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O ESPELHO E A PERUA

A confuso comeou
Certa vez, no galinheiro,
Quando as aves encontraram
Um espelho no terreiro.
Uma galinha vaidosa
Logo quis contar vantagem:
- Com licena, galinceas,
Vim conferir minha imagem!
A pata, torcendo o bico,
Comentou com a vizinha:
- No vale arrancar as penas
Pra parecer mais magrinha!
E qual no foi a surpresa
Das aves estabanadas:
No reflexo do espelho
S tinha coisas erradas!
Quem era alta e bela
Viu-se feiosa e baixinha.
Quem era gorda e forte
Ficou magrela e fraquinha.
E

Credo! - grasnou o marreco.


Cruzes! - o pinto piou.
Incrvel! - cantou o galo.
o papagaio berrou.

A galinha carij
Foi quem depressa falou:
- Este espelho tem feitio...
Foi a bruxa que o mandou!
- Mentira! - disse a perua,
Balanando as pulseiras.
- Li esse conto de fadas,
Vocs s dizem besteiras!
Estufou-se, bem danada,
Mostrando o papo vermelho.
E com pose de malvada
Fez a pergunta ao espelho:
- Espelho, espelho meu!
Responda se h no mundo
Outra ave mais bonita,
Mais charmosa e elegante,
Mais esperta e fascinante,
Mais incrvel e imponente,
Mais formosa do que eu?
Diga logo, espelho meu!!
Os bichos, impressionados,
Ouviram com ateno
A resposta do espelho
A tamanha pretenso:

- Se voc quer a verdade,


Vou diz-la, nua e crua.
E mostrar a realidade
Para uma simples perua.
Voc disse que esperta,
Imponente e charmosa.
Mas parece antiptica,
Falando assim, toda prosa.
Desfila o ano inteiro
Como se fosse a tal.
Mas foge do cozinheiro
Quando chega o Natal!
Poema de Flvia Muniz