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PROCESSO PENAL 1

DIREITO PROCESSUAL PENAL 4. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL DA E


Prof. João Pereira BASE LEGAL DA AÇÃO PENAL
Dada a importância do instituto, a ação se
encontra fundamentada no art. 5°, XXXV da
Constituição: "a lei não excluirá da apreciação do
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Assim, o
Judiciário tem a atribuição de examinar todas as
demandas que lhe forem propostas, mesmo que,
posteriormente, as considere improcedentes. Além
professorpereira@yahoo.com.br
disso, só o Judiciário pode realizar a jurisdição, sendo
vedado ao particular exercer justiça com as próprias
Bacharel em Direito pela Universidade de mãos e ao próprio Estado executar diretamente o
Fortaleza, além do exercício da advocacia nas áreas Direito Penal.
criminal, cível e administrativa e atuação no magistério, A Ação Penal tem como base legal os arts. 100
já desempenhou diversos cargos, tanto na iniciativa a 106 do Código Penal e Arts. 24 a 62 do Código de
privada como na área pública, dentre os quais Processo Penal
destacam-se Analista Judiciário do Tribunal de Justiça
do Estado do Ceará, onde também ministrava aulas no
Centro de Treinamento Integrado, Supervisor de 5. CONDIÇÕES DA AÇÃO PENAL
Controle Interno da Auditoria do INSS/CE, Assessor São requisitos obrigatórios exigidos por lei para
Jurídico da SC Engenharia, dentre outros. que a ação penal tenha acolhimento perante o Poder
Professor das disciplinas de DIREITO PENAL e Judiciário, sem as quais não poderá ter seu
PROCESSO PENAL, na preparação para diversos desenvolvimento válido.
concursos públicos (Polícia Rodoviária Federal, Polícia Segundo Távora e Alencar (2009, p. 120-125),
Federal, Polícia Civil, Guarda Municipal, SEFAZ, as condições da ação penal podem ser divididas da
Receita Federal, etc.). seguinte forma:

AÇÃO PENAL - DISPOSIÇÕES GERAIS 5.1 Condições genéricas:


5.1.1 Possibilidade Jurídica do Pedido
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A conduta humana que se pretende apurar e
Quando ocorre uma infração penal, surge o jus punir mediante a ação penal, deve constituir infração
puniendi, ou seja, o direito de punir exercício pelo penal, ou seja, deve encontrar-se tipificado pela lei
Estado. Inicia-se, então o persecutio criminis, o penal como crime ou contravenção. Por exemplo, não
caminho percorrido pelo Estado-administração para pode haver ação penal para apurar ato incestuoso, já
que seja aplicada a pena ou medida de segurança que essa conduta não é classificada com tipo penal.
àquele que cometeu a infração.
O persecutio criminis se exerce em dois
5.1.2 Interesse de agir
momentos: na investigação (inquérito policial) e na
ação penal (fase judicial). Deve haver justo motivo para instauração da
ação penal, pelo menos indícios do cometimento de
Neste momento nos limitaremos à análise da
infração penal que demonstre alguma lesão à
segunda e última fase, a ação penal (fase judicial, in
sociedade ou um cidadão, nascendo daí a razão da
judicio).
persecução estatal. Se assim não fosse, a sociedade
estaria em constante sobressalto, já que por qualquer
2. CONCEITO motivo, inclusive torpe (vingança, inveja, etc) se
Ação Penal é o direito inerente aos cidadãos de instaurariam ações penais.
obter do Estado, a prestação jurisdicional, para Desdobra-se no trinômio necessidade e
apuração de infração penal e a punição de seu autor. utilidade do uso das vias jurisdicionais para a defesa
Em determinados casos esse direito é exercido pelo do interesse material pretendido, e adequação à
próprio ofendido, noutros o Estado assume a tarefa de causa, do procedimento e do provimento, de forma a
exercer o direito, substituindo compulsoriamente o possibilitar a atuação da vontade concreta da lei
ofendido. segundo os parâmetros do devido processo legal.
A necessidade é inerente ao processo penal,
tendo em vista a impossibilidade de se impor pena sem
3. CARACTERÍSTICAS DA AÇÃO PENAL
o devido processo legal.
Para CAPEZ (Curso de Processo Penal/2010,
Por conseguinte, não está recebida a denúncia,
pag. 153), a ação penal tem as seguintes
quando já estiver extinta a punibilidade do acusado, já
características:
que, nesse caso, a perda do direito material de punir
a) Direito autônomo – distinto do direito material resultou na desnecessidade de utilização das vias
(direito de punir); processuais.
b) Direito abstrato – independe da existência do Note-se que, com a edição da Lei 11.719/2008,
direito material e, portanto, da sentença favorável; essa hipótese poderá, após oferecida a defesa dos
c) Direito público – exercido perante o Estado arts. 396 e 396-A do CPP, dar causa à abolvição
para a invocação da tutela jurisdicional; e sumária do agente (CPP, art. 397, IV).
d) Direito subjetivo – dado potencialmente a A utilidade traduz-se na eficácia da atividade
qualquer pessoa. jurisdicional para satisfazer o interesse do autor.
2 PROCESSO PENAL
Se, de plano, for possível perceber a inutilidade A condição de procedibilidade tratada no
da persecução penal aos fins a que se presta, dir-se-á processo penal se refere à representação da vítima, ou
que inexiste interesse de agir. representante legal, ou requisição do ministro da
É o caso, e.g., de se oferecer denúncia quando, Justiça, quando a lei o exigir.
pela análise da pena possível de ser imposta ao final, Não confundir com condição de prosseguimento
se eventualmente comprovada a culpabilidade do réu, da ação (condição de prosseguibilidade) - trata-se de
já se pode antever a ocorrência da prescrição determinação que permite ou não a continuação de um
retroativa. processo ou sua suspensão.
Nesse caso, toda a atividade jurisdicional seria
inútil; falta, portanto, interesse de agir. Esse
entendimento, todavia, não é absolutamente pacífico, 6. PRINCÍPIOS INERENTES À AÇÃO PENAL
quer na doutrina, quer na jurisprudência. Segundo Jefferson Jorge (Para Aprender Direito
Por fim, a adequação reside no processo penal p. 27), a ação penal será regida pelos seguintes
condenatório e no pedido de aplicação de sanção princípios:
penal. Princípio da oportunidade ou conveniência -
Compete ao titular do direito a faculdade de propor ou
não a ação penal, de acordo com sua conveniência.
5.1.3 Legitimidade da parte
Princípio da disponibilidade - Encontra-se
Somente o autor da ação tem a titularidade do previsto na ação penal privada e na pública
direito de buscar a prestação jurisdicional, para evitar condicionada à representação. Assim, faculta ao
que outrem proponha ação penal buscando direito que ofendido o direito de prosseguir ou não com referida
não é seu, de que não tem titularidade. É o caso, por ação. Insta salientar que tal princípio não se faz
exemplo, de uma ação penal personalíssima, como o presente na ação penal pública incondicionada, em
crime de Induzimento a erro essencial e ocultação de razão da indisponibilidade da ação penal (art. 42,
impedimento (art. 236, CP). CPP).
Princípio da indivisibilidade - O processo
5.1.4 Justa causa contra um ofensor obriga os demais; a renúncia ao
Significa presença do “fumus boni juris”, isto é, direito de queixa em relação a um dos ofensores
prova do crime e ao menos indícios de autoria. A ação estende-se a todos; o perdão do querelante dado a um
penal deve ser viável, séria. Fundada, portanto, em dos ofensores aproveita aos demais (arts. 48, 49 e 51
provas que deem plausibilidade ao pedido. do CPP); o querelante não poderá optar, entre os
ofensores, quais deles processará.
ATENÇÃO:
Princípio da intranscedência - A ação penal é
Conforme redação Art. 395 do CPC dada pela
limitada à pessoa do ofensor (réu ou querelado), não
Lei nº 11.719/2008, a denúncia ou queixa será rejeitada
atingindo seus familiares.
quando:
Princípio da identidade física do juiz - O juiz
I - for manifestamente inepta;
que presidiu a instrução está vinculado a prolatar a
II - faltar pressuposto processual ou condição sentença. Esse princípio não está consagrado no CPP,
para o exercício da ação penal; ou somente se fazendo presente no processo civil, uma
III - faltar justa causa para o exercício da ação vez que o juiz, ao presidir a audiência de instrução,
penal. estará vinculado a proferir a sentença.
Do contrário, ocorrerá carência de ação. Princípio da instrumentalidade das formas -
Não será declarada a nulidade de ato processual que
não houver influído na apuração da verdade
5.2 Condições específicas (ou de substancial ou na decisão da causa (art. 566, CPP).
procedibilidade).
Princípio da verdade real - O juiz, de ofício,
As condições específicas (ou de pode determinar qualquer diligência a fim de descobrir
procedibilidade) variam de acordo com a ação penal a a verdade real dos fatos que são objetos da ação
ser iniciada. São elas: penal.
- Representação - ação penal pública
Princípio do livre convencimento motivado
condicionada à representação do ofendido ou das
ou persuasão racional - O juiz formará sua convicção
pessoas arroladas no art. 24, § 1º; 39, CPP;
pela livre apreciação das provas, tendo liberdade em
- Requisição do Ministro da Justiça (art. 24,
sua valoração, conforme sua consciência. Contudo, é
CPP) - Ex.: art. 145, parágrafo único, CP; evidente que ele está vinculado às provas produzidas
- Causas objetivas de punibilidade - ex.: nos autos pelas partes ou determinados de ofício, na
autorização da Câmara dos Deputados para busca da verdade real.
processamento do Presidente da República - art. 86,
CRFB; sentença de anulação de casamento por erro ou Princípio da titularidade - É um princípio
impedimento, para a deflagração da ação penal privada atrelado à ação penal pública incondicionada, em que a
com o escopo de apurar o crime do art. 236, CP. titularidade do direito de punir é do Ministério Público.
Ressalte-se a exceção prevista no art. 29 do CPP e no
Trânsito em julgado da sentença que, por
art. 100, § 3º, do Código Penal, ao admitir a ação penal
motivo de erro ou impedimento, anule o casamento, no
privada subsidiária da pública, em caso de inércia do
crime de induzimento a erro essencial ou ocultamento
órgão ministerial.
do impedimento (Grinover, Scarance e Magalhães, As
nulidades no processo penal). Princípio da obrigatoriedade - Estando diante
de uma figura típica, o promotor de justiça deverá
ATENÇÃO! exercer o mister que recebeu da Constituição Federal e
PROCESSO PENAL 3
oferecer a denúncia. Caso não o faça, segundo
Fernando Capez, incorrerá em crime de prevaricação. 8.1.1 Titularidade da ação penal pública
O Ministério Público é o dono da ação penal
7. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS: pública. É o órgão representado por Promotores e
Dizem respeito à existência do processo e à Procuradores de Justiça que pede providência
validade da relação processual. Para que exista jurisdicional de aplicação da lei penal, exercendo o que
juridicamente um processo penal, se faz necessária se denomina de pretensão punitiva.
uma demanda onde se exteriorize uma pretensão Trata-se o Ministério Público de órgão uno e
punitiva ou de liberdade, um órgão investido de indivisível, e assim, seus membros podem ser
jurisdição e partes que tenham personalidade jurídica, substituídos no processo, por razões de serviço, sem
ao menos formal, no plano do processo. Assim, os que haja prejuízo para a marcha processual. O
requisitos para a constituição de uma relação jurídica Ministério Público promove a ação penal pública desde
processual válida são: uma correta propositura da a peça inicial (denúncia) até os termos finais, em
ação, feita perante autoridade jurisdicional, por uma primeira e demais instâncias, acompanhando,
entidade capaz de ser parte em juízo (legitimatio ad presenciando, fiscalizando a sequência dos atos,
processum). Há falta de pressupostos de validade zelando e velando pela observância da lei até a
quando há: litispendência, coisa julgada, perempção, decisão final.
ausência de tentativa de conciliação. A titularidade do Ministério Público é decorrente
do Princípio da Oficialidade, eis que a repressão ao
criminoso é função essencial do Estado, devendo ele
8. TIPOS DE AÇÕES PENAIS
instituir órgãos que assumam a persecução penal. No
nosso país, em termos constitucionais, a apuração das
infrações penais é efetuada pela POLÍCIA (art. 144
CF/88) e a ação penal pública é promovida,
privativamente, pelo MINISTÉRIO PÚBLICO (art. 129, I
CF/88), seja ele da União ou dos Estados (art. 128, I e
II CF/88).
Como órgãos encarregados da repressão penal,
a Policia e o Ministério Público têm autoridade, ou seja,
podem determinar ou requisitar documentos,
8.1 AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA diligências ou quaisquer atos necessários à instrução
do inquérito policial ou da ação penal, ressalvadas as
São aquelas em que para o Estado acusador
restrições constitucionais.
nasce o direito de buscar a prestação jurisdicional logo
que toma conhecimento de um fato delituoso. O Estado  Em regra a ação penal pública é promovida
agirá de ofício. pelo Ministério Público à vista do Inquérito Policial.
É iniciada mediante denuncia do Ministério
Público (art. 24, CPP) para apuração de infrações 8.2 AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA
penais que interferem diretamente no interesse geral
da sociedade. (Noberto Havena, Processo Penal, pág. Tem as mesmas características das ações
55). penais públicas incondicionadas, iniciando-se também
com o oferecimento da DENÚNCIA pelo Ministério
Público, no entanto o direito do Estado acusador só
 A peça processual iniciadora desse tipo de nasce depois de manifestado o interesse do ofendido
ação denomina-se DENÚNCIA. ou de requisição do Ministro da Justiça.
Prevalece o Princípio da Obrigatoriedade, ou ATENÇÃO:
seja, haverá a propositura da ação penal independente A Lei 12.015/09 deu nova redação ao art. 225
do interesse da vítima ou de seus representantes do Código Penal estabelecendo que nos crimes
legais. Está presente também o Princípio da definidos nos arts. 213 a 218-B a ação penal passou a
Indisponibilidade, que anuncia que depois de iniciada a ser pública condicionada à representação (regra), salvo
ação, não pode o Estado desistir do direito à prestação quando a vítima é menor de dezoito anos ou pessoa
jurisdicional. vulnerável, hipóteses em que a ação penal será pública
São exemplos de crimes de ação pública incondicionada (exceção). Não há mais falar-se,
incondicionada: o homicídio, o latrocínio, extorsão, portanto, em ação penal de iniciativa privada em tais
crimes contra o patrimônio público em geral, etc. crimes, salvo se subsidiária da pública (art. 29 do CPP
c/c art. 5º. LIX, da CF).
CPP: Art. 24:
§ 2o Seja qual for o crime, quando praticado em
detrimento do patrimônio ou interesse da União, 8.2.1 Representação do Ofendido
Estado e Município, a ação penal será pública. Pode a ação penal pública depender da
representação do ofendido, que se constitui numa
espécie de pedido-autorização em que a vítima ou seu
ATENÇÃO: representante legal expressam o desejo de que a ação
Via de regra, a ação penal é pública seja instaurada, autorizando a persecução criminal. A
incondicionada, salvo quando a lei declara, representação é, assim, a manifestação de vontade do
expressamente, que só se procede mediante ofendido ou de seu representante legal no sentido de
representação do ofendido ou requisição do Ministro autorizar o Ministério Público a desencadear a
da Justiça (ação pública condicionada) ou mediante persecução criminal.
queixa (ação de iniciativa privada).
4 PROCESSO PENAL
Segundo o STJ: Nesse sentido, a posição do STJ (RMS
“Em se tratando de ação penal pública 11673/RJ – 5ª Turma – 19/06/2001):
condicionada, não se exige rigor formal da “O oferecimento da representação pelo ofendido
representação do ofendido ou de seu representante não obriga o representante do Ministério Público a
legal, bastando a sua manifestação de vontade para oferecer a denúncia. Pode o agente do Parquet, desde
que se promova a responsabilização do autor do delito que entenda, como in casu, pela inexistência de
(HC 86232/SP - 5ª Turma – 04/10/2007)”. elementos para instauração da ação penal, se
“Qualquer manifestação da vítima ou de seu manifestar pelo arquivamento da peça.
representante legal que espelhe o dever de processar
deve ser aceito para efeito de representação. 8.3.3 Requisição do Ministro da Justiça
Prevalência do caráter de informalidade (REsp
Também constitui condição da ação, sendo ato
819766/RS – 5ª Turma – 06/06/2006”.
administrativo, discricionário e irrevogável que deve
Na mesma linha, o STF: conter a manifestação de vontade para instauração da
“A representação prescinde de rigor formal. ação penal, com menção do fato criminoso, nome e
Basta a demonstração inequívoca de interesse do qualidade da vítima, nome e qualificação do autor do
ofendido, ou de seu representante legal, para que crime, etc, embora não exija forma especial.
tenha início a ação penal (HC 73226/PA – 2ª Turma – É necessária a requisição, segundo o Código
14/11/95). Penal, nos crimes contra a honra praticados contra o
Presidente da República ou chefe de governo
O direito de representação só pode ser exercido estrangeiro (art. 145, parágrafo único, 1a parte) e nos
no prazo de seis meses, contados do dia em que a delitos praticados por estrangeiro contra brasileiro fora
vítima ou seu representante legal veio a saber quem é do Brasil (art. 7o, § 3o). É prevista ainda a requisição em
o autor do crime. Não oferecida a representação no determinados crimes praticados através da imprensa.
prazo legal, ocorre a decadência, causa extintiva da
punibilidade, o que impede o início dessa espécie de 8.3 AÇÃO PENAL PRIVADA
ação.
8.3.1 CONCEITO
A representação é irretratável depois de
oferecida a denúncia (art. 25 do CPP), não produzindo Embora o direito de punir pertença
a retratação (retirar o que disse, desdizer-se) após exclusivamente ao Estado, este transfere ao particular
essa data, nenhum efeito, devendo a ação, que teve o direito de acusar em algumas hipóteses. O direito de
início com a denúncia, prosseguir até seu término. De punir continua sendo do Estado, mas ao particular cabe
outro lado, ocorrendo a representação e, antes do o direito de agir.
oferecimento da denúncia, vindo a retratação, haverá Justifica-se essa concessão à vítima quando
impedimento à propositura da ação penal. seu interesse se sobrepõe ao menos relevante
Segundo o STF (HC 85056/MG – Tribunal Pleno interesse público, em que a repressão do ilícito penal
– 17/11/2005): interessa muito mais de perto apenas ao ofendido.
“É irretratável a representação da vítima depois A QUEIXA é o equivalente à denúncia, pela
de oferecida a denúncia (CPP, art. 25). Não gera a qual se instaura a Ação Penal, diferenciando-se
extinção do processo penal a retratação que, somente formalmente apenas por quem subscreve, ou seja, a
formalizada após o oferecimento da denúncia, tem denúncia é oferecida pelo membro do Ministério
como objetivo obstar a continuidade de feito já Público (Promotor de Justiça) e a queixa é apresentada
instaurado”. pelo particular ofendido, através de procurador com
poderes expressos.
A imposição legal da representação para
propositura da ação penal pública deriva do fato de
que, por vezes, o interesse do ofendido se coloca mais 8.3.2 TITULARIDADE
importante que o interesse público na repressão do ato O titular do direito de agir na Ação Penal
criminoso quando o processo, a critério do interessado, Privada é a vítima. Como a propositura da queixa
pode acarretar males maiores do que aqueles exige procurador legalmente habilitado (advogado),
resultantes do próprio crime. Assim é que dependem prevê a lei que, nos crimes de ação privada, o juiz, a
de representação, por exemplo, a instauração da ação requerimento da parte que comprovar sua pobreza,
penal nos crimes de perigo de contágio venéreo (art. nomeará advogado para promover a ação penal.
130, § 2o, CP), crimes contra os costumes (213 a 221), No caso de morte ou ausência do ofendido, o
pela redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009, direito de queixa poderá ser exercido pelo cônjuge,
procede-se mediante ação penal pública condicionada ascendente, descendente ou irmão.
à representação, entretanto, mediante ação penal
pública incondicionada se a vítima é menor de 18 Prevê a lei a nomeação pelo juiz de curador
(dezoito) anos ou pessoa vulnerável. especial para mover a ação privada, se o ofendido for
menor de 18 anos, mentalmente enfermo ou retardado
 A representação do ofendido é necessária mental. Caso seja maior de 18 e menor de 21 anos, o
inclusive para instauração do inquérito policial, não direito de queixa pode ser exercido por ele ou por seu
podendo a autoridade agir de ofício. representante legal.
Importante esclarecer que uma vez oferecida a O Ministério Público, não sendo titular, funciona
representação, não está o Ministério Público obrigado a apenas como fiscal da lei, podendo ou não, no prazo
respectiva ação penal, eis que cabe a este aferir a de três dias, aditar a queixa, velando também, pela
presença dos requisitos mínimos para sua propositura. indivisibilidade da ação.
Daí a conclusão de que a representação não vincula
o Ministério Público, caso não haja indícios da autoria
8.3.3 PRINCÍPIOS
ou prova da materialidade delitiva.
PROCESSO PENAL 5
a) Princípio da Oportunidade Prazo: para o ofendido oferecer queixa-crime
Cabe ao titular do direito de agir a faculdade de substitutiva da denúncia é de seis meses contados de
propor, ou não, a ação privada, segundo sua término do prazo destinado ao MP para oferecimento
conveniência. Sem a sua concordância não se lavra o da denúncia, findo os quais ocorrerá decadência do
auto de prisão em flagrante, não se instaura o inquérito direito.
policial e muito menos a ação penal.  Arquivado o inquérito policial, por despacho
 Enquanto na ação pública incondicionada do juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não
vigora o Princípio da Obrigatoriedade, a ação privada pode a ação penal ser iniciada sem novas provas, e em
está submetida ao Princípio da Oportunidade. consequência, não cabe ação penal subsidiária.

b) Princípio da Disponibilidade c) Ação Penal Privada Personalíssima


Além de poder propor ou não a ação penal Atualmente, o Código Penal prevê apenas uma
privada, poderá o ofendido prosseguir até o final ou hipótese de ação penal privada personalíssima:
não, pode renunciar ao direito de queixa, pode perdoar - Induzimento a erro essencial e ocultação de
o ofensor. impedimento (art. 236 do CP).
c) Princípio da Indivisibilidade Nesse tipo de ação privada, a titularidade
Significa que o ofendido não pode, quando optar pertence exclusivamente ao cônjuge enganado, não se
pela queixa, deixar de nela incluir todos os co-autores transferindo em nenhuma hipótese ao seu
ou partícipes do fato, sob pena de renunciar ao direito representante legal ou sucessores, de modo que se a
em relação aos demais réus. vítima morrer, estará extinta a punibilidade do agente.
ATENÇÃO! Se a vítima for menor de 18 anos, por não
possuir capacidade postulatória, não poderá oferecer a
Na jurisprudência e para parte da doutrina na queixa, mesmo porque o prazo não corre para ela,
ação penal pública, admite-se o princípio da começando a fluir quando completar os 18 anos.
divisibilidade, desde que o Ministério Público apresente
justificação prévia. JURISPRUDÊNCIA:
AÇÃO PENAL SUBSIDIARIA - ART. 29 DO
CPP, E ART. 5 LIX, DA CF. QUEIXA-CRIME. Quando
d) Princípio da Intranscendência o Ministério Público, não tendo ficado inerte, requer, no
Comum a qualquer ação penal consiste no fato prazo legal (art. 46. CPP), o arquivamento do inquérito
de ser a ação penal limitada à pessoa ou às pessoas ou da representação, não cabe a ação penal privada
responsáveis pela infração, não atingindo, desse modo, subsidiaria. habeas corpus concedido para trancar o
familiares ou estranhos. procedimento penal instaurado em decorrência da
queixa-crime subsidiaria oferecida. STF - HABEAS
8.3.4 ESPÉCIES CORPUS: HC 67502 RJ. Relator(a): PAULO
BROSSARD. Julgamento: 05/12/1989.
a) Ação Penal Privada Exclusiva – Art. 110 do
CPP e art. 100, § 2º do CP.
Somente pode ser proposta pelo ofendido ou 8.3.5 QUEIXA
pelo seu representante legal (Art. 30). Na Parte Assim como a denúncia é a peça que inicia a
Especial do Código Penal são identificados os delitos ação penal pública, a queixa dá início à ação penal
que a admitem, com a expressão “só se procede privada.
mediante queixa”. Ex.: Crimes contra a honra (art. 145 Queixa-crime, ou simplesmente queixa, é a
do CP). denominação dada pela lei à petição inicial da ação
 Existem ações penais ditas penal privada intentada pelo ofendido ou seu
personalíssimas, em que somente está legitimada a representante legal, tanto quando é ela exclusiva,
própria pessoa indicada na lei, não havendo sucessão quando é subsidiária.
por morte ou ausência.  O autor aqui é chamado “querelante” e o réu
“querelado”.
b) Ação Penal Privada Subsidiária da Pública
Ocorre nos casos em que o Ministério Público Súmula 594 do STF: Os direitos de queixa e de
deixar de intentar Ação Penal Pública no prazo legal representação podem ser exercidos,
(Art. 29) (réu preso: 5 dias – réu solto: 15 dias) independentemente, pelo ofendido ou por seu
podendo a vítima ou seu representante legal tomar representante legal.
para si o direito de buscar a prestação jurisdicional,
oferecendo QUEIXA SUBSTITUTIVA DA DENÚNCIA.
8.3.5.1 Requisitos da Queixa
Essa ação passou a constituir garantia
A queixa deve ser revestida dos mesmos
constitucional com a nova Carta Magna (art. 5o, LIX),
requisitos da denúncia (Exposição do fato criminoso,
em conformidade com o princípio de que a lei não pode
Qualificação do acusado, Classificação do crime e Rol
excluir da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
de testemunhas) diferenciando uma da outra apenas
ameaça a direito (art. 5o, XXXV).
pelo titular: a denúncia é a peça inicial da ação pública,
Apresentada a queixa, o Ministério Público cuja titularidade cabe ao Ministério Público, a queixa,
poderá retomar para si a ação, se repudia-la, da ação privada, cujo titular é o ofendido.
oferecendo denúncia substitutiva. Poderá ainda aditar a
O direito de queixa deve ser exercido pelo
queixa e retomar a ação para si caso o ofendido venha
ofendido ou seu representante legal por meio de
a negligenciar seu andamento.
procurador legalmente habilitado – advogado – com
6 PROCESSO PENAL
poderes especiais, devendo constar na procuração Para o STJ (HC 34764/SP – 5ª Turma –
uma breve narrativa dos fatos e a qualificação do 16/12/2004):
querelado. “A impossibilidade da inclusão no pólo passivo
da demanda, em razão do desconhecimento por parte
8.3.5.2 Prazo para oferecimento da Queixa da querelante de outros envolvidos na conduta tida
como delituosa, afasta eventual ofensa ao princípio da
O prazo para oferecimento da queixa é de seis
indivisibilidade da ação penal (arts. 48 e 49 do CPP).
meses, contados do dia em que o ofendido veio a
saber quem é o autor do crime, na ação privada
exclusiva, e do dia em que se esgota o prazo para 8.3.7 DECADÊNCIA
oferecimento da denúncia, na ação subsidiária. No processo penal decadência é a causa
Importante ressaltar que o direito de oferecer extintiva da punibilidade consistente na perda do direito
queixa (bem como o de representação), no caso de de ação privada ou de representação em decorrência
ofendido menor, tanto pertence ao representante legal de não ter sido exercido no prazo previsto em lei.
como ao próprio menor, sendo independentes. Caso o ATENÇÃO:
representante não apresente a queixa, poderá o
menor, ao completar maioridade, fazê-lo, desde que O prazo de decadência é de seis meses, sendo
obedeça o prazo decadencial. fatal e improrrogável, não se interrompendo pela
instauração do inquérito policial ou sua remessa ao
Sobre essa hipótese, há manifestação expressa Poder Judiciário.
do STF (HC 53893/GO – 5ª Turma – 21/11/2006):
“I - Os prazos para o exercício de queixa ou
representação correm separadamente para o ofendido 8.3.8 PEREMPÇÃO E DESISTÊNCIA
e seu representante legal (Súmula 594 do STF e Perempção é a perda do direito de prosseguir
precedente). II – Assim escoado o prazo para o na ação privada, ou seja, a penalidade aplicada ao
representante, conserva-se o direito de representação querelante em decorrência de sua inércia ou
para o ofendido, contado a partir de sua maioridade”. negligência.
ATENÇÃO: O fato de ter cessado a CÓDIGO PROCESSO PENAL:
incapacidade para a prática de atos da vida civil (ex.: Art. 60. Nos casos em que somente se
casamento) não outorga ao menor de 18 anos de idade procede mediante queixa, considerar-se-á perempta a
a possibilidade de propor ação penal privada ou até ação penal:
mesmo oferecer a representação na ação penal pública
a ela condicionada. I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de
promover o andamento do processo durante 30 (trinta)
De acordo com o STF dias seguidos;
“Decadência do direito de queixa. O prazo de II - quando, falecendo o querelante, ou
seis meses fixado nos arts. 105 do Código Penal e 38 sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em
do Código de Processo Penal, é fatal e improrrogável e juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de
insuscetível de suspensão ou interrupção” (RHC 40643 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem
– Pleno – 13/05/64). couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
Por seu turno, o STJ também já firmou posição: III - quando o querelante deixar de comparecer,
“O prazo para propositura da ação penal sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a
privada, ante seu caráter decadencial, não se que deva estar presente, ou deixar de formular o
suspende ou interrompe pela formulação de pedido de pedido de condenação nas alegações finais;
explicações nos moldes dos art. 144 do Código Penal, IV - quando, sendo o querelante pessoa
em face da ausência de previsão legal a respeito (REsp jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor.
204291 – 6ª Turma – 17/08/2000)’.

Desistência ocorre quando a ação está em


8.3.6. RENÚNCIA
curso, constituindo direito do querelante em face do
É a desistência do direito de ação por parte do princípio da disponibilidade, que pode ser exercido de
ofendido, podendo ser expressa ou tácita. A renúncia forma expressa, quando a manifestação se dá por
expressa deve constar de declaração assinada pelo escrito, ou de forma tácita, quando o querelante der
ofendido, por seu procurador legal com poderes causa à perempção.
especiais. A renúncia é tácita quando o querelante
Segundo o entendimento do STF, “A desistência
pratica ato incompatível com a vontade de exercer o
da ação penal privada pode ocorrer a qualquer
direito de queixa, como, ocorre, por exemplo, no
momento, somente surgindo óbice instransponível
reatamento de amizade com o ofensor, a visita
quando já existente decisão condenatória transitada
amigável, a aceitação de convite para festa, etc.
em julgado” (HC 83228/MG – Tribunal Pleno –
Em decorrência do princípio da indivisibilidade, 01/08/2005).
a renúncia ao exercício do direito de queixa em relação
Portanto, o querelante (autor), poderá desistir da
a um dos autores do crime, a todos se estenderá,
ação penal privada, durante o processo, por meio da
obrigando-se o querelante a promover a queixa contra
perempção.
todos co-autores do fato delituoso, não podendo excluir
nenhum.
É oportuno salientar que, se o autor se o autor 8.3.9 PERDÃO
da ação penal privada desconhece o co-autor ou Consiste na revogação do ato praticado pelo
partícipe do crime que a vitimou, o fato de promover a querelante, que desiste do prosseguimento da ação
ação penal contra aquele que dela é conhecido, não penal, desculpando o ofensor, somente sendo possível
importa em renúncia quanto aos demais. na ação penal privada. Ao contrário da renúncia, o
PROCESSO PENAL 7
perdão é um ato bilateral, não produzindo efeito se o É necessária também a indicação do dispositivo
querelado não o aceita. legal que contém o tipo penal relativo ao fato concreto.
O perdão pode ser processual ou
extraprocessual. É processual quando ocorre 9.2.4 Rol de testemunhas
mediante petição dirigida ao Juízo. É extraprocessual
No rito ordinário: até de 8 (oito); no rito sumário:
quando concedida fora dos autos em declaração
até 5 (cinco)
assinada por quem de direito.
O perdão pode ser expresso ou tácito. O perdão
expresso deve constar de declaração assinada pelo 9.3 Características da denúncia
próprio ofendido, por ser representante legal ou São características da denúncia:
procurador com poderes especiais. O perdão tácito se - é oferecida pelo Ministério Público;
dá nas mesmas condições da renúncia. - é a peça inicial da ação penal pública;
Como na renúncia, o perdão concedido a - é peça na qual o promotor de justiça arrola as
qualquer dos querelados a todos aproveita. Concedido, testemunhas de acusação e requer os demais tipos de
porém, por um dos ofendidos, não prejudica o direito provas.
dos outros.
Concedido o perdão, mediante declaração
expressa nos autos, o querelado é intimado a dizer, 9.4 Prazo para oferecimento da denúncia
dentro de três dias, se o aceita, devendo no mesmo ato Réu preso: 5 (cinco) dias
ser cientificado que seu silencio resultará em aceitação Réu em liberdade: 15 (quinze) dias
tácita do perdão oferecido. Aceito o perdão, deve o juiz
 Conta-se o prazo a partir do recebimento do
declarar extinta a punibilidade. Não aceito, prossegue a
Inquérito Policial pelo Ministério Público.
ação em relação àquele que não aceitar.
ATENÇÃO: O perdão não poderá ser oferecido
quando já transitado em julgado a sentença penal QUADRO SINÓTICO:
condenatória, uma vez que não há mais ação penal.
O STJ (HC 45417/SP – 6ª Turma – 17/08/2006)
já manifestou-se:
“O perdão do ofendido, seja ele expresso ou
tácito, só é causa de extinção da punibilidade nos
crimes que se apuram exclusivamente por ação penal
privada”.
9. DENÚNCIA
Diante dos elementos apresentados pelo
Inquérito Policial ou pelas peças de informação que
recebeu, o órgão do Ministério Público, verificando a
prova da existência de fato que caracteriza crime em
tese e indícios da sua autoria, forma sua convicção
para promover a ação penal pública com o
oferecimento em juízo da DENÚNCIA.

9.1 Conceito
É a peça inaugural das ações penais públicas,
consistindo na exposição, por escrito, de fatos que
constituem em tese um ilícito penal, ou seja, de fato
caracterizador de tipo penal, com a expressa
manifestação da intenção de que se aplique a lei penal
a quem é presumivelmente seu autor e a indicação das
provas em que se baseia.

9.2 Requisitos da denúncia


7.2.1 Exposição do fato criminoso
Narrativa dos fatos apontados como delituosos,
devendo tais fatos enquadrar-se em um tipo penal, não
devendo ser aceita denúncia que não especifica, nem
descreve, ainda que sucintamente, o fato criminoso
atribuído ao acusado.

9.2.2 Qualificação do acusado


A identificação do acusado se dá com a
referência ao seu nome, cognome, nome de família,
pseudônimo, estado civil, filiação, cidadania, idade
sexo, características físicas, sinais de nascença, etc.

9.2.3 Classificação do crime


8 PROCESSO PENAL
§ 1o Considerar-se-á pobre a pessoa que não
puder prover às despesas do processo, sem privar-se
dos recursos indispensáveis ao próprio sustento ou da
Fonte: Apostila de Processo Penal, Editora Degrau família.
Cultural/2009. § 2o Será prova suficiente de pobreza o atestado
da autoridade policial em cuja circunscrição residir o
ofendido.
LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Art. 33. Se o ofendido for menor de 18 (dezoito)
1. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL – anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e
DECRETO-LEI Nº 3.689, DE 03.10.41 não tiver representante legal, ou colidirem os
TÍTULO III interesses deste com os daquele, o direito de queixa
poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de
DA AÇÃO PENAL
ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será competente para o processo penal.
promovida por denúncia do Ministério Público, mas
Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e
dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do
um) e maior de 18 (dezoito) anos, o direito de queixa
Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido
poderá ser exercido por ele ou por seu representante
ou de quem tiver qualidade para representá-lo.
legal.
§ 1o No caso de morte do ofendido ou quando
Art. 35. (Revogado pela Lei nº 9.520, de
declarado ausente por decisão judicial, o direito de
27.11.1997)
representação passará ao cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão. (Parágrafo único renumerado Art. 36. Se comparecer mais de uma pessoa
pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993) com direito de queixa, terá preferência o cônjuge, e, em
seguida, o parente mais próximo na ordem de
§ 2o Seja qual for o crime, quando praticado em
enumeração constante do art. 31, podendo, entretanto,
detrimento do patrimônio ou interesse da União, Estado
qualquer delas prosseguir na ação, caso o querelante
e Município, a ação penal será pública. (Incluído pela
desista da instância ou a abandone.
Lei nº 8.699, de 27.8.1993)
Art. 37. As fundações, associações ou
Art. 25. A representação será irretratável,
sociedades legalmente constituídas poderão exercer a
depois de oferecida a denúncia.
ação penal, devendo ser representadas por quem os
Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no
iniciada com o auto de prisão em flagrante ou por meio silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-
de portaria expedida pela autoridade judiciária ou gerentes.
policial.
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o
Art. 27. Qualquer pessoa do povo poderá ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito
provocar a iniciativa do Ministério Público, nos casos de queixa ou de representação, se não o exercer
em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por dentro do prazo de seis meses, contado do dia em
escrito, informações sobre o fato e a autoria e que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso
indicando o tempo, o lugar e os elementos de do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o
convicção. oferecimento da denúncia.
Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do
invés de apresentar a denúncia, requerer o direito de queixa ou representação, dentro do mesmo
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31.
peças de informação, o juiz, no caso de considerar
Art. 39. O direito de representação poderá ser
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do
exercido, pessoalmente ou por procurador com
inquérito ou peças de informação ao procurador-geral,
poderes especiais, mediante declaração, escrita ou
e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do
oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à
Ministério Público para oferecê-la, ou insistirá no
autoridade policial.
pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz
obrigado a atender. § 1o A representação feita oralmente ou por
escrito, sem assinatura devidamente autenticada do
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes
ofendido, de seu representante legal ou procurador,
de ação pública, se esta não for intentada no prazo
será reduzida a termo, perante o juiz ou autoridade
legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa,
policial, presente o órgão do Ministério Público, quando
repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, intervir em
a este houver sido dirigida.
todos os termos do processo, fornecer elementos de
prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de § 2o A representação conterá todas as
negligência do querelante, retomar a ação como parte informações que possam servir à apuração do fato e da
principal. autoria.
Art. 30. Ao ofendido ou a quem tenha § 3o Oferecida ou reduzida a termo a
qualidade para representá-lo caberá intentar a ação representação, a autoridade policial procederá a
privada. inquérito, ou, não sendo competente, remetê-lo-á à
autoridade que o for.
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou
quando declarado ausente por decisão judicial, o direito § 4o A representação, quando feita ao juiz ou
de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao perante este reduzida a termo, será remetida à
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. autoridade policial para que esta proceda a inquérito.
Art. 32. Nos crimes de ação privada, o juiz, a § 5o O órgão do Ministério Público dispensará o
requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, inquérito, se com a representação forem oferecidos
nomeará advogado para promover a ação penal. elementos que o habilitem a promover a ação penal, e,
PROCESSO PENAL 9
neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze Art. 51. O perdão concedido a um dos
dias. querelados aproveitará a todos, sem que produza,
Art. 40. Quando, em autos ou papéis de que todavia, efeito em relação ao que o recusar.
conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a Art. 52. Se o querelante for menor de 21 e
existência de crime de ação pública, remeterão ao maior de 18 anos, o direito de perdão poderá ser
Ministério Público as cópias e os documentos exercido por ele ou por seu representante legal, mas o
necessários ao oferecimento da denúncia. perdão concedido por um, havendo oposição do outro,
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a não produzirá efeito.
exposição do fato criminoso, com todas as suas Art. 53. Se o querelado for mentalmente
circunstâncias, a qualificação do acusado ou enfermo ou retardado mental e não tiver representante
esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a legal, ou colidirem os interesses deste com os do
classificação do crime e, quando necessário, o rol das querelado, a aceitação do perdão caberá ao curador
testemunhas. que o juiz Ihe nomear.
Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir Art. 54. Se o querelado for menor de 21 anos,
da ação penal. observar-se-á, quanto à aceitação do perdão, o
Art. 43. (Revogado pela Lei nº 11.719, de disposto no art. 52.
2008). Art. 55. O perdão poderá ser aceito por
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes especiais.
procurador com poderes especiais, devendo constar do Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão extraprocessual
instrumento do mandato o nome do querelante e a expresso o disposto no art. 50.
menção do fato criminoso, salvo quando tais Art. 57. A renúncia tácita e o perdão tácito
esclarecimentos dependerem de diligências que devem admitirão todos os meios de prova.
ser previamente requeridas no juízo criminal.
Art. 58. Concedido o perdão, mediante
Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal declaração expressa nos autos, o querelado será
for privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita,
Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o
termos subsequentes do processo. seu silêncio importará aceitação.
Art. 46. O prazo para oferecimento da Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará
denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias, contado extinta a punibilidade.
da data em que o órgão do Ministério Público receber
Art. 59. A aceitação do perdão fora do
os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu
processo constará de declaração assinada pelo
estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver
querelado, por seu representante legal ou procurador
devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16),
com poderes especiais.
contar-se-á o prazo da data em que o órgão do
Ministério Público receber novamente os autos. Art. 60. Nos casos em que somente se procede
mediante queixa, considerar-se-á perempta a ação
§ 1o Quando o Ministério Público dispensar o
penal:
inquérito policial, o prazo para o oferecimento da
denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido as I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de
peças de informações ou a representação. promover o andamento do processo durante 30 dias
seguidos;
§ 2o O prazo para o aditamento da queixa será
de 3 dias, contado da data em que o órgão do II - quando, falecendo o querelante, ou
Ministério Público receber os autos, e, se este não se sobrevindo sua incapacidade, não comparecer em
pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de
o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem
processo. couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36;
Art. 47. Se o Ministério Público julgar III - quando o querelante deixar de comparecer,
necessários maiores esclarecimentos e documentos sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a
complementares ou novos elementos de convicção, que deva estar presente, ou deixar de formular o
deverá requisitá-los, diretamente, de quaisquer pedido de condenação nas alegações finais;
autoridades ou funcionários que devam ou possam IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica,
fornecê-los. esta se extinguir sem deixar sucessor.
Art. 48. A queixa contra qualquer dos autores Art. 61. Em qualquer fase do processo, o juiz,
do crime obrigará ao processo de todos, e o Ministério se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-lo
Público velará pela sua indivisibilidade. de ofício.
Art. 49. A renúncia ao exercício do direito de Parágrafo único. No caso de requerimento do
queixa, em relação a um dos autores do crime, a todos Ministério Público, do querelante ou do réu, o juiz
se estenderá. mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária
Art. 50. A renúncia expressa constará de e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de cinco
declaração assinada pelo ofendido, por seu dias para a prova, proferindo a decisão dentro de cinco
representante legal ou procurador com poderes dias ou reservando-se para apreciar a matéria na
especiais. sentença final.
Parágrafo único. A renúncia do representante Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz
legal do menor que houver completado 18 (dezoito) somente à vista da certidão de óbito, e depois de
anos não privará este do direito de queixa, nem a ouvido o Ministério Público, declarará extinta a
renúncia do último excluirá o direito do primeiro. punibilidade.

2. CÓDIGO PENAL:
10 PROCESSO PENAL
TÍTULO VII III - se o querelado o recusa, não produz
DA AÇÃO PENAL efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Ação pública e de iniciativa privada § 1º - Perdão tácito é o que resulta da prática de
Art. 100 - A ação penal é pública, salvo quando a ato incompatível com a vontade de prosseguir na
lei expressamente a declara privativa do ofendido. ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 2º - Não é admissível o perdão depois que
§ 1º - A ação pública é promovida pelo Ministério passa em julgado a sentença condenatória. (Redação
Público, dependendo, quando a lei o exige, de dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
representação do ofendido ou de requisição do Ministro
da Justiça. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de ENTENDIMENTO DAS BANCAS
11.7.1984) EXAMINADORAS E DO EXAME DE ORDEM
§ 2º - A ação de iniciativa privada é promovida
- A queixa, ainda quando a ação penal for
mediante queixa do ofendido ou de quem tenha
privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo
qualidade para representá-lo. (Redação dada pela Lei
Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os
nº 7.209, de 11.7.1984)
termos subseqüentes do processo.
§ 3º - A ação de iniciativa privada pode intentar-
(Anal.Jud.TJ/RJ/CESEP/2008)
se nos crimes de ação pública, se o Ministério Público
- Quando a ação penal pública for
não oferece denúncia no prazo legal. (Redação dada
condicionada à representação do ofendido, o
pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
exercício desta pelo ofendido ou por quem tenha
§ 4º - No caso de morte do ofendido ou de ter
qualidade para representá-lo não torna obrigatório o
sido declarado ausente por decisão judicial, o direito de
oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao
(Tec.Jud.TJ-PE/FCC/2007)
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão.
- A ação penal privada subsidiária pode ser
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
ajuizada pelo ofendido ou por quem tenha qualidade
A ação penal no crime complexo
para representá-lo se esta não for intentada pelo
Art. 101 - Quando a lei considera como elemento
Ministério Público no prazo legal. (Ofic.Just.TJ-
ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si
PE/FCC/2007)
mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em
- Na ação penal pública condicionada, a
relação àquele, desde que, em relação a qualquer
representação será irretratável depois de oferecida a
destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério
denúncia. (Adv.METRO/SP/FCC/2008, Idem
Público. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
Adv.Traine METRO/SP-FCC/2008)
11.7.1984)
- Nas ações penais públicas condicionadas à
Irretratabilidade da representação
representação, será esta irretratável, depois de
Art. 102 - A representação será irretratável
oferecida a denúncia. (Exec.Mand.STF/CESEP/2008)
depois de oferecida a denúncia. (Redação dada pela
- Nas ações penais privadas, considerar-se-á
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
perempta a ação penal quando, iniciada esta, o
Decadência do direito de queixa ou de
querelante deixar de promover o andamento do
representação
processo durante 30 dias seguidos.
Art. 103 - Salvo disposição expressa em
(Exec.Mand.STF/CESEP/2008)
contrário, o ofendido decai do direito de queixa ou de
- Ação penal secundária ocorre quando a lei
representação se não o exerce dentro do prazo de 6
estabelece um titular ou uma modalidade de ação
(seis) meses, contado do dia em que veio a saber
penal para determinado crime, mas mediante o
quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º do art.
surgimento de circunstâncias especiais, prevê,
100 deste Código, do dia em que se esgota o prazo
secundariamente, uma nova espécie de ação penal
para oferecimento da denúncia. (Redação dada pela
para aquela mesma infração. (Juiz Sub.TJ-
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
SE/CESEP/2008)
Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa
- Quando a lei o exigir, dependerão de
Art. 104 - O direito de queixa não pode ser
requisição do Ministro da Justiça os crimes de ação
exercido quando renunciado expressa ou tacitamente.
pública. (Ag.Penit.SEJUS-RO/FUNRIO/2008)
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
- A queixa, ainda quando a ação penal for
Parágrafo único - Importa renúncia tácita ao
privativa do ofendido, poderá ser aditada pelo
direito de queixa a prática de ato incompatível com a
Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os
vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de
termos subseqüentes do processo. (Anal.Jud.TJ/RJ-
receber o ofendido a indenização do dano causado
CESPE/2008)
pelo crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
- As fundações, associações ou sociedades
11.7.1984)
legalmente constituídas poderão exercer a ação penal
Perdão do ofendido
privada. (Proc.TCE-AL/FCC/2008)
Art. 105 - O perdão do ofendido, nos crimes em
- Nos casos de exclusiva ação penal privada,
que somente se procede mediante queixa, obsta ao
o querelante poderá preferir o foro de domicílio ou de
prosseguimento da ação. (Redação dada pela Lei nº
residência do réu, ainda quando conhecido o lugar da
7.209, de 11.7.1984)
infração. (Juiz Sub.TJ-RR/FCC/2008)
Art. 106 - O perdão, no processo ou fora dele,
- Quando a ação penal for privativa do
expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209,
ofendido, a queixa poderá ser dada por procurador
de 11.7.1984)
com poderes especiais. (Anal.Jud.TRF 5ª R/FCC/2008)
I - se concedido a qualquer dos querelados, a
- Qualquer que seja o crime, se for praticado em
todos aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de
detrimento do patrimônio ou interesse da União, dos
11.7.1984)
estados e(ou) dos municípios, a ação penal será
II - se concedido por um dos ofendidos, não
sempre pública. (Anal.Jud.Exec.Mand.TJ/DF/CESPE /
prejudica o direito dos outros; (Redação dada pela Lei
2008)
nº 7.209, de 11.7.1984)
PROCESSO PENAL 11
- Considera-se perempta a ação penal, nos Cristiano, gerente da boate, caracteriza crime
casos em que se procede somente mediante queixa, resultante de preconceito de raça ou de cor, cuja ação
quando o querelante deixar de formular o pedido de penal é pública incondicionada.
condenação nas alegações finais.
(Ana.Fin.Cont.CGU/2008) 07. (DELEGADO POLÍCIA FEDERAL 1997–
- O prazo para o aditamento da queixa será CESPE/UNB) Recebida a denúncia e instaurado o
de 3 dias, contado da data em que o órgão do processo por crime de ação penal pública, somente o
Ministério Público receber os autos, e, se este não se Ministério Público tem legitimidade para requerer a
pronunciar dentro do tríduo, entender-se-á que não tem interceptação das comunicações ao juiz, o qual, por
o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do sua vez também poderá determinar tal medida de
processo. (Anal.Jud.TRF 3ª R/FCC/2007) oficio.
- Quando a ação penal pública for
condicionada à representação do ofendido, o 08. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
exercício desta pelo ofendido ou por quem tenha 2003) Vícios formais verificados no inquérito policial
qualidade para representá-lo não torna obrigatório o ensejam a nulidade da respectiva ação penal.
oferecimento de denúncia pelo Ministério Público.
(Tec.Jud.TJ-PE/FCC/2007) 09. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
2003) A ação penal pública incondicionada será
iniciada por denúncia a ser oferecida pelo
EXERCÍCIOS – DIREITO PROCESSUAL PENAL representante do Ministério Público.
Nas assertivas a seguir, assinale C (CERTO) ou E 10. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
(ERRADO): 2003) Ocorrendo crime que enseje ação penal pública
condicionada à representação, a retratação do
01. (AGENTE DE POLÍCIA CIVIL TO) A ação penal ofendido somente poderá ser recebida até a data do
pública pode ser incondicionada ou condicionada, oferecimento da denúncia.
sendo certo que, no caso dos crimes de lesões
corporais dolosas de natureza leve e de lesões 11. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
corporais culposas, a ação é pública condicionada à 2003) A ação penal privada poderá ser intentada
representação. mediante queixa, tanto pelo ofendido como por seu
representante legal.
02. (CESPE/ESCRIVÃO/ES/2006) Considere a
seguinte situação hipotética. Marcos foi vítima de ação 12. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
penal privada personalíssima. No decorrer das 2003) Antes de receber formalmente a denúncia, o juiz
investigações, Marcos faleceu em decorrência de um ordenará a notificação do acusado para que apresente
trágico acidente. Nessa situação, o direito de intentar a defesa preliminar em trinta dias.
ação se transmite ao cônjuge, ascendente,
descendente ou irmão da vítima. 13. (AGENTE CARCERÁRIO POLÍCIA CIVIL RR
2003) A queixa ou a denúncia obrigatoriamente será
03. (JUIZ DE DIREITO ACRE–2007–CESPE/UNB) instruída com documentos que façam presumir a
Com relação ao crime de abuso de autoridade, inexiste existência do delito.
condição de procedibilidade para a instauração da
ação penal correspondente. 14. (AGENTE DE POLÍCIA CIVIL TO 2008) As normas
penais puramente processuais terão aplicação no
04. (DELEGADO–POLÍCIA CIVIL-SE 2006– mesmo dia em que entrarem em vigor, entretanto os
CESPE/UNB) De acordo com entendimento do STJ, atos processuais realizados na vigência da lei anterior
em caso de crime de abuso de autoridade, eventual terão de ser revalidados e adaptados ao novo
falha na representação, ou até mesmo a falta desta, procedimento.
não obsta a instauração da ação penal.
15. (AGENTE DE POLÍCIA CIVIL TO 2008) Considere
CERTO05. (ESCRIVÃO POLÍCIA FEDERAL 2004– que um promotor de justiça tenha recebido, por escrito,
REGIONAL-CESPE/UNB) O perdão do ofendido é o informações referentes a um fato delituoso e sua
ato por meio do qual o próprio ofendido ou o seu autoria, de modo a subsidiar a ação penal com os
representante legal, após o início da ação penal, elementos necessários ao oferecimento da denúncia.
desiste de seu prosseguimento. Aceito pelo acusado, Nessa situação, deverá o promotor de justiça enviar as
implicará na extinção da punibilidade, desde que o peças à autoridade policial competente para a
crime seja apurado por meio de ação penal privada. instauração do inquérito policial.
06. (ESCRIVÃO–POLÍCIA CIVIL- ES- 2006– 16. (CESPE/OAB/2006) Em se tratando de crime de
CESPE/UNB) Cristiano, gerente de uma boate, impediu ação pública condicionada, exige-se rigor formal na
a entrada de João e seus amigos, todos da raça negra, representação do ofendido ou de seu representante
sob o pretexto de que o estabelecimento estava com a legal.
capacidade de atendimento esgotada. Inconformado
com a justificativa do gerente, João adentrou 17. (CESPE/OAB/2006) A representação será
desapercebidamente na boate e constatou que o local retratável depois de oferecida a denúncia.
estava praticamente vazio, com inúmeras mesas
disponíveis. Em razão disso, João novamente 18. (CESPE/OAB/2006) O perdão do ofendido, seja ele
interpelou o gerente da boate, tendo este, ao final, expresso ou tácito, pode ser causa de extinção da
informado que naquela casa de diversões não se punibilidade nos crimes que se apuram por ação penal
aceitavam negros. Nessa situação, a conduta de
12 PROCESSO PENAL
19. (CESPE/AUDITOR/DIREITO/ES/2004) Se, em b) O perdão concedido a um dos querelados
crime sujeito a ação penal privada, o Ministério Público aproveitará a todos, não havendo possibilidade de
oferecer denúncia, o juiz deverá rejeitá-la, por recusa, pois se trata de ato unilateral.
manifesta ilegitimidade da parte. c) O perdão judicial somente pode ser expresso, não
admitindo, o Código de Processo Penal (CPP), o
20. (CESPE/PROCURADOR/DF/2006) Os menores de perdão tácito.
dezoito anos civilmente casados podem exercer a d) A queixa contra qualquer dos autores do crime
titularidade da ação penal, uma vez que são obrigará ao processo de todos, e o MP velará pela sua
emancipados nos termos da legislação civil. indivisibilidade.

21. (CESPE/ JUIZ/TJ/2004) Na hipótese de


adolescente ser vítima de crime de ação penal privada 03. (OAB/SP/CESPE/2009) Assinale a opção correta
e seu representante legal não oferecer a queixa no de acordo com o que dispõe o CPP acerca da
prazo decadencial, o ofendido poderá oferecê-la dentro perempção.
desse prazo a partir de sua maioridade. a) Na ação penal pública, a perempção é causa
extintiva da punibilidade.
22. (CESPE/PROCURADOR/DF/2006) O prazo b) A perempção se aplica à ação penal privada
decadencial é peremptório: não se interrompe nem se subsidiária da pública.
suspende. O exercício do direito de queixa não pode c) Considera-se perempta a ação penal privada
ser prorrogado para o primeiro dia útil subseqüente, quando, iniciada esta, o querelante deixa de promover
caso o termo final se esgote no dia em não houver o andamento do processo durante trinta dias seguidos.
expediente forense. d) A ausência de pedido de condenação, nas
alegações finais, por parte do querelante, não enseja a
23. (CESPE/PROCURADOR/VITÓRIA/2007) Em se perempção.
tratando de ação penal privada, a abdicação do
ofendido ou de seu representante legal do direito de 04. (Anal.Jud.Exec.Mand/STF/CESPE/2008) Acerca
queixa, antes da instauração da ação penal, em das ações penais, julgue os itens que se seguem.
relação a um dos autores do crime, não alcançará os [133] Nas ações penais privadas, considerar-se-á
seus co-autores, visto tratar-se de causa incomunicável perempta a ação penal quando, iniciada esta, o
de extinção de punibilidade. querelante deixar de promover o andamento do
processo durante 30 dias seguidos.
24. (CESPE/DELEGADO/PA/2006) A desistência da [134] Nas ações penais privadas, a renúncia ao
ação penal privada pode ocorrer a qualquer momento, exercício do direito de queixa em relação a um dos
mesmo que já exista decisão condenatória transitada autores do crime aproveitará a todos, sem que
em julgado. produza, todavia, efeito em relação ao que o recusar.
[135] Nas ações penais públicas condicionadas à
GABARITO representação, será esta irretratável, depois de
01- E 02- E 03- C 04- C 05- C oferecida a denúncia.
06- C 07- C 08- E 09- C 10- C CEC
11- C 12- E 13- E 14- E 15- E
16- E 17- E 18- E 19- C 20- E 05. (Juiz Su.TJ-SE/CESPE/2008) Assinale a opção
21- C 22- C 23- E 24- E correta quanto à ação penal.
a) Ação penal secundária ocorre quando a lei
estabelece um titular ou uma modalidade de ação
+ EXERCÍCIOS CESPE/UnB penal para determinado crime, mas mediante o
01. (Anal.Jud.TRE/GO/CESPE/2009) Acerca da ação surgimento de circunstâncias especiais, prevê,
penal pública, assinale a opção correta. secundariamente, uma nova espécie de ação penal
a) Quando o ofendido for declarado ausente por para aquela mesma infração.
decisão judicial, haverá caducidade do direito de b) O princípio da suficiência da ação penal relaciona-se
representação. com as questões prejudiciais heterogêneas, em que a
b) Seja qual for o crime, quando praticado em ação penal é suficiente para resolver a questão
detrimento do patrimônio ou interesse da União, estado prejudicial ligada ao estado de pessoas, sendo
ou município, a ação penal será pública. desnecessário aguardar a solução no âmbito cível.
c) Depois de iniciado o inquérito policial, a c) Nos crimes de ação penal pública condicionada, a
representação, no caso de ação penal pública a ela requisição do ministro da Justiça admite retratação,
condicionada, será irretratável. desde que esta ocorra antes do oferecimento da
d) Se o órgão do MP, em vez de apresentar a denúncia, e o direito à requisição deve ser exercido no
denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial prazo de seis meses.
ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso d) O prazo de seis meses para mover a ação penal
de considerar improcedentes as razões invocadas, privada é prescricional e se inicia da data em que
remeterá os autos a outro promotor, para que esse ocorreu o fato.
ofereça a denúncia. e) Ação penal privada subsidiária da pública é a única
exceção à regra da titularidade exclusiva do Ministério
Público sobre a ação penal pública, e tem cabimento
02. (Anal.Jud.TRE/GO/CESPE/2009) Com relação à
tanto no caso de inércia da acusação quanto no pedido
ação penal privada, assinale a opção correta.
de arquivamento.
a) A queixa, quando a ação penal for privativa do
ofendido, não poderá ser aditada pelo MP, que em tal
situação atua apenas como fiscal da lei. 06. (Anal.Jud.TJ-RJ/CESPE/2008) Quanto à ação
penal, assinale a opção correta.
PROCESSO PENAL 13
a) Salvo disposição em contrário, em caso de ação ofendido mal maior que a impunidade do criminoso,
penal pública condicionada à representação, o direito decorrente da não propositura da ação penal. A
de representação prescreve, para o ofendido, se ele diferença básica entre a ação penal pública e a ação
não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado penal privada seria apenas a legitimidade de agir;
do dia em que o crime foi praticado. nesta última, extraordinariamente atribuída à vítima
b) A representação é ato formal, exigindo a lei forma apenas devida a razões de política criminal - em ambos
especial, isto é, deve ser feita por procurador especial, os casos, todavia, o Estado retém consigo a
em documento em que conste o crime, o nome do titularidade do direito de punir. Rafael Lopes do Amaral.
autor do fato e da vítima, além da assinatura do A ação penal privada e os institutos da lei dos juizados
representante e do advogado legalmente habilitado. especiais criminais. In: Jus Navigandi. Teresina, ano 9,
c) Nos crimes sujeitos à ação penal pública n.º 765, ago./2005 (com adaptações). Acerca da ação
incondicionada, se o Ministério Público não oferecer a penal privada, assinale a opção correta.
denúncia no prazo legal ou se requerer o arquivamento a) Quando o Ministério Público pede arquivamento da
do inquérito policial e o juiz não concordar com o representação, descabe o ajuizamento de ação penal
pedido, será admitida ação penal privada. privada, subsidiária da ação penal pública, já que não
d) A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do houve omissão do Ministério Público.
ofendido, poderá ser aditada pelo Ministério Público, a
b) Em crimes contra a honra praticados contra
quem caberá intervir em todos os termos subseqüentes
funcionário público propter officium, não se admite a
do processo.
legitimidade concorrente do ofendido para promover
e) Ainda que a representação contenha elementos que ação penal privada. Nesses casos, a ação deve ser
habilitem o Ministério Público a promover a ação penal, pública condicionada à representação.
não poderá o promotor oferecer denúncia
c) O perdão do ofendido, seja expresso ou tácito, é
imediatamente, devendo remeter a representação à
causa de extinção da punibilidade nos crimes que se
autoridade policial para que esta proceda ao inquérito.
apuram exclusivamente por ação penal privada e
naqueles em que há ação penal pública
07. (Prom.Justiça/MPE/AM/CESPE/2007) A respeito de incondicionada.
denúncia, assinale a opção correta. d) O benefício do sursis processual, previsto na Lei n.º
a) Denúncia alternativa é aquela que omite a descrição 9.099/1995, não permite a aplicação da analogia in
de comportamento típico e sua atribuição a cada autor bonam partem, prevista no Código de Processo Penal,
individualizado. razão pela qual não é cabível nos casos de crimes de
b) Se o promotor denuncia o autor de crime de ação penal privada.
homicídio por crime qualificado por motivo fútil ou torpe,
trata-se de denúncia genérica.
Gabarito:
c) O acórdão que provê recurso contra rejeição da
denúncia vale, desde logo, por seu recebimento, se 01/B; 02/D; 03/C; 04/CEC; 05/A; 06/D; 07/C;
não for nula a decisão de primeiro grau. 08/CCCCE; 09/A
d) É inepta a denúncia que, nos crimes societários, não
descreve e individualiza a conduta de cada um dos REFERÊNCIAS:
sócios. CAPEZ, Fernando - Curso de Processo Penal, 17ª ed.
e) Rejeitada a denúncia por falta de condição da ação, Saraiva/2010
fica obstado posterior exercício da ação penal, em face OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo
da coisa julgada material. Penal. 10ª ed., Rio de Janeiro: Lumen Juris,
2008.
RANGEL, Paulo. Direito Processual Penal. 17ª ed.,
08. (Consltuor Leg.SF/CESEP/2002) Firmino foi
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.
acusado, em juízo, pelo cometimento de um crime
JORGE, Jefferson, Para Aprender Direito - Direito
sujeito, exclusivamente, a ação penal privada. Nesse
Processual Penal. Editora Barros, Ficher e
caso,
Associados/2008
1) a peça de acusação, seguramente, foi uma queixa.
2) e o crime cometido por Firmino contou com a co- TÁVORA, Nestor; ALENCAR, Rosmar Antonni
autoria de Mário, e o acusador renunciou, Rodrigues Cavalcanti de. Curso de direito
expressamente, ao seu direito de formalizar a processual penal. 3. ed. Ed. JusPodivm, 2009.
acusação contra Mário, essa renúncia abrangerá
Firmino e a peça de acusação não deverá ser recebida.
3) e, recebida a peça de acusação, o ofendido vier a
conceder perdão a Firmino, o juiz não deverá extinguir
a ação penal, se Firmino recusar o perdão.
4) se, intimado para apresentar alegações finais, o
acusador deixar de apresentá-las, estará perempta a
ação penal instaurada e Firmino não poderá receber
sentença penal condenatória.
5) por tratar-se de ação penal privada, mesmo se
condenado, Firmino não estará sujeito à ação de
execução civil para reparação do dano causado por
seu crime.

09. (Anal.Jud.TSE/CESPE/2007) Fernando Capez


sustenta que o fundamento da ação penal privada é
evitar que o escândalo do processo provoque ao