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Entender a ideologia como relação de força entre os grupos, como disputa no terreno da

superestrutura. A luta entre as classes se dá também no âmbito da ideologia, luta pela hegemonia nos
termos de Gramsci, perpretada pelos intelectuais representantes das classes sociais, orgânicos ou
tradicionais.
As concepções hegemônicas na sociedade capitalistas tentam impor aos governados sua
própria visão de mundo, aceita pelas classes subordinadas. Mas esse domínio nunca é total existem
formas de resistência que vão se incorporar nas suas produções culturais. Essas classes subalternas
por sua vez não são homogêneas e nem compostas de pessoas iguais em identidade, portanto
heterogêneas serão suas produções.
Como o discurso escrito, intelectualizado “pertence” as classes dominantes, optamos então
por analisar fontes não escritas que ao nosso ver representariam melhor a fala das classes subalternas
e da sua produção cultural ou das suas produções culturais.

Richard Wagner (1813-1883) precisou


esperar a música se desvincular da ópera
para poder uni-las novamente no ideal
estético grego, a obra de arte total. Para isso,
desenvolveu o drama musical, espécie de
ópera cuja narrativa é sinfônica, e a
orquestra um personagem, tanto quanto os
cantores. Valendo-se das experiências de
Berlioz, quem muito admirava, imaginou
novas possibilidades de timbres baseado no
ideal dramático que precisava representar. Wagner
Para tanto, precisou ele mesmo projetar e
mandar construir instrumentos específicos,
variações de trompas e tubas, para poder
representar suas idéias - extravagantes e
geniais. Sua obra mais conhecida, o Anel dos
Nibelungos, utiliza-se de um grande número
de trompas (8), além de tubas tenor, 3 a 4
trompetes, 4 trombones, tubas contra-baixo,
e 6 harpas.

A partir de Wagner a orquestra nunca mais será a mesma. O romantismo a esta altura,
por volta de 1840, já possui muitas facções. A música antes restrita ao eixo Alemanha -
França - Itália é descoberta por compositores de diversos países, que unem sua
tradição folclórica à escrita erudita, iniciando a escola Nacionalista. O primeiro
representante foi Fréderic Chopin(1810-1849) na Polônia, e seguiu-se Franz Liszt na
Hungria (inventor do poema sinfônico), e em vários outros países do norte e leste
europeu: na Tchecoslováquia, Smetana e Dvórak, na Rússia, Tchaikovsky, e o 'grupo
dos cinco', formado por Rimsky-Korsakov, Mussorgsky, Borodin, Balakirev e Cui.
Na Noruega, Edvard Grieg, na Finlândia, Jean Sibelius.

A Alemanha reagiu com um compositor neo-clássico, cujas idéias musicais eram


materializadas por orquestras muito menores que as wagnerianas e suas
variantes: Johannes Brahms (1833-1897) foi um caso à parte, pois conseguiu ser
extremamente romântico sem nenhum exagero na potência sonora. Apesar de usar
orquestras maiores que as de Beethoven, em comparação com Wagner a orquestra de
Brahms é clássica, reagindo a excessos que considerava musicalmente inócuos.

A morte de Wagner representou também, principalmente na Alemanha e Áustria, o fim


do romantismo. Apesar deste movimento esteticamente se manter em outros lugares,
se expandindo para países latinos e para a América, em seu berço ele já apresentava
sinais de saturação. Wagner levou a narrativa sinfônica a graus nunca antes
imaginados de intensidade e duração, assim como de potência sonora. Os compositores
que o seguiram diretamente foram Anton Bruckner (1824-1896) Gustav
Mahler (1860-1911), e Richard Strauss (1864-1949). Eles representam o pós-
romantismo, fase a que coube a responsabilidade de trazer toda a bagagem de uma
imensa tradição musical para o século XX, e dar condições para o desenvolvimento da
música moderna. Tais compositores exploraram todas as possibilidades combinatórias
instrumentais possíveis neste universo, desde o domínio das formas acadêmicas à
ruptura e combinações inéditas de timbres, sendo considerados os ápices de toda a
tradição orquestral da música no ocidente.