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id=11116 http://www.conatig.org.br/doc/Aposentadoria_Especial.pdf

TRT-RO-02230/2001 : Ac. TP nº 3066/2001

ORIGEM RELATOR REVISORA
RECORRENTE

: 1631/2000 - 2ª VARA DO TRAB. DE CUIABÁ-MT : JUIZ TARCÍSIO VALENTE : JUÍZA MARIA BERENICE
: PREPLAN - CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA.

ADVOGADO(S)
RECORRIDO

: TAKAYOSHI KATAGIRI E OUTRO(S)
: BENEDITO JULIÃO BARBOSA

ADVOGADO

: HELUI CALONGOS ALI DAHROUGE

EMENTA ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. PROVA PERICIAL. CONSTATAÇÃO DE ELEMENTOS QUÍMICOS AGRESSIVOS E PREJUDICIAIS À SAÚDE. Reconhecendo o Expert em seu laudo pericial que o Reclamante sempre exerceu atividades insalubres, pelo manuseio de agentes químicos agressivos, identificados por norma regulamentadora do MTb, tornase devido o pagamento do adicional de insalubridade, máxime quando a prova oral produzida ratifica o tempo de exposição do obreiro a produtos contendo hidrocarbonetos aromáticos.

VOTO ADMISSIBILIDADE Presentes os pressupostos subjetivos e objetivos de admissibilidade. em que são partes as acima indicadas. ao pagamento de honorários periciais. em síntese. do Regimento Interno deste eg. MÉRITO . o relatório. Inconformada. 205/209. Vistos. na forma do art. Juíza do Trabalho Substituta Rosana M. cujo relatório adoto. por intermédio da r. decidiu julgar parcialmente procedente a reclamação para condenar a Reclamada ao pagamento de adicional de insalubridade e reflexos. bem como das Contra-razões. Regional. conheço do Recurso Ordinário. 214/219. RELATÓRIO A Egrégia 2ª Vara do Trabalho de Cuiabá/MT. relatados e discutidos os presente autos. ou.Recurso Ordinário a que se nega provimento. sentença de origem para que seja excluída da condenação a obrigação de pagar o adicional de insalubridade e reflexos. sob a Presidência da MM. Dispensada a manifestação do d. Ministério Público do Trabalho. É. a Reclamada interpõe Recurso Ordinário às f. sentença de f. ainda. 35. 220 e 221. respectivamente. condenando-a. pugnando pela reforma da r. Contraminuta às f. 224/226. Os comprovantes do depósito recursal e do recolhimento das custas encontram-se acostados às f. que seja reduzida pela metade do tempo de serviço como pintor e excluída essa obrigação do tempo em que o Reclamante foi chefe de pintores. de Barros Caldas.

desta forma. A razão não acompanha a Recorrente. a Reclamada interpôs o presente apelo. limitando -se a descrever que tais foram encontradas no local de trabalho". excluindo-se. vez que é facilmente dissolvida em água. que por sua vez não se constitui substância tóxic a. 161/162). ao contrário do alegado pela Recorrente. a 20% incidente sobre o salário mínimo. 217). ainda. conforme restou comprovado pela prova testemunhal. sujeito aos efeitos dos hidrocarbonetos . que a maior parte do trabalho desempenhado pelo Autor. Verbera. TEMPO DE EXPOSIÇÃO.4. A Recorrente acrescenta. Quando no exercício do cargo de pintor. sendo que o simples fato de terem sido encontradas. no grau médio. eventos ou objetos eram utilizadas as substâncias nocivas. concluiu que o tempo de exposição do Reclamante aos agentes nocivos identificados era de modo habitual e permanente (f. requer o provimento do apelo para que seja excluído da condenação o pagamento do adicional de insalubridade e reflexos. ao tempo de serviço como pintor. haja vista que não aponta "em quais momentos. ou que seja reduzida pela metade. no local de trabalho do Autor não comprova a sua utilização de forma contínua ou diária. alegando basicamente que o Autor não comprovou o uso contínuo. o período em que o Reclamante laborou como chefe de pintores. razão pela qual. sendo que as tintas esmalte ou acrílicas.Inconformada com a decisão de origem que deferiu o pedido de adicional de insalubridade. diário ou mensal das substâncias nocivas à saúde. fundamentando o seu laudo pericial da seguinte fo rma: "7. assim. o reclamante ficava exposto durante toda a sua jornada de trabalho ou pintando ou aguardando ordens no mesmo local em que outros colegas estavam pintando ficando assim. Primeiramente cumpre enfatizar que o perito. era a de pintura em paredes com tinta látex comum (PVA). vernizes e solventes não eram utilizadas continuamente. (f. mesmo porque o serviço de pintura em esquadrias não representa sequer 10% de uma construção. que o laudo pericial foi tendencioso.

3. Portanto o tempo de exposição do reclamante aos agentes nocivos era de modo habitual e permanente.. sendo oportuno enfatizar que naquela assentada. que também foi ouvido em juízo como testemunha indicada pela Reclamada. a Reclamada não apresentou os certificados de aprovação dos EPIs. Ademais. a exemplo dos hidrocarbonetos. de acordo com a composição química dos produtos descritos no item 7. comprovou que a Reclamada. ". sendo que. conforme se infere no item 7. aprovada pela Portaria 3. as tintas acrílicas também são considerados como agentes químicos agressivos. tinta verniz e solvente. consoante dispõe o anexo 13 da Norma Regulamentadora NR-15.. . Com efeito. Cassiano Rondon da Silva. além de comandar os serviços de pintores.afirmou para o Sr. Da mesma forma.. do Ministério do Trabalho." esclareceu ao juízo que a ".. indicada pelo Reclamante.. Cassiano Rondon da Silva. o Expert valeu-se inclusive das informações prestadas pelo paradigma Sr. Perito que o Reclamante.214 de 08/06/78. que a tinta latex acrílica é dissolvida com thinner e água -raz" (f. verifica-se pela análise da prova pericial e testemunhal que o Demandante sempre esteve exposto a produtos contendo substâncias nocivas à saúde.também utilizava tinta latex acrílica. também efetuava também o serviço de pintura.4 do laudo pericial. Nas manutenções dos prédios usados quando não estava pintando estava efetuando a retirada e a raspagem a seco da pintura velha que é também uma atividade considerada insalubre. Acrescentando." sic ( f. além de esmalte. além e estar no ambiente da pintura acompanhando o serviço dos pintores ele também ainda efetuava serviços de pintura conforme informou o paradigma Sr. 194). como encarregado. 195).empresa reclamada utilizava tinta latex acrílica.aromáticos.. a Testemunha Antônio Pio Siqueira." (sic) Desta feita. Como encarregado. a indigitada testemunha além de ter ratificado que ". conforme constatado no laudo pericial.

: 15/01/2002-3ª f. para no mérito negar-lhe provimento. Ausentes os Exmos Senhores Juízes Roberto Benatar e José Simioni. Cuiabá-MT..estava em péssimas condições e já devia estar no lixo. bem como das Contra-razões obreira e. TARCÍSIO VALENTE Juiz Relator Fonte: DJ/MT nº 6. bem como das Contra-razões Obreira. conhecer do recurso patronal. 160). pelos fundamentos acima expendidos entendo que a decisão originária não merece qualquer reparo. conheço do Recurso Patronal. em férias regulamentares. Nego provimento.ainda. no mérito. negar-lhe provimento. ISTO POSTO: DECIDIU o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Vigésima Terceira Região. 16.. CONCLUSÃO Desta forma. conforme fundamentação supra. RO 1611/2000 (Acórdão T." (f. que a máscara de proteção que o técnico de segurança trouxera para análise ". visto que os elementos probatórios constantes dos autos demostram que o Reclamante. nº 2578/2000) . por unanimidade.P. Pág. efetivamente.318 Data de Pub. 22 de Novembro de 2001. do voto do Juiz Relator. sempre exerceu atividades insalubres.: 14/01/2002 Data de Circ. Destarte.

ATIVIDADE ELENCADA NA NR 15 DO MTb .A fabricação. manipulação e outras atividades que exponham o trabalhador diretamente a produtos tóxicos do grupo dos hidrocarbonetos está enquadrada na NR 15 do MTb como insalubre de grau máximo. A norma por ser geral não especifica detalhadamente o tipo de exposição ou de procedimento a ser realizado para que o trabalhador tenha direito à percepção do adicional .RELATOR REVISOR RECORRENTE Advogado RECORRIDO Advogado ORIGEM : JUIZ LÁZARO ANTONIO : JUIZ BRUNO WEILER : CYRO TROCOLLI PASTANA : Paulo Roberto Basso e outro(s) : MONSANTO DO BRASIL LTDA : Antonio Carlos Viana de Barros e outro(s) : VARA DO TRABALHO DE RONDONÓPOLIS EMENTA ADICIONAL DE INSALUBRIDADE MANUSEIO DE AGROTÓXICOS DO GRUPO HIDROCARBONETO S .

Inconformado. ao decidir o processo nº 1398/1995. julgou improcedentes os pedidos formulados à exordial.de insalubridade. RIVELINO RESENDE. por intermédio do parecer de fl. as contra -razões de fls. 322/330. que é a sua diretriz primordial. 309). Auxiliar da Egrégia Vara do Trabalho de Rondonópolis-MT. o Recurso Ordinário de fl. É o relatório. motivo pelo qual deve ser interpretada de forma a garantir acima de tudo a integridade física do trabalhador. condenando o reclamante no pagamento dos honorários periciais e absolvendo totalmente a reclamada de qualquer ônus. opinou pelo conhecimento e desprovimento do recurso. RELATÓRIO A Exma. relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. 321. A douta Procuradoria Regional do Trabalho. O recorrido ofertou. também no prazo legal. FUNDAMENTAÇÃO . Juíza do Trabalho Substituta ADENIR ALVES DA SILVA CARRUESCO. o fazendo apenas de modo genérico. cujas razões foram acostadas às fls. 333/336. Vistos. com voto de divergência do Exmo. Dispensado o recolhimento das custas processuais (fls. tempestivamente. ainda sob composição colegiada. Juiz Classista Representante dos Empregados. 342/347. o reclamante interpôs.

Já no que se refere ao adicional de insalubridade a questão merece maior reflexão. que ficou cabalmente demonstrado o manuseio de produtos altamente tóxicos. realmente não há como negar o manuseio e a exposição do recorrente aos produtos comercializados pela recorrida. Ocorre que tais fatos. vez que. realmente. Quanto à periculosidade o indeferimento se deu em razão dos produtos não serem classificados como líquidos inflamáveis (NR 16 e 20). Segundo o conteúdo probatório e os elementos de convicção trazidos aos autos pelas partes. Segundo fundamentado pelo Juízo de primeira instância. pois interpostas a tempo e modo. corroborando com a conclusão pericial. MÉRITO ADICIONAL DE PERICULOSIDADE E INSALUBRIDADE Insurge-se o reclamante contra a r. Quanto ao adicional de periculosidade a sentença não há de ser reformada. os produtos manuseados pelo recorrente não são os inflamáveis a que se refere o artigo 193 e as NR´s 16 e 20. ressaltados abundantemente pelo recorrente em seu recurso.ADMISSIBILIDADE Conheço do Recurso Ordinário posto que presentes os pressupostos processuais para sua admissibilidade. o que ocorria no transporte destes em seu veículo. Alega o recorrente em suas razões recursais. o que aliás não foi combatido nas razões recursais. o manuseio de produtos tóxicos que não estejam alinh avados explicitamente na NR 15 não gera direito à percepção do adicional de insalubridade. no armazenamento em sua residência e nas demonstrações de aplicação que realizava diretamente na s fazendas dos clientes. decisão de 1º grau que lhe indeferiu os pleitos relativos aos adicionais de periculosidade ou insalubridade. foram reconhecidos até mesmo pela perícia por ele atacada e pelo . Conheço ainda das contra-razões a ele ofertadas. em apertada síntese.

breu. não pode ser enquadrada sua atividade como insalubre. como os encontrados nos produtos manuseados pelo reclamante. HIDROCARBONETO S E OUTROS COMPOSTOS DE CARBONO ..Insalubridade de grau máximo Destilação do alcatrão da hulha. legalmente. Assevera ainda que o reclamante manuseava tais produtos mas não os fabricava. envolvendo agentes químicos. Manipulação de alcatrão. consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. Aduz a Sra.ANEXO XIII AGENTES QUÍMICOS 1 .Juízo de primeiro grau. Excluem-se desta relação as atividades ou operações com os agentes químicos constantes dos Anexos 11 e 12.. Vejamos o que diz a NR supra mencionada: "NR 15 . Todo o esteio do indeferimento da parcela vindicada está no enquadramento ou não dos produtos tóxicos por ele manuseados dentre aqueles elencados na NR 15 do MTb. betume. motivo pelo qual.Relação das atividades e operações. Destilação do petróleo. Perita que a NR 15 apenas contempla as atividades de FABRICAÇÃO de produtos com compostos que utilizem os HIDROCARBONETOS. .

antraceno. Pintura a pistola com esmaltes. Metoxicloro (Dimetoxidifeniltricloretano).Insalubridade de grau médio Emprego de defensivos organoclorad os: DDT (Diclorodifeniltricloretano). derivados halogenados e outras substâncias tóxicas derivadas de hidrocarbonetos cíclicos. Emprego de defensivos derivados do ácido-carbônico. óleos minerais. naftóis. . vernizes e solventes contendo hidrocarbonetos aromáticos. parafina ou outras substâncias cancerígenas afins. Emprego de aminoderivados de . negro de fumo. cresóis. DDD (Diclorodifenildicloretan o). nitroderivados. tintas. Fabricação de fenóis. aminoderivados. BHC (Hexacloreto de Benzeno) e seus compostos e isômeros. óleo queimado.

vernizes. artefatos de ebonite. chapéus de palha e outros à base de hidrocarbonetos. celulóides. guta percha. naftaleno e derivados tóxicos. lacas. Limpeza de peças ou motores com óleo diesel .hidrocarbonetos aromáticos (homólogos de anilina). Emprego de isocianatos na formação de poliuretanas (lacas de desmoldagem e lacas de dupla composição. Emprego de cresol. de produtos para impermeabilização e de tecidos impermeáveis à base de hidrocarbonetos. colas. lacas protetoras de madeira e metais. Emprego de produtos contendo hidrocarbonetos aromáticos como solventes ou em limpeza de peças. Fabricação de artigos de borracha. adesivos especiais e outros produtos à base de polisocianetos e poliuretanas). Fabricação de linóleos. tintas. esmaltes. solventes.

a pintura com pistola. a manipulação de hidrocarbonetos. sentença . pois é esta própria norma que considera insalubre. esperando que na referida NR constasse a atividade de diluir o produto tóxico em água e distribuí-lo por uma plantação. a vida humana. que a tutela do bem maior. pelo manuseio de produtos químicos altamente tóxicos. aparentemente inofensivo aos olhos de um leigo. pelo que reformo a r. acontece exatamente com a pulverização dos agrotóxicos (hidrocarbonetos) manipulados pelo recorrente. Também não posso deixar de consignar que as atividades do reclamante manuseio e aplicação dos produtos tóxicos citados na perícia . não merece outro enquadramento. sob pena de não lhe fazer valer a sua maior função.aplicado sob pressão (nebulização). diante da pulverização de hidrocarbonetos. o que por analogia. O que não se pode esperar é que todos os milhões de variações químicas de produtos tóxicos sejam elencados em uma norma tão sucinta. ao contrário do laudo pericial. tintas e vernizes em solventes contendo hidrocarbonetos aromáticos. Pintura a pincel com esmaltes." Ao que podemos aferir da referida Norma até mesmo a simples manipulação de "Óleo Queimado". citando alguns dos produtos e incluindo outras substância afins. conceituando -as inclusive como cancerígenas. por exemplo o grupo dos Hidrocarbonetos e as atividades que expõe o trabalhador a um produto que lhe pode ser lesivo.são contempladas pelo NR em apreço. como insalubre (grau máximo). Assim. em grau máximo. Também considera como insalubre em grau máximo. se incluí no grupo dos Hidrocarbonetos e está alinhavado como insalubre (gr au máximo). Neste passo entendo que a manipulação de HIDROCARBONETOS com toxidade muito mais potencializada como é o caso dos produtos manuseados pelo recorrente. entendo que a NR 15 não pode ser interpretada de forma tão literal. do grupo dos HIDROCARBONETOS. Nem tampouco podemos nos prender a minúcias. Isto porque a meu ver a NR cita apenas produtos primários. Entendo pois estar amparada a atividade do recorrente na NR 15.

em férias regulamentares. respectivamente. assim como o Exmo. conforme ATO. Senhores Juízes Guilherme Augusto Caputo Bastos e Maria Berenice Carvalho Castro Souza. 31 de outubro de 2000. deferindo-lhe o adicional de insalubridade de 40%. Inverto o ônus da sucumbência. dar-lhe parcial provimento. pelo período imprescrito. posto que a vedação constitucional não obsta o uso do valor básico salarial para este fim. (Data do Julgamento) . devendo a reclamada arcar com as custas processuais e com os honorários periciais nos valores fixados no decisum a quo. conheço do Recurso Ordinário interposto pelo Recorrente e das contra-razões ofertadas pela Recorrida e. tudo nos termos do v oto do Juiz Relator. Obs.: Ausentes os Exmos. Cuiabá. Senhor Juiz João Carlos Ribeiro de Souza. por unanimidade. bem como das contra-razões ofertadas pela Recorrida e. CONCLUSÃO Face ao exposto. mas sim para indexações de cunho comercial.TST. É como voto. dou-lhe parcial provimento. no mérito. a incidir sobre o salário mínimo.de primeira instância. ISTO POSTO DECIDIU o Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da Vigésima Terceira Região. Fica indeferido o pedido de utilização do salário contratual como base de cálculo. Deixo de analisar o recurso quanto ao tópico relacionado aos honorários periciais ante a inversão do ônus da sucumbência.GP nº 496/2000 e RA 742/0000. conhecer do Recurso Ordinário interposto pelo Recorrente. no mérito. nos termos da fundamentação.GDGCJ.

PRESIDENTE JUIZ LÁZARO ANTONIO DA COSTA RELATOR Ciente: PROCURADORIA REGIONAL DO TRABALHO .

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