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A HERANÇA DOS SANTIFICADOS

No ano de 2008, começamos em Curitiba, Paraná, um evento anual direcionado


especificamente a pastores e líderes, com o nome “Casa de Zadoque“. O evento nasceu e
foi denominado a partir da mensagem que eu compartilharei aqui. A essência desta
mensagem é a relação entre a conquista e a consagração. Ao instruir o profeta Ezequiel
sobre um novo Templo e sobre como deveria ser feita a distribuição da herança ao redor
do lugar de adoração (o novo Templo), o Senhor deu honra e herança especial aos que
Ele mesmo chamou de “sacerdotes santificados”.

Há uma herança especial, reservada aos ministros comprometidos com Deus. Através do
profeta Ezequiel, vemos o Senhor destacando uma linhagem sacerdotal que cumpriu o
seu dever e não se extraviou – os filhos de Zadoque:

“Será para os sacerdotes santificados, para os filhos de Zadoque, que cumpriram o seu
dever e não andaram errados, quando os filhos de Israel se extraviaram, como fizeram os
levitas.” (Ezequiel 48.11)

Tudo o que alcançamos em nosso relacionamento com Deus (e também no ministério)


está direta e proporcionalmente ligado à dimensão do nosso compromisso e entrega. A
nossa santificação determinará não apenas quão longe iremos e o quanto conquistaremos,
mas também o que conseguiremos manter e preservar depois dessas conquistas.

Os integrantes desta linhagem sacerdotal – os filhos de Zadoque – foram destacados por


Deus como “sacerdotes santificados” (poderíamos ainda chamá-los de “ministros
comprometidos” com o Senhor). Para compreendermos esta linhagem e o seu valor aos
olhos de Deus, é preciso retroceder muito no tempo desta narrativa bíblica para
entendermos um processo que teve início com a palavra de juízo que o Senhor
pronunciou contra a casa do sumo sacerdote Eli.

A PROMESSA DE UMA CASA FIRME

As Escrituras Sagradas nos revelam alguns princípios importantíssimos com relação à


maneira como Deus Se relaciona com os Seus ministros. Ao estabelecer um ministério, o
Senhor não apenas determina o que o mesmo deve fazer e como deve agir, mas também
deixa claro que um dia haverá uma prestação de contas e uma recompensa (boa ou não)
de tudo o que ele fez.

No entanto, alguns ministérios podem ser julgados pelo Senhor, até mesmo antes da
futura prestação de contas. O apóstolo Paulo declarou a Timóteo que há um juízo
imediato e um não-imediato:

“Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros só
mais tarde se manifestam” (1 Tm 5.24).
Ou seja, alguns pecados somente serão revelados e julgados no futuro, mas outros podem
ser revelados e julgados já. Foi exatamente o que aconteceu com o sumo sacerdote Eli.

Por causa dos seus contínuos pecados contra o Senhor (bem como de seus filhos), depois
de muita expressão da longanimidade de Deus (o que me parece óbvio pelo fato de Eli ter
chegado à velhice), o Altíssimo, por meio de um profeta, declarou uma dura palavra de
juízo contra Eli:

“Veio um homem de Deus a Eli e lhe disse: Assim diz o Senhor: Não me manifestei, na
verdade, à casa de teu pai, estando os israelitas ainda no Egito, na casa de Faraó? Eu o
escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser o meu sacerdote, para subir ao meu altar,
para queimar o incenso e para trazer a estola sacerdotal perante mim; e dei à casa de teu
pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel. Por que pisais aos pés os meus
sacrifícios e as minhas ofertas de manjares, que ordenei que me fizessem na minha
morada? E, tu, por que honras a teus filhos mais do que a mim, para tu e eles vos
engordardes das melhores de todas as ofertas do meu povo de Israel? Portanto, diz o
Senhor, Deus de Israel: Na verdade, dissera eu que a tua casa e a casa de teu pai andariam
diante de mim perpetuamente; porém, agora, diz o Senhor: Longe de mim tal coisa,
porque aos que me honram, honrarei, porém os que me desprezam serão desmerecidos.
Eis que vêm dias em que cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, para que não
haja mais velho nenhum em tua casa. E verás o aperto da morada de Deus, a um tempo
com o bem que fará a Israel; e jamais haverá velho em tua casa. O homem, porém, da tua
linhagem a quem eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e para te
entristecer a alma; e todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade. Ser-te-á
por sinal o que sobrevirá a teus dois filhos, a Hofni e Finéias: ambos morrerão no mesmo
dia. Então, suscitarei para mim um sacerdote fiel, que procederá segundo o que tenho no
coração e na mente; edificar-lhe-ei uma casa estável, e andará ele diante do meu ungido
para sempre. Será que todo aquele que restar da tua casa virá a inclinar-se diante dele,
para obter uma moeda de prata e um bocado de pão, e dirá: Rogo-te que me admitas a
algum dos cargos sacerdotais, para ter um pedaço de pão, que coma.” (1 Samuel 2.27-36)

Algumas coisas muito claras foram anunciadas nesta profecia:

1. Foi o Senhor que escolheu e levantou a Casa de Eli para o ministério.


2. O Senhor não Se agradou de Eli e de sua casa, que O desonraram com o pecado.
3. O Senhor decidiu julgá-los (e à sua descendência), removendo-os do ministério.
4. O Senhor prometeu levantar um sacerdote fiel e edificar-lhe uma casa estável
(outras versões bíblicas usam a expressão “casa firme”) no local de habitação desta
família.

Estas verdades devem estar no coração de todos os que foram chamados ao ministério. O
pecado atrairá juízo (e até mesmo a substituição da posição ministerial) dos que foram
chamados e levantados pelo próprio Deus!
A promessa divina de juízo e de substituição da família sacerdotal de Eli também nos
mostra algumas verdades importantíssimas com relação ao ministério:

1. Até mesmo com uma declaração anteriormente feita, que expressava que a vontade
divina era que a Casa de Eli permanecesse sempre no ministério, isto não se
concretizou pela falha do próprio sacerdote.
2. Sempre que alguém falha em cumprir o propósito divino, outro é levantado em seu
lugar (Et 4.14; At 1.20).
3. O critério principal da nova escolha de Deus é encontrar alguém que não falhe da
mesma forma que falhou o que foi substituído (1 Sm 13.14).

Como é triste saber que alguém que o Senhor escolheu para Si foi rejeitado e substituído!
Mas o juízo divino declarado contra a Casa de Eli não é algo exclusivamente dele; o
mesmo princípio é aplicado a qualquer ministério que “zombe” de Deus, como Eli e seus
filhos fizeram, pois a Escritura declara:

“Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso
também ceifará.” (Gálatas 6.7)

O cumprimento da profecia feita a Eli aconteceu anos depois, envolvendo dois sacerdotes
distintos: Abiatar e Zadoque. Na pessoa de Abiatar, vemos o cumprimento da destruição
da família de Eli. Na pessoa de Zadoque, encontramos o cumprimento da promessa a um
sacerdote fiel.

Observemos primeiramente a história de Abiatar. Depois analisaremos a história de


Zadoque. O profeta Samuel ainda estava vivo quando começou a acontecer o juízo sobre
a casa de Eli:

“Respondeu o rei: Aimeleque, morrerás, tu e toda a casa de teu pai. Disse o rei aos da
guarda, que estavam com ele: Volvei e matai os sacerdotes do Senhor, porque também
estão de mãos dadas com Davi e porque souberam que fugiu e não mo fizeram saber.
Porém os servos do rei não quiseram estender as mãos contra os sacerdotes do Senhor.
Então, disse o rei a Doegue: Volve-te e arremete contra os sacerdotes. Então, se virou
Doegue, o edomita, e arremeteu contra os sacerdotes, e matou, naquele dia, oitenta e
cinco homens que vestiam estola sacerdotal de linho. Também a Nobe, cidade destes
sacerdotes, passou a fio de espada: homens, e mulheres, e meninos, e crianças de peito, e
bois, e jumentos, e ovelhas. Porém dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, um só, cujo
nome era Abiatar, salvou-se e fugiu para Davi; e lhe anunciou que Saul tinha matado os
sacerdotes do Senhor.” (1 Samuel 22.16-21)

A Bíblia nos mostra que esta era a linhagem sacerdotal de Eli:

“Aías, filho de Aitube, irmão de Icabô, filho de Finéias, filho de Eli, sacerdote do Senhor
em Siló, trazia a estola sacerdotal” (1 Sm 14.3).
Tanto Aías como Aimeleque eram filhos de Aitube e bisnetos de Eli. E, dentre os
sacerdotes, todos morreram (oitenta e cinco diante de Saul somente, além dos que
morreram em Nobe), com a única exceção de um descendente de Eli, o seu tataraneto
Abiatar, que escapou com vida e foi – por vários anos – o único sobrevivente desta
linhagem. Porém, quando Salomão assumiu o trono, a sentença profética contra a Casa de
Eli enfim veio a cumprir-se:

“E a Abiatar, o sacerdote, disse o rei: Vai para Anatote, para teus campos, porque és
homem digno de morte; porém não te matarei hoje, porquanto levaste a arca do Senhor
Deus diante de Davi, meu pai, e porque te afligiste com todas as aflições de meu pai.
Expulsou, pois, Salomão a Abiatar, para que não mais fosse sacerdote do Senhor,
cumprindo, assim, a palavra que o Senhor dissera sobre a casa de Eli, em Siló.” (1 Reis
2.26,27)

Quando Abiatar foi expulso do ministério sacerdotal, a palavra do Senhor contra a Casa
de Eli finalmente se cumpriu! Entretanto, esta palavra profética não dizia respeito
somente à remoção desta família do sacerdócio. Deus prometeu levantar um outro
sacerdote que fosse fiel e, através dele, levantar uma “Casa Firme”. Vemos o
cumprimento deste aspecto da profecia na vida de Zadoque.

É importante destacarmos que Zadoque foi sacerdote juntamente com Abiatar, mas,
diferentemente deste outro sacerdote, ele não apenas se manteve fiel durante os seus dias
de vida, mas também instruiu toda uma linhagem a manter-se fiel ao Senhor!

Ao falar de uma “Casa Firme”, o Senhor revelou o Seu desejo de ver, não apenas um
ministro, mas também toda uma linhagem, mantendo-se estáveis e firmes na devoção e
fidelidade a Ele e aos Seus mandamentos. Até mesmo na Nova Aliança, o conceito de
que os filhos dos ministros devem andar em integridade é sustentado:

“É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher… e


que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito
(pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?).” (1
Timóteo 3.2a,4,5)

“Por esta causa, te deixei em Creta, para que pusesses em ordem as coisas restantes, bem
como, em cada cidade, constituísses presbíteros, conforme te prescrevi: alguém que seja
irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes que não são acusados
de dissolução, nem são insubordinados.” (Tito 1.5,6)

A nossa resposta ao chamado ministerial não diz respeito somente a nós, ministros do
Senhor, mas também envolve toda a nossa família! Os nossos filhos e os filhos dos
nossos filhos (e toda uma linhagem) deveriam ser muito bem instruídos com relação a
como andarem em fidelidade ao Senhor. Deus não está apenas procurando pessoas que
façam bem o serviço, que executem uma tarefa com excelência! Ele espera que
apresentemos uma casa firme, estável! Que as próximas gerações, depois de nós, possam
continuar vivendo em santificação e com um compromisso com Ele! Este talvez seja o
maior desafio e a maior responsabilidade de um ministério!

ESTABELECIDOS OU REMOVIDOS DO MINISTÉRIO

Muitos ignoram (até mesmo estando no ministério) o fundamento bíblico no tocante à


forma como o Senhor age com relação aos que são estabelecidos numa posição
ministerial (ou até mesmo removidos dela). As coisas não acontecem de forma aleatória.
O Reino de Deus é constituído por princípios – que Ele mesmo estabeleceu – e por isso
não podemos ignorá-los. Há um princípio divino, revelado nas Escrituras, que sempre
está relacionado com o estabelecimento de pessoas no ministério. Trata-se da
consagração, da santificação.

Ao procurarmos entender o padrão celestial para o estabelecimento de alguém no


ministério, precisamos recorrer aos registros bíblicos dos dias de Moisés. A razão é que,
antes de Moisés, ninguém foi oficial e formalmente estabelecido por Deus no ministério.
Algumas pessoas aparecem na narrativa bíblica como sacerdotes (como Melquisedeque e
Jetro), mas não vemos ninguém sendo colocado por Deus nesta função. A primeira
consagração ao ministério aconteceu com Arão e seus filhos, e, logo depois, toda a Tribo
de Levi foi separada para as funções ministeriais (ainda que não fossem todos
sacerdotes). Mas há uma pergunta importante que deveríamos fazer ao falarmos sobre os
padrões de Deus para se estabelecer alguém no ministério: “Por que a Tribo de Levi foi
escolhida?” O plano de Deus inicialmente não envolvia apenas uma tribo. Ele desejava
uma nação sacerdotal:

“Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança,


então sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é
minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. São estas as palavras que falarás
aos filhos de Israel.” (Êxodo 19.5,6)

O plano divino era um reino (e não só uma tribo) de sacerdotes! Era uma nação santa! A
palavra hebraica traduzida como “santa” é “kadosh”, e significa não apenas “algo
sagrado”, mas também tem a ideia de “separado”. O conceito de “separado” não era
simplesmente o conceito de se manter distância dos outros povos, pois o plano divino
envolvia o fato de que as nações seriam abençoadas e alcançadas através do povo de
Israel (Gn 18.18). Ser “separado”, além de “não contaminar-se com os pecados e
práticas dos demais povos”, também significava a necessidade de “ser um instrumento,
um canal de Deus para se tocar os demais povos e culturas”!

Entretanto, num momento específico, a Tribo de Levi foi separada para ser uma tribo
sacerdotal, ao invés de toda uma nação de sacerdotes. O que aconteceu para determinar
esta escolha? O próprio Moisés responde, falando sobre algo que ocorreu entre as suas
duas subidas ao Monte Sinai:
“Por esse mesmo tempo, o Senhor separou a tribo de Levi para levar a arca da Aliança do
Senhor, para estar diante do Senhor, para o servir e para abençoar em seu nome até ao dia
de hoje. Pelo que Levi não tem parte nem herança com seus irmãos; o Senhor é a sua
herança, como o Senhor, teu Deus, lhe tem prometido. Permaneci no monte, como da
primeira vez, quarenta dias e quarenta noites; o Senhor me ouviu ainda por esta vez; não
quis o Senhor destruir-te.” (Deuteronômio 10.8-10)

Ele fala que “por esse mesmo tempo” (e não antes) a Tribo de Levi foi separada. O que
aconteceu para determinar esta escolha? O versículo 10 revela quando isto foi
determinado: antes da segunda vez que Moisés subiu ao Monte Sinai!

Quando Moisés desceu do Monte Sinai com as Tábuas de Pedra contendo os Dez
Mandamentos, ele descobriu que o povo de Israel, liderado por Arão, havia feito um
bezerro de ouro e havia se apartado do Senhor. O povo estava desenfreado (não podia ser
contido). Então foi tomada uma enérgica medida de juízo:

“Vendo Moisés que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixara à solta para vergonha
no meio dos seus inimigos, pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor
venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi, aos quais disse: Assim
diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um cinja a espada sobre o lado, passai e tornai a
passar pelo arraial de porta em porta, e mate cada um a seu irmão, cada um, a seu amigo,
e cada um, a seu vizinho. E fizeram os filhos de Levi segundo a palavra de Moisés; e
caíram do povo, naquele dia, uns três mil homens.” (Êxodo 32.25-28)

No momento em que Moisés declara “Quem é do Senhor venha até mim”, os únicos que
responderam foram os integrantes da Tribo de Levi: “Então, se ajuntaram a ele todos os
filhos de Levi.” E, naquele mesmo instante, eles se moveram no zelo de santidade e
executaram juízo contra os seus irmãos. A escolha divina pelos que serão ministros do
Altíssimo sempre está associada à consagração e à santificação. Por isso, se um ministro
comprometer esses valores, ele terá comprometido a essência do seu chamado!

Assim como vemos na profecia contra Eli e na separação da Tribo de Levi, também
vemos este mesmo critério de escolha (ou de rejeição) com relação aos reis de Israel. Este
é o caso de Saul:

“Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que
o Senhor, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o Senhor confirmado o teu reino sobre
Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O Senhor buscou para si um
homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto
não guardaste o que o Senhor te ordenou.” (1 Samuel 13.13)

Eu sempre achei que Saul havia sido levantado “temporariamente”, até que Davi, o
escolhido de Deus, aparecesse no cenário. Mas isso não é verdade! Saul teve chances
reais de não somente permanecer no trono, mas também, como disse o profeta Samuel,
de ter o seu reino sobre Israel confirmado para sempre! Isso não significa que ele seria
imortal, mas que a sua linhagem (à semelhança da Aliança que Deus fez posteriormente
com Davi) estaria para sempre no trono – o que, a meu ver, revela a possibilidade de que
o Messias viesse da linhagem de Saul! O que este homem jogou fora não foi apenas o
trono (aliás, isso foi o que ele mais aproveitou! Ele reinou por quarenta anos – At 13.21),
mas foi também a perspectiva de ele poder estar no desenrolar do plano divino, que
envolvia algo muito maior do que ele jamais sonhara!

Vemos a repetição do mesmo caso com o rei Jeroboão. Nos dias de Roboão, filho de
Salomão, o reino se dividiu. Judá e Benjamin formaram, sob o comando de Roboão, o
Reino de Judá (ou do Sul), e as demais tribos formaram, sob o comando de Jeroboão, o
Reino de Israel (ou do Norte). Antes de o reino se dividir, uma palavra profética foi dada
a Jeroboão, dizendo que o Senhor estava rasgando dez Tribos de Israel, do Reino de
Roboão, e entregando-as a ele. E, juntamente com esta notícia, foi dito a Jeroboão o
seguinte:

“Tomar-te-ei, e reinarás sobre tudo o que desejar a tua alma; e serás rei sobre Israel. Se
ouvires tudo o que eu te ordenar, e andares nos meus caminhos, e fizeres o que é reto
perante mim, guardando os meus estatutos e os meus mandamentos, como fez Davi, meu
servo, eu serei contigo, e te edificarei uma casa estável, como edifiquei a Davi, e te darei
Israel.” (1 Reis 11.37,38)

Se Jeroboão obedecesse ao Senhor – o que sabemos que ele não fez – ele teria o mesmo
direito a uma casa estável (firme), como Deus concedeu a Davi! Nem Saul nem Jeroboão
foi levantado por Deus para falhar e ser removido! Eles tinham promessas e
possibilidades reais de prosperarem no plano divino! Contudo, as suas escolhas (erradas)
os afastaram do Senhor! Se por um lado a nossa obediência e a nossa consagração nos
estabelecem no lugar de serviço designado por Deus, por outro lado a desobediência e a
falta de consagração nos removem da posição de serviço em que fomos estabelecidos!

Este é um padrão encontrado em toda a Bíblia! Não somente no Antigo Testamento, mas
também no Novo Testamento. No Livro do Apocalipse, o apóstolo João teve uma visão
de Sete Candeeiros de Ouro e de Sete Estrelas (Ap 1.20), sendo que os Candeeiros
simbolizam as Sete Igrejas (da Ásia) e as estrelas representam os anjos (mensageiros)
dessas Igrejas. Uma palavra que o Senhor diz, através de João, ao anjo da Igreja
(Candeeiro) de Éfeso é a seguinte:

“Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se
não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro [igreja], caso não te arrependas.”
(Apocalipse 2.5)

Em outras palavras, o Senhor está dizendo: “Arrependa-se, senão Eu retirarei a igreja (o


ministério) que Eu lhe confiei!” É evidente, portanto, que a falta de santidade faz com
que alguns ministros sejam removidos do seu lugar de serviço em o Senhor os colocou.
Por outro lado, vimos que Deus separou a Tribo de Levi para o ministério, justamente por
terem se posicionado em santidade, o que nos faz perceber o princípio bíblico de que o
que faz com que sejamos estabelecidos no ministério é o nosso compromisso de
santidade. Veremos isto uma vez mais no exemplo bíblico a seguir, que revela a
importância do zelo de santidade.

O ZELO DE SANTIDADE

Cada ministro do Senhor deve não apenas consagrar-se em sua vida pessoal, mas também
ser cheio de zelo pela santidade do povo de Deus. Temos a seguir a impressionante
história de Finéias, neto do sumo sacerdote Arão, o qual, devido à sua atitude de declarar
guerra e intolerância ao pecado, recebeu a aliança do sacerdócio perpétuo (o que ressalta
que não há prova mais evidente com relação ao que faz com que sejamos estabelecidos
pelo Senhor no ministério):

“Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas.
Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se
aos deuses delas. Juntando-se Israel a Baal-Peor, a ira do Senhor se acendeu contra Israel.
Disse o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor ao ar
livre, e a ardente ira do Senhor se retirará de Israel. Então, Moisés disse aos juízes de
Israel: Cada um mate os homens da sua tribo que se juntaram a Baal-Peor. Eis que um
homem dos filhos de Israel veio e trouxe a seus irmãos uma midianita perante os olhos de
Moisés e de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto eles choravam diante da
tenda da congregação. Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, o filho de Arão, o sacerdote,
levantou-se do meio da congregação, e, pegando uma lança, foi após o homem israelita
até ao interior da tenda, e os atravessou, ao homem israelita e à mulher, a ambos pelo
ventre; então, a praga cessou de sobre os filhos de Israel. Os que morreram da praga
foram vinte e quatro mil.” (Números 25.1-9)

Finéias não admitiu o insulto daquele israelita, e, sob uma ordem que já havia sido dada
pelo Senhor de se exercer juízo sobre os que encabeçavam aquela corrida ao pecado, o
sacerdote agiu, mostrando um grande zelo por Deus e pela Sua santidade no meio do
arraial de Israel. As Escrituras Sagradas nos mostram que este seu zelo de santidade não
somente fez com que a praga cessasse, mas também foi o que fez com que o Senhor o
confirmasse em sua posição ministerial (além da promessa divina sobre a sua linhagem
permanecer no sacerdócio – que é o conceito que já abordamos sobre a “casa firme”):

“Então, disse o Senhor a Moisés: Finéias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sacerdote,
desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois estava animado com o meu zelo
entre eles; de sorte que, no meu zelo, não consumi os filhos de Israel. Portanto, dize: Eis
que lhe dou a minha aliança de paz. E ele e a sua descendência depois dele terão a aliança
do sacerdócio perpétuo; porquanto teve zelo pelo seu Deus e fez expiação pelos filhos de
Israel.” (Números 25.10-13)
Vamos refletir um pouco sobre esta “aliança do sacerdócio perpétuo”. Deus já havia
determinado que a linhagem de Arão exerceria o sacerdócio. Contudo, isto não
significava que qualquer homem da sua linhagem estivesse “garantido” no ministério.
Se assim fosse, o Senhor não teria falado em remover a Casa de Eli do sacerdócio. Por
outro lado, até mesmo com a linhagem de Eli sendo arrancada do ministério, outros
descendentes de Arão ainda continuariam a exercer o serviço sagrado.

Portanto, a aliança que Deus firmou com Finéias não é mera repetição da promessa e da
bênção que já havia sobre qualquer descendente de Arão. É algo mais! Eu creio que o
Altíssimo estava dizendo que, ainda que outros descendentes de Arão pudessem ser
removidos do ministério, a linhagem de Finéias seria perpetuamente estabelecida em seu
lugar de serviço. Por quê? Por causa do zelo de santidade manifestado pelo cabeça de
toda uma linhagem.

É interessante observarmos, ao falarmos da remoção da Casa de Eli do sacerdócio (por


sua infidelidade), que ele não era descendente de Finéias (filho de Eleazar). Eli, embora
descendente de Arão, era da linhagem de Itamar (1 Cr 24.3,6), e não de Eleazar. Por
outro lado, o sacerdote Zadoque era da linhagem de Finéias (filho de Eleazar), e, como
descendente deste, estava incluído na aliança do sacerdócio perpétuo:

“Estes foram os descendentes de Arão: o seu filho Eleazar, pai de Finéias, que foi o pai
de Abisua, pai de Buqui, pai de Uzi, que foi o pai de Zeraías, pai de Meraiote, pai de
Amarias, que foi o pai de Aitube, pai de Zadoque, pai de Aimaás.” (1 Crônicas 6.50-53 –
NVI)

A história se repete! Arão recebeu a promessa de ter a sua linhagem no ministério.


Depois de Arão, o seu neto Finéias se destacou e, devido ao seu zelo de santidade, ele
recebeu esta aliança do sacerdócio perpétuo. Posteriormente, surgiu Zadoque (da
linhagem de Finéias), a quem Deus fez a promessa de uma “casa firme” (uma linhagem
que não seria removida). Após o Exílio Babilônico, um dos períodos de maior apostasia
da história de Israel, os filhos de Zadoque ainda foram apontados por Deus como os que
se conservaram fiéis. Finalmente, nos últimos Livros da narrativa do Antigo Testamento,
surgiu Esdras, o sacerdote de grande destaque na reconstrução de Jerusalém no período
pós-exílio, que também era descendente de Zadoque e de Finéias (Ed 7.1-5).

Portanto, o que nos estabelece ou nos remove da nossa função ministerial é o nosso
compromisso com Deus, é o nosso zelo de santidade (ou a falta dele)!

É MELHOR NÃO PECARMOS DO QUE SERMOS RESTAURADOS DEPOIS

Aos quinze anos de idade, eu ouvi uma história que, apesar de muito simples (eu poderia
dizer que foi uma ilustração bem infantil), me abriu os olhos para algo muitíssimo
importante. Eu estava conversando com um pastor sobre as lutas contra o pecado que o
adolescente tem que travar, e, em algum momento, eu comentei como era confortante a
ideia de que servimos a um Deus perdoador. Apesar de eu estar falando uma verdade
bíblica inquestionável, eu creio que eu deixei transparecer um entendimento equivocado
sobre como devemos nos relacionar com a questão do pecado e sobre como podemos
usufruir do perdão de Deus, pois, imediatamente, aquele pastor passou a narrar a seguinte
história:

“Havia um garoto cheio de energia, hiperativo, que a mãe mal conseguia controlar.
Depois de inúmeras tentativas frustrantes de corrigir e disciplinar o menino, a mãe
resolveu mexer em algo que se destacava como uma característica singular da criança: o
seu lado narcisista. Ela havia presenteado o filho com uma foto dele, a qual foi ampliada
e colocada como um pôster enorme em seu próprio quarto. O rapazinho amava aquele
quadro e quase adorava a si mesmo. Assim sendo, a sua mãe, decidida a fazê-lo repensar
a sua rebeldia, ameaçou-o, dizendo que, a partir daquele momento, ela pregaria uma
taxinha no pôster do menino a cada ato de desobediência dele. Num certo dia, o menino
entrou em seu quarto e surpreendeu-se por quase não conseguir enxergar o seu próprio
rosto no pôster, tamanha a quantidade de taxinhas fincadas no quadro! O choque causado
pela cena o ajudou a perceber o quanto ele vinha errando e magoando a sua própria mãe.
Sinceramente arrependido, o garoto pediu perdão por ter falhado tanto e disse o quanto
ele gostaria de agir de forma diferente, o que fez com que a sua mãe não apenas o
perdoasse, mas também removesse todas aquelas taxinhas! Contudo, enfatizou o
narrador, o quadro ficou cheio de furinhos!”

Moral da história: os nossos erros, ainda que perdoados, deixam consequências! Eu


entendi imediatamente que, apesar de saber que eu servia a um Deus que perdoa os meus
pecados, eu não podia “brincar” de pecar, para pedir perdão depois! É melhor não
pecarmos do que sermos restaurados depois, pois o perdão divino restaura a nossa
comunhão com o Senhor, mas não anula as consequências que se manifestarão depois! A
Palavra de Deus é muito clara com relação a isso! Vejamos esse princípio revelado em
três exemplos bíblicos de pessoas que pecaram e colheram as consequências, até mesmo
depois que foram perdoadas!

Primeiramente, observemos o exemplo da geração de israelitas que saiu do Egito.


Quando eles se recusaram a crer que herdariam a Terra Prometida, o Senhor Se irou
contra eles, a ponto de querer destruí-los (Nm 14.11,12). Mas Moisés intercedeu por eles,
suplicando o perdão divino, e foi ouvido em sua oração (Nm 14.13-20). Deus perdoou o
pecado deles, mas, juntamente com o perdão, o Senhor anunciou qual seria a
consequência do pecado deles (ainda que já perdoado):

“O Senhor respondeu: Eu o perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória
do Senhor que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinas
miraculosos que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me
desobedeceram dez vezes – nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com
juramento a seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.” (Números
14.20-23 – NVI)
Também encontramos nas Escrituras o exemplo de Davi, o qual, ainda que perdoado pelo
pecado cometido, ouviu do Senhor uma sentença de julgamento. Isto é evidente na
palavra profética recebida depois do pecado de adultério com Bate-Seba e do homicídio
de Urias:

“Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mal perante ele? A
Urias, o heteu, feriste à espada; e a sua mulher tomaste por mulher, depois de o matar
com a espada dos filhos de Amom. Agora, pois, não se apartará a espada jamais da tua
casa, porquanto me desprezaste e tomaste a mulher de Urias, o heteu, para ser tua mulher.
Assim diz o Senhor: Eis que da tua própria casa suscitarei o mal sobre ti, e tomarei tuas
mulheres à tua própria vista, e as darei a teu próximo, o qual se deitará com elas, em
plena luz deste sol. Porque tu o fizeste em oculto, mas eu farei isto perante todo o Israel e
perante o sol.” (2 Samuel 12.9-14)

Ainda que Deus houvesse declarado o perdão a Davi e que ele estava livre da morte (o
que a Lei de Moisés exigia neste caso, o que, para mim, é uma “janela da graça” se
abrindo ainda no tempo da Lei), as consequências foram claramente anunciadas. O rei-
salmista foi avisado de que a espada jamais se apartaria da sua casa, e ele provou a dor de
ver um filho matando o outro. A vida de Davi (bem como de sua família) tornou-se uma
grande confusão depois deste ocorrido, e, na rebelião de Absalão, a profecia teve o seu
cumprimento final, quando as concubinas do rei Davi foram tomadas pelo seu filho e
humilhadas à vista de todo o Israel!

Todo pecado, mesmo que perdoado por Deus, deixa consequências! Sempre haverá uma
colheita das coisas que plantamos! O perdão divino remove a culpa, mas as
consequências – ainda que aplacadas pela misericórdia divina – hão de se manifestar!

Outro exemplo claro desta verdade (de que os pecados perdoados deixam consequências)
pode ser visto na vida de Paulo, o qual, antes da sua conversão, perseguiu a Igreja de
Jesus Cristo como poucos fizeram (At 8.3; 1 Co 15.9). Sabemos que, ao encontrar-se com
Jesus, Paulo foi perdoado de todos os seus pecados. No entanto, assim que se converteu,
uma das primeiras palavras proféticas que ele recebeu do Senhor foi: “Eu lhe mostrarei o
quanto importa sofrer pelo meu nome” (At 9.16).

Vale ressaltarmos que as consequências dos nossos pecados, obviamente, são


determinadas pela gravidade do que praticamos. Nem todo pecado cometido por um
ministro significará a sua remoção do seu ministério. O que o Senhor Jesus declarou ao
mensageiro da Igreja de Éfeso foi o seguinte: “Arrepende-te… se não, venho a ti e
moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.5). A remoção do
ministério somente ocorre se não houver arrependimento. Contudo, alguns pecados que
cometemos, até mesmo depois de terem sido perdoados por Deus, podem reduzir a nossa
herança ministerial e o nível de conquistas e de bênçãos que poderíamos desfrutar!
Vemos nas Escrituras Sagradas o exemplo de Moisés e Arão, os quais, depois de pecarem
contra o Senhor, não puderam entrar na Terra Prometida. Os dois irmãos foram instruídos
por Deus a falarem à rocha, a qual, por sua vez, jorraria água. No entanto, ao invés de
falarem à rocha, eles acabaram ferindo-a. Logo depois do ocorrido, a sentença divina foi
determinada:

“Mas o Senhor disse a Moisés e a Arão: Visto que não crestes em mim, para me
santificardes diante dos filhos de Israel, por isso, não fareis entrar este povo na terra que
lhe dei. São estas as águas de Meribá, porque os filhos de Israel contenderam com o
Senhor; e o Senhor se santificou neles.” (Números 20.12,13)

Logo depois de o Altíssimo determinar a consequência do pecado de Moisés e Arão, que


era o fato de eles não poderem entrar em Canaã – a Terra da Promessa – Ele também
determinou que Arão fosse imediatamente “recolhido”. A morte do sumo sacerdote foi
antecipada por causa deste pecado nas águas de Meribá:

“Então, partiram de Cades; e os filhos de Israel, toda a congregação, foram ao monte


Hor. Disse o Senhor a Moisés e a Arão no monte Hor, nos confins da terra de Edom:
Arão será recolhido a seu povo, porque não entrará na terra que dei aos filhos de Israel,
pois fostes rebeldes à minha palavra, nas águas de Meribá.” (Números 20.22-24)

Depois de Arão, foi a vez de Moisés morrer sem entrar na Terra Prometida. E,
novamente, o Senhor recordou o motivo pelo qual isto aconteceria – o pecado cometido
nas águas de Meribá:

“Depois, disse o Senhor a Moisés: Sobe a este monte Abarim e vê a terra que dei aos
filhos de Israel. E, tendo-a visto, serás recolhido também ao teu povo, assim como o foi
teu irmão Arão; porquanto, no deserto de Zim, na contenda da congregação, fostes
rebeldes ao meu mandado de me santificar nas águas diante dos seus olhos. São estas as
águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim.” (Números 27.12-14)

Moisés chegou a orar, pedindo que Deus o deixasse entrar em Canaã, mas a sua herança
foi diminuída no tocante a isto, e nada mais pôde ser feito. A nossa herança ministerial
pode ser diminuída quando pecamos! Isto é um fato!

Iniciamos este estudo falando do contraste entre os filhos de Zadoque (que se


conservaram fiéis ao Senhor) e os demais levitas (que se corromperam, servindo aos
ídolos) e como a herança – natural – das terras ao redor do Templo foram dadas para se
honrar aos sacerdotes santificados. Concluiremos agora, observando que um outro
aspecto da herança – o espiritual – é determinado por essa mesma postura nossa de
compromisso com Deus (ou não)!
Observe que os demais sacerdotes que pecaram foram como que “rebaixados” à função
de meros levitas, sem poderem exercer todo o seu ofício ou tampouco desfrutar de todos
os seus direitos sacerdotais:

“Os levitas, que tanto se distanciaram de mim quando Israel se desviou e que vaguearam
para longe de mim, indo atrás de seus ídolos, sofrerão as consequências de sua
iniquidade. Poderão servir no meu santuário como encarregados das portas do templo e
também farão o serviço nele; poderão matar os animais dos holocaustos e outros
sacrifícios em lugar do povo e colocar-se diante do povo e servi-lo. Mas, porque os
serviram na presença de seus ídolos e fizeram a nação de Israel cair em pecado, jurei de
mão erguida que eles sofrerão as consequências de sua iniquidade. Palavra do Soberano,
o Senhor. Não se aproximarão para me servir como sacerdotes, nem se aproximarão de
nenhuma das minhas coisas sagradas e das minhas ofertas santíssimas; carregarão a
vergonha de suas práticas repugnantes. Contudo, eu os encarregarei dos deveres do
templo e de todo trabalho que nele deve ser feito.” (Ezequiel 44.10-14 – NVI)

Por outro lado, os filhos de Zadoque, a linhagem chamada pelo Senhor de “casa firme”,
pelo fato de que permaneceram fiéis (quando ninguém mais o fez), tiveram não apenas os
seus direitos e funções preservados, mas também receberam a promessa de que
desfrutariam da presença de Deus como ninguém mais:

“Mas, os sacerdotes levitas e descendentes de Zadoque e que fielmente executaram os


deveres do meu santuário quando os israelitas se desviaram de mim, se aproximarão para
ministrar diante de mim; eles estarão diante de mim para oferecer sacrifícios de gordura e
sangue. Palavra do Soberano, o Senhor. Só eles entrarão em meu santuário e se
aproximarão da minha mesa para ministrar diante de mim e realizar o meu serviço.”
(Ezequiel 44.15,16 – NVI)

CONCLUSÃO

O entendimento destas verdades deve produzir temor em nossos corações e fazer com
que haja em nós uma resposta mais intensa de consagração a Deus! Se a nossa herança –
tanto na dimensão natural (Ez 48.10-14) como na dimensão espiritual (Ez 44.15,16) – é
determinada pela nossa santificação, então devemos aprofundar o nosso compromisso
com o Senhor! Esta é a única forma pela qual poderemos desfrutar da herança dos
santificados! Você está decidido a desfrutá-la?

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Autor: Luciano P. Subirá. É o responsável pelo Orvalho.Com – um ministério de
ensino bíblico ao Corpo de Cristo. Também é pastor da Comunidade Alcance em
Curitiba/PR. Casado com Kelly, é pai de dois filhos: Israel e Lissa.

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