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Universidade de São Paulo

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas

O amadurecimento da literatura de Machado de Assis visto


através da comparação entre Iaiá Garcia e Memórias póstumas de
Brás Cubas

Mateus Silva Albino de Oliveira


Nº USP: 8023699
A obra de Machado de Assis, como muitos críticos já afirmaram, pode ser
dividida em duas fases, a primeira apresentando um Machado ainda possuidor de
alguns traços românticos, porém, já com forte consciência do mecanismo social da
época, as obras dessa fase mostram uma dualidade, como Alfredo Bosi diz em seu
texto, “A máscara e a fenda”, “obras de intersecção de dois lugares comuns: o do
velho romantismo idealista e o do novo realismo utilitário” (Alfredo Bosi, 1982). Na
primeira fase, a narrativa acompanha o que o próprio Machado afirma ser um dos
principais elementos do romance brasileiro da época, “a pintura dos costumes”
(Machado de Assis, 1994), além de ainda ser linear e cronológica, as histórias são
contadas de maneira tradicional. Já na segunda fase, a narrativa é mais madura,
fortemente pessimista e irônica e altamente crítica da aristocracia da época, ela é
composta de idas e vindas temporais, intercaladas, muitas vezes, por reflexões dos
narradores. Demonstra um profundo trabalho na questão formal e na construção dos
narradores dos romances. No texto “Acumulação literária e nação periférica” Roberto
Schwarz afirma:
“O tipo social do proprietário, antes tratado como assunto entre outros e como
origem de ultrajes variados, passava agora à posição (fidedigna?) de narrador. Ou, por
outra, as condutas reprováveis (mas não reprovadas) do primeiro reapareciam
transformadas em procedimento narrativo (...) digamos que a volubilidade narrativa
confere a generalidade da forma...” (Roberto Schwarz. Um mestre na periferia do
capitalismo. São Paulo: Editora 34, 2000, p.142.)

Essas diferenças da maturidade da obra de Machado podem ser observadas através da


comparação de aspectos de um romance da primeira fase com os de um romance da
segunda fase, no caso deste trabalho serão analisas cenas nas quais protagonizam dois
personagens, Jorge, o romântico filho de Valéria do romance Iaiá Garcia, obra
pertencente à primeira fase machadiana, e o narrador-personagem de Memórias
Póstumas de Brás Cubas, romance da segunda fase e que marca a transição na
carreira literária do autor. A comparação pretende esclarecer como o autor constrói a
narrativa, em sua fase mais madura, revelando o pessimismo, a ironia e o trabalho
formal e crítico a respeito do comportamento e da ideologia dos personagens.
Em Iaiá Garcia, e em outros romances da primeira fase, Machado se utiliza
dos sistemas familiar e social brasileiros para construir a narrativa, o romance é, de
certa forma um retrato socioeconômico da época, Roberto Schwarz, no texto
“Generalidades” diz, “o denominador comum dos quatro livros (os quatro romances
da primeira fase machadiana) é a afirmação enfática da conformidade social, moral e
familiar, que orienta a reflexão sobre os destinos individuais” (Roberto Schwarz,
2000). Nessa fase a crítica machadiana não aparece claramente, a narrativa pende
mais para o lado da caracterização social.
Já nos livros da segunda fase do autor, a narrativa é melhor trabalhada
formalmente, em Memórias Póstumas o escritor consegue trazer para a narrativa o
aspecto volúvel presente no narrador das memórias, no mesmo texto de Schwarz, o
autor afirma que “Machado montava um dispositivo literário mais chegado à nossa
realidade” (Roberto Schwarz, 2000). Isso, juntamente com ironia e pessimismo,
forma uma forte crítica social que ataca a aristocracia brasileira da época, os seus
costumes, práticas e ideologias.
O personagem de Iaiá Garcia, Jorge, é um herdeiro do patriarcalismo,
pertencente a família abastada, está na posição de benfeitor considerando-se a
estrutura do favor. Ele se mostra um personagem volúvel e apaixonado, age muitas
vezes por impulso, realizando vontades imediatas. A primeira grande demonstração
do impulso romântico presente nesse personagem é quando ele, não podendo levar
adiante seu amor com Estela, vai lutar na Guerra do Paraguai, como forma de mostrar
o valor de seu amor, o quanto ele se sacrificaria por aquele romance. Porém, tendo
sido rejeitado, Jorge se aproxima de Iaiá e se distancia do primeiro amor, Estela diz,
nos momentos finais do romance, extremamente desapontada com os rumos que a
paixão entre ela e Jorge tomou, “essa paixão violenta e extraordinária acaba às portas
de um simples namoro, entre duas xícaras de chá...” (Machado de Assis, 1994)
lamentando a veleidade do homem que amara. Jorge não possui as rédeas de seu
destino, ele não é o personagem que direciona o romance, como o faz Iaiá, o jovem é
levado, sem controle da situação, para onde os acontecimentos o encaminham.
Da mesma maneira, Brás Cubas é um sujeito rico, que não precisa trabalhar
para sobreviver. Ele também se mostra extremamente volúvel, sua vida é uma série de
planos e tentativas mal sucedidas de alcançar algum sucesso, o personagem tenta,
desde inventar um “medicamento sublime, um emplasto anti-hipocondríaco”
(Machado de Assis, 1994) até escrever um jornal oposicionista e entrar para o
ministério. A diferença entre os dois personagens é que, no romance da primeira fase
machadiana, Jorge é caracterizado de forma mais romântica, mais idealizada, ele não
é, como acontece com Brás Cubas completamente banal e vulgar, que busca apenas a
autopromoção social. Jorge ainda se apresenta como um sujeito com valores e
sentimentos, até certo ponto, sinceros, apesar de se mostrarem efêmeros. Já o
personagem da segunda fase, possuiu alguns amores, mas nenhum que vingou, ele
jamais se casou ou teve filhos, e também não construiu uma carreira profissional
sólida em nenhuma área. Em meio a essa série de “fracassos” o leitor vai aos poucos
descobrindo o caráter (ou a falta do mesmo) nesse personagem, a partir de suas
próprias confissões ao longo da narrativa de sua vida, no texto “Uma desfaçatez de
classe” Roberto Schwarz comenta sobre as ações díspares de Brás e como elas afetam
a narrativa dizendo: “O revezamento das poses é sem transição, um exercício de
volubilidade, e o resultado literário depende da viveza e frequência dos contrastes.”
(Roberto Schwarz, 2000)

Tendo caracterizado os personagens e os romances aos quais eles pertencem,


pode-se agora partir para os trechos narrativos que ilustram o avanço crítico e formal
no romance da segunda fase de Machado. O primeiro excerto do romance Iaiá Garcia
é aquele em que Jorge, antes de ir para a Guerra do Paraguai, está se despedindo de
Luís Garcia e o narrador revela os pensamentos do jovem que parte.

“Dizendo isto, Jorge entrou a falar de suas esperanças e futuros. A imaginação


começava a dissipar a melancolia. Ele via já naquilo uma aventura romanesca e
misteriosa; sentia-se uma ressurreição de cavaleiro medievo, saindo a combater por
amor de sua dama, castelã opulenta e formosa que o esperaria na varanda gótica, com a
alma nos olhos e os olhos na ponte levadiça. A ideia da morte ou da mutilação não
vinha agitar-lhe ao rosto suas asas pálidas e sangrentas. O que ele tinha diante de si
eram os campos infinitos da esperança.” (Machado de Assis. Obra Completa, vol. I.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)

Percebe-se que o personagem apresenta vontades românticas, os elementos medievais


das histórias de cavalaria surgem em sua imaginação e compõem uma idealizada
visão a respeito da guerra, ele se vê como um cavaleiro que lutará por sua amada. Um
personagem como esse, na fase madura do escritor, apareceria ironicamente, como
uma piada da ideologia romântica, porém, no caso de Iaiá Garcia, o romanesco é
apenas um traço do personagem. Jorge se mostra, de certa forma, infantil ao deixar a
imaginação “dissipar a melancolia”, ele esquece que o verdadeiro motivo de estar
indo para a guerra é o preconceito que sua mãe, de uma classe mais privilegiada,
possui para com Estela, pertencente a uma classe mais pobre. Estela vivia na casa de
Valéria, era como uma dama de companhia, ela e seu pai eram beneficiados pela
estrutura do favor. Segundo Roberto Schwarz em “As ideias fora do lugar”,
“Esquematizando, pode-se dizer que a colonização produziu, com base no monopólio
da terra, três classes de população: o latifundiário, o escravo e o “homem livre”, na
verdade dependente. Entre os primeiros dois a relação é clara, é a multidão dos
terceiros que nos interessa. Nem proprietários nem proletários seu acesso à vida e a
seus bens depende materialmente do favor, indireto ou direto, de um grande.” (Roberto
Schwarz. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Editora 34, 2000, p.16.)

Para Valéria, o filho se casar com alguém dependente do favor, era uma vergonha, o
filho deveria se casar com uma mulher do mesmo nível social privilegiado que ele.
Ao invés do casamento com Estela, Valéria tinha outros planos para o filho,
no trecho seguinte, o narrador fala sobre o desejo que a mãe tem de Jorge se casar
com a jovem Eulália, uma parente distante da família. Esse trecho revela, tanto
aspectos da estrutura do social, como características românticas de Jorge.

“Era uma moça sem ilusões nem vaidades, talvez sem paixões, dotada de juízo reto e
coração simples, e sobre tudo isso uma beleza sem mácula e uma elegância sem
espavento. — Uma pérola! dizia Valéria quando insinuou ao filho a conveniência de
casar com Eulália. A pérola, entretanto, não parecia ansiosa de ornar a fronte de
ninguém. Quando Valéria fez as primeiras sondagens no coração da jovem parenta,
achou ali uma água tranquila, sem curso nem recurso de marés. Tratou de saber se
alguma brisa lhe roçara a asa, e descobriu que não; então chamou em seu auxílio o
siroco e o pampeiro. Não foi difícil a Eulália perceber os desejos da viúva, nem resistiu
quando chegou a entendê-la A razão disse-lhe que o casamento era aceitável; esperou.”
(Machado de Assis. Obra Completa, vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)

O casamento é tratado como um ato conveniente que trará benefícios para as famílias,
uma prática com fins exclusivamente sociais, sem nenhum sentimentalismo
envolvido. O narrador, ao descrever a possível pretendente de Jorge afirma que ela
não tem ilusões e que talvez não tenha também paixões, para ela o casamento é
aceitável, apenas, a jovem não apresenta grandes pretensões, ela concorda em casar
apenas por conta de um dever social, como uma típica moça da época. Revela-se
assim, uma cultura regida pelas relações sociais na qual o casamento não é nada além
de um mecanismo utilizado para o benefício familiar, mais que isso, é um mecanismo
muito importante, tanto que, como foi dito sobre o trecho anterior, a Valéria faz com
que o filho vá a guerra, simplesmente para que ele não efetivasse um casamento
indigno, aos olhos da mãe. Porém, o romântico Jorge não se mostra favorável a esse
casamento.

“Para conhecer exatamente o motivo da repulsa de Jorge em relação a uma moça, cujas
qualidades deviam tentar qualquer outro, convém não esquecer que essas qualidades
eram justamente as mais avessas à índole do filho de Valeria. Não bastava ser elegante
e bonita, discreta e mansa; era preciso alguma coisa mais, que exatamente
correspondesse à imaginação dele; faltava-lhe um grão de romanesco.” (Machado de
Assis. Obra Completa, vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)

Mais uma vez o lado romântico e imaginativo do jovem se mostra mais forte, o
casamento não lhe é desejado pois falta algo de sentimental, algo que carecia na
sociedade da época. Jorge aparece um tanto deslocado no romance, suas atitudes e
idealizações não parecem compatíveis com o ambiente social no qual a obra se
desenvolve.

Outro momento que ilustra a volubilidade de Jorge, é o período seguinte ao


retorno da Guerra do Paraguai, no qual Jorge fica, de certa forma, sem rumos a seguir,
ele faz alguns planos, viagens e obras literárias, mas acaba deixando todos de lado.

“Teve primeiro ideia de ir estabelecer-se em algum recanto silencioso e escuso no


interior; mas desistiu logo, cedendo à necessidade de ficar mais à mão de uma viagem
transatlântica, ideia a que aliás nunca deu princípio de execução. […] Estudava muito e
projetava ainda mais. Delineou várias obras durante algumas semanas. A primeira foi
uma história da guerra, que deixou por mão, desde que encarou de frente o monte de
documentos que teria de compulsar, e as numerosas datas que seria obrigado a coligir.
Veio depois um opúsculo sobre questões jurídicas e logo duas biografias de generais.
Tão depressa escrevia o título da obra como a punha de lado. O espírito sôfrego colhia
só as primícias da ideia, que aliás entrevia apenas. Uma vez, uma só vez, lembrou-se de
escrever um romance, que era nada menos que o seu próprio; ao cabo de algumas
páginas, reconheceu que a execução não correspondia ao pensamento, e que não saía
das efusões líricas e das proporções da anedota.” (Machado de Assis. Obra Completa,
vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.)

Suas ideias não se aprofundam e todas terminam sem se materializarem, lembrando o


que acontece também com os planos de Brás Cubas. De qualquer maneira, eram
objetivos de pouca importância para Jorge, já que ele nunca mais volta a considerá-
los.

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, também percebe-se no narrador-


personagem grande volubilidade romântica e impulsividade em seus atos. No entanto,
no caso do protagonista dessa obra mais madura de Machado, suas ações são tão
extremas e narradas de tal maneira que adquirem caráter cômico e até ridículo. Nos
capítulos em que é contado o breve romance com Marcela, por exemplo, após ser
mandado para Lisboa pelo pai, por estar gastando fortunas com a moça, surgem ideias
de suicídio na cabeça do jovem Cubas, porém são logo desconsideradas, “Confesso
que foi uma diversão excelente à tempestade do meu coração. Eu, que meditava ir ter
com a morte, não ousei fitá-la quando ela veio ter comigo.” (Machado de Assis,
1994). O narrador diz ter sido uma diversão excelente a tempestade, para alguém que
estava pensando na morte, não há oposto mais distante que o divertimento, o que leva
à conclusão de que nunca foi sincero o pensamento de suicídio do personagem, ele
mesmo zomba da própria falta de coragem quando diz que temeu quando a morte foi
ao seu encontro.

No trecho acima vê-se que, enquanto no romance da primeira fase, nas ações
de Jorge, não existia profundidade crítica nem ironia, em Memórias Póstumas,
Machado, na voz do próprio narrador, demonstra o ridículo dos sentimentos
impulsivos e efêmeros do mesmo. Outra parte da obra que revela, cômica e
criticamente, a volubilidade do protagonista, desta vez relacionada aos seus planos de
promoção social, são os capítulos que contam como a carreira política de Brás Cubas
acabou. Após o filósofo Quincas Borba ter lhe orientado, Brás faz um discurso na
câmara dos deputados, a fim de aumentar sua popularidade, porém o discurso é sobre
o tamanho da barretina da guarda nacional, um assunto sem importância nenhuma,
chega até a ser patético o fato desse assunto ser apresentado em um discurso na
câmara. Dois capítulos depois, o narrador informa, em um capítulo que literalmente
não diz nada, que não se tornou ministro, uma das ambições que o pai tinha para o
filho. O protagonista decide, então, abrir um jornal oposicionista, o qual em menos de
um ano também acaba.

“Há em cada empresa, afeição ou idade um ciclo inteiro da vida humana. O primeiro
número do meu jornal encheu-me a alma de uma vasta aurora, coroou-me de verduras,
restituiu-me a lepidez da mocidade. Seis meses depois batia a hora da velhice, e daí a
duas semanas a da morte, que foi clandestina, como a de D. Plácida. No dia em que o
jornal amanheceu morto, respirei como um homem que vem de longo caminho. De
modo que, se eu disser que a vida humana nutre de si mesma outras vidas, mais ou
menos efêmeras, como o corpo alimenta os seus parasitas, creio não dizer uma coisa
inteiramente absurda.” (Machado de Assis. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1994.)

Vê-se que um atrás do outro, os planos de Brás vão falhando, ele mesmo, no trecho
acima, afirma que a vida é, de certa forma, composta por “outras vidas, mais ou
menos efêmeras”. O que mostra alguma consciência da própria volubilidade que o
impede de efetivar seus planos.

Enquanto em Iaiá Garcia a narrativa é linear e cronológica, em Memórias


Póstumas percebe-se a volubilidade do protagonista se estendendo para a forma do
romance, isso pode ser observado em muitos capítulos nos quais, por exemplo, a
narrativa é interrompida para dar lugar a alguma reflexão do narrador, mesmo que
esta seja irrelevante. O capitulo XLVIII, começa da seguinte maneira: “– Sabe quem
chegou ontem de São Paulo? perguntou-me uma noite Luís Dutra.” (Machado de
Assis, 1994). Em seguida, o narrador fala sobre Luís, um primo de Virgília. O
capítulo termina e Brás engata uma teoria sobre a ponta do nariz, a qual lhe toma um
capítulo inteiro do livro, capítulo que julga o protagonista individualista. A narrativa
só será retomada no capítulo L, como se nunca tivesse sido interrompida, “– Quem
chegou de São Paulo foi minha prima Virgília, casada com o Lobo Neves, continuou
Luís Dutra.” (Machado de Assis, 1994).

Por fim, tratando da ideologia social da época, enquanto no romance da


primeira fase, ela era apenas uma característica cultural, no romance mais maduro, o
escritor a coloca em julgamento e mostra que o preconceito estava muito presente na
aristocracia da época para com as camadas menos privilegiadas da sociedade. Por
exemplo, no capítulo em que Cubas desiste de se casar com Eugênia, o motivo da
desistência, segundo o narrador, é que a moça era coxa, porém, no fundo, o problema
é ela não ser da mesma classe social que ele, ela está abaixo. Tanto que, no fim do
capítulo, o protagonista não consegue enunciar de maneira coerente as razões que o
levaram a desconsiderar o possível casamento, “Vinha dizendo a mim mesmo que era
justo obedecer a meu pai, que era conveniente abraçar a carreira política... que a
constituição... que a minha noiva... que o meu cavalo...” (Machado de Assis, 1994).

A partir de todos os trechos analisados, fica clara a evolução na literatura de


Machado, ela ganha força crítica, principalmente com a ironia machadiana, se
tornando, assim, mais importante socialmente. Ao se tornar mais madura, ela deixa de
ser apenas um retrato dos costumes da sociedade brasileira e sobe ao patamar de arte
crítica. Além disso, o trabalho na construção das obras da segunda fase faz com que
elas também melhorem muito formalmente. Vê-se a grande distancia entre segundo
Machado e as outras literaturas produzidas antes dele.
Bibliografia

Roberto Schwarz. Um mestre na periferia do capitalismo. São Paulo: Editora


34, 2000, p.142.

Roberto Schwarz. Ao vencedor as batatas. São Paulo: Editora 34, 2000,


p.16.

Alfredo Bosi. Machado de Assis: antologia e estudos. São Paulo: Ática,


1982.

Machado de Assis. Obra Completa, vol. I. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,


1994.

Machado de Assis. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.

Machado de Assis. “Notícia da atual literatura brasileira. Instinto de


nacionalidade”. In: Obra Completa, vol. III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.