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3-Bases Do Reparo de Leses No Dna e Doenas Genticas Produzidas

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Published by: Nadja Smiljanić Andrade on Oct 23, 2011
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BASES DO REPARO DE LESÕES NO DNA E DOENÇAS GENÉTICAS PRODUZIDAS

MECANISMOS DE REPARO DE LESÕES: A PRESERVAÇÃO DA INFORMAÇAO GENÉTICA O papel biológico desempenhado pelas moléculas de DNA exige que elas possuam duas propriedades fundamentais: (i) de auto-replicação e (ii) de preservação da informação genética. Para que o conteúdo informacional do DNA seja preservado e corretamente transmitido de geração em geração, é indispensável que haja fidelidade na replicação semiconservativa e que existam mecanismos de reparo de modificações estruturais produzidas no material genético por agentes físicos, químicos e biológicos. Erros na replicação semiconservativa podem ocorrer espontaneamente, mas são bastante raros, dada a existência de mecanismos capazes de impedi-los ou corrigi-los. Durante a formação das novas cadeias polinucleotídicas, além das diferenças de afinidades das bases nitrogenadas (formação preferencial de pares entre adenina-timina ou entre citosina-guanina, a atuação seletiva da DNA polimerase evita grande parte dos erros de pareamento devido a sua capacidade exonucleolítica (função editorial)). Outros mecanismos podem se expressar após a replicação, por meio de enzimas capazes de remover bases nitrogenadas incorretamente incorporadas à cadeia ou de degradar segmentos nos quais tenham erros. Para tal, é indispensável à distinção entre as hélices neossintetizadas e as pré-existentes, o que depende dos diferentes graus de metilação existentes entre elas. Quando persistem erros de pareamento após a replicação, algumas enzimas entram em ação. As proteínas MutS e MutL reconhecem os erros de pareamento e a proteína MutiH corta o DNA nas seqüências 5’GATC3’ não metiladas (ou novas). Posteriormente a DNA polimerase copia o novo o trecho retirado pelo sistema Mut. A atuação conjugada destes processos faz com que a probabilidade de ocorrência e/ou persistência de um erro de pareamento seja bastante reduzida, da ordem de grandeza de 10-10, ou seja. de um nucleotídeo indevidamente inserido para cada 1010 nucleotídeos. Uma base nitrogenada incorporada erroneamente acarreta alteração do conteúdo informacional transmissível às gerações subseqüentes, constituindo a mutagênese direta. REPARO DE LESÕES Diversos agentes físicos ou químicos do meio ambiente e mesmo componentes biológicos podem promover modificações estruturais na molécula de DNA, englobadas sob a designação genérica de lesão, cuja persistência representa um obstáculo à manutenção dos processos bioquímicos intracelulares regulares. Assim é fácil entender a importância dos mecanismos enzimáticos que atuam restaurando a integridade do genoma ou criando vias que permitam à célula tolerar as lesões, isto é, manter suas funções mesmo sem a eliminação dos danos provocados no DNA. A não funcionalidade dos mecanismos de reparação conduz à inativação da célula após o seu tratamento com o agente físico ou químico ou, eventualmente, pode ocorrer modificação do património genético, isto é. podem surgir mutações. Mas nem sempre os mecanismos de reparo atuam corretamente. Em alguns casos eles podem promover o desaparecimento da lesão, com alteração do conteúdo informacional, o que caracteriza a mutagênese indireta. Os mecanismos de reparação do DNA, em geral, são dependentes dos produtos de diversos genes e se caracterizam por possuírem várias etapas. possibilitando vias alternativas, muitas vezes coexistentes e competitivas. REVERSÃO DIRETA DAS LESÕES Alguns tipos de lesões podem ser revertidos diretamente mediante a ação de uma única enzima. que desfaz a lesão produzida, restaurando a integridade da molécula de DNA. Como exemplos de mecanismos deste tipo de reparação podem ser citados a fotorreativação e a remoção de grupamentos alquil. FOTORREATIVAÇAO Entre os fotoprodutos formados pelas radiações UV germicidas, os dímeros de pirimidinas são os mais freqüentes. sendo os responsáveis pela inativação celular. A fotorreativação consiste na eliminação de dímeros de pirimidinas mediante exposição das células previamente irradiadas com UV germicida a novas irradiações com UV ou à luz visível. O processo é mediado pela enzima de fotorreativação ou fotoliase, que tem a propriedade de combinar-se, mesmo em ausência de luz, com DNA contendo dímeros de pirimidinas. Quando o complexo enzima-substrato é iluminado, ele se dissocia, sendo liberados o DNA reparado e a enzima. esta podendo atuar em outros sítios nos quais ainda existam dímeros. A fotoliase age rompendo a ligação ciclobutano entre duas pirimidinas. Os

Em células de mamíferos. Vias competitivas também parecem existir. (ii) excisão e polimerização: é etapa seguinte do reparo e envolve a DNA polimerase que preenche as lacunas deixadas e que também tem o papel de excisar a lesão. Como exemplos de reparação indutiva têm-se . dependentes de diversos genes. produtos de adição de vários compostos químicos (tais como a mitomicina C e a psoraleína). Em alguns casos. admite oito grupos distintos de complementação. à semelhança do que ocorre na reparação por excisão. a doença humana xeroderma pigmentoso (XP). o DNA é alquilado nas mais diversas posições. pela polinucleotídeo ligase.BASES DO REPARO DE LESÕES NO DNA E DOENÇAS GENÉTICAS PRODUZIDAS comprimentos de onda mais eficientes para promover a fotorreativação situam-se entre 340 e 390 nm. Por esta razão. nitrosouréia ou nitrosoguanidína. Assim. A remoção dos grupamentos alquil das bases acarreta a inativação destas proteínas. capazes de romper a ligação entre a base e a desoxirribose gerando sítios apurínicos ou apirimídicos (sítios AP). a deficiência herdada geneticamente da atividade endonucleolítica. além do produto do gene recA. bastante sensíveis às radiações UV germicidas. podem ser reconhecidos: dímeros de pirimidinas. Assim. só sendo funcional se estes genes encontram-se sob a forma de seus alelos selvagens. que apresenta. que são transcritos em RNA mensageiro e traduzidos em proteínas. pelo menos. Devido a sua complexidade. A etapa final do processo é promovida. mediadas por determinados sinais. REPARAÇÃO POR EXCISÃO O isolamento de mutantes de E. a endonuclease responsável por esta etapa é codificada pelos genes uvrA. que faz a união do fragmento neossintetizado à extremidade livre da cadeia pré-existente. Recentemente. oito genes distintos. que é relativamente inespecífica em relação à natureza da lesão. O modelo de mecanismo de reparo fundamenta-se nas trocas de material genético entre as moléculas de DNA . anterior e posteriormente à lesão. coli. a proteína RecA forma longos filamentos que envolvem as hélices do DNA promovendo a troca de fitas entre duas moléculas de DNA. coli B denominados Bs-1 e Bs-2. parece lógico admitir ser a enzima ativa o produto de. a endonuclease parece ser codificada por um número ainda maior de genes. TRANSFERÊNCIA DE GRUPAMENTOS ALQUIL Quando células são tratadas com agentes alquilantes. coli existem duas enzimas que reparam o DNA por transferência direta do grupamento alquil: as proteínas Ada e Ogt (O-6-metilguanina DNA metil transferases) codificadas pelos genes ada e aogt. levou à proposição da existência de um mecanismo de reparação independente da iluminação que seria deficiente nestes mutantes. estas lesões podem ser reparadas diretamente pela remoção dos grupamentos alquil. Em E. entre outras características. Uma vez que. a reparação recombinacional exige a atuação de varias proteínas intracelulares. REPARAÇÃO INDUTIVA Agentes físicos ou químicos podem provocar respostas celulares articuladas. Nesta situação. Em E. e é denominada de endonuclease UvrABC. REMOÇÃO DE BASES NITROGENADAS Bases nitrogenadas lesadas pelo tratamento com um agente físico ou químico podem ser removidas pela atuação de N-glicosilases. REPARAÇÃO PÓS-REPLICATIVA A existência na célula de dois ou mais exemplares de determinada seqüência informacional pode favorecer a manutenção de sua viabilidade após tratamentos com agentes físicos ou químicos pela recombinação de fragmentos não lesados. sendo hoje conhecido como reparação por excisão ou reparação por excisão-ressíntese que compreende as seguintes etapas: (i) reconhecimento e incisão: é a primeira etapa do mecanismo de excisão de fragmentos da cadeia polinucleotídica. vários adutos (inclusive a 6-4 timinacitosina). respectivamente. este mecanismo foi inicialmente denominado de reparação no escuro. uvrB e uvrC. pois a enzima por ela responsável identifica como substrato moléculas de DNA que contenham distorções produzidas por vários tipos de lesões. nesta doença. e expressadas fenotipicamente pela desrepressão de um ou mais genes. tais como. O fechamento das lacunas formadas durante o processo de reparo recombinacional é realizado pela DNA polimerase 1. elevada sensibilidade ao UV solar e alta incidência de câncer de pele. (III) ligação: a finalização do reparo é promovida pela polinucleotídeo ligase. foi mostrado que essa endonuclease é capaz de produzir duas roturas na cadeia polinucleotídica.

FUNÇÕES SOS Em termos de reparo. A resposta adaptativa também tem sido descrita após tratamento com diversos agentes químicos. envolvendo as proteínas RecA e lexÀ. por exemplo). de reduzir a inativação celular e a mutagênese produzidas por estes agentes. algumas moléculas desta proteína passam ao estado co-proteolítico (co-protease RecA). entre os quais a própria transformação neoplásica. RESPOSTAS ADAPTATIVAS Quando células procarióticas ou eucaríóticas são expostas a concentrações reduzidas (sub-letais) de determinados agentes químicos. A hipótese da existência de um mecanismo geral de controle de diversos genes em eucariotos é bastante atraente.BASES DO REPARO DE LESÕES NO DNA E DOENÇAS GENÉTICAS PRODUZIDAS as respostas adaptativas e as funções SOS.. etc. Em E. pelo menos duas enzimas acumulam-se após o tratamento indutor. As espécies reativas de oxigênio estão relacionadas ao aparecimento de diversas respostas do sistema biológico. elas podem tomar-se mais resistentes a tratamentos posteriores com concentrações elevadas (letais) do mesmo agente. A proteína Ada. o nível de protease RecA se reduz e a proteína LexA. todos já verificados experimentalmente. é explicado pelo acúmulo intracelular de uma ou mais enzimas capazes de eliminar lesões provocadas no DNA pelo tratamento. que atuam tendo como intermediários as ERO. 0 produto do gene oxyR é um regulador positivo de pelo menos nove genes. pois. O sistema de controle da expressão das funções SOS é relativamente complexo. Ambas são capazes de promover a eliminação de lesões provocadas no DNA por agentes alquilantes e. Que tipo de dieta você sugeriria um paciente com alguma doença sugestiva da participação e ERO. 0-4 da timina e da ligação fosfodiéster.. portanto. (iii) após a eliminação das lesões (e conseqüentemente do sinal indutor). genes ligados a processos de reparação. genes ligados a outras funções celulares como a filamentação. LexA e dos produtos dos outros genes que estavam reprimidos por LexA. conduzindo à síntese de milhares de moléculas de Ada. em muitos casos. Como você se posiciona em relação ao consumo de uma dieta rica em alimentos com substâncias oxidantes. cuja expressão é dependente da existência de alelos selvagens de dois genes: recA e lexA. mas. inclusive o peróxido de hidrogênio. O gene oxyR codifica a proteína OxyR. superóxido dismutase. No caso da remoção do metil da ligação fosfodiéster. a proteína Ada sofre uma mudança conformacional. coli: (i) a proteína LexA (o produto do gene lexA é repressora de diversos genes. neste momento acumulada na célula. entre os quais encontram-se o próprio gene lexA. glutationa redutase e uma alquil hidroperóxido redutase. observa-se o aumento da quantidade intracelular das proteínas RecA. (ii) a proteína RecA é uma enzima multifuncional. tomando-se um ativador de seu próprio gene. A oxidação da proteína OxvR é o sinal para que haja a ativação da transcrição destes genes. Diversos fenômenos foram observados e interpretados como uma forma de expressão de mecanismos induzidos de reparação do DNA em eucariotos. conhecido como reparação adaptativa. Quando ocorre o sinal indutor (por exemplo. Quatro das proteínas OxvR-dependentes já foram identificadas: catalase. A existência em células de mamíferos de funções análogas às que acabam de ser descritas em bactérias constitui um dos pontos mais polêmicos entre os foto e radiobiologistas. pelo menos em E. O excesso de proteína Ada conduz a desrepressão de outro gene. o surgimento de lesões no DNA). Com base no que você estudou. desempenhando diversos papéis na célula (controle da recombinação genética e da reparação pós-replicativa. Para que ela se expresse é indispensável que a célula possa sintetizar proteínas após o primeiro tratamento indutor. Sua interação com a proteína LexA induz a autoclivagem desta. o gene recA. volta a reprimir os genes por ela controlados. coli e em algumas outras espécies bacterianas. discuta a importância dos mecanismos de reparo de lesões do DNA . o alkA que codifica para a síntese da 3-metil adenina DNA glicosilase II (Tag II) que remove bases metiladas em diferentes posições. Como consequência. as chamadas funções SOS. reduzindo assim seus efeitos letais ou mutagênicos. O modelo hoje admitido fundamentase nos seguintes princípios. remove grupamentos alquil inseridos nas posições 0-6 da guanna. responsável pelo aumento da resistência celular ao peróxido de hidrogênio. outras interpretações são igualmente possíveis. ela poderia justificar inúmeros fenômenos da maior relevância. se verificada experimentalmente. Este fenômeno. particular importância tem sido dada a um conjunto de funções celulares desreprimidas quando surgem lesões no DNA.

Identifique os principais radio e fotoprodutos formados na molécula de DNA e discuta as consequências do mesmos. ao fato dos seres vivos estarem expostos à radiação natural. . assim como.BASES DO REPARO DE LESÕES NO DNA E DOENÇAS GENÉTICAS PRODUZIDAS do ponto de vista dos procedimentos médicos que empregam agentes químicos e físicos.

Entretanto. etc. A progeria ou síndrome de Hutchinson-Gilford caracteriza-se por envelhecimento bastante precoce. Células de pacientes com esta doença são bastante sensíveis às radiações ionizantes e agentes alquilantes. queratoses. são muito sensíveis a agentes químicos que provocam ligações cruzadas. desordens da palavra. retardo mental. embora aparentemente sejam proficientes em reparação pós-replicativa. tremores. A anemia de Fanconi caracteriza-se por severas deficiências na hematopoiese. Entretanto. principalmente dos raios cósmicos. sendo o envelhecimento acelerado pelos efeitos deletérios das radiações ambientais. muitas vezes por leucemia. grande incidência de alguns tipos de câncer de pele. mal-formações ósseas. o que toma possível a evolução normal do processo de excisão. Foi proposto que. Células XP não reparam fotolesões por serem deficientes na endonuclease. Experimentalmente. nestes pacientes. É interessante ressaltar que a incidência destas doenças parece correlacionada com determinados grupos populacionais. dilatação permanente dos capilares. ocorreria impossibilidade de reparação de lesões provocadas pelas radiações ionizantes. As deficiências imunitárias e a alta incidência de leucemias. Em alguns variantes da doença. O xeroderma pigmentoso é uma doença autossômica recessiva. As células destes pacientes são muito sensíveis ao UV. como por exemplo a mitomicina C. embora os sintomas clínicos sejam análogos. de tal forma que crianças portadoras desta doença aparentam se encontrar cm estado senil. entre famílias judias oriundas de uma determinada região da Ucrânia. sendo comum o aparecimento. retardo no crescimento e no desenvolvimento intelectual e pigmentação marrom da pele. são. o reparo por excisão é normal.). . Esses fatos favorecem a hipótese de que certos genes recessivos estariam relacionados com a potencialidade do desenvolvimento de uma dessas doenças. O defeito no mecanismo de reparação ainda não foi identificado. etc. o que tem sido interpretado como devido à dificuldade para a reparação das roturas produzidas no DNA.LEITURA COMPLEMENTAR MECANISMOS DE REPARAÇAO E ALGUMAS DOENÇAS Em diversas doenças foi verificada a ocorrência dr determinadas deficiências nos mecanismos de reparação de lesões produzidas no DNA por agentes físicos ou químicos. adicionando a culturas destas células. arteríolas e vênulas e deficiências imunológicas. pois as cinéticas dos reparos por excisão e pós-replicativo parecem normais. uma vez que a ataxia telangiectásica é freqüente em Israel em judeus de origem marroquina. embora células destes pacientes sejam muito sensíveis a agentes alquilantes como o etil-metanossulfonato. as responsáveis pela morte. esta hipótese ainda não foi confirmada A ataxia telangiectásica (AT) caracteriza-se por distúrbios neurológicos de origem cerebelar (dificuldades de coordenação motora. A síndrome de Cockayne caracteriza-se por um desenvolvimento normal na infância seguida de uma parada deste desenvolvimento físico e mental. Células de pacientes acometidos desta doença. a morte ocorrendo. a enzima codificada pelo gene denV do fago T4. além de freqüentes alterações da resposta imune. Usualmente. envelhecimento precoce e sensibilidade ao UV solar. de sinais e sintomas devidos à insuficiência coronariana. hiperpigmentação. enquanto a síndrome de Bloom ocorre significativamente nos Estados Unidos. retardo no crescimento. na infância. embora o defeito nos mecanismos de reparação ainda não tenha sido detectado. quase sempre. devidas a erros hereditários na síntese de uma ou mais enzimas. A morte costuma ocorrer na infância ou na adolescência. que se caracteriza por elevada sensibilidade ao sol. Isso pode ser demostrado. A incidência de neoplasias é bastante elevada. o mecanismo ainda é controvertido. eritema telangiectásico nas zonas expostas ao UV solar e elevada sensibilidade a esta radiação. antes dos 20 anos de idade. A síndrome de Bloom é caracterizada por severos retardos no crescimento. mas parece haver deficiência na reparação pós-replicativa. embora não pareça haver aumento da incidência de neoplasias.

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