Caso Aquaparque (1993

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INFORMAÇÃO IMPORTANTE

O texto que se segue é uma reprodução escrita, com pequenas adaptações e esclarecimentos, do programa exibido pela Rádio e Televisão de Portugal, 1993 Caso Aquaparque integrado na série 50 Anos 50 Notícias , de 2007. Como tal, cumpre-me esclarecer que toda a informação constante deste documento foi apresentada pela citada estação de televisão portuguesa, aquando da exibição do documentário referido. Resta-me recordar, em último lugar, que no ano de 2007 a Rádio e Televisão de Portugal celebrou o seu quinquagésimo aniversário.

CASO AQUAPARQUE (1993)

1993, 27 de Julho: Elisabete Caldas desaparece, quando passa o dia no Aquaparque do Restelo. Dois dias depois, Frederico Duarte desaparece também, no Aquaparque. Os corpos das duas crianças serão encontrados ao mesmo tempo. O caso teve grande impacto público. (António Pinto Pereira, advogado no caso Aquaparque) O caso Aquaparque foi uma tragédia que apaixonou o país e que teve contornos públicos muito mediáticos e muito emocionais. As pessoas que acompanharam a situação em permanência, durante aquela semana, ficaram completamente revoltadas e chocadas por saber o que tinha acontecido. Eu, na altura, era espectador e verificava, durante aqueles dias, que havia uma demanda pública, pois as pessoas iam para as grades do Aquaparque, agarravam-se às grades para saber o que tinha acontecido. Depois de saberem que sucedeu uma segunda morte, houve uma manifestação popular, que foi das primeiras que eu me recordo de ter ocorrido no país, em que as pessoas, espontaneamente, foram à procura das instalações e partiramnas todas. Via-se o Corpo de Intervenção, polícias, cães. Apedrejaram as instalações. Portanto, houve uma revolta popular, que é das primeiras que eu me lembro de ter ocorrido no nosso país. Faltava uma simples rede de protecção à entrada dos tubos da piscina. As duas crianças morreram afogadas dentro das tubagens. Os pais intentaram um processo judicial para

apuramento das responsabilidades. Tinham pela frente um longo caminho. (António Pinto Pereira) Tinham recebido a notificação para a audiência de julgamento. Estavam, portanto, com a sua esperança à tona da água, ao fim daqueles anos todos de sofrimento, angústia, desespero, ansiedade. E recebemos um despacho do mesmo juiz que marcou o julgamento, dias depois de o ter marcado, a dizer que, afinal de contas, o julgamento não podia fazer-se, porque o processo tinha prescrito. A prescrição beneficiou os administradores e técnicos do Aquaparque, acusados de homicídio por negligência. Mas o Estado também tinha culpas por não ter legislado sobre os parques aquáticos. As culpas do Estado iam ser reconhecidas. (António Pinto Pereira) Foi um caso histórico. Em 1994, quando o concebi, ninguém acreditava neste caso. O processo cível, que era o processo impossível, foi ganho e constituiu um marco jurisprudencial, na minha opinião, relativamente importante. Olhando à distância o ano de 1993, verifica-se que mudou o panorama da responsabilidade do Estado, aceita-se que o Estado pode ser sentado no banco dos réus e responder pelos prejuízos causados quando viola o Direito, o Direito dos seus cidadãos. O Estado recorreu da sentença condenatória. Só dois anos depois pagou as indemnizações. Tinham passado nove anos sobre a morte das duas crianças.

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