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No último dia 02 de julho milhões de contribuintes foram surpreendidos com a notícia

de que o Governo Federal colocou o nome de devedores de impostos na Internet.


A notícia, infelizmente, é verdadeira.
Todo mês, a PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional) atualizará as informações,
que estarão disponíveis no site www.pgfn.fazenda.gov.br.

A lista inicial, no mês de julho, possui 1 milhão de devedores e 3,9 milhões de dívidas.

Na lista, aparecem o nome e os dados do contribuinte com dívidas acima de R$ 1.000


(mil reais).

Também serão inscritas no cadastro da dívida ativa da União pessoas físicas ou


empresas que tenham dívidas relacionadas a outros tributos, como a contribuição
previdenciária - no caso do empregador que não recolhe o INSS de seu funcionário.

Esses devedores terão seus nomes incluídos na lista em um futuro próximo, mas ainda
não há previsão.

No entanto, o contribuinte que estiver inscrito na dívida ativa e, conseqüentemente, na


lista de devedores, certamente terá dificuldades conseguir contratar empréstimos e
linhas de crédito bancárias.

Segundo a procuradoria, o nome será retirado da dívida ativa apenas quando o


contribuinte pagar seus débitos.

Administrativamente, o contribuinte poderá pedir a sua exclusão da lista de devedores.

A solicitação, por enquanto, é feita somente pela Internet, no site da procuradoria, por
meio do E-CAC --Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte.

O devedor terá de preencher um requerimento apresentando os motivos pelos quais


seu nome não deveria estar incluído na lista.

A Procuradoria terá cinco dias úteis para analisar o pedido de exclusão e dar uma
resposta. Se não houver nenhum impedimento, o nome poderá ser retirado
automaticamente.

No entanto, entendemos que tal inclusão é INCONSTITUCIONAL, por ferir o princípio


do Sigilo e ser uma afronta aos direitos básicos do contribuinte, dentre eles,
fundamentalmente, de sigilo.
Na prática, esta medida é um ato de COAÇÃO para pagamento de Tributos.
Ato ilegal à beira da regularização de uma anistia (REFIS da Crise), que forçará os
contribuintes a assumirem encargos e parcelarem débitos indevidos, muitas vezes
prescritos.
Existem medidas judiciais para impedir esta divulgação. Ao empresário, resta procurar
auxílio profissional para fazer valer seus direitos.

KELLY CRISTINA SALGARELLI


Advogada, professora de Direito Empresarial e pós-graduada em Direito do
Consumidor pelo CPPG/FMU. Sócia da Advocacia Empresarial Salgarelli, na Rua Vitório
Emanuel, nº 175, Aclimação. Telefones: (11) 3341-0911 / 3341-1803, em São Paulo.
Atua na área cível empresarial, presta consultoria e assessoria em ações coletivas,
indenizatórias e contratos.
Site: www.aes.adv.br