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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CURSO DE MESTRADO

DISCIPLINA: Constituição, Direito e Processo do Trabalho PROFESSOR: Dr. Gilberto Stümer MESTRANDO: Ricardo de Barros Falcão Ferraz

SEMINÁRIO “OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS E O CONTRATO DE TRABALHO”

SUMÁRIO: Introdução. 1. Síntese do pensamento do autor. 1.1 Critica a ausência de uma cultura constitucional 1.2 O problema semântico do verbete princípio. 1.3 Princípios (pertinentes) em espécie. a) Estado Democrático de Direito. b) Cidadania c) Dignidade da Pessoa Humana d) Trabalho e livre iniciativa. e) Pluralismo político. 1.3 Objetivos Fundamentais da República. Conclusão Bibliografia.

INTRODUÇÃO O presente trabalho foi desenvolvido a partir do Capítulo I do livro DIREITOS FUNDAMENTAIS E O CONTRATO DE TRABALHO, DE MANOEL JORGE E SILVA NETO, ED. LTR, SÃO PAULO, 2005, como parte obrigatória para avaliação no curso de mestrado PUC/RS. Inicialmente, é importante situar o leitor de que o autor objeto de nossa análise apresenta-se como professor de Direito Constitucional e do Trabalho, disciplina para o qual exerce a profissão de Procurador do Ministério Público do Trabalho. Temas de sua predileção – Constituição e relações de trabalho – pretende (com o referido capítulo) relacionar o direito do trabalho aos Princípios Fundamentais do Estado brasileiro – e assim concluir com a aplicação dos direitos fundamentais insculpidos entre os arts. 5º a 17 da CF/88 às relações de trabalho, mais especialmente os direitos: à intimidade, vida privada, imagem, liberdade religiosa e não-discriminação no emprego. (Introdução, pg.13 e 14) Inescapável, portanto, uma abordagem constitucional profunda já que, segundo este: “... tais postulados conformam a atuação do Estado e funcionam como vetores interpretativos da Constituição e da legislação ordinária, incluído, como é óbvio, o sistema do direito positivo trabalhista.” (p. 15) Sendo este o objetivo do autor, nada mais correto do que apresentarmos nosso objetivo com o presente estudo, qual seja o de analisar cautelosamente as afirmações apresentadas, bem como os fundamentos científicos que forem evocados para sustentar tais convicções científicas.

São Paulo. São Paulo. RT. Constituição do Brasil interpretada e Legislação Constitucional. Atlas. estaria na suposta ausência pátria de uma cultura constitucional. recentemente.. 1. A primeira afirmação evocada pelo autor. dentre outros1 – nada obstante sejam largamente utilizados na linguagem comum (sentido 1 Basta. . O que se quer dizer com tão grave afirmação – da inexistência de uma cultura constitucional? Bom. pluralismo político. materializada em comportamentos e condutas tendentes a i) preservar a ‘vontade de constituição’. cidadania.. que o aplicador do direito (com destaque especial para o judiciário. Curso de Direito Constitucional Positivo. federalismo. 2006.1 constitucional.” (p. mais atualmente Alexandre de Moraes. e que de certa forma sintetiza seu pensamento. Ed. o próprio autor dá pistas. deduz-se) aplique os chamados Princípios Fundamentais do Estado que ele erigira. para tanto. Ed. 127. 6ª Ed. Com efeito. dignidade da pessoa humana. verificar os apontamentos efetuados por Paulo Bonavides em Ciência Política. no plano máximo possível. José Afonso da Silva. à condição de vetores exegéticos essenciais ao desenvolvimento de tal cultura. FGV. 1967. Síntese do pensamento do autor. b) efetivar. RJ. Diz ele: “Sucede que não há no Brasil cultura Critica a ausência de uma cultura constitucional. iii) disseminar o conhecimento a respeito do texto constitucional. pretende ele sugerir a necessidade da comunidade científica estimular a prática inexistente: em outras palavras. há que se reconhecer que o Titulo I da Carta de 88 (dos Princípios Fundamentais) possui institutos que na linguagem jurídica são (e sempre foram) merecedores de detida atenção e consideração da comunidade científica. 15).. os princípios e normas constitucionais.. p.1. 4ª Ed. valores do contrato e da livre iniciativa. dada sua profunda densidade – tais como soberania.

como exemplo de uma tal aproximação. . tais como a ciência política): e que por vezes os habilitam a discutir temas com a mesma presunção de conhecimento. ou uma segunda leitura. em que dificilmente o apuro científico prevalecerá frente ao sentido conotativo. a indissolubilidade do vinculo federativo. Assim lançada sem maiores considerações ou embasamento científico (tais como referencia a fontes ou recurso à autoridade de uma pesquisa realizada em tal sentido). Veja-se.conotativo) de qualquer brasileiro2. que não seria estimulada no campo de desenvolvimento de comportamentos e condutas tendentes ao fomento da cultura constitucional.uma terceira hipótese: ambas conjuntamente! Embora o debate acerca de um suposto aculturalismo possa despertar algum interesse em debates políticos – notadamente aqueles travados sem apuro jurídico – sua utilidade para o estudo jurídico é duvidosa (para não dizer impertinente). tanto o preâmbulo da Carta como o titulo primeiro da Constituição voltam-se a abordar temas políticos essenciais como a soberania. a declarar os valores políticos relevantes e que. a crítica à ausência de tal cultura permite ao menos dois endereçamentos: a primeira voltada à uma suposta omissão de nossas principais autoridades judiciárias. desta feita voltada à sociedade como um todo (instituições públicas e sociedade). dado que em suas decisões não reafirmam (ativismo judicial) com práticas (decisões judiciais) os vetores jurídicos ali expostos. É que. Prestam-se. o jornalismo opinativo ou debates políticos. justamente (e ao contrario do que diz o autor) integram nossa bem consolidada cultura constitucional. assim. Quem sabe. bem como valores que compõe o consenso constitucional que modelaram nosso ordenamento jurídico. não é razoável criticar um suposto 2 Curiosamente. ainda. de modo geral. a popularização de instituições como cidadania e Estado Democrático de Direito aproxima o brasileiro mais comum dos mais destacados cientistas jurídicos (e de outras áreas. Cite-se. de forte apelo popular.

d) a segmentação material judicial vem permitindo o desenvolvimento de uniformidade de pensamento. Há que se dizer quanto relevante é a preocupação do autor que pretende fundamentar a ampliação do rol de direitos fundamentais do trabalho nos valores enunciados pelo legislador constitucional. 3 É Canotilho quem ressalta que o sistema de direitos fundamentais da teoria constitucional demanda uma necessária base antropológica constitucionalmente estruturante do Estado de Direito e mais “. ação civil pública).. partir do plano axiológico maior de fundamentação política do estado brasileiro para concluir com ilações silogísticas a aplicação de direitos e garantias individuais no plano da relação de trabalho não é. b) a imprensa brasileira é amplamente livre e recebe toda ordem de liberdades e proteções. custeado com recursos públicos. de sua parte. atécnico e conotativo) onde o desenvolvimento da cultura constitucional merece ser reconhecido e não ignorado. crime eleitoral. e) os instrumentos de controle político (improbidade administrativa. construção simples de realizar. sem equiparação em nenhum outro pais. vem aprimorando-se e ampliando seu espectro de atuação.aculturalismo cultural. Preliminarmente – e antes de aprofundar nosso raciocínio quanto a pertinência de tal ilação – cabe afastar a premissa implícita do autor de que o problema metódico da concretização constitucionalmente orientada deve ser atribuída à ausência de uma cultura (razão prática). dado que todo o processo de concretização constitucional demanda a compreensão de sua base antropológica3. de modo a permitir conclusão no sentido de que reconhecê-los implicaria em concretizar a Constituição. quando na verdade nosso pais ostenta dezenas de iniciativas públicas e políticas que revelam o contrário: a) todo o fomento eleitoral é um enorme estímulo. a densificação do sentido constitucional dos direitos. poderíamos apresentar dezenas ou milhares de iniciativas que revelam uma sociedade altamente participativa (ou sociedade cidadã. Em verdade.. c) o direito de participação sindical no campo político e do interesse de sua coletividade é exaltado como marca única de nosso estado brasileiro. por certo. junto a estes. se quisermos utilizar este verbete de modo simplista. Todavia. liberdades e garantias é mais fácil do que a determinação do sentido específico do enunciado “dignidade da pessoa .

pela análise dos direitos fundamentais. mais legítimo será o seu sentido e organicidade4. por caminhos reflexos ajuda a compreender a dificuldade de enxergar uma lógica determinante para formar uma metódica constitucional. E que. . 248). Trad. Depois.. 4 Norberto Bobbio. uma máquina ou um organismo. 7ª Ed. em qualquer sociedade organizada. torna-se importante algumas considerações. a crítica proposta sob o ângulo de uma suposta ausência de práticas social e institucionais voltadas à concretização daqueles valores erigidos ao grau de fundamentos do estado brasileiro pelo Titulo I de nossa Carta Magna. assim. como trabalhkador e como admnistrado. indicaria a crítica (. “..) não são unicamente direcionadas à interpretação judicial. citado pelo autor. não se pode falar em Estado se não se consegue dar uma resposta clara à pergunta: “Quem governa?””. na mesma obra. é preciso relembrar que as disposições constitucionais comentadas (cidadania. analisando-se pelo prisma político e sociológico. Nessa perspectiva tem-se sugerido uma “integração pragmática” dos direitos fundamentais. como cidadão. 1990. Resta situar. (J. dignidade.logicamente só pode ser reconhecida como eminentemente cultural (e.. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. repercutindo seus efeitos em todas as searas do comportamento e do convívio humano. Almedina. Ed. quem responde como alma ou espírito? Quem ocupa a tarefa de dar impulso à estrutura? O governo? A sociedade que o elege? “. deduzse que a raiz antropológica se reconduz ao homem como pessoa. J. Ed..como acima afirmamos) à teoria jurídica. metaforicamente identificável a um sistema. mas voltadas à toda estruturação política da sociedade. etc. Brasília. na sua concepção mais pura e ampla. por conseqüência. 8ª Impressão. Suas partes se intercomunicariam num conjunto estruturado de divisão de competências logicamente distribuídas. Tal apontamento. Gomes Canotilho. UNB p. Não é por outra razão que o princípio da liberdade. p. As Ideologias e o Poder em Crise. então. Refere ele a tendência secular de analisar o Estado como um todo unitário. 201. João Ferreira. Sendo este o âmbito da critica aportada pelo autor. quanto mais estimulada for a composição dessa multiplicidade dos agentes receptores da orientação constitucional que direciona a sociedade. No entanto. Primeiramente. enquanto vetores exegéticos. das mais arcaicas às mais complexas. constitucionalmente consagrados. orientada). quanto mais saudável se der a sintonia entre os agentes sociais no âmbito de suas liberdades intrínsecas. mais especificamente à omissão no comportamento judiciário diante de uma missão constitucional. ocupa local de destaque estruturante em humana”. Norberto Bobbio. mais autêntica e saudável será a democracia. neste ou naquele sentido.

econômica e profissional. Daí o porquê de nossa estranheza com a intenção de transpor tais valores para a seara jurídica – que é o que pretende o autor ao afirmar tais valores como vetores exegéticos – como se o órgão Judiciário pudesse arrogar-se o direito de dizer o que. de expressão. e vem paulatinamente modificando o campo de atuação política do nosso Poder Judiciário. em maior ou menor grau de resiliência.. etc). menor será a legitimidade. O que revelam estas duas brevíssimas abordagens é a verdadeira finalidade dos Princípios Fundamentais da Constituição – consagrar. disseminar. Aliás. é devido ou não a cada um de nós! Em verdade. Até porque não se pode desprezar o fato de que todos os agentes concretizadores de nossa complexa e heterogênea sociedade política (sem exceção) são apaixonadamente atingidos por ideologias e anseios de justiça social. pelo menos modernamente. cumpre ao Poder Judiciário (no âmbito do campo decisório) obedecer ao imperativo de fornecer “. política. sindical. uma tal presunção de que pode o Judiciário aplicar no caso concreto tal “sabedoria cultural” implicaria em reduzir perigosamente os princípios fundamentais.nosso sistema político (liberdade de imprensa. quanto maior for a intervenção judicial no dirigismo político do sociedade. estimular e recapturar nossos valores políticos direcionados por essa complexa rede de compreensões políticas livremente produzidas (cujo somatório constitui nossa cultura constitucional). constantes e concatenadas representações dos seus processos . é um dado da realidade o Poder Judiciário atribuir-se competências legislativas sob o argumento da necessidade de impulsionar o avanço de uma metódica constitucional – fenômeno conhecido (e muitas vezes celebrado) como ativismo judicial – sem aperceber-se que. No campo jurídico. tal sentimento traduz-se em um anseio de justicialismo que tem remodelado nosso aparente equilíbrio institucional (separação de poderes).. a representatividade e a autenticidade de nossa cultura constitucional. sob o prisma cultural. Felizmente aos que criticam.

como adverte Friedrich Müller5. dignidade da pessoa humana. ou se utilizou-se da roupagem do caso concreto para implementar (em verdade) uma cultura constitucional ideologicamente comprometida. especificamente: a cidadania. 2ª Ed. advertência que conta com apoio de Humberto Ávila. Max Limonad. Dada a problemática. mais especialmente o multisignificativo verbete “princípio”. mais do que ontem. junto a estes. Friedrich. 2004. para quem“.. Outro aspecto importante do trabalho do autor está na sua preocupação com as questões semânticas. sobre prescreverem fins a serem atingidos. Da filosofia retiramos que o termo princípio resulta da 5 MÜLLER.. Da definição à aplicação dos princípios jurídicos. servem de fundamento para a aplicação do ordenamento constitucional – os princípios jurídicos. pluralismo político e.. Por conseqüência. Métodos de Trabalho do Direito Constitucional. em especial e paradoxalmente.decisórios” no campo da metódica constitucional. Importa ressaltar. 2000. a euforia do que se convencionou chamar de Estado Principiológico. da efetividade de elementos chamados de fundamentais – os princípios jurídicos”6.hoje. 6 Humberto Ávila. 15 .2 – problema semântico do verbete princípio. p. hoje. São Paulo. valores do trabalho e da livre iniciativa. no entanto. sempre é útil buscar a origem da palavra. importa construir o sentido e delimitar a função daquelas normas que. sempre será possível analisar se interpretação judicial é falaciosa ou não: se aplicou o direito no caso concreto (como deve ser). Estado Democrático de Direito. mesmo porque o capítulo primeiro da obra é toda destinada aos Princípios Fundamentais. 1. Trata-se. os objetivos fundamentais da República. São Paulo. 25. É realmente algo de todo importante a iniciativa de precisar uma concepção clara de princípio. Teoria dos Princípios . 3ª Ed. Aumentada. Malheiros Editores. que notáveis exceções confirmam a regra de que a euforia do novo terminou por acarretar alguns exageros e problemas Teóricos que têm inibido a própria efetividade do ordenamento jurídico. É até mesmo plausível afirmar que a doutrina constitucional vice. p. Traduzido por Peter Naumann.

p. A Sabedoria dos Princípios. princípios contêm apenas fundamentos.contração de dois termos: do latim primus significando primeiro com o termo céptio. normas jurídicas. carente de regras para sua concretização10. 17) A abordagem proposta pelo autor de subdividir o princípio em ‘norma jurídica’ e ‘valor normativo’. O que se sucede com os Princípios Fundamentais? São. por exemplo. significando captação. princípios são aquelas normas que estabelecem fundamentos para que determinado mandamento seja encontrado8. o princípio será reputado norma jurídica quando o corpo legislativo resolve pela sua inclusão explícita nos textos do direito positivo.. um documento normativo (uma fonte do direito) é um agregado de enunciados do discurso prescritivo. Idem. Ebraesp Editorial.. 28 10 11 . cit. no entanto. prefere apresentar o seu próprio conceito de princípio: “. são princípios normas que contém conteúdo axiológico explícito. o termo adquire significações distintas: para Esser. 47 8 9 Apud Ávila. de ponto de partida7. exprime. Será considerado valor normativo quando a interpretação sistemática conduzir à conclusão a respeito de existência implícita do postulado na lei ou na Constituição. torna imprescindível trazer à baila uma distinção essencial entre enunciado e norma. daí porque possuem apenas dimensão de peso. 2ª Ed. P. assim. 27 Idem. para Canaris.. São Paulo. seriam pensamentos diretivos de uma regulação jurídica existente9. ou como o queiramos chamar) o discurso 7 Mario Ferreira dos Santos. Nosso autor. Para o direito. entende por princípios aquela espécie de norma jurídica por meio da qual são estabelecidos deveres de otimização11. curiosamente... de fonte. Ricardo Guastini esclarece que “. preceptivo.. e Alexy. ob. normativo. para Larenz. Diz-se ‘discurso prescritivo’ (diretivo. inegavelmente. segundo Dworkin. Idem. do que resulta o termo princeps – o que se capta em primeiro lugar. por sua vez.. p. o sentido de origem.” (P.

Diz-se ‘enunciado’ qualquer expressão lingüística sob a forma acabada. (. A Justificação do Direito e sua Adequação Social. São Paulo. revela uma noção de racionalidade mais ampla e não restrita a rígidos esquemas lógico-formais” p. em verdade ele é tão-somente enunciado prescritivo. ou a uma combinação de fragmento de disposições. 13 Sobre o tema ler Samantha Chantal Dobrowolski. Através dela. Assim. Trad. 24 a 26. Daí porque o direito não se presta a fornecer uma unívoca resposta correta13. semântico e pragmático (que de sua parte é igualmente plurideterminado. Quartier Latin do Brasil. Das fontes às normas. Edson Bini. enfatiza-se primordialmente o asseguramento da segurança jurídica e da igualdade entre os indivíduos na sociedade.) Em outros termos. p. Tal entendimento tem Raízes numa concepção super-racionalista do mundo. 2005. Ed. Uma abordagem a partir da teoria de Aulis Aarnio.. qualificado por um conteúdo valorativo que é dado de partida para o processo interpretativo. (. pode-se também dizer assim: a disposição é (parte de) um texto ainda por ser interpretado. qualquer enunciado do discurso das fontes. este sim produtor de um resultado classificável como norma jurídica. Já na visão inversa.12” O que Guastini ensina com propriedade é a necessidade de se compreender o processo normativo na lógica da elaboração do raciocínio. 45.) chamo ‘disposição’ qualquer enunciado que faça parte de um documento normativo. 2002. vez que dificilmente compartilharão as mesmas premissas interpretativas cada agente de interpretação jurídica.. “Defender a existência de uma única resposta correta para cada problema jurídico significa condicionar a racionalidade do Direito à univocidade de sua interpretação. que admite a pluralidade de respostas. a norma (parte de) um texto interpretado. o princípio não é norma jurídica por que o legislador constitucional optou por descrevê-lo na Constituição. ou seja. .. O que o texto apresenta são enunciados dispositivos através de termos e verbetes. Livraria do Advogado. além de condensado em presunções. 12 Ricardo Guastini. Porto Alegre. cada qual possuindo uma multiplicidade ímpar de significações possíveis. ou a uma combinação de disposições. pressuposições e orientações ideológicas inconscientes e inclaras).) chamo ‘norma’ todo enunciado que constitua o sentido ou significado atribuído (por qualquer um) a uma disposição (ou a um fragmento de disposição.empregado para modificar o comportamento dos homens. que para tornar-se útil ao direito necessita justamente do processo interpretativo..

Não se está.Esta brevíssima exposição tem o objetivo de revelar um cuidado indispensável (mormente quando conceitos essenciais como os que apresentamos não estão claramente delimitados na discussão jurídica) de não se deixar cair em uma busca interminável e sem fim do fundamento último de cada norma jurídica14. diligência. ou seja. nossa critica ainda se volta a uma tendência cada vez mais contumaz de justicialização da política. Ed. Uma Teoria Geral dos Direitos Fundamentais na Pespectiva Constitucional. São Paulo. a afirmar que tais direitos não existam. Trad. imagem. 54. proselitismo advêm do latim eclesiástico prosélytus. 2008. Ingo é um dos que endossam a critica à abertura demasiada do rol de direitos fundamentais: “no que diz respeito com o reconhecimento de novos direitos fundamentais. Bruno Miragem. O que se contesta no campo de trabalho aqui apresentado. em Aspectos do Direito Constitucional Contemporâneo. p. 10 Ed. a saber a intimidade. ideia ou religião (proselitismo religioso). 15 Segundo o Wikipédia. da prática judicial de valer-se de conceitos abertos e fundamentos jurídicos constitucionais para promover. p. liberdade religiosa e não discriminação no emprego. é o intento. empenho ativista de converter uma ou várias pessoas a uma determinada causa.. Fundamentos de Direito.213 . e muito especialmente aqueles erigidos ao grau de fundamentalidade com primor de estilo e recurso à autoridade17. para o risco de uma degradação dos direitos fundamentais. 2009. RT. impende apontar. são os fundamentos utilizados para declará-los. Trata-se de um espaço cada vez mais explorado de proselitismo15 jurídico que permeia a doutrina brasileira: ora enunciando valores constitucionais supostamente implícitos (e só revelados pela genialidade de seu descobridor). em Teoria da Decisão Judicial. 16 O Prof. veja-se Manoel Gonçalves Ferreira Filho. 17 Em pano de fundo. por certo. Neste descuido parece incorrer o autor ao postular erigir os enunciados de constituição estrutural da República ao grau de fundamento jurídico para o fim de justificar a declaração de direitos fundamentais sociais. ora enunciando um interminável rol de novos direitos fundamentais16.3 – Princípios (pertinentes) em Espécie 14 Quem faz esta eloqüente advertência é Ricardo Luis Lorenzetti. através de precedentes normativos. ou mesmo não devam ser tutelados judicialmente. 1.” A Eficácia dos Direitos Fundamentais. Porto Alegre. P. colocando em risco o seu “status jurídico e científico”. 72. que por sua vez provém do grego προσήλυτος. Saraiva. além do desprestígio da própria fundamentalidade. zelo. a exemplo de Perez Luño. Livraria do Advogado. 2003. o que o órgão entende ser justiça normativa. vida privada. São Paulo. Em contraponto.

18).. os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. o autor ingressa no estudo dos “princípios em espécie”: Estado Democrático de Direito. dignidade da pessoa humana... o autor apenas substituir o vocábulo Democracia por uma expressão que signifique melhor sua concepção de Democracia – Justiça Social. Depurando o discurso para o campo jurídico – ou ao processo de reconstrução democrática da sociedade política” (cfe. de proselitismo) do autor. não seria ela penhorada pelo dever de promover Justiça Social? E em caso de resposta positiva... NR (4) p.. Ao primeiro princípio – o Estado Democrático de Direito – o autor conceitua como sendo “Estado de Direito e de Justiça Social” (p. e da forte entonação retórica de seu discurso: “.. no respeito aos direitos negativos de primeira geração.. o compromisso da democracia com o Estado de Direito está pautado . na construção de uma democracia legitimamente institucionalizada . como melhor realizar Justiça Social no ambiente de trabalho se não consumando direitos fundamentais nas relações de trabalho? É de lamentar-se apenas que o autor tenha relegado somente uma nota de rodapé para apresentar uma definição mais aprimorada sobre Justiça Social. parece que a força do direito associa-se 19).o ordenamento jurídico está vinculado ao poder democrático de transformação da realidade social.Superadas as premissas iniciais. e ainda aos objetivos fundamentais da república brasileira.. A ilação proposta pelo autor segue mais o menos o seguinte raciocínio: sendo a República brasileira fundada sob o epíteto da Democracia. Ao que parece. a) Estado Democrático de Direito. Chama atenção a carga ideológica (no sentido de ativismo.. . cidadania.

Unisinos. É justamente por derivar do poder dos cidadãos que nossa democracia é representativa. uma das traves mestras do Estado constitucional. Possuímos um espectro institucionalizado de democratização. Ed. O poder político deriva do “poder dos cidadãos”18. Apreender o conceito de justiça de modo a permitir seu uso corriqueiro e pragmático (culturalmente dirigido. dado da realidade que somente pode ser apreendido diante de uma teoria de justiça (dentre estas destaca-se as teorias da Justiça Legal ou Justiça Social 18 19 e Justiça Particular. como pretende o autor). p. distributiva ou Ob. propõe-se a interpretar a democracia na Constituição de 1988 como uma democracia deliberativa”19. devemos por primeiro perceber que é imprópria a comum inversão que chama Estado de Direito democrático em Estado Democrático de Direito. abstraindo-se o embate político que envolve – em atenção ao rigor científico. e que é respaldado pela soberania popular.. e certamente algo maior do que ser apenas um Estado com diploma constitucional. .. pudemos perceber que poucos são os juristas que atentaram à tarefa de construir um conceito jurídico de Democracia segundo a Constituição brasileira. Dentre eles destacamos Luis Fernando Barzotto para quem: “. o princípio da soberania popular é. o bem-estar social. Em breve pesquisa. 2003. pois. e todo o sistema político é desenvolvido de modo a tornar essa participação o mais plural quanto possível. tendo em vista os modelos de democracia descritos. 175. Em verdade vive-se em Estado de Direito qualificado pela democracia constitucional: algo muito maior do que ser apenas Estado de Direito.. A Democracia na Constituição.. P. São Leopoldo. 98 Luis Fernando Barzotto. daí porque Canotilho assevera: “. Ela seria organizada de modo a promover o bem-comum. por certo não é tarefa fácil.seja. cit.

cit. 186.” Barzotto. A posição de trabalhador é causa de um débito em uma distribuição de bens realizada pelo empregador ou pelo Estado. Mais uma vez o autor critica a doutrina tradicional. ob. O critério de distribuição pode ser formulado como “a cada um segundo a sua posição”. temos um elenco de direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. repouso remunerado. P. No art. como meio de atingir o fim desejado – daí porque ela não esgota o conceito de justiça. e imediatamente à sociedade em geral e o Estado. E será na equalização racionalista desses dois imperativos de justiça que surgirão com validade e reconhecimento jurídico os deveres normativos apontados pelo autor com o signo da fundamentalidade. em verdade está dirigida apenas mediatamente aos particulares. Isto porque a condição pessoal de trabalhador é a causa de uma distribuição de bens como salário. b) Cidadania O segundo princípio destacado pelo autor é o da cidadania previsto no art. . a Justiça constitucionalmente pretendida para os direitos trabalhistas não é semanticamente social. na mesma medida em que emana feixes valorativos para a seara da Justiça Social. aposentadoria etc. 7º. que seria muito restrita na definição de tal 20 “Na Constituição de 1988. Percebe-se que segundo Barzotto. Na Justiça particular. Assim é que o Estado de Direito. a justiça distributiva se faz presente em vários dispositivos. pois volta-se à equilibrar relações não harmônicas de poder mediante a intervenção do estado e de suas instituições. qualificado pelo binômio constituição e democracia.comutativa). ao contrário. II da Constituição Federal/88. 1º. opção efetuada pelo autor. mas sim particular distributiva. é sim penhor de uma justiça distributiva no campo dos contratos de trabalho. A Justiça Social. a repercussão desejada é mediatamente dirigida à sociedade e imediatamente endereçada ao cidadão20. embora vise o bem comum. A maior parte desses direitos devem ser pensados como deveres de justiça distributiva impostos ao empregador e ao Estado.

o que o autor destaca não é isso: em verdade ele refere à existência de duas acepções distintas.. tampouco endosso lógico. de uso retórico do tipo: “. e só no amplo abrigaria os elementos para concretizar o estado democrático de direito.duas realidades que.. um definindo suas estrutura e conteúdo obrigatório. é lógico! Mas. É curiosa a abordagem adotada do ponto de vista da metodologia científica. malgrado guardem alguma semelhança. a gente vê por aqui”.constituição cidadã” (nós mesmos fizemos. Mais do que um instituto submetido a critérios de . 20). v. O sentido amplo seria o gênero que compreenderia espécies.. pelo menos um elemento que pode ser considerado sentido estrito.. uma mais abrangente. 5 supra). o conceito tradicional deve ser substituído por “.instituição – muito embora sem discorrer quais são estes autores que conceituam tal princípio apenas no campo do direito político ativo.. já que todo o conceito aportado em sentido amplo contempla. p. Ora. uma tal distinção não sentido de ser. já que contrapõe indevidamente a dimensão estrutural do conceito frente a uma dimensão prática e qualitativa. ou “. Para ele. propositalmente. Seria o mesmo que contrapor dois conceitos de contrato de trabalho. uso retórico do mesmo estilo. no seu interior. dentre elas o próprio conceito em sentido mais estrito.. dentre outras muitas variações que evocam justamente proselitismo tendente à realização de um “estado de coisas melhor” (justamente de onde radica a critica da ausência de uma cultura constitucional. não devam ser objeto de identificação absoluta: cidadania em sentido estrito e em sentido amplo” (p. Cidadania no campo estrito significaria o direito político ativo.cidadania. frente aquilo que se deseja que um contrato de trabalho possa contribuir para a sociedade. curiosamente. e da qual decorreria a necessidade de observação judicial destes vetores exegéticos).

não se consuma a condição cidadã. na razão direta da sua capacidade de garantir às pessoas o direito à liberdade. c) Dignidade da pessoa humana. São Paulo.. É o fundamento maior do Estado brasileiro. à vida.qualificação – ser melhor ou pior cidadão – cidadania é um estado. Curso de Direito Constitucional. os atinentes à educação. à igualdade substancial. No tema... e conferir direito de participação na condição de representante. no campo da 21 Manoel Gonçalves Ferreira Filho. desbordando para uma configuração conotativa maleável e fortemente impregnada de ideologias políticas. já que a toda evidência a dignidade da pessoa humana. portanto. 27ª Ed. Assim. um dado da realidade. tal como fome... cidadania é o status de brasileiro ao que se somam os direitos político: sem estes. Posto que nossa democracia é representativa e os elementos de construção democrática dependem da participação da sociedade. Saraiva. 1º. o autor discorre sobre a origem histórica do instituto e finalmente decreta que a dignidade: “. Dignidade seria o terceiro princípio (previsto no art. chuva. à saúde. que o autor considera que a cidadania está “. possui cidadania ativa e não passiva. Se é ou não cidadão segundo elementos da realidade. 20 e 21). o termo cidadania possui forte apelo retórico. embora importante e elementar. ao trabalho. é imprescindível que o brasileiro receba todos os instrumentos necessário para intervir no processo governamental21. logo.” Muito embora a demasia mereça reparos. da CF/88). frio.. O analfabeto. como exemplo de forte uso retórico do dispositivo (e sem maior compromisso científico). é o fim supremo de todo o direito. . mas sobretudo. expande os seus efeitos nos mais distintos domínios normativos para fundamentar toda e qualquer interpretação. assim como justiça social. estado democrático de direito e até mesmo cultura constitucional. à incolumidade física . p. Ed. Basta ver. não é o fundamento maior do Estado brasileiro.. noite e dia. III. 2001.. 111. Esta cidadania pode ser ativa – e conferir direito de participação na condição de eleitor – ou ser passiva.” (p. Infelizmente.

partindo da noção de dignidade da pessoa humana. que a dignidade é o valor mais importante da ordem constitucional é aportar uma verdade suposta. que a dignidade é da pessoa humana. mas não só ele. Com efeito. empresas. Em recente obra.filosofia política é preciso reconhecer que ela recebe efetivamente um local de destaque. possui um valor intrínseco equivalente. as pessoas jurídicas.. por exemplo. 22). . P. decorreriam dois princípios básicos: o primeiro e mais básico por meio do qual se verifica que cada vida. sempre que dizemos uma meia verdade ocultamos uma meia mentira. sindicatos. inclusive a dignidade da pessoa humana23. Ronald Dworkin propõe caminhos interpretativos para o fim de promover consensos jurídicos colocando a dignidade da pessoa humana como campo comum de consenso doutrinário para qualquer interpretação política. fenômeno de nossa sociedade moderna. E o segundo. 22). Dizer. 2006. É verdade que o indivíduo está no núcleo central das atenções do estado. o ambiental e o social. associações. é navegar no espaço retórico das premissas superiores (topos) como forma de impedir o espaço dialético. jurídica. Mas esta não é a proposta do nosso autor.. manuseando o processo de convencimento em prol de uma determinada idéia que se pretende comprovar.atente-se. outrossim. Segundo ele. para Dworkin. firmar como fundamento do Estado brasileiro a dignidade da pessoa humana deixa à mostra a obrigatoriedade de pôr no núcleo central das atenções o indivíduo.” (p.. ressignificando todos os institutos de direito aplicáveis.” (p. e que partindo desta é possível perceber o que. o coletivo. que postula a cada indivíduo a responsabilidade pela escolha dos valores que compõem cada busca pela realização pessoal 23 O autor insiste na tese afirmando: “. mas sobretudo a qualquer um que com ele se relacione – Estado. III.. 1º. portanto. Princeton. só a pessoa humana pode ser assim considerada. efetivamente aparta as posições ideológicas22. pessoa física. e vice-versa. tanto democratas quanto republicanos possuem na dignidade uma raiz comum. Princeton University Press. Sindicatos.. etc. da Constituição. chama a 22 Roanld Dworki. Ora. Excetuam-se da previsão constitucional. 9 Enfim. cada vez mais a valoração do coletivo adquire espaço diante do individual (prevalência do público sobre o privado). Aliás.. que chega mesmo a afirmar que “. individual e objetivamente considerada.. de natureza mais conseqüente. Is Democracy Possible Here? Principle for a new political debate. órgãos públicos não podem ser abrangidos pelo comando do art. contudo o enunciado é direcionado não apenas ao humano.

lugares comuns 24. o empregador a exigir do empregado o cumprimento de determinações desarrazoadas. 25 Manoel Jorge chega a afirmar categoricamente: “Atente-se. que a dignidade é da pessoa humana. as pessoas jurídicas. 23) Veja-se que a proposta do autor é passível de uma curiosa contradição: ele mesmo que afirmou anteriormente que nenhuma empresa é destinatária da dignidade humana25. portanto. já que o termo foi cunhado por Aristóteles em um dos livros de seu Organon Topiká. bem pode ser utilizado o princípio fundamental atinente à dignidade da pessoa humana para impedir o prosseguimento da conduta patronal". São Paulo. por assim ser. 1347. no qual estudou as chamadas supostas verdades. p. Sindicatos. (p. 1966. 24 Mario Ferreira dos Santos. 1º. da Constituição.” Ob. associações. d) Trabalho e livre iniciativa Em outro tópico o autor dedica-se aos valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. cit. não admitiria negação! Quando em verdade topoi significa outra coisa. Excetuam-se da previsão constitucional. Neste campo ele refere que incorporar o valor do trabalho ao direito constitucional é parte de nossa história. e por conseqüência contaminaria o processo decisório. agora decreta que bastaria o trabalhador sofrer desarrazoadas determinações para ser confrontado com o dispositivo. empresas. órgãos públicos não podem ser abrangidos pelo comando do art. Para Aristóteles o conhecimento desses lugares comuns facilitava a invenção dialética. P. 4ª Ed. 22 . III. Editora Matese.atenção referência que faz de que dignidade um topoi que. outrossim.. IV Volume.. afirmando que: ". chamando atenção para o dever de se compatibilizar a livre iniciativa com o trabalho. É justamente o que faz o autor quando desce do altiplano (topos) daquele valor constitucional que considera incontestavelmente superior a todos os demais em direção às relações de trabalho. descritos como princípios constitucionais fundamentais. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais.

no entanto. entendem-se mais ou menos claramente essas três coisas.. uma comuns em muitos estados . Segundo Norberto Bobbio. Segundo este.. Não se recusará a importância social resultante da atividade econômica prestada por empregados e empregadores. no Brasil confunde-se pluralismo político com pluripartidarismo. “. tendentes a influenciar na formação da vontade da sociedade política".quando hoje se fala em pluralismo ou de concepção pluralista da sociedade. O balanceamento dos direitos e deveres é. Pluralismo político seria a última norma jurídica enunciada pelo autor. atitudes e posições diversas. não apenas ao aplicador do direito.. Tal expressão. ou coisa semelhante. segundo este. ainda não teria sido bem compreendida no Brasil. tampouco que muitas garantias conferidas ao trabalhador promovem mais o bem estar deste do que o fomento à economia. (p. de intentar promovê-lo compete à toda a sociedade.. é o fundamento do Estado brasileiro que viabiliza a coexistência pacífica de centros coletivos irradiadores de opiniões. 24) A preocupação externada pelo autor decorre do contraste lógico que opõe o ‘interesse econômico’ frente ao ‘direito individual trabalhista’. posto que cientificamente não se confunde pluralismo político com pluripartidarismo. A tarefa. Antes de tudo. quanto mais circunscrevê-lo no campo da coexistência pacífica dos elementos que formam a vontade da sociedade política. com efeito." (p. e) pluralismo político. e arrisca um conceito: ". medida de difícil consenso prático. até porque estes são elementos totalitários. encerrando o catálogo dos fundamentos do Estado brasileiro.. nosso estudado autor.devendo o aplicador do direito valer-se do ". 25) Parece novamente incorrer em açodamento.. dirigindo à solução que equilibre bens juridicamente tutelados.postulado da concordância prática.

recomenda-se para uma leitura atenta sobre pluralismo Bruno Bulgarelli e Albegaria Kneipp em A pluralidade de Partidos Políticos.constatação de fato: nossas sociedade são sociedades complexas. 15. 2002. segundo preferência: o melhor modo para organizar uma sociedade desse tipo é fazer com que o sistema político permita aos vários grupos ou camadas sociais que se expressem politicamente. sem jamais suscitar confusão entre pluralismo e pluripartidarismo. uma refutação: uma sociedade assim constituída é a antítese de toda forma de despotismo. na formação da vontade coletiva. Finalmente o autor ingressa na abordagem dos objetivos fundamentais da República Federativa. Conceitos e concepções sobre pluralismo são seculares e podem ser encontradas em quase todo manual de ciência política. tais como Alexis de Tocqueville e Thomas Hobbes. nãouma organizados. ob. em particular aquela versão moderna do despotismo a que se costuma chamar totalitarismo. 1. O primeiro 26 Bobbio. direta ou indiretamente. p.”26 O que se deve dizer é que o conceito de pluralismo está impregnado de representação sobre democracia e participação. 3º da CF/88. John Rawls. desde os grupos organizados etc.3 – Objetivos Fundamentais da República. Ed. cit. gozando de abordagens de importantes autores como Robert Dahl. p. desde os sindicatos até os partidos. 17 .. Nelas se formaram esferas particulares relativamente autônomas. Todavia ele não discorre longamente sobre o tema. Habermas e mesmo em antigos cientistas. participem. Em terceiro lugar. Del ReyBelo Horizonte. Sobre o tópico o autor decorre a respeito das finalidades do estado brasileiro previstos no art. Em até os grupos lugar.

O texto estudado é exemplo de como é difícil depurar o debate jurídico (autêntico e compromissado com a ciência) de seus elementos retóricos. erradicar a pobreza também se permite associar ao contrato de trabalho juntamente com o dever de combater a discriminação de qualquer origem. Infelizmente. para a ciência jurídica. enquanto fenômeno dialético. justa e solidária – o autor perfila um conceito próprio para cada instituto. não apenas na cátedra e na Ciência. cada vez mais está incauto diante do proselitismo político e do ativismo judicial moralista. Nesse espectro enquadra-se o direito do trabalho. de princípio de direito.deles diria respeito a construção de uma sociedade livre. ao que importa o desenvolvimento da sociedade no plano qualitativo. cidadania e pluralismo – o manuseio habilidoso (ainda que equivocado) de premissas lógicas do raciocínio jurídico – como o fez ao expor conceito de norma jurídica. para o que o autor chama a atenção à distinção entre crescimento e desenvolvimento econômicos. mais do que quantitativo. O autor usou e abusou da retórica popular e da modelagem de argumentos para o fito de atingir . O fato é que o direito. como elemento essencial ao desenvolvimento qualitativo. Finalmente. o apelo popular torna-se cada vez mais corriqueiro. O segundo seria a garantia do desenvolvimento brasileiro. mas também na aplicação da lei no caso concreto. CONCLUSÃO Não acredito tenha o autor obtido êxito em sua empreitada. e até mesmo de topoi – e a utilização constante da autoridade não comprovada de dados científicos – como a ausência de uma cultura constitucional. que mais revelaram uso despretensioso de conceitos jurídicos – com o fez com democracia. justiça social. muitas vezes perniciosos.

Unisinos. Ed. Tais finalidades. Ronald. BULGARELLI. 2004.. Curso de Direito Constitucional Positivo. 4ª Ed. no entanto. por óbvio não podem ser universalizados. Humberto. Malheiros Editores. São Paulo. Del ReyBelo Horizonte. Princeton University Press. Princeton. Gomes. Não se recusa que tais argumentos sejam um excelente caminho para êxito judicial – até porque demandas judiciais abastecem-se no debate cientificamente descompromissado entre posições antagônicas – mas não se prestam ao debate acadêmico compromissado com o ensino. Livraria do Advogado. BIBLIOGRAFIA AVILA. Brasília. A Justificação do Direito e sua Adequação Social. Ed. 1967. Trad. Norberto. CANOTILHO. Da definição à aplicação dos princípios jurídicos. São Paulo. João Ferreira. 2003. A pluralidade de Partidos Políticos. BOBBIO. 2006.finalidades que foram presuntivamente construídas pelo expositor como as mais adequadas para consagrar direitos fundamentais do trabalho. 8ª Impressão. DWORKIN. Almedina. Aumentada. 3ª Ed. Luis Fernando. BONAVIDES. DOBROWOLSKI. RT. Ed. 7ª Ed. 2002. Bruno e KNEIPP. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. 2002. José Afonso da Silva. RJ. Albegaria. UNB. A Democracia na Constituição. Is Democracy Possible Here? Principle for a new political debate. . Samantha Chantal. 1990. Ciência Política. BARZOTTO. J. As Ideologias e o Poder em Crise. Teoria dos Princípios . Uma abordagem a partir da teoria de Aulis Aarnio. Ed. Paulo. J. Porto Alegre. o aprimoramento e o esclarecimento. São Leopoldo. FGV. Ed.

Porto Alegre.. Ed. Constituição do Brasil interpretada e Legislação Constitucional. Das fontes às normas. São Paulo. Friedrich. Curso de Direito Constitucional. LORENZETTI. São Paulo. Mario Ferreira dos. Bruno Miragem. Ed. São Paulo. Ricardo. 6ª Ed. Uma Teoria Geral dos Direitos Fundamentais na Perspectiva Constitucional. Ingo Wolfgang . Aspectos do Direito Constitucional Contemporâneo. Manoel Gonçalves. Atlas. 10 Ed. Ed. 2000. São Paulo. Quartier Latin do Brasil. SILVA NETO. Manoel Jorge. . Direitos Fundamentais e o Contrato de Trabalho. Max Limonad. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. 2008. RT. Trad.FERREIRA FILHO. GUASTINI. 27ª Ed. São Paulo. Manoel Gonçalves. Traduzido por Peter Naumann.. Alexandre de. São Paulo. Ed. 2006. IV Volume. MORAES. 2ª Ed. MÜLLER. Fundamentos de Direito. Livraria do Advogado. 2003. Edson Bini. Saraiva. 2009. A Sabedoria dos Princípios. São Paulo. Saraiva. Mario Ferreira dos. São Paulo. SANTOS. 4ª Ed. Ebraesp Editorial. FERREIRA FILHO. Teoria da Decisão Judicial. 2ª Ed. Editora Matese. 2001. SANTOS. SARLET. 1966. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. Métodos de Trabalho do Direito Constitucional. Ed. 2005. Ricardo Luis. Trad. São Paulo. Ltr. 2005.