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O QUE SÃO BIOESTIMULADORES DE COLÁGENO
"Mais do que tratar a beleza, é despertar o potencial regenerativo da pele."
Introdução
O envelhecimento cutâneo é um processo fisiológico inevitável que provoca mudanças
profundas na estrutura e função da pele, impactando diretamente a autoestima e a
qualidade de vida. Em meio a esse contexto, os bioestimuladores de colágeno surgem
como uma das soluções mais eficazes e modernas da estética atual, com potencial
comprovado para estimular a regeneração dérmica de forma segura, duradoura e
natural.
Cada vez mais populares entre os profissionais da estética avançada, esses compostos
atuam de maneira minimamente invasiva, ativando mecanismos fisiológicos profundos
que estimulam a produção de colágeno endógeno, combatendo diretamente os sinais do
tempo, como flacidez, rugas, perda de volume e textura irregular.
A busca por substâncias capazes de restaurar o volume e a estrutura da pele não é uma
novidade na história da medicina estética. As primeiras tentativas, no entanto, foram
marcadas pelo uso de materiais permanentes ou de biocompatibilidade questionável,
que frequentemente resultavam em complicações significativas a longo prazo. O
silicone líquido, por exemplo, utilizado a partir de meados do século XX, inicialmente
prometia resultados duradouros, mas sua natureza não absorvível e a tendência à
migração e formação de granulomas levaram a problemas sérios e, em muitos casos,
irreversíveis.
A verdadeira era dos bioestimuladores de colágeno, como os conhecemos hoje,
começou a tomar forma com o desenvolvimento e a compreensão de materiais
biocompatíveis e biorreabsorvíveis que pudessem interagir de forma mais harmoniosa
com os tecidos.
O que é colágeno e qual sua importância na pele?
O colágeno é uma proteína estrutural essencial do tecido conjuntivo. Estima-se que ele
represente cerca de 30% de toda a proteína corporal e 75% do conteúdo seco da pele.
Está presente em diferentes formas no organismo — os tipos I e III são os mais
relevantes para a estrutura dérmica. O tipo I confere firmeza e resistência; o tipo III,
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elasticidade e
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suporte.
Com o envelhecimento intrínseco (cronológico) e extrínseco (induzido por fatores
como radiação UV, poluição, estresse oxidativo e tabagismo), ocorre redução
significativa na atividade dos fibroblastos, células responsáveis pela síntese de
colágeno, elastina e matriz extracelular. A degradação dessas fibras, aliada à
diminuição de sua produção, provoca perda de sustentação da pele, formação de sulcos,
rugas e flacidez.
O que são bioestimuladores?
Diante do desafio de combater os múltiplos sinais do envelhecimento cutâneo, a
medicina estética tem evoluído de abordagens puramente corretivas para estratégias
mais regenerativas e fisiológicas. Nesse contexto, os bioestimuladores de colágeno
surgiram como uma classe de tratamentos injetáveis inovadores e altamente eficazes,
que representam uma verdadeira mudança de paradigma. Ao contrário dos
preenchedores dérmicos tradicionais, cujo objetivo primário é repor volume perdido de
forma imediata através da introdução de uma substância exógena (como o ácido
hialurônico), ou da toxina botulínica, que atua relaxando a musculatura para suavizar
rugas dinâmicas, os bioestimuladores de colágeno operam por um mecanismo de ação
fundamentalmente diferente: eles estimulam o próprio organismo a produzir seu próprio
colágeno.
Os bioestimuladores são substâncias biocompatíveis (bem toleradas pelo organismo,
sem causar reações imunológicas significativas) e, na sua maioria, biorreabsorvíveis
(gradualmente degradadas e eliminadas pelo corpo ao longo do tempo). Quando
injetados na derme profunda ou na interface dermo-hipodérmica, eles desencadeiam
uma resposta inflamatória subclínica e controlada no tecido circundante. Essa resposta
inflamatória não é um efeito adverso indesejado, mas sim o gatilho para o processo de
regeneração. As células do sistema imunológico, como os macrófagos, são recrutadas
para o local da injeção e, juntamente com as próprias partículas do bioestimulador,
sinalizam e ativam os fibroblastos – as células-chave na produção de colágeno.
Uma vez ativados, os fibroblastos aumentam sua atividade proliferativa e sintética,
começando a produzir novas fibras de colágeno (principalmente tipo I e III) e elastina,
além de outros componentes essenciais da matriz extracelular, como
glicosaminoglicanos
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e proteoglicanos. Esse processo de formação de novo colágeno é conhecido como
neocolagênese. Com o tempo, as partículas do bioestimulador são gradualmente
fagocitadas e metabolizadas, enquanto a nova rede de colágeno formada permanece,
conferindo maior firmeza, espessura, elasticidade e sustentação à pele.
Em resumo, os bioestimuladores não "preenchem" de forma passiva nem "paralisam"
músculos; eles agem como catalisadores biológicos, "despertando" e potencializando a
capacidade intrínseca da pele de se regenerar e rejuvenescer. Os resultados são,
portanto, graduais, progressivos e notavelmente naturais, pois refletem uma melhora
autêntica na estrutura e qualidade da pele, de dentro para fora. Esta abordagem
fisiológica e regenerativa é o que distingue os bioestimuladores e os posiciona como
uma ferramenta poderosa e sofisticada no arsenal terapêutico contra o envelhecimento
cutâneo.
Mecanismo de Ação dos Bioestimuladores de Colágeno
O processo de bioestimulação do colágeno ocorre a partir de uma resposta biológica
controlada provocada pela presença de micropartículas biocompatíveis no tecido
subcutâneo ou dérmico profundo. O mecanismo de ação pode ser dividido em fases
específicas:
Fase 1: Reconhecimento pelas Células Imunes
Imediatamente após a injeção do bioestimulador, as micropartículas são identificadas
como corpos estranhos pelo sistema imunológico local. Essa detecção é feita
principalmente por macrófagos, células especializadas na fagocitose e no
gerenciamento da resposta inflamatória.
Os macrófagos não conseguem fagocitar totalmente as partículas devido ao seu
tamanho e estrutura química resistente (ex: PLLA, CaHA, PCL). Essa "frustração
fagocítica" leva os macrófagos a liberarem citocinas inflamatórias e fatores de
crescimento.
Fase 2: Ativação e Liberação de Citocinas
O macrófago ativado secreta moléculas-chave que coordenam o processo de
regeneração tecidual:
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● TGF-β (Transforming Growth
Factor-beta): fator essencial que estimula
diretamente os fibroblastos.
● IL-1 e IL-6 (Interleucinas 1 e 6): promovem recrutamento de mais células
inflamatórias e sustentam a resposta regenerativa.
Essas citocinas transformam o ambiente dérmico, ativando fibroblastos adjacentes.
Fase 3: Estímulo dos Fibroblastos
Os fibroblastos ativados começam a proliferar e sintetizar intensivamente:
● Colágeno tipo I: principal responsável pela firmeza e resistência da pele.
● Colágeno tipo III: associado à elasticidade e à organização inicial da matriz
extracelular.
Além do colágeno, há também aumento da produção de glicosaminoglicanos (como o
ácido hialurônico natural), melhorando a hidratação da matriz dérmica.
Fase 4: Formação da Matriz Extracelular e Remodelação
Com o tempo, as fibras de colágeno recém-produzidas se organizam em uma matriz
mais densa e estruturada, reforçando a arquitetura dérmica. Esse processo leva a:
● Espessamento da derme
● Melhora da elasticidade
● Recuperação do contorno e da firmeza facial
A presença contínua e gradual das partículas estimula um processo de remodelação
prolongado, que pode durar entre 12 a 36 meses, dependendo da substância utilizada.
Fase 5: Degradação Progressiva das Partículas
Paralelamente à formação de novo colágeno, as micropartículas são lentamente
degradadas e eliminadas pelo metabolismo local (hidrólise para PLLA e PCL;
fragmentação para CaHA).
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Importante ressaltar: o estímulo à produção de colágeno persiste mesmo após a total
reabsorção do produto.
Resumo Visual do Processo:
Etapa Evento Principal Célula Chave Resultados
1 Reconhecimento do Macrófagos Ativação da resposta inflamatória
implante
2 Liberação de citocinas Macrófagos Estímulo aos fibroblastos
3 Proliferação Fibroblastos Síntese de colágeno tipo I e III
de fibroblastos
4 Remodelação tecidual Fibroblastos Firmeza, elasticidade e
e matriz rejuvenescimento
5 Reabsorção do Metabolismo Resultado duradouro
bioestimulador local
"O macrófago é o maestro invisível que transforma a inflamação em
regeneração."
Principais Substâncias Utilizadas
● Ácido Poli-L-Lático (PLLA): Biodegradável, biocompatível,
promove resultados progressivos e duradouros (até 24 meses). Exemplo:
Sculptra®.
● Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA): Preenchedor com efeito bioestimulador,
promove firmeza e volume. Exemplo: Radiesse®.
● Policaprolactona (PCL): Polímero sintético que promove bioestimulação
prolongada (até 2 anos). Exemplo: Ellansé®.
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● Polimetilmetacrilato (PMMA):Preenchedor permanente, com efeito
bioestimulador; exige cautela por apresentar maior taxa de
complicações.
Indicações Clínicas
● Flacidez facial leve a moderada
● Perda de contorno e volume facial
● Textura irregular da pele
● Prevenção do envelhecimento precoce
● Bioestimulação corporal (glúteos, braços, abdômen, colo)
Benefícios dos Bioestimuladores
● Efeito natural e progressivo
● Estímulo da produção endógena de colágeno
● Melhora da densidade dérmica
● Reestruturação da matriz extracelular
● Procedimento seguro, minimamente invasivo
● Resultados duradouros (12 a 24 meses)
Considerações Técnicas
● O efeito clínico é gradual, com início entre 30 e 45 dias após a aplicação.
● O pico de produção de colágeno ocorre entre 60 e 90 dias.
● Os produtos são biodegradáveis e reabsorvidos completamente pelo organismo.
● Exige técnica precisa para evitar intercorrências como nódulos, granulomas ou
inflamações tardias.
Contraindicações
● Infecções ativas na pele
● Doenças autoimunes descompensadas
● Gestantes e lactantes
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● Histórico de hipersensibilidade ao produto
Glossário Rápido
Termo Definição
Colágeno tipo I Confere firmeza à pele; principal tipo presente na derme
Colágeno tipo III Confere elasticidade e maleabilidade
Fibroblasto Célula responsável pela produção de colágeno
Macrófago Célula imune que promove a inflamação inicial controlada
TGF-β Fator de crescimento que estimula a atividade dos fibroblastos
Dica de Consultório
"Sempre esclareça ao paciente que o bioestimulador não é um
preenchedor. Os resultados são sutis, naturais e evoluem com o tempo. A
comunicação correta evita frustrações."
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ENVELHECIMENTO CUTÂNEO E FISIOLOGIA DA PELE
"Compreender a pele é desvendar o palco onde o tempo deixa suas marcas."
Introdução
A pele é o maior órgão do corpo humano, responsável por múltiplas funções essenciais,
como barreira protetora, regulação térmica, imunológica e sensorial. Ao longo do
tempo, esse órgão sofre transformações morfológicas, bioquímicas e funcionais,
influenciadas por fatores genéticos e ambientais. Este capítulo explora de forma
aprofundada a estrutura, função e os mecanismos do envelhecimento cutâneo com base
nos mais recentes estudos científicos.
Morfofisiologia da Pele
A pele é dividida em três camadas principais:
Epiderme
A epiderme é a camada mais externa da pele, um epitélio estratificado pavimentoso
queratinizado, avascular, que se renova continuamente. Ela é composta principalmente
por queratinócitos (cerca de 90% das células), que produzem queratina, uma proteína
fibrosa resistente que confere proteção mecânica e impermeabilidade. Além dos
queratinócitos, a epiderme abriga outras células importantes:
● Melanócitos: Localizados na camada basal, produzem melanina, o pigmento
responsável pela cor da pele e pela proteção contra a radiação ultravioleta (UV).
● Células de Langerhans: Células apresentadoras de antígenos, componentes do
sistema imunológico da pele, que detectam e processam patógenos.
● Células de Merkel: Mecanorreceptores de tato fino, localizados na camada basal.
A epiderme é subdividida em cinco estratos (ou camadas), da mais profunda para a
mais superficial:
1. Estrato Basal (ou Germinativo): Camada mais profunda, em contato com a
derme, onde ocorrem as mitoses dos queratinócitos, garantindo a renovação celular.
Contém melanócitos e células de Merkel.
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2. Estrato Espinhoso: Composto por várias camadas de queratinócitos
poliédricos unidos por desmossomos (que conferem o aspecto espinhoso em
preparações histológicas). As células de Langerhans são abundantes aqui.
3. Estrato Granuloso: Os queratinócitos começam a achatar e acumular grânulos
de querato-hialina (precursora da queratina) e corpos lamelares (ricos em lipídios,
que contribuem para a barreira hídrica).
4. Estrato Lúcido: Camada delgada e translúcida, presente apenas na pele
espessa (palmas das mãos e plantas dos pés), composta por queratinócitos anucleados
e repletos de eleidina.
5. Estrato Córneo: Camada mais superficial e espessa, formada por múltiplas
camadas de corneócitos (queratinócitos mortos, anucleados e achatados), repletos de
queratina e envoltos por uma matriz lipídica. É a principal barreira protetora da pele.
Derme
A derme, localizada abaixo da epiderme, é um tecido conjuntivo denso e
vascularizado que fornece suporte estrutural, nutrição e elasticidade à pele. É rica em
vasos sanguíneos, vasos linfáticos, nervos, folículos pilosos, glândulas sebáceas e
sudoríparas. Seus principais componentes são:
● Fibroblastos: As células mais abundantes da derme, responsáveis pela síntese
de colágeno, elastina, glicosaminoglicanos e outros componentes da matriz
extracelular.
● Matriz Extracelular (MEC): Uma rede complexa de macromoléculas que
preenche o espaço entre as células, composta principalmente por:
● Fibras Colágenas: Predominantemente colágeno tipo I (confere resistência e
firmeza) e tipo III (confere elasticidade inicial e participa da cicatrização).
● Fibras Elásticas: Compostas por elastina e fibrilina, conferem elasticidade e
capacidade de retração à pele.
● Substância Fundamental Amorfa: Um gel hidratado rico em
glicosaminoglicanos (GAGs), como o ácido hialurônico, proteoglicanos e
glicoproteínas, que preenche os espaços entre as fibras e células, mantendo a
hidratação e turgor da pele.
● Outras Células: Macrófagos, mastócitos e linfócitos, que participam das
respostas imunes e inflamatórias.
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A derme é dividida em duas camadas:
1. Derme Papilar: Camada mais superficial, delgada e frouxa, que se interdigita
com a epiderme através das papilas dérmicas (que aumentam a área de contato e
nutrição). É rica em capilares sanguíneos, terminações nervosas e fibras colágenas
mais finas.
2. Derme Reticular: Camada mais profunda e espessa, composta por tecido
conjuntivo denso não modelado, com fibras colágenas grossas e organizadas em
feixes paralelos à superfície da pele, e fibras elásticas abundantes. Confere a maior
parte da resistência e elasticidade da pele.
Hipoderme (tecido subcutâneo)
A hipoderme, também conhecida como tela subcutânea ou fáscia superficial, não é
considerada parte da pele por alguns autores, mas está intimamente ligada a ela. É
composta principalmente por tecido adiposo (gordura), organizado em lóbulos
separados por septos de tecido conjuntivo. Suas funções incluem:
● Reserva energética.
● Isolamento térmico.
● Proteção mecânica contra traumas.
● Modelagem do contorno corporal e facial.
● Conexão da pele com as estruturas mais profundas (músculos e ossos).
Funções Gerais da Pele
● Barreira imunológica: atuação de
melanócitos, células de Langerhans e
queratinócitos.
● Regulação térmica: via glândulas sudoríparas e controle vascular.
● Síntese de vitamina D3: induzida pela radiação UV.
● Função sensorial: terminadações nervosas detectam toque, temperatura e dor.
● Função estética e social: a aparência da pele afeta autoestima
e relações interpessoais.
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Fisiologia do Colágeno na Pele
O colágeno é a principal proteína estrutural da derme, formado por tripla-hélice de
aminoácidos (glicina, prolina, hidroxiprolina). Os tipos I e III conferem firmeza e
elasticidade à pele. A produção é regulada pelos fibroblastos e depende de cofatores
como a vitamina C. A renovação do colágeno é constante, sendo degradado por
enzimas como as metaloproteinases (MMPs).
Com o envelhecimento, ocorre:
● Diminuição da produção de colágeno
● Aumento da fragmentação das fibras colágenas
● Redução da atividade dos fibroblastos
Mecanismos do Envelhecimento Cutâneo
O envelhecimento cutâneo é um fenômeno biológico universal, complexo e inexorável,
resultante da interação de múltiplos fatores intrínsecos (ou cronológicos) e extrínsecos
(ambientais e de estilo de vida). Este processo leva a uma deterioração progressiva da
estrutura e função da pele, sendo a perda e a desorganização do colágeno dérmico uma
de suas características mais proeminentes e visualmente impactantes.
A.Envelhecimento Intrínseco (Cronológico)
O envelhecimento intrínseco, também chamado de envelhecimento cronológico, é
determinado primariamente por fatores genéticos e pelo passar do tempo. É um
processo gradual e inevitável que afeta todos os órgãos, incluindo a pele. As principais
alterações incluem:
● Redução da Proliferação Celular: Diminuição da taxa de renovação dos
queratinócitos na epiderme, levando a um adelgaçamento da camada epidérmica
e a uma cicatrização mais lenta.
● Achatamento da Junção Dermo-Epidérmica: Perda das papilas dérmicas e cristas
epidérmicas, resultando em menor coesão entre as camadas e maior fragilidade
da pele.
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● Declínio da Função dos Fibroblastos: Redução do número e da atividade dos
fibroblastos na derme, levando a uma menor produção de colágeno, elastina e
ácido hialurônico.
● Alterações na Matriz Extracelular: Diminuição da quantidade e qualidade do
colágeno (principalmente tipo I), com fibras mais desorganizadas e
fragmentadas. As fibras elásticas também se tornam menos funcionais.
● Redução da Vascularização: Diminuição do número de vasos sanguíneos na
derme, resultando em palidez e menor aporte de nutrientes.
● Diminuição da Produção de Sebo e Suor: Levando a uma pele mais seca e com
menor capacidade de termorregulação.
● Alterações Hormonais: A queda nos níveis de estrogênio, especialmente em
mulheres após a menopausa, acelera a perda de colágeno e a atrofia dérmica.
Clinicamente, o envelhecimento intrínseco se manifesta como pele fina, seca, pálida,
com perda de elasticidade, flacidez leve e rugas finas.
Resumo:
● Determinado geneticamente
● Inicia-se a partir dos 25 anos
● Características:
○ Redução da espessura epidérmica
○ Perda de cristas epidérmicas
○ Menor proliferação celular
○ Redução de fibroblastos e vascularização
○ Diminuição da síntese de colágeno tipo I e aumento do tipo III
B.Envelhecimento Extrínseco (Envelhecimento Ambiental e Estilo de Vida)
O envelhecimento extrínseco é causado por fatores ambientais que agridem a pele ao
longo da vida, sendo o principal deles a exposição crônica à radiação ultravioleta
(UV) do sol, um fenômeno conhecido como fotoenvelhecimento. Outros fatores
incluem poluição, tabagismo, dieta inadequada, estresse crônico e privação de sono.
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● Fotoenvelhecimento (Radiação UV): A radiação UVA e UVB são os
principais vilões. A UVB atinge a epiderme e a derme superficial, causando
queimaduras solares, danos diretos ao DNA dos queratinócitos e aumentando
o risco de câncer de pele. A UVA penetra mais profundamente na derme,
gerando grande quantidade de espécies reativas de oxigênio (EROs) ou
radicais livres. Esses radicais livres causam estresse oxidativo, danificando
proteínas (como colágeno e elastina), lipídios das membranas celulares e o
DNA. Além disso, a radiação UV estimula a produção de metaloproteinases
de matriz (MMPs), enzimas que degradam o colágeno e a elastina de forma
acelerada. A luz visível de alta energia (HEV) e a radiação infravermelha
(IV) também contribuem para o dano cutâneo.
● Características do Fotoenvelhecimento: Pele espessada e áspera (elastose
solar – acúmulo de material elastótico anormal na derme), rugas profundas e
grosseiras, manchas hiperpigmentadas (lentigos solares, melanoses),
telangiectasias (vasos sanguíneos dilatados), perda acentuada de elasticidade
e aumento do risco de lesões pré-cancerosas (queratoses actínicas) e câncer
de pele.
● Tabagismo: A fumaça do cigarro contém inúmeras substâncias tóxicas que
induzem o estresse oxidativo, aumentam a produção de MMPs, prejudicam a
microcirculação e diminuem a síntese de colágeno. Fumantes tendem a
apresentar rugas periorais mais pronunciadas, pele acinzentada e cicatrização
deficiente.
● Poluição: Partículas poluentes podem penetrar na pele ou gerar radicais livres
na sua superfície, contribuindo para a inflamação crônica (inflammaging) e o
envelhecimento precoce.
● Dieta e Estilo de Vida: Uma dieta rica em açúcares refinados pode levar à
glicação do colágeno, tornando as fibras mais rígidas e menos funcionais. O
estresse crônico e a falta de sono também impactam negativamente a saúde
da pele.
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O IMPACTO COMBINADO: COMO O ENVELHECIMENTO
AFETA COLÁGENO ELASTINA
Tanto o envelhecimento intrínseco quanto o extrínseco convergem para um ponto
comum: a deterioração da matriz extracelular, especialmente das fibras de colágeno e
elastina.
● Redução da Síntese: Os fibroblastos envelhecidos ou danificados produzem
menos colágeno e elastina.
● Aumento da Degradação: A atividade das MMPs é aumentada, quebrando as
fibras existentes.
● Desorganização Estrutural: As fibras colágenas remanescentes tornam-se
fragmentadas, desorganizadas e menos eficientes em fornecer suporte. As
fibras elásticas perdem sua capacidade de retração.
● Glicação: O excesso de açúcar no organismo pode se ligar às fibras de
colágeno e elastina, formando produtos finais de glicação avançada (AGEs),
que as tornam rígidas e disfuncionais.
●
O resultado líquido é uma pele que perdeu sua estrutura de suporte, sua capacidade
de se esticar e retornar ao estado original, e sua hidratação natural. Isso se traduz
clinicamente em flacidez, rugas, perda de volume e uma textura irregular.
Resumo:
● Causado por fatores externos: radiação UV, poluição, fumo, estresse, má
alimentação
● Características:
○ Elastose solar (acúmulo de material amorfo na derme)
○ Hiperpigmentação e manchas
○ Rugas profundas e textura áspera
○ Aumento da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs)
○ Ativação de metaloproteinases que degradam colágeno
Importante: A radiação UVB (290–320 nm) é especialmente nociva, gerando mutações
no DNA celular e ativando proto-oncogenes.
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As consequências clínicas dessa perda e deterioração progressiva do colágeno são
visíveis e bem conhecidas: a pele perde sua firmeza e tônus, torna-se mais fina, frágil e
menos elástica. Surgem rugas finas e linhas de expressão, que evoluem para sulcos mais
profundos. O contorno facial perde sua definição, e a flacidez se instala, especialmente
em áreas como as bochechas, a linha da mandíbula (formando o "jowl" ou "buldogue")
e o pescoço. A textura da pele também pode se alterar, tornando-se mais áspera e menos
luminosa.
Classificações de Rugas
Para padronizar a avaliação do envelhecimento cutâneo, diversas classificações foram
propostas:
● Rugas Dinâmicas (ou de Expressão): Causadas pela contração repetitiva dos
músculos da mímica facial. Inicialmente visíveis apenas durante a expressão,
com o tempo e a perda de colágeno, podem se tornar estáticas. Exemplos: linhas
da testa, pés de galinha, rugas glabelares.
● Rugas Estáticas: Visíveis mesmo com a face em repouso. Resultam da perda de
colágeno, elastina e volume dérmico, além da cronificação das rugas dinâmicas.
● Rugas Gravitacionais: Decorrentes da ação da gravidade sobre uma pele flácida
e com perda de sustentação dos coxins de gordura. Exemplos: sulco nasogeniano
acentuado, linhas de marionete, ptose das bochechas (jowls).
Escala de Glogau: Uma das classificações mais utilizadas para o fotoenvelhecimento,
divide os pacientes em quatro tipos com base na presença e severidade de rugas,
queratoses, alterações pigmentares e necessidade de maquiagem:
● Tipo I (Sem Rugas): 20-30 anos, fotoenvelhecimento precoce, alterações
pigmentares mínimas, sem queratoses, geralmente não usa maquiagem.
● Tipo II (Rugas em Movimento): 30-40 anos, fotoenvelhecimento inicial a
moderado, lentigos senis iniciais visíveis, queratoses palpáveis mas não visíveis,
geralmente usa alguma maquiagem.
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● Tipo III (Rugas em Repouso): 50 anos ou mais, fotoenvelhecimento avançado,
discromia óbvia, telangiectasias, queratoses visíveis, sempre usa maquiagem.
● Tipo IV (Apenas Rugas): 60-70 anos ou mais, fotoenvelhecimento severo, pele
amarelo-acinzentada, lesões pré-malignas, rugas em toda a face, não consegue
usar maquiagem pois ela "racha".
Tipo Característica
Dinâmicas Causadas por contrações musculares repetitivas
Estáticas Presentes mesmo em repouso, associadas à perda de colágeno
Gravitacionais Resultantes da ptose tecidual
Glogau I-IV Classificação por severidade do fotoenvelhecimento
Fatores que Aceleram o Envelhecimento
● Radiação solar (UVA, UVB)
● Tabagismo
● Poluição
● Dieta pobre em antioxidantes
● Estresse crônico
● Falta de cuidados com a pele
Consequências Clínicas Visíveis: A Face do Tempo
As alterações fisiológicas e estruturais decorrentes do envelhecimento se manifestam
clinicamente de diversas formas:
● Flacidez: Perda de firmeza e contorno facial e corporal.
● Rugas e Linhas de Expressão: Sulcos e depressões na superfície da pele.
● Perda de Volume: Atrofia dos compartimentos de gordura facial e reabsorção
óssea.
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● Alterações de Textura: Pele áspera, irregular, com poros dilatados.
● Alterações de Pigmentação: Manchas senis, melanoses, discromias.
● Perda de Luminosidade: Pele opaca e sem viço.
● Aumento da Fragilidade: Pele mais suscetível a traumas e equimoses.
● Cicatrização Lenta.
Compreender a complexidade da fisiologia da pele e os múltiplos fatores envolvidos no
seu envelhecimento é o primeiro passo para desenvolver estratégias eficazes de
tratamento e prevenção, onde os bioestimuladores de colágeno desempenham um papel
cada vez mais central
● Redução da espessura da pele (até 75% aos 75 anos)
● Perda de elasticidade e firmeza
● Diminuição da função de barreira
● Redução da vascularização e cicatrização lenta
● Aumento de rugas, manchas e lesões pré-neoplásicas
Dica de Consultório
"A educação do paciente é tão eficaz quanto o procedimento. Explique que
o uso diário de filtro solar é a intervenção mais poderosa contra o
envelhecimento extrínseco."
Ilustrações Sugeridas
● Esquema da epiderme e derme com camadas identificadas
● Linha do tempo das alterações fisiológicas por faixa etária
● Diagrama do impacto da radiação solar sobre o colágeno
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TIPOS DE BIOESTIMULADORES E SUAS PARTICULARIDADES
"Cada molécula tem um tempo, uma ação e um segredo. Conhecê-las é dominar
a arte do rejuvenescimento."
Introdução
A bioestimulação de colágeno é um processo biológico induzido que visa reativar a
capacidade natural da pele de produzir novo colágeno, um fenômeno conhecido como
neocolagênese. Diferentemente de abordagens que apenas preenchem ou paralisam, os
bioestimuladores atuam como "sinalizadores" que despertam os fibroblastos, as células
arquitetas da derme, para que voltem a sintetizar as proteínas estruturais que conferem
firmeza, elasticidade e juventude à pele. Este capítulo desvenda, passo a passo, o
intrincado mecanismo de ação pelo qual essas substâncias transformam um estímulo
inicial em uma regeneração dérmica visível e duradoura.
Este capítulo apresenta, em detalhes, os principais bioestimuladores utilizados na
prática clínica, com base em revisões científicas e dados técnicos atualizados.
Tabela Comparativa dos Bioestimuladores
Substância Nome Composição Tempo Ação Indicaçã
Comercial de Iniciada o
Duração Principal
PLLA Sculptra® Polímero 18 a 30-45dias Flacidez,
(Ácido Elleva sintético 24 após perda
Poli-L-Láctico) biodegradável meses aplicação de volume
CaHA Radiesse®, Microesferas de 12 a Imediata Contorn
(Hidroxiapatita Diamond fosfato de cálcio em 18 com efeito o facial,
de Cálcio) Biocrystal gel aquoso meses preenchedo lifting
r
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PCL(Policaprola Ellansé® Polímero 24 a 60 Sustentaçã
ctona) biodegradável em 36 dias após oe
gel meses aplicação firmeza
de
carboximetilcelulose
PMMA Metacrill®, Microesferas Perma Resultado Correções
(Polimetilmetacri não absorvíveis em
Artefill® n en te imediato definitivas
la to) gel , glúteos
1.Ácido Poli-L-Láctico (PLLA)
O Ácido Poli-L-Láctico (PLLA) é um polímero sintético, biocompatível, biodegradável
e imunologicamente inerte, pertencente à família dos alfa-hidroxiácidos. Há décadas é
utilizado em aplicações médicas, como fios de sutura absorvíveis e implantes
ortopédicos, o que atesta seu perfil de segurança.
● Composição e Apresentação: O PLLA para uso estético é geralmente
apresentado como um pó liofilizado estéril, composto por micropartículas de
Ácido Poli-L-Láctico. As marcas comerciais mais conhecidas incluem
Sculptra® (Galderma) e Rennova Elleva® (Innovapharma).
● Mecanismo de Ação Específico: Após a reconstituição e injeção na derme
profunda ou tecido subcutâneo, as micropartículas de PLLA induzem uma
resposta inflamatória subclínica controlada. Os macrófagos tentam fagocitar as
partículas, liberando citocinas e fatores de crescimento que estimulam
intensamente os fibroblastos a produzirem novo colágeno, principalmente do
tipo
I. O PLLA não possui efeito preenchedor imediato; o volume observado logo
após a aplicação deve-se ao diluente (água estéril para injeção), que é absorvido
em poucos dias. A neocolagênese é um processo gradual, com resultados
visíveis a partir de 4-6 semanas, atingindo o pico em cerca de 3-6 meses.
● Tempo de Ação e Duração dos Resultados: O estímulo à produção de
colágeno pode durar até 24-25 meses, ou até mais em alguns casos, dependendo
do protocolo de tratamento e das características individuais do paciente. As
partículas
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de PLLA são gradualmente hidrolisadas em ácido lático, que é metabolizado
pelo organismo em CO2 e água.
Indicações Principais:
* Tratamento da flacidez facial e corporal.
* Melhora do contorno facial (malar, mandíbula, têmporas).
* Restauração de volume em áreas de lipoatrofia (ex: pacientes com HIV, atletas).
* Melhora da qualidade e textura da pele.
* Tratamento de celulite e flacidez em glúteos, abdômen, braços e coxas.
Vantagens:
* Resultados graduais e naturais.
* Longa duração dos efeitos.
* Versatilidade para tratamento facial e corporal.
* Alto perfil de segurança quando corretamente reconstituído e aplicado.
Desvantagens e Considerações Especiais:
*Requer reconstituição cuidadosa e tempo de hidratação (geralmente de 2 a 72
horas, dependendo do protocolo e da marca) para evitar a formação de grumos.
* A técnica de aplicação deve ser precisa para evitar a formação de pápulas ou nódulos.
*A massagem pós-aplicação é crucial (regra dos "5x5x5": massagear por 5 minutos,
5 vezes ao dia, por 5 dias) para garantir a distribuição uniforme do produto e minimizar
o risco de nódulos.
* Não é indicado para preenchimento de rugas finas superficiais ou lábios.
*Pode haver um período inicial sem resultados visíveis até que a neocolagênese se
estabeleça.
Reconstituição e Preparo Detalhado:
*Geralmente, um frasco de PLLA é reconstituído com 5 a 10 ml de água estéril para
injeção. Alguns protocolos podem incluir a adição de lidocaína para maior conforto do
paciente.
*A água deve ser injetada lentamente pelas paredes do frasco para evitar a formação
de espuma.
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*Após a adição da água, o frasco deve ser agitado vigorosamente e depois deixado
em repouso para hidratação completa (o tempo varia conforme a bula e o protocolo do
profissional).
* Antes da aplicação, o produto deve ser novamente homogeneizado.
Vantagens: Efeito natural e gradual, ideal para flacidez leve a moderada
Atenção: Pode formar nódulos se aplicado de forma superficial ou com
excesso de produto
2.Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA)
A Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA) é um mineral biocompatível e biodegradável,
idêntico ao componente mineral dos ossos e dentes humanos. É um dos
bioestimuladores mais estudados e utilizados mundialmente.
Composição e Apresentação: A CaHA para uso estético consiste em microesferas
sintéticas de hidroxiapatita de cálcio (geralmente com 25-45 micrômetros de diâmetro)
suspensas em um gel aquoso de carboximetilcelulose (CMC) ou glicerina. As marcas
comerciais mais proeminentes são Radiesse®(Merz Aesthetics) e Rennova Diamond®
(Innovapharma).
Mecanismo de Ação (Efeito Duplo): A CaHA oferece um benefício duplo:
1.Efeito Preenchedor Imediato: O gel carreador (CMC) proporciona uma correção
de volume e contorno logo após a aplicação, o que pode ser vantajoso para pacientes
que desejam resultados mais rápidos. Este gel é gradualmente absorvido em algumas
semanas a meses.
2.Bioestimulação de Colágeno a Longo Prazo: As microesferas de CaHA atuam
como um arcabouço (scaffold) sobre o qual os fibroblastos depositam novo colágeno.
Elas estimulam a neocolagênese de forma semelhante ao PLLA, resultando em um
aumento da densidade dérmica e melhora da firmeza e elasticidade da pele. O novo
colágeno substitui gradualmente o volume do gel carreador absorvido.
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Tempo de Ação e Duração dos Resultados: O efeito preenchedor inicial dura alguns
meses. A produção de colágeno começa em algumas semanas e os resultados da
bioestimulação podem durar de 12 a 18 meses, ou mais.
Indicações Principais:
*Correção de sulcos e rugas moderadas a profundas (ex: sulco nasogeniano, linhas
de marionete).
* Restauração de volume e contorno facial (malar, mandíbula, mento, têmporas).
* Rejuvenescimento do dorso das mãos.
* Tratamento da flacidez facial e corporal (quando diluído).
Vantagens:
* Efeito preenchedor imediato associado à bioestimulação a longo prazo.
*Produto pronto para uso (não requer reconstituição complexa, apenas diluição se
desejado).
* Boa capacidade de lifting e projeção.
* Versátil para diferentes áreas faciais e para as mãos.
Desvantagens e Considerações:
*É radiopaco, ou seja, pode aparecer em exames de imagem como radiografias ou
tomografias, o que deve ser informado ao paciente.
*Não é recomendado para áreas de pele muito fina (ex: pálpebras) ou para
preenchimento labial devido ao risco de nódulos ou visibilidade do produto.
*A injeção intravascular, embora rara, pode ter consequências graves, exigindo
técnica apurada e conhecimento anatômico.
Diluições e Preparo:
*A CaHA pode ser utilizada pura (geralmente em seringas de 1,5 mL) para efeito de
preenchimento e contorno.
*Para um efeito predominantemente bioestimulador e para tratar áreas maiores ou
com pele mais fina, a CaHA pode ser hiperdiluída com soro fisiológico e/ou lidocaína.
As proporções de diluição variam (ex: 1:1, 1:2, até 1:4), dependendo da área a ser
tratada e do objetivo.
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Indicações: Mandíbula, malar, mento e dorso das mãos
Contraindicações: Áreas dinâmicas ou de movimento muscular intenso
(ex: região perioral)
3.Policaprolactona (PCL)
A Policaprolactona (PCL) é um poliéster alifático biocompatível e totalmente
biorreabsorvível, conhecido por seu uso em dispositivos médicos implantáveis e fios de
sutura.
● Composição e Apresentação: O bioestimulador à base de PCL consiste em
microesferas de Policaprolactona perfeitamente lisas e esféricas, suspensas em
um gel carreador de carboximetilcelulose (CMC). A principal marca comercial é
Ellansé® (Sinclair Pharma).
● Mecanismo de Ação: Similar à CaHA, a PCL oferece um efeito preenchedor
imediato devido ao gel de CMC. As microesferas de PCL, uma vez no tecido,
estimulam a neocolagênese ao redor delas, formando uma cápsula de colágeno
que substitui o gel carreador à medida que este é absorvido. A singularidade do
Ellansé® reside na capacidade de controlar a longevidade do resultado através
da variação do comprimento das cadeias poliméricas das microesferas de PCL,
sem alterar o volume injetado ou as propriedades do produto.
Diferentes Versões e Suas Durações: Ellansé® está disponível em quatro versões, que se
diferenciam pela duração previsível dos resultados:
* **Ellansé®-S (Short): Duração de até 1 ano.
* **Ellansé®-M (Medium): Duração de até 2 anos.
* **Ellansé®-L (Long): Duração de até 3 anos.
* **Ellansé®-E (Extended): Duração de até 4 anos.
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Indicações Principais:
* Correção de rugas e sulcos faciais.
* Restauração de volume e contorno (malar, mento, mandíbula).
* Melhora da qualidade e elasticidade da pele.
Vantagens:
* Efeito preenchedor imediato e bioestimulação sustentada.
* Duração dos resultados previsível e personalizável (escolha da versão).
* Produto pronto para uso.
* Boa integração tecidual.
Desvantagens e Considerações:
*Como outros bioestimuladores, não é indicado para lábios ou áreas periorbitais
muito finas.
* O custo pode ser mais elevado em comparação com outros produtos.
*A escolha da versão com maior durabilidade deve ser bem discutida com o
paciente, pois o efeito é de longa permanência.
Preparo: O produto vem pronto para uso em seringas. Não requer reconstituição, mas
pode ser misturado com uma pequena quantidade de lidocaína para conforto, se
desejado, seguindo as recomendações do fabricante.
Nota Técnica: Disponível em diferentes versões com tempos distintos de
duração (S, M, L, E)
4.Polimetilmetacrilato (PMMA)
O Polimetilmetacrilato (PMMA) é um polímero acrílico não absorvível, de origem
sintética, amplamente utilizado na medicina desde a década de 1940. Inicialmente
empregado em cirurgias ortopédicas, odontológicas e oftalmológicas como material de
prótese e cimento ósseo, passou a ser aplicado na estética pela sua capacidade de
preencher e estimular a formação de tecido fibroso ao redor das suas microesferas.
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O PMMA é composto por microesferas lisas e esféricas de aproximadamente 30 a 40
micrômetros, suspensas em um gel carreador aquoso à base de colágeno bovino ou
solução salina. Essas esferas permanecem no local da aplicação, promovendo uma
reação crônica controlada que resulta na formação de cápsulas de colágeno ao redor de
cada partícula, conferindo volume e suporte ao tecido.
Por se tratar de um produto permanente, o PMMA exige indicação precisa, técnica
rigorosa e acompanhamento a longo prazo. Seus principais usos estéticos envolvem
áreas corporais como glúteos, coxas e correções de lipodistrofias, além de casos
selecionados de reconstrução facial.
Uso restrito: Indicado para áreas corporais como glúteos e correções de
defeitos teciduais Exige: Profissional com experiência e uso consciente,
respeitando restrições da ANVISA
Áreas de Aplicação Comuns
● Região malar (maçãs do rosto)
● Mandíbula
● Mento (queixo)
● Sulcos nasogenianos
● Linha da marionete
● Dorso das mãos
● Glúteos e região trocantérica
Técnicas de Aplicação
● Microcânulas ou agulhas finas
● Técnica de retroinjeção em leque ou túnel
● Diluições específicas por tipo de pele e produto
● Necessidade de massagem pós-procedimento (principalmente no uso de PLLA)
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Intercorrências e Prevenção
Intercorrência Causa Comum Prevenção
Produto mal
Nódulos diluído, depósito Correta reconstituição e
superficial técnica adequada
Edema Reação inflamatória ou trauma Compressas frias, anti-inflamatórios
Eritema Hipersensibilidade local Avaliação de histórico do paciente
Infecção Falha na assepsia Técnica asséptica rigorosa
A evolução desses materiais tem sido acompanhada por um refinamento contínuo nas
técnicas de reconstituição (especialmente para o PLLA, que requer hidratação prévia),
diluição (para CaHA e PLLA, visando um efeito mais bioestimulador e menos
volumizador em certas áreas), e aplicação. O entendimento mais profundo da anatomia
facial, dos planos de injeção ideais e das respostas teciduais tem permitido aos
profissionais otimizar os resultados e minimizar os riscos, consolidando os
bioestimuladores como uma ferramenta segura e eficaz no rejuvenescimento facial e
corporal.
As Fases da Bioestimulação
O mecanismo de ação dos bioestimuladores de colágeno é um processo dinâmico e
coordenado que se desdobra em várias fases, desde o momento da injeção até a
completa remodelação tecidual. Embora possa haver pequenas variações dependendo do
tipo específico de bioestimulador utilizado, o princípio fundamental é a indução de uma
resposta inflamatória subclínica controlada que culmina na produção de novo colágeno.
Fase 1: Resposta Inflamatória Controlada e Reconhecimento pelas Células Imunes
Imediatamente após a injeção do bioestimulador (composto por micropartículas
biocompatíveis, como Ácido Poli-L-Láctico - PLLA, Hidroxiapatita de Cálcio - CaHA,
ou Policaprolactona - PCL) na derme profunda ou no tecido subcutâneo, o sistema
imunológico local reconhece essas partículas como corpos estranhos. Os macrófagos,
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células fagocitárias de linha de frente do sistema imune, são rapidamente recrutados
para o local. Eles tentam fagocitar (englobar e degradar) as micropartículas, mas devido
ao tamanho e à natureza química dessas partículas, a fagocitose completa é geralmente
frustrada. Essa "frustração fagocítica" é um evento crucial, pois sinaliza aos macrófagos
que uma resposta mais robusta é necessária. Inicia-se, assim, uma resposta inflamatória
aguda, porém controlada e localizada, caracterizada pela liberação de mediadores
inflamatórios e pelo recrutamento de outras células imunes.
Fase 2: Ativação Celular e Liberação de Citocinas e Fatores de Crescimento
Os macrófagos ativados no local da injeção começam a liberar uma cascata de
moléculas sinalizadoras, incluindo citocinas pró-inflamatórias e, crucialmente, fatores
de crescimento. Entre os mais importantes estão:
● Fator de Crescimento Transformador beta (TGF-β): Considerado um dos
principais indutores da síntese de colágeno pelos fibroblastos. Ele estimula a
proliferação dos fibroblastos e aumenta a produção de proteínas da matriz
extracelular.
● Interleucina-1 (IL-1) e Interleucina-6 (IL-6): Citocinas que modulam a resposta
inflamatória e também podem influenciar a atividade dos fibroblastos.
● Fator de Crescimento Derivado de Plaquetas (PDGF): Outro potente estimulador
da proliferação e atividade dos fibroblastos.
● Fator de Crescimento de Fibroblastos (FGF): Contribui para a angiogênese
(formação de novos vasos sanguíneos) e para a proliferação dos fibroblastos.
Essa sopa de citocinas e fatores de crescimento transforma o microambiente dérmico,
preparando o terreno para a fase de reparo e regeneração tecidual.
Fase 3: Estímulo, Proliferação e Ativação dos Fibroblastos
Sob a influência dos fatores de crescimento liberados pelos macrófagos e outras células
imunes, os fibroblastos residentes na derme circundante são ativados. A ativação dos
fibroblastos envolve:
● Proliferação: Aumento do número de fibroblastos no local.
● Migração: Deslocamento dos fibroblastos em direção à área onde as
micropartículas do bioestimulador foram depositadas.
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● Diferenciação: Alguns fibroblastos podem se diferenciar em miofibroblastos,
células com capacidade contrátil que contribuem para a retração e firmeza do
tecido.
● Aumento da Atividade Sintética: Os fibroblastos ativados intensificam
drasticamente a produção de componentes da matriz extracelular.
Fase 4: Síntese de Novo Colágeno (Tipos I e III), Elastina e Componentes da
Matriz Extracelular
Esta é a fase central da neocolagênese. Os fibroblastos ativados começam a produzir
grandes quantidades de:
● Colágeno Tipo I: É o principal tipo de colágeno sintetizado em resposta à
bioestimulação, responsável por conferir força tensil, estrutura e firmeza à pele.
Suas fibras são mais espessas e organizadas.
● Colágeno Tipo III: Também conhecido como colágeno "jovem" ou de
cicatrização, é produzido inicialmente em maior quantidade e gradualmente
substituído ou incorporado em uma matriz mais madura de colágeno tipo I.
Contribui para a elasticidade inicial.
● Elastina: Embora em menor grau que o colágeno, a produção de elastina também
pode ser estimulada, melhorando a capacidade de retração da pele.
● Glicosaminoglicanos (GAGs) e Proteoglicanos: Moléculas como o ácido
hialurônico endógeno são sintetizadas, contribuindo para a hidratação, volume e
turgor da matriz extracelular.
As novas fibras de colágeno e elastina começam a se depositar ao redor das
micropartículas do bioestimulador, formando uma nova rede de sustentação na derme.
Fase 5: Remodelação Tecidual e Organização da Nova Matriz Dérmica
O processo de neocolagênese não termina com a simples deposição de novas fibras. Nos
meses seguintes à aplicação, ocorre uma fase de remodelação tecidual. As fibras de
colágeno recém-formadas se organizam, se entrelaçam e se alinham de acordo com as
linhas de tensão da pele, criando uma matriz extracelular mais densa, estruturada e
funcional. O colágeno tipo III é gradualmente substituído por colágeno tipo I, mais
resistente. Esse processo de maturação e organização da nova matriz é o que leva à
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melhora progressiva da firmeza, da espessura e da elasticidade da pele, com resultados
clínicos que se tornam mais evidentes ao longo do tempo.
Fase 6: Degradação Progressiva e Biocompatibilidade das Partículas
Bioestimuladoras
Paralelamente à formação e remodelação do novo tecido, as micropartículas do
bioestimulador são gradualmente degradadas e metabolizadas pelo organismo. A taxa
de degradação varia conforme o material:
● PLLA: É hidrolisado em ácido lático, que é então metabolizado em dióxido de
carbono e água.
● CaHA: As microesferas são lentamente fragmentadas e fagocitadas, e os íons
cálcio e fosfato são incorporados ao metabolismo normal.
● PCL: Também é degradado por hidrólise em unidades menores que são
eliminadas.
É importante ressaltar que, mesmo após a completa reabsorção das partículas
bioestimuladoras, o colágeno recém-formado permanece, proporcionando um efeito
rejuvenescedor duradouro. A biocompatibilidade desses materiais garante que eles
sejam eliminados sem causar toxicidade sistêmica, desde que utilizados corretamente.
Variações Sutis, Mesmo Princípio: Diferenças no Mecanismo entre Produtos
Embora o princípio fundamental da bioestimulação seja comum a todos os produtos,
existem nuances em seus mecanismos de ação:
● PLLA: Induz uma resposta inflamatória mais pronunciada inicialmente, levando
a uma neocolagênese robusta e gradual. Não possui efeito preenchedor imediato
(o volume inicial é devido ao diluente, que é absorvido).
● CaHA: Possui um efeito duplo. O gel de carboximetilcelulose em que as
microesferas de CaHA estão suspensas proporciona um leve efeito preenchedor
imediato. Concomitantemente, as microesferas estimulam a produção de
colágeno a longo prazo.
● PCL: Similar ao PLLA em termos de indução de neocolagênese gradual, mas as
diferentes formulações (comprimentos de cadeia do polímero) permitem uma
previsibilidade na duração do estímulo e dos resultados.
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● Fios de PDO Lisos: A inserção dos fios causa um trauma mecânico e uma
resposta inflamatória que também estimula os fibroblastos ao redor do fio,
levando à formação de colágeno ao longo do seu trajeto enquanto são
absorvidos.
Visualizando a Transformação: Resumo e Linha do Tempo da Bioestimulação
Para facilitar a compreensão, podemos resumir o processo em uma linha do tempo
aproximada:
● Dia 0 (Aplicação): Injeção das micropartículas. Início da resposta inflamatória
aguda. Macrófagos são recrutados.
● Dias 1-7: Pico da fase inflamatória. Liberação de citocinas e fatores de
crescimento. Ativação inicial dos fibroblastos.
● Semanas 2-4: Proliferação significativa de fibroblastos. Início da síntese de
colágeno tipo III e, progressivamente, tipo I.
● Meses 1-3: Deposição contínua de novo colágeno e outros componentes da
MEC. Primeiros resultados clínicos de melhora da textura e firmeza começam a
ser percebidos.
● Meses 3-6 (e além): Fase de remodelação tecidual. Organização e maturação das
fibras de colágeno. Aumento da densidade dérmica. Resultados clínicos se
tornam mais evidentes e atingem o pico. As partículas do bioestimulador
continuam a ser gradualmente degradadas.
● Meses 12-24+ (dependendo do produto): O colágeno formado persiste,
mantendo os resultados. A degradação completa das partículas ocorre, mas o
benefício estrutural permanece.
Compreender este complexo e elegante mecanismo de ação permite ao profissional não
apenas aplicar os bioestimuladores com segurança, mas também educar seus pacientes
sobre a natureza gradual e fisiológica do rejuvenescimento que eles promovem,
gerenciando expectativas e construindo confiança nos resultados transformadores que a
ciência da bioestimulação pode oferecer.
A escolha entre esses bioestimuladores dependerá de uma avaliação criteriosa do
paciente, das suas expectativas, da área a ser tratada, da experiência do profissional e
dos resultados desejados. Muitas vezes, a combinação de diferentes tipos de
bioestimuladores ou a
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associação com outros procedimentos estéticos pode oferecer os resultados mais
abrangentes e satisfatórios.
Dica de Consultório
"Escolher o bioestimulador certo para o paciente certo é a chave do
sucesso. Personalize o protocolo com base na idade, fototipo, queixa
estética e grau de flacidez."
Ilustrações Sugeridas
● Gráfico comparativo entre os tipos de bioestimuladores (ação, duração, volume)
● Tabela de profundidade de aplicação por região anatômica
● Linha do tempo da neocolagênese após aplicação de PLLA, CaHA, PCL
ANATOMIA FACIAL APLICADA À ESTÉTICA
"Conhecer a anatomia não é apenas evitar riscos, é garantir resultados mais
harmônicos e seguros."
Introdução
Um conhecimento profundo e tridimensional da anatomia facial é o alicerce
indispensável para a prática segura e eficaz da medicina estética, especialmente ao se
trabalhar com substâncias injetáveis como os bioestimuladores de colágeno.
Compreender as camadas da pele, a disposição dos compartimentos de gordura, a
trajetória dos vasos sanguíneos e nervos, e a localização dos ligamentos de retenção não
é apenas um requisito acadêmico, mas uma necessidade clínica diária. Este capítulo
oferece uma revisão detalhada da anatomia facial aplicada, com foco nos aspectos
cruciais para o planejamento e execução de tratamentos com bioestimuladores, e na
identificação precisa das áreas de risco para evitar complicações.
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Estruturas Anatômicas Faciais
A face humana é composta por cinco camadas fundamentais, organizadas da superfície
para a profundidade:
1.Pele (Epiderme e Derme)
A pele é a camada externa que recobre todo o corpo e atua como a primeira linha de
defesa contra agressões ambientais. É composta por:
● Epiderme: camada mais superficial, formada por células epiteliais
(queratinócitos) que se renovam continuamente. Responsável pela função de
barreira e pela coloração cutânea, através da ação dos melanócitos.
● Derme: localizada logo abaixo da epiderme, rica em fibras colágenas e
elásticas, vasos sanguíneos, nervos e anexos cutâneos (folículos pilosos,
glândulas sebáceas e sudoríparas). A derme confere sustentação, elasticidade e
resistência à pele.
O espessamento, a elasticidade e a qualidade do colágeno dérmico são aspectos
diretamente afetados pelo envelhecimento e, portanto, principais alvos da
bioestimulação de colágeno.
2.Tela Subcutânea (Tecido Adiposo Superficial)
Logo abaixo da derme, encontra-se a tela subcutânea, constituída predominantemente
por tecido adiposo. Esta camada é responsável pelo amortecimento de impactos,
isolamento térmico e modelagem do contorno facial. Sua espessura varia conforme a
região da face, idade, gênero e estado nutricional do indivíduo.
A degradação ou redistribuição da gordura subcutânea é um dos principais fatores que
contribuem para a flacidez e a formação de sulcos, como o nasolabial e as linhas de
marionete.
3.Sistema Músculo-Aponeurótico Superficial (SMAS)
O SMAS é uma camada fibromuscular que conecta a musculatura da mímica facial à
pele e ao tecido adiposo subcutâneo. Ele age como um "sistema de tensão" que, quando
íntegro, mantém o posicionamento e o tônus da face.
Nas técnicas de rejuvenescimento, como o lifting facial e o reposicionamento vetorial, a
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manipulação do SMAS é fundamental para resultados mais duradouros e naturais.
4.Camada Areolar Frouxa
A camada areolar frouxa é uma zona de deslizamento entre o SMAS e o periósteo. Essa
camada facilita o movimento das estruturas superiores em relação ao osso subjacente.
No envelhecimento, a frouxidão dessa camada contribui para o deslocamento dos
compartimentos de gordura e a formação de ptoses (quedas) faciais.
5.Periósteo
O periósteo é uma membrana de tecido conjuntivo que recobre os ossos da face. Ele é
altamente vascularizado e possui um papel fundamental na regeneração óssea. Em
estética, o plano supraperiosteal é utilizado para aplicações profundas de preenchedores
e bioestimuladores, oferecendo uma base segura e estável para o reposicionamento de
volume.
6.Espaços Profundos e Ligamentos de Retenção:
Entre o SMAS e as estruturas mais profundas (periósteo ou fáscias musculares
profundas), existem espaços virtuais ou preenchidos por gordura profunda. Os
ligamentos de retenção são estruturas fibrosas que ancoram a pele e o SMAS às
estruturas ósseas subjacentes ou fáscias profundas, limitando a mobilidade dos tecidos e
definindo os contornos faciais. Existem ligamentos verdadeiros (osteocutâneos) e falsos
(que unem fáscias).
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Compartimentos de Gordura Facial
A gordura facial não é uma camada uniforme, mas sim organizada em múltiplos
compartimentos anatômicos, tanto superficiais (acima do SMAS) quanto profundos
(abaixo do SMAS). Com o envelhecimento, esses compartimentos sofrem atrofia (perda
de volume) e ptose (queda) de forma diferencial, levando à perda de contorno,
formação de sulcos e aparência de "derretimento" facial.
Funções dos Compartimentos de Gordura
● Amortecimento de impactos
● Modelagem do contorno facial
● Facilitação do movimento muscular
● Reserva energética
Com o envelhecimento, ocorre a atrofia, ptose ou hipertrofia desses compartimentos,
alterando o perfil facial.
Compartimentos Superficiais
▪Gordura Nasolabial
Localiza-se ao longo do sulco nasolabial. Com o envelhecimento, a hipertrofia e o
deslocamento dessa gordura contribuem para a profundidade do sulco. Sua mobilidade
é alta, e ela interage com o músculo levantador do lábio superior.
▪Gordura Malar Medial e Lateral
● Malar Medial: Acima da crista maxilar, dá sustentação central à bochecha. Sua
atrofia precoce causa achatamento da maçã do rosto.
● Malar Lateral: Localizada lateralmente ao arco zigomático. Mantém a projeção
do terço médio da face. Sua queda contribui para o aspecto “caído” da face
envelhecida.
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▪Gordura Temporal Superficial
Encontra-se sob a pele da têmpora, superficial à fáscia temporal. É uma das primeiras
áreas a apresentar depressão com a idade, causando a aparência esquelética temporal.
▪Compartimentos da Testa
Incluem gordura frontal central e lateral. Com o envelhecimento, perdem volume,
resultando em sulcos horizontais profundos e perda do suporte à cauda da sobrancelha.
▪Compartimentos Periorais (Jowl Fat)
Situados na porção lateral inferior da face, sobre a linha mandibular. Com o tempo,
sofrem ptose, formando os “bulldogues” (jowls), característicos da flacidez do terço
inferior.
Compartimentos Profundos
▪Gordura Suborbicular (SOOF – Sub-Orbicularis Oculi Fat)
Localizada profundamente abaixo do músculo orbicular do olho, sustenta a
pálpebra inferior e a região do sulco lacrimal. Sua perda causa olheiras e
depressão infrapalpebral.
▪Gordura Retro-Orbicular (ROOF – Retro-Orbicularis Oculi Fat)
Acima do músculo orbicular, entre ele e a derme. Influencia diretamente
na projeção da área superior da pálpebra. Sua hipertrofia está relacionada
ao “puffy eye” (olhos inchados).
▪Gordura Malar Profunda (Deep Medial Cheek Fat)
Posicionada profundamente sobre o osso maxilar. Atua na projeção malar
profunda e é essencial para a sustentação do terço médio da face. Sua
atrofia colabora com a formação do sulco nasojugal.
▪Corpo Adiposo Bucal (Bola de Bichat)
Grande compartimento localizado na parte central da bochecha. Tem
função de preenchimento estrutural e mobilidade muscular. É
frequentemente
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reduzido em cirurgias de bichectomia. Sua perda excessiva pode resultar
em aspecto facial esquelético.
▪Gordura Temporal Profunda
Localiza-se entre o músculo temporal e o osso. A perda desse
compartimento contribui para a concavidade da região temporal e flacidez
lateral da sobrancelha. É alvo de preenchimentos profundos com cânula
em vetor ascendente.
O reposicionamento e a volumização dos compartimentos de gordura são
pilares na restauração da harmonia facial.
Músculos da Mímica Facial
Os músculos da mímica facial têm origem embriológica no segundo arco branquial e
são inervados pelo nervo facial (VII par craniano). Diferente dos músculos esqueléticos,
eles
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se inserem diretamente na pele, permitindo a movimentação da derme e expressões
faciais.
Cada músculo possui uma função estética clara, que influencia diretamente na formação
das rugas dinâmicas:
● Frontal: responsável pela elevação das sobrancelhas; sua hiperatividade gera
linhas horizontais na testa.
● Corrugador do supercílio: aproxima os supercílios medialmente, formando
rugas glabelares verticais.
● Prócero: abaixa os supercílios medialmente, gerando rugas transversais sobre a
glabela.
● Orbicular dos olhos: fechamento dos olhos; sua contração acentua os pés de
galinha.
● Zigomático maior e menor: elevam o ângulo da boca, essenciais para o sorriso.
● Risório: estira o canto da boca lateralmente, criando as marcas de sorriso.
● Depressor do ângulo da boca: puxa o canto da boca para baixo, formando
linhas de marionete.
● Mentual: eleva e protrui o lábio inferior, formando rugas no queixo.
● Platisma: estira a pele cervical, sendo responsável pelas bandas platismáticas
com o envelhecimento.
A compreensão funcional desses músculos é indispensável para procedimentos como
aplicação de toxina botulínica e para o planejamento vetorial de bioestimuladores.
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Músculo Função Implicações Estéticas
Frontal Elevação das sobrancelhas Rugas horizontais da testa
Corrugador Aproxima os supercílios Rugas glabelares ("rugas
da preocupação")
do supercílio
Prócero Abaixa os Rugas transversais da glabela
supercílios medialmente
Orbicular dos olhos Fechamento das pálpebras Pés de galinha
Zigomático maior e Elevação do ângulo da boca Sulco nasolabial profundo
menor
Risório Estiramento do canto Ruga do sorriso lateral
da boca
Levantador do lábio Eleva o lábio superior Sorriso gengival
superior
Depressor do ângulo Abaixa o canto da boca Linhas de marionete
da boca
Mentual Protrusão do lábio inferior Rugas no queixo
Platisma Estiramento cervical inferior Bandas platismáticas
Inervação Facial
A inervação da face é composta por dois sistemas principais: o sistema motor,
comandado pelo nervo facial (VII par craniano), e o sistema sensitivo, coordenado pelo
nervo trigêmeo (V par craniano). Ambos exercem funções essenciais na expressão,
percepção e funcionalidade da face.
Inervação motora
Primariamente pelo Nervo Facial (VII par craniano): Ele emerge do crânio pelo
forame estilomastoideo, atravessa a glândula parótida e se divide em seus ramos
terminais
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para os músculos da mímica facial: temporal, zigomático, bucal, marginal da mandíbula
e cervical.
Lesão do Nervo Facial: Pode causar paralisia ou paresia dos músculos da mímica,
resultando em assimetria facial. Áreas de risco incluem a região pré-auricular (tronco do
nervo facial), a região temporal (ramo temporal) e a região da mandíbula (ramo
marginal da mandíbula).
Ao emergir, ele se divide em cinco principais ramos terminais:
● Temporal: inerva o músculo frontal, orbicular do olho e porção superior do
orbicular dos lábios;
● Zigomático: inerva parte do orbicular do olho, zigomáticos e músculos
periorbitais;
● Bucal: inerva o bucinador, risório, elevadores do lábio superior e parte do
orbicular da boca;
● Mandibular marginal: inerva os músculos do queixo e lábio inferior;
● Cervical: inerva o platisma.
Lesões iatrogênicas no nervo facial podem causar paralisias parciais ou totais da
expressão facial, com grande impacto estético e funcional.
Inervação Sensitiva:
Principalmente pelo Nervo Trigêmeo (V par craniano) e seus três ramos principais:
1.Nervo Oftálmico (V1): Sensibilidade da testa, couro cabeludo anterior, pálpebra
superior, dorso e ponta do nariz. Ramos importantes: supraorbital, supratroclear,
infratroclear, lacrimal, etmoidal anterior (ramo nasal externo).
2.Nervo Maxilar (V2): Sensibilidade da pálpebra inferior, bochecha, lábio superior,
asa do nariz, dentes superiores. Ramo importante: nervo infraorbital (emerge pelo
forame infraorbital).
3.Nervo Mandibular (V3): Sensibilidade do lábio inferior, mento, região temporal,
dentes inferiores, e também inervação motora para os músculos da mastigação. Ramo
importante: nervo mentoniano (emerge pelo forame mentoniano).
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Pontos de Emergência Nervosa (e Forames Associados):
● Forame Supraorbital: Saída do nervo e vasos supraorbitais.
● Forame Infraorbital: Saída do nervo e vasos infraorbitais (localizado
aproximadamente 1 cm abaixo da margem orbital inferior, na linha vertical que
passa pela pupila com o olhar para frente).
● Forame Mentoniano: Saída do nervo e vasos mentonianos (localizado abaixo do
segundo pré-molar inferior, aproximadamente na metade da altura do corpo da
mandíbula).
A injeção próxima a esses forames pode causar dor ou parestesia temporária. Bloqueios
anestésicos podem ser realizados nesses pontos para maior conforto do paciente durante
os procedimentos.
Vascularização Facial
Este é, sem dúvida, um dos aspectos anatômicos mais críticos para o injetor. A face é
ricamente vascularizada, e a injeção intravascular acidental de qualquer produto,
incluindo bioestimuladores, pode levar a complicações graves como embolia, isquemia
e necrose tecidual, ou até mesmo cegueira (no caso de embolização da artéria oftálmica
ou seus ramos).
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Principais Artérias da Face
Artéria Facial (ramo da carótida externa)
Principal vaso arterial da face, nasce da artéria carótida externa e
emerge contornando o bordo inferior da mandíbula, logo anterior ao
músculo masseter.
Trajeto e Ramos:
● Sobe obliquamente em direção à asa do nariz e canto medial
do olho.
● Profundamente associada aos músculos da mímica facial.
● Palpável no bordo mandibular, é uma referência clínica importante.
Ramos principais:
● Artéria labial inferior: irriga a mucosa e o vermelhão do lábio inferior.
● Artéria labial superior: irriga o lábio superior, septo nasal e base da asa do nariz.
● Artéria angular: ramo terminal, ascende até o canto medial do olho, onde se
anastomosa com ramos da artéria oftálmica (carótida interna).
o Artéria Temporal Superficial (ramo terminal da carótida externa)
Ascende anteriormente ao trago da orelha, atravessando a
glândula parótida. Divide-se nos ramos frontal e parietal.
Função:
● Irriga a pele da região temporal, músculos da mímica
da testa e couro cabeludo.
● Frequentemente envolvida em procedimentos com fios
e preenchedores na têmpora e testa.
o Artéria Oftálmica (ramo da carótida interna)
Adentra a órbita pelo canal óptico e emite importantes ramos que alcançam a face por
vias supraorbitárias e nasais.
Ramos principais:
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● Artéria supraorbital: emerge pelo forame
supraorbitário, irriga a testa e couro cabeludo
anterior.
● Artéria supratroclear: percorre medialmente a testa,
próxima à linha média, em direção ao vértice
frontal.
● Artéria dorsal do nariz: irriga a raiz e dorso nasal,
anastomosando-se com a artéria angular (formando
ligação entre carótida interna e externa).
o Artéria Infraorbital (ramo da artéria maxilar)
Emerge pelo forame infraorbitário abaixo da margem
inferior da órbita.
Função:
● Irriga a pálpebra inferior, asa do nariz, bochecha e
lábio superior.
● Encontra-se em plano profundo, sobre o osso, sendo
área crítica em preenchimentos.
o Artéria Mentoniana (ramo da artéria alveolar inferior)
Emerge pelo forame mentual, próximo ao primeiro pré-molar inferior.
Função:
● Irriga a pele do queixo, lábio inferior e mucosa oral adjacente.
● É área de alto risco em técnicas de preenchimento da linha da mandíbula com
agulha.
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Observações Clínicas
● As artérias faciais possuem anastomoses amplas, conectando ramos das
carótidas externa e interna — por isso, injeções intravasculares podem ter
consequências graves, como isquemia ocular.
● A compreensão da anatomia vascular é essencial para evitar complicações e
guiar o uso seguro de cânulas, vetores e pressões mínimas.
Áreas de Alto Risco Vascular
1. Glabela e Região Nasal: Ricamente vascularizada por ramos da artéria oftálmica
(supratroclear, supraorbital, dorsal do nariz) e angular. Injeções aqui têm alto risco de
embolização retrógrada para a artéria oftálmica, podendo causar cegueira.
2. Região Temporal: A artéria temporal superficial e seus ramos são vulneráveis. A
injeção profunda na têmpora (abaixo da fáscia temporal profunda) é mais segura para
evitar os vasos superficiais.
3. Sulco Nasogeniano (especialmente a porção superior, próxima à asa nasal): A
artéria facial e seus ramos estão presentes. A cânula é preferível à agulha.
4. Região Periorbital: A pele é fina e a vascularização é delicada.
5. Testa: Ramos da artéria supraorbital e supratroclear.
Estratégias para Minimizar Riscos Vasculares:
* Conhecimento anatômico detalhado.
* Uso de cânulas de ponta romba sempre que possível, especialmente em áreas de risco.
* Aspiração antes de injetar (embora a aspiração negativa não garanta 100% de
segurança).
* Injeção lenta e com baixa pressão.
* Injeção de pequenos volumes por ponto (bolus pequenos).
* Conhecimento da profundidade ideal de injeção para cada área e produto.
* Ter um kit de emergência vascular (incluindo hialuronidase, mesmo para
bioestimuladores, pois pode ajudar a dissolver o edema e melhorar o fluxo sanguíneo
em caso de compressão vascular por um hematoma ou edema significativo).
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Ligamentos de Retenção Faciais: Os Âncoras da Juventude
Os ligamentos de retenção são estruturas fibrosas que fixam a pele e o SMAS às
estruturas ósseas ou fáscias profundas. Eles desempenham um papel crucial na
manutenção da posição dos tecidos moles da face e na definição dos contornos. Com o
envelhecimento, esses ligamentos podem se tornar mais frouxos, contribuindo para a
ptose facial.
● Ligamentos Verdadeiros (Osteocutâneos):
Conectam diretamente o periósteo à
derme. Exemplos: ligamento zigomático,
ligamento orbitomalar, ligamentos
mandibulares.
● Ligamentos Falsos (Fasciais): Unem
fáscias ou o SMAS à derme. Exemplo:
ligamento massetérico-cutâneo.
O conhecimento da localização desses ligamentos é importante para o planejamento de
vetores de lifting com bioestimuladores, pois a aplicação do produto próximo a eles
pode ajudar a reforçar a sustentação dos tecidos.
Identificação de Áreas de Risco para Injeção de Bioestimuladores e Como
Evitá-las Com base na anatomia vascular e nervosa, podemos resumir as principais
áreas de risco e as precauções:
1. Glabela e Região Nasal Central: Alto risco vascular (cegueira). Evitar injeções
diretas com agulhas. Se necessário, usar microcânulas com extrema cautela e técnica
impecável.
2. Região Periorbital (especialmente pálpebras inferiores e sulco lacrimal): Pele
fina, vascularização delicada, risco de nódulos e efeito Tyndall (se o produto for muito
superficial ou inadequado). Usar produtos específicos, microcânulas e volumes muito
pequenos.
3. Região Temporal Superficial: Risco de atingir a artéria temporal superficial e
seus ramos, ou o ramo temporal do nervo facial. Preferir injeção profunda
(supraperiosteal ou abaixo da fáscia temporal profunda) ou muito superficial
(intradérmica) com microcânula.
4. Sulco Nasogeniano (terço superior) e Pirâmide Nasal: Risco de atingir a artéria
facial e angular. Usar cânulas.
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5. Forames Supraorbital, Infraorbital e Mentoniano: Evitar injeção direta nos
forames para não traumatizar os feixes neurovasculares.
6. Região do Ramo Marginal da Mandíbula do Nervo Facial: Localizado ao longo
da borda inferior da mandíbula, superficialmente ao platisma. Injeções muito profundas
ou agressivas nesta área podem lesar o nervo.
Dominar a anatomia facial não é um evento único, mas um processo contínuo de estudo,
revisão e prática. A utilização de atlas anatômicos, cursos de dissecção em cadáver
fresco (quando disponíveis) e a constante atualização são fundamentais para que o
profissional possa oferecer tratamentos com bioestimuladores que sejam não apenas
eficazes, mas, acima de tudo, seguros para seus pacientes.
Considerações Estéticas
● Injeções em áreas de alto risco devem ser realizadas com técnicas seguras: uso
de cânula romba, aspiração prévia e aplicação lenta.
● O plano de aplicação ideal varia conforme a região: supraperiosteal,
subdérmico ou na camada areolar frouxa.
O domínio da anatomia vascular não apenas evita intercorrências graves,
mas também permite alcançar resultados mais eficazes ao otimizar a
distribuição dos bioestimuladores.
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Áreas de Risco Anatômico
Região Estrutura de Risco Risco Potencial
Glabela Artéria supratroclear e supraorbital Necrose, cegueira
Asa nasal Artéria angular Necrose tecidual
Sobrancelhas Nervo supratroclear Paralisia parcial
Região mentual Forame mentual (nervo mentual) Parestesia, dor crônica
Região parotídea Ducto da parótida, nervo facial Fístula salivar, paralisia
Considerações para Procedimentos Estéticos
● Escolha o plano correto: derme profunda, subcutâneo ou supraperiosteal
● Evite áreas com estruturas nobres superficiais
● Injeções devem ser lentas, com aspiração prévia
● Conheça os pontos de referência anatômicos
Dica de Consultório
"A anatomia é a sua aliada silenciosa. Domine-a e você terá confiança para
oferecer segurança e resultados naturais."
Ilustrações Sugeridas
● Esquema dos compartimentos de gordura facial
● Mapa anatômico das camadas faciais por terço
● Distribuição dos nervos sensoriais e motores
● Áreas de risco com destaque vascular
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PLANEJAMENTO PERSONALIZADO
COM BIOESTIMULADORES
"Cada rosto é uma história única. O segredo da excelência clínica está em
compreender suas nuances e projetar um plano sob medida."
Introdução
A Arte do Diagnóstico Estético: Fundamentos para o Sucesso Terapêutico
A excelência no tratamento com bioestimuladores de colágeno, assim como em
qualquer procedimento médico-estético, começa muito antes da agulha tocar a pele. Ela
reside em uma avaliação clínica meticulosa, na escuta atenta das necessidades do
paciente e na seleção criteriosa dos candidatos ideais para o tratamento. Uma anamnese
completa, um exame físico detalhado e a correta identificação das indicações e
contraindicações são pilares que sustentam resultados satisfatórios e minimizam os
riscos de complicações. Este capítulo guiará o profissional através do processo de
avaliação e seleção de pacientes, etapas cruciais para um planejamento terapêutico
personalizado e bem-sucedido.
Anamnese Completa: Desvendando o Histórico do Paciente
A anamnese é a entrevista inicial com o paciente, um momento fundamental para
coletar informações vitais sobre sua saúde geral, histórico médico e estético, hábitos de
vida e, crucialmente, suas expectativas em relação ao tratamento. Uma anamnese bem
conduzida estabelece uma relação de confiança e fornece dados essenciais para o
planejamento.
Componentes Essenciais da Anamnese:
1. Identificação do Paciente: Nome completo, idade, sexo, profissão, contato.
2. Queixa Principal (QP): O motivo que levou o paciente a procurar o tratamento,
em suas próprias palavras. O que o incomoda? Quais são seus objetivos estéticos?
3. História da Doença Atual (HDA) Estética: Detalhamento da queixa principal.
Quando os sinais do envelhecimento começaram a ser percebidos? Houve alguma
mudança recente? Quais tratamentos já foram realizados para essa queixa e quais foram
os resultados?
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4. Histórico Médico Pregresso (HMP):
● Doenças Sistêmicas: Investigar a presença de doenças crônicas (diabetes,
hipertensão, doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico,
esclerodermia, artrite reumatoide), doenças da tireoide, distúrbios de coagulação,
histórico de câncer (tipo, tratamento, status atual).
● Alergias: Alergia a medicamentos (especialmente anestésicos como lidocaína), a
componentes dos produtos bioestimuladores (raro, mas possível), a metais, a
cosméticos.
● Infecções Ativas ou Recorrentes: Herpes simples (especialmente se a área de
tratamento for perioral), infecções cutâneas bacterianas ou fúngicas.
● Histórico de Cicatrização: Tendência a queloides ou cicatrizes hipertróficas.
● Doenças Dermatológicas: Psoríase, eczema, rosácea ativa na área a ser tratada.
5. Histórico Cirúrgico: Cirurgias faciais prévias (lifting, blefaroplastia, rinoplastia),
cirurgias bariátricas (podem levar a grande flacidez).
6.Histórico Estético Prévio:
● Quais procedimentos já realizou (toxina botulínica, preenchedores, peelings,
lasers, fios, outros bioestimuladores)?
● Quando foram realizados? Quais produtos foram utilizados (se souber)?
● Houve alguma complicação ou intercorrência?
● Qual foi o grau de satisfação com os tratamentos anteriores?
7. Medicamentos em Uso: Listar todos os medicamentos, incluindo prescritos, de
venda livre, suplementos e fitoterápicos. Atenção especial para:
● Anticoagulantes e Antiagregantes Plaquetários: Aspirina, varfarina, clopidogrel,
AINEs (ibuprofeno, diclofenaco), vitamina E, ginkgo biloba, óleo de peixe.
Aumentam o risco de hematomas e sangramentos. Avaliar a possibilidade e
segurança da suspensão temporária, sempre com consentimento do médico
prescritor.
● Imunossupressores ou Corticoides de Uso Crônico: Podem alterar a resposta
inflamatória e a cicatrização.
● Isotretinoína Oral: Uso recente (nos últimos 6-12 meses) pode ser uma
contraindicação relativa devido ao risco de cicatrização anormal.
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8.Hábitos de Vida:
● Tabagismo: Prejudica a cicatrização, aumenta o estresse oxidativo e degrada o
colágeno.
● Etilismo:** Consumo excessivo pode afetar a saúde da pele e a coagulação.
● Exposição Solar: Histórico de exposição solar intensa e uso de protetor solar.
Fundamental para avaliar o grau de fotoenvelhecimento.
● Dieta e Hidratação: Hábitos alimentares e ingestão de água.
● Atividade Física: Tipo e frequência.
● Qualidade do Sono e Nível de Estresse.
9. Histórico Familiar: Algumas condições de pele ou tendências de envelhecimento
podem ter componente genético.
10. Expectativas do Paciente: Este é um ponto crucial. É fundamental entender o
que o paciente espera alcançar com o tratamento. As expectativas são realistas? O
bioestimulador é o tratamento mais adequado para atender a essas expectativas? É
preciso alinhar as expectativas com os resultados possíveis, explicando a natureza
gradual do tratamento e a necessidade de múltiplas sessões, se for o caso.
Exame Físico Facial Detalhado: A Análise Estática e Dinâmica
Após a anamnese, o exame físico facial permite ao profissional avaliar objetivamente as
características da pele e as estruturas faciais do paciente, tanto em repouso (análise
estática) quanto durante as expressões faciais (análise dinâmica).
Componentes do Exame Físico:
1. Inspeção Geral: Observar a simetria facial, proporções, contornos, volumes e
harmonia geral da face.
2.Avaliação da Qualidade da Pele (Detalhada no próximo tópico).
3.Análise Estática: Com o paciente em repouso:
● Identificação de Rugas e Sulcos: Classificar as rugas (finas, médias, profundas),
sua localização e profundidade. Avaliar sulcos como o nasogeniano,
labiomentoniano (marionete), goteira lacrimal.
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● Avaliação da Flacidez: Observar a ptose dos tecidos em diferentes áreas
(supercílios, pálpebras, bochechas – formação de jowls, pescoço – "papada" ou
bandas platismais).
● Análise Volumétrica: Identificar áreas de perda de volume ou deflação dos
compartimentos de gordura (região malar, temporal, pré-jowl).
● Contorno Ósseo: Avaliar a proeminência das estruturas ósseas (zigomático,
mandíbula, mento) e eventuais reabsorções relacionadas à idade.
● Assimetrias: Observar diferenças entre os lados da face.
4. Análise Dinâmica: Pedir ao paciente para realizar diversas expressões faciais
(sorrir, franzir a testa, levantar as sobrancelhas, fazer bico, mostrar os dentes inferiores)
para:
● Avaliar Rugas Dinâmicas: Observar a formação e intensidade das rugas de
expressão.
● Observar a Ação Muscular: Identificar a força e a predominância de certos
grupos musculares.
● Verificar a Mobilidade dos Tecidos: Como a pele e os tecidos moles se
comportam durante o movimento.
5. Palpação:
● Textura da Pele: Avaliar se a pele é lisa, áspera, irregular.
● Elasticidade e Turgor: Pinçar suavemente a pele para verificar sua capacidade de
retorno (teste do beliscão).
● Espessura Dérmica: Avaliar a espessura da pele em diferentes regiões.
● Identificar Nódulos ou Irregularidades: Palpar áreas de tratamentos prévios.
● Palpar Pulsos Arteriais: Se necessário, para localizar artérias importantes (ex:
artéria facial).
Avaliação da Qualidade da Pele: O Canvas do Tratamento
A qualidade da pele é um indicador fundamental da saúde cutânea e influencia
diretamente a resposta ao tratamento com bioestimuladores. Uma pele bem cuidada e
saudável tende a responder melhor e apresentar resultados mais satisfatórios.
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Parâmetros a Avaliar:
1. Fototipo Cutâneo (Escala de Fitzpatrick): Classifica a pele de acordo com sua
resposta à exposição solar. Importante para prever riscos de hiperpigmentação
pós-inflamatória e para orientar sobre fotoproteção.
Tipo I: Pele muito clara, sempre queima, nunca bronzeia (ex: ruivos, loiros muito claros).
● Tipo II: Pele clara, queima facilmente, bronzeia minimamente.
● Tipo III: Pele morena clara, queima moderadamente, bronzeia gradual e
uniformemente.
● Tipo IV: Pele morena moderada, queima minimamente, bronzeia facilmente.
● Tipo V: Pele morena escura, raramente queima, bronzeia intensamente.
● Tipo VI: Pele negra, nunca queima, profundamente pigmentada.
2. Grau de Flacidez: Avaliar a perda de firmeza e a ptose dos tecidos. Pode ser
classificada em leve, moderada ou severa.
3. Elasticidade: Capacidade da pele de retornar à sua forma original após ser
esticada. Reduzida no envelhecimento.
4.Textura: Observar se a pele é lisa, áspera, irregular, com poros dilatados.
5.Hidratação: Avaliar o grau de hidratação ou ressecamento da pele.
6.Luminosidade (Viço): Pele jovem e saudável tende a ser mais luminosa.
7. Presença de Lesões: Queratoses actínicas, lentigos solares, telangiectasias,
cicatrizes de acne, rosácea.
8. Escalas de Envelhecimento: Utilizar escalas como a de Glogau (descrita no
Capítulo 2) para classificar o grau de fotoenvelhecimento.
Análise Tridimensional da Face: Proporções, Simetria e Volumes
A face deve ser avaliada em suas três dimensões, considerando as proporções ideais, a
simetria (ou a falta dela) e a distribuição dos volumes. O conceito de "triângulo da
juventude" (base superior larga nas regiões malares e ápice no mento) que se inverte
com o envelhecimento (base inferior mais larga devido à ptose e formação de jowls) é
um guia útil.
● Divisão em Terços: Avaliar os terços superior, médio e inferior da face em
termos de altura e proporção.
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● Simetria: Comparar os lados direito e esquerdo. Pequenas assimetrias são
normais, mas assimetrias significativas devem ser notadas e discutidas com o
paciente.
● Contornos: Observar a definição da linha da mandíbula, a projeção do mento e
do zigomático.
● Volumes: Avaliar a plenitude ou a perda de volume nas regiões temporal, malar,
pré-auricular, lábios.
Identificação das Queixas Principais e Alinhamento de Expectativas
Retomar as queixas principais do paciente e, com base na avaliação clínica, discutir se
os bioestimuladores são a melhor opção ou se outros tratamentos (isolados ou
combinados) seriam mais indicados. É crucial alinhar as expectativas do paciente com
os resultados realistas que podem ser alcançados. Explicar:
* A natureza gradual dos resultados.
* A necessidade de múltiplas sessões (geralmente 1 a 3 sessões com intervalo de
30-60 dias para PLLA e CaHA, dependendo do caso).
* A durabilidade esperada dos efeitos.
* Os possíveis desconfortos, efeitos colaterais e tempo de recuperação.
* Os custos envolvidos.
Fotografia Padronizada: Documentando o Antes, o Durante e o Depois
A fotografia médica é uma ferramenta indispensável na prática estética. Ela serve para:
Documentação Legal: Registro do estado inicial do paciente.
Avaliação de Resultados: Comparação objetiva do antes e depois.
Planejamento do Tratamento: Auxilia na identificação de áreas a serem tratadas e na
marcação.
Educação do Paciente: Permite ao paciente visualizar suas características e a evolução
do tratamento.
Marketing (com consentimento): Para apresentação de casos.
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Técnica de Fotografia Padronizada:
● Equipamento: Câmera de boa resolução (DSLR ou celular de alta qualidade),
iluminação adequada e uniforme (ring light ou flashes laterais), fundo neutro.
● Posicionamento do Paciente: Posição sentada, cabeça ereta, olhar para frente
(plano de Frankfurt paralelo ao solo).
Incidências Padrão:
* Frontal (repouso e sorrindo).
* Oblíquas (45 graus direita e esquerda, repouso e sorrindo).
* Perfil (90 graus direita e esquerda, repouso).
* Close-ups de áreas específicas, se necessário.
Configurações da Câmera: Manter as mesmas configurações (distância, zoom, abertura,
ISO, balanço de branco) em todas as sessões fotográficas para garantir a
comparabilidade. Remoção de Maquiagem e Adornos: O paciente deve estar sem
maquiagem e sem brincos ou colares que possam interferir.
Indicações Clássicas para Bioestimuladores
Os bioestimuladores são indicados principalmente para:
* Tratamento da flacidez cutânea facial e corporal (leve a moderada).
* Melhora da qualidade, textura, espessura e elasticidade da pele.
* Restauração gradual de volume em áreas de perda de gordura.
* Suavização de rugas e sulcos decorrentes da perda de sustentação.
* Melhora do contorno facial.
* Tratamento de celulite (associada à flacidez).
* Rejuvenescimento do pescoço, colo e mãos.
Contraindicações: Quando Não Tratar
É fundamental identificar as situações em que o tratamento com bioestimuladores é
contraindicado:
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Contraindicações Absolutas:
● Gravidez ou amamentação.
● Alergia conhecida a qualquer componente do produto.
● Infecção ativa ou inflamação na área a ser tratada (incluindo herpes ativo).
● Doenças autoimunes em atividade ou não controladas (especialmente aquelas
com comprometimento cutâneo significativo, como esclerodermia, lúpus
cutâneo ativo). A decisão deve ser individualizada e, idealmente, com parecer do
reumatologista.
● Presença de preenchedores permanentes (ex: silicone, PMMA) na área a ser
tratada, devido ao risco aumentado de reações inflamatórias e granulomas.
● Pacientes com expectativas irreais ou dismorfofobia não diagnosticada/tratada.
Contraindicações Relativas (Avaliar Risco-Benefício e/ou Adiar o Tratamento):
● Uso de anticoagulantes ou distúrbios de coagulação (risco aumentado de
hematomas).
● Histórico de queloides ou cicatrizes hipertróficas (especialmente para PLLA,
que induz mais inflamação).
● Doenças crônicas não controladas (diabetes descompensado, hipertensão grave).
● Uso recente de isotretinoína oral (aguardar 6-12 meses).
● Pacientes imunocomprometidos (risco aumentado de infecção).
● Histórico de herpes simples recorrente (profilaxia antiviral pode ser considerada
se a área perioral for tratada).
Seleção Adequada do Paciente: Quem Realmente se Beneficia?
O paciente ideal para bioestimuladores é aquele que:
● Apresenta sinais de flacidez leve a moderada e perda da qualidade da pele.
● Deseja resultados naturais e graduais.
● Compreende o mecanismo de ação do produto e o tempo necessário para ver os
resultados.
● Tem expectativas realistas.
● Está disposto a seguir as orientações pós-procedimento (ex: massagem para
PLLA).
● Não possui contraindicações significativas.
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● Idealmente, possui um bom estado de saúde geral e hábitos de vida saudáveis
(que podem otimizar a resposta ao tratamento).
Pacientes com flacidez muito acentuada podem se beneficiar mais de um lifting
cirúrgico, embora os bioestimuladores possam ser usados como coadjuvantes ou para
melhorar a qualidade da pele antes ou depois da cirurgia.
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE): A Base da Segurança
Jurídica e da Confiança
O TCLE é um documento legal e ético fundamental. Ele garante que o paciente foi
devidamente informados sobre todos os aspectos do tratamento e consentiu de forma
livre e esclarecida. Deve conter, no mínimo:
● Nome do paciente e do profissional.
● Descrição detalhada do procedimento proposto (produto a ser utilizado, áreas de
tratamento).
● Objetivos do tratamento e resultados esperados (com ênfase na natureza gradual
e na variabilidade individual).
● Benefícios potenciais.
● Riscos, possíveis efeitos colaterais e complicações (incluindo os raros, mas
graves).
● Alternativas terapêuticas (se houver).
● Orientações pré e pós-procedimento.
● Informação sobre a necessidade de múltiplas sessões (se aplicável) e custos.
● Declaração de que o paciente teve a oportunidade de fazer perguntas e que suas
dúvidas foram esclarecidas.
● Autorização para fotografias (se aplicável, especificando o uso).
● Assinatura do paciente e do profissional (e testemunhas, se necessário).
O TCLE deve ser redigido em linguagem clara e acessível, e o profissional deve dedicar
tempo para explicá-lo verbalmente ao paciente, garantindo sua total compreensão antes
da assinatura. É uma ferramenta essencial para proteger ambas as partes e fortalecer a
relação médico-paciente.
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Uma avaliação clínica abrangente e uma seleção criteriosa de pacientes são os primeiros
e mais importantes passos para alcançar a excelência e a segurança nos tratamentos com
bioestimuladores de colágeno. Ao dominar essa arte diagnóstica, o profissional estará
apto a oferecer aos seus pacientes os benefícios transformadores da bioestimulação com
confiança e responsabilidade.
Identificação dos Vetores de Sustentação
O rosto jovem apresenta vetores ascendentes naturais que, com o envelhecimento,
tornam-se horizontais ou descendentes. O planejamento eficaz deve sempre considerar
a restauração dos vetores:
● Vetores verticais: lifting e projeção (malar, mandíbula, sobrancelhas)
● Vetores horizontais: harmonização da linha mandibular, suavização dos sulcos
A aplicação estratégica dos bioestimuladores deve respeitar essas linhas de força,
buscando restaurar a tensão natural da pele.
Definição do Protocolo Personalizado
O protocolo ideal é definido com base em múltiplos fatores:
Faixa Etária
● 25-35 anos: prevenção da perda de colágeno; protocolos leves e espaçados.
● 36-50 anos: correção de sinais iniciais de flacidez e perda de volume.
● Acima de 50 anos: protocolos combinados (bioestimuladores + preenchedores)
para restaurar contornos e tratar flacidez acentuada.
Grau de Flacidez
● Leve: pontos estratégicos de estímulo
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● Moderado: vetorização de áreas amplas
● Severo: associação de técnicas (bioestimulação, lifting, fios de sustentação)
Tipo de Pele
● Peles finas: diluições específicas, maior cautela na profundidade
● Peles espessas: estímulo mais intenso, protocolos robustos
Escolha do Produto
● PLLA: indicado para grandes áreas e flacidez difusa
● CaHA: contorno e definição com efeito imediato
● PCL: resultados prolongados com estímulo intenso
Planejamento em Sessões
● Número de sessões: geralmente 1 a 3, dependendo do objetivo e produto
● Intervalo entre sessões: 30 a 60 dias
● Manutenção anual ou bianual conforme resposta tecidual
Técnicas de Aplicação Personalizadas
A escolha da técnica de aplicação influencia diretamente os resultados:
● Técnica de retroinjeção: ideal para áreas amplas (malar, mandíbula)
● Técnica em bolus: volume e projeção localizados (mento, têmpora)
● Técnica em leque: dispersão uniforme em regiões maiores
● Técnica vetorial: reposicionamento baseado nos vetores de juventude
A escolha entre agulha ou cânula também é determinada pela área tratada e pela
profundidade desejada:
● Cânula: maior segurança vascular, ideal para áreas de risco
● Agulha: precisão em aplicações pontuais
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Cuidados Pré e Pós-Procedimento Orientações Prévias
● Suspensão de anticoagulantes, anti-inflamatórios e suplementos como ômega 3
(sob
orientação médica)
● Evitar consumo de álcool e exposição solar excessiva
Cuidados Pós-Procedimento
Instruções Imediatas Após a Aplicação: Os Primeiros Passos da Recuperação
Logo após a conclusão do procedimento, o profissional deve fornecer ao paciente um
conjunto claro de instruções para as primeiras horas e dias:
Compressas Frias:
● Objetivo: Reduzir o edema (inchaço), o eritema (vermelhidão) e o risco de
hematomas, além de proporcionar alívio do desconforto.
● Como Fazer: Aplicar compressas frias (bolsas de gelo envoltas em um pano fino
para não queimar a pele, ou compressas de gaze embebidas em água fria) nas
áreas tratadas por 10-15 minutos a cada 1-2 horas, especialmente nas primeiras
24-48 horas.
● Cuidado: Não aplicar gelo diretamente sobre a pele.
● Evitar Manipulação Excessiva: Instruir o paciente a não tocar, esfregar ou
massagear vigorosamente as áreas tratadas nas primeiras horas, a menos que seja
especificamente orientado a fazer a massagem para PLLA (ver abaixo).
● Manter a Cabeça Elevada: Ao dormir nas primeiras noites, utilizar travesseiros
extras para manter a cabeça mais elevada pode ajudar a minimizar o edema
matinal.
● Evitar Maquiagem e Produtos Irritantes: Recomendar não aplicar maquiagem ou
produtos cosméticos potencialmente irritantes (ex: ácidos, retinoides) nas áreas
tratadas por pelo menos 12-24 horas, ou até que a pele esteja menos sensível e
os pontos de entrada das agulhas/cânulas estejam fechados.
● Analgésicos Comuns: Se houver dor ou desconforto, analgésicos simples como
paracetamol ou dipirona podem ser utilizados conforme a necessidade. Evitar
AINEs (como ibuprofeno ou aspirina) nas primeiras 24-48 horas, se possível,
para não aumentar o risco de hematomas, a menos que sejam de uso contínuo
por indicação médica.
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Manejo de Edema, Eritema e Hematomas: Lidando com os Efeitos Comuns
Como já discutido no Capítulo 11, estes são os efeitos adversos mais comuns e
geralmente autolimitados.
● Edema (Inchaço):
● Evolução Esperada: Geralmente atinge o pico em 24-48 horas e regride
progressivamente em 2 a 7 dias. Pode ser mais pronunciado em áreas de pele
mais fina ou após tratamentos mais extensos.
● Manejo Adicional: Além das compressas frias, evitar alimentos muito salgados
(que podem reter líquidos) e manter uma boa hidratação oral. Drenagem linfática
manual suave, realizada por profissional habilitado, pode ser considerada após
alguns dias se o edema for persistente.
● Eritema (Vermelhidão):
● Evolução Esperada: Desaparece em poucas horas a 1-2 dias.
● Manejo Adicional: Evitar exposição solar direta e fontes de calor intenso
(saunas, banhos muito quentes) enquanto a pele estiver vermelha.
● Hematomas (Equimoses):
● Evolução Esperada: Podem surgir imediatamente ou algumas horas após o
procedimento. A coloração evolui de roxo/azulado para esverdeado, amarelado e
depois desaparece, geralmente em 7 a 14 dias.
● Manejo Adicional: Após as primeiras 48 horas de compressas frias, compressas
mornas podem ajudar a acelerar a absorção do hematoma. Pomadas à base de
arnica montana, heparinoide ou vitamina K podem ser aplicadas topicamente,
conforme orientação. Maquiagem corretiva (geralmente com tons amarelos ou
alaranjados para neutralizar o roxo) pode ser usada após 24 horas, se a pele
estiver íntegra.
3. A Importância Crucial da Massagem (Especialmente para PLLA)
A massagem pós-aplicação é um componente fundamental do tratamento com Ácido
Poli- L-Láctico (PLLA) para garantir a distribuição uniforme do produto e prevenir a
formação de pápulas ou nódulos.
● Protocolo de Massagem para PLLA (Regra dos "5x5x5"):
● Frequência: Massagear as áreas tratadas 5 vezes ao dia.
● Duração: Cada sessão de massagem deve durar 5 minutos.
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● Período: Continuar a massagem por 5 dias consecutivos após o procedimento.
Como Realizar a Massagem:
● Utilizar um creme hidratante neutro ou um óleo facial suave para facilitar o
deslizamento dos dedos e evitar atrito excessivo na pele.
● Aplicar uma pressão moderada, com movimentos circulares ou de vai e vem,
cobrindo todas as áreas onde o PLLA foi injetado.
● O objetivo é sentir que o produto está sendo espalhado sob a pele.
● O profissional deve demonstrar a técnica correta ao paciente e, se possível,
fornecer um guia impresso ou vídeo.
Por Que a Massagem é Essencial para PLLA?
As micropartículas de PLLA precisam ser bem dispersas no tecido para que a resposta
inflamatória e a subsequente neocolagênese ocorram de forma homogênea. Se o produto
se acumular em um ponto, pode levar à formação de um nódulo palpável.
Massagem para Outros Bioestimuladores (CaHA, PCL):
● Geralmente, não requerem a mesma rotina de massagem intensiva pelo paciente
como o PLLA.
● O profissional pode realizar uma massagem modeladora suave imediatamente
após a aplicação para garantir a uniformidade.
● Se o paciente notar alguma pequena irregularidade palpável nos dias seguintes,
pode ser orientado a massagear suavemente o local, mas isso deve ser feito sob
orientação específica do profissional.
4.Cuidados Gerais com a Pele e Estilo de Vida Pós-Procedimento
Para otimizar os resultados e promover uma boa recuperação, algumas recomendações
gerais são importantes:
● Higiene da Pele: Limpar a pele suavemente com produtos não irritantes. Evitar
esfoliantes ou produtos agressivos por alguns dias.
● Hidratação: Manter a pele bem hidratada com produtos adequados ao tipo de
pele do paciente. Uma pele hidratada responde melhor aos estímulos
regenerativos.
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● Proteção Solar Rigorosa: Este é um cuidado fundamental SEMPRE, mas
especialmente após procedimentos estéticos. A pele pode estar mais sensível e
suscetível à hiperpigmentação pós-inflamatória. Recomendar o uso diário de
protetor solar com FPS alto (mínimo 30, idealmente 50 ou mais), de amplo
espectro (UVA/UVB), mesmo em dias nublados. Reaplicar a cada 2-3 horas se
houver exposição solar direta.
● Evitar Exposição Solar Intensa e Bronzeamento Artificial: Por pelo menos 2
semanas, ou enquanto houver qualquer sinal de inflamação ou hematoma.
● Retorno às Atividades Diárias: Geralmente, o paciente pode retomar suas
atividades normais no mesmo dia ou no dia seguinte. No entanto, algumas
restrições podem ser necessárias.
● Evitar Calor Excessivo: Saunas, banhos muito quentes, vapor excessivo devem
ser evitados por alguns dias, pois podem exacerbar o edema.
● Dieta e Hidratação Oral: Manter uma dieta equilibrada, rica em antioxidantes,
vitaminas e proteínas (importantes para a síntese de colágeno) e beber bastante
água.
● Evitar Álcool e Tabaco: O álcool pode aumentar o edema e o risco de
sangramento. O tabagismo compromete a cicatrização e a produção de colágeno,
devendo ser fortemente desaconselhado.
Atividade Física:
● Evitar exercícios físicos intensos ou que causem muito suor por 24-48 horas
após o procedimento, para minimizar o risco de edema, hematoma ou infecção
nos pontos de entrada.
● Atividades leves, como caminhada, geralmente são permitidas.
5. Sinais de Alerta: Quando o Paciente Deve Contatar o Profissional
Imediatamente É crucial que o paciente seja orientado a observar e relatar
imediatamente ao profissional qualquer sinal ou sintoma que possa indicar uma
complicação:
● Dor Intensa, Progressiva ou Pulsátil: Especialmente se não aliviar com
analgésicos comuns.
● Palidez Cutânea (Branqueamento) Persistente ou Livedo Reticular (Aspecto
Rendilhado Violáceo): Podem ser sinais de comprometimento vascular.
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● Alterações Visuais: Visão embaçada, perda de campo visual, dor ocular (suspeita
de oclusão vascular afetando a artéria oftálmica – EMERGÊNCIA).
● Eritema (Vermelhidão) Intenso e Expansivo, com Calor Excessivo e
Sensibilidade Aumentada: Pode indicar infecção (celulite).
● Formação de Pústulas ou Secreção Purulenta: Sinal de infecção.
● Febre ou Mal-Estar Geral: Pode acompanhar uma infecção sistêmica.
● Edema Assimétrico ou que Piora Significativamente Após Alguns Dias.
● Formação de Nódulos Dolorosos, Quentes ou que Aumentam Rapidamente de
Tamanho.
● Reação Alérgica Grave: Dificuldade respiratória, inchaço rápido e extenso da
face ou língua, urticária generalizada (anafilaxia – EMERGÊNCIA).
O profissional deve fornecer ao paciente um contato de emergência e estar disponível
para responder a essas preocupações prontamente.
6.Expectativa de Resultados: Reforçando a Linha do Tempo
Durante o período pós-procedimento, é importante reforçar com o paciente a natureza
gradual dos resultados dos bioestimuladores. Relembrar que:
● O efeito inicial de volume (se houver, com CaHA ou PCL, ou com o diluente do
PLLA) é temporário.
● Os resultados reais da neocolagênese começam a aparecer sutilmente após
algumas semanas (geralmente 4-8 semanas) e continuam a melhorar por vários
meses.
● O pico dos resultados é esperado entre 3 e 6 meses após a última sessão.
● A paciência é fundamental, e o acompanhamento fotográfico ajudará a visualizar
a progressão.
7.Agendamento de Retornos e Próximas Sessões
● Retorno Pós-Procedimento: Um retorno de acompanhamento em 1 a 2 semanas
pode ser útil para avaliar a recuperação inicial, verificar a ausência de
complicações e reforçar as orientações.
● Planejamento das Próximas Sessões: Se um ciclo de tratamento com múltiplas
sessões foi planejado (o que é comum para bioestimuladores), as datas das
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próximas sessões devem ser agendadas, respeitando os intervalos recomendados
(geralmente 4 a 8 semanas entre as sessões).
● Acompanhamento a Longo Prazo: Mesmo após a conclusão do ciclo inicial,
acompanhamentos periódicos (ex: a cada 6 ou 12 meses) são importantes para
avaliar a durabilidade dos resultados e planejar sessões de manutenção, se
necessário.
Fornecer orientações claras e completas sobre os cuidados pós-procedimento é uma
demonstração de profissionalismo e cuidado com o paciente. Ao capacitar o paciente a
participar ativamente de sua recuperação e a reconhecer sinais de alerta, o profissional
não só melhora os desfechos clínicos, mas também fortalece a relação terapêutica,
construindo uma base de confiança e satisfação que perdura muito além dos resultados
estéticos.
Dica de Consultório
"Planejar não é apenas escolher o produto certo. É olhar o todo, respeitar
a história do paciente e construir, junto com ele, o melhor caminho para
um rejuvenescimento natural e seguro."
TÉCNICAS DE APLICAÇÃO DOS BIOESTIMULADORES
"Técnica é a ponte entre a ciência e o resultado. Cada detalhe importa."
Introdução
A correta aplicação dos bioestimuladores é essencial para garantir resultados
previsíveis, naturais e seguros. A execução técnica não se limita à simples introdução
do produto, mas envolve uma profunda compreensão da anatomia facial, dos planos de
aplicação, das técnicas de distribuição do produto e da condução adequada em cada
tipo de pele e área anatômica. Este capítulo detalha, de forma prática e científica, as
técnicas de aplicação dos bioestimuladores de colágeno.
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Princípios Gerais da Aplicação
Antes de iniciar o procedimento, é fundamental:
● Confirmar todos os dados da avaliação clínica e o plano traçado.
● Escolher o bioestimulador, diluição e volume adequados para a região a ser
tratada.
● Preparar o ambiente com condições assépticas rigorosas.
● Realizar uma marcação facial cuidadosa, respeitando áreas anatômicas de
risco. Um planejamento adequado reduz riscos e aumenta a previsibilidade dos
resultados.
Marcação Facial Estratégica
A marcação prévia orienta a aplicação, respeitando vetores anatômicos, áreas de
segurança e zonas de risco. Utilizam-se canetas cirúrgicas estéreis para traçar:
● Linhas de vetores de sustentação (ascendentes)
● Ponto de entrada da cânula ou agulha
● Área de dispersão do bioestimulador
Áreas como a glabela, nariz e região periorbital exigem marcações ainda mais
específicas, com demarcação clara de limites vasculares.
Escolha do Instrumento: Agulha vs Cânula
● Cânulas (25G, 22G): utilizadas para retroinjeção segura, minimizando risco
vascular.
● Agulhas (27G, 30G): indicadas para aplicações pontuais, bolus ou técnicas de
precisão em áreas específicas.
Sempre prefira cânulas em regiões de maior risco de necrose, como sulco
nasolabial, região nasal e glabela.
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Técnicas de Injeção
Diversas técnicas de injeção podem ser empregadas para aplicar os bioestimuladores, e
a escolha dependerá do produto, da área, da profundidade e do efeito desejado
(volumização, sustentação, melhora da qualidade da pele).
Retroinjeção Linear (Técnica de Tunelização):
● Descrição: A agulha ou cânula é inserida em todo o seu comprimento no plano
desejado, e o produto é depositado de forma contínua e linear enquanto o
instrumento é retirado lentamente.
● Indicações: Criação de vetores de sustentação, preenchimento de sulcos lineares,
distribuição uniforme do produto em uma área.
● Produtos: Adequada para PLLA, CaHA (pura ou diluída), PCL.
Técnica em Leque (Fanning):
● Descrição: A partir de um único ponto de entrada, a agulha ou cânula é inserida
e o produto é depositado em retroinjeção. Sem retirar completamente o
instrumento da pele, sua direção é alterada e uma nova linha de produto é
depositada, criando um padrão em forma de leque.
● Indicações: Cobertura de áreas mais amplas (ex: região malar, têmporas,
bochechas), criação de múltiplos vetores de sustentação a partir de um ponto.
● Produtos: PLLA, CaHA (pura ou diluída), PCL.
Técnica em Bolus:
● Descrição: Deposição de uma pequena quantidade de produto em um ponto
específico, geralmente em planos mais profundos (ex: supraperiosteal).
● Indicações: Volumização de pontos de sustentação óssea (ex: arco zigomático,
mento, ângulo da mandíbula), preenchimento de áreas de reabsorção óssea.
● Produtos: CaHA (pura), PCL. PLLA geralmente não é aplicado em bolus
grandes devido ao risco de nódulos, mas microbolus podem ser usados em
alguns protocolos.
● Técnica Vetorial (Cross-Hatching ou Traves):
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● Descrição: Criação de uma rede de linhas de produto, com injeções lineares em
uma direção e, subsequentemente, outras linhas perpendiculares ou oblíquas às
primeiras, formando um padrão de grade ou traves.
● Indicações: Fornecer um suporte estrutural mais robusto para áreas de maior
flacidez, melhorar a densidade dérmica de forma homogênea.
● Produtos: PLLA, CaHA diluída, fios de PDO lisos.
Técnica de Sanduíche (Combinação de Planos):
● Descrição: Aplicação de diferentes produtos ou o mesmo produto em diferentes
profundidades (planos) na mesma área. Por exemplo, um produto mais denso
para volumização profunda (supraperiosteal) e um produto mais diluído ou
diferente para bioestimulação mais superficial (subdérmico).
● Indicações: Abordagem tridimensional do envelhecimento, combinando
volumização, sustentação e melhora da qualidade da pele.
● Produtos: Combinação de CaHA/PCL em plano profundo com PLLA/CaHA
diluída/fios de PDO em plano mais superficial.
● Técnica de Microinjeções (Microgotas ou Blanching para Produtos Muito
Diluídos):**
● Descrição: Deposição de múltiplas microgotas do produto de forma muito
superficial (intradérmica ou subdérmica superficial).
● Indicações: Melhora da qualidade da pele, tratamento de rugas finas,
bioestimulação difusa (ex: com PLLA ou CaHA hiperdiluídos).
● Produtos: PLLA ou CaHA hiperdiluídos, PDRN.
Profundidade de Aplicação
A profundidade correta da injeção é crucial para a eficácia e segurança do tratamento. O
plano de aplicação varia conforme o produto, a área e o objetivo:
Supraperiosteal (Justo Acima do Osso):
● Indicações: Volumização e sustentação de estruturas ósseas (ex: projeção do
zigomático, mento, ângulo da mandíbula).
● Produtos: CaHA (pura), PCL. É um plano relativamente avascular.
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Subcutâneo Profundo (Abaixo do SMAS, em Contato com a Gordura Profunda):
● Indicações: Reposição de volume em compartimentos de gordura profunda,
sustentação.
● Produtos: PLLA, CaHA, PCL.
Subcutâneo Superficial (Acima do SMAS, na Gordura Superficial) / Subdérmico
Profundo:
● Indicações: Bioestimulação da derme, tratamento da flacidez, melhora da
qualidade da pele, distribuição de produtos como PLLA e CaHA diluída.
● Produtos: PLLA, CaHA (diluída), PCL (com cautela para não ser muito
superficial), fios de PDO.
● Cuidado: Evitar injeções muito superficiais de produtos mais densos (CaHA
pura, PCL) para não causar nódulos ou visibilidade do produto.
Intradérmico:
● Indicações: Melhora da textura da pele, tratamento de rugas finas (com produtos
muito diluídos ou específicos como PDRN).
● Produtos: PLLA ou CaHA hiperdiluídos (técnica de microinjeções), PDRN, fios
de PDO lisos muito finos.
Diluições e Volumes
Cálculo de Volume e Número de Sessões Necessárias
Determinar a quantidade de produto (volume) e o número de sessões é crucial para
alcançar os resultados desejados. Não existe uma "receita de bolo", pois cada paciente é
único.
Fatores que influenciam o Volume e o Número de Sessões:
● Grau de Flacidez e Perda de Volume: Quanto maior a flacidez e a perda de
volume, maior a quantidade de produto e, possivelmente, o número de sessões
necessárias.
● Idade do Paciente: Pacientes mais velhos geralmente necessitam de mais estímulo.
● Área a Ser Tratada: Áreas maiores (como glúteos) exigem
volumes significativamente maiores que áreas faciais.
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● Tipo de Bioestimulador: A concentração do produto e as recomendações do
fabricante devem ser seguidas.
● Resposta Individual: A capacidade de cada paciente de produzir colágeno varia.
Diretrizes Gerais (Exemplos):
● PLLA Facial: Geralmente, 1 a 2 frascos por sessão. Um protocolo comum é uma
sessão por década de vida (ex: paciente de 40 anos pode precisar de 2-3 sessões,
paciente de 50 anos, 3-4 sessões). O intervalo entre as sessões é de 4 a 8
semanas.
● CaHA Facial: Para contorno e volume, 1 a 2 seringas (1,5 mL cada) podem ser
usadas por sessão. Para bioestimulação com produto diluído, o volume total
pode ser maior. Geralmente 1 a 3 sessões com intervalo de 4-6 semanas.
● PCL Facial: O volume depende da área e do efeito desejado, geralmente 1 a 2
seringas por sessão. O número de sessões pode ser menor devido à durabilidade
do produto, mas sessões de retoque podem ser consideradas.
● Bioestimulação Corporal (PLLA ou CaHA): Os volumes são consideravelmente
maiores. Para glúteos, por exemplo, pode-se usar de 2 a 4 frascos de PLLA ou
múltiplas seringas de CaHA diluída por sessão, em cada lado. Geralmente 2 a 4
sessões.
● Planejamento Progressivo: É preferível subcorrigir na primeira sessão e
adicionar mais produto em sessões subsequentes, se necessário, do que
hipercorrigir. Isso permite avaliar a resposta individual do paciente e ajustar o
plano.
Manejo de Intercorrências Imediatas
● Edema e eritema leves: comuns, autolimitados em 48h.
● Hematomas: compressa fria e arnica tópica.
● Nódulos palpáveis: massagem vigorosa nas primeiras 48h (especialmente com
PLLA).
● Infecção: raro; profilaxia com técnica asséptica. Se ocorrer, iniciar antibiótico
conforme orientação médica.
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ESCOLHA DO BIOESTIMULADOR IDEAL PARA CADA CASO E
ÁREA A SER TRATADA
Com os objetivos definidos, o próximo passo é selecionar o tipo de bioestimulador mais
adequado. A escolha dependerá de diversos fatores (conforme detalhado no Capítulo 4):
Tipo de Flacidez e Qualidade da Pele:
● Para flacidez mais significativa e necessidade de maior estímulo de colágeno,
PLLA pode ser uma excelente opção.
● Para pacientes que desejam um leve efeito preenchedor inicial associado à
bioestimulação, CaHA ou PCL podem ser preferíveis.
● Para melhora da qualidade da pele e tratamento de rugas finas, fios de PDO lisos
ou PLLA/CaHA hiperdiluídos podem ser considerados.
Área a Ser Tratada:
● Face: PLLA, CaHA e PCL são amplamente utilizados. A escolha depende da
necessidade de volume, do grau de flacidez e da preferência do profissional.
● Pescoço e Colo: Fios de PDO lisos, PLLA ou CaHA hiperdiluídos são boas
opções para melhorar a qualidade da pele e tratar a flacidez.
● Mãos: CaHA é frequentemente o produto de escolha para rejuvenescimento do
dorso das mãos, devido ao seu efeito de volumização e bioestímulo.
● Corpo (glúteos, abdômen, braços, coxas): PLLA e CaHA (geralmente
hiperdiluído) são os mais utilizados para tratar flacidez e celulite corporal.
Resultados Desejados e Durabilidade:
Se o paciente deseja resultados mais duradouros e está disposto a aguardar o efeito
gradual, PLLA ou as versões de PCL de maior longevidade podem ser indicadas.
Se um efeito mais imediato é desejado, CaHA ou PCL (com seu gel carreador) podem
ser mais apropriados.
● Experiência do Profissional: O profissional deve se sentir confortável e ter
experiência com o produto escolhido.
● Perfil do Paciente: Considerar o histórico de tratamentos prévios, sensibilidade,
e disponibilidade para seguir cuidados pós-procedimento (ex: massagem com
PLLA).
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● Custo: O custo do produto também pode influenciar a decisão, em discussão
com o paciente.
Planejamento de Vetores de Aplicação para Lifting e Sustentação
A forma como o bioestimulador é distribuído no tecido é tão importante quanto a
quantidade. O planejamento de vetores de aplicação visa otimizar o efeito de lifting e
sustentação, respeitando a anatomia e as linhas de tensão da pele.
Conceito de Vetorização: Consiste em aplicar o produto em linhas ou direções que
contrariem as forças da gravidade e promovam um levantamento dos tecidos ptosados.
Os vetores devem ser planejados de acordo com as áreas de maior flacidez e os
ligamentos de retenção.
Técnicas Vetoriais Comuns:
● Retroinjeção Linear: Depositar o produto em linhas enquanto a cânula ou agulha
é retirada.
● Técnica em Leque (Fanning): A partir de um único ponto de entrada, criar
múltiplas linhas de produto em forma de leque.
● Técnica em Traves (Cross-Hatching): Criar uma rede de linhas de produto
perpendiculares entre si, para maior suporte estrutural.
Planejamento por Região Facial:
● Região Malar e Zigomática: Vetores ascendentes e laterais para levantar a
bochecha e definir o contorno.
● Têmporas: Vetores que ajudam a sustentar a cauda da sobrancelha e a região
periorbital lateral.
● Linha da Mandíbula (Jawline): Vetores ao longo da mandíbula para definir o
contorno e tratar os jowls.
● Região Pré-Auricular: Vetores que contribuem para o lifting da porção média e
inferior da face.
● Pescoço: Vetores horizontais e/ou verticais para tratar a flacidez.
● Considerar a Anatomia Individual: O planejamento dos vetores deve ser
adaptado à anatomia e às necessidades específicas de cada paciente.
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Considerações sobre a Idade, Sexo e Etnia do Paciente no Planejamento
As características individuais do paciente influenciam o processo de envelhecimento e,
consequentemente, o planejamento do tratamento.
● Idade: Pacientes mais jovens podem necessitar de menos produto e focar mais
na prevenção e melhora da qualidade da pele. Pacientes mais velhos geralmente
apresentam maior flacidez e perda de volume, exigindo planos de tratamento
mais robustos.
● Sexo: Homens: Tendem a ter pele mais espessa e uma estrutura óssea facial mais
proeminente. O objetivo muitas vezes é manter ou realçar traços masculinos (ex:
mandíbula marcada, mento quadrado). Os volumes utilizados podem ser
diferentes.
● Mulheres: O objetivo frequentemente é suavizar contornos, restaurar o volume
perdido e promover um efeito lifting delicado, preservando a feminilidade.
● Etnia: Diferentes grupos étnicos apresentam padrões de envelhecimento
distintos e características anatômicas particulares (ex: estrutura óssea, espessura
da pele, propensão a hiperpigmentação). O planejamento deve respeitar e
valorizar a beleza étnica individual, evitando a padronização de resultados.
Técnicas Específicas por Região Facial: Uma Abordagem Detalhada
O planejamento e a técnica de aplicação devem ser adaptados às características
anatômicas e aos objetivos de tratamento de cada região facial.
Região Malar e Zigomática (Bochechas):
● Objetivos: Restaurar volume, projetar o arco zigomático, sustentar a porção
média da face, suavizar o sulco nasogeniano.
● Técnicas: Bolus supraperiosteais no arco zigomático (com CaHA, PCL). Vetores
em leque ou lineares com cânula em plano subcutâneo profundo ou subdérmico
(com PLLA, CaHA diluída, PCL) para lifting e bioestimulação.
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Têmporas:
● Objetivos: Corrigir a concavidade temporal (que confere um aspecto
envelhecido), sustentar a cauda da sobrancelha.
● Técnicas: Injeção profunda (abaixo da fáscia temporal superficial ou
supraperiosteal) com cânula ou agulha, usando técnica em leque ou bolus
(CaHA, PCL, PLLA). Cuidado extremo com a artéria temporal superficial e seus
ramos.
Sulco Nasolabial e Linhas de Marionete:
● Objetivos: Suavizar esses sulcos, que são frequentemente resultado da ptose da
porção média da face e da perda de volume.
● Técnicas: A abordagem ideal é tratar a causa (flacidez da bochecha) com vetores
de sustentação na região malar e pré-auricular. Se necessário, pode-se aplicar
bioestimulador (CaHA diluída, PLLA) diretamente no sulco, em plano
subdérmico com cânula, para melhorar a qualidade da pele e fornecer algum
suporte. Evitar preenchimento excessivo direto no sulco com bioestimuladores
densos.
Linha da Mandíbula (Jawline) e Mento:
● Objetivos: Definir o contorno mandibular, corrigir os jowls, projetar o mento.
● Técnicas: Bolus supraperiosteais no mento e ângulo da mandíbula (CaHA,
PCL). Vetores lineares com cânula ao longo da borda da mandíbula em plano
subcutâneo profundo ou supraperiosteal (PLLA, CaHA, PCL).
Região Periorbital (Com Extrema Cautela):
● Objetivo: Melhorar a qualidade da pele, tratar rugas finas ("pés de galinha"
laterais), suavizar a transição pálpebra-bochecha (com muita cautela no sulco
lacrimal).
● Técnicas: Uso de produtos muito diluídos (PLLA, CaHA) ou específicos para a
área (PDRN, fios de PDO lisos finos). Aplicação com microcânulas em plano
subdérmico muito superficial. Risco de edema prolongado e nódulos é alto. Esta
área é para injetores experientes.
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Pescoço e Colo:
● Objetivos: Tratar a flacidez, as rugas horizontais ("colar de Vênus") e melhorar a
qualidade da pele.
● Técnicas: Múltiplas microinjeções de PLLA ou CaHA hiperdiluídos em plano
subdérmico. Inserção de fios de PDO lisos em malha. Vetores lineares com
cânula.
6.Massagem Pós-Aplicação: O Toque Final para a Integração Perfeita
A massagem após a aplicação de alguns bioestimuladores é um passo importante para
garantir a distribuição uniforme do produto, minimizar o risco de formação de pápulas
ou nódulos e otimizar a integração tecidual.
Ácido Poli-L-Láctico (PLLA):
● Massagem Imediata: Logo após a aplicação, o profissional deve realizar uma
massagem suave, mas firme, nas áreas tratadas para espalhar o produto.
● Massagem pelo Paciente (Regra dos "5x5x5"): O paciente deve ser instruído a
massagear as áreas tratadas por 5 minutos, 5 vezes ao dia, durante 5 dias. A
massagem deve ser feita com movimentos circulares e pressão moderada,
utilizando um creme hidratante neutro para facilitar o deslizamento.
● Importância: Essencial para prevenir a formação de nódulos de PLLA, que
podem ocorrer se o produto se concentrar em um único local.
Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA) e Policaprolactona (PCL):
● A necessidade de massagem é menor em comparação com o PLLA, pois esses
produtos tendem a ser mais coesivos e menos propensos a formar nódulos se
bem aplicados.
● Uma massagem suave pelo profissional logo após a aplicação pode ajudar a
moldar o produto e verificar a uniformidade.
● Geralmente, não se recomenda massagem vigorosa pelo paciente, a menos que
haja alguma irregularidade palpável específica que o profissional oriente a
massagear.
Dominar as técnicas avançadas de aplicação de bioestimuladores faciais é um
investimento contínuo em conhecimento, habilidade e refinamento estético. Ao aliar a
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ciência da anatomia e da farmacologia dos produtos com a arte da injeção precisa e
individualizada, o profissional pode verdadeiramente transformar a pele de seus
pacientes, restaurando não apenas o colágeno, mas também a confiança e a satisfação
com sua aparência.
Dica de Consultório
"A execução da técnica é a assinatura do profissional. Pequenos cuidados
definem grandes resultados."
TÉCNICAS DE PREPARO, RECONSTITUIÇÃO E DILUIÇÃO DOS
BIOESTIMULADORES
A Alquimia da Eficácia: Dominando o Preparo dos Agentes Bioestimuladores
A eficácia e a segurança dos tratamentos com bioestimuladores de colágeno não
dependem apenas da correta seleção do produto e da técnica de aplicação, mas também,
de forma crucial, do preparo adequado desses agentes antes da injeção. A reconstituição
precisa do Ácido Poli-L-Láctico (PLLA), a diluição correta da Hidroxiapatita de Cálcio
(CaHA) para diferentes finalidades, e o manuseio adequado da Policaprolactona (PCL)
são etapas que exigem atenção meticulosa aos detalhes, conhecimento das
recomendações dos fabricantes e adesão estrita às boas práticas de manipulação e
assepsia. Um preparo inadequado pode levar à formação de grumos, distribuição
irregular do produto, menor eficácia e, em alguns casos, aumento do risco de
complicações. Este capítulo é um guia prático e detalhado sobre as técnicas de preparo,
reconstituição e diluição dos principais bioestimuladores, capacitando o profissional a
otimizar cada tratamento desde o início.
1.Boas Práticas de Manipulação e Assepsia: O Alicerce da Segurança
Antes de abordar as especificidades de cada produto, é fundamental reforçar os
princípios universais de boas práticas de manipulação e assepsia, que devem ser
seguidos rigorosamente em qualquer procedimento injetável:
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● Ambiente Adequado: O preparo deve ser realizado em uma área limpa,
organizada e dedicada, com superfícies de fácil higienização (ex: bancada de aço
inoxidável ou material não poroso).
● Higienização das Mãos: Lavagem correta das mãos com água e sabão
antisséptico, seguida da aplicação de álcool 70% ou solução antisséptica
apropriada antes de calçar as luvas.
● Uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs): Luvas de procedimento
estéreis ou não estéreis (dependendo da etapa), máscara cirúrgica e, se
necessário, touca e avental.
● Materiais Estéreis: Utilizar apenas seringas, agulhas, água para injeção, soro
fisiológico e outros diluentes que sejam estéreis e de uso único (descartáveis).
Verificar a integridade das embalagens e as datas de validade.
● Assepsia dos Frascos e Ampolas: Antes de perfurar a tampa de borracha de um
frasco ou quebrar uma ampola, realizar a assepsia da superfície com álcool 70%
e aguardar a secagem.
● Técnica Asséptica ("No-Touch Technique"): Evitar o contato direto das mãos
(mesmo enluvadas) com as partes críticas dos materiais que entrarão em contato
com o produto ou com o paciente (ex: ponta da agulha, bico da seringa).
● Descarte Correto: Todos os materiais perfurocortantes (agulhas, frascos
quebrados) devem ser descartados em coletores rígidos apropriados (caixa de
perfurocortantes). Materiais contaminados devem ser descartados em lixo
biológico.
● Rastreabilidade: Registrar o lote e a validade de todos os produtos e diluentes
utilizados no prontuário do paciente.
2.Ácido Poli-L-Láctico (PLLA): A Arte da Reconstituição Paciente
O PLLA (ex: Sculptra®, Rennova Elleva®) é apresentado como um pó liofilizado
estéril que requer reconstituição com Água Estéril para Injeção (AEPI) antes do uso. O
objetivo da reconstituição é criar uma suspensão uniforme de micropartículas de PLLA,
livre de grumos, para garantir uma aplicação suave e uma distribuição homogênea no
tecido.
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Materiais Necessários para Reconstituição do PLLA:
● Frasco de PLLA.
● Água Estéril para Injeção (AEPI) – volume conforme bula ou protocolo.
● Seringa estéril (geralmente de 5 mL ou 10 mL) com agulha estéril (ex: 18G ou
21G) para adicionar a AEPI ao frasco.
● Opcional: Lidocaína 1% ou 2% sem vasoconstritor (para adicionar à suspensão
momentos antes da aplicação, visando maior conforto do paciente). A adição de
lidocaína pode alterar levemente a viscosidade e deve seguir protocolos
estabelecidos.
Protocolo de Reconstituição do PLLA (Exemplo Geral – Sempre Consultar a Bula
Específica do Produto):
1. Assepsia: Limpar a tampa de borracha do frasco de PLLA e do frasco de AEPI
com álcool 70%.
2. Aspiração da AEPI: Com a seringa e agulha estéreis, aspirar o volume
recomendado de AEPI (geralmente entre 5 mL e 8 mL por frasco de PLLA, mas alguns
protocolos podem usar volumes diferentes, como 9 mL para Sculptra® se for adicionar
1mL de lidocaína depois, totalizando 10mL de suspensão final).
3. Adição da AEPI ao Frasco de PLLA: Injetar lentamente a AEPI no frasco de
PLLA, direcionando o jato para a parede de vidro do frasco, e não diretamente sobre o
pó. Isso ajuda a molhar o pó gradualmente e minimiza a formação de espuma.
4. Homogeneização Inicial (Agitação Vigorosa): Após adicionar toda a AEPI,
agitar o frasco vigorosamente por cerca de 1 minuto para garantir que todo o pó entre
em contato com o líquido e para iniciar a dispersão das partículas.
5. Tempo de Hidratação (Repouso): Este é um passo crucial. O PLLA necessita de
um tempo de repouso para que as micropartículas se hidratem completamente. O tempo
de hidratação recomendado varia:
Bulas Tradicionais: Frequentemente recomendam um mínimo de 2 horas de hidratação à
temperatura ambiente, ou refrigeração (2-8°C) por até 72 horas se não for usado
imediatamente.
Protocolos de Reconstituição Rápida: Alguns profissionais e estudos mais recentes
exploram tempos de hidratação menores (ex: 30 minutos a 1 hora) com técnicas de
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agitação mais intensas ou uso de vórtex, mas é fundamental garantir a completa
hidratação e ausência de grumos. Sempre priorize a segurança e as recomendações do
fabricante.
6. Homogeneização Final (Antes do Uso): Imediatamente antes de aspirar o
produto para a seringa de aplicação, o frasco deve ser novamente homogeneizado,
geralmente girando- o suavemente ou invertendo-o algumas vezes, para garantir que as
partículas estejam uniformemente suspensas. Evitar agitação vigorosa nesta etapa para
não formar bolhas.
7. Opcional: Adição de Lidocaína: Se for utilizar lidocaína, ela geralmente é
adicionada à suspensão de PLLA já reconstituída, momentos antes da aplicação. Por
exemplo, pode- se remover 1-2 mL da suspensão de PLLA do frasco e substituí-los por
igual volume de lidocaína 1% ou 2% sem vasoconstritor, misturando suavemente. A
concentração final de lidocaína deve ser baixa para não interferir significativamente na
resposta inflamatória desejada.
Dicas para Evitar Grumos e Garantir a Qualidade da Suspensão de PLLA:
● Siga rigorosamente o volume de AEPI recomendado.
● Adicione a AEPI lentamente e pelas paredes do frasco.
● Respeite o tempo de hidratação recomendado.
● Verifique visualmente a suspensão contra a luz para se certificar da ausência de
partículas não dispersas ou grumos antes da aplicação.
● Se utilizar um vórtex para agitação, use com cautela para não desnaturar o
produto ou criar excesso de espuma.
Armazenamento e Validade Após Reconstituição:
● Consulte a bula do produto. Geralmente, o PLLA reconstituído pode ser
armazenado sob refrigeração (2-8°C) por um período limitado (ex: até 72 horas).
Antes de usar um produto refrigerado, deixe-o atingir a temperatura ambiente e
homogeneíze novamente.
● Não congele o produto reconstituído.
● Qualquer porção não utilizada dentro do prazo de validade após a reconstituição
deve ser descartada.
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3.Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA): A Versatilidade da Diluição
A Hidroxiapatita de Cálcio (ex: Radiesse®, Rennova Diamond®) vem pronta para uso
em seringas preenchidas, geralmente contendo 1,5 mL ou 0,8 mL de produto. Ela não
requer reconstituição como o PLLA, mas pode ser utilizada pura ou diluída,
dependendo do objetivo do tratamento e da área a ser aplicada.
Materiais Necessários para Diluição da CaHA (Opcional):
● Seringa de CaHA preenchida.
● Soro Fisiológico 0,9% estéril.
● Lidocaína 1% ou 2% sem vasoconstritor (estéril).
● Seringas estéreis (ex: 3 mL ou 5 mL) para os diluentes.
● Conector estéril tipo Luer-Lock para Luer-Lock (para transferir e misturar o
produto entre seringas).
Protocolos de Diluição da CaHA:
A decisão de diluir ou não a CaHA e a proporção da diluição dependem da finalidade:
● Para Efeito de Preenchimento e Contorno (ex: sulco nasogeniano, linha da
mandíbula, mento, malar): A CaHA pode ser utilizada pura, diretamente da
seringa original. Alguns profissionais podem adicionar uma pequena quantidade
de lidocaína (ex: 0,1-0,2 mL por seringa de 1,5 mL) para maior conforto,
misturando suavemente com um conector.
● Para Efeito Predominantemente Bioestimulador e Tratamento de Flacidez (ex:
face, pescoço, colo, mãos, corpo): A CaHA é frequentemente hiperdiluída. A
diluição aumenta o volume total, permitindo cobrir áreas maiores com uma
menor concentração de microesferas por unidade de volume, o que favorece a
bioestimulação em detrimento do efeito preenchedor. Além disso, a diluição
reduz a viscosidade do produto, facilitando a aplicação em planos mais
superficiais ou em peles mais finas.
Proporções Comuns de Diluição (CaHA : Diluente):
1:1: 1,5 mL de CaHA + 1,5 mL de diluente (total 3 mL). O diluente pode ser soro
fisiológico ou uma mistura de soro e lidocaína (ex: 1,3 mL de SF + 0,2 mL de lidocaína
2%).
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1:2: 1,5 mL de CaHA + 3 mL de diluente (total 4,5 mL).
Diluições Maiores (ex: 1:3, 1:4): Podem ser usadas para áreas corporais extensas ou
para um efeito de "skin booster" com CaHA.
Técnica de Mistura (Homogeneização):
1. Conecte a seringa de CaHA a uma seringa vazia estéril (ou a uma seringa contendo
o diluente) através de um conector Luer-Lock.
2. Transfira o conteúdo de uma seringa para a outra repetidamente (ex: 10-20 vezes)
de forma suave, mas completa, para garantir uma mistura homogênea. Evite
movimentos muito vigorosos que possam introduzir bolhas de ar.
3. A mistura deve ter uma aparência uniforme e leitosa.
Considerações sobre a Diluição da CaHA:
● A adição de lidocaína melhora o conforto do paciente, mas grandes volumes de
anestésico podem, teoricamente, influenciar a resposta inflamatória inicial. Usar
com moderação.
● A CaHA diluída deve ser utilizada imediatamente após o preparo.
● A escolha da cânula ou agulha para aplicação pode variar dependendo da
viscosidade final do produto (diluições maiores são menos viscosas).
4.Policaprolactona (PCL): Praticidade e Preparo Simplificado
O bioestimulador à base de Policaprolactona (ex: Ellansé®) também vem pronto para
uso em seringas preenchidas (geralmente de 1 mL). Ele não requer reconstituição nem
diluições complexas para seu uso padrão.
Preparo da PCL:
● O produto está pronto para ser injetado diretamente da embalagem original.
● Opcional: Adição de Lidocaína: Para maior conforto do paciente, alguns
profissionais optam por misturar uma pequena quantidade de lidocaína 1% ou
2% sem vasoconstritor (ex: 0,05 a 0,1 mL por seringa de 1 mL de PCL)
imediatamente antes da aplicação. Isso pode ser feito conectando a seringa de
PCL a uma seringa contendo a lidocaína através de um conector Luer-Lock e
misturando suavemente.
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● Homogeneização: Se a lidocaína for adicionada, garantir uma mistura
homogênea passando o conteúdo entre as seringas algumas vezes.
● Temperatura: Recomenda-se que o produto esteja à temperatura ambiente no
momento da aplicação para otimizar sua viscosidade.
Considerações sobre o Preparo da PCL:
● Siga sempre as instruções específicas do fabricante.
● Evite diluições excessivas que não estejam recomendadas, pois podem alterar as
propriedades reológicas e a previsibilidade da duração do produto.
● Utilizar o produto imediatamente após abrir a embalagem ou adicionar lidocaína.
A Trajetória da Transformação: Entendendo a Evolução e a Longevidade dos
Resultados
Um dos aspectos mais cruciais para a satisfação do paciente em tratamentos com
bioestimuladores de colágeno é o correto entendimento sobre a linha do tempo dos
resultados, sua durabilidade esperada e a importância da manutenção a longo prazo.
Diferentemente dos preenchedores dérmicos que oferecem volume imediato, os
bioestimuladores trabalham de forma gradual, estimulando o próprio organismo a
rejuvenescer a pele de dentro para fora. Gerenciar as expectativas em relação a essa
progressão e à longevidade dos efeitos é fundamental para uma relação de confiança e
para o sucesso terapêutico. Este capítulo detalha o que esperar após a aplicação dos
bioestimuladores, quanto tempo os resultados costumam durar e como otimizar e
prolongar os benefícios alcançados.
1. A Linha do Tempo dos Resultados: Da Aplicação à Neocolagênese Madura
Os resultados da bioestimulação não são instantâneos. É um processo biológico que
requer tempo para que o novo colágeno seja produzido e maturado.
Imediatamente Após a Aplicação:
● Pode haver um leve inchaço (edema) e vermelhidão (eritema) na área tratada,
que geralmente regridem em poucos dias.
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● Com bioestimuladores que possuem um gel carreador (como CaHA e PCL),
pode- se observar um efeito de volume ou preenchimento imediato. É
importante esclarecer ao paciente que este efeito inicial se deve ao gel, que será
gradualmente absorvido em algumas semanas a meses, e não ao novo colágeno.
● Com PLLA, o volume observado logo após a aplicação é primariamente devido
ao diluente (água estéril), que é absorvido em 24-48 horas. Pode haver um
período subsequente em que o paciente não percebe grandes mudanças até que a
produção de colágeno se inicie de forma significativa.
Primeiras Semanas (2 a 4 semanas pós-aplicação):
● A resposta inflamatória inicial está em andamento, e os fibroblastos começam a
ser ativados.
● Mudanças visíveis ainda são sutis ou inexistentes para a maioria dos pacientes. É
um período de "trabalho interno" da pele.
Primeiros Resultados Visíveis (4 a 8 semanas pós-aplicação):
● A produção de novo colágeno começa a se manifestar. Os pacientes podem
começar a notar uma melhora na textura da pele, um leve aumento da firmeza e
uma aparência mais hidratada e luminosa.
● Este é geralmente o período em que se realiza a segunda sessão do tratamento,
se planejada, para potencializar o estímulo.
Resultados Progressivos (2 a 6 meses pós-aplicação):
● A neocolagênese continua e se intensifica. O novo colágeno se organiza e se
integra à matriz dérmica.
● Os pacientes observam uma melhora mais significativa na firmeza, elasticidade
e contorno da pele. Sulcos e rugas podem parecer mais suavizados devido ao
aumento da sustentação dérmica.
● O pico de produção de colágeno e, consequentemente, os resultados mais
evidentes, costumam ocorrer entre 3 e 6 meses após a última sessão de
tratamento.
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Resultados Maduros (Após 6 meses):
● O novo colágeno está mais maduro e a estrutura da pele mais fortalecida. Os
resultados atingem sua plenitude.
● A pele apresenta-se mais firme, espessa, com melhor textura e contorno.
É fundamental que o profissional explique essa linha do tempo ao paciente antes do
tratamento, para evitar ansiedade ou frustração com a ausência de resultados imediatos.
2.Durabilidade Média dos Resultados por Tipo de Bioestimulador
A longevidade dos efeitos dos bioestimuladores varia consideravelmente dependendo
do produto utilizado, do protocolo de tratamento e de fatores individuais do paciente.
Ácido Poli-L-Láctico (PLLA):
Os resultados do PLLA são conhecidos por sua longa duração. Após a conclusão do
ciclo de tratamento recomendado (geralmente 2 a 4 sessões), os efeitos podem durar até
24-25 meses, ou até mais em alguns pacientes.
A degradação das micropartículas de PLLA é lenta, e o estímulo à produção de
colágeno persiste por um longo período.
Hidroxiapatita de Cálcio (CaHA):
O efeito preenchedor inicial do gel carreador dura alguns meses.
Os resultados da bioestimulação de colágeno induzida pelas microesferas de CaHA
geralmente duram de 12 a 18 meses, podendo se estender em alguns casos.
Policaprolactona (PCL):
A grande vantagem da PCL (Ellansé®) é a previsibilidade da duração dos resultados,
que varia conforme a versão do produto escolhida:
● Ellansé®-S: Até 1 ano.
● Ellansé®-M: Até 2 anos.
● Ellansé®-L: Até 3 anos.
● Ellansé®-E: Até 4 anos.
Essa durabilidade controlada se deve ao comprimento das cadeias poliméricas das
microesferas de PCL, que se degradam de forma previsível.
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É importante ressaltar que esses são prazos médios. O processo de envelhecimento
continua, e a durabilidade pode ser influenciada por diversos fatores.
3.Fatores que Influenciam a Intensidade e a Durabilidade dos Resultados
A resposta individual à bioestimulação e a longevidade dos resultados não são
uniformes e podem ser afetadas por múltiplos fatores:
● Idade do Paciente: Pacientes mais jovens tendem a ter uma capacidade de
produção de colágeno mais robusta e podem apresentar resultados mais
expressivos e duradouros em comparação com pacientes mais idosos, cuja
capacidade regenerativa pode estar diminuída.
● Qualidade da Pele Inicial: Pacientes com pele mais saudável, bem cuidada e com
menor grau de fotoenvelhecimento podem responder melhor.
● Estilo de Vida:
o Tabagismo: Reduz significativamente a produção de colágeno e acelera sua
degradação, diminuindo a eficácia e a durabilidade dos resultados.
o Exposição Solar Excessiva e Sem Proteção: O fotoenvelhecimento contínuo
degrada o colágeno novo e o existente.
o Dieta: Uma dieta pobre em nutrientes essenciais para a síntese de colágeno
(vitamina C, proteínas, zinco, cobre) pode comprometer os resultados.
o Hidratação: A ingestão adequada de água é importante para a saúde da pele.
o Estresse Crônico e Qualidade do Sono: Podem impactar negativamente a
capacidade regenerativa do organismo.
● Genética: A predisposição genética influencia a forma como envelhecemos e
respondemos a tratamentos.
● Tipo e Quantidade de Bioestimulador Utilizado: Produtos diferentes têm
mecanismos e durações distintas. A quantidade total de produto e o número de
sessões também impactam a intensidade do estímulo.
● Técnica de Aplicação: Uma técnica de aplicação correta, na profundidade
adequada e com distribuição uniforme do produto, é crucial para otimizar os
resultados.
● Metabolismo Individual: A taxa com que cada organismo degrada as partículas
do bioestimulador e o novo colágeno pode variar.
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● Cuidados Pós-Procedimento: Seguir as orientações do profissional, como a
massagem para PLLA e os cuidados gerais com a pele, é fundamental.
● Tratamentos Combinados: A associação com outras tecnologias ou
procedimentos pode potencializar e prolongar os resultados.
4.A Importância das Sessões de Manutenção
Os bioestimuladores de colágeno não interrompem o processo de envelhecimento; eles
o modulam e ajudam a restaurar o que foi perdido. Portanto, para manter os benefícios
alcançados e continuar combatendo os sinais do envelhecimento, sessões de
manutenção são geralmente recomendadas.
Quando Realizar a Manutenção?
● A frequência das sessões de manutenção depende do tipo de bioestimulador
utilizado, da resposta individual e dos objetivos do paciente.
● PLLA: Geralmente, uma sessão de manutenção pode ser recomendada a cada 12
a 24 meses, após a conclusão do ciclo inicial.
● CaHA: Sessões de manutenção podem ser consideradas a cada 9 a 18 meses.
● PCL: A necessidade de manutenção depende da versão utilizada. Para as versões
de maior durabilidade, a manutenção pode ser menos frequente. No entanto,
mesmo com PCL-E (4 anos), o envelhecimento continua em outras áreas ou
aspectos, e tratamentos complementares podem ser necessários.
Objetivos da Manutenção:
● Prolongar os resultados obtidos no tratamento inicial.
● Continuar estimulando a produção de colágeno para combater a degradação
natural e o envelhecimento progressivo.
● Manter a qualidade, firmeza e elasticidade da pele.
● Prevenir a recorrência acentuada da flacidez e dos sulcos.
Planejamento da Manutenção: O profissional deve discutir um plano de manutenção
individualizado com o paciente, levando em consideração sua idade, estilo de vida e a
evolução dos resultados.
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5.Documentação Fotográfica da Evolução: A Prova Visual do Sucesso
Como os resultados dos bioestimuladores são graduais, a documentação fotográfica
padronizada em cada etapa do tratamento (antes, durante as sessões, e nos
acompanhamentos de 3, 6, 12 meses ou mais) é crucial.
Benefícios da Fotografia Seriada:
● Permite ao paciente e ao profissional visualizarem objetivamente as melhorias
que, por serem progressivas, podem não ser tão perceptíveis no dia a dia pelo
paciente.
● Serve como uma ferramenta poderosa para demonstrar a eficácia do tratamento e
aumentar a satisfação do paciente.
● Auxilia no planejamento de sessões de retoque ou manutenção.
● Constitui um registro legal e científico importante.
6. Gerenciamento das Expectativas do Paciente em Relação aos Resultados a
Longo Prazo
É responsabilidade do profissional educar o paciente sobre:
* A natureza progressiva e não permanente dos resultados.
* A variabilidade individual na resposta e durabilidade.
* A importância dos hábitos de vida saudáveis para otimizar e prolongar os efeitos.
* A necessidade de um plano de manutenção a longo prazo para sustentar os benefícios.
* Os bioestimuladores como parte de uma estratégia contínua de cuidados com a
pele e rejuvenescimento, e não como uma solução única e definitiva.
Ao fornecer informações claras e realistas, o profissional constrói uma relação de
confiança e parceria com o paciente, garantindo que ele compreenda e valorize a
jornada de transformação proporcionada pelos bioestimuladores de colágeno. Os
resultados, quando bem compreendidos e mantidos, podem levar a uma satisfação
duradoura e a uma melhora significativa na autoconfiança e qualidade de vida do
paciente.
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ÁREAS DE APLICAÇÃO DOS BIOESTIMULADORES: FACE
"Cada área do corpo possui características anatômicas únicas. Respeitá-
las é garantir resultados seguros e naturais."
Introdução
A escolha correta das áreas de aplicação dos bioestimuladores é determinante para a
obtenção de resultados eficazes. Cada região anatômica apresenta características
específicas em termos de espessura dérmica, quantidade de gordura subcutânea,
presença de estruturas nobres e função estética. O conhecimento profundo desses
aspectos é essencial para traçar protocolos individualizados e seguros.
Áreas faciais, região malar
A região malar é uma das principais responsáveis pela sustentação do terço médio da
face. A perda de volume nesta área contribui para a acentuação do sulco nasolabial e o
aspecto de "face cansada".
● Plano de aplicação: supraperiosteal ou subdérmico profundo.
● Objetivo: reposicionar o volume perdido, melhorar a projeção e restaurar os
vetores ascendentes.
● Técnicas indicadas: retroinjeção em leque ou vetorial.
Sulco Nasolabial
Com o envelhecimento, a perda de suporte dos compartimentos de gordura e a tração
muscular acentuam o sulco nasolabial.
● Plano de aplicação: subdérmico profundo.
● Objetivo: suavizar o sulco e reposicionar os tecidos.
● Técnicas indicadas: retroinjeção linear profunda.
Linha da Mandíbula (Jawline)
A definição da linha mandibular é um dos principais marcadores de juventude e beleza
facial.
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● Plano de aplicação: supraperiosteal para projeção óssea, subdérmico para
definição do contorno.
● Objetivo: restaurar a tensão do terço inferior e prevenir ou tratar os "jowls".
● Técnicas indicadas: retroinjeção em linha contínua ou bolus espaçados.
Mento (Queixo)
O mento tem papel fundamental na harmonia do perfil facial.
● Plano de aplicação: supraperiosteal.
● Objetivo: projeção, alongamento do terço inferior e equilíbrio facial.
● Técnicas indicadas: bolus ou retroinjeção linear.
Têmporas
O afinamento da região temporal gera um aspecto esquelético e envelhecido.
● Plano de aplicação: supraperiosteal ou subdérmico profundo.
● Objetivo: restaurar a convexidade natural.
● Técnicas indicadas: bolus ou retroinjeção em leque.
Região Periorbital
Área delicada, de pouca espessura dérmica e alto risco vascular.
● Plano de aplicação: subdérmico superficial com alta diluição (apenas em casos
selecionados).
● Objetivo: suavizar olheiras e melhorar a qualidade da pele.
● Técnicas indicadas: mínima retroinjeção com cânula 25G ou 27G.
Na região periorbital, o bioestimulador deve ser usado com extrema cautela, preferencialmente
associado a tecnologias complementares.
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Considerações Especiais
● Adequar sempre a diluição do bioestimulador à espessura da pele da região.
● Áreas de risco vascular elevado (rosto) exigem aplicação com cânula e extrema
cautela.
● Em regiões corporais, volumes maiores podem ser utilizados, sempre
respeitando a capacidade expansiva do tecido.
Dica de Consultório
"Não existe técnica universal. Cada área, cada plano, cada paciente exigem uma
abordagem individualizada para resultados verdadeiramente superiores."
PROTOCOLOS DE TRATAMENTOS COMBINADOS
"A beleza real é construída na integração inteligente de técnicas, respeitando a
individualidade de cada paciente."
Introdução
O uso isolado dos bioestimuladores de colágeno já oferece resultados notáveis no
rejuvenescimento e na melhoria da qualidade da pele. No entanto, a prática clínica
moderna reconhece que a associação de técnicas é fundamental para potencializar os
efeitos, corrigir múltiplos aspectos do envelhecimento e entregar resultados ainda mais
naturais e harmônicos.
Este capítulo detalha como estruturar protocolos combinados de bioestimuladores com
outras tecnologias e tratamentos, respeitando a fisiologia, o tempo biológico de
resposta e a segurança do paciente.
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Fundamentos da Terapia Combinada no Rejuvenescimento Facial e Corporal
O envelhecimento é um processo multifatorial que afeta diferentes camadas e estruturas
da pele e dos tecidos subjacentes. Portanto, uma abordagem monoterápica raramente
consegue endereçar todas as preocupações do paciente de forma ótima. A terapia
combinada se baseia nos seguintes princípios:
● Abordagem Multicamadas: Tratar diferentes profundidades da pele e tecidos
moles (epiderme, derme, subcutâneo, SMAS, osso) para um rejuvenescimento
tridimensional.
● Sinergia de Mecanismos de Ação: Combinar tratamentos que atuam por vias
distintas para potencializar os resultados. Por exemplo, relaxar músculos
hiperdinâmicos com toxina botulínica, restaurar volume com preenchedores e
estimular colágeno com bioestimuladores.
● Resultados Mais Abrangentes e Naturais: Ao tratar múltiplas causas do
envelhecimento, obtêm-se resultados mais harmoniosos e que respeitam a
individualidade do paciente.
● Otimização do Tempo e da Satisfação do Paciente: Em alguns casos, combinar
tratamentos pode reduzir o número total de sessões ou o tempo para alcançar os
resultados desejados.
● Personalização do Tratamento: A terapia combinada permite criar protocolos
altamente personalizados, adaptados às necessidades específicas de cada
paciente.
Associação de Bioestimuladores com Preenchedores Bioestimuladores +
Preenchedores de Ácido Hialurônico (AH): Volume, Estrutura e Qualidade da Pele
Racional da Combinação:
● Os preenchedores de AH são ideais para restaurar volume perdido de forma
imediata, preencher sulcos profundos e definir contornos.
● Os bioestimuladores promovem a neocolagênese a longo prazo, melhorando a
firmeza, a elasticidade e a qualidade geral da pele, além de poderem contribuir
para uma volumização gradual.
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● A combinação oferece o melhor dos dois mundos: resultados imediatos de
volumização e contorno com o AH, e melhora progressiva e duradoura da
qualidade da pele e da sustentação com o bioestimulador.
Técnica de Sanduíche ou Camadas (Layering): Frequentemente, o preenchedor de
AH com maior G’ (mais coesivo) é aplicado em planos mais profundos (ex:
supraperiosteal) para sustentação e projeção óssea, enquanto o bioestimulador (ex:
PLLA ou CaHA diluída) é aplicado em um plano mais superficial (subdérmico) para
estimular o colágeno e melhorar a qualidade da pele sobrejacente.
Sequenciamento:
Aplicação Simultânea (na mesma sessão): É uma prática comum. Os produtos são
aplicados em diferentes planos anatômicos na mesma área ou em áreas adjacentes.
Requer planejamento cuidadoso para evitar a mistura excessiva dos produtos ou
volumes exagerados.
Aplicação em Sessões Separadas: Pode-se aplicar o bioestimulador primeiro e, após
algumas semanas (4-8 semanas), quando o processo de neocolagênese já se iniciou,
aplicar o preenchedor de AH para refinar volumes e contornos. Ou, aplicar o
preenchedor de AH primeiro para um resultado imediato e, em seguida, o
bioestimulador para benefícios a longo prazo.
Áreas Comuns de Combinação: Região malar (AH para projeção, bioestimulador para
firmeza), sulco nasogeniano (AH para preenchimento direto, bioestimulador na
bochecha para sustentação), linha da mandíbula (AH para definição, bioestimulador
para flacidez), têmporas.
Considerações: Escolher preenchedores de AH com características reológicas
adequadas para cada área e plano de aplicação. Evitar hipercorreção.
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Associação de Bioestimuladores com Toxina Botulínica Bioestimuladores + Toxina
Botulínica: Relaxamento e Regeneração
Racional da Combinação:
● A toxina botulínica (BoNT-A) age relaxando a musculatura hiperdinâmica
responsável pelas rugas de expressão (ex: rugas da testa, glabela, pés de
galinha).
● Os bioestimuladores melhoram a qualidade da pele, a firmeza e a espessura
dérmica, tratando a flacidez e as rugas estáticas.
● A combinação permite tratar tanto as rugas dinâmicas quanto a qualidade da pele
subjacente. Além disso, o relaxamento muscular proporcionado pela BoNT-A
pode criar um ambiente mais favorável para a deposição e organização do novo
colágeno estimulado pelo bioestimulador, pois reduz o estresse mecânico sobre a
pele.
Sequenciamento:
Opção 1 (BoNT-A Antes): Aplicar a toxina botulínica cerca de 2 semanas antes da
sessão de bioestimulação. Isso permite que o efeito da toxina já esteja estabelecido,
relaxando a musculatura e facilitando a aplicação do bioestimulador em uma pele menos
tensionada. Opção 2 (Aplicação Simultânea): Alguns profissionais aplicam ambos na
mesma sessão, em áreas distintas ou até na mesma área, mas em planos diferentes.
Requer técnica apurada para evitar a difusão da toxina para áreas indesejadas ou a
interação direta dos produtos antes de sua ação.
Opção 3 (Bioestimulador Antes): Menos comum para este racional específico, mas o
bioestimulador pode ser aplicado primeiro, e a toxina em uma sessão subsequente (após
algumas semanas) para refinar as rugas dinâmicas.
Áreas Comuns de Combinação: Testa, glabela, região periorbital, terço inferior da
face (ex: para tratar bandas platismais e melhorar o contorno da mandíbula com
bioestimulador).
Considerações: Ajustar as doses da toxina botulínica e os volumes do bioestimulador
conforme a necessidade de cada área e paciente.
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Importante: A toxina reduz a tração mecânica da pele, potencializando o efeito de
firmeza promovido pelo bioestimulador.
Associação de Bioestimuladores com Tecnologias . Bioestimuladores + Tecnologias
Baseadas em Energia: Potencializando a Regeneração
Tecnologias como ultrassom microfocado (HIFU/MFU-V), radiofrequência (RF)
monopolar, bipolar, multipolar ou microagulhada (RFM), e lasers (fracionados ablativos
ou não ablativos) também promovem a remodelação e produção de colágeno através de
diferentes mecanismos (calor, microlesões).
Racional da Combinação: A associação de bioestimuladores com essas tecnologias
pode levar a um estímulo de colágeno mais intenso e abrangente, atuando em diferentes
profundidades e por diferentes vias biológicas, resultando em uma melhora mais
significativa da flacidez e da qualidade da pele.
Sequenciamento (Geralmente Controverso e Dependente da Tecnologia):
Tecnologia ANTES do Bioestimulador:
Argumento: Preparar o tecido, causando uma leve inflamação e ativando fibroblastos,
o que poderia tornar o ambiente mais receptivo ao bioestimulador. Pode ajudar a "abrir
caminho" em tecidos mais densos.
Intervalo Comum: Aplicar a tecnologia (HIFU, RF, Laser) e, após 2 a 4 semanas (ou
até mais, dependendo da intensidade da tecnologia e do tempo de recuperação da pele),
aplicar o bioestimulador.
Bioestimulador ANTES da Tecnologia:
Argumento: O bioestimulador já iniciou o processo de neocolagênese, e a tecnologia
subsequente poderia potencializar essa produção de colágeno ou atuar em sinergia.
Intervalo Comum: Aplicar o bioestimulador e, após 4 a 8 semanas (quando a produção
de colágeno já está em andamento), aplicar a tecnologia.
Cuidado: Algumas preocupações teóricas existem sobre o calor gerado por certas
tecnologias (especialmente RF e HIFU) poder, teoricamente, acelerar a degradação de
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alguns bioestimuladores se aplicados muito próximos no tempo ou no mesmo local e
profundidade. No entanto, muitos protocolos bem-sucedidos utilizam essa sequência
com intervalos adequados.
Aplicação Simultânea ou Intervalos Curtos: Geralmente não recomendado para
tecnologias que geram calor significativo no mesmo plano de aplicação do
bioestimulador, para evitar interferência na ação do produto ou aumento do risco de
efeitos adversos.
Ultrassom Microfocado (HIFU/MFU-V):
Atua causando pontos de coagulação térmica em profundidades específicas (ex: 1.5mm,
3.0mm, 4.5mm), atingindo a derme e o SMAS, promovendo lifting e tightening.
Combinação com bioestimuladores pode oferecer um resultado de lifting mais robusto e
melhora da qualidade da pele.
Radiofrequência (RF e RF Microagulhada - RFM):
● A RF gera calor na derme, estimulando a contração do colágeno existente e a
neocolagênese. A RFM combina o microagulhamento com a entrega de RF na
profundidade das agulhas, potencializando o estímulo.
● Excelente para melhorar a textura da pele, tratar rugas finas e flacidez. A
combinação com bioestimuladores pode intensificar a firmeza e a espessura
dérmica.
Lasers (Fracionados Ablativos e Não Ablativos):
● Lasers fracionados criam microzonas de dano térmico (ablativos removem
tecido, não ablativos aquecem), estimulando a regeneração e produção de
colágeno. Melhoram textura, rugas, cicatrizes e pigmentação.
● A combinação com bioestimuladores pode levar a uma renovação cutânea mais
completa.
● Considerações: O planejamento do intervalo entre os tratamentos é crucial e
deve ser individualizado. A intensidade dos parâmetros da tecnologia também
deve ser considerada. Sempre priorizar a segurança e evitar sobreposição
excessiva de estímulos inflamatórios.
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7.Planejamento de Protocolos Combinados: Sequenciamento e Intervalos Ideais
Não existe um protocolo único de combinação que sirva para todos. O planejamento
deve ser altamente individualizado, considerando:
● As queixas e objetivos específicos do paciente.
● A idade, fototipo e qualidade da pele.
● O grau de envelhecimento e as alterações anatômicas presentes.
● Os tratamentos prévios realizados.
● O orçamento e a disponibilidade de tempo do paciente.
● A experiência do profissional com cada modalidade.
Princípios Gerais para o Planejamento:
● Começar com a Base: Muitas vezes, é benéfico iniciar tratando a qualidade da
pele e a flacidez com bioestimuladores e/ou tecnologias, para depois refinar com
toxina botulínica e preenchedores.
● Respeitar os Tempos de Recuperação: Dar tempo suficiente para a pele se
recuperar entre diferentes procedimentos, especialmente se forem mais invasivos
ou inflamatórios.
● Evitar Sobrecarga Inflamatória: Não realizar múltiplos procedimentos altamente
inflamatórios na mesma área e na mesma sessão, para não aumentar o risco de
complicações.
● Priorizar a Segurança: O conhecimento da interação entre os tratamentos e dos
planos anatômicos é crucial.
● Documentação Detalhada: Registrar todo o plano de tratamento combinado,
incluindo os produtos, parâmetros, áreas e datas de cada procedimento.
Exemplos de Protocolos Combinados:
Rejuvenescimento Global Leve a Moderado (Paciente 40-50 anos):
● Mês 1: Sessão 1 de Bioestimulador (PLLA ou CaHA diluída) + Toxina
Botulínica (terço superior).
● Mês 2: Sessão 2 de Bioestimulador.
● Mês 3-4: Avaliação. Se necessário, Preenchedor de AH para áreas específicas
(ex: olheiras, sulcos) ou Sessão 3 de Bioestimulador.
● Mês 6: Considerar tecnologia (HIFU ou RFM) para potencializar firmeza.
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Tratamento de Flacidez e Perda de Contorno (Paciente 50+ anos):
● Mês 1: HIFU ou RFM (sessão 1).
● Mês 2: Sessão 1 de Bioestimulador (PLLA ou CaHA).
● Mês 3: Sessão 2 de Bioestimulador + Toxina Botulínica.
● Mês 4: Sessão 2 de HIFU/RFM ou Sessão 3 de Bioestimulador.
● Mês 5-6: Avaliação. Preenchedores de AH para volumização e contorno, se
necessário. Fios de PDO de tração podem ser considerados.
A terapia combinada é uma abordagem sofisticada que exige um profundo
entendimento de cada modalidade terapêutica e de como elas interagem. Ao orquestrar
cuidadosamente diferentes tratamentos, o profissional pode oferecer aos seus pacientes
resultados de rejuvenescimento verdadeiramente transformadores, que vão além do que
qualquer técnica isolada poderia alcançar.
Considerações de Segurança
● Respeitar os tempos biológicos: inflamação → regeneração → remodelação.
● Não aplicar bioestimuladores imediatamente após tecnologias muito ablativas.
● Avaliar a necessidade de espaçamento entre procedimentos conforme a resposta
individual.
● Sempre monitorar a evolução clínica nas semanas seguintes à aplicação.
A excelência está no respeito à fisiologia da pele e na sinergia inteligente dos
tratamentos.
Dica de Consultório
"O protocolo mais poderoso é aquele que respeita o tempo de cada tecido.
Pacientes que entendem o processo, confiam mais e permanecem com você."
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COMPLICAÇÕES E INTERCORRÊNCIAS
NOS TRATAMENTOS COM
BIOESTIMULADORES
"A segurança do paciente está acima de qualquer resultado estético. Antecipar,
diagnosticar e agir corretamente é obrigação de todo profissional ético."
Introdução
Embora os bioestimuladores de colágeno sejam considerados produtos seguros,
biocompatíveis e eficazes, como qualquer procedimento médico-estético, sua aplicação
não é isenta de riscos.
Compreender profundamente as possíveis complicações, reconhecer sinais precoces e
aplicar protocolos de manejo adequados é essencial para garantir a segurança e
preservar os resultados.
Neste capítulo, abordaremos:
● Complicações imediatas, precoces e tardias
● Diagnóstico diferencial de intercorrências
● Condutas clínicas para cada tipo de complicação
● Estratégias de prevenção
Classificação das Complicações
Tempo de Manifestação Exemplos de Complicações
Imediatas (minutos a Edema, eritema, dor, hematomas, fenômenos vasculares
horas) (isquemia)
Precoces (dias a semanas) Infecções, formação de nódulos, assimetrias
Tardias (meses a anos) Granulomas, hipercorreções, biofilmes, fibroses
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Complicações Imediatas A maioria dos efeitos adversos após a aplicação de
bioestimuladores é leve, localizada, autolimitada e relacionada à própria natureza do
procedimento injetável e à resposta inflamatória inicial induzida pelo produto. É crucial
informar o paciente sobre esses efeitos esperados durante o processo de consentimento
informado.
Dor ou Desconforto no Local da Injeção:
● Causa: Trauma da agulha/cânula, distensão tecidual pelo volume injetado,
resposta inflamatória inicial.
● Prevenção/Manejo: Uso de anestesia tópica, anestesia local infiltrativa ou
bloqueios nervosos; adição de lidocaína ao produto; técnica de injeção suave;
resfriamento da pele (crioterapia) antes e após; analgésicos simples
(paracetamol) se necessário. Geralmente melhora em poucas horas a dias.
Edema (Inchaço):
● Causa: Resposta inflamatória ao produto e ao trauma da injeção; volume do
diluente (especialmente com PLLA).
● Prevenção/Manejo: Técnica atraumática (uso de cânulas); aplicação de
compressas frias nas primeiras 24-48 horas; elevação da cabeça ao dormir; evitar
atividades físicas intensas e calor excessivo nas primeiras 24-48 horas. O edema
geralmente é leve a moderado e resolve em 2 a 7 dias. Edema mais persistente
pode requerer avaliação.
Eritema (Vermelhidão):
● Causa: Resposta inflamatória local, vasodilatação.
● Prevenção/Manejo: Geralmente leve e transitório, resolvendo em poucas horas a
1-2 dias. Compressas frias podem ajudar. Evitar produtos irritantes na pele após
o procedimento.
Hematomas (Equimoses):
● Causa: Lesão de pequenos vasos sanguíneos durante a passagem da agulha ou
cânula.
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● Prevenção: Conhecimento anatômico das zonas de risco vascular; uso de cânulas
de ponta romba; evitar medicamentos que aumentam o sangramento (AAS,
AINEs, anticoagulantes – suspender com orientação médica, se possível);
técnica de injeção cuidadosa; compressão imediata do ponto de sangramento.
Aplicação de arnica tópica ou Hirudoid® pode acelerar a resolução.
● Manejo: Compressas frias nas primeiras 24-48 horas, seguidas de compressas
mornas (para aumentar a circulação e absorção). Maquiagem corretiva pode ser
usada após 24 horas. Hematomas geralmente resolvem em 7 a 14 dias.
Sensibilidade ou Dor à Palpação:
● Causa: Inflamação local.
● Manejo: Geralmente melhora espontaneamente em poucos dias. Analgésicos
simples se necessário.
Pápulas ou Pequenas Irregularidades Transitórias:
● Causa: Deposição superficial do produto, pequenas coleções de produto antes da
dispersão.
● Prevenção/Manejo: Técnica de injeção adequada (profundidade correta);
massagem pós-aplicação (especialmente crucial para PLLA); hidratação da pele.
Geralmente resolvem espontaneamente ou com massagem em poucos dias a
semanas. Se persistirem, avaliar a necessidade de intervenção.
Complicações Precoces: Estas complicações, embora não tão frequentes quanto os
efeitos adversos transitórios, requerem maior atenção e, por vezes, intervenção
específica.
Nódulos e Granulomas:
Definição:
● Nódulos Precoces (Não Inflamatórios): Geralmente palpáveis, mas não visíveis,
podem surgir nas primeiras semanas. Frequentemente resultam da concentração
excessiva de produto, reconstituição inadequada (grumos de PLLA), ou técnica
de injeção superficial. Podem ser assintomáticos ou levemente sensíveis.
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● Nódulos Tardios (Inflamatórios/Granulomas): Surgem meses ou até anos após a
aplicação. São uma resposta inflamatória crônica do tipo corpo estranho. Podem
ser visíveis, palpáveis, dolorosos e eritematosos. Mais comuns com PLLA se
não houver preparo e massagem adequados, mas podem ocorrer com qualquer
bioestimulador.
Causas/Fatores de Risco:
● PLLA: Reconstituição inadequada (pouca diluição, tempo de hidratação
insuficiente, presença de grumos), técnica de injeção (bolus grandes, injeção
muito superficial), falta de massagem pós-procedimento, infecção subclínica,
predisposição individual.
● CaHA/PCL: Injeção muito superficial, grandes volumes em um único ponto,
aplicação em áreas de muita mobilidade ou pele fina (lábios, pálpebras – onde
não são recomendados).
Prevenção:
● PLLA: Reconstituição meticulosa (volume correto de diluente, tempo de
hidratação adequado, agitação correta para evitar grumos), técnica de aplicação
em leque ou linear em planos adequados, evitar bolus, massagem pós-aplicação
rigorosa (regra dos "5x5x5").
● CaHA/PCL: Respeitar os planos de injeção recomendados, evitar superinjeção,
não aplicar em áreas contraindicadas.
Assepsia rigorosa para evitar
infecções. Manejo de Nódulos:
● Nódulos Precoces (PLLA): Massagem vigorosa e frequente pode ajudar a
dispersar. Injeção intralesional de soro fisiológico para tentar diluir. Se
persistirem, pequenas doses de corticoide intralesional (ex: triancinolona
acetonida 2,5-5 mg/mL) podem ser consideradas com cautela (risco de atrofia).
● Nódulos Inflamatórios/Granulomas: Abordagem multifatorial. Corticoides
intralesionais (triancinolona 5-10 mg/mL, com cuidado para não causar atrofia)
são a primeira linha. Injeções seriadas podem ser necessárias. Antibióticos (ex:
minociclina, doxiciclina) podem ser usados se houver suspeita de componente
infeccioso ou por suas propriedades anti-inflamatórias. Injeção de 5-fluorouracil
(5-FU) intralesional, isolado ou combinado com corticoide, pode ser eficaz para
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granulomas mais resistentes. Em casos raros e refratários, a excisão cirúrgica
pode ser considerada, mas deve ser a última opção devido ao risco de cicatrizes.
Infecção:
● Causa: Quebra da barreira cutânea e contaminação bacteriana durante o
procedimento.
● Sinais: Eritema, calor, dor, edema persistente ou crescente, pústulas, secreção
purulenta, febre (em casos mais graves).
● Prevenção: Assepsia e antissepsia rigorosas da pele do paciente e dos materiais;
técnica estéril; evitar tratar pacientes com infecções ativas em outras partes do
corpo.
● Manejo: Suspeitar de infecção se houver inflamação atípica ou persistente.
Coleta de material para cultura e antibiograma, se possível. Iniciar
antibioticoterapia empírica de amplo espectro (cobertura para Gram-positivos,
incluindo MRSA, e Gram-negativos) e ajustar conforme resultado da cultura.
Drenagem de abscessos, se presentes. Acompanhamento rigoroso.
Reações Alérgicas ou de Hipersensibilidade:
● Causa: Raras com os bioestimuladores atuais, que são biocompatíveis. Mais
provável a componentes do anestésico tópico ou da lidocaína adicionada.
● Sinais: Urticária, angioedema, prurido intenso, eritema difuso. Em casos graves
(anafilaxia), dispneia, hipotensão.
● Prevenção: Anamnese cuidadosa sobre alergias prévias.
● Manejo: Interromper a aplicação. Anti-histamínicos orais ou injetáveis.
Corticoides sistêmicos em casos mais intensos. Para anafilaxia, seguir protocolo
de emergência (adrenalina, etc.).
Hiperpigmentação Pós-Inflamatória (HPI):
● Causa: Produção excessiva de melanina em resposta à inflamação ou trauma da
injeção, especialmente em fototipos mais altos (III a VI).
● Prevenção: Técnica atraumática, minimizar inflamação, fotoproteção rigorosa
antes e após o procedimento.
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● Manejo: Clareadores tópicos (hidroquinona, ácido azelaico, ácido kójico,
retinoides), peelings químicos, lasers específicos para pigmento. Paciência, pois
a resolução pode ser lenta.
Despigmentação ou Atrofia Cutânea:
● Causa: Raro. Pode ocorrer com injeções repetidas ou em altas concentrações de
corticoides intralesionais para tratamento de nódulos.
● Prevenção/Manejo: Usar corticoides intralesionais com extrema cautela, em
baixas concentrações e volumes. A atrofia pode ser parcialmente revertida com
suspensão do corticoide, microinjeções de soro fisiológico ou, em alguns casos,
preenchedores de ácido hialurônico muito fluidos.
Complicações Vasculares: A Emergência que Exige Prontidão
As complicações vasculares são as mais temidas devido ao seu potencial de causar
danos teciduais permanentes, incluindo necrose e, em casos extremos, cegueira. Embora
raras com bioestimuladores (mais associadas a preenchedores particulados densos), o
risco existe, especialmente se a técnica for inadequada.
Oclusão Vascular (Embolia ou Compressão):
● Causa: Injeção intravascular direta do produto (embolia) ou compressão de um
vaso pelo volume do produto injetado adjacente a ele, levando à isquemia do
território irrigado por esse vaso.
Sinais Precoces (Durante ou Logo Após a Injeção):
● Dor súbita e intensa, desproporcional ao esperado.
● Palidez imediata da pele na área correspondente ao vaso afetado (branqueamento).
● Aparecimento de livedo reticular (aspecto rendilhado, violáceo) na pele.
● Alterações visuais (visão turva, perda de visão, diplopia) se houver
comprometimento da artéria oftálmica ou seus ramos (emergência médica
absoluta!).
● Sinais Tardios (Horas a Dias): Pele escura, violácea, com formação de bolhas e
posterior necrose (crosta escura).
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Prevenção (Crucial!):
● Conhecimento Anatômico Profundo: Mapeamento mental das artérias faciais e
suas profundidades.
● Uso de Cânulas de Ponta Romba: Reduzem drasticamente o risco de injeção
intravascular.
● Técnica de Injeção Lenta e com Baixa Pressão.
● Aspiração Antes de Injetar (Controverso, mas ainda recomendado por muitos):
Embora uma aspiração negativa não garanta 100% de segurança (pode haver
falso negativo), uma aspiração positiva (sangue na seringa) indica que se deve
reposicionar a agulha/cânula.
● Injetar Pequenos Volumes por Ponto.
● Evitar Áreas de Alto Risco (Glabela, Nariz, Região Periorbital) com Agulhas:**
Se for tratar, usar cânulas e extrema cautela.
● Observação Constante da Pele Durante a Injeção.
Manejo Imediato da Suspeita de Oclusão Vascular (Protocolo de Emergência):
1. PARAR A INJEÇÃO IMEDIATAMENTE.
2. MASSAGEAR VIGOROSAMENTE A ÁREA: Para tentar deslocar o
êmbolo ou aliviar a compressão.
3. APLICAR CALOR ÚMIDO E MORNO: Para promover vasodilatação.
4. ADMINISTRAR AAS (Ácido Acetilsalicílico): 300-500 mg oral (se não
houver contraindicação) para efeito antiplaquetário.
5. HIALURONIDASE (Mesmo para Bioestimuladores): Embora os
bioestimuladores não sejam degradados pela hialuronidase, sua aplicação em altas doses
na área afetada pode ajudar a dissolver o ácido hialurônico endógeno, reduzir o edema
tecidual, diminuir a pressão intravascular e melhorar o fluxo sanguíneo. Injetar
generosamente na área isquêmica e ao longo do trajeto do vaso suspeito. Doses de 300 a
1500 UI podem ser necessárias, repetidas se preciso.
6. NITROGLICERINA TÓPICA 2% (Pasta ou Pomada): Aplicar na área para
promover vasodilatação (cuidado com hipotensão).
7. CONSIDERAR SILDENAFIL ORAL (25-50mg): Para vasodilatação
sistêmica (avaliar contraindicações).
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8. OXIGENOTERAPIA HIPERBÁRICA (OHB): Se disponível e o
diagnóstico for confirmado, a OHB pode ajudar a oxigenar os tecidos isquêmicos e
promover a cicatrização. Encaminhar o mais rápido possível.
9. ACOMPANHAMENTO INTENSIVO: Monitorar a evolução da área por
horas e dias. Pode ser necessário desbridamento de tecido necrótico tardiamente.
10. ENCAMINHAMENTO URGENTE A OFTALMOLOGISTA: Se houver
qualquer sintoma visual, o encaminhamento deve ser imediato e prioritário. Algumas
manobras (massagem ocular, redução da pressão intraocular) podem ser tentadas, mas o
prognóstico para perda visual por embolia da artéria central da retina é reservado.
Complicações tardias
Granuloma
● Causa: Resposta imunológica exagerada crônica à presença de partículas.
● Característica:
o Formação de nódulos duros, dolorosos ou nã
o Podem aparecer meses ou anos após a aplicação
● Tratamento:
o Injeções intralesionais de corticosteroides
o Uso de imunomoduladores em casos graves (ex: metotrexato)
o Cirurgia de excisão em casos refratários
A formação de granulomas é rara, mas pode estar associada a biofilmes
bacterianos silenciosos.
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Biofilmes
Causa: Infecção bacteriana crônica encapsulada em matriz polissacarídica.
Sinais:
● Nódulos firmes, dolorosos, não responsivos à antibioticoterapia comum
● Pode simular reação imunológica
Tratamento:
● Terapia prolongada com antibióticos específicos
● Eventual necessidade de cirurgia para remoção
Fibrose Excessiva
Causa: Estímulo de colágeno além do desejado, formação de fibroses densas.
Conduta:
● Massagem intensa e fisioterapia manual
● Liberação subcutânea por agulhamento (subcision)
● Laser fracionado ablativo
Estratégias de Prevenção de Complicações
● Treinamento e Capacitação: conhecimento profundo de anatomia, técnicas de
aplicação e farmacologia dos bioestimuladores.
● Técnica Asséptica: rigor absoluto no preparo do campo e dos instrumentos.
● Escolha da Cânula Adequada: cânulas flexíveis e calibrosas reduzem risco
vascular.
● Aspiração Lenta: sempre aspirar antes da injeção para
detectar posicionamento intravascular.
● Diluição Correta: respeitar as indicações de diluição de cada produto.
● Respeito aos Volumes: evitar sobrecorreções.
● Orientação do Paciente: informar sobre sinais de alerta
e cuidados pós-procedimento.
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Dica de Consultório
"Profissionais seguros não são aqueles que nunca enfrentam
complicações, mas sim os que sabem reconhecer, agir e conduzir seus
pacientes com ética, responsabilidade e excelência clínica."
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS E RESULTADOS CLÍNICOS COM
BIOESTIMULADORES
"A prática clínica de excelência precisa caminhar lado a lado com a ciência."
Introdução
Os bioestimuladores de colágeno revolucionaram a medicina estética ao oferecer
resultados duradouros, naturais e cientificamente embasados.
Este capítulo apresenta uma revisão das principais evidências científicas sobre a
eficácia, segurança e satisfação dos pacientes tratados com bioestimuladores, além de
exemplos visuais documentados de resultados clínicos.
Evidências Científicas Atuais
Os bioestimuladores, como o ácido poli-L-láctico (PLLA), a hidroxiapatita de cálcio
(CaHA) e a policaprolactona (PCL), têm sido amplamente estudados em ensaios
clínicos e revisões sistemáticas:
Produto Principais Estudos Conclusões
PLLA Cadaveric and Clinical Estímulo consistente de colágeno tipo I após 3
Studies, American Journal of meses, manutenção dos resultados por até 2
Cosmetic Surgery anos.
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CaHA Dermatologic Surgery, Journal Melhora da firmeza dérmica e definição de
of Drugs in Dermatology contornos faciais com efeitos observáveis em 1
mês e durabilidade de até 18 meses.
PCL Clinical, Produção progressiva de colágeno com efeito
Cosmeti lifting moderado, resultados mantidos por até
c and 24 meses.
Investigational Dermatology
Resultados Clínicos Documentados
1.Bioestimuladores na Região Malar
Estudo demonstrou aumento de 27% na densidade de colágeno dérmico 6 meses após
aplicação de CaHA em região malar.
Referência: Yutskovskaya Y, et al. A randomized, split-face, histomorphologic study
comparing a volumetric calcium hydroxylapatite and a hyaluronic acid-based dermal
filler. J Drugs Dermatol. 2014;13(9):1047-1052.
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2.Tratamento de flacidez corporal
Bioestimuladores em áreas off-face, como abdômen e glúteos, mostraram melhora
significativa na textura e firmeza da pele em 84% dos pacientes tratados.
Referência: Casabona G, Pereira G. Microfocused Ultrasound with Visualization and
Calcium Hydroxylapatite for Improving Skin Laxity and Cellulite Appearance. Plast
Reconstr Surg Glob Open. 2017;5(7):e1388.
3.Redefinição da Linha Mandibular (Jawline)
Aplicação de CaHA ou PLLA na mandíbula redefiniu os contornos faciais em 92% dos
casos avaliados 12 meses após o tratamento.
Referência: Goldie K, et al. Global Consensus Guidelines for the Injection of Diluted
and Hyperdiluted Calcium Hydroxylapatite for Skin Tightening. Dermatol Surg.
2018;44(S1):S32-S41.
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Satisfação dos Pacientes
De acordo com estudos de coorte analisados:
● 95% dos pacientes reportaram melhora significativa na aparência da pele.
● 92% disseram que se submeteriam novamente ao tratamento.
● 89% relataram aumento da autoestima e satisfação com a imagem pessoal.
"Não é apenas sobre rejuvenescer a pele, é sobre restaurar a confiança."
Referência: Fabi SG, et al. Combining microfocused ultrasound with botulinum toxin
and temporary and semi-permanent dermal fillers: safety and current use. Dermatol
Surg. 2016;42(Suppl 2):S168-S176.
(Imagens meramente ilustrativas, baseadas em resultados típicos documentados em literatura científica.)
Considerações Finais
Os bioestimuladores de colágeno apresentam forte embasamento científico para sua
eficácia e segurança.
Seu uso criterioso, com protocolos baseados em evidências e avaliação individualizada,
garante resultados previsíveis e altamente satisfatórios.
A ciência estética avança — e o bioestimulador é, sem dúvida, uma das maiores
conquistas para quem deseja restaurar não apenas a estrutura da pele, mas também a
autoestima e o brilho do olhar.
Dica de Consultório
"Cientificamente embasado, tecnicamente aplicado e
humanamente entregue: essa é a fórmula do sucesso duradouro."
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O FUTURO DOS BIOESTIMULADORES: NOVAS TECNOLOGIAS
E PESQUISAS PROMISSORAS
"O futuro da estética é regenerativo. Mais do que preencher, vamos reconstruir."
Introdução
O campo dos bioestimuladores de colágeno é um dos que mais crescem dentro da
medicina estética regenerativa.
O futuro aponta para produtos cada vez mais inteligentes, seguros e multifuncionais
capazes de não apenas restaurar volume ou firmeza, mas de reprogramar a biologia da
pele de maneira duradoura.
Este capítulo explora as novas tendências, pesquisas em andamento e tecnologias
emergentes que moldarão a próxima geração de bioestimuladores.
Tendências Emergentes
1.Bioestimuladores Multifuncionais
Os novos bioestimuladores estão sendo projetados para:
● Estimular colágeno tipo I, III e elastina simultaneamente;
● Modular a resposta inflamatória (ação pró-resolução controlada);
● Liberar fatores de crescimento de forma programada (nanotecnologia).
Isso significa tratamentos mais eficazes, com recuperação mais rápida e menor risco de
complicações.
Tecnologias de Liberação Controlada
Estudos já exploram sistemas de bioestimuladores com:
● Microcápsulas biodegradáveis que liberam o agente ativo gradativamente;
● Hidrogéis inteligentes que se adaptam ao ambiente tecidual, liberando
substâncias de acordo com o pH ou estímulo mecânico local.
Essas tecnologias permitirão menos sessões e resultados ainda mais naturais e duradouros.
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2.Bioestimuladores Personalizados
O futuro inclui:
● Formulações personalizadas conforme o tipo de pele, idade biológica,
densidade dérmica e genética do paciente.
● Avaliações com biópsias digitais ou testes de colágeno via imagem 3D para
calibrar a aplicação.
Estamos nos aproximando da era da estética de precisão, onde cada tratamento será
absolutamente único.
3.Associação com Células-Tronco e Fatores de Crescimento
Pesquisas em andamento exploram:
● Bioestimuladores carregados com exossomos (vesículas liberadas por células-
tronco) para promover rejuvenescimento acelerado;
● Composição híbrida de bioestimuladores com fatores de
crescimento recombinantes, otimizando a regeneração celular.
Essa linha de estudos abre espaço para reverter processos de envelhecimento de forma
mais profunda e natural.
Pesquisas Promissoras
📚 Resultados Recentes:
● Estudos preliminares com bioestimuladores enriquecidos com colágeno
recombinante humano mostram aumento de até 40% na densidade dérmica em
90 dias .
● Pesquisas de delivery por microagulhamento associado a microesferas bioativas
revelam potencial de regeneração dérmica completa em menos de 6 meses .
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Bioestimuladores Corporais de Próxima Geração
Novos bioestimuladores corporais estão sendo desenvolvidos com maior poder
expansivo, capazes de tratar:
● Flacidez severa de grandes áreas (abdômen, coxas, braços)
● Lipodistrofias localizadas
● Celulite grau III/IV
Com protocolos menos invasivos e menos dependentes de volume de produto,
prometem ampliar ainda mais as indicações dos bioestimuladores no corpo inteiro.
Inteligência Artificial na Estética Regenerativa
O futuro próximo trará plataformas de IA que:
● Avaliam a pele e o envelhecimento facial com precisão milimétrica;
● Sugerem protocolos de bioestimulação baseados em bancos de dados globais de
sucesso;
● Acompanham a evolução do paciente ao longo dos meses, ajustando as
estratégias em tempo real.
A união da tecnologia da informação com a biotecnologia estética permitirá tratamentos
cada vez mais personalizados e assertivos.
Considerações Finais
Estamos apenas no começo de uma nova era da medicina estética — uma era baseada
não apenas em aparência, mas em regeneração profunda, natural e personalizada.
O profissional que dominar a ciência dos bioestimuladores e acompanhar suas
evoluções será capaz de oferecer não apenas rejuvenescimento, mas qualidade de vida,
autoestima e transformação real aos seus pacientes.
"O futuro não pertence apenas a quem inova, mas a quem entende
profundamente a ciência e sabe aplicá-la com humanidade."
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Dica de Consultório
"A evolução é constante. Atualizar-se, estudar e adaptar-se é o que transforma
um profissional comum em referência."
ANESTESIA E CONTROLE DA DOR EM
PROCEDIMENTOS COM BIOESTIMULADORES
"Minimizar a dor é maximizar a experiência positiva do paciente."
Introdução
O conforto do paciente é um fator crítico no sucesso de qualquer procedimento estético.
Em tratamentos com bioestimuladores de colágeno — especialmente em áreas amplas
ou de maior sensibilidade — o manejo eficaz da dor contribui não apenas para a
satisfação imediata, mas também para a confiança e a adesão aos protocolos de
manutenção.
Neste capítulo, vamos abordar de forma completa as opções de anestesia, controle da
dor, protocolos práticos e medidas de segurança.
Tipos de Anestesia em Bioestimuladores
Existem diferentes métodos de anestesia que podem ser utilizados, dependendo:
● Da região tratada
● Da técnica aplicada (agulha ou cânula)
● Da preferência e sensibilidade do paciente
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1.Anestesia Tópica
● Descrição: Aplicação de cremes anestésicos locais (ex: lidocaína 4% a 7%,
prilocaína) sobre a pele.
● Indicação: Procedimentos superficiais, áreas de sensibilidade moderada (malar,
mandíbula).
● Tempo de Ação: Deixar agir de 20 a 40 minutos antes do procedimento.
Vantagens:
● Prático, não invasivo
● Boa aceitação pelos pacientes
Limitações:
● Eficácia reduzida em aplicações muito profundas ou corporais extensas.
2.Anestesia Infiltrativa
● Descrição: Infiltração subcutânea ou dérmica de anestésico (geralmente
lidocaína 1% sem vasoconstrictor) diretamente nos pontos de entrada.
● Indicação: Procedimentos com cânula ou agulha em áreas mais sensíveis ou de
grande volume (glúteos, abdômen, mandíbula).
● Técnica: Infiltrar pequena quantidade (0,1–0,2 ml) nos pontos de acesso da
cânula.
Vantagens:
● Bloqueio local mais eficaz
● Reduz dor durante o trajeto da cânula
Limitações:
● Pode provocar discreto edema transitório que dificulta a visualização da anatomia.
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3.Bloqueios Nervosos Regionais
● Descrição: Anestesia de nervos específicos para procedimentos em grandes
regiões da face.
● Exemplos de bloqueios:
○ Nervo infraorbitário (região malar e lábio superior)
○ Nervo mentual (lábio inferior e queixo)
○ Nervo supraorbitário (testa e glabela)
Indicação: Procedimentos extensos ou para pacientes extremamente sensíveis.
Técnica:
● Utilizar agulha fina (30G) para infiltrar pequena quantidade de lidocaína no
forame de emergência do nervo.
Vantagens:
● Excelente conforto para áreas amplas
● Mantém o plano anatômico intacto
Atenção: Técnica que requer domínio anatômico preciso.
4.Métodos Complementares de Controle da Dor
● Crioterapia (Gelo): Aplicação de gelo local antes e durante o procedimento
para redução da dor e edema.
● Dispositivos Vibratórios: Pequenos aparelhos vibratórios colocados próximos
ao local da aplicação que diminuem a percepção da dor por competição neural
(Gate Control Theory).
● Distração Sensorial: Música ambiente, técnicas de relaxamento e diálogo
positivo para diminuir ansiedade e sensibilidade à dor.
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Protocolos de Anestesia por Área
Área Tratada Método Preferencial Observações
Região malar Creme anestésico + gelo Infiltração se alta sensibilidade
Mandíbula Creme + infiltração no ponto de Opcional: bloqueio do
entrada nervo mentual
Têmpora Creme anestésico Cuidados com
vascularização superficial
Glúteos Infiltração em múltiplos pontos Necessário maior volume
anestésico
Abdômen e Infiltração linear Associar crioterapia para conforto
braços
Cuidados com Anestésicos
● Dose máxima: Atentar-se para as doses limites de lidocaína (sem
vasoconstrictor: 4,5 mg/kg).
● Contraindicações:
○ Alergia documentada a anestésicos locais
○ Condições cardíacas graves
● Precauções:
○ Sempre aspirar antes da injeção do anestésico para evitar injeção
intravascular
○ Monitorar sinais vitais em pacientes de risco
Importância do Controle da Dor
● Aumenta a aceitação dos procedimentos
● Reduz reações de ansiedade e movimentos involuntários
● Melhora a percepção de cuidado e profissionalismo
● Favorece melhores resultados clínicos
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"Um paciente confortável é um paciente confiante, e a confiança é o início de uma
jornada estética duradoura."
Dica de Consultório
"Cada paciente sente a dor de forma única. Ouvir, entender e personalizar o
protocolo anestésico é demonstrar respeito e cuidado verdadeiro."
MARKETING, ÉTICA E GESTÃO DE PACIENTES NA ESTÉTICA
"O sucesso em estética vai além da técnica: nasce da confiança, do respeito e da
excelência na experiência do paciente."
Introdução
O domínio técnico é indispensável, mas não suficiente para prosperar no mercado da
estética. A construção de uma carreira sólida exige também visão estratégica: saber se
comunicar, orientar com ética, precificar corretamente, fidelizar e encantar os
pacientes.
Este capítulo é dedicado a transformar o profissional técnico em um verdadeiro gestor
da sua prática clínica estética — baseado em princípios éticos, científicos e de
excelência no atendimento.
Além da Técnica: Construindo uma Prática de Sucesso e Sustentável em Medicina
Estética Regenerativa
A excelência na aplicação de bioestimuladores de colágeno é apenas uma faceta do
sucesso na medicina estética. Para construir uma prática próspera, respeitada e
sustentável, o profissional precisa dominar também os aspectos de marketing ético,
precificação estratégica, gestão eficiente da clínica e, fundamentalmente, o
relacionamento com o paciente. Em um mercado cada vez mais competitivo e com
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pacientes mais informados, a capacidade de comunicar valor, construir confiança e
gerenciar a prática com profissionalismo é tão crucial quanto a habilidade técnica. Este
capítulo final aborda as considerações essenciais para o marketing responsável dos
tratamentos com bioestimuladores, estratégias para uma precificação justa e rentável,
dicas para a gestão da clínica e a importância da educação continuada e do networking
profissional, capacitando o profissional a não apenas realizar procedimentos
excepcionais, mas também a cultivar uma carreira de sucesso e impacto positivo.
1.Marketing Ético e Responsável na Era Digital
Promover serviços de medicina estética, especialmente procedimentos como a
bioestimulação de colágeno, exige uma abordagem ética e transparente, focada na
educação do paciente e não em promessas exageradas.
Princípios do Marketing Ético:
● Veracidade e Transparência: Fornecer informações precisas sobre os
bioestimuladores, seus mecanismos de ação, resultados esperados (graduais e
variáveis), durabilidade, riscos e custos. Evitar linguagem enganosa ou que crie
expectativas irreais.
● Foco na Educação do Paciente: Utilizar o marketing como uma ferramenta para
educar o público sobre o envelhecimento da pele, a importância do colágeno e
como os bioestimuladores podem ajudar. Conteúdo informativo (posts de blog,
vídeos, e-books) é mais valioso do que publicidade agressiva.
● Respeito à Autonomia do Paciente: O marketing deve informar, não coagir. O
paciente deve ter liberdade para tomar decisões informadas sem pressão.
● Privacidade e Confidencialidade: Respeitar a privacidade dos pacientes em todas
as comunicações de marketing. Obter consentimento explícito para uso de
imagens de antes e depois.
● Conformidade Regulatória: Seguir as diretrizes dos conselhos profissionais e
órgãos regulatórios sobre publicidade médica (ex: restrições ao uso de "antes e
depois" em alguns países/regiões, proibições de promessas de resultados
garantidos).
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Estratégias de Marketing Digital Eficazes:
● Website Profissional e Informativo: Deve ser o hub central da presença online,
com informações detalhadas sobre os tratamentos, o profissional, a clínica, e um
blog com conteúdo educativo.
● Marketing de Conteúdo: Criação e distribuição de conteúdo relevante e valioso
(artigos, vídeos, infográficos) que responda às dúvidas e necessidades dos
potenciais pacientes.
● SEO (Search Engine Optimization): Otimizar o site e o conteúdo para que sejam
facilmente encontrados em motores de busca (Google) quando as pessoas
procurarem por termos como "bioestimuladores de colágeno", "tratamento para
flacidez", etc.
● Redes Sociais: Utilizar plataformas como Instagram, Facebook e LinkedIn para
compartilhar conteúdo educativo, mostrar a expertise do profissional (sem expor
pacientes indevidamente), e interagir com a audiência. Foco na qualidade e na
informação, não apenas na autopromoção.
● E-mail Marketing: Construir uma lista de e-mails (com consentimento) para
enviar newsletters com novidades, dicas de cuidados com a pele e informações
sobre tratamentos.
● Depoimentos e Avaliações (Com Ética): Incentivar pacientes satisfeitos a
deixarem avaliações em plataformas como Google Meu Negócio ou Doctoralia.
Depoimentos em vídeo (com consentimento) podem ser poderosos.
● Uso Responsável de Imagens "Antes e Depois": Se permitido e com
consentimento explícito, usar imagens padronizadas (mesma iluminação,
ângulo, expressão) que demonstrem resultados realistas. Evitar edições
excessivas.
Evitar Práticas Antiéticas:
● Promessas de resultados garantidos ou milagrosos.
● Comparação depreciativa com outros profissionais ou técnicas.
● Uso de táticas de pressão ou ofertas com tempo limitado que induzam a decisões
apressadas.
● Publicidade baseada apenas em preço, desvalorizando a qualidade e a segurança.
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2.Precificação Estratégica dos Tratamentos com Bioestimuladores
Definir o preço dos tratamentos com bioestimuladores requer uma análise cuidadosa de
custos, valor percebido, concorrência e objetivos de rentabilidade.
Componentes de Custo a Considerar:
● Custo do Produto: Valor dos frascos/seringas de PLLA, CaHA, PCL, fios de PDO.
● Materiais Descartáveis: Agulhas, cânulas, luvas, gazes, antissépticos,
anestésicos tópicos, diluentes, etc.
● Tempo do Profissional: Considerar o tempo dedicado à consulta, planejamento,
aplicação do produto e acompanhamento. O valor da hora/expertise do
profissional.
● Custos Operacionais da Clínica: Aluguel, salários da equipe, contas de água, luz,
internet, software de gestão, seguros, marketing, impostos, etc. (estes custos
devem ser rateados entre todos os procedimentos).
● Investimento em Formação e Equipamentos: Custos de cursos, congressos,
compra de dispositivos (se usados em combinação).
Estratégias de Precificação:
● Precificação por Seringa/Frasco: Comum para preenchedores e
bioestimuladores. O paciente paga pelo volume de produto utilizado. É
transparente, mas pode não refletir totalmente a complexidade do tratamento em
diferentes áreas.
● Precificação por Área Tratada: Definir um preço para tratar uma área específica
(ex: terço médio da face, glúteos), considerando o volume médio de produto
necessário e a complexidade.
● Precificação por Sessão (dentro de um Pacote): Para tratamentos que requerem
múltiplas sessões (como PLLA), oferecer um pacote com um preço total para o
ciclo de tratamento pode ser atraente e incentivar a adesão.
● Precificação Baseada em Valor: Focar no valor e nos resultados que o tratamento
proporciona ao paciente, e não apenas nos custos. Isso requer uma excelente
comunicação dos benefícios e diferenciais do profissional/clínica.
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Fatores a Influenciar a Precificação:
● Experiência e Reputação do Profissional: Profissionais mais experientes e
renomados podem comandar preços mais altos.
● Localização da Clínica: Custos operacionais e poder aquisitivo do público
variam por região.
● Nível de Serviço e Ambiente da Clínica: Uma clínica com instalações premium
e atendimento diferenciado pode justificar preços mais elevados.
● Concorrência: Analisar os preços praticados por outros profissionais
qualificados na mesma região, mas não se basear apenas nisso. Diferenciar-se
pela qualidade e valor.
Comunicação da Precificação ao Paciente:
● Ser transparente sobre os custos envolvidos e o que está incluído no preço
(consultas, produto, acompanhamento).
● Apresentar um plano de tratamento detalhado com o orçamento antes de iniciar
qualquer procedimento.
● Oferecer opções de pagamento, se possível (parcelamento, financiamento
através de parceiros).
● Evitar "surpresas" na conta. A confiança é fundamental.
3.Gestão Eficiente da Clínica e da Experiência do Paciente
Uma gestão organizada é a espinha dorsal de uma prática bem-sucedida.
Agendamento e Fluxo de Pacientes:
● Utilizar um software de gestão de clínica para otimizar o agendamento, reduzir o
tempo de espera e evitar sobrecargas.
● Confirmar consultas para minimizar não comparecimentos.
● Planejar tempo suficiente para cada consulta e procedimento, permitindo uma
interação de qualidade com o paciente.
Gestão de Estoque:
● Manter um controle rigoroso do estoque de bioestimuladores e outros materiais
para evitar falta de produtos ou perdas por validade.
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Negociar com fornecedores para obter melhores condições de compra.
Prontuários Eletrônicos Detalhados:
● Registrar todas as informações do paciente, histórico médico, consentimentos
informados, detalhes do tratamento (produto, lote, volume, técnica, áreas),
fotografias padronizadas, evolução e acompanhamento.
● Garantir a segurança e a confidencialidade dos dados (LGPD/GDPR).
Equipe Treinada e Engajada:
● Recepcionistas, assistentes e outros membros da equipe devem ser bem
treinados, cordiais e eficientes, contribuindo para uma experiência positiva do
paciente desde o primeiro contato.
● Promover um ambiente de trabalho positivo e colaborativo.
Criação de uma Experiência Memorável para o Paciente:
● Ambiente da Clínica: Acolhedor, limpo, confortável e profissional.
● Atendimento Personalizado: Chamar o paciente pelo nome, ouvir atentamente
suas preocupações, demonstrar empatia.
● Comunicação Clara e Contínua: Explicar cada etapa do processo, fornecer
materiais educativos, estar disponível para tirar dúvidas.
● Acompanhamento Pós-Procedimento: Um contato telefônico ou mensagem
alguns dias após o procedimento para saber como o paciente está se sentindo
pode fazer uma grande diferença.
● Pequenos Detalhes: Um café, uma água aromatizada, uma amostra de produto de
skincare, um cartão de agradecimento.
4.Educação Continuada e Networking Profissional
A medicina estética é um campo em constante evolução. O aprendizado contínuo é
indispensável.
● Participação em Congressos, Workshops e Cursos: Manter-se atualizado sobre
novas técnicas, produtos, pesquisas e tecnologias.
● Leitura de Publicações Científicas: Acompanhar os principais periódicos da área.
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● Treinamentos com Especialistas (Hands-on): Aprimorar habilidades práticas e
aprender com profissionais experientes.
Networking com Colegas:
● Trocar experiências, discutir casos clínicos (respeitando a confidencialidade),
aprender com os desafios e sucessos de outros profissionais.
● Participar de sociedades médicas e grupos de estudo.
● O networking pode levar a parcerias, indicações e oportunidades
de desenvolvimento profissional.
Acompanhar a Evolução Regulatória e Ética: Estar ciente das mudanças nas
legislações e diretrizes éticas que afetam a prática.
5.O Legado de uma Prática Regenerativa: Foco no Bem-Estar Integral
Trabalhar com bioestimuladores de colágeno vai além de simplesmente injetar um
produto. É sobre promover a saúde da pele, restaurar a confiança e contribuir para o
bem- estar geral do paciente. Uma prática que combina excelência técnica com ética,
empatia e uma gestão profissional não apenas prospera financeiramente, mas também
constrói um legado de cuidado e transformação positiva na vida das pessoas. Ao abraçar
a educação continuada, a inovação responsável e um foco genuíno no paciente, o
profissional de medicina estética regenerativa se posiciona na vanguarda de um campo
que tem o poder de rejuvenescer não apenas a pele, mas também a autoestima e a
alegria de viver.
Este livro buscou oferecer um guia abrangente e profundo sobre o universo dos
bioestimuladores de colágeno. Esperamos que ele sirva como uma ferramenta valiosa
para a sua jornada profissional, inspirando uma prática baseada no conhecimento, na
habilidade e, acima de tudo, no compromisso com a excelência e o cuidado ao paciente.
O futuro da medicina estética é regenerativo, e você faz parte dele.
Dica de Consultório
"O paciente que confia em você e sente-se valorizado será seu maior
divulgador. Cuide de cada atendimento como se fosse o único — porque
para ele, é."
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MATERIAIS, EQUIPAMENTOS E BIOSSEGURANÇA
EM PROCEDIMENTOS COM BIOESTIMULADORES
"A estética responsável começa pela biossegurança e pela preparação de um
ambiente ético, limpo e eficiente."
Introdução
A aplicação de bioestimuladores de colágeno exige não apenas conhecimento técnico e
domínio anatômico, mas também uma estrutura adequada de trabalho, com materiais
corretos, equipamentos bem conservados e protocolos rigorosos de biossegurança.
Neste capítulo, apresentamos um guia completo para organizar seu consultório ou sala
de procedimentos de forma funcional, segura e de acordo com as normas de boas
práticas clínicas.
Materiais Essenciais para Procedimentos com Bioestimuladores
Abaixo, a lista básica de materiais utilizados rotineiramente:
Materiais de Aplicação
● Bioestimulador de colágeno (PLLA, CaHA, PCL, etc.)
● Soro fisiológico 0,9% estéril (para reconstituição ou diluição)
● Lidocaína 1% sem vasoconstritor (quando indicada)
● Agulhas 18G (para aspiração do produto)
● Cânulas 22G, 25G ou 27G (dependendo da área tratada)
● Agulhas 30G (para infiltração anestésica ou bloqueios)
● Seringas de 1 ml, 3 ml e 5 ml (com Luer Lock)
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Materiais Auxiliares
● Campo cirúrgico estéril
● Luvas de procedimento e luvas estéreis
● Máscara cirúrgica e avental descartável
● Touca descartável
● Gaze estéril
● Compressas de algodão
● Clorexidina degermante e alcoólica
● Caneta cirúrgica estéril (para marcações)
● Bandeja de aço inox ou suporte para materiais
Equipamentos Complementares
● Geladeira própria para armazenar anestésicos e diluentes
● Autoclave (ou acesso a esterilização segura dos instrumentais)
● Termômetro infravermelho (para controle de intercorrências)
● Cronômetro ou relógio visível (para controle de tempo de reconstituição)
● Lupa de aumento ou headlight com iluminação dirigida
● Lixeira com pedal e tampa
● Caixa de perfurocortantes (norma ANVISA)
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Equipamentos de Proteção Individual (EPI)
De acordo com a NR 32 e as diretrizes da ANVISA, o profissional deve utilizar:
● Máscara cirúrgica ou PFF2 (N95) em ambientes fechados
● Luvas de procedimento (e estéreis, quando indicado)
● Avental impermeável descartável
● Touca descartável
● Óculos de proteção (opcional, mas recomendado)
"O EPI protege o profissional, o paciente e a reputação da clínica."
Protocolo de Biossegurança antes do atendimento
● Higienização rigorosa da bancada e superfícies com clorexidina ou hipoclorito
● Separação dos materiais em bandeja estéril
● Lavagem correta das mãos e antissepsia do campo
● Conferência do produto (validade, lote, integridade)
Durante o Atendimento
● Uso contínuo de EPI
● Evitar toques em superfícies não estéreis durante o procedimento
● Descarte imediato de materiais usados no recipiente adequado
Após o Atendimento
● Descarte de agulhas em caixa de perfurocortante
● Lixo contaminado em saco branco leitoso com símbolo de risco biológico
● Limpeza da bancada e piso com desinfetante de nível hospitalar
● Reposição e organização dos materiais para o próximo atendimento
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Checklists Operacionais
Checklists pré-procedimento:
● Verificar agenda e prontuário do paciente (confirmar dados clínicos e anamnese
atualizada).
● Confirmar o termo de consentimento informado e assinado.
● Conferir lote, validade e integridade do produto bioestimulador.
● Separar e organizar materiais estéreis em bandeja cirúrgica.
● Realizar higienização do ambiente com desinfetante hospitalar.
● Lavar as mãos com técnica adequada de antissepsia.
● Vestir EPIs completos (máscara, luvas, avental, touca).
● Avaliar área anatômica a ser tratada (inspeção de pele, vascularização, marcas
anatômicas).
● Realizar marcações anatômicas na pele limpa.
● Fotografar o paciente (visão frontal, perfil direito, perfil esquerdo).
● Checar a disponibilidade de kit de emergência (antihistamínicos, corticoides,
cânula de oxigênio, etc.).
Checklists pós-procedimento:
● Fotografar resultado imediato (mesmos ângulos iniciais).
● Aplicar compressas frias nas áreas tratadas (se indicado).
● Reforçar verbalmente as orientações pós-procedimento ao paciente.
● Entregar as orientações escritas (físico ou digitalizado).
● Atualizar ficha clínica com detalhes da técnica, produto utilizado e lote.
● Descartar materiais perfurocortantes em caixa apropriada (norma ANVISA).
● Descartar resíduos contaminados em saco branco leitoso.
● Higienizar bancada, maca e equipamentos utilizados com desinfetante hospitalar.
● Repor e reorganizar materiais no consultório para o próximo atendimento.
● Agendar retorno para reavaliação (geralmente entre 30 a 60 dias).
● Arquivar fotos e evolução clínica em prontuário seguro.
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Organização do Consultório
● Manter os insumos de uso frequente à vista e os de reserva organizados em
armários fechados
● Identificar todas as gavetas e bandejas
● Garantir boa iluminação e temperatura agradável
● Dispor de espaço para recepção e privacidade no pós-atendimento
"Ambiente limpo, organizado e bem equipado transmite
confiança e profissionalismo antes mesmo da primeira
aplicação."
Dica de Consultório
"Um ambiente bem preparado é o espelho da sua conduta clínica. Ele diz ao
paciente que você está pronto para cuidar dele com ciência e segurança."
GLOSSÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS
"Compreender a linguagem técnica é dominar a ciência."
Anamnese
Processo de entrevista clínica para levantamento do histórico médico e estético do
paciente.
Aspiração
Ato de puxar o êmbolo da seringa antes da aplicação para verificar se a agulha/cânula
está em vaso sanguíneo.
Bioestimulador de Colágeno
Substância que estimula a produção natural de colágeno na pele através de reação
inflamatória controlada.
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Cânula
Instrumento de ponta romba utilizado para aplicação de bioestimuladores de maneira
mais segura, minimizando o risco vascular.
Colágeno Tipo I
Principal tipo de colágeno na pele adulta, responsável pela firmeza e estrutura dérmica.
Diluição
Processo de adição de diluentes estéreis (como soro fisiológico) ao bioestimulador para
ajustar a concentração e fluidez.
Fibroblastos
Células da derme responsáveis pela produção de colágeno, elastina e matriz extracelular.
Glabela
Área anatômica entre as sobrancelhas.
Macrófagos
Células do sistema imune que participam da resposta inflamatória e induzem a
regeneração tecidual.
Matriz Extracelular
Rede estrutural composta por colágeno, elastina e outras proteínas que sustentam as
células da pele.
Periósteo
Membrana que reveste os ossos da face, usada como plano profundo de aplicação.
Retroinjeção
Técnica de aplicação em que o produto é depositado enquanto a cânula é retirada do
tecido.
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Supraperiosteal
Plano de aplicação diretamente acima do osso.
Vetorização
Estratégia de aplicação que respeita às linhas naturais de sustentação do rosto.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E
LEITURAS COMPLEMENTARES
"Estudar continuamente é o caminho da verdadeira maestria."
Principais Artigos e Estudos Utilizados
● Cadaveric and Clinical Studies on PLLA, American Journal of Cosmetic Surgery
● Eficácia da Hidroxiapatita de Cálcio, Dermatologic Surgery
● Policaprolactona na Estimulação de Colágeno, Clinical, Cosmetic and
Investigational Dermatology
● Anatomia Aplicada à Estética, Research Society and Development, 2023
● Bioestimuladores de Colágeno na Prática Clínica, Facial Class
● Diretrizes de Biossegurança, ANVISA - RDC nº 222/2018
Leituras Complementares Recomendadas
● "Gray's Anatomia para Estudantes", edição ilustrada
● "Anatomia Estética: Envelhecimento, Planejamento e Procedimentos" –
Dr. Mauricio de Maio
● "Compêndio de Toxina Botulínica e Preenchimento" – Dr. André Brasil
● "Medicina Estética Regenerativa" – Dr. Woffles Wu
"Este livro é apenas o começo. A jornada da excelência é contínua e infinita."