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Objetivando a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, o


legislador constitucional utilizou-se da educação como instrumento de
transformação social e, deste modo, destinou um capítulo para
regulamentá-la (arts. 205 a 214, CRFB).

O art. 205 da CRFB demonstra a preocupação do legislador em


esclarecer que a educação não se constitui apenas numa obrigação do
Estado, e sim numa obrigação conjunta do Estado e da família.

Ao elencar a educação como um direito fundamental da criança e do adolescente,


visa-se assegurar o pleno desenvolvimento da pessoa humana, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Sendo assim, reconheceu-
se uma nova concepção constitucional da Educação na formação do ser em
desenvolvimento. Esta concepção foi recepcionada também pelo ECA, em seus
arts. 53 a 59.


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É importante destacar que as regras sobre a Educação encontram-se previstas na LDB (Lei de Diretrizes
e Bases da Educação ² Lei 9.394/96) e que o ECA, ao tratar deste tema, apenas enfatiza alguns aspectos
lá contidos.

Art. 53, 54, 56, 245, 58, 59


 


 




O legislador, ao abordar o direito ao trabalho no ECA (arts. 60 a 69), procurou


regulamentá-lo de forma a garantir o seu efetivo exercício, em concomitância
com os demais direitos, sem pretender alterar as regras já existentes.Deste
modo, questões referentes ao contrato de trabalho do adolescente são
reguladas pela CLT (arts.402 a 441).
O ECA não foi adequado à Emenda Constitucional nº 20 de 1998, que fixou a idade de trabalho do menor para 16 anos, exceto
na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. Assim, a leitura deste assunto no ECA deve ser adaptada, ou seja, onde o ECA
se reporta aos 14 anos, deve-se ler 16 anos.

Outra observação relevante sobre este direito é a vedação ao trabalho em certas atividades de diversas áreas, inclusive o
trabalho doméstico, para menores de 18 anos. Esta proibição e suas implicações estão contidas no Decreto 6.481, de
12.09.08 .

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Segundo o ECA, o exercício do direito à profissionalização e à proteção no trabalho deve


necessariamente respeitar a condição peculiar de pessoa em desenvolvimento do adolescente, e
promover a sua capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho.

- a formação técnico-profissional do adolescente deverá: garantir o acesso e a frequência


obrigatória ao ensino regular; ser compatível com a etapa do desenvolvimento na qual se encontre
o adolescente; e possuir horário especial para o exercício das atividades;

- assegurar condições adequadas para o desenvolvimento do adolescente. Desta


forma, é vedado o trabalho noturno (realizado entre as vinte e duas horas de um dia
e as cinco horas do dia seguinte); perigoso, insalubre ou penoso; realizado em
locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral
e social; e/ou realizado em horários e locais que inviabilizem a frequência à escola.


Os artigos 70 a 80 do ECA visam prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e
do adolescente. Evitar tais situações consiste em um dever de todos. Deste modo, o legislador
estatutário colocou a sociedade na função de garantidora. Considerando que tais disposições objetivam
impedir que se prejudique o bom desenvolvimento de crianças e adolescentes, o descumprimento das
normas de prevenção sempre importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica.

Vale lembrar que o rol de obrigações referentes à prevenção previstas pelo ECA não excluem da
prevenção especial outras decorrentes dos princípios por ela adotados.

  
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As regras referentes à prevenção especial visam tutelar o acesso adequado de crianças e


adolescentes à informação, cultura, lazer, esportes, diversões e espetáculos, e encontram-se
previstas nos artigos 74 a 80 do ECA. Clique aqui para visualizar o texto sobre este assunto.

Além destes artigos, a prevenção especial é regulada também através de leis e Portarias, como,
por exemplo:
- Portaria 1.220 de 2007;
- Portaria 1.100 de 2006;
- Lei 10.359 de 2001.

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A função de regulamentar os programas, produtos, diversões e espetáculos
públicos é do Poder Público conforme estabelece o artigo 74 do ECA e os artigos
220, § 3º, I e 21, XVI, ambos da CRFB, cabendo aos pais o poder de escolha dos
programas televisivos que entendam ser adequados.
O legislador determinou que se fixasse informação destacada sobre a natureza do
espetáculo e a faixa etária no certificado de classificação, sob pena de infringirem o
disposto no art. 252 do ECA. A própria Constituição instituiu regras e princípios, nos
artigos 220 e 21, XVI, que restringem os abusos dessa natureza.
O art. 75 do ECA garante o acesso de qualquer criança ou adolescente às diversões
e espetáculos públicos considerados adequados, desde que acompanhados de seus
pais ou responsáveis.
O art. 76 do ECA, na esteira da CRFB, preceitua que as emissoras de rádio e TV
somente exibirão ao público infanto -juvenil programas com finalidades educativas,
artísticas, culturais e informativas. E prevê também, instrumentos jurídicos capazes
de coibir violações a esta prevenção, como a Ação Civil Pública, Mandado de
Segurança e imposição de penalidade pecuniária, por exemplo.
Quanto à venda ou locação de fitas de programação em vídeo, o legislador,
preocupado com o risco de sua utilização indevida, determinou no art. 77 que esses
produtos exibam em seus invólucros informações sobre a natureza da obra e a
faixa etária a qual se destinam, sob pena de responsabilidade, nos temos do art.
256 do ECA. Por conta dessa determinação, muitas locadoras de fitas e vídeos se
adequaram criando um espaço privativo para as obras consideradas eróticas ou
obscenas.
No que diz respeito às revistas e outras publicações, o ECA criou no art. 78
restrições à sua comercialização quando consideradas impróprias ou inadequadas
ao público infanto -juvenil. Essa impropriedade pode se apresentar tanto na forma
escrita quanto através de imagens, caso transmitam um conteúdo falso ou
contrário à lei e aos bons costumes, podendo seu descumprimento acarretar a
aplicação da sanção contida no art. 257 do ECA. A preocupação do legislador é
tamanha que no parágrafo único desse artigo determina que a revista seja vendida
em embalagem opaca, quando na capa da obra houver mensagem obscena ou
pornográfica, ou seja, material com conteúdo impróprio para a criança ou
adolescente.
O art. 79 veda a inserção de fotografias, legendas, crônicas, anúncios de bebidas
alcoólicas, cigarros, armas e munições nas publicações destinadas ao público
infanto-juvenil, ressaltando que essas obras não poderão se afastar dos valores
éticos e sociais da pessoa e da família.
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Ao tratar dos produtos e serviços nos artigos 81 e 82 do ECA, o legislador visou preservar a integridade
física e moral de crianças e adolescentes. Para isto, criou algumas restrições com o objetivo de evitar
que certos produtos considerados perigosos e inadequados possam ser por eles adquiridos.

Assim, o ECA veda expressamente a venda à criança ou ao adolescente de:


- armas, munições e explosivos;
- bebidas alcoólicas (o ECA não prevê sanção específica para quem descumpre esta proteção. Porém, tal
conduta pode ser enquadrada como Contravenção Penal);
- produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização
indevida. (Esta proibição possui caráter complementar. A lei 11.343 de 23 de agosto de 2006 que regula
as condutas envolvendo as drogas é uma norma penal em branco que depende de portaria do Ministério
da Saúde para estabelecer a lista de substâncias que são consideradas entorpecentes e assim permitir a
aplicação da referida lei. Deste modo, serão consideradas drogas somente aquelas elencadas como tal
por portaria do Ministério da Saúde. Esta lista, entretanto, não abrange todos os produtos nocivos à
saúde não mencionando, por exemplo, a cola de sapateiro, o tinner, etc. Por essa razão, esta vedação
contida no ECA é de suma importância, tendo em vista que abrange substâncias tóxicas não-
entorpecentes, que estão sujeitas à tipificação quando ocorrer inobservância dessa norma importando,
inclusive, na prática do crime previsto no art. 243 do ECA);
- fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de
provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida. Ex.: estalinhos. (O descumprimento dessa
norma importa no crime previsto no artigo 244 do ECA).
- revistas e publicações mencionadas no art. 78 do ECA;
- bilhetes lotéricos e equivalentes.

O art. 82 do ECA traz uma norma acauteladora que veda a hospedagem de criança ou adolescente em
hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, sendo esta permitida somente quando a criança ou
adolescente:
- estiver acompanhado pelos pais, tutor ou guardião;
- se encontrar na companhia de alguém devidamente autorizado por seus pais ou representantes legais;
- possuir autorização especial do juiz da Infância e da Juventude.
A restrição à hospedagem prevista por este artigo visa impedir que crianças ou adolescentes venham a
se evadir de suas residências ou mesmo que ocorram situações ainda mais graves que envolvam, por
exemplo, a prostituição infantil. Entretanto, como se verá a seguir, o legislador permitiu que o
adolescente viaje desacompanhado, mas não permitiu que este se hospede sozinho, gerando uma
situação contraditória.

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