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resumo juizado civel

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JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS[1] Evanna Soares SUMÁRIO: INTRODUÇÃO. 2 COMPETÊNCIA. 3 PROCEDIMENTO.4 SENTENÇA. 5 SISTEMA. RECURSAL 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.

REFERÊNCIAS. RESUMO Os juizados especiais cíveis, dotados da incumbência de conciliar, julgar e executar as causas de menor complexidade, têm sede na Constituição da República, e, seguindo os princípios da oralidade, informalidade, economia processual e celeridade, cumprem a missão de abrir as portas do Poder Judiciário às pessoas mais carentes, atendendo a uma demanda reprimida, mediante a oferta de um processo rápido, econômico e simples

1 INTRODUÇÃO O direito processual civil, impelido pelo olho crítico do processualista contemporâneo - preocupado em ver no processo não somente uma técnica para fazer atuar o direito material, mas, principalmente, um instrumento destinado a propiciar o bem comum - vem passando por ondas renovatórias[2], deflagradas em 1965. A primeira onda voltou-se para a prestação da assistência judiciária aos necessitados; a segunda para a tutela coletiva, e a terceira, vivida presentemente, traz em si a reforma legislativa com vistas à simplificação ou deformalização do processo e do procedimento, ao aprimoramento da qualidade dos julgamentos e ao oferecimento da tutela efetiva. Entre as medidas simplificadoras encontra-se a instituição dos juizados especiais cíveis e criminais, no caso brasileiro determinada pela própria Carta Federal de 1988, que, no art. 98, I, incumbiu a União (no Distrito Federal e nos Territórios) e os Estados de criarem os Ajuizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e de infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau@. Existia, antes mesmo da Constituição da República de 1988, a Lei n o 7.244, de 1984, conhecida Lei dos Juizados Especiais de Pequenas Causas, que, aliás, diante do sucesso obtido nos Estados que implantaram tais órgãos, inspirou o constituinte de 1988[3]. Veio ao mundo jurídico, então, a Lei no 9.099, de 26/9/1995, para, cumprindo o comando constitucional, regulamentar tais juizados no âmbito da Justiça Ordinária, isto é, da Justiça comum estadual e do Distrito Federal, e que se acha em vigor desde 27/11/1995.

da submissão dos jurisdicionados ao juizado especial cível. representada pelas questões de pequena expressão monetária. de 12/7/2001. sim. de sorte que defende a obrigatoriedade da sua adoção[7]. achando-se instalada vara do juizado especial federal no foro. oralidade. tais a competência. honorários de advogado. por sua vez. Luis Felipe SALOMÃO. não tinham acesso à Justiça. 2o. Em outras palavras: os juizados especiais não vieram para retirar causas das varas comuns. 31. Há-de se interpretar . 6o. que determina que a opção pelos procedimento regido por tal lei significará renúncia ao crédito que exceder dos quarenta salários mínimos. o autor deve a ele recorrer ou tem a faculdade de optar pela vara cível comum? Joel Dias FIGUEIRA JÚNIOR[6] entende que tal competência é relativa e. sim. 12 e 13. aplicando-se. para abrir as portas do Judiciário às pessoas mais simples. ou não. ressalvado aquilo que conflitar com o novel texto legal. Para a boa aplicação do procedimento submetido aos juizados especiais não deve a Lei n o 9.259/2001. a Lei no 9. celeridade e busca da conciliação ou transação. eles vieram para atender a uma litigiosidade reprimida [5]. simplicidade. antes. sua competência é absoluta. o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil. mas. no art. especialmente pela camada mais humilde da população@. mas. que dele estavam alijadas.Recentemente. o procedimento adotado. a sentença e o sistema recursal. tituladas pelos cidadãos de parcos recursos financeiros. seus princípios orientadores. e achando-se instalado dito órgão. que. subsidiariamente. através das varas cíveis. informalidade.099/1995 ser interpretada isoladamente. da Lei no 9. ressaltando suas particularidades e vantagens para prestação jurisdicional. etc. '31. e encontram-se nos arts. com previsão de entrar em vigor em 13/01/2002.099/1995. o procedimento aplicado pelos juizados especiais cíveis é facultativo. em cotejo com o Código de Processo Civil. a qual instituiu os juizados especiais cíveis e criminais no âmbito da Justiça Federal comum. mas a Lei n1 10. economia processual. Objetiva-se neste estudo analisar os principais aspectos dos juizados especiais cíveis que os distinguem dos demais órgãos responsáveis pela aplicação do direito processual civil comum. conseqüentemente. Em outras palavras: uma vez enquadrada a causa em um dos ítens fundamentadores da competência desse juizado. criando-se um verdadeiro Amicrossistema processual@[4]. 5o. de modo a integrá-la.099/1995. salienta que os juizados especiais têm sede constitucional e que a parte não pode dispor ou escolher o processo. isto é. A maior evidência dessa conclusão encontrarse-ia no art. bem como a competência de natureza absoluta. A Aidéia-matriz@ dos juizados especiais consiste da Afacilitação do acesso à Justiça pelo cidadão comum.259. da Lei n1 9. conforme vem demonstrando a experiência.099/1995. editou-se a Lei no 10.) e as deficiências do sistema de assistência judiciária. mesmo porque. 2 COMPETÊNCIA O primeiro aspecto que merece ser posto em relevo consiste da obrigatoriedade. 31. O debate sobre o assunto não se apaziguou. Os juizados especiais não foram instituídos com a pretensão de desafogar o Judiciário. afirma que. considerados os obstáculos econômicos (despesas com custas processuais. '31.

a competência não se expira. porém. consideram-se causas de menor complexidade. ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico e causados em acidente de veículo terrestre. a critério do autor. ser encaminhadas à vara cível comum. compete aos juizados especiais cíveis a conciliação.099: estaria revogado o procedimento sumário para as causas descritas no art. isto é. cessará a competência do juizado[8]. qualquer que seja o valor. do que sobejar. o julgamento e a execução de causas de menor complexidade. De conformidade com o primeiro critério (ratione valoris). 24. da Lei n1 9. isto é. Há quem entenda que tais causas não estão limitadas ao teto máximo de quarenta salários mínimos. e não de que as causas de valor até quarenta salários mínimos. da Lei n1 8. opta pelo juizado. do CPC? Uma parte da celeuma tende a perder o sentido quando for aprovado o projeto de lei n1 03476/2000.art. orientando-a pelos critérios do valor e da matéria. da Lei n1 9. preenchidos os demais requisitos para serem dirimidas pelos juizados especiais cíveis. Tem suscitado dúvidas e acirrados debates o conteúdo do art. e entende que. I e II. 275. poderiam. aquelas que não exigem delongas probatórias. abrindo mão. art.099). . ou seja. cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio.quiçá temendo que eles se inviabilizem diante do assoberbamento de causas para eles encaminhadas. II. submetem-se à competência dos juizados referenciados as causas descritas no art. as de valor não excedente a quarenta vezes o salário mínimo. e o juizado especial cível continua a processar. e se acham abarcadas por tais juizados as causas mencionadas no item II do art. A interpretação que se apresenta mais adequada é aquela que considera relativa a competência apenas para as causas cujo valor ultrapassaria os quarenta salários mínimos. II. '11. eis que o valor consignado no seu item I (vinte salários mínimo) é inferior ao previsto para os juizados especiais cíveis. da Lei n1 9.099/1995. trata da competência de tais juizados. que versem sobre arrendamento rural e parceria agrícola. em razão da pessoa e do lugar. DINAMARCO. 3o e 4o. 98. nos arts. 275. ressalvado o disposto em legislação especial (tais os honorários advocatícios que podem ser cobrados nos mesmos autos da ação em que tiver atuado . nos casos de pedido que envolvam prestações sucessivas.099/1995. excetuadas as ações relativas ao estado e à capacidade das pessoas. discorda dessa assertiva. mas que o autor. uma vez configurada sua competência. Como dito.099.906/1994). 275 do CPC. tentar conciliar ou julgar o feito ( perpetuatio jurisdiciones). e. segundo a Constituição da República vigente. I. do CPC. indiscutivelmente. com o que não concordam os que atuam nos Estados de maior movimento nos juizados .no mesmo sentido a competência dos juizados especiais cíveis da Justiça Ordinária submetidos à Lei n1 9. aquelas. A Lei no 9. É esse o sentido da expressão Aopção@ contida no '31 do art. por exemplo. cobrança de seguro pertinente aos danos causados em acidente de veículo e cobrança de honorários dos profissionais liberais. Segundo a matéria (art. em tal hipótese ou mesmo nos casos de pedido sucessivo em que o valor venha a ultrapassar o referido valor. 31. ainda. 31. 31. quando ele ingressa no juizado. Esse valor é apurado conforme a vantagem econômica discutida ou reivindicada pelo autor no momento da propositura da ação. por conveniência própria. para agasalhar a tese da compulsoriedade de submissão da parte aos referidos juizados. Se tal montante se elevar no curso do processo.

a entrar em vigor dia 13/01/2002. considera de menor complexidade. 275. e eleva o valor do procedimento sumário para quarenta vezes o montante do salário mínimo. mas excluídos pelo 81.as quais. 31. 31. e. II. de regra. os requisitos para aplicação do rito sumário regido pelo art.assim como a estes não competem. para aquele foro. interpretando. as causar de valor até sessenta salários mínimos.art. no art. ou ao procedimento (tal a necessidade de produção de prova complexa). II. de sorte a também atenderem a tal demanda. maiores de dezoito anos de idade (e. Compete aos juizados especiais cíveis.099) . bem como as pertinentes a acidentes do trabalho.099. nos maiores centros urbanos.099). há-de se concluir que aquele rito não foi extinto ou esvaziado. mais recentemente. 275 do CPC.099).isto para preservar a competência dos juizados especiais. entre as causas submetidas aos juizados cíveis. a resíduos. as microempresas de pequeno porte.). no que tange aos condomínios residenciais pessoas jurídicas formais . mostrando-se mais acertado procurar melhorar e ampliar os serviços dos juizados. consignação em pagamento. do CPC. combinado com o art. se passou-se a admitir no pólo ativo as microempresas. desde que titulados por pessoas físicas não cessionários de direitos de pessoa jurídica (art. da Lei n1 9. III e IV. competem também aos juizados especiais cíveis a ação de despejo para uso próprio e as ações possessórias cujo valor não ultrapassar quarenta salários mínimos. letra b. Isso significa que as ações de despejo fundadas em outro motivo. 275. se há a referência expressa ao art. '21.259) têm legitimidade ativa nos juizados especiais cíveis. nos juizados federais . da Lei n1 9. alimentar.por exemplo). escapam da competência dos referidos juizados . Mas nova disparidade se avizinha. II. a execução de seus julgados (título executivo judicial) e os títulos executivos extrajudiciais cujo valor não ultrapasse quarenta salários mínimos. se os condomínios são pessoas jurídicas meramente formais. I. e que será observado nas causas que. 31.que dá nova redação ao art. com a interpretação legal. Prosseguindo-se com a competência em razão da matéria. Algumas observações mostram-se pertinentes. outrossim.para figurar como autores. da Lei n1 9. tendo em vista que somente as pessoas físicas. A dificuldade que se apresenta para a eliminação da aparente contradição ou antinomia de tais dispositivos tem muito mais a ver com a preocupação de não sobrecarregar os juizados especiais cíveis com as ações de cobrança de taxas condominiais . não há razão para se alijar tais condomínios. estado e capacidade das pessoas. 81. e os que definem a competência dos juizados especiais cíveis. 275. b. Ora. do CPC. ou no tocante à matéria. não são admitidas nos juizados especiais cíveis as causas de natureza falimentar. etc.do que. do CPC. harmonicamente. para serem submetidas ao crivo dos juizados especiais cíveis. I.sociedade anônima . No entanto. ainda que de cunho . fiscal e do interesse da Fazenda Pública. propriamente. como vem acorrendo nos Estados menos populosos.099. da Lei n1 9. como a qualidade da parte autora (uma pessoa jurídica . outrossim. tal não possa ser implementado considerada a não satisfação de algum outro requisito pertinente à pessoa. representariam em torno de trinta por cento do movimento forense de tais juizados . tal a falta de pagamento de aluguéis. admitidos pelo art. as ações dotadas de rito especial (depósito. 31. da Lei no 10. ''11 e 21. embora preencham os requisitos quanto ao valor máximo admitido. que recebem ações apenas de pessoas físicas maiores de dezoito anos de idade (art. Ainda de conformidade com o critério da matéria (art. ratione personae. 6o. da Lei n1 9. pois a Lei dos Juizados Especiais Federais. Acaput@.

Faltando réu.desde que tal não leve a dilação probatória . produção de prova oral admitidas. se ausente o autor. agência. III.e proferida a sentença[10]. Detecta-se. datilografadas. '31. no máximo. incide a revelia e é proferida a sentença. que. 13. recebe a pena de revelia. Detectam-se no processo de conhecimento as seguintes fases: postulatória. O reconhecimento da incompetência territorial do juizado. Ausente o autor. Constatada a incompetência pelos demais critérios. a apresentação de parecer técnico e a inspeção de pessoas ou coisas . tem vez a fase instrutória. diferentemente do processo comum. comparecendo autor e réu. quanto à competência territorial. ainda. Presentes. igualmente. de regra. E a parte terá que buscar a vara cível comum. mas sim à extinção do processo sem exame do mérito (art. 51. em cuja audiência. ambas as partes. É no procedimento que são postos em prática aqueles princípios regedores dos juizados especiais referidos linhas atrás. logo. a coerência do sistema. da mesma Lei). como ocorre no procedimento ordinário). não induz à declinação da competência. que somente os considerados essenciais são registrados. não podem ser objeto de transação . porém. Por fim. podendo o autor optar pelo local onde aquele exerça atividades profissionais ou econômicas ou tenha estabelecimento. a preocupação maior se dá com a concentração dos atos do procedimento[9]. à extinção sem julgamento do mérito (art. extingue-se o processo. cumulada com o momento decisório. sendo certo que os elementos principais devem ficar consignados nos autos. II. Releva observar que. tentará deles obter um acordo ou o compromisso diante do juízo arbitral. perante o juizado. para que compareça à sessão de conciliação (e não para contestar. eventual exceção de impedimento ou suspeição. Prevalece. Passa-se. taquigrafadas ou estenotipadas. 3 PROCEDIMENTO Os juizados especiais cíveis contemplam dois procedimentos: o pertinente ao processo de conhecimento e o de execução. conforme art. a Lei n1 9. em si. ausente o réu. então. em qualquer hipótese. 41): o do domicílio do réu. até mesmo para que . para solução da causa. em notas manuscritas. No primeiro caso. em que o autor apresenta sua demanda. ao cartório do juizado. no entanto. é feita pela via postal. duas vezes. isso equivale à impossibilidade de adoção do procedimento cometido ao juizado. por escrito ou oralmente. 51. imediatamente ou prazo de dez dias. levando. resumidamente. para defesa de seus interesses. da Lei n1 9.patrimonial. quanto à documentação dos atos processuais. nesse ato são tomadas a contestação. presentes.099. o do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita ou o do domicílio do autor ou do lugar do ato ou fato quando se tratar de ação de reparação de qualquer natureza. de sorte que as partes tenham de comparecer. Segue-se a citação do réu. as partes e frustradas as tentativas de conciliação. em que o conciliador.099 adota três critérios (art. O dia-a-dia forense tem levado os juizados a procurarem pela melhor forma de documentação. sobrevindo a sentença. filial.099). sucursal ou escritório. no particular. mais complexidade para deslinde e. da Lei n1 9. à fase conciliatória. o autor pode optar pelo foro do domicílio do réu e suas extensões.um dos aspectos mais importantes dos juizados especiais. em alguns casos. ante a presunção de que tais causas trazem. extingue-se o processo.

da Lei n1 9.099. imediata execução. e não pelo art.099.099). na mesma audiência em prolatada. para que o ato se realize. a quinzena é freqüentemente ultrapassada. o juiz lhe dará. na hipótese de interposição de recurso. IX). mediante simples pedido verbal do credor. imediatamente. Interessa ressaltar que tal contraposição deve preencher requisitos. notadamente o da celeridade processual. que o pedido se rege pelo art. inspirado no art. preferencialmente. instando-se o vencido a cumpri-la logo após o trânsito em julgado considerada a possibilidade de imposição de multa diária pelo atraso da satisfação das obrigações de entregar. Como defesa do réu admitem-se no procedimento dos juizados especiais cíveis a contestação e as exceções de impedimento e suspeição. arbitramento dessa multa diária para forçar a satisfação da obrigação. Embora não tenha cabimento a reconvenção. 52 da Lei n1 9. também segue o rito do CPC e as adaptações da Lei n1 9. validamente. que poderá ser aclarada em audiência. o procedimento da execução de título judicial. A execução de título extrajudicial. Existe. que seja fundado nos mesmos fatos constitutivos do objeto da controvérsia e que sejam observadas as exigências contidas no art. que deve ser observado o prazo mínimo de dez dias entre a citação e tal sessão. A particularidade está em perfeita sintonia com os princípios orientadores dos juizados. com as alterações preconizadas no art. DINAMARCO[11]. formulação por quem também tenha capacidade para figurar como autor nos juizados. os cálculos devem ser feitos pelo contador judicial. isto é. com destaque para o seguinte: exige-se sentença líquida. entende que bastam vinte e quatro horas. limitada a quarenta salários mínimos.possam ser reapreciados pela segunda instância. dentro da principiologia dos juizados referenciados. ao credor ou terceira pessoa idônea. 31 da Lei n1 9. delegação dos atos de expropriação ao devedor. No que pertine à presença do advogado.099) e as nulidades somente serão decretadas quando insanáveis. as quais visam a adequá-lo às particularidades dos juizados especializados. O princípio basilar dos juizados especiais cíveis é o da instrumentalidade da formas (arts. mesmo porque pode ser formulado pessoalmente pelo interessado.099 . 31 da Lei n1 9. Outro aspecto interessante no procedimento dos juizados especiais cíveis repousa na inadmissibilidade da intervenção de terceiros e de assistência. prevê-se o pedido contraposto (art. dispensa da publicação de editais de alienação de bens de pequeno valor. O efeito prático disso é que não se cogita de Ainépcia@ da petição inicial. Entre a data da citação e a realização da sessão de conciliação não pode ser ultrapassado o prazo de quinze dias (art. também. o defensor. 14 da Lei n1 9. 282 do CPC. ressalvados aqueles juizados especiais bem coordenados ou com baixíssimo movimento. após o trânsito em julgado. realização da intimação da sentença condenatória. Cumpre ressaltar. visto que tais intervenções e o exagerado número de partes contribuem para a renovação da fase postulatória e conseqüente demora do processo. Há quem defenda. 12 e 13. se a parte não dispuser de um. limitação da matéria versada nos embargos à execução (art. exceto o litisconsórcio necessário ou o facultativo. dispensada nova citação. 192 do CPC.099. Mas nem sempre o ideal do legislador é realizável na prática e.099). 52. e. 16 da Lei n1 9. por analogia do procedimento sumário. fazer ou não fazer. prepondera o entendimento de que só é obrigatória na audiência de instrução e julgamento (não na de conciliação). que deve ser o mesmo previsto no CPC. desde que formado quando da propositura da ação.

acima mencionadas. ultrapassando as conhecidas e. que serão julgados. apesar dos cuidados do legislador. tal qual no procedimento comum. 4 SENTENÇA O procedimento do juizado especial cível comporta: a sentença de extinção do feito (sem exame do mérito). propriamente dita. submetendo-a. antes de se pronunciar. como exige a Constituição. parágrafo único. o relatório é despiciendo quando na própria sentença forem consignados os fatos relevantes ocorridos na audiência. 38 e seguintes. nas hipóteses descritas no art.preocupação maior dos juizados especiais . e dispositivo. a sentença homologatória de acordo ou de laudo arbitral (art. A execução perante os juizados não se suspende quando não forem encontrados bens do devedor. ainda que o pedido tenha sido genérico (art. 26. por escrito ou oralmente. determinar a realização de atos probatórios indispensáveis. da Lei sob comento). notadamente a previsão de acordo para parcelamento do débito. A boa técnica recomenda. no entanto. seguindo-se. que pode homologá-la. A liquidez é de fundamental importância para a rapidez da fase executiva. de condenação ao pagamento de custas processuais . ressalvada a litigância de má-fé. imediatamente. a dação em pagamento ou a adjudicação do bem penhorado. simplificação dos atos de expropriação. 93. IX. 51 da Lei n1 9. Observa-se que. e art. que. nos juizados especiais cíveis. proferir outra em substituição. constem da sentença o pedido do autor e a resposta do réu. Observa Luis Felipe SALOMÃO que os juizados especiais também trazem uma nova concepção formal da sentença. intermináveis liquidações. dispensado o relatório@ e liquidez na condenação por quantia certa. resumidamente. Isso significa que a sentença deve ter fundamentação. que. ainda encontra fortes obstáculos quando se depara com os maus pagadores e devedores insolventes. Não há previsão.logo após a penhora. preferência pela dação em pagamento ou adjudicação do bem penhorado. com preferência sobre a hasta pública. em cuja audiência o devedor poderá opor embargos. que deslinda a questão trazida ao juizado (arts. da citada Lei). Evidentemente. 40 da Lei n1 9. e imposição de multa para forçar o cumprimento das obrigações de fazer ou não fazer. no art. com breve resumo dos fatos relevantes ocorridos em audiência.099 determina que o juiz leigo que dirigiu a instrução profira sua decisão. 38 e parágrafo. 791.099. ainda. fixando o ponto controvertido. aguardará o momento para formular novo pedido ou recorrerá à vara comum em que será possível a citação por edital. a execução. isso porque somente com a presença do executado se poderá praticar os indispensáveis atos tendentes à conciliação no juizado. conforme lhe convier. ou. então. tem requisitos simplificados: Aos elementos de convicção do juiz. III). ressalvando-se a inserção de uma fase conciliatória . 22. notadamente quando dispensa o relatório e exige que ela seja sempre líquida[12]. ou quando o próprio devedor não for encontrado: ela deve ser extinta e entregues os documentos ao credor. não raramente. A sentença. ao juiz togado. como ocorre no rito do CPC (art. no caso. da referida Lei) e a sentença de mérito. naturalmente. O art. em harmonia com os princípios regedores dos juizados especiais.

arcará com tais encargos calculados sobre o valor da condenação ou valor corrigido da causa. por exemplo). Dois aspectos. os honorários advocatícios e a multa arbitrada para compelir o devedor a satisfazer a obrigação de fazer ou não fazer. Conseqüentemente. finalmente. Para quem defende a tese de que as causas submetidas aos juizados pelo critério material (art. tais os juros. Importante observar. Devem ser examinados. a correção monetária. mormente se nele interferem os acréscimos verificados após a prolação do Adecisum@. somente poderá ser exigida até esse limite. A sentença homologatória de acordo. de modo que a sentença expresse o sentimento do magistrado diante do que lhe foi apresentado. da Lei n1 9. II e III. não se computando o que for acrescido. 467 do CPC[14]. e. exceto nos casos de perempção. 31 da Lei referenciada. os pressupostos subjetivos (quanto ao juiz e às partes). pode ser renovado. sem se preocupar com os rigores da imparcialidade. em caso de recurso. como assessórios ou multa. 31. ou apenas para aquele. ou logo após. valerá além do teto legal. que o processo extinto sem julgamento do mérito. quando for dirimido o mérito. considerados os critérios de valor e da matéria.099) estão livres do teto de quarenta salários mínimos. sim. Para a corrente contrária. feita a partir do próprio texto da lei. é ineficaz. O primeiro refere-se a saber se o limite se aplica a todas as causas admitidas no art. quanto à liberdade que a Lei n1 9. a sentença fará coisa julgada material. se não lograr êxito na turma recursal.e honorários de advogado (art. a resposta será no sentido da ineficácia da sentença naquilo que exceder a quarenta salários mínimos de condenação somente em ação proposta segundo o critério do valor do pedido. A sentença deve ser proferida em audiência. as preliminares da causa (tal a complexidade. O art. o mérito. as condições da ação. Outrossim. de ofício ou requerimento da parte e independente de prévia intimação aos litigantes. nos termos do art. à guisa de condenação. Em arremate desse tópico. recomendando-se fique já designada a data para sua leitura. 55 da Lei n1 9. A interpretação mais razoável. O segundo aspecto tem a ver com o momento da quantificação. a ineficácia atingirá a todos os casos. merecem particular exame. os pressupostos objetivos (extrínsecos e intrínsecos). é no sentido de que o valor tido em conta deve ser apenas o consignado na sentença. para que possa conduzir a causa e decidir cada caso orientado pelo critério considerado mais justo e equânime.099). na parte que ultrapassar os quarenta salários mínimos.099 dispõe que a sentença condenatória. merecem lembrança as palavras de Luiz FUX[15]. na ocasião em que prolatada a sentença. visando a atender os fins sociais da lei e as exigências do bem comum. litispendência e coisa julgada [13]. o recorrente deverá efetuar o preparo e. 5 SISTEMA RECURSAL . porém. 39 da Lei n1 9. uma vez superado o defeito. ou mesmo as custas processuais. por outro lado. No entanto.099/1995 deu ao juiz.

535) quanto ao efeito (no Código. As peculiaridades do caso não autorizam tal ação. o suspensivo. O elenco recursal. no caso de confirmação da sentença pelos próprios fundamentos. constará somente da ata. não é admitido o recurso de agravo. salientado-se que. que o art. A sentenças homologatórias de autocomposição ou do laudo arbitral não desafiam qualquer recurso. outrossim. Em sendo assim. independente de intimação. fiel ao princípio da simplicidade das formas. diante dos casos de relevância e urgência.Vigora nos juizados especiais cíveis a regra da irrecorribilidade imediata das decisões interlocutórias. ainda. normalmente.099.na preferência de Luiz FUX[20] .099). 46 da Lei referenciada). contendo as razões do inconformismo. como matéria de defesa. podem lançar mão do mandado de segurança. anotando-se. admitida a interposição oralmente e por escrito. 485 do CPC). podem ser arguídas. As partes que se julgarem prejudicadas. a ação rescisória não se presta para corrigir injustiças. para evitar dano irreparável à parte. nem os embargos de declaração. . finalmente. como meio excepcional de impugnação. excepcionalmente. merecendo destaque os seguintes aspectos: obrigatoriedade de atuação dos advogados representando as partes. omissão ou dúvida. Podem ser apresentados no prazo de cinco dias da ciência da decisão que tiver obscuridade. 59 da Lei n1 9. servirá de acórdão a súmula do julgamento (art. 41. Interposto contra sentença goza de efeito suspensivo. admitido. a dúvida. Diferem-se dos embargos semelhantes previstos no CPC (art.099 veda o manejo de ação rescisória das sentenças proferidas nos procedimentos regidos por essa lei. reunidos na sede do Juizado@. indicando-se a identificação do processo. na execução. interruptivo). dentro do espírito da celeridade processual que norteia os juizados especiais cíveis. por uma turma recursal composta de três juízes togados. inclusive a declaratória[21]. interposição no prazo de dez dias a partir da ciência da sentença. apenas devolutivo. através de embargos ou por outras ações capazes de realizar a correção. para o Supremo Tribunal Federal. Admissível. Será julgado. como do acórdão da turma recursal (art. de regra. as situações de injustiça são menos freqüentes nos juizados. nem mesmo quando destinado a destrancar outro recurso [16]. O recurso inominado (como vem sendo chamado por força da praxe forense) ou apelação . da Lei n1 9. não permite a aplicação subsidiária do CPC e se limita a dois recursos: embargos declaratórios e recurso inominado. preparo em quarenta e oito horas contadas da interposição. Eventuais irregularidades que. na dicção do art. Cumpre ressaltar. contendo. contradição. resumida fundamentação e dispositivo. de outro. isto é. DINAMARCO entende cabível e compatível com o procedimento dos juizados especiais cíveis o recurso adesivo ao recurso inominado[19]. um fundamento a mais. Os embargos declaratórios têm vez tanto da sentença de primeiro grau. de um lado. Não são admissíveis embargos infringentes nem o recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça[18]. permitiriam a rescisão do julgado (art. para atacar os atos judiciais no curso do processo. o recurso extraordinário[17]. apenas. devendo as partes ser intimadas da data da sessão de julgamento. como qualquer recurso. ainda. formalização em petição escrita. '11. que.submete-se à satisfação dos requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. e este. desde que preenchidos os requisitos pertinentes. efeito. Aem exercício no primeiro grau de jurisdição. 48 da Lei n1 9. e.

1999.. 2001. Cândido Rangel. Joel Dias. São Paulo: RT. FIGUEIRA JÚNIOR. para tanto. com vistas a impedir que para lá seja endereçada qualquer causa cível. 2a ed. tenha de se limitar sua competência. embora anote a falta de uniformidade entre as diversas unidades da Federação . 2a ed. 6a tiragem. 2a ed. no 101. . São Paulo: Malheiros. p. tomo I.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS A doutrina vem proclamando a excelência dos resultados da implantação dos juizados especiais no País[22]. SALOMÃO. 2001. 151-158. levando o sistema à falência. contribuindo para diminuir-lhe a sobrecarga.Um Sonho de Justiça. Juizados Especiais Cíveis e Criminais e Suspensão Condicional do Processo Penal. São Paulo: RT. 1997. porém. p. ano 23. jan/mar 2001. Os juizados especiais vêm cumprindo o propósito de servir às camadas menos favorecidas da população um processo ágil. 1a ed. Adroaldo Furtado. FUX. econômico e simples. ano 26. 175-189. Luiz. 2001. informalidade e eficiência. São Paulo: Malheiros. A Reforma do Código de Processo Civil. os juizados especiais têm recebido a migração de causas anteriormente levadas à jurisdição ordinária. LOPES. como adverte WATANABE[25]. É necessário que sejam preservadas sua rapidez.. ------. ainda. Weber Martins. Rio de Janeiro: Destaque. Maurício Antonio Ribeiro. citando WATANABE. apresentar-se como Afator educativo destinado a preparar as pessoas para a correta e eficiente defesa de seus direitos e interesses@. A Experiência Brasileira dos Juizados de Pequenas Causas. 4a ed. O modelo dos juizados especiais. abr/jun 1998. Luiz.. Embora não constitua seu objetivo. Revista de Processo. para que se cumpram suas finalidades. Acomo laboratório de experiências para o aperfeiçoamento do processo comum@[24].. pretendendo.algumas mostrando-se mais aperfeiçoadas que outras. servindo. DINAMARCO. FABRÍCIO.. por outro lado. 5a ed. Manual dos Juizados Cíveis. Juizados Especiais . Luis Felipe. no 90. ainda que. São Paulo: Malheiros. 2001. São Paulo: RT. REFERÊNCIAS BATISTA. necessita de constante aprimoramento. FUX. Comentários à Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Rio de Janeiro: Forense. como ressalta DINAMARCO[23]. Fundamentos do Processo Civil Moderno.. Roteiro dos Juizados Especiais Cíveis. ------. Revista de Processo.

Relevância Político-Social dos Juizados Especiais Cíveis (sua finalidade maior)... e loc.. [11]Manual [12]Roteiro dos Juizados Cíveis. de sorte a admitir o manejo do agravo.. p. Ob. tomo I. [15]Juizados Especiais . 176. dos Juizados Cíveis. Cândido Rangel. Temas Atuais de Direito Processual Civil. preferencialmente... dos Juizados. Roteiro dos Juizados. dos Juizados Especiais Cíveis. p. JÚNIOR não entende assim e afirma que a irrecorribilidade está adstrita às decisões Ainterlocutórias proferidas dentro do segmento representado pela instrução oral. Comentários à Lei dos Juizados. 81-90. cit.. à medida que se fundamenta na razão de ser da própria concentração da audiência@. p. Manual dos Juizados Cíveis. Ob. [18]DINAMARCO. Manual dos Juizados Cíveis. p..WATANABE. cit. [1]DINAMARCO. p. p. curso de Especialização em Direito Processual. 17-21. retido. Ob. Luis Felipe. Dias. [3]WATANABE.. 55.. Universidade Federal do Piauí e Escola Superior de Advocacia do Piauí. Adroaldo Furtado. 111. [19]Manual [16]FIGUEIRA Cândido Rangel. [9]DINAMARCO [10]DINAMARCO. Set. 201.. 303-305. p. [20]Juizados [21]DINAMARCO. Belo Horizonte: Del Rey. 2001. Luis Felipe. [4]WATANABE. 168. 283... Especiais Cíveis e Criminais. p. Kazuo. 55. Cândido Rangel... p. Eduardo Perez Oberg... p.Um Sonho de Justiça.. 2001. coordenadores César Augusto de Castro Fiúza. p. 157-158. Teresina PI. 59-60. p.. 181-183. [5]FABRÍCIO. [17]DINAMARCO. Kazuo. cit. p. dos Juizados Cíveis. Dr. Manual dos Juizados Cíveis. [22]FABRÍCIO. p. 201-209. Relevância Político-Social. *Trabalho de conclusão da disciplina Juizados Especiais Cíveis. A Experiência Brasileira dos Juizados. 279. [14]SALOMÃO. p.. Cândido Rangel. A Experiência Brasileira dos Juizados. p.. p. Maria de Fátima Freire de Sá e Ronaldo Brêtas C. p. p.. Fundamentos do Processo Civil Moderno. 202-204.. p. 179-180. 109. p. Relevância Político-Social. 128.. Kazuo. Adroaldo Furtado. 221-222. [6]Comentários [7]Roteiro [8]Manual à Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.. 188. [13]SALOMÃO.. Prof. Cândido Rangel. .

.[23]A Reforma do Código de Processo Civil. p. [25]Relevância Político-Social. p. 372. .. p. Adroaldo Furtado. Ob... 188-189. cit. [24]FABRÍCIO. 209.

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