u e 1 0 . Dara iso ter en conta (15) o
apreendem na atúa de cas' h.r" deprenden na clase de
telhano. c a s t e lá n .
ll. o galego e o portugués tetr.lrcftt 11. o galego e o castelán teñen
-unhas
hoie caracteristLcas rn t ¿ L s e ' hoie características
ntelltatttes. moi semellantes.
12. o galego e o castelharrc, ta- t 2 . cousa que non sucede entre
¡ném escrito, estcÍm netametr o galegó e o Portr-rgués fala'
te diferenciados. do, e mesmo escrrro'

e
(13) Cumpriria distinguir, a teor do ja exposto, entre usos orals
acocha talvez outro
escritos c1o galego. Mas na expressoni de R. Lorenzo
tema em litkio, aqui nom tratado directamente, o de escrever cofno se
no ponto 6, o Ce ntaÍnar a
fala, em reláEom com outro que se insi*ua
l ín g u a .
(14) IVlesmo o ILG conscientemente tenta recuperar o que exlstru'
Ou norn fegu-
A q,Jestgm, portanto, noln parece pór-se entre recuperar
perar, senom entre o que se pode e deve recuperar e o que é irrecuperá-
conhe'
vel. Isto é o que se adivinha na <boutacleo de R. Lorenzo: El bem
ce que o que os reintegracionistas tentamcs rccllperar e.ristitt em galego;
polo motivo
o q.," teriá de confessar é que nom lhe parece recuperável,
(mor-
qu; seja, esta ou aqucia forma, ou um ;erto tipo de unidades
foiógicas e léxicas, sobretodo).
(con'
(15) Ter em conta entende-se corng (considerar> ou bem como
ceder valorr. O castelhano tem de ser ccnsíderado para levar adiante um

82
Pondo-de parte os pontos !,, 2.e 6. (no quadro)
que recolhem argumhas desquatificaEotrr
d* D. Ramói
Lore'zo contra os adversá.ior, agrlrpamos os
outros
pontos por temas. cremos que os salientáveis
som:
temas dominantes
sobre o galego?
1." Naturalidade ou carácter congénito
-uá da língua
(galega!). pouco ou nada se deturpé,,
rongo"J;
tempo ( ?); pouco nada pode reformar_se, está
-ou
bem como está. Vejam-se os iontos 4.,5. e g.
Portanto, recordar que os usos da ríngua nom
som
tarn naturais, ainda que recramar que se actue
em
conseqüéncia se venha acusando como falta de
vivén_
cia do galego auténtico (ro).
2." Redugorn da desnormalizagom do galego
desnormalizagorn ortográfica ou pouco ¿¡
mais. vejam_
-se os pontos 4., 7. e g.
Por conseguinte, denunciar o conflito lingüístico
é ,rf azer porÍticar, segundo certos detentad.ores
do
Poder.
3." Restricgom da <questom de escrita correcta>>
á- simples facilidade (désde a espanhola)
no apren_
dizado da mesrna: ponto 10.
Portanto, propor umha formali zagom do galego
nom submetida á espanhola censlrra-sepor
estrangei-
rizante.
4." Elevagom da dialectologia, fonética
e quigá
Iéxica, a critério fundamental puru o estabelecimen_
to da tríngua comum, ou teorizagom das divergén-
cias entre as falas do galego e á, áo- p"rtugués
e

ensino realista do galego e em garego, ja que


poro de agora na língua
oficial do Estado se u.hu* quase todas
a, h"rrsag"s que os nenos esti-
mam (Tv, rádio, cómics...); mas nom tem d.e
ser varorado até o ponto
de as suas noffnas de escrita correcta serrr'irem
cle pauta para as do ga-
lego.
(1ó) Estes ou parecidos argumentos ,
surgem mesmo em ensaios da
autoria de persoas, como G. Rojo ou
c. darcía, ponderaclas e sérias.
Vejam-se as pp' 108-109cla Revísia cie
occiclente, Extraordinario Ir, nú-
meros 10-11 (febrero de l9B2), ou os Recantos
da lingtn, La yoz de Ga-
licia, A corunha, 1993, passiÁ. o feito paraátxa
*galegoaprendizesp. e que eres som tamém

83
e cast:lhano"
afirmagonr clas semelhanqas *-t galegc
Vej am-le os Pontos 3', 11' e 1'Z'
a margi-
sustentar opinions diferentes acarreta
naqom oficial.
SebemenconlralTtosesiestemasnLlmtertocen-
tradosobreaciscussorndaquestomortográficir, de-
j r-rlgamosqlle som fr:nclamentais e reiteraclos llas
galego' Es-
claragons of iciais oll of icialistas sobre o
efectiva
tas, ao rrorro i-., inciclem na arninoragorll
posiEons
da língua da Galiza, ao provocate.T desde
d9t ga-
d; prJstígio e pocler o á"tar*e ideológico
mais gra'
legofalantes. E ; sua incicléncia parece-nos
ve" e perigosa por canto os meios de comunicagom
social recolire* magnificam com exclusividaclequ3-
"
se absoluta este tipo de declaragons'
de
Com efeito, asslstimos á eraltaqom unilateral
sem'
certas 'opinions' acríticas, proferidas e apoiaclas
inge-
pre em contertos ideológi.o¡ q]-le. identificam
co
nllamente nagom e estadó (ula nación españot-u')
do cas-
obiectivo indirbitável de refcrqar, 7 respeito e
telhanc, ola lengua española oficial clel Estado''
e discur-
cle olas otras len.rztlasespañolas,,,conceitos
mas
sos clominantes désde urnha determinada época,
intensificados nos irltimos tempos ( rz) . Poderíamos
con-
acluzir neste respeito testemunhos nllmel'osos;
das
todo, só transci.everemos trés, representativos
'opinions'prevalentesnaGalizasobreogalego'o s
seus usos, a slia forrnalizagom' ' '
exemplo de
'opiniom' oficiosa
oficioso,
1. O primeiro provém c19Llm portalzoz
de klaio d-e
talvez mátgre lui, c1o oficialisrno. o 10
Gaile'go,
1gg3,D. Avélino Abuín atribuía, em El ldeal
comc os
a D. Gonzal0 Torrente Ballester assertos
seguintes:

nengtlm Privilé'
( 1 7 ) osquetemosoutrasopinionsnomprocuramosnenglllilPlrl'IrE. congruente do
^-^.-,'rlo r\ .r,t,.t.imento sério e
g i o ; só julqamosqtleprocecleg.cllmprimentoSerloecon3l-uetiL€uU
.lo 1e7R
de ¿lr- que
1978, de olte nos ocupan-los no pontO 22.2
noS ocupan-los
Constltuigotn
a r t . 9 ." ;./ ' cá"!¿ r \-'
^-,-^L:r.-i^^.¡
(J rr> L 1 L L r r-
4'
usos c1a l íngtta" ' apar t aclo
sob o e p íq ra fe n C .rc i to s fi tncl ementai t
"

84
(As diferencias co pcftr,rg'és
sc', e'-icienremen-
te grandes. A ún galego cóstalle'tanto
' traballo
aprende-ro portugués .omo
o chino. De xeito
que o rusismo paréceme unha
oimislon da per-
sonaricrade galega. o que hai
qo- iu.*, é de-
fende-la troi" personaiidade.
tas, eqr-riribracras,acolrgantes (
1Xr-1s apostilava
D' Ar"elino), as palabras cie
ioi-rente Bailester.
L:3:'f
11,fl:,i#::"""nf;:,"-:#
&1,""T
za a albiscar. ie'e Galicia Uo ;ug;,
zalo!". Dcn Gon-
exenrplo Ce opiniom
quase oficial
2. o segundo testemunho poce
-áu' considerar_se co_
mo decra-ragom definidoru
cial sobre. o galego (do efectiva potitica ofi-
*"r*o modo qlre a colabo-
raqom antes citada de D.
R.amon Lcreizo fazia ex-
plícitas as teses cia ciéncia
oficial). Formu parte de
umha entrevista que D. rvturr,r-l
cedera Fraga Iribarne ccn-
? um jcdaiista
-de ¿" ru R.egióir, em que foi
publicada o 4 Setembro cle 19gi:

"Lg aprendí f" galego) de mi abuelo, de mis


padres, cie mis u.nigór'y
mis paisanos. Lo que
ocurre es qlre nunca se me ha ocurridc
el gallego, como arg,nos hace", utiiizar
.t*o un instru-
mento porítico, e incruso co'no
Lln arrna arÍ-o_
jadiza para tirársera a
Ia cabeza de otros. por
cierto, casi toccs lcs qlle hacen
esto no saben
bien el gallego,-sino qL" Io han
aprendico in-
ventancc vocabros o copiando
d"i portugr-rés.
Y.o crec qlte el gallego es, corno
toclc, Llna crea_
ción de Ia historia y: hubi"nclo
nacido antes de
q-ue se produjeran las grandes
unificaciones na-
cionales, siguió un .J*ino lit"*.io briilantí-
simo hasta finares clel sigro xv.
Entonces eran
Ias resiones portuguesas quien
to desa;;;n;;;
perc desde Ia independencia
de portugal, hay
un destino qye sigue Ia lengua gallega,
convierte en Ia rengua popurar qlre se
d*e Galicia, con-

8s
vivienclo con el c¿rsiellano en Lin biiii:giiis mo
que nLlnca ha creado problemas. E,sta no sólo
es Llna opinión mía; lc es también de1 ihr:strc
catedrático de Santiagc, Lorenzo, quien ratifica
que el gallegc-rhay' qlle dejarlo como eS, no in-
ventarlo cie rillevo, ni mttcho ¡1enos si csta i¡-
r.ención, rlo sólo llo es fiioiógica, sino también
pclítica. E,n resumen, cuando Llnil persona me
habla en gallego i'o le siglc la conversación en
este iCir-;r'n¿rn.
exemplc cle
opinioi-r oficial
3. O terceiro testemunho é tornado de cleclara-
!-rJnscficiais scbre a valor"agom e razoils clo recur-
so c1e inccns titucicnaiidade contra a l-ei de Ftrorma'
llzacolrs Lingüística {Lei 311983,de 15 de Junhc).
D. Domingo García Sabeli, Delegado do Gover-no
clc Estado, afil-mava eIrI La Yaz de Galicia o 7 de
Cu tubro Ce 1983:

,,La dr-rciaestá precisarnente en 'el deber' por-


qlre pudiera ocurril" que una interpretación rí-
gicla de ese Ceber resulrase confLictiva. Es de-
cir, qlte cliese lugat' a una cliscrii'ninación, pe-
fo, scbre tcc1o, ccn i,';s ciudaCancs españoies
n l re rensnn -sli vecindaC adrninis tr"atii'a en Ga-
licia y qlte, lrci: eso, son -va de hecho gallegos,
allnque nc io se?n de nacimjento ni cle cultu'
rA >.

E especifica ( conr-érn q¡-1eo tenhar¡cs eln ccnta pa-


ra o que clespcis ciiremcs ) :

nYo pieasc qlie el Pal'larnen'ro galLego interpre-


tó ese d ebei: ccino Cebe:: mcral, pero e1 Gc-
biernc rCe la nación lc interpreia en sll signi-
i i c a C c l e g a l d e o b lig a ció n ".

Fola slla pari-:, D. Tcrnás de la Qgad,ra S¿rlcecic,


-Esiaclc,
F,{inistro cie Aciiniilisi::aecm Territorial do

86
explicava que se pretende retirar 'el d.eber,,€nr pri-
meiro lugar, por respeito ao Estatuto de Galiza
e,
(aunque sea una razón formal, estas
tienen en
rnuchas ocasioires contenidos y dimensiones
sustancialese irnportantes.
" Po.que es gallego también cualquier persona
que tiene la vecindad en Galicia y puede
ser el funcionario que logra su destino "sé aquí,
el militar, cualquier otra persona que llega, y
establecer un deber de conocer la lenguá in-
rnediatamente le sitúa en el incumpiimiJnto de
la Ley a aquel que no ra conoce y ;i re sitúa en
esta circunstancia Ie puede abocar a posición
de ilegalidad q'-re le haga acreed.or u ru.rciones,
a diferencias y discriminaciones con repercu-
siones en las propias relaciones privadaso.

Precisava ainda mais:

" si la ley se hace para no ser curnprida, es


mejor que no se hagar.

irlom obstante, deve ficar bem claro

;,1,:.
;: ""??';#ilJ.::1
TJ il,"'?;;l:3'ü:,'Ji
forman parte de la cultura de .uáu comuni-
dad, y de España en sll conjunto, y tiene la
máxima comprensión y apo-vo por esa política
de normal izaciónrr.
início de interpretagom
Dados os testemunhos, cumpre sistematizarmos
ajeitadarnente a ncssa proposta. Repararenlos anies
de nacia no alcance dcs m"smos; o iundamento real
em qlle assentam som os discursos ou (lTraneiras de
ccnceber e de falar do galego e cios seus usos)>,vi-
gentes na sociedade garega (e espanhota) e expres-
sos no ordenamento legal. Despois de os e*a*inar-
1itos, propomos possÍveis caminhos de rnudar os ciis-
cursos nurn praza mais cu menos longo, ja
QUe,pen-

87
Samos, de seguirern actuantes, a alienag:om lingüís-
tica e cuiturjl se consumará na Galtza; o processc
cie sr-rbtituigom do gaLego poio espanhol será iri:e-
(
l,ersível, ainda qlte Se mantenham aiguns recantos)
de Lrso.

2.2.L Dimenscnl social"

segundo escreveLlFrancisco Rodríguez (Ic)76,1980,


pp. zl-zz) a respeitc cc conflito lingiiístico na Gali-
;;, (<sehai aiheamento nLlm piano económicc, polí-
tico e cultural curnp¡e luitar pola emancipaqom a
toclcs os nivéis, j a qlle estám fr-rnCamenteinterre-
lacionados; os trés .rñidos e os trés actuantes' Res-
taurar-l|e a Llm home a conciéncia de qllem é, a
valorizagom do seu, é colocá-lo em cisposigom de
reclamar certeiramente o que the pertence. Voltar-
-lhe a Llm povo a conciéncia lingüística é autoafir-
má-lo, refoigar-lhe e conciéncia nacional que, neste
SenSo,nom é umha criagom Superestrutttra l;:eac-
cionária, como a criacla polos interesses de trmha
classe social clominante, senom que f orma parte da
ideclcgia iibertaclora e responcle singelamente á in-
terretriqom espontánea de comunidade-história-terra>.
Ccrn efeitó, a situaqom galega tocla é confiitiva,
mas nlrm clos aspectos o conf lito social está parii-
cuiarmente agudizado; é o lingiiístico e cttltural '
Os indivíd.rorl u socieclacle cla Ga1íza estám 'Ci.¡idi
dos entre a lealdade ao idioma e cultura próprios
par-
e a lealCade ao iciiorna e cultttra oficiais. Em
ticular',uéumconflitoentreoqLleumé(lingüística-
mente falando ), associado a'o idioma com qlle tem
apalavraclo o munclo próprio, e 9 qlle Llm desejaria
ser, ou o que os oi-rtroslhe obrigam a ser' motiva'
cio desde um iciioma exterior> (SANCHEZ CARRIOI\i'
1981,p. 34).

a) Discursos habituais sobre o galego'


yiru-
Pode advertir-se o conf lito, com particular
léncia, nos discursos o maneiras de f alar habittrais
a
sobre o galego: }duns, OS dominantes, af irma-se

88
vaiidez de usos e textcs prel'eriCcs em espanhol, a
cilsto de minusvalorar Ltscs c textcs em galego; nor-t-
tros, pollco freqüentes e tilenos estendiclos, som os
usos e textos gale¡los OS primaclo.s e os preterici,--ls
os espanhóis. Ccntodc, a realida.Ce iriporn-se: Os
Llscs do castelhano sentem-se insubstiluíveis, men-
tres que os usos do galego resultam quase sernpi'e
aleatórios ou opcionais. Fica reforqado assi o j oretr
(sLiic) estabelecicloentre o que eKpressa,apesar de
to'lo, a própia iden lidade, o galego, e o que devém
efectivo e operatório, o espanhol.
o tema fr-rndamental:
discursc-s do bilingüísmo
N.iada sucede inocenternente. Hai interesses bem
clefinidos que estám a reconduzir o confLito até re-
soivó-lo na substituigom pura e simples do galego
polo espanhol. A tal fim servem-se dos cliscursos qlle
reforgam e motivam a tntidanqa de hábitcs lingüís-
ticos nesse sentido. O mais evidente destes discur-
sos é o do bilingüísrnc, o que apresenta o bilingiiís-
mo ccrno estado icleai, rníticc, indiscutír'el, pai:a o
indivíduo e para a colectividade ( tr ) . lJrn mito que

( lS) r -:.csic discurso cxcess ila n ir' n t e a b ri¡rc la n t e n o s ú ilt irrio s t e rn p o s c o -


mo para pi-i1S?i'olie sc d;i por casua'iidade. O Sr. Lorcnz,o Yázqttez, t--at¡cir¿i-
ti co da Universidade cle S aniia g o , e s c rL -v i¿ ln Un h a s c a n t a s re f le x ió n s s ob r e
o galegr-.r,' o 18 de Outubro de 1981 errl Et Icl,eal Gall.ego, ia citacia.s. Aca-
b a va - a s com L1m paradigmátic o d is c u rs o b ilin g iií s t a :
" Co n b o a v o n t a d e
p ó d e n se facer moitas colrsas n o s p ró x irn o s a n o s . A s it u a c ió n é b o a, o
p r e sti r i o do galego aumenta e , s c a c t u a rlc s c o n re a lis mc , c o n s e g u ire m o s
ci'ear itnha Ítor"'a conciencia. Eu pcnsc que partinclo da dobre realiclade
podernos chegar ó Lrso das dúras linguas en condicións
"castel¿in-galeeor,
sernellantes. Sería ideal que tóclolos galegos, desde a base, rer-natasem por
falar, ler e escribi-1as diras linguas e sería gañar importancia indiviciual
deixar de se sentir inferiores polo fcito cle ter unira lingua propia, cousa
que debería ser notivo de orgullo e non cle ver-qoña".
A este mesnro tipo de disc u rs o b ilin g ü í s t a p e rt e n c e a re s e n h a (e s e m
dúvida a própria interven'9om) de Crtltttrtt, persana j" atLtottotnía ett Gc¿-
Itci a, qL r e D. Domingo García S a b e ll t ir. o n o Clu b S ig io X X I d e Ma d r i c t
o 17 cle Novcmbro de 1983. t\itrm ccr-to rr-romento da mesnta di-se: .,Un
error vulgar con:siste en sliponer, así, sin más, qlle el biiingüísmo es un
fen ó m e n o sencillo que consistirí a , e n ú lt imo t é rmin o , e n h a b la r u n mis m o
individr-ro o una misma colectividad dos lenguas". De ahí que el presi'
ciente dc }a Real Academia Galleqa afirmaba clue <,tenemos, hoy más que

B9
ja em 1966 denunciou Lluís V. Aracil com lucidez e
rigor. Como segue a ser de actualidade, permitire-
mo-nos citá-lo com generosidade. ..Nom nos engane-
mos -escrevia-. A tentativa conciliadora, por com'
preensível e satisfactória que for, na realidade nom
conduz a nengures. Pondo de parte o compromisso
prático, fica o mito eue, por umha espécie de rnágia
rrerbal, relaxa a tensom interna e fai que seja possí-
vel um precário equilibrio sujectivo. Ora, ja que a
lógica da realidade nom se conforma necessariamen-
te cos caprichos da fantasia, nom se poCe escamo-
tear o dilema qlte 'saqueia' os símbolos" (ARACIL,
1982,p. 43). Convém precisarmos que o rnito bilin-
güísta osaqueia)>o espaqo simbólico (rg) de umha das
iínguas, o galego, em benefício da outra, o espanhol,
sena se apresentar como alternativa razoável.
irracionalidacle
cio discurso bilingüísta
Com efeito, (¿rs doutrinas bilingüístas som deses-
peradamente inefáveis, evasivas e proteiformes. Na-
da está mais longe da imaginagom bilingüísta que
dizer-nos candidamente em que termos concretos
ccnsiste (ou teria de consistir) o bilingüísmo que
pregoa> (ibidem).

nunca. urgente necesidad c1e un e..r.acto enfoque antropológico del bilin-


g'11Ísmo".
E mais adiante afirma-se: .,García Sabell juzgó necesario hacer la
distinción entre dos clases de bilingüísmo: ei natural o verdadero y el
artificial o instrumental. El primer caso sería oeL de ia persona que
pcsee Cos iclionas, poi'que, ai tiempc, se encuentra inmerso en dos cul-
turas ]' cada idioma le sirve para la interioi'ización y la exteriorización
c1e la cuitura respectiva, y en el que se puede incluir, con todas las ma-
tizaciones necesarias, el hcmbre de Galicia, (El País, 1S de l{ovembro
de 1983, p. 39).
(19) Opinamos com Sánchez Carrión que é imprescindível a e:<istéu-
cia de Llm espaEo simbólico qtie identifique ao indivíduo e ao grupo, <o
espago da criativiclacie intelectual, em toclas as dimensons lógico-intuiti-
vas: poesia, literatura, filosofia, arte e ciéncia. Canto mais denso for este
esp a?o, mais vi'"'a estará a lí n g u a " (1 9 E 1 , p . 3 5 ; ' " ' € j? m-s e a s p p' 3 5 - 3 8 ) '

90
eficácia do
discurso bilingüísta
Porém, a operatividade de ditas cloutrinas é rna-
nifesta. Nom se aceita sem grancles discussons a
viabiiidade de umha sociedade bilíngüe? ,..o mito im-
plica com insisténcia que o catalám -continua Ara-
cil referindo-se ao caso valenciano- e c castelhano
soffi compatíveis (por u¡nha banda), mentres que
(pola outra) nom o som e nlrnca ham de estar ao
nlesmo nii'el. A sua reconciliaqorn é hierárquica. Sorn
complenrentares porque nom som iguais. se ncrn
erro, isto é precisamente o quicl da questom. o mi-
to api:esenta corno incliscutível que o nossc bilin-
güísmo é harmonioso, estável e inamovível. Ir{om
obstante, o senticc mesmo dos argumentos é o con-
trário do equiiíbrio, da neutraiiclade, da imparcia-
iidade, da equidade ou da justiga. A inferioridade
absoluta e supostamente intrínsecá c1ocaialám a res-
peito do castelhano dá-se simplesmente pcr feitao
( ibidern ) .
Se relemcs os testemuhos citaclos (e os qlle re-
colhemos no apartadc 12.2.Dimensone potríticai a t,r,
clesta análise, entencleremos melhcr o qr.le está ern
jogc: Os discursos cloninantes reafirmam crLleo cas-
telhano é.,1a lenglra española oficial del Estadoo e
que olas otras ienguaso (o galego em par-ticular) som,
antes de nada, ..españolaso e también oficiales eR
"
Ias respectivas Comunidades Ar,rtónomas )>, rnas ocle
acuerdo con sus Estatutcs> (constituicom de r97g,
art. 3"" 1. e 2.). Pola slla parte, os discurscs extra-
oficiais, ou,e som silenciados ou tergivei-sados cn
malentendidos nos rneios de comunicaqcnn sobreto-
do, mas nom exclusivamente, debatern-se entre o
desmascararnento dos discr-ri:sosdominantes e a ini-
ciagom de umha nova dinárnica, produtora de dis-
clrrsos galeguizadores, afirmadores do espaco sirn-
bólico em que o galego tem qlre clesenvclver-se.
tema-s dos
discurscs em conflito
os temas de uns e de ouii:os cliscursos resurnem-
-se no da contradiqom básica nigrlalclade vs. desigual-

91
dace" (lirigüística e cr:ltlriirl). Ita Galiza {insistirncs)
cle feito prevaleceirr cs cliscurscs cia desigualclade e
os ccri'el¿iiivc-rsdc possibiiismc¡ que a seguii ¿ril¿rli-
satr-losbrevemente.

1." Discursos da desigu.alCade.

cando n;rs Ciénci¿rsctraLingLiage se alude a língua


e <lialecto, sob vária terminologia, adoita-se aceitar
serrl discr-rssomesta classificaqom que na realidacle
é pré-cieniif ica ou sirnplesmente política, aind.a que
pareqa livre cle apaironamento. o própio De Saussu-
re caíu na mesma eiva, se bem insinure o car-ácter
ncin cieniífico cia distincc.rin:

"A unidade da línrrua ( o espago simbólico cta


língua? ) pcde ser clestruíca canclo Lim icicina
natural sofre a influéncia de umha língua tite-
ráiria. Isto procluze-seinfalivelr;renie cirrido Llin
povo alcanqa um certo grau de civilizaqom (...).
Dona de si mesma, a língr-ra só cc'hece clia-
lecios nengum clos cais in-¿adeos outros, e por
isso está conden ac\a a Llrn fraccionarnento in-
definido. uias como a civlltzago.n, ao se cles-
envolver, multiplica as comunicagons, elege-
-se, pcr um jeilc cle accrcic tácito, um dos ciia-
lectos e;<istentespaia o converter ein veículo
cie tcco o qlle inieressa á naQorn no selr con-
i unto. Os rnotivos da eleigom som dir.-ersos :
Dá-se preferéncia ao dialecto da regiom ern
qltc a civiiizagolt é n¡ais avan.;arda, olr bem
ao cia província qlre tem a hegemonia pclítica
e ei-rl qlle assenta o poder centrai, ou beni é
nmha corie a qlie irnpcm á naqom o seLrfararr.
(Cours, iV Parte, cap. Itr, par.ágr.Z) (:r¡).

o .,acordo tácitor, qlre ccnr¡erte <<Llmclcs dialec-


tos existentes> em. ,,.¿eículode toclo o q.ue in leressa

(20) \'eja-se CALVET, L.


"í. (1971),cap. II, pp. 40-5+.

92
¿r nagom>, está a actuar-se na Galiza por clous ca.
rninhcs, segundo se fixo notar:
1. A inicial e prolongada imposigonr efectiva da
Iíngua 'nacional', isto é, do espanhol, tanto
nos usos como no ensino; e paraleiamente a
preterigom da língua 'regional' ou dialecto.
Nos últimos tempos pudo permitir-se,,,por
Llm jeito de acordo tácito,', o uso e o apren-
dizado do galego, mas submeti.dos, cle mui di-
ferentes modos, aos do espanhol.
2. A circulagorn e anepliagom dos ctriscursos (:r )
da desigüaldade, eminentemente estimativos
ou avaliadores das próprias línguas e dos seus
usos na sociedade em conflito.
Neles ocultam-se, é a norrna, os '"'erdad.eiros
motivos da ciesigualdade e os interesses que
obrigam á unificaqom lingüística da ,,nacióno
e á eliminaQom das línguas nregionaleso ou
dialectos.

Resi-rltaclaro que o oacordoo nom é tam otácito,,


nem os..mctivos> tam
"diversos>. De Sarissure fai-
-nos derivar das exigéncias do progresso:..Como a
civilizagom, ao se desenvolver, multiplica as comu-
nicaqons, ele,ge-se( ..) Llm dos diateitos existentes
para o converter em> língua nacional ou oficial. Os
outros dialectos, existentes, ficam automaticamente
reduzidos a línguas nom nacionais oll puros dialec-
tos, com todas as conseqüéncias
o E stado, dono
da(s) língua(s)
Parecerá ingénr-ro explicá-lo. IJmha língua nunca
foi ndona de si mesma>; sempre serve a indivícluos e
grupos cleterminados qlie a usam com uns objecti-

(2I) Vimos empregando discursr:s no senticlo amplo de omaneiras


d.e
os membros de ttm gi'Lrpo conceberem algo e falarem dissoo. A reduEom
lerminológica ri inegável: Nom podemos sinalar a ninguóm que <cause>
os discursos, se bem reconheEamos que hai manifestos beneficiários d.os
estados de opiníom e dos comportamentos ulteriores que originam e
realimentam os discursos.

93
vos precisos. Nos nosscs cias, na Galiza, indivíduüs,
grupos e Estado servem-se do galego e do castelhano,
mas é o Estaco o que está a sinalar as pautas dos
usos e dos comportamentos lingüísticos:

a. Deste feito surgírom as desigualdades radic:¿ris


itos empregos de galego e de espanhol.
b. Ntrajustificagom, a todo custo, deste feito tenr
de procurar-se a orige dos d.iscursos da desigualda-
de (:s) ou, pola contra, na denúncia e subversorn des-
te feito acha-se a explicagorn dos que d.enominaría-
mos discursos cla igualdade, que nom se devem con-
fundir cos discursos bilingüístas recenternente dis-
fargados de afáns
"igualatórioso.
discursos da
desigualdade
Distinguimos trés classes de discursos cla Cesigual,
dade (ou dos correlativos, da igualdade), correspon-
dentes com trés aspectos caracterizadores da co*.,,
nicagom lingüística: o da estrutura, o das capaci-
dades ou poder de informa{:om, e o da avaliiqom
ou gratificagom social do processo comunicaiivc¡
mesmo.
Distinguimos, á sua vez, em cad.a um deles (ape-
sar de serem avaliadores basicarnente) prototipos
de discursos,,descritivoso e de d.iscursos..apreciati_
vos>, que no possível exemplificamos.
Recolhemos os discursos dominantes, isto é, os
contrários á normalizagom do galego, se bem nom
perdemos de vista os discursos da ilualdade, que ia
circulam pola Galiza. o éxito da planificagom lin-
güística incluída na nossa proposta depencle, ern
grande medida , da prevaléncia dos discurso da igual-
dade. Estes, porém, com freqüéncia demais, u.ñum-
-se contaminados polos estados de opiniom ad.versos.

(22) Os discursos da desigualdade de feito som correlativos da de-


sigualdade social. Tendem a jtrstificá-la. E (a língua é um dos factores
mai:; importantes polos qlle a desigualdad¿ social se perpetua> (Cf. HUD-
SON, R. A . 19E 0,parágr. ó:1: 2 . ) e v ic e -v e rs a ; a d e s ig . rit ¿ i¿ " s o c ia l e x p l i c r
suficientemente o mantimento da desigualdad.e lingüística.

94
a. Virtualidade estrutural.

Habituaimente nom se insiste ou nom se


fai pú-
blico este tipo de Ciscurso, o que nom irnplica
a sua
falta de vigéncia.

1." Descrigor¡l.

Dous tipos de discui'so descritivo


fam-se sobre
a virtualidade estrutural do idioma,
isto é, sobre a
maior ou menor riqueza dos (recursos))
habituais
nas__línguas da nossa área cultural:
[-lm versa sobre o sisterna lingüístico galego
si, diferente dos outros, mas reduzido em
(assi se fai
notar) a respeito deles. Deste d.iscurso
nom estám
Iivres as Normas rLG-RAG,
xemos, polo Governo de Arianza ;;" di-
"ri.láiizadas,
populai. ú"ju-o,
uns exernplos:

"En garego moderno non existe unha forma de


relati'o equivarente á casterá cuyo e
á portu-
guesa.cujo. A lÍngua medieval coñecía
a io.*,
cujo ('-. ). a perda deste rerativo é purui"ru
producida noutras ringuas románicas á
(nom se
especificam; mas, o leitor pode sabár,'
o ].u.,-
.él possui dont e o itaria;o cui ,os
usos de
cujo. como sem dúvida sabe que hai
escrito-
res galegos que utilizam cuxo ou impropria-
mente cuio; a forma, portanto, existe) (r4.4.).

sob umha afirmaEom sucinta acocha este


mo discurso redutor. o leitor mes-
;rJ; iguarmente sa-
ber que se usou e que se usa g + e,i em galego, mas
só se di:

nA grafía, g só aparece ante d, o,


u ou ante al-
gunhas consoantes (...); ante e, I
úsase gurt
( 1.3).

lria mesma linha acham-se as suposigons


de que
som irrecuperáveis certas formas (-vel,
..
-aria,. ), lé_

95
xico ( clizer, Galiza.. . ) e mesmo na definigom esti'ei-
ta clo sisterna lingüístico galego, con-Io o referente
ao futuro:

"|rio galego non existe isto, pois os futuros son


sempre sintéticos, por iso a tese non é posible
(farei:ao, qu.eixareirne)" (3.3).

Como interpretar Caqr-relaa forma corn que Rosalía


comeQa os versos:

<Cantarte hei, Galicia,


teus doces cantares...o?

Parece mais bem questom de grafia: Cantarte hei é


preferível a cantar-te-ei? Por que razorn?
Outro tipo de discurso afecta á competéncia real
que nom só se apresenta como diminuída senom que
por falta de ensino ou pcr ser este limitado ou di-
ferencial nos feitos co do espanhol é efectivamente
diminuída, menor, na maioria dos galegofalantes.
Assi encarava este tema urnha oCarta al director"
de I-a Voz de Galicia (18 de Fevereiro de L97B) (:s):

..Fara mí sclo existe un gallego q¿re es el ha-


blado por Ia población n"ural y marinera y qtle
ló-eicamente sclo contiene térrninos de las res-
pe,ctivas profesiones. No exlste Lrn idioma ga-
llego -digamos- de ciudad, con términcs po-
líticos, mercantiles, legales, etc. ( ). Todos
los conceptos o conocimientos utilizados pro-
ceden han sido estudiados en castellano.
-v
Esto cla lugar a dos alternativas:
a. Usamcs en parte el gallego y en parte el
casteilano.
b. O bien, 1o que es peor, deformamos las
patrabras castellanas y las ponemos en pseudo-

(23) Tenho em conta para as citas que segu.em LIm traballo inédito
d e O. padín, S . Fernán d e z e [ d . a V . Ca lv iñ o , in t it u la d o " E l t e m a d e l
gallego en las cartas al director de La Voz cle Galicia", A Corunha, 1980.

96
galtrego. Cada escritor hará la deformación a
su arre. Esta segunda alternativa es la que se
está usando.
(J. ilXanuel Caxada Rivamontes)

Sublinhamos os asserlos que nos parecem expo-


nentes claros do aspecto do discurso que analisamos.

2." Estir¡racorrt.

Logicarnente, nos discursos cia d.esiguard.ade,sG-


bretocio, nom se encontram avaiiaqonJ do sistema
lingiiístico galego, iihadas das reiaiivas a outros as-
pecios; nom obstante, neste ponto poderiam-se in-
cluir tcdas aquelas estima.qons,bern sobre a pobre-
za expressiva e incapacicade científica do galego, a
tecr do exposto na carta em riba transcrita, ou bem
scbre a antinaturalicade das formalizagons, reinte-
gracionista ou ncrn, da iíngua. vejamos alg.tns exem-
pl os:

,,No puedo rnás qlte mostrar rni desagrado pcr


la obligatoriedad det gallego en la enseñaira;
si la democracia significa libertad de decisión,
¿por qué obligar a nuestros hijos a estudiar
un idioma que no les va a servir de nad.a en
un ftrturo más o menos próximo? (...) ¿por
qué se ernpeñan en hacer oficial un idióma
que ha sido creado por un grupo de señores de
lcs que se hacen llamar (amantes de Galiciarr?
¿Por qué van a obligar a los niños der interior
de Lugo y Orense ( que es la zona dond.e se
conserva el gallego más puro) a estudiar algo
irreal?o.

Assi, Rosa Fernández,em tr-avoz de Galicia de 31


de Julho de 1979(ocartas al director"). o 2l cle Agos-
to, no mesmo lugar, escrevia Manuel F. puilido:

<<...esto[que Galicia sea rnañana una nación ür-


dependiente, corno hoy es portugall es lo que

97
me gustaría ver eliminado de mi quericla pa-
tria gallega para siempre: ios estúpidos capri-
chos de la minoría sabihonda que inponen su
voluntad y margina en su.s determinaciones al
pueblo, corno si fuéramos anormaies,r.

Antes afirmara que (progreso es, para mí, domin¿rr


perr-"ectamenteel castelianc y a la vez enseñar a tc¡
dos los niños gailegos su idioma y su cultur¿r voiun-
tariamente, no como una asignatura obligatoria".
Cando se estava a preparar a promulgagorl da
normativa adoptacia polo governo de Alianza Popr-r-
lar dixo-se (17 de Dezembro de 7982), por exemplo:

<Nosotros hemos defendido -afirmó Filgueir:a


(Conselheiro de Cultura, daqueta)- la lengua
del pueblo. Yo ctiando escribo en gallego, me
dirijo a todos y no a una minoría filotógica>.

Antes indicara, segundo recolhe a imprensa do die,


que o sistema adoptado pola Xunta <tiene quizá ia
ventaja cle ser ei más parecido al que se enseña en
la escuela (o castelhairo?) y no obliga al niño,'por
Lln prurito diferencialista', a usar un sistema parer ei
gallego y otro para el castellano>. E engade:

oE,s un sistema que hay que adoptar para que


la enseñanza y la lectura sea más sencilla. Es-
to es perfectamente lógico, cuando en la escue-
Ia se tiene que enseñar dos idiomas. No consti-
tuye un caso de castellanismo, es una cuestión
de pragmática".

O pensamento percorre caminhos difíceis de seguir;


tanto qlle o jornalista conclui, parece que coas mes-
mas palavras dc Conselheiro:

oEn Cefinitiva, ia corriente oficial cree qlte va-


le la pena conservar el idioma como está y pre-
servarlo de los peligros verdaderos, como divi-
dir a los hablantes o como la desorientación
que provoc aría en la gente el adoptar un sis-

98
a

tema radicarmente distinto der de


Ia rengua
con Ia que se convive (isto é, o
castelh€Lno,a
língua oficial), oincluso les ind.uciría
u- ñ.r.o,.
que no es su propia lengua, sino
una i_rrgru
elitista inventada por unos pocos>.

Permito-me sinarar os parecidos com umha


carta
de 18 de setembro ce {gzg, firmada por
Lourdes
Campos:

<Pretender implantar el gallego


tja nom um-
ha determinada normatival es pretender
vol-
ver a tiempos pasados, vestir roi trajes regio-
nales, olvidar cualquier avance d.e la técnica.
O mirando desde ét punto del idiom;, -¿po,
que no obligar en castilla a estudiar
y irablar
el castellano antiguo ?o.

comprovará-se que nestes exemplos se insiste


em
nivelar conceitos de seu difereniiados
e mesmo
opostos:

língua falada vs. Iíngua escrita


correcgom melhor vs. correcgom secunclária
facitidade (desde o vs. dificu,ldade (desde o
castelhano) o castelhano)
natureza vs. artifício
propriedade vs. impropriedade
Misturam-:" com apreciagons, como
as de pro-
gresso e modernidade ou falta de progresso
e anti_
güidade/velhice. A trógica esmagante
de alguns cida-
daos tira as últimas .o.rr"qüéncias
deste tiio áe dis_
curso:

galiego
nom, escreva-se assi ou de outro modo.

curiosamente estes temas (norn únicos


cursos da desigualdade a respeito da ) dos dis-
estrutura da

99
iíngua ccniluene corii cLiiLcs, apa;:ent,::i:ent': eacbi-e-
cecloi"es,inas no fund"o tam cliscrirninacloi'es (ou rnais)
cic qlle os ja resenhaclcs. Scm aqr-relesqlie atribuein
a3 galegc íis qlla lidacies cia ¡nuiher ( sr:brnetiCa) : A
1ín!:ue g;ilega é suave, c1oce,fu-mii:ina, iírica e ai-no-
r c s a , c r c . A o i -iti' a 1 ílr g u L , p o r ló g ica , é vir il, esfor-
qacia, cLe s ternida, enéi'gir:a e adequada para a epo-
peia... (:+).

b. Viriualidacie ccrnu¡:icatir¿a.

Os discursos cla Cesigr-ralCaCei'eitei:¿iin este rncli-


vc: G galego noaar é útli para a com¿lrdcagoilt uni-
versal, reentres que o espani:ol pcssibiiita a ccnau¡li-
cagoirr ccnl rnuiia gente"
A ú i i t i m a p a ;:te ta lve z n o i- ü s¿ fa g a e :ip iícita ; con-
toiio, sllilorn-se semrl i'e qlie o ca.sicihs.ito ]lcín só
poCe Liser:-seno Estadc espairhcl, se,¡'irJrnLliie se usa
com i:leno ciireito. C galego, pc;rém, ncin só nora se
pocie usar errl toCo o Estaclo, sencm qlre ha Ce corn-
p a ; : t i r c o e s p a nh cl cs se lis p cssíve is r lso s ila G ai i za.
E,sta (mensage,', é certo, está formuiada expiicita-
rnente ern textos le gais, lnes nes ie h-rgar iloi a impcl-
ta directamenie t¿ri feitc; aqui interessa-l-rcs subli-
-l ^ r1 - LL- ({.i
-.,,.'* !lLrv
rrlaUl- ri3¡ i¡ r ]e) >
\il:rvr¿Jrri*1,//l fOfmulaCa
t\-.,^
LlLt.fl-Cl!¿(-j' Ou
\-ri noÍi lggaln:gn.
t?, eKpressa um estaclo de opiniom, genei"alizadoen-
tre gente ( galega.
) , sobre as fungons que ham de
^
desempenhar o galego e o espanhol ( na Gaiiza) .
E ssa concepqcm clc-s dcr-ts idionias b:rseia-se n{.)
scll estaiuto oÍicial (qne ooiícir-rs,,cliinprei? üu cle-
vem cumprir?), se bem incida na descrigom noirl só
iuncional, senom na rneslTta estrutural. Nom obs-
tante, ambas as ciuas descriEons coinciden pontual-
rnente em consiCei'ar castelirano e galego ccmo lín-
gua e diaiecto, respectivarnente.

(24) Veja-sc ao respeito, QLIEiZAN, fuI.u J. A ttt.úler en Galicict, Eds.


do Castro, S:.cie-A Coi-uni ra , i9 7 7 , p p 5 i' 9 7 . T a mill A RA Ct rL , L [ . , 1 9 , ] 2 ,
p p . 150 e ss.

x00
galego : d.ialecto
c-erstelhano_ língua
E,m palavras de FISFIIvIAN (1979, p. 49), ((a lín-
gua é umha designaqorn superordinada; o dialecto
é-a subordinada". Quer dizer:
1. Na dimenscrn estrutural, a língua fica defini-
da como um todo; o clialecto, ccmo conjunto
de diferengas a respeito da língua.
2. Na dimensone funcional, que é a decisiva, a
língtla é a ¡,rnicladeqLie poCe funcionar de ma-
neiras diferentes e em diferentes nivéis; o
dialecto é z\ subunidade cujo funcionamento
quase sempre se acha indifei:enciado.
O espanhoi é conceptuado, a todos os efeitos, cG-
mo lÍngua; o galego, ainda que norn se reconh€Qá,
é considerado como dialecto. C casielhanc, cuja uni-
dade interna ninguém discute, funciona (superorcli-
nadamente>; o galego, dividido em si e sobretcdo a
respeito do luso-brasileiro, funciona só .,subordina-
damente>.
Entenderá-se meihor se colocamos galego e cas-
teihano junto a Ltm terceii'o, o i:rglés, que habitual-
mente é citaCo como a língua universai por excelén-
cia. O seu ámbito é o mundo; o ámbito do espanhol
é o rnundo (quase); o do galego é um recanto do
Estado espanhol. O mundo do inglés é o estrangeiro
(ainda se sente assi); o do espanhol é o próprio, em
qlie a comunicagom se fai sólida e segura (ncom-
preendemo-nos toCos"). O rnundo do galego é o en-
tranhável ou (as montanhas de Lugo"; nel a cornuni-
caqom está perturbada, insegura.
PoCeriam aduzir-se muitcs exemplos, tomacios de
<Cartas al director>, de colaboragons jornalÍsticas,
de entrevistas a persoeiros, de manifestaqons de po-
líticos... Ein todos eles aCverte-seo motivo reitera-
do, co;il que comegávamos este ponto: O espanhol é
língua e funciona como tal; o galego parece língua,
mas a sua capacidade comunicativa é, polo menos,
questionável,

101
Releiarn-se os testernunhos transcritos até este
inomento"

1." Descrigofi!.

O tefi-la, peilsarnos, está suficientemente tratado.


Contcdo, de maneira mui sumária indicarnos os as-
pectos salientál'eis clcs discursos dominantes sobre
a vri'tlralidade comunicativa do galego.
Irlcm é grave que se di.g;r,como h,{aria D.:

,,Debemos reccnccer hcnradramente que nues-


tros antepasadoshan demosirado ser inteligen-
tes ]' precaviclos,plles gracias al castellano pu-
climos ccmunicarnos todos lcs eslrañoles, his-
panoamericanos l/ en el resto clel mundo siem-
pre hallaremos aigún humano qlre hable el es-
pañol. Por el contraric, si se clejan dominar
por Lrna pasión o Lln orgr-rl1omal entenCido,
obliganCo a cada cual a aprender slr idiorna
regionarl, cuandc iuviéramos qlle d-esplazarnos
a otra región tendríamos que cornunicarnos
poi: señas y viceversa>.
(María D., La Voz cle Galici,a,4 Not'ernbro 1978)

Mais grave, porérn, parece-nos a reclugom nom só


dos usss cle galegc e das possibiliclades reais de uso,
rulas inclusive dos tenias qlle habiti-rahnente se per-
mitem expor nos Llsos eiectivos. Convidamos a fa-
zer um inqr-rérito drs situagons de uso real do ga-
lego, sobretodo eln árnbitos de algi-rrnha forrnaliza-
qom. Teria de procllrar-se:
1. A quantificaqom dos usos, isto é, q''lantidade
de textos, orais olr escritos, emitidos em galego, per-
centage dos rnesrncs a respeito dos emitidos em
castelhanc, etc. (:,-,).

(25) |ioin som excessivr¡s o s in q u é i' it o s re e iiz a d c ¡s s o b re o t e iira ; m a i s


berLl hai qLlc ciizer qllc noir- hei Liin perfeita:nl:tirc fiín'el. Pode ser perle
clo processo redutor...

t02
2. A análise qualitativa dos mesmos: Quem usa
o galego e com quem; em que circunstáncias e por
que meio (fala ou escrita); sobre que temas.
A reduEom a que nos estamos a referir, se bem
nom segue um ritmo sempre igual, parece, porém,
calculada. Hai-na que relacionar, sem dúvida, coa
voniacle poiítica, cujas formulagcns legais examina-
remos no apartado 22.2, e tem comc conseqüéncia a
diminuigom da competéncia dos usuários do gale-
gc, que devém á sua vez em factor acelerante do
processo redutor dos usos de galego.
redugon da cornpeténcia
e reCugom dos usos
Ambas as duas, a reduqom da competéncia lin-
güística e comunicativa e a reduEom dos usos, le-
r'::m-se adiante mediante:
a. a escassezamesma dos usos, sobretoCo de ga-
lego escrito;
b. o controle efectivo e eficaz dos suj eitos acti-
vos, sobretodo dos (escritores>, e sobre os te-
mas tratados:
1. Nos meios d,e comunicaqom social (impren-
sa diária, empi'esas ecliioras, rádio, TV.
Preferimos norn falar de cine...).
2. IIo ensino ( iivros de texto e material di-
dáctico, autorizados e desautorizaclos; dis-
ciplinas impartidas em gaiego; centros em
que se permite certa galegr-rizagcm... ).
3. I'.Ioutros ánbitcs (Administragom, empre-
sas ¡:úrbiicas e privadas, como Bancos, Cai-
xas...).

Atém clos ja conheciclcs, citaclos por ROJO G., em .,Concluctas y acti-


fucles en Galicia, Revista Espuñola cle Lingiiística, ano 11, Fasc. 2 (Juiho-
Dezenib¡:o 1981), pp. 2693tA, cumpre ter ern conta VARELA PUñAL, R.
GaIí2.a, un pobo, unl¿a língua, Fcllas Novas Eds., .Santiago de Compos-
te la , i9 8 0.

103
).; Es fi¡naf ünl"

J¿i está ciito ncs ¡rar;igi-afos anteríores" A avalia-


gci-fl cla virinalidacie cornunicatir,'a dr¡ gaiego corres-
pcnde-se, lcgicarne:i te , coa clescrigom feita no apar-
iacio :intei'icr. o galegc é ccnside radc inútil, po'rco
s'iltc pera 3 ccini-ir-licacci-n.,,ferramenta de irabalho"
c l e r i c i e n t e ,i n , : a pa z d e ,_ - sia b ir :cerre la q o n s r n u n d ia is (!).
P c i ' o u l r o 1 a ,i.o ,sc cs i;i3 io s o iicia is, :r r iio L i cl ades
e ¡ : - r i i n i ; - r i s t r a g cn ro, s n r .i- a o iicie is e a s e n iicla ' .1.::cl r
r i r i i r r c s a s p r i v a:1 a s L lse in csca :tsa a le n le o g lle gc ü
l.tii?itos ¡,inda o ili-cit-ict-en, pili'ecúii-l ccinciclir neste
pt-;::to ccs clisci:r.scs cia d::sigi-tztlCadc,Cos qlte em
granC,: n:edida soirr respcns;iveis, neste aspec.to: O
galego nxo;?r¡"esulta efectivo pera o intercárni:io in-
forrnatlv,o, rnentres que ( conti'a tocia evicléncia ) $
es;ealrllol é válido.
A qlle obedece este pr-c;crcler?

c. Freconceitas clt aceiiabiiid"ade.

hics apariaclos anie ;:iores aparecéroiír clliase ia-


d-cs os lei;r¿is a cci:si:l"erarnlcs nesie; c1e iello cs clis-
cuj:sos ci¿i clesigLralclacie resoiyeüi-se ncjeni.r-lnente
ncs eslereotipos ]:ablti-l¿iiE, ccnhecidos cie avonclc,
nfas, apesar de torlc assinilados ncs compoi:tarnentos
da ¡ranC; l;iaicria, mesnro concienciacia:
fo
t. E vergonheiito falar ga- É fino usa-r casieihailo
Iego
)o Faiar gaiego é sinal de Usar castelhanc é pi:ova cie
igncráncia cultura
1n
Usar o gaiegc indica ai- C casteihano é língr-ra ¡-ini-
d.ea;iismc r¡ers:rl
,^
+." O gaiego é lingua doce, O castelhano é língua e{i-
pcética cez
J." O galego pocle usar.se (e O castelirano é a iíngr-ra ofl-
iiresino convém usá-lo) cial

104
FIai outro tipo ce contrapcsigons qlre cumpre nom
esquecer:
6.' C galego implic;r incie-
pendentismo /
7." O uso dcl galego provoca
o esquecimenio dc espa-
nhol / (ro)

Reconheganros que estes estereotipos i-espondei-n


a atituces fundamentais io indi..'íduo e dos grupos
anie as línguas ern ccnflito ou, cotrnrnaior preliscm,
ante o ccnflito ao que som submetidas a língua, a
cultura e a orgairizaqori social galegas. rmpticam
em todo caso, a ideniificaEom, positii'a ou négativa
(o autoódio), coa língua e cos valores ligados á ela.
Mal ou ben: encontr¿rmo-nos nc .umpo da vontad.e
(nom só ) : Querer funcionar lingüísiicamente assi
para poder conseguir urn status sociar assi (:z . o
)
tema está ja analisado com aprofundamento; ncm
obstante, permitiñlo-nos salientar clous factores, a ei-
tc explíciios nos próprios discursos, que ao nosso
\¡er contribuem poderosamente a estend.er o estad.o
cie opiniom dominante:
1. A conciéncia da <efectividade> dos textos emi-
tidos ern castetrhano,contra a conciéncia da inutiti-
dade ou escassa efic ácia d.os emitidos em galego. Evi-
Centernente, dentro do território gaiego.
A efectividade pode aparecer corno prévia ao uso
mesmo ca língua; o castelhanofalante costuma vi-
ver melhcr do que o galegcfalante. L¡[as a efectivida-
d"e rnais forte é a que deriva da 1ei, que está em es-
panhol.

(26) Veja-se ARACIL, Ll., lg12, pp. 74-75.


(27) Os discurscs da igualdaCe surge:r, iogicamente, de conte.-ltcs opos-
tos. O processo seguido por aqueles que os susteniam é na Galiza: a
concientizaqcm possír'el na rnaiorla das \,ezes Cescie um carrc sL{it:rs e,
a partir dela, os comportamentos lingüísticos diferentes d.os dominantes.
Nesses comporlamentos inc]ui-se a (aJcpgom,' d,is discursos cla igualdad.e
e a si.tbverscin dos d.iscursos clo possibiiismo, que imed.iatamente ana-
lisamos.

105
2. A conciéncia da ..universalictade" dcs textos,
mesmo orais, emitidos em castelhano, contra a con-
eléncia de (parroquialidade> dos galegos.
A emigragorn sern dúvida jogor,rneste aspecto um
papeI Ceterminante ( foi sobretodo emigragom inte-
rior e a América); mas nom só, os meios de comu-
nicagom, oS papéis, utiiizárorn e utilizam esrnagado-
ramente o espanhol.

2." Discursos do possibilisrno.

Conclicicnantes ou mais bem valedores dos dis-


cursos da clesigualdade,cutros j eitos de discnrsos
actuam sobre a realidade cultural e social e, em par-
ticlrlar, scbre os processos de comunicaqom lingüís-
tica na Galiza. Distinguimos primeiramente dous,
contrapcstcs e complementares, qlte se oponhem e
reforqam mutuamente, ainda que nom sempre se
enunciem com claridade. Som os discursos da neces-
sidacie e os da impossibiliclade; ambos resolvern-se
no discurso dc possibilismo.

a. Discr¡rso da necessidade.

Se bem e>larninaremos no segriinte apartaCo o


texto legal, contodo, pensamos que a e;<pressom
melhcr do clisci:rso da necessidade é a recolhida no
art.3.'.1. da Constituigom espanhola, a que fixemos
referéncia j a: .,El castellano es la lengua española
oficial del E staclo. Todos los españoles tienen el de-
ber de conocerla y el derecho a usarlao.
Directarnenie dito, sem circnnlóqui.cs: Caiquer po-
eie'"rtilizar a língua oficiai do Estado, cando e colilo
quixer; ningr-rém deve sentir-se ofenclido se norrt se
lhe permite usar cutra das Iínguas (españolas, nuin
determinaclo moinenio, porqlte:
1. Se é cidadao do EstaCo espanhol, tem o Cever
de conhecei" o casteihano.
2. O interlocuicr, tamén cidadao do mesmc E,s-
taclo, tem o direito a usá-lo, direito qlie será
respeitado em calquer caso.

i06
b. Discurso da irnpossibilidade.

o discurso da impossibilidade (ou da impoténcia)


apresenta-secomo contrapartida do outro. Com efei-
to, o seu objectivo é manter a situaEom vigente. Ir{om
se podem mudar nem os comportamentos lingüísti-
cos nem a distribuigom dos usos. história é irre-
versívelo, ¿<oS "A
tempos nom passárom debald.er, (o
galego está bem como está>, etc.
lllentres que o discurso da necessidacle se fai sG.
bre o castelhano principalmente, o discurso da irn-
pcssibilidade tem como tema preferenie o galego.
Ambos os dcus pertencem por igual á esfera briJat
e oficiosa, á púrblica comc á privada; mas o espalha-
mento e consolidagom do segundo corre ao cargo
quase exclusivo dos
"persoeiro5rr, clas ar-rtoridadesau-
tonómicas e entidades do seu entorno.
os textos tocantes a este discurso, sob modos ou
matizes diversos, transmutam-se em convites som-
brics. melancólicos e até lírgubres á impotencia mais
sórdida.
Lluís V. Aracil carac teriza a situagom catalá, nom
rnui d.iferente da galega neste aspectc, de um mod.o
qlle convém ao tema que estamos a traiar: oÉ claro
qlre a prcliferaEcn-l de eslogans político-comerciais
nom pcde equivaler a Llm projecto colectivo, porque
se trata de de discr:rso (e de estilos de pen-
-géneros
sarnento) essencialn:ente cliferentes. fulais: A invoca-
qom de umha unanimidade fantástica expressa in-
voluntariamente umha anonir-nidade irresponsável.
Nengum propom nacla, argurnenta nada nem respon-
cle nada. Parece qlle, cando alguns esperavam que
os cataláns acordassern, caírorn num estado letárgi-
co puramente vegetativc e maquinal qrle nom apre-
senia nenglrm síntoma de vida consciente. A hora da
verdade, a famosa conciéncia catalá reduze-se a um-
ha sorte de funanabulismo colectivo> (:s).

{2S) Cf. ..F{istoria inéclita cle la llengria c¿rtalene, segles XIX-}lX", cnl
Canígó, 30 aniversari, Í9126 cle r-narqrr cle 19S3, nirms. g0l,-9C7,p. 30.
Na Galiza tarném se inrocain, e par¿r ccllsas de (mencr'> importancia,
unanrmiriades norn se sabe bem se alq'-imha vez existentes. Dous erernplos

r07
c" Slscurso ctrs r:ossii¡iiisino.

G d i s c u r s o C a n e ce ssid a d e e o d a ir n p o ssib ilidade


i r:u impliénc-ia ) :"csoiveni-se no disciirsc c{o possl-
biilsmc. O ser-icorr:eiido principal parece orei:-tzit-sc,:
a r : c u i t a r z e i o sa m e n - u e ,q u a se co m ciu m e s, ta nti ,'c)
discr-ri'sc cLa necesslciacle (ou da pré-poténcia) cotll¡:
c cia inpossibilicl¿rcie. E iesgr:agaclarnenle para o nos-
s o p ; ' c j e c i o c l e n o r in a iiza q o m co g a le g c, e ste ti po
clc ciiscursc nrJrn s'r,i dcmina ((ilc lit,Ji'c;]cL,-)>, seilsm
ci-r. lern é:iitc ei-itr-e& g-rrr-ie ; cs sells tc..itos (ningiií:nl
sr- cienCa; nonl ci pretencierncsj en¡enCeni-nos o.E
rnais obsiusos, aplauclenf-nos os mais reaccicnários
e r';.e¡^enclem-noai os mais covard.es I parafraseanCo ta-
m i m a L h - r í s V . Ar a cil) .
E . r e m p i i f i c l r e Ílcs cü i- i] r - ii¡ h a ,.G¿ r iicia a u to nórni -
cí1>, aparecicla crrn {-a Vcz de Galicia (7 de Juiho Ce
i 9 3 2 ) p o l r c c s c l j ¿ r scie sp cis cla se sso m a p r o va tó r ia C as
i"icrmas ILG-k-.-lG. Iniitul¿r-se oUna nornrativa ase-
quible,'. e e cia auio::ia cie Carlos L.uís li.cCríglleu:
.,F i inicr¡ne ( scbre biiingi.iísmc, elabcrac{o por
urnf¡¿r ..Comisión especial" cic MEC,) tien: por de
pronto un enfoqlie qlle es preciso subr"ar'¿ii'J.' aplau-
dir: Coirstata una realiCad, plasr:na lc qrle vei:dad.e-
ranieirie esiá siiceclienCc y' esto, arinqlle parezca e:.-
trañc, no es 1o qlle suelen hacer" lcs infcrnees de es-
t - i i p o . E , s t a m cs a ccsiu n ib r a d o s ? L ie e i y e scuchar'
di';agacicres sobi:e e I bilingüismo que se lirnitan a
e n s a l z a r i c o a ta ca r lo , sin e :ip lica r ccn cia r id a C en
q u é c o i i s i s t e , c ó r n o se p r a ctica y có m c se scsti ene
en Lina sccieCacl cciicreta>>.
Estabelecidc o inarco, cl-impíe encher o quarirc:
.,En Galicia iic se cla esa ccnflicii.,'ichd iclicmáti-
ca tan ei'ideiite en Ca.taluña v E,r-rsliaCl.Per"o esta {ii-

que fam aa caso: A Lei cle hiorr,ralizs,"rcrtrLingiiística foi aproi,aCa un¿:-


nintealente e tal unanimidadc é in.,'ocada canCc o go-,'ci'no Ce lriiaciriC
a recor:reu; dc qlle r,'aleu a unarriniiciaCe? As l,iorinds ILG-RAG exig{-
r cr n ( '11a unnnin:ii¡rcle dos e s p c r' lo s ; a p c n jn c ia , c iix o -s e , p e d iu a o p i n l o i n
dos ntesirríJs <qLle coincidieroa en su dictaincn" (Veja-se [.a ',¡o¿ de Ga!.í-
cia, 17 cie Dezembro de 1982).

108
ferencia entre los problemas lingüísticos ce las tres
nacionalidades históricas, no es tanto cuestión de
idiosincrasia como de desarrollo histórico, cultural y
político.
t...1
.,Eil cualquier caso, nada garantiza que Ia socie-
dad gailega sea inmune a este tipo de tensiones. Por
una parte, las insiituciones autonórnicas tienen que
pcner la cuestión lingüística sobre el tapete. Pc¡:
otra, es previsible que los distintos grupos naciona-
listas sigan haciendo bandera del idioma y provo-
cancio (los más radicales) Llna actitud de rechazc en
la pobiación, qlle no está dispuesta a que le impon-
gan el gallego a golpe de decreto o imposición dic-
tatorial>.
Daquela, que fazer'? Evidentemente, para evitar
calquer conflito lingüísticc:

"Desde luego, hay una primera medida -cle ca-


rácter psicológico- que es insoslayable: NIi la leti'a
ni el idioma entran con sangre, sino con cornpren-
sión y tolerancia hacia ias actitudes y opiniones ce
la gente>.
E a seguir, qr-re?Acabaremcs esta longa cita coa
parte final tamém do artigo:
,,En el orden práctico, ningún bilingüismo en Ga-
licia será real, ni aceptado, ni auténtico, ni pcsible,
si alguncs mantienen su empecinamiento (a ¡.rnani-
naidade!) y se ernpeñan en hacer del gallego una len-
gua tan pura como incornprensible para sus desti-
natarios. En este senticlo, el acuerdo adoptado por
la Real Academia Gallega [e o trnstituto da Lingua
Galegal el pasado sábado, que consagra una nor-
mativa asequible y no divcrciada del gallego coraún,
constituye un avance importantísimo para el logro
cle esa convivencia idiomática, preconizada por la
ccmisión de bilingiiismo. Lejos de (españclizar> el
gallego, como algunos han acusado, la Academia lo
ha "galleguizado", asumiendo una realidad inevita-

109
bie: Galicia es España y forrna parte ctresu co¡nuni-
dad lingüística. (O sublinhado é nosso).
.,La pretensién de entroncar el gallego con el por-
tt-rgi:és,o lleva consigo un pro;,'ecto político inde-
pendentista o iberisia reaiizabie a cortc plazo, o con-
dena a nuestro idioma a ser una reliquia de Uni'¿er-
sidad.
,,En Galicia todavía es posible que la sangre de
las dispu tas idiomáticas no llegue al río y que ei
problema (que al tiempo es riqueza) susci'uadopor
la coexistencia de dos lenguas, Se solvente democrá-
ticamente y sin imposiciones; aunque la tesis bilin-
güista siga sin estar, ni muchc mencs clarar.
O texto reproduzído é nédio: agradecemos a
Carlos Luís Rodríguez a since'riclade da sua visom
do tema. Reilecte com precisom os motivos reitera-
clos para levar adiante a (normalizagom" do galego
segundo o projecto político em marcha. Som os mc-
tivos do discurso possibilista:
1. O bilingüismo é necessário; é impossível su-
por que Galiza chegue a ser unilíngüe em gaiego. Fa-
rá-se o que se puder... E, o que se puder talvez seja
insuficiente, como dizia o Xesus Alonso Montero do
Inforrne ( pp. 148-150
).
2. A partir daí todo é pensável, como o qlre se
di e o que se dá por suposto no escrito de Carlo:;
Luís RodrígLrezi
a. Galiza é Espanha e forma parte da sua ( cc-
munidad lingüísticao; por outras palavras, o:i
galegos som espanhóis, o galego em conse-
qüencia tamén é espanhol.
Outra ccnseqüéncia, ainda: O galego nom é
portugués.. .
b. Para que os reticentes co galego-espanhoi o
aceitem, só basta ter compreensom e tolerán-
cia com eles.
Daí a apelagom constante á boa vontade, co-
mo tamém se ref lecte nos textos legais (nor-
rnalizadores> do galego, até conseguir a una-

110
nimidade total sobre o nproblemaD do idioma
na Galiza...

b) caminhos para rnudar os discursos habituais


scl¡re o galego. I

E,ntramos nos aspectos da nossa exposiqom ne-


cessariamente discutíveis. A espera confiada de que
tal discussom se poda levar adiante, propomos mili
brel'emente os pontos que j ulgamos impiescindíveis
no longo processo que ha ser o que conduza a so-
ciedade galega a mudar os discurscs sobre o seu idic-
ma e os comportar¡entos lingüísticos de persoas e
instituiEons.
Trata-se, portanto, de sinalar o caminho para con-
seguirrnos que os discursos dominantes na nossa
Terra sejam os da igualdade e os que caberia d.eno-
rninar da (actuagorrlr>.

1." As regras do jogo elernentares.

Inspiramo-nos, para redactar este apartado, no


errtigo de J. RUBIN, nAttitudes torvard Language
Plannig" (1977) .
Propomos catro regras de jogo elementares para
que a pianificagom lingüística na Galiza tenha éxi-
to:

a. Conhecer as <tendéncias> dos comportamentos


Iingüísticos.

Dificilmente poderá levar-.e adiante a normaliza-


gom dos usos de galego se nom se conhece com su-
ficiéncia a situagom
"lingüísticao da Galiza, nom só
no que toca aos usos formalizados, senom principal-
mente no cru.s atinge ás atitudes dos indivíduos. E
isto, por umha razom singela: (<a aceitagom defini-
tiva corresponde aos indivíduos>.
um inquérito, como o realizado polo oGabinete
de Prospección Sociológica,, dependente da presidén-

111
poio
cia do Governr: Basco (::.r),parece impensS"?l
pcr-
c1e agcra neste pl-ís e notrt porque nom nal Ll
soas pi'eparaCas e Capaces Ce o fazer. A anáiise Sc-
ciológlca dc eusl,ara toca estes pontos: 1. O f e| to
social d"o c¡-isliara.-2. As fttngons sociais do euslia-
ra..-3. A clefiiliqcrn da situ.aqom do euskara.- 4- O
pfocessc social clc euskara (p' 1)'

b. Fclcdir a rnudanga segi.rnctrofuncionalidacles trin'


giiísticas.

A respeito do processo noi-malizador, cumpre lem-


(<unl'
brai- qué a 1ínguá em uso nom é simplesmente
conjrrito d.e .égr^t fixadaso; é tamén e scbretodo
,,'ñ conjnnto á" hábitcs Cos inCivíduos ccnsiiiuí-
d-cs e1¡r soc|eclader. Para levar acliante a rnuclanqa
clcs hábitos lingüísticos, os cidadaos ham de ser in-
driziclcs a conrrerterem voluntariamente oS SeuS com-
portarnentos.
Cumpre, Porianto, rnedir os passos que se dem
nc processo normalizador e a incidéncia dcs f acto-
re:s cle induqom á mildanQa de condutas lingüísticas.

c. Estinaular cs usuários das língUas á naunclangá'

Na interacgom lingüística o Lrso do galego implica


logicamente, úmira <conduta diáclica" ( polo menos ) ,
isá é, o faiante ou escrevente e o ouvinte ou ieitor,
q;; r" acham numha situaEom, determinada (cir-
óunstáncias de toda ordem). A eleiqom Ca }íngua e
cic nivel de uso está exigida: 1. Folas circunstáncias
mesrnas, entre aS que sé incluem a competéncia do
trsuário. 2. Polos ofactores de identificaqom sccial"'
entre os qlle a língua Serve de etiqueta de status So'
cial, cie prestígio e c1eestilo.

l'asctt,
(2g) G. p. 5., Ia ltLc h a c le l e t is ' ! ¡a rae n la Co mt L t t id a d A t t t ó n o n t a
Sen'icio Central de
LIna enct¿esta básica: Cot'tocintiento, IJSo, Actítudes,
o in q u é rit o f o i r e a l i z a d o
Publicaciones del Gobiei: n o v a s c o , G a s t e iz , 1 9 8 3 '
polo Gabinete d,e Prospección Sociológice, clo que é director José I' Ruiz
javier Yatza e Jitan Manr:el
Olebnénaga. Co!.aboráróm nei Mikel Niarañón,
Fz. Cancelo.

r12
Estimr:rai' á niudanga ringriística
implica, portan-
to, nom só f,ornecer aos o.riigo,
e uor^-;;;;, usuá_
rios o oinstrumento>, que é
a língua, para todos os
usos possíveis, senom tarném
e principalmente in-
centivar os usos mesixos.
o proceder clo concerho de Redondera
mos se suficientemente cr:nsideraclo (nom sabe-
pauta para as actuagons ) pocte ."r"r. de
das instii,(ons p,ioti.ur.
d. R¡lctivar para a rnurianga
lingüística.

ls
:
o processo normarizador do gz-r-rego
pre insistirmos nisto)
algum
-tii*o
Ii'güística. como parte inlegrar,t"
requer (cum-
de ptanificagom
dicionante cra própria normárizacom, au mesma e con_
cindível a forrnaiiiog"* resurta impres_
Iegc escrito, poio ,o",rn, r",-,
em "á.iiativizaqom)
do ga-
grall suficiente. A tín-
oficiar dc Estacioacha-se
Jortemente formariza-
ff1.
De feitc,
gente, inclusive.carquei' formarizagom do garego situa-áp."rr-
á
á galegofalante, na t"situra"de
der o¡'¡tra língua, -a eicrita.
segunclo fixernos notar
em apartados anterioi'es, a língua
escrita é, a todos
os efeitos, outra 'Iíngua; como
veremos no aparato
B / , inclusi'e as Norrnas *..-RAG,
oaseq'ible" ou exequír,el (oi.r",;-po¿" formatizagon
cilmente), requerem um tempo executar fa-
go de aprend.izad.o: sobre excessivamente ron-
as ho.a, dedicadas a me-
morizar as regras de escrita
correcta
nos cursos para mestres cedicavam-se, espanhoras,
oficial, polo menos 180 horas em, horário
e urri*ilu, estas Nor-
mas, feitas ex prof,esso sobre
as do espanhor para f,a-
cilitar o sslr aprenciizado.
. ". Mu:, junto coa necessidade de mudar os hábitos
iciomáticos propriamente ditos,
urge, num processo
de normalizagom, mucrar os
hábiós de comporta-
mento lingüístico: Nom só se
tem de aprender outra
língua, senom que esta ha de
onde antes se
empregava esporadicamente o galego "iu.-r" nom
formaliza-
do (assi) ou ordinariamente o
espanhol. Ambos os
dous tipcs de mudangas impricáil-
um rempo de

r1 3
aprendizad.o, que é de feito umha dimensom do rno-
vimento ou áctividade socializadora. O indivídr-ro
apreenderá a outra língua (se se requer para a co-
municagorn dentro da óomunidade ou se se necessi-
ta para a comunicaEom fóra da comunidade". Dit<¡
por outras palavras: usará-se o galego, falado e es-
crito, cando a gente se veja necessitad'aa usá-lo; can-
do os SeuS ingressos económiccs e o Seu desenvol"-
vimento na soiiedu.l" se vej am condiciollados polo
uso da língua da Galiza,
Esta é a melhor j ustif icaqom funcional para ¿ll-
cangar a normalizagom lingüística na Galíza. Decei'-
to que esta justificáqom prática reclama a justifica-
a justifica-
Aom teórica, ideotógica, política; como
galego e nor-
éo* oúltimao da desnormalizaqom do
malizaqom clo espanhol foi e é tamém política' lV1as
por este caminho adentramo-nos na temática do
apartado 22.2. Fique para esse lugar.

2." A rnudanga dos discursos: Metas a conseguir-


t:..\

Neste apartado expomos oS novos discursos So-


bre o galego, que se ham de sentir como <naturais>.
Enuncia*ó-lot esquemat-icamentea modo de teses a
ciiscutirem-se em ocasiom melhor. Ja é sabido que
mentres na escola, sobretodo, e f óra dela nom Se
inicie a mudanga dos d.iscursos, antes analis¿tdos,
todos os intentos de galeguizagom no ensino e fóra
del resultarám inúteis.
Para levar adiante o processo propornos como
I
1.
:
I

T
mais adequado o prazo de umha geraqom escolar,
I
ü
I
entre caicrze e dezioito anos. Os destinatários, logi-
!
É camente, som os mais novos, os moqcs.'.

a. Discursos da igualdade'

Referimo-nos aos mesmos aspectos qL13distingui-


mos na análise anterior. A metas, em cacla um de-
Ies, poclem enunciar-se assi:
1. Virtualidade estrutural: A estrutura lingüísti-
ca do galego pode e deve aetualizar-se; isto

tr4
é, pode acloptar as_Jormas
creiam convenientes, lingüísticas que se
as testernunhadas pora
tradigom sobretocl0, de
maneira que sem vio-
Iéncia nenglrmrra entronque
co sistema lingüís_
tico luso-brasileiro, constituindo-se
trés normas clo mesmo. numha da"s
Os galegos som capazes
de adquirir competén_
cia (oral e escritá) sobre
a
submetimentos ao espanhol. J"u língrra, sern
2' virtualidade comunicativa:
em galego resulta gratificanteA comunicagom
ra da pertenga a urn grupo. e identificado-
A Galiza será sociedaáe
canAo
-Jor*?*utáI
o uso do Ea_
lego arcancea rotarida¿"
tes, nom esteja submetido ;,"":r-
u" espantrot.
o idioma garegopossui virtuaridade
tiva univei"sar,-istoé, para comunica-
referir-se a carquer
tema e para relacionar-se
com sociedades(Es-
tados) no mundo.
3' Aceitabil-idade:o idioma
garego
Ios habitantes da Ga\iza".o.ño é admitido rro_
tidade do indivÍduo e da ri".i^'0"-#;-
socieJade, tarvez o
mais rechamante.
Poi' isto principarmente,
o
,gaiego é efectivo e
válido e é univLrsal. considera-se,
um dos factores que mais po¿"rásamente sem dúvida,
tribui a integrar aos indivíduos con-
povo. galegos em

b. Discursos da <<acÉuagor!!>.

1 . Necessidade: O galego é
língua ,Ceuso necessá-
rio na Galiza.
A forga deste tipo de discursos,
como a do
oposto, terá de ser a legal.
legal que reconheEa ; i*b"nhaUm ordenamento
go na Galiza condigoT o ,rro do gare-

cesso normalizador ,:ir. qua non
-- do pro_
do idioma.
2. fmpossibilidade:- E possível
viver só em galego
na Galiza' rgualmente este
tipo de discurso

r1 5
i:gal qu3 tern cte í-&11-
apoia-Se nü úi'C3i:La¡¡1eillü
dar...
3. Discurso da {iactuaco!i1)>:Hai qlle fazet o que
for. necessái-iopara consegi:ir, primeiro, a mu-
dailga dos discursos sobre o galego e, despois
ou iirnul lanearnente, a normalizaEcm do iclio-
ffi ñ
lllcl,

, 2.2.2. Dirnenso¡r:, Política.


.{-

Iniciainos o tratamentc da clipenscm poiítica


denirc da nossa proposta de planificaqon lingüísti-
ca para a Galiza. As decisons políticas som, ern gran-
c1emediCa, chave Cos outros aspectos j a ccnsiCera-
dos. Com efeito:
a. Umhas Norrnas de E,scrita Correcta consti-
iuem-se em oficiais por decjsom política. Bern
o entencleuneste sentido a "Xunta cie Galicia"
ao oficializar as Nornaas ILG'R.AG. oÓ meu en'
tencer -som palavras do conselheiro ca Pre-
sidéncia- o D-ecretosobre nci'mativización da
1íngua galega é un acto cle gobernc " ( ¡o) '
b. os ctisc¡:rsossobre a }íngua (c ga.iegoe o cas'
Leiirai:c), dcrlinarntes na socieclad,ee analisa-
cics no apl.i:tacioenterior, ficam reiorqados se
scm assumiclcs polo E'stado, ccmo de feito
aconteceu e está a repeti.r-senCS actos Co Po-
clerlegislativo,erecutivoejudicial.Nascon-
sicierafcns qlle segLiem cingirelrro-ncs, qlLaSe
com erclu.sillidacle,aos actoi do Pcder legis-
lativo.
Estado social
".,España,
y démocrático de Derechc"
Parece inclubitál'el que, desde a prornulgagoJn da
constituiqom vigente zl d,e Dezembro de 1978, Se
"
pretencle ( e utti se declara ) " consolidar un E'stado

1983'
(3 0 ) cf. N o rr¡n ti vi :aciótt cle Li;tgtta Gaiega, Xunta clc Galic i a,
p , 9 . IX .

11 ó
cle Derecho que asegure er imperio
de ra rey como
erpresión cle Ia v'oluntad pop,rruro
(preámburo) no
tei'ritório espanhcr. sobre esta
tesitura,'o seu art.
1."r- a constituiqor:l estaberece:<España
se constitu-
I'e en un Estado social y, d.emocrático de
que proplrgna corno valores D..;;i;;
superior.es de su
namiento jurídico ia ribertad, ";;;:
lu justicia, Ia iguar-
dad y el pluralismo políticoo.
Segundo os estucliososdo tema,
por exemplo Ra-
món Gai-cía Cotarelc ( 1983,
p. 65), (os rasgos que
tipificam o Estadc cie'Direito
som basicamente ca-
tro e de carácter formar:
r..) divisom de poderes;
2.") sujeigom de todos eles
ao direito; 3..) igual_
dade de todos os cidadaos
judicial dos direitos ante a lei; e 4.") tutela
e ribercradesfundamentais. Tam-
pouco hai inconveniente
em concruir assegurando que
o vigente texto constitucionar
espanhor garante num_
ha medida razoáver estes
.urio, constitutivos do Es-
tado Ce Direito, (a negrita j
nossa).
Afirma pora sua parte Antoni
p' 94) qlre <todos os direitos Rovira Viñas (r983,
funcamentais (. ..) de-
rivarn de crous grandes varo¡.es
do ordenainento jr-r_
rídico, a libe¡'dace e a igualdade
(...) os outros cii-
reitos declarados som concregons
de argum destes
dous princípios ou de ambos,,
( a negrita é nossa .
Flerdamos (dignamentel?) )
os princípios da Revolu-
Eom Francesa...
direitos fundamentais
e usos da língua
Dos direitos fundan:entais, que
recorhe a consti-
tuigom e que o úrtimo autor
sistem atiza (pp. gr_gs),
salientaros a seguir os pertinentes
que tenham argumha reraEom neste rugar por-
cos usos lingüísticos:
1. conjunto do: direitos garantidores
da integri_
dade física do sujeito.
2' Conjunto dos direitos garantidores
g_ridade psico-sociai oll jtica. da inte-
corresponde ao
Estado tornar seguros:

117
- o direito a nom discriminaEom, especifica-
gom cio princípio de igualclade ( art' 14) :
Por razorn do idic¡ma utilizado polo indiví-
ciuo e pola cornunidacle lingüística?
o direito á eCucagom ( art. 27) : Em galego
e ccm tccias as conseqüéncias?
- o direito á participagom na vida cultural
(art. 11): Tamém na galega?; como indiví-
duo e como grupo?
3. Conjunto Ce direitos garantidores da livre ac-
tuaqom do hcme, mormente no aspecto psico-
-social:
clireito á liberdade de pensamento e opi-
niom, de expressom e de cátedra (art. 20):
Inclusive a respeito do galego, das Normas
oficializadas e do processo de normaliza-
Eom? Fermite o exercício deste direito pro-
por, nos lugares adequados e em igualda-
de de condiqons, apresentar alternativas
gerais ás do Poder?
- direito á liberdade de eleigom cultural (art.
44): Tamén cando se opte razoavelmente
pcr umha linha contrária á oficial da <Xun-
ta de Galicia" e do oConsello da Cultura
Galegao?
d.ireito á liberdade de reuniom ( art. 2l) , de
associaQorn(arts . 22, 28, 34, 36, 52): O exer-
cício deste clireito implica a contrapartida
de represálias ou restrigons económicas,
académicas oll de outra ordem por parte
dos governantes e dos sells assessores?
direito ao livre desenvolvimento histórico,
cultural e artístico ( art. 46) da Galiza: In-
clui-se o relativo á língua canto patrimónjo
cultural?; o seu uso digno?; a sua forma-
lizagorn digna?
4. Conjunto de direitos a promoverem as condi'
gons que garantem o exercício de todos os

118
resenhados ( art. g.".2 e 3; IT 24 25)
, , . Reprodu-
zimos o art. 9." por ser, ao nosso juízo, claro
e diáfano:
.r2. Corresponde a los poderes
públicos pro--ra
mover las condig¡ones para que Ia
li.bertad i
igualdad del individuo y Ae los
se !r,opo, en que
integra seanrearesy efectivai il*or",
obstáculos ros
que impidan o dificuÍten su preni.
tud y facilital Iu párticipación
de todss
dada¡ros en Ia vida poiiti"., económica,los ciu-
ral y social. cultu-
o3' La constitución garantiza
-.ro.mativa,
er principio de
Iegalidad, la jerarquÍá
ra publici-
dad de las normas , lu irretroa.tiíiaua
disposiciones sancionadoras no de las
favorabres o
restrictivas de ros derechos individuares,
guridad, jurídica, Ia responsabilidad ra se-
y Ia in_
terdicción de la arbitraiiedaa
¿á io, poderes
públicoso.
(As negritas som nossas
).
igualCade ou desigualdade reais?
liberdade no processo normal
izador
c{,-ridioma e cultura galegosl

. Julgamos que nom é ocioso rembrarmos estes di_


reitos fundamentais de qut!é"*os
pora nossa con_
digom de <cidadaos do Estad;-.
A sua luz compreen_
derá-se ajeitadamente a justificagom
razoad,ada nos_
sa opiniom, elr€ imediatámente
expomos:
Os textos legais em vigor nom
reconhecem estes
direitos fundamentais ,r"á aos
indivíduos, nem ás
comunidades lingüísticas, ern especial
á gát"gu. por
lógica, tampou.J rhe-ros garantem,
singelamente por_
que os preceitos constitucionais
e o seu desenvolvi-
mento, referidos aos usos das línguas
garn os dous grandes varores que do Estado,
'€-
se atribui a Es_
panha como Estado de Direito,
isto é, i*"rdade e
a libo¡'dade. Dito por outras paravras: "
Tamém no or-
denamento jurídico do Estadt espanhol
odiscursos da desigualdadeo dominam os
e á, .,do possibilismo,r,

119
qlte antes cicniinciái';rmcs prevalecerenl no Corpo S{F
ci¿rl galego, coa agravante cie qlle a Lei, de um mo-
clo oll d.c oLitro, c scnlilrc co¿rctiva.
os clisci-irsoscla desigi-raldadee dc pcssibi-
fu{r-rcl¿rr
lismo irrplica, nesl,L cimensom, mlidar o ordenar¡en-
to juríciicc, polr-rmenos no qlie atinge aos Lisos clas
i Ínguas.
a) O or{lena¡nento jurícl'ico do E,stado'
Irio apartaclo qlie seglie reproduzimcs, comentan-
clo-os Com certa elitensolri, cS preceiios salientál¡eis
no ci'clenarnentL)j r-rrídico espanhoi sobre usos l in-
gi-líslicos, segttndc a sua hieri-Lrquia;no seguinte, in-
terpretaiTlos o alcance do co;rjunfo dos textos trans-
critos.
1.' Textcs legais.
¿r. Constituiccrn (art.3.'.1. e 2.):
o1. E,l castellano es la lengua españoia oficial
del Es [aclo. Tocos lcs españo1estienen el cle-
ber de colloceria y el derecho a usarla'
,,2. Las clemás lenguas españolas serán iarn-
bién of iciales en las respectivas Comunidades
Autóncmas de acuerdo con sus Estatuics>.
Salientamos o que segue:
1. Corno sinala a oDeclaraqom de Pamplorl&>,
qlte despoi.s reproduzimcs, (o Esiado cita poio seu
'irnpom conlo
no*e o único idioma que arnpara e
oficial, rnentres que relega á indefinigom e inclefen-
som ias otras lengilas españotrasn.
2. A i"espeito do castelhano f am-se expiícitos ne
Constituigom de L97Bos terrnos em qlle é oficiai. A
determinágom dcs límites a teor dos cais olas dernás
lenguas españolas, serám oficiais (en las respectivas
ComuniCades Autónornas)> fica deslocada para os
correspondentes Estatutos; mas estes som tertcs le-
gais C; rango inferior ao constitucional (art. tr'47.".2",
por exemplo). (As negritas som nossas).

120
3. Ainda mais, neste art. 3.. ( l. e Z.) confun,Jem-
-se perigosamente a organizagom administrativa do
Estacio e a definigom cle .^,mhar línguas, .orriiclera-
das por si...Las demás lenguas españoias'parece
referirse ás gllre ei-npregam as comnntticades lingüís-
ticas galega, basca e caialá; mas estas assentam

em território espanhol? euer dizer, os usuários cio
galego, do catalám e clo euskar-a, som exciusivarnen-
te crcladaosespanhóis?E dentro da mesrna Espanha,
a comunidade lingüística cataiá, por exemplo, coin-
cide com unrha só cr-¡munidade
"Ltónoma?
b. Estat¿lto de Autonomia de Galiza (art. 5."):
o1. La lengua propia de Garicia es er gairego.
o2. Los idicmas galiegc y castellano son ofi-
ciales en Gaiicia y todos tienen el derecho de
coaocerlos usarlos.
-y
n3. Los poderes públicos de Galicia garantiza-
rán el uso normal y oiicial cie los dos iiiornas
y potenciarán la utilización del gallego en to-
dcs los órdenes cle Ia vida públña, J*ltural e
informativa, !' disponcrán lbs medios necesa-
rics para faciiitar su conocimiento.
n4. ñ{adie poclrá ser discriminado por razón
de ia lenguao

Por parágrafos, cbservamcs o seguinte:


o galego é a língua própria da Galiza; c cas-
--t.
teihano é-a irnprópria?
2. como anotámcs em riba, na constituigom fi-
xam-se os extremos em que o castelhano é ola len-
gua oficial del E stado"; neste artigo clo Estatuto
delimitam-se os do galego, canto língua co-oficial.
Brevemente: o castelhano é objecto de dever (de
apreendé-lo) e de direito; o galego somente é objec-
to de direito (de erpreendé-ioe tri¿-to).
Desta radical condiqom desigualitária d.erivam to-
das as outras. Portantb, dificitáente os usos do ga-
lesg alcangarám a norrnalidade declarada no para-
grafo 3.'.

t21
3. Com efeito, o direito de umha persoa usar o
gaiego pode ser interferido em calquer ocasiorn e
ámbito potro direito de outra usar o espanhol.
Norrnal, referido aos usos lingüísticos segundo
norrnas estabelecidas explicitamente, é exclusivamen-
tc o castelhano; .,la utilización del gallego" depende,
em calquer ocasiom e ámbito, da livre (?) decisom
do usuário, como fica especificado na r,ei de Norma-
Iizagorn Lingüística e suficientemente explícito no
parágrafo 4.".
4. Segundo foi denunciado ja na Galiza, este pa-
rágrafo, sob aparéncia de respeitar e proteger os di-
reitos subjectivos tamém do usuário de galego, cum-
pre a funcionalidade de manter a situagorn objecti.
varnente privilegiada dos usuários de espanhol.
Quer dizer, na prática quotidiana o parágrafo 4."
ner:traliza ou simplesmente nega a igtraldade objec-
tiva de todos ante a Lei. com efeito, pode suceder,
suposta a existéncia de umha Lei de NorrnalizaEom
Lingiiística con-qruente co seu nome, que sempre ca-
beria a possibilidade de recorrer ao onadie podrá ser
discriminado por razón de la lenguao para eximir-se
de contribuir ao processo normalizador do gale-
go (rt ).
outro preceito estatutário
sobre a lÍngua
sobre os usos lingüísticos existe outro preceito
estatutário, o contido no art. 27.".20.E, competéncia
exclusiva da Comunidade Autónoma galega
,,La promoción y la enseñanza de la lengua
gallega" (rr).

(31) Veja-se o artigo, ainda que breve e sumário demais, suficiente-


mente clarificador, de Antón SANTAMARINA, nAs outras iinguas espa-
ñolas na constitución e nos Estatutos cle AutonomÍar, em EicrttcíI\acla,
nú m . 19 (S etembro-Outubro d e 1 9 8 3 ), p p . 5 0 -5 . 1 .
(32) O art. 27".19. prescreve, como competéncia e:<clusiva tamém, qel
fomento de la cultura y de la investigación en Galicia, sin perjuicio de
lo establecido en el artículo 149.2. de la constitucióno. veja-se, desta,
o art. 149.1.17".

r22
observaremos unicamente que a comunidade
tónoma, u .,XT.trlu,em particullr, Au_
nom possui a com-
peténcia (explícita) de oficializar
calquer
oriográfica. lrlom obstante, parece ser, normativa
como vere-
mos, o ú'ico <<actod.e goberioo que fixo sobre
ma e que está disposta a revar ádiante, o te-
caia quem
cair...

c. Lei de l{ormalizagom Lingüística.


i/'

Mais interesse tem para nós a Lei


de l{orrnariza-
gom Lingüisll"" (Lei 3/19g3,
de 15 de Junrro, no DoG
ce t4 de Juiho) e o seu desenvolvimento
regai (De-
creto L35/i983, de B de setembro ,,poio
q,rJ r- cle-
senvolve para o ensino a Lei...; ordem
de 23 de se-
tembro sobre dispensas, etc.) por
serem mostra da
real vontade política do Parlam"rrto
e da <Xunta>
de Galiza para normalizarem os usos
do galego.
consideramos aqui clous aspectos da
Lel:

Pc¡la sua parte, o art. 32.o do


E,statuto di: oCorresponde a la
rridad Autónoma ia clctensa y Comu-
promoción de ios tato.., culturales
'puebio gallegci' A taj- fin, y mecliante Le-v clel parlamento, del
un Fondo curtu¡ar Garcgó se constituirá
),. er co"*iá"g,,19g3,
úitimo preceito fica espeJfi.á¡o á" la culrura Gailega,. Este
na Lei cie B de Julho, oDo Con-
seilo da Cujtura Gaiega, (DOG,
9 cle egortol.
l'jo seu art. 6.", razom pora que
iicluimos esta nota, sinala_se que
irüoinpete ai Consejo cie
la Cuiturá Gallega: a) Analizar
nes se refieren ai patrimonio cultural "fometztar ...^rr,o, cuestio-
y la lengua la cultura
ga iie g a s, etc .> 1A cursiva é noss a ). -y*
contodo, mais umha vez achamo-nos
numha concregom do discurso
pcssib ilista que antcs clesmasc a rá v a n o s .
c o rl c f e it o , a iric a q u e o < < c u n -
sello' é (un órgano con personalidad jurÍdica
propia y prena capacidad
para el cumplimiento de sus
fineso (art. 2.,), nom ¿ -nei directa nem
indirectam€nte órgao executi,,.c.
Polo contrário, é entidade cujo presidente
de Honor é o da <Xunta¡
{art' 4'"); entre os seus membros estám
(art. J.o d) e representantes o conselheiro de cultura
de ..instituciones) e de .,movimientos
ponláneos" (Preámi:ulo), como es-
a Rcal Acaclcnria Gaiiega, a Academia
J ur i spr u d e n cia y Legislación cle d.e
G a lic ia , a u n iv e rs ic la d , o I n s t riu t o p a d re
sarrniento de Estuáios Gallegos (depenclente
do consejo superior d.e
Investigaciones etc., etc. (art. J.c e).
-Científicas),
Cabcrá agarclar do ,,Conselio da Cultura
Galega, algo mais do que boa
no melhor dos casos, e reproduqom rlos discursos
;;:il:ir' possibi-

123
1.') Um é o genérico, referente aos direitos lin-
gul sticos (Título I):

gaiego é a língua propia de Ga-


"Ar tigo 1.". O
licia.
uTódolos gatregosteñen o deber cie coñecelo e
dereito de usaloo.
poderes públicos de Galicia ga-
"Artigo 2.". Os
rantizarán o Lrso normal clo galego e do caste-
lán, línguas oficiais da Comunidade Autónoma)).
poderes públicos de Galicia
"Artigo 3.'. Os
adoptarán as medidas oportunas para que nin-
gén sexa discriminado por razón Ce língua.
,,Os cidadáns poderán dirixirse ós xuíces e tri-
bunais para obte-la protección xudicial do de-
reito a er"nprega-lasúa lingua".
1" O dever, reconheciCo no art. L." e reccrr"ido
coi-no inccnstitucional, talvez justamente, polo Go-
verno de Madrid, de facto reduze-se ao nada j a no
art. 2." e mormente no art. 3." da Lei em virtude cla
..(nom discriminaqom por Íazom de língr-ra", segundo
se explicor-r no apartado anterior.
2. A moleza e o esr¡aimento dos artigos, destes
ein particular, da Lei ficará rnais em evidéncia se
os comparamos cos correspondentes das Leis nor-
malizadoras do catalám e do euskara. Reproduzimcs
só:

Art. 2.' da Lei do catalárn: nl. El catalá és ia


llengr-ia própia de Catalunya. Tots els ciuta-
dans tenen el dret de conéixer-lo i d'expressar-
-s'hi, de paraula i per escrit, en les relacions
i els actes públics, oficials i no oficials. Aquest
dret suposa, particularment, poder: adregar-se
en catalá, de paraula i per escrit, a l'Adminis-
tració, als organismes públics i a les empreses
públiques e privades; expressar-seen catalá en
qualsevol retrnió; desenvoiupar en catalá ies

124
activitats professionals, laborals, polítiques i
sindicals, i rebre l'enseyament en catalá.
,r2. Les manifestacions de pensament o de vo-
luntat i els actes orals o escrits, públics o pri-
vats, no poden donar lloc a Catalunya a cap
mena de discriminació si són expressats to-
talment o parcialment en llengua cataiana i
produeixen tcts els seus efectes j urídics igual
corrr si fossin expressats en llengua castellana,
i, per consegüent, pel que fa a llur eficácia, rro
poden ésser objecte de cap mena de dificul-
tat, d'ajornament, de requeriment de tracluc-
ció ni de cap altra exigéncia.
oEn cap cas ningú no pot ésser discriminat
per raó de la llengua oficial que einpra>.

Artigo 5." da Lei do euslcara (recorriclc por in-


constitucional) :

.,1. Tocios ios ciudadanos del país vasco tie-


nen el derecho a conocer y usar las lenguas
oficiales, tanto oralmente como por escrito.
,r2. Se reconocen a los ciudadanos del país
Vasco los siguientes derechos lingüísticos fu.n-
damentales:

a) Derecho a relacionarse en euskera o en


casteilano oralmente y/o por escrito con ta Ad-
ministración y con cualquier Organismo o En-
tidad radicado en la Ccmunidad Autónoma.
b ) Derecho a recibir la enseñanza en ambas
lenguas oficiales.
c) Derecho a recibir en euskera pubiicaciones
periódicas, programaciones de raciio y televi-
sión, y de otros medios de comunicación.
d) Derecho a desarrollar actividacjes profe-
sionales, laboraies, políticas y sindicales en
euskera.
e) Derecho a expresarse en euskera en cual-
quier reunión.

125
(3" Los poCercs pr-lblicosgarantizarán el ejer-
cicio de estos derechcs en ei árrrbito territo*
rial de ia Comunidad Autónoma, a fin de qlle
sean efectivos y realesr.
3. Com articulaCos mais olt menos minucicscs,
estas Leis (pretenCemo normaiizar..las ciernás len-
guas españolaso, mas nos feitos resultarárn simples
declaragons de boa vontade; som expressons dos dis-
cursos (ou pretextos) possibilistas,como se despren-
de das análises que das mesmas tenhem realizado
autoridades tam diversas como fiáveis. Veiamos dous
exemplos.
4. Lluís V. Aracil sinaiava, a respeito da Lei do
Catalám, em El Món (15 de Abril de 1983, p. 22):
.,As insuficiéncias e inconseqüéncias do texto mesmo
revelam ja a falta de poderes coactivos e de recur-
sos organizativos, disfarEada pola falta de ideias e
de vontade de mudanga. Ora: Isto nom quer dizer
que a Lei ha de ser inútil. A Lei produzirá sem clú-
vida desavengas e, em último termo, decepgons e
frustraEons que serám mui positivas se ponhem em
marcha o processo popular que a política de ccn-
senso paralisou no próprio comego de TransiEom.
oA inovaqom mais positiva será um discurso pú-
blico radicalmente diverso do <ti. ja me entendeso da
clandestinidade e da inveterada retórica (renaixen-
tista> e regionalista dos aldraxes e das queixas. Con-
fio em que o estilo e o nivel do novo discurso norn
sejam tam ridículos. A coexisténcia das comunida-
des lingüísticas é umha questom básica (nom ba-
nal) de interesse público. É umha questom de E,sta-
do, precisamente constitucional. Despois c1e todo, é
de um Estado que somos cidadaos ou súbditos. E, é
o Estado que ha de apreender que nom pode tratar"
os idiomas de cidadaos normais como se fossem dia-
Iectos de súbditos subnormais. A democratizacom
deve evidentemente pór firn ao jogo sujo e assegurar
o jogo limpo neste camno. Fica claro que a igualda-
de efectiva das comunidades lins'iísticas norn será
possível nunca, se nom é que decidimos que é neces-
sária por princÍpio".

t26
5. Norn mcnos expiícitos, se bem pertencentes
discursos mui diierentes, som os considerandos a
advogacia do Estado contra a Lei do da
Euskara incluÍ-
dos no correspondente recurso de
inconstitucionari_
dade interposto a instáncias do
!o""r.,o de Madricr-
sobre o art. 5.", transcrito em riba,
di-se (a tra-
dugonr é nossa): <...junto coa
vindicatio pttlstaüs
que fundamenta essa impugnagom
incompeténcia [do art. S..] por
respeitó á" iotatidade do artigo,
ham de questiorur-r" especificamente
as referén-
cias aos poderes púbricos q,r" upareceul
no art.
5.".2.a)e no número 3 desse pieceito.
Tampouco nes-
te caso se discutem os contidos normativos,
senom
a titularidade competerrcial do parramento
basco pa_
ra efectuar regulagons que tenham
como destinatá-
rios a poderes públicos diferentes dos que
integram
a própria Comunidade Autónoma)).
Anteriormente ind.icara-se que (os diferentes
tatutcs habilitam expressamente ás Es-
comunidades
Autónomas para determinadas actuagons
em relagom
coa matéria lingr_iísticao.oMas _engade-se
imedia_
tarnente- tais habilitaqons consignadas
no
Preliminar do Estatuto [basco] .ori"rpondem-seTítulo
com
títulos competenciais nos que nom hai
exclusividade
para a Comunidade Autónóma>.
Est¿ts <argumentagons> jurídico-ideorógicas
dem umha e outra vez sobrá inci-
o fundame'to indiscu_
tido e univocamente interpretado (tarvez
ba outra saída): nom cai-
pr"iisumente a condigom do
castelhano -o...é
língua
:omo comum a toda a Naeom a
que possibilita que se imponha um ¿á"-, á" lo"r."_
cimento do mesmo. por encontrar-se
previsto
titucionalmente tar dever, os poderes púbricos cons-
presumir validamente que podem
todos conhecem o caste-
lhano. conseqüentem"rri", a actuagom
dos poderes
públicos realizada unicamente em
castelha*o (. )
nunca poclerá censl¡rar-se como discrirninatória
sentido do art. r4." da constituigom no
Espanhola. polo
contrário, ao carecer de fundarnento
constitucional
o dever de conhecer carquer outra
ríngua, ,ro*
"abe
t27
p!:esumir validamente que dita língua tenha ctre co-
nhecer-se no territério da Cornunidade Autónoma
onde se estabelecer a sua cooflcialidade, e a actua-
eom dos poderes pirblicos realizada unicamente nes-
sa língua poderá ser estimada como discriminaió-
ria em vuhreragom do art. I4.".
uA conclusom será, pois, que o castelhanc, idio-
ma de uso oficial tamérn no território das Comuni-
dades Autónofiias onde eristir outra língua cooficial,
nunca pode ser excl¡.rído.Com isto nom se priva de
sentiCo o direito de Llsar a língua cooficial. Esse di-
reito sr-rbjectivo, perfeitamente indivj dualizável, en-
contra o seu correlato num dever subjectivo de co-
nhecimento, mas dever imputável aos Poderes pú-
bl.icos como tais e nom aos indivíduos. Nem sequer
a todos e cada um dos servidores públicos; t . . . l a
relagom de supremacia especial da Administragom
e r:espeito dos serls funcionários poderá fundamentar
um ciever inclividual de conhecimento do euskara,
mas isso unicamente nos casos concretos em que
t¿rl dever especial responda a umha justificaqom ra-
zoáveL e respeite exigéncias de proporcionalidadeo
( a negrita é nossa).
cliscurso cla necessidade
con'rra
ciiscurso do possibilismo
Estám-se a emitir assi, assumidos polo próprio exe-
cr-rtivo do E stado, tertos pertencentes aos discursos
da necessidade (antes denunciados), que reforgam os
j a generalizados na sociedade. Deste modo resulta
claro que o uso do castelhano será necessário em
calquer ocasiom e ámbito, mentres que só é possível
o uso clo galego se houver 'boa' vontade nos usuá-
rios, e isto unicarnente em certos ámbitos e oca-
sions...: E se nonr existir (boa) vontade?
A triste realidade é, nom nos enganemos, que es-
tes discursos dominantes estám a mudar-se insensi-
velmente em discursos da impossibilidade fáctica de
usar o galego, polo menos num estado de opiniom
que o dignifique rninimamente.

128
2.") Cl:ii-r asp*ci,..i (jlir cclt.v,éfil ccnsicierarmos
aqui é o tccante ¡.o uso clo galego no ensino
(Títu- i
lo iII da Lei cre lJoi"naatrzaónr-r-ingiiística). 'f

Á va-
guiclacle,por Llirl laclo, e e mecánica recorréncia
ja disposto oficialmente, pcr outro, ao
caracterizam es-
tes pi:eceitos iegais. co*iprcve-se, por exemplo,
nos
ariigos:

"Art. 1.2.".-1. O ¡talego, cornc língua propia


c1eGaiicia, é tarilén clficial no ensino to¿*
Ios niveis educativos. -r,
"2. A xunta de Gaiicia r-eguramentará a nor-
maiización cio uso das ríngiras oficiais no
en-
sino, de acoi-do cces dispoiicións da presente
Lei r.
<Art. 13.".-r- os nenos teñen dereito
a reci-
bi-lo p'imeiro eilsi¡ro ne súa língua materna.
,,c Gcberno Garego arbitrará as medidas
nece-
sai:ias para facer efectii.,o este dereito.
,,2. As Autoricaces eciucativas da coi-nunida-
de Autóncina arbiirar-á' as mecidas encamiña_
das a promcl'e-r,, rlso progresivo do galego
no
ensino.
"3. cs alurnncs non pcderán ser separadcs en
centros diferentes por razón da língua. Tamén
se evitará, a non ser qlte con carácter excep_
cional as necesiclaciespedagóxicas así o acon-
seliaren, a separación en a.tlu, ciiferentes>>.
"Art. 14.".__r. A iíngua gaiega é materia de
estudio obrigatorio en tódolos niveis educati-
vos non universitarios.
oGarantizarase o uso efeciivo deste
dereito en
tódoios centros púrblicos e privados.
,r2. o Goberno Galego regr-rlará as circu'sta'.-
cias excepcionais en que un arumno pcde ser
dispensado do estudio obrigatorio d; ríngua
galega. Ningúrn aiumno podeiá ser dispensioo
clesta obriga se tivera cursaclc sen inierrupcióa
os seus estudios en Galicia.

t29
(3. As autoridades educativas da Comunidacle
Autónoma garanti zarán que ó remate dcs ci-
clos en que o ensino do galego é obrigatorio,
oS alumnos coñezan este, nos SeuS niveis or¿:I
e escrito, en igualdade co castelán"'
etc. etc.

1. É. curioso que a Lei de l{orrnalizagom sÓ se


aplicasse ao ensino e de maneira mui vaga e geral,
tém planificagom quase, ás expensas da boa vonta-
de dós Centros, d.as suas directivas ou dos próprios
ensinantes.
Unicamente o ensino da norrnativa ortográfica,
oficializada, parece obedecer a certa programagom,
que afecta abrumadoramente ao professoracLo d'o
E. G. B.
2. As prescriEons ( som prescriEons?) referentes
ao uso do galego no ensino Som Sumamente incon-
cretas, mentres que estám suficientemente precisos
os mandatos tocantes ao estudo do galego'
Decreto I35/1983,de 8 de Setembro,
sobre normalizagom do galego no ensino
3. Comprova-Seo dito Se examinamos o Decreto
t35/1983,d¿ 8 de Setembro, opolo que se clesenvolve
para o ensino a Lei 311983de Normalización Lingüís-
ticar. Nel reclama-se, por exemplo, o uso da língua
materna ( ?) (no nivel de Freescolar e no ciclo ini-
cial de Educación Xeral Básicao ( art. 2.".2.); preci-
sa-se assi o ..primeiro ensino> da Lei (art' 13'''1)'
4. Contodo, Som rnais os exemplos qlle corrobc-
ram a reincidéncia em vagUidades. A Lei prescreve
que (a Xunta de Galicia regulamentará a normaliza-
ción do uso das línguas oficiais no ensinoo (art' l21
2) [O espanhol nom se vem usando normalmente no
ensino?]; mentres que o Decreto "regulamenta>, de-
Iegando no .,Consello de Dirección, Organo superior
competente do Centro ou Departamento> ( a própria
redatgorn é confusa!), que este (ou estes?) "haberá
de arbitrar un equilibrio na utilización lindistinta'
salvo o sinalado no art. 2'o.1.] dun e doutro idiomao'

130
supomos que nom será esta a única reguramen-
tagom da .<Xunta,'neste campo. Mas a estas alturas
pudérom-se_dar ja argumhai orientaEons gerais
vista dos dados, escassos,que tarvez constern á
arquivos nos
da <<Xunta>>.
Por outro lado, perguntamos, que critérios
have-
rám d.e empregar-se para determi.ru, o preiendiclo
equilíbrio? calibrará-sé polo tempo
dedicado a ga-
lego e castelhano (50 o:'aa cad.a um); pora
importán_
cia das discipritas, pola autoridiJe
científica-via
e cu_
rrículo dos professores.. . ? Introduzido
pcta da
casuística (que se introduzírá se
alguém nos Centros
tenta normalizar os usos do galego),
o equitibiio re-
solverá-seem andrómena.
5' comentário
3 parte mereceria a expressom
"Iingua materna>. Meigurhados nesta cerimónia de
confusom, tamém e soüretodo deste
tema nom cabe
senom agardar a sua manipulagom
interessada...
senhores que estám a faier
sejam conseqüentes: se a língua regaricrades,
" "*".rrtar
é <a maior e máis
orixinal creación colectiva doi galegosn;
dadeira forza espiritual que lle se é <(a ver_
¿a unidade interna
á nosa comunidaderr; se nos une (co
pasado do r¡oso
pobo"; se é oregado da identidade
cornún>>,como
mantenhem ainda o conceito r-estritivo
de *t*g.ru
materna"? As negritas som nossas,mas
as citas som
todas do Preámburo da Lei, ."p"iiáu,
atg,rmhus no
Decreto.
6'
.A lÍngua, tamém a que utirizam os meninhos,
nom é materna (só) nem paterna (só);
é ,*"iár. o
homg sempre vive em sociedade; tod.os
os seus hábi_
tos de comportamento, incluídos os
lingüísticos, som
adquiridos e conformados no intercá*uio
social.
Decerto, consegue-se umha certa competéncia
da
Iíngua oral durante os primeiros anos d; vicla (
tal-
vez) sobretodo através da fam ilia; mas a
competén-
cia da língua, em especiar da quase sempre
se alcanga na escora, instituiEom
"..iitu,
sociai, orgunirad,a
segundo o ,,ordenamento> poiitinad.o do poáer
polí-
tico, legislativo e executivol
Por isso, cando um inclividuo carquer
alud.e aos

13 1
Lrsos idioináticos cl;r prinieira iCaCe coit inccncre-
tíssima expressom cie "língr:a lTlaterna>, corn toda
segllranEa tenta escamctear impttncmente a reaii-
clade social desses usos; inas, cando expressons co-
nto a- citac1,ase inclliem ncs tertos legais, aprovaclos
por um Parlamento e promulgados em nome do Rei
por um Presidente ( da <<Xunta>por exemplo), está
a dar-se fr-rndarnento sólido á suspeita de que o ((or-
denarnento jurídicoo clc EstaCo nom é sério coln .,las
oir¿is lenguas españolaso nem procllra a igualdade
efectiva dcs cidadaos nem dos grupos ou comunida-
cles lingüísticas"
7. b{o nPreámblllt " do Decreio I35 1983 reco-
nhece-se que ((a n-lesma Lei arbitra mandatos que
coinportan unha trausforinación dos irábitos lingüís-
ticos, dos indivídr-ros ( si-ipom-se
) no selo da sociecla-
de gaiega.
Desses manCatc¡saté o momento só se pormeno-
rizái'om os qlfe c1eterminam o procedii-¡ento c1e.,dis-
pensa do estudio obrigatoric ( I ) da Língua e Litera-
tllra galegas". Fixo-se poi- Ordem de 23 de Setembro
cíe 1983.trndicará este compcrtamento abundáncia Ce
iCeias e d.e voniaie para mudar os hábitos lingüísti-
cos na Geliza?
B. Por irltircc, lernbr3irlos que noln se cierogci-t
expressamente, portanto segt-leem vigoil, o Decre lo
Bll19S2, d-e 29 de Abril, ,,polo qlte sc regra o ensino
d a Lírrgua Galega nos ni','eis da Educación Preesco-
lar, E Cucación Xerai Básica, Bacharelato e Forma-
ción Proíe sionalr. Referimo-nos ao segundo odecre-
to de biiingiiísmoo. Sem dirvida as autoricl¿rdesda
<Xunta> acr-rdilám a este dccumento cando e como
thes convinher. &{as lembramos tamém que umha
prescrigom de dito texto legal erai
casos nos que o Galego sexa empre-
"l{aqueles
gado como língtia veicular no ensino doutras
inaterias, o horario adicado á ensinanza do Cas-
telán haberá ser axeitadarnente incrernentaLlo>
(art. 2"".2.).

t32
Pensamos que nom vale a pena perguntar
por eu€,
no suposto contrário, nom se previu incrementar.
ajeitadamente tar-nérn,¿ls }loras d c g a le g o ...

cl. Decreto de Nor¡nativizagom Lingüística. L ñ I,

hla Galiza tem sucedido que instituigons


do Esta_
d.o espanhoi se estimáron autorizadas para
á-ri*i-
tar o estatuto ringüístico das faras do git"gá
*, .o.r-
seqüentemente, sistema tizar a sua Grarnática
e vo-
cabutrário. Poderíamos aduzir testernuhos ofiáveiso
representativos (tt). Convenhern, coas e
matizaeons de
rigor,em idenrificar o gaiego.á*"-arf#.fui;
portugués: do

1. Reconhece-sea sua unicrade de


orisem.
2. Sinala-se que os respectivos marccs
poiíticos
explicam com suficiéncia a oderiva
divergente.,>clas
duas ramas.
3' Defende--seque o galego, dada a infruéncia do
adst¡ato (uo) castélhu.ro, fiio-se
tas inovaEons)>. "f ".*eável a cer-

(33) Entende¡nos que estc <ncmeatnenlo,>


clo galego como língua de
seu rnanifesta a coronizaqcrn cra
Gariz¿r. Escreve carr,.et (rg7r, p.
respeito dos proces'sos cle colonizacom 56) a
,," ."u vertente lingiiística: nTodo
cornega poia de'crninagc-'rn. () d".pr"ro
¿" outro (quer dizer, o ces-
conhecimento on incompreenscm
do ouiro nom xurcle cra arera
esforqo cle conhccimentc ou cle e dc
compi:eensorn) manifesta-se ciesde
meiros contactos pré-ccroniais os pri-
na tare fa taxinórnicar; e pouco
(p' 57)t <'Este desprezo polas despois
denominaqons--autóctonas salienta
zo mai's aFrplo polos pcl¡os; os o clespre-
territórlos e os habitanies nom eristiarn
antes da chegada do ccronizacror (ja
qlre .ro* possuíam norne, ou poro
Eienos ja que se ccnduzian-rtcoinc
se ttrJm tivessem nome), e estc clei:omi_
na l ug a r es ¿ povos conlo bem iirc p a i' e c c
t.l E s t e d irc it o c le c le n o m i r : a r
é a dimensom lingüística do
direiio a dcminaro. Ncuti:o lugar
mos trés te-\tos sumamente representatir¡os analisa-
do acto oclenc¡ninador,, clo
galego, clo seu estatuto lir-;giiistic..t;
som Galego 3 (em particr-riar o tetna
do lusisrno), o discui'sc in-augural
dcl ano acaclérnico 1977-1g7gna uni-
versidade compostr:ia::a (cra ar-itoria
de D. corstantino García) e a ((mesa
redonda' tal como é recolhida
nas Actes do CoIót1ttio cle Tréverí.s (em
especial as inten'cnqons dos participantcs
¿a catiza).
(34) N,¡m parece adequado
este termo, utiiizaclo por calego 3 (1976,
p' 82) nom só porque se
utilize conl e.rccsiva generosiclade, senom por-
que ocuita a rearidade d.esiguar
clas rínguas aludidas.

l1.t
I JJ
1. Estas apresenianr.-secomo irreversíveis ou por
nom existir hoje na Ga\za classe dorninante galega
ou bem por esta norn ter os aparelhos de poder im-
por tantes.
Mas nos textos em que se sustentam os pontos
anteriores abitnCatn clemais oS eufemismos, aS meias
palavras, as eiipses de modo que se evita:
a. E xplicar aj eitadamente a ruptura de usos no
galego até que passou de desenvoll'er-se numha si-
tuagcm onormalo a outra submetida, rnarginal, arni-
norada
b. Descrever as pecr-rliaridadesdo galego como
uiíngua clo pobo aferrado nc seu pasado e coa olla-
cia nc reino de Castela ou, mais tarde, na corte ma-
drileñao (C. GAR.CIA, 1977,p. 32) quer dizer, como
língua puramente coloqr-riale de usos orais.
c. Afrontar corn corage a mudanEa radical (to)
qLle l,,ai implicada em escrever o galego e em conver-
té-lo em "língua nacional".
Preámbuio do Decreto
cle NormativizaEorn Lingiiística
Este é o género de discurso qlle domina, sob apa-
réncia de moCeragom e objectividade, no preámbuio
e no articulado do Decreto de lüormativizagorn (I73 /
1982,de t7 de lrlovembro, publicado a 20 de Abrii de
19831:

oA língua galega, despois dunha permanencia


secular de líi-rgua puramente oral, recuperou

(35) O Prcf. Rodrigues Lapa na sua ponéncia-resunto afirmava: oTra-


[a- se e','identement,: de uma p e c u lia riCa d e lo ' o -c a s t ra T s a it t e t t loc'la l í n g t i a f
que se deve ter em consider:rqáo; Í1as isso n¿io e.rclui a possibilidad.e
de se erraciicarem essas excrecéncias abusivas, para que o idioma re-
gr e sse a uma limpidez raz o á v e l, c o n f u n d in d o -s e c o p o rt u g u é s : e , s a b i d a '
tn e itte, a tese de Castela o . A liá s , e s s a d e p u ra q á o iá s e e s t á f az e n d o ,
sol.retocio da zorta da Oncm;Lstica; lr:as é cl'.rvidoso quc \'¿i muito alóm.
!,,[ño /iá corogeitL precistL pera ittier essa trans-t'ormaqño radical pelo que
tttd.o fic'ará na rnesnle, otr quase: os veihos caciqi-les renascctalll, até corn
o rótulo c1e galegui.stas, e A,'Iarlrid é quem vai dirigir a operagáo lingüís-
t:ca: o fiinerai clo gaiegou '1t\-ctttsclo coloc1ttio cle Trét;et'is, pp. 235'231)'

134
desde hai xa máis de cen anos a súa vella con-
dición de língua escrita. pero esta recupera-
ción, sen outra base que a vontad.e espontánea
dos seus cultivadores, non tiña máis referen-
cia orientadora que a da fala, co inevitable po-
limorfismo dialectar que Iies é propio a tócalas
falas. con todo, ó ir afianzá.rdou" o recupera-
ción tamén foi aparecendo a conciencia da súa
necesidade de unificación formal.
uCo tempo, o propio desenvolvemento da
nosa
críitura facía necesaria a regulación normati-
va da língua. A R.eal Academ"ia Galega inicial-
mente, e o Instituto da Língua Garega inme-
diatamente de se constituír, afrontaroñ esa ne-
cesidade pubricando sendas normativas, que
por seren básicamente coincidentes Iograron
en conxunto unha aceptación xerafizada,,
(Preámbulo).

Advertirá-se que se silenciam, entre outras, as re-


feréncias a:
l.' o conflito lingüístico na Galiza e os factores
desencadeantesdo mesmo. Assi, <(permanencia
secu-
lar de língua puramente orarn i*iti.u que ;; Gari
za nom se usava por escrito outra língua?; que
a
permanéncia secular foi pacífica?; quJ
foi' pérma-
néncia e nom retrocesso? ét..
2." . O
^ "galego, culto (pu língua irrná) além das
fronteiras do Estado erpu.thol; óntodo, o portugués
acha-se presente com teimosia nas Norrna,
ilc-RAG,
oficializadas neste Decreto, a fim de <justifil*,n
a
19r- e objectivo fundamentais: o galego é diferente
Iíngua do que o portugu€s.
Este tipo de verdades a meias acha-se tamén no
Peámbulo da x.ei de Norruralizaqorn Lingüística e no
seu articulado ( como no do Estatuto . som todas
)
elas normas legais do Estado: o Estado é a totali-
dade,_é o garante da ordem; a comunidade Autóno-
ma, ola regjón gallegá,>,é a parte, <<protegidaoe (res-
peitada" polo Estado. Eis os discuisos régionalistas.

135
E neste joEo todolpa::te, Estadolregiom ha de enten-
cler-seo que dixemcs sobi-e língua e dialecto e o que
estamos a observar sob::e o <acto de gcverno> das
ar-iici:iCadcs i:eprcser-:
tati','as clo E stado que imp+
niicm umhns l{cr;.lr.s o¡toqráiicas i 1íliiri.racia Ccrinu-
niC-aCeAutóncma (:rc) .
Sci:'r'eo Decleio ano iamos o seguinie:
1. A "Xunla cie Gaiicia, pretenCe exeicei: nel um-
ha comp*:téncia dt- quü carece e Corni-inidaCeAutó-
ncrjta. A teor cia legalidaCe vigente (s-r) , só é corn-
p-cteiiie,to tccante ao iciicrna, ein nla promcción _v
err.;ci¿inz¿tcLeia lcirgua gailega" ( Estatuto, art. 27:'.
2tl) . Por lanto, o Decreio é nulo de raiz ao estar cii-
tado por Liin órgac manifestamente incornpetente.
h¿crn cabe reccrrer a que ..ia promcción 3' la en-
señanzao nol-n se efectuai:ám se f altar, coi^no condi-
Qorn prér'ia, urnha noi-mativa ortográfica. Tem de in-
ferii"-se o contrário: Pcr ser cornpetente na promo-
golrl do galego, a ..Xuntii, ncm está legitirrrada para
interferir, com Decretos oll outras r¡eclidas de impc-
sigorn, no prccesso cie norrnalizagorn do gaiego, qlte
exige por definigoin a cciabcragorn Ce toclos os indi-
víCuos e grllpcs sociais.
Frivilegiar a algr-rnscoa exciuscm cle cutrcs, além
de atentai" contra c ai:t. 9.'.2 da Constituiqcrn, mos-
tra umh¿r clara voil taCe desnormalizadora.
2. Hai ccntracli,;om entre o estabelecido no De-
creto cle Nor¡nativizaqom ( art. 1." e 2..) e a Dispo.

( 3ó ) Linís V . A racil, no s e lt a riiq r-t


" I lis t ó ria in ' : r' iiia c lc la I le ¡ c ¡ a
catalana, srgies XIX-XX' di: fet és c¡-re les aspiracicns rná:lirnes clels
"El
re,lionalistes cren molt inferiors a lr-s e.rigéncies mínim:s cl'una colnr-
nitat lingüística ellrcp'ra rncCcrnl. lin f'*'i a rernarcai' és qlle els reeiona-
listes van aceptar sense reserves eis canvis histórics (no sols polítics)
qlle van eralrferar jiisie.rricrtt li:ihr-r:e.l cl ilcsnii,ell enirc e:7 cal¡ii¿r i i'iciio-
ma de I'Esiat. Hett cle sab:i' -encal':t cue nc us ho hagi dit ning.Jr- que
la situació minoritária actn¡ri dcl catal.i clala precisament dels 1.3¡ni-iS gir,-
r i oso s de Ia Rena-i:<enqa i e l rc g ; o n e lis rn e " (Cc n ú g ó , n u rn s . 8 0 ó -8 0 7 , 1 9 - 2 6
m ar g o i983, p. 2S ).
{37) Es;a clcr,e entende¡:-sc S;:lpfe ! 1) l.la sua interpretaQonf literal
basicamente.-2) r\r; respeiio á hiera;:quia nci'm¿rtiva e á seguranr;a jr,lri-
dica Cos sujeitos.-3) Na garani;a cla iguall*ade de toclos ante a Lei.

136
sigom adicio*ar1 ca Lei ctreNcrrnaliza,gorn sobrc e
ins-
tituigom, Reai Acader,;riaGaiega ou instituto da
Lín-
Sllla Galega, ccinpe ieni e pai"a estabelecer <(o ciiterio
cie ar-rtoi'idadeu(nas cuestións relativas á normativa,
¿rcttralizacióne Liso correcto cla língua galegao (I-ei
cie Füor¡nalizaqorn,Disposiqom adició'¿rl
i
Ainda mais, o próprio Decreto contradi-se cancro
reconhece que a RAG iem autoridade para erabora.,
ju;rto co ILG, a ({ncrma básica para
a uniclarle orto-
gi^írfica c: rnorfclóxica da ríngrü garega, (
art, r."),
T?t nom para preparar o Vocabularió Ortográ.,¡ico
I3ásico cuj o autcr úinico ha ser sornente
- o il_c ( ar-
tículo 3.").
3. Atribuir exclusi'amente á RAG e ao ILG
petérrcia pera estabelecerem a <norma com_
básica para a
unidade oi'tográfica e rnorfcióxca> (art. 1..)
e] ,,pre-
vio accrdo conxunto, elevar(em) á Xunta
cle Galicia
cantas mellcras esiimen convenienie incorporar
ás
normas básicas" (art. 2.") resuita, cernclo
*-"or, gro-
tesco.
com efeito, a F-AG norn é nem de clireito nerrr de
feito, academia ja língua homorogár.,er,por exemplo,
cca espanhcia. Polo contrário, tem como
objectiuor,
segunco os Estatutcs vigentes (art. 1..), ocuiiivar las
Belias l-etras en g"t y principairnente aqi:.:ilcs
estudios que pueden contribuir
-rol al ionccimiertd de la
I{istoria, Antigiiedaces, Literatura y Lengua c1eGali-
c l a>.
. o .ILG, pcl1 sua parte, é instituto uili-r,crsitário;
isto é, a teor dos Estatr-rtosprcvisrii"ios da universi-
da-de (art. B.'), <<centroc1eIñvestigación y ce Espe-
cialización que agmpará al p-.ronál cle uno o varics
Depariarnentos universitarios, así comc el perscnai
necesario para ei cumplimiento cle slls fineso. Estes,
logicamente, tenhem de cingir-se á investigaqom e
especializagom (universitária ), nom á ,ror*ot tviza-
qom e menos ainda a activicades de (governo> (rr).

(38) Curiosamente a única entidade que por Est¿rtutos,


legaiizadcs,
está attiorizaCa para enicnelcr cla ,^i'or¡r¡
ativT ortogrcít'ice ti t ,4SSocja'om Ga-
lege cla Língiu (ACAL); mais fci sistematicamente excluí,la
cle calquer

137
O processc normaiizador do galego exige a ccla,
boragom ajeitada de todos, grupos e indivíduos; o
estabeiecimento de normas de escrita correcta nom
poCe subtrair-se á colaboragom de todos aqueles que
estit'erem comprometidos na normalizaEom da língi-ra
e, rnenos aincla, á dos escritores, investigadores, lin-
güístas, professores, sociólogos, pedagogos, etc., elc.
4. ft,Iais rechamante ainda é a contradiqom de
proclamar o AcorCo ILG-RAG como (norma básica
para a unidade ortográfica e morfolóxica,, (art. 1.'),
melhorável (art. 2.'), e impó-lo como único utilizável
nos livros de texto e material didáctico,,que deban
ser autorizados conforme á normativa vixente> ( ar-
tículo 5."; vej am-se o ó." e o 7.') . Contodo, convém
Iembrar que a normativa vigente <actual íza, dispo-
sigons surgidas na ditaclura; todas elas perseguem
garantir o controle ideológico efectivo de estudantes
e professores através dos livros de texto. Apesar dis-
to, na letra de tais disposigons só se alude a ( apro-
bación pedagógica" e dictamen favorable de la Se-
"
cretaría General de Movimiento y de la Jerarquía
eclesiástica en el ámbito de las respectivas cotxpe-
tenciaso (Decreto 2531/74,de 2A de Julho, art. 3."), e
á fixagom de (precios máximos de venta>>(arts. 4."
e 5.'). Unicamente umha interpretagom perigosamen-
te generosa da legisiagom poderá basear nela a exi-
géncia de um informe lingüístico, prévio á autoriza-
Eom de iivros de texto e material didáctico.

acordo ou reuniom (estes ENCCNTROS LABACA constituem umha e.r-


cepqom) e inclusive vários dos seus membros fórom coaccionados e até
a n tcaca d os... A
"Lei do silénc io , e n c o b re t o d o o re f e re n t e a o t e ma d a
normaiiva ortográfica. Por exemplo, com data 9 de Junho de 1993, o de-
prtte'Co Ci:'rticlio López Garricio eprcsentou no Parlamento Galego umha
"Proposigom nom de Lei" pcla que, de ser aceitada, se haveriam (tomar
as meciidas pertinentes para declarar nulc o Decreto 173/1982" e (<cons-
tituir ttmha Comissom Parlai¡entái-ia que investigue as violaqons de di-
reitos c iiberdacles, assi coino as irreg'_rlaridacles havidas na imposiEom
da citada norrnativa (ortográfica) e aprovagom de livros de texrc e mate-
rial clidáctico e as responsabilidacies nas que pucierern incorrer as Con-
selirarias d.e cultura e Educagom". Nunca mais se soubo...

138
5. Parece comc se o legislador na realidade pro-
cllrasse que os galegos, mormente na iclade
continuassernno desconhecimentoda sua história"r.ólur,
ou
polo menos da proposta reintegracionista para a es-
crita correcta do galego; talvez porque .r-iu nom se
concebe a Galiza e o galego como umha parcela da
cultura espanhola, nem necessariamente submetida
a esta.
com efeito, nom se imponhem as l{orrnas ILC-
-rLAG para serem usadas habitualmente nem sequer
no currículo escolar, senom .,exclusivamente> para
serern ensinadas. Di o art. 4." do Decreto:
oAs normas aprobadas polo presente Decreto
son de ensino obrigado en tódolos centros es-
colares de Galicia sobre os que teña ccmpeten-
cia a Comunidade Autónoma e exténdense a
tódalas áreas e actividadesr. (a negrita é nos-
sa).
A incongruéncia na redacAom deste art. 4." ha de
induzir, como está a suceder ja, a todo tipo de irre-
gularidacles, comportarnentos arbitrários e abuso de
poder, coas seqüelas de falta de seguranga jurídica
e de tratamento ciiscriminatório para os cidadaos.
Tentamos mostrar a seguir que a redacaom do
artigo é em particular confusa e incoerente:

- As Nornaas rLG-RAG, oficiali zadas polo Gover-


no de A.F., som de ensino obrigado, mas nom
exclusivo.
- As No¡:nas nom som de uso obrigado, nem se-
quer para áreas ou actividades que explicita-
mente se determinem nalgum texto legal (.r).

(39) Tirem-se ciaqui as conseqi-iéncias ajcita.las, sern temo¡- a autori.


da d e s contpetentes e oritras in s p e c g o n s :
l) i]asta com ensinar as Nornns ILG-RtlG, exclusivamente conto tema
de programa, para estar lta legalidacle.
2) Pcdem ensinar-se ou, polo menos, ciar rrctícia de olitras Norntas
ortogriiicas para o galego.

139
- Idoi¡ obsrantc, na úr¡ima p*rte do art.
-i." pa-
rece apontar-se alglrm tipo de exclusividade
ncr
seu ens;ino e de obrigatorieclade no seu Liso:
,,exiénden:iea tódalas áreas e activiciadesr.
Alc<m c1e imprecisa (,.áreas e actividades, abran-
ge as picpriarnente e:;cclares?; tainém as
crr-cuür_CS_
cclarr-'s
l; e ¿:s aciivici:iccs iias ApAs.. . ?), a r-e,Jacgom
do irrtigo é con ti'aclitrirra co conrexto
iurícicc eiri
GLtcu pi-eccito he c1eenieilcler_se:
a) segundc cls textos constitiicicnal e estatutá_
t'io, galego é de iivre utilizaqom polos cidadaos
_o es-
parihóis na Gaiiza de modo qn" ninguém pode
. ser
"disci:iniinacic por razón cle lu leng,a,, (E,statuto,
artículo 5.'). Ainda mais, a oXunta,, (ios poderes
Fil_
blicos) iem de adcptarr .,las med.idas oportunas para
que nadie sea discriminado por razón de la
lengua,,
(Lei cle Nor¡nalizagom, art. 3..).
b ) I'ias canclo urn cidadao, mestre ou estuclante,
qui:<ei' iivre¡¡eente usar o galego, vé-se obrigado
a
ernilregai' aquel que a <.Xunta>,impom, scb as res-
pcnsabiiidades que puclerern seguir-séconrra os trans-
gresscres. Isto é: os pode;:es púrblicos, que nom po-
dem ciscriminar por razom ¿u língua, -estám auto-
rizadcs a drscriminar por razoin ca oriografia? Norre
o enienCo. Cu talvez si...
2-" Surisdigoill q*e estar¡elecefil as tr,eis.
|'-
Flniencierncsqlre a oliunta cle Gaiiciar, clacc a ol--
cen¿imento iegat vigente, pc:jslii raui esca.ssa,,j:-lris-
ciiqcm,' p3.ra ncrmai izar suficientemente os rrscsi do
.talego. Pccieria. nom obstailte, reaiiz-ar rirnl;a ajeita-
da planificagom da iíngua, rnas sem conseqüéncias
prátic;,s ccllsidei:/,,',,eis,
seguncio e.ipiicerrrcs a scquii-.

i) r oc¿eni usar-:,e estas n ¿ a u la e f ó ra d e ia .


{\ N om par"í:ce razcável, p o ic q u (' q c d i in ie d ia t ¿ rmc n ie . q u e
-rj
a5 r"or.-
nias ILG-RAG sejan: d-: ilso cl.rrigado cancio pi-ofessorcs
ou r.snr-
d¿rnte's ciccid¡tm empregai' o gaiegá corno iíngua
cscriia ou ir,.i¿rr1:¡
ve:cular no Ceir.ii:o doceníe.

140
a. ( In ) corripeténcia juriclica efectiva.
Ja indicámos qlre a comuniciade Autónorna só é
competente em nla promoción y enseñanza cle la len-
gua gallega" com excil-rsiviclaci"e;
norn tern cle mod.o
explícito capacidace jr-rridicamente estabelecid.a pa-
ra oficializar lrlormas de escrita correcta.
Mas, a respeito da pro"otoqom e do ensino, qlle
cornpeténcia efectiva possui ? opinamcs eüe , sendo
a sujeigorn o correlato da cornpeténcia nom será
irrrpossível chegar a lrmha situagom comc a seguinte:
autcridade cornpetente
rnas sem sr,rieitcs ctas normas
{i ue dite a <<Xuntao
Ern virtude do poder qualificado, hetert-lnomo,ern
interes-sepírblico e non:] transferível, estabelecicLopc-
lo ordenamento legai vigente, a <Xunta>, é compe-
tente para criar regras (Leis, Decretos, actcs acimi-
nistrativcs...), sobre os usos co galego, quc obriguern
a inclivíduos que <<gczande 1¿rcon,lición pclítica cle
galle.goso(Estatuto, art. 3.".1.);mas pode sucecer qlle
ninreuérn seja sujeito cias mesffias, quer dizer, que
nen,surrrhapersoa ccm capacidade pare obral esteja
subrnetida, neste ámbito, á <xuntao segunclo as nor-
mas que clefinern o aica.ncematerial da ccmpeténcia
do Governc autonómico (no) .
Com efeitc, se c Estatutc Art. 5.".?-. e 4.), de acor-
do co art. 3.'.2. da consti.tuigorn, 'prescreve' que <<to-
clos tienen el derecho ce conocer (o gaiego) y usar-
loo e qlle
"nadie pcdrá ser discriminado por razón

i10) jr,siamos a inspir:rr-no.i enr A ROSS, Directives o,¡;:l fu'orn1se enl


G. FI. vorr IVRIGHT, Nornz ani Actiort. A Logical Inqtürv pubiicados por
RoLrtieclge and Keqan Paul, Lcndon, clcs q.r" hai tradugtm
espairhola.
A constituigom e o E stet u t o , n c a s p c c ro q , ! ie c o n s ic le r¿ rn c s ,
so m
rICrn|tts cle cotttpcténcla, quc enunciatn as concig-ons
necessírrias para o
exercício c1o pod.er. Tais condigons ciiviclem-se em tr3s gr-upos:
1) As que
prescrevern que persoa (ou persoas) e_stám qualificaclas
para realizai o
acto criador de regras; 2) as que picscreverr o proceclimenic
a seguir;
e 3) as que prescrevem o alcance previsível cia r"g.. criada,
a respeito
do sujeito, siiuagom e tema.

111
de Ia lenguáD,existe a probabiiidade nom tam reme-
ta de:
1) Que ningrrém queira fazer Llso do seu direitc-r
a conhecer o galego e a ernpregá-lo; e/or-r ta-
mém,
2) Que todcs se considerem discriminados pcr
razom da língua se os poderes públicos poten-
ciam *la utilización del gallego en todos los
órdenes de la vida pública, cultural e infor-
mativa> (Estatuto, art. 5.".3.).
b. Normas legais imperfeitas.
No Estudo crítico, da autoria da Comissom Lin-
güística da AGAL, analisa-se (nas pp. L9-22) a ,.efec-
tivid.ade" real das Normas ILC-RAG, que canto pres-
crigons, haveriam de ter, no suposto (na data da ela-
boragom do citado Estudo crítico) de que se preten-
dessem oficializar poio governo de Alianza Popular
na Galiza.
Promulgoll-se o Decreto de Nor¡nativizagom da
I-íngua Galega; e a Lei de Nor¡nalizagorn Lingüística,
recorrida poio governo de Madrid como inconstitu-
cional no ponto clecisivo que é o dever de conhecer
o galego. Publicárom-se o Decreto qr-re desenvoive
para o ensino a Lei de Normalizaqorn e a Ordem que,
á sua vez, desenvolve o Decreto. Analisárno-los no
apartado anterior e temos de concluir que som nor-
mas imperfeiüas nom só porque o seu incumprimen-
to nom acarreta nengumha sangom, explícita ou im-
plicitamente directa ou imediata, senom sobretodo
porque, além de poderem ficar sem sujeitos aos que
obriguem (ja o dixemos), nom som suficientemente
precisas nem na formulagom do terna nem na cleter-
minagom das ocasions em que se haveria de execu-
tar o disposto nelas.
1. Os sujeitos das normas legais citadas som, co-
mo se dixo, os galegos, quer dizer, olos ciudadanos
españoles que, de acuerdo con las leyes generales del
Estado, tengan vecindad administrativa en cualquie-

t42
ra de ios municipios cre Galiciao (Esiat*to,
art. 3.".r.).
Tcdos eles tenhern o direito de ,rru,
Llm ou os dous
idiomas oficiais na comunidade Ar-rtónoma,
o garego
e o castelhano, rnas unicamente o dever
cle conhecer
este. Daqr-ri que, em estrita e riterar interpretagom
do estabelecido na legalidade vigente,
nom se poda
impor a ninguém .r".,i no ensino nem fóra
der nem
o aprendizado do galego nenr o seu Llso.
Quer dizer, o ordenamento jurídico referente ao
galego pode ficar sem sujeito.
2. O terna do galego, da sua <normalizagom>
na
Gariza, é, nestas normas regais, sumamente gené-
rico e até vago, salvo na ordem de 23 de setembro
( que especifica a solicitude, tramitagom
e conces-
som ou, no seu caso, denegagom de exengons
do
estudo do galego) e nargurnha parte do
articurad.c
cios outros preceitos legais.
Mais bem, em co'junto tenhem de ser conside-
i'adas, a respeito dos usos do garego, normas
nom
prescritivas, senom permissivas, no sentido
forte de
permissc. Quer d,izer, a Lei d.e Normalizagom
e o
Decreto correspondente e, em certa medida,
o mes-
mo Decreto de NormativizaEom declaram que
se to-
1:ru los galegos utilizarem o idioma próprio da Ga-
Iiza. Para ccnsegui-lo:

a) ordenam que estes podam adquirir


a com-
peténcia ringüística ajeitada (Lei,
"1g.", art. 11.", 12.".1.,
14-o,15.'.1.,16.".1-,17.", 24..;'Decreto arts. 7.o,3.o,
4.", 6.") para actuarem-na canclo convinher
a cada
um ( Lei arts. 2.", 4.".l ., 6.".l .3.4.
, T.".3., 10.", 12." .Z.,
13.".2.3.,15.".2.,18.", 20.., 21.,, 22.", 23.",
25."; b_.r.to
art. 2.".3).
b) Proíbem a terceiros estorvarem
ou impedi-
rem os actos tolerados (Lei art. 3.", 6.".2.,
7.".r.2:,B.o,
9'", 13'".1.,16-".2.),ainda que tendo
sempre diante
aquilo de que ninguém poderá ser
cliscriminado por
razom da língua (Lei art. 3.o, 4.".2.,
5.o, 6.,.2., 2.".I.2.,
15...3.).

r43
L'jC :rlismc nrüLio lel-í:rn:o:; cc eiliu--ncer
-i
o tegna c10
Decre lo ¡1: luci-n:,i iii'i;rr.-q:c;iir:i.il;m
riescre i,e eir nc jr_
glllll mr:inen f o, .senün] sé para
c ensino, o tipo de
Llsc qlle se h¿r cie iazei" cias Fior¡nas
ILG-R{G e rnr_
n c l s a i n c l a a s o ca sicn s Ce u sc.
ccr-licrio, ciisi;;.rgr-rinos cicr,rs grlrilcs de tL-ines
ou-
Ce co¡iiiclcs nes ias itrJi:itti-ls leg:ri :

1.") IJnr é tc¡canre aos ¡.'sos. Descreven-l-se (qua-


: t r ) s e f i i p L e c r Jn io a ctcs á ii' r e o lr q cír d o s sul ei i cs.
u'ic"rneiiie o caso clc funcio':iric qr,-, nr
:idi:iinisrrativa. fcsse ;-equer-icic a utitizar ^.;.i;q;; o g._ilégo,
l-naiece sel: Lr e--icepqolll: T'¿lii-ez está obr.iga.,lo a (]in_
Irl 'cíi i i I', i -1 o i e SciiiO, O .falCgO.
Por ouii'c laic, o lii'r.5.'cra Lei pre.sci-e.?,¿ ¿r pll-
blic:r';cm biiíngiie dcs docui-¡e'tos ciicj:ris da
Acii-ni-
nis traqom PúrbircaGalega. pccieria discr-rtir"-se a jrer_
tir:éncia de ta1 acto (pr-iblicar em bilingi-ie lto Dia¡.lo
sliciai ce Galicia: é a literalidace do
,rJreceito)lrara
ccnsiderá-lo nos u.3os ( progressivos .1; ga-lego.&f en-
)
guill á pai'te fe c3 0 preceptuacc no ari. 1ti.'.1.:
'',e
.,cs tcpóni incs cie Ga:licia teráil corno ú'ica
íol'ma c¡icial a gaiegar.
A'ias o rnelhor ccr¡ent árir¡ a este texto é c reccihido
na ncta (33).Q*e cada um tii'e as conclusons qr-ie
lhe
ilrl'eg¿r-nloportunas; nós opinamos qlle este l1lesmc
pr"eceito ( sem dúr,ida interpretad.o mui
sui generis
pcia ccmisión ce Toponirnia: cal é o "g;i-go,
nol.ne
carvaxlao olr carbailo, &&erg!aou i1..,Irr-*<ía,...
?) é i,ais
qLie inclicativo c1a sit-,iaEcm clepenciente d
a Gai¡za.. "
2.") c outro grllpo cle ternas é o referente ao
apr*rcizado da língla. Esie imporn-se coirro obrig
ató-
ric no ensino nom *nil'ersitá.rlic ( Lei art.
14."
.r.) e
nas E scolas universitárias e centros de
Formagonr
do Fi'ofessorado (ari. 3,2.".1). NIcm insistimos sobre o
ja erposio no apartadc auterior.
3. A ocasioila ou situagom em que
estas nc'ras
legais ham de apricar-se (quer dizei,
oba-igaln a usar
o galego) nelas noin ficá deterrnínacla,-
salr,o nos
r44
cont¿:clis'r:cs crsos sin;rledos ern 2. Ter-na,nem co-
rflo ciasse cerraca nein ccn:rc ciasse aberia cle siiua-
Q On S .
salientarernos qlle se especificam em toclc caso
com rnaior detengoin as ocasions cle aprenclizado e
rloirl as de uso pt)io q Lie respeita ¿r proceci ilento e
lTlesmo a prazcs.
ldeste pontc, valei'ia a pena ccnparar os usos do
galego, especificacos clr noffi, rnas contempradcs na
normativa iegal vigente, cos usos do castelhano, em
ccndigons semelhanies e refericlos só á Gaiiza. NIos
feitos o deven de aprender a língua oficial do Esta-
do continua-se em dever ( só moral ou social?) de
usá-la en'l calquer oca-siom. Decerto, é rnandato na
grance rnaioiia das ocasions norn explícito, mas
obrigaclo pola fcrqa clcs hábitos, imutacios e a este
passo irnlrtál''^is, cri.ici,¡s prla nlesr:na organiz¿rgom
do E,stado: Di-'io-seje ccm sabecioria que todo este-
va atadc e i;ern aiaclc...
b) A. procura ca igr:aiCaCe iEnorada. . . i'
l{o comego deste icartaclc 22.2. lembrá_1,/anios os
direitcs fundamentais recolhiciosna constituiqom de
1978 e atingintes de aLgum r¡.occ aos usos da lín-
gua. Da só leitr-rra-dcs rnesnos ficaria clar-o qlre na
Galiza a igualcia"dede incivích,rcs e grupcs e a sua
capacidade de viver trivremente ern galego ficam re-
dlrzicas e coin fre.qiiéncia deinais anuladas. E nom
só na Galiza; Er-rsiiádie caiair-rnha paclecem a rnes-
ma experiéncia...
i.iom resultará estranho, pcis, que bastantes cida-
daos do E,stacc conrempien ccnlc única saída ho-
nor'ável o reconhecimenio efectivo dos clireitos fun-
damentais das perscas e clos grupos. Tal é o sentido
cio manifesto de Lun grllpc de bascos, cataláns e ga-
legos, que durante os ciias 2,3,4, s e 6 de Julho des-
te ano 1983 se ocupárom seriamente em pamplona
da situaEom conflitiva em que se acham as ,érp..-
tívas ccmunidades lingüísticás dentro do Estado es-
panhoi (e fóra del). Reproduzimo-lo a seguir:

145
DECI-ARACGRI DE PAn/"qFLClrI¡\

Basccs, cataláns e galegos,profissicnais das Cién-


cias Scciais, da Didáctica e dos Meics de Cornunica-
Eom, e membros cle Crupos de prornogom cívicat,
activos na investigaqrorit,disci-rssome transformagcm
das condigons do uso lingüístico, reunimo-nos em
Irttinea para compartirmos erperiéncias e achados:

CONSTATAMOS:

1. Nos últimos vinte anos surgírom nos il.cssos


países movimentos populares de clarificagom e cons-
irugcm qlle tenhem respondido a umhas situagons
inveteradas de flagrante clesigualdade social er¡Ére as
nossas cornunidades lingüísticas e outra, em cujo seio
se instituiu urrt Estado qlle impuxo sirnuitaneamen-
te umira hier"arqr-riapolítica e umha hegemonia idio-
mática.
2. A descomposiqom da ditadura franqr-rista fixo
esperar un:ha oportunidade histórica em qlle a livre
discussom pr"oporia, naturalmente, questons de in-
teresse público que foram deslealmente escamotea-
das até entom. Umha clas mais filndainentais era
decerto a das relagons entre as coinuniclades lingi-iís-
tica destas partes de Er-rropa. Parecia seguro que
caiquer dernocratizagcm i.mplicaria necessariarnente
a revisorn das regras do jogo antenior e a reparagorn
de abusos, corrupgons e injustigas.
3. As aspiragons legítimas, a boa fé popuiar e os
esforgos e sofrjmento acurnulados e.-<igiamde vez
umha revisom radical da situaEom estabelecida e -<l
instauragom de umha ordem democrática sincera e
efectir,'a que abrisse a tcdos urn futuro cle igllaldade
e clige-rictade,cie:rtrc cla melhor tradigorn elrropeia-.
Sarcasticannente, esses expectativas fórom burladas,
furtanclo sistematicar¡en'te o processo políticc de de-
cla::agom e organizaEcm da igr-raldad-e. Temos visto
que umha Constituigom que proclama geirericairlen-
te a liberdade e a igualdade democrática nos arti-

r46
gos 1.o, 14.", 149.".1.1.".
(entre outros) as esnaquiza e
avilta especificamente no artigo 3.", em que ó Esta-
do cita polo seu nome o único id.ioma que ampara
e
impom como oficiai, mentres que reiega á iniefini-
gom e indefensom .,las demás lenguas españolaso. o
contraste entre o idiorna enfaticarnente proclamado
€ os idiomas vergonhentarnente inominávéis noirr fai
senom declarar coa sliprema hierarquia ideológica e
legal as regras fundarnentais da cieJigualdade
!r."r-
tabelecida. o escándalo é que se tentJ legitimar assi,
com rnodos dernocráticos, um princípio radicalmen-
te antidemocrático, e que se apresente corno solugom
inovadora a discriminaqcrn mesrna que constituía o
problerna inveterado. por poucas palavras: Fecha-se
em circulo vicioso o futuro que se tentava abrir.
4. Esta situagom, portanto, tem a mesma coe_
réncia e inércia da situagorn anterior, segundo obser-
vamos nas noi:mas legais e ciecisons administr.ativas
a todos os nivéis, ditadas num marco que consagra
a hegemonia inquestionável cle único idioma oficial
do E,stado e correlativamente centrifuga, bloqueia e
degrada idiomas eLrropeLlsnomeados catalám, bur.o
e galego. E,ncaixai' arbitrariamente as relagons en-
tre as comunidades lingüísticas clestaspartes de Eu_
ropa dentro do esquerna hierárquico nEstad.o sobera-
no / regions autónomas> é negár de raiz o princípicl
mesmo da igualdade democr ática. Esta legalizagom
do abuso contrasta ominosamente coa legalizagorrr
dos direitos das comunidades lingüísticas J* países
como Bélgica, suíga e Jugoslávia, ond.e conflitós lin-
güísticos parecidos acs nossos fórom tratad.os
e di-
rimidos livre, leal e democraticamente.
5. Efeito da centrifugagom e prova da coeréncia
global do sistema é que os idiomas
regionalizados e
desintegrados por um Estado que persiste
e,,r nom
os reconhecer como iguais soi-n *u.gi.rados
e abaixa_
cÍos dentro d.os pr'óprios territórios. Agora
como an-
tes (e de facto mais que nunca) é singelamente
possível viver corfl nor¡naliclade e dignldaoe im-
efil ga-
Iego, em basco e e{n catalám. .A,desigualdade
é hoje

147
mais g!:ande clo que l]ullca ja qree se tenhern acelena'
Co os processos de eli:¡rinaqsni e Se tern claiisurado
for¡'¡aalnae¡rte o acesso a urrl fuüuro ¡:lais justo.

COhICLTJIMOS:

assi a llm atoleiro oncie Vemos


a" Lel,ctLt-se-nos
corTlc a inccnsciéncia e a irrespcnsabilidacle triunfan-
tes descalificam e afogarn as vozes qlle conceberam
e proplixeram aliei'nativas e denunciarain a inexorá-
vel red uqcm ac absurdo. Nurn conterto em que se
clam publicamenie por dissolr'iciosos probiemas que
tinham d e Ser reconheciCose tratados, a nossa res-
pcnsabiiidacle persoal, prof isslonal e cíi'ica obriga-
-nos a acencier umha modesta htz para fazer visível
a desolacla cbscuriCade.
b. A impo téncia actuaL prova o esgotainento final
do velhc discurso. Crernos clue sinala¡ esse feito tern
de Ser o coi11eggde Llln novo cliscurso qlie entrete-
qa e dinámica da investigacom, as ideias, &s atitu-
des e as práiicas lingüístic¿rsquotidianas' Sa'b:mcs
que o pensarnento, a acgollt e organizagcm so.Tl lllil-
tuarnente nscessários e estirnulantes. tr, qllererrics
seja L1111
{ille esta Ceciaraqom qrie fazcin'.;s púbiica
chamapenio ao ii:abaiho cclectivo Ce ciariflcaqcn-] e
colrsrrliqolx qlle é, hoje como s31Ttpre,o írnicc re-
curso ef:.caze a única esperanqa aberta.
Poio honoi' de EuroPa! (+r)

l''1''
( .11) Firi:ranr a D,?t'i¿ ; rit c o ¡rtd C ? L ! ¡it p o L t iGL iu í s v . A ra c il, J gs ó
( -f'xiiliri-
Sán.:hcz C¡,i,-ión, S¿ri:l"liric Aictl: n, .íui;ó i-. Ai';:lr¡z Enpar:rtlz:r
d e g i) , K ike A niinarriz, A n t o n i A rt ig u e s , E s ih e r B o n e t , I ñ a k i L a rr a ñ a g a ,
Teiesa l,,{arb), Kcntxcsi Pcclroarcna, An'conina Tugcres, António Gil Hcr-
ná n clcz, eic. Foi ¡:;Lrbiicacla c il 3 9 , S c g ¡c , E g , i: t , A l* I o s a T e rra , c t c .
E,m Lleida, durante os d ia s 2 9 , 3 0 e 3 i d c Cu t u b ro e 1 d e No v e m b r o
deste ano 1933, ccniinuárolri-se as Jornaclas de Sociolingiiísias de Pam-
pLona. Deias surgírom e nadurecérom o projecio cle associagom interna-
ciol¿rl galega, l-.asca c celal.i (inicialmcnic) c os prcper:tti.'-os de utnh¿l
oConferéncia Internacional de Língr-ras errl siluagom aminoi'ada".
A seguinte reuniom de Sccioiingüístas terá lugar na Galiza, durante
o m és de margo.

148
3. A MODO DE CGNCLUSONS.

Prevé-se, ccm qltase total seguranca, que nem os


poderes públicos co E,stado,como a .,Xunta>>e o par-
lamento, nem as autoridades académicas e culturais,
como a unil'ersidade ou o
"consello da cultura Ga-
legar, levarám adiante a normalizaqom dos usos do
galego.
Estas previscns induzem-nos a concluir com umha
chamada á colaboraEom. Nom podernos perrnitir-nos
o luxo (nem menos ainda a luxúria) de iuitar entre
nós, cs qlte tentarnos que na nagom galega se pocla
viver ern galego. O processo que entre todos, nom
com unanimidades, senom com esforqo decidido, te-
mos de percorrer é laborioso; e, antes de mais na-
da, cumpre fazermos a pianificagom da língua, ajei-
tada, que procure a normalizaEom da scciedade ga-
lega, da sua língua e cultura.
Para a planificaQom do galego alcanqar os seus
objectivos tenhem ce cumprir-se certas condigons
que, quase na sua totalidade, se adscrevem ás di-
mensons política e sociatr,segundo ficárom tratadas.
Quixéramos que a nossa propcsta pud.essesen,ir
como base de discussom e preanúncio do caminho
por andar. De nengum mcdo pensamos que deva to-
mar-Se CoiTto ..scluq:om, e menos ainda definitiva.
Propomos, portanto, as seguintes

Condigons para a planificagorn da língua.


|-Iom ousaríamos considerá-las condiqons indis-
pensáveis; contodo, julgamos que a falta de algumha
delas acarretaria graves dificuldades no processo de
planificaEom e conseguinte normalizaEom da língua
na Galiza:

a. Existe conftrito tringüístico.


A exis'iénciada situaEom confritiva por razom da
língua ou, com mais propriecade, a conciéncia de
que tal conflito existe e de que existe com um aican-

149
ce ctreterminaco,é a priineira das ccndiEons para
planificar e normalizar os usos do galego.
l.lem é conflito (ortográfico" nern deriva do re-
curso de inconstitucionalidade contra unha Lei do
Parlamento galego. E, anterior e muito mais grave e
extenso corno ficou clito.
Mal se porle empreencLera normalizaqorn cia lín-
gua se sincerameiite se afirrna:

uNeste momento qllerc suliñar que no terreo


lingüístico, en Galicia, non existe confiictivida-
de aigunha ( ) E,n Galicia conviven perfecta-
me¡rte o galego e o casteián. Cs dous son idio-
ffIas oficiais da comunidade, e entendemos que
os dous deben ser estudados polos escolares,'
( Faro de Vigo, sexta feira, 7 de Outr-rbro cle
1983: Entrevista co Dr. Fernández Albor, pre-
sidente da <.Xunta> ) .

b. F{ai vontade decidida de mudar a situacom


conflitiva.
A segunda condigom é que haja vontad.e, social e
política, para influir na situagom actual (conflicti-
va) de maneira que desaparega oll, mais aclequada-
mente, que mude a umha situaEom noÍr conflitiva.

c. Curnpre fazer projectos, diferenciados e rea-


Iistas.
supostas a coi:ciéncia de conflito e a vontacle de
mudar a situaqom na que se dá, cumpre estabelecer
proj ectos diferenciados ( haverá cliferentes valora-
gons do conflito) que tenham ccrno objectivo a nor-
malizagom dos u.sos do galego. Se a normalizagom
tem de ser efectiva e conforme coa realiclad.e,os pi-o-
jectos que se proponham serám tamém realistas e
virtualmente eficazes.
Dous tipos de projectos cumprem estes requisi-
tos: 1) O que prevé a substituigom do galego pola
Iíngua oficial do Estado. o conilito sem clúvida desa-

150
parece porqlle desaparece urnha das parte s cla l¡-rita
dos falantes e nos falantes; elimina-se o gatego. 2) O
que instaura o galego como língrra oficial única da
Galiza. Nete suposto implica-se a mudanEa dos há-
bitos lingüísticos vigentes na conduta dos cidadaos
galegos.
Nom cabe umha ierceira via: O bilingiiísmc, por
mui equilibrado q.ue se pretenda, será sempi-e dese-
quilibrado a favor da língua do mais fcrte. Conhe-
ce-se bem qlre na Galiza o mais forte nom é o (po-
dero galego, senom o poder clo Estado; este (nom o
esqLlegamcs ) expressa-seem espanhol.
Haverá decerto quem creia possível ou goste de
alcangar o "bilingüísmo equilibrado" (na Galiza!;
nom em Nladrid); mas nem as crenqas nem os gos-
tos som sempre razoáveis. Opinamos, porém, razoa'
r¡elrnente que com muita dificuldade, tanta que se-
rá impossibilidade, se permitirá a igualdade plena
nos usos de galego e castelhano: Parte-se da sua si-
tuaEom desigualitária; sustenta-se, como vimos, cri-
térios desigualitários a. respeito dos usos lingüís ti-
cos e, portanto, privilegiam-se os usos da língua ofi-
cial a custo dos da língr,ra própria da Galiza. Com
estes supostos, alcangará-seo nbilingüísmc equitribra-
do, ?

d. Tem de eval'dar-se cada u.rn dos projectos.

,4,evaluagom de cada umha das propostas norma-


lizadoras ou, mais bern, dos projectos de planifica-
qom depende dos seguintes f actores: 1) De que se
valore, positiva ou negativamente, o estado actual
dos usos do galego, polo menos, nas dimensons lin-
güística, social e política. 2) De que se estabelegam
objectivos ideais, desejáveis e atingí','eis, tamém nas
dimensons anotadas. 3) De que se julgue o próprio
processo, a passage da situagom actual á ideal, mas
como realizável nas circunstáncias presentes.

151
e. I{a de optar-se por u¡?l dos projecfos.
A opgom que se fag;r por uuiha das pr"opostasse-
rá conseqiiéncia lógica clo rnc¡inento antei'ioi', isto é,
de as evaluar. Contr-,do,a e'*raluagome a c1ecisolll,que
ja se está¡n a execniar, obeciecem a motivaqons po-
Iíticas e ideológicas mais do que a posicionamentos
" cientíiicos o ou <teóricoso fundados na Lins-iiística
estrita.
De feito, ccrno \.ii:ros, b:iralham-se cpinions sobre
o saiego e cs seus uscri, baseaCasein preccnceitcs
conic (nol-i-lse pcde de cutra maneiran, ,ré necessá-
rir¡ ec'tu¿ri'assir, ..(agente ncm está preparaaLa,r,(esse
caminirc leva-ncs á pcrtugi-resizacomo,etc.
ItJom obstante, perece mais racional opiar por
urnha cu outra propc-rta despois de anaiisar a fundo
as ciuas e, inclusive, expet'irnentá-lascom objectivi-
dade e imparcialidade. A opgorn {é certo) nom será
unánime; sempre caberá rnatizarem, Llns e outros,
o projecto elegico. &'{as da discussom livre e sosse-
gaCa no seic da socieCad-egalega surgirá urn projec-
to de norrnalizaEom colectivo, factível no seu con-
jr-rnio e.assumívei pola grancle maioria.
Está a suceder, desgraqadarnente,todo o contrá-
rio: |dem se opta pcr critérics de racionalidade e ob-
jectividade nem se escclhe um projecto aglutinador,
senoln ( parece polos feitos ) deciCidarnente agudizc*
dor de parciaiiCaCes e exclusons e, em últirno ter-
mo, do próprio conflito.
f. Llrge a insÉrurneílta,gcra legal adequada.
No fr-rnCoda quesiom acha-se umha só realidade
triste e insoiente: Cs que poderiam (?) pór ern mo-
vimento o processo normalizador do galego ncm
querem que se faga a planiiicagom da lÍngua ou,
talvez, nom disponhem de rneios ajeitados para fa-
zé-Ia com garantias mínimas de éxito.
A situaEom agrava-se mais cada dia. O marco le-
gal, a presom social e os correlativos comportamen-
tcs e fins pclíticos estám a favorecer o uso exclusivo

152
cio crstelhano: i ) ;\ co:r:itiir-riqcme ü Est:rruic .le
Ar,iicncmia nJrn pe rin !ir:l¡l crutra colls¿l.Z) A socie-
c,a.-legalega ncnr e:<ige(pci'qr-rencm cré necessária?)
a noi-i-naiizagorndo gaicgo. 3 ) Em corresponcéncia"
cs pai:ticlosdcrninan[es, Alianza Fcptriar, ocbntristas,r,
Partido socialista obrero Españcl, som escassamen-
te galegos, talvez pcr umha só razom, poique a (pru-
céncia" ncs usos do gaiego lhes garante a conser-
vaQom oli a conquista dos iugares hegernónicos ,ca
política (estatal!) na Gaiiza.

153
7

ApCndice

'Amaneira
dexustificación"
"Pescudas
o remata-los
encontros"
:. 5?!:
4 F.'-?+'L

loixifrjil@Jr jrR@.s
42tfL@'2@ixi(D.S -ltdltÉá<¿::
A M,ANEIRA DE XUSTIFICACION

Entre as moitas fallas que se dan na nosa terra,


unha delas é a dos poucos medios de promoción
pedagóxica.Conscientesdelo, tres entidades que vi-
mos xa colaborando dende hai tempo nos eidos do
ensino (Colexio Público LABACA, Fundación LABA-
CA e Asociación Católica de Mestres) na cidade de
A Corr-rña,fixemo-lo compromiso de organizar tG
dolos anos uns encontros pedagóxic<¡sgue chama-
mos ENCONTROS LABACA.
Así pois os días 3,4 e 5 de Xuño do ano 19E3
inauguráronse estes primeiros encontros que tra-
taron o tema: ¿QUE GALEGO NA ESCOLA?
Durante eses días máis dun cento de profesio-
nais do ensino en Galicia conviviron nun clima de
familiaridade no marco que lles ofreceu o Colexio
LABACA.
Don Alfonso Barca Lozano, profesor de Psico-
loxía da Universidade de Compostela, presentou a
primeira ponencia:
"Fundamentos psicolóxicos do
bilingüismo: Proceso cognoscitivo. Diglosia e edu-
caciónr.
A.G.A.L. presentou a tres conferenciantes: Don
Antonio Gil Hernández, Profesor do Colexio Uni-
versitario de A Coruña, D. Joam C. Rábade Castin-
heiras, Catedrático de galego e D.u María das Dores
Arribe Dopico, autora de libros de texto. Os tres
defenderon a tese reintegracionista baixo o título
xenérico: ,.A escrita formalizada para o galego,'.
uO acordo ortográfico e morfolóxico de 1982. En-
tre a utopía fonetista e as heterografías lusistas
''
foi a tese defendida polo Catedrático D. Xesús Fe-
rro Ruibal.
Dona Paz Lamela, Directora Xeral do Ensino da
Lingua Galegaclausurou os Encontros dirixindo un
breve discurso, que reproducimos ó comenzo do li-
bro, oo que, entre outras cousas dixo: ..Dcbemos
falar, ler e escribir a nosa lingua, unha lingua cul-
ta, unificada, que poida ser empregada como lin-
gua en tódolos niveis".
A calidade e dignidade dos traballos consider'á-
mola merecente de darlle espallamento e qlle, des-
te xeito, fosen coñecidos polo meirande número de
persoas. Velaí a razón do libro.
Escollimo-lo tema: ¿QUE GALEGO \IA ESCO-
LA? pola necesidadeque tiñamos de escoita-lasco-
rrentes maioritarias ou minoritarias que defenden
ou rexeitan unha ou otra forma de escrita e de fo-
nética da nosa lingua. Porque do diálogo pcde saír
a luz. Porque estamos desexososde que u noru fa-
la e a nosa escrita remate coas loitas e camiñemos
cara ó futuro, unidos e non espallados. Porque
aínda temos fe e esperanzana nosa Galicia.
Este traballo qlle agora se vos amosa, está feito
co corazón e coa cabeza. Co corazón e coa cabeza
duns galegos bos e xenerosos.NIon desexamosque
quede en principio e fin. Cada ano faremo-los nosos
encontros LABACA e publicaremo-lo que aquí se
faga, un grao de millo máis para amasa-lo pan do
noso forno.
A Coruña Xuño do 83. O comité organizadar:
M." Luísa Balado (Secretaria da A.C. de Nlestres),
Manuel Espiña (Presidente da Fundación Labaca),
Santiago Fernández (Director do Colexio Labaca) e
Luis Vence (Secretario do C. Labaca).
PESCUDAS O REMATA.LCS EI{CCI{TROS

O último día destes Encontros, fixéronseiles Lln-


has preguntas por escrito a tódolos cursillistas, qi-le
entre outras cousas respostaron o seguinte:
Á pregunta: .,A túra postura ante a tese clo ge-
iego reiniegraCoo, o 12 gb Cefendeu a postura rein-
t e g r a c ionista.
lin 2 Q,ia"poiabae tese máis moderad¡rmenie.
Á pregunta: oA túa pcstura ante a tese do gale-
go of icial", o 80 0,'aestaba iotalrnenie cie accrCo
coas ncrroas morfoló;<icas e sintácttcas do iclioma
galego establecidas polo trnstitutc cia lingua e pc-
Iteal Acaclemia Galega.
Un 6 a,'orestante apoiaba a tese cficial pero re-
,u;eitabao rnétodo ita forma , xa que non se conrcll
na súa preparacién cas opinións dos reintegi"acio-
nistas.
Estas pescudas foron feitas a T5 cursiliistas.

31i