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PROCESSO DE HOMINIZAÇÃO

Hominização
A hominização foi o longo processo de evolução física e inteletual do
Homem.
Principais mudanças:

 bipedia
 verticalidade
 libertação das mãos
 o corpo foi perdendo pelo
 diminuição do tamanho dos maxilares
 aumento do crânio e do cérebro
 aumento da inteligência
 desenvolvimento da linguagem
 

Australopitecus (há cerca de 2,5 milhões de anos)


 Viveu em África
 primeiro primata semelhante ao Homem (hominideo)
 deslocava-se principalmente sobre as duas pernas, embora por
vezes recorresse à ajuda das mãos
 tinha um cérebro ainda pequeno
 

Homo Habilis (há cerca de 2 milhões de anos)


 primeiro homem
 deslocava-se apenas sobre os pés
 tinha um cérebro mais desenvolvido que o Australopitecus
 primeiro a fabricar instrumentos: seixos talhados, de pedra,
talhados só numa das faces
 

Homo Erectus (há cerca de 1,5 milhões de anos)


 passou da África para a Ásia e para a Europa
 tinha um cérebro mais desenvolvido que o Homo habilis
 fabricou instrumentos mais aperfeiçoados: bifaces
 primeiro a produzir fogo, que serviu para se aquecer, defender-
se de animais ferozes, iluminar as grutas e cozinhar alimentos
 desenvolveu uma linguagem articulada
 

Homo Sapiens (há cerca de 200 mil anos)


 tinha um cérebro semelhante ao nosso
 fabricou instrumentos mais aperfeiçoados em pedra, osso, chifre
e marfim: ponta de lança, arcos, flechas, arpões, anzóis, agulhas e
lâminas
 primeiro a enterrar os mortos
 

Homo Sapiens Sapiens (há cerca de 35 mil anos)


 tinha um aspeto semelhante ao nosso
 primeiro a desenvolver manifestações artísticas
 

AS SOCIEDADES RECOLETORAS
 

O Paleolítico
O Paleolítico refere-se ao período da Pré-História em que surgiram os
primeiros hominídeos.
A arqueologia é a ciência que estuda as culturas e os modos de vida
do passado a partir de vestígios materiais. Esta ciência contribuiu para
o estudo do Paleolítico e dos antepassados do Homem.
 

Vida recoletora e nomadismo


Durante o Paleolítico o Homem vivia da recoleção, ou seja, daquilo que
recolhia da Natureza. Apanhava frutos, raízes, ovos, mel, pescava e
caçava.
Como não produzia nada, os alimentos que existiam num certo local
acabavam. Assim, era obrigado a deslocar-se constantemente à
procura de alimentos. Era, por isso, nómada.
 

Alargamento das áreas habitadas


Os nossos antepassados surgiram em África e espalharam-se por
todos os continentes, sobretudo porque:
 estavam constantemente a deslocar-se
 verificou-se um aumento da população, devido à melhoria da
alimentação
 

Ritos
 

Ritos mágicos
Para controlar a Natureza o Homo Sapiens recorria a ritos
mágicos como danças, cânticos, gestos e sacrifícios de animais.
 

Ritos funerários
O Homo Sapiens foi o primeiro a enterrar os seus mortos. O corpo era
pintado e colocado em posição fetal juntamente com alimentos e
objetos pessoais.

Arte do Paleolítico
O Homo Sapiens Sapiens foi o primeiro a ter manifestações artísticas.

Arte móvel
Pequenas estatuetas de figuras femininas em pedra e osso
(chamavam-se Vénus) que tinham como propósito o culto à fertilidade.

Arte rupestre (ou parietal)


Pinturas e gravuras em rochas ao ar livre e nos tetos e paredes de
grutas. representavam animais, figuras geométricas, mãos e, por
vezes, figuras humanas. Muitas destas pinturas serviam como forma
de ritual para facilitar a caça.

 
AS PRIMEIRAS SOCIEDADES PRODUTORAS
 

Neolítico
O Neolítico refere-se ao último período da Pré-História quando o
Homem começa a produzir os seus alimentos e a utilizar instrumentos
de pedra polida.
 

Novas atividades
O Homem do Neolítico aprendeu a cultivar e, por outro lado, começou
a domesticar animais. Nasceram assim duas atividades:
a agricultura e a pecuária.
 

Agricultura
Primeiros produtos a serem cultivados:

 trigo
 cevada
 arroz
 feijão
 

Pecuária
Primeiros animais a serem domesticados:

 cão
 cabra
 porco
 boi
 

Novos instrumentos e técnicas


Para cultivar as terras e delas tirar partido surgiram novos
instrumentos e técnicas.

Novos instrumentos:
 foicinha
 faca
 arado
 enchada
 

Novas técnicas:
 cestaria
 cerâmica
 moagem
 tecelagem
Surgiu neste período também a roda e a vela.
 

Economia produtora e sedentarização


Ao produzir os seus alimentos, o Homem deixou de estar dependente
do que a Natureza lhe dava. Deixou de ser recoletor e tornou-
se produtor.
Ao tornar-se produtor, o Homem precisou de estar junto das suas
terras e rebanhos e por isso passou a viver permanentemente num
mesmo local, ou seja, deixou de ser nómada e tornou-se sedentário.
Esta mudança de vida deu-se na zona chamada Crescente Fértil, entre
o Egipto e a Mesopotâmia.
 

Primeiros aldeamentos
Para se abrigar, o Homem do Neolítico construiu casas de pedra,
madeira, barro e cobertas com colmo, juntas umas das outras para se
proteger melhor e defender os seus bens, surgindo assim as primeiras
aldeias. Algumas encontravam-se protegidas por fossos e muralhas.

Divisão do trabalho e diferenciação social


Através da melhoria da alimentação, verificou-se um aumento da
população. A  produção aumentou e evidenciou-se a divisão do
trabalho, ou seja, a população começou a ter funções mais
específicas: havia agricultores, pastores, artesãos, sacerdotes, etc…
Passou a haver também uma diferenciação social com base na riqueza
e no poder.
 
 

Culto agrário
O Homem do Neolítico passou a fazer culto às forças da Natureza
(sol, terra, água e vento), pois estavam ligadas à agricultura. A mulher
era relacionada com a terra, pois ambas permitiam a continuidade da
vida, e era adorada com estatuetas femininas chamadas deusa-mãe, a
principal divindade neste período.
 

Monumentos megalíticos
Os megálitos são grandes construções de pedra com várias funções:
 menires: pedras isoladas verticalmente no solo, serviam para
fazer culto à Natureza
 alinhamentos: conjunto de menires em linha, também serviam
para fazer culto à Natureza
 cromeleques: conjunto de menires em círculo, era um local de
culto e reunião
 dólmenes ou antas: pedras ao alto cobertas com uma horizontal
(laje) onde enterravam os mortos
 

Os Gregos no século V a.C.

A Grécia: A Terra e o Povo

A Grécia é um país maioritariamente montanhoso, com um clima mediterrâneo e


tem por isso um clima e um solo pouco favoráveis às práticas agrícolas. Por isso
só com um grande esforço é que os gregos conseguiram tirar rendimento das
terras. Nas zonas altas praticava-se a pastorícia. Nos vales e pequenas planícies
cultivavam cereais (trigo, cevada) e, nas encostas, plantavam a vinha, oliveira e
figueira. Mas, em compensação, a Grécia é um território com óptimas condições
para a vida marítima já que é uma região de costas muitos recortadas, com um
mar geralmente tranquilo, inúmeros golfos e enseadas abrigadas e ilhas
próximas da costa que constituem pontos de apoio seguros para a navegação.
Assim, os Gregos desde cedo se dedicavam à pesca e ao comércio, primeiro
junto à costa e depois por todo o mediterrâneo.
Os Gregos ou Helenos resultam de mistura de diversos povos oriundo do sul da
Rússia que vieram fixar-se na Grécia e que falavam todos a mesma língua indo-
europeia da qual derivou a língua grega. 

Estes povos formaram vários reinos por toda a Grécia que se guerreavam
frequentemente o que levou muita da população a emigrar indo povoar a Ásia
Menor e as ilhas do mar Egeu, ficando assim o Mundo Helénico todos os
territórios banhados pelo mar Egeu.

O Mundo Helénico
 

As barreiras montanhosas que dividiam o território grego contribuíram para o


isolamento das populações. Isso não facilitava a união política da Grécia e o
território permaneceu um conjunto de pequenos estados independentes. Este
isolamento associado ao crescimento populacional vai levar a que no séc. VIII
a.C. se desenvolvessem os núcleos urbanos tornando-se as cidades centros dos
Estados, agrupando à sua volta campos e aldeias vizinhas. Surgiram assim
inúmeras cidades-estado. A cidade-estado a que os gregos chamavam pólis, era
um estado independente, governada por cidadãos que tinha um governo
autónomo e leis próprias. As pólis eram compostas pela cidade geralmente
amuralhada e pela área rural circundante. A cidade dividia-se em várias partes,
nomeadamente a acrópole geralmente situada no ponto mais alto da cidade
onde se localizavam os templos em honra dos deuses, a agora onde se
encontravam as habitações e se realizava o mercado bem como a assembleia
governativa da pólis e ainda o porto. As maiores cidades-estado eram Atenas,
Esparta e Tebas.
Em meados do séc. VIII a.C., as cidades gregas atravessaram um período de
crise devido ao excesso de população. Para fugir à fome, às lutas e conseguir
encontrar regiões férteis para o cultivo, muitos gregos emigraram espalhando-se
pela costa do Mediterrâneo, desde o Mar Negro até à Península Ibérica. Isto
levou à formação de numerosas colónias, colónias que eram cidades-estado
independentes, mas ligadas à metrópole por laços comerciais e religiosos.
Apesar de os Gregos estarem espalhados por regiões distantes umas das outras
consideravam-se um só povo, porque tinham a mesma religião, a mesma língua
e os mesmos costumes.

A Religião Grega

Os gregos eram politeístas, adoravam inúmeros deuses e consideravam-nos em


tudo semelhantes aos homens tanto fisicamente como psicologicamente. Apenas
se distinguiam por gozarem de imortalidade e de poderes sobrenaturais. Os
Gregos prestavam culto aos deuses a fim de obterem a sua protecção. Dirigiam-
lhes orações, faziam-lhes oferendas e ofereciam-lhes sacrifícios quer nos
templos quer nas suas casas. Cada pólis tinha os seus deuses protectores aos
quais prestava culto realizando festas sagradas em sua honra mas, para além do
culto nas cidades, existiam grandes templos que atraíam pessoas de todo o
mundo helénico, era o chamado culto pan-helénico. Os santuários mais
venerados eram o santuário de Apolo em Delfos e o santuário de Zeus em
Olímpia.

No santuário de Olímpia tinham lugar de 4 em 4 anos os famosos Jogos


Olímpicos em honra de Zeus, onde os atletas tinham de demonstrar as suas
aptidões físicas. As provas eram diversas e iam desde corridas a pé e de carros a
lutas… Os Jogos eram uma forma de juntar o povo grego e celebrar tréguas
entre pólis inimigas. Quem ganhasse os jogos era considerado um herói e era
sustentado pela pólis para toda a vida.

O Poderio de Atenas

No séc. V a.C., Atenas era a Cidade-Estado mais próspera, mais poderosa, a


maior da Grécia. Era rica em recursos naturais como vinho, azeite, mel e prata e
por isso os atenienses puderam comerciar, desde o séc. VII a.C. com as regiões
do Mar Egeu. Esta abertura ao comércio marítimo estimulou as actividades
artesanais como a cerâmica, a metalurgia e a construção naval. Atenas era o
mais activo centro de comércio da Grécia e o porto de Pireu atraía não só
mercadores helenos mas também mercadores estrangeiros. Exportava-se
sobretudo vinho, azeite e cerâmica e importava-se trigo, minérios e escravos
pagos com moeda de prata, a dracma, que facilitou as trocas comerciais. Para
além do poder económico, Atenas tinha um grande poder militar que se afirmou
ainda mais com as Guerras Pérsicas, os persas que pretendiam invadir as
cidades gregas. Em 490 a.C. quando os persas invadiram a Grécia, as pólis
uniram-se contra o invasor sendo os navios e os soldados atenienses decisivos
na vitória dos gregos. Aproveitando o prestígio alcançado na guerra e com receio
de uma nova invasão, Atenas formou uma aliança militar com muitas outras
pólis, a Liga de Delos. Atenas depressa impôs a sua supremacia económica,
política e militar na Liga e por isso usou o tesouro da aliança a seu favor e
dominou os aliados, forçando-os a pagar impostos. Atenas passou assim a
exercer um verdadeiro imperialismo marítimo em toda a área do Mar Egeu.

Atenas, uma pólis democrática

Atenas foi o primeiro Estado a instituir a democracia. A democracia é um regime


político no qual o poder de governar pertence a todos os cidadãos. O novo
regime resultou de um lenta conquista já que em VIII e VII a.C., o governo da
pólis estava na mão dos nobres e só depois de um longo período de lutas sociais
e de reforma, Clístenes, institui em 508 a.C. a democracia, passando a ser
reconhecido uma igualdade de direitos de todos os cidadãos.

O principal órgão do governo em Atenas era a Assembleia do povo, a Eclésia, na


qual podiam participar todos os cidadãos e que era responsável pela aprovação
das leis, decidia da paz e da guerra e elegia anualmente os Estrategos (10
magistrados que chefiavam o exército, a marinha e a administração). Existiam
ainda outros órgãos do poder nos quais os seus membros eram tirados à sorte
de entre os cidadãos nomeadamente o Conselho, a Boulé que preparava as leis
para serem discutidas e votadas na Eclésia e os Tribunais ou Helieia que julgava
os crimes.

A democracia era portanto uma democracia directa porque os cidadãos podiam


intervir directamente na elaboração das leis. Nesta altura quem exercesse
cargos públicos não recebia qualquer remuneração fazendo com que muitos
cidadãos não participassem na política por morarem longe e não terem como
sustentar as suas famílias e por isso Péricles decide passar a remunerar esses
cargos, de inícios todos menos a Eclésia e depois até a própria Eclésia. Estas
medidas acarretavam grandes custos para o Estado que só possível com o auge
de prosperidade de Atenas devido à sua supremacia sobre as outras pólis da
Liga de Delos.

A sociedade ateniense.

Atenas tinha a sociedade dividida em cidadãos, metecos e escravos.

A minoria da população era os cidadãos. Os cidadãos eram os indivíduos de sexo


masculino, maiores de 18 anos, filhos de pai e mãe atenienses. Só eles podiam
participar no governo da pólis e possuir propriedades na Ática, não estando
sujeitos a imposto. As suas mulheres estavam excluídas da vida política e
estavam sua dependência.

A maioria da população era formada pelos metecos e pelos escravos. Os


metecos eram os estrangeiros residentes em Atenas. Dedicavam-se ao comércio
e ao artesanato. Deles dependia o desenvolvimento económico de Atenas.
Prestavam serviço militar e tinham de pagar impostos. Os escravos eram
considerados meros instrumentos de trabalho. Eram propriedade dos donos que
os compravam ou vendiam como uma mercadoria e os utilizavam em todo o tipo
de tarefas.

A sociedade ateniense era uma sociedade democrática porque eram os cidadãos


que a governavam, Para a governar recebiam uma boa formação. Porém esta
democracia tinha algumas limitações já que os cidadãos eram a minoria da
população; mulheres, escravos e metecos eram privados parcialmente ou
totalmente de direitos; Atenas era uma cidade imperialista; havia escravatura.

A vida quotidiana dos Atenienses


A vida quotidiana dos cidadãos atenienses dividia-se entre a cidade e o campo. A
maior parte dos cidadãos os que moravam no campo, dedicavam-se ao cultivo
da terra com a ajuda dos escravos e apenas se deslocavam à cidade para tratar
de negócios ou cumprir os seus deveres cívicos. Já na cidade, a vida era mais
animada. Lá, os cidadãos participavam na Eclésia e o povo fazia compras na
agora. O povo citadino podia ainda ir a ginásios e os cidadãos viviam no ócio e
por isso organizavam banquetes enaltecidos com música, dança e canto.

A Cultura Grega

Os gregos desenvolveram a mais brilhante cultura da antiguidade. A partir do


séc VII a.C. Destacavam-se vários poetas, artistas e pensadores mas a partir do
séc. V a.C. com o apogeu de Atenas o pensamento ganhou maior profundidade.
Atenas tornou-se a escola da Grécia. Lá foram construídos os mais belos
monumentos e organizava-se festivais de teatro. O teatro era em honra a
Dioniso. Havia dois tipos de teatro: as tragédias, onde eram representadas as
desgraças que sofriam as personagens e as comédias que satirizavam figuras
típicas da época e que provocavam o riso. Os Gregos criaram ainda a Filosofia, a
História e a Oratória

Educação na Grécia
 
 

As crianças, até aos 7 anos, estavam ao cuidado das mães, no gineceu. A partir
desta idade os rapazes eram mandados para a escola onde aprendiam a ler, a
escrever, aritmética, música, canto e a recitar poemas bem como exercício
físico. A partir dos 15 aprendiam a oratória, arte de discursar. Dos 18 aos 20
havia a preparação militar e começavam a participar na vida política.

A Arte Grega

A arte grega atingiu o seu apogeu no séc V a.C. Neste período, as obras dos
artistas gregas alcançaram tal perfeição que se tornaram um modelo para
muitos artistas de épocas posteriores. Era o chamado período clássico.

O que caracteriza a arte clássica é a harmonia e o equilíbrio e o enaltecimento


do Homem.

A arquitectura grega, apesar de ser sobretudo exclusiva da vida religiosa foi feita
à medida do Homem ou seja os edifícios eram grandes mas nunca atingiam
dimensões esmagadoras. Os templos gregos eram geralmente rectangulares e
tinham como elemento básico da construção as colunas nas quais assentava a
cobertura. Os templos obedeciam a duas ordens: a ordem dórica (mais severa e
sóbria) e a ordem jónica (mais ornamentada).

Os Gregos esculpiram estátuas de deuses e de atletas bem como altos-relevos e


baixos-relevos representado cenas mitológicas e procissões e enalteciam
sobretudo a beleza física e espiritual do homem com muita naturalidade As
esculturas eram de uma enorme perfeição representando o corpo com grande
naturalidade e nas proporções perfeitas.

Em relação à pintura, no séc VI a.C., os Gregos pintavam magníficos desenhos


em vasos de cerâmica onde se destacavam as figuras negras em fundos
vermelhos, mas a partir do século V a.C., começaram a pintar em tons de
vermelho e dourado que permitia realçar os pormenores e o brilho do desenho.

O Mundo Romano no Apogeu do Império

A Formação do Império Romano

Cerca de 1000 a.C. estabeleceram-se na Itália vários povos indo-europeus entre


eles os Latinos que no séc VIII a.C. fundaram Roma.

A partir do séc V a.C., Roma começa a expandir-se. Em pouco mais de dois


séculos, quase toda a Itália havia sido conquistada. Foi o início do processo de
formação de um grande império. Roma continuou a sua expansão acabando por
se confrontar com os Cartagineses com quem se guerrearam e acabaram por
conquistar. Roma ficou a dominar parte do norte de África e a Itália e definiu o
objectivo de dominar o Mediterrâneo e após a vitória sobre Cartago, os romanos
voltaram-se para Oriente, atacando os prósperos reinos helenísticos e em
meados do séc II a.C. os Romanos haviam conquistado a Grécia e a Macedónia e
em seguida a Ásia Menor, a Síria e a Judeia. Após se terem apoderado de quase
todos os territórios do litoral em volta do Mediterrâneo, os Romanos iniciam a
sua expansão para interior. Nos sécs. II e I a.C. Júlio César e Augusto
conquistaram a Península Ibérica, em I a.C. foi conquistada a Gália por Júlio
César e pouco depois o Egipto transformou-se numa província romana e nos
sécs. I e II d.C. foram conquistadas a Dácia e a Britânia.

Os rios Reno e Danúbio tornaram-se as fronteiras naturais do mundo romano. O


mar Mediterrâneo passou a ser o centro do império romano. Os romanos
chamavam-lhe Mare Nostrum (Nosso Mar). A formação deste grande império só
foi possível devido ao poderoso exército romano, muito organizado e com uma
rigorosa disciplina.

A Integração dos Povos Dominados

Num império tão vasto, foi necessário um grande esforço para conseguir integrar
povos tão diversos.

O exército foi decisivo na integração desses povos já que as legiões


permaneciam nas terras conquistadas, para impor o domínio romano e garantir
a paz. A pax romana era porém uma paz armada porque o exército controlava
qualquer tipo de revolta.

Para além do exército, contribuíram para a unidade do Império:

. A língua latina falada em quase todo o Império;

. Uma vasta rede de estradas, indispensáveis para a circulação de comerciais e


funcionários e do exército;

. O direito romano, ou seja, as leis romanas;


. Os municípios que tal como Roma tinham o privilégio de se administrarem,
dispondo de magistrados locais;

. Um poder central forte, o poder do Imperador.

 
Em 212 d.C., o imperador Caracala reforça ainda mais a unidade do Império
decretando que todos os habitantes livres do império passaram a ser cidadãos,
ficando sujeitos às mesmas leis.

As relações comerciais entre as diversas regiões do império, também


constituíram um factor de unidade dos vários povos. A economia romana
encontrava-se fortemente ligada ao desenvolvimento urbano, pois as cidades
eram os pólos administrativos do Império e o local de residência de milhões de
pessoas sendo portanto grandes centros de consumo o que veio dinamizar a
produção agrícola, mineira e artesanal.

Na agricultura os romanos desenvolveram principalmente a produção de cereais,


azeite, vinho e a pecuária. No ocidente do Império intensificaram a exploração
mineira enquanto no oriente desenvolveram sobretudo a produção artesanal.
Esta intensa actividade produtiva gerou um grande dinamismo comercial
facilitado pela extensa rede de estradas, pelos rios navegáveis e pelo facto de os
Romanos dominarem o Mediterrâneo que era nesta altura o grande eixo
comercial do Império. O grande volume de trocas comerciais vai intensificar o
uso da moeda, o sestércio e por isso pode afirmar-se que a economia romana
era uma economia urbana, mercantil e monetária.
 

A Península Ibérica Romana


 
 

O domínio da Hispânia pelos romanos foi lento e difícil. Entre os povos locais que
ofereceram resistência à ocupação romana destacam-se entre outros os
Lusitanos, liderados por Viriato que causaram pesadas derrotas às legiões
romanas. A conquista da Península foi feita no séc. I d.C. por Júlio César e
Augusto. Os romanos dividiram a Península Ibérica em três províncias:
Tarraconense, Bética e Lusitânia. A maioria das cidades peninsulares fora
obtendo um estatuto de relativa autonomia administrativa, sendo declaradas
municípios. A presença romana que durou cerca de 600 anos transformou
profundamente a província. Surgiram inúmeras cidades entre si e com Roma por
uma vasta rede de estradas. Aumentou a produção de cereais, azeite e vinho e
intensificou-se a exploração mineira. Desenvolveu-se o comércio e a circulação
monetária. O latim tornou-se progressivamente a língua comum na Hispânia.
A romanização, isto é a influência exercida pela civilização romana sobre as
populações do Império na qual os povos conquistados foram absorvendo
progressivamente a língua, a religião, a cultura e os costumes dos romanos. A
presença romana for tão profunda que ainda hoje se encontram vestígios das
antigas cidades e a nossa língua, o Português teve origem no latim.

A Sociedade Romana

Em Roma existiam profundas diferenças sociais. A principal era aquela que


distinguia os escravos dos homens livres, homens livres que se encontravam
fortemente hierarquizados.

No topo dessa hierarquia encontravam-se os senadores e as suas famílias. Os


senadores eram nomeados pelo Imperador de entre os cidadãos que possuíssem
mais de um milhão de sestércios. Os senadores eram um grupo social
privilegiado, possuidor de grandes propriedades (latifúndios) e com o direito de
exercer as mais altas funções: membro do senado, magistrados ou governador
das províncias.

Abaixo dos senadores encontravam-se os cavaleiros que dispunham de fortunas


superiores a 400 mil sestércios e eram também uma classe privilegiada que
também podia exercer cargos administrativos.

Para além dos privilegiados havia ainda não privilegiados, a plebe. A plebe eram
principalmente rendeiros, artesãos e pequenos proprietários agrícolas havendo
também uma pequena parte da plebe que era rica. A plebe mais pobre vivia na
dependência das famílias ricas e do Estado que, para evitar revoltas distribuía
gratuitamente trigo. Os ricos e o Estado estavam interessados em manter a
população tranquila e satisfeita para evitar revoltas.

Para além dos homens livres havia ainda os escravos. Os escravos eram
provenientes das conquistas e trabalhavam na agricultura, nas minas e no
serviço doméstico. Eram posse dos seus donos.

A Vida Quotidiana em Roma

A vida quotidiana dos habitantes diferia consoante se vivesse no campo ou na


cidade e dependia da categoria social e da riqueza de cada um. Nos campos, o
quotidiano, estava condicionado pelos trabalhos agrícolas onde os camponeses
trabalhavam do nascer ao por do sol não tendo tempo para se divertir enquanto
que na cidade era diferente, com uma azáfama constante. As habitações
variavam conforme o estatuto social sendo que os ricos moravam em moradias e
os pobres em ínsulas.

As Instituições Políticas e o Estado

Quando Roma iniciou a sua expansão era uma república na qual o poder era
exercido por três órgãos: Magistrados (Poder Executivo, ou seja, governavam a
República), o Senado (órgão de maior prestígio: dava pareceres sobre decisões
dos magistrados e dirigiam a política externa) e os Comícios (Assembleias
constituídas pelo conjunto dos cidadãos que elegiam anualmente os
magistrados).

No séc I a.C. deram-se violentas lutas e guerras civis pelo poder. A solução
encontrada foi concentrar os poderes num único governante, o Imperador. Em
27 a.C., Octávio filho adoptivo de Júlio César, venceu uma guerra civil e o
Senado nomeou-o Princeps Senatus, isto é, o principal dos senadores e o
primeiro dos cidadãos, adquirindo o título de Augusto (divino). Octávio César
Augusto concentrou então o poder supremo do Estado (imperium),
transformando-se, assim, no primeiro imperador romano. A Republica chegava
ao fim. Começava o Império ou regime imperial.

Chegado ao poder, Augusto, concentrou em si muitos dos poderes que se


encontravam repartidos pelos outros órgãos que continuaram a existir mas com
menos funções. O estado romano transformou-se num regime de poder pessoal.
O poder do Imperador reforçou-se ainda mais com o culto imperial no qual os
imperadores eram respeitados e venerados em vida e após a sua morte eram
divinizados e adorados e templos. Para governarem com eficácia o Imperador e
os outros órgãos de soberania foram criando um conjunto de leis ou normas
jurídicas, o direito, que estava dividido em direito público que regulava o
funcionamento do estado e em direito privado que regulava tudo o que dizia
respeito à vida dos cidadãos.

A Cultura Romana

A cultura romana foi profundamente influenciada pela cultura helenística.

Ao nível das letras coma conquista do mundo helenístico, o grego tornou-se a


segunda língua dos romanos cultos e os poetas e os filósofos gregos eram lidos
e imitados.

O apogeu das letras romanas coincidiu com o início do Império no qual se


destacaram os poetas e os pensadores romanos. A história teve nesta altura um
grande desenvolvimento.

Ao nível da arte a majestade e a imponência das construções, a riqueza dos


materiais utilizados, a decoração requintada e imaginativa dão à arquitectura
romana uma individualidade própria. Para destacar esta individualidade os
romanos recorriam ao uso do arco de volta perfeita, da abóbada de berço e da
cúpula. Na arte, para além da arquitectura, os Romanos desenvolveram ainda a
pintura a fresco, o mosaico e a escultura (quer a estatuária quer o baixo-relevo)
caracterizada por um impressionante realismo. Na pintura eram representadas
sobretudo paisagens e cenas religiosas.

Ao nível do urbanismo a maior parte da população encontrava-se nas cidades e


por isso a maior parte das grandes construções encontravam-se nas cidades ou
destinavam-se a servi-las. Por todo o império, as cidades tentavam imitar Roma
com os seus fóruns, teatros, circos, anfiteatros e termas. Os romanos cuidavam
minuciosamente da organização do espaço urbano e das suas infra-estruturas,
como os arruamentos e os esgotos. Edificaram também obras robustas e
utilitárias como estradas, aquedutos, pontes… A arquitectura de carácter
utilitário, ao serviço do urbanismo, constitui uma das mais importantes
manifestações da originalidade romana.

As crenças religiosas

A religião romana estava ligada à vida familiar e ao culto dos antepassados. Os


romanos eram politeístas e veneravam os espíritos protectores da casa e da
família.
À medida que Roma se expandiu e contactou com outros povos, foram
assimilando deuses estrangeiros tal como os deuses gregos que foram adorados
pelos romanos com outros nomes:

Deuses Gregos Deuses Romanos Atribuições


Zeus Júpiter Céu, tempestades
Hera Juno Casamento
Poseidon Neptuno Mar
Deméter Ceres Colheitas
Hades Plutão Infernos
Atena Minerva Sabedoria
Apolo Apolo Sol, artes
Artemisa Diana Lua, caça
Afrodite Vénus Amor, beleza
Ares Marte Guerra
Hefesto Vulcano Artesãos
Hermes Mercúrio Comércio
Dioniso Baco Embriaguez, vinho

A religião romana estava ligada à vida familiar e ao culto dos antepassados. Os


romanos eram politeístas e veneravam os espíritos protectores da casa e da
família.

Os crentes romanos tentavam estar em paz com os deuses, encarando a religião


de um ponto de vista utilitário fazendo ofertas e sacrifícios a troco de protecção
e favores. O culto dos deuses era praticado na própria casa, nos tempos nos
quais as cerimónias de culto eram dirigidas por sacerdotes. O Imperador romano
era o supremo sacerdote.

Para além desta religião, havia ainda crentes de religiões orientais como a
egípcia e a pérsica e a partir do séc I da religião cristã.

O Mundo Romano e o Cristianismo

O Cristianismo, uma religião inovadora

Jesus Cristo nasceu num dos territórios do Império Romana, a Judeia


(Palestina), no tempo do Imperador Augusto. No séc I d.C., a Judeia caiu em
mãos dos romanos mas a maior parte dos locais, os judeus nunca aceitaram o
domínio estrangeiro o que conduziu a frequentes revoltas. Muitos deles foram
obrigados a abandonar as suas casas e espalharam-se por todo o espaço
mediterrâneo, a esta dispersão chamamos diásporas. Ao mesmo tempo cresceu
entre eles o messianismo: os judeus acreditavam que um dia chegaria um
enviado de Deus, o Messias, para os libertar do domínio romano. Quando Cristo
surgiu, alguns acreditavam ser ele o Messias, mas outros recusaram a aceitá-lo
como tal. A principal fonte para o conhecimento da vida e da mensagem de
Cristo são os Evangelhos que juntamente com outros textos compõem o Novo
Testamento. De acordo com os Evangelhos, Cristo nasceu em Belém e viveu
uma boa parte da vida em Nazaré. Cristo iniciou a sua pregação por toda a
Judeia acompanhado dos doze discípulos, os Apóstolos.

Cristo apresentava-se como o Messias, vindo à Terra para salvar a humanidade,


prometendo a vida eterna depois da morte aqueles que amassem uns aos outros
como a si mesmos.

A pregação do amor universal foi o aspecto mais inovador do Cristianismo que


se demonstrava numa doutrina de paz e de igualdade e condenava a opressão, a
injustiça e a violência e que considerava que todos os Homens eram iguais o que
atraiu muitos seguidores.

Os sacerdotes hebraicos e até os próprios romanos temiam que a pregação de


Jesus pusesse em causa a sua autoridade e provocar a revolta dos Judeus contra
o império. Cristo foi preso, condenado à morte e crucificado. Mas a sua
mensagem não morreu. O cristianismo foi-se propagando por todo o Império
Romano.

A Expansão do Cristianismo

Depois da morte de Cristo, os seus seguidores, os Apóstolos percorreram


algumas das províncias do Império pregando a palavra do Cristo. A religião foi
ganhando adeptos principalmente escravos e alguma plebe. A difusão dos ideais
cristãos no mundo foi facilitada por vários factores:

. Pela existência de numerosas cidades e uma boa rede de estradas;

. O facto de haver duas línguas compreendidas por quase toda a população (o


grego e o latim);

. A presença de muitas comunidades judaicas por todo o Império, consequentes


da diáspora.

 
Os romanos consideravam os cristãos uma seita perigosa já que recusavam
prestar cultos aos imperadores e defendiam a igualdade entre todos os homens
pondo em causa a sociedade romana fortemente estratificada dando origem a
sangrentas perseguições.
Apesar disso, o cristianismo foi atraindo cada vez mais seguidores incluindo
pessoas de camadas sociais superiores. Perante isto o imperador Constantino
em 313 decretou a liberdade religiosa. Finalmente, em 392, o imperador
Teodósio declarou o Cristianismo religião oficial do Estado Romano, proibindo
todos os outros cultos.

Ao conjunto de todos os fiéis, ou seja, todos aqueles que acreditam em Cristo e


na sua palavra, chamamos Igreja Cristã. A organização da Igreja Cristã
contribuiu para a consolidação do Cristianismo no mundo romano. Nas dioceses,
subdivisões das províncias, as comunidades cristãs eram orientadas por um
bispo. Os bispos de cada província obedeciam a um metropolita.

Devido ao prestígio de Roma, os bispos e os metropolitas começaram a


reconhecer a autoridade suprema do bispo de Roma que, mais tarde, passou a
ser chamado Papa.