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Apostila de Direito rial 2 (Direito rio

Apostila de Direito rial 2 (Direito rio

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  • 1- CONCEITOS
  • 1.1- Sociedade
  • 1.2- Empresa
  • 1.3- Associações
  • 1.4- Fundações
  • 2.1.1- Sociedades Não Personificadas (art.(s) 986 a 996, CC/02)
  • Sociedade em comum (art. 986 a 990 CC/02)
  • Sociedade em conta de participação (art. 991 a 996 CC/02)
  • Sociedade de pessoas e de capitais
  • 3- MODELOS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA
  • 3.1- Limitada (art. 1052 a 1087 do CC/02)
  • 3.1.2- Conceito, Natureza jurídica e Características
  • 3.1.3- Capital Social e Patrimônio ( art. 5°, Lei 3708/19)
  • Conceito
  • Formação
  • 3.1.4- Sócio Quotista
  • Responsabilidade
  • Dever de lealdade dos sócios
  • Menor como sócio quotista
  • Sociedade entre Cônjuges
  • Sócio Remisso
  • Direitos dos associados
  • - Gerência
  • Responsabilidade do gerente
  • Cessão de Quotas
  • Cessão de sócio para sócio
  • Cessão à própria sociedade (art. 8º do Decreto Lei 3708/19)
  • Cessão de quotas a terceiros
  • Possibilidade de penhora
  • Assembleia e quorum de instalação
  • Assembleia
  • Quorum de instalação
  • Convocação da reunião ou assembleia de sócios:
  • Formalidades da Convocação:
  • Espécies de quorum
  • Matérias e respectivos quoruns de deliberação:
  • Ata da assembleia ou reunião
  • Fiscalização da gestão da empresa
  • Comandita simples
  • Sociedade em nome coletivo
  • Sociedade anônima (S/A)
  • Conceito, natureza jurídica, características
  • Características:
  • Natureza jurídica:
  • Aspectos gerais:
  • A Lei nº. 10.303/2001
  • Constituição da companhia
  • Formalidades complementares (lei 6404/76, art. 94 a 99)
  • Capital social
  • Funções do capital social
  • Variações do capital social
  • Aumento de capital social
  • Redução do capital social
  • Valores mobiliários
  • Conceito de ação
  • Natureza jurídica
  • Valor das ações
  • Ações com valor nominal
  • Ações sem valor nominal
  • Preço de emissão
  • Classificação
  • Quanto à espécie
  • Quanto à classe
  • Quanto à forma
  • Conceito de debêntures e finalidade
  • Diferença entre ações e debêntures
  • Emissão e forma
  • Partes beneficiárias
  • Bônus de subscrição
  • Alienação das cotas e das ações
  • Os livros sociais
  • Escrituração do agente emissor e das ações escriturais
  • Exibição dos livros sociais
  • Dos acionistas
  • Direitos
  • Obrigações do acionista
  • O acionista remisso
  • Acionistas majoritários e minoritários
  • O Direito de voto
  • Exercício e abuso de poder
  • O acionista controlador
  • Responsabilidades do controlador
  • Acordo de acionistas (Lei nº. 6.404, art. 118)
  • Suspensão do exercício dos direitos
  • Direito de recesso
  • Órgão sociais
  • Assembleia geral
  • Assembleia geral ordinária
  • Assembleia geral extraordinária
  • Assembleias especiais
  • Assembleia de constituição
  • Conselho de administração
  • Diretoria
  • Conselho fiscal
  • As auditorias independentes
  • Responsabilidade dos administradores
  • Lucros reservas e dividendos
  • Lucros
  • Reservas
  • Dividendos
  • Dividendos obrigatórios
  • Dividendos prioritários
  • Exercicio social
  • Demonstrações financeiras
  • MERCADO DE CAPITAIS
  • Comissão de valores mobiliários (CVM)
  • As bolsas de valores
  • O mercado de balcão
  • Capital autorizado
  • SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA
  • Sociedade coligada
  • Sociedade controlada e controladora
  • Subsidiária integral
  • Grupos de sociedades e consórcios
  • Sociedade em comandita por ações
  • OPERAÇÕES SOCIAIS
  • A extinção da sociedade
  • Dissolução
  • Liquidação
  • Partilha
  • Apuração de haveres
  • Extinção
  • Transformação
  • Incorporação, Fusão e Cisão
  • Incorporação
  • Fusão
  • Cisão

DIREITO EMPRESARIAL II

SOCIEDADES EMPRESARIAIS

Paulo Nevares 2009

Paulo Nevares

1- CONCEITOS.....................................................................................................................6
1.1- Sociedade...............................................................................................................................6 1.2- Empresa.................................................................................................................................6 1.3- Associações............................................................................................................................7 1.4- Fundações .............................................................................................................................7

2- CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES DE ACORDO COM A LEI N°. 10.406/02....8
2.1.1- Sociedades Não Personificadas (art.(s) 986 a 996, CC/02)..............................................9 Sociedade em comum (art. 986 a 990 CC/02).............................................................................9 Sociedade em conta de participação (art. 991 a 996 CC/02).....................................................9 Sociedade de pessoas e de capitais............................................................................................15

3- MODELOS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA.............................................................16
3.1- Limitada (art. 1052 a 1087 do CC/02)..............................................................................16 3.1.2- Conceito, Natureza jurídica e Características...............................................................16 3.1.3- Capital Social e Patrimônio ( art. 5°, Lei 3708/19)........................................................17 Conceito......................................................................................................................................17 Formação...................................................................................................................................17 3.1.4- Sócio Quotista..................................................................................................................18 Responsabilidade........................................................................................................................18 Dever de lealdade dos sócios......................................................................................................18 Menor como sócio quotista.......................................................................................................19 Sociedade entre Cônjuges..........................................................................................................19 Sócio Remisso............................................................................................................................20 Direitos dos associados ..............................................................................................................21 - Gerência....................................................................................................................................21 Responsabilidade do gerente....................................................................................................22 Cessão de Quotas .....................................................................................................................23 Cessão de sócio para sócio........................................................................................................24 Cessão à própria sociedade (art. 8º do Decreto Lei 3708/19)..................................................24 Cessão de quotas a terceiros......................................................................................................24 Possibilidade de penhora..........................................................................................................25 Assembleia e quorum de instalação..........................................................................................25 Assembleia..................................................................................................................................25 Quorum de instalação................................................................................................................26 Convocação da reunião ou assembleia de sócios:.....................................................................27

Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais

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Paulo Nevares

Formalidades da Convocação:..................................................................................................27 Espécies de quorum...................................................................................................................27 Matérias e respectivos quoruns de deliberação:......................................................................28 Ata da assembleia ou reunião ...................................................................................................29 Fiscalização da gestão da empresa ...........................................................................................29 Comandita simples....................................................................................................................30 Sociedade em nome coletivo.....................................................................................................31 Sociedade anônima (S/A)..........................................................................................................32 Conceito, natureza jurídica, características............................................................................32 Características:..........................................................................................................................32 Natureza jurídica:......................................................................................................................33 Aspectos gerais:..........................................................................................................................34 A Lei nº. 10.303/2001.................................................................................................................34 Constituição da companhia.......................................................................................................35 Formalidades complementares (lei 6404/76, art. 94 a 99).......................................................36 Capital social..............................................................................................................................36 Funções do capital social............................................................................................................37 Variações do capital social.........................................................................................................37 Aumento de capital social .........................................................................................................38 Redução do capital social ..........................................................................................................39 Valores mobiliários....................................................................................................................39 Conceito de ação........................................................................................................................39 Natureza jurídica.......................................................................................................................41 Valor das ações...........................................................................................................................42 Ações com valor nominal...........................................................................................................42 Ações sem valor nominal...........................................................................................................43 Preço de emissão.........................................................................................................................45 Classificação..............................................................................................................................45 Quanto à espécie.........................................................................................................................45 Quanto à classe..........................................................................................................................46 Quanto à forma..........................................................................................................................46 Conceito de debêntures e finalidade........................................................................................47 Diferença entre ações e debêntures...........................................................................................48 Emissão e forma.........................................................................................................................49 Partes beneficiárias....................................................................................................................49

Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais

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Paulo Nevares

Bônus de subscrição...................................................................................................................50 Alienação das cotas e das ações.................................................................................................50 Os livros sociais .........................................................................................................................51 Escrituração do agente emissor e das ações escriturais...........................................................52 Exibição dos livros sociais .........................................................................................................52 Dos acionistas.............................................................................................................................53 Direitos........................................................................................................................................53 Obrigações do acionista............................................................................................................54 O acionista remisso...................................................................................................................54 Acionistas majoritários e minoritários.....................................................................................54 O Direito de voto........................................................................................................................55 Exercício e abuso de poder........................................................................................................56 O acionista controlador.............................................................................................................56 Responsabilidades do controlador............................................................................................57 Acordo de acionistas (Lei nº. 6.404, art. 118)...........................................................................57 Suspensão do exercício dos direitos..........................................................................................58 Direito de recesso.......................................................................................................................59 Órgão sociais...............................................................................................................................60 Assembleia geral........................................................................................................................60 Assembleia geral ordinária........................................................................................................61 Assembleia geral extraordinária...............................................................................................62 Assembleias especiais.................................................................................................................62 Assembleia de constituição........................................................................................................63 Conselho de administração........................................................................................................63 Diretoria......................................................................................................................................63 Conselho fiscal...........................................................................................................................64 As auditorias independentes......................................................................................................64 Responsabilidade dos administradores....................................................................................65 Lucros reservas e dividendos.....................................................................................................65 Lucros.........................................................................................................................................65 Reservas......................................................................................................................................65 Dividendos..................................................................................................................................67 Dividendos obrigatórios.............................................................................................................68 Dividendos prioritários..............................................................................................................68 Exercicio social...........................................................................................................................69

Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais

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......................................................................................................................................75 OPERAÇÕES SOCIAIS..............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................78 Transformação..............................................................80 Cisão.....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................76 Dissolução.............................................. Fusão e Cisão........................................................................................79 Incorporação................................................................................................................................................76 A extinção da sociedade....................................................................72 SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA............76 Liquidação..............................................................................................................................73 Sociedade controlada e controladora.........................................................74 Grupos de sociedades e consórcios ..........................................72 Capital autorizado.................................71 O mercado de balcão...............69 MERCADO DE CAPITAIS...................................................................74 Sociedade em comandita por ações..........................................79 Fusão...................................................................................................................78 Incorporação............................................................................................................................................77 Apuração de haveres.....................74 Subsidiária integral...................................70 As bolsas de valores....................................................73 Sociedade coligada.............................................................................69 Comissão de valores mobiliários (CVM)...........................77 Extinção............................................................................................................................................................Paulo Nevares Demonstrações financeiras...................................................................................................................76 Partilha..................................................................................................................................................................................................................................................80 Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 5 .............................................................................................................................

correspondente a sociedade de empresários. Possui três aspectos jurídicos significativos: a) O empresário (perfil subjetivo) b) O estabelecimento (perfil objetivo ou patrimonial) Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 6 . titularizam seus próprios direitos e obrigações. mas da identificação da pessoa jurídica como o agente econômico organizador da empresa. As sociedades empresárias são sempre dotadas de personalidade jurídica.Sociedade A sociedade constitui-se através de um contrato entre duas ou mais pessoas. existia o conceito econômico que serviu de amparo ao estudo. com patrimônio próprio.2. são pessoas distintas dos sócios. Não se trata. Atente-se que a adjetiva “Empresária” conota ser a própria sociedade a titular da atividade econômica. descreve empresa como: “Atividade econômica. poderá haver sociedades sem empresa (ausência de estrutura organizacional). conforme os tipos de sociedade respondem eles ou não com os seus bens particulares pelas obrigações sociais. Sociedade empresarial é a pessoa jurídica que explora uma empresa. através de um complexo de bens”. de sociedade empresarial.Paulo Nevares 1. que se obrigam a combinar esforços ou recursos para atingir fins comuns. ou seja. contudo.1. 1.CONCEITOS 1. O que mais diferencia as sociedades empresariais umas das outras é a forma de responsabilidade de seus sócios. exercido pelo empresário (antigo comerciante). Outro ponto de distinção entre os diversos tipos de sociedade empresariais é a formação dos nomes. organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado. entre as quais a “sociedade empresarial”. bem como empresa sem sociedade (empresário individual que conta com estrutura organizacional)”. Segundo Waldírio Bulgarelli na sua obra Tratado de Direito Empresarial.Empresa Não havia um conceito jurídico de empresa. em caráter profissional. conceito este: “estrutura fundada na organização dos fatores de produção para criação ou circulação de bens e serviços. A realização de investimentos comuns para a exploração de atividade econômica pode revestir várias formas jurídicas. pois. com efeito. atividade negocial e fim lucrativo.

religiosas.C.Fundações São pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos.Paulo Nevares c) A empresa (aspecto funcional. por conseguinte. etc. destinam-se a desenvolver atividades recreativas. § 2º. comunidades. São constituídas pela destinação de um patrimônio para a execução de determinados fins. para o direito societário.5.53 a 61. esportivas. as regras sobre associações (art. C.Associações São sociedades sem fins lucrativos e econômicos. este se destinará à manutenção dos fins sociais. Ainda que se apure resultado financeiro positivo. Exemplo: APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais. o conhecimento das normas básicas sobre associações (art. caracterizado por ações de solidariedade no campo das políticas públicas e pelo legítimo exercício de pressões Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 7 . sem fins lucrativos. 1. caput. estabelece a sua criação mediante dotação de bens e declaração de fins. ora estimulando a cultura e investigação científica. que visam o lucro.3. ou exercício da atividade empresarial). de acordo com o novo Código Civil. que pode ser uma pessoa natural ou pessoa jurídica. diferente das sociedades. caritativas. culturais.44. Os fins a que visam tais entidades devem ser necessariamente de natureza altruística. é preciso ainda a declaração do seu modo de funcionamento e a aprovação do estatuto pelo Ministério Público. O seu instituidor. 1. 62.ONG É um grupo social organizado. art. artística e literária. ora realizando finalidades filantrópicas.4. Com isso. C. Para ser atribuída personalidade jurídica à fundação./02). entre outros.C. prestando serviços aos associados. 1. não obstante algumas destas normas sejam totalmente incompatíveis com os preceitos próprios das sociedades e. a estas inaplicáveis./02) aplicam-se subsidiariamente as sociedades. torna-se importante. De acordo com o novo Código Civil. constituído formal e autonomamente. terceiros.

406/02 2. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 8 . 10. sem fins lucrativos. Não há norma legal que obrigue ou condicione o funcionamento das ONGs. porque o registro imobiliário não procederá o registro.986 a 990 do CC. ou seja. A edição das Leis nº 9. de 23 de março de 1999. como propõe Domingos Bernardo Sá.CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES DE ACORDO COM A LEI N°.Sociedades Despersonificadas Enquanto o ato constitutivo da sociedade não for levado a registro (art.637. que dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais (OS).985 do CC/02). podem tornar-se OS ou OSCIP. que trata da qualificação de pessoas jurídicas de direito privado como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). e nº 9. As ONGs.790. querendo e satisfazendo certas condições. pelas disposições contidas nos arts. prestadora de serviço público”. movimentar contas bancárias e praticar outros atos extrajudiciais que impliquem alienações de imóveis. mas estes poderão responsabilizá-las por todos os seus atos. não alterou esse quadro característico.1089 do CC/02). Logo. não há uma definição pacífica sobre o conceito de ONG. Em suma. As sociedades não personalizadas. Mas também pode ser definido. mas não estão obrigadas a isso. em compromisso ou promessa de cessão de direitos. em seu nome. não poderão acionar seus membros nem terceiros. não se terá uma pessoa jurídica. por não serem pessoas jurídicas. de 15 de maio de 1998. Nessa sociedade sem personalidade jurídica prevalece o principio que só quem for sujeito de direito é que poderá possuir bens.1. uma “pessoa jurídica de direito privado. a sociedade de fato não pode. mas um simples contrato de sociedade que se regerá pelos arts. figurar como parte em contrato de compra e venda de imóvel. reconhecendo a existência de fato para esse efeito.Paulo Nevares políticas em proveito de populações excluídas das condições da cidadania. e no que for compatível pelas normas da sociedades simples. 2. exceto se tratar de sociedade por ações em organização que se disciplinará por lei especial (art. salvo na hipótese de operação com recursos públicos. 997 a 1038 do referido diploma legal.

Os sócios só podem provar por escrito sua existência. em posição oculta (estes sócios denominam-se participantes). como obrigação pessoal. as obrigações da sociedade. a sociedade em conta de participação não assume em seu nome nenhuma obrigação. possuindo características excepcionalmente próprias no cenário das sociedades do direito brasileiro. CC/02). sendo uma sociedade de pessoas. Sociedade em conta de participação (art.Paulo Nevares 2. Esta classificação existe apenas para eles não para terceiros. ainda que registrados seus documentos de constituição. Trata-se de uma sociedade sem personalidade jurídica. também poderá ser regrado subsidiariamente pelas normas da sociedade simples. Não possui razão social. a firma é o próprio nome do sócio ostensivo. poderão fazê-lo na forma de sociedade em conta de participação. não há de se falar de subsidiariedade ou limitação. CC/02) Sociedade em comum (art.1. A sociedade em conta de participação é disciplinada pelos arts. desta forma. É o sócio ou sócios ostensivos — estes em conjunto ou separadamente — que assumem. em uma ou mais operações empresariais. Os sócios ostensivos. em se tratando de responsabilidade pessoal. ou outros. Poderão ser aplicadas as regras atinentes às Sociedades Simples (art.986. 991 a 996 CC/02) Reunião de 2 ou mais pessoas sem firma social.1. mas terceiros poderão prová-la de qualquer forma em Direito admitida. E assim sendo. Seus sócios são: ostensivo e oculto.(s) 986 a 996. respondem ilimitadamente Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 9 . 991 a 996 do CC. Quando duas ou mais pessoas se associam para um empreendimento comum. Exemplo: Fundos de Investimento Imobiliário.Sociedades Não Personificadas (art. Seus sócios possuem responsabilidade solidária e ilimitada. 986 a 990 CC/02) Caracterizam-se por não terem seus atos constitutivos registrados perante o órgão competente. para lucro comum. seja por seu caráter de sociedade secreta. Por não ter personalidade jurídica. seja por sua despersonalização. ficando um ou mais sócios em posição ostensiva e outro.

Já os sócios participantes não respondem senão perante os ostensivos e na forma do que houver sido pactuado. sob o ponto de vista do direito tributário. contudo. por legislação específica. Em 1986. para melhor resguardo dos interesses dos contratantes. em nome próprio. A sociedade em conta de participação é. A sua natureza despersonalizada. Do mesmo modo. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 10 . Os sócios participantes não mantêm qualquer relação jurídica com os credores por obrigações decorrentes do empreendimento comum. assumirem para o desenvolvimento do empreendimento comum. que deu início à conjugação de esforços no desenvolvimento de empresa comum. Este tipo societário. com uma situação menos onerosa. ou os sócios. por conseguinte. este ato registrário não confere à sociedade em conta de participação personalidade jurídica. Os bens empregados no desenvolvimento da empresa compõem um patrimônio especial. limitada ou ilimitadamente. ou seja. em regresso.Paulo Nevares pelas obrigações que. Estes credores devem demandar o sócio. além de despersonalizada. o registro do ato constitutivo da sociedade em conta de participação no Registro de Títulos e Documentos. sim. o direito tributário passou a equipará-la aos demais tipos societários. mas. contudo. o contrato entre os sócios. de acordo com o previsto no contrato firmado entre eles. poderão voltar-se contra os participantes. Nada impede. Isto porque sua renda não sofria tributação por força da despersonalização que a caracteriza. segundo as regras dos contratos bilaterais. também secreta. na proibição do registro na Junta Comercial. As obrigações pessoais do sócio ostensivo. não adotará nenhum nome empresarial. Falindo o sócio ostensivo. Se os credores do sócio ostensivo têm conhecimento da existência da sociedade em conta de participação. Sendo uma sociedade despersonalizada e secreta. os direitos decorrentes do contrato de sociedade em conta de participação podem integrar a massa. no que diz respeito ao imposto de renda. posto que este reside não no desconhecimento que o meio empresarial tenha da associação. Destaca a lei que. não relacionadas com o desenvolvimento do empreendimento da sociedade em conta de participação. ou seja. os participantes não podem demandar os devedores da sociedade. não haverá quebra do seu caráter secreto. não pode ser registrado no Registro das empresas. a sociedade em conta de participação deve ser liquidada. somente poderão ser satisfeitas com execução desta parte de seu patrimônio se o respectivo credor ignorava a existência da sociedade. em relação aos demais tipos. falindo o participante. ostensivos os quais. permitia aos empresários a exploração em sociedade de determinada atividade. e nas condições do contrato. até 1985.

Considerando que. propriamente. para os efeitos de direito comercial. CC/02). prazo de existência e processo de liquidação. que seria preferível entendêlo. 2. em sua forma típica somente poderá ser utilizada para as atividades não empresariais. ao exercício de profissão de natureza intelectual e. para essa pratica agente capaz. Tratando-se de um ato jurídico. objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. mais. A sociedade simples. para a disciplina das relações jurídicas entre os sócios e seus credores cíveis. as atividades rurais. vale dizer. São as peculiaridades deste tipo societário. A sociedade simples é um tipo societário introduzido no direito brasileiro pelo código civil de 2002 e que.982 do CC/02). a empreendimentos destituídos de qualquer estrutura organizacional. forma de administração. onde se exige. firmado por todos os sócios. do que. objeto social. aplica-se o disposto no art. resumindo o seu campo de abrangência aos pequenos negócios a serem definidos em lei.Paulo Nevares permanece íntegra. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 11 .104 do Código Civil. A exigência de objeto lícito significa compatibilidade com a ordem jurídica. a sociedade limitada com a vigência do novo código civil tornar-se-á mais complexa e menos flexível a tendência no que concerne aos pequenos negócios será a adoção da forma típica da sociedade simples. ao lenocínio.O Ato Constitutivo da Sociedade e sua Natureza Procede-se a constituição da sociedade através de um instrumento público ou particular. e sociedades empresariais (art. no qual se declaram as condições básicas da entidade. bem assim. A forma é a do instrumento público ou particular para as sociedades em geral e. ao jogo de azar ou tráfico de entorpecentes.Sociedades Personificadas A mesma se subdivide em sociedades simples (art. que o legislador resolveu denominar por "sociedade". Esse ato constitutivo deverá ser arquivado no registro de empresas.2. capital social. 2. para as sociedades por ações. a da ata de assembleia-geral ou a do instrumento público. não se admitindo sociedade que se proponha. como uma espécie de contrato de investimento.1.997 a 1038. domicílio. como uma espécie de sociedade comercial. de alguma maneira substitui a antiga sociedade civil regida pelo código civil revogado. por exemplo. inclusive: nome.2. cotas de cada sócio.

ou. será diferente dos seus componentes. Capacidade patrimonial. pois. 3. assume obrigações e procede judicialmente. o cheque assinado por um menor não terá valor. pode ser demandada. Capacidade é a aptidão das pessoas de exercerem atos por si mesmos. 2. mas não pode demandar. Na prática. vida e morte.Personalidade Jurídica A Sociedade empresarial ou mercantil adquire personalidade jurídica através do arquivamento de seu registro na Junta Comercial. a empresa sequer obterá a licença para funcionar. Nas hipóteses especiais de sociedade com um único sócio. uma declaração unilateral de vontade. Registrada. Deste modo.Paulo Nevares Os sócios serão em número de dois ou mais e o ato constitutivo apresentará natureza contratual. Sendo irregular. que confere personalidade jurídica. Tornando-se insolvente. Capacidade contratual. a criança é provida da personalidade civil que a lei confere a todos os cidadãos. 2. ter-se-á como ato constitutivo. não os havendo. não sendo registrada. e sem o registro. Deste modo. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 12 . o registro na Junta Comercial. não poderá haver o pleno exercício da atividade empresarial ou mercantil. 1022 do CC/02). Há de se lembrar. Uma sociedade não registrada na Junta Comercial é irregular. mas ela não é portadora da capacidade jurídica. por intermédio de qualquer administrador” (art. a empresa transforma-se em outro ser. por meio de administradores com poderes especiais.2.2. não poderá exercer seus direitos por si mesmo pela falta de capacidade de representação ativa. a diferença entre capacidade e personalidade jurídica. dir-se-ia que se trata de um novo ser vivente que reconhece nascimento. “a sociedade adquire direitos. pela falta de sua capacidade de representação. Capacidade de representação ativa e passiva. Ocorrendo a exclusão de qualquer desses itens. não será dotada de capacidade de representação ativa. portanto. A capacidade jurídica implica em: 1. se torna obrigatório. possuindo patrimônio e decisões próprias. Assim.

Assim.1.1Sociedade simples (art. Ela poderá modificar o tipo de sociedade adotada. A firma social é formada pelo nome civil de qualquer sócio acrescido da expressão Cia.1. CC/02) O traço distintivo dessa espécie de sociedade é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios com terceiros. A personalidade adquirida é individual.1- Efeitos da personalidade jurídica: a.1040. São dedicadas à profissão intelectual. b. literária ou artística.1.Espécies de Sociedade Personificada (art. e. acionar e ser acionada. São sociedades de pessoa. No cumprimento das obrigações. e esse domicílio denomina-se sede social.1. CC/02). não são empresários (art. CC/02) Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 13 . judicialmente. d. 966.983. 1039 a 1044. 2. a sociedade. inicialmente. Qualquer um dos sócios poderá exercer a administração. Sociedade de pessoa. Seu patrimônio não se confunde com o patrimônio pessoal de seus sócios. 997 a 1141 CC/02) 2.3.2. de natureza científica. § único e 997 a 1038 CC/02) Foi criada em substituição a sociedade civil.2. Empresária é. A sociedade tem domicílio diverso dos sócios.2• Sociedades empresárias: Sociedade em nome coletivo (art.2.CC/02) • Sociedade em comandita simples (art. podendo.(s) 1045 a 1051. 2. portanto.Paulo Nevares 2. A sociedade torna-se sujeito de direitos e obrigações. c. uma sociedade por quotas de responsabilidade limitada poderá ser transformada em uma sociedade anônima. subsidiariamente utiliza as normas da sociedade simples (art. o patrimônio da sociedade é que responde por suas obrigações. de sorte que os sócios não são considerados empresários.

CC/02). todo o seu patrimônio nos negócios que realizam.3.Classificação das Sociedades Quanto a Responsabilidade dos Sócios Limitadas.abertas (grandes) -------------. Ilimitadas e Mistas: A regra no direito societário brasileiro é a da subsidiariedade da responsabilidade dos sócios pelas obrigações sociais.2. e é reproduzida na legislação processual (art. Sociedade de pessoas.2.fechadas (pequenas) 2. Responsabilidade Mista. CC /02).4. isto é. enquanto a exploração empresarial do objeto social caracterizará a sociedade como empresária. O que irá determinar suas distinções na verdade será a exploração do objeto. CPC) e no Código Civil (art. naturalmente. subsidiariamente utiliza as normas da sociedade em nome coletivo (art.Paulo Nevares Caracteriza-se pela associação de pessoas para fim empresarial. obrigando-se uns como sócios solidariamente responsáveis (sócio comanditados – sempre pessoas físicas) e outros como simples prestadores de capitais. Sociedade anônima Espécies: -------------.1. Apenas na sociedade em comum o sócio que atuar como representante legal responde diretamente.1. A regra da subsidiariedade encontrava-se já no Código Comercial.Distinção entre Sociedade Simples e Empresária A distinção entre sociedade simples e empresária não reside no que diz respeito ao lucro.1046. 596. confere à sociedade o caráter de simples. sendo que o contrato deverá discriminar a natureza de cada um deles. sem profissionalmente organizar os fatores de produção. As sociedades. 2. O objeto social explorado sem empresarialidade.1. 1024. obrigando-se somente até o valor de suas quotas (sócios comanditários). respondem sempre ilimitadamente pelas obrigações assumidas envolvendo.32. Somente os comanditados podem exercer a gerência. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 14 .

os credores somente poderão alcançar os patrimônios particulares num determinado limite. de tal modo que apenas alguns respondem ilimitadamente. Em outras sociedades.1. Em um terceiro grupo de sociedades alguns dos sócios têm responsabilidade ilimitada e outros não (art.Paulo Nevares Quando se fala em sociedade de responsabilidade limitada. ou seja. na verdade. 596. e nas ilimitadas todos os sócios respondem ilimitadamente. 2. em algumas sociedades. 2. São desta categoria as seguintes sociedades: Sociedade em Comandita por Ações.2.Ilimitada: Em que todos os sócios respondem de forma ilimitadamente pelas obrigações sociais. a enorme aceitação da sociedade limitada no meio empresarial deve-se a dois fatores que determinaram seu surgimento na Europa em fins do século XIX. Nestas.1.Mista: Em que determinada parte dos sócios tem responsabilidade ilimitada e outra parte tem responsabilidade limitada.). CPC e art. além do qual o respectivo saldo será perda que deverão suportar. todos os sócios respondem limitadamente. 2. os credores poderão saciar seus créditos até a total satisfação.C. arts. em que os sócios diretores têm responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais e os demais acionistas respondem limitadamente. que é a sociedade em nome coletivo (N/C).1. enquanto suportarem os patrimônios particulares dos sócios.2.Limitada: Todos os sócios respondem de forma limitada pelas obrigações sociais.1. Se o patrimônio social não for suficiente para integral pagamento dos credores da sociedade. hoje pelo CC/02.5./02). 2.1. 1052 e 1087. a alusão é.A.Classificação das Sociedades de Acordo com a Natureza Jurídica Sociedade de pessoas e de capitais Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 15 . o saldo passivo poderá ser reclamado dos sócios. O direito contempla um só tipo de sociedade desta categoria. de forma ilimitada.1024 C. a sociedade com sócios de responsabilidade limitada. São desta categoria a sociedade limitada (LTDA) e a anônima (S.3.1.1. 3708/19. As sociedades de responsabilidade mista apresentam sócios de diferentes condições. Antes regida pelo dec.

na confiança que cada um dos sócios deposita nos seus pares.2.1. As cotas são intransferíveis.Limitada (art. As sociedades de pessoas têm no relacionamento entre os sócios a sua razão de existir.Análise do Decreto nº.1003. c/c art. de forma subsidiária. trata-se de um decreto com algumas imperfeições.C./02). intuitu personae. C. na sociedade de capitais a mutabilidade dos sócios é a regra. enquanto na sociedade de pessoas o quadro social deve manter-se constante. Neste decreto.1. Desse modo. Nas sociedades de capitais inexiste esse personalismo. não há um conceito sobre sociedade por quotas de responsabilidade ficando a cargo dos doutrinadores.MODELOS DE SOCIEDADE EMPRESÁRIA 3. não atendendo. por influência do Direito Português e Alemão. por isso existem constantes discussões doutrinarias. 3. ou seja. 3878/19 Foi feito no Brasil. seus dispositivos estão mal articulados. A cada um dos sócios é indiferente a pessoa dos demais.36 da lei 6404/76). A vinculação entre os sócios funda-se no.Paulo Nevares Essa classificação que alguns consideram destituída de interesses e prática.Conceito. O que ganha relevância nessa categoria de sociedades é a aglutinação de capitais para um determinado empreendimento. a fim de que não ingresse um estranho na sociedade. ao objetivo das sociedades por quotas. 3. A sociedade anônima é uma sociedade de capitais. 1052 a 1087 do CC/02) 3.1. tem o mérito de dirimir algumas questões relevantes. com precisão. assumindo todas.999. uma vez que não serão admitidas normas estatutárias que impeçam a negociação das ações. responsabilidade solidária pelo total do capital Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 16 . Natureza jurídica e Características Conceito É aquela que formada por duas ou mais pessoas. As sociedades de responsabilidade ilimitada ou mista e a sociedade simples são todas de pessoas. porquanto as cotas sociais somente podem ser transferidas com o consentimento dos demais sócios (art. (art.1.

Paulo Nevares social. 3. Cada sócio pode possuir quotas de valor diverso dos demais. Poderão essas sociedades usar de uma firma social. O capital é a garantia dos credores. Ao nome deve ser acrescida LTDA.1. limitada ou sociedade de responsabilidade limitada. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 17 . 5°. podendo ser constituídas. o patrimônio é real e dinâmico e o capital social é formal e estático. nominativas. pelo menos o nome de um dos sócios. Nas sociedades anônimas as frações do capital são denominadas ações. por duas ou mais pessoas do mesmo modo que se constituem as sociedades contratuais. Lei 3708/19) Conceito É a cifra correspondente ao valor dos bens que os sócios transferiram ou se obrigaram a transferir à sociedade. comprometem-se a integralizá-las transferindo à sociedade dinheiro ou bens que lhe correspondam. trazendo. As forças da sociedade se medem pelo patrimônio. como acontece com as sociedades anônimas. O novo Código Civil regula essas sociedades denominandos-as simplesmente de “limitadas”. neste caso. nas sociedades por quotas são denominadas quotas. e não pelo capital. seja por documento público ou particular. ou uma denominação particular. O patrimônio encontra-se sujeito ao sucesso ou insucesso da sociedade. as quotas são. que serão distintas. Só poderá ser modificado o capital social mediante alteração contratual. Formação A parte de cada sócio será denominada por quota. necessariamente. isto é.3. Natureza jurídica e Características Seus sócios possuem responsabilidade limitada.Capital Social e Patrimônio ( art. Os sócios ao subscreverem suas cotas. trata-se de uma cifra contábil. o capital não se altera dia-a-dia. O patrimônio da empresa é diferente de capital social.

Muitas decisões judiciais têm sido proferidas sobre a responsabilidade fiscal dos sócios.1. A maioria da jurisprudência tende a admitir esta responsabilidade. quando eles praticam atos com abuso ou excesso de poder. VIII. CC/02). O sócio. “. nas sociedades por quotas a responsabilidade dos sócios é pelo total do capital social (art.Sócio Quotista Responsabilidade De acordo com a lei brasileira. representativa de mais da metade do capital social. em que cada acionista responde apenas pela parte com que entra para a sociedade. Desse modo. /02) poderá ser excluído da sociedade mediante decisão judicial provocada pela maioria dos demais sócios. é sempre pelo total do capital social e. Dever de lealdade dos sócios Os sócios têm o dever de lealdade para com a sociedade e os demais sócios. entender que um ou mais sócios estão pondo em risco a continuidade da empresa em virtude de atos de inegável gravidade. Enquanto não for modificada a lei brasileira a responsabilidade dos sócios. mesmo integralizada o capital da sociedade se.C.1030. importa observar que o CC/2002 dispõe: Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 18 .. diverge assim essa responsabilidade limitada da responsabilidade dos sócios nas sociedades anônimas. posteriormente.. que é inerente à affectio societatis e se insere como condição básica para a realização do objeto social. C. inclusive o majoritário desde que tenha incorrido em falta grave no cumprimento de suas obrigações ou por incapacidade superveniente (art.1085:” ressalvado o disposto no art. for desfalcado os sócios poderão ser compelidos solidariamente a completá-lo.997.Paulo Nevares 3. apenas em relação aos gerentes. 2º DL 3708/19). A esse respeito.1030. O Código Civil estabelece em seu art. respondem ou não subsidiariamente pelas obrigações sociais. A limitação da responsabilidade dos sócios ao total do capital social deve ser consignada obrigatoriamente no ato constitutivo da sociedade.4. faz-se necessário o provimento judicial para exclusão de sócio fundamentada em falta grave ou incapacidade superveniente ao seu ingresso. O contrato social deverá indicar se os sócios (art. no Brasil. quando a maioria dos sócios. assim.

afirmar que. assim dispõe o art. 1. A redação do dispositivo poderia levar o intérprete a concluir que as sociedades formadas antes da nova lei e ainda existentes após seu advento não teriam solução de continuidade. salvo se emancipado. 1634. por conseguinte. já que tal ilação esbarraria no óbice do ato jurídico perfeito. os administradores dos bens dos menores não poderão ultrapassar a simples administração e nem contrair obrigações em nome deles.010.Paulo Nevares I – em seu art. qualquer cotista poderá ser chamado a integralizar. mediante iniciativa da maioria dos demais sócios. todos os cotistas respondem solidariamente pela integralização de todo o capital social. não fazendo distinção entre herdeiros maiores e menores para caso de continuação da sociedade.V e 1690 do CC/02. o que. Não estando o capital integralizado. Menor como sócio quotista O decreto 3708/19. A fiança e as situações a ela assemelhadas fogem ao conceito de “simples administração”. ou seja. por falta grave no cumprimento de suas obrigações. não poderá exercer função de gerência. é um fiador dos demais. as cotas dos demais sócios. não contém disposição alguma que vede a participação de menor nessas sociedades. desde que Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 19 . § 3º. 308 do Código Comercial a este tipo de societário. que responde por perdas e danos o sócio que. 1. 977 veda a contratação de sociedade entre cônjuges casados no regime da comunhão universal ou separação obrigatória. De acordo com os art. que o sócio pode ser excluído judicialmente. nada impede a participação do menor. apenas no caso do capital não estar integralizado. Com efeito. estando o capital integralizado. de certa maneira. com seus bens particulares. todavia. sendo assim será impedida a sua participação. 977 do Código Civil: “Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. não se aplica o art. ainda que após morte de um dos sócios. II – em seu art. entre si ou com terceiros. O menor. Pode-se. Cada sócio. não nos parece ser o entendimento mais adequado. participar da deliberação que a aprove graças ao seu voto. Sendo assim. que regulou as sociedades por cotas de responsabilidade limitada.030. 1691. tendo em alguma operação interesse contrário ao da sociedade. Sociedade entre Cônjuges A regra do art.

ou entre ambos e um terceiro. No mesmo sentido. quando forem casados sob o regime da separação total de bens (artigo 1. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.Paulo Nevares não tenham sido casados no regime da comunhão universal de bens. Patrícia Barreira Diniz Soares apresentou a posição do Departamento Nacional de Registro do Comércio. Não há na doutrina um consenso sobre o assunto. a propósito. que. pela atual lei só é permitida a constituição de sociedade entre marido e mulher. reconhece que a única saída aos sócios cônjuges seria a modificação do regime de casamento. pelo qual se decidiu que a proibição do artigo 977 do Código Civil não se aplicaria às sociedades entre cônjuges formadas antes do Código de 2002 em respeito ao ato jurídico perfeito. e Rosa Maria Andrade Nery são categóricos ao afirmar que tais sociedades deverão se adaptar ao novo regramento. que esclarece: a lei não prejudicará o direito adquirido. a questão deve ser analisada à luz do art. vem Pablo Stolze Gagliano. Ao debruçar-se sobre o assunto. sem analisar o regime de bens dos sócios. embora critique acidamente a postura do legislador. antes de tudo. 5º. assim como a orientação seguida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo.916 obedece às suas disposições. assim como tendo em mente que o atual art. Sócio Remisso Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 20 . No primeiro caso — o da comunhão universal — a sociedade seria uma espécie de ficção. parágrafo 1º. já que a titularidade das quotas do capital de cada cônjuge na sociedade não estaria patrimonialmente separada no âmbito da sociedade conjugal.687). adaptando-se às exigências da nova lei. que a vedação legal tem razões óbvias. ou no da separação obrigatória. Nelson Nery Jr. separação parcial (artigo 1. seria ilógico as partes contratarem sociedade se a lei não lhes permite misturar seus patrimônios no âmbito do casamento. Todavia. alterando os respectivos contratos sociais. considerando que o ato jurídico perfeito é aquele já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou (artigo 6º. Em outras palavras.” É preciso reconhecer.035 dispõe que a validade dos atos jurídicos constituídos sob a égide do Código Civil de 1. que procederá normalmente ao registro das alterações dos contratos sociais das sociedades existentes antes da nova lei. Já no que tange ao regime da separação obrigatória. da Constituição. 2. da Lei de Introdução ao Código Civil).672).658) ou participação final nos aqüestos (artigo 1. XXXVI.

III . do ato constitutivo da sociedade. em regra. . deduzidas às quantias correspondentes aos juros ou indenização pela mora. cláusula essencial ao arquivamento pela Junta. II .participação nos resultados sociais. manifestar a vontade da pessoa jurídica. Nesta última hipótese. Direitos dos associados Quando contratam a constituição de uma sociedade limitada ou ingressam em uma sociedade preexistente. dependendo de alteração contratual a destituição e substituição de um ou mais deles. e externamente. mediante a subscrição ou aquisição de quotas do capital social. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 21 . devem restituir ao remisso as entradas feitas.Paulo Nevares É aquele que não integralizou as cotas que se obrigou dentro do prazo determinado. pela maioria societária. Eles exercem. função de confiança dos sócios e podem. ou expulsá-lo. administrar a empresa. CC/02) podendo a maioria dos demais sócios preferir a sua exclusão ou a redução de sua cota ao montante já realizado. a par de obrigações e responsabilidades. São por outro lado nomeados no contrato social. Importa observar que os sócios gozam desses direitos pelo simples fato de participarem do capital social.fiscalização da gestão da empresa. Os gerentes são escolhidos.retirada da sociedade. lembre-se.participação nas deliberações sociais. assim. integrado por uma ou mais pessoas físicas cuja atribuição é. em juízo. A sociedade pode cobrar-lhe o devido. passam a ser titulares de uma série de direitos. os sócios.1004. serem destituídos ou substituídos a qualquer tempo. A identificação e qualificação dos gerentes são. V . tais como: I . IV . Responde por perdas e danos (art. Apenas se previsto em contrato a escolha poderá depender da manifestação de sócios representativos de percentual maior do capital social. por isso. podendo de acordo com o art. sendo os limites e condições para o exercício desses direitos pactuados entre eles e definidos no contrato social.preferência na subscrição de aumentos de capital.Gerência É o órgão da sociedade limitada. no plano interno. 7º da lei 3708/19 ser excluído pelos sócios.

inclusive porque a maioria societária pode deliberar e reinvestir todo o valor da indenização na empresa. a sociedade certamente não promoverá a ação de indenização contra o sócio majoritário. deve estar provado que o dinheiro Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 22 . Se os danos são da sociedade. em razão disso. em ato de má administração não é o próprio sócio majoritário. na condição dos negócios sociais. o gerente deve observar. em vez de destiná-lo a distribuição entre os sócios. Mas. nenhum problema existindo nessa prática. inclusive é comum chamar de “DIRETORES” os gerentes. os membros do órgão devem ser diligentes e leais. os parâmetros de afeição do desempenho dos gerentes da limitada. contudo. e deixando de fazer o que ele desaconselha. O paradigma do gerente diligente é o administrador com competência profissional. Para cumprir o dever de diligência.Paulo Nevares Nas grandes empresas exploradas por limitadas. Pelos danos indiretos. por ser ele o seu representante legal. Responsabilidade do gerente Os deveres de diligência e lealdade aplicáveis a qualquer pessoa incumbida de administrar bens ou interesses alheios. a situação é bem diversa. na Junta sem a assinatura do majoritário. porque a alteração contratual necessária ao ato não poderá ser arquivada. só ela é titular do direito a indenização. em curso. na melhor das hipóteses haverá menos resultado social para distribuir como lucro. sua destituição pelos sócios minoritários é impraticável. sofrer prejuízo o gerente será responsável pelo ressarcimento dos danos. Se descumprir seus deveres. não é necessário ter concluído o curso superior de administração de empresa e encontrar-se inscrito no conselho profissional respectivo. a lei não o exige. Além disso. por deficiência do gerente. em nome próprio o ressarcimento dos danos. Em primeiro lugar. se o próprio sócio majoritário exerce a gerência. e a sociedade. As atribuições da gerência no plano interno são as de administrar a empresa. Quando a sociedade empresária tem prejuízo. portanto. Note-se que. os sócios não têm ação contra o gerente. para exercer a gerência da limitada. os preceitos da tecnologia da administração de empresas fazendo o que esse conhecimento recomenda. Quando o gerente. O sócio minoritário demanda. pelo majoritário. Tais deveres representam. No processo. os sócios naturalmente sofrem um dano indireto na medida em que. decorrentes de exercício abusivo dos direitos de sócio. provavelmente será destituído e responderá a ação indenizatória proposta pela sociedade.

que se atribua ao gerente o título de diretor. Os emancipados. O gerente social. mas sem condição de órgão da sociedade. Havendo sócios menores.é aquele que faz atuar a empresa. obviamente. trata-se Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 23 . de que estamos tratando não se confunde com o gerente administrativo. O administrador da sociedade é o gerente ou diretor . apenas servindo para a sua responsabilização interna. O mandatário tem apenas os poderes que lhe forem expressamente outorgados. que é um mero preposto. Há quem entenda que. apenas a transmite conforme as instruções do mandante. estarão estes impedidos de exercer a gerência ainda que púberes.1172 do CC/02). Cessão de Quotas A cessão de quotas foi omitida na lei 3708/19. O sócio em minoria. um empregado com atribuições de direção na hierarquia da empresa. sem prejuízo do regular funcionamento da empresa. exceto os que lhe forem expressamente retirados. Os sócios gerentes respondem individualmente sempre que agirem em desacordo com o contrato social ou a lei. porém. nem mesmo as restrições contratuais aos poderes dos gerentes têm eficácia externa. têm condições de exercê-la. O mandatário não gera a vontade.Na primeira corrente. Para segunda corrente. estando equiparados aos maiores.Paulo Nevares correspondente aos danos derivados da má administração poderia ser distribuído entre os sócios. terá direito a parte desse numerário proporcional a sua cota. os atos do gerente apenas obrigam a sociedade não os alcançando pessoalmente. a transmissão intervivos de quotas dependeria da concordância dos sócios. O gerente social ou sócio gerente deverá pertencer aos quadros da sociedade se o contrato silenciar sobre quais os sócios que detém poderes de gerência todos os terão. utilizando-se o vocábulo gerente para o administrador das demais sociedades. não comportando as figuras da representação ou da assistência. Na hipótese de uma prática normal. o órgão tem todos os poderes. onde se cria uma controvérsia se para esta cessão dependeria ou não da autorização dos sócios. a gerência é ato pessoal. para a figura do gerente administrativo (art. Nada impede. como participação nos lucros. O Código Civil reserva a palavra ”gerente”. A designação de diretor é própria das sociedades anônimas. ou seja.

Quotas liberadas. solução adequada até mesmo nos casos de omissão de contrato social. tal como ocorre nas sociedades anônimas. No caso de cessão intervivos cabe ressaltar três tipos: Cessão de sócio para sócio É a preferida. isto é. tal cláusula torna-se obrigatória para os sócios sobreviventes. Cessão de quotas a terceiros Para esta cessão deve-se observar duas situações distintas: Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 24 . por si só. IV. Acordo dos sócios. perante nosso direito. 8º do Decreto Lei 3708/19) Analisando o artigo se faz necessário à existência de dos seguintes requisitos: I. se estiverem de acordo promoverão a competente alteração contratual. não sendo sócio se não desejar. no seu artigo 1003. Sem ofensas do capital. Já o Código Civil de 2002.Paulo Nevares de uma sociedade de capital. II. é facultada a recusa de fazer parte da sociedade. reserva patrimonial que possibilite a aquisição. a morte de um dos sócios não acarreta. Fundos disponíveis. pois as quotas permaneceriam nas mãos dos sócios que integram a atual sociedade não nas mãos de estranhos. Cessão à própria sociedade (art. Deverá após apuração dos haveres do de cujus (sócio falecido) receber o correspondente. Cabe ressaltar que. Não poderão os herdeiros propor dissolução e respectiva liquidação da empresa para saldar interesses pessoais. Sendo assim. não podendo nenhum deles recusar o ingresso dos herdeiros na sociedade. a dissolução da sociedade. prevê que a cessão de cotas depende da concordância dos demais sócios e. a cessão independeria de qualquer manifestação dos demais sócios. Aos herdeiros sim. mas sim credores nos limites de seus respectivos quinhões. em manifestação da maioria. que não pode ser atingido pela transação. ou seja. se foi no contrato social prevista a continuação com os herdeiros. para tanto. III. integralizadas pelos respectivos sócios.

dispensam quaisquer formalidades. sendo Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 25 . a lei impõe alguns procedimentos. que. Não tendo estes cotistas outros bens para pagamento de seus credores justa será sua penhora. dissolverem a sociedade. nada impede que essa penhora recaia sobre os lucros decorrentes dessas mesmas cotas (art. Os demais cotistas poderão. prevalecerá o acordado no contrato social. a exclusão do sócio resulta da concordância plena dos demais. C. pagando assim pela má escolha de um sócio (art.C. adquirir a cota do credor. ou então usarem de seu direito de recesso ou ainda. dada sua importância para a sociedade e repercussão nos direitos dos sócios e de terceiros. basicamente.C. Por outro lado. Omissivo a respeito do assunto.art. tomando várias deliberações. devem os sócios reunir-se em conclave (reunião ou assembleia). Entretanto. elencados. Estabelecida a restrição./02. Na segunda hipótese./02).).085 do NCC. em relação a determinadas matérias. nesse caso. Assembleia e quorum de instalação Assembleia No dia-a-dia da sociedade. Para tratar dessas matérias e de outras que o contrato social pode estipular. manifesta a necessidade de concordância prévia dos demais sócios.1026. Possibilidade de penhora O credor de dívida particular de um sócio poderá penhorar suas cotas de uma sociedade como garantia? A maioria dos autores é acorde pela afirmativa desde que o contrato social o permita. nos artigos 1. 2) Cessão decorrente de exclusão de sócio remisso (é aquele que não integralizou as cotas a que se obrigou . nenhum obstáculo poderão opor os sócios exceto quando inquestionavelmente o adquirente for o inidôneo.1026.Paulo Nevares 1) Cessão decorrente da vontade de um dos sócios. 7º do Decreto Lei 3708/19). conforme também estabelecido no contrato social. parágrafo único. em regra. os sócios relacionam-se entre si e com terceiros. Também é de se considerar a situação em que o cotista assim se constituiu através de empréstimos. C.071 (cuja enumeração não é exaustiva) e 1.

E mais. que é órgão de representação da sociedade. mediante outorga de mandato com especificação dos atos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 26 . mesmo que constituída com menos de 10 (dez) sócios. tratar desses assuntos. funcionamento e assentamento.073 do NCC). quando regularmente convocado (artigo 1.152 do NCC). principalmente. Ou seja. é órgão interno. no tocante à reunião. Quorum de instalação A assembleia dos sócios se instala com a presença. O conclave não é órgão permanente. ao lado da administração e do Conselho Fiscal. O conclave (assembleia ou reunião de sócios) é. livremente.O artigo 1. além de irrevogável e indelegável (exceto na hipótese do parágrafo 4º do artigo 1.072). seguidas as regras dos artigos 1.072 do NCC).074 do NCC. devendo suas deliberações serem executadas pela administração.075 do NCC. pode o contrato social estabelecer. ao quorum legalmente previsto para validade da decisão que tomarem. ou por advogado.074 e 1. que.Paulo Nevares em assembleia. nos casos omissos no contrato. quando a sociedade for composta por mais de 10 (dez) sócios (parágrafo 1º do artigo 1. não seria conveniente.072 e 1. Instala-se uma vez por ano (artigo 1. por exemplo. Já. Ressalte-se que toda sociedade limitada. que. supremo e soberano. sendo a assembleia muito mais formal do que a reunião.074 do CC/2002). 1. o que. com liberdade. 75% do capital social e. obedecendo. rigorosamente. É órgão deliberativo.078 do NCC) ou a qualquer tempo. do NCC) órgão da sociedade. não há necessidade de serem. deve observar a regra do artigo 1. obrigatoriamente. O sócio pode ser representado na assembleia por outro sócio. de titulares de. É importante observar que se aplicam às reuniões dos sócios. no mínimo. a regra do parágrafo 3º do artigo 1. em primeira convocação. a começar pelo modo de sua convocação (vide. para instalar-se.072. se este existir (artigo 1.066 e segs. podendo o contrato social.071 do NCC estabelece o regime de competência privativa da comunhão dos sócios. a sua instalação. O mesmo não se diga em relação à assembleia. A diferença entre as duas modalidades de encontro não está só na designação. dado o seu maior formalismo. combinado com o artigo 1. poderá adotar o regime da assembleia. tem como efeito a exclusão da competência da administração sobre as matérias nele previstas. neste aspecto. em segunda convocação.079 do NCC). as regras atinentes à assembleia (parágrafo 6º do artigo 1. em se tratando de reunião. na prática. com qualquer número (art.

pedido de convocação fundamentado. 3. e de cinco dias. devendo o instrumento ser levado a registro. nos casos previstos em lei ou no contrato: • pelos administradores. 1. 2. entre a data da primeira inserção e a da realização da assembleia. ao contrário do Dec. ao menos. A publicação do aviso convocatório deverá ser feita no órgão oficial da União ou do Estado. juntamente com a ata da assembleia ou reunião. por mais de sessenta dias. hora e ordem do dia. o prazo mínimo de oito dias. quorum qualificado de ¾ ( significa dizer que a aprovação deve ser de pelo menos ¾ da totalidade do capital social). Espécies de quorum O NCC. adotou para as deliberações sociais cinco espécies de quorum. para as posteriores. cientes do local. • pelo conselho fiscal. a saber: 1. quando não atendido. conforme localização da sede e em jornal de grande circulação. Dispensam-se as formalidades de convocação quando todos os sócios comparecerem ou se declararem. quando os administradores retardarem a convocação. data. A assembleia será presidida e secretariada por sócios escolhidos entre os presentes (art. Formalidades da Convocação: O anúncio de convocação da reunião ou assembleia de sócios será publicado por três vezes. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 27 .075 do CC/2002). devendo mediar. Convocação da reunião ou assembleia de sócios: A reunião ou assembleia de sócios será convocada. se houver. no prazo de oito dias.Paulo Nevares autorizados. por escrito. se a diretoria retardar por mais de trinta dias a sua convocação anual. • por sócio. quorum de unanimidade (significa a aquiescência de 100% do capital social no atendimento a uma questão discutida). com indicação das matérias a serem tratadas. ou sempre que ocorram motivos graves e urgentes.708/1919. para a primeira convocação. • por titulares de mais de um quinto do capital.

076 CC/2002). sócio ou não.076 CC/2002). 1. art. 1. se o capital estiver totalmente integralizado: Administrador sócio (inciso II. quorum de maioria simples ( significa que a aprovação deve ser de 50% mais 1 do capital social dos presentes na votação). 1. nomeado no contrato social • dois terços do capital social. designado em ato separado • mais da metade do capital social (inciso II.076 CC/2002) • mais da metade do capital social. CC/2002) Mais da metade do capital social (inciso II. 1. se o capital social não estiver totalmente integralizado. art. Administrador. art. QUORUNS c) destituição dos administradores. ou Três quartos do capital social. Maioria de capital dos presentes. b) designação dos administradores. • dois terços do capital social. 1. quando não estabelecido no contrato. 1. 4. salvo disposição contratual diversa (§ 1º.076 CC/2002). observados os respectivos quoruns: MATÉRIAS Matérias previstas no art. salvo nas matérias sujeitas a quorum diferente (inciso I. e) modificação do contrato social. art. f) incorporação. d) o modo de remuneração dos administradores. art. Administrador não sócio: (art. 1. quando feita em ato separado. quorum de maioria absoluta ( significa que a deliberação dever ser de 50% mais 1 da totalidade do capital social).061 CC/2002) • unanimidade dos sócios. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 28 . Três quartos do capital social (inciso I.Paulo Nevares 3. se o contrato não exigir maioria mais elevada (inciso III.076 CC/2002). fusão e dissolução da sociedade. quorum qualificado de 2/3 ( significa que a aprovação deve ser de pelo menos 2/3 da totalidade do capital social). além de outras previstas na lei ou no contrato. 1. art.071 do CC/2002: a) aprovação das contas da administração. 1. Matérias e respectivos quoruns de deliberação: Os sócios deliberarão sobre as seguintes matérias. Administrador sócio. no mínimo. 5. art.076 CC/2002).063.

1.004 CC/2002).justa causa Exclusão de sócio remisso Transformação Mais da metade do capital social. se o contrato social previr que as deliberações serão tomadas em reunião dos sócios pode também dispensar a existência desse livro.076 CC/2002) Ata da assembleia ou reunião Dos trabalhos e deliberações da assembleia ou reunião será lavrada uma ata.114 CC/2002) Maioria de capital dos presentes. mas no caso de sociedade com até dez sócios.076 CC/2002). h) pedido de concordata. 1. independentemente da sua participação no capital social. Maioria do capital dos demais sócios (parágrafo único do art. ele poderá ser feito a qualquer tempo. 1. art. 1. Outras matérias previstas no Código Civil 2002 Exclusão de sócio . devendo cópia dela ser levada a arquivamento na Junta Comercial. Mais da metade do capital social (inciso II. no prazo de 20 dias (art. o estado da caixa e da carteira da sociedade. salvo se prevista no ato constitutivo (art. art. o contrato social pode determinar época própria para os sócios examinarem os Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 29 . 1.Paulo Nevares a cessação do estado de liquidação. A ata deve ser lavrada em livro específico. dispondo que. se permitida a exclusão por justa causa no contrato social (art. Ao sócio. Portanto. se o contrato não exigir maioria mais elevada (inciso III. que a solicitar. do CC/2002). 1. o direito de examinar os livros e documentos. salvo estipulação no contrato que determine época própria para esse exame. § 2º.085 CC/2002). 1. deverá ser entregue cópia autenticada da ata.075. Fiscalização da gestão da empresa O art.021 do CC/2002 concede ao sócio. Totalidade dos sócios. g) nomeação e destituição dos liquidantes e o julgamento das suas contas.

e outros. aos membros do conselho fiscal incumbem. nas sociedades limitadas. 20% do capital social. eleitos em assembleia ou reunião anual dos sócios. Até trinta dias antes da data marcada para a realização da assembleia ou reunião dos sócios para a prestação anual de contas. no mínimo. se não o fizer. devem ser. os administradores devem colocar à disposição dos sócios não administradores. os empregados de quaisquer delas ou dos respectivos administradores e o cônjuge ou parente destes até o terceiro grau.066 e 1. a instalação de conselho fiscal. pelo menos trimestralmente. exercer esse direito.Paulo Nevares livros e documentos. observado o seguinte (arts. três membros efetivos e seus suplentes. tomando por base as demonstrações financeiras. respondem limitadamente por essas obrigações. portanto. no mínimo. III . os sócios "comanditários". separadamente. denominados "comanditados". individual ou conjuntamente. II . podem eleger. c) exarar no mesmo livro e apresentar à assembleia anual dos sócios parecer sobre os negócios e as operações sociais do exercício em que servirem. os sócios podem. É facultado. Somente os sócios comanditados podem ser administradores.caso seja instalado o conselho fiscal. mas. e o nome empresarial da sociedade só poderá valer-se de seus nomes civis. devendo os administradores ou liquidantes prestar-lhes as informações solicitadas. os sócios minoritários que representarem. um membro do conselho fiscal e o respectivo suplente. os deveres seguintes: a) examinar. os membros dos demais órgãos da sociedade ou de outra por ela controlada. fraudes ou crimes que descobrirem. 1. a prestação de contas e as demonstrações contábeis relativas ao exercício anterior. por escrito. têm responsabilidade ilimitada pelas obrigações sociais. sugerindo providências úteis à sociedade. os livros e papéis da sociedade e o estado da caixa e da carteira.não podem ser membro do conselho fiscal: as pessoas legalmente impedidas de fazer parte da administração de sociedades empresárias. pessoas Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 30 . compondo-se esse órgão de. b) lavrar no livro de atas e pareceres do conselho fiscal o resultado dos exames referidos na letra “a”.além de outras atribuições determinadas na lei ou no contrato social. com mandato até o ano seguinte. a qualquer tempo. d) denunciar os erros. Comandita simples É o tipo societário em que um ou alguns dos sócios.069 do CC/2002): I . necessariamente.

no tocante às consequências da morte de sócio: entre os comanditados. não há solidariedade entre eles. a menos que o contrato social expressamente estipule o ingresso dos sucessores (CC. Não há de se olvidar que. receber poderes especiais de procurador na realização de negócios determinados.050). serem tomados por administradores e sócio de responsabilidade ilimitada. Sociedade em nome coletivo É regulado pelos arts. Os sócios comanditários. público ou particular. 1. assim como os comanditados. lembrando que o patrimônio dos sócios somente serão tocados se os bens da sociedade não forem suficientes para saldar as obrigações contraídas.028.039 a 1. Sua principal característica é a responsabilidade ilimitada e solidária dos sócios perante terceiros. quando se for atribuir responsabilidade por débitos sociais diante de credores Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 31 . a sociedade. Para essa responsabilidade.044 do Código Civil. Essa é regra geral aplicada a todos os tipos sociais. a natureza personalística ou capitalista da sociedade. aos quais cabe indicar um representante (CC.051 do C. Morrendo sócio comanditado. 1. assim. agindo em nome dela. De contra partida. de acordo com a espécie de sócio falecido. art. Varia. para se evitar a possibilidade de./02. não se dissolve.1.C. bem como tomar parte das deliberações sociais e fiscalizar a administração dos negócios da sociedade. dá-se a dissolução parcial da sociedade. em princípio. estão sujeitos às restrições específicas que lhes reserva a lei: não poderão praticar atos de gestão da sociedade. ela é "de pessoas". 1. ao menos enquanto este não for integralizado.045. Se falecer comanditário. contudo. Apenas se previsto de modo expresso no contrato. estes sempre pessoas físicas.Paulo Nevares físicas. direito de participar da distribuição dos lucros proporcionalmente às suas quotas. Poderão. 997 do citado Código. 1. e. Disciplinam a sociedade em comandita simples os arts. e suas cláusulas essenciais estão contidas no art. a menos que disposto em sentido diverso no contrato. os sobreviventes poderão liquidar as quotas do comanditário falecido. é"de capital". salvo se o contrato dispuser em contrário. Esta continuará com os sucessores. diante da própria pessoa jurídica da qual fazem parte. esta sociedade é constituída por contrato escrito. Os comanditários têm. entre os comanditários. que podem ser pessoas físicas ou jurídicas. art. cada sócio se responsabiliza pessoalmente pela parcela do capital social adquirido. I). pelos débitos contraídos em nome da sociedade.

Os títulos representativos da participação societária (ação) são livremente negociáveis. Sociedade anônima (S/A) Conceito. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 32 . Preço de emissão registre-se. será sempre possível a penhora da ação em execução promovida contra o acionista. A sociedade anônima oferece as seguintes características básicas: a) É sociedade de capitais. aí sim. Seus sócios são denominados acionistas. porém este somente seria eficaz entre os mesmos. o acordo necessitaria de aprovação unânime. por conseguinte. art. características Sociedade Anônima é a sociedade em que o capital é dividido em ações. São consideradas sociedades institucionais ou normativas e não contratuais. 1o). É possível existir um acordo de limitação da responsabilidade dos sócios. aplica-se a regra da responsabilidade solidária. Nesta hipótese. Por outro lado. já que nenhum contrato liga os sócios entre si. b) É sempre empresária. não atingindo terceiros. não se confunde com o valor nominal ou de negociação. Ou dizendo o mesmo com expressões usadas pelo legislador: o acionista responde pelo preço de emissão das ações que subscrever ou adquirir (LSA. e eles respondem pelas obrigações sociais até o limite do que falta para integralização das ações que sejam titulares. Nenhum dos acionistas pode impedir. natureza jurídica.Paulo Nevares que efetuaram negócios com a sociedade. o ingresso de nenhuma pessoa no quadro associativo. As sociedades anônimas em regra são reguladas por leis especiais. Características: A sociedade anônima é uma sociedade de capital. limitando-se a responsabilidade do sócio ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. caso não tivesse sido efetuado no ato constitutivo. até mesmo para não descaracterizar o próprio tipo social. Essas sociedades têm um modo de constituição próprio e o seu funcionamento está condicionado às normas estabelecidas na lei ou no estatuto.

sem que a sociedade seja em nada afetada. não respondendo. o que ganha relevância é a aglutinação de capitais. poderá o estatuto impor limitações a transferências. e) Uso de uma denominação ou nome fantasia para nome comercial. f) Possibilidade de pertencerem à sociedade. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 33 . de capitais. d) Possibilidade da subscrição do capital social mediante ao apelo público. assim. de igual valor nominal. menores ou incapazes. quando aquela for empregada. As sociedades anônimas no direito brasileiro distinguem-se dos demais tipos de sociedade pelas seguintes características essenciais: a) Divisão de capital social em partes. Natureza jurídica: As ações das sociedades anônimas são. Esses capitais têm. d) a responsabilidade dos acionistas é limitada ao preço de emissão das ações subscritas. os mesmos. não afetando à estrutura da sociedade a entrada ou retirada de qualquer sócio. b) Responsabilidade dos sócios é limitada apenas ao preço de emissão das ações subscritas ou adquiridas. titulares que poderão variar constantemente. A palavra companhia. Essas partes do capital são denominadas ações. não importando a pessoa dos sócios. na verdade. que apenas assumem compromisso de integralizar as importâncias relativas às ações que adquirem ou subscrevem. evidentemente. em regra. assim. A responsabilidade dos sócios é limitada. que são fundamentais para a existência e continuidade da sociedade. devendo. desde que não impeça a negociação (art. A cada sócio é indiferente à pessoa dos demais sócios. antecedendo a denominação social é sinônima da locução sociedade anônima. até diariamente. não havendo entre si o chamado “intuito personae”. perante os terceiros. transferíveis. A associação é. dispensável. contudo. por extenso ou abreviadamente. sem que esse fato acarrete nulidade para a mesma. sendo essa. Em certas situações.Paulo Nevares c) O seu capital é dividido em ações transferíveis pelos processos aplicáveis aos títulos de crédito. sempre ser acrescido as palavras sociedade anônima. 36). c) Livre sensibilidade das ações por parte dos sócios. por natureza. Na sociedade anônima. pelas obrigações assumidas pela sociedade.

Aspectos gerais: A sociedade anônima é sempre empresária. tomando assim para base de suas operações apenas o patrimônio da sociedade. com várias modificações no texto original. pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). que poderão ser ou não. Essas ações têm capacidade de circulação autônoma.303/2001 O Código Comercial regulava nos artigos 295 a 299. Desde que entrou em vigor o Código Comercial. posteriormente pela Lei nº 10303/2001. agricultura. ao contrário das demais formas societárias. tal como os títulos de crédito. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 34 . a sua retirada do organismo social não o influencia. pois a sociedade se constitui em função do capital. • a companhia fechada (também chamada de empresa de capital fechado). 10. que obtém seus recursos dos próprios acionistas.982. não contam com garantias subsidiarias por parte dos acionistas. que teve o número 6404/76 alterada pela Lei nº 9457/97 e. Quando existiam ações ao portador. como. constitui-se em Projeto (Projeto de Lei nº 2559/76) do poder executivo.Paulo Nevares Os terceiros que contratam com a sociedade. enviado ao Congresso. ainda que se destine a uma atividade não empresária. art 2º. parágrafo único do CC. no Brasil. várias leis modificaram os dispositivos relativos às sociedades anônimas. Há duas espécies de sociedades anônimas: • a companhia aberta (também chamada de empresa de capital aberto). A Lei nº. nas quais se materializa a participação dos sócios. Por outro lado. O anteprojeto de autoria dos professores Alfredo Lamy Filho e José Luis Bulhões Pedreira. a que dava o sinônimo de companhias. que capta recursos junto ao público e é fiscalizada. Trata-se de uma classificação em razão da forma. por força e efeito da Lei no 6404/76. a constituição e o funcionamento das sociedades anônimas. a circulação destas se operava sem que a sociedade nem mesmo tivesse conhecimento das transferências efetivadas. art. por exemplo. cumprida a obrigação principal dos sócios de concorrer com sua parte para o capital. através da mensagem nº 204/76 e esse finalmente. O capital da sociedade anônima divide-se em ações. em lei. a sociedade levará o título de empresária. Assim.

obra meritória. Ato ou efeito de subscrever(se). de 3/05/1978. homenagem. De acordo com os dispositivos legais citados. 2. mas em ambos os casos. etc. do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro. como as instituições financeiras. independentemente de qualquer apelo ao público. pagar a entrada. no Banco do Brasil ou em qualquer outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (Ato Declaratório n. A subscrição terá que ser feita por pelo menos 2 ( duas pessoas. da parte do capital realizado em dinheiro.art. pelo menos por duas pessoas. é processada entre determinadas pessoas.Paulo Nevares Constituição da companhia A Constituição de uma S/A pode ser feita por SUBSCRIÇÃO PARTICULAR ou por SUBSCRIÇÃO PÚBLICA. Compromisso de contribuição com certa quantia para empresa. no mínimo. de todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto. nos termos pactuados. ao qual as ações serão oferecidas. para que a S/A seja constituída. O significado da palavra subscrição é (1. 251 da Lei das S/A) b) realização. 2.” No caso da S/A a subscrição é o ato através do qual uma pessoa física ou jurídica (subscritor) assume o compromisso de realizar. o Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 35 . os organizadores ou fundadores da S/A necessitam obrigatoriamente obter subscritores para todas as ações em que se divide o capital social fixado no estatuto.404/76. no ato da subscrição. exceto na hipóteses de subsidiária integral (WHOLLY OWNED SUBSIDIARY – art. pagar as ações subscritas. cada subscritor. inicialmente. que será correspondente ao que for estipulado pelos fundadores e não poderá jamais ser inferior a 10% do preço de emissão das ações.27). a constituição de um S/A depende. autoriza todos os Bancos Comerciais). como entrada. Assim sendo. Os dois tipos diferem entre si. Já a subscrição pública se operará através de apelo ao público investidor. terá que realizar. como o próprio nome diz. A subscrição particular. c) depósito. Logo. cuja realização inicial não pode ser inferior a 50%(Lei4595/64. das seguintes providências: a) subscrição. de 10%. Esclareça-se que existem S/A em que a legislação especial exige realização inicial de parte maior de capital social. há necessidade do cumprimento de “requisitos preliminares” que estão enumerados nos artigos 80 e 81 da Lei 6. Este depósito deverá ser feito pelos fundadores no prazo de 5 (cinco) dias contados do recebimento.

Companhia constituída por Escritura Pública (art.. parágrafo único) Finalmente. é uma medida do desempenho social. no Banco do Brasil S. contudo. 94 a 99) 1) 2) 3) 4) 5) 6) Arquivamento e Publicação (art. ao montante dos bens que os subscritores conferiram à sociedade ao integralizar. 80. da parte do capital realizado em dinheiro. ou em outro estabelecimento bancário autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários. nesse sentido.96).99).A.98) Responsabilidade dos primeiros administradores (art. o Banco em que a quantia foi depositada a restituirá diretamente aos subscritores. que a constituição da sociedade anônima depende do cumprimento de vários requisitos. Representa. se a S/A for legalmente constituída no prazo de 6 (seis) meses a contar da data do depósito. Publicação e Transferência de bens (art. constando do estatuto como uma cifra formal. no mínimo. Registro do Comercio (art. Mas. no art. Caso contrário.97). Capital social Dispõe a Lei das S. pelo menos por duas pessoas. pois. de todas as ações eu que se divide o capital social fixado no estatuto. a realização. O capital social corresponde. Já que Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 36 . iniciando pela exigência de subscrição. somente é alterado quando uma decisão. Já o patrimônio (conjunto de bens da sociedade) é mutável e sujeito às contingências da vida social (amplia-se com o lucro e reduz-se com os prejuízos). for tomada pela sociedade. e para que aquela seja considerada válida deverá este firmar o boletim ou lista de subscrição e pagar a entrada. o capital um dado da maior importância na sociedade anônima. (art.A. não podendo o subscritor dela desistir. Formalidades complementares (lei 6404/76.94). é importante se esclarecer que a subscrição é irretratável. 95). de 10%.. poderá sacar o montante do depósito e transferi-lo para a conta de movimento. como capital social. 81. em princípio. Companhia constituída por Assembleia (art. do preço de emissão das ações subscritas em dinheiro e deposito. é imutável.Paulo Nevares qual se fará em nome do subscritor e a favor e vinculada à sociedade em formação – pessoa jurídica futura. art. Cumpridos estes requisitos preliminares. como entrada.

Vale ressaltar que. Variações do capital social As S. por meio de exercício da atividade compreendida no objeto social. como fator patrimonial para a obtenção de lucros. a fazer-se com bens dos acionistas (subscrição). eis que uma parte poderá ser destinada à constituição de reserva de capital. Por outro lado. Entretanto. como ocorre com as demais sociedades comerciais. fixadas em Lei (LSA. mas sim de incorporação de reservas ou lucros. que diz respeito à situação do acionista em face da porcentagem que possua do capital social. os resultados obtidos. nem sempre a totalidade da contribuição dos acionistas se dirigirá da formação do capital social. dependendo a distribuição de dividendos da existência desse excesso. de que é titular. pode ser integralizado pelo acionista em dinheiro (hipótese mais comum). 8°). O aumento desse fundo de atuação importa no aumento de capital. 13. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 37 . demonstrando a origem e a evolução dos recursos empregados.A. • A da determinação da posição do sócio. Para a integralização do capital em bens é necessário se realizar a avaliação destes.Paulo Nevares apenas será lucrativa a sociedade cujo patrimônio líquido exceder o capital social. pode o aumento de capital não ter sido gerado da contribuição dos acionistas. O capital social de uma sociedade anônima. ou com recursos gerados pela própria sociedade (incorporação de reservas ou lucros). § 2º e 14. bens ou créditos. parágrafo único). periodicamente. art. obrigam-se a levar a público. o número de votos de cada acionista decorre da parcela do capital (número de ações). • A de garantia. bem como os lucros e prejuízos acumulados na exploração da respectiva atividade econômica. que deve ser feita com observância de determinadas regras. (art. que se revela na obrigação imposta pela lei de que o valor real dos bens e direitos que integram o patrimônio ativo da companhia supere o total das dividas e obrigações que o gravam. em quantia ao menos igual à que é expressa pelo capital. Funções do capital social São três as funções básicas do capital social: • Da sua produtividade.

O aumento poderá ser deliberado pela assembleia geral ou do conselho de administração. Aumento de capital social O aumento decorrente da correção monetária se processa em dois tempos. e. como fim social. do lucro apurado. A redução do capital é caso excepcional. e tratando-se de ações em valor nominal. a correção é levada à reserva. averbando-se no registro do comércio. correspondentes ao aumento. conversão de obrigações em ações). mas também pela obtenção de novos recursos (emissão de novas ações). sendo que. sendo que. e ocorre quando haja perda substancial ou quando o capital seja considerado excessivo em relação ao objeto social. para aferição do resultado do fim social. Para a captação de novos recursos. submetendo-a a aprovação da assembleia geral. onde. até o limite de 20% do capital social. devendo corresponder ao lapso de doze meses. a capitalização poderá ser efetivada sem modificação do numero de ações. um mecanismo quase automático. podendo somente ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. 5% serão aplicados na constituição da reserva legal. significa o resultado da aplicação do capital e outros recursos na atividade produtiva no período de tempo considerado. mediante deliberação da assembleia geral ordinária. que importará em alteração do valor nominal das ações ou distribuição de ações novas. O exercício de cada sociedade deve estar no respectivo contrato ou estatuto. As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração. e posteriormente se incorpora ao capital. O capital pode ser aumentado ou reduzido. nos limites do capital autorizado. capitalização de lucros e reservas. para aumentá-lo faz-se não apenas através de ajustes patrimoniais (correção monetária anual. sendo. Exercício social é o período de tempo que se destaca da vida da sociedade para verificação do resultado econômico e financeiro de sua atividade.Paulo Nevares O período de apuração dos resultados é denominado exercício financeiro. onde o lucro. portanto. sendo que. sem necessidade de alteração estatutária. Também assim. Ainda com a emissão de novas ações. temos os valores mobiliários. a emissão de ações faz com que haja efetivo ingresso de noves recursos no patrimônio social. o aumento ocorre por meio da emissão de novas ações. Sua finalidade é assegurar a integridade do capital social. no caso de capitalização de lucros ou de reservas. a conversão de debêntures ou partes beneficiárias conversíveis Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 38 .

quando se constata o seu superdimensionamento. portanto. responsabilidade do acionista controlador. cada ação dá direito a um voto. no caso de o capital ser ostensivamente inferior ao necessário para o desenvolvimento do objeto social. Este. já que. Esses papéis constituem verdadeiros instrumentos na canalização de numerário necessário à realização do projeto empresarial. Essa divisão tem a finalidade de dar a todos os que possuírem ações de uma mesma classe direitos idênticos. a companhia recorre a expedientes como empréstimos feitos pelo controlador.Paulo Nevares em ações e. para apresentar-se. Cabendo aos acionistas apenas fixar o valor das ações. São quatro os tipos de papéis: ações. Valores mobiliários A fim de captar recursos. se não integralizadas. também. Uma vez negociados. o exercício dos direitos conferidos por bônus de subscrição ou opção de compra. Quando há redução do capital social com restituição aos acionistas. há respaldo legal aos interesses dos credores da companhia. sendo a primeira o “excesso do capital social. o seu capital em partes de igual valor nominal. contrai um mútuo com a sociedade. sendo. quando houver prejuízo patrimonial4”. seus novos adquirentes passam a titularizar direitos frente à empresa. não como acionista. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 39 . em princípio. porém as demais espécies de sociedade podem dividir. confere-se às sociedades por ações o direito de emitir e alienar títulos no mercado. em princípio de valor nominal. partes beneficiárias e bônus de subscrição. Esse fato é uma das características desse tipo de sociedade. Conceito de ação O capital das sociedades anônimas é dividido em partes denominadas ações. debêntures. quando todas as ações são dessa modalidade. mas como credor. em caso de falência desta. e irrealidade do capital social. Para obter recursos faltantes. Redução do capital social Ulhoa afirma que a Lei considera duas causas que permitem redução.

Quem transfere ações não cede direitos. • amortização – é o adiantamento feito a acionista participante do acervo social cujas ações. Aqui. a seu titular. Esse ato possui natureza impositiva. são substituídas pelas de gozo ou fruição. • ações em tesouraria – é outra forma de a sociedade negociar com suas próprias ações. Na realidade. mas sim as próprias ações. circula autonomamente. se autorizado pela assembleia geral. observando disciplinamento do estatuto. uma fração do capital. prevendo sua futura liquidação. pelo menos na regra geral. estudadas adiante. ordinárias ou preferenciais. com redução ou não do capital social. na verdade. desde que já se encontre com um percentual mínimo de 30% de integralização. tais como voto na assembleia e recebimento de dividendos. Não há qualquer óbice ao direito de o acionista vender suas ações. posto que. um valor mobiliário. do qual resultam direitos e deveres perante a sociedade. a fim de retirá-las definitivamente de circulação. neste período. O valor do reembolso poderá ser pago à conta de lucros ou reservas. começa a pagar aos sócios valores que somente seriam devidos quando partilhassem o acervo social. a lei nega a possibilidade de a companhia adquirir dos sócios suas próprias ações. No entanto. o acionista não pode opor-se a ele. à sociedade proíbe-se negociar com ações por ela emitidas. exceto em algumas situações muito especiais previstas nos arts. A ação investe o proprietário no estado de sócio. Muitos a consideram um título de crédito. • reembolso – é a operação pela qual a sociedade adquire ações de sócio que esteja praticando o direito de recesso..Paulo Nevares Cada ação é. Para essa operação. exceto a legal e. senão vejamos: • resgate – através dessa operação. reduz-se o capital social. atributiva.A. e como tal. a sociedade adquire ações pertencentes aos sócios. destas emergem os direitos de acionistas. ou 10%. 44 e 45 da Lei das S. a finalidade é reduzir a pulverização do capital social. A ação é uma coisa móvel. suprimem-se direitos inerentes ao titular das ações. não é essa sua natureza. nesse caso. mas. Ocorre quando ela adquire tais títulos para permanência em tesouraria. Nesta condição. as ações reembolsadas ficarão em tesouraria pelo prazo máximo de cento e vinte dias. em se tratando de companhia aberta. os acionistas não forem substituídos. trata-se de uma distribuição de quantias em favor dos acionistas a título de antecipação. como ocorre em uma cessão de cotas. posto que a sociedade. não pode haver redução do capital social. da condição de acionista. Em outras palavras. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 40 . Se. com recursos provenientes dos lucros ou reservas. ou até tornar a companhia fechada. se a sociedade for fechada. por conseguinte.

Este posicionamento também não é o mais adequado pois as ações representam bens indivisíveis em relação à sociedade e não entre acionista e terceiro. como demonstrado. De outro lado. Ainda. De forma simplista. não se encontram todas as condições da operação. Tal posicionamento destoa com o estabelecido pelo artigo 7º do Dec. não são documentos necessários ao exercício dos direitos pelos respectivos titulares. vez que. mas uma posição. Ação também já foi entendida como a unidade do capital social das sociedades. Fábio Ulhoa Coelho e Wilson de Souza Campos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 41 . que se detalham em instrumento apartado. autonomia e literalidade. as ações já foram consideradas como complexo de direitos e obrigações de seu possuidor. o vício comprometedor da regularidade do primeiro ato estende-se também ao segundo.663/66 (Lei Uniforme de Genebra) e artigo 13 da Lei 7. aplicáveis aos títulos de crédito. Francesco Ferrara Júnior. não possuem os mesmos requisitos que eles.357/85 (Lei de Cheque). qual seria a natureza jurídica das ações. por sua vez. Luiz Emygdio da Rosa Júnior. na verdade. pois não conferem aos sócios um crédito. o princípio da autonomia também não se encontra nos valores mobiliários. Trajano de Miranda Valverde. entendimento que não é o mais acertado pois. Logo. Logo. Egberto Lacerda Teixeira afirmava que a ação seria um título de crédito imperfeito. Francesco Galgano e Túllio Ascareli entendiam que ação teria natureza jurídica de título de crédito com condição de títulos corporativos. WALDÍRIO BULGARELI7 afirma que as ações são títulos de crédito com contornos próprios.Paulo Nevares Natureza jurídica Muito se discute na doutrina. o princípio da literalidade também não se aplica aos valores mobiliários. Entretanto. o princípio da cartularidade não lhes são aplicáveis. da qual decorrem direitos e obrigações. são complexo de direitos e obrigações de caráter patrimonial e não pessoal. os títulos de crédito são documentos que representam uma obrigação creditícia e se caracterizam pela negociabilidade e executividade. Os valores mobiliários. Rubens Requião e Fran Martins chegaram a afirmar que os valores mobiliários seriam espécies de título de crédito. pois se por ato viciado é transmitida uma ação a pessoa determinada. Rubens Requião. 57. denominado escritura de emissão. e esta a aliena a outra. e tem como características principais a cartularidade. pois a exemplo das debêntures. Segundo Fábio Ulhoa Coelho. os valores mobiliários não podem possuir natureza jurídica de título de crédito. De igual forma.

O artigo 13.404/76. valor mobiliário é a forma de captação dos recursos por parte da companhia e de investimento por parte daquele que o titulariza.00. da lei 6. Com o decorrer dos tempos.385/76. pois dependem da variação do mercado. As ações com valor nominal são aquelas que estabelecido o capital social. Sendo assim. também. não têm literalidade. que a teor da legislação vigente (art. O artigo 887 do CC de 2002 fala que o título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo. são escriturais (virtuais). I da Lei 6. Nas ações.000. Logo. Se o capital social é. que as ações são valores mobiliários de acordo com artigo 2º. Newton de Lucca está correto quando diz que as ações não poderiam ser títulos de crédito porque falta-lhes o elemento essencial consistente na cartularidade. Para melhor entendimento usamos exemplo de Fábio Ulhoa Coelho. de R$ 5. e o número de ações emitidas 5. Não atendem ao princípio da autonomia. assim. ou seja. estabelecido pelo estatuto da companhia que a emitiu.Paulo Nevares Batalha entendem que as ações não são títulos de crédito. Valor das ações Ações com valor nominal Refere-se a Ação que tem um valor impresso.000.” Argumentam os doutrinadores que as ações com valor nominal são de maior garantia frente ao mercado. 11. o valor nominal será de R$ 1. menciona que é vedada a emissão de ações por preço inferior ao valor nominal. as ações foram tomando diversas formas como.000. em que o montante em reais do capital social é dividido pelo número de todas as ações de emissão da sociedade (independentemente de espécie ou classe). É de se concluir. as ações são valores mobiliários. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 42 . este é dividido pelo número de ações emitidas pela sociedade anônima. Ademais.000. é proprietário quem estiver assim inscrito nos livros da companhia9 ou nos extratos de ações escriturais nas instituições financeiras. por exemplo os planos de opções de compras de ação previstos na Lei das Sociedades Anônimas. que assim se profere:”Trata-se de simples operação matemática. pelo qual o vício de uma obrigação no título não afeta as demais (independência das obrigações cambiais). Parece-nos mais correta esta posição. por exemplo.00. a ação seria um título que representa direitos e obrigações dos acionistas. Observa-se. nele mencionado.

calculado pela fórmula Pl = Pf – Pi (patrimônio líquido = Patrimônio final menos patrimônio inicial). 14. pois se não tivesse valor não teria como ser a empresa uma sociedade anônima. e no aumento do capital. a lei veda a emissão de ações com preços reduzidos conforme descrito acima.404/76.Paulo Nevares § 3º da lei 6. é necessário somente a verificação do estatuto constitutivo da empresa. portanto. isso significa que desta forma não pode haver a redução do capital relativo às ações já adquiridas ou subscritas. na constituição da companhia. O preço de emissão das ações sem valor nominal será fixado. Ainda. esse tipo de ação não tem valor? Tem valor sim. o cálculo pode ser feito com base no patrimônio líquido da sociedade. consolida no direito brasileiro a ação sem valor nominal. mantém o capital social de acordo com a participação de cada um. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 43 . que a função da ação com valor nominal é exatamente estabelecer ao acionista uma garantia contra a diminuição do seu patrimônio. uma sociedade de capitais. pelos fundadores. contudo. Desta forma. Para saber se as ações de uma sociedade anônima. pela assembleia-geral ou pelo conselho de administração (artigos 166 e 170. Ações sem valor nominal Existindo as ações com valor nominal. o que é feito de nos próprios estatutos. o que é uma ação sem valor nominal. § 2º). pergunta-se: Afinal. somente a parcela que ultrapassar o valor de reembolso poderá ter essa destinação. têm ou não valor nominal. Denota-se. nos seguintes termos: Art. parágrafo único. mas ao contrário das ações nominais este tipo de ação apenas não recebe um valor pré-fixado. Trata-se de Ação para a qual não se convenciona valor emissão. em seu artigo 14. que poderia ser motivada pela emissão de novas ações com preços inferiores. posto que uma das características da Sociedade Anônima é ter fim lucrativo. O valor patrimonial é calculado dividindo-se o patrimônio líquido pelo número de ações sendo que o valor encontrado não pode ser inferior ao valor mínimo estabelecido pela CVM. O preço de emissão pode ser fixado com parte destinada à formação de reserva de capital. Parágrafo único.404/76) o valor nominal das ações de companhia aberta não poderá ser inferior ao mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. prevalecendo o preço de mercado por ocasião do lançamento. na emissão de ações preferenciais com prioridade no reembolso do capital. A lei 6.

Denota-se em relação a essas ações a preocupação dos doutrinadores referente a segurança jurídica e contábil do investimento. b)Não se exclui a possibilidade de manobras fraudulentas em detrimento dos demais acionistas. 11.Paulo Nevares Sobre esse tipo de ação Rubens Requião consegue em sua obra esclarecer perfeitamente o que ela representa na sociedade anônima a teor do que abaixo é citado. que amparadas por um valor préfixado. Diante da flexibilidade que podem sofrer essas ações em consideração ao capital social. Apenas não se expressa nominalmente. segundo Modesto Carvalhosa: a)O da falta de critérios adequados para o cálculo do número de ações que devem ser emitidas na hipótese de aumento de capital mediante incorporação dos lucros e reservas. ainda. evita as chamadas bonificações. sobrevindo o aumento dessas ações. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 44 . contudo. Ela representa uma fração do capital social e. Concebe-se que no Brasil as ações sem valor nominal são pouco utilizadas pelos motivos acima expostos. um valor. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal. valor nominal. Ressalta-se. advém bonificações para os acionistas que não podem ficar no prejuízo. saber-se-á que o capital social foi divido em frações. O estatuto fixará o número das ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão.” Na verdade. nunca podem ser inferiores ao valor mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. não se quer significar que ela não tenha.ao se dizer que a ação "não tem valor nominal". possui efetivamente um valor. porém. havendo provas de fraude em relação às mesmas sobrevém a responsabilidade contra a atitude na pessoa do fraudador. ou não. que o valor dessas ações é flutuante. quando da sua negociação o preço é determinado pelo valor de mercado. 11. que uma mesma sociedade anônima pode emitir ações com valor nominal e sem valor nominal ao mesmo tempo. Observa-se. § 1º. como ocorre nas ações com valor nominal. as ações sem valor nominal assim são denominadas quando no seu texto não se faz contar o valor nominal. a teor do art. no seu texto. o que acarretaria a responsabilidade dos administradores e controladores. dentre as quais. Consultando-se o estatuto. quando descreve: Art. portanto. “. motivo pelo qual. e qual o valor relativo a essa fração tendo em vista a quantidade de ações emitidas. o estatuto poderá criar uma ou mais classes de ações preferenciais com valor nominal. sem se fazer constar o valor nominal elas podem aumentar ou diminuir de acordo com o mercado.. ou não represente um valor correspondente à fração do capital social..

3 – quantia acordada entre vendedor e comprador das ações (valor negocial). na mesma medida. em assembleia geral ou reunião do conselho de administração. por sua vez. Preço de emissão O preço de emissão das ações.. ou depois. Quanto à espécie A) Ordinárias – aquelas que conferem aos seus titulares os direitos que a lei reserva ao acionista comum. São ações de emissão obrigatória. 2 – resultado da divisão do patrimônio líquido pelo número total de ações (valor patrimonial). Não se confunde com qualquer outro valor atribuído às ações. tornando-se inoperante a garantia que o estatuto pretendeu conferir aos seus titulares". se referindo sobre a diluição do valor das ações preferenciais com valor nominal em caso de diluição das ações sem valor nominal. É que estas podem ser valoradas de variadas formas. O estatuto não precisará disciplinar esta espécie de ação. 5 – valor fixado pela própria sociedade (preço de emissão). como: 1 – resultado da divisão do capital social pelo número total de ações emitidas (valor nominal). 4 – montante estipulado por analistas de mercado. é fixado quando da fundação da companhia. Classificação Classificam-se as ações segundo três critérios distintos: espécie. nos seguintes termos: ". classe e forma. também as ações preferenciais com valor nominal. Não há sociedade anônima sem ações dessa espécie. a sociedade poderia emitir novas ações ordinárias a preço inferior. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 45 .. Quanto a esta disposição sobrevém uma crítica de Fábio Ulhoa Coelho. no próprio estatuto social.em ocorrendo isso. os direitos normalmente concedidos aos sócios da sociedade anônima. uma vez que dela decorrem apenas. baseado em observações econômicas (valor econômico ou de mercado). a diluição atingiria.Paulo Nevares Ocorrendo disposição no estatuto de que o capital da sociedade anônima dispõe de ações da espécie ordinária nominativa sem valor nominal e da espécie preferencial nominativa.

As ações ordinárias das companhias abertas não poderão ser divididas em classes.Paulo Nevares B) Preferenciais . em tese. C) De fruição .17. salvo se os estatutos ou a assembleia geral que autoriza a amortização dispuseram em sentido distinto. Para serem negociadas no mercado de capitais os direitos diferenciados das preferenciais devem ser pelo menos um de três definidos na LSA (art. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 46 . O seu titular estará sujeito às mesmas restrições ou desfrutará das mesmas vantagens da ação ordinária ou preferencial amortizada. Portanto. No entanto. a maneira pela qual são transmissíveis. como por exemplo. O critério de diferenciação entre uma forma e outra leva em conta o ato jurídico que opera a transferência de titularidade da ação. as ações serão nominativas ou escriturais.. exigência de nacionalidade brasileira do acionista ou direito de eleger. segundo este critério. ao portador ou escriturais. em separado. Com a nova redação que aquele diploma conferiu ao art. na medida em que se conceituam justamente por conferirem um mesmo conjunto de direitos aos seus titulares. endossáveis.ações que conferem aos seus titulares um complexo de direitos diferenciado.§ 1º). As ações ordinárias. a prioridade na distribuição de dividendos ou no reembolso do capital. não deveriam ser divisíveis em classe. quanto à forma em: nominativas. em função de sua conversibilidade em ações preferenciais. ou seja. a Lei possibilita aos estatutos da companhia fechada a previsão de classes de ações ordinárias. nos termos dos estatutos.são aquelas atribuídas aos acionistas cujas ações foram totalmente amortizadas. forem conferidos aos seus titulares. além das ações preferenciais poderem ou não conferir direito de votações seus titulares. Quanto à classe As ações preferenciais se dividem em classes de acordo com o complexo de direitos ou restrições que. as ações eram classificadas.20 da LSA. membros dos órgãos de administração. Quanto à forma Anteriormente à Medida Provisória que deu origem a Lei nº 8021/90. foram extintas as formas ao portador e endossáveis. com ou sem prêmio etc.

proporcionada pela transferência mediante ordem à instituição financeira e registro dessa transação -. assim.Paulo Nevares • • Ações Nominativas : são aquelas cujos certificados identificam seu titular. Ações Escriturais : não são representadas por certificados. Para emitir debêntures uma empresa tem que ter uma escritura de emissão. nas condições constantes da escritura de emissão. Tudo de acordo com as condições já insertas no próprio. também incorpora uma declaração universal de vontade. cada debênture representando. Conceito de debêntures e finalidade É um título de crédito representativo de empréstimo que uma companhia faz junto a terceiros e que assegura a seus detentores direito contra a emissora. Dessa forma. Debêntures constituem títulos de crédito impróprios. O título representa desse modo um direito de crédito contra a sociedade o que se distingue da ação que documenta um direito de participação na sociedade. como esta. Além dos juros. a prazos longos e juros mais baixos. onde estão descritos todos os direitos conferidos pelos títulos. com atualização monetária e Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 47 . Esses poderão ser fixos ou variáveis. O empréstimo é uma só. A transferência entre titulares exige o expresso consentimento do acionista vendedor e a inscrição do acionista comprador no Livro de Transferência de Ações Nominativas. as sociedades por ações têm à sua disposição as facilidades necessárias para captação de recursos junto ao público. podendo assim circular obedecidas às restrições impostas pela sociedade. apenas uma parcela do mesmo. A propriedade da ação escritural é presumida pelo registro na conta de depósito de ações. Esta modalidade de ação objetiva difundir a propriedade de ações nominativas. facilitar a circulação . também inscrito no Livro de Registro de Ações Nominativas. suas garantias e demais cláusulas e condições da emissão e suas características. da totalidade dos títulos emitidos. sendo títulos mantidos em conta de depósito. A debênture. a uma primeira apreciação de sua natureza. consubstanciando uma promessa de pagamento em dinheiro. despertaria a idéia de associá-la a uma promissória. A principal vantagem para o adquirente da debênture é o recebimento de juros pagos pela companhia. e eliminar os custos com a emissão de certificados. poderão as debêntures conferir aos seus titulares uma participação nos lucros da sociedade ou um prêmio no reembolso. pois. em nome de seus titulares. na instituição financeira que o estatuto da empresa designar.

simplesmente cria papéis. quantidade de títulos e o valor nominal unitário. As debêntures prestam-se. condições de conversibilidade. O agente fiduciário é uma terceira parte envolvida na escritura de emissão. pode ser feita por Sociedade por Ações (S. No entanto. Diferença entre ações e debêntures A empresa. cláusula de aquisição facultativa e/ou resgate antecipado facultativo. É uma alternativa para aumento de um capital. entre outras. tendo como responsabilidade assegurar que a emitente cumpra as cláusulas contratuais. de capital fechado ou aberto. restritivas e referentes à garantia. no comum dos casos. somente as companhias abertas. juros. em regra. Os debenturistas tem proteção legal por meio da escritura de emissão e do agente fiduciário. a financiar investimento fixo. conforme suas necessidades para melhor adequar o seu fluxo de caixa. qualquer outra finalidade legalmente admissível servirá para fundamentar a sua colocação. Apenas as sociedades anônimas tem legitimação para emitir debêntures. de dívida que a sociedade tem a prerrogativa de criar.Paulo Nevares resgates a prazo fixo ou mediante sorteio. Entretanto. estando as demais sociedades impedidas de fazê-lo. data de emissão. prêmio. atuarão como um meio de tomar um empréstimo ao público. A escritura de emissão é um documento legal que especifica as condições sob as quais a debênture foi emitida. ou ainda quando os antigos acionistas não convenham aumentar o capital próprio bem como nas hipóteses em que um lançamento vultoso de ações seja julgado inconveniente dados os reflexos negativos que poderia operar sobre sua cotação em bolsa de valores. as seguintes condições: montante da emissão. condições de amortização. via emissão de debêntures.). os direitos dos possuidores e os deveres da emitente. pois. normalmente. Esses papéis. ao emitir uma série de debêntures. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 48 . podem efetuar emissões públicas de debêntures. forma. sendo indicadas nos casos em que o mercado não se encontra predisposto à absorção de ações. Trata-se de documento extenso contendo cláusulas padronizadas.A. destinando-se. com registro na CVM – Comissão de Valores Mobiliários. espécie. a propiciar a empresa emitente recursos de longo prazo. Da escritura constam. remuneração. A captação de recursos no mercado de capitais. data de vencimento. um título abstrato. A debênture é.

O valor nominal das debêntures deve ser expresso em moeda nacional. A companhia poderá efetuar mais de uma emissão de debêntures. Se a emissão corresponder a várias séries a negociação de cada série dependerá também da colocação integral da anterior. ou seja. Proíbe-se ao seu titular exercer direito privativo de acionista. Uma nova emissão somente poderá ser efetuada depois de colocadas todas as debêntures da emissão anterior. Como título fracionário que é. Se a sociedade não apresentar resultado positivo. salvo nos casos de obrigação que. desde que autorizada pela assembleia geral. Caracterizam-se por ser estranhas ao capital social e por conferir aos seus proprietários direito de crédito apenas eventual contra a companhia. As partes beneficiárias podem ser alienadas pela companhia. compõem uma série única de debêntures ou um grupo de séries. em seu conjunto. Esses títulos. ou podem ser atribuídas gratuitamente a fundadores. seu proprietário simplesmente não terá valor a reclamar. o direito de um titular desse título é contra parcela de lucro da companhia (não se permite comprometimento de percentual superior a 10% no pagamento de partes beneficiárias). nos termos da legislação. Partes beneficiárias Constituem outra categoria de títulos emitidos pelas sociedades anônimas de capital fechado. com intuito de amealhar recursos para seu caixa. possa ter o pagamento estipulado em moeda estrangeira. No entanto. acionistas (como vantagem adicional de Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 49 . O valor total da emissão de debêntures não poderá ultrapassar o capital social. As debêntures ou séries não colocadas. Cada série será composta por debêntures necessariamente iguais.53. que elas terão igual valor nominal e que conferiram a seus titulares os mesmos direitos. para devida subscrição. estando previsto no parágrafo único do art.Paulo Nevares Emissão e forma Por emissão de debêntures entende-se o ato de por a sociedade as mesmas a disposição do público. desde que canceladas. permite-se sua conversão em ação. a debênture possibilita a subdivisão da emissão pretendida em inúmeros títulos. serão consideradas extintas permitindo-se desse modo que a companhia possa colocar outras séries ou até mesmo promover nova emissão. desde que previsto no estatuto e mediante capitalização de reserva criada para esse fim. Cada nova série da mesma emissão será objeto de aditamento na escritura de emissão. e cada emissão poderá ser divida em séries.

A deliberação para sua emissão compete à assembleia geral. ele será apresentado simultaneamente ao pagamento do percentual mínimo do preço de emissão das ações. o sócio. portanto. Naquelas sociedades em que as características subjetivas dos sócios podem comprometer o sucesso da empresa levada a cabo pela sociedade. Apesar de não ser uma faculdade restrita aos acionistas. estes gozam do direito de preferência para adquirir o bônus. parágrafo 4o). se o estatuto não atribuir tal aptidão ao conselho de administração. O adquirente de uma cota ou ação torna-se sócio da sociedade e passa a exercer os direitos que esta condição lhe confere. contudo.Paulo Nevares classes de ações) ou a prestadores de serviços (por retribuição de trabalhos realizados). Proíbe-se. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 50 . alienando-a. Na verdade. até determinado limite de autorização). de competência privativa da assembleia. garante-se o direito de veto ao ingresso de terceiro estranho do quadro associativo. a alienação da participação societária condiciona-se á anuência dos demais. pode dispor da participação societária. Se alienado. Não se trata. mas pode ser atribuído gratuitamente como vantagem adicional a titulares de debêntures. 46. o seu titular. é uma forma de seu titular garantir prioridade na aquisição de novas ações. a de uma sociedade institucional e denominada “ação”. quando se tratar de adquirente não sócio. Desta forma. haver mais de uma classe ou série de partes beneficiárias (art. seu adquirente deverá desembolsar o preço fixado. Normalmente é alienado pela companhia. não pertencem á sociedade. Desse modo. assim como é a deliberação a respeito de debêntures e partes beneficiárias. É de uso exclusivo das companhias de capital autorizado (aquelas em cujo estatuto já consta previsão para futuro aumento do capital subscrito. a exemplo da disponibilidade que tem dos demais bens de sue patrimônio. Alienação das cotas e das ações A participação societária de uma sociedade contratual e denominada “cota” (que se pode grafar também “quota”). Por ocasião da subscrição das novas ações. Uma ou outra são bens do patrimônio do sócio (ou acionista). ações ou partes beneficiárias. Bônus de subscrição Esse título pode ser emitido toda vez que a sociedade resolver lançar novas ações no mercado.

d) resgate. c) conversões de ações. As sociedades institucionais são sempre “de capital”. A companhia deve manter além dos livros obrigatórios. revestidos das mesmas formalidades legais. espécie ou classe. enquanto as contratuais podem ser “de pessoas” ou de “capital”. na sociedade anônima (S/A) e em comandita por ações (C/A) os acionistas não têm o direito de impedir o ingresso de terceiro não – sócio. e) resgate. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 51 . Nestas sociedades.36º).circulação das ações (LSA. dividem-se as sociedades. Os livros sociais A sociedade anônima possui. b) entradas ou prestações do capital realizado. reembolso e amortização das ações. para inscrição. 100: 1) Os livros de "Registro de Ações Nominativas" e "Registro de Ações Endossáveis".em que os sócios têm direito de vetar o ingresso de estranho no quadro associativo. Assim. espécie ou classe.Paulo Nevares Já naquelas sociedades em que não influem. a circulação da participação societária é livre. na realização do objeto social. os atributos subjetivos de cada sócio. incondicionada á concordância dos demais sócios. no tocante ás condições da alienação da participação societária nas seguintes categorias: a) Sociedades de pessoas . que registram a vida social. f) mutações operadas pela alienação ou transferência de ações. as ações são sempre penhoráveis por divida de sócio e a morte não autorizada à dissolução parcial. Em vista desse quadro. ou de sua aquisição pela companhia. para a escrituração de suas contas. outros livros especiais. anotação ou averbações de: a) nome do acionista e do número das suas ações. art. seja a pedido dos sobreviventes ou dos sucessores. próprios do empresário comercial. como dispõe o art. b) Sociedade de capital – em relação ás quais vigem o princípio da livre circulabilidade da participação societária. de uma em outra forma. os seguintes. assegurando o principio da livre . reembolso e amortização das ações. Na sociedade. além dos livros comerciais comuns.

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g) penhor, usufruto, fideicomisso, alienação fiduciária em garantia ou de qualquer ônus que grave as ações ou obste sua negociação. 2) O livro "Transferência de Ações Nominativas", para lançamento dos termos de transferência, que deverão ser assinados pelo cedente e pelo cessionário ou seus legítimos representantes. 3) O livro de "Registro de Partes Beneficiárias Nominativas" e o de "Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas", se tiverem sido emitidos, observando-se em ambos, no que couber nos itens 1 e 2. 4) Os livros de "Registro de Partes Beneficiárias Endossáveis", de "Registro de Debêntures Endossáveis" e "Registro de Bônus de Subscrição Endossáveis", se tiverem sido emitidos pela companhia, observando-se, no que couber, o disposto sobre o livro de "Registro de Ações Endossáveis". 5) O livro de "Atas das Assembleias Gerais". 6) O livro de "Presença dos Acionistas". 7) Os livros de "Atas das Reuniões do Conselho de Administração", se houver, e de "Atas das Reuniões da Diretoria"; o livro de "Atas e Pareceres do Conselho Fiscal".

Escrituração do agente emissor e das ações escriturais Sabe-se da possibilidade de a companhia atribuir a uma instituição, devidamente autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários, a tarefa de emitir as ações e manter os seus registros, descartando-se ela própria dessa organização. O agente emissor se encarrega profissionalmente dessas atribuições. Ora, a fim de melhor desempenhar essa atividade, o art. 101 permite que o agente emissor se descarte dos livros de registro individuais de valores mobiliários de cada companhia sua cliente, adotando registros gerais em escrituração própria. Ainda o art. 102 regula o registro das ações escriturais, pela instituição financeira depositária dessa forma de ações.

Exibição dos livros sociais O art. 105 refere-se à essa exibição no âmbito das sociedades anônimas.

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A exibição por inteiro dos livros da companhia pode ser ordenada judicialmente sempre que, a requerimento de acionistas que representem, pelo menos, 5% do capital social, sejam apontados atos violadores da lei ou do estatuto, ou haja fundada suspeita de graves irregularidades praticadas por qualquer dos órgãos da companhia. Essa faculdade se insere entre os direitos essenciais dos acionistas, pois constitui o de fiscalizar a gestão dos negócios sociais.

Dos acionistas O acionista é todo aquele, pessoa física ou jurídica, que é titular de ações de uma sociedade anônima. Dentre os acionistas há os que se envolvem na vida da sociedade, participando de suas assembleias e os que se põem a distancia tendo nas ações meros instrumentos de renda, ou de especulação bursatil. Direitos Da condição de acionista resultam complexo de direitos a serem exercidos perante a sociedade. Esses direitos distribuem-se em duas categorias: a dos direitos essenciais e a dos direitos modificáveis. Os direitos essências são inerentes a titularidade acionaria, não cabendo ao estatuto ou a assembleia geral excluir qualquer acionista do seu âmbito de incidência. Os direitos modificáveis ora decorrem da Lei, ora doe estatuto, podendo estender-se a todas as ações ou ter algumas classes excluídas, pelo estatuto de sua incidência como costuma acontecer com o direito de voto relativamente às ações preferências. A Lei das sociedades anônimas, Art.109 enumera os direitos essenciais que são os seguintes: direitos de participar dos lucros; direito de participar do acervo social, no caso de liquidação; direito de fiscalização; direito de preferência para a subscrição de ações, partes beneficiárias conversíveis em ações, debêntures conversíveis em ações e bônus de subscrição; direito de recesso. Os direitos modificáveis são todos os demais, vale dizer, todos aqueles que não estejam arrolados como essenciais. Os direitos essenciais não apresentam, contudo, a rigidez que seria de esperar. O acionista para exercer os seus direitos deverá cumprir os seus direitos; a assembleia geral tem competência (art.120) para suspender o exercício dos direitos do acionista que descumprir as obrigações que lhe são impostas pela Lei ou pelo estatuto.

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A suspensão abrangerá não apenas os direitos modificáveis como igualmente os essenciais, pois suspender não significa privar, tanto que o acionista, uma vez cumprida a obrigação recupera com efeitos ex tunc, os direitos que estavam suspensos. A suspensão funciona como medida suasoria, destinando-se a estimular o acionista ao cumprimento do dever. Obrigações do acionista A principal obrigação do acionista é pagar a sociedade, as ações subscritas ou adquiridas; a esse pagamento se dá o nome de integralização, sendo ações integralizadas aquelas cujo preço total foi pago á sociedade. O pagamento é feito de acordo com o previsto no estatuto ou no boletim de subscrição: pode a integralização se realizar por ocasião da subscrição ou de modo parcial, denominando-se chamada os momentos marcados pela sociedade para o pagamento das parcelas para o que a sociedade em regra faz um chamamento dos acionistas através de avisos publicados pela imprensa. Não sendo efetuado, da maneira estabelecida no estatuto ou no boletim de subscrição, o pagamento pelo acionista, fica ele constituído em mora, de pleno direito, sujeitando-se, portanto, ao pagamento de juros, da correção monetária e da multa que o estatuto determinar que não possa ser superior a 10% do valor da prestação devida. Verificada a mora do acionista, pode a sociedade propor contra ele ação executiva para a cobrança das importâncias devidas ou mandar vender as ações por conta e risco do acionista devedor. O acionista remisso Considera-se remisso o acionista que incorrer em mora, inadimplindo sua obrigação de integralizar as ações subscritas ou adquiridas. Diante da inadimplência, coloca a lei á disposição da sociedade, á sua opção exclusiva, duas providências alternativas: a) Executar o acionista remisso; b) Mandar vender as ações em bolsa de valores. Acionistas majoritários e minoritários As sociedades comerciais podem ter como elementos formadores pessoas físicas ou jurídicas. Em se tratando de pessoas físicas, deverão essas possuir capacidade, pois segundo a lei civil, a validade do ato jurídico requer: agente capaz (Código Civil, art.82), donde serem

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considerados nulos os atos praticados por pessoas absolutamente incapazes e anuláveis os praticados por pessoas relativamente incapazes. Quando uma pessoa jurídica integra a formação de uma sociedade, os atos referentes á mesma devem ser praticados pelos seus representantes legais. No quadro ativo, às vezes verifica-se uma homogeneidade de posicionamento. Outras vezes, esse quadro se divide em dois grupos um majoritário que passa a comandar a sociedade e outro minoritário que se coloca como dissidente numa espécie de oposição. Quer integrado do grupo ativo, quer entre os ausentes, o proprietário de ações, ainda que sem voto, mantém a condição de acionista. O Direito de voto O direito de voto, conforme já assinalado, não e direito essencial, posto existirem ações que não o conferem a seus titulares. A lei disciplina o exercício do direito de voto, e coíbe o voto abusivo e o conflitante. Voto abusivo e aquele em o acionista têm em vista causar dano á companhia ou a outro acionista, ou obter, para si ou para outrem, vantagem indevida e da qual resulte ou possa resultar prejuízo para a sociedade ou outro acionista. O acionista responde, civilmente. Pelos danos que causar com voto abusivo. Já o voto conflitante, pela caracterização dispensa qualquer elemento subjetivo, vem elencado em lei. O acionista não pode votar nas deliberações sobre o laudo de avaliação de bens com os quais pretende integralizar suas ações, nem na aprovação de suas contas como administrador, nem nas questões que possam beneficiá-lo de modo particular ou nas que tiver interesse conflitante com o da companhia (art.115, § 1º). A decisão tomada em função de voto conflitante é anulável, sem prejuízo da responsabilidade civil do acionista por eventuais danos decorrentes. Ao adquirir ações o acionista passa a participar da sociedade, e assim a gozar dos vários direitos oriundos dessa situação. Um dos mais importantes direitos conferidos ao acionista é o de votar nas deliberações sociais, sendo regra que a cada ação ordinária cabe um voto nas deliberações da assembleia geral. O estatuto, entretanto, pode fazer limitações a esse direito. No silêncio do estatuto, todas as ações terão direito de voto, inclusive as preferenciais. Permite-se, no entanto (art.111), que o estatuto retire as ações preferenciais, ou a uma classe destas, o direito

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algumas hipóteses nas quais mesmo sem voto as ações preferenciais por determinação legal votarão como qualquer outra ação. respondendo o acionista pelos danos causados e sendo obrigado a transferir para companhia as vantagens que houver auferido (Lei nº. será considerado abusivo o voto exercido com o fim de causar dano a companhia ou aos outros acionistas ou de obter o acionista votante para si ou para outra vantagem a que não faz ou de que resulte ou possa resultar prejuízo para a companhia ou para os outros acionistas. cabendo ao acionista que reunir. metade dessas ações mais uma o domínio das assembleias. a deliberação tomada em decorrência de voto do acionista que tem interesse conflitante com a sociedade é anulável. tem-se ai o chamado controle majoritário. fixando-se. em sua titularidade. O acionista controlador Controla uma sociedade quem datem o poder de comandá-la. Ocorrem. Como por exemplo: art. parágrafo 1º. “a”. ou ainda que. Uma outra forma de restrição seria a atribuição do voto apenas a um determinado bloco de ações.Paulo Nevares de voto.136. O controle se exerce a partir das ações com voto. art. contudo. faça-o com restrições. mais. art.161. Ora. basta que alguns acionistas se articulem. A constituição do grupo de controle encontrará no “acordo de acionistas” o instrumento de sua formalização. o poder assim ordenado tanto poderá resultar no controle majoritário. embora o admitindo. em função de determinados interesses comuns para que acumule o poder de fogo conseqüente à conjugação de suas ações. escolhendo seus administradores e definindo as linhas básicas de sua atuação. para cada grupo de cinco ações preferenciais um voto. por exemplo. Às vezes um grupo de acionistas se organiza. como no minoritário. devendo o acionista exercer o direito de voto no interesse da sociedade. parágrafo 2º. parágrafo 4º. 87.109 e 115). passando a exercer em conjunto o controle da sociedade. fundar-se a exclusivamente em uma situação de fato. 6404. Além do controle majoritário e do controle minoritário alude à doutrina ao controle gerencial e ao controle externo. estabelecendo matérias ou situações em que essas ações não votarão. em muitos casos. Exercício e abuso de poder Finalmente. art(s) . Por isso. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 56 .

116. Qualquer desvio do acionista controlador que venha a significar a utilização do poder para atender a fins pessoais em prejuízo da sociedade ou dos demais interesses que tem o dever de preservar importará na prática de abuso de poder. mais uma hipótese explícita de abuso de poder. ao mesmo tempo. 9457/97 acrescenta a essa enumeração. A pulverização da titularidade do capital.170. o abuso de poder poderá ser identificado em qualquer ato contrário ao interesse social e seus desdobramentos. O dinheiro representa o instrumento comum de realização de capital por quanto considerada a sua natureza de meios de pagamento atenderá em qualquer circunstância ao interesse da sociedade.404. O controle externo caberia a entidades estranhas ao capital social. A Lei nº. 118) A sociedade anônima é a estrutura societária mais adequada. qual seja: subscrever ações. parágrafo 1º. acarretando a obrigação de indenizar perdas e danos. face extrema pulverização do capital. através da dispersão das ações de emissão de uma companhia traz. basicamente credor da sociedade ou dos acionistas controladores as quais por forca de cláusula contratual se asseguraria o poder de influir em certas deliberações da sociedade.Paulo Nevares O controle gerencial será a detida por administradores. art. Dessarte. A enumeração não é exaustiva tanto que vem rotulada sob a rubrica “modalidades”. com a realização em bens estranhos ao objeto social da companhia. 6.117. Acordo de acionistas (Lei nº. destaca a figura do acionista controlador reconhecendo os enormes poderes de que se encontra investido art. desenvolvendo toda a sua ação no sentido de servir a sociedade e promover os interesses dos acionistas em geral. dos empregados e da comunidade em que atua a empresa. para os fins do art. e em conseqüência. Responsabilidades do controlador O acionista controlador deve conduzir-se de acordo com os padrões éticos e jurídicos que informam a atividade empresarial. junto com os novos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 57 . a concentrar capital e dispersar sua titularidade. democrática. A Lei das sociedades anônimas. enumera várias práticas que caracterizam exercício abusivo do poder. art. que é exemplificativa. A atual Lei das sociedades anônimas supera a ilusão de uma assembleia geral. o que lhes permitiria através da obtenção de procurações perpetuarem-se na direção da sociedade.

conjugada à leitura do art. como estatuto social e atas de assembleias. participação e objeto da sociedade. torna-se inevitável a indagação sobre a possibilidade ou não da suspensão dos direitos essenciais do acionista que deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto social. do acionista remisso. são também direitos essenciais assegurados a todos os acionistas da companhia: a) o direito de participar do acervo líquido da companhia. Este tipo de acordo é um contrato “parassocial”.404/76. Ao lado do direito de participar dos lucros sociais. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 58 . 6.404/76 permite à assembleia geral suspender o exercício dos direitos do acionista que deixar de cumprir obrigação imposta pela lei ou pelo estatuto social. Em outros termos.Paulo Nevares acionistas. Diante da análise do art.diversos interesses que. poderá o acionista remisso ter o exercício de seu direito de participar dos lucros sociais suprimidos por deliberação da assembleia geral? Os direitos essenciais são instrumentos indispensáveis à estabilização das relações de poder internas à companhia. b) o direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais. apesar de convergentes quanto à constituição. c) o direito de preferência para subscrição de novas ações.404/76. Suspensão do exercício dos direitos O art. à parte daqueles referentes diretamente aos negócios societários. constituído em mora. o direito de recesso. É o caso. 6. 109 da mesma Lei. podem ser diferentes ou até mesmo divergentes quanto a outros aspectos. os interesses individuais dos sócios. de pleno direito. 120 da Lei n. 6. não sendo assim admitido que os acionistas possam ter esses direitos suprimidos. Assim é que. devem ser disciplinados de forma a se evitar e regular eventuais conflitos. 120 da Lei n. por não cumprir com a sua obrigação de contribuir para a formação do capital social nas condições previstas no estatuto social ou no boletim de subscrição. em caso de liquidação. por exemplo. nos termos previstos na Lei n. bônus de subscrição e outros valores mobiliários conversíveis em ações. pois é distinto dos documentos societários da companhia. Seu regramento jurídico é aquele dos contratos civis e comerciais em geral. notadamente nas sociedades anônimas dada sua vocação para dispersão societária. apesar de ter diversos reflexos no campo societário. O acordo de acionistas é o instrumento utilizado para disciplinar muitos desses interesses.

não faltaram críticas ao direito de recesso apontando-o como incentivador da má-fé e da ganância dos acionistas. ou também chamado direito de recesso. 6. delimitado pelo objeto social. de modo a impedir a adoção de medidas ligadas ao desenvolvimento da comunidade acionária. quando configurada a hipótese disciplinada em lei como pressuposto do direito de recesso. que deles se valem para atrapalhar a vida societária. Assim. Logo. mas um direito titularizado pelo sócio. deve estar pronta para as enfrentar. como um remédio frente aos abusos da maioria. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 59 . O direito de retirada. A minoria também sabe que o direito de recesso pode apresentar vantagens e desvantagens. no momento que toma uma decisão. além de causar-lhe prejuízos. Direito de recesso O direito de retirada não é um acordo para com a sociedade. o dissidente apenas impõe à sociedade as conseqüências jurídicas da declaração unilateral de vontade. que amálgama a reunião de pessoas (físicas ou jurídicas) na execução de um empreendimento lucrativo comum. Por outro lado. fundamentada na justificativa que a maioria. não haverá negociação. mas sim a suspensão temporária do exercício deles. 120 da Lei n°. É considerado por parte da Doutrina. por isso. firma-se uma posição contrária. e sim a submissão da sociedade à vontade do sócio de reembolsar o valor correspondente ao seu direito. A esta crítica. cessando tão logo cumprida a obrigação. conhecida como a Lei das Sociedade Anônimas. Essas conseqüências serão o desfazimento do vínculo social e o reembolso das quotas ou ações. o art. O direito de retirada é assegurado a todos os sócios de uma sociedade e tem por fundamento a natureza contratual do mecanismo societário.404/76 não prevê a possibilidade da supressão dos direitos essenciais. que alega não haver abuso. sabe quais serão as conseqüências e.404/79.Paulo Nevares Efetivamente. está previsto no artigo 137 da Lei 6. O direito de recesso foi concebido como mecanismo destinado à preservação da empresa e simultaneamente a possibilitar a retirada dos sócios discordantes das deliberações da assembleia. Este se justifica no affectio societatis.

todavia.Paulo Nevares Órgão sociais Assembleia geral A sociedade anônima. um ato unitário. a diretoria e o conselho fiscal. na sua totalidade. não lhe competindo a prática de atos executivos os quais estão reservados á diretoria. tem-se uma pluralidade de pessoas. sendo o prazo do mandato um referencial que não assegura a permanência no cargo.160). o conselho de administração. Atente-se porem. dos quais apenas o primeiro e o terceiro são de funcionamento obrigatório em todas as sociedades anônimas. quando um órgão social se pronuncia é a própria sociedade que esta emitindo o pronunciamento. poderá o estatuto criar outros órgãos com funções técnicas ou de aconselhamento (art. A assembleia geral é o órgão supremo da sociedade. São as seguintes às matérias de competência privativa da assembleia geral: a) Reforma do Estatuo Social . a debater e a decidir sendo coletivo o processo de tomada de decisão. a sociedade. como ato regra é a lei interna da sociedade correspondendo à atribuição de reformá-lo a uma espécie de poder legislativo. para a hierarquia que se deve colocar entre as normas legais imperativas e o estatuto. uma vez que nela reside a fonte maior de todo o poder. Assim. Efetivada a destituição caberá a assembleia Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 60 . de natureza deliberativa. manifesta-se através de órgãos aos quais compete produzir a vontade social.os administradores e fiscais poderão ser eleitos ou destituídos a qualquer tempo. para ela são convocados. Os órgãos da sociedade anônima são a assembleia geral. A deliberação em si é. eis que praticado por uma só pessoa. b) Eleição ou Destituição de Administradores e Fiscais . os acionistas. participam porque integram o órgão. cujos preceitos não poderão subsistir quando conflitantes com aquelas. Quando a assembleia se reúne. o que a fulmina com a sanção de nulidade. Além desses. Não importa o número de pessoa que participam da formação do ato. A assembleia não obriga a sociedade perante terceiros apenas autoriza essa obrigação a ser assumida se o for pela diretoria. A deliberação que introduz no estatuto uma norma ilegal apresenta objeto ilícito. com voto ou sem voto. Compõe-se a assembleia de todos os acionistas que.o estatuto. As atribuições da assembleia geral são. como qualquer pessoa jurídica.

Nas sociedades que tem conselho de administração a assembleia elege os conselheiros cabendo a estes eleger os direitos. e assembleia especial. deliberação sobre a destinação do lucro. como o próprio nome sugere. assembleia geral ordinária. assembleia geral extraordinária. transformação. com época predeterminada de realização e com destinação prevista em lei. destinando-se a apreciar qualquer matéria de interesse da sociedade. g) Autorizar a emissão de partes beneficiárias. nesse item funções típicas de um tribunal de contas. incorporação. exaustivamente declinados em lei. eleição dos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 61 .Paulo Nevares eleger substituto para a conclusão do mandato do administrador ou fiscal destituído. a avaliação dos bens destinados a f) Deliberar sobre integralização de capital.ressalvada à competência do conselho de administração nas companhias abertas. As assembleias gerais poderão ser de três espécies distintas. c) Tomar as contas dos administradores e deliberar sobre as demonstrações financeiras . fixando inclusive os dividendos a serem distribuídos. Tem a assembleia geral ordinária propósitos específicos.a assembleia exerce. para deliberar sobre a emissão de debêntures simples sem garantia real. é aquela que ocorre rotineiramente devendo ser realizada todos os anos dentro dos quatro meses que se seguem ao termino do exercício social. Assembleia geral ordinária A assembleia geral ordinária (AGO). d) Autorizar a emissão de debêntures . quais sejam: apreciação das contas e demonstrações financeiras. e) Suspender os direitos do acionista inadimplente. a realizar-se quando houver necessidade. h) Deliberar sobre liquidação. fusão e cisão. que se compõe de classe determinada de acionistas tendo por objeto apreciar questões de seu interesse especifico. i) Autorizar os administradores a confessar falência e pedir Recuperação Judicial.

Alguns assuntos incluídos entre as atribuições da AGE foram especialmente destacados pelo art. aquelas que de alguma maneira são sacrificadas pela deliberação. as quais tem por finalidade obter uma manifestação dos acionistas preferenciais na forma de previa aprovação ou de ratificação de decisão a ser tomada pela AGE. A nova redação do art. em face de nova expressão resultante da correção monetária. isto é. A assembleia especial se circunscreve às classes prejudicadas.136. § 2º permite que a CVM com relação às companhias abertas possa reduzir para efeito de assembleias especiais o quorum de aprovação de pelo menos metade das ações que compõem a classe interessada. e aprovação da correção da expressão monetária do capital. As mais importantes são as previstas no § 1º do art. Assembleias especiais As assembleias especiais reúnem os acionistas de classe determinada de ações. para apreciar qualquer matéria.Paulo Nevares administradores e fiscais.136º. Assembleia geral extraordinária A assembleia geral extraordinária (AGE) tem competência ampla. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 62 . § 3º. A assembleia especial será convocada e instalada semelhante as demais somente se considerando acolhida à proposta de deliberação que obtiver a aprovação de titulares de mais de metade das ações que compõem a classe interessada. 10303/012. Havendo outros assuntos a tratar. todavia a desnecessidade de AGE para a pura e simples alteração do artigo do estatuto que trata do capital social. Anote-se.135. alterando a proporção de ações preferenciais ou as suas características ou criando nova classe mais favorecida. dever-se-á convocar. art. que os documentos pertinentes ás matérias que serão deliberadas sejam postos á disposição dos acionistas quando do primeiro anúncio de convocação. simultaneamente uma assembleia geral extraordinária (AGE) já que a ordinária tem pauta limitada. Se várias forem às classes interessadas varias serão as assembleias uma para cada classe.136 e seus incisos afetam as próprias bases da relação social. Elimina-se assim uma das garantias maiores dos acionistas minoritários. Exige a Lei nº. podendo-se convocá-la a todo tempo.

Uma outra atribuição do conselho de administração da maior importância e que se encontra consignada no inciso VIII do art. Em segunda convocação a instalação ocorrerá com qualquer numero. Prestação de garantias a obrigações de terceiros. e deliberar sobre a constituição da companhia. Eleitos pela assembleia geral os conselheiros tem competência para eleger e destituir os diretores a qualquer tempo. Conselho de administração O conselho de administração. e secretaria por um subscritor aclamado na ocasião será lida a certidão do deposito das entradas em estabelecimento bancário bem como discutido e aprovado o estatuto. incumbindo-se. os fundadores podem dar os primeiros passos para a constituição da sociedade.Paulo Nevares Assembleia de constituição Encerrada a subscrição de todo o capital.8º. Alienação de bens do ativo permanente. A assembleia de constituição convocada pelos fundadores instalarse-á em primeira convocação com a presença de subscritores que representam metade no mínimo do capital social. Cabe-lhes a convocação da assembleia de constituição que devera promover a avaliação dos bens se for o caso segundo as normas do art. Verifica-se dessa forma que o conselho assume atribuições que normalmente seriam da assembleia. O estatuto pode conferir ao conselho poder para dentro do limite do capital autorizado deliberar sobre a emissão de ações e bônus de subscrição. Diretoria A diretoria compõe o corpo executivo da sociedade. pois lhes compete a direção da sociedade. Os diretores vivem o dia-a-dia da empresa. dia e local da reunião e serão inseridos nos jornais em que houver sido feita a publicidade da oferta de subscrição. Os anúncios de convocação mencionarão.142. 3. em todos os planos: desenvolvimento dos Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 63 . porém por outro lado de encargos típicos de diretoria. Constituição de ônus reais. Presidida por um dos fundadores. na estrutura orgânica da sociedade coloca-se em posição intermediária entre a assembleia e a diretoria. 2. sendo seus membros os detentores exclusivos da representação social. é a que concerne ao poder de autorizar os seguintes atos: 1.

143. § 2º. foram se afirmando as auditorias independentes as quais são obrigatórias apenas nas companhias abertas (art. concessão de credito. O sucesso de uma sociedade depende fundamentalmente da competência e dinamismo dos diretores posto que sejam estes os verdadeiros senhores do comando empresarial direto. Para o exercício de suas funções faculta-se ao conselho fiscal a prerrogativa de solicitar aos administradores esclarecimentos e informações cabendo-lhe ademais denunciar por qualquer desses membros ao conselho de administração ou a assembleia geral os erros. adoção de novas técnicas. Os diretores são eleitos e destituídos a qualquer tempo pela assembleia geral ou se houver pelo conselho de administração. exigindo-se ainda que não sejam membros de órgãos de administração ou empregados da companhia ou de sociedade controlada ou do mesmo grupo. Conselho fiscal O conselho fiscal é também um órgão da sociedade tendo por qualquer de seus membros função fiscalizadora sobre os administradores. As companhias fechadas podem também contratar auditoria independente. com a especificação inclusive de áreas de atuação determinadas sendo freqüente a própria outorga de denominação aos cargos: diretorpresidente. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 64 . residentes no Brasil. Os membros do conselho fiscal deverão ser pessoas físicas. O estatuto ou o conselho de administração poderá disciplinar os poderes dos diretores estabelecendo as atribuições de cada um. o que às vezes fazem por injunção de bancos credores ou ate por conveniência dos grupos que compõem a sociedade. diretor-comercial. As auditorias independentes Na verdade. conquista de mercados. em nossa prática societária jamais funcionou efetivamente o conselho fiscal tendo-se inclusive cogitado de sua extinção quando das discussões em torno do projeto da atual lei das sociedades anônimas. art. O próprio conselho fiscal tem poderes para determinar a contratação de uma empresa de auditoria. programação financeira. etc.177. diretor-financeiro.Paulo Nevares negócios. § 3º). fraudes ou crimes que descobrirem. com nível universitário ou experiência mínima de três anos como administrador de empresa ou conselheiro fiscal. Em paralelo. comando dos empregados. diretor-técnico.

base para a constituição das reservas e pagamento de dividendos aos acionistas.Paulo Nevares As companhias abertas somente poderão contratar auditores registrados na CVM. De outra forma. 216/94. chega-se ao lucro líquido do exercício. estabeleceu que. 189 da Lei das S. com culpa ou dolo. administradores e partes beneficiárias. 189. ainda que dentro de suas atribuições ou poderes ou com violação da lei ou do estatuto. mas respondera por ato ilícito seu. Do que sobrar após a feitura dessa equação. Reservas As reservas são justamente a parcela do lucro líquido do exercício não distribuída aos acionistas. 190 a necessária dedução das participações estatutárias de empregados. pelas reservas de lucros e pela reserva legal. do resultado do exercício. A companhia pode promover a responsabilização judicial de seu administrador. É o que proclama o art. por prejuízo que este lhe tenha causado mediante previa deliberação da assembleia geral. havendo prejuízo no exercício. Em qualquer caso o administrador será destituído do cargo de administração e substituído nos termos estatutários. Lucros reservas e dividendos Lucros O art. pelos prejuízos que causar. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 65 .A. Somente após todas essas reduções. nessa ordem. serão deduzidos os prejuízos acumulados e a provisão para Imposto de Renda. antes de qualquer participação. Isso acontece por várias razões. nessa ordem (art. regulou a CVM o exercício da atividade de auditoria independente estabelecendo norma e procedimentos deveres e responsabilidades alem de penalidades administrativas. A deliberação poderá ser tomada em assembleia ordinária ou se constar da ordem do dia ou tiver relação direta com a matéria em apreciação pela assembleia extraordinária. á qual compete expedir normas sobre os relatórios e pareceres a serem elaborados. parágrafo único).158 da LSA. Responsabilidade dos administradores O administrador não é responsável pelas obrigações assumidas por ato regular de gestão. Através da Instrução nº. prevê o art. este será absorvido pelos lucros acumulados.

da Lei das S. pelo menos até não prejudicar a distribuição de dividendos obrigatórios aos acionistas. 193 permite a não-constituição da reserva legal naquele exercício em que o seu saldo. é uma atitude prudente por parte da sociedade. Os arts. a diminuição do lucro decorrente de perda julgada provável. Apesar da faculdade conferida. por proposta dos órgãos de administração e. depende de Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 66 . o parágrafo 1o. trazem as formas de reservas a serem constituídas por companhia. no exercício em que deixarem de existir as razões de sua criação ou que ocorrer a perda. por ocasião de futuros prejuízos. mas a criação é feita por meio do estatuto social. 182. antes de qualquer outro encaminhamento. 198 limita a formação desse tipo de reserva. No entanto. o art. se o produto da aplicação desse percentual sobre o lucro líquido ultrapassar o valor equivalente a 20% do capital social. cujo valor possa ser estimado. d) retenção de lucros. têm previsão na lei. As reservas para contingências são criadas para compensar. Constitui-se com a destinação obrigatória de 5% do lucro líquido. basta somar o saldo de ambas as reservas constantes do patrimônio líquido e comparar o montante com o capital social. Originam-se na conformidade das necessidades da companhia. está a companhia desobrigada de destinar parte do lucro para a reserva legal. A criação dessa reserva é feita pela assembleia geral. do art. a fim de evitar abalo em sua saúde financeira. Para tanto. Sendo a soma superior ao capital social em 30%. c) reservas para contingências. e) reserva de lucros a realizar. senão vejamos: a) reserva legal. somado com as reservas de capital referidas no parágrafo 1o do art. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social. a exemplo da reserva destinada ao pagamento de debêntures. em exercício futuro. Portanto. b) reservas estatutárias. A sociedade pode proceder à retenção de lucros para investimentos.A. conforme o nome sugere. 202. exceder em 30% o capital social. É por essa razão que somente pode ser usada para compensar prejuízos ou aumentar o capital social.Paulo Nevares conforme a natureza da reserva. Na verdade. 193 a 200. f) reserva de capital. Por lado. será este último montante o seu limite máximo. explicitando natureza e modo de criação. será revertida. de que trata o art. As reservas estatutárias.

conforme dispõe o art. 182. que são formadas por contas que. se coniventes. e) pagamento de dividendo a ações preferenciais. dispõe o art. Dividendos Podem ser conceituados como a parcela do lucro líquido da companhia que será destinada ao pagamento dos acionistas. 197 que a companhia pode constituir esse tipo de reserva naqueles exercícios em que o dividendo mínimo obrigatório for superior à parcela realizada do lucro. sejam todos destinados à formação das reservas de capital. claro. serão solidariamente responsáveis administradores e membros do conselho fiscal. sem prejuízo da ação penal Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 67 . 17. devendo repor ao caixa social a importância distribuída. não pode prejudicar o pagamento dos dividendos mínimos obrigatórios. proporcionalmente ao investimento realizado por cada um na sociedade. reembolso ou compra de ações. Desta forma. seria temerário à sociedade distribuí-los a partir de recursos que efetivamente ainda não deram entrada. nos termos do art. 200 que somente podem ser utilizadas: a) na absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros. possuem alguma relação com ele. Por fim. de lucros acumulados. Se o fizerem. 202. da mesma forma que as reservas estatutárias. por proposta dos órgãos de administração e. em se tratando de ações preferenciais. se previstas tal vantagem no estatuto social. Desta forma. Desta forma. da Lei das S. embora contabilizados. O art.Paulo Nevares deliberação da assembleia geral. Desta forma. à conta das reservas de capital. apesar de obrigada ao pagamento do dividendo legal aos acionistas. 201. prevê o art. as reservas de capital. parágrafo 1º. parágrafo 5º.A. c) resgate de partes beneficiárias. c) prêmio recebido na emissão de debêntures. da reserva de lucros ou. que os recursos que ingressarem na companhia a título de: a) ágio na emissão de ações. d) incorporação ao capital social. As reservas de lucros a realizar são aquelas formadas em função de lucros que. não podem os administradores determinar o pagamento de dividendos naqueles exercícios nos quais a sociedade apresente prejuízo e não disponha daquelas reservas previstas no caput do art. apesar de não integrarem o capital social da sociedade. d) doações recebidas e subvenções para investimento. previu o art. Uma vez constituídas as reservas de capital. b) no resgate. somente irão ingressar no caixa da sociedade em exercícios futuros. A diferença entre um e outro valor será a soma da reserva. b) produto na alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição. 201 determina que somente pode haver pagamento de dividendos à conta do lucro líquido..

que podem ser fixos ou mínimos. pressupõe-se a má-fé quando a distribuição tenha sido feita sem o levantamento de balanço ou em desacordo com os resultados desse. Caso. (+) reversão das reservas de contingência formadas em exercícios anteriores. b) em se tratando de companhia fechada. Já os acionistas que os tenham recebido de boa-fé não são obrigados à devolução. na omissão do estatuto. mas o destino da quantia retida tem que ser para captação de recursos por debêntures não convertidas em ações. mesmo. Dividendos obrigatórios A fim de preservar o interesse dos acionistas minoritários contra abusos dos que detêm o poder de controle na companhia. Na hipótese de tal pagamento consumir todo o lucro líquido apurado. 202 determina a destinação para pagamento de dividendos de metade do lucro líquido do exercício. c) se a companhia for aberta. não haja tal previsão no estatuto. 202. conforme a exegese do art. parágrafo 4o). há hipóteses nas quais a companhia pode deixar de pagar os dividendos obrigatórios ou. deduzido apenas da reserva legal. 203. São elas: a) sendo a companhia aberta ou fechada. a lei criou os dividendos obrigatórios. De outra forma. por deliberação da assembleia geral. citado no parágrafo antecedente. os acionistas Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 68 . se os órgãos de administração informarem à assembleia geral ser o pagamento incompatível com a sua situação financeira (art. prioritários são os dividendos pagos aos acionistas preferenciais. reduzir-lhes seu valor. A base de cálculo para pagamento dos dividendos prioritários ou preferenciais é o lucro líquido do exercício. estes não poderão ser inferiores a 25% do mesmo lucro líquido ajustado. (-) importância destinada à formação da reserva para contingência. a serem fixados no estatuto da companhia. Pois bem. diminuído ou aumentado dos seguintes valores: (-) importância destinada à formação da reserva legal. porém. Entretanto. quando comparados com os titulares de ações ordinárias. Dividendos prioritários Os acionistas preferenciais gozam de prioridade na distribuição de dividendos. o art. 201. desde que não haja oposição de nenhum acionista presente. Pelo parágrafo 2o do art. se a assembleia geral pretender promover alteração estatutária no sentido de fixar os dividendos obrigatórios. igualmente por deliberação unânime da assembleia geral.Paulo Nevares cabível.

podendo somente ser utilizada para compensar prejuízos ou aumentar o capital. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 69 . do lucro apurado.Paulo Nevares ordinários simplesmente ficam sem receber seus dividendos. submetendo-a a aprovação da assembleia geral. obtendo. devendo corresponder ao lapso de doze meses. demonstrando a origem e a evolução dos recursos empregados. até o limite de 20% do capital social.A. como fim social. Demonstrações financeiras As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração. ou em percentual do patrimônio líquido. no primeiro. onde o lucro. Sua finalidade é assegurar a integridade do capital social. Fixos são os dividendos prioritários determinados em valores absolutos. adquirindo cambiais. MERCADO DE CAPITAIS As empresas e entidades governamentais. bem como os lucros e prejuízos acumulados na exploração da respectiva atividade econômica. empréstimos convencionais e no segundo a colocação de títulos de crédito e valores mobiliários. os resultados obtidos. O período de apuração dos resultados é denominado exercício financeiro. O exercício de cada sociedade deve estar no respectivo contrato ou estatuto. obrigam-se a levar a público. As pessoas e instituições que dispõem de capitais poderão destinálos ao mercado de títulos e valores mobiliários. Exercicio social Exercício social é o período de tempo que se destaca da vida da sociedade para verificação do resultado econômico e financeiro de sua atividade. Essa regra se sobrepõe à dos dividendos obrigatórios. periodicamente. para aferição do resultado do fim social. 5% serão aplicados na constituição da reserva legal. As S. ao passo que os prioritários mínimos são em percentual sobre o valor pago aos acionistas ordinários. significa o resultado da aplicação do capital e outros recursos na atividade produtiva no período de tempo considerado. e. quando necessitam de recursos recorrem aos mercados financeiros e de capitais.

obrigações estaduais e municipais). juridicamente inexistente. Obrigações (títulos federais.. A função fiscalizadora objetiva a coibir abusos. portanto. A atuação da CVM encontra-se restrita as companhias abertas. consultiva e de fomento. sendo que o registro para bolsa vale para o mercado de balcão. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 70 . que são as instituições financeiras em geral. Entre uns e outros se situam os intermediários do mercado. ilegítima toda e qualquer ingerência sua em companhias fechadas. a sociedades corretoras. para negociação em bolsa ou no mercado de balcão organizado exige-se registro especifico. No exercício dessas funções poderá a CVM realizar inquéritos e punir administradores.8. acionistas controladores e intermediários do mercado que tenham agido de forma incorreta. pois somente estas podem recorrer ao mercado. por conseguinte. que não esteja expressamente prevista incorrerá.Paulo Nevares CDB.. as sociedades distribuidoras e os bancos chamados múltiplos. tem na ao invés disso restrito e especifica. A função registraria compreende basicamente duas modalidades de registro: O registro da empresa e o registro da emissão. em vicio de competência. 265/97). registraria. regulamentar. A CVM tem funções fiscalizadora. ou seja. mesmo sendo fechadas. fraudes e praticas não eqüitativa. A função regulamentar envolve a expedição de atos normativos (instruções) disciplinadores de “matérias expressamente previstas nesta Lei e na Lei de sociedades por ações” (art. vinculada ao Ministério da Fazenda. especialmente os bancos de investimento. bem como promover um fluxo permanente e correto de informações aos investidores. sendo. que. encontram-se sujeitas a um registro especial na CVM (Instrução nº. ações. A CVM não tem uma competência regulamentar geral. com funções especificamente correlacionadas ao mercado de títulos emitidos pelas sociedades anônimas. O mercado de capitais se compõe. O registro da empresa tanto poderá se fazer para negociação na bolsa como para negociação no mercado de balcão.da Lei nº 6385/76). por conseguinte. dos que precisam capitar recursos e dos que tem recursos a oferecer. sendo assim.inciso I. observadas algumas exceções. Ressalva-se o caso específico das sociedades beneficiarias de incentivos fiscais. debêntures etc. sem que a recíproca seja verdadeira. Qualquer regulamentarização. Comissão de valores mobiliários (CVM) A comissão de valores mobiliários é uma autarquia federal.

as corretoras atuam em nome de seus clientes. Como em todo mercado. bem como das noticias divulgadas sobre o desempenho das sociedades. pois em seu recinto não são negociadas ações novas. resultantes da associação de sociedade corretoras. poderão ter as suas ações admitidas à negociação na bolsa de valores. seminários. mas não para a bolsa. o registro da emissão implicará automaticamente no seu registro para o mercado de balcão. A bolsa de valores mais importante do Brasil é a bolsa de valores de São Paulo. As bolsas de valores operam sobre a supervisão da comissão de valores mobiliários.Paulo Nevares A empresa. No seu recinto. estudos e publicações. para tanto encetando campanhas. A bolsa de valores é uma entidades privadas. Caso a empresa não esteja registrada. um mercado secundário. o registro da respectiva emissão. contudo. mas sim ações já do domínio de acionistas. A bolsa de valores é. os quais devem limitar-se as questões concernentes às matérias de competência da própria CVM. basicamente ações. funcionando sobre a forma de associação e tendo por sócias sociedades corretoras. os preços das ações flutuam em função da Lei da oferta e da procura. abrangendo apenas problemas de mercado ou sujeitos a sua regulamentação. verificando-se o chamado pregão. que as revendem na bolsa. deverá a CVM verificar se encontram atendidas as exigências legais. que exerce o serviço público. As bolsas de valores As bolsas de valores são entidades de natureza privada. com o Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 71 . são os acionistas titulares dessas ações. em período horário pré-determinado. O lançamento público de valores mobiliários exigirá. Ao registrar a empresa ou a emissão. Não é a sociedade anônima emissora que coloca as suas ações na bolsa. Durante o pregão. porém. realizam-se diariamente operações com valores mobiliários. seus balanços. Somente sociedades registradas na CVM. para este fim. através dos chamados pareceres de orientações. A CVM tem ainda funções de fomento. vendendo e comprando ações. desde que registrada passa a ser tida como companhia aberta. A função consultiva é exercida junto aos agentes do mercado e investidores. ou qual dependerá de providencias especiais. suas perspectivas. cumprindo-lhe estimular e promover o desenvolvimento do mercado de valores mobiliários.

Capital autorizado No regime da Lei nº. com exclusividade. operada fora da bolsa de valores. facultase a ascensão do capital social. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 72 . A companhia aberta pode estar registrada na CVM para ter os seus valores mobiliários negociados somente no mercado de balcão ou neste e na bolsa. Na Lei atual de forma muito mais adequada. o que se fará através das lojas. como se tratasse de uma modalidade de sociedade anônima. e ainda os agentes autônomos e sociedades que exerçam a mediação na negociação desses títulos. mas através dos intermediários próprios do sistema de distribuição. Como o capital social consta do estatuto. agencias e pontos de vendas dessas instituições. Os intermediários do sistema.Paulo Nevares monopólio territorial. no mercado de balcão. O mercado de balcão Toda negociação com valores mobiliários. A colocação primaria de títulos é promovida.168) de sociedades anônimas cujos estatutos contem autorização para aumento do capital social independentemente de reforma estatutária. A autorização para o aumento de capital expressa tão somente que ate o limite estabelecido pelo próprio estatuto e sem emendá-lo. Mercado de balcão compreende toda a operação relativa a valores mobiliários realizados fora da bolsa de valores. terá que contratar uma instituição ou um conjunto de instituições (pool) para a colocação de seus papéis. por sociedade corretora e instituição financeira ou sociedade intermediarias autorizadas. As entidades que integram o mercado de balcão sujeitam-se a fiscalização da CVM.4728/65 (Lei do mercado de capitais). A sociedade anônima ao deliberar uma emissão publica de ações. falavase da “sociedade anônima de capital autorizado”. são as instituições financeiras e sociedades que tenham por objeto a distribuição ou compra para revenda de valores mobiliários. a sua elevação impõe ordinariamente a alteração da cláusula estatutária que a disciplina. apenas se cuida (art. sua criação depende de autorização do banco central e seu funcionamento é controlado pela CVM. que compõe o mercado de balcão. O mercado de balcão é formado pelos intermediários do sistema com a atuação fora da bolsa. é considerada realizada no mercado de balcão.

a fim de reprimir a prática de atos de improbidade administrativa. Neste caso. o prazo para alienação das excedentes é de seis meses). até o limite do saldo das reservas. As demonstrações financeiras de uma coligada devem conter notas explicativas sobre investimento relevante (é aquele cujo valor individualmente considerado é igual ou superior a 10% do patrimônio líquido da investidora. para permanência em tesouraria ou cancelamento (ultrapassado aquele limite. Sua criação depende de prévia autorização legislativa. desde que aberta a companhia. quando também se submetem à disciplina da Lei no 8. ou aplicando imposto de renda em investimentos para o desenvolvimento regional ou setorial. XIX. a sociedade de economia mista pode participar de outras sociedades. Seu objeto somente pode ser aquele previsto na lei que autorizou sua criação.429/92. 236 da Lei no 6. salvo a possibilidade de negociar com as próprias ações.Paulo Nevares SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA São sociedades constituídas com a maioria de seu capital social com direito a voto sob a titularidade do Poder Público. Em se tratando de instituições financeiras. Já a pessoa jurídica que controla a sociedade tem os deveres e responsabilidades do acionista controlador das demais sociedades anônimas.excluída a legal. Sociedade coligada Ocorre quando uma empresa participa com 10%. ou mais. Por serem sociedades anônimas. quando obedecidas normas estabelecidas pelo Banco Central. ou quando a soma em mais de uma coligada ou controlada é igual ou superior a 15% do patrimônio líquido da companhia) em outra. do capital social da outra. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 73 .404/76. 235 a 240). entendendo-se como tal a aquisição. Podem participar de outras sociedades. desde que autorizadas por lei. conforme dispõe o art. 37. A lei veda a participação recíproca entre coligadas. quando maior que 30% do patrimônio líquido da investidora. sem prejuízo de disposições especiais. Terão obrigatoriamente conselho de administração. da CF. sem controlá-la. em combinação com o art.404 de 1976 (arts. as demonstrações financeiras de ambas serão publicadas de forma consolidada. são-lhes aplicados dispositivos da Lei no 6. sendo que o conselho fiscal terá funcionamento permanente. Os deveres e as responsabilidades de seus administradores assemelham-se aos administradores da companhia aberta.

Subsidiária integral É a sociedade anônima (única sociedade unipessoal nãotemporária prevista no Direito brasileiro). cuja totalidade das ações. art.884/94. preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. Caracteriza esta forma de ligação societária a inexistência de participação no capital social entre as consorciadas. só existe nas dívidas trabalhistas (CLT. O grupo. seja titular de direitos de sócio que lhe assegurem. Informações a respeito do investimento relevante. art. art. estas terão suspenso o direito de voto. diretamente ou através de outras controladas.078/90. de modo permanente. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 74 . além de possuir sede e administração no país. art. com ou sem poder de voto. seja de propriedade de uma outra pessoa jurídica. 28. terá designação em que constem as palavras grupo de sociedades ou grupo. à execução de seus respectivos objetos. art. Grupos de sociedades e consórcios Os grupos de sociedades são as sociedades sob relação de controle ou de coligação podem constituir grupos. apesar de não possuir personalidade jurídica própria. podem elas formar um consórcio. inciso IX). Podem ser de fato ou de direito. § 3o). simplesmente. não necessariamente constituída sob a forma de uma sociedade anônima. 2o. inciso V). com o seguinte acréscimo: se a sociedade controlada adquirir ações da controladora. § 2o) e previdenciárias (Lei no 8. visando à realização de objetivos comuns ou.Paulo Nevares Sociedade controlada e controladora É controlada a sociedade na qual a controladora. além de dívidas trabalhistas (CLT. Quanto à solidariedade pelas obrigações sociais. art. basta a sociedade de controle ser constituída sob as leis brasileiras.666/93. Com relação à solidariedade por obrigações sociais. § 2o) e nas licitações (Lei no 8. 30.212. ou por sanções decorrentes de infração à ordem econômica (Lei no 8. assim como limitações para a participação recíproca. só pode ser cobrada nas obrigações com os consumidores (Lei no 8. 2o. Para o grupo ser considerado nacional. aproveitam os mesmos comentários do parágrafo antecedente. 17) Ocorre consórcio quando mais de uma empresa une-se para executar um empreendimento comum. a depender de estarem ou não formalizados na Junta Comercial. mas brasileira. além de um só objetivo. 33. A sociedade de controle deverá ser brasileira e cada uma conservará personalidade e patrimônio próprios.

as normas da Lei das sociedades anônimas que tratam especificamente da matéria. diferenciando-as dos demais tipos societários. mas no primeiro caso. o novo código civil.280 a 284). As sociedades comanditas por ações na possuem estatuto próprio. respondendo os acionistas apenas pelo valor das ações subscritas ou adquiridas. sem limitação de tempo. não fez se não repetir. com as modificações especiais constantes do mesmo diploma legal. Hoje esse tipo societário inexiste. O capital das sociedades comanditas por ações será dividido em ações. não havendo responsabilidade subsidiária pelas obrigações da sociedade. As sociedades comanditas por ações são regidas pelas normas estatuídas para as sociedades anônimas. Essas sociedades poderão usar firma ou denominação. mas essa responsabilidade é subsidiária. Somente os acionistas poderão administrar a sociedade. As sociedades em comanditas por ações não têm natureza contratual e sim institucional. A constituição das sociedades em comanditas por ações se fará da mesma maneira por que são constituídas as sociedades anônimas. nos artigos 1090 a 1092. pelas obrigações da sociedade. pelas obrigações sociais. como já ficou dita. as regras constantes dos dispositivos especiais da Lei das sociedades por ações (art. apenas modificadas por alguns dispositivos que dão a característica diferencial desse tipo de sociedade. Os acionistas respondem apenas pela integralização dessas ações. em virtude da função que ocupam assumem responsabilidade ilimitada e solidária pelas obrigações sociais. da firma só constarão os nomes dos acionistas que ocuparem as funções de gerentes ou diretores. Poderão essas sociedades usar firma ou denominação. com pequenas variações. só têm a caracterizá-las. solidária e ilimitadamente. As sociedades comanditas por ações se caracterizam por possuírem sócios de responsabilidade limitada e sócios que. sendo reguladas pelas normas gerais estabelecidas para as sociedades anônimas. ao dispor sobre as sociedades em comanditas por ações. sendo nomeados no estatuto. mas tendo os diretores ou gerentes responsabilidade subsidiária ilimitada e solidária.Paulo Nevares Sociedade em comandita por ações É aquela em que o capital é dividido em ações. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 75 . Os princípios da Lei das sociedades anônimas são comuns as em comandita por ações. Apenas os que forem gerentes ou diretores respondem. da firma constando apenas os nomes dos sócios diretores ou gerentes. dando cada ação direito a um voto nas deliberações sociais. Esta.

Liquidação Durante a liquidação realiza-se o ativo se paga o passivo e rateia-se o saldo apurado entre os acionistas. do CPC). ou outros órgãos administrativos que inclusive tem a prerrogativa de nomear o liquidante. desse modo que a sociedade anônima é dada a permanecer por mais de um ano na condição de sociedade unipessoal sem considerar naturalmente a subsidiaria integral na qual a unipessoalidade é permanente. hipótese que somente determina a dissolução se esse fato constatado em uma assembleia geral ordinária prolongar-se ate a do ano seguinte. inciso VII. ultimar negócios pendentes. o que sucede. levantar balanço patrimonial. por exemplo. pagar o passivo. cumprindo ressaltar as seguintes: arquivar e publicar a ata ou sentença que decidir a liquidação. mantidos em vigor pelo art. liquidação judicial á qual se aplica à legislação processual (arts.1218. irregularidade capaz de anular a constituição da sociedade e inviabilidade da empresa. A dissolução por decisão administrativa acontece quando a autoridade governamental tem o poder de determinar a liquidação extrajudicial da sociedade. em três categorias segundo a maneira como operam: a) de pleno direito.206 da Lei 6404/76. c) por decisão administrativa. partilhar o saldo patrimonial entre os Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 76 .Paulo Nevares OPERAÇÕES SOCIAIS A extinção da sociedade Dissolução Os atos e fatos que determinam a dissolução foram agrupados pelo art. em que os próprios órgãos da companhia nomeiam o liquidante e supervisionam a sua atuação. Muitas são as obrigações do liquidante. com as instituições financeiras. Verifica-se. e liquidação extrajudicial sob a responsabilidade do Banco Central do Brasil. 665 e seguintes do Decreto 1608/38. Entre as causas de dissolução de pleno direito merece destaque a concernente á redução do quadro social a um único acionista. A dissolução por decisão judicial verifica-se nos casos de falência. Existem três modalidades de liquidação: liquidação ordinária. b) por decisão judicial. cabendo ao juiz nomear o liquidante. realizar o ativo. face ao Banco Central do Brasil.

Completando o rateio do ativo remanescente. A partir de então. se for o caso submeter suas contas finais a assembleia geral. Nessas assembleias todos os acionistas terão direito de voto. O credor eventualmente não satisfeito durante a liquidação não mais poderá agir contra a sociedade. Liquida-se a cota do sócio que se despediu (a apuração de haveres) e mantém-se a sociedade com os sócios remanescentes. Partilha Uma vez pagos todos os débitos da sociedade. Para efeito de liquidação qualquer divida social poderá ser paga antecipadamente. cumpridos os respectivos valores inclusive o premio se houver. a taxa média praticada pelos bancos nas operações de desconto. Tratando-se de liquidação judicial as assembleias serão convocadas por ordem do juiz competente. que as presidirá. Nesses rateios deverão ser atendidos em primeiro lugar os acionistas que tiverem prioridade no reembolso do capital. se ainda existirem valores a partilhar os rateios se processarão de forma igualitária. eis que esta já se encontra extinta. arquivar e publicar a ata da assembleia de encerramento da liquidação. independentemente das características de suas ações ate mesmo para votar eventual proposta de destituição do liquidante.Paulo Nevares acionistas. impõe-se ao credor por força da antecipação a efetivação de um desconto em nível equivalente às taxas bancárias. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 77 . bem como para deliberar sobre os demais interesses da liquidação. os rateios serão dirigidos aos demais acionistas até que estes também se reembolsem do capital correspondente a suas ações. conforme o deliberar a assembleia á partilha entre os acionistas mediante rateios dos valores que forem sendo realizados. ocorrendo então a apuração de seus haveres. Além disso. Apuração de haveres Há uma série de situações em que se impõe a liquidação das cotas de determinados sócios. poder-se-á passar. vale dizer. A ata respectiva devera ser arquivada no registro do comercio e em seguida publicada. Ao longo da liquidação deverão ser convocadas assembleias gerais destinadas a apreciar os relatórios e balanços periódicos produzidos pelo liquidante. o liquidante apresentara a assembleia geral a sua prestação de contas e aprovadas estas a companhia estará extinta. A liquidação ao contrario da falência não produz o vencimento antecipado das dívidas da sociedade.

Cumpre. porem. Nesses rateios deverão ser atendidos em primeiro lugar os acionistas que tiverem prioridade no reembolso do capital. o patrimônio. o liquidante apresentará a assembleia geral a sua prestação de contas e. no prazo de noventa dias (art. a extinção da sociedade para a criação de outra por quanto à sociedade transformada representa a Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 78 . A partir de então se ainda tiverem valores a partilhar os rateios se processarão de forma igualitária. compridos os respectivos valores. A transformação muda-lhe as características. o quadro de sócios. ou senão. 1031. Extinção Uma vez pagos todos os débitos da sociedade poder-se-á passar. aprovadas estas a companhia estará extinta. O credor eventualmente não satisfeito durante a liquidação não mais poderá agir contra a sociedade es que esta já se encontra extinta.1028) ou de alguma forma despedido da sociedade (art. se houver. A apuração de haveres destina-se a calcular qual a parcela do patrimônio da sociedade que corresponde às cotas do ex-sócio.Paulo Nevares Com o novo código civil consagra-se em Lei a regra da continuidade da empresa mediante previsão expressa da liquidação da cota do sócio falecido (art. conforme o deliberar a assembleia à partilha entre os acionistas. A ata respectiva deverá ser arquivada no registro do comercio e em seguida publicada. mediante rateios dos valores que forem sendo realizados. Concluída a apuração de haveres terá o ex-sócio ou seus herdeiros conforme o caso um crédito contra a sociedade a ser resgatado nos prazos convencionados no contrato. Completado o rateio do ativo remanescente. os créditos e os débitos. Transformação Quando a sociedade passa de uma espécie a outra se opera como que uma metamorfose. os rateios serão dirigidos aos demais acionistas ate que estes também se reembolsem o capital correspondente a suas ações. inclusive o prêmio. § 2º do CC/02). Alguns autores vêm na apuração de haveres uma dissolução parcial da sociedade. Não se verifica na transformação.1031). mas não a individualidade que permanece a mesma mantendo-se íntegros a pessoa jurídica. considerar que a dissolução é o processo que leva a liquidação enquanto a apuração de haveres é o processo que leva a liquidação de determinadas cotas permanecendo integra a sociedade.

para que da conjugação dos vários patrimônios surja uma nova sociedade. a fusão e a cisão desempenham destacado papel como técnica de reorganização empresarial. Fusão e Cisão A incorporação. na fusão duas ou mais sociedades se extinguem. servindo as duas primeiras à concentração e a última à desconcentração societária.1113 a 1115). Incorporação. o fenômeno da sucessão. fusão ou cisão começa com a elaboração de um protocolo (art.224).Paulo Nevares continuidade da pessoa jurídica pré-existente apenas com uma roupagem jurídica. Os bens que constituem o patrimônio social não serão objeto de transmissão uma vez que não mudaram de titular cumprindo promover nos registros de propriedade uma mera averbação do novo nome da sociedade. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 79 . por conseguinte. a sociedade permanece com todos os créditos e débitos anteriores exatamente porque eram e continuam sendo de sua responsabilidade. pois que ninguém pode ser sucessor de si próprio. com o novo Código Civil (art. O processo de incorporação. Não ocorre. Sempre que houver criação de sociedade deverão ser observadas no que couber ás normas concernentes à respectiva constituição. e a segunda a aprovar o laudo dos peritos e a efetivação da incorporação.A. ou outras que para tanto se extinguem. as demais sociedades passam a contar com uma regulação própria semelhante a da sociedade anônima.220 e 222) aplicavam-se a todas as espécies societárias não apenas a S. A incorporação se processa mediante duas assembleias na incorporadora e uma assembleia em cada uma das incorporadas. Incorporação Uma sociedade absorve a outra. As assembleias da incorporadora destinam-se a primeira a provar o protocolo e a nomear os peritos que avaliarão o patrimônio líquido das sociedades a serem incorporadas. completando-se com as aprovações das respectivas assembleias gerais ou reunião de sócios. na cisão a sociedade se subdivide dando lugar a novas sociedades ou a integração das partes separadas em sociedades existentes. firmado pelos órgãos de administração ou sócio gerente das sociedades interessadas. Os preceitos da Lei das sociedades anônimas sobre a transformação (art.

observadas as devidas proporções. em uma primeira fase. remanescendo uma parcela do patrimônio em seu poder. O capital da nova sociedade corresponde à soma dos patrimônios líquidos das sociedades fusionadas. entre estas e a cindida celebrar-se-á o protocolo. No segundo como as parcelas patrimoniais serão incorporadas por outras sociedades. sendo este também um caso de sucessão universal. a realização de assembleia geral em cada uma das sociedades incluídas na operação. Diversamente da incorporação e da fusão que são fenômenos de aglutinação a cisão opera por cissiparidade. com o fito de aprovar o protocolo e nomear os peritos que avaliarão o patrimônio das outras companhias. Os direitos dos credores na fusão. As ações representativas desse capital serão entregues. preservada estará a primitiva sociedade com o capital naturalmente reduzido na proporção do patrimônio liquido transmitido. No primeiro caso. não haverá protocolo. dividindo-se em duas ou mais parcelas. Com a fusão a nova sociedade sucede as sociedades fusionadas em todos os direitos e obrigações. por terem tratamento idêntico foram objeto de exame no atinente a incorporação. pois todo processo se desenvolverá no âmbito interno da sociedade cindida. Essas parcelas patrimoniais tanto poderão originar novas sociedades como se integrar em sociedades existentes. Se a cisão importar na completa transferência do patrimônio. Cisão A sociedade se fragmenta.Paulo Nevares A assembleia da incorporada tem pro objetivo aprovar o protocolo e autorizar seus administradores a subscreverem o capital da incorporadora mediante a versão do seu patrimônio liquido. Fusão Exige. aos sócios das varias sociedades extintas em virtude da fusão. a sociedade cindida se extinguirá. Direito Empresarial II – Sociedades Empresariais 80 .

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