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Edição Especial MARÇO / 2004 – EDITADO PELA GERÊNCIA DE MEIO AMBIENTE

Pesquisa

1 FIRJAN: Diretor de Meio


Ambiente: Maury Saddy;
“Gestão para
Gerente de Meio Ambiente:
Luis Augusto Azevedo;
Analista de Meio
Reaproveitamento de
Ambiente: Ivan Mello e
Silva e Estagiário: Luiz
Materiais nas Indústrias do
Felipe Carvalho
SEBRAE/RJ: Gerente de Estado Rio de Janeiro”
Meio Ambiente / Econegó-
cios: Dolores Lustosa
CIDS/EBAPE/FGV:
Coordenação: Professor
José Antonio Puppim de 1) Introdução
Oliveira; Colaboradores:
José Jorge Abdalla, A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN e o Sebrae-RJ apresentam os
Edinelson Benedito Alves resultados da pesquisa “Gestão para Reaproveitamento de Materiais nas Indústrias do Estado Rio de
de Azevedo e Pólita Janeiro”, com apoio técnico do Centro Internacional de Desenvolvimento Sustentável (CIDS/EBAPE)
Gonçalves. da Fundação Getulio Vargas (FGV).1

2 "A Situação da Gestão A pesquisa “Situação da Gestão Ambiental nas Indústrias do Rio de Janeiro” realizada pela FIRJAN
Ambiental nas Indústrias em 2002, com apoio do CIDS/EBAPE/FGV, mostrou que a preocupação ambiental de muitas empre-
do Estado do Rio de sas deixou de ser apenas uma reação à legislação2. Ela foi o primeiro passo para a consolidação de
Janeiro: Apresentação de um sistema de informações que auxiliasse a FIRJAN, Sebrae-RJ, as empresas e órgãos públicos a dire-
Resultados da Pesquisa". cionar suas ações estratégicas na área ambiental. Com esse objetivo, esta pesquisa de gestão de
Súmula Ambiental subprodutos ou resíduos das indústrias, continua a montar o sistema de informações ambientais de
(publicação da Firjan), maneira a subsidiar políticas e ações específicas na área.
Edição Especial, Junho,
2002 (www.firjan.org.br, A FIRJAN e o Sebrae-RJ querem apoiar as empresas a gerirem seus subprodutos e resíduos da forma
clicar em Meio Ambiente mais eficiente. A gestão de subprodutos ou resíduos industriais tem deixado de ser uma simples obri-
e depois em Súmula gação legal para ser uma forma de gestão empresarial que pode gerar uma série de benefícios para
Especial). o meio ambiente e para a sociedade, além de processos mais eficientes e rentáveis. Muitas vezes os
resíduos podem se tornar algo de valor. A participação das empresas na Bolsa de Resíduos e no pro-
3 Súmula Ambiental, grama da Troca Ambiental da FIRJAN mostra que é crescente o interesse por gerar valor na gestão de
Dezembro 2002. resíduos3.
2) A Pesquisa Tabela 1 -Total de Respostas por Setor Industrial

Esta pesquisa visa um conhecimento da situação atual das indústrias no Estado do Rio de Janeiro em relação aos SETOR DE ATIVIDADE Empresas Total de Percentual
resíduos: que resíduos geram, como gerenciam, que resultados estão obtendo e que obstáculos existem para uma respostas de respostas
melhor gestão de resíduos ou subprodutos. 1500 - alimentação e bebida 280 28 10,0%
1700 - produtos têxteis 78 16 20,5%
Em relação à metodologia, a pesquisa consistiu, inicialmente, na coleta de dados através de questionário enviado 1800 - conf. vestuário acessório 493 41 8,3%
para todas as indústrias do cadastro Industrial do Estado do Rio de Janeiro, publicação da FIRJAN. O questionário 1900 - preparação de couro 36 3 8,3%
foi respondido por 364 empresas, sendo que 9,4% de pequenas empresas (com menos de 100 empregados) e 2000 - produtos de madeira 41 6 14,6%
16,8% das grandes empresas (com mais de 100 empregados) pesquisadas responderam à pesquisa. Os dados 2100 - fabricação pasta e papel 75 8 10,7%
coletados, dão uma clara idéia das tendências do estado na geração e gestão de resíduos e subprodutos. 2200 - edição e impressão 248 24 9,7%
2300 - fabricação de coque refino petróleo 5 0 0,0%
O percentual de respostas por região e setor de atividade se encontram nas tabelas 1 e 2 abaixo. Os setores 2400 - produtos químicos 261 41 15,7%
industriais que mais responderam foram os de reciclagem de sucatas não-metálicas, têxtil, equipamentos de preci- 2500 - artigos de borracha e plástico 171 16 9,4%
são e metarlurgia básica. Não foi obtida nenhuma resposta de alguns setores importantes, como o de coque e 2600 - produtos minerais não metálicos 279 33 11,8%
refino de petróleo. Em relação à localização das empresas que responderam ao questionário, destacam-se as 2700 - metalúrgica básica 66 11 16,7%
regiões Baixada I, Serrana e Sul onde mais de 15% do total de suas empresas responderam ao questionário. 2800 - fabricação estruturas metálicas 291 36 12,4%
Após o recebimento do questionário, foram feitas entrevistas nos arranjos produtivos locais (APLs) e pólos indus- 2900 - fabricação de máquinas e equip. 165 25 15,2%
triais do estado. O objetivo destas entrevistas era saber de forma qualitativa como as empresas estão gerindo 3100 - fabricação máquinas material elétric. 35 2 5,7%
seus resíduos ou subprodutos, buscando entender seus avanços e obstáculos, de maneira a gerar sugestões de 3200 - material eletrônico 43 3 7,0%
ações e políticas para FIRJAN e Sebrae-RJ. Os resultados mostraram diversos aspectos sobre a questão dos resí- 3300 - equipamentos de precisão 36 6 16,7%
duos e sua gestão pelas indústrias fluminenses. 3400 - Fabricação de Veículos e Equip. Transporte 68 6 8,8%
3600 - fabricação móveis e industrias diver. 215 18 8,4%
Noroeste 3700 - reciclagem de sucatas não metálicas 4 2 50,0%
Fluminense 4500 - construção 555 38 6,8%
5200 - comércio varejista, etc. 2 0 0,0%
Outros 17 0 0,0%
Total 3.464 363 10,5%
Norte
Fluminense Tabela 2 - Total de Respostas por Região

Centro Região Total de Respostas Percentual


Empresas de Respostas
Serrana Norte
(1) Rio de Janeiro 1701 155 9,1%
Sul (2) Baixada I 141 22 15,6%
Fluminense (3) Baixada II 318 33 10,4%
(4) Centro Norte 274 24 8,8%
Baixada II Leste (5) Leste 293 33 11,3%
Baixada I Fluminense (6) Noroeste 81 8 9,9%
(7) Norte 140 12 8,6%
Rio de
(8) Serrana 247 38 15,4%
Janeiro (9) Sul 251 38 15,1%
Expediente
Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) - Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ).
Av. Graça Aranha, 01 - CEP: 20030-002 - Rio de Janeiro
3) Os Resultados
Sugestões e Informações: tel (021) 2563-4213 / 4140, ou pelo nosso site: www.firjan.org.br. Presidente: Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira; Tipo de Resíduo Gerado
Presidente do Conselho Empresarial de Meio Ambiente: Isaac Plachta; Diretor Operacional Corporativo: Augusto Franco Sobre os tipos gerais de resíduos encontrados na planta industrial das empresas, os resíduos sólidos foram os
Alencar. Diretor de Meio Ambiente: Maury Saddy. Coordenação Gerência de Meio Ambiente: Luis Augusto Carneiro Azevedo e
mais comuns apontados por 87% das indústrias, seguidos de efluentes líquidos com 32% e emissões atmosféri-
Christine L. C. Pereira - Edição: Print Comunicação - Jornalista Responsável: Janice Caetano - MTB 14573; Fotografia: Geraldo Viola;
Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica: Romildo Gomes - Fotolito: Virtual; Impressão: Gráfica SRG cas com 18% das empresas respondentes (Figura 1), sendo que 73% das empresas responderam que separam
de alguma forma os resíduos gerados (Figura 2).

2 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 3


Figura 1 - Resíduos Gerados Figura 2 - A Empresa separa resíduos? Figura 3 Produtos Têxteis
(% das empresas que respoderam)
Oleosos 9,4%
100% Têxteis 37,3%
87%
80% 27% Sim Plástico Filme 1,6%
60% Não
40% 32% 0,0% 10% 20% 30% 40% 50%
20% 18%
0%
1- Resíduos 2- Efluentes 3- Emissões
sólidos Líquidos Atmosféricas 73% Figura 3 Confecção e Vestuário

Baterias 10%
4 Para cada setor Como era de se esperar, a geração de resíduos ou subprodutos depende em grande parte da atividade ou setor Têxteis 44,2%
foi feita uma projeção industrial. Na Figura 3 temos uma série de gráficos que mostram a percentagem de tipos de resíduos gerados em Papel Ondulado/papelão 3,9%
usando os questionários cada setor em relação ao total gerado no estado daquele tipo de resíduo4. Vemos, por exemplo, que os setores da Lâmpadas Fluorescentes 2,2%
das amostras recebidas indústria têxtil e de confecção e vestuário geram mais de 80% do total de resíduos têxteis do estado. A indústria Plástico Filme 2,3%
e o tamanho das de alimentos produz quase 95% do resíduo orgânico do estado, enquanto a indústria de fabricação de pasta e
respondentes em papel engloba quase 30% do total de resíduos de papel ondulado e papelão. Os plásticos são gerados principal- 0,0% 10% 20% 30% 40% 50%
número de mente pelas indústrias de produtos químicos e de artigos de borracha e plástico. Esta última também gera boa
empregados, em parte dos resíduos de borracha. A produção de resíduos de metais fica concentrada na indústria metalúrgica bási-
relação ao número ca, mas também há muita sucata sendo gerada na indústria de fabricação de máquinas e equipamentos. O setor
de empregados do de metalurgia também gera boa parte do lodo de Estação de Tratamento de Efluentes (ETE), dos resíduos oleosos Figura 3 Fabricação de Pasta e Papel
setor como um e do entulho, sendo que este último também tem contribuição significante da indústria de construção. A maior
todo (dados do parte do resíduo de madeira fica com a indústria de reciclagem de sucatas não-metálicas, já que a indústria de Lodo de ETE 3,3%
Cadastro Industrial madeira do estado é relativamente pequena. Assim, a figura 3 fornece subsídios para uma estratégia de reaprovei- Papéis/Papelão 29,3%
da FIRJAN tamento de subprodutos no estado. Este quadro é complementado pela Figura 4, mostrando uma distribuição da Lâmpadas Fluorescentes 2,1%
2002-2003). geração de resíduos por região em relação ao total do tipo de resíduo produzido no estado. Plástico Rígido 4,7%

0,0% 10% 20% 30% 40% 50%

Mapa da Produção de Resíduos por Setor Industrial


Tipos de resíduos por setor industrial do Estado ( Percentagem sobre o total do Estado) Figura 3 Produtos Químicos

Figura 3 Alimentos e Bebidas Outros 2,0%


Pilhas/Baterias 8,7%
Bombas de Plásticos 31% Oleosos 2,7%
Tambores de Metal 22,2% Têxteis 0,0%
Pilhas 34,2% Orgânicos 1,1%
Orgânicos 94,6% Papéis/Papelão 12,2%
Papéis/Papelão 14,3% Madeira 4,5%
Madeiras 8,35 Borrachas 1,7%
Borrachas 7,8% Vidros 0,5%
Vidros 48% Plásticos 42,1%
Plásticos 33,85% Metais 0,5%
Alumínio 41,8%
0,0% 10% 20% 30% 40% 50%
0,0% 20% 40% 60% 80% 100%

4 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 5


Figura 3 Artigos de Borracha e Plástico Figura 3 Reciclagem de Sucatas Não Metálicas

Outros 0,0% Papel de escritório 0,3%


Pilhas/Baterias 50,3% Madeiras 28,3%
Oleosos 0,7% Pneus 0,3%
Têxteis 17,2%
Orgânicos 0,5% 0,0% 10% 20,0% 30,0%
Papéis/Papelão 1,0%
Madeira 3,3%
Borrachas 69,6% Figura 3 Construção
Vidros 0,0%
Plásticos 14.9,1% Entulho 13,0%
Metais 0,0% Pilhas/Baterias 6,4%
Oleosos 7,7%
0,0% 20% 40% 60% 80% 100% Papel de Escriteorio 2,5%
Madeiras 2,3%
Plásticos 0,4%
Figura 3 Fabricação de Máquinas e Equipamentos Metais 0,4%

Bombonas de Plástico 12,9% 0,0% 5% 10.0% 15,0%


Pilhas/Baterias 1,7%
Oleosos 1,4%
Madeiras 0,2%
Borrachas 0,0%
Lâmpadas Fluorescentes 3,5% Vemos que, exceto por madeira, o município do Rio de Janeiro produz mais de 40% de todos os resíduos pesqui-
Plástico 0,2% sados. Isto se deve a alta concentração de indústrias neste município, especialmente as indústrias maiores. A
Sucata Misturada 32,8% divisão regional dos resíduos reflete um pouco a concentração de setores específicos em cada região. Por exem-
plo, o resíduo têxtil se destaca nas regiões Serrana e Centro Norte, conhecidas por suas indústrias têxteis e de
0,0% 10% 20% 30% 40% 50% confecções. A região sul concentra boa parte dos resíduos de metais, já que tem um pólo metal-mecânico forte.
A região Norte, com predominância da agroindústria tem alto poder de geração de subprodutos orgânicos.

Figura 3 Metalurgia Básica


Mapa da Produção de Resíduos por Região do Estado
Bombonas de Plástico 21,3% Tipos de resíduos por setor industrial do Estado ( Percentagem sobre o total do Estado)
Tambores de Metal 7,9%
Entulho 53,2% Figura 4 - Rio de Janeiro
Lodo ETE 91,9%
Pilhas/Baterias 3,5% Outros 43,5%
Oleosos 68,5% Pilhas/Baterias 55,1%
Têxteis 0,2% Oleosos 45,8%
Orgânicos 1,0% Têxteis 41,0%
Papel de Escritório 0,7% Orgânicos 50,7%
Madeiras 12,2% Papel/Papelão 59,5%
Borrachas 10,2% Madeiras 34,3%
Vidros 0,3% Borrachas 52,4%
Plásticos 1,7% Vidros 42,2%
Metais 96,6% Plásticos 50,1%
Metais 46,7%
0,0% 20% 40% 60% 80% 100%
0,0% 20% 40% 60% 80% 100%

6 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 7


Figura 4 - Centro Norte Figura 4 - Sul

Outros 1,3% Outros 38,8%


Pilhas/Baterias 4,2% Pilhas/Baterias 11,5%
Oleosos 3,4% Oleosos 35,9%
Têxteis 15,9% Têxteis 5,8%
Orgânicos 5,2% Orgânicos 7,3%
Papel/Papelão 2,9% Papel/Papelão 7,5%
Madeiras 2,3% Madeiras 16,3%
Borrachas 2,4% Borrachas 15,8%
Vidros 3,8% Vidros 10,3%
Plásticos 2,8% Plásticos 7,3%
Metais 1,0% Metais 46,9%
0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0%
0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0%

Figura 4 - Norte

Outros 0,7%
Pilhas/Baterias 2,6% Destino dos Resíduos ou Subprodutos
Oleosos 1.2%
Têxteis 1.2% O local do destino final dos resíduos sólidos tem uma grande variação no espectro das indústrias do estado
Orgânicos 8,4% (Figura 5). Das empresas que responderam à pesquisa, 49% disseram que o destino final do resíduo fica no pró-
Papel/Papelão 2,0% prio município, 24% afirmaram que os resíduos vão para outro município do estado, 3% declararam que os resí-
Madeiras 1,5% duos vão para outro estado da federação e 24% não sabem ou não responderam. Também há uma diferença
Borrachas 1,3% razoável no destino final dos resíduos dependendo das regiões (gráficos da Figura 6). Na região Centro Norte,
Vidros 7,4% 75% das empresas responderam que o destino final de seus resíduos sólidos é o próprio município e somente
Plásticos 3,4% 4% disseram que o destino final fica em outro município do estado. Enquanto que na região da Baixada II, 37%
Metais 0,2% das empresas responderam que seu resíduo sólido vai para outro município.
0,% 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0%

Figura 5 - Local de Destino dos


Resíduos Sólidos
Figura 4 - Serrana
24%
Outros 0,7%
Pilhas/Baterias 6.9%
Oleosos 2,3%
Têxteis 12,1% 3%
Orgânicos 3,3%
Papel/Papelão 4,5%
Madeiras 1,7%
Borrachas 9,9% 24% 49%
Vidros 4,7%
Plásticos 3,4% No mesmo município onde se localiza a fábrica
Metais 0,4% Em outro município dentro do Estado do RJ
Em outro estado da federação
0,% 2,0% 4,0% 6,0% 8,0% 10,0% 12,0% 14,0% Não sabe

8 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 9


Local da Disposição Final de Resíduos por Região (em percentagem das empresas respondentes de cada região)
Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos
Figura 6 - Gráfico das Regiões Figura 6 - Gráfico das Regiões Outros Tipos de Vidro Plásticos
Rio de Janeiro Baixada II 7%
Outro Destino
16% 11% 10%
0% Empresa especializada 20% Reaproveitamanto
Reciclagem Doação 38%
20%
No mesmo município No mesmo município Venda Coleta pública
39% 11%
Em outro Em outro município Outros Reciclagem
município do estado
16% do estado 52% Venda
37% 35%
Em outro estado Em outro estado
da federação 29% da federação 25% 14%
Não sabe Não sabe
20%

Figura 6 - Gráfico das Regiões Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos
Centro Norte Papel Ondulado Madeira

0% 21% 11% 17%


15% 19%

No mesmo 4%
município 19% 14%
Em outro município 75% Coleta pública 39% Venda
do estado Doação Doação
14% 36%
Em outro estado Reciclagem Coleta pública
da federação Venda Empresa especializada
Não sabe Outros destinos 18% Outros destinos

O destino encontrado para os principais tipos de resíduos e subprodutos foi analisado (Figura 7). Vemos que boa
parte do material gerado é vendida, como no caso dos metais. O percentual de empresas respondentes que vende
alumínio chega a 67%, enquanto 68% e 63% das empresas comercializam seus resíduos de aço e sucata mistura-
da, respectivamente. Os vidros (35%), papel ondulado/papelão (39%) e plásticos (38%) também são vendidos
com freqüência pelas empresas. A doação é feita por 36% das empresas, no caso da madeira e 19% no caso do
papel ondulado/papelão. Esses dados mostram que já é grande o reaproveitamento de materiais nas empresas,
especialmente daqueles onde há um mercado, tanto formal como informal, para venda e oportunidades de doação. Gestão de Resíduos e Subprodutos

Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos Figura 7 - Destino Final para Tipos de Resíduos Quando perguntadas se algum tipo de resíduo era utilizado como insumo por outra empresa, 39% dos
Lâmpadas Fluorescente Alumínio respondentes disseram que isto acontece, mostrando que já existe uma parcela significativa das indústrias
que trabalham em alguma parceria com outras empresas para gestão dos resíduos como forma de insumo
2% 7% (Tabela 3). Porém, o potencial ainda é grande para o crescimento.
Armazenamento
33%
na empresa Tabela 3 – Algum tipo de resíduo é utilizado
16%
Coleta pública como insumo em outra empresa?
Empresa
especializada Resposta Número de empresas % do total
Reciclagem 36% 1 - SIM 140 39%
Incineração 39% Venda 2 - NÃO 167 46%
Outro destino 67% NS/NR 56 15%

10 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 11


A existência de algum programa de gestão/gerenciamento de resíduos foi detectado em 30% das indústrias res- Figura 10 - Conhecimento das Normas Figura 11 - Conhecimento do PL sobre a
pondentes (Figura 8). Este número ainda é modesto e caso aumentado poderia incrementar projetos de reapro- de Classificação de Resíduos Política de Resíduos Sólidos
veitamento de materiais no estado. Das empresas que responderam que tem programa de gestão/gerenciamento
de resíduos, 87% disseram que foi idéia própria da empresa, 7% que foi aproveitada de outra empresa e 6% 4% 4% 18%
18%
que partiu de uma empresa contratada (Tabela 4). Isto mostra, que mesmo que modesto, existe um intercâmbio Sim, conhece bem Sim, conhece bem
16%
de informações sobre gestão de resíduos entre as empresas. Programas como a Troca Ambiental e Bolsa de Sim, conhece um pouco Sim, conhece pouco
Resíduos da FIRJAN ajudam a fortalecer essas iniciativas de troca de informações. Já ouviu falar Já ouviu falar
Não 38% Não
Figura 8 - Existência de Programa Tabela 4 – Surgimento do Programa de NS/NR 16% NS/NR
38%
de Gerênciamento de Resíduos gerenciamento / gestão de resíduos

6% Resposta Número 24%


de empresas % das respostas 24%
Sim 30% Por iniciativa da
Não própria Empresa 87 79% Figura 12 - Conhecimento do Príncípio
NS/NR De uma Empresa do Poluidor Pagador
contratada 7 6%
Aproveitou a idéia Sim, conhece bem 4%
16%
de outra Empresa 8 7% Sim, conhece pouco
63% Outras 8 7% Já ouviu falar
Total 110 100% Não
NS/NR
19%

Figura 9 - Existência de Planos 42%


para Reduzir Resíduos
19%
7%
Sim
Não Efluentes Líquidos e Emissões Atmosféricas
NS/NR
Quanto aos efluentes líquidos, 29% das empresas disseram que tratam seus efluentes líquidos em algum tipo de
34%
Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). O lançamento dos efluentes é prioritariamente feito na rede pública
60% de esgotos para 46% das empresas, seguidos de fossas (26%) e diretamente em rios ou lagoas (16%), como
mostrado na (Figura 13).

Figura 13 - Local de lançamento


de Efluentes Líquidos

6%
Boa parte das empresas pensam em diminuir os resíduos em seus processos industriais (Figura 9). 26%
Mais de 60% das empresas disseram que têm planos de reduzir a geração de resíduos em suas
plantas. Em fossas 16%
As empresas indicam algum conhecimento sobre algumas questões importantes no debate Em rede
ambiental sobre resíduos (Figuras 10, 11 e 12). Das empresas que responderam à pesquisa, 18% pública pluvial
disseram que conhecem as normas de classificação de resíduos e mais da metade (58%) pelo Em rede 6%
menos já ouviu falar. Sobre os debates a respeito da Política Nacional de Resíduos Sólidos, 7% pública de esgoto
têm um bom conhecimento sobre os principais pontos do debate e 45% pelo menos já ouviram Em rios, lagoas e canais
falar. O Princípio do Poluidor Pagador, ponto importante dos debates sobre resíduos sólidos, é Mais de um 46%
conhecido por 54% dos respondentes, sendo que 16% afirmaram conhecê-lo bem.

12 SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL SÚMULA AMBIENTAL / EDIÇÃO ESPECIAL 13


A existência de emissões atmosféricas foi apontada somente por 3% das indústrias, sendo Informalidade do Setor de Reaproveitamento, Gestão e Reprocessamento
que destas, 18% disseram que tem algum tipo de controle.
Pelas entrevistas, ficou claro que o setor de gestão e reaproveitamento de resíduos têm crescido nos últimos
4) Problemas Enfrentados anos, mas muitas empresas neste setor ainda trabalham na informalidade. Por exemplo, os próprios
sindicatos de indústrias de papel, papelão e plástico não souberam informar sobre a situação do
As empresas consultadas para as entrevistas concordaram que existe um potencial muito setor de reaproveitamento de materiais no Estado, já que as organizações deste setor não têm um
grande para reaproveitamento de resíduos nas indústrias do estado, sendo que muitas já rea- sindicato ou representante conhecido.
proveitam uma parte de seus resíduos (como também mostrado nos dados acima). De acordo
com as empresas, ultimamente os órgãos fiscalizadores, principalmente a FEEMA, têm pressio- Muitas indústrias, principalmente as de grande porte, têm problemas de destino para alguns dos seus
nado bastante para solução de algumas questões ambientais. Muitas empresas estão tentan- resíduos, que poderiam ser reaproveitados, mas as empresas interessadas no material não estão devida-
do conseguir a licença de operação, porém têm tido dificuldades para atender a todas as exi- mente credenciadas ou licenciadas pelos órgãos de meio ambiente, impedindo a gestão eficiente ou mais
gências, sendo a gestão dos resíduos um dos entraves. Este fato, inclusive, fez com que alguns sustentável. Alguns interessados nem mesmo se constituem em organizações formais, sendo, muitas
sindicatos buscassem uma parceria com a FIRJAN e Sebrae/RJ para apoiar as empresas nos vezes, apenas indivíduos que revendem o material.
seus processos de licenciamento e gestão ambital. Porém, ainda há uma série de obstáculos
às empresas para atingir uma gestão mais eficiente de seus subprodutos ou resíduos. A própria Bolsa de Resíduos da FIRJAN tem sido utilizada por algumas empresas, mas muitos interessa-
dos em receber os resíduos não estão propriamente habilitados para exercer a atividade de gestão de
A seguir iremos descrever alguns dos principais problemas. resíduos.

Falta de Informações Mesmo para reprocessamento de materiais há dificuldades devido à informalidade, pois em muitos
casos a empresa habilitada tecnicamente para reprocessar ou reutilizar o resíduo, não está totalmen-
A falta de informações sobre como gerenciar os resíduos aparece principalmente para as te legalizada, impedindo a gestão adequada. Por exemplo, uma empresa mencionou que gerava uma
pequenas empresas. Muitas delas fazem a separação do material a ser descartado ou rea- espécie de argamassa, que possivelmente poderia ser utilizada por cimenteiras ou olarias. Porém,
proveitado, mas não estão familiarizadas com os procedimentos adequados ou as oportuni- apesar de viável técnica e economicamente, não conseguiu nenhuma empresa na região que tivesse
dades existentes. Termos como Manifesto de Resíduos ainda são desconhecidos por muitas licença ambiental e autorização para o reprocessamento, o que impediu a parceria. Isso faz com que
empresas. a indústria envie o material para seu aterro industrial e com isso tenha custos de disposição.

Armazenamento A falta de formalização do setor de gestão e reaproveitamento de materiais tem causado certos
obstáculos para melhoramento da atividade de reaproveitamento pelas indústrias do Estado. Algu-
Algumas empresas, especialmente pequenas empresas, reclamaram que não tem muito espa- mas indústrias, inclusive, estão indo buscar empresas de reaproveitamento ou gestão de resíduos
ço para armazenamento de resíduos. Isto dificulta a acumulação para venda ou doação pos- em outros estados, como São Paulo, Paraná ou até mesmo Rio Grande do Sul. Essas indústrias
terior, já que muitas empresas coletoras de material somente vão ao local para buscar um geram um volume significativo de material, fazendo com que boas oportunidades sejam perdidas no
mínimo de volume por causa dos custos operacionais. O problema é mais relevante para os estado. Por outro lado, muito material que poderia ser reutilizado, reprocessado ou reciclado termina
materiais que ocupam muito espaço ou requerem um local apropriado, como óleo usado, nos aterros industriais por falta de empresas habilitadas para reprocessá-los. Isto leva a que as
estopas ou papelão. indústrias arquem com o custo da disposição dos resíduos nos aterros, em vez de gerar uma ativida-
de econômica.
Coordenação da Coleta
Falta de Incentivo para Implantação de Empresas de Gestão de Resíduos
Já existem empresas que se interessam por reaproveitamento de resíduos. Porém, muitas pequenas
indústrias têm dificuldade de fazer com que as empresas coletoras venham apanhar o material. Ligado diretamente ao problema anterior, há uma falta de incentivos para a implantação de indús-
Devido ao pequeno volume, mesmo quando o material é acumulado e armazenado por algum trias de destinação de alguns tipos de materiais, que poderiam ser instituídos em alguns pólos
tempo, as empresas coletoras têm pouco interesse pela carga. Algumas indústrias responderam industriais ou regiões com concentrações de indústrias. Isso acentuaria o perfil de vanguarda nas
que precisam telefonar várias vezes para as empresas coletoras para que venham buscar o mate- questões ambientais que este distrito industrial ostenta e criaria no Estado alternativas de destina-
rial, e algumas vezes sem sucesso. Isto faz com que as empresas percam muito tempo ou até ção ambientalmente corretas, ao invés de forçar as empresas a procurar fora do Estado tais destina-
desistam de enviar o material para reaproveitamento. ções para o reaproveitamento e a reciclagem.

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Conclusões

As indústrias do Estado do Rio de Janeiro, por intermédio de várias iniciativas, vem tentando
reforçar sua política ambiental. Elas devem buscar uma gestão ambiental moderna, gerenciando
seus resíduos de forma sustentável, tanto ambientalmente, como economicamente, gerando
receitas, empregos e renda.

A pesquisa mostrou uma estimativa do potencial na comercialização de resíduos ou subprodu-


tos com valor de mercado que chega a mais de 200 milhões de reais por ano. O setor de rea-
proveitamento de materiais já está se desenvolvendo no estado, mas tem um potencial muito
maior caso haja políticas de fortalecimento de uma gestão mais eficaz dos resíduos, tanto de
parte dos governos quanto de parte das indústrias e suas instituições de apoio.

Além disso, uma política moderna de gestão de resíduos gera uma série de benefícios, aumen-
tando assim a competitividade das empresas fluminenses e abrindo novos mercados onde a qua-
lidade ambiental é uma vantagem tanto para empresa como para sociedade. Entre os benefícios
de uma gestão de resíduos eficaz estão:

■ diminuição dos riscos ambientais ■redução dos custos operacionais ■melhoria do posiciona-
mento no mercado ■ aprendizado de práticas de gestão, experiência e tecnologia ■melhoria da
imagem da empresa frente aos clientes e sociedade ■ maior acesso a financiamento e parcerias

O Estado do Rio de Janeiro tem tentado reforçar sua política ambiental através dos chamados
Ecopolos, que são pólos industriais onde as empresas instaladas buscam, por meio de uma ges-
tão ambiental moderna e cooperação, gerenciar seus resíduos de forma sustentável, tanto
ambientalmente, como sócio-economicamente. As industrias do Estado do Rio de Janeiro neces-
sitam estar preparadas da melhor forma possível para aderirem e se beneficiarem de uma políti-
ca de gestão de resíduos e outras políticas de incentivo a melhoria ambiental.

Porém, os obstáculos detectados para uma gestão mais eficiente e eficaz dos resíduos nas
empresas fluminenses precisam ser equacionados para que o Estado do Rio e Janeiro avance
com melhoria da competitividade das empresas e qualidade de vida da sua população. Faz-se
necessário buscar soluções para os obstáculos através de uma discussão ampla entre as empre-
sas, FIRJAN, Sebrae-RJ, FEEMA, outros órgãos dos diversos níveis de governo, Ministério Público
e sociedade civil organizada. Sugestões para gerenciar os obstáculos seriam políticas de divul-
gação de informação, políticas com foco setorial e regional, ações de articulação com atores
chaves nas indústrias, utilização da estrutura regional das instituições de apoio e articulação da
relação entre indústrias e órgãos ambientais do governo para agilizar processos.

Organizações de apoio às indústrias, como FIRJAN e Sebrae-RJ, têm um papel fundamental para
articular políticas na área ambiental. Esta articulação tem que ser tanto entre as próprias indús-
trias e seus sindicatos, quanto com órgãos públicos e organizações de prestação de serviço na
área. O grande desafio é mudar o paradigma que vê a questão dos resíduos como um problema
para ser resolvido somente com legislação comando e controle, para um paradigma mais
moderno que olha esta questão como um problema de gestão. Ou seja, um problema que pode
ser resolvido com gestão de informação, tecnologia e economia. Assim, esta pesquisa buscou
dar subsídios para construção deste novo paradigma, gerando informações que subsidiem a
criação de mecanismos de gestão para melhorar de forma contínua a gestão de resíduos pelas
indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

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