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Código Civil de 2002 e a disciplina legal do estabelecimento

empresarial

A Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, denominada de novo Código Civil,


proporcionou um grande avanço ao instituto jurídico do estabelecimento empresarial ao
discipliná-lo de forma específica pela primeira vez no país. O tratamento legal atribuído
à azienda pode ser conferido no Título III, denominado "Do Estabelecimento", em um
Capítulo Único que apresenta disposições gerais referentes ao instituto nos arts. 1.142 a
1.149.

No Brasil, o Código Comercial de 1850 e a legislação comercial vigente não


disciplinaram especificamente a matéria, apenas a antiga e revogada Lei de Falências
(art. 52, VIII, Dec.-lei nº 7.661/45) referia-se ao estabelecimento prevendo a sua venda
e, a Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/1991), prevê proteção indireta ao estabelecimento,
assegurando no art. 51 proteção ao ponto empresarial por meio da ação renovatória.

Dentre os pontos positivos do Código Civil vigente, sem dúvida o tratamento legal
específico atribuído ao estabelecimento merece destaque. O estabelecimento
empresarial constitui elemento da empresarialidade e é essencial para o
desenvolvimento de qualquer atividade econômica. Sua disciplina legal é
imprescindível para atribuir a segurança jurídica necessária para as questões
obrigacionais decorrentes da exploração da empresa, conforme será ressaltado no
presente artigo.

2. A definição de estabelecimento empresarial

O estabelecimento empresarial, muitas vezes, é relacionado simplesmente ao local onde


o empresário exerce a atividade econômica. Essa noção vulgar não corresponde à
definição jurídica de estabelecimento, que não se resume ao local de desenvolvimento
da empresa. É certo que a noção vulgar integra a definição jurídica, mas, o
estabelecimento empresarial apresenta uma definição bem mais ampla que o simples
local de exploração da atividade econômica, que constitui um dos elementos do
estabelecimento, não se confundindo com ele. É uma impropriedade técnica resumir a
definição de estabelecimento à ideia de local onde a empresa é exercida.

O art. 1.142 do Código Civil de 2002 define estabelecimento:

"Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da


empresa, por empresário, ou por sociedade empresária".

A definição legal de estabelecimento presente no Código Civil brasileiro é baseada no


Codice Civile italiano de 1942, conforme se observa pela leitura do seu art. 2.555, in
verbis:

Portanto, o estabelecimento empresarial pode ser definido como o conjunto de bens


corpóreos e incorpóreos organizados pelo empresário para a exploração da atividade
econômica (empresa). Apresentando-se como um conjunto ou complexo de bens, não se
resume, conforme visto, ao local de desenvolvimento da empresa.
Na exploração de uma atividade empresarial é necessária a organização de vários bens,
sem a organização desses bens não é possível dar início à exploração da atividade
econômica. O estabelecimento empresarial é essencial para o exercício da empresa,
correspondendo a um dos elementos da empresarialidade. O empresário pode exercer
sua atividade em mais de um estabelecimento, destacando-se o estabelecimento
principal (sede ou matriz) e os secundários (filiais).

Alguns autores, entre os quais Rubens Requião, Fran Martins, Waldirio Bulgarelli,
utilizam as expressões fundo de comércio (influência francesa) e azienda (influência
italiana, significa negócio, empresa, firma) como sinônimas de estabelecimento
empresarial. Para Fábio Ulhoa, fundo de comércio, que ele prefere chamar de fundo de
empresa, não pode ser considerada expressão sinônima de estabelecimento empresarial,
porque corresponde ao valor agregado do estabelecimento (conjunto de bens
organizados), sendo um atributo do estabelecimento (COELHO, v.1, 2007, p.98).

O Código Civil não utiliza a denominação estabelecimento empresarial. Entretanto,


diante do conteúdo da definição legal e por ser um dos elementos da empresarialidade, o
acréscimo do termo empresarial deve ser feito. Nesse sentido, Marcelo Andrade Féres
entende que:

"por ter-se amoldado à teoria da empresa, dado o conceito que fornece de


estabelecimento, vinculando este à figura do empresário ou à da sociedade empresária, é
de melhor técnica usar-se a designação estabelecimento empresarial" (FÉRES, 2007,
p.5).

3. Natureza do estabelecimento empresarial: art. 1.143, CC 2002

Muito se discutiu em torno da natureza do estabelecimento empresarial, existindo várias


teorias diferentes sobre a sua natureza. Atualmente, a doutrina moderna dominante
entende que o estabelecimento empresarial apresenta a natureza de universalidade de
fato, já que corresponde a um conjunto de bens que se mantém unidos, destinados a uma
finalidade, por vontade e determinação do seu proprietário. O estabelecimento,
correspondendo a uma unidade organizada para uma finalidade específica, não se
confunde com o patrimônio do empresário.

Não pode ser considerado universalidade de direito porque esta só se constitui por força
de lei, como ocorre com a herança e a massa falida. Para Marcelo Andrade Féres, "Após
a codificação de 2002, não há espaço para a formação de dissidências. O trato do
estabelecimento, nitidamente inspirado pelo Codice Civile, trilha o caminho da
universalidade de fato" (FÉRES, 2007, p.20).

O art. 1.143, CC 2002, prevê:

"Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos,


translativos e constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza".

Segundo Marlon Tomazette (2004, p.11), o Código Civil classifica o estabelecimento


empresarial como uma coisa coletiva ou estabelecimento de fato porque permite que
seja como um todo objeto unitário de direitos e negócios jurídicos, sem, contudo,
proibir a negociação isolada dos bens integrantes do mesmo. O Código Civil define
universalidade de fato no art. 90 como a pluralidade de bens singulares que, pertinentes
à mesma pessoa, tenham destinação unitária, podendo, entretanto, ser objeto de relações
jurídicas próprias. Portanto, os bens integrantes do estabelecimento podem ser objeto de
relações jurídicas autônomas ou podem ser negociados de forma unitária, por meio do
trespasse, como um conjunto de bens.

Vale lembrar que o estabelecimento empresarial não se confunde com o empresário, que
é aquele que exerce a atividade empresarial, e nem com a empresa, que corresponde à
própria atividade exercida pelo empresário por meio do estabelecimento empresarial. O
estabelecimento não é sujeito de direito (sujeito de direito é o empresário) e não possui
personalidade jurídica. O estabelecimento empresarial não é uma pessoa jurídica, é uma
universalidade de fato que integra o patrimônio do empresário individual ou da
sociedade empresária, sendo objeto de direito, pode ser alienado, onerado, arrestado,
penhorado ou objeto de sequestro.

Relacionado à natureza jurídica do estabelecimento empresarial encontra-se o princípio


da construção continuada do estabelecimento, pelo qual, o complexo organizado de
bens utilizado pelo empresário não é algo estático, é dinâmico, modificando-se
constantemente de acordo com o desenvolvimento da atividade econômica (circulação
das mercadorias, reforma do imóvel, aquisição e venda de maquinários e veículos).
Tudo isso influencia a definição do aviamento e do valor do estabelecimento. Segundo
Marcelo Andrade Féres, o estabelecimento nunca está pronto e acabado, ele está sempre
em evolução (2007, p.22).

4. Elementos integrantes do estabelecimento empresarial: corpóreos e incorpóreos

O estabelecimento empresarial é composto por elementos corpóreos (materiais) e


incorpóreos (imateriais). Os elementos materiais abrangem as mercadorias do estoque,
utensílios, veículos, móveis, máquinas, edifícios, terrenos, matéria-prima, dinheiro e
títulos (atividades bancárias) e todos os demais bens corpóreos utilizados pelo
empresário na exploração de sua atividade econômica.

Os elementos incorpóreos (imateriais) do estabelecimento empresarial são,


principalmente, os bens industriais (patentes de invenção e de modelo de utilidade,
registros de desenho industrial e de marca registrada), o nome empresarial, o título de
estabelecimento, expressão ou sinal de publicidade, o ponto empresarial (local em que
se explora a atividade econômica, ponto físico), o nome de domínio (endereço do
empresário na Internet, ponto virtual), obras literárias, artísticas ou científicas.

Os contratos não integram o estabelecimento empresarial porque não são bens, como
ressalta Marlon Tomazette (2004, p. 16), acompanhando Rubens Requião (2003, p.284).
Nesse sentido, Marcelo Andrade Féres conclui que entre os bens integrantes do
estabelecimento empresarial não se compreendem dívidas, créditos ou contratos, para
Féres, "as relações jurídicas integram, outrossim, o patrimônio do empresário, ao lado
dos elementos do estabelecimento" (FÉRES, 2007, p.21).

5. Aviamento e clientela: atributos do estabelecimento empresarial


O valor atribuído ao estabelecimento empresarial não se confunde com a simples soma
dos bens que o compõe, já que o mercado valoriza o investimento realizado pelo
empresário na organização do estabelecimento empresarial. A organização do
estabelecimento influencia a sua potencialidade de gerar lucro ao empresário, daí a
importância do aviamento na definição do preço do estabelecimento.

O aviamento corresponde à potencialidade do estabelecimento empresarial gerar lucro,


estando diretamente relacionado à clientela: quanto maior a clientela, maior o
aviamento. Não se pode considerar o aviamento um bem integrante do estabelecimento,
corresponde a um atributo dele, sua capacidade de gerar lucros. Esse é o atual
entendimento da doutrina. Nesse sentido, Marcelo de Andrade Féres destaca:

"o avviamento constitui um atributo do estabelecimento, e não da empresa, como


pretende parte da doutrina. Inegavelmente, o avviamento é o sobrevalor que se confere
ao estabelecimento bem organizado. Suponha-se que um empresário, que vende no
varejo calçados de luxo, tenha dois estabelecimentos empresariais, um situado num
bairro nobre e outro numa localidade humilde. No primeiro ponto, ele tem ótima
clientela, as vendas são significativas. No segundo, o movimento não é suficiente para o
pagamento dos custos operacionais. Com certeza, o avviamento não pode estar
relacionado à empresa (atividade), pois ela é idêntica em ambas as situações. A
capacidade de gerar lucro, assim, decorre diretamente da articulação dos elementos do
estabelecimento, inclusive o espacial, o que torna patente que cada azienda tem seu
avviamento" (FÉRES, 2007, p.34)

De acordo com a doutrina moderna também não se pode incluir a clientela como
elemento do estabelecimento empresarial. Clientela é o conjunto de pessoas que
adquirem habitualmente os produtos ou serviços fornecidos por um empresário. Não é
objeto de apropriação pelo empresário, razão pela qual não se pode incluí-la entre os
elementos do estabelecimento empresarial.

Também não se pode falar em direito à clientela, afinal, corresponde a um conjunto de


pessoas que apresenta alterações no tempo e no espaço, o que afasta um seguro
delineamento. Integrando a clientela, existem pessoas que adquirem os produtos ou
serviços de forma esporádica, ao acaso, ao passo que outras o fazem por conhecerem a
marca, não importando o empresário que celebra o negócio. Por outro lado, existem os
clientes ligados ao estabelecimento por questões pessoais, em razão de conhecerem
empregados, gerentes, sócios ou o empresário individual.

De acordo com Marlon Tomazette:

"Não obstante seja incorreto falar-se em direito à clientela, é certo que há uma proteção
jurídica a ela, consistente nas ações contra a concorrência desleal. Todavia, tal proteção
não torna a clientela objeto de direito do empresário, pois o que se protege na verdade
são os elementos patrimoniais da empresa, aos quais está ligada a clientela, esta recebe
uma proteção apenas indireta" (TOMAZETTE, 2004, p.14)

6. Trespasse
O contrato de compra e venda do estabelecimento empresarial é denominado trespasse.
Embora consagrada pela doutrina para designar a transferência, a expressão trespasse
não foi adotada pelo Código Civil de 2002, mas, a Lei de Falência e de Recuperação de
Empresas (Lei n° 11.101/2005) indica dentre os meios de recuperação judicial no art.
50, VII, o trespasse.

No trespasse há a transferência do estabelecimento do patrimônio do empresário


alienante (trespassante) para o patrimônio do empresário adquirente (trespassário). O
objeto da venda é o complexo de bens corpóreos e incorpóreos. Para que a alienação do
estabelecimento empresarial produza efeitos perante terceiros deve preencher os
requisitos previstos no Código Civil.

O trespasse constitui contrato bilateral realizado entre o alienante do estabelecimento


(trespassante) e o adquirente (trespassário). O alienante, assim como o adquirente do
estabelecimento, podem ser empresários individuais ou sociedades empresárias.

O aviamento do estabelecimento, ou seja, a capacidade de gerar lucro ao seu titular deve


ser informado pelo empresário alienante nas negociações preliminares ao trespasse.
Constitui direito do empresário adquirente ser informado sobre o aviamento do
estabelecimento que pretende adquirir, sendo dever do empresário alienante apresentar
informações verídicas, sob pena de resolução do contrato e da indenização
correspondente.

Para verificar a realidade do estabelecimento que irá adquirir, o exercício do direito de


informação pelo empresário adquirente pode ocorrer por meio da due diligence, que
envolve uma análise investigativa sobre a situação econômica do estabelecimento antes
da sua aquisição pelo interessado. A análise é baseada na escrituração referente ao
estabelecimento em negociação, daí a importância da regularidade da escrituração (art.
1.179, CC 2002), já que as operações omitidas dos registros contábeis equivalem a
negociações não realizadas, reduzindo, consequentemente, o valor do aviamento.

Cumpre ressaltar que o trespasse não se confunde com a cessão de quotas sociais de
sociedade limitada ou a alienação de controle da sociedade anônima. Na transferência
da participação societária o estabelecimento empresarial não muda de titular, tanto antes
como após a transação ele pertencia e continua a pertencer à sociedade empresária, à
mesma pessoa jurídica, que apenas tem a sua composição de sócios alterada. Na cessão
de quotas ou alienação de controle, o objeto da venda é a participação societária, ou
seja, as quotas ou as ações, conforme a espécie societária.

7. Requisitos legais para o trespasse: arts. 1.144 e 1.145, CC 2002

De acordo com o art. 1.144, CC 2002, o contrato de trespasse deve ser arquivado na
Junta Comercial junto ao registro do empresário e publicado na imprensa oficial. A
mesma exigência legal vale para os casos de arrendamento ou instituição de usufruto
para o estabelecimento. O descumprimento dos requisitos legais previstos impede que o
negócio referente ao estabelecimento apresente eficácia perante terceiros.

Além dessas formalidades, o art. 1.145, reforçando a proteção dos interesses dos
credores, prevê que se ao alienante não restarem bens suficientes para o pagamento do
passivo relacionado ao estabelecimento vendido, a eficácia do contrato ficará na
dependência do pagamento de todos os credores ou do consentimento (anuência) destes.

O empresário que deseja alienar o seu estabelecimento deve solicitar o prévio


consentimento dos seus credores, mediante notificação judicial ou pelo oficial de
registro de títulos e documentos. O consentimento pode ser expresso (dado por escrito)
ou tácito (caracterizado pela inércia do credor nos 30 dias seguintes à notificação
judicial ou extrajudicial). O alienante somente se encontra dispensado dessa exigência
legal se permanecer solvente mesmo após a alienação.

O trespasse pode, eventualmente, caracterizar sinal de insolvência em razão da


supressão da garantia comum dos credores. Constitui ato de falência se realizado sem a
anuência dos credores (Lei n° 11.101/2005, art. 94, III, "c") e não restar ao devedor
patrimônio suficiente para saldar o passivo. Caso contrário, ou seja, ficando com bens
suficientes, o consentimento dos credores é dispensável. A prova da insuficiência do
ativo remanescente incumbe ao autor do pedido de falência.

Além disso, se a formalidade prevista no art. 1.145 não for cumprida, a consequência
também será prejudicial ao adquirente. O art. 129, VI, da Lei n° 11.101/2005 prevê:

"Art. 129. São ineficazes em relação à massa falida, tenha ou não o contratante
conhecimento do estado de crise econômico-financeira do devedor, seja ou não intenção
deste fraudar credores:

(...)

VI. a venda ou transferência de estabelecimento feita sem o consentimento expresso ou


o pagamento de todos os credores, a esse tempo existentes, não tendo restado ao
devedor bens suficientes para solver o seu passivo, salvo se, no prazo de 30 (trinta) dias,
não houver oposição dos credores, após serem devidamente notificados, judicialmente
ou pelo oficial de registro de títulos e documentos"

Diante do previsto, o trespasse poderá ser considerado ineficaz perante a massa falida e
o adquirente deverá entregar o estabelecimento para a massa falida. O parágrafo único,
art. 129, Lei n° 11.101/2005 prevê que "A ineficácia poderá ser declarada de ofício pelo
juiz, alegada em defesa ou pleiteada mediante ação própria ou incidentalmente no curso
do processo".

O reconhecimento da ineficácia não exige a má-fé do adquirente do estabelecimento, o


simples desatendimento da previsão expressa no inciso VI do art. 129 autoriza a
declaração da ineficácia do trespasse, não importando o intuito fraudulento do ato. De
acordo com o art. 136 da Lei n° 11.101/2005, reconhecida a ineficácia do ato, as partes
retornarão ao estado anterior, e o contratante de boa-fé terá direito à restituição dos bens
ou valores entregues ao devedor. O § 2º do referido art. 136 prevê ser garantido ao
terceiro de boa-fé, a qualquer tempo, propor ação por perdas e danos contra o devedor
ou seus garantes.

Cumpre ressaltar que o art. 1145 estabelece uma norma genérica sobre a ineficácia do
trespasse perante os credores, quando desatendida a previsão legal, não sendo, nesse
caso, necessária a declaração da falência do empresário alienante. De acordo com
Marcelo Andrade Féres, "o credor, mesmo sem promover a execução concursal, poderá
pleitear, em qualquer processo, o reconhecimento da ineficácia do negócio" (FÉRES,
2007, p.129).

Sociedade empresária
Sociedade empresária é um tipo de aglutinação de esforços de diversos
agentes, interessados nos lucros que uma atividade econômica complexa, de grande
porte, que exige muitos investimentos e diferentes capacitações, promete propiciar. É a
que explora uma empresa, ou seja, desenvolve atividade econômica de produção ou
circulação de bens e serviços, normalmente sob a forma de sociedade limitada ou
sociedade anônima.
Duas são as espécies de sociedades no direito brasileiro: a simples e a empresária. A
sociedade simples explora atividades econômicas específicas e sua disciplina jurídica se
aplica subsidiariamente à das sociedades empresárias contratuais e às cooperativas.
Sociedade empresária, por sua vez, é a pessoa jurídica que explora uma empresa. A
própria sociedade é titular da atividade econômica. O termo é diferente de sociedade
empresarial, que designa uma sociedade de empresários. No caso em questão, a pessoa
jurídica é o agente econômico organizador da empresa. É incorreto considerar os
integrantes da sociedade empresária como os titulares da empresa, porque essa
qualidade é a da pessoa jurídica, e não de seus membros.
No Direito Societário, empresário, para todos os efeitos, é a sociedade, e não seus
sócios. Estes serão chamados de empreendedores (investem capital e são responsáveis
pela concepção e condução do negócio) ou investidores (aquele que contribui apenas
com o capital para o desenvolvimento da empresa.
Sociedade empresária é um conceito mais amplo que sociedade comercial, pois
abarca uma das maneiras de organizar, a partir de investimentos comuns de mais de um
agente, a atividade econômica de produção ou circulação de bens e serviços.
As sociedades empresárias são sempre personalizadas, ou seja, são pessoas distintas dos
sócios, titularizam seus próprios direitos e obrigações.

Classificação
São cinco as espécies de sociedades empresárias personificadas:

Sociedade por nome coletivo

(Direito do Brasil) ou Sociedade em nome colectivo (Direito de Portugal),


refere-se à constituição de uma empresa por sociedade, onde todos os sócios respondem
pela dívidas de forma ilimitada. Também chamada de sociedade geral, sociedade de
responsabilidade ilimitada ou sociedade solidária ilimitada.

O nome empresarial deste tipo de associação consiste em firma ou razão social


composta pelo nome pessoal de um ou mais sócios e deve vir acompanhado da
expressão,"e Companhia" ou "& Companhia", por extenso ou abreviadamente ("e Cia"
ou "& Cia") quando não houver referência a todos os sócios. Essa sociedade é formada
obrigatoriamente por pessoas físicas, não podendo ser constituída por pessoas de
carácter jurídico. Sendo assim cada comandita tem seu lugar quanto a sua homologação.

O princípio da tipicidade das sociedades comerciais é a obrigação de todas as


sociedades que têm por objectivo a prática de atos comerciais terem de adoptar um dos
tipos previstos no CSC art.1 n.º 3: sociedade em nome coletivo, sociedade por cotas,
sociedade anónima, sociedade em comandita simples e sociedade em comandita por
acções. As partes envolvidas não têm a faculdade de celebrar contratos de sociedade
comercial diferentes dos previstos na lei.

Os sócios das sociedades em nome coletivo, além de responderem perante a sociedade


pela sua obrigação de entrada, respondem ainda perante os credores da sociedade pelas
obrigações desta. A responsabilidade por estas dividas é subsidiaria em relação à
sociedade – o que significa que os credores sociais só podem exigir o cumprimento aos
sócios depois de esgotado o património da sociedade - , mas é solidária entre os sócios –
o que se traduz na possibilidade de os credores da sociedade exigirem de qualquer dos
sócios a totalidade da dívida (art. 175, nº 1 CSC). Deve notar-se que a responsabilidade
cominada pelo art. 175, nº1, não impende apenas sobre os sócios da sociedade, mas
também, ainda que a titulo excepcional, sobre quem, não sendo embora sócio, inclua o
seu nome ou firma na firma social (art. 177, nº2).

Tanto na sociedade em nome coletivo como na sociedade por cotas poderão ser tomadas
deliberações em assembleia-geral ou em assembleia universal: ambas resultam de uma
reunião dos sócios, este é o seu ponto comum. O que as distingue é o aspecto do seu
procedimento, a assembleia universal ao invés daquelas são adaptadas numa assembleia
que não foi precedida de um acto de convocação – como deveria ter sido – dirigido a
todos os sócios, mas em que todos estiveram presentes e, em que todos manifestaram
vontade de que a assembleia se constituísse e deliberasse sobre determinado assunto. Só
ocorre uma assembleia universal mediante a verificação cumulativa de três
pressupostos: 1) A presença de todos os sócios; 2) Assentimento de todos os sócios em
que a assembleia se constitua; 3) Vontade também unânime de que a assembleia a
constituir delibere sobre determinado assunto.

Sociedade por Comandita Simples

sociedade em comandita simples é a caracterizada pela existência de


dois tipos de sócios: os sócios comanditários e os comanditados.

Os sócios comanditários tem responsabilidade limitada em relação às obrigações


contraídas pela sociedade empresária, respondendo apenas pela integralização das
quotas subscritas. Contribuem apenas com o capital subscrito, não contribuindo de
nenhuma outra forma para o funcionamento da empresa, ficando alheio, inclusive, da
administração da mesma.

Já os sócios comanditados contribuem com capital e trabalho, além de serem


responsáveis pela administração da empresa. Sua responsabilidade perante terceiros é
ilimitada, devendo saldar as obrigações contraídas pela sociedade. A firma ou razão
social da sociedade somente pode conter nomes de sócios comanditados, sendo que a
presença do nome de sócio comanditário faz presumir que o mesmo é comanditado,
passando a responder de forma ilimitada.

Essa forma de sociedade é pouco utilizada nos dias atuais. Uma vez que seus socios
possuem responsabilidade ilimitada

Sociedade em Comandita por Ações

A Sociedade em comandita por ações em direito, em Portugal e no Brasil,


é uma natureza jurídica de constituição de empresas por sociedades, tendo o capital
dividido em acções, regendo-se pelas normas relativas às companhias ou sociedades
anónimas.

O capital é dividido em ações e a responsabilidade são dos diretores na qual é ilimitada


(art. 1.091 do novo código civil), deve-se ser accionista e o prazo é indeterminado
nomeado pelo estatuto. Só pode ser destituído por deliberação de accionistas que
representem, no mínimo, dois terços do capital social.

Sociedade Anônima

Sociedade anónima (português europeu) ou sociedade anônima (português brasileiro)


(normalmente abreviado por S.A., SA ou S/A) é uma forma de constituição de empresas
na qual o capital social não se encontra atribuído a um nome em específico, mas está
dividido em ações que podem ser transacionadas livremente, sem necessidade de
escritura pública ou outro ato notarial. Por ser uma sociedade de capital, prevê a
obtenção de lucros a serem distribuídos aos acionistas.[1]

Há duas espécies de sociedades anônimas:

• a companhia aberta (também chamada de empresa de capital aberto), que capta


recursos junto ao público e é fiscalizada, em Portugal, pela CMVM (Comissão
de Mercado de Valores Mobiliários) e, no Brasil, pela CVM (Comissão de
Valores Mobiliários)
• a companhia fechada (também chamada de empresa de capital fechado), que
obtém seus recursos dos próprios acionistas.

Em contrapartida, numa sociedade limitada existe uma escritura pública (no Brasil,
contrato social), que define a quem pertence o capital da empresa.

As ações podem ser classificadas:

• quanto à natureza dos direitos atribuídos ao seu titular:


o ações ordinárias;
o ações preferenciais; ações de gozo ou fruição.

• quanto à forma de circulação:


o ação nominativa: é uma ação cujo certificado é nominal ao seu
proprietário. O certificado, entretanto, não caracteriza a posse, que só é
definida depois do lançamento no livro de Registro das Ações
Nominativas da empresa emitente.
o ação escritural: É uma ação que circula nos mercados de capitais sem a
emissão de certificados ou cautelas. São escrituradas por um banco que
atua como depositário das ações da empresa e que processa os
pagamentos e transferências por meio da emissão de extratos bancários.
Não existe, portanto, movimentação física de ações.

No Brasil
No Brasil, as sociedades anônimas ou companhias são reguladas pela Lei nº 6.404,[3] de
15 de dezembro de 1976 (Lei das SA), com as alterações dadas pela Lei 9.457,[4] de
maio de 1997. Não houve alteração em decorrência da entrada em vigor do novo
Código Civil (art.1089). De acordo com o artigo 1º (primeiro) deste diploma legal "A
companhia ou sociedade anônima terá o capital dividido em ações e a responsabilidade
dos sócios ou acionistas será limitada ao preço da emissão das ações subscritas ou
adquiridas".

Extrai-se, desse dispositivo legal, o conceito de Sociedade Anônima, que na lição de


DYLSON DÓRIA "é a que possui o capital dividido em partes iguais chamadas ações, e
tem a responsabilidade de seus sócios ou acionistas limitada ao preço de emissão das
ações subscritas ou adquiridas". (in curso de Direito Comercial, Ed. Saraiva, vol. 1).

Em relação a sua natureza jurídica, podemos afirmar que a Sociedade Anônima


constitui pessoa jurídica de direito privado, nos termos do art. 16, II, do Código Civil
atual, mesmo que constituída com capitais públicos, em todo ou em parte (Sociedades
de Economia Mista), e qualquer que seja o seu objeto, ela será sempre mercantil e se
regerá pelas leis do comércio. (Art. 2º (segundo), parágrafo 1º (primeiro) da Lei
6.404/76[3]). Quando entrar em vigor o novo Código Civil em janeiro de 2003
(publicado em 2002) a Sociedade Anônima será uma SOCIEDADE EMPRESÁRIA,
independentemente de seu objeto (art. 982, parágrafo único).

Feitas estas considerações iniciais vejamos quais as principais características da


Sociedade Anônima:

• a) é uma sociedade de capitais. Nelas o que importa é a aglutinação de capitais, e


não a pessoa dos acionistas, inexistindo o chamado "intuito personae"
característico das sociedades de pessoas;
• b) divisão do capital em partes iguais, em regra, de igual valor nominal – ações.
É na ação que se materializa a participação do acionista;
• c) responsabilidade do acionista limitada apenas ao preço das ações subscritas
ou adquiridas. Isso significa dizer que uma vez integralizada a ação o acionista
não terá mais nenhuma responsabilidade adicional, nem mesmo em caso de
falência, quando somente será atingido o patrimônio da companhia;
• d) livre cessibilidade das ações. As ações, em regra, podem ser livremente
cedidas, o que gera uma constante mutação no quadro de acionistas. Entretanto,
poderá o Estatuto trazer restrições à cessão, desde que não impeça jamais a
negociação (art. 36 da Lei 6.404/76[3]). Desta forma, as ações são títulos
circuláveis, tal como os títulos de crédito;
• e) possibilidade de subscrição do capital social mediante apelo ao público;
• f) uso exclusivo de denominação social ou nome de fantasia;
• g) finalmente, pode ser Companhia ABERTA ou FECHADA. Na Companhia ou
Sociedade ABERTA os valores mobiliários de sua emissão são admitidos à
negociação no mercado de valores mobiliários(art. 4o. da Lei 6.404/76[3]). Na
FECHADA, não há necessidade de que a Sociedade registre a emissão pública
de ações no órgão competente – Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385, de
7 de dezembro de 1976).

A Companhia ou Sociedade Anônima pode ser constituída por SUBSCRIÇÃO


PÚBLICA (quando dependerá de prévio registro da emissão na Comissão de Valores
Mobiliários e haverá a intermediação obrigatória de instituição financeira – art. 82 da
Lei 6.404/76[3]) ou por SUBSCRIÇÃO PARTICULAR (quando poderá fazer-se por
deliberação dos subscritores em assembleia geral ou por escritura pública – art. 88 da
Lei 6.404/76).

Por fim, a Sociedade Anônima deverá ter uma estrutura organizacional composta de:
ASSEMBLÉIA GERAL, CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO (facultativo em caso
de Companhia Fechada), DIRETORIA e CONSELHO FISCAL, que terão, além das
atribuições fixadas na Lei 6.404/76, aquelas determinadas no ESTATUTO SOCIAL.

Sociedade Limitada

A sociedade por quotas com responsabilidade limitada, em Direito, no Brasil, refere-


se à natureza jurídica de uma empresa constituída como sociedade, é quando duas ou
mais pessoas se juntam para criar uma empresa, formando uma sociedade, através de
um contrato social, onde constará seus atos constitutivos, forma de operação, as normas
da empresa e o capital social. Esse por sua vez será dividido em cotas de capital, o que
indica que a responsabilidade pelo pagamento das obrigações da empresa, é limitada à
participação dos sócios.

Sociedades por quotas

O Código das Sociedades Comerciais (CSC) regula o enquadramento jurídico de 4 tipos


de sociedade, com base no princípio da tipicidade (artigos 1º e 3):

• Sociedade em Nome Colectivo;


• Sociedade por Quotas;
• Sociedade em Comandita;
• Sociedade Anônima.

A Sociedade por Quotas, caracteriza-se e diferencia-se das demais pelos seguintes


factores:

• Será constituída por dois ou mais sócios, (artigo 7º),


• O Capital está dividido em quotas (artigo 197)
• No nome da firma, é obrigatório constar a identificação da sua tipicidade através
da inclusão da palavra "Limitada" ou da abreviatura "Lda" no seu nome.(artigo
200),
• O capital Social mínimo são 5.000,00€ (artigo 201)
• As entradas de capital podem ser em dinheiro ou espécie, não sendo admitidas
entradas de indústria (artigo 202).
• Podem ser diferidas metade das entradas em dinheiro (artigo 202)
• Metade do lucro do exercício tem que ser distribuio pelos sócios, salvo diferente
cláusula contratual ou deliberação tomada por maioria de três quartos dos votos
correspondentes ao capital social em assembleia geral para o efeito convocada.
(artigo 217)
• A responsabilidade dos sócios é limitada externamente (perante terceiros), mas
ilimitada internamente (responsabilidade pelas entradas dos restantes sócios)
• Na constituição da Sociedade a cada sócio corresponde uma quota, referente à
sua entrada. O valor nominal não pode ser inferior a 100,00€.(artigo 219)
• Para efeitos de deliberação, conta-se um voto por cada cêntimo de valor nominal
da quota. (artigo 250)

• Nota: o CSC dedica uma boa parte do seu articulado a este tipo de Sociedades,
desde o 197 ao 270, Capítulos I a IX.

Sociedades unipessoais por quotas

Apesar de estar incluída no grupo Sociedade por Quotas, acaba por ser uma excepção,
dado este regime ter sido concebido para o caso de uma pessoa singular deter uma
sociedade a 100% mas usufruindo dos direitos e deveres das Sociedades por quotas.

• O CSC, no Capítulo X, dedica 7 sub-artigos a este tipo de Sociedades, desde o


270º-A ao 270º-G

Características no Brasil
As sociedades limitadas são aquelas cujo capital social é representado por quotas. A
responsabilidade dos sócios no investimento é limitada ao montante do capital social
investido.

É uma sociedade com uma categoria de sócios, os de responsabilidade limitada, que


respondem, tão-somente, pela integralização do capital e, realizando este, sem maior
responsabilidade, quer para a sociedade, quer para com terceiros.

A responsabilidade direta de cada sócio limita-se à obrigação de integralizar as cotas


que subscreveu, embora exista a obrigação solidária pela integralização das quotas
subscritas pelos demais sócios.

As sociedades se caracterizam com o início do nome de um ou mais quotistas, por


extenso ou abreviadamente, terminando com a expressão "& Cia. Ltda." (firma ou razão
social) ou com o objeto social no nome da empresa, seguindo-se da expressão "Ltda"
(denominação), nos termos do art. 1158 do Código Civil Brasileiro.
Caso a palavra "limitada" (por vezes abreviado por Lda., L.da ou Ltda.) não conste do
nome da sociedade, presume-se ilimitada a responsabilidade dos sócios, passando a ter
as características jurídicas de uma sociedade em nome coletivo.

Quadro de Sociedades segundo o Código Civil de 2002


A) Sociedade não personificada - Art. 986 a 996 CC 2002.
Sociedade em Comum Art. 986 a 990 CC
Sociedade em Conta de Participação – Sócio Ostensivo Art. 991 a 996 CC 2002
B) Sociedade Personificada - Art. 997 a 1.141 CC 2002
B1) Não Empresarial
Sociedade Simples Art. 966 par. único e Art 997 a 1038 CC 2002
Ex: Sociedade Cooperativa Art. 1.093 a 1.096 CC 2002, e Lei nº 5.764/71.
B2) Soc. Empresarial
Sociedade Ltda --- Art. 1.052 a 1.087 CC 2002.
Sociedade Anônima ou CIA --- Art. 1.088 CC 2002, e Lei 6.404/1976.
Sociedade em Nome Coletivo --- Art. 1.039 a 1.044 do CC 2002.
Sociedade em Comandita Simples --- Art. 1.045 a 1.051 do CC 2002.
Sociedade em Comandita Ações --- Art. 1.090 a 1.092 do CC 2002.
Art. 985. A sociedade passa a existir legalmente com a inscrição, no registro próprio e
na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150 = Registro).
Art. 1.177. Os assentos lançados nos livros ou fichas do preponente, por qualquer dos
prepostos encarregados de sua escrituração, produzem, salvo se houver procedido de
má-fé, os mesmos efeitos como se o fossem por aquele.
Somente as limitadas e anônimas possuem importância econômica. As outras são
constituídas apenas para atividades marginais, de menor envergadura.
Sociedades de Pessoas
Aquela sociedade em que a realização do objeto social depende fundamentalmente dos
atributos individuais dos sócios. A pessoa do sócio é mais importante que sua
contribuição material para a sociedade. Ex.: duas pessoas que se organizam para criar
uma empresa de prestação de serviços. Como os atributos individuais do adquirente de
uma participação podem interferir na realização do objeto social, a cessão da
participação societária depende da anuência dos demais sócios. O ingresso de novo
sócio está condicionado à aceitação dos outros sócios, cujos interesses podem ser
afetados. As sociedades em nome coletivo e em comandita simples são de pessoas. A
sociedade limitada pode ser de pessoas e capital.
Sociedades de Capitais
Nesse tipo de sociedade, as aptidões, a personalidade e o caráter do sócio são
irrelevantes para o sucesso ou insucesso da empresa explorada pela sociedade. Por
exemplo: quando uma pessoa compra uma ação de uma instituição financeira, as
qualidade subjetivas desse acionista não interferem de forma nenhuma com o
desempenho da sociedade bancária. O único fator a considerar é a contribuição material
dada para a sociedade. O sócio pode alienar sua participação societária a quem quer que
seja, independentemente da anuência dos demais. A sociedade limitada pode ser de
capital. As sociedade anônimas e em comandita por ações são sempre de capital.Desta
forma faz-se necessário um aprofundamento maior para uma boa comprensão do
conteúdo em comento.
Sociedades Contratuais
São constituídas por um contrato entre os sócios. Nela, os vínculos estabelecidos entre
os membros da pessoa jurídica tem natureza contratual e neles se aplicam os princípios
do direito dos contratos. O instrumento disciplinar das relações sociais é o contrato
social. O diploma jurídico aplicável na dissolução é o Código Civil. Exemplos:
sociedade em nome coletivo, em comandita simples e limitada. São aquelas em que o
elo entre os sócios é predominantemente pessoal e classificadas, de acordo com a sua
natureza, como sociedades do tipo (intuitu personae).
Sociedades Institucionais
Também são constituídas por um ato de manifestação de vontade dos sócios, mas esse
não é revestido de natureza contratual. O instrumento disciplinar das relações sociais é o
estatuto. O diploma jurídico aplicável na dissolução é a Lei das Sociedades por Ações.
Exemplos: sociedades anônimas e em comandita por ações.
Sociedade Empresária de Vínculo Instável
O sócio pode se desligar por declaração unilateral imotivada, a qualquer tempo. O
vínculo pode romper-se a qualquer hora. A sociedade o reembolsa do capital investido.
Exemplos: em nome coletivo e em comandita simples contratadas por prazo
indeterminado.
Sociedade Empresária de Vínculo Estável
O sócio não pode se desligar a qualquer tempo, mas apenas em determinados casos
específicamente mencionados na lei (por exemplo: mudança do objeto social,
incorporação da sociedade em outra, etc). O sócio só se desliga por declaração unilateral
quando titulariza o direito de recesso ou de retirada. O vínculo jurídico é estável porque
não se rompe senão quando ocorre o fato jurídico indicado na lei. Exemplos: em nome
coletivo e em comandita simples contratadas por prazo determinado, a anônima e a
comandita por ações.
A sociedade limitada tem feição híbrida
pode ser de vínculo estável ou instável de acordo com a vontade dos sócios (segundo o
disposto no contrato social). Se desse instrumento conta a Lei das Sociedades por Ações
como fonte supletiva de regência da sociedade, o vínculo é estável. Caso não haja
menção, ou se são indicadas como fonte supletiva de regência as normas da sociedade
simples, o vínculo é instável.
Responsabilidade dos Sócios
Os sócios têm, pelas obrigações, responsabilidade subsidiária. A solidariedade, no
Direito Societário brasileiro, quando existe, verifica-se entre os sócios, e nunca entre
sócio e sociedade.
Isto é, enquanto não exaurido o patrimônio social, não se pode cogitar de
comprometimento do patrimônio do sócio para a satisfação de dívida da sociedade. A
única exceção está na responsabilização do sócio que atua como representante legal
de sociedade irregular, não registrada na Junta Comercial. Para ele, prevê a lei a
responsabilidade direta.
Há no entanto o instituto da desconsideração da personildiade jurídica, previsto em
vários diplomas brasileiros (art. 50 do Código Civil; art. 28 do [Código de Defesa do
Consumidor][1]; Lei 8.884/1994; Lei 6.938/81 etc), que parece dar a entender seja
possível a responsabilização do sócio mesmo sem exaurir o patrimônio social da
empresa.
Vejamos 2 artigos:
Art. 50 do CC 2002: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo
desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento
da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os
efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens
particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica.
Art. 28 do Cód. Defesa do Consumidor: O juiz poderá desconsiderar a personalidade
jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito,
excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou
contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência,
estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por
má administração. (grifo nosso)
§ 1° (Vetado).
§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas, são
subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.
§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações
decorrentes deste código.
§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.
§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade
for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos
consumidores. A responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais, além de
subsidiária, pode ser limitada (quando o limite é relacionado ao valor do investimento
que se propuseram a realizar) ou ilimitada (arcam com o valor integral da dívida).
O sócio também responde ilimitadamente se não realizar a integralização do capital.
Assim, quando os sócios constituem uma sociedade, esta recebe, deles sócios, valores
correspondentes a bens ou serviços. No entanto há possibilidade de não se fazer essa
integralização de imediato. Desse modo, o sócio ou os sócios prometem realizar essa
integralização em determinado período, e enquanto não o fazem respondem
ilimitadamente (com o patrimônio pessoal).
Sociedades de Responsabilidade Ilimitada
Todos os sócios respondem pela obrigações sociais ilimitadamente
Sociedades de Responsabilidade Mista
Apenas parte dos sócios responde de forma ilimitada (sociedade em comandita simples
ou por ações).
Sociedade de Responsabilidade Limitada
Todos os sócios respondem de forma limitada pelas obrigações sociais (sociedades por
quotas de responsabilidade e anônimas).
Em geral, somente depois de decretada a quebra da sociedade empresária será possível
executar os bens do patrimônio particular dos sócios, para garantia da obrigação social.
Nacionalidade da Sociedade
No Brasil, uma sociedade se considera nacional se atende a dois requisitos:
sede e administração no Brasil (conforme art. 1.126 do [Código Civil] [2]de 2002)
organização de acordo com nossa legislação
Não é relevante a nacionalidade dos sócios, nem a origem do capital investido na sua
constituição. Quando a sociedade é estrangeira, seu funcionamento no Brasil depende
de autorização do governo federal.
Desse modo, há duas alternativas para que os empreendedores estrangeiros explorem
uma atividade empresarial no Brasil: constituir uma sociedade empresária brasileira, da
qual se tornarão sócios ou acionistas; ou através de um pedido de autorização, hipótese
em que não se constitui pessoa jurídica nova, apenas uma licença para a extensão ao
Brasil de operações negociais exploradas pelo estrangeiro.
Empresário
Segundo o art. 966 do novo código civil:

“Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica


organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços”.

Sendo assim, é considerada qualquer pessoa que constitua firma individual um


empresário, a partir do novo CC, também passa a ser considerado empresário aquele
que produz ou circula serviços e não mais apenas aquele que produz e circula
mercadorias.

Como exemplo deste tipo de empresa temos trabalhadores antes considerados


autônomos como representante comercial, mecânico de automóveis, encanador, pintor
enfim qualquer profissional prestador de serviços.

Sabendo que toda e qualquer pessoa pode exercer uma atividade empresarial através de
sua pessoa física (empresário singular) ou por uma constituição de uma pessoa jurídica
(sociedade empresária). Temos como características principais de um empresário
individual:

• Capacidade jurídica (aptidão do homem para ser sujeito de direitos e obrigações);

• Inexistência de impedimento legal pára o exercício da empresa (Art. 5°, inciso XIII da
CF: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as
qualificações profissionais que a lei estabelecer);

• Exercício profissional da empresa (a pessoa natural só será considerada empresária se


exercer profissionalmente a empresa em nome próprio, com intuito de lucro);

• Regime jurídico peculiar regulador da insolvência mercantil (ao empresário, quando


insolvente, o direito nacional destina um regime jurídico próprio. Excepcionando o
concurso de credores previsto no CPC (art. 751 e ss) submete-o ao sistema falimentar
(Decreto-lei n° 7.661/45 – LFC);

• Arquivamento da firma no registro público de empresas mercantis (oficialização de


sua condição mediante o registro na Junta Comercial);

Empresário, Sociedade Simples e Sociedade


Empresária
De acordo com o novo CC ha diferenças entre constituir-se uma sociedade simples e
uma sociedade empresária, porém o empresário é participante de ambas. Já vimos que
um empresário individual pode exercer uma atividade empresarial a partir de sua pessoa
física, e que no caso de uma constituição de uma pessoa jurídica passa a ser uma
sociedade empresária.
Porem uma sociedade empresária tem a necessidade de um objetivo de uma atividade
própria de um empresário, ou seja, que exerce atividade econômica organizada para a
produção ou circulação de bens ou serviços, alem das sociedades acionárias.

A sociedade simples define-se como forma de exclusão das outras características


societárias, o art. 982 do código civil trata desta maneira: “Considera-se empresária a
sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a
registro (art. 967); e, simples, as demais”.

Assim sendo uma a sociedade simples não exerce atividade econômica organizada para
a produção ou circulação de bens e serviços, destina-se principalmente a cooperativas
(força de lei), atividades intelectuais, científicas, literárias ou artísticas que unem
capitais e criam uma pessoa jurídica sem a adoção de uma organização empresarial.

Sociedade
Celebram contrato de sociedades as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir
com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos
resultados (art. 981 e parágrafo único).

Sendo assim uma sociedade caracteriza-se quando duas ou mais pessoas unem-se a fim
de organizarem uma empresa para dela desfrutar de seu exercício e assumir suas
responsabilidades, através de um contrato social.

“Espécie de sociedade condicionada ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, possui um


tipo societário próprio, com características que a tornam de difícil implementação,
dentre elas a responsabilidade subsidiária expressa no artigo 1.023. (parágrafo único,
arts. 982 e 1.023)”.

A partir disto pode-se diferenciar empresário, sociedade empresária e sociedade simples


facilmente, sendo que:

Empresário: Constitui-se empresário individual toda e qualquer pessoa, antes


considerada autônoma, que pretende circular bens ou serviços através de uma pessoa
física.

Sociedade Simples: É caracterizada pela formação de uma pessoa jurídica apenas para o
esforço de profissionais desempenharem melhor suas funções, temos como exemplo
consultórios médicos, dentários, escritórios de advocacia, entre outros.

Sociedade Empresária: Caracteriza-se pela união de empresários que ao contrário da


sociedade simples tem como objetivo exercer uma atividade econômica organizada,
constituindo elemento de empresa. Temos como exemplos de sociedade empresária as
formas de como devem se constituir, sociedades anônimas e sociedades limitadas, entre
outras.

Tipos de Sociedade Empresária


De acordo com o art. 983 do novo código civil vigente desde 01/01/2003.

“A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts.
1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses
tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias”.

“Parágrafo único. Ressalvam-se as disposições concernentes à sociedade em conta de


participação e à cooperativa, bem como as constantes de leis especiais que, para o
exercício de certas atividades, imponham a constituição da sociedade segundo
determinado tipo”.

Sendo assim a sociedade empresária deve constituir-se das seguintes maneiras:

Como Sociedade em Nome Coletivo: Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar
parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e
ilimitadamente, pelas obrigações sociais.

Esta tipo de sociedade é formada por duas pessoas ou mais e restrito às pessoas físicas,
podendo ser empresário individual ou não, sendo que não é permitido que uma pessoa
jurídica participe do quadro societário das empresas inclusas neste tipo de sociedade.

A sociedade em nome coletivo pode explorar atividade econômica, comercial ou civil,


na qual perante terceiros os sócios respondem solidária e ilimitadamente, mesmo assim,
não tendo validade perante terceiros, os sócios através de cláusulas contratuais, ou um
aditivo assinado por todos, podem estipular uma limitação de responsabilidades, em
caso de dívidas em que o capital da empresa não possa saldar mesmo com sua
liquidação completa, caso de os sócios não poderem arcar com suas dívidas e
obrigações sociais, os bens particulares dos sócios podem ser atingidos.

Neste tipo de sociedade quanto ao nome empresarial, apenas é admitida a firma


comercial, ou seja, nome que identifica o comerciante ou prestador de serviços no
exercício de suas atividades, devendo conter o nome dos sócios ou de alguns deles com
poderes de gerência, seguido da expressão “& Companhia” ou ”&Cia.”, não é permitida
a denominação social.

Somente os sócios podem administrar a sociedade, de acordo com os poderes de gestão


estipulados em contrato, não é permitida então um administrador não sócio.

Também não é permitida a utilização de quotas da sociedade para pagamento de dívidas


particulares de qualquer dos sócios não importando sua participação nesta sociedade.
Isto só será possível quando a sociedade houver sido prorrogada tacitamente, nos casos
de sociedade com prazo determinado ou tendo ocorrido prorrogação contratual, for
acolhida judicialmente oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado
da publicação do ato dilatório (artigo 1.043 do CC).

“Art. 316 - Nas sociedades em nome coletivo, a firma social assinada por qualquer dos
sócios-gerentes, que no instrumento do contrato for autorizado para usar dela, obriga
todos os sócios solidariamente para com terceiros e a estes para com a sociedade, ainda
mesmo que seja em negócio particular seu ou de terceiro; com exceção somente dos
casos em que a firma social for empregada em transações estranhas aos negócios
designados no contrato.

Não havendo no contrato designação do sócio ou sócios que tenham a faculdade de usar
privativamente da firma social, nem algum excluído, presume-se que todos os sócios
têm direito igual de fazer uso dela.

Contra o sócio que abusar da firma social, dá-se ação de perdas e danos, tanto da parte
dos sócios como de terceiro; e se com o abuso concorrer
também fraude ou dolo, este poderá intentar contra ele a ação criminal que no caso
couber”.

Quanto à participação não é necessário na sociedade em nome coletivo que os sócios


integrem bens ou valores no capital social da empresa, este pode oferecer como sua
parte na sociedade a disponibilidade de prestação de serviços.

Como Sociedade em Comandita Simples: Art. 1.045. Na sociedade em comandita


simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas,
responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários,
obrigados somente pelo valor de sua quota.

Já em desuso a sociedade em comandita simples é um tipo misto, pois alguns sócios são
ilimitadamente responsáveis e outros têm responsabilidades limitadas, assim sendo, um
ou mais sócios possuem responsabilidades ilimitadas e são solidários entre si
(comanditados) e outros sócios cuja responsabilidade é limitada à quota com que entram
para formar o capital e têm por atribuição fiscalizar os negócios da sociedade e
participar das deliberações da sociedade, se assim o desejarem (comanditário).

Se houver mais de um sócio solidariamente responsável, ou sejam muitos os


encarregados da gerência ou um só, a sociedade será ao mesmo tempo em nome
coletivo para estes, e em comandita para os sócios prestadores de capitais.

Este tipo de sociedade leva em consideração primordialmente os sócios, sendo que pra a
entrada de um novo participante nesta sociedade é necessário o consentimento de todos
os demais para que isto ocorra.

Uma das características da sociedade em comandita simples é o fato de que nem todos
os sócios podem ser gerentes. A gerência da empresa fica a cargo dos sócios
comanditados ou, dentre eles, ao que for ou aos que forem designados no contrato
social.

Como Sociedade Limitada: Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de


cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela
integralização do capital social.

A sociedade limitada é mais indicada a pequenos empresários pelo fato de que deixa a
responsabilidade dos sócios limitada ao valor do capital social e o patrimônio pessoal
dos sócios não é atingido caso a sociedade contraia dívidas que ultrapassem o valor
constante do contrato social e sua simplificada forma de sua constituição (ao contrário
da estrutura complexa das sociedades por ações) faz a sociedade limitada tornar-se a
mais comum de todas as sociedades, antes conhecida como sociedade por cotas de
responsabilidade limitada, e a partir do novo código civil, apenas como sociedade
limitada, têm enorme aceitação no meio empresarial.

As sociedades limitadas possuem algumas características importantes, tais como:

• A responsabilidade dos sócios é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem
solidariamente pela integralização do capital social;

• A sociedade limitada rege-se pelo novo Código Civil e, nas omissões, pelas normas da
sociedade simples, ou pelas da sociedade anônima se assim o contrato social
estabelecer;

• O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a


cada sócio;

• É vedada contribuição que consista em prestação de serviços;

• Os sócios não poderão distribuir lucros ou realizar retiradas, se distribuído com


prejuízos do capital;

• Pode o contrato instituir conselho fiscal composto de três ou mais membros e


respectivos suplentes, sócios ou não; (Opcional/facultativo)

• É assegurado aos sócios minoritários, que representarem pelo menos 1/5 do capital
social, o direito de eleger um dos membros do conselho fiscal e o respectivo suplente;

• Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente


todos os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade;

Quanto à administração das sociedades limitadas não ficam apenas a cargo dos sócios,
pode ser indicado um ou mais administradores que não participe da sociedade desde que
seja estipulado no contrato social ou em ato separado.

Como Sociedade Anônima: Art. 1.088. Na sociedade anônima ou companhia, o capital


divide-se em ações, obrigando-se cada sócio ou acionista somente pelo preço de
emissão das ações que subscrever ou adquirir.

Sociedade anônima é a empresa que tem o capital dividido em ações formada pó no


mínimo sete sócios, e suas responsabilidades como sócios ou acionistas será limitada ao
preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas, sendo que estas dividem-se em
dois tipos de capital, o capital aberto em que o capital representado pelas ações é
dividido entre muitos e indeterminados acionistas e essas ações são negociadas nas
bolsas de valores ou no mercado de balcão, e o capital fechado em que o capital,
representado pelas ações, é dividido entre poucos acionistas e essas ações não podem
ser negociadas.

Essas sociedades têm um modo de constituição próprio e seu funcionamento está


condicionado a normas estabelecidas na lei ou no estatuto, além disso, considerada
sociedade institucional ou normativa e não contratual, já que nenhum contrato liga os
sócios entre si, as sociedades anônimas em regra são reguladas por leis especiais.

As principais características das Sociedades


Anônimas são:
• É uma sociedade de capitais. Nelas o que importa é a aglutinação de capitais, e não a
pessoa dos acionistas, inexistindo o chamado “intuito personae” característico das
sociedades de pessoas;

• Divisão do capital em partes iguais, em regra, de igual valor nominal – ações. É na


ação que se materializa a participação do acionista;

• Responsabilidade do acionista limitada apenas ao preço das ações subscritas ou


adquiridas. Isso significa dizer que uma vez integralizada a ação o acionista não terá
mais nenhuma responsabilidade adicional, nem mesmo em caso de falência, quando
somente será atingido o patrimônio da companhia;

• Livre cessibilidade das ações. As ações, em regra, podem ser livremente cedidas, o
que gera uma constante mutação no quadro de acionistas. Entretanto, poderá o Estatuto
trazer restrições à cessão, desde que não impeça jamais a negociação (art. 36 da Lei
6.404/76). Desta forma, as ações são títulos circuláveis, tal como os títulos de crédito;

• Possibilidade de subscrição do capital social mediante apelo ao público;

• Uso exclusivo de denominação social ou nome de fantasia;

• Finalmente, pode ser Companhia ABERTA ou FECHADA. Na Companhia ou


Sociedade ABERTA os valores mobiliários de sua emissão são admitidos à negociação
no mercado de valores mobiliários(art. 4o. da Lei 6.404/76). Na FECHADA, não. Há
necessidade de que a Sociedade registre a emissão pública de ações no órgão
competente – Comissão de Valores Mobiliários (Lei 6.385, de 7 de dezembro de 1976).

Como Sociedade em Comandita por Ações: Art. 1.090. A sociedade em comandita


por ações tem o capital dividido em ações, regendo-se pelas normas relativas à
sociedade anônima, e opera sob firma ou denominação.

A sociedade em comandita por ações também é uma forma societária em desuso hoje
em dia, e é constituída por dois tipos de acionistas (sócios), os que exercem cargos de
diretores ou gerentes e os que não exercem esses cargos.

Os acionistas ou sócios que exercem os cargos de diretores ou gerentes possuem


responsabilidade solidária e ilimitada pelo total das obrigações assumidas pela
sociedade. A mesma responsabilidade têm os diretores ou gerentes não acionistas ou
sócios. Já os acionistas ou sócios que não exercem cargo de direção ou gerencia,
respondem apenas pela integralização de seu capital ou de suas ações.
A firma ou razão social deste tipo de empresa deve vir seguido da expressão comandita
por ações.
Regem-se pelas mesmas normas relativas às sociedades anônimas, com algumas
diferenças:

• Só os acionistas podem ser diretores ou gerentes, sendo nomeados no próprio estatuto;

• Os diretores ou gerentes possuem muito mais poderes que os diretores das sociedades
anônimas, posto que só podem ser destituídos por maioria de 2/3 dos acionistas;

• Sendo destituído ou exonerado, o diretor continua respondendo pelas obrigações


assumidas em seu período, pelo prazo de 02 (dois) anos;

• Sempre respondem ilimitadamente com seus bens particulares pelas obrigações


sociais;

Contrato Social
“Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público,
que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará:

I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas


naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas;

II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade;

III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer


espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária;

IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la;

V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços;

VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e


atribuições;

VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas;

VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais.

Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao


disposto no instrumento do contrato”.

Portanto, contrato social é um ato formal e obrigatório para que uma sociedade
empresária se constitua, contendo diretrizes, direitos, deveres, responsabilidades,
participação societária, entre outras coisas, é uma das partes mais importantes de uma
sociedade.

Além de estipular diretrizes é através do contrato social também que se identifica qual o
tipo de sociedade irá se formar, sabendo que este contrato deve ser redigido e proposto
de tal forma que corresponda as características pretendidas pelos sócios, tais como:
capital, administração, participação, burocracia, entre outras, levando em conta as
normas legislativas.

Junta Comercial (Autarquias Estatais)


É o órgão responsável pela representação do registro público de empresas mercantis,
que por sua vez é o órgão público que habilita qualquer pessoa a conhecer tudo que diga
respeito a determinado empresário.

“Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de


Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro
Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele
registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária”.

Todo e qualquer empresário ou sociedade empresária deve se vincular ao registro


público de empresas mercantis, conforme estipula o novo código civil.

“Art. 1.151. O registro dos atos sujeitos à formalidade exigida no artigo antecedente
será requerido pela pessoa obrigada em lei, e, no caso de omissão ou demora, pelo sócio
ou qualquer interessado.

§ 1º Os documentos necessários ao registro deverão ser apresentados no prazo de trinta


dias, contado da lavratura dos atos respectivos.

§ 2º Requerido além do prazo previsto neste artigo, o registro somente produzirá efeito
a partir da data de sua concessão.

§ 3º As pessoas obrigadas a requerer o registro responderão por perdas e danos, em caso


de omissão ou demora”.

Estatutos Sociais
É um instrumento de contrato. Ele é importante porque reúne um conjunto de normas
que servem para estruturar administrativamente as entidades e disciplinar o seu
funcionamento, assim como os direitos e deveres dos participantes destas entidades e a
subscrição de capital.

Ou seja, estatutos sociais são as leis de regência de entidades sem fins lucrativos , que
contem normas baseadas no novo código civil e correm risco de nulidade se não forem
cumpridas de acordo, como dito:

“Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá:

I - a denominação, os fins e a sede da associação;

II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados;


III - os direitos e deveres dos associados;

IV - as fontes de recursos para sua manutenção;

V - o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos;

VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução.”

Direitos a liberdade individual e à propriedade e a iniciativa privada

A constituição nacional assegura a todo os brasileiros o direita a liberdade individual e


coletivos, e o direito a propriedade conforme o art. 5°.

“Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-
se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.

Entre seus muitos termos o art. 5° traz um relativamente importante ao empresariado, o


artigo XIII que diz:

“É livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações


profissionais que a lei estabelecer”.

O artigo XXII traz ainda:

“É garantido o direito de propriedade”.

Portanto é na constituição que se fundamentam os direitos a liberdade individual e à


propriedade assim como a iniciativa privada que é referida no art. 170:

“A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,


tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social,
observados os seguintes princípios:

I - soberania nacional;
II - propriedade privada;
III - função social da propriedade;
IV - livre concorrência;
V - defesa do consumidor;
VI - defesa do meio ambiente;
VII - redução das desigualdades regionais e sociais;
VIII - busca do pleno emprego;
IX - tratamento favorecido para as empresas brasileiras de
capital nacional de pequeno porte.

Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade


econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos
previstos em lei.”
Quota
É o nome dado as partes divisíveis de um capital social, geralmente usada em
sociedades limitadas, têm de ser calculadas em moeda corrente do país, as quotas
representam a participação de cada um dos sócios, de acordo com sua definição no
contrato social.

Existem regras no novo código civil quanto utilização de quotas nas empresas que se
referem a sua indivisibilidade (art. 1055), porém existem situações em que é possível
dividi-las entre sócios e terceiros:

“Art. 1.057. Na omissão do contrato, o sócio pode ceder sua quota, total ou
parcialmente, a quem seja sócio, independentemente de audiência dos outros, ou a
estranho, se não houver oposição de titulares de mais de um quarto do capital social.

Parágrafo único. A cessão terá eficácia quanto à sociedade e terceiros, inclusive para os
fins do parágrafo único do art. 1.003 , a partir da averbação do respectivo instrumento,
subscrito pelos sócios anuentes.”

Quotas, portanto, são formas de quantificar a participação de cada sócio em relação ao


capital da empresa, assim correspondendo a porcentagem de cada um nos resultados
desfrutados desta sociedade.

Ação
Ação é um título mobiliário que corresponde ao direito de uma fração de uma empresa,
representando uma parte do capital social dela. Quem possui ações detém uma parte da
empresa, e por isso recebe parte proporcional dos lucros. As ações podem ou não ser
negociadas em Bolsas de Valores.

Existem várias formas de classificar as ações. É possível dividir as ações pelo tipo de
direito que dão ao investidor (ordinárias e preferenciais), pela liquidez do papel
(primeira ou segunda linha), pelo tipo de registro (nominal e ao portador) ou pelo tipo
de mercado em que são vendidas (lote padrão e mercado fracionário).

É mais comum ser utilizada na divisão do capital social de sociedades anônimas, até
mesmo pelo fato da sociedade em comandita por ações estar em desuso.