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ATIVIDADE FÍSICA NO AUXÍLIO DA REDUÇÃO DA GORDURA CORPORAL

ATIVIDADE FÍSICA NO AUXÍLIO DA REDUÇÃO DA GORDURA CORPORAL

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO PÓLO UNIVERSITÁRIO DE SÃO MATEUS CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

Autor Sérgio Rubens Lorenzini Júnior

São Mateus 2007

ATIVIDADE FÍSICA NO AUXÍLIO DA REDUÇÃO DA GORDURA CORPORAL

RREVISÃO LITERÁRIA

1. INTRODUÇÃO A atividade física é uma importante ferramenta para quem busca melhorar o condicionamento físico e a saúde. A prática de atividades físicas regulares acarreta num aumento do VO2máx, aumento dos benefícios circulatórios periféricos, aumento da massa muscular, melhor controle glicêmico, melhora do perfil lipídico, redução do peso corporal, melhor controle da pressão arterial de repouso, melhora da função pulmonar (NÓBREGA, 1999). Para se atingir os objetivos dos exercícios físicos, eles devem ser bem elaborados e feitos de maneira contínua e rotineira A atividade física é indicada para qualquer indivíduo, independente de sexo, idade e nível de condicionamento físico, mas é diferente de indivíduo para individuo, pois depende do nível do condicionamento físico e objetivo de cada praticante. Nesta revisão, abordaremos as diferenças entre obesidade e sobrepeso e os benefícios dos exercícios aeróbicos (baixa a media intensidade e longa duração) e anaeróbicos (média a alta intensidade e curta duração) no auxilio a redução da gordura corporal.

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2. OBESIDADE X SOBREPESO Citado por PRATI (2002), KUCZMARSKI et. al. (1994) refere-se à obesidade como aumento da quantidade de gordura generalizada ou localizada em relação ao peso corporal, associado a elevados riscos para a saúde. O mesmo autor define sobrepeso como aumento excessivo do peso corporal total, o que pode ocorrer em conseqüência de modificações em apenas um de seus constituintes (gordura, músculo, osso, água) ou em seu conjunto. O excesso de peso pode trazer complicações para o nosso corpo, como doenças cardíacas, derrames cerebrais, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer, gota (problemas nas articulações devido ao acido úrico em excesso), doenças biliares, apnéia do sono (interrupção da respiração durante o sono) e a osteoartrite (desgaste das articulações). As pessoas com diabetes tipo 2, precisam ter um cuidado a mais com a balança, pois o aumento da ingestão diária de calorias e carboidratos influencia no controle glicêmico (VIVOLO, 2006). Tendo em vista as definições de obesidade e sobrepeso, para chegarmos à conclusão de qual tipo de trabalho prescrever, primeiro devemos avaliar o individuo para sabermos em qual das definições acima ele se encontra (sobrepeso ou obeso). Podemos utilizar o Índice de Massa Corporal (IMC), um indicador utilizado para calcularmos se o indivíduo está ou não acima do peso. A fórmula para esse cálculo é: IMC = Peso (Kg) / Altura2(m). Mas por tratar-se de um índice e utilizar cálculos, pode apresentar erros, pois ao utilizá-lo em uma pessoa de grande massa muscular, poderá apresentar um resultado muito alto e não necessariamente significar obesidade.

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Limites considerados normais para IMC Classificação Valores do IMC

Desnutrição Crônica = 12 kg/m2 Desnutrição < 18.5 kg/m2 Baixo Peso < 20 kg/m2 Normal 20 – 25 kg/m2 Sobrepeso 25 – 30 kg/m2 Obeso 30 – 40 kg/m2 Obesidade Mórbida > 40 kg/m2 Fernandes Filho, 1999

Os índices acima podem ou não estar relacionados com o excesso de gordura. Para atingir maior precisão sobre o excesso de adiposidade, podemos utilizar diversos métodos diretos ou indiretos. O mais comum dentre eles é o das pregas cutâneas, extraindo-se valores próximos do real. Segundo McARDLE, KATCH & KATCH (1998), a medição das pregas cutâneas baseia-se no fato de que aproximadamente metade do conteúdo corporal total da gordura fica localizada nos depósitos adiposos existentes diretamente debaixo da pele e essa está diretamente relacionada com a gordura total. Valores percentuais de gordura corporal para homens e mulheres Classificação Homens Mulheres

Muito baixo <6% < 9% Abaixo da média 6 a 14 % 9 a 22% Média 15% 23% Acima da média 16 a 24 % 24 a 31 % Muito alto > 25 % > 31 % Lohman, 1992 Os distúrbios nutricionais que causam a obesidade podem estar relacionados como o balanço energético (diferença entre a ingestão e o gasto energético), ou seja, se a ingestão

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de energia for superior a utilizada, a obesidade pode se instalar, mesmo que a quantidade de gordura ingerida seja pequena (MELBY & HILL, 1999). Citados por MELBY & HILL (1999), FLATT (1995) e SCHUTZ (1995) sugeriram que a obesidade é basicamente um problema ocasionado pela menor oxidação das gorduras em relação à ingestão, sendo o principal responsável pelo aumento da massa gordurosa. Eles teorizaram que o aumento da adiposidade, que pode ou não ocorrer com o aumento da resistência das células gordurosas à ação da insulina, aumenta o teor de ácidos graxos livres plasmáticos que, por sua vez, aumentam a oxidação lipídica celular. Quando ocorre um aumento significativo na massa lipídica corporal, ocorre um aumento na oxidação, suficiente para que o balanço lipídico seja restabelecido e a massa gordurosa se estabilize em níveis mais altos (Figura 1). Essas modificações determinam um novo ponto de equilíbrio, ponto esse no qual a razão entre a oxidação e a ingestão de lipídeos são iguais, embora isto custe o aumento da massa gordurosa, aumentando conseqüentemente a obesidade. Semelhantemente, quando a ingestão de gordura é menor que a sua oxidação, a massa gordurosa diminui ao nível da oxidação.

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Figura 1. Basicamente, a obesidade parece ser um problema causado pelo balanço lipídico positivo que leva a uma expansão de massa de tecido adiposo. O aumento da obesidade leva a uma elevação na concentração plasmática de Ácidos Graxos Livres, que aumenta a oxidação lipídica. Quando ocorre um aumento significativo na massa gordurosa, o balanço lipídico é reestabelecido e a massa gordurosa se estabiliza quando a relação entre a oxidação de gordura e a ingestão de lipídios se equivalem, mesmo que isto custe a instalação da obesidade.

Em conseqüência da obesidade / sobrepeso, pode ser desencadeado alguns outros distúrbios, tais como problemas cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes, doenças na vesícula biliar, apnéia do sono, câncer, entre outras disfunções mórbidas, até mesmo a morte devido a uma ou mais dessas conseqüências. É importante também mencionar que problemas na ordem psicológica também são comuns, principalmente problemas com à auto-estima, recusas no convívio social (relações interpessoais), depressão e sentimentos de rejeição, e outros.

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3. A REDUÇÃO DA GORDURA CORPORAL Quando um indivíduo consome mais energia (alimento) do que gasta, essa energia adicional é armazenada em forma de gordura (POWERS e HOWLEY, 2000). Uma forma de minimizar esse processo é reduzir a quantidade de energia (alimento) ingerida e/ou aumentar o gasto energético.

3.1.

INFLUENCIA DA INGESTA CALÓRICA NA REDUÇÃO GORDURA CORPORAL

DA

A obesidade e o sobrepeso apresentam grandes associações com as alterações metabólicas, como dislipidemias, hipertensão, hiperinsulinemia e a intolerância a glicose, (MUST et al., 1992; BAO et al., 1996; GUNNEL et al., 1998), tornando necessário medidas de intervenção e prevenção no combate ao distúrbio. De acordo com WILLETT et al (1999), uma redução de 5 a 10 % do peso inicial torna-se eficaz no intuito de diminuir os fatores de risco para doenças cardiovasculares (FISBERG et al., 2004). A alimentação saudável deve ser diversificada e equilibrada ao longo do tempo e fornecer todos os componentes necessários ao desenvolvimento e à manutenção do organismo saudável e de forma prazerosa. Em pesquisas realizadas por FISBERG et al. (2004) em 78 indivíduos (73 mulheres e 5 homens), com idades entre 20 e 50 anos e IMC entre 25 e 35Kg/m2, divididos em dois grupos (estudo e controle), submetidos à dieta hipocalórica, com substituição de uma refeição (jantar ou almoço) por um substituto alimentar. Os dois grupos foram acompanhados durante seis meses. Os dois receberam a mesma orientação dietética, no entanto o grupo em estudo foi orientado a utilizar um substituto alimentar no café da manhã 7

e em outra refeição principal durante três meses. Do terceiro ao sexto mês os dois grupos passaram a utilizar o substituto alimentar em uma refeição principal. Observou-se que no primeiro mês os dois grupos apresentaram reduções semelhantes do peso corporal, que foi em média de 3% do valor inicial, demonstrando que ambos os grupos estavam estimulados a reduzir a sua ingestão energética. Porém, após este período o grupo de estudo apresentou maior perda de peso, sendo que ao final dos primeiros três meses, esta foi quase duas vezes maior do que no grupo controle (-2,72 (2,1) x -4,32 (3,5)). A partir do segundo período de intervenção, a redução do percentual de perda de peso foi significativamente maior no grupo de estudo do que no grupo controle. Entretanto, durante uma dieta hipocalórica, a perda de peso corporal é conseqüência de reduções na gordura corporal, mas também existe a perda de tecido magro. Durante o período da dieta hipocalórica, ocorrem também adaptações que visam diminuir os gastos energéticos de repouso, tentando “defender” a massa corporal original. Desta forma, os dois pilares de uma abordagem eficaz para a regulação do peso corporal são a dieta saudável e atividade física regular. Dietas radicais são inadequadas, pois envolvem adaptações metabólicas (redução do gasto energético de repouso, níveis reduzidos de hormônios de saciedade e aumento dos hormônios relacionados à fome) que atuam como antagonistas para perda permanente de peso. A prática regular de exercícios ainda é o principal fator de previsão de manutenção da perda de peso a longo prazo (MELBY, 1999)

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3.2.

INFLUENCIA DOS EXERCÍCIOS AERÓBICOS E ANAERÓBICOS NA REDUÇÃO DA GORDURA CORPORAL

Modificações no acúmulo e distribuição da gordura corporal acontecem com incrementos generalizados pela atividade física (Ex.: caminhada) e pode ser explicada por alterações no balanço energético durante muitos anos, ao contrário do que acontece com a massa muscular, que requer alterações mais específicas obtidas com exercícios de alta resistência (FIATARONE – SINGH, 1998). Para a perda de peso, o exercício é uma importante medida terapêutica na obesidade através da criação de balanço energético negativo (MELBY, SCHOLL, EDWARDS & BULLOUGH, 1993). Contudo, segundo SARRIS (1995), atingir altos gastos energéticos durante atividade física requer a capacidade do individuo em se exercitar por longos períodos em intensidade próximas ao limiar metabólico, o que só é possível para pessoas treinadas (CONTE, 2003) Para aqueles que objetivam aumentar o gasto energético e a oxidação de gorduras com o intuito de diminuir sua massa adiposa, a melhor maneira é a adesão a um programa de atividade física. Mas ao iniciar um programa de atividade física, as pessoas que se encontram num nível sedentário, obeso ou sobrepeso, não suportarão atividades em alta intensidade por longos períodos de tempo. Para essas pessoas, exercícios de baixa intensidade e longa duração são os mais indicados. A diminuição da gordura corporal pode ser promovida pela realização de exercícios com baixa intensidade, como a caminhada (MAYO et al., 2003, citado por CONTE, 2003). De fato, de acordo com a posição oficial do American College of Sports Medicine e do American Dietetic Association, a contribuição das reservas de gordura para a produção de energia, durante a realização do exercício, é maior quando a atividade física é moderada, aproximadamente 50% do consumo máximo de oxigênio (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2000). Outros estudos, como de 9

WARRINGTON et al. (2001), também mostraram que, quando comparados homens obesos com magros, se exercitando a 50% do VO2máx, durante 60 minutos, os obesos utilizaram significativamente mais ácidos graxos para prover suas demandas energéticas (CONTE, 2003). Exercícios aeróbicos, também chamados de exercícios cíclicos, cuja duração é prolongada e com intensidade baixa, moderada ou alta (50 a 85% do VO2máx), utilizam grandes massas musculares. Geralmente é aplicado abaixo do limiar anaeróbio evitando-se a produção excessiva de ácido lático. O treinamento envolvendo exercícios aeróbicos pode variar de acordo com os objetivos pré-estabelecidos, tendo a finalidade estética, visando o emagrecimento, ou seja, a diminuição da gordura corporal, fins profiláticos, quando executados por indivíduos saudáveis, não-atletas, prevenindo-se contra possíveis doenças geradas pela hipocinesia; finalidade terapêutica, quando atua como coadjuvante em tratamentos de algumas patologias em sedentários; finalidade de estabilizar disfunções ou afecções advindas de certas doenças como, por exemplo, o diabetes e, por último, a finalidade de treinamento, respeitando os todos os fundamentos do treinamento desportivo, objetivando a preparação de atletas de alto nível, mesmo nas atividades em que a capacidade anaeróbica seja mais solicitada, pois conclui-se que no potencial aeróbico incidirá um aprimoramento de 5 a 25% do rendimento no treinamento anaeróbico já na primeira semana de treinamento (McARDLE et al., 1998). Por sua vez, os exercícios anaeróbicos, também chamados de acíclicos, possuem uma intensidade alta, mas, sua duração é curta. Esses tipos de exercícios têm como objetivo o aumento da massa muscular, o que também promoverá a redução da gordura corporal, pois com o aumento de massa magra, aumentará também o metabolismo basal.

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Quando comparados exercícios aeróbicos com anaeróbicos, consideram apenas o gasto calórico durante o exercício. Entretanto, ocorre uma falha ao desconsiderar a quantidade de energia gasta com a prática dos exercícios, além de não levar em conta a energia gasta no período pós-exercício. Citado por COSTA & LEITE (2004), RAMOS (1999) menciona que os exercícios aeróbios servem para quem objetiva um maior gasto calórico, e as atividades neuromusculares (musculação), para um aumento da massa muscular. Os exercícios de força podem produzir mudanças na composição corporal, no desempenho motor, na força muscular e na estética corporal (FLECK; KRAEMER, 2006, citado por GUILHERME & SOUZA JÚNIOR, 2006). Com o aumento da massa muscular, a da taxa metabólica de repouso tende a aumentar e o consumo de energia pós-exercício (EPOC – Excessive PostTraining Oxygen Consumption) também se eleva, acarretando num aumento no gasto calórico diário. O EPOC é o reflexo do consumo de oxigênio necessário para levar o organismo de volta ao seu estado de pré-exercício. Durante um exercício de longa duração e de baixa intensidade, a gordura é responsável por uma grande porcentagem do gasto energético, participando como fonte energética também em exercícios média / alta duração e grande intensidade. A medida em que se aumenta à intensidade do exercício, diminui-se o metabolismo de gordura, mas o total de calorias gasto no final desses exercícios é bem superior devido à degradação das gorduras. A perda de gordura também ocorre num exercício de alta intensidade, mesmo que a fonte energética seja o carboidrato. Ambos os sistemas funcionam paralelamente, complementando-se. A contribuição da fonte energética durante o exercício depende da intensidade do esforço e de sua duração.

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Utilização dos diferentes sistemas energéticos mediante a duração e intensidade do esforço
Intensidade Muito intenso Intenso Pouco intenso Moderado Leve Duração 0 – 6 segundos 6 – 30 segundos 30 segundos – 2 minutos 2 – 3 minutos Sistema energético Anaeróbio Anaeróbio Anaeróbio Anaeróbio / Aeróbio

> 3 minutos Aeróbio Adaptado de CONTEY, M. (2000)

Já estão bem estabelecidas as diferenças que ocorrem entre a prática de exercícios de alta e baixa intensidade. Uma grande parte do oxigênio consumido é utilizado para a oxidação dos carboidratos e uma pequena parte para os lipídeos, durante as sessões de exercícios. Dado ao fato, é comum a afirmação de que os exercícios de baixa intensidade são melhores que os de alta intensidade, quando o objetivo é a redução do peso corporal, pois aumenta a oxidação de gorduras. Segundo MELBY (1999), PHELAN et al. (1997) estudaram os efeitos dos exercícios de alta e baixa intensidade, nos quais a quantidade de energia produzida e a utilizada fossem iguais, o estudo foi feito com oito mulheres eumenorréicas. Eles encontraram, como era esperado, que a oxidação dos carboidratos foi significativamente maior quando o protocolo utilizado preconizava um exercício de alta intensidade (75% VO2máx), quando comparado com a atividade de baixa intensidade (50% VO 2máx). O total de gordura oxidada (exercício mais 3h de recuperação) foi maior durante os exercícios de baixa intensidade. Porém, a velocidade de oxidação das gorduras foi 23,8% maior nas 3h subseqüentes aos exercícios de alta intensidade, quando comparado com os de baixa intensidade.

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Durante os exercícios de baixa intensidade, isto é, 25% do VO2máx, os AGL plasmáticos são praticamente a única e exclusiva fonte de gordura como combustível devido à proximidade entre a velocidade de oxidação das gorduras e o desaparecimento dos AGL do sangue. Entretanto, durante os exercícios em intensidade elevada, o total de gordura oxidada em pessoas treinadas para resistência é bem maior que a velocidade de desaparecimento dos AGL do plasma. Este fato evidencia que ocorre uma oxidação adicional de gordura que deve ter sua origem nos triglicerídeos acumulados dentro da fibra muscular. Calcula-se que a oxidação do triglicerídeo intramuscular seja bem baixa quando a intensidade do exercício é da ordem de 25% do VO2máx, porém quando o VO2máx é de 65%, o triglicerídeo intramuscular contribui com aproximadamente metade do total de gordura oxidada. O total de triglicerídeo intramuscular oxidado se reduz quando a intensidade do exercício se eleva para 85% do VO2máx (COYLE, 1997). MISNER, citado por POLLOCK (1993), estudou um grupo com oito homens que se exercitaram com pesos durante oito semanas, numa freqüência de 3 vezes por semana durante trinta minutos e obteve os seguinte resultados: aumento ponderal (1 Kg), e os tecidos livres de gordura ou magros um aumento de 3,1 Kg. Perderam também 2,3 Kg de gordura total e de 2,9% na taxa relativa aos depósitos de gordura. WILMORE, citado por POLLOCK (1993), estudou um grupo de 47 mulheres e 26 homens durante duas semanas por 40 minutos. Após o treinamento foram obtidos os seguintes resultados: sem alterações na composição corporal, redução da gordura corporal total e relativa de respectivamente, até 1,2 Kg e 0,9 Kg, e 1,9% e 1,3%, um aumento do peso livre de gordura de 1,1% e 1,2%. BROWN e WILMORE, citados por POLLOCK (1993), estudaram um grupo de sete atletas de pista e arremesso com idades entre 16 e 23 anos onde foram treinados durante seis meses 13

com treinamento de resistência máxima três vezes por semana por 60 a 90 minutos por dia. Obtiveram em seu trabalho os seguintes resultados: ligeiro declínio no peso corporal, gorduras corporais totais e relativas e um aumento no peso livre de gordura. Há diversas formas de relacionar atividade física com a redução da gordura corporal, mesmo que em muitas atividades física possa ocorrer um aumento do peso corporal. Uma forma de se trabalhar atividades neuromusculares com atividades de preparação cardiorespiratória é o circuito. O circuito pode trabalhar com maior predominância o sistema anaeróbio (podendo ser mais intenso) ou trabalhar bem o sistema aeróbio ou trabalhar ambos os sistemas em momentos distintos da mesma sessão de treino (GETTMAN et al., 1978, citado por GUILHERME & SOUZA JÚNIOR, 2006). Tudo dependerá da montagem do circuito, podendo se adequar de acordo com a necessidade (objetivo) e gosto do praticante (TUBINO; MOREIRA, 2003, citado por GUILHERME & SOUZA JÚNIOR, 2006). Essa variação tornou-se uma atividade de grande motivação para seus praticantes, pois os exercícios além de não serem muito repetitivos nem exaustantes, funcionando com variações de exercícios e intensidades (ora mais intensos – estações; ora menos intensos – intervalos de recuperação). A redução de gordura corporal é estimulada tanto pelos exercícios aeróbios quanto pelos anaeróbios como a ginástica com pesos (BROEDER et al, 1992; BROWN & WILMORE, 1974; FAHEY & BROWN, 1973; GETTMAN et al, 1978; GETTMAN & POLLOCK, 1981; MAYHEW & GROSS, 1974; MISNER, et al, 1974; WILMORE, 1974; WILMORE et al, 1978, citado por SANTARÉM, 1998). Quaisquer que sejam os substratos energéticos utilizados durante a atividade, a sua reposição será priorizada na realimentação subseqüente aos exercícios. Havendo excesso ou falta de ingestão calórica, haverá, respectivamente, aumento ou redução na quantidade de reserva energética (tecido adiposo). O metabolismo basal volta 14

aos níveis de repouso minutos após os exercícios aeróbios, mas permanece ativado durante várias horas após os exercícios anaeróbios (GAESSER & BROOKS, 1984, citado por SANTARÉM, 1998). Pode-se dizer que os ácidos graxos são mobilizados durante os esforços aeróbios e após os esforços anaeróbios. Citados por COSTA (2004), para WILMORE (2001) e BOUCHARD (2003), os exercícios são determinantemente significativos na manutenção de peso a longo prazo. E a atividade física deve ser reconhecida como essencial para um programa de redução ou de controle de peso.

4. CONCLUSÃO Através dos dados apresentados nesta revisão, concluímos que a prática regular de atividade física apresenta resultados benéficos importantes em indivíduos

independentemente do nível de condicionamento físico. Visando manter por maior tempo o cumprimento do programa proposto, é aconselhável a prescrição de exercícios onde o indivíduo ao executá-la, esteja sempre motivado a fazê-la, ou seja, atividades não rotineiras envolvendo exercícios aeróbicos e anaeróbicos (treinamento em circuito) com intensidades de moderada a alta, respeitando sempre a individualidade de cada praticante. Exercícios em circuito apresentaram menor intervalo entre as estações, ocasionando um maior gasto energético no período de recuperação, através do EPOC. Porém ambos os modos de circuito apresentaram gastos energéticos recomendados para que ocorra o emagrecimento a longo prazo. Contudo, os circuitos de menores intervalos (mais intensos) apresentaram nas pesquisas revisadas uma maior melhora ou manutenção da aptidão física (capacidades físicas) dos indivíduos.

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Outro fator influenciador na redução da gordura corporal é assimilando a atividade física com uma dieta hipocalórica, prescrita por nutricionista, pois uma maior gasto calórico influenciado pela atividade física e, uma menor ingestão calórica, influenciada pela dieta, torna-se a melhor recomendação para a redução da gordura corporal de maneira saudável.

5. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 1. CIOLAC, Emmanuel G.; GUIMARÃES, Guilherme V. – Exercício Físico e Síndrome Metabólica - Revista Brasileira Medicina do Esporte – Vol. 10, Nº 4 – Julho / Agosto, 2004 2. CONTE, Marcelo; DOMINGUES, Sérgio P. T.; GODOI, Vladimir J.; MÁS, Élio F.; VAZATTA, Roberto; TEIXEIRA, Luís F. M. – Interação entre VO2máx, Índice de Massa Corporal e Flexibilidade. 3. COSTA, Jean P.; LESTE, Valnei S. – Efeitos da Prática da Musculação na Composição Corporal – Rio de Janeiro, 2004 4. COYLE Edward F. – Metabolismo Lipídico Durante o Exercício. SPORTS SCIENCE EXCHANGE. Nutrição no Esporte. Número 15. Janeiro / Fevereiro – 1997 5. FISBERG, Mauro; OLIVEIRA, Cecília L.; CINTRA, Isa P.; LOSSO, Gabriela; BUENO, Milena B.; RHEIN, Samantha O.; MAXIMINO, Priscila – Impact of the Hypocaloric Diet Using Food Substitutes on the Body Weight and Biochemical Profile (Impacto da Dieta Hipocalórica Utilizando Substituto Alimentar Sobre o Peso Corporal e o Perfil Bioquímico) Archivos Latinoamericanos de Nutrición, Caracas – Venezuela, Volume 54, Número 4, Página 402-407, 2004.

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Publicado em 08.11.1998 20. VIVOLO, Marco A. – Conselho Científico do Site da Sociedade Brasielira de Diabetes (http://www.diabetes.org.br/atividade_fisica/peso.php) Publicado em 2006

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